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                  <text>[Ano]

�BIBLIOTECÁRI@S E AS
REDES SOCIAIS

�JÉSSICA PATRÍCIA SILVA DE SÁ
ANDREZA GONÇALVES BARBOSA
MARIA ELIZABETH DE OLIVEIRA COSTA
JORGE SANTA ANNA
(Organizadores)

BIBLIOTECÁRI@S E AS REDES SOCIAIS

Belo Horizonte
ABMG EDITORA
2020

�© 2020 Jéssica Patrícia Silva de Sá, Andreza Gonçalves Barbosa, Maria Elizabeth de
Oliveira Costa e Jorge Santa Anna
2020 ABMG Editora
Este livro ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização
escrita dos autores

COMISSÃO AVALIADORA:
André Fagundes Faria - UFMG
André Gustavo Fonseca da Silva - UFMG
César dos Santos Moreira - IFMG
Eliane Apolinário Vieira Avelar - UFMG
Flávia Ferreira Abreu - UFMG
Gabrielle Francinne de Souza Carvalho
Tanus - UFRN

Gracirlei Maria de Carvalho Lima - UFMG
Guilherme Alves de Santana - UFPE
Janicy Aparecida Pereira Rocha - UNIRIO
Jorge Santa Anna - UFES
José Alimateia de Aquino Ramos - UFES
Ney Lúcio da Silva - UFMG
Renata Kelly de Arruda – ESP-MG

NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DIAGRAMAÇÃO: Jorge Santa Anna
REVISÃO TEXTUAL FINAL: Jorge Santa Anna
PROJETO GRÁFICO E FORMATAÇÃO DA CAPA e CONTRACAPA: Norma Padrão Apresentação e divulgação do trabalho científico
MONTAGEM DA CAPA: Norma Padrão
ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS – ABMG: Rua dos Guajajaras,
410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira Costa – Secretário: Jorge Santa Anna
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane
Borges, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

Ficha catalográfica
B582

Bibliotecári@s e as redes sociais/ Jéssica Patrícia Silva de Sá
... [et al.] (organizadores) - Belo Horizonte : ABMG Editora,
2020.
317 p. : il.
Outros organizadores: Andreza Gonçalves Barbosa,
Maria Elizabeth de Oliveira Costa, Jorge Santa Anna.
Inclui bibliografias.
ISBN 978-65-993126-1-8

1. Ciência da informação. 2. Redes sociais. 3. Comunicação.
I. Sá, Jéssica Patrícia Silva de. II. Barbosa, Andreza Gonçalves.
III. Costa, Maria Elizabeth de Oliveira. IV. Santa Anna, Jorge.
CDD: 020
CDU: 02:659.2
Ficha catalográfica elaborada por Vilma Carvalho de Souza – Bibliotecária - CRB-6/1390

�AGRADECIMENTOS
É com muita alegria e satisfação que chegamos ao final da jornada
de organização desta obra. Da concepção da ideia inicial à concretização
deste livro houve muitas horas de trabalho, comprometimento e empenho
de toda a equipe. O encontro dos quatro organizadores demonstra, ainda,
a ampla capacidade de cooperação entre bibliotecários, tornando possível
a identificação de interesses comuns destes pesquisadores da Ciência da
Informação.
Finalizar o desenvolvimento de uma obra é, portanto, o mesmo que
confirmar a ocorrência de um trabalho coletivo. Por isso, nossos
agradecimentos a todos que se envolveram com esse empreendimento,
desde 2018 até a presente data. Registramos, em especial, cordiais
agradecimentos à Escola de Ciência da Informação (ECI) da Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG) pelo apoio e condições de infraestrutura
oferecidos. A ECI é e sempre será a nossa “segunda casa”. Ao Centro de
Extensão da ECI pelo auxílio no lançamento da obra, mediante o Projeto
Luz do Conhecimento.
A todos os autores, avaliadores e prefaciadores que compraram
nossa ideia e se dedicaram tanto quanto nós, contribuindo para a
exposição do conhecimento registrado nesta obra.
Aos membros e associados da Associação de Bibliotecários de Minas
Gerais (ABMG), gestão 2018-2020. Sem a ABMG não seria possível a
publicação deste livro, agradecemos pelo apoio incondicional.
À Norma Padrão – Apresentação e Divulgação do Trabalho Científico
– pela disposição gráfica realizada na capa e contracapa da obra. À
bibliotecária Vilma Carvalho pela elaboração do registro bibliográfico (ficha
catalográfica).
Nosso muito obrigado!
Jéssica, Andreza, Maria Elizabeth e Jorge
Os organizadores
Belo Horizonte, 15 de dezembro de 2020.

�“Por meio dos computadores e das redes, as pessoas
mais diversas podem entrar em contato, dar as mãos
ao redor do mundo. Em vez de se construir com base
na identidade do sentido, o novo universal se realiza
por imersão. Estamos todos no mesmo banho, no
mesmo dilúvio de comunicação. Não pode mais haver,
portanto,
um
fechamento
semântico
ou
uma
totalização. Uma nova ecologia das mídias vai se
organizando ao redor das bordas do ciberespaço [...]”
(LÉVY, 1999, p. 127).

�PREFÁCIO
A cada avanço tecnológico, as mais diversas áreas de pesquisa e
campos de atuação profissional refletem sobre as consequências deste, no
contexto de suas atividades. Em algumas dessas áreas, o percurso de
reflexão conduz seus membros a um ponto de impasse e de contínuos
questionamentos e polêmicas quanto ao avanço implicar em ameaças ou
oportunidades.
Sempre houve e ainda há discussões sobre o impacto que a
tecnologia teve e tem na profissão bibliotecária. Além disso, a própria
continuidade da existência da profissão costuma a ser indagada a cada
grande desenvolvimento das tecnologias digitais.
Debates assim costumam mobilizar o campo que ao se deparar com
inevitáveis tendências relacionadas às mudanças tecnológicas se divide
entre os que a encaram, a partir da concepção ‘tecnoapocalíptica’,
enxergando o perigo que estas representam para a profissão e os
‘tecnointegrados’ buscando localizar como estas permeiam suas práticas.
O esforço deste último grupo costuma resultar na correlação de uma
série de funções e habilidades que os bibliotecários precisam adotar para
serem capazes de lidar com as mudanças e permanecer relevantes
(GRAZIA MELCHIONDA, 2007), o que, por sua vez, vai demandar
atualizações

curriculares

e

inserção

de

conteúdos

formativos

que

repensem as bases tecnológicas da Biblioteconomia (ARAÚJO, 2015) e
meçam o quanto estas são capazes de reduzir o descompasso entre o
mercado e a academia.
As tecnologias da internet e das redes digitais compõem parte
desses avanços que vêm sendo integrados a produtos e serviços de
informação ao longo do tempo interligando objetos, sistemas e pessoas.
Ao considerar as redes sociais na internet como dispositivos
infocomunicacionais e enquanto estruturas midiáticas e tecnológicas de
mediação (JEANNERET, 2015) sua reflexão no campo precisa superar
abordagens pautadas em uma racionalidade cognitivo-instrumental e sua

�adesão prática, por sua vez, precisa superar o desafio de não ser
encarada meramente como um componente tecnológico e assim se
distanciar de um emprego de perspectiva tecnicista.
Nesse sentido, é um prazer prefaciar a obra “Bibliotecári@s e as
redes socias” organizada por pesquisadores vinculados à Escola de Ciência
da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e à
Associação de Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG). Trata-se de uma
coletânea que preenche uma lacuna de publicações sobre o tema na área,
em especial dessa correlação das redes sociais e suas implicações para as
bibliotecas e o papel de seus profissionais nesse cenário.
O livro está dividido em três partes nas quais pesquisadores e
profissionais do campo encontrarão textos que dialogam entre a teoria e a
prática

que

envolve

a

compreensão

e

uso

desses

dispositivos

infocomunicacionais e os benefícios que estes vêm promovendo nos mais
diversos contextos de pesquisa e de atuação. Na primeira parte, os
capítulos versam sobre as redes sociais e suas aplicações em bibliotecas e
nos serviços de informação com atenção especial aos seus aspectos
comunicativos, de divulgação, atendimento ao público e educativos. Na
segunda parte, a ênfase dada é para as redes sociais enquanto
instrumento de promoção e dispositivos de mediação, com atenção
especial à mediação da leitura. E na terceira parte, os textos se
concentram no protagonismo e na figura do profissional e da atuação do
bibliotecário localizados em perspectivas e possibilidades.
Em sua participação no livro “O poder das bibliotecas: a memória
dos livros no ocidente”, escrito por Marc Baratin e Christian Jacob, o
filósofo francês Bruno Latour, com o capítulo “Redes que a razão
desconhece: laboratórios, biblioteca, coleções”, nos proporciona uma
reflexão de que por trás dos textos, livros e dos escritos há um mundo
desconhecido de movimentos e deslocamentos que envolvem a produção
do conhecimento. Para o autor, a falta de compreensão desse mundo tem
feito os pesquisadores franceses não terem se beneficiado, até agora, de

�uma

verdadeira

biblioteca,

o

que,

segundo

o

filósofo,

pode

ser

considerado um crime cometido contra o espírito (LATOUR, 2000).
Podemos utilizar essa mesma perspectiva ao resgatar os aspectos
estruturais, funcionais e relacionais das redes sociais para as bibliotecas e
considerar que os bibliotecários que não se utilizam destas ainda não se
beneficiaram do verdadeiro poder que estas têm a oferecê-los, e estão
perdendo o potencial de aproximação com sua comunidade usuária.
Ao reconhecer isso, a presente obra coloca o bibliotecário como um
agente atento aos movimentos circulantes das redes sociais e sua
contribuição quando aplicadas na promoção e divulgação de produtos e
serviços de informação que este gerencia, na mediação dos contextos que
atua e na reconfiguração da sua prática profissional.
REFERÊNCIAS
ARAÚJO, R. F. Bases tecnológicas da Biblioteconomia e Ciência da
Informação no Brasil: análise da tecnologia como assunto de pesquisa e
conteúdo na formação. Tese (Doutorado em Ciência da Informação),
Escola de Ciência da Informação, Universidade Federal de Minas Gerais,
Belo Horizonte, 2015.
GRAZIA MELCHIONDA, M. Librarians in the age of the internet: their
attitudes and roles: A literature review.New Library World, v. 108, n.
3/4, p. 123-140, 2007. Disponível em:
https://doi.org/10.1108/03074800710735339. Acesso em: 1 dez. 2020.
JEANNERET, Y. Analisar as redes sociais como dispositivos
infocomunicacionais: uma problemática. In: TOMAÉL, M. I.; MARTELETO,
R. M. Informação e redes sociais: interfaces de teorias, métodos e
objetos. Londrina: EDUEL, 2015.
LATOUR, B. Redes que a razão desconhece: laboratórios, bibliotecas,
coleções. In: BARATIN, Marc; JACOB, Christian (Coord.). O poder das
bibliotecas: a memóriados livros no ocidente. Rio de Janeiro: UFRJ,
2000.

�DADOS BIOGRÁFICOS
Ronaldo Ferreira de Araujo
Araujo: Doutor em Ciência da
Informação (2015) e Mestre em Ciência da Informação (2009)
pelo Programa de Pós
Pós-Graduação
Graduação em Ciência da Informação da
Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG). Possui graduação em Ciência da
Informação (2006) pela Pontifícia Universidade Católica de
Minas Gerais (PUC Minas). Foi professor visitante no
Departamento de Jor
Jornalismo
nalismo e Ciências da Comunicação da
Universidade do Porto (2012). É Professor Adjunto do Curso de
Biblioteconomia
do
Instituto
de
Ciências
Humanas,
Comunicação e Artes (ICHCA), Universidade Federal de Alagoas
(UFAL). Professor e Vice
Vice-Coordenador
Coordenador do Programa
Progra
de PósGraduação em Ciência da Informação (PPGCI/UFAL) e Professor
do Programa de Pós
Pós-Graduação
Graduação em Gestão e Organização do
Conhecimento da Universidade Federal de Minas Gerais (PPG
(PPGGOC/UFMG)
GOC/UFMG).
E
E-mail: ronaldfa@gmail.com

�SUMÁRIO

PARTE I - REDES SOCIAIS: APLICAÇÕES EM BIBLIOTECAS E NOS
SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO .........................................................11
CAPÍTULO I - A dimensão comunicativa das redes sociais digitais nas
bibliotecas setoriais da UFPB: a fan page como estratégia de comunicação
.....................................................................................................12
CAPÍTULO II – Uso de redes sociais no serviço de referência em
bibliotecas universitárias ..................................................................29
CAPÍTULO III - Redes sociais como instrumento de divulgação em
bibliotecas: relato de experiência sobre o uso dos memes na divulgação
de produtos e serviços informacionais ................................................52
CAPÍTULO IV - Uso de redes sociais e serviços oferecidos pelos Portais
de Periódicos das Universidades Federais do Estado de Minas Gerais......67
CAPÍTULO V - O potencial da divulgação científica no YouTube e o
combate

à

desinformação:

um

estudo

de

casos

múltiplos

para

planejamento de serviços .................................................................89
CAPÍTULO VI – Redes sociais e comunicação na Biblioteca Professora
Etelvina Lima: um relato de experiência ........................................... 108
PARTE II - REDES SOCIAIS COMO INSTRUMENTO DE PROMOÇÃO
DA LEITURA ................................................................................ 129
CAPÍTULO VII - O fenômeno transmídia no compartilhamento de leituras
na web ......................................................................................... 130

�CAPÍTULO VIII - A prática de leitura mediada pelas redes sociais: um
relato de caso ............................................................................... 147
CAPÍTULO IX - O protagonismo dos leitores comuns na blogosfera
literária ........................................................................................ 159
CAPÍTULO X - O impacto da globalização e das redes sociais na formação
do leitor ....................................................................................... 180
CAPÍTULO XI - Leitura coletiva em grupos do WhatsApp .................. 190
CAPÍTULO XII - Mediação da informação e da Leitura no Instagram:
novas possibilidades para os bibliotecários ........................................ 212
PARTE III - REDES SOCIAIS E A ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA: NOVOS
HORIZONTES E POSSIBILIDADES ............................................... 233
CAPÍTULO XIII - Mídias sociais como forma de empreender: o caso do
site Santa Biblioteconomia .............................................................. 234
CAPÍTULO XIV - Blog de bibliotecários: um estudo sobre o blog
“Bibliotecária em Construção” ......................................................... 246
CAPÍTULO XV - As mídias sociais como ferramenta para divulgação de
revistas científicas da América do Sul ............................................... 258
CAPÍTULO XVI - As redes sociais como uma possibilidade de extensão de
campo para o bibliotecário .............................................................. 273
CAPÍTULO XVII - Fake News e suas repercussões na sociedade e a
atuação do bibliotecário no seu combate .......................................... 285
CAPÍTULO XVIII - Novos negócios em uma era de incertezas ........... 304
INFORMAÇÕES BIOGRÁFICAS – COMISSÃO ORGANIZADORA ..... 313
PALAVRAS DA ABMG EDITORA.................................................... 314

�PARTE I - REDES
SOCIAIS: APLICAÇÕES
EM BIBLIOTECAS E NOS
SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO

�12

CAPÍTULO I - A dimensão comunicativa das redes sociais
digitais nas bibliotecas setoriais da UFPB: a fan page como
estratégia de comunicação
Walqueline da Silva Araújo
Gustavo Henrique de Araújo Freire

1 INTRODUÇÃO
A importância do papel comunicativo da biblioteca como disseminadora
de informações fidedignas é incontestável. As práticas desenvolvidas nos
setores

de

uma

biblioteca

com

os

diversos

materiais

informacionais,

convergem para a comunicação e o compartilhamento dessas informações com
seus usuários. O papel comunicativo desempenhado pela biblioteca é de
grande relevância para a sua sobrevivência, uma vez que o acesso à
informação

tem

passado

por

grandes

mudanças

com

o

advento

das

Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs).
Na contemporaneidade os dispositivos computacionais conectados à
internet têm sido utilizados largamente pela sociedade para busca de
informações, bem como para a comunicação entre as pessoas. As diversas
ferramentas de comunicação disponíveis na web, a exemplo do Facebook,
Instagram

e

Twitter

são

recursos

que

aproximam

pessoas

dispersas

globalmente, são ferramentas de comunicação com amplo alcance e que
possuem um grande número de usuários1. A biblioteca deve estar imersa
nesse universo digital da comunicação, interagindo com seu público de uma
maneira dinâmica e moderna.

1

Existem cerca de 7.593 bilhões de pessoas no mundo. Desse total, 4.021 bilhões (53%) têm
acesso à internet; 3.196 bilhões (42%) são usuários ativos de redes sociais; 2.958 bilhões
(39%) usam as redes sociais por meio de dispositivos como os smartphones. Disponível em:
https://wearesocial.com/blog/2018/01/global-digital-report-2018. Acesso em: 10 nov. 2019.

�13

Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo: criar em uma
ação conjunta entre a pesquisadora autora e os pesquisadores participantes,
uma ferramenta digital que possibilitasse otimização no momento de socializar
informações do conjunto de bibliotecas que fizeram parte do escopo da
pesquisa para os usuários. Neste sentido, em uma ação coletiva entre a
pesquisadora autora e os pesquisadores participantes buscou-se averiguar se
as referidas bibliotecas utilizavam as TDICs para a comunicação com os
usuários;

por

meio

de

reuniões

foram

definidas

as

preferências

de

comunicação das bibliotecas; foram analisadas as diversas ferramentas
disponíveis de forma gratuita na web e por fim foi selecionada uma delas, com
base nas possibilidades e limitações que cada ferramenta possuía. A
ferramenta selecionada seria utilizada como canal de comunicação por parte do
conjunto de bibliotecas.
A ação coletiva teve o intuito de dinamizar e modernizar o processo
comunicativo das bibliotecas com seus usuários, tendo em vista que elas
buscavam acompanhar e se inserir no atual cenário comunicativo vivenciado
pela sociedade.

2 BIBLIOTECAS CONTEMPORÂNEAS
Na contemporaneidade as bibliotecas são também chamadas de unidades
de informação, por se constituírem um dos tipos de unidades que são voltadas
para o campo da informação, a exemplo também dos museus, arquivos, entre
outros, precisam constantemente se adequar aos novos hábitos da sociedade,
em busca de sua sobrevivência. As ferramentas digitais são grandes aliadas na
contemporaneidade por possibilitar o acesso do usuário aos documentos físicos
da biblioteca, quando digitalizados.
Muitas bibliotecas já digitalizaram seus acervos, mas essas fontes de
informação são meio esotéricas, difíceis de encontrar e usar. É preciso
criar programas para ajudar o cidadão a interagir com eles. Um grande
exemplo é a Digital Public Library (projeto do historiador Robert Darnton
de digitalização e acesso aos acervos das bibliotecas americanas) e a
Europeana (biblioteca digital da União Europeia). Essas iniciativas
permitem que programadores independentes interajam diretamente

�14
com ele, criando programas para lidar com a informação (BATTLES,
2013, on-line).

Atualmente, a informação está cada vez mais presente na vida das
pessoas e o seu armazenamento, distribuição e acesso, facilitado pelo uso das
TDICs. Nesse contexto, o foco deixou de ser o domínio e passou a ser o acesso
à

informação,

nos

mais

diversos

suportes,

gerado

pelas

rápidas

transformações tecnológicas e o aparecimento de novas ferramentas de
comunicação.
Diante dos avanços tecnológicos e da expansão expressiva do uso da
internet pela sociedade, é cada vez mais notável as mudanças nos processos
de aquisição do conhecimento, e o uso dos recursos tecnológicos tem se
tornado cada vez mais assíduo e indispensável na vida das pessoas. Com isso,
se torna cada vez mais aparente a discrepância entre as novas e as antigas
gerações, em seus hábitos e costumes, tanto no que se refere ao modo de
vida, como também à forma de trocar e buscar informações. Como afirma
Chartier (1994, p. 185), “o livro já não exerce o poder de que dispôs
antigamente, já não é o mestre de nossos raciocínios e sentimentos em face
dos novos meios de informação e comunicação de que doravante dispomos”,
pois cada vez mais, a informação está sendo disponibilizada na forma digital.
Na sociedade moderna caracterizada, sobretudo pelo processo de
produção e disseminação da informação, advindo principalmente com o
surgimento da internet, o suporte de registro informacional passou a
influenciar, de forma decisiva, na maneira de compartilhar e usar a informação
para a construção de novos conhecimentos. A informação sempre caminhou
junto com a evolução da humanidade. Nessa perspectiva o ser humano sempre
está à procura de novos recursos que permitam contribuir com o seu
desenvolvimento.
Tomaél (2008) reforça a importância que a internet vem exercendo no
cotidiano da sociedade, afirmando que uma parte significativa dos principais
recursos, antes disponíveis apenas em bibliotecas, podem ser acessados hoje
de forma online na internet, onde as ferramentas de busca procuram respostas
para praticamente qualquer consulta na rede. Dessa forma, o que antes só era

�15

possível em suportes impressos, hoje já se pode encontrar em meio digital
facilitando a vida das pessoas.
Conforme os livros passem a ocupar o reino digital, a biblioteca vai virar
um local para interagir com tais objetos, criando novas experiências de
significado a partir deles. Os e-books são maravilhosos, mas seu modelo
de consumo é baseado sobretudo no iPod e no download de músicas –
que ouvimos em fones de ouvido, de forma privada. A leitura já é um
ato bastante privado, então precisamos de formas de dividir essa
experiência uns com os outros. [...] As bibliotecas podem ajudar nisso
ao dar acesso a outras fontes de informação, como ferramentas de
visualização, mecanismos de edição, salas interativas – e outras mídias
caras demais para o leitor ou estudante médio (BATTLES, 2013, online).

Nesse contexto, as bibliotecas precisam potencializar a introdução das
TDICs no seu cotidiano, utilizando as ferramentas mais modernas disponíveis
para aprimorar a disponibilidade de seus produtos, a prestação dos seus
serviços, e a comunicação com os usuários, para isso, torna-se fundamental
que ela tenha ciência do diferencial que esses recursos agregam, e do
potencial que os bibliotecários têm de utilizar esses recursos para estarem
cada vez mais próximos da comunidade que é o público-alvo da biblioteca.
Os serviços de biblioteca são parte de um “ecossistema” mais amplo
onde sim, os membros (usuários) estão consumindo informação, mas
também estão produzindo, trabalhando, sonhando e brincando. Este é o
foco de uma biblioteca excelente. Eles entendem que o material que
uma biblioteca abriga e adquire não é sua verdadeira coleção – a
comunidade o é (LANKES, 2012, on-line).

Diante disso, podemos dizer que as bibliotecas excelentes são aquelas
que têm seu foco no usuário, que buscam utilizar mecanismos contemporâneos
como as redes sociais digitais para se comunicar com o seu público. As
bibliotecas devem fazer uso das ferramentas tecnológicas de comunicação
como as redes sociais digitais para auxiliá-la em diversos sentidos, tais como:
publicação de informes, disseminação seletiva da informação, capacitação de
usuários por meio de vídeos e, especialmente, a criação e a manutenção dos
laços entre a biblioteca e o usuário, pois essa relação é fundamental para o
fortalecimento do vínculo da biblioteca com o seu público, e também para
atrair novos usuários para a unidade de informação.
Grandes bibliotecas podem ter grandes prédios, ou prédios feiosos, ou
nenhum prédio sequer. Grandes bibliotecas podem ter milhões de

�16
volumes ou nenhum. Mas, excelentes bibliotecas sempre têm grandes
bibliotecários que engajam a sua comunidade e ajudam a identificar e a
preencher suas aspirações (LANKES, 2012, on-line).

As redes sociais digitais se constituem excelentes recursos para auxiliar
na comunicação com a comunidade, uma vez que, um percentual cada vez
maior de pessoas utilizam as redes sociais digitais, sendo inegável o grande
alcance que essas mídias possuem na sociedade contemporânea. Com isso, a
biblioteca precisa realizar estudos internos para averiguar em quais redes
sociais digitais se concentram o maior número do seu público-alvo, para com
isso, investir seguramente na ferramenta de comunicação identificada. A
estratégia de comunicação por meio das redes sociais digitais difere do
tradicional

e

traz

para

a

imagem

da

biblioteca

uma

mensagem

de

modernidade, dinamismo e interatividade.
A comunicação ajustada entre a biblioteca e o usuário por meio das
redes sociais digitais se mostra um excelente recurso de interação em rede
que vai além das paredes físicas, possibilitando que o usuário tenha espaço
para

acessar

informações,

adquirir

conhecimento,

obter

respostas

e,

sobretudo, exercer uma comunicação dinâmica e moderna. Com essas
ferramentas de comunicação, a informação pode fluir em uma dimensão multifacetada (da biblioteca para o usuário, do usuário para a biblioteca, da
biblioteca para o usuário e a partir dele para outro usuário) e não apenas de
uma forma vertical partindo da biblioteca para o usuário.
Desse modo, o uso das redes sociais digitais para a comunicação se
revela bastante eficiente no que se refere à criação de produtos e serviços
disponibilizados por meio de redes digitais de comunicação, assegurando, com
isso, uma biblioteca em total conformidade com a contemporaneidade que se
caracteriza não somente pelo uso intensivo de informação e conhecimento,
mas também por uma cultura voltada para o virtual/digital.
3 A DIMENSÃO COMUNICATIVA DAS REDES SOCIAIS DIGITAIS
Um dos aspectos mais recorrentes da sociedade contemporânea é a nova
maneira de se comunicar que se apresenta com o advento tecnológico, sendo

�17

também, as tecnologias, uma condição essencial na atualidade para a
execução de atividades que visam praticidade e agilidade. Tem-se com isso,
uma sociedade que está conectada em todo momento, formando uma rede
global que conforme passam os dias, só aumenta o número de adeptos. Uma
pesquisa do IBGE (2016) destacou que 94,6% da população brasileira acima
de 10 (dez) anos de idade, utiliza o smartphone para acessar a internet, em
seguida o dispositivo mais utilizado foi o microcomputador com 63,7%, logo
após vem o tablet com 16,4%, e por último a televisão representando 11,3%
desse acesso.
Essa conexão que tem tomado proporção mundial tem como elementos
fundamentais a internet e mais recentemente as redes sociais digitais que
foram responsáveis por estabelecerem um novo cenário de interação social.
Segundo Lemos (2015, p. 14) “a internet encarna a presença da humanidade a
ela própria, já que todas as culturas, todas as disciplinas, todas as paixões aí
se entrelaçam”. Por meio da internet e das redes sociais digitais é possível
participar de inúmeras palestras e cursos dos mais variados, tudo de forma
virtual, é possível trocar informações, socializar o conhecimento, utilizar
serviços dos mais variados gêneros e comprar produtos de um grande número
de lojas online dispersas pelo mundo. É cada vez mais crescente essa
tendência de estar inserido nessa teia global.
A internet, os dispositivos computacionais, e as redes sociais digitais são
exemplos dos elementos que constituem essa teia tecnológica comunicacional.
As redes sociais digitais propiciam às pessoas uma conectividade mundial,
facilitando a troca de informações e a comunicação, mesmo que estejam
distantes entre si. Os dispositivos computacionais como tablet, notebook e
smartphone são ferramentas que possibilitam as maneiras de acesso dos
usuários aos serviços de informação que são ofertados no ambiente digital
pelas bibliotecas. Por meios desses dispositivos os usuários se comunicam e
podem ter acesso aos produtos disponíveis nas plataformas digitais das
bibliotecas, sem a necessidade de deslocar-se até a instituição física.
A comunicação e o acesso aos produtos e serviços de informação em
ambiente digital é o resultado do avanço tecnológico na sociedade, e a

�18

biblioteca como insumo fundamental para a criação do conhecimento, por meio
do aporte informacional que ela possui, tem o dever de permear esses
espaços, utilizando as redes sociais digitais para se comunicar, construindo
com isso, um tipo de relacionamento diversificado, dinâmico e totalmente
moderno.
De acordo com Bernaoui e Hassoun (2015) cada dia mais vem se
consolidando e se tornando permanente a oferta de produtos e serviços em
ambientes digitais pelas bibliotecas, mostrando com isso, uma presença digital
se consolidando fortemente, a das redes sociais digitais, como blog, Twitter,
Instagram e Facebook, entre outras, possibilitando o compartilhamento de
informações sobre eventos atuais na sociedade e eventos que ocorrem no
ambiente da biblioteca, além de sua natureza comunicacional de grande
relevância no contexto contemporâneo. Diante disso, um estudo realizado por
Bernaoui e Hassoun (2015, p. 68) destacou que:
os princípios da web 2.0 foram comparados a uma nova maneira de
perceber as bibliotecas, notadamente colocando o usuário no centro de
seus serviços e atividades. A vantagem disso é perceptível, [basta]
saber quais ferramentas são utilizadas pelos usuários e oferecer
informações através das mesmas ferramentas. Isso leva a uma melhor
comunicação e colaboração com a biblioteca (BERNAOUI; HASSOUN,
2015, p. 68).

A comunicação por meio das redes sociais digitais na atualidade eleva ao
máximo as possibilidades relacionais entre a biblioteca e o usuário, facilitando
e dinamizando qualquer processo de interação. Contudo, a comunicação por
meios dessas ferramentas digitais precisa fazer parte de uma totalidade no que
diz respeito às estratégias relacionais da biblioteca, estar dentro do seu
planejamento e em conformidade com sua missão e seus valores, como pontua
Scroferneker, Amorin e Silva (2011, p. 7) ao afirmarem que:
quando a atuação nas mídias sociais de uma organização consegue estar
em sintonia com sua missão, seus valores, seus modos de atuar em
outras instâncias, e quando ela consegue se apropriar do estatuto dessa
rede, seus códigos de conduta e de linguagem, podemos dizer que a
lugarização nas mídias sociais se efetiva (SCROFERNEKER; AMORIN;
SILVA, 2011, p. 7).

Estar presente nos espaços de comunicação como as redes sociais
digitais exige empenho e atuação por parte da biblioteca, de constantemente

�19

compartilhar, dialogar, interagir e manter uma comunicação ágil e instantânea,
para com isso, efetivar a criação e a manutenção dos relacionamentos com
seus usuários online, desenvolvendo dessa maneira, uma postura ativa nas
redes sociais digitais, objetivando o sucesso nesses espaços modernos de
interação.
As redes sociais digitais são uma realidade já consolidada no cotidiano
das pessoas, esse espaço de comunicação tem possibilitado uma reorganização
no que se refere às trocas de informações e às formas de se comunicar, e tem
sido

aderido

pelas

comunicacionais,

bibliotecas

estabelecendo,

que
dessa

almejam
maneira,

ampliar
ações

suas
de

fronteiras

comunicação

inovadora, resultando em ganhos tanto para os usuários quanto para a
biblioteca.

4 METODOLOGIA
Com o intuito de realizar uma pesquisa com viés resolutivo foram
delimitados os caminhos metodológicos caracterizados pela interação entre a
pesquisadora autora e os pesquisadores participantes, buscando intervir no
cenário pesquisado. Dessa maneira, o estudo configurou-se no âmbito da
pesquisa-ação, que conforme Ketele e Roegiers (1993, p. 99) procura “unir a
pesquisa à ação ou prática”, ou seja, desenvolver o conhecimento e a
compreensão como parte da prática.
O desenvolvimento deste estudo conduziu-se pelo método da pesquisaação, escolhido por ser o mais adequado para solucionar o objetivo
pretendido, sendo este: criar em uma ação conjunta entre a pesquisadora
autora

e

os

pesquisadores

participantes,

uma

ferramenta

digital

que

possibilitasse otimização no momento de socializar informações do conjunto de
bibliotecas que fizeram parte do escopo da pesquisa para os usuários.
A pesquisa-ação nasceu da necessidade de sanar o lapso entre teoria e
prática, uma das particularidades desta forma de pesquisa é que por meio dela
os pesquisadores desempenham um papel ativo na solução de questões

�20

existentes,

procurando

intervir

na

prática

de

modo

inovador

já

no

desdobramento do próprio processo de pesquisa e não apenas como possível
resultado de uma recomendação no estágio conclusivo do estudo.
Para Tripp (2005, p. 446), a pesquisa-ação pode ser representada no
ciclo básico da investigação-ação: planejamento, implementação, descrição e
avaliação, com vistas a aprender mais durante o processo, tanto a respeito da
prática quanto da própria investigação.
Thiollent (2011 p. 20) considera que a pesquisa-ação é “realizada em
estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema
coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da
situação

ou

do

problema

estão

envolvidos

de

modo

cooperativo

ou

participativo”. Dessa forma, entendeu-se que a pesquisa-ação seria a mais
indicada para a elucidação das medidas necessárias a serem empregadas na
criação da ferramenta digital para socialização da informação.

4.1 UNIVERSO E PARTICIPANTES DA PESQUISA
Quanto ao universo da pesquisa, a escolha se deu devido ao fato da
pesquisadora autora atuar como bibliotecária na instituição de ensino que foi
campo do estudo, a saber: o universo foi representado por três bibliotecas que
integram o Sistema de Bibliotecas (SISTEMOTECA) da Universidade Federal da
Paraíba (UFPB). O SISTEMOTECA é formado por uma Biblioteca Central e vinte
Bibliotecas Setoriais dispersas em quatro Campi, nas cidades de: João Pessoa;
Areia; Bananeiras e Rio Tinto/Mamanguape. Formando um sistema composto
por vinte e uma unidades. As bibliotecas participantes da pesquisa foram:


Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Médicas (BS/CCM);



Biblioteca

Setorial

do

Hospital

Universitário

Lauro

Wanderley

(BS/HULW);


Biblioteca Setorial do Centro de Ciências da Saúde - Escola Técnica de
Saúde (BS/CCS).

�21

Os participantes da pesquisa foram formados pelos bibliotecários
coordenadores das respectivas bibliotecas. Totalizando um universo de 4
(quatro) pesquisadores participantes.
4.2 DIÁLOGOS COM OS PESQUISADORES PARTICIPANTES – RELATO DA
PESQUISA
Esse estudo teve como atividade inicial averiguar o cenário pesquisado,
por meio de encontros entre a pesquisadora autora e os pesquisadores
participantes, nos quais se dialogava acerca do comportamento das bibliotecas
em relação às TDICs. O intuito era construir um mapa cognitivo à respeito da
situação atual em que se encontrava as bibliotecas, no que se refere à inserção
das redes sociais digitais de comunicação no seu cotidiano. Para isso, foi dado
início a um diagnóstico com o intuito de obter um panorama da atual situação
das bibliotecas, pois, com um diagnóstico podemos explicar a realidade sobre a
qual se pretende atuar e melhorar. Por meio dos diálogos buscava-se idealizar
e conduzir a técnica da pesquisa-ação, com a contribuição dos pesquisadores
participantes foi possível sistematizar as atividades desenvolvidas no decorrer
da pesquisa.
O diagnóstico realizado apontou que a BS/CCM e a BS/HULW não haviam
aderido às redes sociais digitais para tornar mais dinâmica e inovadora sua
maneira de socializar informações e se comunicar, mas que havia um interesse
real em fazer parte desse cenário moderno que emerge uma cultura digital. Já
na BS/CCS – Escola Técnica de Enfermagem foi diagnosticado que nem mesmo
o seu acervo bibliográfico estava disponível para os usuários por meio de uma
plataforma online. Dessa maneira, percebeu-se que uma rede social digital
poderia se configurar uma grande aliada para divulgar os produtos e serviços
de informação e um excelente veículo de comunicação entre as bibliotecas e
seus usuários.
“Há um consenso geral de que os sistemas de mídia social estão tendo
um impacto significativo sobre o que bibliotecários, bibliotecas e usuários de
bibliotecas fazem” (NGUYEN; PARTRIDGE; EDWARDS, 2012, p. 8). Neste

�22

sentido, refletiu-se acerca do potencial que uma ferramenta de comunicação
virtual tem no desenvolvimento das bibliotecas, tanto favorecendo a promoção
de seus produtos e serviços de informação quanto no que se refere à
ampliação do campo comunicacional. Durante esse processo, também se
avaliou as redes sociais disponíveis de forma gratuita na web, alinhando as
possibilidades e limitações que elas tinham com os objetivos que as bibliotecas
pretendiam alcançar com a utilização das mesmas.
Assim, foi escolhida a rede social digital mais adequada, com o intuito de
otimizar

o

processo

comunicativo

com

os

usuários,

objetivando

o

desenvolvimento ou aperfeiçoamento de uma comunicação eficaz, dinâmica e
moderna entre essas bibliotecas e seu público, gerando visibilidade para os
produtos e serviços que elas disponibilizam.
Diante de tantas possibilidades de redes sociais digitais disponíveis na
web que podiam desempenhar um papel significativo no que se refere à
sociabilidade entre a biblioteca e seu público, foi identificado na Fan Page
possibilidades que atendiam os critérios do conjunto de bibliotecas. Tendo em
vista que as bibliotecas tinham como objetivo maior socializar informações de
maneira eficiente e se comunicar de forma moderna e dinâmica com seus
usuários. Um dos fatores essenciais que resultou na escolha dessa ferramenta
foi o fato de um grande percentual dos usuários do conjunto de bibliotecas
estarem conectados a esse canal de comunicação por meio de perfis pessoais
do Facebook.

4.3 RESULTADOS
Esse estudo nos forneceu uma base e projetou um cenário ainda pouco
explorado pelo conjunto de bibliotecas envolvidas na pesquisa, refletindo
acerca do grande potencial das redes sociais digitais para as bibliotecas. O
levantamento bibliográfico realizado para dar suporte ao estudo revelou o
quanto que a importância das TDICs para as bibliotecas são atualmente
discutidas, comprovadas e relatadas em inúmeros estudos de caso, podendo

�23

ser encontrados publicados em plataformas como o Portal de Periódicos da
CAPES. Esses estudos revelam que o Facebook é uma ferramenta de
comunicação comumente utilizada pelas bibliotecas dispersas globalmente.
Sendo esta a ferramenta escolhida para compor o cenário tecnológico das
bibliotecas que fizeram parte do escopo da pesquisa, como se pode visualizar
na figura 1.
Figura 1 – Apresentação da interface da Fan Page

Fonte: Os autores (2019).

Uma Fan Page pode resultar em inúmeros ganhos para a biblioteca em
diversos quesitos, a saber:
Quadro 1 – Atividades que podem ser desempenhadas em cada quesito e que
resultarão em ganhos para a biblioteca e os usuários
QUESITO
DESEMPENHO/GANHOS
Informacional
Disponibilizar informações sobre a biblioteca existentes na Fan Page, tais
como: nome da instituição mantenedora, nome da biblioteca, missão,
seções, equipe, notícias e novidades, eventos realizados, e-mail geral e
setorial, telefone geral e setorial, endereço físico, histórico, horário de
funcionamento, normas e regulamentos, estatísticas, relação dos produtos e
serviços oferecidos;
Promocional
Disponibilizar informações, tais como: selo com o logotipo da instituição e da
biblioteca, postagens com informações sobre a biblioteca e seus recursos
informacionais, banner, animações, entre outros recursos que possam atrair
a atenção dos usuários;
Instrucional
Disponibilizar instruções sobre o uso dos recursos informacionais oferecidos
pela biblioteca na forma tradicional e online disponíveis na Fan Page, tais
como: tutoriais e informações sobre como usar serviços e produtos
oferecidos pela biblioteca;
Referencial
Disponibilizar links para outras fontes de informação existentes na rede, tais
como: acesso a bases de dados; links para mecanismos de busca, para
websites e Fan Pages de outras bibliotecas, para materiais de referência
(dicionários, enciclopédias), para periódicos eletrônicos, para websites e Fan
Pages de instituições diversas;
Pesquisa
Disponibilizar serviços e produtos oferecidos online na Fan Page da
biblioteca, tais como: catálogo online, lista dos periódicos assinados, serviço

�24
QUESITO

Comunicacional

DESEMPENHO/GANHOS
de empréstimo, disponibilizar material bibliográfico online, serviço de
reserva, serviço de referência online;
Disponibilizar mecanismos para estabelecer relacionamentos, tais como:
formulários para cadastrar usuários, coletar opinião/satisfação pelos serviços,
coletar sugestões e críticas, pesquisar opinião sobre a Fan Page, coletar
sugestão de compra e preferências de canais para contato com a biblioteca.
Fonte: Adaptado de Amaral e Guimarães (2008, p. 153).

Com tantas alternativas de redes sociais digitais disponíveis na web e
com os enormes ganhos que podem ser obtidos por meio delas, os
pesquisadores participantes sentiram a real necessidade de estarem se
adequando a esse espaço e suas configurações, uma vez que não é mais
possível controlar o processo comunicativo que com o auxílio das TDICs podem
fluir a qualquer hora e em qualquer lugar. Contudo, é considerada de grande
importância a avaliação periódica da rede social digital pela qual se optou
utilizar para a comunicação, devido a característica efêmera do cenário
tecnológico, analisando de maneira recorrente se a ferramenta ainda está
atendendo

de

forma

eficiente

as

necessidades

informacionais

e

comunicacionais dos seus usuários, com o intuito de socializar as informações
e se comunicar satisfatoriamente.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo demonstrou, por meio de seu levantamento bibliográfico, a
importância das bibliotecas contemporâneas estarem inseridas no contexto das
TDICs e com foco nos usuários, uma maneira encontrada pelos pesquisadores
participantes foi a de possuir um canal de comunicação online para que as
bibliotecas pudessem socializar informações e se comunicar com seus usuários.
Na literatura pesquisada, a Fan Page nos revelou ser uma importante
ferramenta para divulgação dos produtos e serviços informacionais, atendendo
de maneira eficaz as ações que as bibliotecas se propunham a realizar no
quesito informacional, promocional, instrucional, referencial, comunicacional e
em ações de pesquisa. A Fan Page se constitui uma excelente aliada no
processo comunicativo contemporâneo, por se tratar de uma ferramenta
popular e de alcance global.

�25

Observou-se por meio das leituras realizadas para compor este estudo,
que uma boa comunicação nos dias atuais passa por uma reformulação dos
serviços e produtos disponibilizados pelas bibliotecas, especialmente com a
inserção das TDICs. Isso não se constitui apenas um processo operacional,
mas uma estratégia de gestão que pode garantir a eficácia da disseminação
das informações, estabelecendo uma forma inovadora de se comunicar.
Ao utilizar a Fan Page, as bibliotecas podem abrir mais um canal para a
comunicação com seus usuários. Nesse contexto, é necessário que esse espaço
seja atualizado de maneira periódica com informações de interesse do seu
público-alvo. É importante que as bibliotecas façam uso dessa ferramenta de
maneira eficiente, uma vez que ela propicia a ampliação comunicativa para
além das paredes físicas, além de simplificar o acesso dos usuários ao material
informacional que elas compartilham, construindo laços menos formais e mais
dinâmicos e inovadores. Dessa forma, estar imerso no cenário da comunicação
digital se constitui um grande avanço para as bibliotecas e seguramente irá
resultar em ganhos, tanto para elas quanto para seus usuários.
Logo, conclui-se que emerge a necessidade das bibliotecas estarem
continuamente

se

adequando

a

esses

espaços

comunicacionais

contemporâneos, moldando suas práticas de comunicação. Vale recomendar
que para fortalecer essa nova forma de diálogo, as bibliotecas podem pensar
em:


Elaborar planos de ações claros para serem aplicados por meio da Fan
Page, com ênfase na comunicabilidade e na relevância dos conteúdos
disseminados para os usuários;



Ajustar uma prática de interação entre os bibliotecários das bibliotecas
que estarão compartilhando na Fan Page, para que haja uma rotina de
atualizações periódicas, disponibilizando informações relevantes para os
usuários e mantendo o equilíbrio entre o excesso e a escassez de
informações;



Monitorar constantemente as preferências do seu público por meio das
estatísticas que a Fan Page disponibiliza, para que haja uma adequação
contínua do conteúdo compartilhado com seus usuários;

�26


Mesmo sendo a Fan Page uma ferramenta de comunicação bastante
utilizada pelos usuários na atualidade, é necessário que se realize
pesquisas periódicas, para confirmar a continuidade da utilização dessa
ferramenta por parte dos mesmos, dentre tantas disponíveis na web e
novas que surgem a cada dia, uma vez que, é extremamente importante
a biblioteca acompanhar as mudanças advindas do seu público.
O processo comunicativo contemporâneo requer muita dedicação dos

profissionais que buscam se inserir nos espaços digitais. Por ser uma
ferramenta que amplia a comunicação de forma rápida e dinâmica, exige
desses profissionais uma atenção constante nas demandas informacionais
solicitadas pelos usuários online, bem como um cuidado maior no conteúdo
compartilhando, para que sejam atuais e relevantes. Contudo, a utilização
dessas ferramentas modernas só gera ganhos para as bibliotecas e seus
usuários, tornando as bibliotecas mais interativas, aproximando-as dos seus
usuários, fazendo com que a comunicação se torne mais prazerosa e acessível.

REFERÊNCIAS
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unidades de informação como ferramentas de comunicação com seus públicos.
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Informação, Florianópolis, v. 13, n. 26, 2008.
BATTLES, Matthew. O lugar que guardava livros. Entrevistador: Maurício
Meireles. Entrevista concedida ao O Globo. 13 ago. 2013. Disponível em:
https://extra.globo.com/tv-e-lazer/o-lugar-que-guardava-livros-9493116.html.
Acesso em: 09 jun. 2019.
BERNAOUI, Radia; HASSOUN, Mohamed. Algerian university libraries and the
digital age: new communication behaviors. Library Management, v. 36, n.
1/2, 2015.
CHARTIER, Roger. Do códice ao monitor: a trajetória do livro. Estudos
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INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua: Acesso
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2016. Disponível em:
ftp://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra
_de_Domicilios_continua/Anual/Acesso_Internet_Televisao_e_Posse_Telefone_
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KETELE, J.; ROEGIERS, X. Méthodologie du recueil d’informations:
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Disponível em: https://davidlankes.org/beyond-the-bullet-points-bad-librariesbuild-collections-good-libraries-build-services-great-libraries-buildcommunities/. Acesso em: 09 jun. 2019.
LEMOS, André. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura
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SCROFERNEKER, Cleusa Maria Andrade; AMORIM, Lidiane; SILVA, Diego
Wander Santos da Silva. Redes sociais: ‘novas’ modalidades de ‘ouvidorias’
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THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo:
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TOMAÉL, Maria Inês (Org.). Fontes de informação na internet. Londrina:
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TRIPP, David. Pesquisa-ação: uma introdução metodológica. Educação e
Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 3, p. 443-466, set./dez. 2005.

�28

DADOS BIOGRÁFICOS

Walqueline
da
Silva
Araújo:
Graduada
em
Biblioteconomia pela Universidade Federal da Paraíba
(UFPB). Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Informação pela UFPB. Atua profissionalmente
como Bibliotecária Documentalista na UFPB.
E-mail: walqueline.araujo@gmail.com

Gustavo Henrique de Araújo Freire: Doutor e Mestre em
Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de
Janeiro, convênio com o Instituto Brasileiro de Informação em
Ciência e Tecnologia.Professor Associado do Departamento de
Biblioteconomia da Faculdade de Administração e Ciências
Contábeis da Universidade Federal do Rio de janeiro. Docente
Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação da Universidade Federal da Paraíba. Docente
Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação do Instituto Brasileiro de Informação Científica e
Tecnológica convênio com a Universidade Federal do Rio de
Janeiro. Editor Científico das revistas Informação &amp;
Sociedade: Estudos, Pesquisa Brasileira em Ciência da
Informação e Biblioteconomia e Revista Conhecimento em
Ação. Líder do Grupo de Pesquisa (CNPq) Comunicação,
Redes, Políticas de Informação. Bolsista de Produtividade
CNPq.
E-mail: ghafreire@gmail.com

�29

CAPÍTULO II – Uso de redes sociais no serviço de referência
em bibliotecas universitárias
Jorge Santa Anna
Célia da Consolação Dias
Benildes Coura Maculan

1 INTRODUÇÃO
O aperfeiçoamento constante das tecnologias digitais tem possibilitado a
configuração de um novo cenário para a sociedade, cujas mídias sociais digitais
se destacam. Nesse novo cenário, surgem formas de comunicação imediatas,
com a oferta de uma variedade de recursos a serem utilizados, o que promove
o aparecimento das redes de interação, manifestadas em diferentes contextos
e com propósitos variados.
Essas redes, graças ao potencial da tecnologia e com os recursos da web
2.0, permitem a variedade de opções, aproximando, cada vez mais, as
pessoas, sem considerar as limitações de tempo e de espaço. A sociedade
contemporânea está sendo marcada pelo fenômeno da mídia social, que
oferece um conjunto de aplicações para facilitar o compartilhamento de
informações entre todas as pessoas ou grupo de pessoas. Trata-se de uma
realidade marcada pela troca intensa de conteúdo, pela enorme quantidade de
pessoas conectadas e, ao mesmo tempo, pela evolução tecnológica e pela
obsolescência dos recursos tecnológicos, rompendo, em intervalos cada vez
mais curto, o uso de determinados artefatos, que são substituídos por
artefatos mais sofisticados.
Assiste-se, hoje, a uma cultura da exposição, da criação de novos laços,
do compartilhamento, em que pessoas e instituições estão, cada vez mais,
presentes no ambiente da web, espaço capaz de possibilitar e exigir essas
condições. Essa realidade acaba por afetar, também, o comportamento, as

�30

atitudes, as decisões, os costumes e as práticas instituídas há muito tempo na
sociedade humana.
As redes sociais representam, segundo Castells (1999, p. 497), a nova
configuração do espaço social, visto que elas convergem pessoas, instituições,
atividades e valores para o espaço da web. Se, anterior ao desenvolvimento
tecnológico, as pessoas se integravam, apenas, de forma presencial, hoje, o
processo

é

instantâneo,

sendo

modificados,

substancialmente,

“[...]

a

operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e
cultura” (CASTELLS, 1999, p. 497).
Mesmo diante de muitas incertezas acerca das consequências dessa
velocidade de uso das tecnologias digitais, sabe-se que elas vieram para
permanecer e reconfigurar a sociedade, incluindo-se todos os elementos
sociais, sejam pessoas ou organizações nos aspectos éticos e do trabalho, da
comunicação, pesquisa e acesso à informação, aspectos jurídicos, entre outros.
Assim, diante das mudanças que afetam as pessoas, as organizações também
precisam aceitar e incorporar essas tendências, de modo a satisfazer as
necessidades dos usuários no que diz respeito ao acesso à informação.
Como ocorre em instituições ou organizações de qualquer natureza,
observou-se que as bibliotecas também fazem uso das mídias sociais, haja
vista conquistar a confiança dos usuários, por conseguinte, garantir a
permanência dessas unidades na sociedade contemporânea. Com o valor
atribuído ao recurso informação, e a disponibilização dela em diferentes
suportes, com destaque para a criação das coleções de documentos digitais, as
bibliotecas vêm passando por transformações ao longo do tempo. Destaca-se
que tais transformações rompem o paradigma da guarda dos acervos e
chegam à busca de formas alternativas de alcançar o público que busca por
informação de qualidade. O momento é de adaptação e também de ampliação
das práticas realizadas pelas bibliotecas, considerando o potencial dos recursos
e tecnologias digitais na organização e disseminação de informação e
conhecimento para a sociedade.
Desde o final do século XX, com a explosão informacional e o
desenvolvimento das tecnologias digitais, muito se tem questionado sobre o

�31

futuro das bibliotecas e o papel dos bibliotecários no atual contexto. O serviço
de referência também passa por adaptações, considerando o uso de diferentes
tecnologias.
Alguns autores da área, defensores desses serviços, como Gorman
(2001), Otlet (1989) e Shera (1966), já preconizavam as modificações com
uso de tecnologias digitais, desde meados do século passado. Gorman (2001)
alertou para o fato de que as bases dos serviços de informação precisam
considerar as necessidades do usuário e dos profissionais que executam os
serviços, visto que a tecnologia por si só não basta. Logo, é preciso
desenvolver ações de organização da informação para recuperação da
informação; Otlet (1989) previu o nascimento dos serviços digitais; e Shera
(1966) otimizou a esperança de que os serviços se tornariam, ao longo das
próximas décadas, cada vez mais sofisticados, desde que adequados à
realidade da biblioteca e dos usuários.
As mudanças apontadas pelos autores acima podem ser visualizadas a
partir da análise das características dos serviços de referência, que passam a
ser oferecido com o uso de diferentes recursos tecnológico, ao longo do tempo.
A demanda por criar serviços de apoio aos usuários foi determinando para que
os bibliotecários implementassem ações educativas para capacitar os usuários
no uso dos recursos de informação. Além disso, a valorização atribuída ao
usuário e a intenção de integrar a biblioteca com a sociedade são fatores que
ocasionaram novas concepções ao serviço de referência, destacando as
relações públicas da unidade, sobretudo ao utilizar os recursos da web 2.0.
Nesse contexto, destaca-se o uso das redes sociais como tecnologias
importantes para dar acesso e visibilidade aos serviços da biblioteca, o que
confere o papel exercido pelo marketing informacional, ou seja, as estratégias
de divulgação dos serviços oferecidos. Harrison et al. (2017) afirmam que as
bibliotecas, sobretudo as acadêmicas, estão cada vez mais engajadas nas
mídias sociais, a fim de se conectarem com diversos grupos comunitários e ir
além dos limites tradicionais da biblioteca. Nas redes sociais, segundo esses
autores, as unidades de informação expõem postagens sobre arquivos,
coleções,

eventos,

exposições,

instalação,

comunidade

de

bibliotecas,

�32

sentimentos,

serviços,

gerenciamento

de

site

e

perfil

da

comunidade

universitária.
Muitos estudos publicados na literatura, assim como o de Harrison et al.
(2017), mencionam o uso das redes sociais pelas bibliotecas, sem contudo,
explorar quais são os tipos de serviços que têm sido oferecidos por essas
mídias e se os serviços de referência são beneficiados, de alguma forma, com
o uso dos recursos dessas mídias. Sendo assim, questiona-se: o que
consideram os estudos publicados na literatura sobre o uso das redes sociais
no serviço de referência das bibliotecas universitárias?
Assim, o presente artigo é parte de uma pesquisa de Doutorado que visa
propor um plano de ação para gestão dos serviços de informação em sistemas
de bibliotecas universitárias. Considerando o recorte delimitado para este
artigo, objetiva-se conhecer - por meio de uma revisão sistemática de
literatura (RSL) – o uso das redes sociais nos serviços de referência das
bibliotecas universitárias, tendo como base de investigação os artigos
publicados no idioma em inglês e indexados na Base de Dados Library and
Information Science Abstracts (LISA).
A escolha pelo método da RSL deve-se à relevância que ele tem
assumido, nos últimos anos, sobretudo pela capacidade em mapear evidências
científicas oriundas de estudos confiáveis publicados na literatura de uma
determinada área de conhecimento. Por sua vez, a escolha pela LISA se
justifica, haja vista a sua importância para a Ciência da Informação.

2 METODOLOGIA
Este estudo se apresenta como uma pesquisa descritiva e de abordagem
qualitativa. Os procedimentos técnicos adotados o caracterizam como uma
RSL, além de utilizar a análise de conteúdo.
O estudo descritivo, segundo Gil (2010), tem a intenção de levantar
aspectos sobre um objeto ou fenômeno, com vistas a caracterizá-lo. Segundo

�33

esse autor, nos estudos descritivos, há o propósito de despertar maior
familiaridade do proponente com o assunto tratado.
O estudo aqui escrito tem uma abordagem qualitativa, pois há pretensão
em entender a realidade e não apenas apresentá-la, de forma quantificável.
Nos estudos qualitativos, de acordo com Creswell (2014), normalmente, os
investigadores partem de pressupostos e, mesclando diversas técnicas para
coletar dados, tentam encontrar as razões que causam um determinado
problema, mediante interpretações que vão muito além do que está exposto
explicitamente nos dados coletados.
A RSL foi escolhida para este estudo, pois ela mapeia as publicações
sobre um assunto, levando em consideração, também, as crenças do
pesquisador. Em geral, os artigos de revisão sistemática tentam “[...]
responder uma pergunta específica e [utilizam] [...] métodos explícitos e
sistemáticos para identificar, selecionar e avaliar criticamente os estudos, e
para coletar e analisar os dados destes estudos incluídos na revisão [...]”
(ROTHER, 2007, p. 5).
Por

sua

vez,

a

análise

de

conteúdo

é

conceituada

como

uma

possibilidade de síntese de conteúdos contidos em mensagens coletadas a
partir de documentos ou sujeitos de pesquisa, haja vista garantir a
sistematização do conhecimento expressos nessas fontes de dados. Em linhas
gerais, esse método se caracteriza como “[...] um conjunto de técnicas de
análise das comunicações [...]” (BARDIN, 2011, p. 47).
Ainda quanto à análise de conteúdo, para extração dos dados contidos
nas

fontes

consultadas,

recorreu-se

ao

processo

de

categorização,

estabelecido, a priori. As categorias foram estabelecidas a partir das
características diversas que os serviços de referência têm assumido, no
decorrer dos tempos, considerando a percepção de diferentes autores,
conforme apresentado no quadro 1.
Quadro 1 – Concepção dos serviços de referência
Característica principal dos
Autores
Citação
serviços de referência
Assistência a leitores
Green (1876)
“[...] As pessoas que
usam uma biblioteca
popular para fins de
investigação
geralmente precisam de

�34
muita assistência [...]”
(GREEM, 1876, p. 1,
tradução nossa).
Garantir o acesso às fontes do acervo Shera
(1966)
e “Os
serviços
de
(papel educativo)
Figueiredo (1992)
referência
possuem
uma
concepção
educativa, orientada na
capacitação do usuário
para
o
acesso
à
informação”
(FIGUEIREDO, 1992, p.
12).
Acesso ao acervo para sanar uma Grogan (1995)
“Embora os serviços
necessidade informacional
possam diferir de uma
realidade para outra, é
provável
que
o
atendimento vise sanar
necessidades
específicas
dos
usuários”
(GROGAN,
1995, p. 6)
Divulgação de produtos e serviços
Siqueira (2010) e Accart O serviço de referência
(2012)
“[...]
é
também
denominado ‘cartão de
visitas’ da biblioteca
[...]” (SIQUEIRA, 2010,
p. 117). “Os serviços de
informação [...] passam
a adotar uma visão
ampliada
[...]”
(ACCART, 2012, p. 11).
Fonte: Elaborado pelos proponentes (2019), a partir de evidências da literatura.

Conforme apresentado no quadro 1, percebe-se que os serviços de
referência nas bibliotecas vêm se evoluindo, em especial nas universitárias,
passando de um serviço micro e específico a um serviço amplo, considerando,
principalmente, a contribuição do avanço tecnológico. Portanto, as análises
deste estudo visaram a identificar essa evolução a partir do uso das redes
sociais na prática dos serviços de referência.

3 ETAPAS DA REVISÃO E ESTABELECIMENTO DO PROTOCOLO
Considerando o caminho metodológico sugerido para RSL, conforme
proposto por Rother (2007), para este estudo, foram escolhidas cinco etapas,
a saber:

�35

 Primeira etapa – Definição do problema: a partir de leituras prévias
a

artigos-base,

definiu-se

um

problema

a

ser

investigado,

com

possibilidade de ser respondido a partir dos apontamentos da literatura;
 Segunda etapa – Definição dos ambientes de busca: com o
problema delimitado, fez-se necessário escolher em quais sistemas de
informação as fontes seriam buscadas, considerando, apenas, as bases
de dados. Além disso, escolheram-se as palavras-chave e definiu-se a
expressão de busca;
 Terceira etapa – Critérios de inclusão e exclusão: com os estudos
recuperados, definiram-se alguns critérios, dentre da própria base, ou
critérios relacionados ao conteúdo dos trabalhos, a fim de selecionar uma
amostra mais apurada;
 Quarta

etapa

– Seleção

dos

estudos:

de

posse

dos

artigos

selecionados, precedeu-se à leitura integral de todos os trabalhos e os
respectivos fichamentos;
 Quinta etapa – Análise e síntese: após os fichamentos dos textos,
mediante à análise de conteúdo, os trabalhos foram distribuídos nas
categorias de análise, para extração de conteúdo.
A partir da definição das etapas citadas, foi possível sistematizar as
estratégias de cada etapa, formalizando o protocolo de revisão, o qual serviu
de guia ao longo de todo percurso da pesquisa. O quadro 2 apresenta o
protocolo de revisão deste artigo.
Etapa da RSL
Primeira

Segunda

Terceira

Quadro 2 – Protocolo de revisão sistemática de literatura
Estratégias/Atividade
Descrição
Problema investigado:
De que forma as redes sociais têm
sido adotadas nos serviços de
referência
das
bibliotecas
universitárias?
Base de dados:
Lisa
Expressão de busca:
“Reference service” AND “University
Libraries” AND“Social Networks”
Local das palavras-chave:
Todas as três palavras em qualquer
parte do trabalho
Tipo de documento:
Artigo de periódico
Idioma:
Inglês
Extensão do artigo:
Longo. Mais de cinco páginas
Acesso:
Texto completo para download
Conteúdo textual:
Textos que estejam relacionados ao
uso de redes sociais em serviços de
informação

�36
Etapa da RSL
Quarta

Estratégias/Atividade
Leitura integral e fichamento
dos textos selecionados

Descrição
Apresentação
sistemática
das
características principais de cada
artigo na forma de quadro
Quinta
Categorização
Alinhamento de cada trabalhos às
categorias que definem as várias
concepções para os serviços de
referência
Fonte: Elaborado pelos proponentes (2019), a partir de evidências da literatura.

A partir do estabelecimento do protocolo de revisão, partiu-se para a
concretização das diferentes atividades em cada uma das etapas. Os
resultados alcançados no percurso de revisão estão apresentados na seção
seguinte.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A busca realizada na base Lisa considerou a seguinte string: “Reference
Service” AND “University Libraries” AND “Social Networks”, retornando um
total de 90 trabalhos. Após a aplicação dos critérios de inclusão, 63 trabalhos
foram excluídos por não atender um desses critérios. A figura 1 ilustra o
percurso de seleção com a aplicação dos diferentes critérios.
Figura 1 – Percurso de seleção a partir dos critérios de inclusão

Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Conforme exposto na figura 1, constata-se que 63 trabalhos foram
excluídos e 27 selecionados, sem análise do conteúdo dos trabalhos. Logo,
após a leitura integral aos 27 artigos, identificaram-se 11 estudos que, embora
mencionando as três palavras-chave, não estavam centrados ao problema de

�37

pesquisa da revisão sistemática. Sendo assim, foram selecionados para análise
16 artigos, que posteriormente foram resumidos e as principais características
inseridas em um quadro sistemático.
Mediante a análise de cada um dos artigos foi possível extrair as
principais conclusões, apresentadas a seguir. No artigo de Zheng (2006), as
redes sociais e os serviços de referência virtual como um todo contribuíram
para dar mais autonomia ao usuário, uma vez que ele consegue acessar os
materiais informacionais, além de inteirar-se com notícias da biblioteca.
Destaca-se,

nesse

estudo,

que

a

autonomia

apontada

pela

autora

é

consequência das ações de educação da comunidade, o que afere a
importância dos treinamentos e a concepção instrutiva dos serviços de
referência, haja vista garantir que os usuários se ajudem mutuamente.
Para Jayasuriya e Brillantine (2007), as redes sociais são consideradas
como instrumentos que facilitam o acesso aos serviços de referência por meio
dos aplicativos baixados em dispositivos móveis, de modo que o atendimento
seja imediato e o compartilhamento se propague entre grupos específicos
criados e gerenciados pelos próprios usuários. Assim, por meio da web 2.0, a
biblioteca pode estimular a comunidade a criar esses grupos e também
desenvolver outros aplicativos que poderão ser utilizados pela biblioteca. Desse
modo, consolida-se, portanto, uma “arquitetura de participação” (JAYASURIYA;
BRILLANTINE, 2007).
Os recursos da web 2.0 podem ser explorados nos serviços de
informação, inserindo a biblioteca na atual realidade do mundo digital. Citamse como exemplos de recursos a serem utilizados: wiki, blog, mashup e
biblioblogosfera2. Além das vantagens no que tange à interação, o uso desses
recursos oferece outros benefícios, tais como a preservação digital, sendo
necessário conhecer o básico da terminologia e das tecnologias (LANKES;
SILVERSTEIN; NICHOLSON, 2007).
Estudo aplicado a bibliotecários, a fim de conhecer as percepções desses
profissionais e o que eles vêm realizando, demonstrou que a mesa de

2

Esses são recursos interativos, disponibilizados na rede, que possibilitam a interação dos
usuários e dos bibliotecários na produção e compartilhamento de conteúdos (MANESS, 2007).

�38

referência não é mais o local de atuação, cujas mídias sociais podem ser
utilizadas como forma de “abrir as portas” para os usuários do mundo digital.
Na Califórnia, os bibliotecários estão usando dispositivos que podem transmitir
comunicações de voz e também receber transferências de telefonemas
(SCOTT, 2008).
Destacam-se os aplicativos de mensagens instantâneas, apontados como
benéficos por serem rápidos e estimularem a interação entre usuário e
profissional (CLEMENTS, 2009). A autora acredita que essa interação imediata
é um recurso que garantirá mais autonomia ao usuário, por conseguinte
amplia-se a possibilidade de compartilhamento, e, como consequência,
manifesta-se a aprendizagem colaborativa.
Reference or enquiry services in USA, UK and Australian university
libraries are using a range of social software packages to extend library
services into online environments. These initiatives point to a concern on
the part of universities to “meet learners where they are” and to retain
relevance and visibility. A deeper concern for enhancing learning
experiences lies the heart of these initiatives, however. At this level,
development of new online services is not just a means of keeping up
with technology, but a concerted effort to provide the fullest learning
opportunities using content and modes of delivery that complementeach
other (CLEMENTS, 2009, p. 393-394).

Assim como apontado no artigo de Clements (2009), acerca da
aprendizagem mediada pelas mídias sociais, Gieseche (2011) também acredita
que uma alternativa válida no uso de redes sociais pelos serviços de referência
é a criação de práticas educativas para os usuários que possibilitem de forma
instantânea a oferta de aulas, cursos, além da disponibilização de tutoriais
compartilhados pelas mídias. Com esses recursos, os bibliotecários facilitam
aos usuários conversas ou aprendizado por meio de atividades de alfabetização
da informação, aumentando a capacidade crítica e argumentativa. Por meio da
interação promovida pelas redes, as bibliotecas conseguem reunir pessoas e
conteúdo de maneira a permitir que os usuários criem suas próprias conexões
(GIESECKE, 2011).
A aprendizagem colaborativa e a possibilidade de dar visibilidade aos
produtos e serviços oferecidos pelas bibliotecas são duas vantagens que
podem ser alcançadas quando se adota o uso das redes socais nos serviços de
informação. Para Pinto e Manso (2012), a criação de perfis da biblioteca no

�39

Facebook, Youtube ou Twitter possibilitará duas contribuições, resumidas em:
garantir a oferta de feedback mais rico e mais ativo à comunidade usuária, e
convergir para um único ponto, o acesso e visibilidade de todos os serviços
oferecidos.
Embora a oferta de serviços de referência com uso das redes sociais
ainda seja um trabalho incipiente, muitos estudos advertem que essa oferta é
fundamental, pois garantirá melhorias ao padrão e à qualidade dos serviços
informacionais.

As

redes

sociais,

nesse

contexto,

contribuem

para

a

comunicação, exercendo um papel social, orientado para o usuário e suas
necessidades, sejam elas acadêmicas ou não (TYAGI, 2012).
Uma das redes sociais que muito pode contribuir por facilitar a interação
e a troca de mensagens instantâneas, com bastante fundamentação, é o
Twitter. A revisão de literatura realizada por Vassilakaki e Garoufallou (2014)
identificou a diversidade de funções que pode ser atribuída a essa rede social,
incluindo-se os serviços de referência, seja com objetivo de facilitar os
processos de pesquisa, seja como estratégia de divulgação do que a biblioteca
tem a oferecer e promover. Nesse estudo, percebeu-se a necessidade
crescente

de

bibliotecários

adotarem

novas

funções

para

atender

às

expectativas do usuário quanto a formas inovadoras de comunicação e acesso
à informação.
Para Kumar (2015), os recursos interativos da internet facilitam as
orientações, que podem ser prestadas ao vivo, independente do lugar e do
horário que o usuário esteja. As redes sociais podem ser utilizadas ao
disponibilizar treinamentos, conduzidos de modo proativo e direcionado a
alunos, profissionais e docentes nas universidades. Desse modo, por meio da
alfabetização informacional, os usuários tornam-se espertos na busca por
informação, evitando desafios, por conseguinte, retrabalho e angústias no
momento das pesquisas.
Assim como Vassilakaki e Garoufallou (2014) destacaram a importância
do uso do Twitter, Oyieke e Dick (2016) também apontam essa importância. E
ainda frisam que os diversos recursos interativos da web 2.0 funcionam como
meio de ampliar a visibilidade, ao criar uma maior aproximação da biblioteca

�40

com seus públicos. Com todo efeito, “[...] Twitter is a way to remind people
about events and to share information. Twitter is invaluable for creating social
networks even in university settings [...]” (OYIEKE; DICK, 2016, p. 266).
As redes sociais, segundo Bandyopadhyay e Boyd-Byrnes (2016), podem
ser caracterizadas como tipos de serviços de referência virtual, em conjunto
com os aplicativos de mensagens instantâneas, que possibilitam o contato e a
troca de mensagens, por meio de texto, voz e vídeo. Em linhas gerais, as
bibliotecas universitárias oferecem esses recursos com o fim de atender os
usuários,

muitas

das

vezes

localizados

remotamente

e

incapazes

ou

indispostos de usar a biblioteca física, seus recursos e serviços. No entanto,
esses recursos possuem algumas desvantagens no comparativo com a
referência

presencial,

sobretudo

ao

ocultar

determinadas

pistas

comportamentais dos usuários, tais como: tom de voz, hesitação, postura
corporal, atenção, dentre outras (BANDYOPADHYAY; BOYD-BYRNES, 2016).
Nas bibliotecas, é cada vez mais recorrente o uso das redes sociais para
melhoria dos serviços, de modo que a unidade se capacite, conforme as
tendências do mundo digital. Ao utilizar as redes sociais como forma de
ampliação da oferta dos serviços de referência, esses se tornaram mais
dinâmicos e contribuem para garantir a autonomia do usuário. Tal fato pode
ser explicado porque as ferramentas e serviços digitais permitem que os
usuários se conectem,contribuem, compartilhem e recebam feedbacks das
mensagens postadas. Com efeito, “[...] the most important feature of social
networking sites is to facilitate user’s to make their social networks and build
connections worldwide with ease [...]” (KAUSHIK, 2016, p. 284).
O acesso às redes sociais pelos dispositivos móveis é outra questão
abordada na literatura e que, mesmo que esse uso, na vivência prática, ainda
seja tímido, os benefícios são diversos, pois envolvem a garantia de acesso às
fontes de informação para pesquisa, o compartilhamento de notícias variadas,
dentre outros (RODRÍGUEZ; RIVERO, 2016). Nesse contexto, segundo esses
autores, os usuários podem satisfazer uma necessidade de informação com
base no contexto com que ela é apresentada, e eles são capazes de usar as
redes sociais como uma fonte valiosa de informação. Além disso, com o uso

�41

desses dispositivos, o usuário tem a capacidade de transferir dados de um
dispositivo para outro e armazenar as informações úteis a serem consultadas,
posteriormente.
A implementação das redes sociais nos serviços de referência perpassam
por alguns desafios no âmbito das bibliotecas da Nigéria, tais como: 1 - tempo
inadequado para aprender, explorar e implementar novas redes; 2 -

equipe

inadequada para dedicar totalmente tempo para atualizar e acompanhar
constantemente as novas tecnologias e inovações; 3 - dificuldades em
determinar

quais

ferramentas

seriam

aceitas

pelos

usuários;

4

-

os

bibliotecários não têm interesse em usar as mídias sociais, entre outros
(OKITE-AMUGHORO, 2017).
No entanto, na percepção dos bibliotecários, as mídias sociais funcionam
como mecanismos de divulgação dos serviços de informação, além de criarem
laços de aproximação e cordialidade entre biblioteca e usuários. Logo, essas
mídias

são

garantindo

úteis
a

no

compartilhamento

promoção

dos

serviços

das

de

conhecimento/informação,

bibliotecas,

em

especial

no

aprimoramento da referência, “[...] providing quick updates, getting feedbacks
fromusers, enhancing communication and interaction betwe enthe library and
theusers as well as helping librarian stoke epabrea stwithi nformation,
activities and resources in theirfield” (OKITE-AMUGHORO, 2017, p. 1).
Outro estudo que aponta a prática colaborativa no suporte a pesquisas
acadêmicas foi desenvolvido por Bardakcı, Arslan e Unver (2018). Segundo os
resultados obtidos

da pesquisa aplicada, constatou-se o potencial dos

aplicativos, sobretudo por criar redes de contatos que possibilitam a troca de
informações e o ensino acerca das estratégias de busca nos sistemas
informatizados das bibliotecas e demais coleções de documentos. O estudo
concluiu

que

esse

é

um

potencial

das

mídias

para

pesquisadores

e

profissionais, mas ainda não tão explorado no processo de pesquisa.
A fim de facilitar a identificação do tema principal de cada artigo, eles
foram sistematizados em um quadro, contendo os seguintes atributos:
autores/ano, assunto principal utilizado no estudo e resultados alcançados. O
quadro 3 resume essas informações.

�42
Quadro 3 – Autores, assuntos e conclusões dos artigos
Assunto principal
Principal resultado
abordado
Zheng (2006)
Construção do Serviço de Foram demonstradas estratégias de
Referência Digital
como desenvolver o serviço digital na
China, reforçando o potencial das
interações oriundas com os recursos
digitais
Jayasuriya e Brillantine Necessidades
de Constatou-se que os serviços da
(2007)
informação
para biblioteca 2.0 garantem autonomia ao
acadêmicos e o papel da usuário e ampliam a visibilidade da
biblioteca
biblioteca
Lankes, Silverstein e Redes colaborativas para Apresentou
um
conjunto
de
Nicholson (2007)
serviços informacionais
recomendações para promover maior
discussão e ação sobre o tema das
redes
participativas
e,
mais
amplamente,
a
biblioteconomia
participativa
Scott (2008)
Adequação dos serviços de Resume opiniões divergentes sobre o
referências às tecnologias futuro do serviço de referência,
digitais
destacando a importâncias das redes
de interação
Clements (2009)
Uso
de
mensagens Devido ao rápido desenvolvimento
instantâneas na referência
das tecnologias, sugere-se a escolha
por software de código aberto. O
princípio abrangente precisa incluir
um foco na melhoria da experiência
de aprendizado
Gieseche (2011)
Reestruturação
das As bibliotecas precisam implementar
bibliotecas de pesquisa
serviços que recorram ao uso das
tecnologias digitais, haja vista atender
os usuários em suas atividades de
pesquisa, em qualquer local e
momento que desejarem
Pinto e Manso (2012)
Avaliação de serviços de Uso das redes sociais e de recursos de
referência digitais
interação, que possibilitarão retorno
mais
imediato
à
comunidade,
conferindo visibilidade ao que é
oferecido
Tyagi (2012)
Uso da tecnologia web 2.0 É de suma importância a incorporação
por
profissionais
de das tecnologias da web 2.0, embora
bibliotecas
as bibliotecas estejam longe dessa
realidade
do
Twitter
nas O Twitter pode ser utilizado para
Vassilakaki
e Uso
Garoufallou (2014)
diferentes fins nas bibliotecas, seja
bibliotecas
para provimento de informação de
pesquisa ou outras notícias que
conferem visibilidade aos serviços
oferecidos
Kumar (2015)
Redes sociais e bibliotecas Importância valiosa das redes sociais
acadêmicas
como instrumentos de educação de
usuários, com práticas de treinamento
e compartilhamento de informação
Oyieke e Dick (2016)
Avaliação dos recursos da Por meio desses recursos, a biblioteca
web 2.0
se
torna
mais
conhecida,
aumentando, dessa forma, o uso dos
serviços
Bandyopadhyay
e Serviços de informação Reforçou
a
necessidade
dos
Autores

�43
Autores

Assunto principal
abordado
digitais e a adequação da
biblioteca

Boyd-byrnes (2016)

Kaushik (2016)

Rodríguez
(2016)

e

Rivero

Okite-Amughoro
(2017)

Bardakcı,
Arslan
Unver (2018)

e

Principal resultado

bibliotecários serem qualificados e
conhecedores para fornecer serviços
de referência eficazes e eficientes em
um ambiente digital
Uso de redes sociais em O uso de sites de redes sociais na
bibliotecas
biblioteca está aumentando dia a dia
e ajuda os profissionais da biblioteca
a criar interação pessoal com seus
usuários
Dispositivos
móveis
e Os dispositivos móveis podem ser
capacitação de usuários
utilizados como meio de envio de
cursos, dicas, tutoriais, dentre outras
ações que capacitem os usuários
Serviços
digitais
e Os
bibliotecários
precisam
capacitação
de disponibilizar recursos interativos, que
bibliotecários
promovam a oferta de informação e a
ampliação do que acontece na
biblioteca
Uso de redes sociais por Os serviços das biblioteca podem
pesquisadores
apoiar a pesquisa, cujas redes sociais
contribuem por criar um ambiente de
aprendizado mútuo, mediante a
colaboração e compartilhamento de
informações para pesquisa
Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Com os temas e resultados de cada estudo, foi possível alinhar cada um
deles às categorias selecionadas a priori, de modo a identificar qual a
concepção dos serviços de referência ao fazer uso das redes sociais. Assim, os
estudos foram distribuídos a diferentes características que os serviços de
referência podem assumir, quais sejam: serviço de assistência à leitura,
garantia de acesso às informações para pesquisa, oferecimento de informações
com base nas necessidades dos usuários e serviços de divulgação/marketing.
Percebeu-se que todos os estudos foram alinhados a, pelo menos, uma
dessas categorias, e que apenas a categoria assistência à leitura não foi
constatada em nenhum dos 16 trabalhos. Essa ocorrência demonstra que as
redes sociais podem ser utilizadas na prática dos serviços de referência,
principalmente por garantirem o acesso às informações para pesquisa e à
promoção/divulgação da biblioteca e seus serviços. O quadro 4 demonstra a
distribuição das características dos serviços de referência entre os trabalhos
analisados.

�44
Quadro 4 – Concepção dos serviços de referência presente nos trabalhos investigados
Característica principal
Artigos alinhados
Justificativa
dos serviços de
referência
Assistência a leitores
Não identificado
Nenhum trabalho abordou a
assistência à leitura pelas redes
sociais
Garantir o acesso às fontes Bardakcı, Aslan e Unver Esses trabalhos consideram que
do acervo (papel educativo)
(2018), Clements (2009), as redes sociais têm o potencial
Giesecke (2011), Kaushik para garantir a aprendizagem,
(2016), Kumar (2015), mediante o acesso às fontes de
Okite-Amughoro (2017), informação
que
podem
ser
Rodríguez
e
Rivero compartilhadas, além das ações
(2016) e Zheng (2006)
de
capacitação
a
serem
disponibilizadas nas redes
Uso do acervo para sanar Bandyopadhyay
eBoyd- Nesses trabalhos, o foco está na
uma
necessidade Byrnes (2016), Bardakcı, adequação da biblioteca e do
informacional
Arslan e Unver (2018), bibliotecário em disponibilizar os
Jayasuriya e Brillantine serviços de consulta e as notícias
(2007), Kaushik (2016), da biblioteca, nas redes sociais,
Lankes,
Silverstein
e de modo a se adequar à realidade
Nicholson
(2007), e ao perfil dos usuários
Rodríguez
e
Rivero
(2016), Scott (2008) e
Tyagi (2012)
Divulgação de produtos e Jayasuriya e Brillantine Em linhas gerais, esses autores
serviços
(2007),
Lankes, realizaram
pesquisa
para
Silverstein e Nicholson comprovar a importância das
(2007), Okite-Amughoro redes sociais para a biblioteca,
(2017), Oyieke e Dick sendo
constatada
como
(2016), Pinto e Manso vantagem mais importante, a
(2012), Scott (2008) e capacidade
dessas
redes
Vassilakaki e Garoufallou garantirem
visibilidade
aos
(2014)
serviços oferecidos, de modo que
a biblioteca, como um todo, seja
mais
utilizada,
acessível
e
valorizada
Fonte: Dados da pesquisa (2019).

A partir do quadro 4, torna-se evidente que as redes sociais possuem
relação com os serviços de referência e, portanto, não podem deles se
distanciar. Os resultados dos artigos analisados apontaram para a necessidade
de exploração dos recursos da web 2.0, com vistas a garantir a inserção da
biblioteca

na

sociedade

digital.

As

tendências

da

contemporaneidade

determinam mudanças de costume, comportamentos e preferências nas
pessoas. Logo, caberá à biblioteca reconhecer os perfis da comunidade a ser
atendida e realizar as adequações necessárias.
Embora

a

categoria

assistência

aos

leitores

não

tenha

tido

correspondência com os estudos da amostra, é possível que as redes sociais
possam contribuir para as práticas de leitura, cabendo ao bibliotecário utilizar

�45

as redes para indicação de materiais. Conforme discorrido por Messias e
Almeida Júnior (2017, p. 4), “[...] as práticas de leitura nas redes sociais são
norteadas pelos elos e por compartilhamentos de experiências de leitura que
transformam um ato solitário em um ato compartilhado [...]”.
Paralelo a essa atuação de mediar a leitura, por meio da indicação de
fontes constantes nos acervos da biblioteca, o bibliotecário exercerá o papel
educativo, uma vez que estimulará o senso crítico do leitor, sobretudo no
âmbito do desenvolvimento de pesquisas. Desse modo, as redes sociais
funcionam como canais propagadores no estímulo à aprendizagem, por
conseguinte, a construção de novos conhecimentos. Segundo Giesecke (2011),
os bibliotecários, especialistas em mídias e com perfis pedagógicos, passam a
ser chamados de professores-bibliotecários, e atuam na gestão de bibliotecas e
laboratórios de informática. Logo, “[…] librarians are seeking terms and
metaphors that indicate librarians are professionals who do more than read
and shelve books” (GIESECKE, 2011, p. 58).
A atitude pedagógica do profissional não se resume, tão somente, à
disseminação de material informacional contido nos acervos. Preocupada com
a instrução e autonomia do usuário, a prática da oferta de treinamentos
constitui um dos pontos fortes dos serviços de referência, sobretudo em
bibliotecas acadêmicas. Com as mídias sociais, essa prática se expande, visto
que se manifesta como mais um canal para disseminar habilidades quanto ao
uso dos recursos informacionais. As mídias sociais precisam ser utilizadas com
fins acadêmicos e de pesquisa e o profissional instrui os usuários, haja vista
um melhor aproveitamento das mídias e dos materiais oferecidos (KUMAR,
2015).
No que se refere à categoria oferta de informações, conforme as
necessidades dos usuários, os estudos analisados nesta amostra de pesquisa
evidenciaram que os serviços oferecidos nas redes sociais deixam de ter uma
concepção voltada ao entretenimento, para ter objetivos profissionais e de
pesquisa, conforme o perfil da comunidade. Para Bardakcı, Arslan e Unver
(2018), as redes sociais, no contexto dos serviços de informação das
bibliotecas acadêmicas, têm o propósito de fomentar informação para grupos

�46

específicos e criar a cultura da colaboração, sob uma perspectiva mais ampla,
profunda e multicultural, cujos recursos e materiais são compartilhados em
diferentes comunidades científicas.
Por fim, quanto à categoria divulgação de produtos e serviços, nota-se
que as redes sociais muito contribuem para essa prática, principalmente pela
capacidade de ampliar o compartilhamento de conteúdos, o que garante um
alcance mais abrangente do que a biblioteca oferece. É provável que essa
abrangência seja uma oportunidade de dar mais “voz” ao papel da biblioteca
na sociedade, de modo que ela seja mais reconhecida pelo seu valor na
evolução das pessoas e das instituições.
Para confirmar essa constatação, cita-se o trabalho de Pinto e Manso
(2012), ao afirmar que é necessidade urgente criar a cultura da visibilidade, ou
seja, “fazer ser visto”, a fim de que novos usuários possam fazer parte da
biblioteca, usufruindo das contribuições dela. As bibliotecas precisam buscar a
participação ativa de comunidades de usuários, juntamente com outros
profissionais e instituições, a fim de criar uma maneira mais colaborativa de
trabalhar. Por fim, os serviços oferecidos por meio das redes sociais terão o
potencial de atingir diferentes contextos, grupos heterogêneos ou mais
específicos, haja vista viabilizar a inserção da biblioteca na sociedade digital
(PINTO; MANSO, 2012).
Assim como apresentado nos estudos desta revisão, acerca do uso das
redes sociais para aprimoramento dos serviços de referência e, considerando o
alerta de Accart (2012, p. 289), ao afirmar que “o futuro é digital [...] e se
inscreve na realidade atual e futura dos serviços de referência”, confirma-se a
contribuição, importância e necessidade de se adotar as redes sociais como
mecanismo de ampliação dos serviços de referência nas bibliotecas.
Também se confirma o pressuposto de Shera (1966), ao afirmar que
esses serviços se tornariam cada vez mais sofisticados, e a tese de Figueiredo
(1992), quando destacou que esses avanços jamais tomarão o lugar do
profissional. Isso porque, é atividade inerente ao bibliotecário manipular,
intelectualmente, a informação de maneira hábil e com criatividade para

�47

inovar/ampliar/diversificar

a

oferta

dos

serviços

informacionais

para

a

sociedade.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A pesquisa realizada na literatura reforçou que as redes sociais podem
contribuir com a prática dos serviços de referência nas bibliotecas, constituindo
mais um canal de comunicação e interação entre bibliotecários e usuários para
ampliação do acesso aos serviços oferecidos. Foi possível perceber que, ao
utilizar essas mídias, os serviços de referência se propõem a educar (instrução
e treinamento para uso das fontes do acervo), a sanar necessidades
específicas

(mediante

adequação

ao

perfil

da

comunidade)

e

a

divulgar/promover (dar visibilidade ao potencial da biblioteca).
A partir dessa constatação, conclui-se que é possível utilizar as redes
sociais para a prática dos serviços de referência e esse uso tem sido relatado
na literatura, cujos estudos são unânimes ao afirmar que as redes sociais são
tendências emergentes da atual realidade e as bibliotecas precisam se
adentrar

a

esse

contexto,

a

fim

de

serem

inseridas

na

sociedade

contemporânea. Os estudos também reforçam que essa conquista dependerá
de uma atuação inovadora por parte dos bibliotecários, de modo que os
serviços de referência acompanhem essas mudanças, tornando-se cada vez
mais aperfeiçoados.
Este estudo não tem a pretensão de se esgotar, visto a abrangência do
tema, o que instiga a realização de estudos futuros, sobretudo com viés
aplicado, que possa reconhecer a realidade das bibliotecas brasileiras, quanto
ao uso de redes sociais para ações de referência. Assim, por meio deste texto,
foram fornecidas algumas bases teóricas acerca da aplicabilidade dos serviços
de referência nas redes sociais, estimulando a continuidade da pesquisa, por
meio de entrevistas com bibliotecários, a fim de reconhecer a percepção
desses profissionais. Com efeito, a partir dos apontamentos da literatura e das
evidências levantadas in loco, serão revelados indícios para formulação de um

�48

plano de ação ou diretrizes para constituir políticas de informação a serem
adotadas pelas bibliotecas brasileiras.
Não se pode deixar de registrar outros desdobramentos de pesquisa, em
especial no que tange ao papel exercido pelos bibliotecários no contexto da
web social. Nesse segmento, esses profissionais encontram um novo e
diversificado nicho de atuação, que rompe as estruturas físicas das bibliotecas,
ampliando o potencial bibliotecário na organização e acesso à informação
digital,

além

da

construção

e

gestão

dos

canais

que

possibilitam

a

comunicação e mediação no ambiente da web.
Bibliotecários são considerados agentes de fundamental importância para
a organização da web e as bibliotecas são unidades que aproveitam o potencial
do espaço digital para ampliar e diversificar os produtos e serviços que podem
oferecer

para

as

comunidades.

Assim,

novas

iniciativas

precisam

ser

desenvolvidas, de forma empreendedora, audaciosa e inovadora, com o fim de
potencializar

o

papel

da

biblioteca

e

dos

bibliotecários

na

sociedade

contemporânea, principalmente quanto aos aspectos inerentes à informação,
comunicação e mediação.

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�51

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Agradecimentos: Os autores agradecem à Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo financiamento desta pesquisa.

DADOS BIOGRÁFICOS
Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia.
Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Gestão e
Organização do Conhecimento. Atuante no ramo da
prestação de serviços de orientação, escrita, normalização
e lecionamento em trabalhos e pesquisas acadêmicocientíficos. Atua como editor e assessor do Periódico PróDiscente, como também compõe a diretoria da Associação
de Bibliotecários de Minas Gerais, ocupando o cargo de
secretário.
E-mail: professorjorgeufes@gmail.com

Célia
da
Consolação
Dias:
Graduada
em
Biblioteconomia. Mestrado e Doutorado em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Professora do Curso de Biblioteconomia e do
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do
Conhecimento, na Escola de Ciência da Informação da
UFMG.
E-mail: celiadias@eci.ufmg.br

Benildes Coura Moreira dos Santos Maculan: Graduada
em Biblioteconomia. Mestrado e Doutorado em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG). Professora do Curso de Biblioteconomia e do
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do
Conhecimento, na Escola de Ciência da Informação da
UFMG.
E-mail: benildesmaculan@ufmg.br

�52

CAPÍTULO III - Redes sociais como instrumento de
divulgação em bibliotecas: relato de experiência sobre o uso
dos memes na divulgação de produtos e serviços
informacionais
Jose Ricardo da Silva Neto

1 INTRODUÇÃO
O trabalho com memes foi iniciado pelo autor como uma resposta à
necessidade de divulgação do 1° Colóquio Informação e Imaginário, o qual se
tratava de um evento produzido pelo Gabinete de Estudos de Informação e
Imaginário (GEDII) que é liderado pelo professor Cláudio Paixão Anastácio de
Paula. Como o principal meio de divulgação do 1° Colóquio Informação e
Imaginário seria a página do GEDII no Facebook, foi proposto a utilização dos
memes a fim de promover uma linguagem de comunicação que fosse atrativa
principalmente aos alunos da graduação. A proposta foi aprovada, o que deu
margem ao autor para a produção deste trabalho, que carrega em si muito da
própria relação pessoal com a internet e a linguagem dos memes em redes
sociais.
Inicialmente ficou evidente a necessidade de se elaborar um pequeno
plano de “social media” para a página, que, até aquele primeiro momento,
contava com menos de 50 curtidas e poucas modalidades de publicação em
seu histórico. Era uma página pequena e pouco utilizada, tendo, inclusive, um
perfil de usuário com o mesmo nome, o que acaba sendo uma redundância de
perfis, dividindo o público e os esforços de divulgação, muitas vezes
diminuindo o retorno no que diz respeito à visibilidade.
Contudo, mesmo o autor possuindo uma considerável vivência pessoal
de dez anos, em meio a nichos específicos da web voltados a esse tipo de
conteúdo, foi necessário realizar um breve estudo o melhor desenvolvimento
da tarefa a ele designado. Primeiro, foi feito uma pesquisa em busca de fontes

�53

confiáveis acerca da origem dos memes, pois o primeiro do autor com esse
tipo de conteúdo foi em meandros de 2007, por meio dos memes relacionados
ao filme 3003 e, até aquele momento, possuía a visão de usuário e consumidor
desse tipo de conteúdo.
Logo após a pesquisa acerca da origem dos memes, comecei a
idealização e produção dos memes para a página do GEDII. Entretanto, me
deparei com as dúvidas viscerais acerca do trabalho que me foi dado:
Imagem 1 - “E agora José”

Fonte: geradormemes.com

“Qual tipo de piada, humor e meme é adequado à página?”
“Por se tratar de uma página acadêmica, como manter a respeitabilidade
sem ficar sem graça?”
Nesse segundo momento, a começar pelo humor do meme, foi
necessária

um

levantamento

sobre

os

gêneros

da

dramaturgia,

mais

especificamente a farsa e a comédia. Abrindo, assim, caminho para um breve
estudo sobre os três tipos básicos de humor, sendo eles o humor físico, o
humor falado e o humor escrachado, o que deu base para a produção dos

3

300 é um filme de fantasia e guerra norte-americano de 2006, co-escrito e dirigido por Zack
Snyder. Baseado na série de quadrinhos homônima de Frank Miller e Lynn Varley, publicada
pela Dark Horse Comics em 1998, ambos são releituras fictícias da “Batalha de Termópilas”,
que ocorreu durante as Guerras Persas.

�54

memes para avaliação dos membros do grupo. Portanto, serão apresentados
pequenos tópicos sobre esse processo, além de curtas revisões sobre os
conceitos utilizados na elaboração do material e os impactos sobre a
visibilidade da página do GEDII no Facebook.
Visando explicar passo a passo a compreensão e produção dos memes,
por meio de uma breve recuperação de conceitos, guiado pelo relato da minha
experiência utilizando a criação de memes com o objetivo de divulgar a página
do GEDII, nos próximos tópicos serão abordados os seguintes assuntos “os
memes”, ”a construção dos memes” e “a viralização4”. O trabalho, como um
todo, é fruto das reflexões acerca de uma série de atividades práticas para a
produção e disseminação dos memes. Essa atividade será melhor descrita em
detalhes no tópico referente a “construção dos memes”, o qual será o
equivalente a “metodologia” neste capítulo.
Convido o(a) leitor(a) a ler este material não somente com o olhar
acadêmico, mas, também, com o olhar da sua quinta série, pois não podemos
pensar em memes da internet sem associar a ele piadas ruins, senso de humor
distorcido e momentos em que “rimos de nervoso”.

2 OS MEMES DA INTERNET
Os memes da internet, como conhecemos hoje, tiveram sua origem ao
final da década de 1990, ganhando cada vez mais espaço e popularidade nos
anos 2000. O sucesso deles caminha junto a expansão do mercado de redes
sociais e a popularização da internet, no qual o ambiente de compartilhamento
rápido de informação facilita a reprodução e viralização dos memes da internet
(MUSEU DOS MEMES, não datado, não paginado). No entanto, os memes não
se originaram do período supracitado. Para compreender a natureza dos
memes, primeiro, devemos rever a origem de sua definição.

4

Viralização, termo originalmente relacionado a propagação de doenças, usado devido as
pessoas chegarem a compartilhar conteúdos quase que inconscientemente, o que gera uma
“epidemia” de internautas falando sobre o mesmo assunto.

�55

Mas quem saberia nos dizer a origem dos memes? Além disso, saímos
vitoriosos e invictos de uma série de eventos baseados em troca de ataques
virtuais nas redes sociais, conhecidos na internet como “as guerras memeais”5.
O Brasil, no “mundo virtual”, é uma grande potência e autoridade no que diz
respeito aos memes, chegando ao ponto de possuirmos um museu on-line dos
memes, o qual segundo o próprio site do museu é administrado por uma
equipe de docentes e discentes da Universidade Federal Fluminense (UFF):
A equipe do #MUSEUdeMEMES congrega docentes e discentes em
caráter permanente ou honorário. São pesquisadores da pós-graduação
em Comunicação (PPGCOM-UFF), da graduação em Estudos de
Mídia/UFF, e também de outras áreas e instituições. (MUSEU DE MEMES,
não datado, não paginado).

A origem do conceito de “meme” é anterior à popularização da internet,
tendo sua origem na obra de 1976 escrita por Richard Dawkins “O gene
egoísta” (The Selfish Gene), é fácil se perder em questionamentos e reflexões
sobre até que ponto algo é ou não um meme. Porém, o foco é a utilização dos
memes na internet, já que serão o objeto de estudo deste capítulo devido à
sua ampla presença nas redes sociais. Esses lançam mão dos mais diversos
recursos do humor para conseguirem público e se manterem em circulação,
sendo esta a principal característica dessa linguagem visual como aponta o
Museu de Memes:
Hoje, memes são um fenômeno típico da internet, e podem se
apresentar como imagens legendadas, vídeos virais ou expressões
difundidas pelas mídias sociais. Próprios do universo das comunidades
virtuais, eles são geralmente compreendidos como conteúdos efêmeros,
vulgarmente encarados como “besteirol” passageiro ou “cultura inútil”,

5

“A Guerrilha Dos Memes foi um conflito travado por brasileiros e portugueses, que levou a
um conflito de proporções enormes. Essa guerrilha foi travada entre os maiores "memeiros" de
ambos os países. A guerra foi oficialmente terminada quando a página "In Portugal we don't"
anunciou em seu Twitter que tinha desistido da guerra e que os brasileiros poderiam ficar com
o meme que havia sido roubado.” (DESCICLOPÉDIA, página foi modificada pela última vez em
15 de junho de 2018, às 00h04min).
A Segunda Guerra Memeal foi a segunda batalha digital de nível internacional registrada na
história da internet, travada entre Argentina, Brasil e Portugal (embora este último mal tenha
pisado em campo de batalha) que ocorreu entre os dias 16 e 17 de Junho de 2016 e teve
como campo de batalha a rede social Twitter, onde a Primeira Guerra Memeal também
ocorreu. A Segunda Guerra Memeal foi consequência de um pedido desesperado de Portugal a
Argentina para "vingá-lo" em uma retaliação contra o Brasil. (DESCICLOPÉDIA, página foi
modificada pela última vez em 15 de junho de 2018, às 00h04min).

�56
fruto de sua utilização da linguagem do humor (MUSEU DE MEMES, não
datado, não paginado).

Devido a essa origem popular, falta de registro sobre seus produtores e
sua característica humorística, poucos pesquisadores levaram esse tema para
o espaço acadêmico. Contudo, segundo o Museu de Memes, é preciso salientar
que os memes possuem uma enorme carga cultural e não podem ser vistos de
maneira preconceituosa como “cultura inútil”:
Os memes são, portanto, uma linguagem que encontra ampla
repercussão em ambientes online, mas que é relativamente pouco
estudada e pouco compreendida, em especial no cenário da pesquisa
científica. Parte deste descaso é fruto de uma equivocada compreensão
do fenômeno como pertencente à uma “cultura do besteirol” ou à
chamada “cultura inútil”, termos que não reconhecem os memes na
plenitude de seu valor cultural, manifestações características da internet
mas capazes de influenciar inclusive os meios de comunicação
mainstream (MUSEU DO MEME, não datado, não paginado).

Os memes da internet, enquanto fruto da comunicação digital, viabilizam
as mais diversas combinações textuais e não verbais, contendo em si,
principalmente,

as

imagens

de

significação

popular,

quanto

sons

ou

movimentos que ressaltam a intenção da mensagem. Guerreiro e Soares
(2016) apontam que “os domínios digitais carregam, agora, não apenas textos
verbais, como também imagéticos, objetos em movimento, sons, cores e
disposições dos textos” (GUERREIRO; SOARES, 2016, p. 186). Com a grande
acessibilidade às redes sociais e a recursos de produção visual simples,
qualquer pessoa pode produzir seus memes. Guerreiro e Soares (2016)
pontuam bem esse aspecto por meio das citações de Candido e Gomes (2015)
e Martino (2015):
Importante destacar que os memes são elaborados por intermédio de
uma imagem, retirada de uma cena do cotidiano, e de um texto,
extraído de um outro contexto, mas na configuração final do meme
adquire uma significação característica. Outra questão observada é que
não há preocupação do produtor dessas imagens quanto ao design
visual, pois são produzidas de modo colaborativo e com autoria não
divulgada. Candido e Gomes (2015, p. 1298) ressaltam a simplicidade
dos memes que “podem ser produzidos com os mais básicos programas
de edição, pois o objetivo não é arte, mas a situação que deseja
comunicar, sempre com o fundo de comicidade”. Martino (2015, p. 178)
concorda ao afirmar que “qualquer pessoa com conhecimentos
rudimentares de edição de imagem digital pode, potencialmente, se
apropriar de uma ideia, modificá-la e compartilhá-la”, características da

�57
produção desse gênero (GUERREIRO;
GOMES; MARTINO, 2016, p. 191).

SOARES,

apud

CANDIDO;

A facilidade de produção desse tipo de conteúdo é também a chave de
seu sucesso, por gerar uma relação de facilidade para sua compreensão por
pessoas que compartilham bases de vivência ou consumo informacional
similares. Isso ocorre devido à forte presença da cibercultura na vida das
pessoas, que as levam, cada vez mais, a compor seu imaginário, seus valores
e expressões com base no que consomem na internet ou, principalmente, nas
redes sociais. Rocha e Montardo (2005) apontam que, devido a essa presença
contínua na vida das pessoas, a cibercultura acaba assumindo o lugar de
matriz de sentido nos dias atuais.
a cibercultura ganha a vida no dia a dia, dinamizando o imaginário
contemporâneo e concretizando-se em práticas. Na medida em que
estampa capas de revistas de variedades, invade as telas de cinema,
circula pela Internet, pode-se dizer que a cibercultura ocupa um lugar
privilegiado como matriz de sentido contemporânea (ROCHA;
MONTARDO, 2005, p. 2).

Essa forte presença da cibercultura pelos dispositivos móveis e redes
sociais,

leva

os

memes

a

serem

uma

forma

viral

de

comunicação

extremamente efetiva entre pessoas de compreensão “simples” da realidade.
Por usarem uma linguagem despretensiosa e baseada no humor, acabam
passando mensagens curtas que serão amplamente compartilhadas à medida
que estas tiverem a capacidade de alcançar a catarse do receptor, que irá
compartilhá-la novamente, seja por identificação ou por desejar mostrar a
mesma a seus contatos.

3 A CONSTRUÇÃO DOS MEMES
Aparentemente, a criação dos memes se baseia em juntar uma imagem
engraçada, uma frase legal, ir em um site ou programa de edição, juntar tudo
e kabum! As pessoas vão rir e adorar seus memes. Na prática, essa é a ideia.
A linguagem dos memes da internet visa ser direta e simples para seu público
produtor e consumidor. Entretanto, quando falamos de páginas institucionais,

�58

não é bem assim, pois existem inúmeros fatores dentro da elaboração de um
bom meme e esses precisam ser administrados com cuidado, sendo os
principais fatores: o tipo de humor, a seleção das imagens e como o meme
será utilizado.
Figura 2 - “Como fazer memes”

Fonte: Autor desconhecido (2018).

Começando pelo humor, que podemos facilmente considerar o aspecto
mais sensível da produção e utilização dos memes da internet em páginas
acadêmicas, devido aos riscos de se perder o tom da piada, levando o
conteúdo a tomar sentidos indesejados. Além disso, as páginas institucionais
possuem um caráter de seriedade que deve ser prezado, mesmo nos detalhes
de uma postagem mais descontraída. Sabendo que o humor, segundo
Jablonski e Range (1984), tem sua matriz em “Quatro grupos de fatores que
os resumem: (a) incongruência6; (b) surpresa; (c) superioridade7; (d) alívio de
tensão8” (JABLONSKI; RANGE, 1984, p. 135). É necessário, então, uma
mistura difícil entre coerência para com a instituição e quebra de expectativa
acerca de seu conteúdo, atendendo, assim, aos fatores de surpresa e

6

Teoria da incoerência, diz que “espera-se algo e acontece outra coisa, as vezes o exato
oposto [...] o que importa no humor é mais a incoerência, o contraste, a diferença do que
propriamente a degradação” (ASCERALD, 2004, p. 5).
7
Teoria da superioridade, “O fato de se colocar na posição de observador já é, por si só,
característica da superioridade. Deste modo, o humor é algo que acontece com os outros, os
inferiores, os que escorregam e caem, os que levam tortas na cara” (ASCERALD, 2004, p. 4).
8
Teoria do alívio, “segundo a qual o humor é uma forma de nos libertar, ainda que
temporariamente, das tensões impostas pela moral coletiva. Aqui acredita-se que a origem do
riso está na remoção de barreiras, na sensação de liberdade perante as amarras sociais e
culturais” (ASCERALD, 2004, p. 6).

�59

incongruência que trabalham juntos nesse cenário, pois, à medida que os
memes se tornam habituais na página, eles tendem a perder sua eficácia.
Logo, na produção de memes para as páginas de instituições, deve-se
prestar atenção aos arquétipos atribuídos a instituição, para manter-se fiel à
imagem estabelecida com o público alvo. No entanto, isso deve ser feito de
maneira a dar espaço para a subversão controlada. Segundo Vieira (2006), é
necessária “uma comunicação humorística, visando romper os padrões de
beleza, implantando uma linguagem coloquial na publicidade e fixando a
relação da imagem ao produto” (VIEIRA, 2006, p. 14).
Essa subversão, em sua raiz, também será o principal elemento
humorístico, uma vez que o meme e sua piada irão destoar do conteúdo
habitual da página, mas sem perder a identidade da instituição. Dessa
maneira, a primeira linha de humor do meme será a sua própria presença no
ambiente formal, por engajar um conteúdo de fim humorístico (mesmo que
crítico) em um ambiente formal, causando, assim, surpresa e uma confusão
momentânea ao público. Como afirma Jablonski e Range (1984):
A idéia básica é a de que há sempre um elemento de inconsistência, de
inusitado, ou de algo que se revele destoante em um quadro ou situação
inicialmente percebido como unitário [...] A surpresa talvez possa ser
até conceituada como uma subclasse de incongruência. Uma situação é
surpreendente quando ela não é esperada dentro de uma certa lógica
dos acontecimentos. E, portanto, um elemento incongruente em uma
cadeia (JABLONSKI; RANGE, 1984, p. 135).

A partir disso, foi trabalhada, então, a linha do humor ligado à surpresa e
ao alívio da tensão, sendo o segundo aspecto objetivado devido à inerente
carga de estresse, pressão ou tensão ligada ao meio acadêmico, suas rotinas e
práticas. A temática principal dos memes e seu humor foram definidos
segundo termos diretos associados ao grupo de pesquisa em conexão com as
datas de anúncio, inscrição e realização do evento. A metodologia da criação
de produção dos memes foi baseada em três critérios diretos:

�60


Temática “Jedi”9: Devido ao nome do grupo de pesquisa ser GEDII e
alguns alunos da Escola de Ciência da Informação (ECI) já fazerem
piadas por meio desse trocadilho, isso levaria as piadas de corredor para
a página acadêmica por meio da divulgação do grupo, causando, assim,
surpresa e familiaridade simultânea nos alunos.



“Ir e vir”: A preferência por cenas ligadas ao ato de ir a algum lugar
para facilitar a conexão das imagens e seu humor com os textos de
convite ao evento.



“Memes conhecidos”: Utilizados tanto para buscar no público a
nostalgia quanto o humor já agregado a eles em seus imaginários. Como
a incongruência, já se dava na presença deles em uma página
acadêmica, seria interessante utilizar memes da internet já muito
disseminados/viralizados, que devido a isso já estavam muito presentes
na memória dos usuários da rede social.



“PAIXÃO”: Não estamos falando do sentimento de paixão, mas, sim, do
professor Cláudio Paixão. Por ser um professor carismático e que quase
sempre está vestido de maneira despojada, acaba funcionando como um
ícone do GEDII na ECI.
Figura 3 - Exemplo de meme usado na campanha

Fonte: produzido pelo autor no site imgflip.com

9

Jedi: pronúncia aportuguesada: jedái, são personagens fictícios da série americana 'Star
Wars’. Formam uma ordem de guardiões que dominam o "lado da luz" da força, em
contraposição aos sith, no universo fictício da série.

�61

Após a construção dos memes, utilizando sites disponíveis gratuitamente
na internet10 e softwares de edição de imagem, foi realizado o envio do
conteúdo produzido para os membros do grupo da iniciação científica. Essa
ação teve como objetivo obter feedbacks sobre o teor do humor, para, assim,
delimitar melhor que tipo de conteúdo humorístico era desejado para a página.
Logo, na sequência dos primeiros ajustes, segundo os feedbacks dos colegas
de grupo, teve início a produção do primeiro pacote de memes para a página.
Ao total, foram três pacotes de memes produzidos, sendo o segundo
resultado de ajustes após o feedback do primeiro, e o terceiro da mesma
maneira, foi o resultado dos ajustes após o feedback do segundo pacote. Isso
evita que sentidos de humor equivocados ou delicados demais sejam
disseminados nos memes, pois, tendo essa avaliação externa ao produtor de
memes, há o contato do conteúdo com percepções externas a quem fez os
memes. Segundo Ascerald (2004), o humor se aproxima da percepção
estética, que também se dá de maneira singular a cada indivíduo.
Isso evita que sentidos de humor equivocados ou delicados demais
sejam disseminados nos memes, pois tendo essa avaliação externa ao
produtor de memes há o contato do conteúdo com percepções externas
a quem fez os memes (o que o aproxima ainda mais da experiência
estética, igualmente universal, igualmente singular) (ASCERALD, 2004,
p. 3).

A aprovação do terceiro pacote de conteúdo, após as adequações
segundo os feedbacks coletados no processo, evidenciou, ainda mais, a
necessidade de trabalhar a produção dos memes com o acompanhamento,
seja de coordenadores ou um grupo de teste formado por colegas da própria
instituição. É recomendável que esse acompanhamento seja direcionado pelos
profissionais com maior contato com o público e conhecimento da história da

10

Nota do autor: Caso você não conheça nenhum bom software de edição de imagem ou não
tenha domínio deles, basta procurar no Google por “memegenerator” ou pelas palavras chave
“criar” e “memes”. Para facilitar sua vida segue abaixo o link dos principais sites ativos até o
dia 02 de abril de 2020, às 6:40 da manhã:
https://imgflip.com/memegenerator
https://makeameme.org/memegenerator
https://www.gerarmemes.com.br/

�62

instituição, para, assim, ter o aval daqueles que melhor compreendem as
nuances que a imagem institucional carrega.

4 A UTILIZAÇÃO DOS MEMES DA INTERNET
A coordenação da iniciação científica definiu um calendário para a
postagem dos memes, com a duração de aproximadamente seis semanas,
período no qual os memes seriam postados com o espaço de dois a quatro
dias, dividindo espaço com as postagens diárias sobre os convidados e
palestras do evento. Do total de trinta e dois memes produzidos no primeiro
pacote, foi definido a utilização de dezoito deles, sendo três direcionados para
postagem durante a realização do evento entre as filmagens e demais
postagens ligadas ao Colóquio de Informação e Imaginário.
Imagem 4 - “Lado imaginário da força”

Fonte: produzido pelo autor no site imgflip.com

A maior parte dos memes foi criada para alertar quanto às datas de
inscrição para o evento. As postagens das imagens eram acompanhadas das
hashtags (#GEDII, #COLOQUIOIMAGINARIO, por exemplo) muitas vezes
utilizando do humor e irreverência para acalmar quem poderia ter se esquecido
de se inscrever no evento, apresentando, logo na sequência, as orientações
para como participar dele mesmo sem a inscrição prévia.

�63

Abusando da piada com a sigla GEDII e a sua possível semelhança
fonética com o nome da ordem JEDI, dois terços das imagens e memes
selecionados para a divulgação foram oriundos de cenas da franquia Star Wars
ou continham referências a alienígenas, sendo, muitas vezes, de outros filmes
ligados a temática alienígenas.
imagem 5 - “A guerra é para lá!”

Fonte: produzido pelo autor no site imgflip.com

5 RESULTADOS
O primeiro e surpreendente resultado da campanha de divulgação
utilizando os memes foi o rápido crescimento de popularidade da página.
Tendo uma explosão de cinquenta e cinco seguidores para cerca de cento e
trinta seguidores nas primeiras quarenta e oito horas de campanha. As
estatísticas de seguidores cresceram de forma natural e linear após essa
primeira explosão, demonstrando, talvez, uma ineficácia na utilização contínua
dos memes.
Já as curtidas das postagens se concentraram no primeiro meme de
divulgação. As postagens seguintes não tiveram desempenho semelhante a
primeira, como podemos ver nos gráficos abaixo, sendo ambos retirados da
página de estatísticas do Facebook ao final da execução da campanha, que foi
a plataforma usada para a divulgação do evento em 2018.

�64
Imagem 6 - Estatísticas da página no Facebook

Fonte: Estatísticas da página “GEDII ECI UFMG” no Facebook

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência de utilizar os memes em páginas acadêmicas no Facebook
foi muito interessante e muito gratificante, principalmente por ver a aplicação
de uma linha de conteúdo que eu produzia apenas por diversão sendo usada
de maneira útil. No entanto, devo ressaltar que a grande dificuldade deste
trabalho, desde o planejamento, execução e o capítulo que aqui se faz
presente, é a ausência de referências bibliográficas nessa direção. Os memes,
enquanto objeto de estudo, necessitam de certa interdisciplinaridade por
possuírem aspectos ligados à comunicação, design, humor e a sociedade.
Nesse sentido, os memes acabam se tornando um tema difícil de ser
trabalhado, ainda mais quando não se tem referências claras sobre a sua
utilização em sua área.

�65

Contudo, em um último registro, declaro que a utilização dos memes
deve ser feita de maneira a acompanhar os eventos que explodem na
sociedade e nas redes sociais. Em atuações posteriores para empresas e
instituições, pude perceber que as postagens iniciais tendem a explodir como
correu com a página do GEDII, só que, após esse primeiro aumento de
visibilidade, o crescimento da página se desacelera, tendo novas explosões
quando se posta memes relacionados às últimas grandes notícias, mas sem
perder o alinhamento das postagens para com o perfil da instituição.

REFERÊNCIAS
ACSELRAD, Marcio. Humor, esclarecimento e miditadura. XIII Encontro
Anual da, 2004. 12 p.
DAWKINS, R. O Gene Egoísta (AP Oliveira, Trad.). São Paulo: Itatiaia, 1976.
DESCICLOPEDIA.ORG. Primeira Guerra Memeal. Esta página foi modificada
pela última vez em 17 de fevereiro de 2019, às 21h04min. Disponível em:
https://desciclopedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Memeal. Acesso em: 21 ago.
2019.
DESCICLOPEDIA.ORG. Segunda Guerra Memeal. Esta página foi modificada
pela última vez em 17 de fevereiro de 2019, às 21h04min. Disponível em:
https://desciclopedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Memeal. Acesso em: 21 ago.
2019.
GUERREIRO, Anderson; SOARES, Neiva Maria Machado. Os memes vão além
do humor: uma leitura multimodal para a construção de sentidos. Texto
Digital, v. 12, n. 2, p. 185-208, 2016.
JABLONSKI, Bernardo; RANGÉ, Bernard. O humor é só-riso? Algumas
considerações sobre os estudos em humor. Arquivos Brasileiros de
Psicologia, v. 36, n. 3, p. 133-140, 1984.
MUSEU DE MEMES. O que são memes? CoLab; Universidade Federal
Fluminense - Instituto Nacional de Ciência &amp; Tecnologia Digital.
ROCHA, Paula Jung; MONTARDO, Sandra Portella. Netnografia: incursões
metodológicas na cibercultura. In: E-compós, 2005.
VIEIRA, Daniele Aben-Athar. Garoto bombril: garoto-propaganda de maior
sucesso Na publicidade brasileira, 2006.

�66

DADOS BIOGRÁFICOS

Jose
Ricardo
da
Silva
Neto:
Graduado
em
Biblioteconomia. Pesquisador na área de Ciência da
Informação, com o foco em jogos digitais, produção do
conhecimento e imaginário.
E-mail: falecomjosericardosilva@gmail.com

�67

CAPÍTULO IV - Uso de redes sociais e serviços oferecidos
pelos Portais de Periódicos das Universidades Federais do
Estado de Minas Gerais
Jorge Santa Anna

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas digitais são ambientes arquitetados para organizar e
disseminar

informação

para

grupos

específicos,

haja

vista

sanar

as

necessidades informacionais desses sujeitos. Assim como acontece com as
bibliotecas físicas, as digitais oferecem uma gama de serviços e produtos
Informacionais, modificando-se, apenas, o formato de disponibilização dos
documentos e a forma de interação dos usuários com os profissionais.
A construção das bibliotecas digitais representa um dos maiores
resultados alcançados com o uso das tecnologias da informação e comunicação
no

âmbito

da

Biblioteconomia/Ciência

da

Informação.

Essas

unidades

demandam de um conjunto de recursos capazes de fornecer a informação no
ambiente digital e possibilitar a interação. Além dos recursos para instalação,
as bibliotecas digitais precisam oferecer serviços variados, o que exigirá,
também, a necessidade da gestão desses ambientes.
Portanto, os serviços informacionais oferecidos em bibliotecas digitais é
algo a ser pensado e precisa ser colocado como prioridade nas decisões
tomadas pelos gestores de unidades de informação. Com todo efeito,
considerando o usuário como foco das atenções, esses serviços precisam ter
ampla divulgação, além de serem oferecidos por meio de canais midiáticos que
tenham aceitação por parte da comunidade usuária.
As redes sociais inserem-se nesse contexto, visto o alcance ou
abrangência que possuem, de modo que novos usuários sejam beneficiados.
Além disso, essas mídias vêm se consolidando como os maiores canais de

�68

interação das pessoas na sociedade contemporânea, o que determina que as
organizações ofereçam seus serviços mediados por esses recursos.
Assim, as bibliotecas podem adotar as redes sociais como nova forma de
comunicação com seus públicos, não se limitando, apenas, aos canais de
comunicação tradicionais, como o e-mail, formulários eletrônicos, dentre
outros. É provável que, por meio das redes sociais, os produtos e serviços
oferecidos sejam conhecidos e passem a ser utilizados com maior frequência,
muitas das vezes, de forma imediata e do próprio dispositivo móvel dos
usuários.
A literatura internacional tem sinalizado essa necessidade, por meio de
iniciativas que inserem a biblioteca no universo das novas mídias. Tonta
(2009) afirmou que o futuro das bibliotecas está intimamente associado ao
sucesso com que atendem às demandas dos usuários digitais. Williams, Dhoest
e Saunderson (2019), dez anos depois, reforçam essa afirmação, e destacam o
uso das mídias como importantes recursos de marketing informacional.
No Brasil, as bibliotecas digitais, na grande maioria, são caracterizadas
como coleções digitais e estão vinculadas a uma outra biblioteca física, que
garante o gerenciamento da coleção digital. Observa-se a pluralidade de
nomenclaturas adotadas para essas coleções, estando elas, muitas das vezes,
representadas pelos repositórios digitais, coleções de teses e dissertações,
coleções de periódicos científicos (portais), dentre outras.
De qualquer modo, o uso de redes sociais nesses ambientes, sejam eles
de coleções de periódicos, ou de documentos históricos, ou repositórios, dentre
outros, é uma iniciativa que poderá garantir a visibilidade, por conseguinte
aumentará o uso do que é oferecido à comunidade por meio dos documentos
digitais armazenados na coleção. Logo, o objetivo deste texto é analisar o uso
de

redes

sociais

por

bibliotecas

digitais

de

periódicos

vinculadas

às

identificar

as

universidades federais do Estado de Minas Gerais.
Como

objetivos

de

natureza

secundária,

citam-se:

potencialidades do uso das redes sociais nos portais de periódicos; conhecer os
tipos de redes utilizadas; e reconhecer os serviços prestados pelos portais do
estado de Minas Gerais.

�69

Como procedimento de investigação, adota-se a pesquisa bibliográfica
realizada na literatura internacional, seguida da pesquisa documental nos
websites dos portais. O primeiro tipo de pesquisa visou fornecer bases teóricas
acerca de como e para que os portais têm feito uso das redes sociais; ao passo
que o segundo objetiva identificar se os portais de periódicos utilizam as redes
sociais,

considerando

publicados

na

como

literatura

base

de

de

recomendação

Biblioteconomia/Ciência

os
da

apontamentos
Informação

e

selecionados mediante o levantamento bibliográfico.

2 USO DE REDES SOCIAIS E SERVIÇOS OFERECIDOS EM PORTAIS DE
PERIÓDICOS: APONTAMENTOS TEÓRICOS
O uso de redes sociais por indivíduos e instituições é um fenômeno
mundial no atual século. Em bibliotecas, essas mídias têm aparecido com
grande

frequência,

sobretudo

em

países

desenvolvidos

ou

em

desenvolvimento. As bibliotecas universitárias, em especial, têm unido esforços
no sentido de atender as necessidades dos estudantes, apoiando as atividades
acadêmicas mediante a disseminação dos serviços, por meio do Facebook,
Twitter, YouTube e Instagram, sendo o Facebook e os Blogs os mais preferidos
na visão desses usuários (WINN; GROENENDYK; RIVOSECCHI, 2015).
As redes sociais são páginas da internet que possibilitam a criação de
perfis personalizados e individualizados, de uma pessoa ou organização, haja
vista

ampliar

a

divulgação

e

criar

diferentes

formas

de

interação

e

compartilhamento com outros utilizadores. No âmbito das bibliotecas digitais, o
Twitter se destaca por ser um serviço de microblog, também caracterizado
como

uma

ferramenta

de

marketing

para

os

serviços

informacionais

(VASSILAKAKI; GAROUFALLOU, 2015).
As diferentes redes existentes conferem à biblioteca escolher a melhor
que atenda seus objetivos, considerando o perfil do público atendido pelos
serviços oferecidos. Além dessas páginas garantiram a ampliação do que a
biblioteca oferece, por meio do marketing informacional, elas também

�70

possibilitam atender as perguntas de pesquisas dos estudantes, a qualquer
hora e em qualquer local. Dentre as redes mais utilizadas pelos usuários, o
Facebook e as mensagens instantâneas em aplicativos de dispositivos móveis
vêm atraindo a atenção dos usuários, por conseguinte, sendo ofertadas pelas
bibliotecas acadêmicas (BARO; EFE; OYENIRAN, 2014).
No âmbito das bibliotecas digitais de periódicos eletrônicos, essas
plataformas também podem diversificar a oferta de serviços, com uso da mídia
social para atingir diferentes propósitos. Os portais de periódicos são
repositórios de coleções especializadas de revistas científicas que garantem a
preservação da produção científica de uma instituição, além de facilitarem as
consultas aos artigos publicados nas revistas, como também aumentar a
visibilidade dessa produção. Esses ambientes se destacam, sobremaneira, por
serem facilitadores na conversão de periódicos publicados por sociedades e
universidades acadêmicas para acesso aberto, em particular nas Ciências
Sociais e Humanidades (BJÖRK, 2017).
De acordo com Moffat (2004), os portais da web em geral funcionam
como agregador de conteúdo e fornecem acesso eficiente a informações e
serviços on-line. Esses sites convergem, em um único local, links de hipertexto
para outros sites e coletam informações. Eles fornecem um ponto focal e uma
fonte de informação que pode ser personalizada, permitindo que as pessoas
coletem informações detalhadas, sob demanda.
Considerando a importância dos portais, haja vista a facilidade que
oferecem ao usuário ao procurar sites confiáveis sobre um determinado
assunto, serviço ou produto, torna-se importante criar perfis personalizados
dos portais, com vistas a ampliar a divulgação deles. O perfil criado em redes
sociais determina a maneira pela qual os usuários se apresentam a outros
usuários. O fator de distinção mais importante entre os vários sites é o
intervalo de informações de perfil em que eles mantêm, armazenam e podem
executar operações (NEUMANN et al., 2005).
As redes sociais que oferecem comunicação síncrona, ou seja, realizada
de forma imediata, tais como os aplicativos de mensagens, são tendências
emergentes para os próximos anos. Em países asiáticos, como na Coreia, por

�71

exemplo, por meio de aplicativos de celular, os usuários enviam fotos, vídeos e
músicas, disponibilizando as informações para a rede de contatos. Já nos
Estados Unidos, é mais comum os usuários publicarem mensagens de
conteúdo e qualquer pessoa pode acessá-las (SHIN, 2010).
Embora o estudo de Shin (2010) foque no uso das redes de comunicação
síncrona, cujos resultados demonstraram que a maioria dos usuários utiliza
esses

recursos

para

fins

de

manterem

relacionamentos

pessoais

e

profissionais, evidencia-se que os serviços de informação - com uso das redes
sociais e oferecidos em bibliotecas digitais de periódicos - possam ser úteis,
sobremaneira, a pesquisadores. Para Alwagait, Shahzad e Alim (2015), o uso
das redes sociais pode ser um fator que repercute no desempenho acadêmico
dos estudantes, visto que, diferentes das plataformas tradicionais, esses canais
possuem arquitetura informacional mais adequada, de modo que confere o
equilíbrio entre lazer, troca de informações e desempenho acadêmico.
Assim como nos periódicos científicos, o uso das redes sociais tem
crescido e essa mesma tendência deve ser seguida pelos portais de periódicos.
Não resta dúvida de que, para se ter maior visibilidade e notoriedade no
mundo acadêmico e científico, é necessário ter publicações em periódicos com
fator de impacto. Além disso, o compartilhamento das pesquisas possibilita a
disseminação, por conseguinte, garantirá ao pesquisador, como também ao
próprio periódico, maior reconhecimento, visibilidade, projeção da redação
científica e maior possibilidade de ser citado pelos pares (OLIVEIRA, 2019).
Como em Oliveira, Pulidoet al. (2018) também acreditam no potencial
das mídias sociais para ampliar o impacto das pesquisas científicas, devendo
essas mídias serem utilizadas por pesquisadores e instituições, de modo a
formar uma rede de interação. Com efeito, por meio do uso das redes e dos
estudos

altmétricos,

publicação/divulgação

pesquisadores
das

pesquisas

e

instituições

podem

responsáveis

acompanhar

o

avanço

pela
da

avaliação do impacto na sociedade. Portanto,
[…] novel evidences of social impact of research can be found in social
media, becoming relevant platforms for scientists to spread quantitative
and qualitative evidence of social impact in social media to capture the
interest of citizens. Thus, social media users are showed to be

�72
intermediaries making visible and assessing evidence of social impact
(PULIDO et al., 2018, p. 1).

O

uso

das

redes

sociais

pelos

cientistas

é

um

mecanismo

de

popularização da ciência e constitui um dos grandes efeitos das iniciativas do
acesso aberto. A construção dos portais de periódicos científicos representa
uma dessas tentativas de possibilitar a democratização da ciência para além
dos muros das instituições científicas (BJÖRK, 2017).
Nesse âmbito, as redes sociais constituem estratégias de disseminação e
acesso democrático à informação científica, de forma rápida, cabendo a sua
utilização pelas instituições de pesquisa e de informação. Com efeito, “[…] is
that not only are scientists utilizing social media to communicate their
research, they must […]”. Logo, os recursos viabilizadores do acesso aberto
em comunhão com “[...] the ability to communicate to the masses via social
media

is

critical

to

the

distribution

of

scientific

information

amongst

professionals in the field and to the general population” (EPEREN; MARINCOLA,
2011, p. 1).
Considerando a importância das redes sociais no cotidiano dos cientistas
e da população em geral, e a necessidade de se adequar às novas tendências
da contemporaneidade, justifica-se identificar os tipos de redes sociais
utilizadas nos diferentes contextos do acesso aberto e os propósitos desse uso.
Destaca-se que o fluxo constante de postagens pode ser filtrado para
corresponder aos interesses do usuário por meio da criação de listas. Assim, os
pesquisadores podem agrupar e seguir contas específicas, por exemplo,
periódicos, financiadores, institutos, agências de notícias científicas, blogueiros
e cientistas individuais, em tópicos separados, dentre outras funcionalidades
(NATURE CELL BIOLOGY, 2018).
As redes sociais potencializam a prestação de serviços nas bibliotecas
digitais, com destaque a oferta do marketing informacional (ARAÚJO; PINHO
NETO; FREIRE, 2016). Muitos consideram as redes como complementos ou
tipos de serviços oferecidos nas plataformas digitais. Segundo Alves e Vidotti
(2006), nas bibliotecas digitais, os serviços mais oferecidos são aqueles que
possibilitam a interação entre profissionais que gerenciam as plataformas e

�73

usuários que utilizam as coleções, consolidando, nesse processo, práticas de
mediação e serviços de referência.
As autoras mencionam que os serviços oferecidos podem simples ou
avançados. Os serviços simples compreendem o que é realizado na biblioteca
tradicional, ou seja, são disponibilizadas no ambiente digital obras de
referência, como: bases de dados, bibliografias, dicionários, enciclopédias,
tesauros, diretórios, motores de busca e metabuscadores.
No que se refere aos serviços avançados, eles compreendem tecnologias
interativas, canais de contato, dentre outros recursos oferecidos de modo
síncrono ou assíncrono, possibilitando um melhor uso da biblioteca e seus
recursos. Entre os serviços assíncronos destacam-se os correios eletrônicos (email), formulário na web, frequently asked questions, dentre outros; quanto
aos serviços síncronos, distinguem-se o chat e a videoconferência (ALVES;
VIDOTTI, 2006).
Em especial, as bibliotecas de periódicos eletrônicos, como os portais,
podem aproveitar o potencial desses serviços, de modo que as necessidades
dos usuários sejam sanadas com mais eficiência. Na visão de Santa Anna e
Cendón (2018), a função dos portais é armazenar e disponibilizar um conjunto
de fontes de informação, cujos serviços oferecidos estão associados ao
relacionamento do portal com a comunidade usuária, mediante um processo
de comunicação. Os autores citam como principais serviços que podem ser
disponibilizados nos portais, a saber: correio eletrônico, fóruns de discussão,
agregador de conteúdo, mecanismos de buscas, dentre outros.
A investigação realizada pelos autores em um conjunto de portais
revelou que os portais encontram-se estruturados de forma desigual, a maioria
sem políticas específicas, como também apresentam limitações quanto aos
serviços prestados, grande parte exercendo a função única de diretório. Essa
constatação evidencia a importância e necessidade de se realizar estudos mais
profundos sobre o potencial da oferta de serviços nos portais, como também a
elaboração

de

políticas

de

informação

que

norteiem

o

trabalho

dos

profissionais que atuam com as bibliotecas digitais, sejam elas de quaisquer
tipos de documentos.

�74

No intuito de se manter serviços de qualidade, como também garantir a
atualização dos meios de comunicação e interação, como as redes sociais,
destaca-se a importância do trabalho realizado por profissionais capacitados,
tais como jornalistas, designs gráficos, bibliotecários, dentre outros. A esse
respeito, Silveira (2018) afirma que a equipe deve ter compromisso consultivo
e técnico, formada, principalmente por bibliotecário, professor, analista de
sistema, dentre outros.

3 METODOLOGIA
As bibliotecas digitais de periódicos, também denominadas de portais de
periódicos, desempenham um papel importante para a comunidade científica e
tendem a contribuir para a consolidação de um novo modelo de comunicação
para a ciência, o acesso aberto. Em virtude dessa importância e do
crescimento do número de periódicos na sociedade, optou-se por analisar esse
escopo de pesquisa, no âmbito das coleções digitais das universidades
brasileiras.
Para este estudo, ainda que diante de muitas controvérsias acerca do
uso do termo “bibliotecas digitais”, consideram-se os portais de periódicos
como bibliotecas, haja vista as tendências apontadas na pesquisa de Santa
Anna

(2018),

sobre

o

uso

dos

serviços

oferecidos

nos

portais

das

universidades federais de Minas Gerais. Além disso, a realidade brasileira tem
apontado alguns importantes portais com essa denominação, tal como o da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES)11 e o
da Universidade Federal do Paraná (UFPR)12, dentre outros.
A delimitação pelo estado de Minas Gerais se justifica por esse estado ser
o segundo maior em extensão territorial do Brasil, além da influência que

11

O Portal de Periódicos da CAPES é uma biblioteca virtual que reúne e disponibiliza a
instituições de ensino e pesquisa no Brasil o melhor da produção científica internacional.
Endereço para acesso: https://www-periodicos-capes-gov-br.ez27.periodicos.capes.gov.br/
12
A Biblioteca Digital de Periódicos da UFPR objetiva garantir a visibilidade mundial, por meio
da internet, aos artigos técnicos e científicos publicados nas revistas dessa instituição.
Endereço para acesso: https://revistas.ufpr.br/wp/historico/

�75

exerce na economia e na produção científica. As universidades analisadas
foram selecionadas, a partir do estudo realizado por Santa Anna (2018), que
identificou

a

universidades

existência
públicas

de
(das

portais
onze

de

periódicos,

existentes

nesse

apenas,

em

cinco

estado),

que

são:

Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Universidade
Federal de São João Del Rey (UFSJ) e Universidade Federal do Triângulo
Mineiro (UFTM).
A partir dos endereços eletrônicos desses portais expostos na obra de
Santa Anna (2018), procedeu-se à pesquisa documental nos websites
conduzida por três etapas e as respectivas ações, a saber:
 1 –Levantamento das características dos portais: identificação do
nome, instituição gestora e foco principal de cada portal, inserindo essas
informações em um quadro sistemático;
 2 – Mapeamento dos serviços oferecidos: localização dos tipos de
serviços, com destaque ao uso das redes sociais;
 3 – Discussão dos dados coletados: contextualização com estudos da
literatura e indicações de melhoria/recomendações para os portais.
A partir das três etapas definidas para este artigo, considera-se que a
metodologia caracteriza o estudo como descritivo, de abordagem qualitativa.
Quanto aos procedimentos técnicos, adotou-se a pesquisa bibliográfica, a
partir do levantamento na literatura; pesquisa documental, mediante a
consulta às plataformas dos portais; e, por fim, análise de conteúdo,
comparando as evidências da literatura com a realidade investigada.
A fim de validar as informações coletadas, sobretudo na pesquisa
documental, registra-se que a consulta aos websites foi realizada em 05 de
dezembro de 2019. Os endereços eletrônicos de cada portal constam
mencionados no anexo A, deste trabalho, conforme exposto, também, no
estudo de Santa Anna (2018).

�76

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir dos resultados oriundos das coletas de dados, é possível
perceber que os portais de periódicos das universidades federais do Estado de
Minas Gerais não estão apresentados de forma padronizada. Isso porque, a
estrutura com que as informações estão disponibilizadas no website não
apresenta semelhanças no que tange à arquitetura informacional, aos recursos
tecnológicos escolhidos para oferta dos serviços e interação com usuários,
além de aspectos de visibilidade, como cor, tamanho da fonte dos textos,
dentre outros detalhes.
Quanto aos dados investigados no que se refere às características dos
portais, percebeu-se heterogeneidade no que tange à denominação do portal,
à instituição gestora e aos objetivos de cada uma das plataformas, conforme
apresentado no quadro 1.
Portal
UFJF

UFMG

UFOP

UFSJ
UFTM

Conforme

Quadro 1 – Nome, instituição gestora e foco dos portais
Nome formal
Instituição/unidade
Foco principal
gestora
Portal de Periódicos UFJF
Não mencionado
Científicos
da
Universidade Federal
de
Juiz
de
Fora
(UFJF)
Periódicos UFMG
Diretoria de Tecnologia da Aumentar
a
Informação do Centro de visibilidade
dos
Computação (DTI-CECOM), periódicos
Centro de Comunicação produzidos
no
(CEDECOM),Escola
de âmbito
da
Ciência
da
Informação Universidade
(ECI)
e
Biblioteca
Universitária
Portal de Periódicos Sistema de Bibliotecas e Aglutinar,
num
Eletrônicos da UFOP
Informação (SISBIN) da mesmo local virtual,
UFOP
as publicações de
conteúdo
técnicocientífico
Portal de Periódicos Não mencionado
Não mencionado
Eletrônicos da UFSJ
Revistas Eletrônicas - Não mencionado
Não mencionado
UFTM
Fonte: Dados da pesquisa (2019).

demonstrado

no

quadro

1,

nota-se

que

o

nome

é

autoexplicativo, fazendo menção ao nome da universidade a que está
vinculado. Em nenhum dos portais há denominação ou mera menção de que se

�77

trata de uma biblioteca ou coleção digital, como aparece nos Portais da CAPES
e da UFPR. A esse respeito, Santa Anna (2018) pontuou que a falta de
padronização das informações e a escassez de recursos levam a crer acerca da
necessidade de melhorias nos processos de estruturação, organização e
gestão, com equipe técnica específica para atuar nesses processos. Se assim
for, os portais poderão ser denominados ou pelo menos caracterizados como
bibliotecas digitais especializadas de periódicos científicos.
Resultados similares são observados a partir das análises aos dados
referentes à equipe que gerencia o portal, sendo que em dois portais não
foram encontradas informações sobre a equipe gestora. Destaca-se que em
duas universidades, há menção à participação das equipes das bibliotecas, o
que evidencia que esse possa ser um campo promissor de trabalho para o
bibliotecário.

As discussões apresentadas

na

literatura

confirmam essa

evidência:
[...] Electronicjournals open upmanyexcitingopportunitiesandpotentials
for academiclibrariesalso. […]Librarians need to be able to identify and
balance the factors that would make electronic journals a success or
failure in their libraries. […] The libraries would do well to publicize such
journals that they find scholarly enough and within the subject scope,
providing user initiation and education facilities […] (VIJAYAKUMAR;
VIJAYAKUMAR, 2005, p. 12-13).

Além disso, os autores citados reforçam sobre a necessidade de
identificar, separar e combinar os perfis de usuários, a fim de manter uma
melhor mediação entre o conteúdo fornecido nas publicações dos periódicos e
as necessidades da comunidade. Com efeito, a atuação do profissional e da
instituição não está, apenas, na oferta dos serviços e atendimento aos
usuários, mas também na gestão das coleções que são publicadas. Portanto,
“[...] librarians may provide access to them through their Home Page and even
take the responsibility of archiving them” (VIJAYAKUMAR; VIJAYAKUMAR,
2005, p. 13).
Quanto ao foco e escopo, a maioria dos portais analisados não apresenta
essa informação, algo considerado como inadequado, visto a importância que
exerce quando os objetivos da plataforma estão bem definidos e expressos, de
acordo com as recomendações propostas por Santa Anna (2018). Os objetivos

�78

apresentados em dois portais demonstram que é função do portal aumentar a
visibilidade da produção institucional. Segundo Moffat (2004), o portal é o
espaço que congrega, por meio de uma única interface, toda a produção
periódica

da

instituição,

garantindo

que

ela

tenha

um

alcance

mais

abrangente, aumentando, portanto, a visibilidade institucional.
Após o levantamento das características dos portais, analisaram-se os
dados relacionados aos serviços oferecidos. A consulta aos websites identificou
a discrepância, também, na oferta de serviços, cujo portal da UFMG é o que
menciona maior número de informações sobre alguns tipos de serviços
prestados. Os serviços analisados foram alinhados às seguintes categorias:
canais de contato, mecanismos de buscas e treinamentos, classificação essa
estabelecida por Santa Anna (2018). Para este estudo, acrescentou-se, como
nova categoria de serviço, o uso das redes sociais pelos portais. O quadro 2
demonstra os principais serviços oferecidos, com destaque ao uso de redes
sociais pelos portais.
Quadro 2 – Serviços oferecidos nos portais e o uso de redes sociais
Instituição

Nome

Canais
para
contato

Mecanismo de Treinamentos
busca

Redes sociais

Busca portítulo Palestras,
do periódico
treinamentos e
ordenado
workshops
alfabeticamente
com filtros , por
unidade
acadêmica e
por área de
conhecimento.
Não oferece
busca no
contéudo dos
periódicos

Facebook,
Twitter e Fórum

UFJF

Portal de
Periódicos
Científicos

UFMG

Periódicos
UFMG

Telefone,
correio
eletrônico e
endereço

UFOP

- Portal de
Periódicos
Eletrônicos
da UFOP

Correio
eletrônico,
atendimento
presencial
agendado e
telefone

�79
Instituição

Nome

Canais
para
contato

Mecanismo de Treinamentos
busca

UFSJ

- Portal de
Periódico
da UFSJ

Busca por título
do periódico.
Não oferece
busca no
contéudo dos
periódicos

UFTM

- Revistas
eletrônicas
– UFTM

Busca por título
do periódico.
Não oferece
busca no
contéudo dos
periódicos

Redes sociais

Fonte: Dados da pesquisa (2019).

Pelos dados coletados e expostos no quadro 2, observa-se que os portais
não seguem uma padronização na oferta de serviços, o que evidencia, segundo
Santa Anna (2018), a necessidade de se instituir equipe gestora, liberação de
recursos e políticas informacionais que garantam a realização de uma trabalho
íntegro, sistêmico e condizente com o que está expresso em políticas
regionais, nacionais e internacionais.
A partir dos serviços contemplados no Portal da UFMG, percebe-se que
alguns deles estão condizentes com o que menciona a literatura internacional.
Para Moffat (2004), o portal precisa disponibilizar recursos on-line que apoiam
os membros de uma instituição em todos os aspectos de suas aprendizagens,
ensino, pesquisa e outras atividades. Os recursos podem ser internos ou
externos e incluem recursos de informação locais e remotos (livros, revistas,
bancos de dados, sites, objetos de aprendizagem, imagens, sistemas de
informações de alunos etc.), serviços baseados em transações, registro, envio
de tarefas, avaliação etc., e também oferecer ferramentas colaborativas, por
exemplo calendários, e-mail, bate-papo, dentre outros.
Os serviços oferecidos em um portal, seja ele de periódico científico,
governo eletrônico ou de outra natureza corporativa, é uma variável
considerada de grande valor para a satisfação dos utilizadores. A esse respeito,
o estudo de Ayo et al. (2016, p. 347, grifo nosso) identificou que “[…]
competence of e-service support staff, system availability, service
portfolio, responsiveness and reliability, in that order, were found to be most

�80

significant in rating e-service quality”. Logo, essas variáveis precisam ser
consideradas pela equipe que arquiteta e gerencia o portal.
A partir da constatação demonstrada na pesquisa de Ayoet al. (2016),
depreende-se, para este estudo, a importância da oferta de serviços
diversificados e padronizados, como também, o papel de profissionais com
expertise no ramo da organização de periódicos, destacando-se, nesse
contexto, bibliotecas e bibliotecários, como reforçado por Santa Anna (2018) e
Vijayakumar e Vijayakumar (2005).
No que se refere ao uso de redes sociais pelos portais, novamente,
apenas o da UFMG oferece esse tipo de recurso para interação com a
comunidade usuária, com destaque o uso do Facebook, Twitter e Fórum. O
uso

desses

recursos

só

tem

a

potencializar

a

prática

bibliotecária,

independente do contexto e do tipo de biblioteca. O estudo de Mishra (2008),
desenvolvido há dez anos, já reforçava essa vantagem, ao afirmar que o
ambiente da web 2.0 não apenas aprimora a usabilidade prática na biblioteca,
mas também ajuda os bibliotecários na economia de recursos e a agregar
valor à profissão, dado o valor ou potencial do bibliotecário, o qual tem sido
muito questionado no cenário da informação digital.
O potencial das mídias sociais está no fato de que “[...] professionals
can reach to number of users at time and they are able to provide similar
kind of information to large community of the users […]”. Nesse contexto, em
virtude da expansão da tecnologia e a adesão das pessoas aos recursos
midiáticos, “[...] the use of social networking sites in library is increasing
days by day and it helps to library professionals to build personal interaction
with their users” (PRIOLKAR; GANDHINAGAR, 2015, p. 1).
Acerca dos tipos de redes utilizadas pelas bibliotecas e que o bibliotecário
muito pode aproveitar o potencial da tecnologia aliado a suas habilidades, o
estudo de Canty (2012) identificou a existência das principais mídias em seis
bibliotecas nacionais. Destaca-se que o Facebook, o Twitter e o YouTube são
utilizados em todas as bibliotecas (figura 1), o que evidencia o potencial
dessas mídias, sobretudo por garantir a mescla na diversidade de recursos
visuais e interativos presentes nesses três tipos de redes.

�81
Figura 1 – Bibliotecas nacionais que utilizam redes sociais

Fonte: Adaptado de Canty (2012, p. 5).

Existem diversos estudos publicados na literatura que exploram o uso
das redes sociais no âmbito das bibliotecas (BARO; EFE; OYENIRAN, 2014,
VASSILAKAKI; GAROUFALLOU, 2015), sendo poucos os estudos que focam nas
bibliotecas especializadas de periódicos (BJÖRK, 2017). Em linhas gerais,
mesmo que o uso venha aumentando, por parte das bibliotecas para
visibilidade de seus produtos e serviços, o que enaltece o papel do marketing
informacional, nesse contexto - como pontuou Araújo (2018) - Hamad,
Tbaishat e Al-Fadel (2016) afirmam que a preferência no uso das redes pelos
bibliotecários está na criação de perfis pessoais para ascensão profissional.
Mesmo não sendo aproveitadas como deveriam, como se constata nos
websites deste estudo, Emezie e Nwaohiri (2016) acreditam no potencial
dessas mídias e afirmam que o uso tende a crescer nos próximos anos. Nas
palavras dos autores:
Social networks have become new avenues for libraries to interact with
their patrons. Social networks allow individuals to join and create a
personal profile, then formally connect with other users of the system as
social friend. This new concept is precipitated by the emergence of
information and communication technologies which has ushered in web
tools applications for libraries […] (EMEZIE; NWAOHIRI, 2016, p. 107).

O estudo desses autores considerou que o Facebook é o site de rede
social mais utilizado e que as bibliotecas o utilizam como forma de ampliar o
público, que passa a curtir, comentar e compartilhar eventos, informações,
dentre outras novidades. Embora os Blogs e Fóruns não tenham uma
comunicação imediata como outras mídias, eles também são bastante

�82

utilizados, sobretudo no que tange à disseminação de notícias variadas para os
públicos. Outras mídias muito valorizadas e que podem ser utilizadas a gosto
das bibliotecas são: MySpace, LinkedIn, Delicious, Flickr, Wikis, YouTube,
Podcasts, Academia.edu e Hi5 (EMEZIE; NWAOHIRI, 2016).
Utilizado pelo Portal da UFMG, o Twitter, considerado como um serviço
de microblog, está se tornando cada vez mais popular entre as bibliotecas
como um meio de alcançar os usuários e como uma ferramenta de marketing
para seus serviços (VASSILAKAKI; GAROUFALLOU, 2015). Os autores ainda
discorrem que o uso do Twitter pelas bibliotecas teve um impacto na maneira
como interagir em um ambiente on-line, sendo necessário refletir sobre
algumas questões importantes antes da escolha por essa rede, tais como: a
privacidade on-line; a sobrecarga de informações; o surgimento de novas
comunidades on-line; e, finalmente, a política de marketing das bibliotecas.
Com todo efeito, faz-se necessário, na tomada de qualquer decisão,
considerar alguns fatores essenciais na modernização de qualquer serviço de
informação: perfil da comunidade usuária, políticas institucionais, recursos e
equipe gestora. Mesmo que os resultados encontrados na realidade investigada
demonstrem a baixa adesão ao uso das redes sociais, e a literatura reforçando
a necessidade e contribuição dessas mídias, esses fatores precisam ser
considerados mediante a institucionalização de um plano de gestão para
implementação das redes sociais nas bibliotecas digitais de periódicos
científicos das instituições brasileiras.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo realizado demonstra que o uso de redes sociais pelos portais de
periódicos das universidades federais de Minas Gerais ainda é pequeno, visto
que apenas uma instituição adota três tipos de redes, diante da diversidade
existente com a evolução da web 2.0. Além disso, essa diversidade pode ser
muito mais explorada para benefícios das bibliotecas, seus profissionais e
públicos.

�83

Pelos resultados alcançados a partir da contextualização dos dados,
evidencia-se que o Portal da UFMG, ao oferecer os serviços do portal mediante
o uso do Facebook e do Twitter, tem a possibilidade de ir muito além das
instâncias institucionais. Ademais, ao criar vínculos com usuários de outras
realidades, aumenta-se a visibilidade do portal, sendo essa uma estratégia de
marketing e, ao mesmo tempo, de fidelização da comunidade aos serviços
informacionais oferecidos. Quando ao uso do Fórum, embora seja uma mídia
com menos recursos interativos e de abrangência mais limitada, o seu uso
garante a divulgação de notícias e demonstra que a instituição une esforços
no sentido de diversificar as formas de contato com seus públicos.
Por meio dos propósitos intermediários deste estudo, foi possível,
também, confirmar sobre as potencialidades das redes socias, resumidas em:
ampliação do marketing; consquistas e fidelização de novos públicos;
aumento no uso dos recursos e serviços; estabelecimento de relações com
outras instituições; e práticas de colaboração. Outro aspecto pontuado neste
artigo

foi

a

identificação

dos

serviços

oferecidos

nos

portais,

sendo

constatada heterogeneidade no que é o oferecido, o que aponta para a
necessidade

da

criação

de

diretrizes,

norteadas

em

políticas,

para

padronização de serviços oferecidos nesses ambientes.
Sendo assim, a partir dos apontamentos da literatura, percebe-se que,
antes de qualquer mudança, seja no sentido de instituir ou melhorar o uso
das redes sociais, é preciso criar um plano de gerenciamento. Nesse plano, a
formação de uma equipe especializada, a alocação de recursos e a criação do
plano de marketing são iniciativas primordiais a serem registradas.
Também como efeito das discussões exploradas na literatura, e
considerando o que não foi constatado na realidade analisada, elencam-se
algumas recomendações que poderão subsidiar a elaboração do plano de
gestão para o uso das redes sociais pelos portais, recomendações distribuídas
em quatro grupos, a saber:
 Estudo de usuário: mediante técnicas de coleta de dados com
entrevistas e questionários, serão conhecidas as necessidades dos
usuários;

�84

 Diagnóstico institucional: observação interna, com o propósito de
reconhecer os recursos que poderão ser utilizados;
 Infraestrutura tecnológica: identificação de aparato tecnológico
necessário para criação das redes socias e os custos envolvidos;
 Formação/treinamento de pessoal: identificar o potencial dos
membros das equipes, e como as habilidades e competências podem
ser exploradas. Recomenda-se que a equipe seja interdisciplinar, desde
que

contenha,

obrigatoriamente,

a

presença

de

bibliotecários

especilizados em bibliotecas digitais.
Essas são algumas indicações que poderão contribuir para as bibliotecas
que desejam utilizar o potencial das redes sociais na ampliação dos serviços
oferecidos em coleções digitais, sejam elas de qualquer tipologia documental.
Em coleções de periódicos, o uso das redes viabilizarão benefícios não apenas
a bibliotecários, mas também, aos atores envolvidos com a comunicação da
ciência, que se sustenta, em grande parte, pelos trabalhos disseminados em
periódicos eletrônicos, e, na grande maioria, inseridos nos portais eletrônicos.
Por fim, finaliza-se este estudo reforçando a ampliação do campo de
trabalho para o bibliotecário, que não se resume, apenas, à gestão dos
acervos físicos. Por meio das bibliotecas digitais e com o potencial dos
recursos da web, a informação não encontra obstáculos ou limites que
impeçama transposição de barreiras geográficas. Com as redes sociais,
bibliotecários têm a possibilidade de enaltecer o papel da biblioteca,
construindo e reconstruindo relações com públicos diversos e tornando
visível, cada vez mais, a contribuição e o valor da biblioteca e da prática
bibliotecária para a sociedade.
Este estudo se manifesta como o despontamento para investigações
mais profundas, acerca do papel da biblioteca, com uso das redes sociais, no
âmbito das bibliotecas digitais, especificamente, dos portais de periódicos.
Portanto, sugerem-se estudos aplicados em portais de outras regiões
brasileiras, como também investigação com bibliotecários acerca do que
esses profissionais consideram sobre a realidade dos portais e o potencial das
mídias digitais. O artigo também estimula o desenvolvimento de um estudo

�85

aplicado, haja vista a elaboração de um plano de gestão que contemple o uso
das redes sociais nos portais. Também desperta a importância que as
políticas institucionais exercem na manutenção dos serviços de qualidade e a
necessidade da liberação de recursos por parte das instituições, com o intuito
de garantir que os serviços sejam criados e mantidos com base na melhoria
contínua.

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WINN, Dee; GROENENDYK, Michael; RIVOSECCHI, Melissa. Like, Comment,
Retweet: Understanding Student Social Media Preferences. Partnership: The
Canadian Journal of Library and Information Practice and Research, v. 10, n. 2,
p. 1-14, 2015.
ANEXO A – ENDEREÇO ELETRÔNICO DOS PORTAIS
NOME DO PORTAL
Portal de Periódicos Científicos da
Universidade Federal de Juiz de
Fora
Periódicos Universidade Federal de
Minas Gerais
Portal de Periódicos Eletrônicos da
Universidade Federal de Ouro Preto
Portal de Periódico da Universidade
de São João Del Rey
Revistas eletrônicas Universidade
Federal do Triângulo Mineiro
Fonte: Santa Anna (2018).

ENDEREÇO ELETRÔNICO
http://portal.ufjf.emnuvens.com.br/
https://www.ufmg.br/periodicos/
https://portaldeperiodicos.ufop.br/
http://www.seer.ufsj.edu.br/
http://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/

�88

DADOS BIOGRÁFICOS

Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia. Atuante no
ramo da prestação de serviços de orientação, escrita,
normalização e lecionamento em trabalhos e pesquisas
acadêmico-científicos. Atua como editor e assessor do Periódico
Pró-Discente, como também compõe a diretoria da Associação
de Bibliotecários de Minas Gerais, ocupando o cargo de
secretário e editor da ABMG Editora.
E-mail: professorjorgeufes@gmail.com

�89

CAPÍTULO V - O potencial da divulgação científica no
YouTube e o combate à desinformação: um estudo de casos
múltiplos para planejamento de serviços
Jose Ricardo da Silva Neto
Gabriela Natale Vicalvi Ribeiro

1 INTRODUÇÃO
Promover a divulgação científica é um grande desafio em tempos de fake
news, na qual a disseminação viral da informação sobrepuja a capacidade
humana de absorver todas as notícias e checar a veracidade dessas. Para lidar
com esse cenário, é importante que as redes sociais sejam apropriadas para a
disseminação de informação científica, sem deixar de instruir seu público sobre
como identificar fake news e campanhas de desinformação que são veiculadas.
Os conceitos de “divulgação científica” e “desinformação” são trabalhados
ao decorrer dos tópicos, tendo como finalidade fomentar a discussão acerca
das possibilidades, potencialidades e dificuldades da utilização da plataforma
como meio de disseminação da informação. O que é relevante para a
Biblioteconomia,

mediante

a

sua

missão

de

“facilitar

a

criação

de

conhecimento” prevista na missão que norteia o Atlas13, “está intimamente
ligado aos princípios associados com o desenvolvimento de uma aprendizagem
independente” (FERREIRA, 2018, p. 58).
Dessa forma, cabe à Biblioteconomia o combate à desinformação,
fomento à disseminação da informação e compreensão dos fenômenos
informacionais emergentes na sociedade. Devido “a missão do bibliotecário de
contribuir com a facilitação da criação do conhecimento para a melhoria das
comunidades” (FERREIRA, 2018, p. 58), é crucial compreender como podemos

13

LANKES, R. David. The Atlas of the New Librarianship. Cambridge: MIT Press, 2011

�90

utilizar o YouTube como veículo para a divulgação científica e combater a
desinformação propagada dentro da plataforma.

2 O YOUTUBE
O YouTube foi criado em fevereiro de 2005 por três ex-funcionários da
empresa de comércio PayPal, Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karim. Em
novembro de 2006, a Google comprou o site por cerca de 1,65 bilhões de
dólares; agora, o YouTube funciona como uma das subsidiárias da Google. O
sucesso da plataforma é atribuído à possibilidade dada ao usuário de produzir
e exibir seu próprio conteúdo, o que a diferencia por completo das outras
mídias de massa, como explanado por Felinto (2008):
O que nos fascina num site como o YouTube não é apenas a
possibilidade de tornarmo-nos produtores culturais (extrapolando,
portanto, a posição de meros consumidores a que nos condenavam as
mídias de massa). Seduz-nos o enorme leque de possibilidades
oferecidas
pelas
aparentemente
inesgotáveis
capacidades
de
armazenamento do meio, pois ele nos oferece acesso a uma infinidade
de produtos: cenas de antigos seriados de televisão ou filmes clássicos,
propagandas,
momentos
decisivos
em
históricas
competições
esportivas, clipes de música dos nossos artistas favoritos, blogs,
documentários de viagem, entrevistas com celebridades e muito mais
(FELINTO, 2008, p. 39).

Consequentemente, com cada usuário tendo liberdade de produzir e
postar seu próprio conteúdo (desde que não fira as diretrizes da plataforma), o
leque de possibilidades e assuntos ali contidos crescerá exponencialmente com
o passar do tempo. Para Burges (2009, p. 23), “O YouTube, mais ainda do que
a televisão, é um objeto de estudo particularmente instável, marcado por
mudanças dinâmicas (tanto em termos de vídeos como de organização)”, uma
vez que ele sofre contínuas alterações de política para os produtores de
conteúdo, além da diversidade de conteúdos produzidos, que se desenvolvem
em ritmo diferente da televisão, mas, de maneira similar, despeja conteúdo
por meio de serviços e frequência análoga à “mesmice” do cotidiano (BURGES,
2009).

�91

Os vídeos com maior audiência são indicados, por vez, para um número
ainda maior de usuários, causando a “viralização” daquele conteúdo. Segundo
Felinto (2008, p. 35), “O princípio viral consiste na repetição dos mesmos
signos, na incessante multiplicação das imagens e símbolos que, num
paroxismo semiótico, terminam por abolir as fronteiras entre o real e o
simulado”. Essa cadeia de produção e consumo, seguida da recomendação,
acaba por tomar proporções titânicas devido ao número de usuários e
produtores de conteúdo na plataforma.
Dessa forma, corroborando os problemas da facilidade do acesso à
informação, como dito por Felinto (2008, p. 38), “Nunca a informação foi tão
barata e acessível. Se toda a história da humanidade foi caracterizada pela
raridade da informação — e daí seu valor intrínseco — hoje sofremos por seu
excesso”. Contudo, é necessário lembrar que, segundo Pierre Lévy (1999, p.
49), “as características virtualizante e desterritorializante do ciberespaço fazem
dele o vetor de um universo aberto”, possibilitando, em si, novas formas de
aquisição, acesso e compreensão de diferentes contextos e informações que,
por questões econômicas, sociais ou físicas, antes da existência desses
recursos, seriam drasticamente limitados.

3 DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO YOUTUBE
O YouTube é uma plataforma cujo intuito majoritário está ligado ao
entretenimento. Com 3.341.947.598 visualizações até as 14 horas e 54
minutos do dia 04 de maio de 2019, PSY - Gangnam Stye(강남스타일) M/V é o
vídeo mais assistido de toda a plataforma, nos levando a pensar que o
conteúdo científico não teria espaço nela. No entanto, divulgação científica em
redes sociais possibilita um meio para a promoção da comunicação da ciência,
utilizando

o

potencial

compartilhamento,

do

socialização

ambiente
e

trocas

digital
de

para

a

experiência,

disseminação,
informação

e

conhecimento (REALE; MARTYNIUK, 2016). Carvalho aponta que inúmeros
canais do YouTube já se dedicam à divulgação científica.

�92
Há inúmeros canais dedicados a essa temática. Alguns chegam a atrair
milhares de usuários, engajando-os em torno de um assunto que com
frequência é visto como hermético e que tem pouco impacto social. Os
youtubers têm utilizado todos os recursos dessa plataforma para
mostrar o contrário: a ciência faz parte do cotidiano e afeta a qualidade
de vida das pessoas (CARVALHO, 2016, p. 11).

A divulgação científica no YouTube e outras redes sociais, segundo Reale
e Martyniuk (2016, p. 6), “trabalha para promover uma nova cultura científica
na qual o diálogo com a população aconteça de maneira natural”. Logo, para a
promoção desse conteúdo, nessas plataformas, é necessário alinhar-se com o
formato de comunicação daquele canal. No caso do YouTube, como alguns
canais de divulgação científica já perceberam, faz-se necessário incorporar
linguagens audiovisuais e recursos multimídia mais palatáveis para atrair e
cativar seu público, como apontado por Silva Neto:
[...] uma característica recorrente nestes canais é a presença de
recursos multimídia ligada ao tipo de informação que está sendo
disseminada. Estes por sua vez, além de tornar o vídeo atrativo ajudam
no entendimento do que está sendo apresentado ao público. Por se
tratar de um conteúdo complexo e muitas vezes maçante, este aparato
é recorrente para não deixar o vídeo monótono e manter o interesse do
público (SILVA NETO, 2018, p. 3).

Nos canais de divulgação científica mais populares no YouTube, Silva
Neto (2018, p. 4) aponta que “A mescla do conteúdo informativo com os
recursos multimídia tem se mostrado principal característica dos canais com
ênfase em conteúdo científico e intelectual”. Essa característica agrega um
diferencial ao canal segundo Felinto (2008, p. 39): “No contexto de um mundo
do excesso informacional, essa sensibilidade estética faz todo sentido. Isso não
nos explica, contudo, por que certos produtos alcançam popularidade
expressiva e outros não — uma questão fundamental”.
O alinhamento do conteúdo científico à realidade do público alvo é um
fator importante para atender o anseio da sociedade pela informação científica.
Devido a isso, é crucial planejar a linguagem do canal de acordo com o público
alvo que se deseja alcançar. Para Silva Neto (2018, p. 3), “a adaptação da
comunicação acaba levando a uma mudança na forma e no meio onde a
informação é disseminada.” Já que, por ter acesso à informação científica com
esse gancho ligado aos seus interesses, ou a sua realidade, o receptor acaba

�93

por assimilar de maneira mais objetiva de qual forma a ciência impacta em sua
realidade, deixando claro a ele a importância dela, gerando assim um anseio
por compreender melhor o mundo que o cerca.
E devido ao anseio da sociedade por informação, ligando a facilidade do
acesso ao dilúvio informacional da internet, começa a surgir canais do
YouTube dedicados à disseminação de informações científicas e
explicações técnicas sobre o funcionamento e origem de coisas
cotidianas (SILVA NETO, 2018, p. 3).

Atualmente, a escolha pelo YouTube por parte dos produtores de
conteúdo

ocorre

por

essa

ser

a

maior

plataforma

de

exibição

e

compartilhamento de vídeos na internet. Propiciando, então, uma oportunidade
de, por meio do planejamento de conteúdo e edição de vídeo cuidadosa,
atingir um grande número de usuários,o que dá a chance de que os canais e
seus vídeos tenham uma crescente visibilidade na plataforma. Associado à
possibilidade de angariar recursos por meio da monetização adequada do
canal, seguindo as diretrizes da plataforma, o YouTube acaba oferecendo
vantagens em relação às outras redes sociais, como afirma Dal Pian (2015):
Um dos grandes benefícios proporcionados pelo YouTube é o
compartilhamento de informações úteis à construção coletiva do
conhecimento, fazendo uso das diversas ferramentas típicas das
plataformas e linguagens do audiovisual. Estudiosos, pesquisadores,
intelectuais, educadores e demais especialistas em diferentes áreas do
saber passaram a se utilizar dos recursos e técnicas de captação e
edição de vídeos para produzir, compartilhar e dialogar com outros
usuários da rede acerca de diferentes temas filosóficos, científicos e
tecnológicos (DAL PIAN, 2015).

A fim de melhor explicar essa conexão entre os conteúdos multimídia e
científico, veremos, a seguir, uma rápida análise de alguns dos canais
brasileiros mais relevantes com foco em ciência na plataforma do YouTube.
Mas, antes, é preciso pontuar a explicação da escolha dos canais e a realização
das análises.
Devido à necessidade de analisar canais que servem como bons
exemplos de divulgação científica no YouTube, os canais selecionados possuem
entre si variados níveis e formas na presença do entretenimento em conexão
com a divulgação científica. Como uma forma de buscar canais efetivos e
relevantes para a divulgação científica, foi dada preferência à seleção de canais

�94

que tivessem pelo menos 500.000 (quinhentos mil) inscritos na data do dia 19
(dezenove) de agosto de 2019 (dois mil e dezenove) por volta das 16h (quatro
horas da tarde).
O ponto central da análise foi a estética do canal e sua conexão com o
público na execução da divulgação científica, com a finalidade de cunhar
orientações sobre isso para quem está começando, pois, segundo Schneider,
Caetano e Ribeiro (2012, p. 6), “As escolhas em relação aos aspectos visuais
dessas tipografias, como o tamanho, a cor, a posição, a relação com o plano
de fundo é, muitas vezes, feita de forma intuitiva, empírica”. O que expõe
certa demanda de material acadêmico que traga exemplos e orientações sobre
a divulgação científica por vídeos em plataformas de redes sociais. Os autores
também ressaltam que:
Além disso, as características como cor, fonte, tamanho, relação com o
plano de fundo e a posição e interação que cada elemento desempenha
representam um papel importante no aprendizado e têm suas
especificidades de utilização. Cada detalhe deve ser devidamente
escolhido e planejado para que a composição visual final seja atrativa,
legível e adequada ao público (SCHNEIDER; CAETANO; RIBEIRO, 2012,
p. 4).

A composição visual em conexão com o conteúdo científico e a temática
de entretenimento, quando presente, geram um contraste interessante, o qual
Schneider, Caetano e Ribeiro (2012, p. 8) caracterizaram como “uma
ferramenta

de

expressão

que

intensifica

significados

e

simplifica

a

comunicação, ao mesmo tempo em que estimula e atrai a atenção”. Isso
reforça a importância de observarmos casos onde essa combinação deu certo,
a fim de compreendermos melhor como ampliar a efetividade dos canais de
divulgação científica.

4 CANAIS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DO YOUTUBE
O primeiro canal a ser observado é o METEORO BRASIL. O canal foi
iniciado em 2017 e possui, atualmente, cerca de 583 mil inscritos. O foco do
canal são assuntos ligados à filosofia indo ao encontro da cultura pop,

�95

mostrando a relação entre as obras de entretenimento e os temas ou
pensadores citados. Podemos mencionar como exemplo os vídeos “STEVEN
UNIVERSE, MELANCIAS &amp; ROUSSEAU”, “GAME OF THRONES E MUDANÇAS
CLIMÁTICAS” e o “YOSHI: UM DINOSSAURO CONTRA A EXTINÇÃO DA
INOCÊNCIA”.
O canal aborda assuntos complexos com linguagem acessível e palhetas
de cores ordenadas para serem tão chamativas quanto as conexões c
com vídeo
games, cinema, música, arte e afins. No entanto, a seriedade dos temas
trabalhados não se perde em meio a isso, possuindo modalidades de vídeo que
variam entre documentários, reflexões e análises sobre os assuntos abordados.
A estética do canal abusa
usa do branco, verde ou padrões que lembram a folhas
de caderno para os momentos mais sérios.
Imagem 1 - Exemplo da estética “Meteoro Brasil”

Fonte: C
Canal Meteoro Brasil no YouTube (2020).
Imagem 2 - Segundo exemplo da estética “Meteoro Brasil”

Fonte: C
Canal Meteoro Brasil no YouTube (2020).

�96

Nessa mesma linha de vincular ciência e cultura pop, há também o canal
NERDOLOGIA. Iniciado em 2010, hoje, o canal com 2,5 milhões de inscritos,
é um dos maiores canais de divulgação científica do YouTube Brasil. Ele mescla
o conteúdo científico às hipóteses de como os elementos ficcionais das obras
de entretenimento funcionam segundo a ciência. Como exemplo, há vídeos
como: “O Rei Leão poderia crescer comendo insetos?”, “E se você levasse um
meteoro de Pégaso” ou “E se os nazistas tivessem ganho a guerra?”.
Abordando assuntos como biologia, física, história e outros campos do
conhecimento, eles explicam de maneira objetiva os mais diversos princípios
científicos subjacentes aos eventos abordados nos vídeos.
Com um modelo de vídeos mais diretos e “simples”, por não utilizar de
tantos recursos audiovisuais, temos o CANAL DO PIRULA, que foi iniciado no
ano de 2006, possuindo, atualmente, cerca de 822 mil inscritos. Focado no
campo da Biologia, o canal aborda diversos temas, curiosidades e notícias em
vídeos no formato de vlog, falando diretamente para a câmera. O canal
CIÊNCIA TODO DIA utiliza essa mesma dinâmica do vlog, com a utilização de
recursos visuais em alguns momentos. Esse canal, por sua vez, conta com
cerca de 934 mil inscritos e foi iniciado em 2012.

5 A DESINFORMAÇÃO E SUAS IMPLICAÇÕES PARA A DIVULGAÇÃO
CIENTÍFICA NO YOUTUBE
O potencial de divulgação científica das redes sociais é inegável.
Estudos14 na área médica ressaltam a importância das redes sociais na
divulgação do conhecimento científico. Lopez-Goñi e Sanchez-Angulo (2017, p.

14

Os estudos aqui mencionados correspondem aos disponíveis na base de periódicos da
Oxford University, cujo acesso era restrito na época em que as informações foram consultadas,
inviabilizando que mais detalhes sobre as publicações fossem fornecidos.

�97

2) pontuam a importância do Twitter15 como uma ferramenta de ensino e
aprendizagem para a sociedade:
In addition, Twitter has been used in teaching and learning, and as a
platform to communicate science to society (Thompson 2015). Recently,
Twitter has been successfully used as a pedagogical tool in an
assessment to enhance the educational experience and increase student
engagement with staff and course content in several science and
medical education programs (Mckay et al. 2014; Diug, Kendal and Ilic
2016; Gonzalez and Gadbury-Amyot 2016). However, despite the
general recommendation for the use of Twitter in academic
environments, there are yet scarce examples available in the literature
of its use in science communication (LOPEZ-GOÑI; SANCHEZ-ANGULO,
2017, p. 2).16

Não obstante, esse potencial informacional pode ser explorado em outras
redes sociais além do Twitter. Lopez-Goñi e Sanchez-Angulo (2017, p. 3)
também pontuam essa amplitude, ressaltando a característica dinâmica das
redes sociais como positivas para garantir “uma visibilidade” internacional da
ciência:
Social networks are optimal platforms for bridging the gap between
research, education and science popularization. They can be an online
dynamic display for research lines and publications, allowing an
enhancement of the visibility of our science worldwide. Twitter
microbiology courses have been an excellent way to make science open
and accessible to all readers free of charge. This is also a call for all of
you who are interested in joining as a Twitter professor in a panEuropean Microbiology MOOC (LOPEZ-GOÑI; SANCHEZ-ANGULO, 2017,
p. 3).17

15

Twitter é uma rede social que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais
de outros contatos, por meio do website, SMS, aplicativos ou por softwares específicos em
dispositivos móveis.
16
Além disso, o Twitter tem sido usado no ensino e aprendizagem, e como uma plataforma
para comunicar a ciência à sociedade (Thompson 2015). Recentemente, o Twitter foi usado
com sucesso como uma ferramenta pedagógica em uma avaliação para aprimorar a
experiência educacional e aumentar o envolvimento dos alunos com a equipe e o conteúdo do
curso em vários programas de ciências e medicina (Mckay et al. 2014; Diug, Kendal e Ilic
2016; Gonzalez e Gadbury-Amyot 2016). No entanto, apesar da recomendação geral para o
uso do Twitter em ambientes acadêmicos, ainda existem poucos exemplos disponíveis na
literatura sobre seu uso na comunicação científica (LOPEZ-GOÑI; SANCHEZ-ANGULO, 2017, p.
2).
17
As redes sociais são plataformas ótimas para preencher a lacuna entre pesquisa, educação e
popularização da ciência. Eles podem ser uma exibição dinâmica on-line para linhas de
pesquisa e publicações, permitindo um aprimoramento da visibilidade de nossa ciência em
todo o mundo. Os cursos de microbiologia do Twitter têm sido uma excelente maneira de
tornar a ciência aberta e acessível a todos os leitores gratuitamente. Este é também um
convite para todos vocês que estão interessados em ingressar como professor do Twitter em
um MOOC pan-europeu de microbiologia (LOPEZ-GOÑI; SANCHEZ-ANGULO, 2017, p. 3).

�98

Contudo, há uma problemática inerente à pós-modernidade. Com a
popularidade da internet e a democratização do acesso por meio das redes
sociais, o conteúdo das mídias pode ser elaborado e divulgado tanto por
conhecedores quanto por leigos em um determinado tema abordado. Essa
democratização

acabou

por

criar

um obstáculo

para

a

divulgação

de

informações de caráter científico por, além de perpassar o conhecimento
factual, abranger, também, o senso comum.
A disseminação de desinformação é, também, um efeito colateral da
cibercultura. Por ser um ambiente em constante mudança, usuários sem
qualquer conhecimento sobre determinado conteúdo apresentado no YouTube
e que adentrem esse ambiente pela primeira vez podem absorver um conceito
de forma diferente de usuários com algum domínio prévio da área abordada.
Ripoll (2017, p. 2341), ao mencionar a “reconfiguração” das informações,
afirma:
Com o surgimento do hipertexto e da cibercultura, houve o retorno da
informação contextualizada (o ciberespaço é atemporal), universalizada
(o ciberespaço é ubíquo), contudo, sem ser totalizada: uma vez que as
informações no ciberespaço são continuamente reconfiguradas pelos
seus usuários, dentro desse universo em constante transformação que é
o ciberespaço, os sentidos das informações são continuamente
reconstruídos, reestruturados e ressignificados coletivamente (RIPOLL,
2017, p. 2341).

Desse modo, essa “ressignificação” não necessariamente respeita o
caráter pragmático da ciência, possibilitando que se abra uma porta para a
propagação de informações falsas. Para Ripoll (2017, p. 2341),
Do ponto de vista sociológico, instaura-se no mesmo cenário a
decadência das verdades universais, a ascensão da dúvida e da
desconfiança em relação à história oficial, a problematização das
grandes narrativas e as novas formas de relação com o saber. Estas são
características de uma condição, que Lyotard (2004) definiu como ‘pósmoderna’ (RIPOLL, 2017, p. 2341).

A presença de informações de cunho duvidoso em redes sociais demanda
maior cautela ao caracterizar a divulgação científica no YouTube. Devido à
ressignificação, o youtuber pode caminhar na contramão da ciência, mesmo
que, para ele, a base científica ainda se mantenha. Essa alteração, embora
rápida, em alguns casos, faz com que a credibilidade de determinada

�99

informação se perca em uma inferência precipitada. Grande parte dessas
inferências surge de um exemplo da vida particular, de uma informação
disponibilizada pela mídia ou, em alguns casos, oriunda da própria comunidade
científica.
Em 2012, a equipe do apresentador Jô Soares convidou um pesquisador
da USP18 para participar de uma entrevista em seu programa. Após a exibição
do programa, alguns canais publicaram sobre a entrevista com a chamada
“(...)A farsa do aquecimento global(...)”, “Aquecimento Global - uma farsa” e
“[Erro500] O aquecimento global não existe”. Na época, o pesquisador havia
apresentado algumas inferências contrárias ao aquecimento global, o que
causou polêmica no meio acadêmico. Como resposta, um dos canais de
divulgação científica19 apresentou um vídeo contendo dados de outras
pesquisas

relacionadas

a

esse

fenômeno

e

sua relação

com

a

ação

antropogênica nos últimos séculos, para pontuar uma possível falha na
medição dos dados da pesquisa do pesquisador da USP, uma vez que o seu
resultado não correspondia ao de outros estudos que comprovam o fenômeno.
Para que um conhecimento seja considerado como científico, é preciso
que a aplicação dos métodos que o qualificam como tal ocorra criteriosamente,
o que para Marconi e Lakatos:
O conhecimento científico [...] difere do popular muito mais pelo que se
refere a seu contexto metodológico do que propriamente por seu
conteúdo. Essa diferença ocorre também em relação aos conhecimentos
filosófico e religioso (teológico) (MARCONI; LAKATOS, 2017, p. 4).

Ao analisarmos a literatura cinzenta, percebemos que existem critérios a
serem seguidos para que as informações apresentadas se aproximem mais
facilmente da realidade. Antes de iniciar uma exposição de argumentos para
validar conclusões perante os dados coletados, o pesquisador precisa recorrer
a uma metodologia que permita uma aproximação mais precisa aos fatos, caso
contrário haverá uma chance considerável de sua linha de raciocínio estar

18

Por motivos éticos, o nome do pesquisador foi ocultado no texto.
O canal em questão corresponde ao canal Canal do Pirula, cujo intuito é informar sobre
temas que adentrem às ciências da natureza e a área de biológicas.
19

�100

equivocada. Faz-se necessário o uso de uma metodologia consistente, no
intuito de aproximar-se da realidade.
Grande parte dos dados e informações apresentados nos canais de
divulgação científica é retirada de fontes respeitadas por pesquisadores e
acadêmicos.

Porém,

nem

todos

selecionados

para

a

divulgação

são

apresentados da forma como estão descritos nas fontes de informação
originais, o que impede que a credibilidade seja validada.
Ao abordar os canais de divulgação científica, verificamos que esses
realizam uma pesquisa aprofundada e atentam para a seleção de fontes de
informação confiáveis, para que não haja a disseminação de informações
falsas, enquanto os canais de desinformação tendem a manipular20 os dados
em prol de uma linha de pensamento. Tal ação é apresentada por Floridi
(2011):
‘Disinformation’ is simply misinformation purposefully conveyed to
mislead the receiver into believing that it is information. If we analyse
epistemic relevance in terms of cognitive efforts, clearly misinformation
makes no worthwhile difference to the informee/agent’s representation
of the world (FLORIDI, 2011, p. 260).21

Entretanto, vemos que o ato de desinformar não está, estritamente,
relacionado com a manipulação da totalidade dos dados. Por exemplo, o
youtuber pode utilizar-se de dados verdadeiros e, ainda assim, promover a
disseminação de desinformação. Se o youtuber utiliza dados estatísticos de um
determinado ano, que não correspondem ao valor do ano atual, para validar
seu

ponto

de

vista,

ele

está

desinformando

seu

público

com

dados

comprovados cientificamente, ainda que com a alteração ou omissão da(s)
data(s) correspondente(s) à amostra.

20

Considera-se aqui, a manipulação em seu significado pejorativo, de acordo com o quarto
verbete do dicionário online Michaelis (2019): “provocar o falseamento da realidade; adulterar,
falsear.”
21
"Desinformação" é simplesmente desinformação propositalmente transmitida para induzir o
destinatário a acreditar que é informação. Se analisarmos a relevância epistêmica em termos
de esforços cognitivos, claramente a desinformação não faz diferença importante na
representação do mundo do informado/agente (FLORIDI, 2011, p. 260).

�101

Essa prática é uma estratégia recorrente em regimes totalitários, como
mencionado por Shultz e Godson (c1984, p. 10). Segundo os autores, em
determinado período na URSS, eram utilizadas propagandas e bloqueio a
informações divergentes dos interesses do governo soviético para exercer
poder perante outras nações, o que acaba por inserir um background político
para tal ação:
Os líderes soviéticos usam a expressão ‘medidas ativas’ (aktiivnyye
meropriatia) para descrever um conjunto de ações abertas ou
dissimuladas destinadas a influenciar eventos e comportamentos nos
países estrangeiros, e as atividades desses países. Antes de 1960 o
termo [...] era usado em alguns círculos soviéticos para descrever estas
técnicas. As medidas ativas podem destinar-se a influenciar a política de
outros governos, minar a confiança em seus líderes e em suas
instituições, deteriorar as relações diplomáticas entre nações ou
desacreditar e enfraquecer opositores governamentais ou não. Isto
frequentemente envolve tentativas de mascarar o alvo (a elite dos
quadros oficiais ou não, os estrangeiros, ou o público em geral) e de
distorcer a maneira como o alvo capta a realidade (SHULTZ; GODSON,
1984, p. 10).

Entretanto, a exposição de dados e informações de fontes respeitadas
pela academia tende a fazer com que o público a tome como “confiável”, uma
vez que os retirou de fontes também utilizadas por especialistas. Partindo
desse ponto, entramos em outro aspecto mencionado por Floridi(2011,p. 260),
“[…] astrological data may, accidentally, lead to a scientific discovery but they
are not, for this reason, epistemically relevant information”.22
Sendo assim, por exemplo, o youtuber,ao dizer que a Bóson de Higgs é
estudada pelos físicos do CERN para melhor entender as origens do
universo,está divulgando um fato sobre ciência. Porém, se ele a usa para
comprovar sua fé em Deus - uma vez que o termo ‘partícula de Deus’ é um
sinônimo para o Bóson de Higgs -ao associar o fato com uma ideologia, sem
informar a mudança de embasamento, o conteúdo apresentado pode ser
caracterizado como uma tentativa de desinformar, mesmo que seja do
interesse do público. Para Floridi (2011):

22

Dados astrológicos podem, acidentalmente, levar a uma descoberta científica, mas, por esse
motivo, não são informações epistemicamente relevantes.

�102
The student who answers ‘Napoleon’ to the question ‘who fought at
Thermopylae?’ has said something false and hence uninformative and
fortiori epistemically irrelevant, to someone who asked the question in
order to be informed about the battle, although his answer is
informative about, and hence might be epistemically relevant to
someone interested in assessing, the student’s historical education
(FLORIDI, 2011, p. 260).

Dessa forma, para um pesquisador que tenha como objeto de estudo a
interferência da religião nos fatos científicos, o vídeo, antes caracterizado como
desinformativo, passa a agregar informação, uma vez que se torna o objeto de
estudo de uma área do conhecimento. Contudo, o vídeo só será considerado
como informativo para o público que obtiver o acesso à pesquisa em questão.
Uma diferença que podemos encontrar entre esses canais e os canais de
divulgação científica é a presença marcante da defesa de um ponto de vista
político-ideológico. Não obstante, há uma seleção de informações verdadeiras
associada a uma comunicação que visa convencer o espectador de que esta
seleção é um “compilado” das principais informações existentes na área
abordada, com o intuito de resumir sua compreensão.
Outro fator que contribui para descaracterizar a informação científica é o
descontrole ocasionado pelo excesso de conteúdo disponível. Ripoll (2017, p.
2336) aborda esse tema, caracterizando o ciberespaço como uma infosfera que
impede uma melhor reflexão e seleção do conteúdo disponível:
Vive-se dentro de uma infosfera, que produz constantemente uma
grande quantidade de informações, de forma que o próprio indivíduo
parece não dar conta de interpretar e refletir sobre a carga
informacional disponibilizada diariamente ao seu aparato cognitivo. Não
bastasse a explosão informacional, que leva o volume de informações a
um nível muito mais difícil de acessar e interpretar, ainda se soma a isso
a mistura de informação verídica com informações e dados falsos,
propagados muitas vezes de forma negligente e até intencional (RIPOLL,
2017, p. 2336).

Serva (2001, p. 124) também aborda o excesso de informação como
antagonista para o processo de construção de uma cognição com um viés
científico. Para ele:
O crescimento da chamada indústria da informação também tende a
provocar uma distorção: a saturação do consumidor diante de um
universo de milhares de informações, muito maior do que ele pode
processar. Conseqüência natural dessa emissão excessiva de conteúdos
é a neutralização de informações: muitas notícias se perdem devido a
saturação dos consumidores e dos meios (SERVA, 2001, p. 124).

�103

Como em um debate, o youtuber defende um ponto de vista diante de
um tema de interesse para o espectador. Porém, ambos estão mediados por
uma tela, provavelmente a uma distância considerável um do outro. Os
comentários exercem um papel importante na validação das informações
apresentadas via YouTube. É nesse ambiente que se tentará contestar ou
concordar com os fatos apresentados e, caso seja relevante, se apresentará a
opinião de conhecedores - ou não - da área de estudo.
Outro ponto que fortalece a propagação de desinformação é a linguagem
utilizada para “informar” o espectador. Visando o entretenimento, muitos
canais recorrem à linguagem e a fontes mais acessíveis em uma estratégia de
aproximação. Tal medida poderia ser considerada como uma qualidade positiva
para a divulgação científica, contudo, utilizar fontes midiáticas para a
elaboração de conteúdo com o intuito de confirmar um ponto de vista, pode
acabar inserindo o youtuber em uma armadilha argumentativa.Ao mesmo
tempo que a mídia apresenta um caráter informativo, essa também apresenta
um caráter opinativo, que é diretamente influenciado pelo conhecimento
cultural e técnico do jornalista envolvido. Serva (2001, p. 123) chama atenção
para esse aspecto ao informar os processos de formação de uma notícia e as
ressignificações que podem ser formadas no processo de reciclagem de
“fatos”:
O sistema de construção da notícia jornalística se dá através de
procedimentos
técnicos,
denominados
“edição”,
que
visam
explicitamente a satisfazer a necessidade de informação do consumidor.
Ao mesmo tempo, tais procedimentos estabelecem essa necessidade
uma vez que se voltam principalmente para a publicação de “notícias”,
definidas como narração de fatos novos. Na ausência de notícias
genuinamente novas, o jornalismo veste como novos muitos fatos que
em verdade não o são (SERVA, 2001, p. 123).

Ao analisar as estratégias para informar o espectador, percebemos que
tanto os canais de divulgação científica quanto os de desinformação visam
despertar a sua curiosidade. Para Serva (2001, P. 123), “a curiosidade do
leitor se dá por novidades, não por textos que descrevam o desenvolvimento
de

notícias

publicadas

nos

dias

anteriores”. Tal curiosidade

pode

ser

considerada uma estratégia, que também é empregada no jornalismo
convencional, para que pessoas que usualmente não se interessariam por

�104

determinado conteúdo por sua complexidade, vejam-no como mais palatável e
atrativo e transformem-se em novos consumidores do conteúdo em questão.
Esses processos desinformantes são essenciais ao trabalho jornalístico.
Omissão, sonegação, submissão deformação, saturação, neutralização e
redução são conseqüências do processo de edição que, embora
“naturais”, invertem a vocação expressa do jornalismo: a missão de
informar (SERVA, 2001, p. 124).

Para chamar a atenção do público, é necessário que a linguagem
abordada se aproxima da utilizada no cotidiano e, assim, o discurso é
modelado de forma a causar polemização, como apontamSilva e Grillo (2019):
Portanto, a utilização de ambas as modificações do discurso indireto nos
dois canais aponta para um mesmo objetivo pretendido: a associação
dos enunciados com a esfera científica, na tentativa de firmar-se como
fontes confiáveis de informações científicas. Isso explica, ainda, a
utilização da modificação analítico-verbal não para uma quebra de
paradigmas pela polemização, mas para produzir concordância com o
discurso científico já existente, e consequentemente, ser a ele associado
(SILVA; GRILO, 2019).

Essa característica acaba por mesclar a informação científica com a
desinformação, uma vez que youtubers destes canais visam aproximar-se dos
fatos científicos para ganhar a credibilidade do público. Ainda para Silva e Grilo
(2019):
O discurso direto é definido por Volóchinov como um estilo pictórico de
transmissão do discurso alheio, de extrema leveza de interação e de
penetração mútua entre discurso autoral e alheio e, portanto,
desassociado de um contexto científico e racionalista. Utilizando-nos
dessa definição, aliada aos conceitos de Bakhtin (2011), notamos que o
discurso direto é utilizado em nossos corpora para marcar uma
associação do enunciado aos gêneros primários do discurso, os gêneros
do cotidiano, em contraposição aos secundários (nos quais se incluem os
gêneros científicos), marcados pelo discurso indireto (SILVA; GRILO,
2019).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a criação da Internet e o advento da cibercultura, novos meios de
informação surgiram e estão rapidamente atraindo cada vez mais usuários,
inclusive no meio acadêmico. O YouTube é uma fonte de informação
relativamente nova quando comparada às mais tradicionais, tratando-se de

�105

uma ferramenta que apresenta desafios para o pesquisador quanto a sua
confiabilidade. No entanto, seu amplo alcance e facilidade de acesso o tornam
um ambiente com alto potencial para a divulgação científica. Devido a isso, a
possibilidade de utilização desta rede por profissionais da informação não pode
ser ignorada.
Contudo, para que ocorra o uso devido dos canais do YouTube no
processo

de

mediação

de

informações

científicas,

faz-se

necessária

a

construção prévia de competências informacionais que assegurem a qualidade
das informações selecionadas, além da aplicação de metodologias científicas,
tanto qualitativas quanto quantitativas, de acordo com a demanda implícita ou
explicitamente apresentada.
Portanto, compete ao profissional da informação auxiliar nesse processo
de verificação e adotar tal veículo como uma ferramenta para a divulgação de
informações em geral de forma ética e consistente.

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Desinformação: medidas ativas na estratégia soviética. Rio de Janeiro:
Nórdica, 1984. p. 10.

DADOS BIOGRÁFICOS

Jose Ricardo da Silva Neto: Graduado em
Biblioteconomia. Pesquisador na área de Ciência
da Informação, com o foco em jogos digitais,
produção do conhecimento e imaginário.
E-mail: falecomjosericardosilva@gmail.com

Gabriela Natale Vicalvi Ribeiro: Graduanda em
Biblioteconomia.
Interessada
nas
temáticas:
arquitetura da informação e Desinformação.
E-mail: vicalvi.gabriela@gmail.com

�108

CAPÍTULO VI – Redes sociais e comunicação na Biblioteca
Professora Etelvina Lima: um relato de experiência
Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Elaine Diamantino Oliveira
Maianna Giselle de Paula
Rosimeire Silva Campos de Lima
Vivian Ascenção Fonseca

1 INTRODUÇÃO
As redes sociais tornaram-se um importante mecanismo de comunicação
no decorrer das primeiras décadas do século XXI. A facilidade de interação
promovida por essas mídias estimulou a sua popularização. Hoje, as pessoas
se comunicam de modo instantâneo e diversificado, cujas mensagens são
transmitidas de variados modos, seja por meio de imagem, som, texto, dentre
outros recursos.
É certo que o potencial dessas redes é alcançado quando se exploram os
recursos da Web 2.0, os quais enriquecem as características das redes. Assim,
as redes sociais tornam-se facilitadoras das atividades realizadas em um
contexto

social,

sendo

utilizadas

para

ligar

pessoas

e

organizações,

fortalecendo as ações de compartilhamento e divulgação de notícias e
produtos, práticas de entretenimento, dentre outras.
Levando em consideração essas características e funcionalidades de uma
rede social, como também, a expansão de uso na sociedade contemporânea, é
que as bibliotecas têm feito uso dessas mídias para enaltecer a oferta de
produtos e serviços que colocam à disposição de diferentes públicos. Presume-

�109

se que as bibliotecas utilizam das redes para adentrarem-se à realidade dos
usuários, de modo que essas unidades sejam mais visíveis e reconhecidas pelo
público-alvo.
A literatura tem comprovado o crescimento de uso das redes sociais
pelas bibliotecas brasileiras, em especial no contexto universitário. Segundo
Araújo, Pinho Neto e Freire (2016), o benefício desse uso é a garantia da
comunicação efetiva e personalizada e do marketing do que é oferecido. Para
Pontes (2016), as redes sociais estão, cada vez mais, no cotidiano das
organizações, incluindo-se, nesse contexto, as bibliotecas, as quais poderão
ampliar a oferta dos produtos, serviços, comunicação e relacionamentos.
Mesmo com as evidências da literatura, nota-se que há carência de
estudos práticos que demonstrem o modo com que as bibliotecas fazem uso
das redes sociais, como pontuado por Ribeiro, Leite e Lopes (2014). Esses
autores

afirmam

que,

por

enquanto,

“[...]

observa-se

apenas

uma

virtualização dos serviços já existentes, e não a criação de novos serviços
usando as potencialidades das redes sociais [...]” (RIBEIRO; LEITE; LOPES,
2014, p. 25).
Este capítulo está ancorado na necessidade apresentada por Ribeiro,
Leite e Lopes (2014), acerca da importância de apresentar relatos de caso ou
experiências quanto ao uso das redes sociais pelas bibliotecas universitárias. O
presente estudo caracteriza-se como um relato de experiência, considerando o
que tem sido realizado pela Biblioteca Professora Etelvina Lima da Escola
Ciência da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ressalta-se que a Biblioteca está vinculada, tecnicamente, ao Sistema de
Bibliotecas da UFMG, cuja missão é apoiar as atividades de ensino, pesquisa e
extensão dessa universidade. Dentre o público universitário atendido pela
Biblioteca da ECI, o foco principal está nos cursos de Graduação em
Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia, além dos cursos de Pós-Graduação
em Ciência da Informação e Gestão e Organização do Conhecimento.
Portanto, o objetivo deste capítulo é apresentar o modo com que as
redes sociais são utilizadas pela Biblioteca Professora Etelvina Lima. Para
alcançar esse fim, são

estabelecidos, também, os

seguintes objetivos

�110

intermediários: apresentar fundamentos sobre o uso das redes sociais nas
bibliotecas, conforme relatado na literatura; identificar, dentre os produtos e
serviços ofertados, as redes sociais utilizadas pela Biblioteca Professora
Etelvina Lima; e expor a concepção e as características das redes utilizadas
nessa unidade de informação.
Com efeito, o presente texto está estruturado em seis seções, incluindose esta parte introdutória. Após a introdução, o texto apresenta alguns
fundamentos teóricos, as informações sobre a Biblioteca, as características das
redes sociais utilizadas, e, por fim, é finalizado com as considerações finais e
as referências.

2 USO DAS REDES SOCIAIS NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
ALGUNS APONTAMENTOS TEÓRICOS
As redes sociais vêm sendo utilizadas em larga escala por diferentes
atores da sociedade, com propósitos variados, sobretudo no que tange ao
compartilhamento de informações para fins pessoais e/ou profissionais
(LABADESSA, 2012). Nas organizações, segundo Labadessa (2012), o uso
dessas ferramentas vem crescendo, tendo em vista ampliar os mecanismos de
comunicação, além de viabilizar a interação entre colaboradores e clientes, de
modo a ampliar a visibilidade e o marketing de produtos e serviços oferecidos.
Araújo, Pinho Neto e Freire (2016) entendem que, nas bibliotecas, essa
realidade não é diferente, sendo as redes sociais, como o Facebook, Twitter,
dentre outras, utilizadas para fins de comunicação efetiva e personalização do
que é ofertado ao público. Além disso, nas bibliotecas, as redes estimulam a
promoção dos serviços e a ampliação dos relacionamentos interpessoais, que
integram “[...] formas de aproximar, manter e aprimorar os laços, tendo em
vista que o objetivo da unidade de informação é atender as necessidades de
informação de seus usuários” (ARAÚJO; PINHO NETO; FREIRE, 2016, p. 3).
Segundo Catoni, Maciel e Trevisol Neto (2019), as bibliotecas precisam
criar perfis em redes sociais, com o propósito de tornarem-se mais conhecidas,

�111

cujas mídias contribuem para expandir a biblioteca a um espaço de
experiência, criatividade e participação ativa da comunidade. Para esses
autores, é preciso que as bibliotecas sejam inseridas na cultura do virtual,
cabendo aos profissionais que a gerenciam a necessidade de reverem o modo
com que se comunicam e divulgam seus serviços no ambiente digital (CATONI;
MACIEL; TREVISOL NETO, 2019).
No contexto das bibliotecas universitárias, muito se discute sobre o uso
das redes sociais e os profissionais reconhecem o potencial dessas mídias,
como estratégia de divulgação. No entanto, as iniciativas práticas ainda são
escassas e requerem maior envolvimento no planejamento e gestão dessas
redes (ANJOS, 2016). A autora reconhece que algumas redes mais populares,
como o Facebook, além de ampliarem a visibilidade da biblioteca, também
permitem a integração entre alunos, professores e funcionários, haja vista
fornecerem alternativas de acesso a diferentes serviços que podem gerar
grandes oportunidades no ambiente universitário.
Além do Facebook, outras redes sociais estão sendo adotadas nas
bibliotecas universitárias, seja como estratégia de marketing, ou com o
objetivo de compartilhar produtos e serviços informacionais essenciais para o
desenvolvimento das atividades acadêmicas (ALBUQUERQUE; PAIXÃO, 2020).
O Instagram, por exemplo, vem crescendo o seu uso, visto que essa rede,
além de fortalecer a visibilidade, possibilita trocas imediatas, interações,
compartilhamentos

e

eventos

mediados

pela

biblioteca,

congregando

diferentes grupos sociais (ALBUQUERQUE; PAIXÃO, 2020).
No contexto brasileiro, as bibliotecas criam perfis nas redes sociais,
embora os utilizem ainda de modo um pouco tímido (AGUIAR, 2012). Nota-se
que, em alguns países, o uso dessas ferramentas vai muito além do marketing.
Nos Estados Unidos, por exemplo, os bibliotecários oferecem serviços de
pesquisa, com interação síncrona, colocando à disposição dos acadêmicos,
acesso aos acervos digitais. As bibliotecas criam perfis em diferentes redes
sociais, tais como Facebook, YouTube, Issuu e Twitter, cujos profissionais
precisam se envolver mais com as redes, interagindo com os comentários dos

�112

usuários, e disseminando conteúdo relevante para pesquisas e para o ensino
(FONG et al., 2020).
Na visão de Kumar (2015), as redes sociais podem ser utilizadas como
espaços de interação para realização de treinamentos, o que reforça o papel
educativo das bibliotecas, sobretudo na promoção dos serviços de referência.
De acordo com esses autores, o uso do Facebook e do Twitter constitui uma
atitude louvável. No entanto, o sucesso dessas atividades demanda não
apenas engajamento dos bibliotecários, mas, e principalmente, planejamento
para que produtos e serviços sejam oferecidos de modo adequado e sejam
constantemente monitorados e avaliados, promovendo constantes melhorias
(KUMAR, 2015).
Independente dos tipos de redes sociais utilizadas, como também,
mesmo com dificuldades no aproveitamento do potencial das redes sociais
pelas bibliotecas universitárias, Prado e Correa (2016) advertem para o fato de
que as mídias sociais apontam o nascimento de novos tempos, e que o fazer
da biblioteca é de expansão, indo além de seus muros. Reforçam os autores
que as mídias se apresentam como um grande desafio e novidade, exigindo
que as bibliotecas adaptem seus produtos e serviços, cuja informação deixou
de ser somente de acesso, mas também de interação (PRADO; CORREA,
2016).

3 A BIBLIOTECA PROFESSORA ETELVINA LIMA
A Biblioteca Professora Etelvina Lima é parte integrante da ECI/UFMG,
ligada administrativamente a essa unidade, e tecnicamente ao Sistema de
Bibliotecas da UFMG. A Biblioteca foi fundada no ano de 1950, quando da
institucionalização do curso de Biblioteconomia. No decorrer dos anos, foi
evoluindo, com o objetivo de atender outros cursos correlatos à Ciência da
Informação, como Arquivologia e Museologia, os quais foram agregados à
unidade acadêmica, no ano de 2008.

�113

Hoje,

essa

unidade

de

informação

é

especializada

nas

áreas

mencionadas, como também contempla o universo da Documentação. A
Biblioteca oferece à comunidade universitária serviços e produtos necessários
ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão. Dispõe de espaços
confortáveis para o desenvolvimento das atividades de estudos, e também
para uma leitura mais descontraída, como pode ser observado na Figura 1.
Figura1 – Sala de Leitura da Biblioteca Professora Etelvina Lima

Fonte: Fotografia registrada por Foca Lisboa (2020).

Destaca-se, na Figura 2, que uma das peculiaridades da Biblioteca “[...]
é servir também de biblioteca-laboratório, espaço vivo para ‘pesquisa de
campo’ na área de Ciência da Informação e em áreas do conhecimento
relacionadas”

(BIBLIOTECA

PROFESSORA

ETELVINA

LIMA,

2020a,

não

paginado).
Figura 2 – Laboratório de Informática da Biblioteca Professora Etelvina Lima

Fonte: Fotografia registrada por Foca Lisboa (2020).

Assim como as demais bibliotecas do Sistema da UFMG, a Biblioteca
Professora Etelvina Lima tem como propósito atender, primordialmente, alunos

�114

e

professores,

sobretudo

no

que

tange

ao

apoio

informacional

para

desenvolvimento das atividades acadêmicas (seja em termos de ensino,
pesquisa e extensão). Esse compromisso da unidade de informação pode ser
identificado por meio da análise à missão, visão e ao objetivo da Biblioteca
(Quadro 1).
Quadro1 – Missão, visão e objetivo da Biblioteca Professora Etelvina Lima
Missão

Apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão, possibilitando a criação de
conhecimento e o fortalecimento da comunidade acadêmica.

Visão

Constituir, permanentemente, em uma biblioteca-laboratório de excelência,
contribuindo para o desenvolvimento crítico e ético de indivíduos. Manter o
compromisso com a democratização do acesso à informação, respeitando a ética e
os valores humanos.

Objetivo

Prestar serviços de excelência, visando a atender as necessidades de informação e
as expectativas da comunidade, bem como capacitar os usuários na utilização dos
recursos e ferramentas informacionais.
Fonte: Adaptado de Biblioteca Professora Etelvina Lima (2020a).

A expansão dos cursos da ECI estimulou o crescimento da Biblioteca,
seja em termos de composição do acervo, estrutura espacial e equipe
funcional. Atualmente, o acervo é composto por 20.048 itens, distribuídos em:
livros, periódicos, trabalhos acadêmicos e multimeios. A Biblioteca ocupa uma
área de 617,03m2, composta pelo espaço do acervo com 192,14m2, um salão
de leitura/estudo de 264.17m2, duas salas de informática, três salas de estudo
coletivo, uma sala da diretoria, uma sala para processamento técnico e uma
sala de videoconferência de 160,72m2. A Figura 3 ilustra alguns desses
espaços, como: espaço de entrada, acervo com as estantes, piso adaptado à
acessibilidade e a sala de videoconferência.
Figura 3 – Espaços físicos com algumas das divisões da Biblioteca

Entrada

Parte do espaço para acervo

�115

Acessibilidade
Sala de videoconferência
Fonte: Fotografias registradas por Foca Lisboa (2020).

Importante destacar os espaços para atendimento aos usuários. Muitas
vezes, as bibliotecas universitárias, a fim de chegarem a um formato desejável
com espaços bem estruturados, dependem de grandes esforços conjuntos
entre bibliotecários e administração central, ou com o apoio das unidades
acadêmicas ou das reitorias para desenvolvimento de projetos, captação de
recursos, dentre outras ações. A Biblioteca também possui um serviço de
auxílio às pessoas com deficiência, conforme especificado no Quadro 2, de
modo a garantir a inclusão de todos no espaço da Biblioteca, facilitando,
assim, a democratização do acesso aos produtos e serviços.
No que se refere aos recursos humanos, a equipe de trabalho é
composta

de

13

colaboradores:

cinco

bibliotecárias,

três

técnicos

administrativos, dois estagiários, um colaborador terceirizado e dois menores
aprendizes vinculados à Cruz Vermelha23.
Outro ponto de destaque da Biblioteca Professora Etelvina Lima diz
respeito à diversidade de produtos e serviços informacionais disponibilizados
para

uso

pela comunidade

universitária.

O

Quadro

2

apresenta essa

diversidade.

23

A UFMG tem convênio com o programa Jovem Aprendiz da Cruz Vermelha, uma ação
voltada ao preparo de jovens ao mercado de trabalho.

�Continua

116

Quadro 2 – Produtos e serviços oferecidos pela Biblioteca Professora Etelvina Lima
Tipo de
produto/serviço

Descrições

Acessibilidade

A Biblioteca possui: a) computador adaptado com monitor 24
polegadas; fone de ouvido; teclado especial com fundo amarelo para
usuários com baixa visão ou visão subnormal; sistema operacional
com software livre NonVisual desktop Access (NVDA), que descreve
os itens em tela do computador por meio de audiodescrição; b)
máquinas adaptadas, também com o software NVDA, nos laboratórios
onde são ministradas aulas dos cursos da Escola; c) piso tátil, que
serve de orientação e direciona o usuário com deficiência visual para
o Serviço de Referência. Além disso, no espaço da Biblioteca não
existem desníveis (degraus e escadas) a serem transpostos; d) parte
da bibliografia básica do curso de Biblioteconomia está em formato
legível por softwares de audiodescrição; e) títulos de literatura em
audiolivros.

Agendamento de
videoconferências

A Biblioteca possui uma sala de videoconferência que atende a
comunidade da UFMG, para a realização de defesas de trabalhos,
reuniões, cursos e entrevistas. A utilização desse espaço dá-se por
meio de agendamento, cujo usuário, ao informar dia e horário
desejado, contará com infraestrutura tecnológica e profissional para a
realização da videoconferência. Tal solicitação pode ser feita de modo
presencial ou por qualquer um dos canais de atendimento da
Biblioteca.

Auxílio na execução de O usuário pode solicitar atendimento individualizado para auxílio em
pesquisas bibliográficas suas pesquisas bibliográficas.
Bases de dados ECI

Boletim Novas
Aquisições

Produzidas e mantidas pela ECI, as bases de dados Literatura
Brasileira em Biblioteca Escolar (LIBES) e PERI oferecem livre acesso
a referências, documentos e literaturas publicadas no Brasil nas áreas
de Biblioteconomia, Ciência da Informação, Arquivologia e
Museologia.
É uma publicação mensal, on-line, disponibilizada no site da
Biblioteca, que tem por objetivo realizar a divulgação dos novos
materiais adquiridos para o acervo. Dentre esses materiais estão os
livros, DVD’s e os trabalhos de especialização, mestrado e doutorado
defendidos na ECI/UFMG. Ressalta-se o trabalho que a Biblioteca
realiza com os livros das novas aquisições, cujo sumário da obra é
digitalizado e disponibilizado, para que o usuário possa, ao receber o
boletim, ter uma clareza melhor do que trata a obra.

Esse serviço acontece em todas as Bibliotecas do Sistema. Nessa
campanha, são oferecidos aos usuários, marcadores de páginas com
instruções do que não se deve fazer com o material da Biblioteca.
Além disso, o Sistema de Bibliotecas da UFMG disponibiliza às
Campanha de
bibliotecas setoriais, cartazes para serem afixados no espaço da
preservação do acervo biblioteca, contendo dicas de como preservar os materiais
bibliográficos. O objetivo é possibilitar ao usuário o uso consciente do
material, evitando danificá-lo. Assim, reduzem-se os custos com
reparos, por conseguinte, a retirada de circulação de materiais.
Serviço de referência virtual que utiliza o software gratuito Tawk.to.
Encontra-se no canto inferior direito do site da Biblioteca. Visa a
agilizar a comunicação entre a Biblioteca e o usuário remoto, que

�Continuação

117

Tipo de
produto/serviço

Descrições

Chat

necessita de alguma informação ou serviço. Com isso, é possível
proporcionar a comunicação e a troca de mensagens sobre
determinados assuntos entre a comunidade acadêmica e a Biblioteca,
de forma síncrona.

Coleção de filmes

A Biblioteca possui uma lista de DVD’s, que fazem parte do acervo e
que estão disponíveis para empréstimo.

Comutação
bibliográfica

Serviço pago no qual o usuário pode solicitar a obtenção de cópias de
documentos técnico-científicos disponíveis em acervos de bibliotecas
e centros de pesquisa do Brasil e de outros países que sejam
participantes do Sistema de Comutação Bibliográfica (COMUT).

Elaboração de fichas
catalográficas

Produção de fichas catalográficas para os trabalhos realizados por
professores e alunos da ECI/UFMG.

Empréstimos

A comunidade acadêmica pode realizar empréstimos de obras
pertencentes ao acervo do Sistema de Bibliotecas da UFMG. Além
disso, por meio de convênios com instituições públicas e privadas, os
alunos da universidade podem retirar materiais em outras bibliotecas
conveniadas.

Eventos promovidos
pela Biblioteca

São promovidos com periodicidade regular dois importantes eventos:
Semana do Bibliotecário e Semana do Livro e da Biblioteca. Ambos
encontram-se na sua IV edição. Esses eventos estão consagrados na
agenda da Biblioteca, contando com vários dias de palestras, cursos e
treinamentos, e são abertos a profissionais e alunos da área, visando
a contribuir com a formação profissional.

Exposições e quadros
de avisos de interesse
da comunidade de
usuários

A Biblioteca divulga, neste espaço, eventos e serviços de interesse da
comunidade acadêmica.

Normas técnicas

Orientação à
normalização de
trabalhos científicos

A Biblioteca dispõe das principais normas da área de Ciência da
Informação, sobretudo no que tange à normalização bibliográfica,
considerando as recomendações da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT) e da International Organization for Standardization
(ISO).
O usuário da Biblioteca pode recorrer aos bibliotecários para
orientação quanto ao uso de manuais e normas, bem como para a
realização de treinamentos nas principais bases de dados da área da
Ciência da Informação e correlatas.

Orientação/treinamento
de usuários
Palestras, aulas e
demonstrações para
usuários

O bibliotecário, a convite ou de iniciativa própria, realiza palestras,
aulas e demonstrações sobre os mais diversos assuntos e serviços
ligados ao seu ofício.

�Conclusão

118

Tipo de
produto/serviço

Descrições

Redes sociais

A Biblioteca possui perfil em três redes sociais amplamente utilizadas
no Brasil. Nelas são divulgados eventos, serviços e comunicados
relacionados à área da Ciência da Informação.

- Twitter:

https://twitter.com/BibEtelvinaLima

- Facebook:

https://www.facebook.com/bibliotecaeci

- Instagram:

https://www.instagram.com/bibliotecaeciufm

Supervisão de estágios Oportunidade concedida aos alunos de vivenciar a rotina de trabalho
curriculares e
do bibliotecário.
extracurriculares
Fonte: Adaptado de Biblioteca Professora Etelvina Lima (2020b).

Conforme destacado no Quadro 2, percebe-se que a Biblioteca faz uso de
três redes sociais, que são: Twitter, Facebook e Instagram. A concepção
dessas três redes sociais, como também a estruturação, finalidades e
dificuldades existentes no contexto dessas mídias são detalhadas na seção
seguinte.

4 USO DAS REDES SOCIAIS E A COMUNICAÇÃO NA BIBLIOTECA
PROFESSORA ETELVINA LIMA
Para atender as necessidades informacionais da comunidade acadêmica e
externa, a qual a Biblioteca está inserida, fez-se necessário criar mecanismos
efetivos de comunicação. Pensando nesse contexto, em 1998, a Biblioteca
desenvolveu o seu primeiro site que, ao longo dos anos, vem se aperfeiçoando
(Figura 4).

�119
Figura 4 – Site atual da Biblioteca Professora Etelvina Lima

Fonte: Site da Biblioteca Professora Etelvina Lima (2020a).

O site proporciona benefícios para os usuários, pois a maioria das
informações relacionadas aos serviços e produtos, eventos de interesse da
comunidade, dentre outras informações encontram-se mencionadas no site.
Segundo Anjos (2016), o objetivo da biblioteca universitária é proporcionar ao
usuário/cliente acesso à informação, sendo primordial a importância em
garantir a visibilidade dos seus produtos e/ou serviços. E, assim, por meio do
site,

a

informação

é

disponibilizada

à comunidade

da

ECI

e

demais

interessados.
Nas últimas décadas, além do site, outras mídias podem ser utilizadas
pelas bibliotecas. Assim, para melhor relacionar com seus usuários e atender
as necessidades informacionais deles, a Biblioteca Professora Etelvina Lima
possui três mídias sociais, que foram desenvolvidas nos seguintes anos: o
Twitter, no ano de 2010, o Facebook, no ano de 2013, e o Instragram, no ano
de 2019.
As práticas realizadas pelas bibliotecas nas redes sociais se destacam
como alternativas digitais e de comunicação com seus usuários. Ao mesmo
tempo e de igual valor, essas práticas possibilitam ampliar o marketing da
biblioteca na divulgação de seus produtos e serviços, como sinalizados nos
estudos de Araújo, Pinho Neto e Freire (2016), Ribeiro, Leite e Lopes (2014),
dentre outros.
O

Twitter

da

Biblioteca

Professora

Etelvina

Lima

está

entre

as

ferramentas disponíveis, sendo tal ferramenta marcante pelo fato de fornecer

�120

informações em tempo real, ou seja, de maneira mais rápida e atualizada. O
Twitter permite o envio de mensagens curtas e instantâneas, conforme
demonstrado na Figura 5.
Figura 5 – Twitter da Biblioteca Professora Etelvina Lima

Fonte: Twitter da Biblioteca (2020).

De acordo com Silva et al. (2012), por meio do Twitter, é possível
agilizar a disseminação e atualização da informação. Também se torna
adequado fortalecer a comunicação e interação com o usuário e a expansão do
serviço de referência que toda biblioteca precisa oferecer (SILVA et al., 2012).
O Facebook é considerado a maior rede social do mundo (GODEIRO;
SERAFIM, 2013). Aproveitando-se desse potencial, a Biblioteca passa a utilizar
essa rede de comunicação para a divulgação dos seus produtos e serviços,
como o Boletim de Novas Aquisições e a agenda de eventos promovidos pela
Biblioteca, tais como: Semana do Bibliotecário, Semana do Livro e da
Biblioteca, dentre outros. A Figura 6 apresenta a página principal da Biblioteca
Professora Etelvina Lima na rede social Facebook.
Figura 6 – Facebook da Biblioteca Professora Etelvina Lima

Fonte: Facebook da Biblioteca (2020).

�121

Nota-se

que

as

bibliotecas

universitárias

precisam

aproveitar

as

tecnologias como uma ferramenta de ajuda, tendo em vista alcançar o objetivo
principal que é a satisfação do usuário. Com o uso do Facebook, esse objetivo
pode ser alcançado, sendo “[...] primordial que os usuários possam realmente
interagir com a biblioteca, através desse canal, tendo o feedback para ambos
os lados” (GODEIRO; SERAFIM, 2013, p. 10). Portanto, a partir das
experiências com essa rede social, é possível perceber que o Facebook passa a
ser um grande aliado da Biblioteca Professora Etelvina Lima na divulgação dos
eventos em tempo real, com diversas possibilidades de interação com o
usuário.
Por sua vez, o Instagram como ferramenta de marketing também é
muito

importante

para

a

Biblioteca,

principalmente

no

potencial

de

engajamento com o público, o que traz grande alcance para as publicações
(Figura 7).
Figura 7 – Instagram da Biblioteca Professora Etelvina Lima

Fonte: Instagram da Biblioteca (2020).

O Instagram se destaca pelo aumento no número de engajamento dos
usuários. Essa rede permite ao usuário curtir e comentar publicações, enviar
posts, seguir e ser seguido, além de acessar novidades que surgem a cada
atualização do aplicativo (OLIVEIRA; HENRIQUE, 2016).
A Biblioteca Professora Etelvina Lima, atualmente, mantém os perfis
ativos nas redes sociais. A equipe responsável por produzir conteúdos e
gerenciar as redes é o Setor de Referência, que consta com bibliotecários e
estagiários do curso de Biblioteconomia e Museologia.

�122

As redes sociais são utilizadas pela Biblioteca, principalmente, com as
seguintes finalidades: a) promover a visibilidade dos produtos e serviços da
Biblioteca; b) auxiliar na divulgação de cursos e eventos gerenciados pela
Biblioteca; c) compartilhar conteúdos relevantes da Biblioteca e outros perfis;
d) aproximar e realizar interações com os nossos usuários reais e potenciais; e
e) ser um canal de comunicação com uma linguagem menos formal.
Em relação ao conteúdo das postagens, ele é exclusivo de interesse das
áreas que envolvem os cursos de Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e
assuntos correlatos. Já em relação à frequência das postagens, ela tende a ser
de duas a três vezes por semana. Para auxiliar na criação dos posts, faz-se o
uso da plataforma de design gráfico Canva24, que permite a edição de texto e
imagem.
As

principais

dificuldades

permanecem

atreladas

à

produção

de

conteúdos relevantes para a comunidade usuária, gerando interesse e
repercussão entre os interessados pelos conteúdos postados. Aliado a essa
questão, a frequência de postagens depende do momento atual, ou seja, a
partir dos eventos da Biblioteca e dos cursos ocorridos, as postagens podem
ser mais efetivas.
A Biblioteca faz parceria com o Laboratório de Informática da ECI, que
oferece suporte e sugere ferramentas gráficas que auxiliam a produção de
conteúdo para as redes sociais, principalmente de edição de imagens, tendo
em vista a valorização da imagem, nesse contexto. A colaboração também
acontece por parte da Biblioteca Universitária, a qual é a responsável técnica
pelas bibliotecas do Sistema e possui um Setor de Comunicação para apoiar as
atividades dessas bibliotecas. De acordo com Silva e Nogueira (2016),
acredita-se que é nesse sentido que o Sistema de Bibliotecas da UFMG criou,
em 2010, uma Divisão de Comunicação (DICOM). Essa equipe é composta por
uma jornalista e três bolsistas, que têm a missão de atender as necessidades
comunicacionais das 25 bibliotecas da instituição.
Assim, para os grandes eventos, existe uma parceria sistêmica na
própria instituição, que garante a colaboração. A colaboração é importante em
24

Disponível em: https://www.canva.com/pt_br/

�123

tempos de mídias sociais, pois é um dos propósitos das mídias, as quais
fortalecem, cada vez mais, as práticas de democratização do acesso à
informação.

Novamente,

as

bibliotecas,

utilizando

as

redes

sociais,

potencializam essa missão de levar conhecimento além de suas paredes,
mediante uma atuação colaborativa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pelas experiências relatadas neste texto, evidenciou-se que, com o
impacto das tecnologias de informação e comunicação e o advento das redes
sociais, a sociedade tem se transformado. Essa situação é percebida por todos,
seja na vida social, no trabalho, no lazer e nas relações entre países.
Por meio das redes sociais, passamos por um processo de mudança
significativa, envolvendo diversas áreas do conhecimento. Hoje, é possível, em
poucos segundos, comunicar-se com uma pessoa do outro lado do planeta.
E as bibliotecas, como não poderiam deixar de ser, passam por estas
transformações, tanto na prática profissional, quanto no modo de comunicar
com o seu público-alvo. As redes sociais têm transformado e contribuído para
as bibliotecas ampliarem o diálogo com seus usuários.
Mediante os relatos da experiência, foi possível apresentar o modo com
que as redes sociais são utilizadas pela Biblioteca Professora Etelvina Lima. O
relato também se embasou nos apontamentos teóricos da literatura, expondo
os fundamentos sobre o uso das redes sociais nas bibliotecas, revelando que,
dentre os produtos e serviços ofertados pela biblioteca analisada, as redes
sociais utilizadas para divulgação desses são: o Twitter, o Facebook e o
Instagram. As ferramentas dessas redes sociais possibilitam a divulgação de
informações, dos serviços e produtos, permitindo, assim, uma linguagem
informal e ao mesmo tempo dinâmica, abrindo canais para comentários,
sugestões, dúvidas, críticas, dentre outras interações por parte dos seus
usuários.

�124

A partir do uso dessas três redes sociais, considerando, sobremaneira, as
funcionalidades de cada uma, percebe-se o quanto elas podem contribuir para
ampliar e fortalecer o papel da Biblioteca junto ao seu público e com a própria
sociedade. Por isso, evidencia-se que os bibliotecários, ao usarem os recursos
das redes sociais, como o Facebook, o Instagram e o Twitter, dentre outras,
estão para além de divulgar os produtos, serviços, eventos da área, cursos e
outras possibilidades para o seu público-alvo. Eles também conseguem, por
meio das redes, promover o marketing da biblioteca, proporcionando maior
visibilidade à instituição e permitindo uma integração social entre os diferentes
públicos.
A Biblioteca Professora Etelvina Lima, parte integrante do Sistema de
Bibliotecas da UFMG, vem buscando trabalhar as estratégias do uso das
tecnologias e mídias sociais em prol dos seus usuários. Desse modo, a
Biblioteca constrói o seu plano de comunicação para atender a comunidade
acadêmica da ECI.

REFERÊNCIAS
AGUIAR, Giseli Adornato de. Uso das ferramentas de redes sociais em
bibliotecas universitárias: um estudo exploratório na UNESP, UNICAMP e
USP. 2012. 184f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Escola
de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/27/27151/tde03122012-160409/publico/Giseli_Aguiar_Dissertacao_final.pdf. Acesso em: 10
nov. 2020.
ALBUQUERQUE, Márcio Thiago dos Santos; PAIXÃO, Pablo Boaventura Sales. O
Instagram como canal de interação entre as bibliotecas e os usuários da
Universidade Federal de Alagoas. Folha de Rosto: Revista de Biblioteconomia
e Ciência da Informação, v. 6, n. 1, p. 50-58, jan./abr. 2020. Disponível em:
https://periodicos.ufca.edu.br/ojs/index.php/folhaderosto/article/view/475.
Acesso em: 25 jul. 2020.
ANJOS, Cláudia Regina dos. A presença da biblioteca universitária nas mídias
sociais: um estudo baseado no Sistema de Bibliotecas da UFRJ. Biblionline,
João Pessoa, v. 12, n. 4, p. 42-56, 2016. Disponível em:
https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/view/31134/17583.
Acesso em: 25 jul. 2020.

�125

ARAÚJO, Walqueline Silva; PINHO NETO, Júlio Afonso Sá; FREIRE, Gustavo
Henrique Araújo. O uso das mídias sociais pelas bibliotecas universitárias com
foco no marketing de relacionamento. Encontros Bibli: Revista Eletrônica de
Biblioteconomia e Ciência da Informação, Florianópolis, v. 21, n. 47, p. 2-15,
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TWITTER DA BIBLIOTECA PROFESSORA ETELVINA DE LIMA. Biblioteca. 2020.
Disponível em: https://twitter.com/bibetelvinalima. Acesso em: 10 nov. 2020.

DADOS BIOGRÁFICOS

Maria Elizabeth de Oliveira Costa: Doutorado em
Gestão e Organização do Conhecimento pela UFMG.
Mestrado em Tecnologia e Gestão em Educação a
Distância pel UFRPE. Presidente da Associação dos
Bibliotecários de Minas Gerais. Exerceu o cargo de
diretora do Sistema de Bibliotecas da UFMG, no período
2006-2013. Atua principalmente em áreas temáticas:
Bibliotecas Universitárias - Gestão de Pessoas, Gestão
em Unidade de Informação, Extensão Universitária e
Ensino a Distância.
E-mail: mabethcosta@gmail.com

Elaine Diamantino Oliveira: Mestre em Gestão e
Organização do Conhecimento (2018) pela Universidade
Federal de Minas Gerais e especialista em Arquitetura e
Organização da Informação (2011), também pela
UFMG. Atualmente é bibliotecária coordenadora da
Biblioteca Professora Etelvina Lima, Escola de Ciência
da Informação, UFMG.
E-mail: elainediamantino@gmail.com

Maianna
Giselle
de
Paula:
Graduada
em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas
Gerais. Possui especialização em Gestão de Instituições
Federais de Educação Superior pela Universidade
Federal de Minas Gerais e formação de leitores pela
Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Exerceu o cargo
de bibliotecária coordenadora da Biblioteca Professora
Etelvina Lima, da Escola Ciência da Informação da
UFMG.
E-mail: maiannag@gmail.com

�128

Rosimeire Silva Campos de Lima: Graduação em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas
Gerais (2008). Atuou na Prefeitura Municipal de
Contagem (2014-2018) como Bibliotecônoma, na área
da Educação, exercendo funções de coordenação,
assessoria e supervisão das bibliotecas escolares do
município. Atualmente é Bibliotecária-documentalista do
setor de referência da Biblioteca Professora Etelvina
Lima, Escola de Ciência da Informação/UFMG.
E-mail: rosimeirecampos@gmail.com

Vivian
Ascenção
Fonseca:
Graduação
em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas
Gerais. Bibliotecária da Escola de Ciência da Informação
da UFMG. Especialista em Formação de leitores pela
Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Exerceu o cargo
de coordenadora da Biblioteca “Professora Etelvina
Lima” da ECI/UFMG, no período 2000-2005.
E-mail: vivian@eci.ufmg.br

�129

PARTE II - REDES
SOCIAIS COMO
INSTRUMENTO DE
PROMOÇÃO DA LEITURA

�130

CAPÍTULO VII - O fenômeno transmídia no
compartilhamento de leituras na web
Jéssica Patrícia Silva de Sá
Carlos Alberto Ávila Araújo

1 INTRODUÇÃO
O presente capítulo discute alguns dos resultados da dissertação de
mestrado intitulada “Ler e compartilhar na web: práticas informacionais de
blogueiros literários”, defendida em dezembro de 2018 junto ao Programa de
Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas
Gerais.
A pesquisa partiu do pressuposto de que a leitura literária possui um
caráter paradoxal, ao permitir escapadas solitárias e também encontros
(PETIT, 2009). Em certo aspecto, o ato de ler pode ser compreendido como
solitário, uma vez que o leitor possui apenas o livro como seu companheiro
durante a leitura, realizando um diálogo interno com o texto e com o autor.
Contudo, ao finalizar a leitura, o leitor pode sentir a necessidade de
compartilhar as reflexões e experiências vivenciadas pela narrativa, emitindo a
opinião e juízo de valor dele sobre o livro lido. É nesse sentido que a leitura
literária pode abrir caminho para encontros com outros leitores, de forma que
possam ocorrer trocas informativas sobre as experiências de leitura.
Diante da possibilidade de o leitor poder compartilhar suas leituras em
círculos sociais de leitores, surgiram algumas inquietações que nortearam esta
pesquisa: E se um leitor literário que deseja compartilhar suas leituras não
encontre outros leitores com os quais possa comentar sobre os livros que leu?
Quais as possibilidades que esse leitor possui, visto que ele não tem contato
com nenhum grupo de leitores que se encontra presencialmente? Será possível
que esse leitor acesse a web à procura de um espaço no qual possa
compartilhar suas leituras com outros leitores?

�131

Em outras épocas, era necessário um local físico onde um grupo de
leitores pudesse se encontrar pessoalmente. Outro meio de comunicação era o
envio de correspondências por correio para compartilhar leituras, críticas e
comentários. A internet abriu novas possibilidades para entrar em contato com
as pessoas por meio da rede. Assim, uma comunidade de leitores não precisa
ser necessariamente um encontro de um grupo in loco. Atualmente, a
interação ocorre de modo on-line, cujos leitores podem elogiar, sugerir, opinar
e criticar sobre o que leram durante ou imediatamente após a leitura
(CARNEIRO, 2011).
Dessa forma, uma das possibilidades que o leitor literário possui para
compartilhar suas experiências de leitura é inserir-se no ambiente virtual,
buscando outros leitores na web. A experiência da internet acabou por
demonstrar que cada leitor tem uma legitimidade, um direito de julgamento
pessoal. As redes eletrônicas ampliam a possibilidade de intervenções e
discussões, estando ao alcance de todos a produção dos juízos pessoais e a
atividade crítica (CHARTIER, 2009). Assim, surgiram espaços virtuais nos quais
leitores podem compartilhar suas leituras, opiniões, críticas, sugestões e
quaisquer informações literárias.
O intuito inicial da pesquisa, em nível de mestrado, foi analisar os
blogueiros literários, uma vez que os blogs literários são espaços nos quais
leitores podem compartilhar suas leituras. Contudo, a pesquisa revelou outros
resultados, que serão apresentados nesse capítulo. Por meio da análise dos
dados, foi possível compreender que, para além do compartilhamento
realizado nos blogs, os blogueiros, enquanto leitores e produtores de conteúdo,
apropriam-se das diversas redes sociais, sendo identificado o fenômeno
transmídia. Na próxima seção, são descritos os espaços virtuais existentes que
possibilitam o compartilhamento de leituras na web.
2 POSSIBILIDADES PARA COMPARTILHAR LEITURAS NA WEB
De acordo com Almeida (2008), no século XXI o ponto de referência para
a vida literária é o internauta/leitor, adaptado a um mundo de possibilidades

�132

no qual ele consegue adquirir quase de tudo pela internet: periódicos, artigos,
livros, imagens e textos em geral. Além dessa facilidade na aquisição de
leituras, a web não é somente uma fonte de informação, mas também uma
fonte de aproximação, possibilitando trocas diversas. “No campo literário, com
todo o compartilhamento de textos em rede, o internauta/leitor passa a sentir
a necessidade de dividir suas ideias e impressões literárias através da rede”
(ALMEIDA, 2008, p. 44).
Chartier (2009) caracteriza algumas das mudanças que aconteceram
com a denominada Revolução Eletrônica. Para o autor, o leitor do texto
eletrônico é mais livre. O texto no formato eletrônico permite uma maior
distância em relação ao escrito, o que torna possível uma relação não corporal,
não sendo necessário que o leitor segure um livro com as mãos e vire as suas
páginas. Processo semelhante acontece com quem escreve, pois a mediação
do teclado instaura um afastamento entre o leitor e seu texto. Há também
uma mistura dos papéis de produtor e editor, na medida em que um produtor
de texto pode ser imediatamente seu editor. Quanto ao papel do crítico, esse é
ampliado no sentido de que qualquer pessoa pode apresentar sua crítica.
Evidentemente, as redes eletrônicas ampliam esta possibilidade,
tornando mais fáceis as intervenções no espaço de discussão constituído
graças à rede. Deste ponto de vista, pode-se dizer que a produção dos
juízos pessoais e a atividade crítica se colocam ao alcance de todo
mundo (CHARTIER, 2009, p. 17).

Em virtude desse novo leitor, surgiram também novas ferramentas e
plataformas que proporcionam espaços para as discussões e trocas literárias.
Gnisci (2018) considera que “quanto às produções e críticas literárias, o
blogpode ser considerado a primeira ferramenta midiática a compartilhar
relatos de experiências individuais e coletivos de diversas áreas e interesses
[...]”.
Além dos blogs literários, existem outros espaços virtuais nos quais
acontecem

trocas

literárias.

Apresentam-se

algumas

plataformas

que

proporcionam a formação de comunidades virtuais de leitores: Facebook,
YouTube, Instagram, Twitter, Skoob e Wattpad.

�133

Almeida (2008) aponta a existência de sites que fazem reflexões sobre
textos, livros, escritores e a vida literária. A autora também cita o Facebook
como espaço de discussão sobre literatura, mediante a existência de diversos
grupos sobre o tema. A Revista Conexão Literatura25, site dedicado ao universo
literário, apresenta um ranking de grupos do Facebook relacionados à leitura
literária, nos quais é possível conversar sobre autores preferidos, compartilhar
ideias, sugerir dicas de leituras e se manter atualizado sobre novidades do
mundo da literatura. Alguns grupos relacionam leitores, autores, editoras e
também blogueiros literários para discussões literárias e para divulgação e
lançamentos de livros.
Outro espaço para cultura literária disponível na rede é o YouTube. Gnisci
(2018) define os booktubers como proprietários de canais do YouTube que
produzem vídeos relacionados à literatura e à leitura. Para Jeffman (2017), um
booktuber forma um booktube, ou seja, uma comunidade composta por um
canal literário. Um booktubeéuma rede social “formada por pessoas que
gostam de ler e compartilhar suas impressões sobre a leitura através de
vídeos” (JEFFMAN, 2017, p. 187). A autora explica que no booktube “o diálogo
é norteado pelas leituras realizadas, autores preferidos, eventos literários
frequentados, pelas reflexões que o contato com a literatura oferta, entre
outras possibilidades relacionadas ao consumo cultural” (JEFFMAN, 2017, p.
187). De acordo com Gnisci (2018), a transição das narrativas escritas para
produções audiovisuais teve início na primeira década do século XXI. Jeffman
(2017) afirma que, no Brasil, até 2012, o local de maior concentração do
universo literário era a blogosfera. O crescimento exponencial dos booktubers
foi percebido pela autora principalmente em 2015, após mapear 630 canais
literários brasileiros entre os anos de 2009 e 2016.
O Instagram, rede social para compartilhamento de fotos e vídeos,
também vem se tornando um ambiente virtual propício ao compartilhamento
de experiências literárias. Os perfis do Instagram que se dedicam à literatura

25

Disponível em:
http://www.revistaconexaoliteratura.com.br/2016/08/10-grupos-do-facebook-para-quemama.html. Acesso em: 28 fev. 2018.

�134

geralmente publicam fotos das capas ou de pequenos trechos dos livros; além
disso, postam pequenas resenhas junto com a imagem. O Instagram também
é utilizado por editoras para promoção de lançamentos literários. É fácil
encontrar na internet rankings que listam os perfis do Instagram sobre livros,
como por exemplo, os sete perfis selecionados pela revista Exame26, que listou
perfis que apresentam conteúdo relacionado à literatura.As postagens sobre
literatura comtemplam: frases de livros, imagens de grifos em livros, trechos
de livros em backgrounds e fontes diferentes, frases engraçadas relacionadas à
leitura, situações vividas pelos leitores, confissões de leitores, fotos de livros e
livrarias.
O Twitter, microblog criado em 2006, também tem se tornado um espaço
para

discussões

sobre

livros

e

leitura.

Lemos

(2008)

apresenta

as

características do Twitter, que permite postagens com poucos caracteres,
sendo uma ferramenta que publica atualizações rápidas e curtas a partir de
uma multiplicidade de suportes diferentes. De acordo com a autora, recursos
como o Twitter dão origem a novas linguagens, algumas delas de caráter
colaborativo, ou seja, não é um só enunciador, mas enunciadores que
colaboram produzindo novos discursos. No Brasil, o Twitter foi adotado de
forma rápida pelos blogueiros como forma de informação, relacionamento e
socialização (LEMOS, 2008). É possível encontrar vários perfis sobre livros e
leitura literária no Twitter, desde perfis oficiais de grandes editoras e de
autores consagrados, até perfis de leitores que publicam fotos das capas e
comentários sobre os livros que leram. Dentro da restrita quantidade de
caracteres, muitos usuários publicam frases retiradas dos livros.
O Skoob é citado por Silva (2011) como um canal de interação de
internautas que se interessam em compartilhar as suas experiências de leitura.
A autora afirma que, no Brasil, a rede Skoob é uma experiência similiar às
redes sociais internacionais Goodreads e Shelfari, cujo objetivo é promover
trocas de informações sobre livros, autores e leituras. Criado em 2009, o
Skoob possui uma interface que possibilita que o leitor compartilhe com

26

Disponível em: https://exame.abril.com.br/tecnologia/7-perfis-no-instagram-para-quemgosta-de-livros/. Acesso em: 28 fev. 2018.

�135

contatos informações como: os livros que está lendo, relendo, suas pretensões
e metas de leitura e até mesmo os livros que desistiram de ler. Além disso, por
meio da ferramenta “cortesia”, os usuários podem participar de sorteio de
livros que estão em lançamento. Existe também a possibilidade de o usuário
trocar livros com outras pessoas da rede (SILVA, 2016).
A comunidade on-line Wattpad, criada em 2006, é considerada por Silva
(2016) uma plataforma que possibilita aos usuários lerem livros e também
permite que autores independentes publiquem seus próprios livros, poemas,
dentre outras produções. De acordo com informações disponibilizadas no
siteda plataforma, o Wattpad é um aplicativo que pode ser acessado no
computador ou celular, permite a leitura on-line e off-line dos livros disponíveis
sem a necessidade de realizar o download. O aplicativo permite que sejam
postadoscomentários

on-line,

possibilitando

compartilhar

impressões

e

interagir com outros leitores enquanto o usuário realiza a leitura. O Wattpad
também promove concursos literários para premiar os escritores amadores.
Como discorrido, existem várias possibilidades de redes sociais e canais
nos quais os leitores literários podem interagir. É interessante ressaltar que
esses espaços são, de certa forma, complementares, uma vez que o fato de
um leitor ter um perfil em uma determinada rede não impede que ele possa
criar o perfil em outra plataforma. O que acontece é justamente o contrário: é
comum o leitor literário participar de mais de uma rede social sobre leitura.
Nos blogs literários, geralmente, encontra-se olink para a página do Facebook
do blog ou para o Instagram. Muitas vezes, uma postagem no blog consiste
em um vídeo produzido pelo blogueiro em seu canal literário no YouTube. No
final do vídeo de um booktuber, consta o seu perfil do Twitter e/ou do
Instagram. Trata-se do fenômeno transmídia.Conforme Arnault et al. (2011, p.
5), vivemos em uma “era transmídia”, com a disponibilidade de diversas
plataformas e meios de comunicação nos quais a população pode engajar-se,
interagir e gerar conteúdo. Quando as pessoas se engajam em um assunto,
manifesta-se “a distribuição de forma conectada entre as múltiplas plataformas
de mídia, pode-se observar a transmídia em ação, seja de forma planejada ou
por consequência das mídias espontâneas [...]”.

�136

Na transmídia, o conteúdo é desenvolvimento em uma plataforma de
mídia, sendo desdobrado e expandido para outras plataformas. O objetivo de
uma ação transmídia é alcançar o público-alvo buscando uma interligação
entre todas as plataformas de mídia, de modo a promover a interação desse
público em mais de um tipo de mídia de forma sinérgica. O início de um
projeto transmídia pressupõe a elaboração de um conteúdo principal (história,
produto, serviço). A partir desse conteúdo, planejam-se as demais ações de
veiculação para cada plataforma de mídia. A divulgação deve ocorrer também
com a utilização das novas mídias, como as redes sociais (Facebook, Twitter,
LinkedIn) (ARNAUT et al., 2011). É especialmente importante, em um projeto
transmídia, o conhecimento das plataformas de mídia, sabendo-se utilizar o
melhor de cada uma de modo que elas se complementem.
Em um projeto transmídia, as ações de mídia se encaixam umas nas
outras, e se não houver um conhecimento profundo dos recursos
disponíveis em cada mídia, o projeto não conseguirá explorar todo o
potencial de cada plataforma em cada segmento de público (ARNAUT et
al., 2011, p. 12).

Em suma, as redes estão todas interligadas, o que proporciona ao leitor
literário espaços virtuais diversos nos quais ele pode escolher o modo como
interage e transmite suas experiências literárias. O leitor poderá ainda optar
pela criação de conteúdos textuais, imagéticos e audiovisuais, divulgando sua
produção nas diversas mídias disponíveis na web.

3 METODOLOGIA
É necessário enfatizar que este estudo é oriundo de uma pesquisa
qualitativa em profundidade sobre blogueiros literários e suas práticas
informacionais de compartilhamento de leituras na web. Tal estudo foi
embasado no método da netnografia (KOZINETS, 2002), que permitiu uma
imersão na blogosfera literária. Adotaram-se como técnicas de coletas de
dados a análise documental dos blogs e a entrevista semiestruturada com as
blogueiras.

�137

O método netnográfico pressupõe a técnica da observação como forma
de compreensão e análise dos fenômenos. No caso da blogosfera, a
observação baseia-se principalmente na observação do discurso textual,
objetivando compreender as relações sociais dos grupos e a profundidade de
suas comunicações virtuais (KOZINETS, 2002). Dessa forma, a observação
netnográfica

nessa

pesquisa

foi

embasada

nos

preceitos

da

análise

documental.Com base nesses pressupostos, a primeira etapa da coleta de
dados consistiu em uma imersão na blogosfera literária. A partir dela, foi
possível conhecer os blogs e os blogueiros, realizando a leitura de postagens e
comentários. Ao analisar o conteúdo textual, imagético e hipertextual presente
nos blogs, buscou-se compreender como se configura o perfil de cada blog e
que tipo de informação é veiculada pelo blogueiro.
Como

complementação

da

análise

documental,

foram

aplicadas

entrevistas semiestruturadas. A técnica da entrevista semiestruturada tem
como vantagem a elasticidade quanto à duração, permitindo uma flexibilidade
para abordar profundamente determinados assuntos. Além disso, esse tipo de
entrevista

possibilita

uma

maior

interação

entre

o

entrevistador

e

o

entrevistado, dando abertura para abordar assuntos mais complexos e
delicados. “As respostas espontâneas dos entrevistados e a maior liberdade
que estes têm podem fazer surgir questões inesperadas ao entrevistador que
poderão ser de grande utilidade em sua pesquisa” (BONI; QUARESMA, 2005,
p. 75).
Dessa forma, a segunda etapa da coleta de dados consistiu na realização
das entrevistas semiestruturadas com oito blogueiras responsáveis pelos
blogsselecionados para a pesquisa, buscando entender as práticas do sujeito
informacional do seu ponto de vista. Por meio de tais entrevistas, pretendeu-se
apreender as falas dos sujeitos no que se refere às interações entre os
blogueiros.
Por se tratar de uma pesquisa muito ampla, optamos por restringir este
capítulo aos dados obtidos no segundo bloco do roteiro da entrevista
semiestruturada. Tal bloco foi intitulado “O blogueiro e a interatividade”, cujo
intuito foi de coletar dados referentes às práticas informacionais dos

�138

blogueiros, verificando como o blogueiro, considerado sujeito informacional,
atua na blogosfera literária, objetivando identificar como ocorre a interação
entre os blogueiros e a formação de círculos sociais na web.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ao analisar os blogsliterários, foi possível compreender a forte relação
das blogueiras com as demais redes sociais, sendo elas: Facebook, Instagram,
Twitter e Youtube. A presença das blogueiras nessas redes pode ser
constatada conforme dados registrados no Quadro 1.

Paradise
Books

Livros e
Sushi

Menina
Compassiva

Cultura
Pocket

DNA Literário

Marshmallow
com Café

Características

Minha
Estante e
Muito Mais

Blogs

Entrando
Numa Fria

Quadro 1 - Redes sociais utilizadas pelas blogueiras no compartilhamento de leituras

Possui Facebook

X

X

X

X

X

X

X

X

Possui Instagram

X

X

X

X

X

X

X

X

Possui Twitter

X

X

X

X

X

X

Possui canal no
YouTube

X

X

X

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

A relação dos blogs com as redes sociais apresenta-se intensa, uma vez
que todos os blogs possuem, no mínimo, dois perfis em redes sociais, e três
blogs estão presentes em quatro redes sociais.
Durante as entrevistas, ao mencionarem o número de seguidores que
possuem no blog, as blogueiras citaram também o número de seguidores que
o blog possui nas redes sociais, demonstrando a forte relação dos blogscom
essas mídias. A análise documental também constatou os elevados números de
seguidores nas diversas redes, conforme apresentado no Quadro 2.

�139

Quadro 2 – Número de seguidores nas redes sociais
Nº de
Nº de
Nº de
Nº de
Blogs
seguidores seguidores seguidores seguidores
no
no
no
no
blog
Instagram
Facebook
Twitter
Entrando Numa Fria
NI
9.267
10.517
5.281
Minha Estante e Muito
32
809
410
NP
Mais
Marshmallow com Café
51
3.082
122
NP
DNA Literário
NI
1.777
1.322
106
Cultura Pocket
314
659
426
NP
Menina Compassiva
102
580
449
28
Livros e Sushi
3.881
7.774
2.922
767
Paradise Books
NI
8.612
7.175
2.223
Legenda: NI = Não Informado; NP = Não possui
Fonte: Dados da pesquisa (2018).

Conforme

os

dados

apresentados,

observa-se

que

o

Nº de
seguidores
no
YouTube
202
NP
NP
340
NP
NP
NP
949

número

de

seguidores dos blogs é bem menor em comparação com o número de
seguidores nas redes sociais. Três blogueiras não souberam informar o número
de seguidores dos blogs, afirmando que retiraram o contador de seguidores da
página.
O Instagram apresenta-se como a rede social com o maior número de
seguidores, com exceção de Entrando Numa Fria, que apresenta maior número
de seguidores no Facebook. Percebe-se que mesmo os blogs pequenos
possuem maior representatividade no Instagram, como é o caso de Minha
Estante e Muito Mais, que no blog possui apenas 32 seguidores e no Instagram
possui 809. O número de seguidores no Facebook também é relevante, apesar
de, na maioria dos casos, ser menor que o número de seguidores do
Instagram. O Twitter apresenta grande número de seguidores somente para
Entrando Numa Fria e Paradise Books. Quanto ao YouTube, apenas três
blogspossuem um canal literário (booktube). Os canais de DNA Literário e
Paradise

Books

são

constituídos

de

vídeos

produzidos

pelas

próprias

blogueiras. Já o canal Entrando Numa Fria possui vídeos autorais, mas também
publica vídeos não autorais como trailers de filmes. Entretanto, os canais
Entrando Numa Fria e Paradise Books foram descontinuados, com as últimas
postagens feitas, respectivamente, em 2016 e em 2017.

�140

Após realizar a análise documental dos blogs e as entrevistas com as
respectivas

blogueiras,

constatou-se

uma

forte

presença

do

fenômeno

transmídia na blogosfera literária. Atualmente, os blogs literários não atuam
somente na própria plataforma do blog, estendendo-se para diversas redes
sociais.
Para detalhar o fenômeno transmídia existente nos blogs literários
analisados,

apresentam-se

as

principais

redes

sociais

utilizadas

pelas

blogueiras: Instagram, Facebook, Twitter e YouTube.
O Instagram é a rede social mais comentada e utilizada pelas blogueiras.
Em vários momentos no decorrer da entrevista, o Instagram foi evidenciado
como uma plataforma que complementa o blog. Conforme Arnault et al.
(2011), é essencial o conhecimento das plataformas de mídia, sabendo-se
utilizar o melhor de cada uma de modo que elas se complementem. No caso
das entrevistadas, o uso das duas plataformas se torna complementar na
medida em que o blog é o espaço preferencial para a postagem das resenhas
de forma integral, para personalização da identidade da blogueira e marca do
seu lugar no ciberespaço; e o Instagram torna-se apoio do blog na divulgação
das resenhas e na postagem de fotografias atrativas dos livros.
Uma publicação no Instagram é vista como uma estratégia de atrair os
leitores para o blog. A postagem de uma fotografia do livro e uma parte da
resenha podem encaminhar o leitor para ler a resenha completa no blog. Essa
rede social é voltada para a publicação de fotos e vídeos, apresentando pouco
espaço para a produção textual. Dessa forma, as blogueiras usam os recursos
do Instagram, publicando o link para a postagem completa no blog.
Há diferença na forma com que a informação é apresentada ao leitor no
blog e no Instagram. Para acessar as informações disponíveis no blog, o leitor
tem que fazer uma busca ativa, efetivamente entrar no bloge navegar pela
página. Por meio do Instagram, o usuário já se encontra na rede social e, por
seguir o perfil do blog, depara-se com a informação no seu feed de notícias.
Existe uma tendência na blogosfera de migração dos blogueiros para o
Instagram,

de

modo

que

os

blogs

literários

sejam

desativados,

mas

continuarão como perfis literários nessa rede social. Além da fácil visibilidade

�141

do conteúdo que o Instagram proporciona, a rede torna-se atrativa também
pelo fator estético, uma vez que a publicação de fotografias de livros chama a
atenção dos usuários. Outro atrativo para os seguidores é a postagem de
textos sucintos devido ao limite de palavras, o que é um ponto a favor
daqueles

que

não

gostam

de

resenhas

muito

longas.

Apesar

dessas

possibilidades, nenhuma das blogueiras entrevistadas manifestou intenção de
desativar o bloge prosseguir somente com o perfil do Instagram.
Uma das blogueiras mostrou-se especialmente interessada em realizar a
migração do blog para o Instagram. Apesar de gostar mais de utilizar o
Instagram para publicar fotos e resenhas dos livros, ela considera importante
manter o blog. De acordo com a blogueira, o blog não pode ser abandonado
por dois motivos: a parceria que firmou com as e a marca de blogueira, ou
seja, essa marca, segundo a entrevistada, estabelece um sentimento de
identidade decorrente da sua atuação junto ao blog.
O intenso uso do Instagram por parte das blogueiras literárias é
decorrente do aumento do impacto dessa rede social na atualidade. Como o
Instagram é uma rede social cuja quantidade de usuários tem crescido, é
natural que as blogueiras também sintam a necessidade de inserir-se com
maior dedicação nessa rede, que mostra-se muito atrativa para divulgações
relacionadas ao universo literário.
O Facebook, por sua vez, é uma rede social na qual todos os
blogsinvestigados possuem um perfil. Contudo, atualmente ele não está sendo
considerado pelas blogueiras como uma rede muito acessada. Elas relatam a
diminuição do uso do perfil do Facebook dos blogs e também a pouca utilização
da rede social por parte dos leitores, fazendo uma comparação com o uso do
Instagram.
A queda no uso do perfil do Facebook dos blogspode estar vinculada a
ascensão

do

Instagram

atualidade.Entretanto,

como

foram

a

rede

relatadas

social
algumas

que

está

facilidades

em
no

voga

na

uso

do

Facebook. A postagem feita no blog pode ser automaticamente enviada para o
Facebook, já no Instagram é necessário gerar uma postagem diferente. Além
disso, o Facebook foi valorizado pela facilidade de interação com as pessoas,

�142

que podem iniciar uma conversa com a blogueira por meio dos comentários,
além de possibilitar o contato com os leitores que não acessam o blog
frequentemente, avisando-os sobre novas postagens e convidando-os para
visitar a página do blog.
No âmbito deste estudo, o Twitter obteve um baixo uso, conforme
informado pelas blogueiras, apesarde a maioria possuir uma conta do seu
respectivo blog. Apenas os blogsMinha Estante e Muito Mais e Cultura Pocket
não possuem perfil no Twitter. Algumas blogueiras relatam dificuldade no uso
da rede social.
É perceptível, no discurso de algumas blogueiras, o pouco uso do Twitter
e até mesmo a sua negligência se comparado a outras redes sociais. A
restrição do uso do Twitter por parte das blogueiras pode ser decorrente da
dificuldade apresentada no uso da rede social ou pelo desconhecimento de
suas potencialidades na disseminação da informação.Todavia, houve casos de
uso frequente do Twitter. O ato de tuitar27 o link da postagem feita no blog é
considerado como uma forma de divulgação, que possibilita o aumento do
número de visualizações do post.
Trêsblogs possuem canal do YouTube, entretanto apenas o canal do DNA
Literário é ativo na publicação de vídeos. A blogueira administradora relata
pensar em impulsionar o canal no YouTube, afirmando que continuará a gravar
os vídeos mesmo que o canal tenha poucos seguidores.
Já os canais dosblogs Entrando Numa Fria e Paradise Books foram
descontinuados. No primeiro caso, a senha da conta no YouTube foi perdida e
a blogueira afirma ter dificuldades na edição dos vídeos e na manutenção de
tantas mídias diferentes vinculadas ao blog. No segundo caso, a blogueira
considera que os canais literários no YouTube foram uma tendência há algum
tempo e que atualmente o Instagram é o grande destaque no meio literário.
As facilidades da plataforma YouTube também apareceram nas falas das
blogueiras. A gravação de uma resenha em vídeo é considerada bem mais
rápida do que a produção de uma resenha em texto. Além disso, no YouTube,

27

Publicar numa conta da rede social Twitter. Disponível em: https://dicionario.priberam.org.
/tuitar. Acesso em: 5 out. 2018.

�143

o seguidor não precisa realizar o esforço de ler a postagem, recebendo a
informação de forma passiva ao assistir o vídeo.
Uma das blogueiras conta que é espectadora de vários canais literários
no YouTube, ressaltando que uma das facilidades dos vídeos é poder ouvi-los
enquanto faz outras atividades, o que o blog não permite, uma vez que o leitor
deve dedicar-se exclusivamente à leitura.
Algumas blogueiras receberam sugestões de amigos para tornarem-se
booktubers; no entanto, essa não foi considerada uma opção interessante para
as entrevistadas. Uma das blogueiras considera que o trabalho para criar um
canal no YouTube não compensaria a ausência de retorno financeiro. Já outra
blogueira afirma que não se sentiria confortável em frente às câmeras, devido
à exposição. Ela ainda ressalta que o YouTube traz maior visibilidade e aceso,
mas considera mais fácil escrever e possui o blog porque gosta.
Apesar dos benefícios que os canais literários proporcionam, como a
visibilidade, a rápida produção das resenhas e o aumento do número de
seguidores, em geral as blogueiras mostram-se desmotivadas em produzir
conteúdo para o YouTube. Com exceção da blogueira do DNA Literário, que
mantém seu canal ativo, as demais entrevistadas não se mostraram
interessadas em atuarem como booktubers sendo os motivos citados:a
dificuldade de edição, a administração de várias mídias, a ascendência do
Instagram no meio literário, ausência de retorno financeiro e a exposição
pessoal.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao analisar o fenômeno transmídia,observa-se o uso das redes sociais
(Instagram, Facebook, Twitter e YouTube) como plataformas vinculadas ao
blog, destacando o Instagram como a mídia mais atrativa na visão das
blogueiras.
Conforme Arnault et al. (2011), é essencial o conhecimento das
plataformas de mídia, sabendo-se utilizar o melhor de cada uma de modo que

�144

elas se complementem. No caso das entrevistadas, o uso das plataformas se
torna complementar na medida em que o blog é o espaço preferencial para a
postagem das resenhas de forma integral, para personalização da identidade
da blogueira e marca do seu lugar no ciberespaço; já o Instagram torna-se
apoio do blog na divulgação das resenhas e na postagem de fotografias
atrativas dos livros.
Pelos resultados da pesquisa, revela-se que o Facebook não está sendo
considerado pelas blogueiras como uma rede muito acessada, entretanto,
foram relatadas algumas facilidades no uso da rede social, como o envio
automático da postagem feita no blog e a facilidade de interação com as
pessoas. Constatou-se uso reduzido do Twitter, apesar de a maioria possuir
uma conta do respectivo blog. Algumas entrevistadas relatam dificuldade no
uso

da

rede

social,

havendo

poucos

casos

de

blogueiras

que

usam

constantemente o Twitter. Com exceção da blogueira do DNA Literário, as
participantes mostram-se desmotivadas a produzir conteúdo para o YouTube,
apesar de apontarem a facilidade de produção de conteúdo nessa plataforma.
Conclui-se que é perceptível a presença das blogueiras na webpor meio
da articulação dos blogs com as redes sociais, administrando vários canais de
comunicação virtual tendo como objetivo o compartilhamento de experiências
de leitura. Tal articulação ocorre com o uso de cada rede social conforme
avaliação dos seus aspectos positivos, sempre em relação ao benefício que
pode trazer como uma plataforma complementar de divulgação, um apêndice
do blog.

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CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo:
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�146

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Disponível em:
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rumo aos desafios. Educação Temática Digital, Campinas, v. 13, n.1, p.2743, jul./dez. 2011. Disponível
em:https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1164.
Acesso em: 12 set. 2019.

DADOS BIOGRÁFICOS

Jéssica Patrícia Silva de Sá: Doutoranda em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG) e Mestra em Ciência da Informação pela mesma
instituição (2018). Possui graduação em Biblioteconomia
pela UFMG (2016). Atua como Bibliotecária na Biblioteca
Pública Municipal Professor Francisco Tibúrcio de Oliveira,
vinculada à Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura
Municipal de Santa Luzia (MG). Tem interesse nas áreas de
práticas informacionais e estudos de usuários da
informação, com enfoque na apropriação da leitura literária
e compartilhamento de leituras.
E-mail: j.jessicadesa@gmail.com

Carlos Alberto Ávila Araújo: Professor associado da
Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal
de Minas Gerais. Graduado em Jornalismo (1996), mestre
em Comunicação Social (2000) e doutor em Ciência da
Informação (2005) pela UFMG. Pós-doutor pela Faculdade
de Letras da Universidade do Porto (2011). Atua nas áreas
de Epistemologia da Ciência da Informação, Estudos de
Usuários da Informação, Práticas Informacionais.
E-mail: casalavila@yahoo.com.br

�147

CAPÍTULO VIII - A prática de leitura mediada pelas redes
sociais: um relato de caso
Suellen Souza Gonçalves

1 INTRODUÇÃO
Atualmente, a sociedade é dominada pelas redes sociais, as quais
trouxeram privilégios para vários ramos do corpo social, um dele foi à prática
da leitura, pois as tecnologias e as mídias sociais geram inúmeros benefícios,
viabilizam ao leitor expor e compartilhar suas opiniões sobre determinada
literatura.
Para Brandão (1997), o ato de ler é algo extenso e complexo, que
envolve a compreensão. Para que exista a leitura, é preciso que haja uma
interação entre o leitor, autor e o texto.Ler, no sentido profundo do termo, é o
resultado da tensão entre leitor e texto, um esforço de comunicação entre o
escritor, que escreveu e teve impresso seu pensamento, e o leitor que se
interessou e leu o texto (SANDRONI; MACHADO, 1998, p. 10).
Para que o ato de ler torne-se algo significativo para o leitor, ao
ponto de estimular esse hábito, a leitura deve ser atraente, pertinente a sua
realidade. A relação entre o texto e os fatos do cotidiano do legente facilita sua
interpretação, assim como o motiva a compartilhar com o outro seu
entendimento e sua perspectiva sobre a publicação.
É por meio da leitura que o ser humano começa a ter acesso à
informação, cria seu senso crítico, seu ponto de vista e divide com o outro.
Com as redes sociais esse compartilhamento ficou mais fácil e rápido.
O artigo presente tem por objetivo discutir e promover o uso das
redes sociais na mediação da prática de leitura. Com exposição de uma breve
fundamentação teórica, um relato de experiência, participação e mediação de
leitura coletiva, no projeto “clube de leitura: incentivo à leitura e à literatura”,
implantado pelo Instituto Federal do Amapá, campus Porto Grande, com

�148

intermediação das mídias sociais. Além de demonstrar as contribuições dos
grupos virtuais de socialização para o profissional da informação.

2 LEITURA, TECNOLOGIA E REDES SOCIAIS
Nos dias atuais, a leitura, a tecnologia e as redes sociais são uma tríade,
no qual os autores e suas obras literárias ganharam um impulso enorme com a
possibilidade da divulgação em tempo real, ou seja, o compartilhamento das
opiniões do leitor é imediata, assim como sua ânsia para discutir com terceiros
a leitura. Esse desejo de expor suas opiniões, suas críticas, abre a mente para
um universo que está além das páginas do livro.
A tecnologia possibilitou essa oportunidade desde a criação de novos
modos de compartilhamento na comunicação, como novas maneiras de obter o
acesso à informação, às obras de forma rápido, em segundos, em vários
formatos, e principalmente os meios de compartilhamento de voz, através das
redes sociais.
As mídias sociais possibilitam uma interação concomitantemente,facilita
a liberdade de expressão, que cada ser humano tem por direito, ao expressar
seu conhecimento e sua opinião acerca da obra, conforme ilustração:
Compartilhar as obras com outras pessoas é importante porque torna
possível beneficiar-se da competência dos outros para construir sentido
e obter o prazer de entender mais e melhor os livros. Também porque
permite experimentar a literatura em sua dimensão socializadora,
fazendo com que a pessoa se sinta parte de uma comunidade de leitores
com referências e cumplicidades mútuas (COLOMER, 2007, p. 143).

A breve explicação sobre a união de leitura, tecnologia e redes sociais
funciona e possibilita a disseminação do exercício. Nos tópicos a seguir, será
apresentada a definição de cada uma delas e suas contribuições práticas.
2.1 LEITURA
A leitura é o primeiro elo entre tecnologia e as redes sociais, porque vem
desde os primórdios na história da evolução humana, a partir do momento no

�149

qual se tem as interpretações dos símbolos criados pelos primeiros seres
humanos, temos a criação do ler, o interpretar e traduzir o que se observa.
A leitura nos permite ter acesso a maior parte dos conhecimentos
acumulados

pela

desenvolvemos

humanidade,

a

compreensão,

ampliamos
a

nossa

comunicação

e

visão

de

o

senso

mundo,
crítico

(FOUCAMBERT, 1997). É por meio da leitura que nossos horizontes são
expandidos, pois ela trabalha não somente com o nosso processo de absorção
do texto, mas nossa criatividade, imaginação, pois exige imaginar a cena que o
autor está nos relatando e interpretar ao mesmo tempo, para então criarmos
nossa opinião acerca do exposto. Segundo Cosson (2006, p. 27),
a leitura no sentido de que lemos apenas com os nossos olhos, a leitura
é de fato, um ato solitário, mas a interpretação é um ato solidário. Ler
implica troca de sentidos não só entre escritor e leitor, mas também
com a sociedade onde ambos estão localizados, pois os sentidos são
resultado de compartilhamentos de visões de mundo entre os homens
no tempo e no espaço.

No primeiro momento ler é um ato solitário, porque inicialmente lemos
sozinho, para que possamos formular uma opinião e depois dividir com o
outro. Como mencionado, a leitura atualmente clama por ser compartilhada,
não precisa ser acadêmica para partilhar ideais científicas, precisa apenas
tocar o leitor causando vontade de propagar a obra lida, sua opinião e o efeito
causador ao lê. Conforme Demo (2006, p. 27),
a leitura bem-feita é formativa, no sentido de que reestrutura ideias e
expectativas, reformula horizontes. Nem toda leitura precisa ser assim
tão séria, mas toda leitura bem-feita ocorre sob o signo do
questionamento, porque, quem não sabe pensar, acredita no que pensa.
Mas, quem sabe pensar, questiona o que pensa.

Questionar o que se lê é o fator gerador para compartilhar uma obra, o
que pensamos dela e o que o autor apresenta, nada mais é do que realizar
todas as leituras que nos cercam, tanto textual quanto visual, e essa prática
consiste no processo de interpretação desenvolvido por um sujeito-leitor que,
defrontando-se com um texto, analisa, questiona com o objetivo de processar
seu significado projetando sobre ele sua visão de mundo para estabelecer uma
interação crítica com o texto (INDURSKY; ZINN, 1985, p. 56).

�150

As tecnologias proporcionaram dividir a leitura com terceiros e até
mesmo com o próprio autor da obra, mediante a criação dos computadores,
celulares e principalmente da internet, e a partir dela, das redes sociais como
Facebook, Instagram, blog, Twitter, WhatsApp etc., na qual a opinião ficou a
um passo de um simples clicar de enviar.

2.2 TECNOLOGIA E REDES SOCIAIS
Segundo

Lévy

(1999),

os

tempos

que

vivenciamos

podem

ser

denominados de sociedade em rede, onde as pessoas interagem através de
uma realidade virtual, criada a partir de uma cultura da informática em que as
pessoas experienciam novas relações espaço-tempo.
Nota-se que a tecnologia atualmente está presente em nosso dia a dia,
desde o momento que você acorda ao deitar-se, ela realiza uma interação na
sociedade, que nem um outro acontecimento foi capaz. O surgimento da
internet conecta todas as pessoas via web e propicia à comunicação em tempo
real. O cotidiano mudou e sofreu uma crescente dependência tecnológica, hoje
os computadores, celulares, tablet, entre outros equipamentos tornaram uma
extensão da mão do ser humano, na qual a necessidade de estar conectado é
a principal preocupação.
O ser humano conectado compartilha e troca opiniões por meio da
transmissão de textos, imagens, entre outros, e essa intercomunicação é
disponibilizada pelas tecnologias, foram elas que expandiram a comunicação
de pessoas em pontos extremos. Lévy (1999, p.81) diz que:
a comunicação por mundos virtuais é, portanto, em certo sentido, mais
interativa que a comunicação telefônica, uma vez que implica, na
mensagem tanto a imagem de pessoa como a da situação, que são
quase sempre aquilo que está em jogo na comunicação.

Ao incluirmos as tecnologias de informação, na prática de leitura,
incentivamos ao mesmo tempo que disseminamos o hábito de ler, as mídias
ligadas às comunicações enriquecem e alcançam o máximo de leitores

�151

possíveis. As redes sociais aproximam as pessoas, ou seja, unem indivíduos
com interesses em comuns, com o desejo de interação.
Recuero (2009) afirma que as redes sociais complexas sempre existiram,
mas os desenvolvimentos tecnológicos recentes permitiram uma forma de
organização social e assim como uma rede de computadores conecta
máquinas, uma rede social conecta pessoas. A prática de leitura mediada pelas
redes sociais permite que as pessoas se expressem mais, mesmo as que têm
dificuldades em falar em público acabam expondo sua opinião, uma vez que a
exposição é virtual e não estão com suas faces exibidas, ficando confortáveis
para apresentar seus pontos de vista.
As redes sociais têm como objetivo, então, provocar uma motivação
comum, podendo operar em diferentes níveis e interesses. As mais populares
são as redes de relacionamento, como Facebook, Instagram, Twitter e
WhatsApp, por terem fácil manuseio e maior acessibilidade (CASTELLS, 2003,
p.170).
As mídias sociais são dinâmicas, por isso possibilitam a interação entre
os internautas. A prática de leitura é beneficiada, porque alcança o leitor, os
meios de debates sobre a leitura e até mesmo o formato de leitura. Eco (2010,
p. 65) afirma que, com o advento da Internet, passamos a ler mais nos
suportes eletrônicos e mesmo com o advento das tecnologias digitais, o
impresso (exemplo o livro) continuará sendo a forma mais flexível de leitura.
A prática da leitura acaba gerando um clube ou comunidade que socializa
suas opiniões com o outro, através das redes sociais as pessoas constroem
laços eletivos, que não são os que trabalham ou vivem em um mesmo lugar,
que coincidem fisicamente, mas pessoas que se buscam, principalmente nas
comunidades criadas pelas redes sociais, onde o importante é encontrar
pessoas que tem gostos afins para que se possa trocar opiniões (CASTELLS
apud MORAES, 2005, p. 274).

�152

3 RELATO DE EXPERIÊNCIA COMO MEDIADORA
Ser leitora e bibliotecária é algo que causa uma constante ansiedade.
Como leitora você quer sempre compartilhar suas leituras e principalmente as
que provocam um sentimento especial. Na posição de bibliotecária a vontade
latente é de disseminar e incentivar a leitura, porque acredita na sua
importância, no desenvolvimento do ser humano. Sabe que a leitura é
transformadora e contribui também para a criação do senso crítico do
indivíduo.
A partir da observação dos alunos no IFAP-Campus Porto Grande, foi
perceptível que alguns gostavam de ler, mas não tinham a oportunidade de
expor sua opinião sobre os livros lidos, um grande percentual de alunos não
tinham o hábito da leitura, por isso o prejuízo no ensino básico dos mesmos.
Entendemos que a maioria das disciplinas precisa que os alunos desenvolvam
o senso crítico para compreender o que está sendo repassado. Os alunos não
tinham habilidades para realizar as interpretações necessárias dos textos
recebidos. Além disso, muitas informações passadas via editais e avisos em
murais eram mal interpretadas, em razão de muitos não conseguirem realizar
uma decodificação básica dos textos existentes nos documentos. Como boa
parte não tem o hábito de ler, isso acaba provocando repasse de informações
incorretas. Outro fator preocupante verificado foi a preguiça, ou seja, a
aversão à leitura; as queixas constantes dos alunos são sobre o tamanho do
texto ou conter muitas palavras que desconhecem. Muitos não conseguiam ler
de forma hábil, o que dificultava sua interpretação e produção escrita.
A bibliotecária do campus encontrou, no projeto clube de leitura, a
oportunidade de criar o hábito de ler e tirar a ideia de que é algo chato e
complicado. Além de ser motivada a alterar o cenário descrito a seguir:
A baixa competência de leitura não apenas influi negativamente no
desenvolvimento pessoal e profissional dos cidadãos e também contribui
decisivamente para ampliar o gigantesco fosso social existente em
países como o Brasil, promovendo mais exclusão social e menos
cidadania. Em geral, pessoas que sequer conseguem dominar
plenamente as habilidades da leitura e da escrita, com dificuldades de
acesso às informações e também para compreendê-las e interpretá-las,

�153
muito provavelmente também não terão como fazer valer seus mais
elementares direitos de cidadão (PASCHOALIN; AMORIM, 2015).

Por isso, é necessário incentivar a leitura; a falta desse hábito causa
grande prejuízo na vida acadêmica dos alunos, assim como na vida pessoal.
O projeto intitulado “clube de leitura: incentiva à leitura e à literatura” foi
submetido à Direção de Pesquisa e Extensão, do IFAP-Campus Porto Grande,
sendo aprovado, suas atividades poderiam ser iniciadas. O programa tinha
como objetivo macro desenvolver o hábito de ler nos alunos, condição
fundamental para gerar capacidade de fazer julgamentos, como objetivos
específicos o intuito era capacitar a análise crítica por meio das obras literárias
obrigatórias para o Enem; favorecer a imersão dos participantes no processo
de sensibilização e valor do letramento; construir conhecimento acerca da
literatura brasileira e promover o costume de utilizar os livros como recreação
e/ou busca de informação.
O projeto tinha como atividade central as rodas de leitura, que foram
desenvolvidas com os alunos das modalidades de ensino do integrado, do
subsequente e PROEJA, no qual se reuniam para ler e comentar as obras
escolhidas no mês, cada um com seus apontamentos específicos a respeito de
seus entendimentos sobre o tema. Todo o exercício estava sob a coordenação
das mediadoras, a bibliotecária e uma professora de língua portuguesa.
Nos momentos sem reuniões presencias, as mediações eram realizadas
via grupo de WhatsApp criado para facilitar a prática proposta, ferramenta que
proporcionou mais liberdade de interação aos participantes, o que favoreceu a
exposição de suas ideias e opiniões sem constrangimentos, assim como foi
instrumento de divulgação das leituras e encontros.

3.1 ETAPAS REALIZADAS
Na primeira etapa teve a reunião com os coordenadores do projeto para
a escolha dos livros, considerando as temáticas a serem abordadas de acordo
com a necessidade decorrente de eventos ocorridos na sociedade e no campus.

�154

Foi definido, em reunião com os coordenadores do projeto, dois
encontros mensais, aos quais seriam intercaladas as obras envolvidas no
projeto. O intuito era vislumbrar a melhor maneira de incentivar a leitura e o
engajamento da turma, no cotidiano escolar, além de realizar a divulgação
para a inscrição no grupo de leitura, uma vez que os participantes eram
fundamentais na escolha final dos textos que integrariam o clube de leitura,
cumprindo o exercício da democracia em que o projeto acredita.
As escolhas dos livros foram realizadas por votação dos participantes do
clube, após os mediadores elencaram as indicações das obras pertinentes ao
programa. A escolha da primeira leitura da turma foi mediada inicialmente via
WhatsApp.
As sugestões ao projeto foram gibis, HQ's, clássicos da literatura
brasileira, contos, poesias, obras internacionais etc., pois a variação do gênero
proporciona mecanismos para incentivo e favorecimento no processo de
construção do hábito e gosto pela leitura.
Acreditamos quando Freire (1993) no livro, A importância do ato de ler,
ressalta o valor da prática e faz uma avaliação pessoal sobre a sua impressão
de mundo. Relembrando os momentos da infância, o primeiro contato com a
leitura através do ambiente em que vivia e experiências do dia a dia.
Correlacionar os aspectos da leitura com a realidade vivenciada traz um valor
agregado, pois cada indivíduo desenvolve seu entendimento de mundo por
influências de suas crenças, criação, cultura e referências pessoais, pois cada
um de nós enxerga a leitura de acordo com nossa realidade e percepção.
Na segunda etapa, após as escolhas dos livros, estipulou-se um período
para todos terminarem suas leituras, no decorrer desse tempo, as dúvidas
eram sanadas via WhatsApp, com a mediadora e professora de língua
portuguesa, antes do encontro para a roda de conversa,na qual cada um
fariam suas considerações e obteriam uma breve explicação do gênero de
leitura

escolhido.

Essa

dinâmica

trabalhou

a

contextualização

e

reconhecimento dos gêneros literários solicitados no Enem.
Foi notório a fluidez com que se desenvolviam as conversas e debates
via WhatsApp. A cada avanço e desenrolar da leitura, os participantes

�155

compartilhavam suas ideias no grupo, sem medo da exposição. A tecnologia
realmente abarcava a todos, uma facilidade maior para as mediadoras
instigarem a continuação e incentivo da leitura, inclusive de outras obras, que
alguns livros trazem como indicação.

3.2 APRENDIZADO E DESAFIOS DA MEDIAÇÃO
O projeto foi um aprendizado para todos, pois aproximou pessoas de
profissões, idade e níveis escolares diferentes. Mesmo com as dificuldades
encontradas a união do grupo foi importante para mantê-los até o final. Um
dos desafios foi a permanência dos 25 alunos inscritos, apenas 19 continuaram
no programa, compreensível, pois no IFAP –Campus Porto Grande, a classe do
integrado tem aula em dois períodos, o que sobrecarrega suas atividades,
sendo difícil conciliar os horários e sobrar tempo para participarem das
reuniões do clube da leitura.
Sem dúvida, a mediação por meio do uso do grupo de WhatsApp
aproximou

presentes

indispensável

para

e

que

ausentes
todos

os

nos

encontros,

envolvidos

cumprindo

pudessem

um

registrar

papel
suas

impressões sobre a leitura, até mesmo abrir novos e importantes pontos de
reflexão.
Um mediador precisa de estudo, preparo e criatividade para encontrar
maneiras de atrair as pessoas para a leitura, tem o desafio de conquistar o
indivíduo e torná-lo um apreciador, com a missão de romper a visão deturpada
que o processo é chato, cansativo e sem graça. É importante que todo(a)
mediador(a) goste de ler, para conduzir pessoas ao mundo do conhecimento e
entretenimento, ser inspiração através do exemplo e usar a experiência para
sensibilizar os participantes do projeto na ideia do benefício que o hábito da
leitura traz para a vida pessoal e acadêmica.
A mediação traz também à necessidade de estar capacitado a realizar
resumos e emergir fatos atrativos sobre as obras, deve estar disponível para
tirar dúvidas frequentes, assim como de vocabulários desconhecidos pelos

�156

leitores, auxiliá-los e ficar atento às suas necessidades, portanto, é manter-se
em aprendizado constante. Bem como exercer uma certa habilidade de buscar
e disseminar literaturas. Mais uma vez constatou-se que o grupo no WhatsApp
simplificou muito a tarefa, possibilitando tirar dúvidas imediatas dos leitores e
divulgar a leitura de maneira mais atraente.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A leitura é um elemento essencial na vida do indivíduo, contribui para o
desenvolvimento intelectual, por seu intermédio, obtém-se conhecimento, algo
que não nos é tirado, além de aumentar o senso crítico e o léxico. Ler expande
a mente para novas ideias, mundos e experiências.
São essas experiências de leitura capazes de gerar um sentimento novo,
que impulsiona a compartilhar com os outros, a convidar pessoas a
conhecerem as literaturas. Essa troca de percepções entre os leitores torna a
experiência de mediar enriquecedora, pois cada um traz uma perspectiva, um
ponto de vista singular do que leu, posto que cada experimentação é
diversificada.
A troca de convicções é reavaliada uma a uma, negociada e intermediada
pelas redes sociais, instrumento facilitador no compartilhamento das opiniões,
objeto de liberdade de expressão, local para tirar dúvidas, de forma remota,
sem a necessidade de presença física.
Uma das maiores dificuldades foi conciliar horário e/ou datas compatíveis
para todos os alunos envolvidos participarem do encontro e roda de conversa
sobre os livros. As aulas eram ministradas em horário diurno, dificultava juntar
com os alunos noturnos.
Com o grupo de WhatsApp, sanamos muitos desafios, tempo, espaço,
evitamos inibições, fomentamos a troca de pensamentos, facilitamos a
mediação dos participantes do clube, além de ser estimulante de leitura. Hoje,
a facilidade de adquirir um celular, que suporte o aplicativo em questão, é
grande e torna tudo muito mais acessível, uma vez que a leitura pode ser feita

�157

por meio da tela, com possibilidade de marcação textual e dividir o que
despertou interesse do leitor de maneira instantânea.
Dado o exposto, corroboramos a importância desse projeto dentro das
escolas, como é essencial que se inicie o incentivo à leitura, uma maneira de
mostrar aos alunos como ela colabora para a vida das pessoas, além de
desenvolver suas habilidades cognitivas, usufruir das tecnologias das redes
sociais nos envolve socialmente. Compreendemos que é possível alcançar um
número maior de leitores e possibilitar a liberdade de expressão, incentivando
a compartilhar suas opiniões com os outros, disseminando conhecimento,
diversão e produzindo conteúdo de qualidade nas mídias sociais.

REFERÊNCIAS

BRANDÃO, Helena. Aprender a ensinar com textos didáticos e
paradidáticos. São Paulo: Cortez, 1997.
CASTELLS, M. A galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios
e a sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
CASTELLS, M. A internet e a sociedade em rede. In: MORAES, Denis de (Org.).
Por uma outra comunicação. Rio de Janeiro: Record, 2005.
COLOMER, Teresa. Andar entre livros: a leitura literária na escola. São
Paulo: Global, 2007.
COSSON, Rildo. Letramento literário: teoria e prática. São Paulo: Contexto,
2006.
DEMO, Pedro. Leitores para sempre. Porto Alegre: Mediação, 2006.
ECO, Umberto; CARRIÈRE, Jean-Claude. Não contem com o fim do livro.
Rio de Janeiro: Record, 2010.
FOUCAMBERT, Jean. A criança, o professor e a leitura. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1997. Disponível em:
http://lecture.org/ressources/portugais/a_crianca.pdf. Acesso em: 18 set.
2019.
FREIRE, Paulo. A Importância do ato de ler. 29 ed. São Paulo: Cortez,
1993.

�158

INDURSKY, Freda; ZINN, Maria Alice Kaner. Leitura Como Suporte Para a
Produção Textual. Revistas Leitura Teoria e Prática, n. 5, 1985.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
PASCHOALIN, Luciana; AMORIM, Galeno. Clube de leitura palavra mágica.
2017. Disponível em: http://alb.org.br/arquivomorto/edicoes_anteriores/anais17/txtcompletos/sem11/COLE_4210.pdf.
Acesso em: 18 set. 2019.
RECUERO, R. Redes Sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
SANDRONI, Laura; MACHADO, Luís Raul. A Criança e o livro: guia prático de
estímulo à leitura. São Paulo: Ática, 1998.

DADOS BIOGRÁFICOS

Suellen
Souza
Gonçalves:
Graduada
em
Biblioteconomia pela Universidade Federal do Pará.
Especialista em Gestão e Governança em Tecnologia da
Informação. Bibliotecária do Instituto Federal do Pará,
Campus Parauapebas. Atuante na prestação de serviços
de orientação e normalização.
E-mail: suelllengoncalves@hotmail.com

�159

CAPÍTULO IX - O protagonismo dos leitores comuns na
blogosfera literária
Jéssica Patrícia Silva de Sá

1 INTRODUÇÃO
A World Wide Web, doravante designada como web, é uma plataforma
de interface hipertextual que agrupa várias ferramentas e recursos que
possibilitam a divulgação e o compartilhamento de informações. Dentre esses
recursos estão os blogs, espaços de trocas de informações, que promovem o
surgimento de novas ideias e reflexões, propiciando a interação e comunicação
entre as pessoas no ambiente virtual (ALCARÁ; CURTY, 2008).
Os blogs são páginas da web com características específicas, cujo
surgimento e popularização datam do final da década de 1990. O fenômeno
dos blogs é relativamente recente, permitindo que uma pessoa, grupo ou
instituição possa se tornar um autor/editor de sua própria página, expressando
suas opiniões e divulgando informações no espaço público da internet. A
enorme difusão dos blogs aconteceu em poucos anos, tendo esse se tornado
um novo modelo de comunicação, permitindo a publicação de textos com
bastante autonomia e possibilitando a interação dos leitores (EIRAS, 2007). À
época do grande aumento do número de blogs, Loyola e Malini (2010)
consideraram a blogosfera, a comunidade formada por blogs e blogueiros,
como uma das maiores manifestações de interação no ciberespaço.
Os blogs tiveram um acelerado crescimento na primeira década dos anos
2000. Entretanto, Biscalchin (2012) afirma que, na década de 2010, a
ausência da divulgação de números sobre o tamanho da blogosfera fez surgir a
especulação sobre a morte dos blogs. Veículos importantes, como o The New
York Times, afirmaram que ferramentas de redes sociais como o Facebook e o
Twitter decretariam a falência dos blogs. Entretanto, existe uma tendência do
uso dessas ferramentas para divulgar, interagir e captar leitores para os blogs.

�160

Outro argumento é de que os espaços dos blogs são para conteúdos maiores
que os poucos caracteres disponíveis no Twitter. Dessa forma, os conteúdos
considerados banais que antes estavam nos blogs, como o que se está fazendo
ou pensando no momento, têm agora lugar nessas redes sociais, deixando os
blogs livres para se tornarem a esfera pública da criatividade e da expressão
(BISCALCHIN, 2012, p. 63).
Entre as diversas tipologias de blog, os blogs literários apresentam-se
como importantes elementos na blogosfera. Araújo e Araújo (2015) fizeram
um levantamento dos blogs literários existentes por meio de uma busca no
diretório de blogs do Google. Os resultados dessa busca são apresentados no
Quadro 1.
Quadro 1 - Levantamento dos blogs literários
Descritor
Resultados
Blogs sobre livros

Aprox. 31.100

Blogs literários

Aprox. 35.900

Blogs sobre leitura

Aprox. 40.900

Fonte: Araújo e Araújo (2015, p. 9).

Embora os blogs literários representem a tipologia mais presente no
diretório do Google, conforme expresso no Quadro 1, a importância dessas
plataformas não advém não advém somente da amplitude quantitativa, mas
dos complexos aspectos comunicativos e informacionais realizados pelos
blogueiros que os constituem. Existe um pressuposto de que a dinâmica de
compartilhamento da informação nos blogs literários apresenta-se mais rica,
uma vez que as postagens implicam em leituras prévias de livros pelos
blogueiros, o que não acontece, por exemplo, em blogs no formato de diários
pessoais. Desse modo, as relações entre o sujeito e a informação apresentamse complexas e permeadas por vários processos como: leitura, apropriação e
interpretação da informação, produção de conteúdo, compartilhamento de
experiências

de

leitura,

navegação

pela

blogosfera

literária,

troca

de

informações e conversas informais com leitores e demais blogueiros.
Épocas diferentes proporcionam formas diferenciadas de leitura e
apropriação

do

texto

literário.

Novos

tempos,

novos

leitores.

Nessa

perspectiva, Silva e Martha (2009) consideram que a literatura se inseriu no

�161

ciberespaço como forma de buscar sua sobrevivência e, principalmente,
conquistar mais leitores.
Assim, observando este novo leitor, a literatura criou diversos espaços
no mundo eletrônico e entre estas diversas formas de veiculação de
textos na internet, o blog é um dos mais procurados e tem interessado
tanto os leitores como os estudiosos (SILVA; MARTHA, 2009, p. 4).

Nesse sentido, apresenta-se, neste capítulo, um estudo28 sobre a
blogosfera literária, que configura-se como um espaço virtual de protagonismo
e interação de leitores comuns na web. O objetivo do estudo foi compreender o
papel exercido pelos blogueiros enquanto produtores de conteúdo na web,
buscando caracterizar a relação de cada blogueiro com seu respectivo blog,
suas principais motivações para inserção na blogosfera, a importância do blog
na vida de cada blogueiro e, por fim, os impactos causados pelo blog na
vivência dos sujeitos.

2 BLOGOSFERA LITERÁRIA
De acordo com o dicionário Priberam29, o adjetivo “literário” significa
“relativo à letras, à literatura ou a conhecimentos humanos adquiridos pelo
estudo”. Nessa concepção, um blog literário é um blog referente à literatura.
Entretanto, a exploração da blogosfera permitiu a identificação de tipos
diferentes de blogs literários.
Uma tentativa de diferenciação dos blogs literários é proposta na
pesquisa de Carneiro (2011), que realiza uma divisão do ponto de vista do
produtor do blog: blogs criados por escritores consagrados pelo cânone; blogs
de pessoas que lidam direta ou indiretamente com a literatura (como
jornalistas, professores de Letras ou críticos literários); e blogs de escritores
amadores que encontram na rede um canal de publicação de seus escritos. Já

28

O presente estudo é parte de uma pesquisa de mestrado intitulada “Ler e compartilhar na
web: práticas informacionais de blogueiros literários”, defendida em dezembro de 2018 junto
ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas
Gerais.
29
Disponível em: https://www.priberam.pt/dlpo/liter%C3%A1rio. Acesso em: 27 fev. 2019.

�162

Almeida (2008), em sua pesquisa sobre fontes de informação literária na web,
percebe

os

tipos

diferentes

ao

exemplificar

três

blogs

literários,

caracterizando-os nas seguintes tipologias: blogs de escritores e sobre
literatura; blogs sobre livros e leituras; e blogs sobre política, cinema e
literatura.
É possível, com base na estrutura da blogosfera literária, categorizar três
tipos de blogs literários. A categorização proposta foi realizada a partir de uma
imersão na blogosfera literária, que permitiu a observação e análise do perfil
de vários blogs.


Blogs sobre literatura: Abordam temas relacionados aos livros,
literatura e à leitura literária. Os leitores comuns30 pertencem a esse
grupo, pois buscam compartilhar as leituras realizadas, resenhas e
opiniões sobre os livros, notícias sobre lançamentos, dentre outros
compartilhamentos. Os críticos literários que mantêm blogs profissionais
também pertencem a esse grupo.



Blogs de escritores: Dedicam-se à publicação de textos autorais dos
mais diversos gêneros literários (contos, crônicas, romances e outros).
Nesse grupo, podem ser inseridos os blogs de escritores já consagrados,
que buscam publicar novidades e promover seu trabalho, como também
podem ser

inseridos os

escritores amadores, que

encontram na

plataforma dos blogs um espaço para publicação da literatura que
produzem.


Blogs mistos: Contêm tanto a produção literária autoral como também
resenhas e comentários sobre outros livros. Esse tipo é a fusão dos
outros dois, constituindo-se como um blog que promove os escritos do

30

Conforme Virginia Woolf, o leitor comum se diferencia do crítico e do professor. É aquele que
lê para seu próprio prazer, muito mais do que para repartir conhecimento ou corrigir opiniões
alheias. Ele é guiado pelo instinto de criar para si mesmo, enquanto lê jamais pára a fim de
remendar alguma construção imperfeita. Impaciente, descuidado e superficial, ora lendo um
poema, ora as obras de um velho cenário, sem se importar de que natureza seja desde que
sirva a seus propósitos e sustente seus argumentos. As deficiências críticas do leitor comum
são bastante óbvias, mas se ele tem alguma palavra final talvez poderá valer a pena
prosseguir escrevendo algumas ideias e opiniões, insignificantes em si mesmas, irão contribuir
muito para um resultado (WOOLF, 2007, p. 11-12).

�163

próprio blogueiro, mas que também publica comentários sobre as
leituras realizadas por ele.
Um aspecto relevante é a possibilidade de, em todos esses tipos, os
blogueiros

identificarem-se

como

blogueiros

literários.

Além

disso,

é

interessante destacar que esses tipos de blogs podem apresentar conteúdos
temáticos que extrapolam a temática da literatura. Nos blogs sobre literatura,
é comum os blogueiros abordarem outros conteúdos além de suas opiniões
sobre livros, como comentários sobre filmes, séries e outros assuntos
relacionados ao universo literário. Nos blogs de escritores, é comum os
blogueiros postarem seus textos literários autorais, mas também postarem
pensamentos ou relatos da vida cotidiana.
Os blogs de escritores têm o seu espaço na blogosfera literária. Por meio
desses blogs, é possível que um escritor amador, que não tem a possibilidade
de publicar em uma editora, possa publicar seus escritos na web, o que
permite que seus textos literários possam ser lidos e que ele receba o feedback
de seus leitores. As produções são de diversos tipos:
presente, cotidiano, humor, sarcasmo e iconoclastia são características
unânimes. Aspectos reincidentes também são a autoreferência, o
biografismo e o memorialismo em tom de paródia. Citações literárias e
filosóficas, referências ao mundo da história, da psicanálise, da cultura
erudita e de massa (chegando ao lixo cultural) estão presentes em
vários autores. Alguns se dedicam com talento ao ensaísmo, à crítica
literária, à resenha, ao artigo, ao texto opinativo. Com exceção de
poucos posts longos, a brevidade é marca desta produção textual, como
se os blogueiros soubessem que dispõem de pouco tempo para seduzir o
leitor, como se não quisessem enfastiá-lo (MATOS, 2009, p. 8).

Entretanto, para os fins desta pesquisa, foram selecionados os blogs
literários do primeiro tipo, os blogs sobre literatura, especificamente aqueles
mantidos por leitores comuns. A escolha desse tipo de blog permitiu que fosse
possível analisar como o leitor sente a necessidade de compartilhar suas
leituras, adentrando na blogosfera literária para publicar suas opiniões e
comentários sobre os livros que leu, além de trocar informações com outros
leitores, formando círculos sociais.
A proposta de diferenciação dos blogs foi realizada para fins de
esclarecimento dos tipos de blogs literários existentes e do tipo que foi
investigado, delimitando o escopo da pesquisa. Ressalta-se que, no decorrer

�164

da pesquisa, utilizaremos o termo geral blogs literários, sempre em referência
à subcategoria de blogs sobre literatura. A referência à categoria geral blogs
literários justifica-se pela autodenominação dos blogueiros, que qualificam
seus blogs como literários e se intitulam como blogueiros literários.
Dessa forma, são considerados blogs literários, como o próprio nome
sugere,blogs que abordam de várias maneiras a temática da leitura, dos livros
e da literatura em geral (ARAÚJO; ARAÚJO, 2015). O objetivo dos blogs
literários, geralmente, é promover o hábito da leitura e proporcionar um
diálogo em torno dos livros, desde os clássicos aos lançamentos modernos
(SANTOS; RODRIGUES; FERREIRA, 2014). Assim, os blogs literários levam
uma discussão sobre livros e literatura para o ambiente virtual.
Araújo e Araújo (2015) constatam que não existem regras para o tipo de
publicação do blog literário, contanto que esteja relacionada ao tema central
que é a literatura. Entretanto, os autores ressaltam algumas peculiaridades
das postagens desses ambientes virtuais. As resenhas apresentam-se como
um importante elemento na caracterização de um blog literário, visto que
consistem em uma redação na qual o autor descreve a obra lida de
maneira sintetizada, agregando argumentos referentes à sua opinião
crítica [...] são a representação das experiências de leitura do autor da
postagem transmitidas aos leitores da página (ARAÚJO; ARAÚJO, 2015,
p. 5).

Outra característica comumente presente nesse tipo de blog são notícias
sobre lançamentos de livros, novidades sobre autores e eventos do gênero.
Um elemento comum nos blogs literários são as parcerias, entre blogs e
também entre editoras. A parceria entre blogs funciona como uma troca de
divulgações e a parceria entre editoras consiste no envio de livros como
cortesia; assim, o blogueiro se compromete a resenhá-los em seu blog
(ARAÚJO; ARAÚJO, 2015).
A

interatividade

é

fundamental

nos

blogs

literários.

Ao

produzir

conteúdo, os blogueiros compartilham suas experiências de leitura, suas
resenhas, contendo opiniões e críticas; por sua vez, os leitores comentam a
postagem do blogueiro, comunicando-se com ele e também com os demais
leitores da página. Muitas vezes, esses leitores são também blogueiros. Essa

�165

comunicação estabelece relações e vínculos entre os blogueiros e leitores,
constituindo uma blogosfera.
[...] os blogueiros formam comunidades cujo epíteto ‘espaço sem
fronteiras geográficas’ não é mera retórica, sendo apropriado o uso do
termo blogosfera para se referir a este universo e sua amplitude de
alcance (MATOS, 2009, p. 3).

De acordo com Santos, Rodrigues e Ferreira (2014, p. 104), “a
blogosfera literária pode ser definida como uma comunidade de blogs cujo
objetivo é escrever sobre literatura”. Tratando-se de um notório canal de
comunicação de leitores comuns, que apesar de não serem profissionais, se
dedicam ao aperfeiçoamento ortográfico e crítico, promovendo um conteúdo
variado e especializado, contribuindo, ainda, para chamar a atenção de não
leitores.
Comunidades formadas por leitores e escritores existem há muito tempo,
como por exemplo, os clubes de leitura. Entretanto, o fenômeno das
comunidades virtuais de escritores e leitores na rede é algo novo, cujo
surgimento é propiciado pelos recursos disponibilizados nos blogs, como o
hipertexto, que permitem visitar, frequentar e linkar outros blogs (DI LUCCIO;
NICOLACI-DA-COSTA, 2010, p. 142).

3 METODOLOGIA
O universo da pesquisa abrangeu os blogueiros literários da Região
Metropolitana de Belo Horizonte e seus respectivos blogs. Optou-se por definir
a amostra em um evento literário, o 20º Clube do Livro BH. Dessa forma, dos
19 blogs identificados, oito blogs foram considerados como possíveis de serem
contemplados na pesquisa. Foi realizada a análise documental de cada um dos
blogs e foram aplicadas entrevistas semiestruturadas com as blogueiras
administradoras desses blogs.
De acordo com Cunha (1982), a entrevista é o segundo método mais
utilizado em estudos de usuários, sendo superada apenas pelo questionário.
Segundo o autor, a entrevista apresenta vantagens como possibilitar o contato

�166

direto com o entrevistado, permitindo captar suas reações e sentimentos. Além
disso, a técnica permite que o entrevistador esclareça alguma pergunta não
compreendida pelo entrevistado e também que o pesquisador possa pedir
detalhes de respostas fornecidas quando são detectados fatos interessantes ou
novos. Como toda técnica, a entrevista também apresenta desvantagens,
como a possibilidade de dupla distorção, a probabilidade de o entrevistador
emitir opiniões afetando as respostas do entrevistado e o custo mais elevado
(CUNHA, 1982).
Por se tratar de uma pesquisa muito ampla, optou-se por restringir este
capítulo aos dados obtidos no primeiro bloco do roteiro da entrevista
semiestruturada, intitulado “O blogueiro e sua relação com seu blog”, que
visava coletar dados referentes aos blogueiros e seus blogs, objetivando
conhecer aspectos pessoais desses sujeitos e aspectos relacionados à criação
do blog (motivação pessoal, influências, necessidade de compartilhar leituras,
dentre outras ocorrências) além da relação do blogueiro com o blog.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Buscou-se compreender a relação das blogueiras com seus respectivos
blogs, que é permeada por aspectos muito pessoais, que envolvem sua
personalidade, sentimentos e vivências. Segundo Recuero (2004), a relação
entre o “eu” do blogueiro e o blog trata-se da apropriação individual do espaço
virtual, uma construção do “eu” em um lugar que é “meu”. O blog constitui-se
como “uma tentativa de apropriação individual e coletiva do ciberespaço,
através da extensão daquilo que o blogueiro compreende como seu particular
(identidade individual, personalidade) através da configuração de um espaço”
(RECUERO, 2004, p. 6).
De acordo com Recuero (2004), os blogs funcionam como uma presença
do “eu” no ciberespaço. Existe uma personalização do blog, que reflete a visão
que o blogueiro tem de si mesmo ou a visão que pretende transmitir aos seus
leitores. Conforme a autora, essa personalização está presente em todos os

�167

aspectos de um blog. Portanto, em toda informação que é divulgada no blog
está incutida a personalidade de seu autor, pois o blogueiro deseja que o leitor
entenda que aquele espaço é seu. “O blog é imbuído de personalidade.
Imbuído das características e das impressões que seu autor quer dar, da
maneira através da qual ele deseja ser percebido pelo leitor” (RECUERO, 2004,
p. 3).
Nesse sentido, promoveu-se uma exploração das dimensões emocional e
social dos sujeitos da pesquisa. Na análise das entrevistas, é perceptível que a
relação entre cada blogueira e seu blog – que é também uma relação com a
informação, ao abranger busca, uso, produção e compartilhamento de
informações - está permeada pelo envolvimento afetivo, constatado nos
relatos das motivações das blogueiras, na concepção que elas possuem de
bloge nas mudanças de vida proporcionadas por ele.

4.1 MOTIVAÇÕES
Recuero (2004, p. 4) constata que “permanece a questão da motivação
pela qual as pessoas estão apropriando-se com tal intensidade do ciberespaço,
através da personalização que acontece através dos blogs”. Após investigar
essa questão, apresentam-se as principais motivações das blogueiras ao
inserirem-se na blogosfera literária: superação da timidez, criação de um
espaço para compartilhar leituras e influência de outras blogueiras literárias.
Além disso, verificaram-se as motivações para fazer postagens no blog, ou
seja, as motivações atuais que promovem a continuidade do blog.

4.1.1 Inserção na blogosfera literária
As blogueiras foram questionadas quanto à motivação para criação de
um blog literário. Em alguns casos, a criação do blog literário surgiu de uma
necessidade de criar um espaço para compartilhar suas leituras. Uma das

�168

blogueiras conta que se sentia solitária e que o blog surgiu como uma
oportunidade para falar com as pessoas sobre o seu amor pelos livros, mas, ao
mesmo tempo, manter o seu filho próximo e mostrar a ele um exemplo
positivo.
Menina, tava sozinha e queria muito falar dos livros que eu gostava
[...]. Então assim, foi disso mesmo, eu precisava falar [...]. E foi aí que
eu precisei dessa necessidade. Que tipo assim, eu lia várias coisas, eu
lia vários livros maravilhosos e tipo assim não tinha o que fazer... E era
uma forma de eu conseguir fazer o que eu amava que era ler, ficar
perto do meu filho né [...]. Mas assim, manter ele perto, sabe? E
mostrar ele, tipo assim, com exemplos mesmo, que pode ser legal tipo
assim você falar sobre as coisas, você ler alguma coisa e conseguir falar
com as pessoas daquilo ali. Foi mais dessa necessidade de [...] manter
quem eu gosto perto, continuar fazendo o que eu gosto e também falar
com as pessoas sobre o que eu gosto, mas ao mesmo tempo, sem ter
ninguém pra falar, sabe? (BLOGUEIRA 2).

Já outra blogueira foi inspirada por uma colega a fazer o blog e achou
que esse seria um espaço importante para falar sobre as coisas que mais
gostava, com foco nos livros.
Surpreendentemente, algumas entrevistadas alegam que sua inserção na
blogosfera literária como blogueiras foi uma forma de superar a timidez. Elas
contam que são muito tímidas, mas a faculdade e o trabalho demandam que
elas sejam pessoas mais comunicativas. Dessa forma, elas encontraram no
blog literário uma forma de trabalharem suas habilidades de comunicação.
E a ideia era falar com as pessoas sobre aquilo que eu gostava, na
verdade, a ideia foi escrever. Eu era muito tímida e queria melhorar um
pouco a minha timidez, comecei a escrever. Mas não aparecia né,
ninguém sabia quem tava escrevendo [...]. Veio essa vontade de
escrever e de falar, de fazer evento tudo, por causa da minha timidez
[...]. Eu ainda sou um pouco, ainda sou tímida, ninguém acredita, mas
eu sou tímida. E eu não conseguia escrever com segurança, eu não
conseguia falar com segurança. E acabou que era uma válvula de
escape do meu trabalho, porque eu precisava no meu trabalho de ter
essa segurança. Eu precisava na faculdade ter essa segurança por causa
do curso e eu não tinha [...]. A partir do momento que eu vi que eu
precisava perder aquela timidez e eu vi no blog uma possibilidade
grande disso, aí eu entrei de cabeça (BLOGUEIRA 1).

Metade das blogueiras se inseriu na blogosfera literária como influência
de outras blogueiras literárias. Uma blogueira afirma que já era leitora do blog
antes de ser convidada para fazer parte da equipe. Ao ver as postagens das
amigas no blog, ela conta que sentiu necessidade de falar a respeito da sua

�169

opinião sobre os livros que lia. Outra blogueira também se sentiu influenciada
por várias blogueiras e booktubers. As outras entrevistadas que se inseriram
na blogosfera literária por influência de blogueiras contam que já atuavam
como colunistas de blogs de amigas, mas sentiram a necessidade de criar seus
próprios blogs, haja vista construir a própria identidade.
A necessidade de compartilhar leituras já era cotada como uma grande
motivação para uma leitora se tornar uma blogueira literária. Mas, a inserção
na blogosfera como forma de superação da timidez foi uma motivação muito
peculiar que surgiu no discurso de algumas entrevistadas. É interessante,
também, observar como a leitura de outros blogs influenciou a metade das
entrevistadas a se tornarem blogueiras literárias. Acompanhar o blog de outras
pessoas despertou nessas leitoras a vontade de também exercerem um
protagonismo, ocupar o seu lugar no ciberespaço e emitir opiniões a respeito
das leituras.

4.1.2 Postar no blog
Realizar postagens no blog é o que o mantém ativo. As motivações de
todas as blogueiras para postar nos blogs estão, direta ou indiretamente,
associadas aos leitores do blog, o que ressalta uma necessidade que elas
possuem de terem suas opiniões lidas, de possuírem voz ativa e serem
“ouvidas”. Determinadas blogueiras afirmaram que sua motivação para fazer
os posts é receber o feedback dos seguidores do blog. Esse argumento vai ao
encontro da afirmação de Prange (2003), que considera que os comentários
funcionam como estímulo para os blogueiros escreverem diariamente em seus
blogs. De acordo com a autora, o desejo das blogueiras pela participação dos
leitores está associado a uma intensa necessidade de feedback dos conteúdos
postados.
Eu gosto de ver o feedback das pessoas; eu gosto de ver quando eu
mando o link pra pessoa e ela fala ‘Nossa eu gostei muito! Quero ler’, ou
ela fala ‘Nossa você escreve bem, eu gostei das fotos!’. Nem que seja só
pelas fotos, sabe? Mas quando a pessoa dá um retorno, ela fala que
gostou, eu percebo que tá fazendo diferença pra alguém. Então, se tá

�170
fazendo diferença pra alguma pessoa, eu continuo postando porque vai
ter aquela pessoa que vai ser bom pra ela, sabe? Não precisa ser tipo
nossa vou ficar famosa mundialmente, mas assim se tá fazendo
diferença pra alguém já é alguma coisa (BLOGUEIRA 6).

Apesar de todos os dias pensar em desistir do blog, uma das blogueiras
sente que a motivação para continuar vem dos comentários que recebe dos
leitores e de sua atuação na disseminação de informações na blogosfera
literária.
Então, motivação mesmo...Todo dia quando eu acordo eu acho que eu
vou desistir dele [...]. Eu falo ‘nossa eu não aguento, chega, cansei, vou
passar esse blog pra frente’. Aí na hora que eu vou dormir, porque
normalmente eu olho meu quarto na hora que eu vou dormir, então tipo
eu olho pra frente, aí eu olho a quantidade de livro que tem e aquilo me
bate um desespero, aí eu durmo. Aí de manhã cedo ‘não, eu vou dar
conta’. Aí eu acordo já motivada de novo. Eu acho que a motivação é
dos comentários que a gente recebe. Tipo, eu recebi um comentário
agora mais cedo, a menina falou ‘Nossa fala mais de romance de época,
adoro romance de época’. E às vezes o fato de que as pessoas, é
estranho isso, porque hoje a rede social é tão ampla, a gente para e
pensa todo mundo sabe de tudo, mas não. As pessoas não veem as
coisas, não vê os lançamentos, não recebe, não vê evento. Aí de
repente quando passa fala tipo ‘nem vi’. Então mesmo sendo uma rede
social tão ampla, a informação não chega. Então, eu gosto de pensar
que eu sou um pontinho ali ajudando a rede social, as informações a
chegarem um pouco mais pra frente, sabe? (BLOGUEIRA 1).

Outras motivações citadas dizem respeito ao senso de responsabilidade
com as editoras parceiras do blog e também o compromisso em mantê-lo
atualizado para os seguidores.
A necessidade de falar sobre os livros que gostam é a motivação de
certas

entrevistadas.

Algumas

blogueiras

enfatizam

o

gosto

pelo

compartilhamento de suas leituras. Já outra blogueira afirma que, além de
falar sobre os livros que gosta com outras pessoas, ela motiva-se a postar no
blog para ser um bom exemplo para os filhos.
Percebe-se que grande parte das blogueiras usa a palavra “feedback” ao
relatarem sobre as suas motivações, ressaltando a importância da interação
com o leitor do blog. Outras motivações citadas dizem respeito à atuação como
disseminadora de informações na blogosfera literária e o compromisso
assumido com as editoras. A já notada necessidade de compartilhar leituras
surge outra vez junto às principais motivações.

�171

A questão de ser um exemplo para os filhos, já citada na motivação para
inserção na blogosfera, aparece novamente, sendo esse ponto abordado pelas
duas blogueiras que são mães.
Porque eu gosto de fazer, eu gosto de ler. Quando eu fico muito
empolgada com alguma coisa. Às vezes eu posto também, porque como
eu tenho dois filhos, eu leio pra eles e eles trazem algumas coisas da
escola [...]. E é minha motivação, acho que eles principalmente, assim,
poder mostrar pra eles que aquilo é legal, poder mostrar que você pode
ter pessoas inteligentes, você pode conviver com pessoas, você pode
aceitar as pessoas do jeito que elas são, você não precisa impor sua
vontade sobre elas... A minha maior motivação é fazer algo que eu
gosto e poder compartilhar isso com outras pessoas que eu sei que
também gostam dessas coisas (BLOGUEIRA 5).

É evidente que as motivações das blogueiras, tanto para inserir-se na
blogosfera literária como para continuar realizando postagens no blog,
perpassam por questões muito pessoais, que envolvem sentimentos muito
íntimos como: a necessidade de trabalhar a timidez; ter voz ativa e ser ouvida
por outras pessoas; compartilhar suas leituras e poder expressar sua própria
opinião; ser um exemplo para os filhos e mantê-los próximos; escapar da
solidão; a responsabilidade com as parcerias e com os leitores do blog.

4.2 REPRESENTAÇÕES DO BLOG
O blog possui diferentes representações na vida das blogueiras. Durante
as entrevistas, elas foram perguntadas se enxergavam o blog como um hobby,
como uma forma de visibilidade ou como um modo alternativo de renda.
Entretanto, surgiram outras respostas, uma vez que o blog também é visto
como um trabalho e, em algumas falas, constatou-se que as blogueiras se
referem ao blog como um “filho”.
A

maioria

das

blogueiras

compreende

o

blog

como

um

hobby,

evidenciando em suas falas que o blog é algo que fazem por prazer, não sendo
uma forma alternativa de renda. As blogueiras consideram que ser blogueira
literária não é uma atividade lucrativa. Contudo, uma das blogueiras pontua
que, mesmo sendo um hobby, o blog permite que ela receba livros
gratuitamente das editoras.

�172
Acho que ele tem muito mais uma forma de hobby. Hoje ele pra mim é
um hobby, assim, algo que eu dispenso um tempo pra cuidar porque eu
gosto, não porque eu tenho pretensão de ah eu vou ser a blogueira mais
conhecida da história dos blogs. Eu não tenho essa pretensão não, não é
essa a intenção. A intenção mesmo é poder interagir com outras
pessoas que gostam das mesmas coisas que eu e poder falar um
pouquinho. Não é nada grandioso, não quero ficar rica (BLOGUEIRA 5).

Surpreendente, o blog configura-se como um trabalho para as duas
blogueiras que possuem um grande número de parcerias com editoras. A
parceria com as editoras demanda dessas blogueiras uma responsabilidade
com os prazos para leitura e postagens dos livros, o que desconfigura o blog
como um hobby feito por prazer e impõe uma pressão para publicação das
postagens.
Mas, eu também encaro como trabalho, por causa do compromisso que
eu assumi, até porque não é brincadeira né. A empresa que tá do outro
lado, ela é séria, ela quer lucro, ela não tá lá só pra fazer os blogueiros
felizes [...]. E a gente é um meio de divulgação, um veículo né. Então,
eu encaro muito como um trabalho, como um compromisso
(BLOGUEIRA 7).

Em alguns casos, os blogs são considerados como forma de visibilidade.
Uma das blogueiras afirma que o blog promove sua visibilidade e que coloca
em seu currículo que é blogueira, pois como estudante de jornalismo, ela
considera importante divulgar seu trabalho. Para algumas blogueiras, o blog
permite algumas facilidades no meio literário, como a entrada gratuita em
eventos. Durante a entrevista, uma blogueira lembrou do reconhecimento que
possui nos eventos literários, como na Bienal do Livro. Sendo assim, o blog
apresenta-se como uma forma de visibilidade, dependendo do propósito de
cada blogueira.
É um pouco forma de visibilidade, porque eu coloco no currículo. Coloco
blogueira DNA Literário, vídeo e texto. Porque se a pessoa vai procurar
um texto seu e ela vê lá, eu acho que dá uma ajudada, sabe [...].
Então, eu coloco no currículo sim, coloco naquela assinatura do Gmail
(BLOGUEIRA 4).

No discurso de metade das blogueiras, constatou-se que elas referem-se
ao blog como um “filho”, utilizando também a palavra “cuidar” ao se referirem
à atualização do blog. Essas expressões demonstram uma forte afetividade na
relação das blogueiras com o seu blog. Uma das blogueiras conta como
consegue “cuidar” do blog em meio a uma rotina de trabalho intensa. Em seu

�173

discurso, a blogueira conta que qualquer tempo disponível que possui, entra no
blog para dar uma olhada, como se fosse um filho.
Qualquer momentinho eu vou lá e dou uma olhada, é tipo filho, sabe
(BLOGUEIRA 7).
A gente tenta cuidar mesmo, assim é o nosso filho (BLOGUEIRA 8).

O fato de as blogueiras referirem-se ao blog como um filho demonstra
uma relação sentimental com o projeto. No discurso das blogueiras, observase que esse blog “filho” demanda cuidado, carinho, deseja-se que ele cresça,
mas, ao

mesmo

tempo,

esse

mesmo filho

demanda tempo e

cobra

responsabilidades.

4.3 MUDANÇAS APÓS O BLOG
As entrevistadas relataram as principais mudanças que sofreram em
suas vidas após se tornarem blogueiras. No discurso de determinadas
blogueiras, constata-se que o blog proporcionou a formação de novas
amizades e auxiliou na melhoria da sociabilidade. Em outros relatos, as
blogueiras evidenciam que o blog contribuiu para a autoconfiança e para o
reconhecimento.

4.3.1 Amizades e sociabilidade
Tornar-se blogueira possibilitou que essas leitoras participassem de
novos círculos sociais, conquistando novas amizades. Uma blogueira considerase grata ao meio literário pelos amigos que fez em Belo Horizonte. Ela também
afirma que o mundo literário constitui 50% de sua vida. Outra blogueira
considera que não é uma pessoa que possui facilidade em fazer amizades, mas
que conheceu pessoas do Brasil todo por meio do blog, além do grupo de
amigas blogueiras de Belo Horizonte.

�174
E eu não sei... Mas eu conheci muita gente, muita, muita gente, foi
muito bom. Eu não sou uma pessoa que faz amizade fácil e com ele eu
conheci muita gente, sabe, que talvez eu não conheceria nunca. Tipo eu
só conheço gente do meu trabalho, da faculdade... E são pessoas do
Brasil todo, tem gente de São Paulo, do Rio que a gente fez amizade.
Aqui de BH também meninas que eu nunca... não tem nada em comum
a não ser livros e somos amigas. Então assim eu acho que essa parte
dos livros mudou muito por causa disso. E também tem as
apresentações em eventos, acaba que a gente fica mais antenada. [...]
Então eu acho que um pouco dos livros já tá internalizado em mim
sabe... A gente muda sem saber né... E acaba que eu não sei viver mais
sem isso, é muito louco né (BLOGUEIRA 7).

Em outro caso, a blogueira considera o blog como seu ponto de
equilíbrio, afirmando que ele a retirou de crises depressivas intensas. Além
disso, ela afirma que depois do blog conquistou novos amigos, pois antes ela
só convivia com o filho e com as pessoas vinculadas à igreja que frequenta.
Atualmente, ela se relaciona com várias pessoas diferentes no meio literário.
Em seu relato, uma blogueira considera que o blog possibilita que ela
esteja próxima dos amigos, uma interação com pessoas por quem ela tem um
carinho especial. Além disso, o blog permite também conhecer outros leitores,
de modo que seja criada uma rede social de pessoas que gostam das mesmas
coisas. Ela termina sua fala afirmando que o blog manifesta-se grupo de apoio.
É um papel mesmo assim [...] que eu possa realmente estar mais
próxima dos meus amigos porque as pessoas que estão lá são pessoas
por quem eu tenho um carinho muito grande [...]. Uma ferramenta pra
você fazer da leitura... uma ferramenta pra interagir com outras
pessoas. Então o blog acabou sendo isso, ser uma ferramenta pra gente
conhecer outras pessoas, pra gente falar desse... pra criar mesmo um
universo de pessoas em uma rede social de pessoas que gostam das
mesmas coisas que a gente gosta. É quase como se fosse aqueles
grupos sabe, tipo grupo de apoio, o blog é meu grupo de apoio [risos],
tive DR [discussão de relacionamento] aí eu vou pra lá (BLOGUEIRA 5).

No caso das blogueiras que se consideram tímidas, houve relatos de
como o blog auxiliou na superação da timidez e na melhoria de sua
socialização.
Eu tenho melhorado o aspecto pessoal. Porém, no blog é um pouco mais
tranquilo, por tirar o visual, sabe. Eu tô falando lá, tem a minha foto lá,
mas a pessoa não tá me vendo falar. Então é bem mais tranquilo falar
assim. Mas eu tenho tentado melhor o verídico mesmo né [...] fora da
internet (BLOGUEIRA 3).
Olha, eu tô bem menos tímida do que eu era. Porque eu acho que a
partir do momento que você se abre pra outra pessoa ler o que você tá
falando, você perde um pouco disso, porque tipo você sabe que alguém
tá lendo, você não tá postando pra ninguém [...]. Eu perdi muito a

�175
timidez [...]. Foi o DNA que me ajudou com a timidez assim e me ajuda
também a fazer amizade, eu tô fazendo amizade por causa dos livros
(BLOGUEIRA 4).

É perceptível que o blog promove a criação de vínculos entre os leitores
literários. Como forma de forma de divulgar as leituras realizadas, o blog
permite a interação entre leitores que possuem gostos semelhantes, o que
propicia o surgimento de novas amizades. Além disso, o blog auxilia a
expressão, possibilitando a superação da timidez.

4.3.2 Autoconfiança e reconhecimento
A autoconfiança e o reconhecimento são sentimentos que emergiram nas
falas das blogueiras. Uma das blogueiras declara que, conforme recebia
feedback positivo dos leitores do blog, sentia-se confiante e valorizada. Ela
afirma que essa confiança atingiu todos os aspectos de sua vida.
Autoconfiança. Sério. Porque as pessoas que me davam retorno, eu
comecei a pensar nossa as pessoas leem de verdade, nossa as pessoas
realmente gostam, se elas tão se dando ao trabalho de escrever pra
mim é porque elas gostam. Já recebi vários e-mails de pessoas
elogiando, nem pedindo nada... E eu fico muito feliz de ver que as
pessoas gostam, sabe. Então eu comecei a escrever, eu sempre gostei
de escrever só que eu não publicava nada. E quando eu comecei a fazer
o blog que eu percebi que as pessoas gostavam do que eu escrevia,
melhorou muito assim a minha confiança na minha pessoa. Sério, eu
fiquei assim mais confiante em qualquer coisa na vida. Fui melhorando
aos poucos né, claro, mas melhorei bastante (BLOGUEIRA 6).

Outra blogueira descreve como se tornou uma referência para as pessoas
quando o assunto são os livros, sendo reconhecida como uma pessoa que lê
muito e escreve sobre os livros que ama.
É... Todo mundo quando precisa de alguma informação, de família, é
muito engraçado... Ás vezes alguém de família vem conversar com
você, você fala ‘Ah pode falar’, ‘Não, tô precisando é de uma indicação
de livro’. Então pra indicar livro sou eu. E isso mudou muito de antes,
porque hoje todo mundo sabe a Emília31 lê, a Emília tem muito livro, a
Emília ama leitura, a Emília escreve. Então isso fez uma diferença até na
minha vida (BLOGUEIRA 1).

31

Nome fictício.

�176

Uma das

blogueiras considera que

o

blog contribuiu com certa

credibilidade, permitindo que as pessoas a conheçam e possam ler o que ela
escreve.
Então isso ajuda, dá credibilidade quando você manda, você fala ‘Ah eu
escrevo lá no blog tal’, você vai ver minha carinha lá, quem sou eu na
fila do pão, você sabe quem que é. Então o blog ajudou nisso, sabe
(BLOGUEIRA 5).

É perceptível no discurso das blogueiras que sua inserção na blogosfera
literária possibilitou mais do que a participação no universo literário, abrindo
caminhos para conhecer novas pessoas e fazer novas amizades, além de
permitir a conquista da autoconfiança e um reconhecimento do seu trabalho
por parte de terceiros, como os familiares e as editoras. É importante ressaltar
que todas as mudanças observadas estão relacionadas a sentimentos muito
íntimos de cada blogueira, que envolvem as relações interpessoais, a
capacidade de interagir, a confiança em si mesma e a sensação de ser
reconhecida.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados da pesquisa permitiram a compreensão de que a
blogosfera literária é um espaço que permite o protagonismo de leitores
comuns, possibilitando a expressão desses sujeitos e dando visibilidade às
suas ações.
A análise das entrevistas com as blogueiras participantes deste estudo
permitiu a identificação de três categorias de análise: motivações para
inserção na blogosfera, representações do blog e mudanças após o blog. As
diversas motivações para criação do blog estão intimamente ligadas às
mudanças de vida que vieram depois dele. As necessidades das blogueiras perder a timidez, escapar da solidão, ter voz ativa e ser ouvida, compartilhar
as suas opiniões sobre as leituras - deram lugar ao reconhecimento,
autoconfiança e sociabilidade proporcionados pelo blog. Por sua vez, essas

�177

mudanças geraram representações positivas do blog - um hobby, um trabalho,
uma forma de visibilidade, um filho.
A partir dos resultados, o estudo revelou o forte envolvimento afetivo
que permeia a relação entre o blog e os blogueiros. Conclui-se que o afeto
pelos livros estende-se ao blog, espaço de liberdade para escrever, criticar,
opinar, compartilhar, criar e ser uma protagonista.

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WOOLF, Virginia. O leitor comum. Rio de Janeiro: Graphia, 2007.

DADOS BIOGRÁFICOS

Jéssica Patrícia Silva de Sá: Doutoranda em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
Mestra em Ciência da Informação pela mesma instituição (2018).
Possui graduação em Biblioteconomia pela UFMG (2016). Atua
como Bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal Professor
Francisco Tibúrcio de Oliveira, vinculada à Secretaria Municipal de
Cultura da Prefeitura Municipal de Santa Luzia (MG). Tem interesse
nas áreas de práticas informacionais e estudos de usuários da
informação, com enfoque na apropriação da leitura literária e
compartilhamento de leituras.
E-mail: j.jessicadesa@gmail.com

�180

CAPÍTULO X - O impacto da globalização e das redes sociais
na formação do leitor
Vinicius Alves dos Santos

1 INTRODUÇÃO
As redes sociais digitais nada mais são que o imperativo que foi
dispensado aos indivíduos do mundo globalizado, de que eles precisam estar
conectados em todo o tempo, análise essa que se pode fazer pelo mais simples
empirismo. Como consequência, as redes sociais digitais têm sido responsáveis
por diversas tipologias de engajamento, seja político, religioso, educacional,
entre outros. As pessoas querem expor seu modo de pensar. Nesse ambiente
elas estão inseridas, e se sentem com um poder de fazer valer sua
representatividade.
Por isso o bibliotecário deve levar em consideração em sua práxis as
redes sociais, porque nessa plataforma as pessoas se encontram e pode ser
um local com a qualidade de conceder visibilidade às unidades de informação,
e

formar

leitores

que

valorizarão o

conhecimento

contido nos

livros,

independente do suporte, como potencial transformador e qualificador das
atividades de sua existência de acordo com Diniz (2016).
Essa

elaboração

está

objetivada

em

relacionar

o

fenômeno

de

globalização, que incluiu e conectou uma parcela considerável do mundo, e o
emprego das redes sociais para a disseminação da prática leitora, como
potencial que detém para os profissionais da informação, ao estimularem
pessoas a buscarem o hábito da leitura. Santos e Duarte (2019) citando
Bauman (1999) explanam:
[...] ‘globalização’ é o destino irremediável do mundo, um processo
irreversível; é também um processo que nos afeta a todos na mesma
medida e da mesma maneira. Estamos todos sendo ‘globalizados’ — e
isso significa basicamente o mesmo para todos (BAUMAN, 1999, apud
SANTOS; DUARTE, 2019, p. 3).

�181

Ou seja, estar ausente da conexão mundial é quase impossível no
contexto urbano e ousa-se dizer, em contextos rurais similarmente, salvo por
dificuldades intelectuais, de formação ou de acesso. Os corpos sociais em
regimes democráticos em suma, estão fadados a essa predestinação global.
Portanto, deve-se utilizar de tal elocução social a favor da informação, da
formação e educação das pessoas.

2 GLOBALIZAÇÃO: VALOR SEMÂNTICO, BREVE HISTÓRICO E AS
TECNOLOGIAS DE COMUNICAÇÃO
Antes de ponderar acerca das mídias sociais e a latência por detrás para
a formação de leitores, é necessário entender o que se encontra na retaguarda
dessa movimentação, seu valor semântico e a historicidade, com a finalidade
de compreender os fundamentos dessa emergência e o novo modus operandi
social.

2.1 DEFINIÇÃO DE GLOBALIZAÇÃO
Campos

e

Canavezes (2007) discutem em

sua obra

noções de

globalização e alguns significados sobre a globalização. O mais adequado para
esse contexto tratado é a definição de um economista internacionalista
estadunidense — Joseph Stiglitz — que diz:
Fundamentalmente, é a integração mais estreita dos países e dos povos
que resultou da enorme redução dos custos de transportes e de
comunicação e a destruição de barreiras artificiais à circulação
transfronteiriça de mercadorias, serviços, capitais, conhecimentos [...].
(STIGLITZ, 2004 apud CAMPOS; CANAVEZES, 2007, p. 13).

Globalização é a aproximação numa amplitude considerável como
descrita, de modo que haja a troca das experiências e até mesmo da cultura
que permeia a práxis humana. O termo atualmente é mais popular, contudo,
não é uma criação do século XXI.

�182

2.2

BREVE

HISTÓRICO:

GLOBALIZAÇÃO

E

AS

TECNOLOGIAS

DE

COMUNICAÇÃO
Não se sabe designar com muita facilidade quando a globalização se
iniciou, porque, de certo modo, já havia comunicação entre diferentes
populações na idade antiga – claro que não com a expressão vislumbrada pela
presente geração. Campos e Canavezes (2007) apontam que foi no período do
século XV com as famigeradas expedições ultramarinas e o “descobrimento do
novo mundo”, que o processo de globalização teve sua gênese.
Com a invenção e aprimoramento dos meios de transporte, como o navio
a vapor e as ferrovias, e também das telecomunicações no século XIX, houve
uma contribuição do que se pode denominar de um sistema global. O estudo
de Santos e Duarte (2019) fundamenta novamente esses dados:
[...] após a Segunda Guerra Mundial inicia-se o processo de
desenvolvimento global econômico, claro que sem muita expressão, mas
através de uma rede global que se instala no início do Século XX,
precisamente a partir dos anos 20, que vem a ser a criação da televisão,
que nos anos 30 e 40 espalhou-se por toda Europa e também nos
Estados Unidos, chegando no Brasil nos anos 50, iniciando assim um
forma global de conhecimentos cultural, político e econômico, ensejando
a chamada aldeia global [...] (SANTOS; DUARTE, 2019, p. 276).

Após a Segunda Guerra Mundial, especificamente nos anos 80, 90 e
2000 isso se intensifica sendo um alavancamento expressivo, tendo como
resultado a conjuntura vivenciada atualmente, onde se percebe uma ampliação
ao acesso a internet em diversas nações, a emergência de sites de
relacionamento, publicação de vídeos na internet em massa, informatização de
processos burocráticos da governança, informatização de bibliotecas, poder
aquisitivo da classe média baixa sendo ampliado para a aquisição de
computadores pessoais com acesso a internet, popularização dos afamados
smartphones, dentre outros.
Todas essas movimentações e transformações tecnológicas modificaram
o relacionamento do ser humano com a sociedade, seja em sua participação
política, educacional, na resolução de problemáticas e/ou na conquista de um
espaço no mercado. A informação ganhou uma nova valoração social no
desenvolvimento pessoal do indivíduo.

�183

Porém, o destaque especial se deve às redes sociais, que minimizaram
distâncias afetivas, proporcionou à contribuição cidadã citada anteriormente,
permitiu a recolocação de diversas pessoas no mercado de trabalho, a criação
de relações de diferentes gêneros, a troca de informações sobre produtos de
consumo e dados sobre saúde. As redes sociais, tendo como fundamento a
internet, converteram os laços com o mundo e com as questões que se
apresentam, de modo irreversível; isso é perceptível e constatado ao observar.

3 FORMAÇÃO DO LEITOR
Ler é um ato de compreensão da vida, de acordo com Diniz (2016), pois
pela apreensão de informações pela decodificação dos signos nos suportes que
viabilizam a leitura, o ser humano possui a oportunidade de se mover e atuar
dentro da realidade, não considerando somente os insights de sua mente, mas
tomando consciência do pensamento do próximo e de tudo o que foi construído
anteriormente a ele.

3.1 O QUE É LEITURA?
Antes de oportunizar indicações acerca do que seria o processo de
formação do leitor, é imprescindível antes definir o que seria leitura. A leitura
pode ser discernida como este ato analítico e interpretativo de alguma
sentença ou texto; é a capacidade de atribuir sentido ao que foi lido.
Entretanto, para contextualizar e demonstrar a correlação e a junção de ambas
as práticas, Rojo (200?) concede um sentido mais amplo:
A leitura passa, primeiro, a ser enfocada não apenas como um ato de
decodificação, de transposição de um código (escrito) a outro (oral),
mas como um ato de cognição, de compreensão, que envolve
conhecimento de mundo, conhecimento de práticas sociais e
conhecimentos lingüísticos muito além dos fonemas (ROJO, 200?, p. 3).

�184

A

ação

de

reconhecer

signos

ao

fazer

uma

leitura

interage

consequentemente, com a conjuntura na qual a pessoa se encontra, além das
experimentações em sua vivência com os personagens os quais se relaciona e
convive. Todos esses fenômenos influirão na maneira como um indivíduo
interpreta em sua leitura. O sujeito terá a capacidade de analisar, concordar
e/ou questionar as disposições definidas, e alinhar e alargar a sua cosmovisão.
Rojo (200?) corrobora esse silogismo dizendo que:
[...] a leitura é vista como um ato de se colocar em relação um discurso
(texto) com outros discursos anteriores a ele, emaranhados nele e
posteriores a ele, como possibilidades infinitas de réplica, gerando novos
discursos/textos. O discurso/texto é visto como conjunto de sentidos e
apreciações de valor das pessoas e coisas do mundo, dependentes do
lugar social do autor e do leitor e da situação de interação entre eles –
finalidades da leitura e da produção do texto, esfera social de
comunicação em que o ato da leitura se dá (ROJO, 200?, p. 3).

A leitura impulsiona os aspectos reflexivos e críticos do leitor, fazendo
com que suas percepções e opiniões a partir da leitura pleiteem e revelem os
seus conhecimentos de mundo (KLEIMAN, 1989; 1993 apud MARINHO, 1993).
Um dos profissionais mais bem preparados e qualificados para desenvolver e
impulsionar sujeitos na prática da leitura é o bibliotecário.

3.2 A FIGURA DO BIBLIOTECÁRIO E A FORMAÇÃO DO LEITOR
Como se sabe o profissional bibliotecário não está enclausurado a
trabalhar somente com bibliotecas; como a tônica da área é a organização e o
tratamento da informação, e todos os setores da sociedade direta ou
indiretamente lidam com informação, os bibliotecários possuem a capacidade
de prestar seus serviços a diversos âmbitos. Podem oferecer consultorias,
trabalhar em grandes empresas nos setores de divisão de estoque, tracejando
projetos de ordenação de itens e a gestão deste e de outros setores,
auxiliarem médicos em suas investigações, trabalhar com juristas, entre outros
nichos de mercado. No entanto, a proposta do presente escrito não é conceder
perspectiva mercadológica, mas oportunizar uma visão da potencialidade em
oferecer informações que possam formar um leitor a partir das redes sociais.

�185

É

preciso

deixar

aclarado

que

os

bibliotecários

não

ofertam

conhecimento; conhecimento é algo construído pelo usuário por meio de sua
assimilação e aprendizado. Os bibliotecários apenas ordenam os dados que,
organizados
anizados se tornam informação, e ao serem apreendidos e aprendidos,
conhecimento. Posteriormente
Posteriormente, com a experiência e aplicação do conhecimento
se transforma em inteligência. Esses são os níveis hierárquicos da informação
(URDANETA, 1992 apud MORESI, 2000)
2000).. A seguir uma figura que representa
esse silogismo.
Figura 1 - Os níveis hierárquicos da informação

Fonte: Moresi (2000, p. 18).

O bibliotecário precisa enxergar nas informações que disponibiliza em
qualquer que seja o local, a capacidade de despertamento para a formação de
um indivíduo pensante e crítico ao realizar as leituras das informações; e não
um mero decodificador de signos, como já foi dito. Esta competência levará o
seu usuário a não ser um analfabeto funcional; pelo contrário, a pe
pessoa terá a
capacidade de ponderar sobre as relações sociais, as forças políticas, as
estruturas e hierarquias, e os desdobramentos de uma descoberta científica,
para que tenha a capacidade de opinar e se posicionar, independente do meio
em que esteja inserido.

�186

Para se alcançar o conceito ideal de leitura colocado no início do tópico, é
interessante pensar na maneira como é conduzido o oferecimento de serviços
de informação. A palavra-chave desse processo é o diálogo. É necessário
diálogo para compreender o usuário e solucionar ou apontar o caminho para a
resolução

de seus problemas informacionais, e encorajar a busca de

informação e alargamento de seus horizontes.
O processo de formação do leitor se dá pela leitura do seu público,
enxergando

interesses,

necessidades

diante

da

conjuntura

do

usuário,

fornecendo informações que corresponderão à sua realidade. Isso coopera
para que o usuário contemple na leitura, um patrimônio não somente para
responder às suas demandas emergenciais, mas guiar, contribuir e moldar sua
cosmovisão diante daquilo que aspira como destino de vida.

4 A FORMAÇÃO DO LEITOR NAS REDES SOCIAIS
Após verificar o contexto informacional e cultural do mundo, no sentido
de como a maior parte das relações se dão, atrelando à informação de como
funciona o processo de leitura, é hora de expressar em aspectos práticos como
formar leitores na era das redes sociais. Já é desafiador propor formação de
leitores em meios convencionais, que dirá em meios digitais, entretanto, é
necessário o bibliotecário perceber novos campos de atuação, e saber
vislumbrar diante das novidades meios para exercer seu fazer informacional.
Existem infinidades de redes sociais, algumas com caráter específico, outras
bem genéricas que retratam diversos tipos de assunto. Considerar o impacto
das tais, e saber quais empregar na busca por esse processo é essencial, para
que seja eficiente e eficaz o trabalho desenvolvido.
O primeiro passo é investigar por intermédio dos estudos de usuários, de
modo quantitativo e qualitativo, as redes mais acessadas pelos usuários reais e
potenciais da unidade de informação onde se atua. A partir disso, investir na
criação de publicações que resgatem a atenção do público, e que respondam
às realidades às quais eles enfrentam. Por isso também uma análise

�187

sociológica, avaliando a faixa etária, classe social e interesses, se faz
extremamente importante para esse percurso.
Uma rede que gostaria de exaltar nesse artigo é o Skoob, que
basicamente

suporta

uma

comunidade

virtual

de

leitores.

É

possível

recomendar obras, vender, trocar ou comprar livros, criar amigos devido aos
interesses similares, etc. Oliveira (2015) realiza uma apresentação da
plataforma com características bem notáveis para o andamento da formação
do leitor, associando com ações que garantem maior consolidação da prática
leitora na vida do indivíduo. Não consiste em algo passageiro, mas um fator
que ressignifica a leitura do indivíduo associando com memórias afetivas.
O diferencial do Skoob é que se trata de uma comunidade brasileira, que
fala a mesma língua, manifestando seus gostos literários, mais ou
menos modelados pelo sistema social em que se dão as práticas de
produção, circulação e recepção daquilo que todos entendem como
literatura. O gosto literário funciona como elemento de agregação e
estabelecimento de vínculos entre os usuários da rede, pertencentes a
um território comum de trocas e relações sociais (OLIVEIRA, 2015, p.
70).

Um bibliotecário que enxerga essa rede como possibilidade para a sua
unidade, criando uma conta da instituição, agregando seus usuários na rede,
convidando, recomendando e sendo esse mediador de laços, promoverá não
somente o despertamento do interesse no leitor por tal expressão, mas
articulará integração de interesses e amizades.
A plataforma oferece a possibilidade de visualizar diversas críticas sobre
a mesma obra, filtrar conveniências, ter contato com outras realidades,
buscando formar um leitor crítico, entre outras possibilidades. A formação do
leitor por meio do Skoob se mostra muito benéfica ao contemplar os laços e
reações da rede.
Apesar disso, existem outros ensejos no mercado, capazes de assistir ao
profissional da informação nessa empreitada de formar leitores a partir de
redes sociais. Aqui foi exposta uma alternativa, mas existe uma diversidade
delas, pelas quais você pode “capturar” um leitor, indicar, conceder uma nova
roupagem do convite ao mundo da leitura e oferecer um significado novo a
essa experiência.

�188

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se essa produção sintetizando que ainda é possível suscitar
leitores pelos meios tradicionais, contudo, quando se trata de rendimento e
efetividade, as redes sociais estão no mercado para oferecer justamente o
resultado diante dessa realidade expressa que é a globalização. As unidades de
informação precisam estar onde os usuários estão, e estes se encontram
conectados. Logo, para alcançar esse público online, é preciso se interligar a
esses sujeitos adentrando em seu respectivo universo.
Além disso, não é um universo presente somente na individualidade, mas
a coletividade e o Estado tem se apropriado do mesmo e entendido que mais
que

trazer

economia

nos

serviços,

se

garante

maior

efetividade

na

comunicação de suas ideias para angariar sujeitos que serão como aportes de
suas perspectivas, ou na participação de suas ações como no caso do Estado
estando nas redes. Estar conectado, estar nas redes sociais digitais é como um
imperativo para o profissional bibliotecário, caso queira demonstrar o valor de
mercado no meio urbano de sua profissão.

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Luís; CANAVEZES, Sara. Introdução à globalização. Lisboa:
Instituto Bento Jesus Caraça, Departamento de Formação da CGTP-IN, 2007.
DINIZ, Johnathan Pereira Alves. Práticas de leitura nas redes sócias:
influências da mídia social facebook na formação de leitores dos cursos de
graduação do Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí. In: INTER
PROGRAMAS — ECOMUNICA — COMUNICADORES E MUTAÇÕES: CENÁRIOS E
OPORTUNIDADES, 15., Anais [...]. Brasília: Universidade Católica de Brasília,
2016. Disponível em:
https://portalrevistas.ucb.br/index.php/AIS/article/view/7866. Acesso em: 29
mar. 2020.
MARINHO, Raimunda Ramos. Leitura: um caminho para a cidadania. Transinformação, Campinas, v. 5, n. 1, 2, 3, p. 90-94, jan./dez. 1993. Disponível
em: http://periodicos.puc-

�189

campinas.edu.br/seer/index.php/transinfo/article/view/1650. Acesso em: 02
dez. 2019.
MORESI, Eduardo Amadeu Dutra. Delineando o valor do sistema de informação
de uma organização. Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 1, p.14-24,
jan./abr. 2000. Disponível em:
http://www.scielo.br/pdf/ci/v29n1/v29n1a2.pdf. Acesso em: 02 nov. 2019.
OLIVEIRA, Rejane Pivetta de. Favoritos do público: uma análise das práticas de
leitura da comunidade virtual Skoob. Revista do programa de pósgraduação em Letras da Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, v.
11, n. 1, p. 70-91, jan./jun. 2015. Disponível em:
http://seer.upf.br/index.php/rd/article/view/4968/3443. Acesso em: 02 dez.
2019.
ROJO, Roxane. Letramento e capacidades de leitura para a cidadania.
LAEL/PUC-SP, São Paulo, p.1-8, [200?]. Disponível em:
http://arquivos.info.ufrn.br/arquivos/2013121153a8f1155045828c12733b68e/
Letramento_e_capacidade_de_leitura_pra_cidadania_2004.pdf. Acesso em: 02
nov. 2019.
SANTOS, Lucineia Rosa dos; DUARTE, Juliana. Globalização e capitalismo
humanista. Revista de direito internacional e globalização econômica,
São Paulo, v. 1, n. 1, p. 273-290, 2019. Disponível em:
https://revistas.pucsp.br/DIGE/article/view/42361/28132. Acesso em: 26 nov.
2019.

DADOS BIOGRÁFICOS

Vinicius Alves dos Santos: Graduando do 7º período de
Biblioteconomia na Escola de Ciência da Informação (ECI), pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já foi estagiário
(2017-2018) no Centro Pedagógico da UFMG e na Editora UFMG
(2018-2019). É membro do grupo de pesquisa Fundamentos
teóricos, metodológicos e históricos da Organização da Informação
dirigido pela professora Cristina Dotta Ortega, coordena um grupo
de estudosque trabalha com ciência política denominado de
Fundamentos do Conservadorismo e Liberalismo. Atualmente,
pesquisa na área sobre Transtorno do Espectro Autista,
ponderando em como a Biblioteconomia e a Ciência da Informação
podem assistir a esses usuários.
E-mail: viniciusalves102011@hotmail.com

�190

CAPÍTULO XI - Leitura coletiva em grupos do WhatsApp
Andreza Gonçalves Barbosa
Jéssica Patrícia Silva de Sá
Emanuelle Geórgia Amaral Ferreira

1 INTRODUÇÃO
As tecnologias da informação e comunicação (TICs) impulsionaram
transformações em diferentes dimensões da cultura, dentre as quais, a leitura
literária e a maneira como compartilhamos leituras. Assim, Chartier (2009)
aponta que toda história da leitura propicia liberdade ao leitor, que altera suas
práticas de leitura em conformidade com os tempos e lugares.
Toda história da leitura supõe, em seu princípio, certa liberdade do leitor
que desloca e subverte aquilo que o livro pretende impor. Mas esta
liberdade leitora não é jamais absoluta. Ela é cercada por limitações
derivadas das capacidades, convenções e hábitos que caracterizam, em
suas diferenças, as práticas de leitura. Os gestos mudam segundo os
tempos e lugares, os objetos lidos e as razões de ler: Novas atitudes são
inventadas, outras se extinguem. Do rolo antigo ao códex medieval, do
livro impresso ao texto eletrônico, várias rupturas maiores dividem a
longa história das maneiras de ler. Elas colocam em jogo a relação entre
corpo e o livro, os possíveis usos da escrita e as categorias intelectuais
que asseguram a compreensão (CHARTIER, 2009, p. 77).

É perceptível a identificação de um novo perfil de leitor, que utiliza a
internet como forma de ampliar sua experiência de leitura, possibilitando a
realização de leituras de forma conjunta com outros leitores, permitindo trocas
de experiências no decorrer da leitura. Nessa prática, a leitura torna-se
coletiva, pois os leitores influenciam-se mutuamente no que diz respeito a
interpretações e opiniões sobre os livros.
Assim sendo, o presente capítulo aborda a temática da leitura literária e
o compartilhamento dessas experiências que ocorrem por meio da web,
especificamente através de grupos presentes no aplicativo de mensagens
instantâneas WhatsApp.

�191

O WhatsApp - do trocadilho "What'sUp" em inglês - é um aplicativo
gratuito que possibilita o envio e o recebimento de mensagens de texto,
arquivos de mídia, chamadas de voz e vídeo. O aplicativo foi criado por Jan
Koum e Brian em 2009 como uma alternativa ao serviço de SMS e é utilizado
por mais de dois milhões de pessoas, em mais de 180 países32. Com o
WhatsApp é possível trocar mensagens e arquivos com contatos individuais e
há a possibilidade de criar grupos que funcionam como comunidades virtuais.
A alteração de paradigmas que o surgimento da Internet causou para o
mundo acabou por alterar os conceitos de comunidades tradicionais. Já
que não há interação física nem proximidade geográfica, as
comunidades virtuais se estruturam essencialmente sobre um único
aspecto: os interesses em comum de seus membros (BARROS, 2006, p.
144).

Desse modo, a identificação da ocorrência cada vez mais comum da
formação de grupos de leitura coletiva em aplicativos de mensagens
instantâneas suscitou vários questionamentos que nortearam essa pesquisa,
tais como: Quem são os leitores que decidem inserir-se nesses grupos
virtuais? Qual a principal motivação desses leitores para compartilhar suas
experiências de leitura no grupo? Quais as vantagens e as desvantagens das
trocas de experiências literárias ocorrerem por meio do aplicativo WhatsApp?
Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa foi delinear o perfil dos
leitores pertencentes a um grupo de leitura coletiva formado no aplicativo
WhatsApp. Foram considerados os seguintes objetivos específicos: identificar
as principais características dos leitores do grupo; verificar os principais
motivos que levam os leitores a se inserir no grupo; e, constatar os aspectos
positivos e negativos do compartilhamento de leituras pelo WhatsApp.

2 LEITURA COMPARTILHADA EM MEIO DIGITAL
Segundo Failla (2016), a leitura literária possibilita viver muitas vidas e
experiências ao permitir o contato com o que outros já viveram, produziram,
32

De acordo com informações fornecidas na página do aplicativo WhatsApp. Disponível em:
https://www.whatsapp.com/about/. Acesso em: 23 mar. 2020.

�192

sentiram e criaram, propiciando desvendar outras visões de mundo e outras
percepções sobre o que é ser humano.
Na atualidade, com o constante crescimento do uso das tecnologias, a
autora aponta uma questão relevante:
O desafio é conseguir despertar para a leitura uma geração
quaseentorpecida pela comunicação em meio digital. Ler é uma prática
que exige ficar só, que pede concentração, não oferece estímulo
multimídia, mas, principalmente, pede o domínio da competência leitora
e do letramento. Ler não é tarefa fácil para quem ainda não foi
“conquistado” e é impraticável para quem não compreende aquilo que lê
(FAILLA, 2016, p. 20).

Contudo, já é possível identificar um novo perfil de leitor, que faz uso da
internet como forma de tanto realizar a sua prática de leitura como também
torná-la uma atividade social e interativa. Carrenho (2016, p. 104) ressalta
que “19% dos usuários de internet a utilizam para compartilhar textos e
informações sobre livros e literatura em blogs, fóruns e mídias sociais”. De
acordo com o autor, esse dado demonstra que os internautas brasileiros não
só querem ler, mas querem também escrever e interagir em rede.
Nesse sentido, compreende-se que a leitura literária possui uma
dimensão socializadora no que diz respeito às trocas de experiências literárias,
possibilitando ao sujeito realizar o intercâmbio das ideias suscitadas durante a
leitura individual com outros membros de uma comunidade leitora (PETIT,
2009). Conforme pontua Cysne (1993), “a leitura é social porque o livro
também o é” (CYSNE, 1993, p. 71). Assim sendo, partimos do princípio de que
o ato de ler é uma prática social, como apontado por Chartier (2009).
Se em outras épocas era necessário um local físico onde leitores
pudessem se encontrar pessoalmente, o advento da internet tornou possível
que a interação entre leitores ocorra de forma on-line (CARNEIRO, 2011).
Segundo Almeida (2008), a ruptura radical dos tradicionais ambientes
literários ocorreu no século XX com o aparecimento das novas tecnologias. O
computador, juntamente com a internet, alterou definitivamente a forma de
compartilhar ideias.

�193
A possibilidade de diferentes trocas, como pesquisas, compras, músicas,
filmes, jogos virtuais e diversificadas leituras, criou uma disputa de
atenção dos leitores entre as movimentadas feiras do livro e os
ambientes literários on-line, estes que oferecem páginas de reflexões,
listas de discussões, salas de bate-papo, blogs, sítios literários e
comunidades virtuais (ALMEIDA, 2008, p. 42).

Santaella (2012) afirma que, mediante as mídias digitais, a configuração
da literatura foi alterada em todas as suas instâncias: produção literária,
recepção multimídia, a leitura e interpretação literárias, direitos do autor,
novas formas de edição, novas configurações da obra literária, o acesso e a
função social da literatura.
Dessa forma, a leitura hoje tem a possibilidade de ser compartilhada por
meio das mídias sociais, aplicativos, dentre outros. As redes eletrônicas
ampliam a possibilidade de intervenções e discussões, estando ao alcance de
todos a produção dos juízos pessoais e a atividade crítica (CHARTIER, 2009).
Ainda

atentando-se

para

a

inserção

das

tecnologias

digitais

no

compartilhamento de leitura, e percebendo que a leitura é um fator social,
torna-se importante pensar a respeito do social e a cultura digital. Dessa
maneira, para Cysne (1993) o social torna-se um adjetivo que acompanha a
participação da sociedade em rede.
Guanabara e Sakamoto (2018) propõem um paralelo entre a trajetória
dos livros e os grupos de leitura modernos. Os livros mantiveram sua função
principal ao longo do tempo de transportar informações, mas alteraram sua
materialidade

em

conformidade

com

os

avanços

tecnológicos

e

as

necessidades de uso de cada época. Os clubes do livro mantiveram sua
essência de compartilhar as leituras realizadas, mas se transformaram com os
avanços tecnológicos, sendo realizados em ambiente digital, adicionando novas
características de compartilhamento e funções (GUANABARA; SAKAMOTO,
2018, p. 4).
De acordo com Sá (2018), os encontros presenciais não devem ter sua
importância menosprezada, pois oferecem trocas enriquecedoras entre os
leitores. Contudo, a autora ressalta que a web abre outra possibilidade: o leitor
tem a oportunidade de conectar-se com outros leitores através da rede. Assim,
se no passado só era possível formar uma comunidade de leitores a partir de

�194

encontros presenciais, atualmente a internet permite a interação entre leitores
por meio de ambientes virtuais que proporcionam um diálogo sobre livros e
literatura.

3 METODOLOGIA
A pesquisa quantitativa permite captar conteúdos que possam ser
mensuráveis sendo para isso, utilizados algumas técnicas de pesquisa como,
por exemplo, o questionário, técnica empregada neste trabalho. Conforme
salienta Laville e Dione (2007), uma das características positivas dos
questionários é que por meio deles consegue-se alcançar muitas pessoas
simultaneamente, nesse caso, o entrevistador não precisa estar presente.
Outro ponto importante destacado pelos autores é que a “uniformização
assegura que cada pessoa veja as questões formuladas da mesma maneira, na
mesma ordem e acompanhadas da mesma opção de respostas” (LAVILLE;
DIONE, 2077, p. 184) o que facilita a análise no final do trabalho.
Portanto, a metodologia consistiu em uma análise quantitativa com
inserção de três questões abertas no questionário, pois, percebeu-se que
apenas as questões fechadas não conseguiriam abarcar nuances mais
subjetivas dos respondentes. Segundo Flick (2013, p.107), de acordo com a
necessidade,

os

pesquisadores

podem

incluir

perguntas

abertas

no

questionário “às quais os respondentes podem responder com suas próprias
palavras”. O questionário foi composto por 27 perguntas, sendo vinte e quatro
(24) fechadas e três (3) abertas.
O grupo selecionado para aplicação do questionário é intitulado como
“Sociedade Literária CP”, vinculado ao blog literário “Cultura Pocket”, sendo
administrado pelos seus respectivos blogueiros. A escolha desse grupo foi
baseada no conhecimento prévio deste por parte das pesquisadoras, uma vez
que a pesquisa de Sá (2018) analisou o blog Cultura Pocket.
O Cultura Pocket é um blog literário que foi criado em agosto de 2017. O
blog é coletivo, sendo administrado por uma equipe de blogueiros, tendo um

�195

grupo residente em Minas Gerais, no município de Ribeirão das Neves, e outros
membros residentes em outros estados brasileiros. Esse blog pode ser
caracterizado como uma página na web que publica predominantemente
resenhas de livros literários e conteúdos relacionados, como séries e filmes. O
conteúdo postado no blog possui grande número de comentários, o que revela
a interação entre os blogueiros e os leitores do blog (SÁ, 2018).
Existem algumas ações realizadas pelos blogueiros do Cultura Pocket que
estão vinculadas ao blog, como o Clube do Livro de Ribeirão das Neves, o
projeto Livro Viajante e o grupo no aplicativo WhatsApp.
O grupo do WhatsApp intitulado “Sociedade Literária CP” completou dois
anos de existência em setembro de 2019. À época da coleta de dados, o grupo
era formado por 77 membros, residentes em diferentes regiões do Brasil. O
grupo é divulgado no blog e nas redes sociais do Cultura Pocket. Para entrar
no grupo, é necessário enviar um pedido de solicitação para um dos
administradores, que responde enviando um link.
A dinâmica do grupo de leitura coletiva consiste na leitura de um livro
por mês, com metas de leitura semanais pré-estabelecidas. Os debates de
cada meta de leitura são realizados aos finais de semana. Nos debates os
leitores têm a liberdade de expressar suas opiniões sobre a leitura realizada,
tanto por meio de mensagens de texto como por mensagens de áudio.
O grupo caracteriza-se pela forte interação entre os membros, revelada
pelo grande quantitativo de mensagens trocadas. Para a escolha do livro a ser
lido, os membros enviam sugestões de livros e, posteriormente, é feita uma
votação para definir a leitura do próximo mês. Além das metas semanais, os
leitores também participam de desafios postados pela equipe administradora
do grupo, que consistem em brincadeiras relacionadas ao livro, como
postagens de textos e imagens. Ao final de cada desafio, é sorteado um brinde
para os participantes, geralmente marcadores de livros e mimos, que são
enviados pelo Correio ao vencedor.
Tendo em vista os objetivos deste trabalho - a identificação dos perfis
dos leitores participantes do grupo de leitura coletiva no WhatsApp, verificando
sua motivação, as vantagens e desvantagens do compartilhamento de leituras

�196

virtual - julgou-se pertinente aplicar um questionário. Para tal finalidade, o
formulário do Google foi utilizado para coletar os dados e divulgado aos
participantes. Dessa forma, no dia 23 de setembro de 2019, o formulário com
27 perguntas fechadas e abertas foi enviado aos leitores por meio do próprio
grupo. O formulário ficou disponível para preenchimento ao longo de três dias.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos 77 participantes do grupo de leitura coletiva, 25 responderam ao
formulário. Obteve-se, portanto, uma taxa de resposta de 32,47%. Contudo, é
interessante frisar que, à época da pesquisa, apenas 26 leitores afirmaram no
próprio grupo estarem participando da leitura proposta para o mês de
setembro, o livro “O Cemitério” do autor norte-americano Stephen King.
Constata-se, portanto, que desses 26 leitores que estavam efetivamente
participando do grupo com frequência durante o período da coleta de dados,
25 responderam ao formulário. As respostas dos 25 participantes foram
analisadas em três categorias: perfil socioeconômico, perfil dos leitores e
compartilhamento de leituras.

4.1 PERFIL SOCIOECONÔMICO
A análise do perfil socioeconômico dos leitores permite situar e
compreender tanto aspectos e características identitárias do perfil como
também da condição social predominante entre os leitores. Verificou-se, dentre
outros aspectos, a faixa etária, sexo, identidade racial, estado civil, renda
familiar, trabalho, área de formação e escolaridade.
Em relação à faixa etária (GRÁFICO 1), constatou-se que mais da
metade dos leitores (52%) têm de 31 a 40 anos de idade e 28% possuem de
22 a 30 anos de idade. Esse percentual demonstra que o grupo é composto
predominantemente por pessoas em idade economicamente ativa, que se

�197

dedicam a múltiplas tarefas - estudo, trabalho, demandas familiares e sociais conseguindo conciliá-las
las com a prática da leitura literária assídua.
Gráfico 1 - Idade dos leitores

Fonte: Dados d
da pesquisa (2020).

O questionário possibilitou averiguar que o grupo é composto por 84%
de mulheres (GRÁFICO 2). Essa estatística vai ao encontro de estatísticas
nacionais, como a da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 4 (FAILLA, 2016),
que constatou que as mulheres leem mais do que os homens.
Gráfico 2 - Sexo dos leitores

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Em relação à cor da pele (GRÁFICO 3), 44% se autodeclarou pardo,
seguido de 40% de brancos e apenas 16% de negros. Para uma análise mais
aprofundada desses dados, ser
seria
ia necessária a coleta de dados de forma
qualitativa, que permitisse uma compreensão mais completa que justificasse
os dados obtidos.

�198
Gráfico 3 - Cor da pele autodeclarada pelos leitores

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Em relação ao estado civil, 48% dos leitores são casados, 40% solteiros,
8% divorciados e 4% declarou viver com companheiro.
Responderam ao questionário, leitores residentes nos seguintes estados
brasileiros:

Amazonas,

Ceará,

Distrito

Federal,

Minas

Gerais,

Pará,

Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Com isso, podemos
constatar a amplitude do alcance que um clube de leitura compartilhada por
WhatsApp possui, dinâmica que é própria das comunicações em rede na
sociedade contemporânea. Dos estados mencionados, cerca de 36% residem
em Minas Gerais, sendo a maior porcentagem dos leitores que participaram da
pesquisa. A forte presença dos leitores mineiros se atribui ao fato de que a
maior parte dos administradores do grupo são de Minas Gerais.
Gráfico 4 - Renda familiar mensal dos leitores

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

A renda familiar mensal de 40% dos membros do grupo fica em torno de
2 a 3 salários mínimos, 32% de 4 a 6 salários mínimos, fazendo parte de uma
classe média. Ressalta-se que 12% possui renda de até um salário mínimo,
representando uma classe social mais baixa. Apenas 12% dos leitores recebe
mensalmente de 7 a 9 salários, compondo uma classe média alta (GRÁFICO
4). 72% dos leitores afirmaram que não trabalham diretamente com a leitura

�199

literária, dado que reflete que a leitura para a grande parte dos leitores tratase de um hobby, uma atividade relacionada ao lazer e não à prática
profissional. Dentre as profissões citadas pelos leitores participantes da
pesquisa foram apontadas: Agente de pesquisa, Auxiliar de escritório, Auxiliar
administrativo, Bancário, Bibliotecária, Designer Gráfico, Professora, Professora
universitária, Radialista, Fonoaudióloga, Fotógrafa, Técnico de Manutenção,
Psicóloga, Química, Servidor Público, Artesã e Supervisora de atendimento.
Também houve casos de pessoas que afirmaram ser donas de casa,
aposentadas e desempregadas. Tal dado reflete também a importância dada à
leitura literária, prática que não é realizada por obrigação, visto que não está
entre as atribuições profissionais da maioria. É fato relevante que, apesar de
uma rotina diária de trabalho, profissionais das diversas áreas apontadas na
pesquisa dediquem seu tempo de lazerà prática da leitura.
Quanto à escolaridade, a muitos leitores possuem pós-graduação
completa (36%), seguidos de leitores com ensino superior completo (28%). O
nível de escolaridade dos leitores do grupo revela a importância da educação
formal e sua estrita relação com a formação do leitor proficiente e crítico. Dos
64% dos leitores que completaram uma graduação, diagnosticou-se que
65,2% não se formou em área diretamente relacionada à leitura literária. Esse
último dado aponta novamente para a prática da leitura realizada por lazer,
não estando relacionada aos estudos formais dos participantes da pesquisa. As
áreas de formação citadas pelos leitores graduados foram: Administração,
Biblioteconomia, Comunicação Social, Publicidade e Propaganda, Economia,
Estatística, Fonoaudiologia, História, Letras, Psicologia, Química, Serviço
Social, Tecnologia Eletrônica. Houve respondentes que não especificaram o
curso de formação, um afirmou que ter se formado na área de Ciências
Humanas e outro na área de Ciências da Saúde. É um equívoco, portanto, a
concepção de que pessoas que se interessam pela leitura são advindas
somente das áreas de ciências humanas, ligadas à educação ou ao estudo da
literatura. Os dados demonstraram que pessoas vinculadas as mais diversas
áreas do conhecimento, inclusive às ciências exatas, concebem a leitura
literária como ação relevante no seu cotidiano.

�200

Outro dado relevante é que 48% dos leitores cursaram seus estudos
integralmente em escola pública, 32% cursaram a maior parte em escola
pública, 12% cursaram a maior parte dos estudos na rede particular e 8% e
em
escola particular. Tal estatística destaca a importância do investimento no
setor público de forma a contribuir para a educação e forma
formação
ção de leitores.

4.2 PERFIL DOS LEITORES
Para compreender o perfil dos leitores e suas respectivas práticas de
leitura, buscou-se
se investigar sua frequência de leitura, de modo a verificar a
incorporação do ato de ler no cotidiano dessas pessoas. Averiguou
Averiguou-se também
a quantidade de livros lidos por mês, as maiores barreiras encontradas pelo
leitor durante a leitura, a percepção do tempo dedicado à leitura, o uso de
diferentes suportes e o papel da leitura na vida do leitor.
Gráfico 5 – Frequência de leitura literária

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

O Gráfico 5 revela como a prática da leitura literária é algo presente no
cotidiano dos leitores, visto que a grande maioria (76%) lê todos os dias. Mais
do que a quantidade de livros lidos, a frequência de leitura permite a
compreensão da verdadeira importância da leitura na vida das pessoas.
Sujeitos que leem todos os dias são aqueles que priorizam a prática da leitura,
tendo essa ação como incorporada no seu dia a dia.

�201
Gráfico 6 – Quantidade de livros mensal

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Quanto à quantidade de livros lidos, o Gráfico 6 revelou que grande parte
dos entrevistados 44% leem de 3 a 5 livros por mês. Pode
Pode-se, nesse caso,
inferir que a participação em clubes de leitura sejam eles virtuais ou
presenciais tem grande relevância para manter o hábito de leitura.
Gráfico 7 – Barreiras em relação à leitura

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

No que se referem às barreiras encontradas pelos leitores (GRÁFICO 7),
os resultados mostram que a maioria dos respondentes 64% declararam não
possuir tempo para se dedicarem à leitura.Os afazeres do dia a dia como
trabalho, estudo, dentre outras questões que surgem no cotidiano das pessoas
podem contribuir para tal resultado. Com relação ao tempo dedicado a leitura,
72% dos participantes disseram ser insuficiente (GRÁFICO 8).
Gráfico 8 – Tempo dedicado a leitura pelos leitores do grupo

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

�202

Outra análise possível de ser feita em relação a esses dados é a extrema
autocobrança dos leitores, pois 76% dos leitores leem todos os dias, sendo que
44% leem de dois a três livros por mê
mês,
s, ainda assim 72% dos leitores sentem
que seu tempo dedicado a leitura é insuficiente. Por meio da correlação entre
os dados estatísticos, podemos considerar que os leitores possuem uma
frequência de leitura muito alta, com uma quantidade de livros lidos por mês
acima da média, mas mesmo assim não consideram que conseguem ler tanto
quanto gostariam. Tal constatação demonstra tanto a voracidade dos leitores
em querer ler mais, quanto uma extrema cobrança para dedicarem
dedicarem-se mais à
prática da leitura.
Gráfico 9 – Suporte informacional mais utilizado

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Quanto ao suporte informacional utilizado (GRÁFICO 9), 60% dos
participantes disseram utilizar ambos os suportes, impresso e digital. A
praticidade de e-readers ou computadores e até mesmo smartphones facilitam
a vida de quem precisa de praticidade no dia
dia-a-dia
dia devido os afazeres
cotidianos. Já o livro impresso mesmo diante das novas tecnologias aliadas a
leitura, ainda assim continua entre as preferências de mui
muitas
tas pessoas, haja
vista que os leitores possuem uma relação afetiva com os livros físicos,
valorizam o contato com o papel, têm o livro como um objeto para colecionar e
ler no conforto de casa.

�203
Gráfico 10 – Papel da leitura para os leitores do grupo
po

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

Conforme o Gráfico 10, a maioria dos respondentes (56%) disse ler por
prazer, já 4% deles leem para se informar. É interessante perceber que
mesmo a leitura por prazer possibilita informação e aprendizagem ao indivíduo
leitor.
A escolha da resposta “gosto de ler porque me dá prazer” vai ao
encontro do senso comum, uma vez que em escolas e em diversas campanhas
de promoção da leitura é divulgado o famoso slogan “ler é um prazer”.
Contudo, essas questões precisam ser melhor invest
investigadas,
igadas, no sentido de
realmente compreender qual é esse prazer que a leitura proporciona. O prazer
no sentido de um entretenimento e diversão só irá ocorrer quando o leitor
dedica-se
se a leituras que possuem narrativas cômicas ou romanceadas, de
forma que a leitura de textos mais densos, profundos ou dramáticos não irá
proporcionar o prazer fácil, a risada e o entretenimento, mas poderá
proporcionar um prazer da fruição.
Nesse sentido, outros leitores relacionaram o papel da leitura em sua
vida

de

modo

mais específico, constatando que gostam de

ler para

pensar/refletir (20%) ou que gostam de ler para ter outras experiências
(20%). Esse último dado abarca as possibilidades de vivências diversas por
meio da literatura e como o sujeito consegue experienciar sent
sentimentos e se
inspirar por trajetórias ficcionais.

�204

4.3
.3 COMPARTILHAMENTO DE LEITURAS
A análise do compartilhamento de leituras diz respeito a experiência do
próprio grupo de leitura coletiva “Sociedade Literária CP” e as vivências que
esse

grupo

proporciona
ciona

aos

leitores

participantes.

Verificou
Verificou-se

qual

a

motivação para adentrar no grupo do WhatsApp,, como cada leitor ficou
sabendo da existência do grupo, se a prática da leitura foi intensificada devido
à participação no grupo e se os leitores já indicara
indicaram
m o grupo para outras
pessoas.
Gráfico 11 – Motivação para entrar no grupo de leitura coletiva

Fonte: Dados da pesquisa (2020).

De acordo com os dados acima (GRÁFICO 11), compreende
compreende-se que uma
grande parcela dos leitores (48%), inseriu
inseriu-se no grupo em busca de conhecer
outros leitores e/ou fazer amizades. Tal fator pode estar relacionado à solidão
que muitas vezes atinge o leitor durante a leitura, que é um ato realizado de
modo solitário. Também relacionado ao sentimento de querer tornar o ato de
ler uma
ma ação mais interativa, 24% dos leitores afirmam inserirem
inserirem-se no grupo
de leitores para compartilhar suas opiniões sobre os livros lidos. Outros 24%
apontaram como motivo da procura pelo grupo o fato de escolherem ler livros
diferentes dos que costumam le
ler,
r, buscando assim variar as suas leituras,
ampliando horizontes e perspectivas, conhecendo outros gêneros literários e
saindo da zona de conforto. Por fim, 4% afirmaram adentrar no grupo para
participar dos desafios e ganhar brindes, dando prioridade às br
brincadeiras
literárias e a um modo de interação mais lúdico.
No que se refere ao modo como os sujeitos da pesquisa tomaram
conhecimento da existência do grupo, 32% conheceram a “Sociedade Literária

�205

CP” por meio das redes sociais, 32% por meio da indicação de amigos que já
estavam no grupo, 20% por meio de outro grupo de leitura coletiva e 16% por
meio do blog Cultura Pocket. A interpretação desses dados remete ao fato de
que esses leitores são sujeitos inseridos no mundo virtual, e que, ao transitar e
interagir em diversos espaços virtuais, como as mídias sociais, o blog, e outros
grupos de leitura, acabaram conhecendo o grupo de leitura coletiva vinculado
ao Cultura Pocket.
No que diz respeito à participação no grupo e o aumento da quantidade
de leituras realizadas, a grande maioria dos leitores (76%) afirmam que a sua
entrada no grupo de leitura coletiva intensificou suas práticas de leitura.
Constata-se que o grupo motivou os leitores a dedicarem-se mais às leituras,
por meio da grande interação proporcionada pelo WhatsApp, que transforma a
leitura em uma atividade coletiva. Além disso, 92% dos membros já
recomendaram o grupo para outras pessoas, o que demonstra uma grande
aprovação da “Sociedade Literária CP”.
De maneira complementar, o questionário contou com três perguntas
abertas acerca da contribuição do grupo para a vida dos leitores; aspectos
positivos e negativos do grupo de Leitura Compartilhada no WhatsApp. Além
das três questões, optamos por deixar um espaço livre para os leitores que
quisessem compartilhar relatos de experiência no contexto do grupo.
Assim sendo, quando perguntamos aos participantes da pesquisa “Qual a
principal contribuição do grupo para a sua vida?” e “Cite os aspectos positivos
do grupo de Leitura Coletiva no WhatsApp”, as respostas giraram em torno do
aspecto emocional. As duas questões apresentaram respostas similares, de
maneira a possibilitar maior compreensão do grupo para os respondentes. Para
a maioria, o grupo motiva na realização de leituras ao possibilitar “sair da zona
de conforto”; funciona como um “apoio emocional” – conforme pontua um dos
respondentes; e principalmente, oportuniza fazer novas amizades.
Outro aspecto muito mencionado pela maioria dos participantes da
pesquisa, foi o fato de o grupo de leituras compartilhadas contribuir para uma
abertura nas possibilidades de leitura e propiciar a troca de perspectivas e
experiências sobre o texto.

�206
“Com o grupo fiz novas amizades e gosto de acompanhar a discussão
dos diversos pontos de vista de uma mesma história” (Leitor 4).
“Ver como com a mesma história as pessoas têm visões diferentes”
(Leitor 8).
“Ter acesso a vários livros, autores e gêneros. As amizades que a leitura
te dá, e a experiência que cada um tem não só em relação às leituras
mas na vida” (Leitor 9).
“Fazer novos amigos, partilhar leituras, ver outros pontos de vistas…”
(Leitor 10).
“Me tirar da zona de conforto em relação a livros que costumo ler”
(Leitor 18).

Consonante com a possibilidade de ver diferentes perspectivas sobre
uma mesma obra, a possibilidade de ampliar as leituras, conhecer pessoas que
também se identificam com o universo literário e construir laços de amizade
foram aspectos mencionados pela maioria.
“Temos a oportunidade de conhecer pessoas do Brasil todo, criar laços
de amizade, temos diversos pontos de vista de uma mesma história e
também somos chamados a sair da nossa zona de conforto” (Leitor 3).
“Com o grupo intensifiquei minha frequência de leitura, li livros fora da
minha zona de conforto, me senti confortável em expressar minha
opinião, acolhida pelos membros do grupo. Compartilhar leituras virtuais
é muito interessante para conhecer leitores de vários outros lugares do
Brasil, que as vezes tem gostos muito semelhantes! A interação é muito
boa seja por mensagem escrita, seja por áudio, as trocas são muito
ricas” (Leitor 14).
“Ele abre um leque de possibilidades, de fazer amizades, de debater
sobre o que lemos, sair da zona de conforto e principalmente a amizade
que o grupo gera, que acaba sendo apoio em vários momentos difíceis
da vida diária” (Leitor 6).

Na resposta acima, o Leitor 6 pontua que o grupo também atua como
apoio nos momentos difíceis da vida. A relação estabelecida nos grupos
propicia o estabelecimento de vínculos que se sobrepõe ao interesse somente
pelas leituras. Nesse sentido, um dos leitores, mencionou o fato de que o
grupo tem contribuído para redução de crises depressivas.
“Fiz lindas amizades.
depressivas” (Leitor 7).

Eu

tenho

surtado

menos.

Menos

crises

Quanto aos aspectos negativos do grupo, os leitores pontuaram o atraso
nas metas de leitura; o acúmulo de mensagens, que atrapalha os membros

�207

acompanharem as conversas; outros tipos de mensagens no grupo; e, lidar
com as diferenças e divergências de opiniões que não agregam às discussões.
Houve também leitores que afirmaram não haver aspecto negativo ou que não
se recordam.
“Mensagens de bom dia, boa tarde etc.” (Leitor 5).
“As vezes tem muito blábláblá que não acrescenta, mas acho que faz
parte e também depende da maturidade do grupo” (Leitor 8).
“Aspectos negativos às vezes o grande acúmulo de mensagens, se você
perde o início de uma discussão, você tem que tirar um tempo para ler
todas as mensagens e ouvir os áudios. Já teve em alguns momentos a
presença de pessoas com opiniões muito rígidas, pessoas muito
inflexíveis, ocorreram algumas polêmicas, mas logo essas pessoas se
ausentaram do grupo. Em um grupo de leitura coletiva é necessário que
os membros sejam mais flexíveis, é importante respeitar as opiniões
diversas" (Leitor 14).

Mensagens de saudação (bom dia, boa tarde, boa noite); outros tipos de
mensagem além das temáticas do grupo; discordâncias de opiniões. Vivemos
um momento na sociedade contemporânea que, como em qualquer grupo de
WhatsApp, os aspectos negativos mencionados seriam pontuados, pois tratase de aspectos comportamentais de um grupo que mesmo tendo como
finalidade um interesse comum, é heterogêneo.
Ainda no tocante aos aspectos negativos, houve leitores que pontuaram
questões individuais que interferem no grupo, tais como o fato de não poder
escolher com quem interagir; e, a dificuldade de seguir metas semanais.
A última pergunta do questionário foi a única com o campo de respostas
livre. Foi solicitado aos leitores que contassem experiências com a Leitura
Coletiva no WhatsApp. Dos 25 leitores que participaram da pesquisa, oito
relataram

alguma

experiência.

Em

todos

os

relatos,

a

sensação

de

pertencimento foi um aspecto marcante entre os leitores. A comunicação no
WhatsApp, seja escrita ou falada - por áudios, pelos leitores constitui um
diálogo que possibilita a formação de laços, produzindo a sensação de
pertencimento. Pertencer a uma comunidade virtual de leitores como o grupo
possibilita liberdade de ser e se expressar sobre os livros e a leitura.
“Através da leitura consegui falar por áudios kkk, é algo simples, até
insignificante, mas pra mim foi um passo gigante” (Leitor 4).

�208
“O grupo foi um marco na minha vida. Depois que entrei no grupo
voltei a ler mais, a leitura se tornou parte da minha rotina, do meu diaa-dia. Me conectei aos leitores que conheci, viraram amigos, pessoas
queridas, damos risadas juntos. No grupo o pessoal é muito carinhoso,
adoro isso! Sinto que achei minha turma, estou entre os meus. Rola uns
desabafos, tem apoio, um grupo quase terapêutico rsrs. Meu sonho
seria fazer uma grande reunião presencial com todos, um encontrão da
Sociedade Literária!” (Leitor 5).
“Saí da minha zona de conforto e li outros tipos de livros e realmente
gostei. Vi que temos diversos escritores bons no Brasil e já estou
acompanhando alguns deles que conheci no grupo” (Leitor 8).

O relato acima nos mostra o quanto o grupo é importante para que os
leitores conheçam os autores já renomados e os contemporâneos do Brasil,
incentivando a valorização da literatura brasileira. O ato de compartilhar a
leitura com outras pessoas é importante, sobretudo, para ressignificar a
compreensão do texto literário a partir do olhar do outro. Além disso, o
compartilhamento de leituras possibilita aos membros do grupo vivenciar a
dimensão socializadora da literatura, ao propiciar a sensação de pertencimento
a uma comunidade leitores.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As

tecnologias

de

informação

e

comunicação

impulsionam

as

oportunidades de aproximação de pessoas com interesses comuns, como os
membros do grupo de Leitura Coletiva por WhatsApp. Na leitura coletiva,
realizada pelo WhatsApp, o leitor não é solitário, não termina o livro para
depois discutir – como ocorreria em um clube de leitura presencial - ele discute
durante a leitura, o que enriquece a sua experiência. Conforme podemos
observar com a realização da pesquisa, por meio da leitura coletiva os
participantes têm a possibilidade de conhecer novas leituras possibilitando,
dessa maneira, uma visão mais holística da literatura.
Os resultados da pesquisa identificaram o perfil socioeconômico dos
leitores, se destacando o seguinte perfil como maioria dos participantes:
mulheres autodeclaradas pardas, na faixa etária de 31 a 40 anos, casadas,

�209

com renda familiar de 2 a 3 salários mínimos, que não trabalham com a leitura
literária, com formação acadêmica em nível de graduação.
Quanto ao perfil do leitor, identificou-se que a frequência de leitura é
diária, totalizando de 3 a 5 livros por mês, cuja principal barreira para leitura é
a falta de tempo. A maioria considera o tempo dedicado à leitura como
insuficiente, utilizando tanto livros impressos quanto digitais. A motivação da
maioria dos leitores ao realizar leituras é a busca pelo prazer.
No tocante aos resultados referentes à prática de compartilhamento de
leituras, avaliou-se que a motivação para entrada no grupo é conhecer outros
leitores/fazer amizades. O grupo de leitura coletiva é conhecido por meio das
redes sociais ou pela indicação de amigos e com a entrada no grupo a prática
da leitura literária se intensifica.
Com a realização da pesquisa, podemos afirmar que o grupo de Leitura
Coletiva por WhatsApp é um instrumento de motivação aos leitores membros,
ao possibilitar acesso a autores e títulos diferentes; apoio emocional; troca de
experiências literárias com pessoas de diferentes localidades do país com um
interesse em comum; a leitura; e a oportunidade de fazer novas amizades. Os
aspectos

negativos

mencionados

pelos

leitores

que

participaram dessa

pesquisa são próprios do contexto informacional que vivenciamos, como o
acúmulo de mensagens no grupo; mensagens sobre outros assuntos no grupo;
e, lidar com as diferenças e divergências de opiniões. Aspectos individuais dos
leitores também foram pontuados, tais como a dificuldade de cumprir as metas
de leitura definidas pelo grupo, e o tempo dedicado ao grupo.
A leitura realizada de modo coletivo pelo WhatsApp, analisada nesta
pesquisa, demonstra que o leitor pode utilizar a tecnologia como sua aliada. Os
resultados da pesquisa apontam que não é uma questão de leitura versus
tecnologia, mas sim, leitura com o uso da tecnologia, pois para os leitores as
mídias digitais são oportunidades para criar formas novas de ler e interagir na
rede.

�210

REFERÊNCIAS

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uma avaliação. 2008. 91 f. Dissertação (Mestrado em Literatura) – Centro de
Comunicação e Expressão, Universidade Federal de Santa Catarina,
Florianópolis, 2008. Disponível em:
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leitura e a escrita na internet. Polifonia, Cuiabá, v. 12, n. 1, p. 133-156,
2006.
CARNEIRO, Jéssica de Souza. Ler e escrever blogs literários: a narrativa
hipertextual na configuração da webliteratura. 2011. 217 f. Dissertação
(Mestrado em Estudos Literários) – Instituto de Letras e Comunicação,
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http://repositorio.ufpa.br/jspui/bitstream/2011/3015/1/Dissertacao_LerEscrev
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leitura? O que diz a Retratos da Leitura sobre quem lê nesse suporte? In:
FAILLA, Zoara (Org.). Retratos da Leitura no Brasil 4. Rio de Janeiro:
Sextante, 2016. 298p. Disponível em: http://prolivro.org.br/home/atuacao/28projetos/pesquisa-retratos-da-leitura-no-brasil. Acesso em: 24 mar. 2020.
CHARTIER, Roger. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo:
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FLICK, Wue. Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para
iniciantes. Porto Alegre: Penso, 2013.
GUANABARA, Dayane; SAKAMOTO, Cleusa Kazue. Plataformas digitais e o
hábito de leitura: um estudo sobre a rede Skoob. Revista Comfilotec, v. 7,
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LAVILLE, Christian; DIONE, Jean. A Construção do saber: manual de
metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Artmed, 2007.

�211

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adversidade. São Paulo:
Ed. 34, 2009.
SÁ, Jéssica Patrícia Silva de. Ler e compartilhar na web:: práticas
informacionais de blogueiros literários. 240f. Dissertação (Mestrado em Ciência
da Informação) - Escola
a de Ciência da Informação, Universidade Federal de
Minas Gerais, Belo Horizonte, 2018.
SANTAELLA, Lúcia. Para compreender a ciberliteratura. Revista Texto
Digital, Florianópolis,
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337-360, jul./dez. 2012.. Disponível em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/textodigital/article/view/1807
https://periodicos.ufsc.br/index.php/textodigital/article/view/18079288.2012v8n2p229.. Acesso em: 4 maio 2018.

DADOS BIOGRÁFICOS
Andreza Gonçalves Barbosa: Doutoranda em Ciência da
Informação pelo Programa de Pós
Pós-Graduação
Graduação em Ciência da
Informação PPGCI
PPGCI-UFMG
UFMG (2018). Mestre em Ciência da
Informação pelo mesmo programa (2017). Bacharel em
Biblioteconomia pela Escola de Ciência da Informação
Informação- UFMG
(2015). Membro do grupo d
de
e pesquisa "Práticas Informacionais e
Cultura" (EPIC
(EPIC-UFMG).
UFMG). Áreas de interesse: Usuários da
informação, Ciência da Informação, Informação e cidadania,
Bibliotecas Prisionais, Leitura no cárcere, Ressocialização, Práticas
Informacionais. Representante Disce
Discente PPGCI - UFMG. Membro
da Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais (CBBP - Febab).
E-mail
mail: goncalvesandreza@hotmail.com

Jéssica Patrícia Silva de Sá: Doutoranda em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
Mestra em Ciência da Informação pela mesma instituição (2018).
Possui graduação em Biblioteconomia pela UFMG (2016). Atua
como Bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal Professor
Francisco Tibúrcio de Oliveira, vinculada à Prefeitura Municipal de
Santa Luzia (MG). Tem interesse nas áreas de práticas
informacionais e estudos de usuários da informação, com enfoque
na apropriação da leitura literária e compartilhamento de leituras.
E-mail
mail: j.jessicadesa@gmail.com

Emanuelle Geórgia Amaral Ferreira
Ferreira:: Bibliotecária, Mestra e
Doutoranda em Ciência da Informação pela UFMG. Pesquisadora
dos seguintes grupos de pesquisa “Estudos em Práticas
Informacionais e Cultura” (EPIC/UFMG) e “Informação na
Sociedade Contemporânea” (UFRN), ambos cadastrados no
CNPq. S
Seus
eus interesses de pesquisa estão em torno da
Biblioteconomia, com ênfase na Ciência da Informação.
E-mail
mail: emanuelle.gaf@gmail.com

�212

CAPÍTULO XII - Mediação da informação e da Leitura no
Instagram: novas possibilidades para os bibliotecários
João Arlindo dos Santos Neto

1 INTRODUÇÃO
O avanço tecnológico provocado pelas mudanças ocasionadas no Séc. XX
e Séc. XXI, como desenvolvimento da web, surgimento de dispositivos móveis
e sua popularização, das redes e mídias sociais digitais, dentre outras,
acarretou uma profunda transformação nas distintas frentes de ocupação no
mundo do trabalho. Seja devido ao acompanhamento de uma tendência
(imediata ou duradoura) ou de uma necessidade, impulsionando muitas
organizações e profissionais a adentrar no universo das “redes sociais”. Este
comportamento se deve a alguns motivos: estabelecer uma comunicação mais
direta com o público; estreitar o relacionamento com o cliente; divulgar
produtos, serviços e processos etc.
No entanto, devido à diversidade de redes e mídias sociais existentes,
cabe a organização investigar qual é a mais adequada ou quais são as redes
mais adequadas ao seu perfil/contexto, isto é, identificar em qual delas
encontram-se a maioria dos seus clientes reais e potenciais. Digo isto, pois ao
realizar algumas pesquisas e, até mesmo, utilizar algumas redes, identifiquei
perfis e páginas de uma mesma organização/pessoa em diferentes redes e
mídias sociais. Todavia, tais redes apresentam-se muitas vezes desatualizadas.
Sem entrar no mérito dos motivos que levam uma página ou perfil a ficar
desatualizado, o que quero destacar é a imagem que isso passa ao
cliente/usuário. Uma página que não está atualizada ou que não interage com
seu público tem sua imagem afetada, visto que não demonstra interesse em
informar e se comunicar com ele.
Na ânsia de obter mais visibilidade e aumentar os “3Cs”: curtidas,
comentários e compartilhamento; páginas e perfis são criados em distintas

�213

plataformas e nelas publica-se o mesmo conteúdo, sobretudo, pelo uso de
ferramentas que programam e replicam uma mesma postagem em diferentes
redes. Quero destacar que essa facilidade é benéfica, no entanto, precisa ser
utilizada com parcimônia e de maneira estratégia. Afinal, quão representativo
ou relevante é se realizar, por exemplo, cinco postagens ao dia e replicá-las
em três ou quatro redes distintas? Este e outros questionamentos serão aqui
discutidos.
Este capítulo, de natureza básica, tipologia exploratória e abordagem
qualitativa (GIL, 1999; VOLPATO, 2004), tem como objetivo discutir as
possibilidades de mediação da informação e da leitura no Instagram, seja por
bibliotecários vinculados a equipamentos informacionais-culturais ou não; além
de fornecer dicas sobre como mediar informação e leitura na referida rede.
Sendo assim, o presente texto está estruturado da seguinte forma: breve
cenário das pesquisas sobre mediação em redes sociais; mediação da
informação e da leitura; redes sociais, bibliotecários(as) e bibliotecas;
recomendações e dicas para mediar informação e leitura no Instagram.

2 BREVE CENÁRIO DAS PESQUISAS SOBRE MEDIAÇÃO EM REDES
SOCIAIS
No âmbito nacional e internacional da Biblioteconomia e Ciência da
Informação (CI), houve um aumento significativo no número de pesquisas que
investigam

o

uso

das

redes

sociais

por

bibliotecas

e

equipamentos

informacionais-culturais. Ainda que a existência das redes e mídias sociais não
seja novidade (algumas existem há mais de 10 anos), a presença de
organizações e profissionais desse campo de atuação não foi tão rápida e
concomitante ao aparecimento das redes. Obviamente, no surgimento delas,
em geral, não se tinha dimensão de que poderiam ser utilizadas para além dos
relacionamentos sociais.
Logo, tal demora refletiu também no tempo que se levou para realizar
pesquisas nesse contexto. Ao realizar uma busca na Base de Dados em Ciência

�214

da Informação (Brapci33) a partir da expressão “mediação AND rede social” e
pelo nome de algumas redes: Facebook, Instagram, Twitter, obtive diversos
resultados. Com o intuito de apresentar um breve panorama das investigações
já realizadas, destaco algumas delas.
Bernardino, Suaiden e Cuevas-Cerveró (2014) publicaram o artigo
intitulado O uso do Facebook pelas Bibliotecas Públicas do estado do Ceará e
constataram que somente 18% das bibliotecas pesquisadas possuem contano
Facebook. Analisando também as bibliotecas públicas brasileiras Calil Junior e
Almendra (2016), a partir do texto As apropriações do Facebook pelas
bibliotecas públicas estaduais brasileiras, estabeleceram sete categorias
temáticas referente ao conteúdo postado no Facebook pelas bibliotecas.
Gomes e Santos (2009, 2001), por sua vez, chegaram a um total de 16
categorias ao levantar e analisar as ações demediação da informação no
Facebook pelas bibliotecas públicas brasileiras.
Seco, Santos e Bartalo (2016) publicaram o artigo Comportamento
informacional e compartilhamento da informação no Instagram. Nele, as
autorasinvestigaram dois perfis no Instagram no âmbito das atividades
domésticas, cujo compartilhamento e mediação têm o objetivo de satisfazer
necessidades informacionais dos seguidores.
Ramos, Santana e Santos Neto (2016) analisaram a mediação da
informação no YouTube em vlogs sobre jogos eletrônicos. Mesmo não sendo no
âmbito

dos

similaridades

equipamentos
com

os

informacionais,

processos

de

os

mediação

autores

explícita

e

identificaram
implícita

da

informação.
Garcia e Sá (2017) investigaram o uso do Instagram por bibliotecas da
Espanha, Brasil, Chile e Estados Unidos. Segundo as autoras, as bibliotecas
utilizam

esta

mídiapara

divulgar

suas

atividades,

eventos,

programas,

projetos, acervo e seus serviços.

33

Disponível em:
https://brapci.inf.br/index.php/res/?q=media%C3%A7%C3%A3o%20AND%20redes%20sociai
s&amp;type=1&amp;year_s=1972&amp;year_e=2020&amp;p=2. Acesso em: 10 jul. 2020.

�215

Rozzi, Bortolin e Santos Neto (2017) pesquisaram o uso do Twitter no
incentivo à leitura pelas bibliotecas escolares a partir do emprego de hashtags.
Os autores elucidam que os tweets aproximam os leitores dos cientistas,
escritores, artistas, professores, bem como estreitam o relacionamento entre
usuários/leitores e a biblioteca escolar.
Ao pesquisar as bibliotecas universitárias do Estado do Paraná, Santos
Neto e Almeida Júnior (2017) identificaram que somente 31% delas utilizam o
Facebook como forma de mediar a informaçãoe interagir com seu público.
Além disso, evidenciaram 15 categorias temáticas que os conteúdos postados
se enquadram.
Albuquerque e Paixão (2020) publicaram o artigo intitulado O Instagram
como canal de interação entre as bibliotecas e os usuários da Universidade
Federal de Alagoas. Das 14 bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas
da UFAL, os autores identificaram que apenas seis possuem perfil na rede
social. Destacam ainda que realizar postagens frequentes não promove
necessariamente o fortalecimento dos laços com seus usuários.
As análises das mediações realizadas pelas bibliotecas nas redes sociais
permitem compreender “[...] como elas têm construído sua imagem dentro
desse dispositivo e ampliadosuas relações sociais com os usuários, bem como
identificar que os serviços da biblioteca nãose restringem ao seu espaço físico,
sendo possível também no espaço virtual” (SANTOS; GOMES, 2015).

3 MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO E DA LEITURA
Compreendo que os conceitos mediação da informação e mediação da
leitura ocupam uma posição equivalente na hierarquia das extensões do
conceito de mediação, assim como os conceitos de mediação cultural,
mediação pedagógica, dentre outros. De maneira simplificada, enquanto a
mediação da informação preocupa-se com a apropriação da informação e a
satisfação de uma necessidade informacional, a mediação da leitura tem como

�216

foco aproximar o leitor de uma manifestação textual (escrita, imagética,
audiovisual etc.).
Outros

textos

trataram

de

maneira

aprofundada

e

complexa

a

epistemologia, historicidade e definições para os conceitos de mediação da
informação e da leitura. Logo, esta seção não tem esse intuito. Pretendo
apresentar ao leitor algumas definições com as quais coaduno e compreendo
como essenciais para o presente texto. Quanto à mediação da informação,
corroboro com Almeida Júnior (2015, p. 25), ao definir que:
[...] é toda ação de interferência – realizada em um processo, por um
profissional da informação e na ambiência de equipamentos
informacionais –, direta ou indireta; consciente ou inconsciente;
singular ou plural, individual ou coletiva; visando a apropriação de
informação que satisfaça, parcialmente e de maneira momentânea,
uma
necessidade
informacional,
gerando
conflitos
e
novas
necessidades informacionais.

Compreendo que a referida definição subsidia e norteia todos os fazeres
dos profissionais da informação, sejam eles no âmbito dos equipamentos
informacionais tradicionais ou não, como é caso das redes sociais. Identifico
que todo o planejamento, preparo, criação, escolha da rede social é uma
interferência do profissional da informação, ou seja, uma mediação. Neste
caso, relaciono à mediação implícita da informação (ALMEIDA JÚNIOR, 2006),
quando o usuário não está presente. Este processo de curadoria de conteúdo,
bem como linguagem a ser empregada, horário de postagem etc., são escolhas
do profissional e interferem no modo com o usuário visualiza, se relaciona e
apropria-se ou não da informação.
Também identifico proximidades desse fazer com a mediação explícita da
informação (ALMEIDA JÚNIOR, 2006), quando a presença física ou remota do
usuário é fundamental. Neste caso, associo, dentre outros elementos, a
interação e o engajamento do usuário quando ele curte, comenta e
compartilha um determinado conteúdo. A organização, seja ela uma unidade
informacional ou não, ou mesmo o perfil pessoal de um(a) bibliotecário(a), só
consegue ter dimensão do trabalho realizado nas redes sociais a partir da
interação com o usuário. Se este não apresenta indicadores mínimos de

�217

interação, como por exemplo curtir, comentar ou compartilhar, tem se a
impressão de que o bibliotecário está invisível nas redes.
Em complemento ao exposto, destaco também a contribuição de Gomes
(2014, 2017) ao estipular cinco dimensões da mediação da informação:
dialógica, estética, formativa, ética e política. Fazendo uma síntese sobre tais
dimensões, a dialogia está contida na mediação pois ela se pauta no diálogo, o
oposto disso seria imposição oumanipulação; a dimensão estética se dáno
instante em que o sujeito reconhece o prazer estético no processo de
aprendizado e desenvolvimentosocial e cognitivo; a dimensão formativa diz
respeito a relação mútua entre mediação-mediando, tendo em vista que na
mediação a escuta, o acolhimento e a observação são essenciais; a dimensão
ética se faz presente pelo simples fato (não menos complexo) de lidar com
sujeitos e instâncias, está ligada ao ato de cuidar; por fim, a dimensão política,
capaz

de

transformar

os

sujeitos

em

cidadãos

sociais

conscientes

e

comprometidos.
Quanto ao conceito de mediação da leitura, Barros (2006, p. 17) aponta
que “[...] mediar a leitura é fazer fluir a indicação ou o próprio material de
leitura até o destinatário-alvo, eficiente e eficazmente, formando leitores”.
Neste ato promove-se o encontro entre o leitor em formação e o texto. Me
aproprio também da definição de Bortolin (2010, p. 107), que considera a
mediação da leitura como “[...] ato fundamental para formação de leitores,
umposicionamento sociocultural no sentido de levar o cidadão a ler diferentes
textospara que ele, com autonomia, exerça plenamente seu papel de cidadão”.
A referida autora apresenta ainda uma extensão para ele, a mediação de
leitura literária como a “[...] interferência casual ou planejada visando a levar
o leitor a ler literatura em diferentessuportes e linguagens” (BORTOLIN, 2010,
p. 115). Literária ou não, a mediação da leitura precisa levar em consideração
alguns aspectos, dentre eles o leitor e sua experiência, o contexto, a obra em
si. Tais escolhas e decisões configuram-se como interferência do mediador,
logo, como mediação. Seja na indicação e sugestão de um livro, seja na
contação de histórias por exemplo. Ressalto, todavia, que a compreensão de
mediação da leitura não possa ser reduzida a indicação ou apresentação de

�218

uma obra (livro, por exemplo), mas de modo abrangente e holístico, que
requer planejamento, conhecimento e domínio de uma proposta metodológica,
sempre pautada num processo ético e dialético. É possível destacar que na
mediação da leitura também há uma dimensão estética e, ao mesmo tempo,
formativa, tendo em vista que para Barbosa e Barbosa (2013, p. 11) “[...]
mediação começa com uma disponibilidade para a hospitalidade, esta
entendida como ato de acolher aquele que chega e dar-lhe lugar e condições
para que, após essa chegada, possa prosseguir com força e vigor a sua própria
caminhada”.
Normalmente, quando se fala em mediação da leitura, é comum que se
remeta a imagem da escola como principalmediadora. No entanto, a escola
não pode ser a única mediadora da leitura. Acredito e defendo que essa ação
deva ser iniciada em casa, com os familiares, pois esses já possuem certa
proximidade com o leitor em potencial e a mediação da leitura pode se dar de
maneira mais prazerosa e satisfatória. Reconheço a limitação desta seção e
que discorrer sobre as práticas de leitura e sua mediação em mídias sociais é
complexo, pois a leitura se dá de diferentes formas e com distintos conteúdos
(literário ou não). Assim, percebo que uma forma, dentre várias existentes, de
mediar informação e leitura fora da biblioteca é a partir das mídias e redes
sociais.

4 REDES SOCIAIS, BIBLIOTECÁRI@S E BIBLIOTECAS
As redes sociais podem ser constituídas por pessoas ou organizações que
possuem

umobjetivo

e/ou

interesse

em

comum.

Nelas, os

laços

são

construídos a partir da identidade e do perfil de cada usuário, estabelecendo
essa relação no mundo físico ou virtual. O foco desta seção, no entanto, são as
redes sociais on-line. A criação e manutenção de redes sociais on-line pelas
bibliotecas e bibliotecários(as) não só faz com que ocorra mais interlocução
com os usuários, mas permite a mediação e ocompartilhamento de recursos
informacionais em um ambiente eletrônico. Nesse sentido, os usuários podem

�219

criar vínculo com a unidade de informação e descobrir se os interesses e
necessidadesde outros usuários são comuns aos seus, a partir do que é
visualizado, comentado, curtido (MANESS, 2007).
Quanto

às

mídias

sociais,

Recuero

(2008)

afirma

que

elas

são

ferramentas de comunicação que possibilitam que as redes sociais emerjam.
Para Telles (2011, p. 8), elas são “[...] plataformas na internet construídas
para permitir a criação colaborativa de conteúdo, a interação social e o
compartilhamento de informações em diversos formatos”.
Portanto, existem muitas possibilidades para ser exploradas quando se
trata de redes e mídias sociais, posso elencar algumas delas: WhatsApp,
Facebook, Twitter, Instagram, LinkedIn, YouTube, dentre outras. Caberá ao
usuário analisar a viabilidade de uma ou de outra para o seu ramo de atuação.
No entanto, alguns elementos podem ser levados em consideração na escolha
de uma ou outra rede: o perfil do público que se atende ou pretende atingir; o
tipo de conteúdo a ser compartilhado; a familiaridade dos administradores com
a plataforma; a adequação da rede ou mídia aos dispositivos existentes; a
popularidade e uso da rede pelos usuários; os recursos que a ferramenta
oferece (vendas, anúncios, métricas etc.). O Facebook e o Instagram, por
exemplo, dispõem de recursos para venda e anúncios patrocinados. O Twitter
e o LinkedIn, por sua vez, não apresentam essa possibilidade. O Twitter e o
Instagram têm limite de caracteres a serem compartilhados, as demais
plataformas não. Portanto, é necessário pensar em diversos aspectos para se
escolher qual delas será mais adequada para um equipamento informacionalcultural ou para um profissional da informação autônomo. No entanto, o foco
desse texto é o Instagram.
O Instagram foi lançado em 2010, mas a partir de 2012 é que o
aplicativo ganhou adeptos e tornou-se popular (INSTAGRAM, 2020). Criado
inicialmente com o objetivo de permitir ao usuário o compartilhamento de
fotos e vídeos, passou a ser considerado, também, uma ferramenta para
divulgação de produtos e serviços (DEMEZIO et al., 2016). Pesquisas de
mercado e de marketing consideram o Instagram como a mídia social com
maior engajamento e por conta disso, maior popularidade entre os usuários na

�220

internet quando se trata de “marcas” (ROSA, 2018). Em reportagem ao Jornal
Estado de Minas, Viri (2018) comenta que um estudo semestral sobre marcas
e comportamento de consumo com adolescentes do mundo todo evidenciou
que 85% deles usam esta rede social pelo menos uma vez por mês.
Visto que o Instagram apresenta uma adesão cada vez maior da
população mundial, as organizações adentraram também neste espaço, seja
para promover sua marca, divulgar produtos e serviços, e se relacionar com
seus clientes. Assim, corroboro a ideia dequetambém é possível pensar as
bibliotecas como “organizações” ou, ainda mais, como “marcas”34. Nos últimos
dois anos, é possível identificar um crescimento no número de perfis no
Instagram de bibliotecas e de bibliotecários(as). Sobretudo no período de
distanciamento social, ocasionado pela pandemia COVID-19, o Instagram foi
um meio para manter ativa a comunicação com os usuários e para realizar
lives sobre diferentes temas. Ao digitar o termo “biblio” no campo “explorar”
do Instagram, inúmeros são os perfis que aparecem (bibliotecas universitárias,
públicas, escolares e perfis pessoais de profissionais que divulgam suas ações).
Assim, acompanhando uma tendência mundial e ao mesmo tempo uma
necessidade em se reinventar, o Instagram aparece como uma potente
ferramenta para se mediar informação e leitura aos usuários e leitores.

5 RECOMENDAÇÕES E DICAS PARA MEDIAR INFORMAÇÃO E LEITURA
NO INSTAGRAM
Com o intuito de apresentar dicas para o uso do Instagram como
ferramenta para se mediar informação e leitura, e sugerir postagens e
posicionamento, tive que recorrer a sites especializados da área de marketing
e redes sociais, além de resgatar algumas experiências obtidas com o uso da
plataforma. Sendo assim, ao se decidir criar e gerenciar um perfil no

34

Sobre
a
ideia
de
“bibliotecas
https://www.instagram.com/p/CBmJmRLD1pC/, do perfil
Bibliotecária Mayara Cabral.

como
@biblio.mkt

marca”
administrado

ver
pela

�221

Instagram, será necessário se apropriar dos conteúdos apontados nesta seção
e outros mais.
Conforme

evidenciado

anteriormente,

existem

diferenças

entre

a

mediação da informação e a mediação da leitura. Sendo assim, quando se
pretende trabalhar com uma dessas formas de mediação (ou as duas), deve-se
pensar também na forma como pode-se realizá-la no Instagram. Tendo em
vista que esta mídia tem como característica o caráter imagético, os conteúdos
a serem postados precisam seguir esta lógica. Não faz sentido apenas
estruturar um conteúdo predominantemente em texto escrito e salvá-lo numa
extensão de imagem: .png ou .jpeg, afinal, o texto escrito permanece e o que
muda é apenas a mídia em que é postado. Por exemplo: a biblioteca faz um
comunicado sobre alteração em seu horário de funcionamento e o posta no seu
Facebook. Quer fazer o mesmo no Instagram e posta a imagem desse mesmo
comunicado em seu feed. No referido exemplo não houve adaptação ou
diferenciação de conteúdo para ser postado em cada rede. O ideal é que os
conteúdos sejam distintos, visto que cada rede pode alcançar um público
específico que espera por um determinado formato para ser “consumido”,
apropriado.

Portanto,

enfatizo,

novamente,

que

usar

os

recursos

de

compartilhamento automático de uma mesma postagem em diferentes redes,
talvez, não seja a melhor estratégia. A seguir apresento algumas dicas, para
mediar informação e leitura no Instagram, a partir da recomendação de sites
de organizações especializadas, como Rock Content e mLabs.
Ao definir, por exemplo, o Instagram como uma das ferramentas a ser
utilizada é fundamental que se tenha em mente o público que se pretende
alcançar, isto é, definir a persona. Denominado como persona, esta pode ser
constituída por um ou mais personagens fictícios que representam um público
alvo. Deste modo, a persona de uma biblioteca escolar é diferente da
personade uma biblioteca universitária, de uma biblioteca pública, assim por
diante.
Personalizar o perfil por meio da biografia com informações completas
é fundamental para que os usuários saibam do que se trata a conta, se há
vinculação institucional, endereço ou telefone para contato. É o local para se

�222

inserir as principais informações sobre a marca do negócio/perfil. A biografia
do perfil no Instagram não poderá ser muito longa, é limitada a 150
caracteres.
Como dito, existem muitos perfis que oferecem um mesmo conteúdo.
Logo, o que diferenciará um perfil de outro? Por este motivo é recomendado se
estabelecer uma política ou linha editorial, isto é, que se tenha bem
definido o que se pretende publicar, a periodicidade mínima, os valores da
marca/organização etc. Esta política é considerada como um dos elementos
principais para gerar um alto engajamento e fidelidade dos usuários. Muito se
questiona a respeito da obrigatoriedade em se manter um feed harmônico ou
organizado35, ou seja, quando se mantém um padrão entre o estilo das fotos,
na paleta de cores, no uso de bordas etc. Isso não significa, no entanto, que
uma página do Instagram sem feed harmônico não gerará engajamento e
visibilidade, mas, que páginas que seguem uma harmonia tendem à despertar
mais a atenção e o interesse do usuário. Por se tratar de uma mídia de apelo
visual, o ideal seria que se produzisse conteúdo com o auxílio de um
profissional qualificado, tendo em vista que produções caseiras podem não
despertar o interesse e engajamento do usuário. No entanto, não são todas as
bibliotecas e bibliotecários que dispõem de recursos para custear esses
serviços. Sendo

assim,

existem

plataformas

on-line

que

disponibilizam

templates para postagem no Instagram, dentre elas destaco: Canva e Free Pic.
Manter uma frequência regular de postagens também incide como
uma estratégia para manter-se competitivo na rede. Reconheço que postar
diariamente nem sempre será possível, todo esse processo de criação e/ou
curadoria de conteúdo demanda tempo e dedicação do responsável. No
entanto, ainda que alguns não percebam a ausência dessas postagens, outros,
certamente, a perceberão. Conforme defende Gomes (2014), a mediação da
informação possui uma dimensão dialógica e formativa, que envolve o ato do

35

“Um feed harmônico no seu perfil do Instagram funciona como uma vitrine para a sua
marca. As redes sociais têm sido o canal de comunicação mais próximo que as empresas têm
de seus clientes. Desta forma, é imprescindível prezar por uma identidade visual marcante,
inclusive, no feed do Instagram. Por ser uma rede social de apelo visual, seguir uma narrativa
visual no planejamento das postagens gera interação e desperta interesse no público”.
(FERREIRA, 2019).

�223

cuidar, logo, compreendo que deixar o perfil sem uso por muito tempo,
configura-se como descaso em relação aos usuários. Para facilitar os criadores
de conteúdo, o Instagram disponibiliza um recurso denominado “estúdio de
criação”36, em que o responsável pelo perfil pode programar as postagens para
um determinado dia e horário, fazendo com que não tenha a necessidade de
estar conectado no momento da postagem. Acredito que este recurso possa
ser uma saída estratégica para os gerenciadores de conteúdo, pois, assim,
seus perfis permanecerão ativos e presentes na rede. Esta função, no entanto,
requer planejamento e amplo conhecimento do recurso.
Utilizar as postagens em formato carrossel, isto é, quando posta-se
em sequência até 10 imagens. De acordo com a redatora da Rock Content,
Laura Ribeiro (2019), este formato “[...] é interessante para agregar conteúdo
comum, fazer postagens que tenham continuidade ou até mesmo que contém
uma história (abuse do Storytelling!).” Visualizo nessa opção uma das
melhores funções do Instagram para os perfis de biblioteca e bibliotecários(as)
mediarem informação e leitura. Digo isto, pois, o estilo carrossel possibilita,
por exemplo, a explicação passo a passo de algumas ações a serem realizadas
pelo usuário/leitor sem ocupar espaço no feed sobre um mesmo assunto e
perder a noção de sequência. Dentre as possíveis mediações, destaco e
recomendo o uso do carrossel para o compartilhamento sobre:
a) como fazer login no catálogo e/ou alterar senha de acesso;
b) reserva/renovação de material e/ou consulta ao catálogo;
c) citação e referência de uma obra e demais normas da ABNT;
d) pesquisa em bases de dados e repositórios;
e) uso do VPN37 da instituição ou acesso CAFe38, via CAPES;
f) antes e depois de reformas ou revitalização do espaço;
g) exposições e eventos realizados na instituição;

36

“O Estúdio de Criação reúne todas as ferramentas de que você precisa para publicar, ganhar
dinheiro, mensurar o desempenho e interagir com os fãs em todas as suas Páginas do
Facebook e contas do Instagram” (FACEBOOK, 2020).
37
“Rede privada virtual, do inglês Virtual Private Network, é uma rede de comunicações
privada construída sobre uma rede de comunicações pública” (VPN, 2020).
38
Quando o acesso é realizado remotamente através da Comunidade Acadêmica Federada –
CAFe, que permite o acesso dentro ou fora da instituição.

�224

h) paginação e impressão de trabalhos acadêmicos;
i) trechos de livros de literatura para os usuários tentar adivinhar;
j) capas de diferentes edições de um mesmo livro;
k) alterações em normas, leis e decretos;
l) materiais recém adquiridos de uma área específica;
m) informe sobre como funciona o recebimento de doações;
n) alertas e avisos importantes; entre outros.
Compreendo que estas ações já são realizadas pelas bibliotecas, seja
presencialmente ou em tutoriais disponíveis nos próprios sites. Aponto-as
como sugestão para postagem no Instagram, tendo em vista que observo uma
dificuldade em se postar conteúdos. Além disso, os usuários já estariam
presentes na plataforma, aumentando a chance de visualização e interação.
Na sequência, escrever legendas interessantes e explorar o uso de
hashtags. A legenda deve ser atrativa e não precisa replicar na íntegra o
conteúdo da imagem. Nesta opção pode-se inclusive fazer o uso de emojis e
tornar a descrição da postagem mais informal e atrativa. A recomendação
quanto as hashtagsé explorar o máximo possível de termos, tendo em vista
que não há limites. Além disso, é orientado que não se prenda aos termos da
legenda ou ao que está explícito na imagem. Criar uma hashtag própria da
biblioteca ou do perfil é uma forma também de criar um posicionamento online
e manter uma identidade consolidada na rede, ou seja, sempre que as pessoas
buscam por ela, as postagens serão recuperadas. Além disso, o Instagram
permite seguir também hashtags específicas. Com o objetivo de tornar as
publicações e conteúdos acessíveis, a hashtag #pracegover39 foi instituída para
queos usuários a empreguem e, logo em seguida, apresentem uma descrição
detalhada sobre o conteúdo da imagem.
Ainda quanto às postagens e sua frequência, convém destacar que as
contas com a maior quantidade de postagensnão são necessariamente aquelas
que obtiveram ou que obterão mais engajamento. Assim, para se obter
engajamento, os números de postagens e seguidores não são suficientes, mas,

39

Este recurso é utilizado para serem reproduzidos em aplicativos de áudio descrição tanto
para cegos quanto para disléxicos e deficientes intelectuais.

�225

sobretudo, um conjunto de fatores que integra conteúdos, legendas, hashtags,
dia e horário da publicação.
Interagir com

os seguidores

também

é

necessário.

Curtir os

comentários feitos por eles e respondê-los é uma forma de demonstrar que a
marca se importa com a reação e opinião das pessoas. Não há uma regra
sobre seguir todos os usuários que seguem a página, isto dependerá muito do
tipo de conteúdo que se oferece e do tipo de relação que se pretende obter40.
A interação também se dá no Directou bate papo privado. Muitos usuários
enviam questões e dúvidas sobre o conteúdo que é postado como uma forma
de manter sua privacidade preservada ou fazer perguntas específicas, tirar
dúvidas etc. Responder um Direct denota atenção e diminui a distância entre
seguidor e perfil.
Explorar os Stories e o ao vivo também aparecem como uma forma
de se obter mais visibilidade, engajamento, interação e proximidade com o
usuário. “Essa alternativa permite que você [...] grave vídeos pequenos ou tire
fotos com o diferencial do tempo de expiração de 24 horas, ou seja, todo
conteúdo [...] expirará dentro de um dia, ficando inacessível para outros
usuários da rede” (RIBEIRO, 2019). Quanto aos stories, Costa (2019) expõe
algumas sugestões para postar: “Conteúdos dos bastidores, os famosos
‘behind the cameras’; Detalhes do produto ou serviço. Fazer perguntas (use as
‘Enquetes’!)”. No caso da mediação da informação e da leitura, poder-se-ia
trabalhar com os stories e o ao vivo do Instagram da seguinte forma:
a) mostrar aos usuários a chegada de material recém adquirido e o
status de determinado item na linha de processamento técnico dos
recursos bibliográficos;
b) apresentar brevemente as divisões internas da biblioteca, muitas
vezes desconhecida pelos usuários;
c) realizar uma visita guiada virtualmente;
d) evidenciar que a biblioteca realiza aquisições constantes;
e) explicar detalhadamente o que significam os caracteres da etiqueta
que é colada na lombada dos materiais;
40

Nesse caso, deve-se levar em consideração a política do perfil.

�226

f) realizar enquetes com os usuários com o intuito de conhecê-los
melhor, descobrir seus desejos e necessidades;
g) compartilhar eventos que acontecem na biblioteca para usuários que
não puderam comparecer;
h) avaliar produtos, serviços e conteúdos postados;
i) ouvir

as

sugestões

usuários

quanto

a

aquisição

de

recursos

bibliográficos e oferta de produtos e serviços.
Com relação aos melhores dias e/ou horário para postar não há uma
única resposta. Para cada segmento ou persona, haverá dias e horários de
pico. No próprio aplicativo há a opção para visualizar o tráfego na página. O
algoritmo da plataformanão funciona seguindo a cronologia das postagens
desde 201641, mas segundo a experiência do usuário e seu interesse, isto é,
quanto mais ele é engajado com um determinado conteúdo ou nicho de
mercado, mais ele será direcionado para tais perfis e conteúdos. “O algoritmo
do Instagram deixa muito claro a intenção da rede em criar um ambiente
propício a proximidade entre marcas e usuários” (COSTA, 2019). Por isso que,
às vezes, se segue alguns perfis e raramente se vê postagens dele. O
Instagram permite ainda que cada usuário visualize as contas que possui
maior ou menor interação dentre as contas que segue.
Para verificar a performance de um perfil empresarial, bem como
horários

com

maior

engajamento,

número

de

visitas

ao

perfil,

de

compartilhamentos, dentre outras métricas, a rede social disponibilizou uma
ferramenta gratuita, intitulada Instagram Analytics (MLABS, 2018b). Para ter
acesso

a

essas

informações

é

necessário

que

o

perfil

seja

do

tipo

“corporativo”42. De acordo com a mLabs (2018a), com um perfil comercial é
possível identificar os dados de: contas que viram seu post; views da
postagem; vezes que os seguidores acessam o Instagram no dia; vezes que o
vídeo foi visto; número de usuários que acessaram o link da bio; número de

41

Ver mais em: Costa (2019). Disponível em: https://rockcontent.com/blog/algoritmo-doinstagram/. Acesso em: 20 jun. 2020.
42
A mLabs fez um passo a passo para tornar uma conta comercial. Disponível em:
https://www.mlabs.com.br/blog/mudar-para-perfil-comercial-no-instagram/. Acesso em: 05
jul. 2020.

�227

usuários que salvaram um post; quantas pessoas viram o vídeo e enviaram um
direct de lá; dados demográficos: gênero, idade, país e cidade dos seus
seguidores.
Essas informações fornecidas pelo Analytics possibilitam aos gestores e
administradores dos perfis identificar se os conteúdos postados obtêm
“impacto”, seja a partir dos “3Cs” ou de outras métricas, conforme indicado.
Assim como no ambiente físico de uma biblioteca, o serviço de informação e
referência avalia seus serviços e produtos a partir de feedbacks, avaliações,
sugestões, no Instagram é possível também se certificar de que o que tem
sido feito gera ou não engajamento entre os usuários.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao identificar o Instagram como ambiente para mediar informação e
leitura, os profissionais da informação podem interagir mais facilmente com os
usuários e manter um relacionamento contínuo e, até mesmo, duradouro com
eles. Como muitos usuários estão cadastradosna referida rede, para eles a
novidade seria em relação ao publicador das postagens, no casoos perfis das
bibliotecas, ou mesmo, de bibliotecários(as) que prestam consultoria na área
de informação e documentação.
Normalmente, o usuário não tem o costume de visitar frequentemente o
espaço físico da biblioteca, às vezes acessa o seu site, no entanto, se ela
estiver inserida na rede social, o alcance será maior e provavelmente o usuário
verá o que está sendo postado, pois ambos estarão no mesmo “ambiente”. A
partir dessa presençavirtual e posicionamento, os sujeitos que não frequentam
seu espaço físico podem se interessar e descobrir o que elas têm a oferecer.
Por outro lado, os usuários da biblioteca podem se tornar mais adeptos e fiéis
a ela.
Portanto, considero que o uso das redes e mídias sociais, sobretudo do
Instagram, pode proporcionar mais visibilidade às bibliotecas bem como
potencializa a mediação da informação e da leitura.

�228

REFERÊNCIAS
ALBUQUERQUE, M. T. D. S.; PAIXÃO, P. B. S. O Instagram como canal de
interação entre as bibliotecas e os usuários da universidade federal de
alagoas. Revista Folha de Rosto, Juazeiro do Norte, v. 6 n. 1, n. 1, p. 50-58,
2020. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/139651.
Acesso em: 10 jul. 2020.
ALMEIDA JÚNIOR, O. F. Mediação da informação: ampliando o conceito de
disseminação. In: ENCUENTRO DE EDUCADORES E INVESTIGADORES EN
BIBLIOTECOLOGIA, ARCHIVOLOGIA, CIÊNCIAS DE LA INFORMACIÓN Y DE LA
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Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_privada_virtual. Acesso em:
03 jul. 2020.

�232

DADOS BIOGRÁFICOS

João Arlindo dos Santos Neto: Bacharel em Biblioteconomia
pela UEL. Doutor e Mestre em Ciência da Informação pela
UNESP/Marília. Professor do Departamento de Ciência da
Informação da UEL. Atua com os seguintes temas da pesquisa:
mediação da informação; mediação implícita da informação;
interferência do profissional da informação; ética na mediação
da informação.Responsável pela Coluna intitulada “Sala de
aula: dia a dia na universidade” publicada no INFOhome.
E-mail: santosneto@uel.br

�233

PARTE III - REDES
SOCIAIS E A ATUAÇÃO

ídias sociais como forma de empreender: o caso do site Santa
Biblioteconomia
- Talita Daemon James e Thalita Gama

BIBLIOTECÁRIA: NOVOS

Mediação da informação e da Leitura no Instagram: novas
possibilidades para os bibliotecários
- João Arlindo dos Santos Neto

HORIZONTES E

Blog de bibliotecários: um estudo sobre o blog “Bibliotecária em
Construção”
- Claudia Barbosa dos Santos de Souza

POSSIBILIDADES

As mídias sociais como ferramenta para divulgação de revistas
científicas da América do Sul
- Edna da Silva Angelo e Marlene Oliveira
As redes sociais como uma possibilidade de extensão de campo para o
bibliotecário
- Gabriela B. Pedrão
Fake News e suas repercussões na sociedade e a atuação do
bibliotecário no seu combate
- Antônio Afonso Pereira Júnior
Novos negócios em uma nova economia
- Guilherme Alves de Santana

�234

CAPÍTULO XIII - Mídias sociais como forma de empreender:
o caso do site Santa Biblioteconomia
Talita Daemon James
Thalita Gama

1 INTRODUÇÃO
Todo bibliotecário já escutou o seguinte discurso: “Os livros vão acabar e
tudo será digital”, provavelmente também ouviram por aí “o bibliotecário está
fadado a um futuro de esquecimento”, ou ainda, “Só há espaço para a
tecnologia.” Talvez não com essas mesmas palavras, porém sempre com esse
tom de desespero e tragédia. Obviamente, nossa sociedade está evoluindo e
automatizando diversas funções que antes eram realizadas por seres humanos
e dentro de uma biblioteca não poderia ser diferente. Se antes utilizávamos
fichas em papel, em catálogos físicos, atualmente temos softwares que
armazenam e gerenciam essas informações de forma bem mais simples e
confortável, tanto para os usuários quanto para os catalogadores.

A

necessidade de desenvolver novas competências que se adaptem a esse novo
panorama, aliado a novas habilidades profissionais, torna-se um grande
desafio para a classe bibliotecária no Brasil e no mundo, principalmente
[...] pelo desenvolvimento tecnológico e ocupar um papel destacado por
sua experiência acumulada no uso e no trato com informação. Esses
profissionais têm a obrigação e a necessidade de preparar-se para esta
realidade. Devem entender as novas necessidades que surgem e as
novas formas de responder a estas necessidades, desenvolvendo novas
competências (CUNHA, 2009, p. 103).

Ser bibliotecário no Brasil é se enxergar normalmente entre estudar e
passar em um concurso público, seguir carreira acadêmica, ter um emprego
formal com um contrato de acordo com a Consolidação das Leis Trabalhistas
(CLT) ou ainda empreender e ter sua própria empresa. Muitos acabam
mesclando uma ou duas atividades, como magistério e a atuação em
bibliotecas, ou ainda empreendedores que têm um emprego fixo como fonte

�235

principal de renda. Um reflexo das várias opções que a área proporciona ou da
necessidade de criação de espaços pelos bibliotecários? Seja lá qual for a
melhor resposta a essa questão, temos que lidar com essas demandas vindas
da hiperautomação dos nossos serviços e da explosão das redes sociais como
forma de comércio. Isso impacta e muito a nossa vida profissional.
Aliado a esse cenário, diversos exemplos de diferentes áreas de
formação nos mostram outros caminhos a seguir. E afinal, trabalhar fora do
modelo tradicional, criar seu mercado, por conta própria e ser o dono do seu
próprio tempo: quem nunca se questionou sobre essa possibilidade? Como
realizar isso sendo bibliotecário? Buscamos neste capítulo abordar algumas
estratégias empreendedoras possíveis e com ênfase no relato de experiência
do site Santa Biblioteconomia como exemplo de utilização das redes sociais
como forma de empreender na área.

2 O PODER DAS REDES SOCIAIS
Na visão de Recuero (2009), as redes sociais são constituídas a partir da
relação entre dois elementos - os atores e suas conexões - e pode-se dizer que
uma rede social na Internet é constituída a partir de atores interagindo,
trocando informações, e comunicando-se por meio desses ambientes digitais
que contribuem para a construção dessas redes. São exemplos dessas redes
sociais plataformas como o Facebook, o Instagram, o Twitter e o LinkedIn.
A primeira rede social propriamente dita, segundo Gnipper (2018b), foi a
SixDegrees (que esteve ativa entre 1997 e 2001), e permitia que seus
usuários criassem um perfil e criassem uma conexão com seus amigos. A rede
chegou a registrar 3,5 milhões de usuários. A rede não teve grande impacto no
Brasil, mas seu sucesso é considerado responsável pela abertura de mercado
para sua sucessora, a rede Friendster (esta, por sua vez, responsável por
preparar o terreno para o Facebook). Em 2004, ainda conforme Gnipper
(2018b), surgiu a rede que de fato fez sucesso no Brasil: o Orkut.

�236

Outras redes sociais surgiram na década de 2000, com aspectos mais
temáticos como o MySpace (inicialmente uma rede genérica, mas que passou a
concentrar informações sobre música) e o LinkedIn, voltada para informações
e contatos profissionais. Entretanto, o Orkut é tido como a rede que definiu
parâmetros de redes sociais.
O Facebook, uma das plataformas com maior número de usuários
atualmente, também foi criada em 2004. Entretanto, apenas em 2006 foi
aberta para que qualquer pessoa pudesse se cadastrar e utilizar suas
funcionalidades, segundo Gnipper (2018c). Nessa época surgiram os feeds de
notícia que caracterizam a plataforma. No final dos anos 2000 o Facebook já
havia atraído boa parte dos usuários do Orkut e hoje a plataforma conta com
mais de 2 bilhões de usuários espalhados pelo mundo todo.
Em 2006 surge um outro formato de rede social, em que as pessoas não
precisavam mais “ser amigas”. No Twitter, apenas posts curtos (à época com
limitação

de

140

caracteres)

são

permitidos,

contribuindo

para

uma

comunicação rápida. O conceito de amizade não faz parte da rede, mas sim o
de seguir para que se tenha acesso ao conteúdo produzido por quem é
seguido.
Outras plataformas temáticas surgiram, com foco na publicação de fotos
(como o Tumblr e o Instagram) ou ainda a publicação de localização e
avaliação de produtos e serviços (como o Foursquare). Surgiram também
plataformas para a publicação de vídeos, longos ou curtos, como o YouTube, o
Snapchat e outros.
Fato é que as redes sociais se tornaram forte e útil ferramenta de
comunicação, em especial no Brasil. Nesse contexto, empresas passaram a
investir em comunicação social por meio destas plataformas como forma de se
aproximar de seu público, e atingir novos clientes a partir das funcionalidades
de divulgação de eventos e compartilhamento de notícias.

�237

2.1 BIBLIOTECAS E A RELAÇÃO COM REDES SOCIAIS
A biblioteca deve estar onde seus usuários estão e fazer propaganda dos
seus produtos e serviços em veículos de comunicação onde a probabilidade do
seu cliente ter acesso seja maior, ou seja, é preciso que as bibliotecas entrem
de cabeça no mundo das mídias sociais. Entre as vantagens de criar um canal
de comunicação com os usuários através das redes sociais, conforme Giménez
(2010), temos:
a) Grandes possibilidades de marketing, a partir de uma lista de contatos
que receberão informações sobre produtos e serviços da biblioteca;
b) Fidelização dos usuários, ao construir uma comunidade virtual que
encontre espaço para compartilhar interesses comuns;
c) Atração de novos usuários entre o público em potencial, já que a
proposta da biblioteca chegará mais facilmente a um grande número de
pessoas;
d) Otimização de recursos, com o envio de mensagens de maneira rápida
e efetiva;
e) Ampliação dos canais de comunicação com os usuários, chegando aos
usuários rompendo barreiras geográficas e temporais, além de incluir pessoas
a partir de iniciativas inclusivas;
f) Reforço dos mecanismos de avaliação dos serviços, por meio do
feedback dos comentários dos usuários;
g) Serviço de custo mínimo, já que criar um perfil em uma rede social é
gratuito.
Não basta, no entanto, postar apenas. É preciso um estudo sobre seu
público alvo e a criação de conteúdo padronizado pela biblioteca. Sites como o
canva.com podem ajudar com designes simples e rápidos. Algumas dicas
básicas:
● Crie uma identidade visual, o simples normalmente é a melhor opção!
● Use a logomarca da instituição ou da própria biblioteca, passa mais
credibilidade.

�238

● Faça postagens periódicas! É preciso fixar uma frequência, para que seu
público conheça o trabalho desenvolvido na biblioteca, pelo menos 3 x
por semana!
● Crie conteúdos! Poste sobre os livros que existem, dê dicas culturais.
● Sempre se coloque no lugar de quem está recebendo esse conteúdo,
precisa ser simples, direto!
É importante notar que ao adentrar o universo das redes sociais, as
bibliotecas precisam ter em mente as ameaças que existem. Para Giménez
(2010), são elas:
a) Falta de tempo, já que para manter ter um perfil em uma rede social é
necessário que as equipes invistam tempo na geração de conteúdo;
b) Falta de recursos para anunciar ou promover seu conteúdo nas redes,
já que esse tipo de serviço costuma ser cobrado;
c) A falta de formação especializada do pessoal em novas tecnologias que
estão sempre em constante evolução;
d) Relutância das Instituições;
e) Imagem distorcida das redes sociais.
Vivemos uma eterna revolução nas mídias sociais. Se no início dos anos
2000 o Orkut dominava o público, hoje o Facebook que se mantém grande,
mas também vem perdendo a força. Observa-se uma crescente no Instagram
como rede de distribuição de conteúdo e comércio, e também do Twitter. Sites
e blogs são igualmente, formas interessantes de divulgar e o melhor são
espaços próprios, que não contam com o impacto de compartilhamento nas
redes e dependem de estratégias diferentes de marketing para alcançar novos
públicos, inclusive as próprias redes sociais. Entretanto, a forma com que o
algoritmo do Facebook privilegia postagens pagas, ou não leva sua postagem a
todos o seus amigos, é uma política da empresa sobre a qual não temos
controle. Um site ou blog da sua biblioteca, sempre será um endereço da
internet com todas as informações atualizadas que com o tempo seus usuários
vão aprender a ir consultar. Invista!
As 5 leis de Ranganathan para a biblioteconomia continuam sendo uma
fonte valiosa de inspiração e ajuda, vamos usá-las a nosso favor!

�239

● Primeira Lei - Livros são para Uso: os livros precisam ser usados! Isso
significa fazer propaganda do que já existe na sua biblioteca!
● Segunda Lei - Para cada Leitor, seu Livro: é preciso saber o que seu
usuário precisa!
● Terceira Lei - Para cada Livro, seu Leitor: fazer indicações precisas, e
divulgação!
● Quarta Lei - Poupe o tempo do leitor: quanto mais organizado for sua
biblioteca e seus serviços, melhor.
● Quinta Lei - A Biblioteca é uma organização em crescimento: sempre
podemos crescer, e não necessariamente em tamanho, mas em
importância social!
Para que se tenha uma ideia, de acordo com Targino (2019), diversas
bibliotecas tradicionais têm atuado em redes sociais, em especial no Facebook.
Dentre elas, destacam-se a Fundação Biblioteca Nacional, a Biblioteca Mario de
Andrade, A biblioteca do Senado Federal, o Sistema de Bibliotecas da PUC_Rio,
a Biblioteca do Centro de Tecnologia da UFRJ, a Biblioteca do Centro de
Tecnologia da UFRJ e a Biblioteca da Faculdade de Direito da UFF.

3 O QUE É EMPREENDER?
Jesus e Machado (2009) pontuam que “O empreendedorismo tem sido
abordado como o ato de fazer algo novo, diferente, de mudar a situação atual
e buscar, de forma incessante, novas oportunidades de negócio, tendo como
foco a inovação e a criação de valor.” Essa visão, aborda o lado mais
propagado do empreendedorismo, onde existe um profissional com perfil
curioso e que busca exteriorizar suas ideias em uma empresa ou vendendo sua
capacidade de mão de obra através de consultorias, cursos e materiais.
Encontrar um caminho que seja ao mesmo tempo:
[...] indutor de novos negócios, mas também como um fenômeno que
auxilia na descoberta de novos nichos de mercado e na prestação de
serviços terceirizados às empresas, constituindo-se em importante
alternativa para o problema do desemprego (HONESKO, 2001, p. 21).

�240

Temos então a perspectiva de empreender como possibilidade ao
desemprego. Principalmente quando pensamos que o bibliotecário é um
profissional liberal e que pode oferecer seus serviços técnicos e de consultoria
a quem precisa.
Conti, Pinto e Davok (2009, p. 41) afirmam que o bibliotecário pode ser
intraempreendedor de várias formas, tais como: facilitando a comunicação e
interação na organização em que atua, fazendo com que aconteça a
união/cooperação entre os setores; executando suas funções de forma criativa
com os, geralmente, poucos recursos disponíveis; desenvolvendo projetos para
captar mais recursos para a unidade de informação; fazendo estudos, para
identificar e conhecer seus clientes e adequar os produtos e serviços às
expectativas e necessidades deles; disponibilizando informações estratégicas
para a organização em que está inserido, visando facilitar a tomada de decisão
em todos os níveis hierárquicos; antecipando-se às tendências e realizando
mudanças nos produtos e serviços que oferece antes que eles fiquem obsoletos
e caiam em desuso.
Muito se engana quem acha que empreender é necessariamente abrir
uma empresa. É possível ter a postura empreendedora de várias formas
mesmo dentro de um trabalho ou instituição mais “tradicional”. Alves e Davok
(2009, p. 313) confirmam que “empreender não significa somente criar novas
empresas, significa também o indivíduo colocar em prática habilidades e
competências na realização de algo novo na organização em que trabalha,
tornando-se um intraempreendedor”.

3.1 O CASO SANTA BIBLIOTECONOMIA
Falar sobre o Santa Biblioteconomia é abordar o contexto social em que
estávamos entre 2005/2015. Durante esse período, o Brasil passou por uma
fase de grande investimento no serviço público em geral, e principalmente na
área educacional, com a construção de novas universidades e ampliação das
que já existiam antes. Houve forte investimento na construção de uma nova

�241

imagem do servidor público e da valorização desses profissionais com o
aumento de vagas ofertadas, a manutenção de benefícios indiretos como a
estabilidade profissional, salários atrativos e progressões na carreira. Esses
fatores tornaram os concursos públicos ainda mais disputados e cobiçados por
grande parte da população brasileira, inclusive os bibliotecários.
Nossa área se expandiu, principalmente com as vagas surgidas nas
universidades

em

todo

país.

Concursos

que

chamavam

mais

de

40

bibliotecários por vez, alta frequência de editais abertos, vagas muito atrativas
na área jurídica e legislativa também. Uma febre se instalou: praticamente
todo estudante de biblioteconomia ou bibliotecário formado começou a estudar
para concursos ou ao menos se interessar em fazer as provas como forma de
obter uma boa colocação no mercado. A biblioteconomia, historicamente, é
uma carreira de estado. Onde a maioria dos bibliotecários no país se encontra
trabalhando: órgãos do governo, sejam federais, estaduais ou municipais,
assim como as agências e as empresas de economia mista. Todos com acesso
por meio de concurso público.
Sendo assim, a necessidade de obter materiais atualizados e focados em
concurso trouxe à luz um novo mercado. O pioneiro a perceber e oferecer
serviços voltados a essa necessidade foi Gustavo Henn com seus livros, cursos
e blog chamado “Biblioteconomia para concursos”. Algumas outras iniciativas
também surgiram, mas nenhuma tão forte e contínua.
A criação do Santa Biblioteconomia aconteceu em outubro de 2013,
quando estudando para concursos e buscando uma forma de compartilhar suas
descobertas e também manter a motivação nos estudos, a bibliotecária Thalita
Gama idealizou o blog. Durante 2 anos, todo o conteúdo gerado era feito de
forma gratuita. Prezando pela linguagem simples e acessível, indicando livros,
artigos e dicas de estudo. Em 2015, já servidora pública federal, Thalita iniciou
a comercialização de apostilas on-line em que comentava questões e redigia
resumos dos assuntos mais cobrados em certames. Também neste mesmo ano
iniciaram-se os cursos presenciais ministrados pela bibliotecária. Em seis anos
de atividade, os cursos presenciais do Santa Biblioteconomia já foram
realizados em São Paulo (SP), Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba

�242

(PR), Fortaleza (CE), Belém (PA), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), atingindo
todas as regiões do Brasil.
Em 2016, uma parceria com a Class Cursos foi realizada e dessa união
nasceram três cursos com foco em concurso. Essa ação tornou os cursos - que
antes eram apenas presenciais - em atividades na esfera on-line, o que
ampliou em nível nacional a popularidade e o impacto que o Santa
Biblioteconomia já exercia regionalmente.
Atualmente (outubro de 2019), o Santa Biblioteconomia é um site, com
loja on-line, possui personalidade jurídica própria, conta com mais de 15 mil
seguidores no facebook, e 8 mil no instagram, mantendo-se como o maior
perfil relacionado à Biblioteconomia na rede. Mais de 1300 alunos passaram
por suas capacitações, on-line e presencial, transformando a marca Santa
Biblioteconomia em um símbolo e referência na área. Talita James, também
bibliotecária, foi incluída como ministrante de cursos e geradora de conteúdo
em uma equipe que conta ainda com colaboradores para a parte técnica de
administração, informática e web design.

4 DICAS PARA QUEM QUER INICIAR UM PROJETO
Para empreender é preciso estudar e se preparar. Para isso, seguem
algumas dicas práticas que - pela experiência das autoras - podem ajudar
bibliotecários que desejem aderir ao empreendedorismo na biblioteconomia:
1)

Faça algo em que você acredite, não apenas por dinheiro.

É claro que você quer ganhar dinheiro, precisamos disso para ter uma
vida confortável! Mas tenha em mente que esse não pode ser seu único motivo
para empreender. Mesmo que você lance um serviço, um curso ou consultoria
revolucionários que lhe tragam muito dinheiro, se isso não fizer sentido pra
você, em algum momento as coisas ficarão complicadas. Continuidade e
perseverança são essenciais para fidelização dos seus clientes e seguidores.
Então, nossa dica número 1 é: identifique algo que te transborda e que você

�243

acredite! Depois, analise se o retorno te agrada ou se talvez o assunto que
você gosta pode ser um projeto paralelo ao seu trabalho oficial.
2)

Estude quem já faz o que você quer fazer.

Quer abrir uma consultoria de Gestão Eletrônica de Documentos (GED)?
Ou ainda uma de normalização de trabalhos acadêmicos? Quem sabe um site
com foco em concursos? Ou ainda, uma marca de blusas e bolsas com foco em
literatura?

Todos

empreendedores,

esses
procure

exemplos
conversar

já
com

contam
eles

com

sobre

as

bibliotecários
dificuldades

encontradas e analisar os pontos fortes. Mesmo que você não vá fazer algo
exatamente igual, se inspirar e trocar experiências sempre será importante.
3)

Pesquise a demanda do mercado

É preciso saber de antemão se o que você deseja oferecer, é o que o
mercado consumidor quer.
4)

Seja ousado

Se ninguém nunca fez o que você está pensando, seja ousado e abra
esse caminho. Se fortaleça e acredite no seu potencial!
Esperamos que esse capítulo te dê inspirações e insights sobre o
empreendedorismo na biblioteconomia e as possibilidades por meio das redes
sociais.

REFERÊNCIAS

ALVES, L. A.; DAVOK, DelsiFries. Empreendedorismo na área de
Biblioteconomia: Análise das atividades profissionais do bibliotecário formado
na UDESC. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.
14, n. 1, p. 313-330, 2009.
AQUINO, L. F. El desafio del marketing em lagestiónactual de las unidades de
información. Ciencias de laInformación, Havana, v. 28, n. 1, p. 185- 197,
1996.
CONTI, D. L.; PINTO, M. C. C.; DAVOK, D. F. O perfil do bibliotecário
empreendedor. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Florianópolis, v. 14, n. 1, p. 27-46, 2009.

�244

CUNHA, M. V. da. O profissional da informação e o sistema das profissões: um
olhar sobre competências. Ponto de Acesso, Salvador, v. 3, n. 2, p. 94-108,
2009.
GIMÉNEZ, D. G. Redes Sociales: posibilidades de Facebook para las bibliotecas
públicas. BID: textos universitários de biblioteconomia e documentación, n.
24, jun. 2010. Disponível em: http://bid.ub.edu/24/garcia2.htm. Acesso em:
30 out. 2019.
GNIPPER, P. A evolução das redes sociais e seu impacto na sociedade: parte 1.
Canaltech. 2018a. Disponível em: https://canaltech.com.br/redes-sociais/aevolucao-das-redes-sociais-e-seu-impacto-na-sociedade-parte-1-107830/.
Acesso em: 29 out. 2019.
GNIPPER, P. A evolução das redes sociais e seu impacto na sociedade: parte 2.
Canaltech. 2018b. Disponível em: https://canaltech.com.br/redes-sociais/aevolucao-das-redes-sociais-e-seu-impacto-na-sociedade-parte-2-108116/.
Acesso em: 29 out. 2019.
GNIPPER, P. A evolução das redes sociais e seu impacto na sociedade: parte 3.
Canaltech. 2018c. Disponível em: https://canaltech.com.br/redes-sociais/aevolucao-das-redes-sociais-e-seu-impacto-na-sociedade-parte-3-109324/.
Acesso em: 29 out. 2019.
HONESKO, A. Empreendedorismo em bibliotecárias universitárias: um estudo
do cenário paranaense. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 12., 2002, Recife. Anais [...]. Recife: SNBU, 2002. 1 CDROM.
JESUS, M. J. F. de; MACHADO, H. V. A importância das redes sociais ou
networks para o empreendedorismo. Revista Eletrônica de Administração,
v. 13, n. 14, jan./jun. 2009. Disponível em:
http://periodicos.unifacef.com.br/index.php/rea/article/view/220/72. Acesso
em: 21 out. 2019.
RECUERO, R. Redes sociais na Internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.
TARGINO, R. Como as bibliotecas têm utilizado as redes sociais: iniciativas
procuram divulgar e potencializar os serviços disponibilizados ao público.
Biblioo. 2019. Disponível em: https://biblioo.cartacapital.com.br/como-asbibliotecas-tem-utilizado-as-redes-sociais/. Acesso em: 31 out. 2019.

�245

DADOS BIOGRÁFICOS

Talita Daemon James: Mestranda em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de São Carlos.
Especialista em Gestão do Conhecimento pela AVM
Faculdades
Integradas
(2014).
Graduada
em
Biblioteconomia pela Universidade de Brasília (2006).
Atualmente é bibliotecária do Supremo Tribunal Federal.
Tem experiência nas áreas de Gestão da Qualidade e
Gestão do Conhecimento. Ministra aulas para concursos
públicos pelo preparatório Santa Biblioteconomia.
E-mail: talita.james@santabiblioteconomia.com.br

Thalita Gama: Mestranda em Memória Social pela
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO. Especialista em Gestão de informações e
documentos pela AVM Faculdades Integradas (2014).
Graduada em Biblioteconomia e Gestão de Unidades de
Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro –
UFRJ (2013). Atualmente é bibliotecária no Centro de
Ciências Jurídicas e Políticas da UNIRIO. Tem experiência
com serviço de referência e treinamentos. É a idealizadora
do Santa Biblioteconomia e trabalha desde 2015
ministrando cursos pelo país.
E-mail: contato@santabiblioteconomia.com.br

�246

CAPÍTULO XIV - Blog de bibliotecários: um estudo sobre o
blog “Bibliotecária em Construção”
Claudia Barbosa dos Santos de Souza

1 INTRODUÇÃO
O uso massificado das Tecnologias de Informação e Comunicação
modificou o modo de trabalho, de produção e disseminação de informações e
documentos, além da forma de comunicação em sociedade. De igual forma, o
uso das redes sociais virtuais promoveu interação em tempo real e eliminou as
barreiras geográficas e de tempo.
A produção e disseminação de informação se intensificou no ambiente da
Web 2.0 e, consequentemente, houve a promoção da gestão da informação e
do conhecimento.
O uso de blog como ferramenta de comunicação propiciou a utilização
desse espaço para discussão e obtenção de conhecimento fora dos locais ditos
tradicionais

(arquivos,

bibliotecas,

livros,

documentos,

etc.),

além

do

compartilhamento de informação e de promover também a interação entre
pessoas, comunidades e grupos sociais.
A interação com leitores (seguidores) acontece por meio de comentários
em matérias que se identificam ou que tem algum significado pela replicação
de matéria postada ou por contato com pares.
Criar um blog e mantê-lo ativo, com pautas coerentes que sejam
atrativas para o público alvo é um desafio para todos, mas principalmente para
o bibliotecário (a). Coletar, avaliar e disseminar informações verdadeiras, de
forma ética é atuar de igual forma em unidades de informação.
Em tempos de “Fake News” e de desinformação, um blog cujo conteúdo
seja verdadeiro, planejado, organizado terá um papel muito importante, pois
vai se tornar um agente de disseminação de informação e um serviço de
referência.

�247

No contexto da biblioteconomia, há muito tempo os bibliotecários se
prontificaram a criar blogs com temáticas e abordagens diversas, como forma
de disseminar as práticas e conceitos biblioteconômicos, a promoção da
visibilidade

profissional

dos

bibliotecários

e

das

bibliotecas,

e

mais

recentemente ações de “advocacy”.
Para

atuar

neste

contexto,

o

bibliotecário

deverá

desenvolver

competências e habilidades para poder atender a essa nova realidade, a da
promoção de informação em ambiente virtual por meio de mídias sociais, mais
especificamente por blogs.

2

BLOGS

DE

BIBLIOTECÁRIOS

E

O

COMPARTILHAMENTO

DE

INFORMAÇÃO E CONHECIMENTO
Os blogs podem ser considerados como “gêneros comunicacionais
emergentes na forma de páginas pessoais ou organizacionais na web, passíveis
de uso e publicação por todo na rede”. Uma das principais funções é o
disseminar informações na internet, além de proporcionar visibilidade por meio
de marketing digital (ARAÚJO; TEIXEIRA, 2013, p.951).
De acordo com Santos e Rocha (2012, p.139) os blogs podem ser
classificados a partir dos seus objetivos e utilização como: corporativos,
profissionais, educacionais e espaço para produção científica.
A missão e os objetivos de um blog dever ser bem definidos, pois é por
meio deles que serão conhecidos o tipo de informação a ser divulgada, o
público (seguidores) e a frequência de publicações como afirma Silva (2005,
p.171):
É preciso levar em conta os objetivos da criação de um blog com
antecedência, fazendo um planejamento da sua estrutura no que se
refere ao conteúdo e quem será o responsável pela sua manutenção e
atualização. Se o objetivo da criação de um blog for a divulgação e
interação dos leitores sobre as novidades na área de Ciência da
Informação, por exemplo, o responsável deverá ficar atento aos
acontecimentos desta área, buscando informações atualizadas nos
principais meios de comunicação especializados e divulga-los no blog
sempre que for possível, o que trará um permanente interesse dos seus
leitores, instigando-os a realizarem uma nova visita futuramente, e

�248
muitas vezes divulgando a qualidade deste blog pra outros leitores
através da indicação através de um link em seu próprio blog ou mesmo
através de contato pessoal.

No âmbito da biblioteconomia encontramos diversos tipos de blogs cujos
editores são bibliotecários e bibliotecárias. Os mais conhecidos com o tema
concurso

público

são:

o

“Santa

Biblioteconomia”,

de

Thalita

Gama,

“Biblioteconomia para concursos” do Gustavo Henn e o “BiblioJuris”, de Sônia
Neves. Com conteúdo diversificado (biblioteconomia, livros, leitura) temos o
“Esse é o último, eu juro!” da Gabriela Pedrão, sobre Marketing em bibliotecas,
o “Somente Biblio”, de Gilda Queiróz, Dempsey Bragante e Jane Queiróz. O
mais novo blog é voltado para bibliotecas escolares, o “Dica de Bibliotecária”,
de Elani Régis. Sobre literatura temos: “Estante Mágica”, de Ana Lúcia Mérege,
que além de bibliotecária é escritora. Essa é uma pequena amostra desse rico
universo de disseminação de informação e conhecimento criado e administrado
por bibliotecários. Há muitos outros, com finalidades diversas, que neste
momento não é possível listar.
Para Silva (2005, p.167) o uso de blogs pela comunidade bibliotecária
tem vários objetivos, um deles é “divulgar novidade sobre uma unidade de
informação”. Segundo Araújo (2010, p.209) “O blog é uma ótima ferramenta
para criar e manter uma rede de contatos com pessoas que tem os mesmos
interesses”, e para Alvim (2007) o blog serve para:
[...] promover relações na comunidade profissional, baseando-se na
partilha de informações, de fontes, de notícias, de novidades, na
atualização de conhecimentos e na discussão e expressão de opinião.
Promove a construção da individualidade do profissional da informação,
na transformação do seu perfil, de gestor da informação para
produtor/criador de informação, e promove igualmente um alto nível de
intertextualidade e interatividade.

Transcender os limites da biblioteconomia por meio do blog é um desafio
diário, principalmente para este em estudo. Entretanto, é algo que tem sido
feito paulatinamente com a ajuda de amigos bibliotecários, de estudantes de
biblioteconomia e afins, de professores, de educadores, de escritores e de todo
tipo de seguidores do blog.
No domínio da Ciência da Informação, Alvim (2007) afirma que os blogs
podem ser compreendidos como um “novo meio de serviço, nas estruturas da

�249

documentação e informação, poderá ser um local de debate, um relato de
experiências e de opiniões”. Ou seja, pode-se afirmar que é um local de
compartilhamento de informação e de conhecimento, podendo estreitar laços
entre os participantes.
Segundo Araújo e Teixeira (2013, p. 955), os blogs de biblioteconomia
são denominados como “biblioblogosfera” por ser formada por interesses
comuns e afinidade temática, sendo escritos ou não por bibliotecários, tendo
ênfase no conteúdo disseminado. Afirmam que “ao proporcionarem uma
interatividade entre os leitores e os blogueiros, tais recursos acabam por
facilitar a disseminação da informação na web e, com isso, a geração de novos
conhecimentos” (ARAÚJO; TEIXEIRA, 2013, p.952).
Este novo espaço – o do blog – representam um “espaço aberto e
democrático no qual o bibliotecário pode tanto enxergar-se quanto apresentarse de forma diferenciada” (CORRÊA; ZAMBAM; OLIVEIRA, 2013 apud ARAUJO;
TEXEIRA, 2013, p.955).
A criação de laços de afinidades promove a formação de nichos,
intensificam vínculos e consolidam uma rede social. Segundo Araújo (2010),
[...] o capital social é fundamental para a construção das redes sociais
nos blogs, neste contexto, considera-se a informação o capital social
trocado entre os indivíduos, que estimula o surgimento e o
fortalecimento de laços sociais proporcionando a construção de novas
formas de pensamento e outra concepção de recepção de informações.
(HENRIQUES; RECUERO, 2007 apud ARAÚJO, 2010, p. 206-207).

E é justamente por pensar neste capital social, e em tempos de “Fake
News” e de desinformação, que a responsabilidade em administrar e criar
pauta para um blog, que o bibliotecário (a) tem compromisso com a verdade e
com

a

responsabilidade

em

disseminar

conteúdo

ético

e

verdadeiro,

proporcionando credibilidade e interação.

3 O BLOG “BIBLIOTECÁRIA EM CONSTRUÇÃO”
O blog “Bibliotecária em Construção” teve seu primeiro post publicado no
dia 12 de março de 2016, em pleno Dia do Bibliotecário no Brasil. Os temas

�250

escolhidos para o lançamento foram: O dia do Bibliotecário no Brasil (história e
legislação); Recomendação de leitura e “Bibliotecando em Pernambuco”
(divulgação da reinauguração da Biblioteca da Academia Pernambucana de
Letras e uma breve entrevista com a maravilhosa bibliotecária, Maria
Bernadete Amazonas. Uma pequena amostra do que viria a ser o perfil do
blog.
Figura 1 – Print da Página principal do blog no Wordpress

Fonte: A autora (2019).

Nome inspirado no blog “Arquivista em Construção”, o seu quase
homônimo – o “Bibliotecária em Construção” - surgiu por quatro motivos: o
primeiro, divulgar a biblioteconomia e afins de uma maneira diferente, sob a
perspectiva de uma discente do bacharelado em Biblioteconomia da UNIRIO.
Segundo, o gosto por utilização de internet e seus múltiplos recursos, como as
ferramentas de redes sociais virtuais. Terceiro, por gostar e querer disseminar
informações como fonte de informação para todos que tiverem acesso. E o
último, o desafio de redefinição profissional.
Arquivista na primeira formação, estudante de Biblioteconomia pela
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Claudia Souza,
editora e proprietária do blog, conseguiu realizar um antigo sonho, o de criar

�251

um blog para disseminação de informação voltada para o público da área de
formação e afins.
Depois de muito pesquisar sobre perfis de blogs, ficou decidido (na
época)

que

teria

como

missão: “Espaço

reservado

para

reflexão

e

a

disseminação da Biblioteconomia sob a ótica de uma discente do bacharelado
em biblioteconomia” (SOUZA, 2016).
Tem por objetivo:
[...] é a reflexão sobre a Biblioteconomia do ponto de vista de uma
discente, porém, com formação em Arquivologia. Postagens sobre
viagens, visitas técnicas e culturais a arquivos, bibliotecas e museus,
além de apresentar personalidades da biblioteconomia e publicações.
Oportunidade de aprendizado, de troca, de conhecimento (SOUZA,
2018).

O segundo passo foi escolher o meio pelo qual o blog disseminaria tais
informações: facebook, instagram, páginas pessoais, enfim, algo que pudesse
ter a visibilidade desejada no momento.
No

início

de

2016,

foi

escolhido

o

wordpress,

nomeado

“bibliotecando2016.wordpress.com”, como o primeiro meio de disseminação de
informação. Nele foram criadas nove páginas com os assuntos: O início de
tudo (explicando os motivos da criação do blog e apresentando a editoraproprietária), Aconteceu (divulgação de eventos), Personalidades (espaço para
apresentação de ícones da biblioteconomia, sob a perspectiva da editora, não
necessariamente apresentação de famosos”, Bibliotecando (divulgação de
lugares, instituições

visitadas.

Apresentação

de

informações

sobre

tais

instituições e dicas), Curiosidades (reservado para posts diversos), Dicas
(novidades na área de Biblioteconomia e afins), Biblio News (uma espécie de
agenda para divulgação de eventos a serem realizados e posts dos que
aconteceram),

Eventos (divulgação específica de eventos), Indicação de

leitura (espaço destinado a indicar livros lidos por amigos bibliotecários,
lançamentos de livros e periódicos científicos).
O blog ficou nessa plataforma durante o seu primeiro ano, mas devido a
interação não ser simultânea e a alta demanda por conteúdo, foi sugerido o
uso concomitante com uma página do Facebook. A aceitação foi imediata, com
interação

entre

página

e

usuários,

usuários

com

usuários,

além

de

�252

proporcionar a divulgação da mesma; no entanto, não teve a mesma
visibilidade

obtida

com

o

wordpress43,

mas

tem

demonstrado

grande

aceitação.
Após esta primeira experiência, optou-se por continuar com a página no
facebook, e em virtude disso e do grande acesso, buscamos identificar quem
são as pessoas que curtem, seguem compartilhando conteúdo e fazendo
contato com a editora.
Para identificar o perfil de quem segue o blog, foi necessário fazer uma
breve pesquisa de usuário, com o intuito de conhecer a formação, atuação e
interesses. Buscou-se entender também o possível motivo pelo qual eles
seguem, recomendam aos amigos, comentam postagens e até indicam
matérias e assuntos a serem colocados em pauta, além de contato para outros
fins.

3.1 O BLOG PELA PERSPECTIVA DO USUÁRIO
Dentre tantos tipos de blogs de biblioteconomia (preparatório para
concurso público, de leitura, de literatura, de memes, etc.), compreender a
aceitação do perfil deste blog é de certa forma buscar “conhecer as
necessidades informacionais44 da comunidade a ser atendida”, [...] e é “ponto
de partida do planejamento de um serviço de informação e uma preocupação
constante no decorrer da prestação de serviços” (PIRES, 2004, p.6).
Passados três anos de existência e com a adesão de aproximadamente
4.600 (quatro mil e seiscentos) seguidores (na época da pesquisa) de diversas
formações, ficou evidente a necessidade de conhecer ou identificar quem são
esses atores, seguidores, usuários do blog. Para isso, foi efetuada uma

43

O Wordpress tem acesso mundial, não fica restrito ao acesso da população brasileira. Havia
muita aceitação por parte de seguidores de país diversos.
44
A compreensão das necessidades de cada indivíduo em relação à informação é complexa e
se modifica constantemente. O conhecimento do usuário é a base da orientação e da
concepção dos serviços de informação, considerando suas características, atitudes,
necessidades e demandas (PIRES, 2004, p. 7).

�253

pesquisa com o uso do “Google Forms”, na qual os usuários responderam a
algumas questões, de forma anônima.
No período de março a maio de 2019 foi divulgado um questionário com
dezesseis questões abordando: gênero, idade, nível de escolaridade, profissão,
domicílio dentre outras.
Foram

quarenta

e

cinco

respondentes,

correspondendo

aproximadamente a 1% do total de seguidores da época. Destes, 88,9% são
do gênero feminino, sendo os 11,1% restantes do gênero masculino. Dividido
por faixa etária, temos um percentual bem homogêneo, tendo seguidores de
18 a 65 anos de idade. Quanto ao grau de escolaridade, 60% possui nível
superior completo; 35,6% possui superior incompleto e 13,4%, ensino médio.
O perfil de seguidores pós-graduados é de 24,4% com especialização;
4,4% com mestrado; 2,2% com doutorado e a maioria 68,9% não possui pósgraduação. Destes, 60% são bibliotecários; 4,4% são professores/professoras
e 33,3% possui outra profissão.
Do total, 77,8% conheceram o blog pelo facebook; 13,3% por indicação
de amigos; 4,4% conheceu pela página da faculdade e 4,4% por meio de
busca na internet.
Perguntados o que apreciam no blog, 37,8% mencionaram o conteúdo,
33,3% notícias sobre bibliotecas e afins, 20% indicação de eventos e 6,7%
divulgação de leitura.
No que diz respeito a interação com a página: 88,9% já divulgaram
conteúdo publicado. Quanto a “marcar” alguém (amigo) em um post
interessante, 46,7% afirmaram ter marcado amigos para lerem a matéria.
Como pode-se constatar, o público do blog é bem diversificado.
Geograficamente 57,8% são da região sudeste; 15,6% da região sul; 17,8%
do nordeste; 6,7% são do norte e 2,2% são do centro-oeste brasileiro.
Quando perguntados se sabem quem é o profissional bibliotecário,
93,3% disseram que sim, e 6,7% disseram que não. E quando perguntamos se
conhecem um bibliotecário (a), 100% dos respondentes afirmaram conhecer
um bibliotecário (a).

�254

Finalizando os questionamentos, foi disponibilizado um campo livre para
sugestões, alguns usuários responderam (SOUZA, 2019):
Não tenho no momento.
Que constantemente indicasse livros e seminários para aprendizados
acadêmicos.
Obtenção de relatos semanais de estudantes e profissionais de
Biblioteconomia, objetivando instigar outras pessoas a conhecerem e se
aprofundarem na área.
Mais conteúdo de biblio para quem não é da área.
Fotos de grandes bibliotecas pelo mundo seriam interessantes.
Divulgar vagas de cursos e concursos na área.
Dicas de práticas da profissão (catalogação, classificação, serviço de
referência, uso de códigos e sistemas de classificação) e novas formas
de aplicar a biblioteconomia fora da biblioteca (empreendedorismo e
trabalho autônomo).

Ao observar as diferentes respostas, pudemos perceber que muitos dos
seguidores não se atentaram para a missão da página. Algumas sugestões
fogem ao contexto estabelecido desde a criação do blog, pois consideramos
que há outros meios para divulgação (a exemplo de blogs para concursos e
vagas).
No entanto, há interação com os seguidores, percebe-se que o conteúdo
publicado e divulgado pela página no facebook (publicação própria e replicação
de outras páginas) tem grande aceitação, pois são reencaminhadas para
publicações externas.
A constante publicação de matérias jornalísticas que abordam temas
como: educação, inovação, bibliotecas, livros, professores e outros, somadas
as replicações de páginas de amigos bibliotecários, de divulgação de eventos
possuem muita aceitabilidade por parte dos usuários do blog, incluindo
escritores.
Percebe-se que aos poucos o blog foi se consolidando como um potencial
serviço de referência, promovendo visibilidade para a biblioteconomia, para os
bibliotecários (as) e afins.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A internet é um espaço de interação e ampla visibilidade ocupado por
diversas áreas do conhecimento e por diversos segmentos da sociedade. Os

�255

blogs, por sua capacidade de interação, passaram a ser considerados como
fontes de informação e uma forma do usuário manter-se atualizado com o
conteúdo desejado de um modo mais fácil.
Neste contexto, o bibliotecário (a), profissional habilitado para organizar
e disseminar informação, adquire mais uma responsabilidade: ser agente de
organização e disseminação de informações em mídias sociais, dentre eles o
blog.
A biblioteconomia tem por finalidade: coletar, classificar, indexar e
disponibilizar informação aos seus usuários reais e potenciais. Tais ações foram
absorvidas pelo blog e busca compartilhar informações em tempo real por
meio de plataformas digitais e redes sociais virtuais.
Ao longo de sua existência, o blog “Bibliotecária em Construção” já
passou por modificações, buscando atender às demandas informacionais de
seus seguidores e de sua editora. Soma-se também, a necessidade de rever
sua missão, pois a discente de biblioteconomia tornou-se bibliotecária em abril
de 2019.
Prestes a chegar aos seis mil seguidores, redefinir a missão e objetivos
do blog promoverá a consolidação da identidade do blog, possivelmente a
criação de uma identidade visual para o mesmo e adoção de novos seguidores
e replicadores.
Percebe-se que com a adoção do facebook como interface para o blog, a
interação acontece em tempo real, suscitando nos usuários um senso de
pertencimento, ao ponto de fazerem contato propondo pauta, solicitando
divulgação

de

eventos,

além

de

requerer

informações

técnicas

sobre

biblioteconomia e afins.
O usuário/seguidor foi identificado por meio da pesquisa efetuada, na
qual foi demonstrada os diferentes perfis de usuários. Sabendo-se disso,
aumenta a responsabilidade no disseminar informações relevantes, reais,
verdadeiras que agreguem valor a todos que a buscam.
Ficou evidente que o uso de blog transcende a perspectiva de somente
disseminar informações: ela produz conhecimento, estreita laços e ajuda a
disseminar o perfil profissional de sua editora. Pode também contribuir em

�256

futuras pesquisas abordando possibilidades diversas, desde frequência de
acesso até mesmo assuntos mais comentados e replicados.
Na perspectiva de editor de um blog, o bibliotecário transcenderá a sua
atuação de organizar e disponibilizar informações em bibliotecas, centro de
documentação e afins, passará a trabalhar com informações cujo valor
agregado dependerá da qualidade e da aceitação perante o seu público
(usuários do blog). Fazer prospecção de temas, de novas possibilidades de uso
de mídia sociais fazem parte do seu cotidiano.

REFERÊNCIAS

ALVIM, Luísa. Avaliação da qualidade de blogues. In: CONGRESSO NACIONAL
DE BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS, 9., 2007, Açores.
Anais [...]. Açores: Universidade dos Açores, 2007. Disponível em:
http://badinfo.apbad.pt/Congresso9/COM105.pdf Acesso em: 10 set. 2019.
ARAÚJO, Paula Carina de. O blog “na era da informação” como ferramenta de
compartilhamento de informação, conhecimento e para a promoção
profissional. Revista ACB, Florianópolis, v. 15, n. 1, p. 201-213, dez. 2009.
Disponível em: https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/676. Acesso em:
02 out. 2019.
ARAÚJO, Ronaldo Ferreira de; TEIXEIRA, Josemar Coltt da Silva.
Biblioteconomia conectada: uma análise da biblioblogosfera brasileira. Revista
ACB, Florianópolis, v. 18, n. 2, p. 949-978, out. 2013. Disponível em:
https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/924. Acesso em: 13 ago. 2019.
PIRES, Maria Matilde Kronka. Usos e usuários da informação. São Carlos:
EdUFSCAR, 2004.
SANTOS, Ester Laodiceia; ROCHA, Suely Margareth da. O blog como
ferramenta de comunicação entre a biblioteca e seus usuários: a experiência
da biblioteca Lydio Bandeira de Mello, da Faculdade de direito da Universidade
Federal de Minas Gerais. Encontros Bibli: revista eletrônica de
biblioteconomia e ciência da informação, Florianópolis, v. 17, n. 33, p. 134152, abr. 2012. Disponível em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/eb/article/view/15182924.2012v27n33p134. Acesso em: 14 set. 2019.
SILVA, Fabiano Couto Corrêa da. Bibliotecários especialistas: guia de
especialidades e Recursos Informacionais. Brasília: Thesaurus, 2005.

�257

DADOS BIOGRÁFICOS

Claudia Barbosa dos Santos de Souza: Mestranda em
Ciência da Informação pelo IBICT convênio com a UFRJ
(2020). Possui graduação em Biblioteconomia pela UNIRIO
(2018) e Arquivologia pela UFF (2008), MBA Gestão
Empresarial e Sistemas de Informação pela UFF (2013).
Atuou como Arquivista em diversas instituições privadas
(médio e grande porte) de diversos segmentos. Na
Biblioteconomia, tem experiência de estágio em bibliotecas
públicas e privadas. Tem interesse nas áreas de gestão
(informação e do conhecimento, unidades de informação,
de acervos), arquivologia e biblioteconomia.
E-mail: claudia.bs.souza@gmail.com

�258

CAPÍTULO XV - As mídias sociais como ferramenta para
divulgação de revistas científicas da América do Sul
Edna da Silva Angelo
Marlene Oliveira

1 INTRODUÇÃO
Este artigo busca verificar se as revistas científicas de acesso aberto da
América do Sulusam as mídias sociais para difusão de seu conteúdo. Para
tanto, expõe um breve referencial teórico acerca das relações entre ciência e
sociedade e a importância da atividade de divulgação científica. Na sequência,
o estudo mapeia as revistas produzidas nocontinente sul-americano, a
presença delas na mídia sociale a análise do engajamentosocial obtido,
identificando as principais características desse processo.
Com

o

movimento

do

acesso

aberto45

revistas

passaram

a

ser

disponibilizadas on-line e livres de taxas para leitura e download. Isso
representa, para

Packer

e

Meneghini

(2006), um

dos

indicadores de

visibilidade. Todavia, algumas dessas publicações estão sujeitas a atividades
de difusão e circulação precárias (FURNARO; RAMOS; CARVALHO, 2013).
Assim, é imperativo revisar os quesitos necessários para ampliar a repercussão
(CUENCA et al., 2013) e, nesse contexto, as mídias sociais têm potencial para
promover o contato entre as pesquisas ea sociedade, aproximando a ciência
dos grupos sociais.
Esse tema é relevante, pois evidencia a necessidade de um debate mais
profundo acerca da comunicação da ciênciapara além dos muros das

45

O termo acesso aberto é usado para nomear o movimento da comunicação científica, cuja
literatura digital produzida deve ser de acesso gratuito, livre das licenças restritivas (SUBER,
2012). Em 2002, foi realizada a primeira declaração oficial do assunto, conhecida como
Declaração de Budapeste (Iniciativa de Acesso Aberto de Budapeste - BOAI), que é
reconhecida como um dos pontos definidores do Movimento de Acesso Aberto (TENNANT et al.,
2016).

�259

universidades. A divulgação científica no contexto da web social46 abre
caminho para que o público leigo relacione as atividades sociais e os produtos
utilizados no cotidiano com a ciência. Como demonstrativo dessa relação temse, por exemplo, o alimento saudável consumido, que é obtido a partir de
pesquisas diversas na área de Ciências Agrárias. Outro exemplo diz respeito à
aquisição do celular recém-lançado, que se manifesta como resultado de
investimentos em inovação tecnológica ou, ainda, o medicamento para dor de
cabeça que é fruto de um longo período de estudos (VILELA, 2016).
Além disso, outro motivo que justifica a importância das revistas
científicas no dia a dia social é a necessidade de se combater as notícias que
possuem a finalidade de desinformar a população (SHU et al., 2017). Dessa
forma, é necessário fazer que revistas com dados confiáveis estejam ao
alcance dos indivíduos.

2 BREVE DISCUSSÃO SOBRE CIÊNCIA E SOCIEDADE
A divulgação dos resultados das pesquisas promove a familiaridade dos
indivíduos com o contexto da ciência e, sobretudo, a consciência dos serviços
que podem ser oferecidos a partir das descobertas científicas (OLMOSPEÑUELA; CASTRO-MARTÍNEZ; FERNÁNDEZ-ESQUINAS, 2014).
O avanço das inovações científicas e a capacidade em comunicar essa
ocorrência para a sociedade remontamao período da Revolução Industrial, no
século XVIII. Naquelao casião, foi preciso levar aos mecânicos e a outros
profissionais

conhecimentos

desempenho

funcional.

básicos

Esse

sobre

a

acontecimento,

ciência

para

melhorar

ascircunstâncias

o

históricas

esignificativas transformações no mundo expuserama necessidade, cada vez
maior, da divulgação científica (BRAGA; PINHEIRO, 2009).
Não há possiblidade de todos os indivíduos se dedicarem ao exercício
científico, portanto, é necessário os colocar em sintonia com o que é

46

A web social englobaplataformas cuja ênfase está na interação social, no compartilhamento
de informações e no acesso às ferramentas de produção (ACKLAND, 2013).

�260

pesquisado e descoberto. O público geral deve entender os fundamentos
básicos da ciência, os métodos científicos de pensar, a abordagem prática para
a investigação científica, as relações entre ciência e sociedade, os potenciais e
as limitações dos cientistas (KAIXUN, 1996).
A ciência e a própria sociedade só têm a se beneficiar com uma
divulgação bem realizada. Nas últimas décadas, à medida que a internet se
popularizou, cresceram, drasticamente, as facilidades de acesso à informação
e velocidade de comunicação. Ao mesmo tempo, aumentou o número de
crenças

infundadas,

pensamento

incorreto

e

confronto

com

a

ciência

(TANDOC; WEI LIM; LING, 2018).
A improcedência naconstrução de narrativas de fatos empíricos, ou
mesmo “pseudofatos”, gerada pela instrução científica parcial ou falsa,
promove um novo tipo de analfabetismo, denominado “alfabetismo científico
tendencioso” (VALDECASAS; CORREAS, 2010). Para combatê-lo, é premente
empreender

maiores

esforços

para

exposição

das

fontes

de

pesquisa

confiáveis.

3 PAPEL DO BIBLIOTECÁRIO NO ÂMBITO DA DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA
NAS MÍDIAS SOCIAIS
Na contemporaneidade, a informação se tornou elemento essencial,
consideradamatéria-prima para o desenvolvimento científico e tecnológico,
bem comodiferencial competitivo de uma sociedade cada vez mais globalizada.
Esse contexto, somado ao aumento exponencial do volume das produções
científicas e da capacidade de comunicação interativa, faz com que seja
necessário refletir sobre a melhor circulação e acesso das revistas (ARAÚJO,
2015).
Nesse cenário, as mídias sociais são reconhecidas como uma estratégia
importante para ampliaracomunicaçãode trabalhos acadêmicos, quebrando
barreiras de tempo (determinado pela velocidade de distribuição) e espaço
(sob a forma da área de distribuição). Há muito tempo editoras internacionais,

�261

como Elsevier e Springer, adotaram, com sucesso, as mídias sociais para a
divulgação de seus conteúdos, que potencializam o alcance já amplo dos
artigos publicados nessas revistas (NASCIMENTO, 2016).
Nesse contexto, o bibliotecário pode auxiliar na implementação e
nagerência dos recursos informacionaisnas mídias sociais. Dentre as atividades
que toca no cerne da profissão – em que se entrelaçam competência
intelectual, conhecimento técnico e relação interpessoal – encontram-se ações
que propiciam meios para propagar o saber ao organizar, tratar e disseminar
as informações contidas nos registros em meio digital (BAZIN, 2012).
Ciente de que o atual ciclo da comunicação científica não termina com a
publicação

dos

resultados

de

pesquisa,

o

bibliotecário

se

ocupa

em

democratizar o conhecimento e em servir não apenas ao mundo acadêmico,
mas também a um espectro mais amplo de atores sociais. Deve lidar, ao
mesmo tempo, com todos os tipos de registros, lançando mão de todos os
suportes e formas de mediação para notificar o usuário sobre a existência de
registros potencialmente relevantes (BAZIN, 2012).
Para usufruir das potencialidades das mídias sociais com a intenção
depromover o aumento da visibilidade das revistas científicas, recomenda-se
ao profissional, assim como apontado para os editores por Araújo (2015),
construir e manter uma presença on-line das publicações, oferecer um
conteúdo adequado ao ambiente das mídias e estabelecer uma atuação
responsiva. Essas ações propiciam que os recursos informacionais possam ser
utilizados, e não apenas armazenados.

4 METODOLOGIA
O presente artigo expõe o panorama das revistas científicas de acesso
aberto da América do Sul nas redes sociais. A forma de abordagem ao
problema é tanto quantitativa como qualitativa, pois pretendeu traduzir
números em informações que foram classificadas e analisadas. Considera, em
determinados momentos, que existe uma relação entre o mundo e o sujeito

�262

que não pode ser traduzida em números (GIL, 2008). Do ponto de vista dos
objetivos, caracteriza-se como exploratória, pois realiza um estudo preliminar
visando a familiarizar-se com o fenômeno, buscando obter uma imersão inicial,
tornando-o mais explícito (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006; GIL, 2008).
A princípio, realizou-se um levantamento do cenário das revistas
científicas de acesso aberto da América do Sul, considerando como ambiente
de consulta a base de dados do Directoryof Open Access Journals (DOAJ)47. Os
resultados constataram a existência de 2.323 revistas. Em seguida, foi
elaborada uma planilha no Microsoft Excel® para organização e registro dos
International Standard Serial Number (ISSN)48.
No intuito de proceder à investigação, com o uso da Plataforma
Altmetric.com49, utilizou-se atécnica altmétrica de quantificação e mensuração
do impacto de publicações científicas. Essa coleta de dados foi realizada de
agosto a outubro de 2019.
A altmetria, partindo de uma visão pragmática, é o uso de dados
cibermétricos para análises cientométricas. Da mesma forma que muitas
citações, as menções on-line indicam um diálogo ou interesse numa obra, mas
não atestam a qualidade do que está sendo dito. No entanto, os comentários
sãouma oportunidade de se detectar precocemente o interesse ou polêmica
pelos resultados apresentados. Esta prática é estratégica para ações de
comunicação do pesquisador ou instituição no debate que venha a se seguir
com a imprensa e a sociedade como um todo.
A técnica rastreia qualquer vestígio ou indicador conferidoa um conjunto
de dados compartilhado por acadêmicos, comunidades científicas e público em
geral, mediante acesso aredes sociais on-line, como o Twitter, Reddit e

47

Diretório on-line com curadoria da comunidade que indexa e fornece acesso a revistas de
alta qualidade, acesso aberto e revisadas por pares (DOAJ, 2019).
48
Identificador internacionalmente aceito para individualizar o título de uma publicação
seriada, tornando-o único e definitivo. É composto por oito dígitos distribuídos em dois grupos
de quatro dígitos, ligados por hífen e precedidos sempre por um espaço e a sigla ISSN. É um
número eficiente e econômico de intercâmbio de informação e seu uso é definido pela norma
técnica Internacional Standards Organization (ISO) 3297 (SEMINÁRIO DE PUBLICAÇÕES
SERIADAS, 1983; CENTRO BRASILEIRO DO ISSN – CBISSN, 2017).
49
Foi fundada por Euan Adie, em 2011, e surgiu do crescente movimento altmétrico. Possui a
missão de rastrear e analisar a atividade on-line em torno de resultados de pesquisas
acadêmicas (ALTMETRIC.COM, 2019).

�263

Facebook. Oferece dados estatísticos quantitativos acerca da atenção dada a
cada publicação da web social (SAID et al., 2019).
A altmetria pode complementar as métricas de avaliação científica
existentes por possibilitar fontes alternativas de revisão por pares. Em vez de
esperar meses por duas opiniões, o impacto de um artigo pode ser avaliado
por

milhares

de

conversas

e

marcadores.

A

velocidade

representaa

oportunidade de criar sistemas de filtragem colaborativa e de recomendações
em tempo real. No curto prazo, é provável que isso complemente a revisão por
pares tradicional. Além disso, métricas de impacto mais rápidas e amplas
também

podem

desempenhar

um

papel

importante

nas

decisões

de

financiamento e promoção (PRIEM;TARABORELLI; GROTH; NEYLON, 2010;
PRIEM; GROTH; TARABORELLI, 2012).

4.1 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Com o propósito de verificar se as revistas científicas de acesso aberto
da América do Sul usam as mídias sociais, a partir dos procedimentos de
coleta e análise de dados, percebeu-se que esses meios de comunicação
científica estão inseridos na web social.
Os dados iniciais revelaram que a América do Sul possui 2.323 revistas
científicas em acesso aberto, que equivale a 17% das 13.751 existentes no
mundo (DOAJ, 2019). Identificou-se que o Brasil está em ênfase na região,
visto que publica 60,8% do total das revistas sul-americanas. Em seguida, a
Colômbia possui 15,2%, a Argentina 10,3%, o Chile 5,1%, o Peru 2,8%, o
Equador 2,5%, a Venezuela 1,4%, o Uruguai 1,1%, o Paraguai 0,7% e a
Bolívia 0,2%. Mesmo com essa distribuição dispersa, não foi localizada revista
em dois países: Suriname e Guiana50. A figura 1 apresenta a quantidade em
cada país.

50

A Guiana Francesa é uma região que pertence à França/ União Europeia. Não se trata de um
país.

�264
Figura 1 – Quantidade de revista por país da América do Sul

Fonte: Dados da pesquisa (2019). Extraído de DOAJ (2019).

O Brasil também se destaca porapresentar a maior taxa de
interação. Dos dez artigos mais mencionados nas mídias sociais, nove são de
revistas brasileiras e apenas um da Argentina. Além disso, tanto as três
revistas quanto as três editoras mais mencionadas são brasileiras.
Esses

dados

representatividade

se
no

alinham
mundo

ao
de

fato
artigos

de

o

Brasil

científicos

ter
em

uma

grande

acesso

aberto

(SCIENCE-METRIX, 2018). Três quartos das publicações desse país indexadas
na Web of Science e publicadas entre 2008 e 2014 estão disponíveis para
download, sem custo, conforme relatório publicado pela Science-Metrix (2018),
que aponta a Scientific Electronic Library Online (SciELO) como grande
responsável pelo fenômeno.
Considera-se, também, como fator contributivo na elevação do número
de artigos em acesso aberto, o fato de a maior parte das pesquisas no Brasil
ser desenvolvida nas universidades que o Estado financia por meio de suas
agências de fomento. Em consequência, o acesso aberto se manifesta como
uma forma de retorno do investimento na pesquisa, para contribuir com o
crescimento econômico e o bem estar da sociedade.

�265

Com o intuito de demonstrar a relação entre a quantidade que está
presente nas mídias e a quantidade que não está, apresenta
apresenta-se o gráfico 1,
que indica esse percentual relacional de títulos.
Gráfico 1 – Proporção de revistas científicas de acesso aberto da América do Sul presentes nas
mídias sociais
Sim

Não

43%

Chile

57%

39%

Brasil

61%

34%

66%

Colômbia

33%

67%

País

América do Sul
Argentina

22%

78%

Equador

21%

79%

Peru

19%

81%

16%

Uruguai

13%

Paraguai
Venezuela

84%
88%

6%
0%

94%
20%

40%

60%

80%

100%

120%

Fonte: Dados da pesquisa (2019). Extraído de DOAJ (2019).

Em termos proporcionais, observa
observa-se
se uma baixa presença de revistas
nas mídias sociais. Em todos os países da América do Sul, a presença nas
mídias não alcança nem sequer a metade. Dentre os países que obtiveram
resultados superiores à média geral, têm
têm-se
se apenas Chile e Brasil. Os dados
indicam a existência de três países (Suriname, Guiana e Bol
Bolívia) que não
possuem nenhuma revista.
Esse resultado comunga com as constatações observadas e destacadas
no estudo de Vilela (2016), ao discorrer que é preciso fortalecer o diálogo da
ciência

com

a

sociedade

e

as

revistas

científicas

nas

mídias

sociais

representam
presentam um caminho. Não se deve ser tímido para divulgação de
pesquisas científicas nas redes sociais (VILELA, 2016).
Aliado a essa reflexão, é importante salientar que a internet é uma
importante ferramenta de comunicação, de informação e de diálogo int
interativo.
Portanto, a presença de revistas científicas na mídia social ajuda, de maneira
significativa, a tornar disponíveis os dados que podem confirmar ou refutar
ideias e argumentos.

�266

No Brasil, na área da Ciência da Informação, por exemplo, observa-se a
baixa presença on-line de pesquisadores, indicando que eles não utilizam as
plataformas web como extensão de seu trabalho. Dessa forma, eles abrem
mão

de

proporcionar

comunicação

um

apoio

doconhecimento

adicional

científico.

que

Mesmo

facilitariaa
o

uso

de

produção

e

ferramentas

altamente popularizadas como Twitter e Facebook ainda é tímido entre
pesquisadores, sendo mais usadas para fins pessoais do que para atividades
de compartilhamento profissional (BARROS, 2015).
No que se refere ao número de menções nas redes sociais, a figura 2
apresenta o percentual e quantidade de menções das revistas da América do
Sul.
Figura 2 – Menções das revistas da América do Sul nas redes sociais

Fonte: Dados da pesquisa (2019). Extraído de DOAJ (2019).

Conforme informações disponibilizadas na figura 2, identifica-se que a
mídia social mais usada é o Twitter, que também é apontada em outros
estudos como a mais utilizada para a propagação de informação científica.
Segundo Hassan et al. (2017), mais de 91% das menções altmétricas derivam
do Twitter, sendo a rede social mais utilizada para compartilhamento de
informações e disseminação de conteúdo. A emergência dessa rede social nos
últimos anos pode ser explicada por haver cada vez mais cientistas,

�267

principalmente os mais jovens, com perfis na rede e é comum que eles a
utilizem para comunicar e recomendar artigos (MARQUES, 2014).
Outro ponto observado é que a maioria dos artigos com maior número de
menções tem o texto no idioma inglês (nove dos dez mais mencionados). O
inglês é considerado a língua universal da comunidade científica, usado como
meio de comunicação transnacional que facilita o intercâmbio em todas as
atividades sociais.
Constata-se que as revistas sul-americanas são mencionadas em
diversas partes do mundo. Entretanto, o Brasil (22.324 posts), os Estados
Unidos (8.809 posts), a Colômbia (5.531 posts), a Inglaterra (4.030 posts) e a
Espanha (2.947 posts) são os países que mais interagem.
O uso das mídias sociais auxilia a quebrar as barreiras geográficas ao
abordar novos públicos e potencializar o aumento da visibilidade, além de
orientar os leitores para publicações e amplificar os resultados da pesquisa
(HOLMBERG,

2016).

Atenta-se

que

os

resultados

apresentados

são

quantitativos e mostram a atenção que foi dada a certa publicação, mas não
julgam se esse impacto teve boa ou má repercussão.
Sobre as áreas do conhecimento, a área da Saúde apresenta o maior
número de revistas com repercussão nas mídias. Essa área é apontada com
posições mais elevadas em termos de cobertura no Twitter. Além disso, os
perfis mais ativos entre os usuários dessa rede, em termos de audiência para
todas as publicações de 2015 de revistas indexadas na Web of Science,
pertencem à área da Saúde (HAUSTEIN, 2018).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados desta pesquisa evidenciam os motivos que justificam à
ciência estendero olhar para além das fronteiras das universidades e dos
centros de pesquisa. Os desafios globais contemporâneos ampliaram o
interesse

no

alcance

social

da

atividades de divulgação científica.

ciência,

tornando

inter-relacionadas

as

�268

É necessário se preocupar com a circulação da informação científica na
sociedade contemporânea. Com os avanços tecnológicos e com o advento e a
evolução da web, o uso das mídias sociais passou a ser um importante aliado
para ampliaçãodo debate acadêmico e para levar textos científicos a públicos
não especializados.
Se a maior parte da população permanecer alheia aos processose
benefícios oriundos das investigações, a atividade científica perderá o sentido,
o propósito e a essência. É fundamental mostrar às pessoas o que está sendo
estudado, assim como mostrar os produtos gerados com as pesquisas (VILELA,
2016).
O

levantamento

deste

estudo

revela

dados

que

demonstram

a

necessidade de maior envolvimento da ciência com as mídias sociais, de modo
a romper as barreiras que impedem a democratização do acesso à pesquisa
científica. A presença das revistas nas mídias sociais ainda é pequena e
marcada por grandes desigualdades regionais. Na América do Sul, nenhum
país possui ao menos metade das revistas disponível nas redes.
A

partir

do

objetivo

previamente

estabelecido

para

este

artigo,

constatou-se que ele foi atingindo, uma vez que foi apresentado, por meio dos
procedimentos de coleta e análise de dados, o panorama geográfico quanto à
presença das revistas científicas dos países sul-americanos na web social.
O artigo identificou que, na América do Sul, o Brasil possui o maior
número de revistas, de editoras e de artigos mencionados na rede social. No
entanto, a relação de revistas por milhões de habitantes constata que a
Colômbia possui maior proporção, ao passo que o Chile lidera esse ranking
quanto à porcentagem de presença na rede.
Por meio da análise do engajamento das revistas na web, os resultados
indicaram ser o Twitter a mídia mais usada. Artigos mais mencionados se
encontram no idioma inglês e a área do conhecimento com maior envolvimento
é a da Saúde. Por fim, quanto à repercussão em termos geográficos, as
revistas da região são mencionadas em todos os continentes e, dentre os
países que mais as mencionam, destacam-se Brasil, Estados Unidos e
Colômbia.

�269

Os resultados indicam a necessidade de maior adesão por parte de
profissionais capacitados a contribuir com a disponibilização e gestão das
revistas na web social. Entende-se que a união de esforços entre editores,
financiadores, profissionais da informação, designers gráficos, dentre outros
agentes, é uma alternativa que pode ampliar a repercussão das revistas no
meio social.
Destaca-se, nesse processo, o papel desempenhado por bibliotecários e
instituições

de

informação,

sobretudo

ao

oferecerem

contribuições

na

organização das redes sociais e ampliação da divulgação para diferentes
segmentos sociais. Os bibliotecários, além de representarem/organizarem a
informação, possibilitam condições para garantir o acesso, rompendo barreiras
tecnológicas e geográficas, sendo fundamental, para esse fazer, a elaboração
de políticas de informação voltadas ao desenvolvimento da ciência.
A pesquisa limitou-se a verificar a presença das revistas nas mídias
sociais. Para futuras investigações, vê-se a necessidade de entender como o
conteúdo científico está sendo exposto, se teve boa ou má repercussão e se
essas ferramentas efetivam o alcance da divulgação para a sociedade em geral
ou se circula apenas entre os próprios autores.

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historymuseums. Journal of Biosciences, v. 35, n. 4, p. 507–514, dez. 2010.
VILELA, E. F. Diálogo com a sociedade. In: CASTELFRANCHI, Y. et. al. (Org.).
Os mineiros e a ciência. Belo Horizonte: Kma, 2016.
DADOS BIOGRÁFICOS

Edna da Silva Angelo: Doutoranda e Mestre em
Gestão &amp; Organização do Conhecimento pela
Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). MBA
em Marketing pelo Centro Universitário UNA.
Bacharel em biblioteconomia pela Universidade
Federal de Minas Gerais. Bibliotecária (CRB-6 / 2560)
da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
E-mail: ednasangelo@gmail.com

Marlene Oliveira: Doutora pela Universidade de
Brasília, mestre pelo Instituto Brasileiro de Informação
em Ciência e Tecnologia -RJ e graduada em
Biblioteconomia pela FUOM/MG. Atualmente exerce
atividades de ensino e pesquisa na Escola de Ciência
da Informação da UFMG - MG, Brasil.
E-mail: marlene@eci.ufmg.br

�273

CAPÍTULO XVI - As redes sociais como uma possibilidade de
extensão de campo para o bibliotecário
Gabriela Bazan Pedrão

1 INTRODUÇÃO
Com certeza, em algum momento na carreira, a maioria dos profissionais
bibliotecários já foi questionada sobre as razões de sua escolha profissional.
Esses questionamentos normalmente vêm acompanhados do argumento de
que nossa profissão está condenada ao passado e ao esquecimento. Que
sentido há em ser bibliotecário em pleno século XXI, quando a internet já
tomou conta de tudo o que diz respeito à informação?
Essa noção popular de que, se há internet (e seus sofisticados
mecanismos de busca), não há necessidade de um bibliotecário, é bastante
comum. É também um grande erro a respeito de nossa profissão. O fato de
que a internet se tornou um grande repositório de informação, editável,
colaborativo e passível de alimentação por qualquer pessoa (DENTZEL, 2014)
parece sugerir que nossa profissão está ultrapassada. Contudo, isso está longe
de ser verdade. O bibliotecário não é mais o detentor da informação e a figura
representativa do conhecimento em um lugar (a biblioteca), mas isso não quer
dizer que a profissão não tem mais lugar na sociedade. Uma coisa
simplesmente não se segue da outra.
Na contramão da ideia comum de “profissão do passado”, há um estudo
de 2013, da Oxford University, feito por Frey e Osborne, que lista as profissões
mais suscetíveis à substituição por automação, no qual encontramos os
bibliotecários na posição de número 360 de 706, começando dos menos
suscetíveis aos mais suscetíveis. Nós, bibliotecárias e bibliotecários, estamos
antes de profissões bastante especializadas como: mecânico de aviação e
técnico em aviônica, preparadores de equipamentos médicos, técnicos elétrico-

�274

mecânicos, operadores de refinaria de petróleo e cientistas de atmosfera e
espaço.
Claro que isso não quer dizer que a dinâmica da profissão não está
mudando. Há tempos estamos saindo da visão tecnicista, focada em acervo,
custódia e controle e com as funções principais em classificação e catalogação,
para a biblioteconomia social, voltada ao leitor, às comunidades e as
necessidades do outro. Entender o impacto da internet na rotina das pessoas e
como ela transformou a forma como consumimos leituras, por exemplo, é
essencial

para

os

bibliotecários

de

hoje,

pois

só

assim

poderemos

desempenhar nossa função de mediação e de facilitadores de acesso da melhor
maneira. Antes de ver como bibliotecários podem se aproveitar das redes
sociais, é interessante ver exatamente que mudanças a internet trouxe para
nosso cotidiano.
A internet mudou completamente nosso modo de viver. Olivro publicado
pela Open Mind e BBVA, em 2014, 19 key essays onhow internet ischangin
gourlives, discute como mudamos grande parte dos nossos hábitos por causa
dela. Da forma como comemos, como cuidamos de nossa saúde, até como nos
comunicamos, tudo vem sendo influenciado pelos aplicativos, serviços de
compras, agendamentos automáticos e redes sociais.
Um outro fator importante e muito relacionado às redes sociais é a
questão da identificação e da identidade. Muito do que nós somos e do que
expomos no mundo online vem donosso senso de identidade e de como
queremos ser vistos. A questão é que nossos padrões estão mudando e nós
estamos mudando a forma como enxergamos a nós mesmos.
Hall (2006) comenta que estamos passando por uma fase de declínio de
velhas identidades e buscando novas referências, dando origem a uma crise de
identidade. Ele ainda diz que essa crise está fragmentando o sujeito moderno,
que até então era visto como unificado, e que isso também significa um
processo de mudança mais profundo, que desloca processos centrais das
sociedades e modificam nossos quadros de referência, que são como âncoras
no mundo social.

�275

Segundo

o

autor,

as

identidades

modernas

estão

se

tornando

descentradas. Além disso, afirma que essas transformações estão acontecendo
principalmente pela mudança de como pensamos sobre classes, gênero,
sexualidade, etnia, raça e nacionalidade, que antes nos davam uma sólida
localização social e hoje não o fazem mais (HALL, 2006).
Podemos considerar a internet como um dos fatores de mudança, pois
ela vem se tornando mais presente em nossas vidas nos últimos 30 anos, com
uma interferência ainda maiordesde o surgimento dos smartphones e da
expansão do acesso, há cerca de 20 anos. Essa ferramenta produziu uma
revoluçãoem como nos comunicamos e em como interagimos em sociedade,
tanto pela mobilidade, quanto pelo acesso à internet móvel e às redes sociais.
Mas como isso muda nosso trabalho? Como a internet afeta o espaço da
biblioteca?
A internet não mudou apenas os hábitos, mas também as dinâmicas de
estabelecimentos e serviços. Não cabe hoje para a biblioteca ser um local de
silêncio, voltado apenas para leitura, estudo e com uma lista de restrições. O
bibliotecário precisa ir além da classificação e da catalogação. Numa biblioteca
escolar, por exemplo, é muito difícil imaginar um ambiente que proíba o uso de
celular e que seja ao mesmo tempo acolhedor para os educandos, uma vez
que o celular se tornou parte integral da vida de todos, principalmente na fase
adolescente. A proibição invariavelmente vai levar à percepção de que a
biblioteca é lugar “careta”, ultrapassado e desinteressante. Hoje, trabalhamos
principalmente entendendo as demandas de onde as bibliotecas estão
inseridas, compreendendo as comunidades e trabalhando em prol do leitor.
Como

a

internet

e

os

celulares

permeiam

todas

as

comunidades,

independentemente de estrato social, e alteram fundamentalmente o modo de
se engajar com o mundo, é necessário acomodar essa nova realidade.
Com a internet temos um instrumento poderoso capaz de criar
identificação, disseminar informação e facilitar acessos. Para o bibliotecário,
mais do que administrar uma ferramenta, fica o desafio de explorar meios de
utilizar, especialmente as redes sociais, como algo produtivo para si e para a

�276

biblioteca. Em suma, a internet e tudo que ela implica é inescapável em todas
as esferas da vida contemporânea, e para nossa profissão não seria diferente.

2 AS REDES SOCIAIS
Uma das principais transformações que vêm acontecendo é a mudança
nas relações sociais. Com a internet não temos mais barreiras geográficas e a
troca entre pessoas é cada vez maior (DENTZEL, 2014). Saímos da era
industrial para a era do network, na qual as histórias pessoais vão para o
público e os eventos locais vão para o global (DENTZEL, 2014).
Com as novas possibilidades, vieram também as redes sociais. Essas
ferramentas valorizam principalmente as relações pessoais e a história que
cada um conta sobre si. Com elas é possível dividir experiências, informações e
entrar em contato com pessoas e ideias de maneira instantânea, sem a
intervenção do tempo e espaço (DENTZEL, 2014).
As redes mudaram a forma como nos relacionamos com outras pessoas,
a maneira que entendemos amizade e vêm influenciando nossos hábitos cada
vez mais. A maneira como vivemos nossas rotinas e nos organizamos foram
afetadas pelos hábitos de postagens e compartilhamentos. A economia mudou
e muito das ações de grandes empresas estão baseadas na forma como o
público se comporta nessas redes.
Castells (2014) comenta que também estamos vivendo um processo de
individualização e valorização do eu. Esse processo se dá por diversos fatores,
como a transformação do espaço e da vida metropolitana, a mudança no
trabalho

e

nas

atividades

econômicas

com

a

cultura

do

network,

a

comunicação e a cultura voltadas para a internet e a crise na família patriarcal
com o aumento da autonomia financeira de outras partes dentro dafamília.
O autor ainda explica que a chave desse processo de individualização é a
construção da autonomia dos atores sociais (CASTELLS, 2014). Os maiores
exemplos dessa construção são os movimentos que vemos com cada vez mais
frequência: a audiência ativa na mídia, que opina e muda decisões sobre

�277

programas, filmes e séries, por exemplo; o usuário criativo na internet, que
constrói seu espaço, cria novas ferramentas e modifica a experiência de
navegação; nos mercados, com o consumidor informado e inteirado de seus
direitos; e na educação com alunos cada vez mais informados e digitais
(CASTELLS, 2014).
Assim, enxergando o panorama geral, podemos entender que as novas
mídias estão centradas no eu e no indivíduo, mas, ao mesmo tempo, esse
indivíduo também busca por experiências e crescimento pessoal tendo como
base o conjunto e a vivência de outras pessoas. Para isso é importante criar
uma rede de trocas, ter contatos, saber quem procurar ou com quem falar, daí
o network e o crescimento das redes sociais. As pessoas estão se aproximando
e criando comunidades comuns. Chegamos, então, a um ponto chave: a
identificação, que nada mais é do que um tipo de reconhecimento de
afinidades e de que se habita um universo de interesses e desejos parecidos.
Meu objetivo ao traçar esse panorama é entender como nossa sociedade
está se adaptando a um novo formato e como, a partir de agora, temos uma
nova tendência: a identificação e o compartilhamento de experiências, que é
potencializado pela agilidade das mídias sociais. Se observarmos bem é
possível identificar cada tendência pela qual a internet passou nos últimos
anos. Das bases de dados até as selfies, vivemos em tempos de compartilhar
informação. Já nos últimos anos, com o desgaste de algumas redes e o início
das ofertas de streaming, com filmes, séries e músicas mediante ao acesso
facilitado e amplo, a internet vem passando por uma mudança quanto ao que é
oferecido ao outro. Não basta apenas uma rede com fotos pessoais, as pessoas
buscam pela chamada ‘vida real’, dividir rotinas, trocar ideias e vivências.
Estamos vendo cada vez mais a ampliação do que é oferecido, e ao
mesmo tempo tem se intensificado o questionamento a respeito do valor do
produto; não só a respeito do seu custo, mas também sobre o que ele agrega
à vida do consumidor. Kotler e Keller (2006) explicam isso em seus cinco
níveis de produto e em como cada nível constitui uma hierarquia de valor para
o consumidor. Saímos da ideia do benefício que esse produto nos oferece para
um produto básico, dele para o esperado, o ampliado, chegando no potencial,

�278

ou seja, o que ele extraordinariamente poderia ser. Cada um desses níveis
oferece uma experiência e, conforme esses níveis vão aumentando o valor do
produto e da experiência são também elevados.
Vemos então serviços e produtos sendo agregados a outros serviços e
produtos para uma experiência mais profunda, mais completa e até mesmo
mais humana e relacionada com a ‘vida real’ que mencionei acima. Essa nova
oferta está intimamente ligada às redes sociais, pois hoje elas têm o poder de
influenciar muito do que é consumido e vendido, principalmente por meio dos
chamados influenciadores digitais. Se esses influenciadores estão usando
determinados produtos ou serviços e os incorporaram em sua rotina como algo
benéfico em suas vidas, então é uma ótima propaganda para outras pessoas e
o público geral consumirem também.
Agora, chegamos à questão central: como os bibliotecários podem
aproveitar essa tendência?

3 O BIBLIOTECÁRIO E AS REDES SOCIAIS
Sou produtora de conteúdo do canal “É o último, juro!” há mais de cinco
anos. A ideia inicial era de produzir um canal literário que me ajudasse no
incentivo à leitura e que fosse uma ferramenta externa do meu trabalho em
uma biblioteca escolar. A ideia deu certo, e com o passar do tempo passei a
falar também sobre Biblioteconomia, organização de estudos e pós-graduação.
Os temas além da literatura surgiram por uma identificação do público
com alguns comentários que sempre fiz, principalmente sobre a profissão de
bibliotecária, e por pedidos para que eu discutisse mais esses assuntos. Com o
tempo, percebi que esses eram temas de interesse e que, especialmente a
profissão, era um assunto que as pessoas tinham curiosidade. Assim, nasceu o
“Fala, Bibliotecária”.
A programação de vídeos sobre Biblioteconomia foi uma grande
surpresa. Em pouco tempo o número de visualizações ultrapassou o do
restante dos vídeos do canal e a interação crescia a cada vídeo. A maioria das

�279

pessoas que acompanhavam esses vídeos eram bibliotecários, e assim
identifiquei um nicho e uma carência em nossa área. Os profissionais estavam
procurando informações, buscando ajuda e alguém para conversar sobre a
rotina de trabalho.
Com essa movimentação e participação comecei a notar que era possível
levar a profissão para além do espaço físico. Passei a produzir mais vídeos
sobre o assunto, e aconteceu o que até então era inimaginável para mim:
mensagens de colegas dizendo que os vídeos estavam ajudando, convites para
palestras e eventos e até mesmo vestibulandos que estavam se inspirando
nessas falas para cursar Biblioteconomia.
Percebi que o que estava faltando era a informação fácil (uma tremenda
ironia para nós) e a conexão entre colegas, o que a internet possibilitou e
ainda deu força. Assim, chegamos em um ponto importante na produção de
conteúdo, já mencionado: a identificação. Como já disse, estamos vivendo um
momento de partilha de experiências e vivências no qual as pessoas procuram
algo que realmente acrescente às suas vidas, que não seja apenas superficial e
que fale também sobre o olhar e a experiência sobre o outro.
Pensando nessa tendência de compartilhamento temos um meio fértil
para a atuação bibliotecária. Comigo foi pelo caminho da divulgação, de
comunicar a outras pessoas e até aos colegas um pouco da nossa importância
(reconhecer-se como profissional que é necessário à sociedade e que tem um
objetivo é importante, mas essa nem sempre é a visão de todos, tanto das
pessoas no geral, como dos próprios bibliotecários às vezes) e de abrir
algumas portas para que meu trabalho fosse possível no mundo digital.
Esse trabalho foi possível e ainda tem sido. Hoje, atuo como produtora
de conteúdo e mantenho uma rotina de vídeos e postagens, principalmente no
Instagram e YouTube. Esse não é meu único trabalho e não me mantém
exclusivamente. Também sou bibliotecária escolar, e esse é o maior problema
de se atuar nas redes: a visibilidade vem devagar, o crescimento é lento e o
faturamento é baixo para quem trabalha com nichos pequenos.
Vivemos em um momento em que a profissão ‘produtor de conteúdo’, ou
o famoso ‘influenciador digital’, se tornou um sonho a ser alcançado. Muitos

�280

querem o glamour, a fama e as facilidades que essa profissão parece oferecer,
mas é um trabalho árduo chegar até lá e a grande maioria não consegue.
Trabalhar com mídias é trabalhar com uma produção de conteúdo exaustiva.
Postar todos os dias não é uma tarefa tão fácil quanto parece e ter assunto
para tanto é mais difícil ainda. Digo isso porque quando falo sobre redes como
potencial de trabalho para o bibliotecário, provavelmente essa possibilidade
veio à cabeça de muitos.
Esse não é meu principal trabalho e, na verdade, não me considero
dessa forma. A produção de conteúdo é mais parte de uma opção minha de
fazer algo pela minha profissão do que paratransformar isso em algo rentável
e uma carreira. Mas como podemos trabalhar com isso?
Eu acredito mais na importância do compartilhamento de informações,
independente de quem fala, do que na figura do produtor de conteúdo em si.
Muitas vezes pensamos que é preciso estar à frente do projeto, falar, gravar,
aparecer, mas nem sempre isso é verdadeiro. A produção pode ser feita com
foco na informação, não no produtor. A pessoa que produz conteúdo precisa de
habilidades que vão muito além do “compartilhar informações”. É necessário
carisma, um domínio de temas, estudo do universo relevante, confiança para
desempenhar um papel (porque em determinado momento se tornará um
papel também), e muita paciência para lidar com a recepção do público que,
como todos sabemos, pode ser bastante desagradável. É um trabalho que
exige muito e que em determinado momento pode saturar, tanto pela falta de
conteúdo, quanto pelo cansaço da própria pessoa51.
Já no compartilhamento, como já dito, o trabalho é focado na informação
que é passada, não tanto na figura que passa. Acredito que as redes sejam
uma extensão interessante do trabalho que já é realizado na rotina do
profissional. Explorar mídias como o YouTube e o Instagram para ampliar a
rede de alcance é muito válido. Quando o serviço já existe, a criação de
conteúdo é mais fácil, pois é baseada naquele serviço. Para uma biblioteca, por
exemplo, o bibliotecário pode levar para as mídias os livros mais emprestados,

51

A depressão em youtubers, por exemplo, é um fenômeno real e que só agora está
recebendo a atenção devida.

�281

depoimentos dos leitores, comentários sobre adaptações cinematográficas de
obras, cobertura de eventos, ou até mesmo fatos interessantes ou fora da
rotina da biblioteca. Tudo isso pode ser feito em todas as redes, principalmente
nas mais ágeis, como o Instagram e o Facebook.
Para ilustrar, vou citar dois exemplos de bibliotecárias que, para além de
seus trabalhos, estão nas redes divulgando a profissão e ganhando espaço. A
primeira delas é a bibliotecária Thalita Gama, que mantém um blog sobre
biblioteconomia focado em concursos públicos. Além do blog, Thalita também
tem uma conta bastante movimentada no Instagram, onde leva conteúdos
diversos, tanto sobre os concursos, quanto sobre assuntos gerais ligados à
área.
Dificilmente uma rede social será um trabalho único. Ter as mídias como
profissão, como já comentei, é difícil e envolve abordar um assunto pelo qual
as pessoas se interessem e que seja passível de monetização. Por isso, na
maioria dos casos, as plataformas são extensões dos trabalhos já executados
em outros momentos. A ferramenta auxilia no alcance de pessoas e,
principalmente, a divulgar o projeto, serviço ou atividade a pessoas fora do
círculo principal.
Outro caso interessante é o da bibliotecária Fernanda Zely, à frente do
projeto

‘Mente Brava’, que

é

uma

loja de

camisetas

com

temáticas

bibliotecárias. Fernanda aproveitou um nicho diferente, o mercadológico, para
oferecer produtos voltados à classe profissional com caráter personalizado. A
loja é nova e a ideia vai bem além do que estamos acostumados na profissão.
Sai do lugar comum de profissional que oferta serviços para uma profissional
que oferta produtos.
Além de seu site, que é também uma loja on-line, Fernanda tem também
uma conta no Instagram onde faz postagens sobre seus produtos e ainda traz
conteúdo sobre a área. O diferencial, além do produto, é o fato de que ela fez
algumas parcerias com outros bibliotecários e bibliotecárias que usam suas
camisetas e divulgam a marca. Fora o network entre profissionais, essa ideia
ainda cria uma comunidade e divulga o trabalho de outros bibliotecários que
também estão nas redes.

�282

O que há em comum com esses trabalhos é que eles estão ligados à
identidade do profissional. A identidade bibliotecária é uma questão delicada.
Nossa profissão ainda sofre com uma crise sobre quem somos e qual nossa
função no mundo contemporâneo. Com essas produções de conteúdo nos
aproximamos de colegas e nos sentimos menos sós. É possível acompanhar
outros trabalhos, dividir questões e compartilhar rotinas semelhantes. Os
problemas se tornam comuns e há um alívio ao ver as mesmas dúvidas em
outras pessoas, tanto no que está à frente de uma rede, por exemplo, quanto
nos outros que estão ali comentando e acompanhando.
Acredito que o principal hoje para trabalhos com mídias seja esse toque
de identificação. Ao olharmos para conteúdos que fazem sentido para nós, que
nos representam de alguma forma ou até mesmo que nos trazem um
significado sobre o nosso “fazer diário”, aquela produção tem outro valor.
Acredito que a produção de conteúdo atualmente precisa ter valor acrescido,
não apenas informações. As pessoas querem saber o que você achou sobre um
livro, não apenas a informação que ele está à venda. Em outras palavras,
devemos cada vez mais assumir o papel de curadores de conteúdo. Afinal, um
dos papéis do bibliotecário é justamente a mediação da informação. Como o
mundo nunca esteve tão saturado de informação e conteúdo, as pessoas vêm
cada vez mais buscar alguém que indique caminhos, que faça sugestões de
forma educada e interessante, que faça realmente uma seleção do que vale a
pena ser consumido ou não. Desse modo, portanto, o bibliotecário tem muito a
desempenhar no papel de curador de informação nas redes, e isso não se faz
sem ir além do aspecto técnico da profissão. O bibliotecário precisa ser uma
pessoa engajada e interessada.
Agregar opiniões, um toque pessoal e as experiências são a chave para
estar

nas

redes.

Para

nosso

campo

especificamente,

acredito

que

o

compartilhamento de rotinas e conhecimento fazem muita diferença e é a
maior carência da classe hoje.

�283

4 CONCLUSÃO
A internet vem mudando nossos hábitos e a forma como executamos as
mais diversas atividades do nosso dia a dia, desde o trabalho até as relações
pessoais e cuidados com a saúde. Tudo vem sendo influenciado pela
disponibilidade de informação da internet e a relação entre pessoas nas redes
sociais. Baseados nisso podemos rever nossa atuação como bibliotecários e
bibliotecárias. Vemos a cada dia, por meio das boas experiências de colegas da
profissão, que é possível ter essas redes como uma extensão do nosso
trabalho. Elas podem nos auxiliar, tanto em divulgação de ideias, como em
compartilhamento de práticas e informações.
O melhor caminho é aproveitar essa rede em conjunto com trabalhos já
executados, assim além de colocarmos nossas experiências em destaque,
também aproveitamos os materiais, conteúdos e reflexões que já fazemos e
carregamos conosco em nosso dia a dia. Falar do que estamos familiarizados é
sempre mais simples e mais verdadeiro, além de economizar um bom tempo
de preparação.
Deixo como conclusão que trabalhar com redes e mídias é complicado e
exigente. Nem sempre há o retorno esperado, nem sempre nos dá o caminho
ou respostas que imaginamos, mas nos oferece uma rede de colegas,
contatos, inspirações e trocas. Hoje, com certeza sou uma profissional melhor
e devo muito ao ‘É o último, juro!’ e às pessoas que me acompanham. O
crescimento é diário e a vontade de renovação e incentivo ao estudo e
produção são constantes.

REFERÊNCIAS

CASTELLS, M. The impact of the internet on society: a global perspective. In:
Ch@nge: 19 key essays on how internet is changing our lives. Open Mind:
BBVA, 2014.
DENTZEL, Z. How the internet has changed everyday life. In: Ch@nge: 19 key
essays on how internet is changing our lives. Open Mind: BBVA, 2014.

�284

FREY, C. B.; OSBORNE, M. A. The future of employment: How susceptible
are jobs to computerisation? Oxford Martin Programme on Technology and
Employment, 2013.
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de
Janeiro: DP&amp;A, 2006.
KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo:
Pearson Hall, 2006.

DADOS BIOGRÁFICOS

Gabriela Bazan Pedrão: Graduada em Biblioteconomia e
Ciência da Informação (FFCLRP, USP). Doutora em Ciência
da Informação (PPGCI, Unesp). Bibliotecária escolar na Rede
de Escolas Sociais do Grupo Marista e produtora de
conteúdo do canal ‘É o último, juro!’, no YouTube. Curadora
e mediadora dos clubes de leitura da Fundação do Livro e
Leitura de Ribeirão Preto e do Sesc Ribeirão Preto.
E-mail: gabriela.bzp@gmail.com

�285

CAPÍTULO XVII - Fake News e suas repercussões na
sociedade e a atuação do bibliotecário no seu combate
Antônio Afonso Pereira Júnior

1 INTRODUÇÃO
O que são Fake News? Lembra-se do aforismo de Joseph Goebbels, de
que uma mentira contada mil vezes se torna verdade.
Hitler nomeou Goebbels para o Ministério da Propaganda e Otto Dietrich
para controlar a imprensa. Apesar de Dietrich exercer um papel mais
importante e decisivo, somente o primeiro é lembrado por todos. Isso
deve ao fato de que Dietrich para se livrar da condenação do Tribunal de
Nuremberg imputou todos os crimes a Goebbels, já morto na época do
julgamento. A ele é atribuída a famosa frase: “uma mentira contada mil
vezes se torna verdade”. Uma fake news, um boato, uma mentira de
Dietrich atribuída a Goebbels (HERF apud QUESADA; PISA, 2018, p. 1).

É fato e não boato que elas, as notícias falsas, existem desde de muito
antes de chegarmos ao estado atual e avançado de acesso midiático, quase em
tempo real, das informações e notícias sobre os mais variados temas do
cotidiano. Quantidade exponencial de notícias falsas veiculadas nas redes
sociais.
As redes sociais são modelo de negócios rentáveis na internet, a
mercantilização do mundo digital criou impérios de lucratividade. Crise nas
instituições: imprensa, poder público e falta de liderança corroboraram para o
fenômeno das notícias falsas. As Redes sociais são bolhas digitais que
convergem para pessoas com mesmo pensamento, o que possibilita mais força
para o maniqueísmo ideológico de grupos fundamentalistas na consolidação de
seus valores.
Os

meios

de

comunicação,

instrumentos

criados

para

prestar

informações ao homem, a começar com a criação da imprensa, ainda no século
XIV, passando pelos Correios, telégrafos, rádio, televisão chegaram, agora,
com muito vigor e conteúdo, a internet e redes sociais. E, para piorar, com

�286

uma geração cada vez mais repleta de notícias, mas de pouco conhecimento,
surgem as chamadas fake news.
Segundo o Dicionário de Cambridge (2018), o conceito fake news indica
histórias falsas que, ao manterem a aparência de notícias jornalísticas, são
disseminadas pela internet (ou por outras mídias), sendo normalmente criadas
para influenciar posições políticas e assuntos relevantes para população, como
saúde pública: as mentiras inventadas para abalar a confiança da sociedade
nas campanhas de vacinação.
As fake news correspondem a uma espécie de “imprensa marrom” (uma
expressão de cunho pejorativo, utilizada para se referir a veículos de
comunicação - principalmente jornais, mas também revistas e emissoras de
rádio e TV - considerados sensacionalistas, ou seja, que buscam elevadas
audiências

e

vendagem

através

da

divulgação

exagerada

de

fatos

e

acontecimentos), deliberadamente veiculando conteúdos falsos, sempre com a
intenção de obter algum tipo de vantagem, seja financeira (mediante receitas
oriundas de anúncios), política ou eleitoral.
Em tradução literal, as fake news seriam as notícias falsas, espalhadas
por desconhecimento ou de forma proposital, com um fim específico, muitas
vezes

difamador.

Ganharam

especial

atenção

recentemente,

mais

precisamente na disputa presidencial americana entre Hillary Clinton e Donald
Trump e na saída do Reino Unido da União Europeia, popularmente chamado
de Brexit. Os fatos citados confirmaram os riscos reais da prática de espalhar
fake news. Motivo de preocupação, em todo o planeta, em relação a
disseminação de notícias falsas. As redes sociais foram locupletadas por velhas
práticas políticas de difamação e manipulação de dados. O discurso atinge uma
velocidade exponencial de compartilhamento nas redes e coloca em risco a
credibilidade dos espaços digitais e das informações que nelas circulam. A
massificação de postagens automatizadas por robôs tenta amordaçar a
discussão crítica de temas relevantes para sociedade como política e saúde
pública. Os boatos ocupam a timeline das redes sociais dividindo e usurpando
o espaço das agências de notícias.
A questão que assume primordial importância reside no fato comprovado

�287

de que a criação e disseminação de notícias falsas tem capacidade potencial de
influenciar, por exemplo o resultado de um pleito eleitoral, atingindo o Estado
Democrático de Direito em sua essência: a emanação do poder pelo povo, no
exercício da escolha de seus representantes políticos, que consiste em Cláusula
Constitucional Pétrea (parágrafo único do artigo 1.º, da Constituição Federal
(CF) de 1988). O problema posto é possível a vivência da democracia na
esfera pública, ou é uma utopia numa sociedade pós-moderna?
Devido à facilidade de propagação rápida de informações, a internet é
uma ferramenta muito utilizada atualmente. Este recurso, porém, tem sido
usado para divulgar notícias falsas ou imprecisas, com o objetivo de enganar,
prejudicar, confundir ou, até mesmo, manipular as pessoas.
A liberdade da internet levou a uma ingênua ilusão de que a humanidade
iria atingir um patamar de conhecimento jamais alcançado, levou a gigantesca
frustração que ao invés de proporcionar lucidez estava sendo utilizada para
desinformar. A disseminação de tais notícias tem o potencial de se tornar
“viral”. Viral é um termo que surgiu junto com o crescimento do número de
usuários de blogs e redes sociais na internet. A palavra é utilizada para
designar os conteúdos que acabam sendo divulgados por muitas pessoas e
ganham repercussão (muitas vezes inesperada) na web, principalmente
quando se alinham às ideias de um determinado grupo radical, pois não serão
checadas ou questionadas para serem repassadas. O crescimento do uso de
robôs representa uma grande ameaça à democracia, porque manipula o
processo de formação de unanimidade de ideias e de assuntos relevantes
como eleições para sociedade e dar força as agendas de governos autoritários.
O advento da era digital já dominada pelo conceito de ‘pós-verdade’
(post-truth). Essa denominação ajuda a compreender o risco de crescimento e
avanço das fake news, simbolizando o fato de que a preocupação com a
verdade está perdendo o espaço na sociedade e no debate público. Segundo
Zigmunt Bauman, “a distinção entre a liberdade subjetiva e objetiva abriu uma
genuína caixa de pandora” (BAUMAN, 2001, p. 24). Há um limiar muito tênue,
sem dúvida, entre se controlar a propagação de notícias falsas ou boatos e de
se violar o direito fundamental à liberdade de expressão, sendo a censura um

�288

fantasma sempre a rondar este debate. O controle sempre se dá de forma
posterior (em razão dos direitos de imprensa e livre expressão) à divulgação
das notícias, o que permite sua propagação e desinformação, e com pouca
eficiência, haja vista a existência de outras redes sociais, como WhatsApp que
não possui forma de verificação de conteúdo.
Sendo assim, pretende-se compreender o fenômeno fake news e discutir
as seguintes temáticas: a atuação das empresas de tecnológia para combater
a proliferação da desinformação; o papel dos diversos setores da sociedade e a
nova performance do bibliotecário na educação digital para impedir as
mentiras e garantir a liberdade de expressão e legitimar o Estado Democrático
de Direito. A metodologia desta pesquisa será cotejar fatos e relatos de
pesquisas e trabalhos de autores sobre as fake news ao longo do tempo; e
como as empresas tecnológicas lidaram para barrar as notícias falsas; de como
os bibliotecários estão atuando para combater o fenômeno comunicacional e
das perspectivas de mudanças da legislação vigente no intuito de penalizar os
autores de fake news no ordenamento jurídico brasileiro.
2 FAKE NEWS: FENÔMENO ANTIGO, COMPLEXO E DEVASTADOR
Atualmente, todo mundo diz que estamos na Era da pós-verdade,
infestada de mentiras e ficções enganosas. O fenômeno das fake news não é
novo, desde sempre existiu, só não tinha a capilaridade e velocidade de
espalhar como no presente.
Os humanos sempre viveram na era da pós-verdade. O Homo sapiens é
uma espécie da pós-verdade, cujo o poder depende de criar ficções e
acreditar nelas. Desde a Idade da Pedra, mitos que se autorreforçavam
serviram para unir coletivos humanos. Realmente, o Homo sapiens
conquistou esse planeta graças, acima de tudo, à capacidade exclusiva
dos humanos de criar e disseminar ficções. Somos os únicos mamíferos
capazes de cooperar com vários estranhos porque somente nós somos
capazes de inventar narrativas ficcionais, espalhá-las e convencer
milhões de outros a acreditar nelas. Enquanto todos acreditamos nas
mesmas ficções, todos nós obedecemos às mesmas leis e, portanto,
cooperamos efetivamente (HARARI, 2018, p. 287).

A calúnia, a difamação e a maledicência não são atos que começaram na
atualidade com as redes sociais. Na França do século XVIII, antes da

�289

Revolução

Francesa,

a

mãe

das

revoluções,

publicações

anônimas

denunciavam o Rei Luiz XVI, a nobreza depravada e um clero ganancioso. Os
autores dessas publicações estavam espalhados por toda Europa, destaque
para Londres onde a liberdade de imprensa já era uma realidade conquistada.
Essa literatura “submunda” teve um grande papel para o acontecimento da
Revolução Francesa.
Jean-Charles-Pierre Lenoir, chefe da polícia de Paris de agosto de 1774
a agosto de 1785. Era equivalente ao ministro do Interior moderno.
Durante esse período que coincidiu com a Revolução Americana e o pico
de atividades libelistas em Londres, Leonir descobriu que seria
impossível policiar o comércio de livros sem deixar-se arrastar pelas
intrigas de poder na corte. Nos rascunhos de suas memórias, ele discute
cada um dos ministros de Luís XVI, registrando incidentes que
ocorreriam quando escândalos e injúrias foram se tornando questões
políticas sérias. Desse modo, por mais incompletos que sejam, seus
manuscritos fornecem um rico panorama das políticas de mídia num
momento em que a imprensa começava a emergir como uma força
crucial na história (DARTON, 2012, p. 132).

As notícias falsas sempre foram usadas para desestabilizar o mundo
político, criar factoides é algo muito comum. Avançado no tempo, vamos
discutir sobre a campanha eleitoral de 2016, nos Estados Unidos, ocorreram
várias violações de privacidade eletrônica, feita por órgãos americanos, ou
russos com intuito de fraldar informações e envenenar o pleito eleitoral.
Os vazamentos de e-mails ocorridos na campanha presidencial de 2016
também foram uma forma poderosa de desinformação. As palavras
escritas numa situação só fazem sentido naquele contexto. O próprio ato
de retirá-las de seu momento histórico e divulgá-las em outro é um ato
de falsificação. E, pior, quando os meios de comunicação cobriram os
vazamentos eletrônicos como se fossem notícias, traíram sua própria
missão. Em vez de noticiar a violação de direitos básicos nossa mídia, de
modo geral, preferiu entregar-se de forma imprudente ao interesse
inerentemente obsceno que temos pela vida alheia (SYNDER, 2017, p.
85).

A tecnologia está programando cada vez mais o dia a dia, além disso
estabeleceu um novo conceito, a pós-verdade, uma nova forma de mentir, ou
de relativizar a verdade?
Vivemos em uma era de fragilidade institucional. As instituições da
sociedade agem como anteparos. São os órgãos que encarnam seus
valores e suas continuidades. Lançar luzes sobre seus fracassos, sua
decadência e seu colapso absoluto é intrinsecamente perturbador. Mas
isso não é tudo. A pós-verdade floresceu nesse contexto, quando os
firewalls e os anticorpos (misturando metáforas) se enfraqueceram.

�290
Quando os supostos fiadores da honestidade vacilam, o mesmo
acontece com a verdade. O filósofo A. C. Grayling talvez tenha razão ao
identificar a crise financeira com o momento germinal que levou, em
questão de anos, à era da pós-verdade. O mundo mudou depois de
2008, ele disse à BBC, em janeiro de 2007 – e assim foi (D’ANCONA,
2018, p. 45).

O colapso de regimes democráticos atualmente não termina com uma
ruptura brutal e violenta através de um golpe militar. No presente, a escalada
da tirania se dá com o enfraquecimento lento e gradual das instituições
democráticas, imprensa e do poder judiciário através da desinformação.
As salvaguardas constitucionais em si mesmas são suficientes para
garantir a democracia? Nós acreditamos que a resposta seja não.
Mesmo constituições bem projetadas por vezes falham nessa tarefa. A
Constituição de Weimar da Alemanha de 1919 foi projetada por algumas
inteligências legais mais destacadas do país. Seu duradouro e
conceituado Rechtsstaat (estado de direito) foi considerado para muitos
o suficiente para impedir abusos governamentais. Porém, tanto a
Constituição quanto o Rechtsstaat entraram rapidamente em colapso
com a usurpação de poder por Adolf Hitler em 1933 (LEVITSKY;
ZIBLATT, 2018, p. 99).

Vamos analisar nos próximos parágrafos como combater esse mal do
século XXI. Os projetos apresentam espaço para interpretações, como penas
maiores para casos que ‘distorçam gravemente a verdade’, mas quem definirá
o que é verdade? Verdade para quem?
O maior perigo da era da pós-verdade é que o nosso sentido do olfato
falhou. Nós nos tornamos indiferentes, ou nos acostumamos, ao “fedor
das mentiras”, resignados à atmosfera malcheirosa de afirmações de
verdades conflitantes. Em outras palavras: as chamas do colapso
democrático ainda não estão consumindo a nossa sociedade. No
entanto, nosso detector de fumaça coletivo está com defeito
(D’ANCONA, 2018, p. 121).

As universidades de Princeton e Nova York publicaram na revista Science
Advances, em janeiro de 2019, relata que os grandes compartilhadores de
notícias falsas na internet são os idosos (IDOSOS..., 2019). Aqueles que têm
idade superior a 65 anos compartilharam sete vezes mais fake news do que
aqueles com idade entre 18 e 29 anos. WhatsApp e Facebook são redes sociais
de difícil aprendizado para os que não são nativos digitais, geração que nasceu
na era digital.
A falta de conhecimento das pessoas mais idosas pode ser uma das
responsáveis pela viralização das fake news. O fluxo de informação no

�291

WhatsApp é menos intuitivo que nas outras redes, ou ainda por ser mais
informativo e menos contemplativo e de entretenimento. Uma segunda
possibilidade descrita pelo estudo se relaciona com a psicologia cognitiva e
social, ou seja, os efeitos do envelhecimento na memória. Os pesquisadores
observaram que a deterioração da memória trazida pela idade pode limitar a
capacidade de resistir as mentiras, entre outros efeitos ligados a ideologia e ao
conservadorismo, resumindo, suas crenças ajudam na propagação das notícias
falsas.
Dinheiro combinado com polarização é um terreno fértil para a
desinformação e a propagação de mentiras nas questões de relevância para
população, por exemplo: saúde e o caso das mentiras sobre a vacinação; ou
nas eleições, como ocorreu na vitória de Donald Trump e no Brexit, que
permitiu a saída do Reino Unido da União Europeia. Existem dois caminhos
para combater essa indústria da mentira: para a pessoa ou organização que
espalhou fake news cabe ao Estado avaliar e impor penalidades aos
propagadores de mentiras e fazê-los ressarcir o dano acarretado seja ao
indivíduo e/ou à coletividade; o outro caminho é o processo educativo, a
educação

para

a

cidadania.

Contribuir

para

a

formação

de

cidadãos

responsáveis, críticos e solidários, que conhecem e exercem os seus direitos e
deveres numa dialética de respeito com a sociedade pluralista, heterogênea e
democrática. Vamos ver como a educação digital pode ser uma arma para
debelar as notícias falsas.

3 COMBATE ÀS FAKE NEWS
A necessidade de uma educação digital para este público que são
considerados analfabetos digitais. E também para os nativos digitais, que
também propagam notícias falsas mesmo com a capacidade cognitiva boa e
compreensão melhor do mundo digital. A inclusão digital é um fenômeno social
que tomou conta do Brasil nos últimos anos. O país tem hoje dois dispositivos
digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e

�292

tablets. Em 2019, a nação brasileira tinha 420 milhões de aparelhos digitais
ativos. (WOLF, 2019). Entre os aparelhos, o uso de smartphone se destaca:
segundo o levantamento, há hoje 230 milhões de celulares ativos no País
operando no país em 2019 (WOLF, 2019). Existem mais telefones móveis
(celulares) do que brasileiros. Assim, cada vez mais as novas mídias são
consumidas por pessoas mais velhas, que iniciam sua vida digital com
aplicativos populares como Facebook e WhatsApp.
A população deve exigir do poder público a oferta de uma educação
digital para compreender o fenômeno Fake News e combatê-lo em todas faixas
etárias. E das empresas de tecnologia, o auxílio na busca de procedimentos
para a reprimir a disseminação das notícias falsas, preservando sempre as
garantias de liberdade de imprensa e livre manifestação do pensamento. O
ordenamento jurídico brasileiro tem mecanismos para impedir e penalizar a
disseminação de mentiras pela internet. As grandes instituições tecnológicas
têm como criar barreiras para impedir a proliferação das fake news.
Identificar os robôs torna-se um desafio crucial, pois esse tipo de
mecanismo cada vez mais sutil e capaz de replicar o padrão humano com
precisão. Diferenciar o dado real do manipulado é fundamental para combater
a desinformação. Neste aspecto, as plataformas digitais têm como rastrear tais
artifícios tecnológicos.
O Facebook, divulgou nota em outubro de 2019, um novo pacote de
recursos e a modernização de suas funções direcionadas ao combate do
alastramento das notícias falsas. A partir de agora, a plataforma vai identificar
quaisquer matérias com conteúdo falsos, com mais clareza para seus usuários,
através de algoritmos e inteligência artificial para identificar e colar um selo de
falsidade na postagem compartilhada. Portanto, nota-se que é necessário um
movimento de

todos

contra

disseminação

de notícias

falsas.

Para

os

conglomerados tecnológicos é vital a transparência e confiança nas marcas,
para oferecer e vender seus produtos e serviços. Além, do selo de atestado de
mentira, já mencionado, o Facebook mantém por 7 anos uma biblioteca de
anúncios das eleições, para quem quiser verificar fraudes cometidas no período
eleitoral. Vejamos, a seguir mais ações de combate as fake news no Brasil. A

�293

Rede social de Mark Zuckerberg tem banido vários perfis de políticos de
extrema direita em vários países, inclusive no Brasil. Uma busca pela
credibilidade e respeito aos direitos civis tem forçado a plataforma a efetivar
uma resposta contundente no intuito de não perder mais usuários e
patrocinadores.
Como combater a desinformação que é nociva aos princípios da
Democracia, sem inviabilizar direitos fundamentais como a liberdade de
expressão? No tocante à responsabilidade civil, quem produz ou compartilha
informações falsas pode ser condenado a ressarcir a vítima se houver danos
morais ou materiais. “Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a
expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não
sofrerão nenhuma restrição [...]” (BRASIL, 1988). Contudo, é necessário
esclarecer que esse direito deve respeitar:
a) a vedação ao anonimato;
b) o direito de resposta proporcional ao agravo;
c) o direito à indenização por dano material, moral ou à imagem;
d) a inviolabilidade da intimidade, da vida privada e da honra das
pessoas.
A responsabilização por publicação de fake news pode gerar dúvidas a
respeito do direito à liberdade de expressão e pensamento. É claro que a
liberdade de manifestação do pensamento é o direito de qualquer um
manifestar livremente suas opiniões, ideias e pensamentos sem medo de
retaliação ou censura. Mas é importante esclarecer que o direito à liberdade de
manifestação e pensamento previsto na Constituição e em outros dispositivos
legais, não autoriza ofensas que possam ferir a honra e dignidade de uma
pessoa. Se ao exercer a liberdade garantida na Constituição uma pessoa
ofender a dignidade de outra, surge então o direito de indenização que pode
ser configurado em dano moral e/ou material, sendo que estes não se
confundem e podem ser cumulados em um único processo civil.
Conforme o nosso Código Civil de 2002, o dano moral é aquele que afeta
a personalidade, a moral e a dignidade da pessoa e decorre da própria ofensa,
pela força dos próprios fatos. A princípio, não é necessária a apresentação de

�294

provas que demonstrem a ofensa moral da pessoa. O próprio fato já configura
o dano. Na indenização por dano moral, deve ser analisada a ofensa à honra
subjetiva (apreço à própria dignidade) e a honra objetiva (valoração de
terceiros, reputação, a boa ou má fama). O dano moral também não se
confunde com o mero aborrecimento ou dissabor. O mero aborrecimento
cotidiano é entendido como fato imperceptível, que não atinge a personalidade
do indivíduo, sendo um fato da vida e, portanto, não repercutindo ou alterando
o aspecto psicológico ou emocional de alguém. Na prática, em uma demanda
judicial o caso será analisado minunciosamente através de ampla defesa e
contraditório para que se possa chegar a uma decisão justa para o caso
concreto, evitando-se, assim, que haja um incentivo à indústria do dano moral,
bem como que lesão à dignidade da pessoa fique impune.
O Código Eleitoral, Lei nº 4.737/65, possui alguns tipos penais que
enquadram na prática de produzir e compartilhar fake news. O grande
problema do crime é a demora para punir os malfeitores. Os efeitos com a
demora da punição para desfazer o mal para as organizações e/ou indivíduos
atacados podem ser extremamente danosos. Ocorrendo descumprimento das
normas previstas na Lei das eleições, é possível a suspensão de todo o
conteúdo veiculado por uma empresa (portal, site, rede social ou outro tipo de
mídia). São legitimados para ingressar com a ação específica (representação
eleitoral), o Ministério Público, candidato, partido político ou coligação
participante do pleito, devendo ser observado o rito previsto no art. 96, da Lei
Eleitoral (art. 31, Resolução).
O Marco Civil da Internet, que ocorreu com a edição da Lei nº 12.965/14,
que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet
no Brasil. Segundo a legislação, o uso da Internet é permeado por inúmeros
princípios, como a preservação e a garantia da neutralidade da rede (art. 3.º,
inciso IV, Lei nº 12.965/14) e a liberdade de expressão, comunicação e
manifestação de pensamento (art. 3.º, inciso I, Lei nº 12.965/14), e tem como
objetivos o acesso à informação, ao conhecimento e à participação na vida
cultural e na condição dos assuntos públicos (art. 4.º, inciso II, Lei nº
12.965/14). No que se refere ao presente estudo, o artigo 19 da Lei que

�295

instituiu o Marco Civil da Internet traz importante norma referente ao combate
e à disseminação de informações falsas:
Art. 19. Com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir
a censura, o provedor de aplicações de Internet somente poderá ser
responsabilizado civilmente por danos decorrentes de conteúdo gerado
por terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar as
providências para, no âmbito e nos limites técnicos do seu serviço e
dentro do prazo assinalado, tornar indisponível o conteúdo apontado
como infringente, ressalvadas as disposições legais em contrário
(BRASIL, 2014).

O Senado aprovou em 30 de junho de 2020, em sessão deliberativa
remota, o projeto de lei de combate às fake news. O Projeto de Lei (PL) nº
2.630/2020

cria

a

Lei

Brasileira

de

Liberdade,

Responsabilidade

e

Transparência na Internet, com normas para as redes sociais e serviços de
mensagem como WhatsApp. A intenção é evitar notícias falsas que possam
causar danos individuais ou coletivos e à democracia. O texto segue para a
Câmara dos Deputados.
A proposta aprovada pelos senadores conseguiu passar sem tipificar
criminalmente a conduta de disseminação de notícias falsas nas redes sociais.
O acordo dos parlamentares previu a edição de uma nova lei para tratar
especificamente

dos

tipos

penais relacionados

à

prática de

criação

e

disseminação de fake news. Especialistas da área de Direito dizem que o PL nº
2.630/2020 apresenta lacunas não pacificadas. Entre os pontos problemáticos,
estão o cadastro de usuários o artigo 7 do PL, a criação do Conselho de
Transparência, no artigo 25, que podem prejudicar a privacidade do usuário e
a proteção de dados na Internet, além da violação da jurisdição do território
estrangeiro, artigo 32. Uma ansiedade da classe política para criminalizar as
fake news. De maneira geral, tais iniciativas, sem dúvida, contribuirão para a
redução do impacto da criação e disseminação de notícias falsas. Poder
Legislativo cria de mecanismos legais para tornar eficaz ao máximo o combate
à desinformação. Sem dúvida, o maior problema sobre o combate e a
disseminação de notícias falsas é o choque de princípios constitucionais, como
a liberdade de expressão.
É preciso combater a desinformação e adotar os novos parâmetros de
controle de informação nas redes sociais no intuito de preservar a liberdade de

�296

expressão e pensamento. Em parte da Europa nota-se uma busca pela
harmonia das empresas de tecnologia e a população. Um aprendizado
constante para minimizar os efeitos nefastos das notícias falsas. A Malásia
adotou uma rigorosa penalidade para os crimes envolvendo fake News. O
Parlamento malaio aprovou, em abril de 2018, uma lei punindo a propagação
de informação parcial ou totalmente falsa com penas de até seis anos de
prisão e multas de US$ 130 mil (cerca de R$ 500mil). A lei foi condenada por
grupos internacionais de direitos humanos como uma tentativa de silenciar
críticos a governos autoritários. As entidades acreditam que devem afastar a
criminalização das notícias falsas e buscar amparo no direito civil e na
educação digital. O diálogo do poder público com as plataformas digitais no
intuito de unir esforços no combate da desinformação. O trabalho em conjunto
de toda sociedade na luta pelo contra a desinformação e manter o princípio
basilar da democracia, a liberdade de expressão e pensamento.

4 O BIBLIOTECÁRIO NO COMBATE DAS FAKE NEWS
O bibliotecário no passado era chamado de guardião do conhecimento,
na atualidade somos filtros de verificação de autenticidade de conteúdo. Várias
práticas

pelo

mundo

de

sucesso

dos

bibliotecários

no

combate

a

desinformação. A International Federation of Library Associations (IFLA) está
muito preocupada com o risco crescente do compartilhamento de notícias
falsas na internet. A IFLA entende que o acesso à informação e a liberdade de
expressão é um direito de todos. A entidade desenvolveu um infográfico para
detectar as fake news, alternativa baseada na convicção de que a educação é a
melhor forma para combater a desinformação. O infográfico teve grande
sucesso, foi traduzido para 37 idiomas e apresentado em inúmeros boletins
informativos, bibliografia de cursos de jornalismo e biblioteconomia. E como
algumas pessoas não têm as habilidades necessárias para identificar as fake
news a entidade elaborou um infográfico com linguagem simples e direta para
evitar a desinformação.

�297
Figura 1 – Como identificar notícias falsas

Fonte: (IFLA, 2018a).

No Vietnã, os professores de Biblioteconomia da Universidade de Danang
utilizaram o infográfico da IFLA para elaborar aulas sobre alfabetização
informacional e compartilhar os riscos associados à incapacidade de reconhecer
as partes falsas das notícias. Estudantes de Biblioteconomia da Universidade
de Stuttgart, elaboraram folhetos inspirados no infográfico da IFLA e
compartilharam
bibliotecários

na

comunidade

escreviam

artigos

local,
de

ao

mesmo

pesquisa,

tempo

em

compartilhava

que

os

boletins

informativos sobre o tema. As bibliotecas públicas da Malásia colocaram
pôsteres com notícias falsas para atrair a atenção dos estudantes e como eram
prejudiciais para sociedade. As bibliotecas da Geórgia compartilharam o
infográfico da IFLA em suas redes sociais (IFLA, 2018a).
A atuação do bibliotecário está voltada para cidadania, segundo Corrêa e
Custódio

(2018).

O

bibliotecário

proporciona

a

formação

de

cidadãos

autônomos para a busca e acesso à Informação, de maneira consciente e
crítica para utilização da informação em prol da coletividade. Bibliotecários
podem motivar os indivíduos na busca da informação nas fontes confiáveis e

�298

proporcionar o conhecimento e a construção de novos saberes. Assim, devem
dominar as ferramentas úteis contra a desinformação, além de aprender e
replicar o conhecimento para a sociedade.
A missão do bibliotecário nos dias de hoje, disposto de um leque infinito
de interagentes com acessos aos mais diversificados conteúdos online
deve ser repensada em torno de uma nova configuração de
competências direcionadas a esta realidade, caracterizada por um
contexto político, econômico, social e cultural específicos da era da pósverdade e que possam prover às comunidades respostas às suas
demandas informacionais (CORRÊA; CUSTÓDIO, 2018, p. 15).

No Brasil, as associações de bibliotecários de vários Estados, a Federação
Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e
Instituições (FEBAB), o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) e os
Conselhos Regionais de Biblioteconomia (CRB’s) promovem palestras e
campanhas no combate a desinformação. Agora, seria importante que as
bibliotecas públicas, escolares, universitárias e especializadas fossem centros
de combate à desinformação, estimulando um movimento viável, amplo e que
atingisse toda a sociedade nos seus diversos segmentos. Uma ação recente
que serve de modelo é o trabalho da Biblioteca do Senado que abriu o acesso
de fontes primárias nacionais e estrangeiras sobre informações confiáveis
sobre pandemia do Coronavírus.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É inegável que o Direito e a Tecnologia têm entre si diferença abismal em
relação às velocidades de renovação e capacidades de lidar com as inovações.
Pode-se concluir que o ordenamento jurídico brasileiro tem alicerces e
ferramentas para coibir e punir a disseminação de notícias falsas. O princípio
democrático é a verdadeira pedra angular constitucional, sendo fundamento de
validade de todas as normas do ordenamento jurídico, e da própria
Constituição, os direitos e garantias não são absolutos, o ordenamento
jurídico, aliado aos instrumentos processuais da tutela de urgência, soluciona
com tranquilidade os abusos praticados no âmbito das liberdades de imprensa

�299

e manifestação do pensamento, seja pela vedação constitucional ao anonimato
(art. 5.º, IV, CF), seja pela preservação do direito de resposta e indenizações
(art. 5.º, V, CF).
O ponto crítico referente às eleições vindouras estará mais centralizado
na capacidade de nosso Poder Judiciário de dar respostas rápidas à
proliferação de fake news, que se vale de mecanismos virais de replicação e
colocará à prova a capacidade de nossos magistrados de lidar com as inúmeras
demandas por tutelas de urgência que haverão de surgir. A questão encontrase focada não em novas leis, mas na adequação técnica daquelas já
existentes, atribuindo às ordens judiciais eficácia máxima.
Solução
provedores

em
de

entender

conteúdo

e

redesenhar

devem

as

plataformas

estabelecer-se

como

digitais.

parceiros

Os
das

autoridades, pôr em prática o combate efetivo da propagação de notícias
falsas, máxima eficácia e celeridade das emanações do Poder Judiciário.
A preservação da vontade da maioria é dever de todos, tanto dos
governantes, quanto da sociedade civil organizada, e até mesmo de cada
indivíduo, sendo que se deseja a preservação do princípio democrático, da
liberdade de escolha, da liberdade de pensamento, manter os direitos e
garantias fundamentais, que são alicerces do Estado Democrático de Direito.
A área de atuação do bibliotecário começa aqui, conscientização, o
profissional da informação será um tutor digital. Uma grande possibilidade do
trabalho coletivo em rede, por exemplo uma rede de bibliotecários atuando nas
bibliotecas escolares, universitárias e públicas para informar e esclarecer suas
comunidades diante de boatos espalhados. Ensinar as pessoas a checar as
notícias, nós vários sites de checagem de fatos, os fact-checking, agências de
jornalismo cujo objetivo é verificar a veracidade das informações. No país,
temos várias agências de avaliação de notícias, por exemplo: Fato ou Fake do
grupo Globo, O truco da Agência Pública, Agência Lupa que fica hospedada nos
sites do jornal Folha de São Paulo e da Revista Piauí, Aos Fatos uma
organização de jornalistas independentes, entre outros. A educação digital terá
que acompanhar todas faixas etárias da população. O bibliotecário será o ator
para promover programas nas instituições educacionais visando o combate as

�300

fake news. Para isso, o bibliotecário deverá dominar o conhecimento legislativo
sobre o assunto, conhecer bem as técnicas de emulação de verdade, o
funcionamento das redes sociais, os algoritmos que estão por trás do
compartilhamento das fake news, manter a imparcialidade, pois pessoas
extremamente ideológicas são mais suscetíveis as armadilhas das mentiras
espalhadas na internet.
O fenômeno da fake news é uma grande oportunidade para discutir a
relevância da internet e das redes sociais, como força de democratização da
informação. Um debate sério com todos atores da sociedade envolvidos (poder
público, impressa, grupos tecnológicos, sociedade civil) na busca de combater
a desordem informacional e propor um novo pacto social para informação. As
fake news devem ser encaradas como uma epidemia global e que, portanto,
requer atenção de todos. Não existe uma bala de prata ou um tiro certeiro que
acabará com esse fenômeno complexo de uma vez, talvez minimizar, mas
dependerá

de

um

esforço

geral.

Os

veículos

de

comunicação

devem

reestabelecer diálogo e credibilidade com a população. A volta de um
jornalismo investigativo de qualidade, um dos melhores remédios para
combater as notícias falsas. Os conglomerados de tecnologia como Google,
Facebook, Apple, Samsung e Microsoft precisam propor formas para inibir a
propagação em escalabilidade exponencial desse conteúdo falso. Os órgãos
públicos de todos países precisam fiscalizar e punir os responsáveis pelas fake
news.
Os usuários devem adquirir uma educação digital para identificá-las,
atuando no combate da desinformação. Trata-se de um novo nicho de mercado
para bibliotecários, pois são os arquitetos dos repositórios de informação
científica, jurídica, literária, cultural e educacional. A partir deste momento,
serão grandes filtros da qualidade da informação, atuando na educação digital
para o combate da desinformação, garantindo a liberdade de expressão e
pensamento no Estado Democrático de Direito brasileiro, priorizando os fatos e
não os pontos de vistas mal-intencionados com interesses escusos.

�301

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GOMES, Helton Simões. Facebook e Google miram modelo de negócio das
notícias falsas; entenda. G1, 2 abr. 2017. Disponível em:
https://g1.globo.com/e-ou-nao-e/noticia/facebook-e-google-miram-modelode-negocio-das-noticias-falsas-entenda. ghtml. Acesso em: 22 jul. 2017.
HARARI, Yuval. 21 lições para o século 21. São Paulo: Companhia das
Letras, 2018.
IDOSOS são mais propensos a espalhar notícias falsas, diz estudo. BBC News
Brasil, 12 jan. 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil46849533. Acesso em: 20 jan. 2020.
IFLA. IFLA statement on fake news. 2018a. Disponível em:
https://www.ifla.org/ files/assets/faife/statements/ifla-statement-on-fakenews.pdf. Acesso em: 02 abr. 2019.
IFLA. Soluções reais para as fake news: como as bibliotecas podem ajudar.
Tradução: Tatiani Meneghini. São Paulo: Conselho Regional de Biblioteconomia
8ª Região, 25 maio 2018b. Disponível em: http://www.crb8.org.br/solucoesreais-para-as-fake-news-como-as-bibliotecas-podem-ajudar/. Acesso em: 10
fev. 2020.
LEVITISKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. São
Paulo: Zahar, 2018.
QUESADA, Miguel; PISA, Licia Frezza. Fake News Versus MIL: a difícil tarefa de
desmentir Goebbels. In: CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA
REGIÃO SUDESTE, 23., 2018, Belo Horizonte. Anais [...]. São Paulo:
Intercom, 2018. Disponível em:
https://portalintercom.org.br/anais/sudeste2018/resumos/R63-1627-1.pdf.
Acesso em: 03 jun. 2019.
SNYDER, Timothy. Sobre a tirania: vinte lições do século XX para o presente.
São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
WOLF, Giovanna. Brasil tem 230 mil de smartphones em uso. Estadão, 26
abr. 2019. Disponível em: https://economia.uol.com.br/noticias/estadaoconteudo/2019/04/26/ brasil-tem-230-mi-de-smartphones-emuso.htm#:~:text=Entre%20os%20aparelhos%

�303

2C%20o%20uso,ativos%20em%20rela%C3%A7%C3%A3o%20a%202018.
Acesso em: 03 jun. 2019.

DADOS BIOGRÁFICOS

Antônio
Afonso
Pereira
Júnior
Júnior::
Graduado
em
Biblioteconomia e Especialização em Arquitetura e
Organização da Informação pela Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais –
ECI/UFMG. Mestrando do Programa de Pós
Pós-Graduação em
Gestão e Organização do Conhecimento
Conhecimento- PPGOC da
ECI/UFMG. Bibliotecário do Acervo de E
Escritores
scritores Mineiros da
Faculdade de Letras da UFMG. Atualmente Conselheiro
Federal da 18ª Gestão do Conselho Federal de
Biblioteconomia – CFB, atuando na comissão de divulgação
e valorização do profissional.
E
E-mail: antonioapjr@yahoo.com.br

�304

CAPÍTULO XVIII - Novos negócios em uma era de incertezas
Guilherme Alves de Santana
Ketiane Santiago Ventura Alves

1 CERTEZAS E INCERTEZAS NUM MERCADO DIGITAL
A única certeza é a incerteza. A estabilidade real é a instabilidade. Essas
afirmações destacadas por pensadores e futurólogos (MATTOS, 2017) em anos
anteriores se confirmaram durante o ano de 2020 com a pandemia oriunda do
vírus Covid-19. Rubem Bauer (1999) já havia alertadoque a década de 2000
levaria as empresas para um contexto de caos e complexidade digital, e que
enfrentariam um ambiente mercadológico mais digital e inovador.
Estar atento para as mudanças e rupturas que acontecem no modelo de
negócios de concorrentes, processos de entrega de fornecedores e no
comportamento do usuário, pode definir se uma organização terá vitalidade
para competir ou não no mercado digital (MATTOS, 2017).
Neste sentido, ter as habilidades de resiliência, equilíbrio e inteligência
emocional, raciocínio lógico, experiência do usuário, que já eram necessárias
para atuar com empresas no ambiente digital, agora serão ainda mais exigidas
em ambientes governamentais, empresariais e universitários. É neste ponto,
que pode se inserir profissionais com competências informacionais, como os
bibliotecários, uma vez que novos problemas exigem soluções e perfis
diferentes.
Com as mudanças do comportamento dos consumidores por conta dos
novos hábitos adquiridos durante a pandemia, empresas já estão reavaliando
ações que envolvem marketing digital e gestão de mídias sociais. A
necessidade de buscar a transformação digital urge e esta pode ser uma
lacuna preenchida por profissionais da informação, como os bibliotecários.
Estes

deverão

desenvolver

estratégias

e

colocar

relacionamento e fidelização de clientesem prática.

ações

de

atração,

�305

2 INOVAÇÃO NA ERA DA INFORMAÇÃO
Desde a globalização e a difusão da internet no mundo, empresas
passaram a ter concorrentes de qualquer lugar do planeta.Profissionais e
empreendedores

brasileiros,

por

exemplo,

passaram

a

concorrer

com

profissionais da China, Índia, Estados Unidos,dentre outros países, levando a
inovação

a

tornar-se

uma

estratégia

essencial

para

empreendedores

(tradicionais, sociais ou de startups) e um diferencial competitivo e sustentável
(CHRISTENSEN, 2011).
Christensen

(2011)

destaca

ainda

que

a

inovação

não

é

algo

inerentemente previsível e que as estratégias de ruptura, se bem utilizadas,
podem derrotar concorrentes mais fortalecidos. Este conceito de ruptura está
baseado na realização de um trabalho na base do mercado. Por este motivo,
para o autor, a relação entre consumidor e produto precisa ser ajustada entre
profissionais e empresas, uma vez que é preciso entender que na verdade as
empresas realmente querem é achar o produto que as pessoas necessitam
para fazer determinadas tarefas.
De acordo com o Manual de Oslo, documento criado pela Organização
para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD), que visa oferecer
diretrizes para a coleta e interpretação de dados sobre inovação, o ato de
inovar ocorre na implementação de uma novidade ou melhoria em algum
produto, serviço, processo, marketing ou no operacional (OECD, 2006). Neste
contexto, a inovação nas organizações representa algo que vai muito além da
adoção de novas tecnologias e pode ser entendida como toda e qualquer
modificação que tenha o intuito de atender às atuais necessidades de mercado,
buscando modos diferentes de atrair potenciais consumidores e manter os que
já estão fidelizados.
Avançando cronologicamente, chegamos a complexidade mercadológica
gerada pela pandemia e o quanto a mesma suscitou a obrigação de
transformação digital das empresas. Organizações passaram a conhecer
tecnologias que outras empresas já vinham utilizando como big data,
inteligência artificial, blockchain, internet das coisas, robótica, genética,

�306

biotecnologia, energias renováveis, chatbots, realidade mista (virtual ou
aumentada), moedas virtuais, impressão 3D, drones, mobiles, aplicativos, ecommerce, ferramentas proprietárias.
No entanto, ainda que estas tecnologias sejam necessárias, empresas
que ainda não migraram para o digital,apresentam maior dificuldade na
introdução de tecnologias e de ações de inovação. Alguns fatores como
pensamento tradicional,receio de mudança, falta de pessoas e equipes
qualificadas levam a uma descrença de que inovar é o melhor caminho para
lidar com as incertezas do futuro. Por tal motivo, profissionais que lidem com
esse cenário adverso são necessários e são estes que ajudarão empresas no
mundo todo a se reinventarem para sobreviver numa economiamais complexa.

3 INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO EM EMPRESAS BRASILEIRAS
O desenvolvimento e popularização do empreendedorismo começou na
década de 90 no Brasil, tendo crescimento exponencial durante os anos
seguintes. Podemos compreender que ato de empreender vai muito além da
ação de abrir uma empresa, pois ocorre quando se identifica novas
oportunidades, tem iniciativa, elabora novos processos dentro da organização,
lideram-se pessoas, se assumem riscos calculados, utiliza-se uma rede de
conexões, atinge-se uma independência. O empreendedorismo desempenha
um papel importante dentro das organizações privadas, que através de ações
inovadoras buscam aumento da competitividade e desenvolvimento de
talentos.
Embora existam dificuldades na implantação da inovação, as empresas
de micro e pequeno porte são as que mais geram empregos e renda e que de
fato movem a economia brasileira. Assim, ao longo das últimas décadas, uma
série de políticas públicas e ações de fomento surgiram, acarretando no
surgimento de diversas outras empresas. A Lei da Inovação (Lei nº
10.973/2004), por exemplo, permite uma maior interação entre empresas e os
Instituições

de

Pesquisa

Científica

e

Tecnológica(ICTs),

propiciando

�307

mecanismos de fomento e financiamento para a realização de pesquisas de
desenvolvimento e inovação.
Os empreendedores brasileiros podem contar com outros auxílios na
busca de alcançar a inovação. Com foco em estimular a economia e reduzir a
informalidade, foi criada a Lei Complementar nº 123/2006, também conhecida
como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que estabelece um tratamento
diferenciado e favorecido. Instituições como Fundações de Amparo à Pesquisa
(FAPs), ICTs, Universidades, instituições do Sistema S, como o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), compõem um
ecossistema de inovação e empreendedorismo capaz de estimular a geração de
ideias, abertura de novas empresas e surgimento de talentos.
Na busca pela inovação, as organizações também passaram a contar
com o fortalecimento de ecossistemas de inovação e arranjos produtivos
locais,

gerando

a

formação

de

novos

polos

e

parques

tecnológicos

universitários, empresariais ou governamentais. Vide os ecossistemas do Porto
Digital (Recife-PE), Sururu Vale (Alagoas), Jerimum Vale (RN), San Pedro
Valley (Belo Horizonte-MG), Campina Grande (Paraíba), e obviamente os polos
de tecnologia Capital da Inovação(Florianópolis/SC), Rio de Janeiro e São Paulo
(destacando a Rua Faria Lima), Uber Hub (Uberlândia-MG), Vale da Eletrônica
(Santa Rita do Sapucaí/MG) Parque Tecnológico de São José dos Campos/SP,
Fundação UNICAMP (Campinas-SP), Tecnopuc (Porto Alegre/RS), Vale do
Dendê (Salvador/BA) e Curitiba e Foz do Iguaçu (Paraná). Nestes ambientes,
instituições se uniram para possibilitar o desenvolvimento e o aprendizado em
inovação.
Diante do exposto, é notório que apesar das condições adversas de
empreender no Brasil, empreendedores nacionais podem fazer uso destes
estímulos governamentais e se conectar com instituições de apoio para que
consigam manter sua competitividade, bem como aprender como implementar
a inovação na suacultura organizacional.
Vale

ressaltar

que

o

empreendedorismo

se

faz

presente

em

universidades, no governo e na sociedade. No que tange as Instituições de
Ensino, é possível ver uma inserção do empreendedorismo em alguns cursos,

�308

tanto na área de ensino, pesquisa e extensão. Esta realidade vem despertando
um senso de criação de negócios e desenvolvimento de ideiasno corpo discente
universitário. O que é o caso dos profissionais que vem se formando nos
cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação. As características
peculiares que formam o empreendedor, tais como a autoconfiança, otimismo,
persistência e persuasão, também podem ser vistas em bibliotecários Brasil a
fora.
O que é mais relevante salientar é que o empreendedorismo já foi visto
por muitos como uma competência herdada geneticamente, mas hoje já se
sabe que pode ser adquirida e potencializada através de estudos, práticas e
contato social. Saras Saravathy, pesquisadora da Universidade de Virginia,
cunhou o termo Efffectuation para o ato de aprender o empreendedorismo na
prática, levando em consideração princípios como começar com o que se tem,
estabelecer metas e provisões, potencializar parcerias e definir perdas
aceitáveis (SARASVATHY, 2008). Acerca deste resultado, é possível afirmar
que bibliotecários podem se inserir fortemente e desenvolver as características
que envolvem empreender.

4 COMO OS BIBLIOTECÁRIOS SE INSEREM NESTE CONTEXTO DE
MUDANÇA?
As mudanças no comportamento do consumidor refletem diretamente na
atuação de profissionais da informação em frentes de trabalho que envolvem o
marketing digital e as mídias sociais. Habilidades que envolvem produção,
comunicação e uso da informação estão sendo ainda mais requeridas em
empresas brasileiras, uma vez que tratar, processar, categorizar e adotar
estratégias que facilitem a recuperação da informação são demandas de
qualquer organização.
Logo, é possível afirmar que profissionais bibliotecários podem se
enquadrar no nicho de atuação em marketing digital por terem versatilidade de
conhecimentos

em

organização,

tratamento,

categorização,

análise,

�309

disseminação,

representação

e

recuperação

da

informação

(LOUREIRO,

JANNUZZI, 2005; SANTOS, BARREIRA, 2019). Vale destacar que esta
constatação é embasada no perfil e currículo do profissional de biblioteconomia
e Ciência da Informação.
Correlacionando o perfil do bibliotecário com demandas de mercado,
nota-se a possibilidade deste profissional atuar com inovação empresarial,
levando atransformação digital para empresas de qualquer porte. Sendo assim,
bibliotecários e bibliotecárias devem buscar se capacitar e desenvolver ainda
mais em transformação digital e se inserir em contextos empresariais que
envolvam o marketing digital em mídias sociais. Para exemplificar, listam-se a
seguir algumas das áreas que os profissionais de Biblioteconomia podem
atuar:


Planos

de

estratégias
tecnológicas

marketing
e

táticas,
digitais

e

estratégias

posicionamento,
de

comunicação

de

marketing

segmentação,
e

digital:

plataformas

informação,

cultura

digital,gerenciamento do processo de comunicação digital, marketing
viral, WEB marketing e mobile Marketing;


Comportamento

do

consumidor

e

design

de

interação:

Cibercultura, tecnologias digitais eDesign de Interação;


Comércio eletrônico: e-commerce, e-business, modelo de transação
digital, segurança transacional;



Gestão

de

serviços,

preços

e

endomarketing:

marketing

de

Serviços, gestão da qualidade, monitoração da satisfação do cliente,
produtividade em serviços, recuperação e relacionamento com clientes,
tangibilização dos serviços, processos organizacionais;


Marketing de conteúdo: inbound marketing, definição das personas,
planejamento de Funis TOF, MOF e BOF,estágios do potencial cliente
(consciência, consideração e decisão),Call to Action (CTAs), criação de
conteúdo de páginas de oferta, entrega e agradecimento, landing pages,
conversão em cadastros, e-books, slideshows, PDFs, fluxos de nutrição e
relacionamento com leads, mapeamento de objeções redação web,
storytelling, gatilhos mentais;

�310



Gestão de campanhas de mídias sociais: comunicação da marca no
Facebook, Twitter, YouTube, Instagram e Linkedin, segmentação e
marketing

de

nicho,conteúdo

orgânico

x

conteúdo

patrocinado,

investimento em mídias sociais,mensuração e métricas para mídias
sociais, Facebook Insights, Facebook Ads, Twitter Analytics, YouTube
Analytics, Linkedin Marketing Solutions;


Gestão de campanhas com o google adwords e google analytics:
otimização de gastos, metas, perfis, pesquisa interna, definição de
indicadores de resultados (KPI’s), monitoramento de resultados de sites
e landing pages.



Marketing em máquinas de busca: SEM (search engine marketing) e
SEO (search engine optimization).
Estas

atribuições

podem

ser

desenvolvidas

pelos

profissionais

bibliotecários, que por sua vez, podemcontribuir diretamentenas estratégias de
inbound marketing, relacionamento e ferramentas de vendas aplicadas ao
marketing digital, bem como no gerenciamento de projetos de software para
marketing digital.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Fica evidente que qualquer instituição, seja ela empresa tradicional ou
inovadora, independentemente de seu tamanho, deve investir na inovação e
na transformação digital, e se atrelar a ecossistemas de empreendedorismo.
Desenvolver ações de transformação e marketing digital não acarretam apenas
um ganho financeiro ou conquista de novos clientes, mas também tende a
melhorar a gestão, o ambiente de trabalho e a resolução de problemas
corriqueiros.
Desta maneira, destaca-se a necessidade dos novos profissionais em
biblioteconomia e Ciência da Informação se prepararem para lidar com
ferramentas para gerenciamento, utilização e criação de projetos para
marketing digital e técnicas para otimização de projetos de marketing. Nesta

�311

linha de pensamento, bibliotecários podem se inserir em empresas brasileiras e
colocar

em

prática

suas

competências

informacionais,

que

aliadas

a

características empreendedoras podem ser indutores de desenvolvimento
empresarial.

REFERÊNCIAS

BAUER, Ruben. Gestão da mudança: caos e complexidade nas organizações.
São Paulo: Atlas, 1999.
CHRISTENSEN, Clayton. O Dilema da Inovação: Quando As Novas
Tecnologias Levam Empresas Ao Fracasso. São Paulo: M. Books, 2011.
LOUREIRO, Mônica de Fátima; JANNUZZI, Paulo de Martino. Profissional da
informação: um conceito em construção. Transinformação, Campinas, v. 17,
n. 2, p. 123-151, ago. 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010337862005000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso. Acesso em: 08 nov. 2020.
MATTOS, Thiago. Vai lá e faz: Como empreender na era digital e tirar ideias
do papel. São Paulo: Belas-Letras, 2017.
ORGANIZAÇÃO PARA COOPERAÇÃO ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO
(OECD). DEPARTAMENTO ESTATÍSTICO DA COMUNIDADE EUROPÉIA. Manual
de Oslo: Proposta de Diretrizes para Coleta e Interpretação de Dados sobre
Inovação Tecnológica. Publicado pela FINEP (Financiadora de Estudos e
Projetos), 3. ed., 2006. Disponível em: http://www.finep.gov.br/images/afinep/biblioteca/manual_de_oslo.pdf. Acesso em: 10 out. 2020.
SANTOS, Jaires Oliveira; BARREIRA, Maria Isabel De Jesus Sousa.
Competência em informação: o bibliotecário e o processo de definição das
necessidades informacionais. Biblios, n. 74, 2019. Disponível em:
http://www.scielo.org.pe/pdf/biblios/n74/a04n74.pdf. Acesso em: 08 nov.
2020.
SARASVATHY, S. D. C. Effectuation: elements of entrepreneurial expertise.
[S.l.]: Edward Elgar Publishing Limited, 2008.

�312

DADOS BIOGRÁFICOS

Guilherme Alves de Santana: Doutorando e Mestre em
Ciência da Informação pela UFPE. Cofundador do Reef
Coworking e da empresa i2b Inovação para Negócios.
Professor de Programas de Graduação e Pós-graduação.
Mentor de Startups e negócios sociais, no Porto Social,
Softex, Inovativa Brasil e Porto Digital. Consultor e
Instrutor credenciado ao SEBRAE e SENAC. Especialista
em Gestão de Negócios. Graduado em Gestão de Turismo
e Gestão da Informação. Ministrou palestras em 12
estados brasileiros e realizou consultorias em mais de 300
empresas. Visitou ecossistemas de inovação nacionais e
internacionais, como o Vale do Silício-EUA.
E-mail: guilherme.alves.santana@gmail.com

Ketiane Santiago Ventura Alves: Graduada em
Gestão de Recursos Humanos e Especialista em Gestão
de Negócios. COO do Reef Coworking. Possui experiência
com consultoria em marketing digital.
E-mail: keitysantiago10@gmail.com

�313

INFORMAÇÕES BIOGRÁFICAS – COMISSÃO ORGANIZADORA

Andreza Gonçalves Barbosa: Doutoranda em Ciência da
Informação pelo Programa de Pós
Pós-Graduação
Graduação em Ciência da
Informação PPGCI
PPGCI-UFMG
UFMG (2018). Mestre em Ciência da
Informação pelo mesmo programa (2017). Bacharel em
Biblioteconomia pela Escola de Ciência da InformaçãoInformação UFMG
(2015). Membro do grupo de pesquisa "Práticas Informacionais e
Cultura" (EPIC
(EPIC-UFMG).
UFMG). Áreas de interesse: Usuários da
informação, Ciência da Informação, Informação e cidadania,
Bibliotecas Prisionais, Leitura no cá
cárcere,
rcere, Ressocialização, Práticas
Informacionais. Representante Discente PPGCI - UFMG. Membro
da Comissão Brasileira de Bibliotecas Prisionais (CBBP - Febab).
E-mail
mail: goncalvesandreza@hotmail.com

Jéssica Patrícia Silva de Sá: Doutoranda em Ciência da
Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
Mestra em Ciência da Informação pela mesma instituição (2018).
Possui graduação em Biblioteconomia pela UFMG (2016). Atua
como Bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal Professor
Francis
Francisco
co Tibúrcio de Oliveira, vinculada à Prefeitura Municipal de
Santa Luzia (MG). Tem interesse nas áreas de práticas
informacionais e estudos de usuários da informação, com enfoque
na apropriação da leitura literária e compartilhamento de leituras.
E-mail
mail: j.jessicadesa@gmail.com

Jorge Santa Anna
Anna: Graduado em Biblioteconomia. Atuante no
ramo da prestação de serviços de orientação, escrita,
normalização e lecionamento em trabalhos e pesquisas
acadêmico
acadêmico-científicos.
científicos. Atua como editor e assessor do Periódico
Pró-Discente,
Discente, como também compõe a diretoria da Associação de
Bibliotecários de Minas Gerais, ocupando o cargo de secretário
secretário,
além do cargo de editor da ABMG editora
editora.
E-mail
mail: professorjorgeufes@gmail.com

Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Costa: Bibliotecária da UFMG. Possui
Mestrado em Tecnologia e Gestão em Educação a Distância pela
UFRPE. Doutoranda do PPG
PPG-GOC
GOC na Escola de Ciência da
Informação da UFMG. Presidente da Associação dos Bibliotecários
de Minas Gerais. Exerceu o cargo de diretora do Sistema de
Bibliotecas da UFMG, no período 2006
2006-2013.
2013. Atua principalmente
em áreas temáticas: Bibliotecas Universitárias - Gestão de Pessoas,
Gestão em Unidade de Informação, Extensão Universit
Universitária e Ensino
a Distância.
E-mail
mail: mabethcosta@gmail.com

�314

PALAVRAS DA ABMG EDITORA
O

crescimento

exponencial

no

uso

dos

recursos

digitais

e,

consequentemente, das redes sociais, é um fenômeno mundial que interfere
no modo com que as pessoas, organizações e profissionais se relacionam,
neste

novo

século.

Bibliotecas

e

bibliotecários,

de

modo

estratégico,

aproveitam para se inserir nesse universo, com diferentes objetivos, quais
sejam: divulgar produtos e serviços, ampliar o potencial do fazer bibliotecário,
contribuir para a gestão da informação, auxiliar na comunicação, dentre outros
benefícios propostos pela web social.
As discussões apresentadas por diferentes pesquisadores e profissionais
apresentadas nesta obra são suficientes para confirmar o potencial das redes
sociais no desenvolvimento e ampliação do trabalho realizado por bibliotecas e
bibliotecários em diferentes contextos e instâncias do Brasil. Reafirmamos,
pelos textos apresentados, três dimensões a serem exploradas: a ação do
bibliotecário nas bibliotecas e/ou serviços de informação, na promoção da
leitura e em ambientes não convencionais que indicam a inovação e prática
empreendedora do bibliotecário.
Acreditamos que o trabalho bibliotecário e as redes sociais são elementos
que podem caminhar juntos. Essa afirmação pode ser confirmada mediante os
18 textos apresentados, nesta obra, caracterizada como a compilação e a
sistematização do conhecimento compartilhado pelos bibliotecários, dentre
outros profissionais atuantes no campo da organização e disseminação da
informação.
Esta produção intelectual constitui o quarto livro publicado pela ABMG
Editora, em seus dois anos de institucionalização. Paralelo a ele, a Editora
também está publicando um livro que versa sobre Mediação da Informação e,
em anos anteriores, publicou mais dois livros: Biblioteconomia Social e
Empreendedorismo na Biblioteconomia.
Com a finalização desta quarta obra a ABMG Editora cumpre com sua
missão de tornar público e democrático o acesso à informação e ao
conhecimento, na crença de que essa é uma estratégia que visa ao

�315

fortalecimento da área na sociedade. Além disso, espera-se que seja
despertada a consciência para a publicação das experiências e pesquisas
produzidas por bibliotecários, em diferentes contextos, com o propósito de “dar
vez e voz” a todas as ações realizadas por bibliotecários ou apoiadores da
profissão.
A

Editora

agradece,

em

especial,

a

participação

da

comissão

organizadora, na pessoa de Jéssica de Sá, Andreza Gonçalves, Maria Elizabeth
Costa e Jorge Santa Anna que, desde o final de 2018, uniram esforços para
concretização do lançamento desta obra. Também agradece à diretoria da
ABMG (Maria Elizabeth de Oliveira Costa, Jorge Santa Anna, Andrea Brandão,
Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges, Maria Clea Borges e
Taciane Rodrigues) o apoio recebido. Por fim, mas não menos importante,
nossos agradecimentos a todas as pessoas ou instituições que, direta ou
indiretamente, contribuíram para que essa iniciativa se concretizasse.
Esperamos que esta obra contribua para potencializar o brilhante
trabalho realizado por bibliotecas e bibliotecários de nosso imenso Brasil.
Desejamos boas leituras e que muito conhecimento possa ser produzido a
partir da leitura aos textos aqui registrados.
Belo Horizonte, 15 de dezembro de 2020.
Jorge Santa Anna – Editor
ABMG Editora
Livros publicados (coletâneas) pela ABMG Editora:
 Biblioteconomia Social: possíveis caminhos para construção da cidadania –
Lançamento em dezembro de 2018
 Empreendedorismo Bibliotecário na Sociedade da Informação: outros caminhos
e possibilidades - Lançamento em dezembro de 2018
 Mediação da Informação no
dezembro de 2020

contexto informacional

-

Lançamento em

 Bibliotecár@s e as redes sociais - Lançamento em dezembro de 2020

�316

Esta é uma obra editada pela:

ABMG
EDITORA
Rua dos Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG CEP: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Diretoria da ABMG (Gestão 2018-2020): Maria Elizabeth de
Oliveira Costa, Jorge Santa Anna, Andrea Brandão, Edcleyton Bruno
Fernandes da Silva, Graciane Borges, Maria Clea Borges e Taciane
Rodrigues
Editor da ABMG Editora: Jorge Santa Anna

Como referenciar esta coletânea no todo:
SÁ, Jéssica Patrícia Silva de; BARBOSA, Andreza Gonçalves; COSTA,
Maria Elizabeth de Oliveira; SANTA ANNA, Jorge (Org.).
Bibliotecári@s e as redes sociais. Belo Horizonte: ABMG, 2020.
395 p.

�317

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                <text>ABMG - Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais</text>
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                <text>A ABMG tem como principal missão congregar bibliotecários, instituições e pessoas interessadas em Biblioteconomia, Ciência da Informação e áreas afins. Defender os interesses e apoiar as reivindicações dos associados. Representar os associados junto aos órgãos da classe nacionais e internacionais, aos órgãos públicos e privados e incentivar o aprimoramento da profissão e o desenvolvimento cultural  através de cursos, congressos, seminários, palestras e outros.meuip.co</text>
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    <name>Text</name>
    <description>A resource consisting primarily of words for reading. Examples include books, letters, dissertations, poems, newspapers, articles, archives of mailing lists. Note that facsimiles or images of texts are still of the genre Text.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Jéssica Patrícia Silva de Sá </text>
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              <text> Andreza Gonçalves Barbosa </text>
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              <text> Maria Elizabeth de Oliveira Costa </text>
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              <text> Jorge Santa Anna</text>
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              <text>O livro “Bibliotecários e as Redes Sociais” nasceu da necessidade em se aprofundar a discussão sobre o uso, cada vez mais intenso, das redes sociais, na sociedade moderna, destacando o papel de bibliotecas e bibliotecários, nesse processo. Esse livro tem a intenção de despertar o interesse de profissionais e pesquisadores acerca dos benefícios que as tecnologias digitais vêm promovendo nos fazeres profissionais e nos ambientes e serviços de informação, nas primeiras décadas do século XXI. Assim, o livro tem uma pretensão mista, ou seja, visa fundir teoria e prática, congregando o interesse profissional e acadêmico por essa temática, de modo que possam ser pensadas e descobertas melhores formas de comunicar a informação, com o uso dos recursos midiáticos disponibilizados no ambiente web.</text>
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