<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="6239" public="1" featured="1" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/6239?output=omeka-xml" accessDate="2026-04-17T08:46:56-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="5297">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/56/6239/2022-kairos-formacao-catalografica-critica.pdf</src>
      <authentication>4406bdf9a29dfae0b62782503d3f297c</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="71079">
                  <text>II Encontro de RDA no Brasil – Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

O kairos para uma formação catalográfica crítica
The kairos for a critical cataloging formation

Filipe Reis
Professor na Universidade Federal de Goiás (UFG). Doutorando em Ciência da informação na
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3400342257925895
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1446-6982
E-mail: filipereis@ufg.br
Resumo
Apresenta reflexões sobre a educação catalográfica crítica. O surgimento do código RDA ( Resource
Description and Access) é um elemento significativo para o kairos da formação catalográfica, tendo em
vista que as graduações em Biblioteconomia do Brasil estão ou vão adaptar os seus projetos políticopedagógicos para inserir conteúdos sobre o “novo” código de catalogação: RDA. Nesse cenário, busca-se
refletir sobre a formação crítica nos processos da educação catalográfica. Compreende-se que o
catalogador deve ter a capacidade de analisar e compreender o contexto catalográfico, com o objetivo de
criticar as contradições identificadas e produzir caminhos, caso sejam necessários. Sendo assim, se
aprendemos sem questionar, não aprendemos; na verdade, somos doutrinados. A crítica ocorre para a
progressão; se não houver o desenvolvimento, a continuidade é consciente.
Palavras-chave: Educação Catalográfica Crítica. Formação Catalográfica Crítica. Ensino de
Catalogação. Educação de Catalogação. Aprendizagem de Catalogação.
Abstract
It presents reflections about critical cataloging education. The emergence of the RDA (Resource
Description and Access) code is a significant element for the kairos of cataloging education, considering
that graduations in Library Science in Brazil are and/or will adapt their pedagogical political projects to
insert content about the “new” cataloging code: RDA. In this scenario, we seek to reflect on critical
education in the processes of cataloging education. It is understood that the cataloguer must have the
ability to analyze and understand the cataloging context, with the objective of criticizing the identified
contradictions and producing paths, if necessary. Therefore, if we learn without questioning, we do not
learn, we are actually indoctrinated. Criticism is for progression and if there is not a development,
continuity is conscious.
Keywords: Critical Cataloging Education. Critical Cataloging Formation. Cataloging Teaching.
Cataloging Education. Learning to Catalog.

1 Introdução
Na mitologia grega, podemos identificar, pelo menos, duas formas de expressar o
tempo. O vocábulo chronos (do latim Chronus, do grego Χρόνος) caracteriza o tempo numa

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

22

disposição em que se pode localizar qualquer evento específico. Nesse sentido, o tempo é
quantificável, linear, mensurável, sequencial, numerável. Ele é proposto em instrumentos que
medem o cumprimento da duração, como relógios e calendários. No entanto, a experiência do
tempo pode ser apreendida por meio de outro sentido. Kairos (do grego καιρός) é definido
como o momento ou como a ocasião de criar significado. Ele é de natureza qualitativa; é “o
momento oportuno”, “certo” ou “supremo” para agir (RAMALHO, 2020). Kairos é um momento
de parada; um ponto infinito no tempo; um plenum dentro de um ponto.
Levando em conta os sentidos de kairos, defende-se que a formação catalográfica
dispõe de um momento oportuno para analisar e repensar o ensino, o currículo, a
aprendizagem, as políticas educacionais, os materiais pedagógicos etc. Esse é um momento de
criar modos educacionais. Isso significa qualificar o processo e os seus dispositivos
catalográficos. A conjectura catalográfica hodierna está expressa por meio de um acúmulo de
conhecimento e de uma constituição de novos modelos conceituais, novos formatos de
metadados, mutações nas tecnologias, modificações e inclusões de perfis de usuários, além de
novos códigos de catalogação. Esse contexto oportuno propicia a análise e a reanálise dos
costumes formativos do catalogador. O surgimento do código RDA (Resource Description and
Access) é um elemento significativo para o kairos da formação catalográfica, tendo em vista
que as Graduações em Biblioteconomia do Brasil estão ou vão adaptar os seus projetos
político-pedagógicos para inserir conteúdos sobre o “novo” código de catalogação: RDA. Nesse
cenário, busca-se refletir sobre a formação crítica nos processos da educação catalográfica.
As normas catalográficas, resultantes de uma constituição cultural, são criações
humanas, que estão em transições e em disputas simbólicas ligadas a interesses e a objetivos
variados sobre os entendimentos de usuário. Esses elementos devem ser constantemente
reanalisados para as devidas adaptações, pois quem controla os modos/sentidos de catalogar
arbitra sobre os valores.
Inicialmente, as normas catalográficas foram constituindo-se de acordo com o seu
contexto; ou seja, elas emergiam para lidar com as demandas das instituições. Todavia, o
último século, principalmente, foi marcado pela elaboração de normas catalográficas que não
se limitavam a uma instituição, a uma rede de instituições similares ou a uma nação. Exemplo
exponencial disso é o código AACR, que foi traduzido para mais de 20 idiomas, sendo utilizado
por povos de diferentes culturas, apesar das inúmeras críticas sobre a preponderância da
cultura anglo-americana expressa nesse código. Vale ressaltar que o abrangente uso do AACR
não é absoluto nem universal; vários países utilizam as suas próprias regras catalográficas,
além haver várias instituições que elaboraram ou adaptaram regras catalográficas, pois não

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

23

encontraram no AACR ou em qualquer outro código regras compatíveis com as necessidades
dos seus usuários e com os interesses da instituição.
Nessa conjuntura, emerge o RDA para substituir o AACR, tendo em vista as novas
estruturações tecnológicas, os modos de formulações das obras na contemporaneidade, as
necessidades dos usuários, entre outras questões. Entre os diferentes aspectos acerca desses
dois códigos, Frederick (2018) afirma que: “no passado, os catalogadores trabalhavam com
‘regras de catalogação’ e políticas, mas em um ambiente de catalogação rda existem
‘instruções’, diretrizes e ‘políticas’.”1 (FREDERICK, 2018, p. 19, tradução nossa, grifo nosso).
Embora a sinalização dessas mudanças seja importante, basilar é pensarmos como lidamos,
relacionamos, interagimos, usamos, reconhecemos, cotejamos etc. qualquer código/norma
catalográfica. Isto é, pouco adianta mudar a concepção de regra para a diretriz, se
continuarmos lidando com novos códigos da mesma forma que outrora. Partirmos do
entendimento de que o catalogador é um profissional com formação acadêmica e precisa
prezar por certas precauções fundamentais para a catalogação.
A fim de evitar análises e ações catalográficas reduzidas, o catalogador deve tomar
certos cuidados e certa prudência. A Figura 1 apresenta uma sistematização parcial de
precauções fundamentais para a catalogação. Veja que há duas fases antes do ato de catalogar:
a definição dos princípios da catalogação e as deliberações catalográficas. Isto é, antes de
catalogar, o bibliotecário tem uma série de análises e de decisões para serem tomadas. Para
catalogar um documento de uma forma ou de outra, ele precisa determinar sob quais regras a
catalogação vai ocorrer e se as suas escolhas vão estar alinhadas a certos princípios. Ainda que
o catalogador não tenha em mente, de forma clara, quais princípios regem as suas deliberações
catalográficas, ele está seguindo certos princípios sem perceber, e, consequentemente, as
decisões ocorrem sem consistência.

1

No original: “In the past, catalogers worked with “cataloging rules” and policies but in an RDA cataloging
environment there are “instructions,” guidelines and “policies.” (FREDERICK, 2018, p. 19).

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

24

Figura 1 – Precauções fundamentais para catalogar

Fonte: Elaborado pelo autor.

Os princípios e as regras catalográficas são distintos. Os princípios apresentam uma
textura aberta. Eles não são válidos ou inválidos; são sempre levados em consideração, e a sua
aplicação se dá pelo seu pensamento, ou seja, pela importância de sua aplicação em tal
contexto. As regras têm textura fechada: elas são tudo ou nada. Se uma regra contradiz outra,
uma delas será inválida. As regras são razões mais definitivas; se satisfeitas, são aplicadas. Elas
são mais detalhadas. As regras são fixas, enquanto os princípios são mandamentos de
otimização contextual. Assim, os princípios são aplicados em doses máximas, médias ou
mínimas. Os princípios sempre são aplicados.
Nesse contexto, a partir da Figura 1, utilizaram-se os princípios da Declaração dos
Princípios Internacionais da Catalogação, publicada pela IFLA (2018). Poderiam ser outros
princípios, mas acreditamos que esses são suficientemente pertinentes para a exemplificação.
Veja que, entre todos os princípios, um é determinante: interesse do usuário 2. Ou seja, todos os
outros princípios, mesmo sendo relevantes, não podem se sobrepor a esse princípio. Sendo
assim, a decisão de quais regras/diretrizes utilizar deve ser justificada a partir do primeiro
princípio, e não por questões de interoperabilidade, ou pior, simplesmente em razão de
determinada regra ser uma novidade. Após a definição de princípios e após deliberar com base
neles, o catalogador vai realizar a catalogação como hipótese, que será confirmada se ela
funcionar, ou seja, se o usuário conseguir exercer as suas funções no processo de busca por
documentos.

2

No original: “Convenience of the user”.

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

25

Otlet afirma que: “Uma biblioteca não existe por si só. É preciso formá-la [...]. Ela não
é um amontoado de livros.” (OTLET, 2018, p. 535). Organizar é preciso! A catalogação pode ser
compreendida como uma subárea e como um conjunto de procedimentos catalográficos. Como
subárea, a catalogação é compreendida como arte por Cutter (1904), como ciência por
Ranganathan (2009), como estudo por Mey e Silveira (2009) e como disciplina científica por
Alves e Santos (2013). Como um conjunto de procedimentos, a catalogação tem sido fruto de
uma estrutura curricular. Essa base curricular, porém, nem sempre corresponde a uma
estrutura sociopolítica unificada e nem mesmo a uma coexistência ativa e interatuante. Toda a
amplitude da catalogação se rompe em disciplinas singulares, algumas delas bem pouco
viáveis como um cenário dentro do qual uma teoria geral da catalogação possa realizar as suas
potencialidades. A unidade empírica do ato catalográfico jamais funcionou como um fator de
unificação, porque as distintas influências constitutivas dos processos catalográficos
coexistiram, mas com pouca convivência, ao logo do tempo.
Nesse entendimento, intenta-se aproveitar esse kairos, ou seja, esse tempo oportuno,
para uma formação catalográfica crítica endereçada aos bibliotecários. A educação é um
“processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral [...]” (CUNHA, 2010, p.
235). A educação como processo de transmissão e de aprendizagem se realiza por meio dos
dispositivos culturais, ou seja, dos dispositivos de uso, produção e comportamento que
possibilitam que os grupos humanos sejam capazes de satisfazer as suas necessidades
fisiológicas, afetivas e pessoais. Nesse contexto, a educação catalográfica visa a um conjunto
de questões que objetivam modos de formação do catalogador. Ela compreende o ensino, o
currículo, a aprendizagem, o desenvolvimento de competências, as políticas educacionais, o
planejamento educacional e assim por diante. Vale ressaltar que esses temas estão totalmente
associados, porém, têm suas particularidades.
Figura 2 – Educação catalográfica

Fonte: Elaborado pelo autor.

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

26

A literatura sobre educação catalográfica mostra os problemas recorrentes
relacionados a esse processo educacional. Autores como Henderson (1987), Turvey e Latarte
(2002), Joudrey (2002) e Intner (2002), entre outros, expuseram essas questões. De forma
suscita, destacam-se algumas das adversidades da Educação Catalográfica: a controvérsia entre
teoria e prática; a incipiente formação histórica do catalogador; e o currículo, isto é: pensar em
quais conteúdos e materiais são primordiais para uma certa formação e no porquê de certos
conteúdos não serem ensinados; pensar em quais competências são necessárias para lidar com
as demandas catalográficas; e pensar na formação de um senso crítico do catalogador.
Uma formação catalográfica crítica tem sido sinalizada na literatura da área por
autores como Lubetzky (1965), o qual chama a atenção que mesmo os mais atenciosos e
capazes, entre os discentes de catalogação, estarão fadados à confusão e à alienação, por
causa de uma ênfase indevida e não crítica às regras de catalogação. Nesse sentido, Young
(1987) ratifica que é por meio de análises críticas desenvolvidas no processo educacional que
o sujeito estará preparado para se adaptar a um ambiente em mudança e a liderar a
profissão em evolução. Arakaki (2013) afirma que são necessários currículos complementares
que possibilitem exercícios abstratos, teóricos, críticos e práticos; assim, será superada uma
formação ligada a um simples fazer tecnicista. Pereira (2013) defende que o currículo de
catalogação proporcione ao futuro profissional o desenvolvimento de uma visão crítica; além
disso, o autor defende que o currículo contribua para a área, no repensar e no fazer das suas
atividades diárias. Além disso, Olson afirma que: “O profissional deve ser capaz de conhecer
essas coisas de maneira crítica, além da mera aceitação de padrões, para que o catálogo possa
efetivamente desempenhar sua função mediadora entre a coleção e os usuários.” (OLSON,
1997, p. 52, tradução nossa, grifo nosso).
Embora a literatura aponte a relevância de uma formação crítica do catalogador, pouco
se aprofunda nessa questão. O que é crítica? Como se forma um senso crítico no catalogador?
Podemos começar pensando o que não é crítica. Quando fazemos, fazemos, fazemos e não
sabemos, porque3 isso é o prenúncio da falta de senso crítico.
A palavra “crítica” (do grego kritikós – κριτικός) indica a capacidade intelectual de
discernimento sobre algo. Isto é, essa palavra indica quando uma pessoa é capaz de julgar por
diversos pontos de vista, seja o estético, seja o lógico, seja o intelectual, ou “do ponto de vista
de uma concepção, de uma teoria, de uma experiência ou de uma conduta.” (JAPIASSÚ;
3

Fazendo alusão ao artigo: WHITE, Herb. Fazemos, fazemos, fazemos e não sabemos porque: as práticas de
catalogação clamam por uma reavaliação. Revista da Escola de Biblioteconomia, Belo Horizonte, v. 22, n. 2,
p. 257-264, jul./dez. 1993.

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

27

MARCONDES, 2006, p. 61). A partir da filosofia kantiana, o vocábulo “crítica” ganhou
relevância na história do pensamento. Após Kant, podemos destacar alguns autores e
“movimentos” que realizaram uma miríade de estudos críticos: a) Karl Marx e Friedrich Engels,
com estudos econômicos e sociais; b) os autores da Teoria Crítica de Frankfurt: Max
Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Erich Fromm, Leo Lowenthal, Jürgen
Habermas, Albrecht Wellmer, Otto Apel, Walter Benjamin 4 e Axel Honneth; e c) os pósestruturalistas, influenciados pelas bases críticas kantianas e marxistas: Jacques Derrida, Gilles
Deleuze, Jean-François Lyotard; Michel Foucault, Judith Butler, Jean Baudrillard, Julia Kristeva,
Jacques Rancière e Paul Ricoeur. Esses autores são contrários a uma teoria tradicional
(HORKHEIMER, 1983), a qual é marcada pela defesa da neutralidade. Eles buscam analisar as
condições sociais, políticas, econômicas etc. das aplicações das teorias, com o objetivo de
transformar a realidade.
O pensamento crítico vai ser requisitado também na Biblioteconomia e na Ciência da
Informação. Podemos observar isso nas publicações de Leckie; Given e Buschman (2010);
Nicholson e Seale (2018); Accardi; Drabinski e Kumbier (2010); Downey (2016); Gregory e
Higgins (2013); Leung e Lopez-McKnight (2021). Isso ocorreu num contexto americano e num
contexto francês; podemos observar a perspectiva crítica na criação do Grupo de Pesquisa
sobre o Escrito e o Documento, envolvendo, entre outros, Robert Estivals, Jean Meyriat,
Pierre Albert, Jean Guenot, Jean-Marie Bouvaist e Jacques Breton (ESTIVALS, 1981). Esse
grupo buscou compreender os circuitos do escrito e do documento a partir de uma explicação
crítica de base marxista.
Uma educação catalográfica crítica deve ir além dos aspectos normativos, que visam
ao padrão ideal, e dos aspectos descritivos, que reduzem o objeto ao estagnado. O ideal e real
não são opostos. É dentro do real que se deve buscar forças favoráveis, para, em momentos
adequados, promover ou bloquear o ideal. Ou seja, é no contexto catalográfico que análises
críticas serão realizadas, a fim de discernir o quanto o ideal (tal modelo) deve ser adotado.
Algumas perguntas podem ser suscitadas numa educação crítica: Quais são as ideias
implícitas? Quais são as evidências que apoiam tal afirmação? Quais são as outras facetas
referentes a ela? Quais são os fundamentos do enunciado? O que precisa ser explorado para
esclarecer certas questões? Quais são as implicações de tal afirmação? Por que catalogamos
assim e não de outra forma? Em resumo, o catalogador deve: a) analisar e compreender o
contexto catalográfico; b) criticar as contradições identificadas; e c) produzir caminhos, caso
seja necessário. Se aprendemos sem questionar, não aprendemos; na verdade, somos
4

Considerado membro da escola por afinidade teórica, teve a sua tese rejeitada pela Universidade de Frankfurt.

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

28

doutrinados. A crítica ocorre para a progressão; se não houver o desenvolvimento, a
continuidade é consciente.

Referências
ACCARDI, Maria T.; DRABINSKI, Emily; KUMBIER, Alana (Ed.). Critical Library
Instruction: Theories and Methods. Sacramento, CA: Library Juice Press, 2010.
ALVES, Rachel Cristina Vesu; SANTOS, Plácida Leopoldina Ventura Amorim da Costa.
Metadados no domínio bibliográfico. Rio de Janeiro: Intertexto, 2013.
ACCARDI, Maria T.; DRABINSKI, Emily; KUMBIER, Alana (Ed.). Critical Library
Instruction: Theories and Methods. Sacramento, CA: Library Juice Press, 2010.
ARAKAK, F. A. et al. Transpondo as barreiras do ensino da catalogação: o caso da Biblioteca
de Estudos e Aplicação de Metadados (BEAM). In: ENCONTRO INTERNACIONAL DE
CATALOGADORES, 9., Rio de Janeiro. Anais Eletrônicos [...]. Rio de Janeiro: Biblioteca
Nacional, 2013.
CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4 ed. rev. Rio
de Janeiro: Lexikon, 2010.
CUTTER, Charles Ammi. Rules for a Dictionary Catalog. 4th ed., rewritten. Washington:
Government Printing Office, 1904.
DOWNEY, Annie. Critical Information Literacy: Foundations, Inspiration, and Ideas.
Sacramento, CA: Library Juice Press, 2016.
ESTIVALS, R. A dialética contraditória e complementar do escrito e do documento. Revista da
Escola de Biblioteconomia da UFMG, v. 10, n. 2, p. 121-152, set. 1981.
FREDERICK, Donna Ellen. Core competencies for cataloging and matadata professional
librarians - the data deluge column. Library Hi Tech News, n. 8, p. 15-20, 2018.
GREGORY, Lua; HIGGINS, Shana (Ed.). Information Literacy and Social Justice: Radical
Professional Praxis. Sacramento, CA: Library Juice Press, 2013.
HENDERSON, Kathryn Luther. Some Persistent Issues in the Education of Catalogers and
Classifiers. Cataloging &amp; Classification Quarterly, v. 7, n. 4, 5-26, 1987.
HORKHEIMER, Max. Teoria tradicional e teoria crítica. In: CIVITA, V. (ed.). Benjamin,
Habermas, Horkheimer, Adorno: textos escolhidos. São Paulo: Abril, 1983. p. 125-162.
(Coleção Os pensadores, v. 6).

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

29

IFLA. Declaração dos Princípios Internacionais de Catalogação (PIC). Haia: IFLA, 2018.
Tradução para o português sob a responsabilidade de Marcelo Votto Texeira e revisado por
Jorge Moisés Kroll do Prado (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do estado de Santa
Catarina).
INTNER, Sheila S. Persistent Issues in Cataloging Education: Considering the Past and
Looking Toward the Future. Cataloging &amp; Classification Quarterly, v. 34, n. 1-2, p. 15-28,
2002.
JOUDREY, Daniel N. A New Look at US Graduate Courses in Bibliographic Control.
Cataloging &amp; Classification Quarterly, v. 34, n. 1-2, p. 57-99, 2002.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. 2. ed. rev. e atual. Brasília, DF: Briquet
de Lemos / Livros, 2004.
LECKIE, Gloria J.; GIVEN, Lisa M.; BUSCHMAN, John E. (Eds.). Critical theory for library
and information science: exploring the social from across the disciplines. Santa Barbara:
Libraries Unlimited, 2010.
LEUNG, Sofia Y.; LOPEZ-McKNIGHT, Jorge R. Knowledge Justice: Disrupting Library and
Information Studies through Critical Race Theory. Cambridge, Massachusetts: The MIT Press,
2021.
LUBETZKY, Seymour. On teaching cataloging. Journal of Education for Librarianship, v.
5, n. 4, p. 255-258, 1965.
MEY, Eliane Serrão; SILVEIRA, Naira Christofoletti. Catalogação no plural. Brasília, DF:
Briquet de Lemos / Livros, 2009.
NICHOLSON, Karen P.; SEALE, Maura (Ed.). The Politics of Theory and the Practice of
Critical Librarianship. Sacramento, CA: Library Juice Press, 2018.
OLSON, Hope A. Thinking professionals: teaching critical cataloguing. Technical Services
Quarterly, v. 15, n. 1/2, p. 51-66 1997.
ORTEGA, C. D. Do princípio monográfico à unidade documentária: exploração dos
fundamentos da catalogação. Liinc em revista, v. 7, n. 1, 2011.
OTLET, Paul (1868–1944). Tratado de documentação: o livro sobre o livro teoria e prática.
Tradução de Taiguara Villela Aldabalde, Letícia Alves, Virginia Arana, Silvana Arduini,
Cristian Brayner, Marcilio de Brito, Max Evangelista, Maria Yêda de Filgueira Gomes,
Guilherme Achiles Clair Marie Isnard Filho, Nair Kobashi, Ana Regina Luz Lacerda, Antonio
Agenor Briquet de Lemos, Ercilia Mendonça, José Antonio Pereira do Nascimento, Martha
Suzana Nunes, Regina Obata, Edmir Perrotti, Ivete Pieruccini, Alice Araújo Marques de Sá,
Camila Silva, Johanna Wilhelmina Smit, Rosemeri Bernieri de Souza, Maria Carolina de Deus
Vieira. Brasília: Briquet de Lemos / Livros, 2018.

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�O kairos para uma formação catalográfica crítica
Reis

30

PEREIRA, Ana Maria. Inquietações sobre o ensino de catalogação. In: EIC - ENCONTRO
INTERNACIONAL DE CATALOGADORES e II ENACAT - ENCONTRO NACIONAL DE
CATALOGADORES, 2013, Rio de Janeiro, Rj. Anais [...]. Rio de Janeiro, Rj: [s.n.], 2013. p. 1 16. Disponível em:
http://www.telescopium.ufscar.br/index.php/eic-enacat/eic-enacat/schedConf/presentations.
Acesso em: 31 mar. 2020.
RAMALHO, Walderez. Historical time between Chronos and Kairos: on the historicity of The
Kairos Document manifesto. Rethinking History, South Africa, p. 1-16, 14 Oct. 2020.
RANGANATHAN, S. R. As cinco leis da biblioteconomia. Brasília, DF: Briquet de Lemos /
Livros, 2009.
TURVEY, Michelle R.; LETARTE, Karen M. Cataloging or Knowledge Management:
Perspectives of Library Educators on Cataloging Education for Entry-Level Academic
Librarians. Cataloging &amp; Classification Quarterly, v. 34, n. 1-2, 163-185, 2002.
YOUNG, J. Bradford. The teaching of cataloging: education or training. Cataloging &amp;
Classification Quarterly, v. 7, n. 4, p. 149-163, 1987.

II Encontro de RDA no Brasil

Evento on-line, 1 a 12 de novembro de 2021

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="56">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="70563">
                <text>Encontro de RDA no Brasil - Edição: 2 - Ano: 2021 (Evento on-line)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71066">
              <text>O kairos para uma formação catalográfica crítica</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71067">
              <text>Filipe Reis</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71068">
              <text>GT-CAT/FEBAB</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71069">
              <text>2022</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71070">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71071">
              <text>texto</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="49">
          <name>Subject</name>
          <description>The topic of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71072">
              <text>Educação Catalográfica Crítica</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="71073">
              <text>Formação Catalográfica Crítica</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="71074">
              <text>Ensino de Catalogação</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="71075">
              <text>Educação de Catalogação</text>
            </elementText>
            <elementText elementTextId="71076">
              <text>Aprendizagem de Catalogação</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71077">
              <text>Apresenta reflexões sobre a educação catalográfica crítica. O surgimento do código RDA (Resource Description and Access) é um elemento significativo para o kairos da formação catalográfica, tendo em vista que as graduações em Biblioteconomia do Brasil estão ou vão adaptar os seus projetos político-pedagógicos para inserir conteúdos sobre o “novo” código de catalogação: RDA. Nesse cenário, busca-se refletir sobre a formação crítica nos processos da educação catalográfica. Compreende-se que o catalogador deve ter a capacidade de analisar e compreender o contexto catalográfico, com o objetivo de criticar as contradições identificadas e produzir caminhos, caso sejam necessários. Sendo assim, se aprendemos sem questionar, não aprendemos, na verdade, somos doutrinados. A crítica ocorre para a progressão, se não houver o desenvolvimento, a continuidade é consciente.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="48">
          <name>Source</name>
          <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="71078">
              <text>Anais do II Encontro de RDA no Brasil, 1 a 12 de novembro de 2021</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
  <tagContainer>
    <tag tagId="61">
      <name>AnaisRDAnoBrasil2021</name>
    </tag>
    <tag tagId="25">
      <name>GT-Cat</name>
    </tag>
    <tag tagId="56">
      <name>RDA</name>
    </tag>
    <tag tagId="60">
      <name>RDAnoBrasil2021</name>
    </tag>
    <tag tagId="42">
      <name>Resource Description and Access (RDA)</name>
    </tag>
  </tagContainer>
</item>
