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UMA VISÃO ERGONÔMICA DO TRABALHO DO BIBLIOTECÁRIO

Wanja Santos Marques de Carvalho
Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da
Universidade Federal de Santa Catarina. Especialista em Organização Sistemas &amp;
Métodos. Bibliotecária.

RESUMO:
Este artigo pretende apresentar uma visão do que seja o trabalho, maIS
especificamente aquele que é desenvolvido no ambiente das Bibliotecas/Unidades
de informação. Analisa as atividades do profissional nesse ambiente, considerando
os fatores satisfação, motivação e questões relacionadas à qualidade de vida,
fundamentando-se nos conceitos ergonômicos de adequação do trabalho ao homem.
Pretende ainda, evidenciar que, num ambiente psicologicamente e fisicamente
saudável, e onde o homem encontre espaço para o exercício de sua criatividade e
realização profissional, se poderá obter com sucesso um maior envolvimento dos
recursos humanos na produção da qualidade, principalmente nas abordagens
relacionadas aos processos de produção de bens e serviços.

PALA VRAS-CHA VE:

Trabalho bibliotecário; Bibliotecários

- trabalho

-

ergonomia; Produção da Qualidade - Bibliotecas; Processo Produtivo - Bibliotecas;
Bibliotecários - Qualidade de vida - Trabalho.

390

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-

1 INTRODUÇÃO

OS bibliotecários e seus precursores, vêm há séculos trabalhando com a
organização e a disponibilização do conhecimento, e pouco se tem acrescentado às
formas pelas quais as tarefas, desenvolvidas no desempenho da atividade são
executadas e os serviços, prestados. O advento das novas tecnologias está impondo
ao profissional alguns questionamentos à respeito desta realidade. Segundo LUCAS
(1996):

"[ ..J um novo profissional da informação surgirá, se o bibliotecário terá ou
não um lugar vai depender, em parte, da sua capacidade de integração, de sua
especificidade como especialista no manejo da informação. "
O que pretendemos então com este trabalho, é apresentar uma outra
abordagem para análise do trabalho do bibliotecário, de forma que se identifique
alguns fatores que levam o profissional a níveis de conflito e angústia, em prejuízo
de

seu desempenho, afetando

sua auto-estima,

comprometendo

ainda

e

produtividade e a qualidade do produto de seu trabalho.
Nesta análise do trabalho do bibliotecário, utilizamos a técnica da observação
exploratória, formulamos hipóteses e sistematizamos a observação. A revisão de
literatura na área foi relevante, para que obtivéssemos pontos de vista sobre a
profissão, e as caracteristicas das tarefas executadas em diferentes ambientes.
Desta forma, apresentaremos as atividades básicas desenvolvidas em
Bibliotecas/Unidades de Informação, de modo que se possa ter uma visão global dos
seus macro processos. Faremos uma rápida apresentação do histórico de estudos
acerca das condições de trabalho do homem, até o advento da Ergonomia como
ciência e, com base em conceitos ergonômicos, analisaremos as questões de
realização profissional , qualidade de vida do bibliotecário e de como estas questões
são fundamentais para que se obtenha espontaneamente uma maior participação do
profissional na implantação de programas de melhoria que se pretenda introduzir,
com fms de garantir a qualidade dos produtos gerados no desempenho de suas
atividades diárias.
391

�2IDSTÓRICO
O trabalho, em sua concepção mais simples, tem sido visto pelo homem
como "um mal", necessário à manutenção das suas condições de sobrevivência. Fato
que se justificava pelas condições em que esse trabalho era desenvolvido e
considerando-se que em grande parte, exigia o uso da força física, apresentando
como conseqüência um maior índice de ocupação da mão-de-obra masculina.
A análise metodológica do trabalho humano, teve início nos primeiros anos
do século

xx,

com Frederick Wislow Taylor, que propunha uma administração

científica, com modelos pré-definidos de processos de produção, onde se
prescrevessem todas as características de um posto de trabalho. Porém, a única
preocupação com o trabalhador era referente as questões da fadiga muscular,
ignorando a participação mental na execução da tarefa.
O movimento que se evidenciou em contraposição a proposta de Taylor, foi o
da Escola das Relações Humanas de Elton Mayo, nos anos 20. Enfatizava as
necessidades afetivas e de reconhecimento pelo serviço realizado, argmnentando que
paralelamente a introdução da tecnologia, para aumentar a produção, a
administração deveria apresentar propostas que contemplassem as necessidades
pessoais do trabalhador .
Mais recentemente, Chris Argyris, um respeitado teórico da administração,
nos Estados Unidos, analisou a organização do trabalho, sob a ótica do que ele
chamou de "atitudes típicas de imaturidade"; tarefas rotineiras; obediência cega à
detenninações; regras excessivas; etc., onde considerava que manter as pessoas
imaturas é uma atitude própria da natureza das organizações formais onde
prevalecem as estruturas hierarquizadas. Isto se dá, pelo fato de que as organizações
são criadas com um propósito, e o alcance deste depende do controle de atitudes
coletivas. Nesse sentido, o trabalhador é "forçado" a se encaixar nas tarefas
concebidas para consecução dos processos de produção. Preocupado com estas
observações, Argyris, sugere a criação de um clima de trabalho, em que todos
tenham oportunidade para crescer e amadurecer como pessoas, como membros do
392

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grupo, atendendo sua próprias necessidades enquanto concorrem, espontâneamente,
para o alcance dos objetivos da organização.

3 BmLIOTECAS E SERVIÇOS BmLIOTECÁRIOS

''Biblioteca é um complexo centro de operações que inclui uma linha de
operação e processos técnicos, e também, em tempo integral, atividades de relações
públicas, criação e pesquisa. " (SOUZA, 1993)

Basicamente, independente de suas características fisicas, pertinência do
acervo ou especialidade, os serviços desenvolvidos em grande parte das
Bibliotecas/Unidades de Informação, se restringem as seguintes áreas:
a) Administrativa, visando o planejamento, organização e administração dos
serviços necessários ao seu pleno funcionamento.
b) Formação e manutenção do acervo, ocupando-se da aquisição por compra,
doação, permuta do material bibliográfico e multimeios.
c) Preparo técnico do acervo, que processa a representação descritiva e temática dos
documentos e disponibiliza os mesmos para utilização.
d) Atendimento e Referência, onde se caracteriza a missão da biblioteca, que é: o
atendimento ao usuário através da assistência pessoal; instrução formal e/ou
informal sobre o uso da biblioteca; facilitação do acesso à informação e fontes
bibliográficas através de pesquisas em bases de dados e cooperação entre
instituições; educação do usuário quanto ao uso adequado dos recursos da
biblioteca; instrumentos de alerta e disseminação da informação; comunicação
visual da biblioteca; e serviços de marketing.
Na literatura analisada, observamos que há uma preocupação básica com os
processos que se desenvolvem no sistema e, que refletem diretamente no que se
produz. FERNANDES (1993) afIrma que "[ ..] os maiores problemas das
bibliotecas são a baixa freqüência nessas bibliotecas, o baixo índice de demanda, a
falta de hábito de leitura e a falta do hábito de pesquisa. Esses problemas ocorrem
também porque a maioria das nossas bibliotecas continua preocupada apenas com
393

�processos técnicos, relegando a planos inferiores o atendimento aos usuários. Ao
que parece essa bibliotecas continuam assumindo postura semelhante a que tinham
em séculos passados, ou seja a idéia de que a tarefa da biblioteca está concluída
quando os documentos são coletados, tratados e expostos nas estantes."
Sendo que, se atribui ao coletivo a responsabilidade pelo desempenho,
omitindo-se a individualidade e a existência de um processo sistemático e
participativo que resulta em questões diretamente relacionadas aos produtos da
organização, que devem ser produzidos ou realizados (serviços).
SOUZA (1995) nos apresenta uma biblioteconomia, ou seja, o exercício do
trabalho na biblioteca, como: " [ ..} uma prática dependente de normas, códigos,
sistemas terminológicos pré-definidos, os quais supõem uma aplicação infinita aos
casos tidos por semelhantes ou comuns. Nesse tipo de atuação, é muito difícil falarse em liberdade de ação, criatividade ou outras características que decorrem do
livre livre arbítrio ou da livre capacidade de realização e que resultariam de um
ensino

universitário

voltado

ao

conhecimento

humanista

ou

cientifico

descompromissado da preparação profissional-tecnicista. "
Afirma ainda que:
" [..} talvez por isso algumas tentativas de caracterização do bibliotecário
coloquem-se mais sob um ponto de vista mecânico isto é, de mostrá-lo como que
construído a partir de um composto de traços, aptidões, qualidades, etc. a fim de ser
utilizado; e sob um ponto de vista funcionalista, isto é, de mostrar o bibliotecário
como apto para cumprir funções pré-definidas por quem de direito. "
E, continua se reportando a questão da prática bibliotecária vigente, dizendo
que a ênfase na execução de tarefas técnico-administrativas vem negando a idéia de
profissão liberal e humanista. Deixa bem claro quando coloca que:
"[ ..} o profissional bibliotecário, por essas características técnicas tão
rígidas, tendencialmente, não fugirá à submissão e adoção cotidiana de normas
operacionais definidas pelos decisores da política do seu trabalho. E a partir deste
fato, ele próprio não só defenderá a relevância do uso e aplicação de normas, mas
394

�intemalizará, como natural, o sentimento de normatividade bibliotecária, de tal
modo que não saberá se portar sem estes condicionamentos. "

Temos então, a visão de um trabalho que limita a criatividade do executor,
impondo-lhe um comportamento que corresponda as exigências da tarefa. Sobre
estes aspectos alguns autores são enfáticos na apresentação de perfis ideais do
profissional para a execução de determinados serviços. GROGAN (1995) fala de
atributos pessoais do bibliotecário, dizendo que:
"É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado de quanto o mesmo depende inevitavelmente para o seu êxito, dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não em dotes profissionais... , mais
aqueles atributos pessoais humanos, inatos ou adquiridos, como simpatia,
criatividade, confiança e outros mais. "

E vai mais além, diagnosticando que:
"Os bibliotecários de referência que carecem dessas virtudes padecem sob o
peso de uma carga permanente, que amiúde se mostrará tão opressiva que serão
incapazes de se erguerem para atender de modo satisfatório às necessidades dos
usuários. "

Percebemos então que, para alguns autores, o exercício de determinadas
tarefas nas BibliotecaslUnidades de Informação requer que o profissional seja um
modelo acabado, ou que possa ser facilmente adequado as exigências de uma
função.

4 VISÃO ERGONÔMICA DO TRABALHO

o

desenvolvimento de estudos acerca das exigências da tarefa ou das

profissões remonta ao início do século, mais especificamente aos anos 20, quando se
fundou na Inglaterra o Instituto Nacional de Psicologia Industrial, e na França o
Instituto Nacional de Orientação Profissional, cujo objetivo era identificar as causas
dos acidentes e criar mecanismos que evitassem a reincidência. Em 1941,
desenvolveu-se nos Estados Unidos, métodos de recrutamento e seleção das
395

�tripulações da aeronáutica, durante a preparação para entrar na segunda guerra
mundial. Estes métodos foram utilizados anos mais tarde por FLANAGAN, para
formular a "Técnica do Incidente Crítico". Esta técnica é apresentada por PEREIRA
e outros (1980) no estudo de usuários da informação técnico-científica, como
complementação à outros métodos de coleta de dados, para análise do
comportamento diante de uma circunstância. A evolução destes métodos e as
pesquisas desenvolvidas caracterizam o que veio a se chamar de Psicologia do
Trabalho que, com a agregação de pontos de vista de outras áreas do conhecimento,
deu origem a um campo científico que ganhou força em 1949, chamado de
"Ergonomia" .
Em sua ongem etimológica, a palavra ergonomla significa "ciência do
trabalho" e consiste em métodos para análise da questão do trabalho. E segundo
FIALHO (1997), "se destina a resgatar a dignidade dos seres humanos", porque,
pela visão de FOUCOULT, "o teu corpo se toma um corpo útil". O objetivo então, é
a aproximação ótima entre as aspirações das pessoas e as do sistema, com vistas a
continuidade do ciclo produtivo (processar recursos para produzir bens e serviços).
lIDA (1993) diz que:
"[. ..] aspectos do comportamento humano no trabalho e outros fatores são
importantes para o projeto de sistemas de trabalho, que são:

a)O homem - características fisicas, fisiológicas, psicológicas e

SOCIaIS

do

trabalhador; influência do sexo, idade, treinamento e motivação.
b) A máquina - entende-se por máquina todas as ajudas materiais que o homem
utiliza no seu trabalho, englobando os equipamentos, ferramentas, mobiliário e
instalações.
c) O ambiente - estuda as características do ambiente fisico que envolve o homem
durante o trabalho, como a temperatura, ruídos, vibrações, luz, cores, gases e outros.
d) A informação - refere-se às comunicações existentes entre os elementos de um
sistema, a transmissão de informações, o processamento e a tomada de decisões.

396

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e) A organização - é a conjugação dos elementos acuna citados, no sistema
produtivo, estudando aspectos como horários, turnos de trabalho e formação de
eqmpes.
f) As conseqüências do trabalho - aqui entram mais as questões de controles, como

tarefas de inspeções, estudos de erros e acidentes, além de estudos sobre gastos
energéticos, fadiga e "stress". Os objetivos práticos da ergonomia são a segurança,
satisfação e bem-estar dos trabalhadores no seu relacionamento com sistemas
produtivos. A eficiência virá como resultado."
Considerando-se estas afirmações, percebemos que a eficiência não é o
objetivo principal da ergonomia, ela se evidencia na medida em que são adotadas
metodologias durante o projeto da tarefa, assim como para sua operacionalização,
onde existe também uma preocupação com um ambiente fisicamente adequado, que
privilegie as questões relacionadas a qualidade de vida do trabalhador. Desta forma
haverá uma diminuição da incidência de erros, retrabalho e desgaste fisico e mental
do trabalhador. Ao tempo em que vê atendidas essas condições o trabalhador
intuitivamente procurará formas mais práticas de executar suas tarefas, FIALHO
(1997) coloca que:
"[ ..j cada pessoa executa uma tarefa da forma que lhe parece mais

apropriada, então, ao se dimensionar o trabalho deve-se levar em conta a
representação mental do trabalhador. "
Cita ainda três tipos de tarefas:
"a) Tarefa prescrita: objetivos, procedimentos, normas, etc . .
b) Tarefa induzida: representação do indivíduo na tarefa.
c) Tarefa atualizada: particularização do modelo."
Em função de que, teríamos dois tipos de respostas:
"a) Finalizadas: respostas verbais, motoras; tem a ver com a tarefa.
b) Colaterais: tipos de comportamento ( as vezes inconscientes) que podem denotar
"stress" e levar ao erro se não são detectados."

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Desta fonna, fica claro que o trabalho, não pode ser percebido somente por
seus aspectos materiais, como fonte de renda ou pela questão de sobrevivência, mas
sim pelo lado psico-social de se tomar um ser útil, integrado a sociedade e ao
ambiente. Quando se trata do profissional que se capacitou para a execução da
atividade, a expectativa de que ela venha a lhe dar prazer é ainda maior, e
possivelmente sua motivação estará ligada ao alcance destas metas. Na Psicologia
encontramos várias teorias que procuram explicar a questão da motivação para o
trabalho, onde uma série de experiências foram realizadas para justifica-las. Uma
das teorias que nos parece válido citar, por se adequar ao assunto em pauta, é a
expectância-valência. Onde expectância seria:

"Uma avaliação subjetiva das chances ou probabilidades de sucesso que uma
pessoa faz, antes de iniciar uma tarefa. Isso está relacionado com a quantidade de
esforço que seria necessário para se atingir uma meta, como posicionar uma peça
corretamente em uma montagem." E, onde valência seria: "O Significado do
resultado, ganho ou outra conseqüência da atividade pela qual a pessoa acha que
vale a pena realizar essa atividade. A valência seria uma combinação de motivos e
recompensas e dependeria da experiência pessoal e da realimentação. Geralmente
a atividade não tem valor por si só, mas pelas suas conseqüências como
recompensas materiais, ganho ou reconhecimento social. " (IlDA, 1993)
O conhecimento destes fatores é relevante para o projeto da tarefa, uma vez
que é reconhecido que uma das maiores causas de "stress" entre os trabalhadores, é a
dificuldade encontrada para a realização de seu trabalho e o atendimento às suas
exigências. Quando o trabalhador esgota toda sua capacidade se ajustar aos
requisitos da tarefa, ele entra em ansiedade progressIva, apresentando uma
diminuição visível em sua capacidade de cooperação com o grupo e na sua
capacidade de tomar iniciativas.

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5 A QUALIDADE DE VIDA DO BmLloTEcÁRIO NO TRABALHO

Toda análise do trabalho parte de uma discussão, pois a questão é elencar os
fatores que estão levando a produção de falhas, sejam elas técnicas, pessoais ou
organizacionais. Temos aqui que considerar, para análise do trabalho do
bibliotecário: a adequação de sua formação ao efetivo exercício da profissão; os
impactos das novas tecnologias na configuração de seu ambiente de trabalho e no
desempenho de suas atividades; seu conhecimento e/ou desconhecimento do
mercado de trabalho; sua auto-imagem; seu nível de interação com seus pares e
outras áreas científicas; e o conhecimento/desconhecimento de seu papel social e
suas alternativas futuras.
Como já foi referenciado, a ergonomia agrupa conceitos que através de sua
aplicação na adaptação dos métodos, meios e ambientes de trabalho, servem para
reduzir ou eliminar os riscos profissionais à saúde através da redução da fadiga, seja
ela ocasionada pela elevada carga física ou pela carga psíquica de trabalho.
Os profissionais de informação, inclusive o bibliotecário, estão diretamente
expostos aos impactos de um trabalho onde não se pode falar em rotina. Pois, os
usuários de sistemas de informação, têm interesses diferenciados e suas
necessidades e expectativas apresentam um elevado grau de variação.
Analisando-se o desempenho do bibliotecário em seu ambiente de trabalho,
percebemos que para quase todas as áreas especificas, e que são básicas em todas as
BibliotecaslUnidades de Informação, há uma exigência de perfil: para a área
administrativa, se deseja que o profissional tenha capacidade de mando e liderança;
para a de processos técnicos, que tenha raciocínio lógico e amplos conhecimentos
gerais; para a de referência, que tenha boa educação, seja atencioso e que, como diz
GROGAN (1995) à respeito de uma lista de atitudes necessárias, "tenha
imaginação". Percebemos então, que para o profissional, é um pouco difícil exercer
uma atividade onde sempre se espera dele que corresponda ao modelo.
Reportando-nos aos conceitos ergonômicos de trabalho, verificamos que esta
ocorrência implica em ansiedade e sentimento de inadequação, fazendo com que o
399

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profissional sinta-se desmotivado e pouco receptivo à mudanças. Seus objetivos
pessoais e de realização profissional dificilmente encontram amparo neste ambiente.
Num cenário de concorrência com profissionais que em virtude de sua
capacitação formalizada, detém maiores conhecimentos sobre o processamento da
informação e da inovação tecnológica, o bibliotecário e afetado diretamente na
operacionalização dos processos produtivos, onde a mecanização vem produzindo
impactos no fazer e no saber já constituídos.
Ocorre então, que qualquer esforço direcionado para a melhoria da qualidade,
só será efetivo se encontra ambiente adequado, qual seja; predisposição à aceitação
de novos conceitos; trabalho em equipe; conhecimento dos processos de produção;
comprometimento pessoal; liderança adequada. Isto só se conseguirá se tivermos por
base do trabalho organizado, o gerenciamento de processos com a utilização de
práticas que se antecipem as exigências e normas legais, e que sejam voltadas para o
respeito ao ser humano e que pressuponha uma contínua melhoria no bem estar do
trabalhador em seu ambiente, com conseqüente reflexo na sociedade, não só por
retomarmos a ela um indivíduo fisicamente saudável, mas também pela adequação
dos produtos que estarão sendo disponibilizados.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo desta análise do trabalho do bibliotecário, sob o ponto de vista da
ergonomia,' seria o de reproduzir um conhecimento formal acerca do modo pelo qual
pode-se utilizar conhecimentos derivados de áreas correlatas, para questionar a
maneira pela qual se vêm trabalhando as transformações que ocorrem em nosso
ambiente de trabalho, e das quais nos vemos excluídos pela autocracia das gerências.
Isto prejudica as relações com a organização, influenciando diretamente o
comportamento individual.
A implantação de mudanças organizacionais poucas vezes analisa os efeitos
sócio-afetivos no trabalhador. A gestão da qualidade, numa acepção prática e viável,
ainda é um privilégio de poucos.

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Queremos então recomendar, ao se planejar e projetar atividades, que se
identifique os fatores motivacionais nos ambientes de trabalho, de forma que o
desempenho das tarefas sejam iniciativas do profissional e, que ele as considere uma
forma de exercer sua criatividade e capacidade de inovar. A observação dos
conceitos ergonômicos é fundamental para que se obtenha uma aproximação entre o
desejado e o obtido.
O planejamento de sefVlços em BibliotecaslUnidades de Informação tem
modelos derivados do tecnicismo da profissão, que deixam pouca ou nenhuma
margem de ação para o profissional. A parte criativa da profissão é praticamente
exercida no que se denomina Referência, ou seja, o ambiente onde o profissional
interage com o cliente/usuário. Ainda assim, as limitações são impostas pelo próprio
conteúdo do trabalho que é sempre formulado com base na demanda.
Consideramos então, que as condicionantes ambientais e psicológicas de exercício
do trabalho tem um reflexo direto na forma pela qual os resultados deste trabalho se
apresentam. Isto traz conseqüências visíveis em situações onde se pretenda obter do
profissional, resultados positivos em situações de mudança, principalmente se elas são
derivadas da adoção de novos métodos de execução de tarefas, e da adoção de novas
tecnologias que venham interferir diretamente na forma pela qual os processos são
finalizados. SUAIDEN (1990), mostra um pouco desta inquietação: "Racionalidade no
trabalho, aumento de produção, melhor controle e maior facilidade para armazenar e
disseminar a informação são as grandes vantagens que as novas tecnologias de informação
oferecem para a sociedade. No entanto, ainda não se sabe exatamente se as novas
tecnologias da informação poderão de fato democratizar a informação e se os profissionais
terão melhores condições de trabalho."
O reconhecimento da importância dos recursos humanos com suas peculiaridades,
capacidades e limitações, será com certeza um importante passo para que se comece a falar
em qualidade de vida no trabalho, assim como, metodologias para o desenvolvimento de
programas de trabalho, que privilegiem as habilidades de cada um, indiretamente estarão
sendo voltadas para a satisfação plena dos interesses da organização e de seus clientes.

401

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403

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Este artigo pretende apresentar uma visão do que seja o trabalho, mais especificamente aquele que é desenvolvido no ambiente das Bibliotecas/Unidades de Informação. Analisa as atividades do profissional nesse ambiente, considerando os fatores satisfação, motivação e questões relacionadas à qualidade de vida, fundamentando-se nos conceitos ergonômicos de adequação do trabalho ao homem. Pretende ainda, evidenciar que, num ambiente psicologicamente e fisicamente saudável, e onde o homem encontre espaço para o exercício da criatividade e realizaçao profissional, se poderá obter  com sucesso um maior envolvimento dos recursos humanos na produçaio da qualidade, principalmente nas abordagens relacionadas aos processos de produção de bens e serviços.</text>
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