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                  <text>QUALIDADE TOTAL EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS A
FILOSOFIA DE DEMING E A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: uma
nova relação em busca da gestão da qualidade.
Edna Gomes Pinheiro
Profa. do Curso de Biblioteconomia da UFC. Especialista em Sistemas de
Informação Automatizados em Ciência e Tecnologia. Especialista em
Administração de Bibliotecas Públicas e Escolares

Maria de Fátima Oliveira Costa
Profa. Adjunto IV do Curso de Biblioteconomia da UFC. Mestre em Sistemas de
Bibliotecas pela Universidade Federal da Paraíba

Enfoca-se a importância de se conhecer e aplicar a qualidade nas organizações,
principalmente naquelas que buscam solucionar problemas relacionados com a
questão de sobrevivência e de ocupação de um espaço no mercado. Analisa o
método de Deming na administração e sua aplicabilidade no trabalho informacional,
com vistas a otimização nos resultados e ao melhor desempenho ou performance na
produção dos serviços e produtos gerados pelas bibliotecas universitárias.
Enfatizam-se os 14 pontos de Deming como procedimentos para que gerentes de
informação assimilem o seu efeito transformador no intuito de alcançar um
"processo produtivo" eficiente e eficaz.

Palavras-chaves: Método de Deming; Qualidade, Biblioteca Universitária

344

�1 INTRODUÇÃO

Vivemos uma época de profundas inquietações, onde as reais necessidades do
homem e das organizações se modificam com a explosão permanente dos processos
de mudança e a constante inovação tecnológica. A rápida evolução dos fatos faz
com que as organizações passem a conviver com ambientes de turbulência, onde as
adversidades

sócio-econômicas,

políticas

e

culturais,

e

o

aumento

da

competitividade e das exigências precisam ser superadas.
As mudanças estão acontecendo de forma tão profunda e de maneira tão
avassaladora, que fazem as organizações encararem o processo de transformação
como inevitável. Conseqüentemente, para permanecerem no mercado, geram
mecanismos e soluções consistentes e criativas para garantir novas oportunidades de
sobrevivência.
Trata-se de uma revolução cultural, intimamente ligada à implantação de uma
cultura de mudança com consistência lógica, emocional e ética, comprometida com
a inovação tecnológica, com o gerenciamento da qualidade total, com a adoção de
novas filosofias, de novos suportes administrativos e, ainda, com o aperfeiçoamento
contínuo e o expurgo de atitudes passivas, acomodadas e individualistas.
Para viabilizar o processo de transformação, as empresas necessitam apoiarse em técnicas administrativas que orientem seus esforços em busca da
lucratividade. Todavia, estas técnicas, por si, não surtem efeito; é preciso acrescentar
auto-conhecimento,

diálogo

permanente,

aberto

e

receptivo,

liderança

e

compromisso com a melhoria da qualidade.
Diante desta realidade, precisamos repensar as organizações, na tentativa de
avaliá-las e reformulá-Ias. A partir de considerações desta natureza e do aumento
constante da crise nas instituições, este trabalho se propõe a questionar situações,
atitudes e conceitos acreditados, no intuito de revitalizar as bibliotecas universitárias
que, embora não sejam exatamente instituições econômicas, enfrentam, também,
sérias dificuldades ao lidarem com as chamadas leis da oferta e procura.

345

�Seria a filosofia da melhoria da qualidade um instrumento válido para
revitalizar as bibliotecas universitárias? O fato de encontrarmos inúmeras empresas
sendo renovadas com a incorporação desta filosofia, principalmente, com a adoção
dos princípios de Deming, talvez responda a esta pergunta.
Por este e outros motivos, resolvemos escolher os caminhos de Deming, mais
especificamente os seus Quatorze Pontos, para repensar o ambiente administrativo
das bibliotecas universitárias, em relação ao processo da melhoria da qualidade do
seu sistema gerencial.
Este estudo está divido em quatro etapas: a primeira compreende a parte
introdutória que enfatiza o porquê do estudo; a segunda diz respeito ao referencial
teórico e a importância da qualidade na organização; a terceira trata do método de
Deming de administração e a possibilidade de um mundo organizacional melhor e, a
última insere a filosofia de Deming no contexto da biblioteca universitária,
analisando os aspecto da qualidade e a sua contribuição nesse ambiente
organizacional

2 QUALIDADE: " Mais do que uma questão gerencial, uma questão
educacional. "

Na administração, a cada década existe uma palavra de ordem encarada como
o termo da moda. Nos anos 60, o marketing era a palavra mágica para combater os
concorrentes. Na década de 70, a ênfase estava na produção. Nos anos 80 foi a hora
e a vez da qualidade como mola mestra no vocabulário das organizações.
Hoje ela continua na rotina das empresas. E não deve ser considerada como
modismo de épocas, e sim, como o produto de todos os esforços realizados dentro de
uma empresa.
Apesar do termo qualidade ser de dificil conceituação, por apresentar uma
série de defmições que contribui para a complexidade do seu entendimento;
atualmente, o conceito de qualidade é aplicado em todos os setores e em todos os

346

�tipos de organizações (públicas, privadas, grandes, pequenas, lucrativas e não
lucrativas etc.)
Nos livros de administração, há espaço considerável enfocando as várias
tenninologias de qualidade. A qualidade total é a mais usada, com seus respectivos
jargões: TQC (Total Quality Control), TQM (Total Quality Management). Assim,
para nos familiarizarmos melhor com a qualidade, resolvemos embasar nosso
pensamento em termos de referenciais teóricos.
Autores clássicos como Deming e Juran são considerados os gurus da
qualidade. Enquanto Juran fundamenta seus princípios na trilogia: planejamento,
controle e melhoria de qualidade para identificar e solucionar problemas da
organização, Deming centraliza sua filosofia nos recursos humanos da empresa e
enfatiza que o homem é o componente mais importante na defmição do destino da
organização. Adepto da melhoria continua, afirma que "a produtividade aumenta à
medida que a qualidade melhora. Há menos retrabalho e não há tanto desperdício
(... ) a melhora da qualidade transfere o desperdício de homens-hora e tempomáquina para a fabricação de um bom produto e uma melhor prestação de serviços."
(Deming, 1991, p.l)
Segundo Juran (1990, p.12) "qualidade é a adequação ao uso." De acordo
com o autor, existem vários usos e usuários, sendo que o termo cliente abrange todos
aqueles que são afetados por processos e produtos. Estão incluídos nesta categoria
todas as pessoas que pertencem ou não a empresa.
Lobos (1991, p. 2) diz: "qualidade é tudo o que alguém faz ao longo de um
processo para garantir que um cliente, fora ou dentro da organização, obtenha
exatamente aquilo que deseja em termos de características intrínsecas, custo e
atendimento" .
Mirshauwka (1988, p.l) foi um dos primeiros estudiosos da qualidade no
Brasil. Analisou os 14 Pontos de Deming quanto a forma como devem esses pontos
serem aplicados à manufatura; desenvolveu as tendências no que se refere a
qualidade e indicou dez mudanças principais na ênfase da qualidade. Nessas
347

�tendências apresentou um quadro demonstrativo de como as coisas ocorriam antes
da mudança e fez um paralelo com o presente. Ainda, baseado nos 14 Pontos de
Deming, desenvolveu uma análise direcionada para os serviços, pontuando mais as
áreas da saúde e educação.
F ace a estas conceituações, podemos dizer que qualidade é algo muito
concreto. É a ação transformadora da realidade. É o resgate da dignidade de todos.
De quem produz, de quem usa e da própria instituição que se propôs servir a uma
determinada comunidade. Conseqüentemente, o que podemos observar é que, pelo
ato de a qualidade estar por trás da idéia de aperfeiçoamento constante e da
administração participativa, para que as organizações encontrem condições de
sobreviver e se desenvolver num ambiente de mudanças, ela pode ser amplamente
discutida e implantada no ambiente das Bibliotecas Universitária~.
É impossível pensar Biblioteca Universitária hoje, sem que se considere o
cliente satisfeito com qualidade. Isto é o maior desafio que ela terá que enfrentar
para o seu reconhecimento, sua credibilidade e participação efetiva dentro do
contexto universitário.

3 O MÉTODO DEMING DE ADMINISTRAÇÃO: a visão de um mundo
melhor.
Toda organização tem sua própria historia e, na medida que se estrutura,
adquire identidade, tradições e padrões de comportamento. E, para alcançar seus
objetivos, precisa ser organizada e administrada, por meio de processos e
instrumentos eficazes, hábeis de materializar suas ações.
Diante deste imperativo, é mister que novos instrumentos de ação sejam
incorporados nas atividades das empresas. É necessário que novos princípios e
filosofias sejam adotadas e uma delas é a filosofia da qualidade que desponta para
contribuir, efetivamente, no sentido de acelerar o processo de desenvolvimento das
organizações. A aplicação desta filosofia pode trazer muitas vantagens tais como:
melhoria no ambiente de trabalho, na qualificação dos empregados, no grau de
348

�comunicação interna, nas relações de trabalho, enfIm, pode acarretar lucros para
todo o corpo social da organização.
Dentro desta perspectiva, nasce a oportunidade de trabalhar a filosofIa da
qualidade nas bibliotecas universitárias. Para tanto, é preciso levar em consideração
a cultura da instituição, revisar os pressupostos a respeito de "como obter qualidade"
e, fInalmente, estruturar o programa de qualidade escolhido de forma critica, não só
a partir das experiências de outras empresas, mas, especifIcamente, da realidade
contextual e da "leitura" do ambiente organizacional que desejamos reformular.
No esforço de difundir os 14 Pontos de Deming como instrumento
indispensável para obtenção da melhoria da qualidade nas bibliotecas universitárias,
resolvemos salientar a sua história, por ser importante para a total compreensão
deste estudo.
Deming foi um pioneiro na divulgação dos conceitos de qualidade. Norteamericano, W. Edwards Deming participou do programa estratégico dos Estados
Unidos na 2a. Grande Guerra, como estatístico. No fIm dos anos 40, ele divulgou,
no Japão, seus conceitos estatísticos voltados para a qualidade; assim sendo, o Dr.
Deming ministrou curso sobre métodos de controle de qualidade. O evento logrou
êxito e, em 1952, J. M. Juran, outro norte-americano, também a convite dos
japoneses, prestou assessoria na área. O solo foi fértil: depois de 20 anos, o Japão,
após emergir do conflito da Grande Guerra com graves feridas, surgiu com produtos
de qualidade e, hoje, inspirados pelas idéias dos dois norte-americanos, é campeão
no ramo.
Destarte, os princípios de Deming ajudaram o Japão a compartilhar suas
descobertas técnicas cientifIcas, confIgurando, portanto, a era do progresso, a era do
"saber, do fazer e do conhecer" com qualidade.
Scherkenbach (1990, p.4), estudioso e entusiasta dos Princípios de Deming,
afrnna que eles são aplicados a todos os processos e áreas. Mas, cabe a nós o papel
de identifIcá-los, compreendê-los e analizá-Ios profundamente, a fIm de captarmos
integralmente a mensagem e empregá-la efIcazmente dentro das organizações. Ele
349

�desdobra e trabalha os 14 Pontos, que são a essência do pensamento de Deming,
com o propósito de nos motivar a aprender e a exercitar como melhor conduzir as
organizações pelas quais somos responsáveis.
Alguns autores asseguram que a filosofia de Deming adequa-se perfeitamente
às necessidades dramaticamente crescentes das organizações de "produzir mais, por
menos e com qualidade" . É preconizada para superação de estágios incipientes em
qualidade e produtividade, para arrancar da estagnação sistemas emperrados, para
minar resistências à modernização.
A partir de então, temos condiçoes de comprender melhor a importância da
aplicação e adequação destes princípios para o trabalho informacional como um
instrumento estratégico para a melhoria da gestão da qualidade das bibliotecas
universitárias.
Desponta, agora mais do que nunca, a necessidade de organizar e disseminar
essa trilogia "saber, fazer e conhecer" em relação aos 14 Pontos de Deming, a fim de
acelerar o processo de desenvolvimento e crescimento destas instituições.
Portanto, chegou a hora de a biblioteca universitária construir ações
conjuntas, organizadas e pertinentes para que o caminho ideal, e não ilusório, seja
alcançado. Na descoberta deste caminho "tão desejado", não basta preparar-se
tecnicamente; é indispensável a sensibilização humana, na perspectiva do
engajamento de todos os envolvidos nos seus processos.

4 (RE)CONHECENDO O PERFIL DOS CATORZE PONTOS DE DEMING

O compromisso da organização com sua missão de serviços, concretizado nas
ações empenhadas em anteceder, atender e exceder as expectativas e necessidades
dos clientes é um referencial para as bibliotecas universitárias aplicarem os 14
Pontos de Deming, na redução dos seus problemas práticos e na busca da verdadeira
espiral da qualidade.
Pontuamos, neste capitulo, como os catorze princípios básicos de Deming,
utilizados para a renovação das empresas, de um modo geral, podem ser apropriados
350

�ao esforço de melhoria da qualidade da biblioteca universitária. Esta qualidade só
poderá ser construída com bases sólidas na avaliação de produtos e serviços
oferecidos aos clientes.
Para isto, é necessário que as bibliotecas universitárias extrapolem os limites
da estratégia convencional, procurem visualizar o futuro e criar mecanismos para
alcançar seus propósitos. Os princípios de Deming são 14 forças poderosas que,
apontadas para a mesma direção, podem determinar o nível de sucesso destas
bibliotecas e a excelência duradoura de seus serviços.
Depois destas referências, cabe a estas bibliotecas estabelecer uma estrutura
adequada à nova filosofia e dar os primeiros passos em busca da melhoria seguindo
os seguintes caminhos:
01. Estabelecer constância de finalidade para melhorar o produto e serviço - Este

ponto é fundamental para uma empresa que pensa no futuro . Para tanto, exige:
inovação, pesquisa e educação, constante aperfeiçoamento do produto e serviços e
manutenção dos equipamentos e instalações. Este princípio possibilita à biblioteca
universitária o planejamento adequado dos serviços e produtos dentro de uma nova
ótica, ou seja, prever, ter uma visão holística, atender às necessidades dos clientes.
Assim, o esforço da biblioteca universitária em embutir a busca da qualidade na sua
política organizacional requer uma avaliação da sua missão em termos de
comprometimento e fidelidade. Deverá repensar e revitalizar seus objetivos.
Redescobrir o sentido de suas atividades e executá-las com responsabilidade.

02. Adotar a nova filosofia - Diz respeito as exigências no controle da produção. A

qualidade não acontece por si só. Ela deve ser construída no dia-a-dia da empresa. A
biblioteca universitária ao

se orientar por este princípio deve adquirir,

evidentemente, uma nova postura administrativa; precisa acordar para o desafio, ter
responsabilidades e assumir a liderança para melhorar. Através de uma nova
filosofia, ela poderá redesenhar suas atividades e seus processos; simplificá-los,

351

-~------~--

�agilizá-los e tomá-los mais eficazes, a fim de identificar e satisfazer as necessidades
dos seus clientes.

03. Acabar com a dependência da inspeção em massa para garantir a qualidade
Como em toda empresa, a inspeção e o controle não produzem qualidade.
Apenas verificam sua existência ou não. Desta forma o que importa para as
bibliotecas universitárias é fazer com que as pessoas não precisem ser mais
controladas e sim educadas para se tomarem capazes de monitorar a qualidade do
que fazem. Não é necessário inspecionar o produto acabado, pois a qualidade não
deriva da inspeção e sim da melhoria do processo produtivo. Ela não melhora a
qualidade, apenas traz prejuízo e retrabalho e não constitui ações corretivas sobre o
processo. Exemplo disto ocorre quando, nas bibliotecas universitárias, se realiza a
inspeção para evitar o vandalismo ou destruição das obras. Uma forma melhor de
evitar o problema seria criar campanhas educativas no sentido de sensibilizar o
usuário para o fato. Fazer com que eles entendam os prejuízos e as conseqüências de
tal atitude.

04. Cessar a prática de avaliar as transações apenas com base nos preços -

É minimizar o custo total a longo prazo. Neste contexto as bibliotecas
universitárias precisam saber qual o resultado a longo prazo do custo que elas têm.
Preocupar-se, apenas, com resultados a curto prazo poderá privá-las de uma
estrutura necessária à produção de lucros duradouros. Elas devem entender que
comprar pelo menor preço nem sempre significa economia. Elas têm que se
preocupar com outras questões tais como: durabilidade, suporte, impressão etc. As
escolhas devem recair, em cada caso, naquilo que melhor satisfizer as necessidades,
interesse e exigências do usuário. Por exemplo: os profissionais da informação,
responsáveis pela aquisição, devem eliminar a política de sempre procurar os
menores preços, sem considerar a qualidade e o serviço.

352

�05. Melhorar sempre e constantemente o sistema de produção e servIços - A

qualidade deve existir no produto já na etapa do projeto. Todo produto deve ser
encarado como parte de um todo. O trabalho em equipe é essencial no processo
produtivo, que deverá ser sempre expandido e aperfeiçoado. Instituir a melhoria
contínua nas bibliotecas universitárias é fazê-las concentrar-se no fundamental, nas
coisas vitais, para que elas possam entender os princípios básicos da qualidade e
desenvolver habilidades necessárias para implementá-los. Para tanto, é necessário:
conhecer efetivamente as necessidades dos usuários, dispor de uma estrutura
adequada às ações que deseja realizar e traçar processos devidamente identificados e
gerenciáveis.

06. Instituir o treinamento e o retreinamento - Este princípio refere-se aos

fundamentos para o treinamento da administração e dos funcionários novos. O
treinamento deverá ser sempre instituído na empresa, a fim de evitar desperdícios de
conhecimentos e de esforços. O treinamento é um instrumento de desenvolvimento
pessoal. O desafio que esta função enfrenta é justamente o de conciliar as
necessidades pessoais e profissionais do trabalhador com os objetivos declarados da
organização. Este item é indispensável à implantação da gestão de qualidade nas
bibliotecas universitárias. Portanto, elas devem treinar seus funcionários antes de
lhes atribuir a responsabilidade de um cargo. O treinamento deve fazer com que eles
compreendam as políticas da empresa e as necessidades de seus clientes. Citaremos
alguns exemplos ligados diretamente a questão do treinamento dos funcionários das
bibliotecas universitárias: Desperdício de tempo do cliente nas filas de empréstimo;
erros no preenchimento de pedidos de documento; demora para prestar informações;
erros no arquivamento de documentos nas estantes; demora no processamento
técnico dos documentos. Resumidamente, podemos afIrmar que estas bibliotecas
devem treinar seus funcionários através de metodologias apropriadas, capacitandoos para o pensamento critico e o trabalho em equipe.

353

�07. Ponto - Adotar e instituir a liderança - A liderança é condição absolutamente

necessária para o desenvolvimento da empresa, porque estimula a revalorização.
Assim, a gerência das bibliotecas universitárias deve caracterizar-se por uma
liderança absoluta, capaz de sensibilizar todas as pessoas para assumir o
compromisso de produzir qualidade. Os gerentes destas instituições devem: ajudar
as pessoas, máquinas e dispositivos a realizarem um trabalho melhor, gerar uma
estrutura flexível, e adotar uma administração participativa para obter um novo nível
de relação com os clientes.

08. Mastar o medo, de modo a que todos possam trabalhar eficazmente na empresa -

O desperdício causado pelo medo é enorme. A sua eliminação ou minimização deve
ser um dos primeiros caminhos a ser obedecido porque ele afeta nove dos demais
pontos de Deming. O medo impede as pessoas de servir aos interesses da empresa.
Neste sentido, o gerente e os funcionários das bibliotecas universitárias devem fugir
do medo de descobrir e de aceitar problemas e de buscar verdades, do medo da
consciência, do medo da própria limitação e da limitação do sistema, do medo da
avaliação negativa e do conhecimento das necessidades e expectativas dos clientes.
O medo assume várias facetas degeneradoras, gera timidez e ansiedade.

09. Romper as barreiras entre os diversos setores de pessoal - Este ponto tem uma

ligação intima com o ponto oito. É também uma condição necessária para a melhoria
da qualidade; embora não seja suficiente para controlá-la em toda a empresa.
Incentivar o trabalho em equipe é uma necessidade crucial na organização. As
bibliotecas universitárias deverão assimilar este princípio no sentido de criar um
espírito de cooperação, participação e responsabilidade solidária. A equipe deve
conhecer a função, a importância e os problemas de todos setores da biblioteca;
fazer com que todos entendam que a cooperação é benéfica a cada um. Um exemplo
palpável desta situação pode ser ilustrado nas bibliotecas universitárias, através das
ajudas que o setor de empréstimo pode oferecer ao setor de aquisição e seleção. Ele
354

�serve de fonte de infonnação importante no diz respeito aos problemas enfrentados
pelos usuários em relação a: multas por atraso das obras; sugestões dos documentos
a serem adquiridos e qualidade dos serviços oferecidos.

10. Eliminar slogan, exortações e metas para os empregados - Os slogan cartazes e as

exortações não ajudam a melhorar o trabalho; ao contrário, provocam frustrações,
criam hábito de ansiedade e ressentimento entre as pessoas. Palavras não produzem
qualidade nem induzem as pessoas a praticá-la. A biblioteca universitária deve-se
preocupar em educar as pessoas para uma mudança de comportamento. Assim, elas
terão dentro delas mesmas um motivo para ser produtoras da qualidade. Sensibilizar
as pessoas, atuando nas suas emoções é condição essencial para se obter mão-deobra real, com enonne impulso de progresso.

11. Suprimir as cotas numéricas - Deve-se defInir, ao invés de cotas, o que é e o que

não é aceitável em tennos de qualidade. Pois, defInições de cotas numéricas
sufocam a auto-realização. A qualidade não se identifIca, necessariamente, com a
quantidade. Está pode até comprometê-la e impedi-la. Os profissionais que atuam
nas bibliotecas universitárias não devem agir apenas em função do calendário, das
horas de trabalho e nem, tão pouco, devem ser pressionados por números, mas, pela
responsabilidade de produzir algo de que possam se orgulhar em fazer.
Exemplificando: o catalogador não pode se preocupar apenas em catalogar um certo
número de documentos por dia; deve-se preocupar, também, com outros fatores que
agregam valor à atividade executada.

12. Remover as barreiras ao orgulho da execução - Os empregados muitas vezes

sabem o que está errado dentro da empresa, mas não podem mudar a situação. É
preciso que os administradores escutem as suas sugestões e opiniões e ofereçam
subsídios para que eles passem a se envolver mais efetivamente no desenvolvimento
da empresa. As barreiras que se interpõem à realização profIssional podem causar
355

�sérios danos na redução de custos e melhoria da qualidade nas bibliotecas
universitárias, haja vista as pessoas e o que elas fazem serem o seu principal
patrimônio. É preciso deixar que as pessoas se sintam livres e responsáveis para
participarem do processo de revitalização da biblioteca.

13. Instituir um solido programa de formação e auto-desenvolvimeto - As pessoas

necessitam de uma nova formação e a administração deve sempre submetê-las a um
novo aprendizado. Os administradores devem-se conscientizar da real importância e
do potencial de um programa de formação e retreinamento para o desenvolvimento
organizacional. À medida em que as bibliotecas universitárias passam a trilhar a
estrada da melhoria contínua, precisam investir no seu patrimônio mais importante:
as pessoas. Estimular o estudo e a busca do aperfeiçoamento continuado. A
atualização permanente é uma questão de responsabilidade profissional. Este
princípio se aplica tanto aos gerentes quanto aos funcionários destas instituições. A
educação continuada é obrigação de todos aqueles que optaram em trabalhar nestas
bibliotecas. Somente, ela é capaz de criar a nova cultura organizacional, que é o
pressuposto básico da filosofia da qualidade.

14. Agir no sentido de concretizar a transformação - Todos na organização devem

ter uma idéia precisa de como melhorar a qualidade. A administração deve engajar
todos a assumir e enfrentar os princípios adotados pelo Df. Deming para realizar a
transformação. A transformação é tarefa de todos. A biblioteca universitária deverá,
ao optar pela melhoria continua, assumir e encarar os 14 pontos enfatizados neste
estudo. Os administradores destas instituições deverão chegar a um consenso quanto
ao significado e importância de cada um deles e a orientação a tomar, pois não
adianta acreditar que os pontos de Deming são importantes se não houver coragem e
iniciativa para aplicá-los. Este princípio pode ser adotado em todos os processos da
biblioteca.

356

�Tomando como base estas abordagens, acreditamos que as bibliotecas
universitárias devem, deliberadamente, defInir uma visão de futuro, adotando a
melhoria continua, sem jamais esquecer que o acesso a informação para o exercício
do pensamento criador é um direito de todos. Para tanto, é necessário que elas
estejam voltadas para a conquista da qualidade e que esta qualidade seja uma fonte
de energia ativa para impulsioná-las a crescer e progredir.

6CONCLUSÁO

o

imediatismo, o empmsmo e a falta de uma visão futuristica são

características marcantes da nossa cultura, as quais repercutem sobremaneira na
melhoria da qualidade dos processos das empresas. No que diz respeito às
bibliotecas universitárias, estas características estão gerando obstáculos a satisfação
das necessidades dos clientes.
Elas, porém, não podem continuar prisioneiras de seus métodos nem podemse conformar com os poucos resultados que obtêm do muito trabalho que realizam.
A verdadeira biblioteca universitária deve ser, continuamente, revitalizada pelos
seus clientes internos e pela comunidade acadêmica, em harmonia com a
universidade que elas pretendem servir. É essa dinâmica criativa e renovadora que
pode tomá-las mais responsáveis pelas necessidades emergentes de uma
comunidade em constante evolução. O fundamental é fazê-las entender que seus
paradigmas, seus projetos e resultados, devem ser renovados.
É preciso ousar e criar o novo perfIl das bibliotecas universitárias para que

elas sejam: um instrumento de modernidade comprometida com a qualidade,
renovadas em seus métodos de trabalho e estejam sintonizadas com a comunidade
universitária.
Resumindo, podemos afirmar que absorver e cultivar a fIlosofIa de Deming
nas bibliotecas universitárias é desenvolver a criatividade e a capacidade de querer
acertar os caminhos da excelência do trabalho informacional. Ela não exige grandes

357

---

-

-

-

�investimentos para ser aplicada. É tarefa de todos na organização, mas para sua
implantação devem ser observadas algumas questões básicas, tais como:
a) todos devem estar envolvidos e acreditar na mudança;
b) é preciso que os profissionais da informação saibam gerenciar, sem perder a visão
da importância das relações humanas dentro da organização;
c) que o usuário das bibliotecas universitárias é a fonte de toda a avaliação sobre a
qualidade dos produtos e serviços e;
d) que exista um feed-back de informação e as metas da qualidade sejam claramente
defmidas.
Obedecendo estes procedimentos, poderemos ter o método de Deming como
um aliado no combate as barreiras e obstáculos que impedem a modernização destas
unidades informacionais.

Abstract
The Deming method revolutionizing the informationals sceneri2s Boarding the
importance of knowing and using the quality in the organizations, principally in
which looks for resolving the problems that relates with the question of survival and
the question of occupation of a space in the workplace. Analyzes the Deming's
method in the management and its application in the informational work with
purpose of getting the optimizing in the results and a better performance at the
prodution of the services and originated products by the informational unities
(libraries, documentation center etc) Emphasizes the 14 points of Deming like
procedures for informational managers assimilate its transformated efect and that
they can manage the informationals unities without making mistakes with the
objective of getting a "productive process" absolutely efficient and efficacions.

Keywords: Deming method; Quality; universities libraries

358

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Qualidade total em bibliotecas universitárias a filosofia de Deming e a biblioteca universitária: uma nova relação em busca da gestão da qualidade.</text>
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              <text>Enfoca a importância de se conhecer e aplicar a qualidade nas organizações, principalmente naquelas que buscam solucionar problemas relacionados com a questão de sobrevivência e de ocupação de um espaço no mercado. Analisa o método Deming na administração e sua aplicabilidade no trabalho informacional, com vistas a otimização nos resultados e ao melhor desempenho ou performance na produção dos serviços e produtos gerados pelas bibliotecas universitárias. Enfatizam-se os 14 pontos de Deming como procedimentos para que gerentes de informação assimilem o seu efeito transformador no intuito de alcançar um "processo produtivo" eficiente e eficaz.</text>
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