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                  <text>A INFLUÊNCIA DA ARQUITETURA DE INTERIORES NA ORGANIZAÇÃO E
USO DE BIBLIOTECAS: O CASO DA UNICSUL
Maria Isabel Santoro
Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL – Biblioteca
Av. Dr. Ussiel Cirilo, 225 – CEP 08060-070
São Paulo – SP – Brasil
e-mail isabel.santoro@unicsul.br Fone 0 XX 11 61375734
santoro@bestway.com.br Fone 0 XX 19 2534935

Resumo: A arquitetura de interiores, que privilegia o uso de cores, a iluminação, o mobiliário
adequado e o redimensionamento do espaço físico, possibilita estabelecer uma direta
interligação entre os princípios conceituais do que é, para que serve e a quem se destina um
determinado espaço e as condições estética e de bem-estar (como por exemplo: a claridade e o
ar) necessárias ao homem para sua confortável permanência no local. Apresenta-se os
componentes conceituais adotados no projeto de reforma da Biblioteca “Prof. Haddock Lobo
Neto” da UNICSUL, baseado no Plano de Modernização elaborado no início de 1998, que
contemplou prioritariamente a ampliação do espaço físico, considerando a necessidade de
atender a mudanças estruturais de seu funcionamento. Foi desenvolvido estudo específico por
bibliotecário e arquiteto que, em conjunto, definiram o projeto final, com características
específicas para garantir identidade própria à Biblioteca. A reforma incluiu fechamento de
espaços, retirada de divisórias, troca de pisos e revestimentos, com completa mudança de
cores e alterando a luminosidade geral, o que deu nova vida ao ambiente. Foi adquirido
mobiliário novo para toda área de público e as estantes ganharam acabamento específico.
Levou-se em consideração, além das necessidades de atendimento às questões dos serviços e

1

�recursos informacionais, o aspecto de compartilhamento dos valores institucionais. Assim, foi
destinado um espaço para exposição permanente de artes plásticas, dos trabalhos de docentes
e alunos da Universidade, com objetivo de valorizar, dentro da própria Biblioteca, o aspecto
cultural da obra de arte e o aspecto educacional, uma vez que, as exposições são
acompanhadas de material instrucional. Este fato veio enfatizar a importância da arquitetura
de interiores de Bibliotecas, onde o espaço destinado ao estudo e à pesquisa merece estar
estética e dimensionalmente correto e agradável. Outro item abordado pelo projeto foi a
sinalização interna, que auxilia os usuários na localização e acesso às dependências e ao
acervo. Finalmente, apresenta-se quadro comparativo com dados de uso da Biblioteca antes e
depois da reforma do espaço físico, fotos e depoimentos, que vêm demonstrar a influência
positiva da melhoria implementada no referido ambiente interno.

TEMA : ARQUITETURA DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

A arquitetura de interiores tem uma questão fundamental que é possibilitar uma
direta interação entre a funcionalidade do espaço físico e o aspecto estético.
No caso específico da biblioteca, as funções de armazenamento de coleções,
acesso, uso, fluxos e serviços são de tal complexidade e grandeza que necessitam de estudos
muito detalhados para permitir que essa interatividade aconteça.
Apesar de existirem, no Brasil, bons prédios de bibliotecas universitárias
projetados especificamente para seu funcionamento, muitas ainda estão instaladas em

2

�edifícios que não foram construídos para este fim. Assim, tanto em prédios próprios, quanto
em espaços adaptados, o estudo do interior das bibliotecas exige atenção especial.
Quando instalada em prédios adaptados, a questão da arquitetura de interiores
sofre alguns limites vinculados à estrutura existente, principalmente quanto à localização: de
áreas de acesso (escadas, elevadores, portas), áreas com infra-estrutura hidráulica (sanitários,
cozinhas), iluminação natural (janelas, vitrôs) e carga de peso que a estrutura suporta.
Respeitadas as questões estruturais, a partir de parecer técnico elaborado por
especialista, fica nítida a leitura do novo espaço que se abre para o projeto do interior.
Assim aconteceu com a Biblioteca “Prof. Haddock Lobo Neto” da Universidade
Cruzeiro do Sul (UNICSUL), localizada em prédio adaptado. Após a elaboração do Plano de
Modernização da Biblioteca (março / 1998), tornou-se clara a necessidade de reestruturação
do espaço físico iniciando-se, então, estudos por bibliotecário que, de posse das informações
técnicas viabilizou, junto com arquiteto, as mudanças necessárias.
É importante destacar que o Plano de Modernização, solicitado pela administração
da Universidade, recebeu total apoio e ampla liberdade para inovar. Trabalhou-se com noções
ousadas em termos funcionais e estéticos, evitando-se soluções caras. Neste sentido, o plano
contemplou alterações radicais do ponto de vista organizacional da Biblioteca interagindo a
funcionalidade com aspectos estéticos e formais do espaço visando, sempre, um bom padrão e
conforto de atendimento.
Entre todos os aspectos importantes que influenciam na qualidade do ambiente,
no caso específico da biblioteca de estudos, destacam-se a ausência de iluminação e clareza
(Fotos 1, 3, 5 e 7). A biblioteca mostrava-se visualmente muito escura e pesada causando

3

�desconforto tanto aos bibliotecários como aos usuários, que já apontavam estes elementos
como pontos a serem completamente reestruturados.
Além das alterações de caráter estético, foram implementadas mudanças
diretamente ligadas à organização e ao funcionamento da Biblioteca:
a) integração dos acervos das bibliotecas “Circulante” e “Central” em uma única
coleção e, portanto com uma só organização física;
b) alteração do sistema de acesso ao acervo, de acesso fechado para livre acesso
às estantes pelo usuário;
c) organização da coleção de periódicos e da coleção de multimídia em espaços
próprios;
d) integração do controle de entrada e saída de usuários junto à área de
circulação (empréstimo, devolução, reserva) e atendimento geral.
e) definição de outras áreas que exigiram espaços específicos:
- pesquisa na Internet;
- área individual de leitura;
- salas de estudo em grupo;
- áreas de trabalho interno.
A filosofia implementada nessas alterações objetivou dar um salto qualitativo e
quantitativo no atendimento ao público. Todas as mudanças foram direcionadas ao
oferecimento de facilidades de uso da Biblioteca como um todo pelo público, seja nas
atividades rotineiras de empréstimo e devolução de livros, seja no conforto do usuário para
permanecer estudando individualmente ou em grupo, além do uso de equipamentos de
informática para acesso à informação e ao documento, através da Internet.

4

�A prioridade Número Um passou pela transformação da biblioteca em um órgão
vital para a Universidade, agregando todo o potencial dos recursos informacionais, para
disponibilizá-los através de serviços à comunidade acadêmica, mantendo e preservando sua
identidade institucional. A formulação conceitual do projeto se deu então de forma
progressiva e amadurecida. Durante todo o processo de elaboração, apresentação e
desenvolvimento do Programa de Reestruturação do Espaço Físico, uma equipe técnica
composta de: bibliotecário, arquitetos e Administração Superior da Universidade, definiram e
aprovaram através de reuniões o Programa Final, com o qual trabalhariam os arquitetos.
Seguiram-se várias reuniões para estudo da primeira Proposta de Lay-out e, assim, se
sucederam sugestões e adequações até o Projeto definitivo. Destaca-se, durante esse período,
a qualidade e o profissionalismo com que aconteceram estes estudos iniciais e o respeito e a
seriedade da Administração quando da análise e aprovação do Projeto Final.

O PROJETO
De posse do Programa apresentado pelo bibliotecário, os arquitetos trabalharam
na elaboração do Projeto, mantendo o sentido de romper as barreiras que traduziriam o espaço
antigo numa “biblioteca aberta”. “Fisicamente, o espaço passaria dos originais 993 m2 de área
para, aproximadamente, 1500 m2, portanto, este acréscimo de 50% deste novo espaço deveria
ser qualitativamente otimizado...”(ARAUJO &amp; LOCATELLI, 1999). Conforme Lay-out da
Antiga Biblioteca (ver Anexo) a área de acréscimo se localiza no Pavimento Superior, que
sofreu as principais alterações, isto é: remanejamento da escada dos fundos para a frente,
fechamento do mezanino localizado nos fundos e o uso do vidro em vedações que se fizeram
necessárias. A entrada principal e o hall do elevador ganharam destaque; criou-se uma Ilha de

5

�Atendimento com possibilidade de atendimento

interno e externo (Foto n.º 4), com

mobiliário específico desenhado pelos próprios arquitetos, revestido “com madeiras nobres e
de tonalidade clara, pois a Ilha deveria chamar atenção por si só”, segundo os autores do
Projeto. Utilizou-se “elementos visuais marcantes dentro do Campus da Universidade, como a
textura azul profundo (quase roxo) que revestiu a parede de pé direito duplo e as luminárias
com cúpula em acrílico canelado que esparramaram luminosidade para os dois pavimentos da
Biblioteca”. Os volumes laterais deste plano ganhou, com a mesma textura, a leveza do
amarelo pastel, dinamizando a entrada principal da Biblioteca.
“A antiga escada da circulação interna da Biblioteca foi remanejada dos fundos
para a frente e recebeu tratamento estético para tanto. O revestimento do piso de borracha
preta foi substituído por chapa de alumínio corrugada que reflete a iluminação recebida
diretamente da luminária do pavimento superior, proporcionando uma agradável luminosidade
ao ambiente, desprovido de iluminação natural, ao mesmo tempo que contrapõe-se à parede
azul aos fundos. O parapeito metálico que envolvia o pavimento superior foi totalmente
remodelado, ganhando desenho exclusivo e pintura prata, de modo a participar do ambiente
com leveza”. O prata veio dar um tom de modernidade ao ambiente e foi aproveitado,
também, em todos os acessórios desenhados pelos arquitetos, que utilizaram chapas metálicas
perfuradas como os: totens para informações diversas, quadros de avisos, suporte para
esculturas e painéis para exposições de artes plásticas.
“O piso de borracha que reveste todos os ambientes recebeu a cor rosè
circundando

a caixa do elevador, definindo a circulação e a cor tijolo no restante do

pavimento. Escolhemos a quente cor tijolo para receber as neutras e pesadas estantes de
livros, para criar um dinamismo visual, enquanto que a área destinada a circulação recebeu

6

�cor fria, mas viva, para não competir com o que a circunda. O rodapé de peroba acrescentou
elegância no acabamento do piso. As estantes dos livros ganharam "roupa", através de
tabeiras especialmente desenhadas, em uma de suas extremidades que suavizaram sua
aparência grotesca. Estas tabeiras, paredes e divisórias, ganharam a cor pérola ao invés do
insípido branco ou gelo. Já o mobiliário (mesas e cadeiras para estudo em grupo ou
individual) mereceu o insípido gelo enquanto que o tecido das cadeiras estofadas o mesmo
tijolo do piso” (ARAUJO &amp; LOCATELLI, 1999).
Toda a sinalização mereceu especial atenção do bibliotecário que, com apoio da
área de Marketing projetou uma Comunicação Visual harmônica e objetiva usando as placas
de PVC cor tijolo e letras brancas.

ASPECTOS CONCEITUAIS DO PROJETO
Os principais componentes conceituais adotados no Projeto de Reestruturação do
Espaço Físico foram:

A LIBERDADE DE USO
A primeira grande mudança que transformou a Biblioteca da UNICSUL foi adotar
conceitualmente a total liberdade de uso e circulação. Em seus 1 500m2, a única área que não
se tem acesso livre é a sala de trabalho dos funcionários, portanto, todos os espaços foram
pensados para o bem estar e liberdade do usuário.
A entrada da Biblioteca (Foto n.º 2) já apresenta esse ambiente aberto, claro, livre
de obstáculos visuais onde o olhar alcança o exterior, além das janelas, buscando a
transparência e fluidez do espaço.

7

�Com essa agradável aparência, a Biblioteca, quase sem paredes acomoda hoje 300
(trezentos) usuários sentados, em diferentes ambientes de estudo e pesquisa, como as áreas de
leitura individual e em grupo, espaço informal para leitura de jornais e revistas (Foto n.º 6),
salas de estudo em grupo e áreas especiais para multimídia e pesquisa na Internet.
Adotou-se amplos espaços abertos com a intercalação de mesas de leitura entre a
distribuição de estantes (Foto n.º 8), para facilitar o uso do material próximo à sua localização
física.
Nas áreas que exigiram fechamento foi utilizado vidro, mantendo assim a
transparência e leveza dos ambientes.
O acesso aos terminais de consulta e o acesso ao material bibliográfico é
totalmente livre e a interferência dos funcionários só se dá quando solicitada pelo usuário.
A sinalização complementa e auxilia na formação desse usuário independente
(Fotos 9 e 10). Todo este clima de liberdade foi estrategicamente pensado, pois, além de criar
um ambiente agradável para o público, racionaliza o tempo da equipe de apoio que trabalha
na Biblioteca.

CONFORTO
Inúmeros fatores interferem no conforto de um ambiente de estudo e pesquisa.
Estudar em ambiente adequado e agradável traz conseqüências diretas para os
usuários e para a própria Universidade que ganha na qualidade de seu produto.
A Biblioteca, preocupada em oferecer um espaço onde os leitores se sentissem
com vontade de permanecer no local, além de considerar os valores estéticos, também
estudou aspectos do mobiliário que pudessem favorecer certo conforto.

8

�Nesse sentido, o mobiliário adquirido para usuários privilegiou cadeiras macias e
confortáveis, para propiciar a permanência de leitores sentados, por longo período, e mesas de
diferentes tamanhos para facilitar o estudo individualizado ou não, conforme a necessidade do
público.

A QUESTÃO DA COR
Num mundo onde a arquitetura ganha novas cores (segundo DIOTAIUTI da
Suvinil, citado por LEAL (1998), estão disponíveis 2.200 cores), as bibliotecas precisam
explorar este recurso para agregar valor estético ao seu interior. Pode-se afirmar,
parafraseando LEAL (1998) que as estantes não precisam ser necessariamente cinzas (o autor
citado se refere ao concreto). Deve-se evitar o visual pesado da concentração de cores
“mortas”, adotando-se o uso de cores quentes nos mais diferentes pontos em que possam
provocar impactos positivos. Por exemplo, a grande área de armazenagem de coleções merece
um colorido no piso para contrastar com a estanteria, que na maioria das vezes é cinza ou em
outro tom neutro como casca de ovo. A UNICSUL adotou a cor tijolo para o piso, o que deu
um efeito estimulante, tornando o ambiente alegre, sem ser agressivo. Esse recurso também
foi usado pela Biblioteca da FAU / USP (CRUZ, 1998) que utilizou tom caramelo em seu
piso. O volume de estantes, geralmente, sobrecarrega o ambiente e o uso de uma sobreposição
de cores alivia e quebra o conjunto, impactando e criando suavidade da imagem.
Outra solução prática e interessante no uso de cores é a utilização de uma variação
do mesmo tom para demarcação de áreas de circulação de público, facilitando acessos e até
induzindo a áreas em que se desejaria a passagem do público (por exemplo: área de
exposições e avisos). Para estas áreas, a Biblioteca em questão ganhou um tom rosé.

9

�O uso de cores adequadas tem, às vezes, um poder especial de motivação de uso
de espaços. A cor pode exercer uma motivação técnica quando utilizada intencionalmente, na
função de demarcação, como por exemplo em áreas de acesso: entrada e saída, corredores,
elevadores e escadas; e pode exercer uma motivação estética quando atua diretamente na
questão da harmonia, beleza, leveza, clareza e luminosidade.
É correta a afirmação de LEAL quando diz que “a cor (...) é muito mais do que
uma escolha pessoal. Ela pode conferir equilíbrio e harmonia à obra ou causar estranheza”.
Portanto, deve-se investir no estudo da seleção de cores, especialmente em lugares onde se
deseja que haja grande fluxo de pessoas, com necessidade de permanência no local.

A INTERLIGAÇÃO COM A ARTE
Durante todo o processo da reforma foi feito, em conjunto com o arquiteto, o
acompanhamento da obra pela Direção da Biblioteca o que resultou em grandes vantagens,
pois foram sendo estudados detalhes estéticos referente tanto à utilização racional de espaços,
quanto às primeiras definições de necessidades de sinalização, melhoria e/ou adaptação de
mobiliário existente e o próprio embelezamento final da obra.
Assim, a observação de ampla parede clara e limpa em frente a uma área de
leitura sugeria a idéia de um aproveitamento específico, para uma atividade artística, com
objetivo didático: exposição permanente de obras de arte.
Levou-se em consideração que a UNICSUL, de um lado, atende a um tipo de
aluno carente de conhecimento artístico-cultural, que não dispõe de tempo para visita a
museus, parques, igrejas etc; por outro lado, a Universidade tem uma riqueza de material
artístico proveniente da produção de obras de arte de qualidade, elaboradas por docentes /

10

�artistas e alunos do Curso de Artes Plásticas. Portanto, a Direção da Biblioteca, apoiada pela
Administração da Universidade, estabeleceu

contato com os referidos docentes que,

prontamente, entenderam a importância da idéia de se preparar, permanentemente, exposições
didáticas, num espaço que teria público garantido e , assumiram esta tarefa de coordenar e
organizar as exposições.
Mais uma vez, o trabalho conjunto da equipe discutiu e aprovou: um espaço
delimitado, o tipo de suporte adequado à exposição de quadros e esculturas e o totem que
serviria para fixação de textos educativos para o público (Foto n.º 11 e 12).
A agregação de valores institucionais, através da colaboração efetiva do grupo de
Artes Plásticas, somando valores estéticos a essa área de leitura, veio acrescentar às funções
da Biblioteca seu real papel de agente cultural, tornando-a mais ativa dentro da própria
instituição e mais participante desse processo de formação do aluno-leitor.
Esse espaço vem comprovar que as diferentes leituras (a do texto e a da obra de
arte) podem perfeitamente conviver de forma harmônica num mesmo ambiente. Com isso,
ganha o leitor e a Biblioteca, estética e culturalmente, resultado da integração de idéias e
estudos valorizados pela arquitetura de interiores.

IMPACTOS NO USO DA BIBLIOTECA, DEPOIS DA REABERTURA
Durante todo o processo de reforma a Biblioteca permaneceu aberta apenas para o
serviço de empréstimo domiciliar. Nesse período, os usuários acompanharam parcialmente
algumas das inovações e foram emitindo suas opiniões, sempre aprovando e elogiando. Mas,
em agosto quando houve o ato de reinauguração do novo espaço, os bibliotecários visitantes
se surpreenderam, especialmente com a nova disposição cromática da biblioteca.

11

�Os comentários mais comuns foram:
“A Biblioteca ficou clara, colorida e alegre...”
“Adorei as cores vibrantes e modernas da Biblioteca da UNICSUL...”
“Agora só da vontade de ficar estudando aqui...”
“Posso ir livremente às estantes e pegar os livros que quizer?...”
Estes depoimentos, de caráter positivo, foram sendo reafirmados com um
crescimento no uso da Biblioteca da ordem de até 350%, no mês de junho, em relação ao
mesmo mês do ano anterior, conforme a Tabela 1.
Tabela 1 - FREQÜÊNCIA
MÊS

1998

1999

Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

11 740
9 765
2 143
15 169
18 187
16 783
16 989
4 460

28 026
44 084
6 686
38 840
46 560
43 114
51 577
18 911

PORCENTAGEM
CRESCIMENTO
139 %
351 %
212 %
256 %
156 %
157 %
204 %
324 %

A biblioteca passou a ter uma freqüência média diária de 1 900 pessoas nos meses
de agosto / 99 a novembro / 99. Especificamente, em novembro, esta média foi de 2 242
usuários, chegando um dos dias a ultrapassar 3 000 pessoas.
Consequentemente, os serviços de empréstimo e consulta registraram aumento
relevante (Tabela 2 e 3).
Tabela 2 - EMPRÉSTIMO
MÊS

1998

1999

PORCENTAGEM
CRESCIMENTO

12

�Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

2 981
3 087
1 113
4 658
5 933
5 799
4 843
1 560

9 364
9 318
2 663
10 070
16 459
16 963
16 474
5 344

214
202
139
116
177
192
240
243

%
%
%
%
%
%
%
%

Tabela 3 - CONSULTA
MÊS

1998

1999

Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.

8 369
6 365
1 888
10 671
12 730
10 443
9 594
1 988

19 495
17 235
3 501
21 363
19 969
19 078
18 295
5 519

PORCENTAGEM
CRESCIMENTO
133 %
171 %
85 %
100 %
57 %
83 %
91 %
178 %

É muito interessante adicionar a estes dados algumas informações que são
resultado da observação direta. Primeiramente, além do aumento quantitativo da freqüência,
houve uma melhor distribuição de usuários entre os horários, isto é, a Biblioteca que foi
sempre pouco freqüentada pela manhã, passou, neste horário, a ter 33 % de freqüentadores,
que, diferentemente do público noturno, permanece estudando por mais tempo. O próprio
período vespertino que se mantém como horário de menor uso (22 % de leitores), também
tem um público que fica mais tempo utilizando a Biblioteca, o que vem demonstrado como
um ambiente bonito, agradável e confortável interfere tanto no volume como no tipo de uso.
Assim, pode-se observar, pela análise da Tabela 3, que a consulta não registrou
aumento tão elevado quanto a freqüência e o empréstimo.

13

�Novos espaços como a Sala de Internet, que mantém 15 microcomputadores
disponíveis para pesquisa, e a área de exposições foram imediatamente ocupados. O uso da
Sala de Internet e vem registrando um movimento diário de aproximadamente 10 usos por
equipamento (quase 150 pessoas / dia).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARAUJO, M. S. de, LOCATELLI, A. M. F. Desenvolvimento do Projeto da Biblioteca
Central da UNICSUL. São Paulo, dez. 1999. (a ser publicado)
CRUZ, J. A. de B. Renovação revigora as qualidades do projeto original e assegura a
correta preservação do valioso acervo. Projeto Design, n. 223, ago. 1998, p. 86
– 89.
LEAL, U. Tudo azul. Téchne: Revista de Tecnologia da Construção, v. 8, n. 41, jul./
ago. 1998, p. 44 – 49.
ANEXOS
FICHA TÉCNICA
Biblioteca Prof. Haddock Lobo Neto
Universidade Cruzeiro do Sul
Data do Projeto: agosto / 1998
Data de Conclusão da Obra: abril / 1999
Área Total: 993m2
Área existente anteriormente: 1 568m2

EQUIPE - ARQUITETOS:
Maurício Silva de Araujo
Ana Maria Figueiredo Locatelli
Bibliotecária: Maria Isabel Santoro
FOTOS: João Sato
AGRADECIMENTOS:ARQUITETOS:
Carolina Santoro Blengini
Francisco José Santoro
Bibliotecários: Ivone H. O. Carvalho
Sandra
Regina
dos
Santos

CARACTERÍSTICAS DA INSTITUIÇÃO
NOME: Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL
ENDEREÇO: Av. Dr. Ussiel Cirilo, 225 – São Paulo / SP – CEP: 08060-070

14

�DATA DE CRIAÇÃO: 1993
NÚMEROS DE ALUNOS:

13 310

NÚMEROS DE PROFESSORES: 566
CURSOS ESTRUTURADOS EM CENTROS:
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS,
ARTES E EDUCAÇÃO
Educação Artística
Geografia
História
Letras
Música
Pedagogia
Serviço Social
CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA
SAÚDE
Biologia
Educação Física
Enfermagem
Fisioterapia
Odontologia
Psicologia
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS
Direito

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E
TECNOLÓGICAS
Arquitetura e Urbanismo
Ciência da Computação
Engenharia Civil
Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica
Matemática
Tec. em Proc. de Dados
CENTRO
DE
CIÊNCIAS
ADMINISTRATIVAS E DE NEGÓCIOS
Administração
Ciências Contábeis
Comunicação Social
Secretário Exec. Bilingüe
Turismo
CENTRO
DE
PÓS-GRADUAÇÃO,
PESQUISA E EXTENSÃO

DADOS GERAIS DA BIBLIOTECA:
NOME DA BIBLIOTECA: “Prof. Roberto Haddock Lobo Neto”
ENDEREÇO: Av. Dr. Ussiel Cirilo, 225 – São Paulo / SP – CEP: 08060-070
FONE / FAX: 0 XX 11 – 61375734
E-MAIL: biblioteca@unicsul.br
TABELA 4 - DADOS DO ACERVO
1999
ESPECIFICAÇÃO

QUANTIDADE

15

�LIVROS E TESES
TITULOS DE PERIÓDICOS
CORRENTES
NÃO CORRENTES
TOTAL
MAPAS
FITAS DE VIDEO
FITAS CASSETES
CD-ROM

73 366
317
540
857
177
1 301
77
557

TABELA 5 - RECURSOS FÍSICOS – ESPAÇO / MOBILIÁRIO
1999
ESPAÇO
ACERVO

ATENDIMENTO

ESPECIFICAÇÃO
ESTANTES / MESAS
182 Estantes duplas
14 Expositores
1 Mapoteca
2

Nº. ASSENTOS

594 m²

Entrada / Guarda volume
Balcão

99 m²

LEITURA

29 mesas ( 5 lugares )
68 mesas individuais

145
68

ESTUDO EM GRUPO

2 mesas (10 lugares)

20

LEITURA JORNAL

3 mesas ( 5 lugares)
5 sofás (2 lugares)

15
10

INTERNET
MULTIMIDIA

15 mesas individuais
7 mesas (2 lugares)

ADMINISTRAÇÃO

4 estações trabalho

CIRCULAÇÃO

Depósito, Circulação
Sanitários, etc

TOTAL

15
14

475 m²

50 m²
27 m²
116 m²
207 m²

301

16

ÁREA

1 568 m²

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>A influência da arquitetura de interiores na organização e uso de bibliotecas: o caso da UNICSUL. 96</text>
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              <text>A arquitetura de interiores, que privilegia o uso de cores, a iluminação, o mobiliário adequado e o redimensionamento do espaço físico, possibilita estabelecer uma direta interligação entre os princípios conceituais do que é, para que serve e a quem se destina um determinado espaço e as condições estética e de bem-estar (como por exemplo: a claridade e o ar) necessárias ao homem para sua confortável permanência no local. Apresenta-se os componentes conceituais adotados no projeto de reforma da Biblioteca “Prof. Haddock Lobo Neto” da UNICSUL, baseado no Plano de Modernização elaborado no início de 1998, que contemplou prioritariamente a ampliação do espaço físico, considerando a necessidade de atender a mudanças estruturais de seu funcionamento. Foi desenvolvido estudo específico por bibliotecário e arquiteto que, em conjunto, definiram o projeto final, com características específicas para garantir identidade própria à Biblioteca. A reforma incluiu fechamento de espaços, retirada de divisórias, troca de pisos e revestimentos, com completa mudança de cores e alterando a luminosidade geral, o que deu nova vida ao ambiente. Foi adquirido ,mobiliário novo para toda área de público e as estantes ganharam acabamento específico. Levou-se em consideração, além das necessidades de atendimento às questões dos serviços e recursos informacionais, o aspecto de compartilhamento dos valores institucionais. Assim, foi destinado um espaço para exposição permanente de artes plásticas, dos trabalhos de docentes e alunos da Universidade, com objetivo de valorizar, dentro da própria Biblioteca, o aspecto cultural da obra de arte e o aspecto educacional, uma vez que, as exposições são acompanhadas de material instrucional. Este fato veio enfatizar a importância da arquitetura de interiores de Bibliotecas, onde o espaço destinado ao estudo e à pesquisa merece estar estética e dimensionalmente correto e agradável. Outro item abordado pelo projeto foi a sinalização interna, que auxilia os usuários na localização e acesso às dependências e ao acervo. Finalmente, apresenta-se quadro comparativo com dados de uso da Biblioteca antes e depois da reforma do espaço físico, fotos e depoimentos, que vêm demonstrar a influência positiva da melhoria implementada no referido ambiente interno.</text>
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