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                  <text>GESTÃO DA COLEÇÃO DE PERIÓDICOS CIENTÍFICOS DAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS: A MULTIPLICIDADE DE SUPORTES E
FORMATOS E A DIVERSIDADE DE INTERESSES E EXPECTATIVAS DA
COMUNIDADE ACADÊMICA

Maria Alice Rebello do Nascimento
Coordenadora do Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
Universidade Estadual de Campinas
Rua Sérgio Buarque de Hollanda – 424
Cidade Universitária – Campinas – SP. Brasil – CEP. 13081-970
malice@obelix.unicamp.br

Resumo

O estudo pretende discutir a construção das coleções de periódicos científicos de bibliotecas
universitárias brasileiras frente à imposição do paradigma da sociedade da informação. As
rápidas mudanças que ocorrem atualmente nas áreas política, econômica, social e tecnológica
têm tornado a biblioteca um ambiente de transformação permanente. A biblioteca

1

�convencional, organizada a partir de materiais impressos e, em busca da biblioteca virtual
incorpora em sua agenda a urgência da inclusão dos artefatos digitais.

Essa revolução

eletrônica implica numa nova postura gerencial, de leitura do espaço externo, que se
consubstancia na análise e avaliação do mercado livreiro (editores, distribuidores); no
entendimento não apenas dos mecanismos de organização dos acervos, mas particularmente
nas necessidades de equipamentos tecnológicos (hardware, periféricos e software) e na
compreensão do ambiente interno, composto por uma comunidade acadêmica distinta, em
função da diversidade de características das diferentes áreas do conhecimento. É sabido que a
comunidade acadêmica abarca uma complexidade de interesses e de estrutura de relações
entre os conjuntos de grupos que coexistem no contexto universitário.
Por outro lado, em decorrência dos avanços das telecomunicações associadas ao crescimento
da competição e à sofisticação do mercado editorial, que estabelece fusões, impondo o
monopólio de vendas; que empacota e re-empacota seus produtos, tornam o trabalho do gestor
da informação, a despeito das limitações econômicas, extremamente árduo. Descortinar esse
cenário é uma ferramenta fundamental para ordenar a percepção sobre ambientes prováveis e
desejados para o futuro.

Palavras-chave

2

�Periódicos Científicos; Revistas Eletrônicas versus Revistas Impressas; Planejamento;
Editores versus Publicadores Científicos.
Introdução
Atualmente, a construção das coleções de periódicos científicos de bibliotecas
universitárias brasileiras defronta-se com a multiplicidade de suportes, seja em papel e/ou
eletrônica. Entretanto, isso não significa que o processo de gerenciamento dos acervos de
periódicos constitua um momento de necessidade de resolução do dilema entre o papel e o
formato eletrônico. É, porém, um momento crucial, porque a biblioteca convencional,
organizada a partir de materiais impressos começa a trabalhar com a inclusão de outros
suportes, como é o caso dos periódicos digitais. Os novos materiais bibliográficos em formatos
eletrônicos têm convivido com os formatos impressos, o que não deixa de provocar profundas
alterações nos procedimentos de produção, transmissão e uso do conhecimento e,
consequentemente requer que as bibliotecas revejam seus procedimentos atuais de
gerenciamento.
Assim, essa tendência mundial revela, não apenas o desenvolvimento de coleção de
uma biblioteca , mas uma mudança do modelo de comunicação científica ao longo dos
últimos 300 anos que interfere diretamente na condução da gestão da biblioteca. Não é,
portanto, um momento solitário dos interlocutores que permeiam todo processo de
comunicação dos resultados de pesquisa, que envolve desde a produção até a divulgação.
Essa revolução eletrônica encaminha a biblioteca para o estabelecimento de uma nova postura
gerencial que contempla a leitura do espaço externo evidente na análise e na avaliação do
mercado livreiro, composto por editores, publicadores científicos e distribuidores; no
entendimento, não mais apenas dos mecanismos de organização dos acervos, mas,
particularmente, no conhecimento de recursos de tecnologia da informação, como hardware,
periféricos e softwares. Também, neste cenário ainda se insere no plano do ambiente interno,
3

�uma comunidade acadêmica distinta e difusa, em decorrência da diversidade de características
das diferentes áreas do conhecimento. É sabido que a comunidade acadêmica abarca uma
complexidade de interesses, de estrutura de relações e formas de atuações bastante distintas,
entre os conjuntos de grupos das diferentes áreas do conhecimento que coexistem no contexto
universitário.
Uma lição inequívoca do passado nos ensina que a comunicação através de revistas
acadêmicas envolve um sistema de autores, publicadores, serviços de apoio, bibliotecas,
leitores e financiadores. Embora, exista um movimento de articulação entre os diferentes
atores que se revela na construção de parcerias, consórcios, compartilhamentos e outras
iniciativas, os avanços tem sido modelados pelas ações desses diferentes interesses,
destacando-se por um lado, as demandas e os objetivos da academia, onde a biblioteca
universitária tem seu papel fundamental. Por outro lado, as editoras comerciais lutam por
soluções que mantenham e melhorem os seus lucros e os publicadores científicos batalham
por manter a competição com as editoras comerciais, produzindo revistas que na verdade são
construídas a partir de seus esforços de pesquisa e de comunicação, com o objetivo de
divulgar a sua própria produção científica. Enquanto isso, com a emergência da revista
eletrônica cresce entre os autores a idéia de publicarem e “não abrirem mão de seus direitos
autorais para os editores, uma vez que esses últimos terão de curvar-se e aceitar a nova
situação ou mudar de profissão, pois ela depende do fornecimento de manuscritos por parte
dos autores.” ( LEVACOV, p.131)
Por último, os esforços dos agentes intermediários (aggregators) para reposicionar os
seus produtos diante do crescimento da competição e da sofisticação do mercado editorial,
vêm propondo o estabelecimento de fusões, impondo o monopólio de vendas; providenciando
os empacotamentos e re-empacotamentos de seus produtos, que, é claro, disponibilizam

4

�publicações essenciais à pesquisa e ao ensino, mas, também, agregam outros periódicos que,
em princípio, nem sempre interessam a todas as universidades indistintamente. Hoje em dia,
os agentes intermediários têm sabido defender e fazer valer seus pontos de vista. Como há
uma constante demanda pela padronização, também por parte dos bibliotecários, esses
agentes para manter a competição investem pesadamente em novos e mais modernos
softwares para fazer a intermediação entre a biblioteca

e as mais variadas informações

advindas dos editores e de seus sistemas. Há que se destacar os investimentos de empresas
como a SWETS, EBSCO, UMI e OCLC, que investem na estruturação de bases de dados,
muitas delas acrescidas de conteúdo (texto completo).
Atualmente, algumas dessas bases de dados de texto completo, distribuídas através de
agentes, têm servido, não apenas para o gerenciamento no processo de aquisição, mas
particularmente servem a consórcios que optam pelo acesso aos periódicos de texto completo,
com a vantagem de uma interface comum a todos os periódicos, dos mais distintos editores.
Nesse novo contexto, o panorama que se impõe ao gestor da informação, a despeito
das limitações econômicas crônicas, exige o desenvolvimento de um trabalho extremamente
árduo.

Antecedentes
Até a primeira metade da década de 90, a publicação científica periódica era
predominantemente impressa em papel. Porém, neste final de século, o periódico eletrônico
passa a ser aceito universalmente como um fenômeno inexorável pela maioria dos atores
envolvidos no processo de produção e divulgação da revista científica. Se a publicidade do
conhecimento produzido, antes do advento da publicação eletrônica, acontecia através da

5

�comunicação escrita da cultura tipográfica inserido numa delimitação de tempo e espaço da
informação, atualmente, essa forma de comunicação local é insuficiente.
A estrutura das relações entre o fluxo de informação e o público a quem o
conhecimento se destina vem se modificando, de maneira vertiginosa. E, não é apenas a
introdução do formato eletrônico que traz novos elementos complicadores. Na verdade, a
gestação de uma radical mudança no sistema de periódicos tem se intensificado a partir da
década de 1970. A escalada de preços das assinaturas, “mostram que as assinaturas pessoais
(em particular) começaram a diminuir; os lucros decresceram; os publicadores aumentaram os
preços para as bibliotecas; os leitores passaram a depender mais das suas bibliotecas (e de
outras bibliotecas) como fonte de artigos a um custo substancial do seu tempo; as bibliotecas
começaram, primeiro, a cancelar duplicatas e, depois, a suspender as assinaturas das revistas
caras, mas não freqüentemente consultadas, passando a depender de empréstimo entre
bibliotecas e de serviços de comutação bibliográfica para atender à demanda por esses artigos;
os serviços de apoio tornaram-se mais importantes como um meio de identificar e localizar os
artigos de interesse.” (KING, 177)
O aspecto lamentável em tudo isso é que, enquanto os publicadores enfrentam
diminuição de lucros, as bibliotecas pagam mais por um número menor de revistas e suportam
custos crescentes para a obtenção de cópias, assim como os usuários consomem mais de seu
tempo para obter artigos. O custo total de todo o sistema de revistas parece, de fato, ter
aumentado e criado uma situação de perdas constantes a todos os participantes do processo.
Está claro que a política de preços vigente para os periódicos é mais barata para o assinante
individual, em função do baixíssimo uso, enquanto que os custos de assinaturas institucionais,
cresceram assustadora e indistintamente, para as grandes ou pequenas bibliotecas, porque
demandam um alto número de leitura, durante sua vida útil. Parece ter-se criado, muito antes

6

�da possível contagem automática para as revistas eletrônicas, formas de discriminação de
preços baseadas em consultas reais e potenciais.
Nos últimos 20 anos, estima-se que os preços das revistas acadêmicas e científicas
norte-americanas aumentaram, em média, de US$ 39 no ano de 1975 para US$284 em 1995,
sendo que grande parte desse aumento é atribuído ao aumento no tamanho da revista, não só
número de páginas, mas também de artigos e à ampliação do número de fascículos. Como
resultado, houve uma diminuição no número de assinaturas pessoais, o que fez com que os
publicadores aumentassem os preços das assinaturas institucionais para compensar as perdas
financeiras.
No caso dos usuários, percebe-se que os altos custos dos periódicos levaram a um
redimensionamento de seus gastos com periódicos. Um estudo de âmbito nacional, realizado
pela Universidade de Tennessee, demonstra que em 1977 cerca de 25% das consultas de
cientistas de universidades eram realizadas em bibliotecas e na década de 1990 essa consulta
salta para 54%. Os cientistas claramente compensam seus custos assinando revistas de preços
baixos que lêem com freqüência e consultando a biblioteca para ter acesso a revistas caras que
lêem ocasionalmente. Por outro lado, as revistas são elaboradas com artigos dirigidos a
disciplinas que têm uma abrangência ampla, o que significa que os periódicos que se destinam
a pequenas disciplinas terão um círculo reduzido de interessados e, portanto, pequena tiragem.
Assim, os artigos de alta qualidade que interessam a um pequeno público estarão perdidos
para o processo de publicação.
Como já descrito, esse novo “modelo” arrola uma série de aspectos críticos na
evolução e no desenvolvimento da composição da coleção de publicações periódicas em
bibliotecas universitárias. A velha coleção de periódicos científicos impressos, renovados
anualmente, através de editores, publicadores científicos e distribuidores, não mais se sustenta

7

�isoladamente. O trivial levantamento e verificação de preços no Ulrich’s, prática corrente
entre os bibliotecários, tornou-se incipiente. Novas ferramentas de trabalho surgiram como é o
novo instrumento de trabalho fornecido pelos distribuidores e, mesmo as grandes editoras,
como é o caso da bases de dados da

Editora Elsevier, Academic Press etc.

e de

distribuidores. A forma de entrega por via marítima é muito lenta para suportar a velocidade
do avanço das pesquisas. As leis brasileiras, para aquisição de materiais bibliográficos são
obsoletas e muito burocratizadas. O processo de licitação e convite são extremamente lentos e
onerosos. O tempo da burocracia para concluir uma compra consome meses num processo
lento e complexo, por intermináveis passagens pelos corredores da burocracia e as várias
instâncias da universidade. Todos esses processos são de uma precariedade infinita diante do
novo paradigma informacional que se descortina, no suporte à pesquisa e ao ensino nas
universidades brasileiras.

A nova perspectiva
A sobrevivência da biblioteca e de suas atividades de apoio ao ensino e à pesquisa
dependem de uma postura estratégica do gestor da informação, o que implica na percepção,
avaliação e adoção de perspectivas diferenciadas para a administração desse novo sistema. O
modelo de biblioteca tradicional, baseado no desenvolvimento e manutenção de coleções de
periódicos próprios e locais é uma das possibilidades. Outras formas de contar com os
periódicos científicos não podem ser descartadas. Nem, tampouco o compartilhamento e a
integração entre bibliotecas, visíveis nas práticas de consórcio, podem estar relegadas a
segundo plano. A definição de estratégias combinadas está assentada na percepção das
condições de espaço físico, tempo, formato, custo, grau de confiabilidade, tecnologia

8

�disponível, recurso humano qualificado e abrangência e profundidade das demandas de
informação, por parte dos usuários.
Os estudos de Cox revelam que as vantagens e desvantagens entre a revista eletrônica
e a revista eletrônica ainda não são muito claras. Do ponto de vista financeiro, as publicações
eletrônicas eliminam papel, impressão, encadernação, armazenagem e custos de distribuição.
Entretanto, o novo formato exige altos investimentos de capital em equipamentos, alta
tecnologia, recursos humanos qualificados e com novas habilidades para preparar dados para
o ambiente eletrônico. Outro aspecto relevante relatado por Cox diz respeito à insegurança do
futuro, quanto às formas de divulgação para atingir o cliente. “As despesas de marketing não
são óbvias no presente, como os usuários serão identificados e atingidos com informações
sobre os produtos; os próximos anos trarão mudanças nesta percepção de como usarmos a
internet como um meio de distribuição da informação.” (COX, p.4)
De qualquer forma, a biblioteca universitária atual não é mais sustentada pelo modelo
tradicional. As coleções de periódicos científicos impressos misturam-se com as coleções
eletrônicas; o espaço físico restrito se expande para o infinito; o trabalho anteriormente
isolado do bibliotecário se propaga para a parceria com fornecedores, com outras bibliotecas
e, mais do que nunca com os usuários. Esse usuário universitário, ao mesmo tempo que ele é
o produtor do conhecimento, que desencadeia todo o processo de desenvolvimento da ciência
e da tecnologia, pode tornar-se o publicador científico e, simultaneamente utilizar-se dos
acervos das bibliotecas.
Em síntese, não se trata disto ou aquilo. Desde o início dos tempos as formas de
comunicação coexistem. São os papiros, pergaminhos, impressos, microfilmes, fitas de vídeo
e, mais recentemente os meios eletrônicos. Trata-se de entender como a grande quantidade de
recursos investidos em coleções periódicas científicas resultam em benefícios na difusão dos

9

�resultados de pesquisa no país. Conforme observa Levacov, “faz-se necessário reconhecer que
somos todos parceiros, relutantes ou entusiasmados, necessitando adquirir novas habilidades.”
(LEVACOV, p.133)
Nessas condições, a utilidade de indicadores para a avaliação das coleções de
periódicos em bibliotecas universitárias brasileiras podem transformar-se em ferramentas
úteis a serem empregadas com regularidade, de forma a subsidiar as políticas de
desenvolvimento de coleções nas instituições de ensino superior do Brasil.

Indicadores para Apoio à Tomada de Decisão
O crescimento exponencial da ciência, com o aumento do número de cientistas, a
elevação do custo da pesquisa e a limitação de recursos financeiros para financiar os gastos
em C&amp;T , a partir da década de 1970, desencadearam os processos avaliatórios da pesquisa
pública e de sua legitimação frente à sociedade que a mantém. A construção de indicadores
para a análise da coleção de periódicos nada mais é do que um reflexo do ambiente macro
econômico que aí está. Entretanto, a construção de fórmulas capazes de espelhar uma
realidade multifacetada, em que inúmeras variáveis correlacionadas condicionam uma trama
complexa de inter-relações é um problema a ser contornado com muita cautela.
Por outro lado, o estudos da coleções de periódicos depositadas nas bibliotecas
brasileiras é uma realidade que aí está a exigir providências urgentes. Entretanto, essa nova
proposta de avaliação supõe a existência de três vertentes. A primeira vertente apoia-se no
estudo da coleção de revistas propriamente dita, a segunda assenta-se na análise da
organização universitária e de sua comunidade acadêmica e a terceira está diretamente ligada
às parcerias e aos compartilhamentos estabelecidos externamente entre bibliotecas,
consubstanciados nos consórcios.

10

�Há três fluxos nesse modelo. O primeiro é o fluxo da revista e de como esse amplo
reservatório de conhecimento “alimenta” a comunidade universitária local. Assim, tem-se
abaixo uma proposta de análise, elaborada a partir de um Projeto Piloto desenvolvido na
Universidade Estadual de Campinas, sob a coordenação dessa autora. (NASCIMENTO, 1994)
ESFERA INSTITUCIONAL
Uso da coleção (consulta, empréstimo local, empréstimo entre bibliotecas, em período a ser
definido);
Opinião da comunidade (grau de importância do título, de acordo com consulta à
comunidade, por amostragem);
Análise de custos (preço pago por cada título, com conversão para a moeda americana).

ESFERA NACIONAL
Status do título CCN – Catálogo Coletivo Nacional.
ESFERA INTERNACIONAL
Inclusão do título em fonte de referência (index, abstracts consagrados, nas várias áreas do
conhecimento);
Fator de impacto do título (medida de frequência de citação do título, a partir do Journal of
Citation Reports – ISI)
É importante estabelecer indicadores médios, balizados pelas especificidades das
diferentes áreas do conhecimento, para cada critério empregado. Também, maiores reflexões a
respeito dessa metodologia empregada podem ser obtidos em dois textos da autora.
(NASCIMENTO, 1994; 1996)

11

�A segunda série de fluxos envolve a estrutura organizacional e as pessoas inseridas
nesse contexto. O número de professores, o número de alunos de graduação e de
pós-graduação, o número de cursos, o número de linhas de pesquisas consolidadas e
emergentes, a produção científica e outras atividades peculiares às atividades de ensino e
pesquisa são indicadores que determinam a freqüência com a qual eles irão recorrer ao
reservatório do conhecimento (periódicos) e a eficácia com a qual irão retirar daí insumos
para atividades ulteriores. É óbvio que esses benefícios são indiretos e muito difíceis de serem
determinados especificamente. Entretanto, o estudo de Tenopir e King, realizado entre os
cientistas norte-americanos, permitem vislumbrar as cadeias de conexões que ocorrem. “De
fato, os cientistas que trabalham em universidades atingem a média de leitura de 188 artigos
por ano... Os cientistas de universidades usam a informação acadêmica para muitos
propósitos: mais de 50% das consultas objetivam a atualização ou o desenvolvimento
profissional, 75% visam à pesquisa, 41%, ao ensino e 12% são para fins administrativos e
outros. Grande parte da informação é muito importante para o ensino e a pesquisa. Das 188
leituras por cientista, 13 são absolutamente essenciais ao ensino e 23, absolutamente
essenciais à pesquisa.” (KING, p.176)
O terceiro fluxo é o que se estabelece a partir das relações extra-muros das
universidades, através de propostas de compartilhamento, só possíveis nas práticas de
consórcios. Essa nova forma de organização exige novos meios de comunicação e circulação
das coleções de revistas e de aprendizado para bibliotecários e pesquisadores, que se
manifesta na forma

de pesquisa, na forma de novos instrumentos e resultados práticos,

alcançados a partir dessas coleções de periódicos impressas e eletrônicas. O corte de
duplicatas interinstitucionais de títulos de periódicos é uma das práticas possíveis para
“aliviar” os orçamentos das universidades e, ao mesmo tempo fazer valer os princípios do

12

�consórcio. Para tanto, a parceria deve estender seus braços a longo prazo para não trazer
prejuízos às instituições que efetivar a interrupção da revista em favor das outras
universidades partícipes e, vice versa. Portanto, uma vez que os consórcios tornam-se uma
realidade nas agendas das bibliotecas, há que se estabelecer critérios que contribuam para
definir esse novo rearranjo das coleções no cenário interinstitucional. Não é possível que
todos as instituições envolvidas nos consórcios continuem a manter suas coleções intatas.

Considerações Finais
No caso brasileiro, as bibliotecas universitárias brasileiras vivenciam um momento
especial. Apesar das crises orçamentárias crônicas que têm sido enfrentadas pelas
universidades brasileiras, nossa coleções de periódicos têm sido construídas dentro de alto
padrão de qualidade e relevância. Por outro lado, o crescimento rápido das revistas eletrônicas
ao lado da necessidade de continuidade das aquisições de publicações em papel, em
decorrência da falta de clareza quanto às questões de acesso à internet, desconhecimento do
tempo de vida útil do CD-Rom, ingresso recente em projetos de consórcio mais arrojados,
têm agregado sérias dificuldades e limitações a um processo de análise mais abrangente e que
inclua indicadores consolidados de avaliação da coleção de periódicos. Apesar desse cenário
pouco favorável, o gestor de informação tem que adotar metodologias para avaliar e reajustar
constantemente a coleção da biblioteca.
Assim, diferentes perspectivas para o gerenciamento de recursos de informação estão
em discussão, frente à imposição do paradigma da sociedade da informação. Tais tendências
na biblioteca localizam-se nos aumentos substanciais dos custos dos periódicos científicos,
na perda de posse dos materiais armazenados localmente, no uso intensivo dos empréstimos
entre bibliotecas e na exploração das redes. De qualquer forma, o crescimento das formas de

13

�produção e acesso à informação, em conjunto com o encolhimento dos recursos financeiros,
as novas maneiras de atuação do mercado livreiro e o impacto das novas tecnologias, têm
tornado as pressões sobre as estruturas das bibliotecas praticamente insuportáveis.
Neste contexto, vale salientar que a interrupção das assinaturas de periódicos
impressos pode não significar redução de custos. Marchiori alerta “uma grande parte dos
recursos irá para os custos do empréstimo interbibliotecário, outra parte para o acesso
bibliográfico, outra parte para o pagamento de royalties, outra para fotocópias, outra para o
pagamento de serviços comerciais e outra para o desenvolvimento de mecanismos de busca e
disponibilidade de informação cada vez mais rápidos...” (MARCHIORI, P.123)
Uma maneira de melhor entender esse novo cenário reside na constante revisão da
coleção de periódicos, objetivando mantê-la atuante e dinâmica, o que exige várias etapas de
análise, como já mencionado, e que deve estar ancorado em três vertentes: estudo da coleção,
análise da comunidade universitária e avaliação do compartilhamento de coleções, em
consórcios.
Apesar da escassez de recursos – historicamente enfrentada pelas universidades
brasileiras, cabe, também, menção especial ao esforço de providenciar pagamento antecipado
das assinaturas de periódicos, entre agosto e novembro, do ano anterior à vigência da
renovação dos títulos e/ou pacotes de periódicos científicos. Essa medida é fundamental para
garantir a integridade das coleções de revistas no Brasil e, para evitar os dissabores de
interromper, a cada início de ano, os acessos eletrônicos obtidos conjuntamente com as
assinaturas de periódicos impressos.
Por fim, as novas formas de organização do trabalho na biblioteca não acontecem
apenas no interior da coleção de periódicos científicos, foco de nosso estudo, mas supõem-se
que as bibliotecas possam conter diferentes produtos em locais diversos, compartilhando

14

�localmente e extra-muros, materiais impressos com artefatos digitais. Entenda-se artefatos
digitais, não apenas os catálogos eletrônicos, conhecidos como OPACs (on line public access
catalogues), nem tampouco, apenas, os periódicos eletrônicos, mas a possibilidade que a
mídia eletrônica abre de incorporar outras coleções, como os acervos antigos da Biblioteca do
Vaticano, as obras de arte do Museu do Louvre e outras obras impressas de domínio público,
que não firam os direitos autorais. Toda essa nova organização representa um tremendo
desafio.

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17

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Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: A Biblioteca Universitária do Século XXI</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Gestão da coleção de periódicos científicos das bibliotecas universitárias brasileiras: multiplilcidade de suportes e formatos e a diversidade de interesses e expectativas da comunidade acadêmica.</text>
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              <text>O estudo pretende discutir a construção das coleções de periódicos científicos de bibliotecas universitárias brasileiras frente à imposição do paradigma da sociedade da informação. As rápidas mudanças que ocorrem atualmente nas áreas política, econômica, social e tecnológica têm tornado a biblioteca um ambiente de transformação permanente. A biblioteca convencional, organizada a partir de materiais impressos e, em busca da biblioteca virtual incorpora em sua agenda a urgência da inclusão dos artefatos digitais. Essa revolução eletrônica implica numa nova postura gerencial, de leitura do espaço externo, que se consubstancia na análise e avaliação do mercado livreiro (editores, distribuidores), no entendimento não apenas dos mecanismos de organização dos acervos, mas particularmente nas necessidades de equipamentos tecnológicos (hardware, periféricos e software) e na compreensão do ambiente interno, composto por uma comunidade acadêmica distinta, em função da diversidade de características das diferentes áreas do conhecimento. É sabido que a omunidade acadêmica abarca uma complexidade de interesses e de estrutura de relações entre os conjuntos de grupos que coexistem no contexto universitário. Por outro lado, em decorrência dos avanços das telecomunicações associadas ao crescimento da competição e à sofisticação do mercado editorial, que estabelece fusões, impondo o monopólio de vendas, que empacota e re-empacota seus produtos, tornam o trabalho do gestor da informação, a despeito das limitações econômicas, extremamente árduo. Descortinar esse cenário é uma ferramenta fundamental para ordenar a percepção sobre ambientes prováveis e desejados para o futuro.</text>
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