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                  <text>A EDUCAÇÃO DE USUÁRIOS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS FRENTE À
SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E SUA INSERÇÃO NOS NOVOS PARADIGMAS
EDUCACIONAIS.

Elisabeth Adriana Dudziak bibeppel@org.usp.br
Maria Aparecida Gabriel mgabriel@epbib.usp.br
Maria Cristina Olaio Villela mvillela@epbib.usp.br
Escola Politécnica da USP - Serviço de Bibliotecas
Av. Prof. Luciano Gualberto, Trav.3, n.158
Cidade Universitária - Butantã
05508-900 - São Paulo - SP
Brasil

Resumo: O trabalho analisa a educação de usuários de Bibliotecas Universitárias no contexto
da chamada Sociedade do Conhecimento, baseado em revisão bibliográfica e rotinas diárias
de serviço, buscando sugerir modelos de educação englobando conhecimentos, habilidades e
valores, centralizados no aprendiz e em seus processos de construção de conhecimento a
partir da busca da informação. A avaliação crítica, relevância e pertinência devem ser
consideradas na busca da informação. Também se analisa o papel do bibliotecário como
educador e mediador de conhecimento em seus variados níveis de mediação, e a necessidade
de cooperação e interação constantes com os docentes, desenvolvendo programas integrados
ao currículo.

TEMA: USUÁRIOS DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

1

�1 Introdução

Atualmente a sociedade vem passando por profundas e rápidas alterações que têm se
refletido nos mais variados setores. Nossa inserção nos processos de globalização, a
proeminência da informática e das telecomunicações, assim como as mudanças que vêm
ocorrendo na economia mundial mudaram os parâmetros profissionais a que estamos
subordinados.
Isso tem afetado particularmente a educação, sugerindo a adoção de novos paradigmas
educacionais mais adequados a essa nova realidade.
Nesse sentido tem crescido a importância do aprendizado significativo, com ênfase na
formação totalizante do indivíduo e sua capacitação para lidar com a incerteza e o volume
superlativo de informações disponibilizadas. Busca-se, mais do que nunca, a construção do
conhecimento enquanto processo.
Nesse contexto a importância dos Serviços de Informação e sua atuação educacional,
são mais valorizadas. Cumpre então examinar quais seriam as formas mais adequadas dessa
atuação frente a essa nova realidade. Surgem então as questões: como deve ser a educação de
usuários de serviços de informação frente a esse novo cenário mundial? Quais seriam as
competências do bibliotecário educador?
O tema desse trabalho é um percurso na busca de respostas a essas questões, rumo a
um delineamento que sirva de base à implementação de possíveis modelos de educação de
usuários de serviços de informação. Esses modelos devem estar centrados nos usuários e
inseridos no contexto da Sociedade do Conhecimento.

2

�2 O cenário de uma nova era

Na sociedade atual, a informação passou a ser elemento chave e sua disponibilização
tem crescido de maneira exponencial. Tal realidade é sustentada pelos meios de comunicação
que ajudaram a construir um quadro calcado na informação e sustentado por uma economia
global.
O paradigma sistêmico ou holístico tem se fortalecido, em função das mudanças pelas
quais a sociedade vem passando. Na visão sistêmica os fenômenos e os acontecimentos são
vistos como dinamicamente interconectados e existe a constante busca pela totalidade, que é
um dos suportes da Sociedade do Conhecimento.
Porém, se hoje falamos em Sociedade do Conhecimento, há pouco tempo tentávamos
definir a Sociedade da Informação. Sociedade da Informação é o mesmo que Sociedade do
Conhecimento? A pergunta inicial seria: informação é o mesmo que conhecimento?

2.1 Informação ou conhecimento?

Informação e comunicação são dois conceitos indissociáveis e, de forma simplificada,
poderíamos afirmar que a comunicação se baseia na troca e no compartilhamento de
informações. A informação, por sua vez, é um elemento da comunicação; uma coleção de
fatos, dados ou eventos.
Por outro lado, o conhecimento passa necessariamente por um processo de percepção,
análise, reflexão e interpretação da informação. Se de um lado a informação se baseia na

3

�fragmentaçção, o conhecimento se baseia na inter-relação, é essencialmente aberto, sempre
em processo, implicando em pensamento crítico na busca de uma visão totalizante.

2.2 Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento?

A expressão Sociedade da Informação advém do boom

da informática e das

telecomunicações, que permitiram a criação da chamada cibercultura, neologismo definido
por LEVY (1999, p.17) como sendo:

(...) o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes,
de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem com o crescimento
do ciberespaço, definido por meio de comunicação que surge da interconexão
mundial dos computadores, abarcando não apenas a infra-estrutura material
da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que
ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse
universo.

A Sociedade de Informação foi calcada neste cenário essencialmente pós-moderno,
informático, onde o indivíduo percebe uma certa angústia diante do impacto gerado pela
velocidade com que a tecnologia tem evoluído e disponibilizado a informação. Essa evolução
tem ocorrido através principalmente dos meios de comunicação como a televisão e a Internet.
Por outro lado, a Sociedade do Conhecimento assume contornos diferentes na medida
em que, devido a essa explosão de informações disponibilizadas, o indivíduo é levado a
desenvolver uma consciência crítica em relação ao que está sendo apresentado, a analisar a
relevância disso para suas necessidades, a assumir posturas pró-ativas de busca e uso da

4

�informação e a estabelecer relações entre as informações processadas, para então produzir
conhecimento.
O centro está no processo e na verbalização, não mais na conceituação, uma vez que
os conceitos são mutantes em função das condições de relevância , interpretação e contexto
em que o indivíduo está inserido.
O conceito de Sociedade do Conhecimento é ainda incipiente, fundamentado numa
visão do mundo baseada na interdependência social, na constante mutação, no
desenvolvimento da consciência crítica e na valorização da cidadania, com o aproveitamento
da tecnologia como um meio, não mais como um fim em si mesmo. Surge por um lado,
calcada na Sociedade de Informação, uma vez que sem informação não há conhecimento; por
outro, calcada na economia, pela transformação do conhecimento em mercadoria, num bem
administrável a ponto de podermos falar numa economia do conhecimento.
Numa economia global fundamentada nas grandes corporações o valor que o
conhecimento agrega é fator determinante superando cada vez mais o trabalho e a
matéria-prima.
Nesse contexto, a educação assume papel essencial, quer como formadora de
profissionais adaptados ao mercado (empregabilidade), quer como formadora de uma
consciência crítica capaz de constituir (ou reconstituir) o conceito de cidadania, buscando uma
visão totalizante do ser humano.

3 A educação na Sociedade do Conhecimento

As mudanças de paradigma social e econômico que vivenciamos atualmente levam a
sociedade e suas instituições a um processo de amplo questionamento. A educação e a

5

�Universidade devem rever seu papel. Os Serviços de Informação, particularmente as
Bibliotecas Acadêmicas, devem se adequar a esta nova realidade.
Até recentemente, a visão educacional predominante foi a tradicional, baseada num
modelo no qual o professor transmite um conjunto de informações aos estudantes a partir de
representações quase sempre abstratas, cabendo ao estudante perceber, decodificar e
armazenar o que lhe foi apresentado.
Atualmente, tem crescido o interesse pela abordagem onde o aprendiz constrói seu
conhecimento através da

interação contínua com o docente e com o conteúdo a ser

apreendido, a partir de situações ou problemas que lhe são apresentados e sobre os quais são
feitos questionamentos que o levam a buscar alternativas e soluções, sendo avaliado
constantemente no decorrer de sua formação. (FOSNOT, 1998).
Assim, como destacam ZABALA (1998) e MASSETO (1998), a educação para uma
sociedade baseada na construção de conhecimento deve se voltar para alguns aspectos tais
como:
. Formação totalizante do aluno (Abrangendo não só conhecimento acadêmico, como
também desenvolvendo suas habilidades e seus valores );
. Aprendizado significativo (Aquisição de novos significados e relacionamentos entre
idéias, com a formação de uma consciência crítica, oposta ao aprendizado mecânico); .
. Aprendizado participativo (Os programas devem ser criados

a partir do

estabelecimento de definições e compromissos entre educadores e aprendizes);
. Aprendizado contextualizado (As situações-problema e as tarefas devem estar
inseridas no contexto da comunidade e da sociedade do aprendiz);
. Interdisciplinaridade (A interação entre educadores e a interação entre conteúdos
deve ser prioritária);

6

�. Aprendizado cooperativo

(A cooperação entre professores, bibliotecários e

aprendizes deve ser fomentada);
. Aprendizado pró-ativo (O aluno deve ser incentivado a eleger suas próprias
prioridades de formação);
. Educação continuada (Formação permanente que se inicia nos primeiros anos de
faculdade e se prolonga por toda a vida, aprender a aprender).

A Universidade deve se abrir ao diálogo com a sociedade, com os outros espaços de
conhecimento e com o ambiente profissional, já que não é mais o único pólo de produção de
conhecimento.
As faculdades também devem passar por mudanças, de ambientes condicionadores,
predominantemente restritos às salas de aula, a ambientes de convivência social e cultural.
Nesse particular, a Biblioteca Universitária é um ambiente possível e desejável.
O paradigma teórico-pedagógico deve se centralizar no aprendizado significativo,
onde o estudante deve saber como o conhecimento é organizado, como achar a informação,
como usá-la , para depois tornar-se apto a buscar soluções e a produzir conhecimento. A
pesquisa e a elaboração de projetos deve ser enfatizada. Frente a este novo cenário, a
educação de usuários é mais do que nunca uma necessidade.

4 A educação de usuários de Serviços de Informação

Bibliotecas são instituições educacionais, principalmente as universitárias e as

7

�escolares, que não podem ser julgadas independentemente das organizações às quais estão
intrinsecamente ligadas.
A cada avanço tecnológico, a educação de usuários dos Serviços de Informação
torna-se mais importante. Cresce também a necessidade de adequação dos sistemas a seus
usuários, de maneira a incorporar a dinâmica da construção de conhecimento, com seus
reveses como a incerteza e a ansiedade. Somente planejar melhores formas de orientar as
pessoas quanto a fontes e tecnologias não resolve adequadamente tais problemas
(KUHLTHAU, 1993) .
A educação de usuários é um termo abrangente que reúne vários tipos de ferramentas
que vão desde a instrução, o treinamento, a apresentação de interfaces amigáveis, o
marketing, a divulgação de artigos e reportagens, manuais, tours, cursos de acesso a bases de
dados, até a orientação bibliográfica.
Independentemente da designação dada, todos os autores parecem considerar que a
educação de usuários permeia os vários processos e produtos da Biblioteca por ser, em
essência, a relação entre a Informação, o Bibliotecário e o Usuário/Cliente. Portanto, serão
conteúdos de aprendizagem todos aqueles que possibilitem o desenvolvimento das
capacidades motoras, afetivas, de relação interpessoal e de inserção social.
BELLUZZO (1989, p. 37) conceitua a educação de usuários de Bibliotecas "(...) é o
processo pelo qual o Usuário interioriza comportamentos adequados com relação ao uso da
Biblioteca e desenvolve habilidades de interação permanente com os sistemas de
informação.“
Interiorizar comportamentos significa assimilar conteúdos factuais e conceituais
(conhecimentos), conteúdos procedimentais (habilidades) e conteúdos atitudinais (valores).

8

�Somente a partir desse trinômio - conhecimentos, habilidades e valores - é possível realizar a
educação de usuários em sua verdadeira acepção.
Emprestando definições de ZABALA (1998) e MASSETO (1998) da área de
Educação e extrapolando para a Biblioteconomia teríamos então vários tipos de
aprendizagem:
Aprendizagem de conteúdos factuais: A informação dos fatos, acontecimentos,
situações, dados e fenômenos. Assim é a informação embutida nos folhetos de divulgação,
mapas, tours, e na maior parte das palestras sobre os Sistemas de Informação.
Aprendizagem de conceitos e princípios: São termos abstratos. Esta aprendizagem
implica na compreensão dos significados e na elaboração e construção pessoal de conceitos.
Assim é o conhecimento dos sistemas de classificação, ou da organização de thesaurus.
Aprendizagem de conteúdos procedimentais: Conjunto de ações ordenadas que
abrangem regras, técnicas, métodos, procedimentos, dirigidas à realização de um objetivo.
Compreendem a ligação estreita entre os mecanismos motor e cognitivo, baseados na
realização de ação ou conjunto de ações. Assim é o conhecimento que está por trás dos
treinamentos e instruções, no uso de bases de dados, catálogos, etc, como também na
habilidade de buscar, de se exprimir, de comunicar-se.
Aprendizagem de conteúdos atitudinais: Engloba uma série de conteúdos que podem
ser agrupados em valores, atitudes e normas.
Os valores se referem às idéias éticas, de juízo.
As atitudes se referem à maneira como as pessoas atuam, sua conduta de acordo com
seus valores.
As normas se referem aos padrões ou regras de comportamento a que somos
obrigados a atender desde que integrantes de um grupo social.

9

�Os conteúdos atitudinais enfatizam a criatividade, o cidadão, o pensamento crítico , a
ideologia e o aprender a aprender, desenvolvendo no indivíduo o processo de reflexão crítica.
A verdadeira educação de usuários engloba todas essas aprendizagens e significa
acima de tudo o aprender a aprender, aprender a pensar e ser um usuário eficiente da
informação. Aprendendo a identificar, buscar, localizar, avaliar e selecionar a melhor
informação, refletindo e escolhendo a alternativa mais pertinente, extrapolando para outras
situações, o usuário constrói o conhecimento; torna-se capaz de intervir no processo de
construção de conhecimento de outras pessoas.
Segundo KUHLTHAU (1993) a educação de usuários envolve uso, interpretação e
busca de significados da informação, não apenas busca de respostas a perguntas, mas formas
de auxiliar o estudante/usuário a construir seus próprios pensamentos e soluções às suas
necessidades, desenvolvendo espírito crítico. A ênfase se dá para os aspectos que envolvem
os processos de busca e uso da informação, na construção de modelos mentais.

4.1 Os processos de busca da informação

A busca de informação é um processo intelectual que começa com um problema do
usuário, uma lacuna entre o que o ele sabe e o que necessita saber, numa determinada
situação. Tal estado é dinâmico, mutável e o processo se inicia com questionamentos que
levam à busca de respostas, através de determinadas estratégias, análises e tomadas de
decisão, buscando o que DERVIN (1993) chamou de “sense making”. O processo de busca
de informação para a resolução de problemas ou produção de trabalhos científicos é
essencialmente um processo de construção de conhecimento.

10

�Como destaca ROUSE e ROUSE (1984) apud FERREIRA (1996, p.221) "O ser
humano raramente busca informação como um fim em si mesmo. Ao contrário, ela é parte de
um processo de tomada de decisão, solução de problemas e/ou alocação de recursos."
Os estudos realizados por KUHLTHAU (1993) revelaram que os estudantes em seus
processos de busca de informação para a realização de tarefas propostas, passam por uma
sequência de seis estágios que compreendem: início das tarefas; seleção de um tópico;
exploração para atingir um foco; formulação do foco; coleta de informações; conclusão do
processo de busca e processo de redação.
Incorporando três domínios: afetivo (sentimentos), cognitivo (pensamentos) e físico
(ação), comuns a cada estágio, o modelo de KUHLTHAU (1993) define os passos da
construção de conhecimento a partir da busca da informação. Isso nos leva a considerar que a
educação de usuários de Serviços de Informação deve necessariamente se ligar a esse
processo.
O modelo educacional que melhor se adapta a esse processo é o da alfabetização
informacional (information literacy). TIEFEL (1995, p. 318) afirma que cada vez mais a
educação de usuários tem se referido às práticas de alfabetização informacional e RADER
(1997) em sua revisão anual de literatura da área, também se refere a esse termo.

4.2 A alfabetização informacional

O conceito de alfabetização informacional (information literacy) não é um conceito
novo. Surgiu pela primeira vez na literatura com ZURKOWSKI (1974) e reaparece agora
valorizado, ligado aos processos de construção de conhecimento a partir da busca da
informação e de valores como o aprender a aprender.

11

�Aprender a aprender já se tornou chavão. Porém efetivamente do que se trata? A
partir da visão da educação de usuários esse conceito fica claro. De acordo com vários
autores como a AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION (s.d) ; RADER (1997); SMITH
(s.d.); TIEFEL (1995) e outros, uma pessoa alfabetizada em informação é capaz de:
● Reconhecer quando existe um problema ou questão e definir tal problema;
● Determinar as questões sugeridas pelo problema;
● Identificar a informação necessária à solução do problema e/ou resposta às questões;
● Encontrar a informação;
● Analisar e avaliar criticamente a informação;
● Organizar a informação;
● Sintetizar a informação dentro da solução/resposta;
● Integrar os novos conhecimentos a seu universo de conhecimentos estabelecendo
relações; ou seja construir o conhecimento.
Em resumo, uma pessoa alfabetizada informacionalmente aprendeu a aprender, uma vez que
sabe:
. Como o conhecimento é organizado,
. Como encontrar a informação,
. Como usar a informação para aprender,
. Como construir conhecimento.
Dentro do cenário atual a alfabetização informacional tem sido impulsionada pela
necessidade de formar cidadãos capazes de serem aprendizes independentes, ao longo de suas
vidas. Mais do que isso, é necessário aprender a pensar e não somente acumular conteúdos.
Isso se traduz na aquisição do chamado pensamento crítico.
Entendido como a capacidade de ver conecções entre as disciplinas, o pensamento

12

�crítico habilita o aprendiz a considerar questões realmente significativas, a avaliar a
relevância,

a pertinência e os aspectos ideológicos envolvidos em qualquer processo de

aprendizado.
Enfatizando o pensamento crítico, o modelo da alfabetização informacional integra-se
perfeitamente ao modelo de busca e uso da informação descrito por KULHTHAU (1993) e
torna possível realizar uma educação de usuários de qualidade.
Neste contexto o bibliotecário ganha destaque como educador/mediador do
conhecimento, assumindo-se que a educação de usuários de Bibliotecas deve estar inserida na
missão da instituição educacional à qual pertence, com docentes e bibliotecários trabalhando
em conjunto.

5 Novas competências para o bibliotecário

Acompanhando as mudanças de paradigma do mercado o profissional Bibliotecário
também deve estar preparado e atuar de maneira diferente da que vinha atuando. Dentro do
contexto da Sociedade do Conhecimento cresce sua importância como educador/mediador do
conhecimento.

5.1 Mediação na Pesquisa

Considerando-se que a produção de conhecimento resulta de um processo que se inicia
na busca de informações para a satisfação de uma necessidade, partindo-se então para o
estabelecimento de relações, surge a ênfase nos processos de busca da informação.
Em estudos realizados por KUHLTHAU (1993, p.128) aparece o conceito de

13

�mediador atribuído ao bibliotecário, enfatizando tais processos.
Existem nesses processos mediadores informais e formais. Mediadores informais são
pessoas com as quais o estudante fala a respeito de seu trabalho ou pesquisa, incluindo a
família, amigos, etc. Mediadores formais são os profissionais empregados em sistemas de
informação, como os professores e bibliotecários. 1
Há um consenso entre os autores de que o bibliotecário é o profissional, por
formação, especialista em coleção, organização, avaliação e acesso à informação, em seus
mais variados formatos e que é, portanto, o profissional mais preparado para atuar como
mediador da pesquisa.
A mediação do bibliotecário geralmente se inicia quando o estudante já sabe o que
precisa e busca coletar informações e, neste ponto, o sistema Biblioteca é bem eficiente.
Porém, nos estágios iniciais da pesquisa , onde o estudante experimenta uma situação de
angústia e incerteza, não há uma atuação efetiva do bibliotecário para auxiliá-lo. O
bibliotecário deveria atuar desde o primeiro momento em conjunto com o professor.
Do ponto de vista de KUHLTHAU (1993), o bibliotecário pode assumir vários níveis
de mediação:
1. Organizador (só operacionaliza o sistema)
2. Localizador (intervenção factual, respondendo a questões ou localizando
informações)
3. Identificador (entrevista, entendimento do problema, indicação de fontes possíveis)
4. Conselheiro (entrevista, entendimento do problema, negociação, recomendação de
fontes, geralmente do geral para o específico)
1

The term mediator, rather than intermediary, is used for human intervention to assist information seeking and
learning from information access and use(...)a mediator(...)implies a person who assists, guide, and otherwise
intervenes in another person’s information search process.. (KUHLTHAU, 1993, p.128).
14

�5. Tutor (intervenção no processo, busca estruturada, interação com o estudante,
diálogo, estratégia, recomendações, checagem, redefinição, encorajamento, atuação
conjunta constante até a resolução e finalização do processo) .
Cada vez que o bibliotecário interage com o usuário algum nível é utilizado. A maior
parte das questões ou problemas ficam no nível organizador, localizador e identificador. O
intercâmbio entre bibliotecário e usuário raramente chega ao nível 5 (Tutor), que seria o nível
ideal de intervenção . O tutor está ativamente envolvido com o currículo, professores e
administradores, atuando em conjunto no planejamento educacional.

5.2 Mediação Pedagógica

A mediação pedagógica atribuída ao bibliotecário se insere na esfera do bibliotecário
como docente.
A responsabilidade de quem se dispõe a educar usuários em Bibliotecas de
comunidades acadêmicas é complexa e vasta, requerendo, segundo PATTERSON (1987) uma
mescla de conhecimentos e habilidades tanto como professor quanto bibliotecário.
O bibliotecário como mediador pedagógico se confunde com o bibliotecário mediador
na pesquisa uma vez que ambos devem estar intimamente familiarizados com os recursos
informacionais disponíveis e os instrumentos de acesso às informações, tanto no formato
eletrônico quanto no tradicional nas mais variadas disciplinas. Também é desejável que
tenham um profundo conhecimento das estruturas das áreas do conhecimento.
A crescente importância da educação de usuários e da alfabetização informacional
(information literacy) em todos os tipos de bibliotecas fez crescer o número de questões
ligadas à formação do bibliotecário como mediador pedagógico/educador.

15

�Como educador, o bibliotecário deve estar apto a expressar-se e comunicar-se, criando
um ambiente que estimule o aprendizado, utilizando técnicas de transmissão de informações
efetivas, assumindo também seu papel de tutor. Porém, nem todos os bibliotecários estão
preparados para assumir esse papel.
De acordo com PASQUARELLI (1993, p. 99) os cursos de Biblioteconomia oferecem
aos bibliotecários o embasamento necessário para o desempenho da profissão, mas não dão
capacitação didática.
A função do bibliotecário como docente tem sido enfatizada na literatura

e a

Orientação Bibliográfica é um exemplo disso. JACKSON-BROWN (1993) afirma que, com
o crescente uso da tecnologia, o envolvimento dos bibliotecários e dos Serviços de
Informação com as instituições de ensino e pesquisa é cada vez maior. A expansão dos
espaços educacionais promoveu também o acesso à informação através da Biblioteca e dos
bibliotecários que são chamados para alfabetizar seus usuários no uso da Internet , no acesso
às informações e na criação de uma consciência crítica frente ao volume superlativo de
informações disponíveis atualmente. Neste ponto o papel de mediador de pesquisa e mediador
pedagógico se confundem.
Concluindo, embora hajam comportamentos díspares convivendo simultaneamente,
em termos gerais, o Bibliotecário educador deve re-orientar sua atuação buscando
desenvolver suas competências enfatizando:
. Atuação direta com o cliente/usuário e comunidade na qual esteja inserido;
. Sólidos conhecimentos das fontes de informação;
. Capacidade de avaliar a qualidade da informação;
. Desenvolvimento de pensamento estratégico;
. Atitude voltada ao aprendizado permanente;

16

�. Compartilhamento e intercâmbio de conhecimentos;
. Visão sistêmica da realidade;
. Ampliação da capacidade organizacional;
. Capacidade de seleção ;
. Capacidade de tomada de decisão;
. Desenvolvimento de parcerias.

6 Conclusão

É necessário que o bibliotecário trabalhe junto com os professores de maneira a
incrementar a colaboração e interação mútuas, atuando como co-autores nas mudanças
educacionais e reestruturações curriculares que buscam a adequação do ensino ao novo
contexto da Sociedade do Conhecimento. Seu papel como mediador do conhecimento traz à
luz o verdadeiro sentido educacional dos Serviços de Informação.
O desenvolvimento de parcerias para a realização de tarefas, temas ou projetos de
pesquisa propostos pelos docentes como forma de avaliação de seus cursos, é um dos
caminhos possíveis para implementar uma real integração entre os membros da comunidade
acadêmica (alunos, docentes e bibliotecários).
Nesse sentido, os programas educacionais das Bibliotecas Universitárias devem se voltar
para:
● Ênfase no trinômio: conhecimentos, habilidades e valores;
● Mediação na construção de conhecimento através da busca de informação e da
alfabetização informacional;

17

�● Mediação entre o aluno e os suportes de acesso informacional, sejam em papel ou
eletrônicos;
● Promoção da cooperação e interação com a comunidade;
● Ênfase nas habilidades e nos valores de pensamento e questionamento;
● Promoção de uma atmosfera de confiança e segurança para o aprendizado;
● Auxílio aos alunos a fim de torná-los responsáveis por seu próprio aprendizado.

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Information Literacy. [online]. URL: &lt;gopher://ala1.ala.org:70/00/alagophiv/50417007&gt;.

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DERVIN, B. An overview of Sense-Making research: concepts, methods and results to date.
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18

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19

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20

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                <text>SNBU - Edição: 11 - Ano: 2000 (UFSC - Florianópolis/SC)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>A educação de usuários de bibliotecas universitárias frente à sociedade do conhecimento e sua inserção nos novos paradigmas educacionais. 26</text>
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              <text>Dusziak, Elisabeth Adriana, Gabriel, Maria Aparecida, Villela, Maria Cristina Olaio </text>
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              <text>O trabalho analisa a educação de usuários de Bibliotecas Universitárias no contexto a chamada Sociedade do Conhecimento, baseado em revisão bibliográfica e rotinas diárias de serviço, buscando sugerir modelos de educação englobando conhecimentos, habilidades e valores, centralizados no aprendiz e em seus processos de construção de conhecimento a partir da busca da informação. A avaliação crítica, relevância e pertinência devem ser consideradas na busca da informação. Também se analisa o papel do bibliotecário como educador e mediador de conhecimento em seus variados níveis de mediação, e a necessidade de cooperação e interação constantes com os docentes, desenvolvendo programas integrados ao currículo.</text>
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