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SITUAÇÃO DA AUTOMAÇÃO NAS BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS
NICE FIGUEIREDO
IBICT/DEP

RESUMO
Descreve resultados de levantamento realizado sobre a situação da automação das
bibliotecas universitárias, como parte de projeto aprovado pelo CNPq. Faz análise
comparativa com a situação das décadas de 70 e 80. Traça as diretrizes, fases,
passos, requisitos necessários à automação de sistema de informação, de acordo com
a experiência nacional.

Palavras-Chave: automação; bibliotecas universitárias.

Durante os meses de Março - Maio de 1998, foi realizado um levantamento
entre as bibliotecas universitárias federais, além de outras estaduais e particulares
selecionadas, a fIm de se ter conhecimento do nível de automação atingido por essas
bibliotecas. Assim, com base em um cadastro existente no SIBIlUFRJ, atualmente
sede da Comissão Nacional de Bibliotecas Universitárias da FEBAB, com a
assinalação das bibliotecas automatizadas e das que ainda não se automatizaram,
enviou-se dois questionários para cerca de 300 bibliotecas. Das primeiras, procurouse obter informações sobre o estágio da automação e se solicitou sugestões que
possam melhor dirigir aquelas que desejam se automatizar.
Um terceiro questionário foi enviado para ser distribuído entre os usuários
das bibliotecas automatizadas, a fIm de se obter dados sobre o uso e a satisfação dos
usuários com o sistema implantado.
419

�A análise dos dados do Questionário 1, enviado às Bibliotecas Automatizadas
mostra que a automação teve início no começo da década de 70, e como já havia
demonstrado a revisão da literatura, não houve crescimento exponencial, nos 10
anos que se seguiram. A partir de 1987 é que se pode observar um crescimento mais
rápido, culminando, de 1995 em diante com um aumento mais acelerado.
As respostas fornecidas à este questionário, com análise devida, seguem-se
abaixo:
QUESTIONÁRIO 1. BffiLIOTECAS AUTOMATIZADAS

1- Quais os motivos que levaram à automação da sua biblioteca?
Das quatro opções apresentadas, as mais citadas foram: demanda de usuários
e decisão superior. No aspecto "outros", foram colocadas: dinamizar os serviços,
modernização do acesso à informação e do tratamento técnico

2- Que problemas pensou em resolver com a automação?
Das onze opções, foram mais assinaladas, pela ordem quantitativa:
aperfeiçoar a eficiência da biblioteca para os usuários; colocar as novas tecnologias
de informação a serviço dos usuários e da biblioteca; aperfeiçoar a eficiência interna
da biblioteca; aperfeiçoar o acesso à coleção; aperfeiçoar a cooperação com demais
instituições. No aspecto "outros", foi colocada: agilizar recuperação e empréstimo.

3- Como foi o sistema implantado? E de que tipo?
As respostas apresentaram pequena diferença: adquirido em pacote e
desenvolvido localmente. O tipo de sistema apresentou grandes diferenças e na
ordem: centralizado, misto e descentralizado.

4- Qual o formato de catalogação adotado pelo seu sistema?
Houve grande maioria para o sistema MARC, seguido de MICROISIS.
420

�5- Quais os fatores que levaram à escolha do sistema?
Das 10 opções apresentadas, foram assinaladas, na ordem: aceita catalogação
e formato mais usados no país e no exterior; utilizado em outras bibliotecas do país;
de mais fácil uso; o melhor para conexão com redes internacionais; já traduzido em
nossa língua; opera no tipo específico de computador que já se possuía. Como
"outros", foi assinalado: decisão superior.

6- Quais foram os participantes da equipe que planejou a automação?
Nesta questão, os participantes foram citados nesta ordem: Diretor da
biblioteca, inclusive da Biblioteca Central; Chefia do setor técnico; Analista da
biblioteca; Consultor externo; Chefia do setor público e Representante(s) does)
usuário(s). Este último teve apenas duas assinalações. No aspecto "outros", foram
acrescentados outros participantes, dos quais pode-se extrair: bibliotecários,
programador, analista do CPD, etc., sem dúvida pessoas com a visão interna do
sistema. Com a visão externa pode-se constatar que foram assinalados, por exemplo:
Professores, Direção Central da Instituição e Diretor da Faculdade, que somados ao
item anterior de Representantes dos usuários, atingiram apenas uma pequena
porcentagem daqueles com a visão interna do sistema. Isto, de alguma maneira,
desqualifica o resultado nas questões 1 e 2, onde foi dada grande relevância ao
usuário. Como ele não participou, ou participou muito pouco da equipe que planejou
a automação, como pode o sistema ser dirigido aos interesses e demandas dos
usuários?

7- Quais os módulos de que é composto o sistema? Numere pela ordem de
implantação:
A implantação dos módulos da automação se deu na seguinte ordem:
Catalogação; Consulta e Empréstimos; Periódicos/Aquisição principalmente, tendo
havido algumas variações - como por exemplo, Aquisição foi 3a e 4a opções,
421

�~

1

l
enquanto Catalogação foi também uma 2a prioridade para automação e Periódicos

.1

foi 3a ou 5a, etc.

8- Quem são os usuários da sua biblioteca?
Internos : alunos de graduação, professores, funcionários, alunos de pósgraduação, pesquisadores;
Externos: pesquisadores, alunos de graduação, professores, alunos de pósgraduação/ alunos de lo e 20 Graus.
Houve também assinalações para Comunidade acadêmica, comunidade em
geral, outras instituições. É surpreendente, dentro da Biblioteca Universitária, que os
maiores usuários externos do sistema automatizado sejam alunos de graduação e de
lo e 20 Graus. Sem dúvida, este resultado oferece duas faces para análise. A
negativa, como assinalado, e a positiva que, claramente, mostra o interesse e a
capacidade dos mais jovens em fazer uso de um sistema computadorizado na
Biblioteca Universitária (talvez por não haver biblioteca com tal estrutura nas suas
escolas).
9- Que novos serviços passou a oferecer com a automação?
Os resultados apontaram:
Para todos os usuários: consulta online e CD-ROM; empréstimos; Internet;
levantamento bibliográfica e bases de dados.
Seletivos: bases de dados (usuários internos).
Cobrados: online/CD-ROM; bases de dados; levantamentos bibliográficos e
COMUT (usuários externos).
São resultados interessantes que marcam, sem dúvida, uma tendência para a
disponibilização dos serviços de informação automatizados nas bibliotecas
universitárias. Sabe-se que são consequência de grandes debates e experimentação
por parte destas bibliotecas.
:
422

,!

�10- Quais os usuários que possam ter sido mais beneficiados com a automação?
Pela ordem: todos os usuários, alunos de graduação, professores e alunos de
pós-graduação, usuários internos.
Tanto nesta questão, quanto na de no 8, onde aparece com preponderância
"alunos de graduação", isto se deve, acredita-se,
pela maior massa de usuários dentro desta categoria nas universidades.

11- Que funções/serviços estão atualmente automatizados?
Técnicos: catalogação; periódicos; empréstimos; aquisição. Para usuários:
busca ONLINE; CD ROM; INTERNET.
Na sua maior parte, estão conectados à rede nacional.

12- Quais os catálogos que se encontram em uso?
Foram citados: online; em fichas (ainda em grande número); CD-ROM e
microformas.
13- No caso de ainda possuir catálogos em fichas, como pensa em resolver a
catalogação retrospectiva?
A maioria respondeu que a questão se acha ainda em estudo ou na
dependência da Biblioteca Central; outras assinalações foram: migração para o
sistema; projeto RECON; digitalização de documentos, havendo ainda quem
respondesse depender de pessoal para isto.

14- Quais as prioridades de informatização do acervo?
Pela ordem: livros e teses principalmente, e a seguir, artigos de periódicos,
materiais especiais e acrescentado produção científica.

423

�15- Quais os produtos/serviços automatizados mais utilizados?
Pela ordem: consulta onIine e CD-ROM principalmente, seguindo-se
levantamento bibliográfico, bases de dados e empréstimos, COMUT INTERNET,
além de: catalogação, reserva, aquisição, boletim bibliográfico, DSI, etc.

16- A automação propiciou a diminuição nas assinaturas de periódicos?
Com poucas exceções, a assinalação foi no sentido negativo, havendo quem
dissesse que até estimulou o aumento das assinaturas. Este é um fato observado na
literatura internacional: logo depois do início do uso automatizado, aumenta a
demanda pelos títulos impressos. A tendência é que venham a ocorrer cortes nessas
assinaturas, como aconteceu no exterior. Isto devido ao fato de que o aumento foi
mais motivado por deficiências nas assinaturas ou demandas reprimidas.

17- Quais as bases de dado mais acessadas e em qual formato?
Pela ordem:
Estrangeiras - CD-ROM; ONLINE
Nacionais - CD-ROM; ONLINE; INTERNET; CALCO.

18- Acredita que com a automação tenha melhorado a prestação de serviços aos
usuários? Explique como:
O maior beneficio citado foi o da rapidez, agilidade, eficiência no
atendimento/prestação de serviço, i.e. a otimização das atividades não só com
relação aos usuários, como também no que diz respeito a controle e formação do
acervo, levantamentos bibliográficos, catalogação, empréstimos, comutação,
reclamação de obras em atraso, processamento técnico. Foi exemplificado que
facilita o auto-empréstimos, o próprio usuário podendo realizar as suas pesquisas,
amplia o acesso, proporcionando conhecimento de tudo que existe no sistema de
bibliotecas universitárias, inclusive com o uso da INTERNET. Foi salientado que a
424

�!I
automação oferece maIS resultados que os catálogos, e citados fatores de

I

credibilidade, confiabilidade e precisão dos dados, com melhor qualidade dos
serviços prestados com dados estatísticos confiáveis.
Atendimento a um maior número de usuários e desenvolvimento de outras
atividades voltadas ao usuário também foram assinalados.

19- O que acredita tenha sido um sucesso no seu programa de automação?
Foram citados como sucessos o apoio dos diretores das instituições, a
obtenção dos equipamentos e da infra-estrutura necessária à automação; a integração
do grupo de estudos para implementar o sistema, o empenho e esforço da equipe. Do
ponto de vista dos usuários, foi assinalada a disponibilização da informação
diretamente ao usuário, com facilidade de acesso propiciando o auto-uso, com uma
interface amigável, contribuindo para um melhor atendimento. Foi salientada a
possibilidade de consulta do acervo e acesso pela INTERNET para recuperação da
informação e as bases de dados. Para a própria biblioteca foram assinalados os
aspectos de modernização, melhoria no processamento técnico, redução das rotinas,
empréstimo automatizado, racionalização, otimização na recuperação da informação
e a oferta de mais serviços. Também foi citado o sucesso na escolha do software
iI

adequado, na conversão conseqüente de dados para o sistema, a colocação do texto
completo da produção docente na rede, possibilidade de interagir simultaneamente
com todos os módulos do sistema, e a qualidade dos dados propiciando melhores
estatísticas. Finalmente, houve os que disseram: "Houve sucesso simplesmente pelo
fato de funcionar e funcionar bem" e que "houve sucesso em tudo, tanto que deverá
migrar para o sistema ALEPH 500 para continuar se desenvolvendo".
Não se pode deixar de observar que, apesar das dificuldades e entraves, há
uma grande dose de entusiasmo e otimismo daqueles que conseguiram atingir a meta
da automação. É um fator altamente positivo, numa época tão pobre em motivações
para o bibliotecário universitário, como muitas outras respostas mostraram.
425

I

�!f
20- Que problemas administrativos e/ou políticos teve de enfrentar para automatizar
a sua biblioteca?
Dentre os problemas políticos, foram assinaladas mudanças na administração
central, que ocasionaram falta de continuidade no planejamento da automação, bem
como das prioridades da administração. Houve descrença da alta administração na
capacidade dos bibliotecários para executar a automação, havendo necessidade de
convencimento neste sentido, quando não houve uma total falta de apoio. Nos
aspectos administrativos, o problema maior foi a falta de recursos financeiros (sem
dúvida resultante do aspecto político) principalmente no que diz respeito a aquisição
dos equipamentos, inclusive para manutenção e "update". Um problema também
muito grande foi o da dúvida quanto ao software, havendo, em alguns casos, um
resistência ao escolhido pela administração superior.
Quanto aos recursos humanos, foi registrada a falta de pessoal para
automação, ou ainda, a de pessoal capacitado para isto. E ainda: a resistência à
mudança e a falta de conscientização dos profissionais e funcionários para a
automação; a falta de suporte de informática; a resistência dos usuários e de falta de
ligação do sistema com a rede da universidade. A falta de treinamento necessário ao
pessoal e aos usuários também foi citada várias vezes. Houve quem se queixasse de
que o sistema fora importado de outra instituição e os analistas locais não
conseguiram dominar o sistema, partindo então para um sistema próprio.
Finalmente, houve os que declararam não ter tido nenhum problema.
Pode-se

comentar aqui que,

aparentemente,

alguns

dos problemas

mencionados foram criados talvez pela inabilidade política e/ou falta de empenho
em lutar pela automação desejada, não esclarecendo bastante a alta administração
sobre os beneficios possíveis da implementação de um sistema computadorizado.

21- Que passos/providências teve de tomar para llllClar o planejamento da
automação da biblioteca?
426

�Pelas respostas obtidas para esta questão, pode-se observar que houve uma
grande variedade de atitudes por parte das bibliotecas universitárias para começar a
sua automação. Essa variação se deu inclusive em função de a biblioteca ser central
ou setorial. Assim, sem uma ordem específica, registra-se: convencimento e/ou
obtenção de apoio da administração superior; justificativa da necessidade de
automação pelos benefícios possíveis de serem auferidos; mudança de cultura;
reuniões dos funcionários responsáveis pela automação; visitas à outras bibliotecas;
levantamento das necessidades/demandas dos usuários; estabelecimento de
prioridades; reestruturação do setor; designação da equipe e reunião com os
analistas. Citou-se também: coletar dados estatísticos, buscar recursos frnanceiros,
assessoria externa na área de informática, iniciar a partir dos livros novos adquiridos
ou de documentos básicos (Schreiner ou Sayão) e de levantamento bibliográfico, da
normalização das entradas, padronização dos processos técnicos e descartes,
cadastro de usuários. Ou então pela avaliação dos equipamentos, análise e definição
do software, implantação de bases de dados. Finalmente, pela elaboração de um
projeto de pesquisa com equipe de Diretor da Biblioteca, analistas, especialistas, e
de treinamento e capacitação de pessoal.
Pode-se verificar que são maneiras absolutamente aceitáveis e sem dúvida
dependentes da situação política/administrativa local. Analisando-se estas respostas
e as fornecidas na questão anterior, pode-se quase concluir quem iniciou por onde,
de acordo com os problemas apresentados, por exemplo: quem não teve nenhum
problema pode ter partido direto para a elaboração do projeto e análise dos softwares
existentes; quem teve problema político precisou fazer primeiro o convencimento da
administração superior, e assim por diante. Mas a queixa mais generalizada, como
foi assinalada, foi a de falta de recursos, principalmente para aquisição dos
equipamentos, o que pode ter se constituído em fator de peso para o direcionamento
do projeto elaborado.

427

�22- Sabendo o que você sabe agora sobre automação de bibliotecas, que
I

recomendações daria às bibliotecas que desejam se automatizar?
As recomendações, fora de dúvida, são frutos da experiência vivida, que por
conseguinte, espelham novamente as respostas das três questões anteriores. Neste
caso, tentou-se dar uma ordem lógica às diferentes respostas para propiciar um
quadro mais claro para aqueles que desejam automatizar as suas bibliotecas.
Em primeiro lugar, deve-se tentar obter um comprometimento total da
administração superior, com a disponibilização de recursos, equipamento e pessoal
capacitado. O sistema atual deve ser analisado, deve-se fazer compilação de dados
estatísticos, conhecer as demandas dos usuários, avaliar o acervo, fazer descartes, ter
o quadro real das necessidades da biblioteca. Pensar no produto que se deseja obter.
Usar pessoal qualificado, em cursos de informática, motivação. Formar equipe
multidisciplinar, com a presença de bibliotecário analista. Buscar assessoria técnica
se preciso. Fazer planejamento criterioso, prevendo necessidades e dificuldades a
serem ultrapassadas; ter conhecimento de O&amp;M, elaborar projeto consistente, fazer
manual de serviço de todas as etapas a serem desenvolvidas, treinar a equipe
antecipadamente. Avaliar os pacotes existentes e escolher o software mais adequado
ao uso/demanda do sistema, após estudo profundo, examinando vantagens e
limitações, e que seja consolidado no mercado. Testar exaustivamente antes da
adoção. Não desenvolver programas próprios, usar pacotes, tendo o cuidado de
analisar e adaptar a cada realidade local.
Priorizar o material a ser automatizado e fazer a implantação por módulos,
com treinamento simultâneo, não abandonando o sistema manual antes de testar.
Adquirir equipamentos de última geração; se a instituição não possuir recursos
suficientes, é melhor optar por um sistema intermediário do que por um mais
ambicioso, mas sem possibilidade de real desenvolvimento. Iniciar o processo
lentamente mas com determinação. Mostrar resultados, mesmo que sejam parciais,
para conquistar espaço e respeito.
428

�23- Gostaria de participar de trabalho de orientação/compartilhamento de
experiências de automação para as bibliotecas universitárias que planejam a
automação?
A maioria das respostas foi positiva. Acredita-se, no entanto, que já com as
respostas obtidas neste levantamento será possível elaborar-se as "Diretrizes básicas
para informatização das bibliotecas" como foi sugerido por um respondente.

24- Realizou em alguma época, ou antes da implantação do sistema automatizado
um estudo das necessidades de informação dos usuários?
A maioria das respostas foi negativa, o que contradiz novamente, as opções
das questões 1 e 2 (e muitas das respostas/recomendações anteriores .. .)

25- Possui "Política de Seleção" implantada com Comissão de Seleção?
Igualmente à anterior, i.e., a maioria das respostas foi negativa, sendo que os
membros da Comissão foram declarados como sendo tanto bibliotecários como
usuários. Aqui houve um aparente equilíbrio, mas são os resultados totais. É um
modelo que deve ser seguido pelas bibliotecas, individualmente: bibliotecários e
usuários em números representativos formando a Comissão de Seleção.

26- Que tipos de dados são coletados para a tomada de decisões gerenciais na sua
biblioteca?
Pela ordem: circulação; aquisição; cadastro de usuários; e
"outros" : dados estatísticos e de processamento técnico.

27- Qualifique as barreiras que sente existir para a comunicação entre bibliotecas
universitárias?
Barreiras burocráticas e políticas em maior número, como demonstrado nas
respostas anteriores, seguidas das barreiras de ordem técnica.
429

�28- Que equipamentos existem na sua biblioteca?
É possível fazer-se apenas uma análise global das respostas. Foi uma questão

proposta para se ter uma idéia da infra-estrutura existente nas bibliotecas
paralelamente à automação. As respostas mostram que, embora automatizadas, há
bibliotecas ainda sem telefone, sem máquinas de fax, nem fotocopiadoras . Por outro
lado, pode-se observar que quando possuem esses aparelhos, estes são em grande
número, existindo quase 1000 micros, a maioria em rede, e perto de 400
impressoras. Há maior disponibilidade de equipamento para uso interno do que
externo (usuário).

29- Qual a sua atitude com relação à cooperação/compartilhamento de recursos entre
l

bibliotecas? Concorda que tem vantagens, como suprir necessidades e somar
esforços?
A grande maioria assinalou SIM, e dentre as vantagens citadas registra-se, na
ordem: utilização de recursos de forma racional; facilita o intercâmbio; maior
aproveitamento do acervo; economia de espaço.
Quanto aos aspectos negativos, foram assinalados: possível falta de
contrapartida; necessidade de garantir que uma coleção continuará a existir naquela
biblioteca e a impossibilidade de compartilhar materiais muito demandados.

30- O que pensa sobre a criação de um Centro de Compartilhamento de Recursos,
onde seriam locados materiais em duplicata, de baixo uso, não convencionais, títulos
de coleções obsoletas substituídos por outro formato, teses externas, etc. para
desafogar o seu espaço fisico, de caráter estadual ou regional, interligado com as
bibliotecas universitárias? É um exemplo que vigora no exterior há mais de meio
século.

430

�Coletou-se material riquíssimo nesta questão, a grande maioria aprovando a
idéia. Está sendo repassado à Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias FEBAB - para as iniciativas a serem tomadas a respeito.

31- Tem conhecimento da metodologia "Conspectus" da American Research
Libraries, para desenvolvimento de coleções em redes de bibliotecas? Se negativo,
gostaria de ser informado a respeito?
A grande maioria revelou não ter conhecimento desta metodologia. Segue-se
abaixo um esclarecimento sucinto:
O Conspectus é um conjunto de códigos padrões para representar as
intensidades, a força das coleções existentes e as características dos materiais
colecionados. Propõe, assim, uma visão ou sumário dos pontos fortes das coleções e
da intensidade das futuras aquisições dos membros. O objetivo é o de promover,
desenvolver e , quando e como for necessário, operar programas para coordenar o
desenvolvimento das coleções das bibliotecas participantes. A intenção é permitir
que algumas bibliotecas deixem de adquirir materiais para disciplinas específicas
porque outras bibliotecas continuariam o apoio para essas áreas.
Arranjado por assunto, classe ou a combinação dos dois, as divisões contêm
níveis de coleção na escala de 0-5, abrangendo 5000 classes de classificação da
Library of Congress, assim: O - Fora do escopo;
1 - Mínima;

2 - Informação básica;
3 - Apoio institucional;
4 - Pesquisa;
5 - Compreensiva.
Para esclarecer o que está sendo coletado, uma série de sufixos de língua
foram acrescentados:
E - Material principalmente em inglês (English)
431

�F - Material selecionado em língua estrangeira, principalmente européia
(foreign) ;
W - Larga seleção de material em línguas estrangeiras (Wide);
Y - Material primariamente em uma língua estrangeira.
O conceito é de que as bibliotecas trabalhando juntas podem ultrapassar as
barreiras locais (os campi), deixando de ser órgãos fisicamente restritos, mas cientes
do potencial de recursos coletivos existentes para serem compartilhados. É
enfatizado que redes e compartilhamento de recursos nada fazem para atender às
prioridades locais das bibliotecas, apenas atendem as demandas das minorias e
pedidos ocasionais.

QUESTIONÁRIO 2. BffiLIOTECAS NÃO AUTOMATIZADAS

1- De que está dependendo a automação da sua biblioteca?
N esta primeira questão, dentre cinco opções apresentadas, as mais citadas
foram, pela ordem decrescente: disponibilidade de equipamento, decisão superior e
capacitação de pessoal e possibilidade financeira. Para a 5a opção, demanda dos
usuários, não houve qualquer assinalação. No aspecto "outros", foram colocados:
condições fisicas do prédio; falta de pessoal; problemas de software e de rede.

2- Quais os problemas que espera resolver com a automação?
Esta questão ofereceu 11 opções, e dentre as mais citadas e pela ordem,
seguem-se:
1. Colocar as novas tecnologias de informação a serviço dos usuários e da
biblioteca;
2. Aperfeiçoar a eficiência da biblioteca para os usuários;
3. Aperfeiçoar a eficiência interna da biblioteca;

43 2

�4. Aperfeiçoar o acesso à coleção;
5. Aperfeiçoar o intercâmbio de recursos e serviços; e
6. Aperfeiçoar o papel da biblioteca no sistema educacional
Pode-se observar que, em questão idêntica do Questionário 1, as respostas se
assemelham, apenas com mudanças de posição, como a de no 1 neste Questionário
2, que no Questionário 1, teve posição no 2.

3- Como planeja executar a automação? Descreva providências, contatos, visitas
formais e informais:
Nesta questão, como já acontecera na questão 21 do Questionário 1, fica
aparente mais uma vez a diversidade no comportamento das bibliotecas ao darem
início à implantação da automação. Pode-se constatar que várias bibliotecas
responderam que, por serem setoriais, dependem da Central para isto; em alguns
casos nota-se algum ressentimento por não possuírem autonomia para qualquer
decisão a respeito. Assim, pode-se observar duas abordagens, administrativa ou
técnica; no primeiro caso, com visitas para exame dos sistemas, reuniões, reforma da
estrutura fisica, treinamento de pessoal, contratação de consultor ou de pessoal de
informática, formação de grupos de trabalho.
A abordagem técnica, para iniciar a automação, requer a solução de
problemas tais como: interligação com a rede, escolha de software administrativo,
estatístico, bases de dados, inclusive com testes iniciais. Algumas bibliotecas
mencionaram ter iniciado com a automação dos empréstimos com código de barras,
outras com inventário para preparar para a digitação, com o processamento da
coleção de livros anteriores a 1989, e outra ainda com a preparação de planilhas para
livros e posteriormente para periódicos. Uma declarou ter iniciado com o
levantamento das necessidades e características da biblioteca.
Citados como maiores problemas a deficiência de pessoal e a falta de
equipamento, quando o início se deu com a abordagem administrativa ou técnica.
433

�4- Que problemas administrativos/políticos sente que terá que enfrentar para a
automação da sua biblioteca?
Nesta questão, os problemas se configuram de acordo com a abordagem
inicial (administrativa ou técnica) para a automação das bibliotecas. Assim, dentre
os problemas administrativos são citados barreiras fisicas, como a falta de infraestrutura, reforma do edificio, fechamento de setores durante a automação; e
também, a falta de conhecimento do funcionamento e necessidades da biblioteca.
Repetem-se aqui os problemas de falta de pessoal ou de pessoal com baixa
escolaridade e o problema fmanceiro, dificultando a aquisição de equipamentos e
programas. Estes são os problemas mais citados, juntamente com a necessidade de
treinamento. Mencionado também o problema para a manutenção do sistema,
inclusive da falta de material de consumo.
Dentre os problemas políticos, são mencionados desde a falta de política
governamental e administrativa da própria universidade (que não prioriza a
automação da biblioteca) até a falta de vontade política e tomada de decisão da
Direção.

5- Que problemas de ordem técnica existem para a automação da sua biblioteca?
Nos problemas técnicos, repete-se a falta de equipamentos (inclusive ar
condicionado), da aquisição de software, da ligação com a rede. Há bibliotecas que
necessitam micros com maior memória ou as que acham estar com versões antigas
ou necessitam uma revisão no sistema já implantado (embora constassem do
cadastro do SIBI como não automatizadas) havendo também as que antevêem um
grande problema com o processamento digital do material bibliográfico.

6- Qual equipe pretende formar para o planejamento/execução da automação?
A equipe, na maioria das bibliotecas, constitui-se do Diretor ou Coordenador
do Sistema de Bibliotecas, da Chefia do Setor Técnico, Analista da Biblioteca e
434

�Consultor Externo. Também citados: Coordenador do projeto de automação, técnico
ou assessor de informática. Similarmente ao Questionário 1 e à questão 1 deste
Questionário 2, há baixa menção ao usuário na equipe de planejamento da
automação, já que não foi por demanda do usuário que se implantou o sistema...

7- Tem possibilidade de fazer treinamento do pessoal na sua própria cidade/estado?
8- Em caso negativo, seu pessoal tem possibilidade de deslocamento para fazer
treinamento? ;
9- Em caso positivo, esse pessoal tem apoio financeiro para o deslocamento?
A grande maioria respondeu que tem possibilidade de fazer o treinamento na
própria cidade, possui possibilidade de deslocamento mas não tem apoio fmanceiro .
As questões 8 e 9 foram respondidas por poucas bibliotecas
Nestas questões parece ter havido uma certa confusão ou indecisão, pOIS
muitas bibliotecas assinalaram positivamente as questões 7 e 9, contraditoriamente,
portanto. Outras disseram que treinamento vinculado ao sistema não terá problema,
só para treinamento externo precisará apoio.

10- Em caso negativo, como pretende resolver o problema do treinamento do
pessoal para a automação da sua biblioteca?
As respostas aqui foram bastante variadas, como: através de projetos,
parceiros, convênios; elaborar manuais e treiná-los nós mesmos; pedir ajuda a outras
bibliotecas por telefone; trazer cursos; treinamento pela própria universidade; pela
FGV.

11- No caso de precisar de auxílio financeiro para o deslocamento do seu pessoal
para treinamento, do que mais tem necessidade?
Esta questão foi prejudicada pelas anteriores.

435

�Nos questionários, observa-se que o maIOr problema é o financeiro,
representado principalmente pela falta de equipamento, item com o maior número de
assinalações na questão 1. Embora a boa tendência apresentada no Questionário 1, a
falta de pessoal capacitado é ainda uma grande barreira para a automação. É de
lamentar-se a total ausência dos usuários, tanto nesta questão 1 como na de número
6, com relação à equipe para o planejamento da automação. Pode-se repetir aqui o

que se disse anteriormente: Como saber o quê o usuário precisa em matéria de
informação, se ele não é consultado? E daí para diante.
No entanto, na questão 2, o item em segundo lugar se refere a "Aperfeiçoar a
eficiência da biblioteca para os usuários" (grifo nosso)
Nas questões seguintes, no entanto, não houve maiores contradições, a não
ser as diferentes abordagens para a automação, como já fora demonstrado no
Questionário 1.
As questões 4 e 5 são coerentes como as demais que levantaram os problemas
administrativos e técnicos para a automação. Deve-se salientar a semelhança destes
problemas com os apresentados pela bibliotecas já automatizadas, com exceção para
os caso dos bibliotecários analistas, que apareceram bem mais citados como
participantes da automação.
Verifica-se, assim que, conforme foi constatado anteriormente, a situação de
penúria das universidades persiste, atrasando a modernização das bibliotecas e, por
conseguinte, a melhora do ensino superior e o avanço das ciências e das tecnologias
no país.
Desde os textos iniciais sobre automação das bibliotecas brasileiras já haviam
sido destacados os problemas de implantação de sistemas isolados, ou de sistemas
desenvolvidos para satisfazer as necessidades locais apenas; e como conseqüência
disto, a falta de padronização de formatos, sistemas e técnicas. É um problema que,
de certa maneira, ainda persiste, visto o equilíbrio existente, apontado neste

436

�levantamento, entre os sistemas adquiridos em pacote e os ainda desenvolvidos
localmente.

É um problema grave, pois a diretriz moderna, em bibliotecas universitárias,
é a integração dos vários sistemas, dentro de um campus universitário, como
apontado na revisão da literatura. Há que se salientar, contudo, que nas
recomendações há declarações bastante fortes a respeito, i.e., aconselhando a não
adoção dos chamados sistemas locais. E isto é dito principalmente por aquelas
bibliotecas que assim o fizeram inicialmente e depois partiram para a aquisição de
pacote. Deve acrescentar-se que dentre as opções citadas na questão 5 - Quais os
fatores que levaram a escolha do sistema? - as duas opções mais citadas foram:
"Aceita catalogação e formato mais usados no país e no exterior" e "Utilizado em
outras bibliotecas do país", o que prova a conscientização da necessidade de
sistemas

que

possam

propICIar

integração

com

outros,

motivando

o

compartilhamento de recursos, uma das metas principais da automação das
bibliotecas. Na verdade, pode-se observar que nos sistemas implantados a partir de
1997, há uma tendência para a aquisição em pacote, corroborando portanto as
recomendações acima assinaladas. Paralelamente, esta tendência se dá com a
possibilidade da instalação das redes de comunicação nas universidades.
Dentre os problemas ou barreiras apontadas há quinze anos (levantamento de
McCarthyem 1983) persiste ainda a falta de recursos fmanceiros, apontado em 1998
como o maior problema por grande número de bibliotecas. O da falta de pessoal
experiente diminuiu bastante, já que se constata, com grande satisfação, o
aparecimento da figura do bibliotecário analista, personagem indispensável nas
bibliotecas automatizadas. O problema da falta de precisão dos dados para entrada e
processamento já não mais aparece, havendo, ao contrário, uma constatação de
melhoria neste aspecto.
Quanto ao planejamento, como se

VIU

é ainda um ponto a ser melhor

trabalhado pelas bibliotecas que desejam se automatizar, as pioneiras pagando o
437

�ônus pela falta de orientação/instrução (inclusive de ditas "diretrizes oficiais e
política governamental", conforme McCarthy). No entanto, como este próprio
levantamento demonstrou, na parte de Recomendações e nas questões anteriores,
foram dados vários conselhos valiosos a este respeito, mostrando a experiência
vivida. E neste texto são apresentadas também diretrizes seguras para esta parte
crucial da automação.
A questão da cooperação ainda é outro tema a ser mais trabalhado, embora já
tenha avançado um pouco nos últimos anos - haja visto a aceitação do Centro de
Compartilhamento de Recursos e os aspectos positivos apontados na questão que
indaga acerca das vantagens da atuação cooperativa entre bibliotecas. Juntamente
com a idéia para a criação do centro, deve-se pensar também na possibilidade para
mais uma atividade cooperativa. A indexação sistemática de artigos de periódicos
nacionais, tarefa das mais desejadas pelos usuários, pode ser realizada sem grande
esforço pela rede de bibliotecas automatizadas, conforme preconizado no texto. E
com grandes beneficios para os usuários, motivo maior da existência do sistema.
Mas nesta questão, em primeiro lugar, é preciso que haja um a "mudança de
cultura" como alguém bem salientou em resposta ao questionário, o que implica a
maneira dos próprios bibliotecários verem a sua biblioteca. A conscientização de
que sozinha, isolada, a biblioteca, por mais perfeita que seja (esta é a visão de
muitos bibliotecários), pode muito pouco. Só com o apoio, a união, a cooperação, o
compartilhamento dos recursos, é que a biblioteca poderá atingir o ideal moderno de
intermediária da informação, e não ser apenas uma pequena coleção (todas as
bibliotecas brasileiras possuem apenas uma pequena coleção).
A grande barreira da inexistência de softwares aplicativos para a área, e após
anos de discussão e tentativas várias, parece ter-se resolvido. Existe porém o
problema da falta de equipamentos, reflexo da insuficiência de recursos alocados
pelas universidades; e por isso persiste o fato de as "bibliotecas brasileiras serem
automatizadas com recursos limitados". A diferença é que agora se utilizam micros,
438

�í

.

-r

não computadores de grande porte, e assim, em última análise percebe-se que houve
muito mais uma deterioração das universidades brasileiras na última década.
A revisão da literatura ainda mostrou que no fmal da década de 80, já se sabia
que somente "as bibliotecas com melhor nível organizacional podem de fato
aproveitar da potencialidade da máquina" e que há aquelas com "indicadores que
recomendam a automação de seus procedimentos técnicos". Constatou-se neste
levantamento o acerto destas afirmações; viu-se que houve grande variedade de
atitudes e opções para a automação, devidas claramente à visão que a Administração
Superior possuía sobre a atuação da biblioteca: para muitas era o caminho ou o
coroamento natural (tudo ou o mais imprescindível) foi-lhe concedido. Outras
tiveram que provar, ou mostrar que podiam fazê-lo, outras ainda tiveram que
conscientizar a Administração Superior dos benefícios da automação. Para essas a
batalha foi bem mais árdua.
Apesar de ter sido apontado no levantamento (questão 2, principalmente)
como o elemento principal de motivação para a automação, o usuário não mais
apareceu de maneira significativa. As Recomendações, de alguma maneira, sanaram
esta falha, mas há necessidade de um envolvimento maior do usuário, desde o
planejamento inicial, até a obtenção de feedback durante a implementação. Os
resultados da participação do usuário no processo de automação das bibliotecas
foram bastante baixos, quando se examina os dados das questões 24 e 25, sobre
estudos de usuários e política de seleção. Como saber o quê o usuário precisa em
matéria de informação, se ele não é consultado; como adquirir fontes, bases de
dados demandadas, de maneira justa, eficiente, racional, sem desperdícios, sem
lacunas importantes, se não se tiver uma política de seleção elaborada por uma
Comissão da qual faça parte número significativo de usuários?
Como foi observado, bibliotecas se manifestaram com grande entusiasmo
sobre a automação do seu sistema - fruto de árduo trabalho de muitos anos. Agora
cabe a elas seguir em frente. E seguindo a literatura: buscando atingir patamares
439

�desejáveis de produtividade e qualidade, para isto mantendo acompanhamento e
avaliação dos resultados do seu trabalho. É a única forma de manter o sistema
ajustado às demandas dos usuários e os recursos do sistema.

Abstract
Describes survey results on the automation of university libraries as part of a CNPq
project. Makes comparative analyses with the previous situation of the 70's and 80's.
Points to the necessery steps in the automation of information systems according to
the national experience.

Key Words: automation; university libraries.

440

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              <text>Descreve resultados de levantamento realizado sobre a situação da automação das bibliotecas universitárias, como parte de projeto aprovado pelo CNPq. Faz análise comparativa com a situação das décadas de 70 e 80. Traça as diretrizes, fases, passos, requisitos necessários à automação de sistema de informação, de acordo com a experiência nacional.</text>
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