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                  <text>DIREITO AUTORAL DE ARTIGOS CIENTÍFICOS EM REDE AUTOMATIZADA:
PERSPECTIVA DE EDITORES E REFEREES1
Ana Vera Finardi Rodrigues
anavera@vortex.ufrgs.br
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Faculdade de Veterinária – Biblioteca
Av. Bento Gonçalves, 9090
91540-000 – Porto Alegre – RS – Brasil
bibvet@vortex.ufrgs.br

Resumo

Pesquisando a postura adotada atualmente por editores e referees de periódicos científicos em
relação à propriedade intelectual nas publicações científicas on line, objetivou-se verificar a existência e
identificar as normas por eles adotadas. Procedeu-se a uma pesquisa tendo como sujeitos editores e
referees de periódicos científicos nacionais, integrantes da SciElo (Scientific Electronic Library Online).
Foram enviados questionários para dez editores e vinte referees, com perguntas relacionadas ao assunto
exposto, e suas respostas coletadas, analisadas e tabuladas. Buscou-se, por meio desse questionário, obterse uma amostragem do pensamento dominante no meio editorial. Questionou-se o aspecto do periódico
científico disponibilizado pela Internet, a disseminação e o controle da informação assim veiculada, bem
como o prisma pelo qual editores e referees pesquisados vêem pontos com respeito ao direito autoral,
ética de editores, pesquisadores, referees e usuários e até a familiaridade desta pesquisa com a Internet e a
interface dela com sua atividade.

Eixo temático: Virtualização da Biblioteca Universitária

1

Trabalho baseado na Dissertação de Mestrado de título “Direito Autoral de Artigos Científicos em Rede
Automatizada: perspectiva de editores e referees”, apresentada em 31/08/1999 na Pontifícia Universidade
Católica de Campinas, SP.

1

�1 INTRODUÇÃO

Com o advento da informática, a publicação periódica científica está sofrendo
modificações em sua forma de apresentação. Além da forma impressa, vem sendo
oferecida à comunidade científica via meio eletrônico, em CD-ROMs e, mais
recentemente, em linha, possibilitando o acesso aos documentos através de uma simples
conexão à rede de computadores.
O direito autoral tem se tornado mais complexo com esse desenvolvimento da
informação em rede, uma vez que ela pode ser transferida para todo o mundo, sem que
seja possível detectar a movimentação por meio eletrônico.
Em trabalho de campo realizado durante o Curso de Mestrado em Administração
de Sistemas Automatizados de Informação em Ciência e Tecnologia na PUCCAMP,
desenvolveu-se uma pesquisa buscando dados a respeito dessa questão.
A pesquisa desenvolvida voltou-se para o problema da preservação do direito
autoral, ou seja, de que formas os editores e os referees2 pensam assegurar ou resguardar
esse direito ao terem suas publicações disponibilizadas em linha.
Os periódicos científicos constituem elementos de enorme importância nos
acervos das bibliotecas e dos centros de informação, tendo em vista sua atualização. A
urgência com que chegam às mãos dos interessados evita a defasagem da informação,
acelera a disseminação desta e mantém os pesquisadores relativamente em dia com os
2

Segundo Ziman(1981,p.118), referees “são os peritos anônimos encarregados de ler artigos para serem
publicados, recomendando a aceitação ou rejeição”,também chamados árbitros, avaliadores, pareceristas.

2

�avanços em sua área, sem que seja necessário aguardar publicações específicas de cada
um de seus pares.
Ainda que tenha uma periodicidade curta, mensal, por exemplo, até chegar à
biblioteca ou ao centro de informação, o periódico impresso precisa passar pelo
processo “fabril”, desde a concepção do editor, a revisão, a editoração, a impressão, a
distribuição física, que implica transporte de volumes, a entrega ao destinatário
(biblioteca ou centro de informação), a leitura, a catalogação e a disponibilização ao
usuário. Esse trâmite demanda tempo, custos e envolve o uso de muitos intermediários
entre o autor e o pesquisador. A editoração eletrônica veio a facilitar o acesso dos
pesquisadores às informações contidas nos periódicos, reduzindo o tempo de busca.
Mas, como observa Chaudry (1996), enquanto o periódico impresso tem limitadas as
possibilidades de violação do copyright, o acesso irrestrito, através da Internet, está
trazendo dificuldades para proteger da violação do copyright o material publicado na
rede. Carolina (1995, p.236) sugere que sejam estudadas e expandidas as leis do
copyright. “Como a tecnologia computacional tornou-se onipresente nos anos 70 e 80, a
lei da propriedade intelectual deve empenhar-se em mantê-la.”
Como não considerar um avanço o uso da tecnologia, que permite a pesquisa
rápida, “limpa” e relativamente barata. Como não perceber o quanto se amplia o
universo de pesquisa com o acesso à Internet? Mas o uso desses meios pode estar sendo
feito à custa da usurpação do direito de um pesquisador que, durante anos trabalhou,
dedicou-se, e pode querer usufruir dos resultados desse esforço. A adulteração do

3

�conteúdo de um documento é grave em todo e qualquer trabalho de pesquisa
desenvolvido, independentemente da área. Na área da saúde por exemplo, os danos
podem ser atentatórios à vida.
Por outro lado, o direito à informação deve ser visto com seriedade, pois é
fundamental que o conhecimento seja de domínio público e não fique restrito a grupos
que o utilizem apenas em seu benefício.

2 HISTÓRICO
Desde os primórdios da civilização o homem buscou ter o que é seu e assegurar
a propriedade daquilo que viesse a possuir. A existência de instrumentos jurídicos para a
garantia e a proteção da propriedade é resultado desse sentimento. Com o advento de
novas necessidades, por força do desenvolvimento da civilização, sobrevieram idéias e
soluções que se transformaram em bens de natureza não material, ou seja, bens de
ordem intelectual que, por sua importância e por seu conteúdo passaram a ter valor
econômico. Com isso, surgiu a propriedade intelectual e, por decorrência, surgiram
também as características inerentes aos direitos sobre esse tipo de propriedade.
Wilkinson (1996, p.22) coloca que a partir do surgimento dessas novas
necessidades, a lei entre as partes (contratos) passou a ser insuficiente, exigindo a
intervenção do governo para a existência de uma regulamentação abrangente. “Em um
esforço criado pelas novas condições, novas formas de propriedade foram criadas pelo
governo começando no século quinze, especificamente as patentes e o copyright”. Essa

4

�incipiente proteção, juntamente com desdobramentos posteriores, levou as cortes a
estabelecerem instrumentos jurídicos que embasaram uma nova figura do Direito.
A evolução do direito de propriedade intelectual foi tal qual seu surgimento:
lenta, polêmica e contraditória. Passaram-se séculos até que houvesse a normatização no
Direito positivo.
Com a evolução científica e as novas formas de divulgação e transmissão de
conhecimentos, os dispositivos legais foram sendo aperfeiçoados para não deixarem
desprotegidos os direitos sobre a produção intelectual. O rádio e a televisão passaram a
ser, também, objeto de controle legal para que fosse preservada a integridade da
propriedade intelectual. Obteve-se, então, uma certa estabilidade nesse campo. Mas a
inquietude filosófica inata ao homem, e seus subprodutos, ou suas correlações, como a
curiosidade científica e a busca da perfeição, levaram-no a um novo passo: a
informatização. O avanço tecnológico trouxe consigo o que pode ser chamado de mundo
digital. As redes de computadores, o ciberespaço, o aumento da velocidade nas
comunicações, são fenômenos decorrentes desse avanço que, além de benefícios, trazem
preocupações quanto ao uso da informação, pois o acesso cibernético é irrestrito.
Para Wilkinson (1996) e Small (1996), embora os problemas relacionados ao
assunto imprensa e revolução industrial tenham raízes semelhantes, a história de cada
nação faz com que esta adapte suas leis às necessidades de sua sociedade. Na sociedade
da informação, mecanismos legais tais como patentes e copyright, desenvolveram-se
para enfrentar mudanças profundas geradas pela imprensa. Agora surge a necessidade de
adaptarem-se para enfrentar as novas necessidades, relacionadas ao meio eletrônico.

5

�“O advento de novas tecnologias, como os scanners e o aumento constante do
número de periódicos eletrônicos e a velocidade da transmissão da informação por meio
das superhighway, interferem no conceito dos direitos autorais dos autores e editores, e
suas publicações quando criam ou publicam novos trabalhos, ou modificam um já
existente. Com a utilização dos scanners de mesa, qualquer imagem ou publicação pode
ser copiada, melhorada ou manipulada com facilidade.” (Población et.al, 1996)

3 ÉTICA E PROPRIEDADE INTELECTUAL
O problema da ética em publicação deve ser objeto de cuidadosa análise. A
questão do uso justo da informação, bem como os limites de disponibilidade da mesma
são trazidos à discussão. Como observa Schwartau (1996, p.190) “a tecnologia da
distribuição eletrônica da informação causa, por si só, as transgressões ao direito autoral.
Para os pequenos info-negociantes, estas preocupações merecem consideração. Na
teoria, se alguém vende uma informação por um dólar a uma pessoa, esta pessoa poderia
então distribuí-la a milhões de outros, postando-a na Usenet. Ninguém mais teria que
pagar ao autor este dólar, privando-o dos rendimentos pelos quais se esforçou”.
Segundo Agha (1997, p.256), o objeto do copyright está sendo desviado de seu
objetivo, pois aquilo que existia para encorajar e sustentar a criatividade dos autores,
com freqüência, em nome da propriedade intelectual, está restringindo seu uso às
pessoas de maior poder aquisitivo, “a injustiça dessa proteção aparece quando os custos
das informações são decididos pelas forças do mercado”. Justamente as sociedades que
dependem dessas informações para seu progresso, não têm condições de adquirí-las. Da

6

�mesma forma, Valauskas (1996, p.198)) coloca os problemas a serem enfrentados pelas
bibliotecas uma vez restrito o uso à informação. “O uso de qualquer publicação
formatada eletronicamente requereria um documento de consentimento que verbalizasse
exatamente, em detalhes, como e onde o produto poderia ser usado. Nenhum estudante
ou acadêmico poderia usar a versão digital de um trabalho de forma superficial. Todo
uso deveria ser devidamente medido, registrado e encriptado. O ato básico de ir a uma
biblioteca e examinar um livro digital, paginando-o casualmente, tornar-se-ia
impossível”.
Brown (1996, p.66), preocupa-se com a difusão da informação, especialmente
quando a questão centra-se nos publicadores, que correntemente mantêm o copyright de
trabalhos científicos publicados nos periódicos científicos que editam. “Desde que o
trabalho científico resulta em um rendimento que pode ser protegido pelos direitos de
propriedade intelectual, questões como liberdade de informação, particularmente os
direitos da livre discussão das questões científicas e o acesso irrestrito à informação
científica, estão vindo à tona. A propriedade dos direitos [autorais nos meios]
eletrônicos e o impacto que este trará para a indústria, é uma questão emergente. Se as
universidades e as fundações continuarem tendendo à manutenção desses direitos, a
capacidade para assegurar a ampla disseminação da informação publicada
aparentemente deveria ser maior do que a capacidade do publicador comercial em
manter sua atual propriedade sobre ambos os copyrights, impresso e eletrônico”.

7

�Embora haja consenso sobre o uso justo das cópias, a dúvida sobre esta justiça
poderá, de alguma forma, surgir com certa freqüência, envolvendo novamente a questão
da ética.
English e Jacobs (1997, p.271) colocam que a importância da propriedade
intelectual toma contornos quando a realidade de muitos autores e editores têm nas
publicações que escrevem ou editam, fonte do seu sustento. Surge também a
preocupação com a integridade dos trabalhos, diante da possibilidade dos autores serem
vítimas de plágio.
Small (1996, p.46) enfoca a necessidade de garantias a serem dadas aos autores
ao disponibilizarem material via Internet. “A digitalização de tais materiais tem deixado
temerosos os autores e publicadores, tanto em relação à perfeita qualidade das cópias,
quanto ao fato de que o material digital pode ser produzido a uma velocidade e custo
baixo inimagináveis. Feito isto, cópias perfeitas podem ser facilmente alteradas e
ninguém perceber que isto aconteceu”. Peters (1995, p.8), que também partilha desse
ponto de vista, relaciona a questão da “pirataria” de idéias ao medo que ela causa aos
autores. “A questão latente da pirataria de idéias, deveria ser investigada mais a fundo.”
De certa forma, Webster (1997, p.282), concorda com o exposto e tem o
respaldo de outros autores quando alude ao CONFU (Conference for Fair Use),
realizado em 1996. Nesta conferência, os publicadores mostraram-se preocupados com
as oportunidades que estão surgindo aos usuários de transmitirem milhões de cópias
ilegais para o mundo com pequenos toques em teclas. Eles vêem o uso justo como uma

8

�porta aberta para um comportamento pouco ético por parte dos usuários. A opinião de
Tucker (1997, p.227), mostra preocupação com a realidade do pesquisador. Mas não
desfazendo da preocupação com a violação do direito autoral, dos abusos, coloca que,
com o meio eletrônico, muitos deficientes físicos serão beneficiados, seja por meio de
“livros falantes”, seja através de outro acesso, facilitando a conversão para o braile.
Población et al. (1996), da mesma forma, alude à possibilidade de reintegração de
tetraplégicos à comunidade através de estações de trabalho computadorizadas que
podem ser acessadas de casa.
Apesar dessa vulnerabilidade, há interesse unânime entre os autores no que tange
à disseminação da informação para fins de ensino e desenvolvimento, seja social ou
tecnológico. Há, porém, preocupação com o uso ético da informação. Como diz
Froehlich (1991, p.275) “a ética deve ser examinada sob vários aspectos, quando se trata
de transferência da informação. É necessário que os fatores morais sejam considerados
de forma a não serem invadidos ou feridos” e seu pensamento pode ser complementado
pelo de Du Mont (1991, p.202) ao dizer que “as leis são racionalizadas de acordo com o
bem estar da sociedade, assim, qualquer comportamento considerado ético, poderia
também ser legal em uma sociedade justa”. Assim, muito desse uso seria uma questão
de bom senso.
Da mesma forma que hoje as pessoas têm o hábito de disporem do material
bibliográfico impresso, no futuro poderão ter à disposição, em grande escala, tais
materiais através do meio eletrônico que, administrado com consciência e
responsabilidade, será um instrumento importante para o meio científico e tecnológico.

9

�4 OBJETIVOS

Constituiu objetivo geral deste trabalho:
verificar a postura adotada pelos editores de periódicos científicos em relação ao
copyright no conceito do meio eletrônico em linha.
Foram definidos como objetivos específicos:
a) verificar a existência de normatização para o copyright no meio eletrônico em linha;
b) definir a postura dos editores e referees em relação à disponibilidade da informação
eletrônica para o usuário.

5 MÉTODO

Procedeu-se a uma pesquisa tendo como sujeitos editores e referees de títulos de
periódicos científicos nacionais. Os periódicos em questão deveriam, necessariamente,
estar disponíveis para consulta on line, via Internet, e serem brasileiros.
Foi aplicado questionário com a finalidade de levantar as seguintes informações:
1) identificação dos sujeitos;
2) data em que as publicações tornaram-se disponíveis na forma tradicional (impressa);

10

�3) data em que as publicações foram disponibilizadas para consulta na Internet (em
linha);
4) qual o nível de conhecimento, dos editores, no que se refere à lei de Propriedade
Intelectual/Direito Autoral;
5) caso o acesso à informação contida nesses periódicos científicos, via internet, seja
irrestrito, há intenção de controlar o acesso visando a preservar o direito autoral;
6) opiniões sobre a preservação do direito autoral através de uma regulamentação do
acesso à informação que ressarça o autor pelo uso de sua produção intelectual.
7) o que consideram uso ético da informação;
8) o que consideram uso anti-ético da informação;
9) preocupam-se com a reprodução e o uso do material recuperado via Internet;
10) para que tipo de usuário está sendo disponibilizado acesso em linha e
11) motivos que os levaram a disponibilizar as publicações em linha.

5.1 Procedimentos

Foi enviada correspondência, via internet e via postal, a dez editores e vinte
referees colocando-os a par do objetivo da pesquisa, assegurando, se solicitado, o sigilo
necessário, mas obtendo-se licença para a utilização dos dados levantados.

6 PLANO DE ANÁLISE DE DADOS

11

�Das respostas obtidas foi feita análise primordialmente qualitativa, com a
intenção de avaliar a opinião de cada sujeito no que concerne às diversas questões
enfocadas no instrumento. Avaliou-se qual a importância dada ao problema da pesquisa
pelo grupo de sujeitos e quais os aspectos do problema são mais relevantes no entender
de cada um.
Também foi feita análise quantitativa, para identificar as posições predominantes
entre os sujeitos e estabelecer percentuais que possibilitem aferir quais os níveis de
pulverização e/ou de concentração das preocupações dos sujeitos do grupo.

7

ANÁLISE COMPARATIVA DAS RESPOSTAS DOS EDITORES E REFEREES

Foram selecionadas as questões mais relevantes para apresentação neste
trabalho.
Há quanto tempo acessa a Internet?
De acordo com os dados do quadro abaixo, pode-se observar que os editores, em
relação aos referees, têm mais experiência no acesso à Internet.
Acesso à Internet – Editores x Referees
Período

6 meses

1a2

3a4

5a6

7a8

9 a 10

Mais de

anos

anos

anos

anos

anos

10 anos

Absteve-se

Total

Sujeitos
Editores

0%

30%

20%

20%

0%

10%

20%

0%

100%

Referees

5%

55%

20%

15%

0%

0%

0%

5%

100%

12

�Tem o hábito de ler periódicos científicos na Internet?
Hábito de Lerem Periódicos Científicos na Internet – Editores x Referees
Respostas

Sim

Não

Apenas o

Não com

resumo

muita

Sujeitos

Absteve-se

Total

freqüência

Editores

80%

10%

10%

0%

0%

100%

Referees

30%

50%

10%

5%

5%

100%

Como são tratadas as questões de direito autoral/propriedade intelectual no que se
refere ao(s) periódico(s) em questão, no meio eletrônico?
Editores:
-

50% consideram regulamentado pelo meio impresso;

-

40% consideram a possibilidade, ou mesmo a necessidade, de uma
abordagem futura visando a uma regulamentação mais específica;

-

10% não demonstra qualquer tipo de receio, uma vez que não houve, até
hoje, qualquer tipo de reclamação.

Referees:
-

60% responderam simplesmente não haver regulamentação, dividindo-se da
seguinte forma:

-

55% desconhecem qualquer tipo de regulamentação;

-

5% afirmam não haver regulamentação;

-

do restante dos referees,

13

�-

35% consideram que o direito autoral no meio eletrônico é tratado da mesma
forma que no meio impresso (em papel);

-

5% que o projeto SciELO regulamenta.

Na sua opinião, deve haver ou não acesso irrestrito aos periódicos científicos via
Internet? Como ficam a preservação do autor e do periódico?
-

Referees: 70% se posicionam favoráveis ao acesso irrestrito;
Editores: Há dúvida quanto à liberação do acesso.

O que considera uso ético da informação técnico-científica veiculada pela Internet?
•

citar as fontes consultadas:
50% dos editores
45% dos referees

•

o uso que vise o bem-estar da humanidade:
10% dos editores
25% dos referees;

•

abstiveram-se
10% dos editores
5% dos referees

14

�O que considera uso anti-ético da informação técnico-científica veiculada pela
Internet?
•

o uso de informações sem a citação das fontes;
60% dos editores
70% dos referees

•

abstiveram-se:
10% dos editores
5% dos referees

demais respostas:
-

o desrespeito aos pares e

-

prejuízo à humanidade.

Relate, o mais completamente possível, uma experiência sua envolvendo ética na
Internet.
100% dos sujeitos, de ambos os grupos, disseram não ter tido qualquer
experiência nesse sentido.

8 CONCLUSÕES

15

�Este trabalho compôs-se de um breve estudo da evolução do direito autoral e da
apresentação de uma pesquisa de campo, realizada entre editores e referees de
periódicos científicos que vivenciam, diretamente, as dificuldades relativas à questão do
direito autoral.
A história do direito autoral, tanto quanto a dos vários ramos do Direito, mostra
que, em regra, as leis vêm sempre para normatizar atos e fatos da vida que vão se
tornando freqüentes, cotidianos, seja pela adoção de novos costumes, seja pelo advento
de novos meios e métodos criados ou descobertos pela Ciência. Assim, a presente
situação de transitoriedade e inadequação dos dispositivos legais que tratam da
propriedade intelectual sobre as publicações eletrônicas, não é uma novidade:
primeiramente surgiu o fato (Internet e disseminação da informação através dela), com
isso podem ocorrer atos (violação do direito autoral das publicações via Internet) que
não estão perfeitamente caracterizados na legislação vigente. Urge, portanto, que sejam
redefinidos e/ou criados os mecanismos legais necessários para que autores,
publicadores, pesquisadores e usuários tenham parâmetros, limites e responsabilidades
estabelecidos quanto aos seus direitos e comportamento.
A análise dos percentuais recolhidos nas respostas dos sujeitos da pesquisa, leva
a concluir que a velocidade dos avanços da informática não foi acompanhada pelas
editoras. É incipiente, ainda, a indústria da publicação on line (considera-se, ao se fazer
essa afirmação, o número de publicações on line existente no período de realização
dessa pesquisa). Ao mesmo tempo, e também por isso, conclui-se que o atraso nas

16

�definições conceituais e legislativas se deve, entre outros motivos, à pouca demanda
desses editores por essas definições. Estão sendo usados as leis e os critérios
correspondentes ao meio impresso. Esse fato revela uma tendência à manutenção dos
mesmos princípios quanto aos meios eletrônicos.
Essa situação, que quase se caracteriza como de vacância legal, traz consigo
dúvidas adicionais a respeito da postura a ser adotada pelos envolvidos, naquilo que se
relaciona aos aspectos morais e éticos. Torna-se difícil para um usuário, por exemplo,
saber qual o limite entre o respeito e a violação, o ético e o reprovável, o uso justo e a
usurpação.
Mas, somente a discussão ampla, em diversos fóruns, nacionais e, sobretudo,
internacionais, tendo em vista a natureza cosmopolita da Internet, poderá efetivamente
levar à adequada avaliação da compatibilidade dos princípios e práticas de um meio
(impresso) e de outro (eletrônico).
É importante ressaltar que as preocupações relativas à proteção do direito autoral
no meio eletrônico não são, majoritariamente, de natureza comercial ou financeira.
Muitos sujeitos expressaram que sua preocupação maior refere-se à honestidade de
propósitos de quem utilizará o conhecimento obtido, não manifestando interesse em
ressarcimento ou pagamento pelo uso do que é publicado e é de sua autoria.
Muitos dos sujeitos, que são também pesquisadores, não se consideram “donos”
desse conhecimento. Atribuem essa propriedade às instituições às quais estão
vinculados e que lhes dão condições de trabalho. Querem, como gratificação, apenas a

17

�citação de seu nome como fonte pesquisada, o que lhes trará realização pessoal e
profissional.
A preocupação com a propriedade intelectual na Internet é de âmbito mundial. A
gravidade dessa questão está exigindo que se busquem soluções sem demora,
equilibradas de modo a não prejudicar qualquer dos grupos; autores, editores ou
usuários. É importante que, quando dessa busca, não seja dada atenção apenas aos
problemas enfrentados pelos titulares dos direitos, mas que sejam também lembrados
conceitos universais relativos ao direito e ao uso justo da informação (fair use), e que
não seja inviabilizado o objetivo principal das bibliotecas que, desde a sua origem, têm
como função possibilitar ao público em geral o acesso, de forma gratuita, à cultura e ao
conhecimento.

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19

�</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: A Biblioteca Universitária do Século XXI</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Pesquisando a postura adotada atualmente por editores e referees de periódicos científicos em relação à propriedade intelectual nas publicações científicas on line, objetivou-se verificar a existência e identificar as normas por eles adotadas. Procedeu-se a uma pesquisa tendo como sujeitos editores e referees de periódicos científicos nacionais, integrantes da SciElo (Scientific Electronic Library Online). Foram enviados questionários para dez editores e vinte referees, com perguntas relacionadas ao assunto exposto, e suas respostas coletadas, analisadas e tabuladas. Buscou-se, por meio desse questionário, obter-se uma amostragem do pensamento dominante no meio editorial. Questionou-se o aspecto do periódico científico disponibilizado pela Internet, a disseminação e o controle da informação assim veiculada, bem como o prisma pelo qual editores e referees pesquisados vêem pontos com respeito ao direito autoral, ética de editores, pesquisadores, referees e usuários e até a familiaridade desta pesquisa com a Internet e a interface dela com sua atividade.</text>
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