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                  <text>A

BIBLIOTECA

E

SUAS

REPRESENTAÇÕES:

ANÁLISE

DAS

REPRESENTAÇÕES DE ALUNOS E PROFESSORES NA UFPR

Profª Helena de Fátima Nunes Silva

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ - UFPR
SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E GESTÃO DA INFORMAÇÃO - DECiGI
Gel. Carneiro, 460 – 7º andar
Curitiba - PR - Brasil
e-mail helena@coruja.humanas.ufpr.br

Resumo: Pesquisa as concepções de biblioteca expressas na literatura, que foram sendo
modificadas pelo homem, através dos tempos, consoante suas necessidades, bem como
analisa o discurso da comunidade universitária (professores e alunos) a respeito da instituição
biblioteca. A partir da teoria das representações sociais de Moscovici (1978), trabalhou-se sob
o enfoque das dimensões informação, imagem e atitude dos sujeitos com relação ao objeto.
Por meio da análise de conteúdo temática e frequencial, percebe-se que a biblioteca é
representada pela comunidade universitária da UFPR como um lugar de silêncio, uma igreja,
um espaço de pesquisa e uma possibilidade para novas descobertas

e conexões, mas

simultaneamente como um território que amedronta. O conjunto de imagens utilizadas pelos
entrevistados em suas representações da Biblioteca de Ciências Humanas e Educação (HE)
reflete uma relação de conflito entre o amor e o ódio. Se, por um lado, ela é a possibilidade de
descobertas e uma fonte de pesquisa, por outro, ela é vista como um cemitério, um lugar sem
vida. Pela análise, conclui-se que os sujeitos têm informação estruturada acerca do objeto
biblioteca, embora eles a representem como algo intocável, divino, um templo onde o ser
humano deve silenciar. Surge como complemento dessa representação uma alternativa ao

1

�modelo representado, numa abordagem mais humana e socializadora, em que o divino dá
espaço à convivência, ao diálogo e à criação de impossíveis mundos. Finalmente, observa-se
na comunidade estudada uma atitude claramente favorável em relação à biblioteca enquanto
objeto social.

ÁREA TEMÁTICA: USUÁRIOS DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA

INTRODUÇÃO

A busca de uma resposta emergente quanto à representação de biblioteca é
fundamental para que profissional da informação repense seus conceitos, atitudes e valores. A
aproximação deste às comunidades significa sempre a forma de permitir o fortalecimento da
Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Uma vez que pesquisas descrevendo a
representação social de biblioteca inexistem, torna-se uma necessidade para quem pretende
agir com suporte em

dados,

garantir a eficácia de programas de conscientização da

importância da unidade de informação - biblioteca, bem como incentivar pesquisas e
reflexões que produzam um tipo de conhecimento que, extrapolando as questões clássicas da
área, permitam ver a "clientela" de maneira menos especializada e interagindo na sociedade
através de práticas e representações sociais que são dinâmicas e se modificam continuamente.
Assim, conhecer fatias do imaginário social de um grupo (no caso a Biblioteca de
Ciências Humanas e Educação) é interagir com ele, estabelecer cumplicidade na diferença. É
neste sentido que este estudo analisa valores por vezes convergentes com os pré-existentes,
por vezes novos e até contraditórios em relação àqueles vivenciados por um grupo social.
Os fatores qualitativos de análise

são constituídos pelo conjunto de informações

teóricas e pelos dados obtidos em campo, mediante a análise de conteúdo, tomando como
base a teoria da Representação Social de MOSCOVICI (1978) e objetivam levantar conceitos
e finalidades da biblioteca no processo de transmissão de conhecimentos, bem como detectar
as representações de biblioteca na comunidade da UFPR. Assim, são fatores qualitativos de
2

�análise: a biblioteca, a concepção de saber e de conhecimento; a criação e desenvolvimento
de bibliotecas em nível mundial, no Brasil e as representações sociais de biblioteca na
comunidade universitária da UFPR .
O trabalho foi originalmente apresentado como dissertação de mestrado em Educação
e constitui-se em um estudo de caso desenvolvido junto à comunidade acadêmica dos Setores
de Ciências Humanas e Educação da Universidade Federal do Paraná.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O estudo aborda questões que se relacionam com a vivência da pesquisadora e suas
preocupações enquanto professora dos Cursos de Biblioteconomia e Gestão da Informação,
cuja inquietação intelectual alerta para o papel das unidades de informação no processo de
transmissão de conhecimentos.
A pesquisa se constitui primeiramente de uma parte teórica (bibliográfica) e
finalmente de uma pesquisa de campo. O estudo procurou analisar uma realidade já existente,
partindo da literatura e dos questionamentos feitos à comunidade universitária.
Optou-se pela entrevista aberta, ou não estruturada, com pontos temáticos, a qual
permite que um indivíduo seja levado a expressar livre e completamente suas opiniões e
atitudes com referência ao objeto da pesquisa.
No caso deste trabalho, objetivou-se que os sujeitos se expressassem de forma
expontânea acerca da sua representação de biblioteca.
Dessa forma, para a realização das entrevistas elaborou-se um guia de temas,
configurando um roteiro de entrevista, enfocando as três dimensões da representação social
(Informação, Imagem e Atitude) sobre o objeto biblioteca.
Todas as entrevistas foram gravadas em fita cassete pela pesquisadora,

com a

expressa autorização dos entrevistados. Posteriormente foram transcritas, constituindo-se em
relato escrito.
A transcrição foi feita a partir da escuta cuidadosa dos trechos gravados e imediata
passagem para o papel. Ao término de cada transcrição a entrevistadora ouvia novamente a
fita, acompanhando com a leitura do texto e verificando alguma omissão e, principalmente, a
pontuação. Feitas as devidas correções, o texto foi então digitado.

3

�A mostra utilizada foi intencional, não probabilística e constitui-se de professores que
ministram aulas nos cursos do Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes e do Setor de
Educação da UFPR,

bem como

por alunos do último ano dos cursos da comunidade

universitária dos Setores acima citados.
Como procedimento para a análise do material obtido nas entrevistas, utilizou-se a
análise de conteúdo, temática e freqüencial, pois segundo HENRY e MOSCOVICI "tudo o
que é dito ou escrito é suscetível de ser submetido a uma análise de conteúdo".
A estrutura de análise teve como base o esquema proposto por BARDIN (1976),
porém, com adaptações necessárias às propostas deste trabalho.
Foram realizadas quarenta e sete (47)

entrevistas. No entanto, por problemas de

gravação, duas delas não foram aproveitadas.
Como fatores de análise tomaram-se as três dimensões da representação apontadas
por MOSCOVICI (1978), ou seja: a) informação; b) imagem ou campo de representação e c)
atitude.

AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

O termo “representação” está presente em diferentes contextos. Nas investigações
filosóficas ele aparece desde a antigüidade grega, com os mais variados sentidos.
expressão

A

“representação social”, no entanto, tem uma historia bem mais recente. Na

sociologia, surgiu com Durkheim por volta de 1897. Na psicologia social, o interesse pelo
fenômeno descrito por Durkheim como representação coletiva surgiu com a investigação de
Serge Moscovici (196l), intitulada a Representação Social da Psicanálise.
Moscovici desejava responder à questão: em que se transforma uma disciplina
científica quando passa do domínio dos especialistas para o grande público? Seu trabalho teve
grande importância extrapolando a resposta obtida e marcando uma mudança fundamental
nas análises teóricas dos determinantes do comportamento social.
O conceito de representação social segundo Moscovici não é fácil de ser
compreendido. Uma das razões dessa dificuldade é sem dúvida o fato de ser a representação
um conceito híbrido de onde confluem noções de origem sociológica, como a cultura e a
ideologia e noções de procedência psicológica, tais como a imagem e pensamento. O conceito

4

�de representação social é peculiar e pode ser chamado de um conceito eminentemente
psicossociológico.
Assim, para JODELET citada por GRACIA (1988, p. 33) representação social é:

Uma maneira que nós sujeitos sociais aprendemos os conhecimentos da vida diária, as
características de nosso meio ambiente, as informações que nele circulam, as pessoas de nosso
relacionamento. Em outras palavras, o conhecimento espontâneo, ingênuo, denominado de
conhecimento do senso comum, ou pensamento natural, por oposição ao pensamento científico.
Este conhecimento se constitui a partir de nossas experiências, de nossas informações,
conhecimentos e modelos de pensamento que recebemos e transmitimos através da tradição, da
educação e da comunicação social. Desse modo o conhecimento é , em muitos aspectos, um
conhecimento socialmente elaborado e compartilhado... (1988, p. 33)

Já

MOSCOVICI enfatiza o caráter específico, a dimensão irredutível

das

representações sociais. Para ele, as representações sociais constituem uma organização
psicológica, uma forma de conhecimento específico de nossa sociedade e que não se reduz a
nenhuma outra forma de conhecimento (1978, p. 46). Com isto, ele pretende marcar a
diferença entre as representações sociais e outras formas de pensamento social como os mitos,
a ideologia, a ciência ou simplesmente as visões de mundo. No entanto, as representações
sociais compartilham aspectos comuns com cada uma delas. Por exemplo, as representações
sociais atuam na realidade social, da mesma forma que atuam as teorias científicas com
respeito aos objetos que se aplicam. Porém, é lógico que as teorias do senso comum que são
as representações sociais não tenham o mesmo modo de produção, a mesma lógica interna,
nem a forma discursiva das teorias do pensamento científico.
GRACIA (1988) vê a representação social como um processo de construção da
realidade e esta afirmação, diz ele, deve ser entendida em duplo sentido. Primeiro, no sentido
de que as representações sociais são parte da realidade social, contribuem

pois para

configurá-la e, como parte substancial da realidade, produzem nela uma série de efeitos
específicos. Segundo, no sentido de que as representações sociais contribuem para construir o
objeto do qual são uma representação.
O conceito de representação social tem diversas conotações, como já mencionamos
acima. Neste trabalho, no entanto, utilizaremos aquele proposto por Serge MOSCOVICI em
seu trabalho sobre a Representação Social da Psicanálise.
5

�As representações sociais são formadas, na sua grande maioria, da cultura acumulada
na sociedade ao longo da história. O fundo cultural circula pela sociedade através das crenças
compartilhadas, dos valores, das referências históricas e culturais que formam a memória
coletiva e

constróem a identidade da própria sociedade. As fontes de determinação das

representações sociais, de maneira geral, se encontram no conjunto de condições sociais,
econômicas e históricas, as quais caraterizam uma determinada sociedade, bem como no
sistema de crenças e valores existentes na referida sociedade.
GRACIA (1988, p. 41) acredita que outras fontes mais específicas provêm da própria
dinâmica das representações sociais e de seus mecanismos internos de formação. Ele coloca
entre estes mecanismos a objetivação e a ancoragem. Finalmente, diz Gracia que as
representações sociais se formam a partir do conjunto de práticas sociais que se encontram
relacionadas com as diversas modalidades da comunicação social. É, sem dúvida, afirma ele,
nos processos de comunicação onde se originam as representações sociais.
As representações sociais são compostas de inúmeros elementos de natureza e
procedência diversas. No entanto, segundo Moscovici existem três eixos em torno dos quais
se estruturam os componentes de uma representação social: a atitude, a informação e a
imagem ou campo de representação.
A Atitude é a tendência favorável ou não que determinada pessoa tem sobre um
objeto da representação e

é expressa portanto, em forma de avaliação. Os diversos

componentes afetivos que fazem parte de qualquer

representação se articulam sobre essa

dimensão avaliativa, imprimindo às representações um caráter dinâmico. E, assim, como
componente atitudinal das representações sociais, dinamiza e orienta decisivamente as
condutas acerca do objeto representado, suscitando um conjunto de reações emocionais,
influenciando as pessoas com maior ou menor intensidade.
A Informação - informação é o "ato ou efeito de informar(se). Informe. Dados sobre
alguém ou algo. Instrução, direção." (FERREIRA , 1975, p. 267)
Esta definição de informação mais ligada à comunicação, no sentido de que informar é
dar conhecimento sobre algo ou tornar comum esse algo, é importante para a psicologia
social, pois a noção de comunicação direciona o comportamento lingüistico e a situação
psicossocial referente aos estudos de comportamento.

6

�A comunicação é, portanto, vital no sistema de troca de informações, embora seja
evidente que os níveis de informação a respeito de determinado objeto ou saber mais
elaborado nem sempre são coerentes e variam conforme o grupo ou universo de opinião.
As colocações de KAES (1968) contribuem para confirmar o que foi dito acima,
quando ele afirma: " a informação concerne na organização dos conhecimentos que possui
um indivíduo ou grupo a respeito de um objeto". É possível, afirma o autor, distinguir os
níveis de conhecimento, seja pela quantidade ou qualidade da informação relativa ao objeto
dessa informação. Estes são, no entanto, caracteres particulares mais ou menos estereotipados
e pré-julgados.
Nas palavras de KAES (1968, p. 17), a representação, produto da atividade do sujeito,
se constitui como base das informações que recebe e que elabora a partir da percepção de
mundo dos outros e de si mesmo.
A função da percepção é, segundo KAES (1968, p. 20), a seleção das informações
úteis ao sujeito para que este possa ajustar-se ou adaptar-se à realidade. Ela opera de acordo
com o sistema de valores do grupo ao qual pertencem os indivíduos, sendo sua função social
permitir que estes se adaptem ao meio para viver em sociedade.
A Imagem ou Campo de Representação - O campo de representação se organiza em
torno do esquema figurativo, ou núcleo figurativo. Este esquema ou núcleo não só constitui a
parte mais sólida e mais estável da representação, mas exerce uma função organizadora para o
conjunto da representação. É quem confere o peso e o significado aos demais elementos que
estão presentes no campo de representação. O núcleo figurativo se constrói

através do

processo de objetivação e provém da transformação dos diversos conteúdos conceituais
relacionados com o objeto, em imagens. Estas imagens contribuem para que as pessoas
formem uma visão menos abstrata do objeto representado, substituindo suas dimensões mais
complexas por elementos figurativos que são mais acessíveis ao pensamento concreto.
As imagens são

um conjunto preponderante das elaborações de conduta e dos

modelos de conduta. São produtos para a tentativa de assumir a realidade concreta da sua
definição abstrata - podendo ser puramente mentais ou materiais, são intermediárias entre o
objeto e o sujeito, o concreto e o abstrato, o passado e o futuro, o indivíduo e o grupo
(KAES,1968, p. 22-23).
"As imagens são espécies de sensações mentais, de impressões que os objetos e as
pessoas deixam em nosso cérebro. Ao mesmo tempo,
7

elas mantêm vivos os traços do

�passado, ocupam os espaços de nossa memória para protegê-los contra a barafunda da
mudança e reforçam o sentimento de continuidade do meio ambiente e das experiências
individuais e coletivas" (MOSCOVICI, l978, p. 47).
Como conclusão sobre as dimensões da representação, MOSCOVICI (1978, p. 74)
observou que a psicanálise suscita atitudes em todos os grupos, mas nem todos apresentam,
sobre ela, representações sociais coerentes.

Afirma que uma dimensão pode ser mais

estruturada e as outras mais difusas. A atitude é a mais freqüente das três dimensões. Segundo
ele, uma pessoa se informa e representa um objeto, depois de ter uma posição (atitude) em
relação a ele.
Cada realidade social é,

pois, dotada de uma inteligibilidade própria, permeando

normas, interesses coletivos, valores, princípios morais à vida coletiva dos indivíduos.
Investigar

uma realidade social pressupõe contar com um conjunto coordenado de

representações, uma estrutura de sentidos, de significados que circulam entre os seus
membros, mediante diferentes formas de linguagem.

Representação Social e Biblioteca
A biblioteca é uma agência social criada para atender às necessidades da instituição à
qual serve. Como tal, é também um instrumento moldado e condicionado pela estrutura
social, de acordo com os padrões e valores culturais que regem as instituições dessa estrutura.
Por outro lado, é o repositório e um meio de difusão das experiências culturais desenvolvidas
nos níveis adaptativo, associativo e ideológico, que determinam aqueles valores.
Partindo-se da premissa de que a biblioteca constitui um objeto social ligado a um
contexto e grupo social específico, podemos inferir a existência de uma representação social
a ela correspondente, cabendo questionar: o que e quanto se sabe sobre ela? qual a atitude
frente a ela? qual é a imagem que se tem dela?
Estudos direcionados para a representação social de biblioteca, dentro do referencial
teórico aqui apresentado, inexistem. No entanto, cabe ressaltar alguns trabalhos significativos
relacionados à imagem da Biblioteconomia e da biblioteca e à auto-imagem do bibliotecário.
A dimensão social e educativa da Biblioteconomia foi a preocupação do estudo feito
por CYSNE (1993), onde ela aborda, dentro de uma visão gramsciana, aspectos relacionados
à função social da biblioteca e aos serviços de informação, bem como o papel que deve ser

8

�assumido pelo bibliotecário, numa relação direta com o contexto social em que a profissão
está inserida, buscando, dessa forma, uma integração e uma transformação da sociedade.
OLIVEIRA (1983) em seu trabalho intitulado o bibliotecário e sua auto-imagem,
procurou estabelecer e identificar os fatores envolvidos na formação de atitudes profissionais
e valores ocupacionais presentes no exercício da Biblioteconomia.
Já MULLER (1983) teve a preocupação

de verificar através de uma revisão de

literatura, principalmente de autores americanos e ingleses e contemplando um período de
quase cem anos, a opinião sobre a função da biblioteca na sociedade, referindo-se quase
sempre à biblioteca pública. A autora, declara que ... "embora as atitudes tenham variado
muito de uma época para outra, um ponto básico permanece: a biblioteca não é uma entidade
independente, capaz de declarar quais

e como seus serviços serão oferecidos, depende

inteiramente de uma série de fatores existentes em seu ambiente. Suas funções básicas não
mudam (...) mas sim a maneira de desempenho e objetivos de seus serviços". (p. 7).
Os fatores existentes no ambiente que ocasionam a mudança de atitudes com relação
à função da biblioteca, apontados por MULLER, estão intimamente ligados à representação
social de biblioteca que determinado grupo, em determinada época, fixou como modelo de
biblioteca.
Através de uma exaustiva

revisão de literatura,1 buscou-se, identificar a

representação de biblioteca no Brasil e no mundo. Nesse sentido, a história das bibliotecas
descrita é a própria concepção de biblioteca e de mundo que o homem através dos anos
construiu e modificou de acordo com suas necessidades, as quais fazem parte, antes de mais
nada, de um conjunto de idéias entendidas como modelos introjetados - representações que a
consciência coletiva compartilhou através de crenças, costumes e valores.

APRESENTAÇÃO DOS DADOS

A análise foi feita a partir da teoria fornecida por MOSCOVICI (1978) ou seja, as três
dimensões da representação social - informação, imagem ou campo de representação e atitude
relacionadas à Biblioteca.
Sumariando os resultados

obtidos, têm-se uma visão de representação social da

Biblioteca, como um conjunto de afirmações, delimitações e posições sobre essa prática
1

Integralmente apresentada na Dissertação de Mestrado em Educação.
9

�contextualizada.
A análise dimensional, em seu conjunto, permite conhecer como se configura, na
comunidade universitária estudada, a representação social de Biblioteca.
Na análise dos grupos chegou-se às seguintes representações: quase a totalidade dos
alunos tem o conceito de Biblioteca como reunião de acervo/depósito. Grande parte deles
cita como função principal da Biblioteca desenvolver o ensino e propiciar lazer aos usuários.
Entendem que a Biblioteca tem uma relação íntima com o ensino propiciando uma abertura
de horizontes, apesar de uma parcela deles perceberem que a relação da biblioteca com o
ensino é deficiente, devido principalmente à falta de recursos da biblioteca e o direcionamento
dado pelos professores, incentivando o uso de meios reprográficos. A organização e
administração é vista como deficiente, principalmente

em termos de localização dos

materiais, de pessoal e horário de funcionamento.
A imagem da biblioteca "idealizada" aparece associada a um lugar de silêncio,
sagrado, mas também a um lugar de pesquisa, um ponto de encontro ou ainda a um templo de
formação ou escola. A Biblioteca "descrita" (HE) para esses sujeitos

está ligada aos

conceitos de desatualização e de desorganização, possuindo um acervo pobre e inadequado e,
apesar disso, ela ainda é uma possibilidade, uma fonte de pesquisa, facilitando o acesso ao
conhecimento. As atitudes desse grupo em relação à Biblioteca são predominantemente
favoráveis, embora seja possível perceber, nos discursos dos sujeitos, restrições que se
referem

à falta de qualificação do pessoal e privilégios de atendimento a determinadas

categorias (professores e alunos de pós-graduação).
A conceituação dos professores sobre a Biblioteca reflete uma ligação tanto como
uma reunião de acervo/depósito, quanto como um centro de referência/centro cultural. As
funções da Biblioteca mencionadas, como suprir informações/manter um acervo, desenvolver
o espírito de pesquisa, desenvolver o ensino e atender aos usuários, indicam um
conhecimento bem aproximado daquelas funções citadas na literatura especializada. A relação
da Biblioteca com o ensino aparece como uma relação deficiente, quase inexistente, ao
mesmo tempo em que ela é apontada como uma estratégia metodológica e uma abertura de
horizontes. A posição dos professores em relação a organização e administração é de que a
Biblioteca tem sérios problemas quanto à localização do material, roubo e vandalismo.
Apontam como inadmissível a não informatização dos serviços, o ambiente desagradável, a
falta

de

pessoal qualificado e a formação inadequada do bibliotecário. A imagem da
10

�biblioteca "idealizada" é associada a um lugar de silêncio/igreja, lugar de pesquisa, como
uma possibilidade de novas descobertas e conexões e ainda como um território que
amedronta. A biblioteca "descrita" (HE) é vista como uma biblioteca desatualizada, como
uma possibilidade de descobertas, uma fonte de pesquisa. Aparece também a associação da
biblioteca como um cemitério, um lugar sem vida. A posição dos professores em relação à
Biblioteca é claramente favorável, embora apresente um percentual significativo de atitudes
negativas. Estas

estão relacionadas com a localização da biblioteca e com a falta de

divulgação do acervo e dos serviços.
Ao analisar-se a revisão de literatura sobre as Concepções de Biblioteca, pôde-se
perceber que os conceitos de biblioteca como

Reunião de Acervo

e Preservação do

Conhecimento, estão presentes desde a Pré-História quando surgiram as primeiras bibliotecas,
sendo que a preocupação maior era a de manter um acervo (Biblioteca) como Memória dos
Povos.
Pela Biblioteca de Assurbanibal, por exemplo, para não citar outras, observa-se que o
interesse em reunir livros vem desde os antepassados do Rei Assírio, os quais criaram
bibliotecas em seus palácios, como

se,

fossem conscientes de que eram legítimos

representantes de uma cultura milenar.
Esta concepção se faz presente no decorrer de toda a história das bibliotecas, inclusive
nas bibliotecas deste final de século. Portanto, a formação das representações sociais dos
sujeitos investigados, especificamente neste item de conceito, parece estar de acordo com o
mecanismo da Ancoragem, descrito por Moscovici, Gracia e Pedra. A ancoragem, segundo
PEDRA (1992), não se trata como no caso da objetivação, da constituição formal de um
conhecimento, mas de sua inserção orgânica em um outro pensamento já constituído. Na
visão de GRACIA (1988, p. 50) nós "sempre vemos o novo através de lentes antigas, e o
deformamos o suficiente para estar de acordo com os esquemas que nos são familiares".
A respeito do conceito de biblioteca como Centro de Referência/Centro Cultural, ele
surge de acordo com a literatura revisada, somente no século xix, com o aparecimento das
bibliotecas públicas nos países Anglo-Saxões. As bibliotecas deixaram de ser consideradas
apenas como memória do passado e arquivos da sabedoria humana e passaram a ser
instituições educativas. Como tais, favoreceram a formação cultural, o desenvolvimento
pessoal e profissional dos cidadãos.

11

�Esta visão, diferentemente da anterior, não se encontra tão arraigada na percepção dos
sujeitos que compõem a nossa amostra. Pode-se inferir que a informação de que determinado
grupo social se apropria acerca de um objeto

é feita sobre

aqueles elementos mais

conhecidos em detrimento de outros.
Pela análise dos dados podemos verificar que a representação surge conforme a função
de cada grupo, vindo a confirmar a teoria de que "as representações estão organizadas de
modo diverso segundo a cultura, classes e grupos sociais..." (MOSCOVICI , 1978, p. 67).
Pode-se inferir ainda, que as constantes transformações ocorridas na sociedade fazem
com que a biblioteca e suas funções sejam representadas de diferentes maneiras, dependendo
do contexto em que os sujeitos estejam inseridos. Assim, as funções aqui mencionadas são
coerentes com o ambiente universitário no qual os sujeitos estão engajados. Por outro lado,
elas também encontram-se presentes no discurso de alguns autores citados por MULLER
(1984). Portanto, as informações dos sujeitos sobre o objeto biblioteca provém, na sua
grande maioria, da cultura acumulada na sociedade ao longo da história e de práticas que se
encontram relacionadas com as diversas concepções de mundo.
A representação de bibliotecário, embora não fizesse parte dos temas propostos pela
entrevista, surgiu entre os professores como sendo: "uma mulher horrorosa, normalmente mal
amada, trancada atrás de uma escrivaninha, com oclinhos..." ou na opinião de outro professor
: "acho que a gente tinha que ter uma bibliotecária com uma bagagem que orientasse e
deslanchasse esses alunos para desenvolver melhor suas pesquisas e que gostasse de estar
lá..." ou ainda: "o bibliotecário é um pouco mais fechado, ele é mais tradicional... acho um
pouco medroso...".
Os alunos, por sua vez, acham que o bibliotecário atende mal, está sempre
sobrecarregado de afazeres, de serviços técnicos, ele é um burocrata e não muito acadêmico.
Quanto à representação do bibliotecário surgida entre os sujeitos da amostra, podemos
afirmar que é parte

daquilo que se construiu em termos de conhecimento na área de

Biblioteconomia. Os paradigmas teóricos e práticos estão calcados nas teorias funcionalista e
behaviorista, em uma Biblioteconomia tradiconal, tecnicista e de apoio e não em uma
Biblioteconomia dinâmica, social, com identidade e conteúdos próprios. Por outro lado, essa
imagem também está refletindo o estigma da profissão de mulheres, a qual traz no seu bojo a
questão cultural e social da reprodução da desvalorização da mulher e do seu conhecimento.

12

�Podemos inferir que a imagem de biblioteca ligada ao silêncio, ao sagrado, teve sua
origem no surgimento das primeiras bibliotecas, junto aos mosteiros e igrejas,
consolidando-se na sociedade ao longo da história. Esta concepção está presente na própria
arquitetura das bibliotecas, as construções na sua grande maioria passam essa imagem de
imponência, de poder, de sagrado , como pode ser observado pela Figura a seguir.

13

�Biblioteca Nacional

Fonte: Horizonte Geográfico, São Paulo, v.7, n. 33, p.35, 1994.

A idéia de biblioteca como fantasia, como possibilidade é a representação que
FOUCAULT citado por RADFORD (1992)

discute a respeito da biblioteca. Para ele a

biblioteca é como um grande labirinto do mundo, cada caminho é uma possibilidade
silenciosa, um potencial para novas conexões.
A idéia de biblioteca associada à imagem de escola/templo de formação tem suas
raízes no aparecimento das primeiras universidades na Idade Média, quando os professores ao
conhecer Aristóteles e seus intérpretes adotaram um novo método baseado na leitura efetuada
pelo professor de um texto e na discussão (troca de idéias) com os alunos. A idéia é
reafirmada pelo bibliotecário Melvil Dewey (início século xx) quando enfatiza que a
biblioteca é como um escola, e o bibliotecário é, no mais alto sentido, um professor.
A imagem de biblioteca como sendo um território que amedronta/local detestável é,
por um lado, parte do ritual do conhecimento e como não poderia deixar de ser causa de certa
forma esse sentimento de medo, até pela maneira como as pessoas se relacionam com o
conhecimento, colocando-o como algo que não pode ser questionado, posto a prova. Por outro
lado, ela é um lugar não muito desejável, sem vida. Ao refletirmos sobre tal imagem
representada pelos sujeitos, podemos inferir que ela

estaria dentro de um conjunto de

condições históricas e de um sistema de crenças e valores existentes na sociedade acerca do
conhecimento e da instituição biblioteca.

14

�Com base nos dados levantados podemos afirmar que os entrevistados têm
informações estruturadas, a respeito da Biblioteca HE. As informações apontadas indicam que
Biblioteca tem problemas administrativos relacionados principalmente à localização de
material, pessoal desqualificado, bibliotecário com formação inadequada e burocrata e uma
biblioteca atrasada em serviços informatizados.
Pelos dados apresentados com relação à imagem ou campo de representação, pode-se
perceber que os sujeitos da amostra têm núcleos figurativos diferentes a respeito daquilo que
julgam "ideal" e aquilo que descrevem (HE) em termos de biblioteca. A isto podemos
chamar de “mecanismo da objetivação”, o qual não atua em um vazio social, mas está
notavelmente influenciado por uma série de condições, tais como a inserção das pessoas em
um determinada estrutura social. No caso em questão, a inserção dos sujeitos na estrutura
universitária tem influência sobre o núcleo figurativo. Em função é claro dos interesses, dos
valores e da posição que cada pessoa ocupa na universidade.
Os resultados da análise da dimensão

atitudes indicam que tanto no grupo de

professores, quanto no grupo de alunos, existe o predomínio de uma posição ou tendência
favorável em relação à Biblioteca HE como objeto de representação social.
Na opinião de ECO citado por WINTER (1994), entretanto, a biblioteca, apesar de
ser o lugar onde encontram-se muitas ferramentas e materiais essenciais para o trabalho
escolar, é ignorada como assunto digno de reflexão ou de estudo. Isto pode ser confirmado
pelo nosso estudo, pois se, por um lado, a biblioteca é considerada necessária e importante,
por outro, apenas três professores expressam claramente a relevância do tema, afirmando ser
a primeira vez que são abordados sobre tal objeto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao iniciarmos este trabalho fomos movidos por uma série de indagações, dentre as
quais elegemos as mais significativas como pontos centrais da pesquisa e reflexão que nos
propusemos a estudar
Retomamos, neste item, tais indagações iniciais, objetivando com isto compor um
quadro analítico que seja, no mínimo consistente e significativo para outras análises sobre
esse tema.

15

�As conclusões a que chegamos foram produtos de uma questão inicial - o que é
biblioteca, qual é sua representação? Esta indagação também nos auxiliou a definir os
objetivos,

ou seja : levantar os conceitos e finalidades

da biblioteca no processo de

transmissão de conhecimentos, bem como detectar as representações de biblioteca na
comunidade da UFPR.
Os resultados desse estudo indicam que o conceito de biblioteca está associado a idéia
de reunião de documentos ou mesmo de um depósito do conhecimento, uma visão que está
presente desde os primórdios da civilização e que vem sendo articulada pelos processos de
comunicação, seja através dos meios de comunicação (jornais, televisão, revistas) ou pela
comunicação interpessoal (a troca, a conversa).
A biblioteca é conceituada, ainda, como sendo um centro de referência ou um centro
cultural. Nesse conceito a biblioteca representa o conhecimento.
Se, por um lado, as funções e papéis apontam para a idéia de que a biblioteca existe
para fornecer ou suprir informações, bem como para desenvolver as atividades de ensino e
pesquisa, por outro lado, a relação da biblioteca com o ensino é descrita como deficiente ou
quase inexistente. Estes dados analisados dessa forma são no mínimo contraditórios; porém,
ao se verificar os discursos dos sujeitos, percebe-se claramente que há esta relação
biblioteca/ensino. Entretanto, os sujeitos da amostra afirmam que, na Biblioteca HE, a relação
não é possível devido principalmente à falta de atualização do acervo e ao indiscriminado uso
de meios reprográficos.
Pelo que foi possível observar e compreender, a imagem de Biblioteca "ideal" foi
ligada à idéia de um lugar de silêncio, igreja, um lugar sagrado. Consequentemente pode-se
afirmar que a biblioteca esteve presente na visão do homem como parte integrante da
organização social, ainda que tenha vigorado a imagem de algo intocável, divino, um templo
onde o ser humano deve silenciar. Embora seja significativa essa representação, há lugar
nesse templo para a pesquisa, para o encontro e a convivência das pessoas. Ela é o espaço
onde reside a possibilidade de impossíveis mundos.
A Biblioteca "descrita" (HE), por outro lado representa para os sujeitos da amostra, a
própria realidade das universidades brasileiras, ou seja o sucateamento do ensino superior. O
discurso explícito percebido na "leitura" dos resultados sugere uma imagem da Biblioteca HE
como ultrapassada e inadequada em termos de acervo, um lugar morto que clama por vida. A
esperança de vida desponta na descoberta, na conexão, nos infinitos caminhos que a
16

�Biblioteca possibilita ao ser humano. Complementando esse discurso explícito, aparece um
discurso que sugere uma biblioteca com mais vida, um lugar onde as pessoas possam se
encontrar, onde o silêncio dê espaço à criação e ao diálogo, uma alternativa ao modelo
representado, numa abordagem mais humana e socializadora.
Cremos que um dos possíveis méritos desta pesquisa tenha sido o de procurar uma
resposta à desvalorização da biblioteca enquanto espaço de educação que realmente é. Na
verdade, essa desvalorização não é apenas em relação às bibliotecas, mas principalmente em
relação à educação de uma maneira geral, sendo a biblioteca um dos espaços mais atingidos.
Finalmente, cremos que outras pesquisas podem e devem ser feitas a partir do tema Representação social de Biblioteca. Faz-se necessário conhecer e analisar como se desenvolve
esta relação nas outras bibliotecas da UFPR, bem como em outras bibliotecas especializadas,
públicas ou universitárias. Outro ponto seria o estudo das projeções dos professores na
formação dos profissionais que atuam em unidades de informação e a conseqüente
representação que a sociedade tem de Biblioteca.
Os pontos aqui levantados são questões que surgiram no decorrer de nossa análise e
podem constituir-se em importantes pesquisas, pois possibilitariam uma maior compreensão
da representação social das bibliotecas brasileiras e da construção do conhecimento na área
de Informação.

17

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Documentação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Pesquisa as concepções de biblioteca expressas na literatura, que foram sendo modificadas pelo homem, através dos tempos, consoante suas necessidades, bem como analisa o discurso da comunidade universitária (professores e alunos) a respeito da instituição biblioteca. A partir da teoria das representações sociais de Moscovici (1978), trabalhou-se sob o enfoque das dimensões informação, imagem e atitude dos sujeitos com relação ao objeto. Por meio da análise de conteúdo temática e frequencial, percebe-se que a biblioteca é representada pela comunidade universitária da UFPR como um lugar de silêncio, uma igreja, um espaço de pesquisa e uma possibilidade para novas descobertas e conexões, mas simultaneamente como um território que amedronta. O conjunto de imagens utilizadas pelos entrevistados em suas representações da Biblioteca de Ciências Humanas e Educação (HE) reflete uma relação de conflito entre o amor e o ódio. Se, por um lado, ela é a possibilidade de descobertas e uma fonte de pesquisa, por outro, ela é vista como um cemitério, um lugar sem vida. Pela análise, conclui-se que os sujeitos têm informação estruturada acerca do objeto biblioteca, embora eles a representem como algo intocável, divino, um templo onde o ser humano deve silenciar. Surge como complemento dessa representação uma alternativa ao modelo representado, numa abordagem mais humana e socializadora, em que o divino dá espaço à convivência, ao diálogo e à criação de impossíveis mundos. Finalmente, observa-se na comunidade estudada uma atitude claramente favorável em relação à biblioteca enquanto objeto social.</text>
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