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                  <text>A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E AS DIRETRIZES CURRICULARES DO ENSINO DE
GRADUAÇÃO

Esther Hermes Lück
Pró-Reitora de Assuntos Acadêmicos
Universidade Federal Fluminense
luck@proac.uff.br

Jandira Souza Thompson Motta
Coordenadora de Apoio ao Ensino de Graduação
Universidade Federal Fluminense
jandira@proac.uff.br

Clarice Muhlethaler de Souza
Diretora do Núcleo de Documentação
Universidade Federal Fluminense
clarice@ndc.uff.br

Maria da Penha Franco Sampaio
Diretora da Divisão de Desenvolvimento do
Núcleo de Documentação
Universidade Federal Fluminense
penha@ndc.uff.br

Mara Eliane Fonseca Rodrigues
Assessora da Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos
Universidade Federal Fluminense
mara@proac.uff.br

Resumo
Analisa o papel da biblioteca universitária como agente mediador no processo de mudança do
modelo pedagógico e curricular, através da aplicação de metodologia de estudo das necessidades
de informação dos usuários envolvidos no processo de reformulação curricular.

1

�1

INTRODUÇÃO
A Universidade, devido seu caráter universal, múltiplo e diversificado, é entendida como uma

instância privilegiada de criação/produção de saberes, formação de competências e de difusão da
experiência cultural e científica da sociedade. Por este motivo pode-se considerá-la o "... locus
fundamental para a construção da identidade sócio-cultural de um país" (Moraes,1998).
A Biblioteca Universitária, por sua vez, pode ser entendida como a instância que
possibilita à universidade atender às necessidades de um grupo social ou da sociedade em geral,
através da administração do seu patrimônio informacional e do exercício de uma função
educativa, ao orientar os usuários na utilização da informação.
É possível, então, partir da premissa que universidades e bibliotecas são agências sociais
organizadas com a missão de servir a sociedade enquanto instâncias criadoras e propulsoras do
conhecimento, estimuladoras e facilitadoras do acesso a este conhecimento.
Por entendê-las assim, como instituições sociais, não se pode ignorar que um dos traços
marcantes deste final de século - "a transformação veloz da própria natureza do conhecimento
científico [e tecnológico] que tem seus reflexos cada vez mais visíveis na composição da vida e
da sociabilidade do mundo atual" (Henriques, 1998) - atinge a universidade e, por extensão, a
biblioteca universitária exigindo uma nova dinâmica de atuação.
Hoje, no limiar do século XXI, percebe-se uma ruptura com as perspectivas positivistas
que nortearam o itinerário do pensamento ocidental desde meados do séc. XIX e pelo transcorrer
do século XX. Pode-se dizer que "o século XX foi praticamente dominado pelo paradigma
cartesiano do primado da razão". Desse modo, o Discurso do Método, de Descartes, " marcou a

2

�ciência deste século e também a pedagogia escolar e a educação em geral" (Vieira, 1999). Assim,
a noção de currículo que passou a presidir os processos de aprendizagem no mundo moderno
seguiu um modelo epistemológico racional-positivista fundado na idéia de cadeia, de
encadeamento lógico, de ordenação necessária, de linearidade na construção do conhecimento.
No entanto, em uma sociedade organizada de forma complexa, como é a sociedade atual,
já não se pode regular o sistema educativo com base num modelo absoluto. No momento atual
em que se vive, desenvolve-se uma quantidade excessiva de conhecimentos, de informação e um
excedente de alternativas em todos os campos da vida, perante os quais o indivíduo deve
desenvolver metodologias específicas que lhe permitam a escolha e a organização do
conhecimento que mais se coaduna com sua visão de mundo. Nos tempos atuais, a produção do
conhecimento deixa de se pautar "exclusivamente pela verticalidade (especialização), se
conduzindo mais no sentido da horizontalidade das abordagens transdisciplinares, as informações
produzidas pela sociedade dificilmente podem ser antecipadamente classificadas por áreas de
interesses, em categorias fixas e imutáveis" (Dodebei et al, 1998). Esta constatação, por si só,
mostra o muito que se tem de mudar na atitude perante currículos, programas e metodologias de
ensino e a própria relação professor/aluno e bibliotecário/usuário.
Já ressaltou-se que universidades e bibliotecas são instituições sociais voltadas para a
sociedade. Portanto, se a própria sociedade está sofrendo transformações, estas instâncias não
podem ignorar esta nova ordem social.
Norteando-se por esse pressuposto, o presente trabalho propõe-se a analisar o papel da
biblioteca universitária no processo de mudança do modelo pedagógico e curricular que se

3

�avizinha para as universidades brasileiras como conseqüência da regulamentação da nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

2

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
ENSINO-APRENDIZAGEM

COMO

MEDIADORA

DA

RELAÇÃO

O processo contínuo de mudanças que ocorre na sociedade contemporânea, de modo
geral, e na sociedade brasileira, em particular, leva a universidade a refletir sobre seu papel
educativo-formador. A pluralidade de destrezas que a vida contemporânea reivindica e a
multiplicidade de informações que se tornam disponíveis com as novas tecnologias, são fortes
fatores de pressão sobre as verdades inquestionáveis sedimentadas na prática curricular e
pedagógica da universidade. Em outras palavras, o paradigma de ensinar e aprender até agora
dominante, baseado em um enfoque epistemológico disciplinar, carece da exploração de
outras alternativas.
Neste sentido, é importante ressaltar que entre as considerações oriundas do Relatório da
Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI, da UNESCO, destaca-se que a
educação deve ser estruturada em quatro alicerces: aprender a conhecer, aprender a fazer,
aprender a viver e aprender a ser.
Para isso, as propostas curriculares devem contemplar conteúdos e estratégias de
aprendizagem que capacitem o ser humano para a vida em sociedade, para a atividade
produtiva e para a experiência subjetiva, podendo assim constituirem-se em instrumentação
da cidadania democrática.
É essencial se construir uma programação pedagógica que desafie os alunos a produzir,
incorporando, ao trajeto curricular, atividades acadêmicas diversas, tais como: estágios (de

4

�iniciação à docência, de iniciação científica e de atividades extensionistas) seminários,
oficinas, eventos, entre outras. Estas exigem leitura, elaboração, experimentação, contribuição
e criação próprias e devem ser realizadas considerando a pesquisa como atitude do aprender
a aprender. Demo (1993), considera que "a alma da vida acadêmica é constituída pela
pesquisa como princípio científico e educativo, ou seja, como estratégia de geração do
conhecimento e de promoção da cidadania" , culminando, desse modo, na elaboração própria
e na capacidade de intervenção. Por isso, deve ser trabalhada como atitude acadêmica diária
pois

permite não só construir conhecimento, como também , confrontar os saberes

estabelecidos assumindo um papel ativo na relação ensino-aprendizagem.
Para atingir tal gama de objetivos, faz-se indispensável a existência de uma biblioteca
comprometida com essa concepção pedagógica, renovada e atualizada, tão importante quanto
a existência de professores igualmente partícipes desse projeto. Renovada no sentido de
colocar-se como espaço parceiro fundamental no processo de ensino-aprendizagem,
participante do fazer acadêmico/pedagógico. Atualizada no campo das tecnologias da
informação, buscando aparelhar-se para corresponder, de maneira competente, aos desafios
do nosso tempo, disponibilizando o acesso a informação, nas suas mais variadas formas,
inclusive aos métodos educacionais interativos, hoje existentes.
Atuando dessa forma, a biblioteca universitária estará proporcionando aos estudantes dos
cursos de graduação o desenvolvimento de uma série de habilidades, fundamentais a essa
proposta pedagógica, tais como a capacidade de
atualização, motivadora de atitudes críticas e criativas.

5

elaboração própria e permanente

�3

REFORMA CURRICULAR E A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Tradicionalmente a biblioteca universitária desempenha o papel de

mediadora entre o aluno e o documento indicado pelo professor em seu programa de curso.
Com a adoção de uma nova proposta curricular que desenvolva no discente
independência, criatividade, capacidade de solucionar problemas e espírito crítico, exigirá do
aluno, gradativamente, uma atitude mais independente na busca da informação e de
conhecimento. Desta forma, muda-se o papel tradicional até hoje desempenhado pela biblioteca,
tornando-a um local privilegiado de aprendizagem, assim como o do próprio bibliotecário que
deverá passar a atuar como um agente facilitador do processo ensino-aprendizagem.
A proposta metodológica desenvolvida por Nuñez Paula (1997), apresentada de
forma simplificada neste trabalho, possibilita aos bibliotecários universitários colaborar no
processo de mudança do fazer pedagógico.

Esta metodologia permite aos bibliotecários

participarem de todas as fases da construção do projeto pedagógico e conseqüente mudança
curricular, acompanhando todo o processo de transformação pedagógica e oferecendo
informações aos membros das Comissões de Reformulação Curricular.
Caberá a estas Comissões realizarem uma investigação preliminar no sentido de subsidiar
o trabalho de mudança curricular. Esta investigação deve incluir as características do mercado de
trabalho, as tendências científicas e tecnológicas da profissão, as tendências pedagógicas e
didáticas do ensino, na área de conhecimento, e as características dos estudantes ingressantes. A
partir deste mapeamento obtém-se argumentação sólida para a estrutura curricular proposta, pois
dispõe-se de informações com caráter científico que permitem estabelecer habilidades,
competências, conhecimentos e tecnologias fundamentais, que devem compor o currículo.

6

�Neste processo de elaboração do currículo cabe ao sistema de bibliotecas
universitárias desenvolver um trabalho conjunto com as Comissões Curriculares, facilitando o
acesso a todas as informações.
Ao realizar este trabalho, o bibliotecário deve ficar atento para a mudança
de paradigma verificado na última década que indica a necessidade de serviços que
disponibilizam informações e não só documentos. Assim sendo, através do diagnóstico da
necessidade de informação poderá projetar serviços que incorporem informação com valor
agregado, favorecendo aos planejadores curriculares, aos docentes, pesquisadores e discentes, a
mudança necessária no ato de gerir ações pedagógicas, ensinar, produzir conhecimento e
aprender. Com essa mudança de postura, os profissionais da informação serão verdadeiros
agentes de mudança do processo pedagógico e poderão influir de forma mais efetiva e positiva na
construção do modelo educacional da Universidade.
Como realizar os estudos de necessidades de informação que possibilitem
conectar os recursos de informação com as metas da instituição?
Cada pessoa ou grupo tem uma necessidade de informação. Identificar
pequenos grupos de usuários e oferecer serviços mais especializados de valor agregado, com
grande flexibilidade e criatividade em sua realização e forma, através do diagnóstico do que o
usuário precisa, é tarefa fundamental do bibliotecário, que deve ser realizada de uma forma
continuada.
“ Como usuário potencial de uma unidade de informação podemos
considerar toda pessoa, grupo ou entidade, cuja atividade está
vinculada, direta ou indiretamente, ao cumprimento da missão e dos

7

�objetivos estratégicos da organização ou comunidade na qual está
inserida a entidade de informação". (Nuñez Paula, [199-?])

A seguir, apresenta-se uma síntese simplificada das etapas principais de um
estudo de necessidades de usuários :

● Estabelecimento ou aperfeiçoamento do controle geral de usuários :
quem são, localização, formas de comunicação. Esta etapa pressupõe a
identificação dos usuários em potencial ( internos e externos)
atualizando ou criando um subsistema de controle geral de usuários no
qual todos as variáveis devem ser sistematicamente atualizadas;
● Categorização, hierarquização ou priorização (inicial) dos usuários e
suas necessidades : esta etapa visa estabelecer a categorização dos
usuários, possibilitando verificar a proporção existente entre usuários
registrados no controle geral de usuários e os profissionais da
informação. Havendo número suficiente de profissionais da informação
pode-se

adotar

critérios para uma

primeira categorização

e

hierarquização ou priorização dos usuários. Caso os dados registrados
no controle não sejam suficientes, deve-se obter os dados, confirmá-los
e incorporá-los ao novo controle de usuários. Esta etapa poderá ou não
ser realizada nesta fase inicial.
● Definição das variáveis (quantitativas e qualitativas) para o estudo de
necessidade do usuário de cada um dos níveis de prioridade

8

�estabelecidos em relação ao conteúdo, a estrutura e as condições em
que se realizam as atividades do usuário e suas características
sociopsicológicas e culturais, relativas a :
a) Problemas e atividades que o usuáruo ou grupo de usuários
deve desenvolver ou enfrentar: temática, tipologia das
atividades,

condições

tecnológicas,

organizacionais,

materiais, geográficas e sociais;
b) Recursos informativos disponíveis ou potencialmente úteis:
fundos acessíveis, fontes, tecnologia disponível, recursos
humanos ( quantidade, qualificação, competências)
c) Características sócio - psicológicas do usuário : atividades e
áreas de especialização, domínio de idiomas, hábitos de uso
da informação, velocidade e tempo dedicado a leitura ou
processamento da informação, papéis que desempenha no
grupo;
● Definição das fontes documentais e não documentais;
● Definição das técnicas para cada tipo de fonte sendo recomendável a
análise documental para as fontes documentais e entrevistas para as
fontes não – documentais. Outras técnicas podem ser utilizadas, tais
como, dinâmica de grupo, observação direta ou participante, método
sócio métrico e estudo informétrico;

9

�● Análise, Processamento e Representação dos dados: esta etapa
pressupõe a análise integral dos dados coletados referentes a todas as
variáveis estabelecidas;
● Categorização, Hierarquização ou Priorização (final) dos usuários e
suas necessidades: Se os usuários e sua necessidade já foram
categorizados, hierarquizados ou priorizados numa etapa inicial,
verifica-se se os resultados obtidos são diferentes dos resultados desta
segunda etapa, e atualiza-se o controle geral de usuários. Caso contrário
determina-se neste momento os critérios que serão aplicados e
executa-se a pesquisa dos seguimentos ou categorias e incorpora-se os
dados no controle geral de usuários. Caso os dados não sejam
suficientes, deve-se através de fontes documentárias ou não, alimentar
o subsistema de controle de usuários. Se os dados forem suficientes
realiza-se a hierarquização final dos usuários e incorpora-se esta
informação ao controle geral de usuários. Os critérios de prioridade
devem estar de acordo com o planejamento estratégico. Os que
contribuem mais para o êxito da organização devem ser priorizados.
Podem ser estabelecidos níveis de prioridade, a saber:
Nível 1 - Participação na tomada de decisão.
Ex: Dirigentes, Coordenadores
Nível 2 - Participação em atividades fundamentais da organização.
Ex: Comissão de Reformulação Curricular

10

�Nível 3 - Líderes ( eleitos ou identificados através de
estudos sociométricos) . Ex: Colegiado do Curso
Nível 4 - Difusores da Informação (identificados através de
estudos sociométricos) Ex: Corpo docente
Nível 5 - Outros usuários
● Planejamento dos serviços e estruturação do sistema de informação
com base nas fontes utilizadas para se determinar a necessidade de
informação de cada usuário individual ou grupal, definir os objetivos
que se quer obter por parte da unidade de informação. De posse do
conhecimento destas necessidades, estrutura-se de uma Política
Diferencial de Serviço visando estabelecer uma gama de serviço de
acordo com os níveis de prioridade e as características dos usuários;
● Avaliação continuada dos serviços de informação prestados através de
constante atualização do estudo de necessidades dos usuários e
alimentação do sistema de controle geral de usuários dos serviços de
informação prestados.

A utilização dessa metodologia requer uma preparação prévia do
profissional da informação quanto a compreensão teórica e metodológica do modelo
metodológico proposto, uma vez que o mesmo deverá ser adaptado a cada caso e condições
concretas da instituição, da unidade de informação e de seus usuários.

11

�É recomendável a realização de um treinamento preparatório para os
profissionais bibliotecários no uso da metodologia e das técnicas que poderão ser empregadas
para obtenção dos dados referentes aos usuários, bem como, para estudo bibliométrico e outros
que facilitem a agregação de valor à informação.

4

A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A IMPLEMENTAÇÃO DAS DIRETRIZES
CURRICULARES DO ENSINO DE GRADUAÇÃO: AÇÕES NA UFF
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB, Lei no.9.394,

de 20 de dezembro de 19961, revogou toda a legislação em que se baseou a formulação dos atuais
currículos dos cursos superiores. Além disso, acentuou, no seu artigo 43, que trata das finalidades
da educação superior, o caráter formativo dos cursos. Salientou, também, toda a integração que
deve ocorrer entre o ensino, a pesquisa e a extensão, visando não só ao desenvolvimento
tecnológico, como também à inserção do egresso na sociedade contemporânea, pela incorporação
_________________________
1

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece diretrizes e
bases da educação nacional.

de valores que propiciem o pleno exercício da cidadania. Ao tratar da autonomia universitária, no
seu artigo 53, assegura, entre outras coisas, a competência da universidade de fixar os seus cursos
e programas, desde que observadas as diretrizes gerais pertinentes.
Nos processos de regulamentação da Lei, foi elaborada uma análise, pelo
Conselho Nacional de Educação - CNE2, onde se apontam alguns princípios gerais que se
pretende assegurar na formação oferecida aos estudantes. Citam-se os seguintes:
● Estimular práticas de estudo independente, visando uma progressiva
autonomia profissional e intelectual do aluno;

12

�● Encorajar o reconhecimento de conhecimentos, habilidades e
competências adquiridas fora do ambiente escolar, inclusive as que
referirem à experiência profissional julgada relevante para a área de
formação considerada;
● Fortalecer a relação da teoria com a prática, valorizando a pesquisa
individual e coletiva, assim como os estágios e a participação em
atividades de extensão;
● Incluir orientações para a condução de avaliações periódicas que
utilizem instrumentos variados e sirvam para informar a docentes e
discentes acerca do desenvolvimento das atividades didáticas

_____________________
2

BRASIL.MEC.Conselho Nacional de Educação. Parecer no. 776/97. Orientação para as diretrizes curriculares dos
cursos de graduação. Relatores: Cons. Carlos Alberto Serpa de Oliveira, Éfrem de Aguiar Maranhão, Eunice R.
Durham, Jacques Velloso e Yugo Okida. 3 de dezembro de 1997. Brasília : 1997.

Dentro ainda do processo de regulamentação da Lei, o Edital nº. 4, do MEC/SESu,
publicado em 10 de dezembro de 19973, notificou as Instituições de Ensino Superior - IES sobre
o processo de organização das Diretrizes Curriculares dos Cursos de Graduação.
As Diretrizes Curriculares, de acordo com seus princípios gerais, devem permitir
às Universidades maior autonomia na estruturação dos currículos dos seus cursos de graduação,
através da definição das competências e habilidades que se desejem desenvolver.

13

�A Pró - Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROAC) da Universidade Federal
Fluminense (UFF), tendo em vista as mudanças que a Nova Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional coloca para o ensino de graduação nas universidades brasileiras, promoveu ao
longo do ano de 1999, no âmbito do Fórum de Coordenadores dos Cursos de Graduação da UFF,
um intenso debate sobre essas questões.
Como resultado dessas discussões e refletindo o estágio de amadurecimento da
análise dessa problemática no âmbito da UFF, foi elaborado o documento Diretrizes para a
Política de Graduação na UFF: versão preliminar4, objetivando identificar e apresentar
proposições para os aspectos considerados fundamentais ao desenvolvimento de uma política
para o ensino de graduação na UFF. Este documento está em tramitação nos Conselhos
Superiores, para apreciação e aprovação final e servirá como elemento de referência na condução
dos projetos pedagógicos dos cursos de graduação na instituição.

_______________________
3

BRASIL.MEC.SESu. Edital no. 4/97. Brasília, 1997

4

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE. Pró – Reitoria de Assuntos Acadêmicos. Forum de Coordenadores
para os Cursos de Graduação. Diretrizes para a política de graduação na UFF : versão preliminar. Niterói : 1999.

Além disso, foram realizados seminários visando a preparação inicial dos agentes
que irão diretamente influir nos processos de mudança curricular: o primeiro tratou da
Flexibilização Curricular, direcionada ao atendimento das diretrizes gerais dos cursos de
graduação, voltados para os coordenadores de curso, e o segundo tratou de discutir e apresentar
aos bibliotecários da instituição O Papel da Biblioteca Universitária em Busca da Excelência no

14

�Trabalho com o Usuário. Este último teve como objetivos : a) apresentar aspectos gerais de uma
metodologia para a elaboração de um projeto curricular voltada para casos concretos de
planejamento da formação acadêmica, destacam o papel da biblioteca universitária como agente
mediador no processo de mudança do modelo pedagógico e curricular; b) trabalhar o
planejamento de serviços de informação científica e tecnológica, de forma personalizada, com
valor agregado. Estas atividades foram conduzidas por um consultor externo, Prof. Israel Adrian
Nuñez de Paula, da Universidade de Havana.
Estes seminários foram realizados de tal modo a permitir que ambos os
segmentos, bibliotecários e professores, pudessem ter acesso às tendências metodológicas de
flexibilização curricular e discutir os seus papéis estratégicos no processo construção dos projetos
pedagógicos face as diretrizes políticas que deverão ser adotadas para o ensino de graduação na
UFF.

Pode-se ver, claramente, a partir do estabelecimento dos parâmetros norteadores do

trabalho de reformulação curricular pela Universidade expressos no documento Diretrizes para a
Política de Graduação na UFF: versão preliminar5, a importância da biblioteca universitária
como um dos agentes fundamentais na construção do referido processo.

________________
5

id., ibid. p. 13

Considerando a relevância da consecução de um projeto pedagógico foram
estabelecidos parâmetros norteadores a serem adotados pelos Cursos de Graduação da UFF para a
reformulação curricular, tendo em vista as Diretrizes Curriculares, a saber:
● a definição de um projeto pedagógico para o curso, que norteie todos
os passos de elaboração, execução e avaliação do currículo, sintonizado

15

�com os princípios gerais explicitados no Projeto Político para o Ensino
de Graduação;
● a elaboração do currículo deve ser pensada :
a) segundo a lógica do perfil que se deseje para o egresso sempre
fundamentado numa metodologia de ensino centrada no aluno e
que privilegie a atitude de pesquisa como princípio educativo.
Obter-se-á, assim, uma progressiva autonomia intelectual, pelo
estímulo à prática de um estudo independente entendendo-se o
processo ensino-aprendizagem como meio de desenvolvimento de
competências, habilidades e atitudes formativas;
b) assegurando-se
predominância

a articulação
da

formação

entre a teoria e a prática,
sobre

a

informação

e

a

indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão;
c) com o desenvolvimento de conteúdos integradores e essenciais
através de processos que apontem o enfoque interdisciplinar;
d) desenvolvendo-se nos estudantes espírito crítico e analítico,
preparando-os para a resolução dos problemas enfrentados na
atuação profissional e que são resultantes da evolução científica e
tecnológica em sua área de conhecimento;
e) considerando a graduação como etapa de construção da base para o
desenvolvimento do processo de educação continuada;

16

�f) visando a formação do ser integral, capaz de atuação profissional
ética e competente e de participação nos momentos de
transformação da sociedade, exercendo plenamente sua cidadania.

A PROAC pretende dar prosseguimento a estas ações que visam a
preparação dos agentes que participam deste movimento de mudanças para que estejam
suficientemente familiarizados, tanto conceitualmente, como tecnicamente, quando as Diretrizes
Curriculares Nacionais, atualmente em discussão no CNE, forem aprovadas, o que deve ocorrer
no decorrer do presente ano.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A didática do aprender a aprender tem como objetivo motivar o aluno para
construir a atitude de pesquisa e a capacidade de elaboração própria.
Como fator decisivo para isso, a Universidade deve existir como ambiente
pedagógico voltado para a pesquisa e a produção de conhecimento. Assim, poderá formar
trabalhadores capazes de saber pensar, participar de processos decisórios, avaliar a qualidade de
processos, formular raciocínio lógico, discutir embasado em conhecimento atualizado, capaz de
reciclar-se e adaptar-se às constantes inovações sociais e tecnológicas.
A biblioteca universitária não deve se furtar ao seu papel de mediadora no
processo de reformulação curricular, que ensejará a formação de tais profissionais,
considerando-se a sua missão mais ampla de suprir de informação a estrutura organizacional e
acadêmica da Universidade. No que se refere ao atendimento das diretrizes curriculares deverá

17

�dispor das fontes de informação necessárias a atualização dos educadores, concernentes as
tendências do conhecimento científico e tecnológico nas diversas áreas do saber, bem como gerir
os meios para possibilitar esse acesso.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DEMO, Pedro. Desafios modernos da educação. Petrópolis : Vozes, 1993.
DODEBEI, Vera Lúcia et al. Bibliotecas universitárias brasileiras: uma reflexão sobre seus
modelos. Trabalho apresentado no VI CECI. [on line] Disponível na Internet via www. URL:
http://www.ufrj.br/sibi/tema2.html.
HENRIQUES, Márcio Simeone. O Pensamento complexo e a construção de um currículo
não-linear. Trabalho apresentado na 21ª Reunião Anual da ANPED, Caxambu, MG, em
setembro de 1998. [on line] Disponível na Internet via www. URL:
http://www.ufrgs.br/faced/gtcurric/simeone.htm. Arquivo capturado em 05/01/00.
MORAES, Maria Célia Marcondes de. Paradigmas e adesões: temas para pensar a teoria e a
prática em educação. Trabalho apresentado em Sessão Especial na 21ª Reunião Anual da
ANPED, Caxambu, MG, em setembro de 1998. [on line] Disponível na Internet via www.
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NUÑEZ PAULA, Israel A . Guia metodológica para el estudo de las necesidades de
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18

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Ciência da Informação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Lück, Esther Hermes, Motta, Jandira Souza Thompson, Souza, Clarice Muhlethaler de, Sampaio, Maria da Penha Franco, Rodrigues, Mara Eliane Fonseca</text>
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              <text>Analisa o papel da biblioteca universitária como agente mediador no processo de mudança do modelo pedagógico e curricular, através da aplicação de metodologia de estudo das necessidades de informação dos usuários envolvidos no processo de reformulação curricular.</text>
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