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                  <text>A CULTURA ORGANIZACIONAL INFLUENCIANDO O COMPORTAMENTO DO
CAPITAL HUMANO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
ANDRÉA CARVALHO DE AGUIAR 11
EDNA GOMES PINHEIRO 22
EMEIDE NÓBREGA DUARTE 33
Emeide@zipmail.com.br
NORMA M. F. NOGUEIRA 44
(Universidade Federal da Paraíba)
LUCIANA MOREIRA CARVALHO 55
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

Objetiva-se identificar traços da cultura organizacional presentes nos depoimentos dos
clientes internos da Divisão de Serviços aos Usuários (DSU) da Biblioteca Central (BC) da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Os depoimentos que subsidiam o estudo foram
obtidos no I Seminário de Marketing promovido durante a execução do projeto de pesquisa
“Diagnóstico para aplicação de técnicas de marketing da DSU da Biblioteca Central da
UFPB”. Nesse evento, o capital humano da DSU discutiu aspectos relativos as atividades
inerentes à Divisão. A cultura organizacional pode ser entendida como uma forma tradicional
e usual de pensar e trabalhar. É compartilhada em grau variado pelos seus membros, e
repassada de uma geração para outra, podendo ser identificada pela resistência às mudanças
ocasionada pelos valores, crenças, mitos e tabus que estão enraizados nas organizações.
Manifesta-se também através de padrões de comportamento ou estilo organizacional
assumido pelas pessoas. Para atingir o objetivo proposto, os depoimentos foram gravados e
transcritos, permitindo a aplicação da técnica de análise de discurso. Foi constatado que os
valores e as crenças que constituem a cultura organizacional, condicionam e direcionam o
comportamento das pessoas e grupos dentro da organização. A análise dos dados obtidos
permitiram concluir que os traços culturais identificados na DSU da Biblioteca Central da
UFPB exercem influência direta no comportamento do seu capital humano induzindo a uma
atitude de resistência a mudança

1

1 Mestranda em Ciência da Informação - UFPB
2 Mestranda em Ciência da Informação e professora da UFPB
3
3 Professora assistente do Curso de Biblioteconomia – Mestre - UFPB
4
4 Bibliotecária – Diretora da DSU/BC/UFPB
5
5 Professora assistente – Mestre - UFRN
2

1

�Palavras-chave: Cultura organizacional; Bibliotecas universitárias; Capital humano
1

INTRODUÇÃO
Embora a idéia de cultura organizacional, tenha sido inserida no início desse século

nas corporações norte-americanas, somente na década de 80 as academias começaram a
trabalhar esse assunto como objetivo de investigação científica.
Apesar do Brasil tratar o tema de forma insipiente, sem muito enfoque, alguns autores
admitem que ele já se tornou popular e que o interesse pelos aspectos culturais das
organizações podem ser atribuídos, ao processo de fragmentação e heterogeneidade causado
por problemas econômicos e problemas práticos identificados na interação social dentro das
organizações. Esse fato, evidencia a necessidade de aperfeiçoamento do conteúdo das
ideologias e das bases em que elas estão fundamentadas.
Ancorado a esta evidência, surgiu a cultura organizacional como resposta aos
problemas de desintegração social, enfatizando as idéias comuns, formas de pensar e agir,
valores, padrões e maneiras de trabalhar do capital humano nas organizações.
Diante desse imperativo, podemos acreditar que toda organização tem sua própria
história e na medida em que se estrutura, adquire identidade, tradições e padrões de
comportamento, passando a delinear os valores. Esta realidade nos faz repensar as
organizações na tentativa de analisar os elementos responsáveis pela formação da cultura
existente, a forma como eles funcionam e, ainda, as mudanças que eles provocam no
comportamento do seu capital humano.
Consequentemente, frente a essas considerações surgiu o nosso interesse pelo assunto,
e integrado a nossa experiência de trabalho no contexto informacional, resolvemos estudá-lo,
especificamente, na Divisão de Serviços ao Usuário (DSU) da Biblioteca Central (BC) da
Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A escolha por pesquisar a cultura organizacional

2

�no contexto da DSU da BC/UFPB deve-se também ao desenvolvimento do Projeto de
Pesquisa “Diagnóstico para aplicação de técnicas de marketing na DSU da Biblioteca Central
da UFPB”, o qual possibilitou a realização do I Seminário de Marketing no qual tivemos a
oportunidade de coletar as falas dos colaboradores internos e da diretora da BC/UFPB. Com
base em tais depoimentos é que realizamos análise dos elementos da cultura presentes nesta
organização.
Entretanto, realizar um estudos dessa natureza, não é querer apenas compreender o
fenômeno, mas também tentar (re)conhecer a importância crucial do capital humano da
biblioteca universitária, nesse contexto. Isto foi possível, diante da utilização da técnica da
análise do discurso, a qual permitiu entendermos que os modelos culturais interiorizados são
revelados nas falas dos atores sociais.
Isto posto, pretendemos iniciar nosso estudo partindo da premissa básica da moderna
organização na qual as pessoas – capital humano – constituem seu mais importante recurso e
que conhecendo suas atitudes, crenças e opiniões temos condições de melhor entender a
cultura organizacional de uma empresa, haja vista o ser humano reagir e comportar-se
conforme o ambiente no qual encontra-se inserido.
É, pois com base em considerações desta natureza e na crise constantemente enfatiza
das instituições, que este trabalho se propõe a identificar situações, atitudes e conceitos
acreditados, que delineiam traços da cultura organizacional da Biblioteca em pauta.
Este estudo está dividido em seis etapas: a primeira, compreende a parte introdutória
que enfatiza o objetivo e o interesse do estudo; a segunda, diz respeito a história da Biblioteca
Central da UFPB; a terceira, trata do referencial teórico; a quarta, aponta os procedimentos
metodológicos, a quinta identifica os traços da cultura organizacional da BC/UFPB,

3

�evidenciado na fala do capital humano que integra a DSU; e a última traz as considerações
finais.

2

BIBLIOTECA CENTRAL DA UFPB: CAMINHOS DESVENDADOS… SURPRESAS
REVELADAS

Conforme documento editado pelo Instituto Brasileiro de Informação Científica e
Tecnológica (IBICT) em 1984, intitulado “Sistemas de Bibliotecas Universitárias”, a UFPB
foi criada pela Lei Estadual nº 1366 de 02 de dezembro de 1955, tendo sido federalizada
através da Lei 3855 de dezembro de 1960.
Com o passar dos anos, a Universidade foi se desenvolvendo, surgindo a necessidade
da criação de pequenas bibliotecas de faculdades e escolas isoladas para dar apoio as
atividades acadêmicas que a mesma se propunha a oferecer.
O mesmo documento cita que o Sistema de Bibliotecas teve sua origem a partir da
criação dessas bibliotecas. Com a implantação da Reforma Universitária, verificou-se a
transformação das antigas Faculdades, Escolas e Institutos a nível de administração
intermediária por Centros. Em conseqüência, verificou-se a junção dessas bibliotecas por área
de conhecimento que correspondem aos Centros de Ensino da UFPB.
No dia 11 de agosto de 1967, surgiram os primeiros passos para a criação de uma
Biblioteca Central da UFPB. Naquele período, o professor Edson Nery da Fonseca elaborou
um projeto intitulado “Teoria da Biblioteca Central”, trabalho este de suma importância e que
se constituiu na primeira proposta de estruturação da Biblioteca Central (BC).

4

�No final de 1976, deu-se a implantação da Biblioteca Central, a partir da junção de
todas as bibliotecas departamentais, num total de 13 (treze).
A partir de 1979, com a interiorização da UFPB, foram incorporadas novas
bibliotecas. Todas funcionavam isoladamente, sem uma política de ação definida e nenhuma
coordenação central.
Em 1980, partiu-se para a contratação de bibliotecários, criação de novos serviços,
automação dos processos técnicos, entre outros. Culminando com a construção do prédio
definitivo da Biblioteca Central, foi aprovado no CONSEPE, o regulamento do Sistema de
Biblioteca.
Atualmente, a Biblioteca Central situada no Campus I – João Pessoa, é responsável
pela coordenação do Sistema, que consiste num conjunto de bibliotecas integradas sob o
aspecto funcional e operacional, tendo por objetivo a unidade e a harmonia das atividades de
coleta, tratamento, armazenamento, recuperação e disseminação de informações, para dar
apoio aos programas de ensino, pesquisa e extensão (UFPB, 1997, p.37).
De acordo com o Organograma do Sistema, a biblioteca está subordinada diretamente
a Reitoria e possui a seguinte estrutura:
a)Diretoria – composta da Secretaria, Assessoria e Contabilidade;
b)Divisão de Desenvolvimento das Coleções – com Seção de Seleção, Compra e Intercâmbio;
c)Divisão de Processos Técnicos – composta pelas Seções de Catalogação, Classificação e
Manutenção do Patrimônio Documental;
d)Divisão de Serviços aos Usuários – com Seções de Referência, Circulação, Periódicos,
Coleções Especiais, Multimeios e Seção de Informação e Documentação.
O Sistema também é composto pelas Bibliotecas Setoriais situadas nos Campi do
interior: Campina Grande, Areia, Sousa, Cajazeiras, Bananeiras e Patos. A Biblioteca Central

5

�em relação as bibliotecas setoriais, centraliza apenas os serviços de aquisição de material
documental, adquiridos quer através de recursos próprios, quer através de convênios (IBICT,
1994, p.10)
Após quase vinte anos de funcionamento do Sistema com a mesma estrutura
organizacional, já existem 15(quinze) bibliotecas no Campus I que surgiram das necessidades
informacionais dos seus usuários com a intenção de manter um acervo mais próximo dos seus
locais de trabalho.
Decorrente dos resultados de um estudo realizado por Oliveira constatou-se que a
estrutura vigente é estática, consequentemente obsoleta em relação as mudanças ambientais
ocorridas no decorrer do tempo. Além do número de bibliotecas surgidas, novas unidades de
serviços foram criadas na própria Biblioteca Central.
A atual conjuntura dessa Biblioteca necessita acompanhar as mudanças diante de um
contexto fortemente marcado por avanços tecnológicos, que sugerem evolução nas formas de
estruturação organizacional onde questões, tais como: agilidade, rapidez, flexibilidade,
competitividade e qualidade nos serviços e produtos, são emergentes em qualquer sistema
organizacional.
É nesse cenário construído, que se insere a DSU da Biblioteca Central, com todo o seu
arsenal montado aonde se pretende descortiná-lo identificando os traços da cultura
organizacional, através dos depoimentos, do seu capital humano.

3 CULTURA ORGANIZACIONAL: O QUE DIZER SOBRE ELA…
“Nem nossas intenções, nem nossas motivações, nem
nossos objetivos, nem nossas relações transcendentais
com o sentido de história são uma garantia ou uma
prova do sucesso das nossas empresas.”
(M. Crozier)

6

�Neste capítulo, não pretendemos fazer desfilar uma multiplicidade de conceitos.
Apenas teceremos breves considerações introdutórias para que nos seja dado analisar aspectos
da cultura organizacional. As considerações retratadas aqui, aparentemente diversas, fluíram
com a leitura de alguns autores, cujas abordagens aqui apresentadas, serviram como ponto de
partida para nossas análises e conclusões.
A palavra cultura surgiu no âmbito da antropologia social, quando começaram a
pesquisar as sociedades primitivas, constatando que os modos de vida de cada uma diferiam
entre si. Assim, o conceito de cultura surgiu para representar, no sentido amplo, as qualidades
dos grupos humanos que são repassados de geração a geração.
Posteriormente, o conceito de cultura passou a ser empregado no contexto das
organizações, advindo daí o termo cultura organizacional, que apresenta várias conceituações.
Nos estudos de Scheim apud Freitas, entende-se que
“cultura organizacional é o modelo dos pressupostos básicos, que determinado
grupo tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo de aprendizagem
para lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna. Uma vez
que os pressupostos tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados
válidos, são ensinados aos demais membros como a maneira correta para se
proceder, se pensar e sentir-se em relação aqueles problemas.” (1991, p.?)
Para Sá (1998, p.964) a cultura organizacional pode ser definida “como um sistema de
valores compartilhados ligados ao processo de trabalho de uma empresa.”
Jacques apud Sá (1998, p.952), considera a cultura de empresa como a
“maneira tradicional e usual de pensar e trabalhar; ela é compartilhada em grau
variado pelos seus membros e os novos membros devem aprender a assimilar, ao
menos parcialmente, para que eles possam ser aceitos no contexto da empresa.”
Segundo Kanaane (1995), o conceito de cultura é composto por três dimensões: a
material – referente ao sistema produtivo; a profissional – abrangendo o sistema de
comunicação e interação dos envolvidos; e a dimensão ideológica – compreendendo o sistema

7

�de valores vigentes na organização. Neste trabalho, procuramos abordar a dimensão
ideológica.
Partindo dos conceitos expostos e tendo em vista os objetivos deste estudo,
entendemos a cultura organizacional como o conjunto de valores predominantes numa
organização que influenciam o comportamento do capital humano.
A cultura organizacional é composta por alguns elementos a partir dos quais é
definida. Os elementos da cultura considerados mais importante, e portanto, mais abordados
na literatura são os valores; as crenças; os ritos; os mitos; os tabus; os heróis; as normas; e a
comunicação formal e informal. Tais elementos podem ser entendidos como segue:
Valores: constituem-se nos pressupostos básicos, formadores do núcleo da cultura
organizacional.
Crenças: são as verdades adotadas pela organização. Ao serem consideradas como
verdadeiros, os conceitos são absorvidos e inquestionáveis, estando presente no
comportamento dos indivíduos.
Ritos: são atividades planejadas através das quais a cultura organizacional é expressa,
tornando-se mais perceptível e mais tangível. Freitas (1991), elenca os ritos organizacionais
mais comuns que são os de integração; os de passagem; os de degradação; os de redução de
conflitos; de renovação e de reforço.
Mitos: trata-se de estórias coerentes com os valores e crenças compartilhadas na organização.
São criadas no contexto da cultura organizacional e não se fundamentam em fatos. Servem
para veicular e reforçar os valores e as crenças da organização.
Tabus: referem-se as proibições adotadas pela organização, sendo aceitas e inquestionáveis
pelos indivíduos que a compõe. Informam aos integrantes da organização o comportamento
aceito através da ênfase no “não permitido”. Assim sendo, têm uma função disciplinar.

8

�Heróis: são pessoas que encarnam os valores organizacionais. Segundo Freitas (1991), os
heróis desempenham as seguintes funções: a) tornar o sucesso atingível e humano; b) fornecer
modelos aos demais membros da organização; c) simbolizar a organização para o mundo
exterior; d) preservar o que a organização tem de especial; e) estabelecer padrões de
desempenho e; f) motivar os empregados, fornecendo uma influência duradoura.
Normas: trata-se de um conjunto de regras, escritas ou não, que indica os modos de se
proceder no âmbito da organização que são esperados, aceitos ou apoiados pelo grupo.
Comunicação formal: é a interação social sistemática entre a organização e o ambiente
externo e interno. Tal processo é redigido por regras.
Comunicação informal: é a interação assistemática e espontânea entre os membros da
organização, que escapa ao controle e às normas.
Ao nos apropriarmos de expectativas, anseios e necessidades dos funcionários da DSU
da Biblioteca Central da UFPB e do conjunto das respectivas manifestações pessoais
poder-se-á identificar os elementos da cultura organizacional presentes em dado momento
deste contexto.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Partindo dos depoimentos que possuímos através da transcrição das falas dos
colaboradores internos da DSU/BC durante a realização do Seminário citado anteriormente,
foi possível operacionalizar a pesquisa em 4 fases distintas:
a) coletar o material documental;
b) definir os elementos da cultura organizacional que serão abordados;
c) apresentar análise qualitativa dos elementos identificados;

9

�d) analisar e interpretar em grupo todas as falas dos funcionários.
Esta última fase visa a entender, analisar e interpretar as colocações feitas procurando
correlacionar com os elementos da cultura organizacional identificados.
Como toda pesquisa social, esta caminha para o universo de significações, motivos,
aspirações, crenças e valores. Nesse conjunto de dados considerados qualitativos fica difícil
trabalhar com números. Valores e crenças são realidades subjetivas que só podem ser
compreendidas através dos dados primários.
Ao mesmo tempo em que os modelos culturais interiorizados são revelados numa fala,
eles refletem o caráter histórico e específico das relações sociais.
Minayo (1994), apresenta a importância da pesquisa: a) para compreender os valores
culturais e as representações de determinado grupo sobre temas específicos; b) na
compreensão das relações que se dão entre atores sociais tanto no âmbito das instituições
como dos movimentos sociais e; c) na avaliação das políticas públicas e sociais tanto do ponto
de vista de sua formulação, aplicação técnica, como dos usuários a quem se destina.
Optamos pela técnica de análise do discurso, tendo em vista que mostra ter mais
completude de sentidos. Desta forma, possibilitou não só apreender a fala, o discurso, mas
principalmente a sua exterioridade, a produção e significação de traços da cultura assimilada
na organização estudada.

5 RESULTADOS

Entre os elementos da cultura organizacional encontrados na literatura, foram
identificados alguns traços que definem a cultura da organização em estudo.

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�O primeiro elemento identificado e que permeia as falas em vários momentos
relaciona-se aos valores da organização. Esta sua percepção é facilmente identificada no
discurso dos colaboradores internos, mas a dificuldade reside na inexistência de instrumentos
de medida adequados para descrever e definir valores e principalmente porque os elementos
intrínsecos determinantes se entrelaçam e se manifestam, através dos demais elementos da
cultura organizacional, como os ritos, as crenças, estórias, normas, heróis, tabus e ainda
através das comunicações formal e informal.
Para proceder a identificação dos traços da cultura organizacional presentes nos
depoimentos dos clientes internos da DSU da Biblioteca Central da UFPB e analisar
qualitativamente os elementos identificados apropriamo-nos de uma escala de valores
propostos por Tamayo e Gondim (1996) onde são definidos 38 valores que foram levantados
através de amostra de 113 empregados de cinco empresas públicas e privadas.
Nesta análise, procuramos identificar os elementos, contemplando com a transcrição
das passagens nas falas onde identificamos traços que formam a cultura da organização.
Ao proferir sua palestra, a Diretora da BC faz um chamado para a administração
participativa através de um convite para o Seminário, onde os funcionários deverão obter
informações que os levarão a um maior envolvimento com a administração. A figura do herói
é facilmente percebida nos posicionamentos, caracterizados pelos pontos refletidos, como as
limitações e os potenciais inerentes à organização. Deseja tornar o sucesso atingível através
de seus recursos humanos e informacionais, fazendo um alerta para realçar os pontos
positivos, sem, porém, deixar de reconhecer os negativos, ao afirmar que “não estamos sendo
devidamente competentes para atingir o nosso público estudante e professor”. E está aberta a
aceitação de mudanças. Uma das características do herói, como já mencionamos
anteriormente, é tornar o sucesso atingível e humano.

11

�Simboliza a organização para o mundo exterior, o que é refletido na seguinte
passagem: “nós precisamos trazer o público da pós-graduação, os professores. Eles estão
acomodados, mas nós precisamos despertar neles o interesse.” Ou ainda:
“Nós não temos apenas limitações, temos saber, força de vontade e interesse.
Então, temos tudo para trazer o público para a BC.” “Precisamos mostrar que
somos eficientes, dar uma resposta à sociedade, e nós temos tudo para dar uma
boa resposta. Temos que mostrar que vamos prestar esse serviço de forma eficiente,
mostrando nossa competência.”
Numa demonstração de otimismo, enfatizando os valores competência, eficiência e
comprometimento, percebemos uma valorização da posição hierárquica, uma vez que
simboliza sucesso para a organização.
A Biblioteca é uma unidade orçamentária – é autônoma – está vinculada diretamente à
unidade máxima da UFPB que é a Reitoria. Tem lutado para manter esta posição hierárquica
dentro da estrutura organizacional da UFPB.
Constitui numa tradição que deve ser mantida e uma crença que esta posição
hierárquica muito tem contribuído para a sobrevivência do sistema. Os trechos a seguir
exteriorizam esta idéia como também a figura do herói. “… então, dentro do possível a BC
gozando desta autonomia tem incluído as despesas das bibliotecas do interior.” E “Embora
as bibliotecas do interior estejam administrativamente ligadas aos seus respectivos Centros, a
diretora do Sistema tem dado uma ajuda…”
Observando ainda a escala de valores proposta e adotada, identificamos alguns outros
valores

como:

abertura,

criatividade,

flexibilidade,

cooperação

e

integração

interorganizacional, nas passagens a seguir:
“… essa participação nesse Seminário é pra vocês se encherem de informação,
ficarem devidamente informados. Porque dessa forma a gente administra melhor
com a participação de todos (…). Para poderem efetivamente participar dessa
administração e darem sua contribuição.”

12

�Vamos trabalhar com o que temos hoje, deixar fluir nossa criatividade…
… “a queda de orçamento realmente é difícil de trabalhar, mas o que a gente faz? (…)
vamos trabalhar com o que temos hoje.”
A visão de cooperação e integração está claramente refletida no momento da
apresentação dos serviços e das seções:
“as Divisões de Processos Técnicos e Desenvolvimento das coleções devem entregar
o peixe muito bem porque do contrário não haverá condições da DSU prestar um
bom serviço ao público.”
“… O serviço Braille tem uma ligação estreita com o Instituto dos cegos da
Paraíba; trabalha em parceria com o Núcleo de Educação Especial.”
A afirmação de que os valores são constituídos pela cúpula da organização estão
ligados aos objetivos organizacionais. Os depoimentos dos funcionários que sucederam a fala
da Diretora da biblioteca, confirmam a identificação de mensagens que foram lembradas e
bem colocadas pelos coordenadores das Seções, demonstraram assimilação, aceitação e
repasse das palavras e crenças da administração
“É um trabalho muito bom, inclusive ontem, como Babyne falou, a seção de
Periódicos é uma seção destinada à pós-graduação e a pesquisa…”
“Sobre a DSU, como foi bem explicado ontem por Babyne, é uma divisão que
tudo acontece, o processo técnico, aquisição, quando deseja aqui, tem que ser
bem colocado, bem explicado para que o usuário tenha boa informação, é isso aí
que agente tem que cobrar, a questão de ser uma divisão especializada e a gente
tem que ter também os horários especiais.”
O bibliotecário, embora não tenha sido muito feliz com a explanação do que pretendia,
deixa bem clara a idéia de integração entre os serviços – somatória de esforços no sistema,
mas o destaque é a assimilação dos valores compartilhados com os objetivos organizacionais.
No entanto, em alguns momentos, durante os depoimentos dos funcionários, suas
atitudes em relação aos usuários externos eram pouco valorizadas pelo chefia imediata,
provocando insatisfação entre eles. Isso pode ser percebido a partir do seguinte depoimento:
“…muitas vezes você toma uma determinada atitude com relação a um usuário,
então o chefe não assina em baixo. Ele desfaz o que você fez, ali naquele momento
(…) então não existe uma valorização nesse sentido, porque é como o colega ali
13

�falou “se chegar um professor aqui todo cheio de direito, falando pelos cotovelos,
reclamando que a coisa tá ruim (…) você tem que agüentar aquilo caladinho (…)
você tem que ficar na sua, muito embora ele esteja errado.”
Este desabafo se referiu a um atrito de cobrança de multa no empréstimo que foi
perdoada pelo fato do usuário ser professor. Isto demonstra que nem sempre os valores estão
sendo compartilhados com os objetivos organizacionais.
Se referindo aos professores é notório o sentimento de que o professor constitui uma
categoria de usuário que incomoda a Biblioteca, se tornando já uma crença entre o capital
humano da instituição, deixando transparecer nas afirmativas a seguir:
“…o professor ele não gosta de está na biblioteca, ele reclama do barulho da
biblioteca, reclama que não tem material, e acima disso ele está tendo recurso,
outros recursos, tem até um computador em casa, ele faz a sua pesquisa! Então ele
não precisa está aqui…”
“…O professor joga o aluno, vá na biblioteca prá normalizar esse trabalho, e ele
chega meio desligado porque ele não sabe, porque muita gente aqui não conhece a
ABNT.”
Percebe-se na fala do bibliotecário a atribuição da responsabilidade do professor pelo
desconhecimento das normas da ABNT, por parte do aluno.
A respeito de normas, a pessoa responsável pela seção, demonstra um apego as regras,
caracterizando um elemento predominante na cultura da organização.
Embora, seja prática comum nas organizações, a realização de rituais de
comunicação/integração, no que diz respeito aos procedimentos de recepção de um novo
empregado, não foi percebida nenhuma manifestação desse ritual, o que fica claro com relato
a seguir: “Era bom que o pessoal falasse o nome das pessoas que compõem cada seção (…)
que muitas vezes a gente trabalha na biblioteca e não conhece todo mundo (…) não sei quem
é, de onde é?”
Os mitos organizacionais são formados por componentes que mostram a mudança
cultural dentro de uma empresa. No decorrer dos depoimentos, um episódio mostra

14

�claramente a necessidade de haver um “ritual de integração” entre os funcionários que
compõem a DSU. Este depoimento é assim retratado:
Trabalho no acervo do 1º andar e mantenho as estantes organizadas. Trabalho
braçal, pesado e não é feito com o acompanhamento do pessoal da área de
formação (…) porque eu não fui orientado em nada, faz 8 meses que estou aqui e
fui aprendendo aos poucos com os próprios colegas.”
Seguindo ainda os elementos da cultura organizacional, temos as “estórias” como
“narrativas baseadas em eventos ocorridos, que informam sobre a organização, reforçam o
comportamento existente e enfatizam como este comportamento se ajusta ao ambiente
organizacional.” (Freitas, 1991, p.26).
A falta de conhecimento do que cada seção desempenha, leva a algumas situações no
mínimo engraçadas, mas reais, como a relatada a seguir quando se referiam ao
desconhecimento dos usuários em relação a Seção de Informação e Documentação (SID).
“Para ele o que importa é o livro. Aí quando chega no momento que precisa do SID, não
sabe nem o que é o SID (…) D. SID? SID é um serviço né?”
De acordo com a definição de ritos, observou-se que costumeiramente a BC
(programa) perpetua essa prática através de grupos de oração com encontros semanais,
comemorações de aniversários e o café-da-manhã todas as sextas-feiras. No entanto esse café
da manhã é compartilhado por um grupo formado por afinidades; como não há a participação
de todos os funcionários, esse rito já caracteriza-se como um Tabu.
Fleury (1993) recomenda que a comunicação interna como um ponto muito
valorizado, não só para melhoria do clima interno, mas principalmente para obter a
participação e o comprometimento dos empregados com as metas propostas. As empresas
vêm procurando implementar certas práticas inovadoras, como: “o café com o chefe”, a
política de “portas abertas” e outras. A BC vem adotando a prática do “café com o chefe”,
“encontros para orações”, “confraternização de aniversários e Natal”; entre outras.
15

�Nas falas dos funcionários, percebemos alguns valores culturais em relação aos
usuários – o Respeito as necessidades de informação, como o apresentado por um apelo de
uma estudante e relatado pelo funcionário.
“Frazão, pelo amor de Deus a minha prova é amanhã, me arruma um livro de
citologia. Verifiquei que todos estavam emprestados, mas havia chegado um novo e
consegui que a moça estudasse o dia inteiro numa sala interna, mesmo
contrariando as normas. No outro dia o pai da menina telefonou agradecendo,
dizendo que ela havia feito boa prova.”
Uma prova de carinho e comprometimento com os objetivos organizacionais: “…
trabalho lá com muito amor e muito carinho, e com toda modestia, atendo bem o usuário e
sou uma pessoa humana e desejo bem pra todo mundo…”
Se referindo ainda ao usuário uma demonstração de flexibilidade: “O espaço físico é
desse tamanho, mas o coração é imenso (…) vai trabalhando do jeito que pode, o espaço é
ineficiente, a gente sai do birô da gente é prá eles”.
Existem depoimentos em que os funcionários reconhecem as faltas com o usuário mas
nada fez para contornar nem resolver a situação, demonstrando negligência e falta de respeito
com o usuário:
“… eu já pequei por inexperiência, então muitas vezes eles têm acanhamento de se
dirigirem a referência e vão por conta própria, e muitas vezes eles passam direto,
para outro setor, ficam perdidos, procurando livros, então como entram dois mil
quase, alunos na Biblioteca, então pra gente dá conta de tudo…”
Há uma multiplicidade de significados nos relatos apresentados pelo capital humano
envolvido da Divisão de Serviços aos Usuários da BC da UFPB que foram explicitadas
durante a realização do I Seminário de Marketing que deverão servir de subsídio para outros
momentos no planejamento da própria Biblioteca.
Percebemos que houve uma assimilação do objetivo de promoção do Seminário de
Marketing ao ouvir depoimento de um bibliotecário da Seção de Periódicos.
“Então, estamos tentando e acho que esse Seminário é fundamental pra isso, pra
nos integrar cada vez mais à Biblioteca, mostrando que nós existimos, como todo
16

�órgão novo, ele precisa ser aceito, pela comunidade. A gente tá aqui com esse
propósito, de se fazer conhecido também. Então essa é a nossa equipe, esse é o
nosso propósito.”
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma organização surge a partir da idéia de seu fundador. A figura desta pessoa, ou
grupo, forma a cultura organizacional.
Apesar da análise feita aqui não ter se estendido a figura do idealizador a Biblioteca
Central, foi difícil perceber desde o início das falas analisadas, que as mensagens transmitidas
pela Direção de órgão perfeitamente assimilada pelo capital humano que compõe a Divisão
de Serviços aos Usuários. Com o passar dos anos as mensagens vão se moldando
gradativamente e se impondo como crenças e valores.
O poder do administrador se faz sentir em todos os momentos e assim este poder é
capaz de moldar ou modelar a cultura organizacional.
Em conformidade com o objetivo delineado no início do trabalho e subsidiado pelos
elementos da cultura organizacional propostas pelos autores consultados, foi possível
identificar os seguintes elementos contidos e enraizadas nas falas do capital humano que
compõe a DSU/BC/UFPB: A figura do Herói; Valores traduzidos como: competência,
eficiência comprometimento, abertura, criatividade, flexibilidade, cooperação, integração e
interorganização; Crenças; Normas; Ritos; Tabu; Comunicação informal e Mitos.
Considerando os traços culturais; seu comportamento, seus valores e suas crenças
através da palavra, a organização demonstra ou tende a se enquadrar num estilo múltiplo
(misto), apresentando características do estilo apoio, inovação e estilo burocrático. A figura
do professor aparece nas exposições dos profissionais como um incômodo, um questionador.
E se a cultura passa a ser questionada, o docente transforma-se como um modificador dessa
17

�cultura e conseqüente um instrumento que poderá influenciar a mudança do comportamento
organizacional.
Inconscientemente, se estabelece uma barreira que é percebida nos depoimentos
enfáticos referentes aos professores. Essa barreira nada mais é que uma atitude de resistência
a mudanças.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Administração, São Paulo, v.33, n.2, p.26-34, mar./abr. 1993.
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estas questões no cenário brasileiro atual. Revista de Administração, São Paulo, v.26, n.2,
p.3-11, abr/jun. 1991.
FREITAS, Maria Ester de. Cultura organizacional: grandes temas em debate. Revista de
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KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações: o homem rumo ao século
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18

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19

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Aguiar, Andréa Carvalho de, Pinheiro, Edna Gomes, Nogueira, Norma M. F., Carvalho, Luciana Moreira</text>
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              <text>Objetiva-se identificar traços da cultura organizacional presentes nos depoimentos dos clientes internos da Divisão de Serviços aos Usuários (DSU) da Biblioteca Central (BC) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Os depoimentos que subsidiam o estudo foram obtidos no I Seminário de Marketing promovido durante a execução do projeto de pesquisa “Diagnóstico para aplicação de técnicas de marketing da DSU da Biblioteca Central da UFPB”. Nesse evento, o capital humano da DSU discutiu aspectos relativos as atividades inerentes à Divisão. A cultura organizacional pode ser entendida como uma forma tradicional e usual de pensar e trabalhar. É compartilhada em grau variado pelos seus membros, e repassada de uma geração para outra, podendo ser identificada pela resistência às mudanças ocasionada pelos valores, crenças, mitos e tabus que estão enraizados nas organizações. Manifesta-se também através de padrões de comportamento ou estilo organizacional assumido pelas pessoas. Para atingir o objetivo proposto, os depoimentos foram gravados e transcritos, permitindo a aplicação da técnica de análise de discurso. Foi constatado que os valores e as crenças que constituem a cultura organizacional, condicionam e direcionam o comportamento das pessoas e grupos dentro da organização. A análise dos dados obtidos permitiram concluir que os traços culturais identificados na DSU da Biblioteca Central da UFPB exercem influência direta no comportamento do seu capital humano induzindo a uma atitude de resistência a mudança.</text>
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