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                  <text>Planejamento estratégico e sustentabilidade
Trabalho completo

BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E RESPONSABILIDADE
SOCIAL: des(simplificando) uma relação delicada
Edna G. Pinheiro ' , Emília A. A. de Souzti, Ligia M. M.Dumonf
1 Mestre. UFPB, João Pessoa, Paraiba. Doutoranda em Ciência da Informação PPGCI/UFMG.
2 Mestranda. PPGCII UFPB. João Pessoa, Paraiba.
3 Doutora. UFMG. Belo Horizonte, Minas Gerais.

Resumo
Enfatiza que a busca constante, das organizações, por performance e qualidade,
tornou a questão da responsabilidade social, uma discussão imprescindível no
contexto organizacional. Ressalta que para as bibliotecas universitárias
desempenharem com eficiência a função de fomentar produtos e serviços,
informacionais para subsidiar o ensino, a pesquisa e a extensão, nas universidades,
precisam contextualizar a responsabilidade social nas suas ações, a fim de assumir
um comportamento responsável no sentido ético, filtrado nas idéias de coresponsabilidade e de desenvolvimento social. Objetiva compreender a
responsabilidade social no contexto das bibliotecas universitárias; destacar a norma
AS 8000 que dispõe sobre o cumprimento da responsabilidade corporativa nas
organizações, acreditando que todos os lugares de trabalho devem ser geridos de
forma que os direitos humanos básicos sejam assegurados, e que a gerência esteja
preparada a assumir esta responsabilidade. Conclui que compreender as ações
socialmente responsáveis da biblioteca universitária, percebendo as suas nuances,
em face da sua complexidade não nos permite construir um corolário de verdades
absolutas, todavia nos faz debruçar sobre as bordas do papel , a fim de lançarmos
luzes, também, sobre a responsabilidade social no interior de cada um de nós,
bibliotecários!

Palavras-Chave: Biblioteca universitária; responsabilidade social; norma AS 8000.
Abstract
It emphasizes that the constant search, of the organizations, for performance and
quality, beca me the question of the social responsibility, an essential quarrel in the
organizational contexto It highlight out that the university libraries to play with
efficiency the function to foment products and services, informacionais to subsidize
education , the research and the extension , in the universities, need to contextualize
the social responsibility in its actions, in order to assume a responsible behavior in
the ethical direction, filtered in the ideas of co-responsibility and social development.
Objective to understand the social responsibility in the context of the university
libraries; to detach the norm 8000 that it makes use on the fulfillment of the
corporative responsibility in the organizations, believing that ali the work places must
be managed of form that basic the human rights are assured , and that the
management is prepared to assume this responsibility. I concluded that to
understand the socially responsible actions of the university library, perceiving its
nuances, in face of its complexity does not allow in to construct them a corollary of
absolute truths, however makes in them to lean over on the edges of the paper, in
order to launch light, also, on the social responsibility in the interior of each one of us,
librarians!

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Keywords: University library; social responsibility; standard AS 8000.

1 Introdução
Partindo de resultados de estudos e pesquisas sobre a responsabilidade
social das empresas, percebemos nos últimos anos, essa questão tem gerado um
crescente interesse, em todas as esferas da sociedade. Embora, muito se tenha
falado e produzido sobre esse assunto, ainda existem contextos nos quais a
responsabilidade social é discutida em uma escala menor do que o necessário, ou o
desejado, como por exemplo, nas bibliotecas universitárias (que doravante poderão
ser chamadas de BUs, no desenrolar desse trabalho) .
Sabedores de que os indivíduos optam por produtos e serviços que gerem
melhoria para o meio ambiente, ou comunidade, valorizando os aspectos ligados à
cidadania, aos direitos e deveres, a prática de vida cidadã compartilhada com as
dimensões que a sociedade impõe, afirmamos que abordar um tema ressaltando a
responsabilidade social no contexto das bibliotecas universitárias, provoca
inquietações, no que diz respeito à promoção de atividades socialmente
responsáveis, mesmo reconhecendo que as empresas incorporaram a
Responsabilidade Social como uma nova forma de comportamento, uma nova
maneira de como fazer diante do mercado, que está mais exigente e competitivo.
Nessa linha de pensamento, este trabalho se propõe refletir sobre a
responsabilidade social , como filosofia para revitalizar as bibliotecas universitárias,
que embora, não sejam exatamente instituições econômicas enfrentam , também,
sérias dificuldades ao lidarem com as chamadas leis da oferta e procura
principalmente, em relação à construção de projetos sociais; as políticas de gestão
de pessoal (ação afirmativa para negros, mulheres, homossexuais, etc.), ou normas
de relacionamento com seus parceiros internos e externos.
Desse modo, uma questão nos prende e nos interroga: Mas, afinal como
surgiu o fenômeno da Responsabilidade social? O que ela significa? Como
dimensioná-Ia no contexto das bibliotecas universitárias?
No que concerne aos nossos interesses, Torres (2003), nos permitiu conhecer
o surgimento desse fenomeno, quando afirmou que a realização de ações de caráter
social não é uma prática tão recente no meio empresarial. Porém, somente no final
dos anos 60 e início da década de 70, tanto nos Estados Unidos da América (EUA),
quanto em parte da Europa, que uma atuação voltada para o social ganhou
destaque, basicamente como respostas às novas reivindicações de alguns setores
da sociedade que levaram para o universo das empresas diversas demandas por
transformação na atuação corporativa tradicional voltada estritamente para o
econômico.
Nessa direção Corrêa et ai (2004) salientou que o despertar da
responsabilidade social das empresas não tem um histórico cronologicamente
definido. Há na verdade, uma evolução da postura das organizações em face da
questão social, provocada por uma série de acontecimentos sócio-políticos

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determinantes e, também, por aqueles que foram conseqüência da inovação
tecnológica .
No Brasil , a difusão da idéia de Responsabilidade Social , tomou impulso a
partir da segunda metade dos anos 70, quando mereceram destaque como ponto
central do 2° Encontro Nacional de Dirigentes de Empresas. Um dos princípios da
Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE)-Brasil , baseava-se na
aceitação por seus membros de que as empresas, além de produzir bens e serviços,
tinha que possuir função social que se realiza em nome dos trabalhadores e do bemestar da comunidade em geral.
Segundo Corrêa et ai (2004), a consciência de responsabilidade social no
cenário brasileiro, teve certas instituições como protagonistas desta história e como
catalisadores importantes e diretamente responsáveis pelo despertar desta
consciência. A pioneira dessas instituições foi o Grupo de Instituições, Fundações e
Empresas (GIFE) , surgido em 1989, mas somente institucionalizada e formalizada
em 1995.
A construção desses questionamentos nos respalda a revisitar Grajew (1999),
quando define Responsabilidade Social como uma relação ética que tem as
empresas em todas as ações, políticas, e práticas, sejam elas com o seu público
interno ou externo.
Corroborando com esse pensamento Oliveira (2005) , afirma que não existe
uma lista rígida de ações que uma empresa deve fazer para ser socialmente
responsável , ou seja , não existe uma definição consensual. Responsabilidade social
envolve uma gestão empresarial mais transparente e ética e a inserção de
preocupações sociais e ambientais nas decisões e resultados das empresas.
Ao delinearmos conceitos de Responsabilidade Social , referenciamos, ainda,
Ashley (2003 , p.56) por conceituá-Ia como:

o compromisso que uma organização deve ter para com a
sociedade, expresso por meio de atos e atitudes que afetem
positivamente, de modo amplo, ou a alguma comunidade, de modo
específico, agindo proativamente e coerentemente no que tange a
seu papel específico na sociedade e na prestação de contas para
com ela.
Posto essas definições, reconhecemos que a compreensão de
responsabilidade social das bibliotecas universitárias deve ser projetada e
construída por ações que contribuam para a construção de uma sociedade onde os
fluxos de informações sejam mais ágeis, diversificados e desenvolvidos para
satisfazer as necessidades informacionais dos seus usuários.
Assim, enfatizamos que a visão de responsabilidade social nas Bus se
manifesta em ações direcionadas para transformações sociopolíticas e culturais que
afetem sua capacidade de ser uma organização produtiva eficiente, no que diz
respeito ao acesso à informação, demandado pela comunidade universitária que se
torna cada vez mais consciente desse acesso como um direito de todos.
Diante dessa responsabilidade, fica clara a necessidade de uma revisão no
papel e na atuação das bibliotecas Universitárias que lhe possibilite alcançar o
status face às mudanças de conceitos, idéias e de valores incutidas nas relações

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universidade x comunidade, haja vista que a necessidade de serviços e produtos
informacionais com maior valor agregado tem se tornado uma condição sine qua
non para as bibliotecas universitárias utilizarem métodos e procedimentos eficazes,
de tratamento, disseminação e transferência da informação, a fim de garantirem a
excelência e a obediência de pré-requisitos sólidos, contidos na sua missão.
Essa é a tônica desse trabalho, articular e redimensionar um olhar, conceituar
e contextualizar responsabilidade social nas ações das bibliotecas universitárias.
Ações que as levam a assumir um comportamento responsável no sentido ético,
filtrado nas idéias de co-responsabilidade e de desenvolvimento social.
Dessa forma, partimos do pressuposto que essa questão merece ser
discutida entre os bibliotecários, estudantes, e professores, nos cursos de
graduação em Biblioteconomia, congressos e encontros da área , haja vista a sua
importância para o desenvolvimento do cidadão e da cidadania individual e coletiva .
É, portanto, uma questão extensiva a todos os que participam da vida em sociedade
- indivíduos, governo, empresas, grupos sociais, movimentos sociais, igreja ,
partidos políticos e outras instituições. (MELO NETO; FROES , 2001) .
Á luz do quinto princípio das leis do pensador indiano Ranganathan (1931)
que preconiza : "uma biblioteca é um organismo em crescimento", a biblioteca
universitária não pode apenas alimentar boas intenções sociais. É preciso agir,
evoluir com a sociedade e transformar-se junto com ela. Empresários, lideranças
sindicais, organizações não-governamentais e outros setores da sociedade já
começaram a se mobilizar para buscar alternativas para os impasses sociais.
Diante de mudanças efervescentes e inovadoras, as bibliotecas universitárias
precisam encontrar uma maneira nova e agir de uma forma renovada, e assim,
pensar o novo de um jeito novo. É necessário , se engajarem nesse processo
integrado e solidário em busca de um mundo melhor, pois precisam ocupar um
lugar nesse processo que a sociedade está a exigir.
Cabe ressaltarmos que falamos de responsabilidade social como o exercício
de cidadania, por meio do qual , as bibliotecas universitárias adquirem o status de
"empresas cidadãs", fortalecem sua imagem , sua confiabilidade e asseguram sua
sobrevivência . Falamos de responsabilidade social e biblioteca universitária, com
uma percepção ampliada de um raciocínio de quem estar insatisfeito com as
mudanças que estão ocorrendo simplesmente com slogans e discursos.
É preciso compreender a responsabilidade social na vlsao entre
biblioteca/universidade/comunidade, no âmbito do ensino/pesquisa e extensão ,
acreditando que todos os lugares de trabalho devem ser geridos de forma que os
direitos humanos básicos sejam assegurados e que a gerência das bibliotecas
universitárias e todo o seu capital humano estejam preparada a assumir esta
responsabilidade, a fim de fortalecer uma das suas funções - transmitir
conhecimento para aqueles que dele necessitam . Isto é responsabilidade social, e
essa função social é considerada o verdadeiro fundamento da Biblioteconomia e da
Ciência da Informação, que extrapola seus limites para chegarem às bibliotecas
universitárias.
Portanto, cabe aqui reafirmarmos que esse trabalho objetiva repensar até que
ponto as bibliotecas universitárias estão incrementando suas ações para se
tornarem socialmente responsáveis , no que diz respeito à sua missão, ao seu
contexto e aos usuários. Edificar ações que contemplem a responsabilidade social é

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permear O novo, o desconhecido. É assumir o risco decorrente das organizações
que fazem a diferença entre crescer, desenvolver e desaparecer do mercado.

2 Bibliotecas Universitárias e Responsabilidade Social: uma relação que
constrói sentidos
Não podemos nos deter nessa questão, sem fazermos inicialmente uma
retrospectiva histórica. Numa pertinente análise constatamos que as ações de
caráter social não é uma prática tão recente no meio empresarial. Todavia, essas
ações ganharam destaque no final dos anos 60, como resposta às novas
reivindicações de alguns setores da sociedade que levaram para o universo das
empresas diversas demandas por transformação na atuação corporativa tradicional ,
ou seja, aquelas voltadas estritamente para o econômico. Contudo, os primeiros e
isolados discursos em prol de uma mudança de mentalidade empresarial no Brasil
apontaram em meados da década de 60. (ROBBINS; COULTER, 1998. p.5)
Nesse sentido, a Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas,
publicada em 1965, é um marco histórico incontestável do início da utilização
explícita do termo responsabilidade social diretamente associado à ação social
empresarial no país, mesmo que ainda limitado ao mundo das idéias e se efetivando
apenas em discursos e textos. (RICCA, 2004)
A década de 90 destacou-se como o período do surgimento e do crescimento
de diversas organizações, que se cristalizaram para atuar de maneira
Essa nova
institucionalizada no âmbito da chamada responsabilidade social.
postura de tornar-se socialmente responsável também começava de diversas
maneiras a ser praticada pelas próprias organizações. A partir de 1993, sob a
influência da Ação da Cidadania contra a Fome e a Miséria, este duplo movimento
de organizações e fundações, por um lado, e de empresas, por outro se intensificou,
promovendo a aproximação de diversas organizações com o aspecto relevante da
fome . (TREVISAN , 2002)
Reafirmamos que os anos 90 marcaram a consolidação das mudanças do
discurso e do comportamento das empresas no Brasil : nota-se um incremento das
ações sociais e ambientais realizadas pelo setor privado, bem como o surgimento e
o fortalecimento de diversas instituições privadas, de interesse público, ligadas ao
meio empresarial. Contudo, devemos observar que nem tudo são flores: muitos
interesses estão em jogo e a bandeira da chamada responsabilidade social
empresarial é hasteada por muitos, porém com diferentes intenções, díspares
relações de poder e com os objetivos mais diversos.
Os fatores que contribuíram para o amadurecimento da ideia de cidadania
empresarial e de publicação de balanço social na cultura das organizações
brasileiras são múltiplos e complexos. Entre eles destacamos: a Constituição de
1988, que representou um grande avanço tanto em questões sociais quanto
ambientais; o exemplo e o resultado de programas educacionais, esportivos,
ambientais e de apoio cultural de grandes empresas multinacionais, a exemplo da
Xerox, C&amp;A, Coca-Cola, e McDonalds, dentre outras; a pressão por parte das
agências internacionais de fomento de várias instituições de preservação da
natureza para que as empresas privadas e públicas reduzissem o impacto

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ambiental ; e, por último, importante, a atuação de empresas nacionais como: Banco
do Brasil, Usiminas, Petrobras, Natura, Azaléia e Boticário.
Contudo, foi a partir de 1997 que diversas organizações passaram a trabalhar
de maneira ostensiva com esse tema , realizando seminários, pesquisas, palestras e
cursos, principalmente sobre balanço social. Algumas poucas obras acadêmicas e
livros começam a aparecer. Ao mesmo tempo, muitas empresas começaram a
desenvolver, de maneira mais sistemática, ações sociais e ambientais concretas e
passaram a divulgar anualmente o Balanço Social.
Dessa forma, a questão da responsabilidade social das empresas e da
publicação anual do balanço social ganhou destaque na mídia e uma intensa
visibilidade nacional quando o sociólogo Herbert de Souza publicou em março de
1997, o artigo: empresa pública e cidadã .
A partir desse debate e da ampla repercussão nacional sobre esse assunto, o
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE, 1998), lançou em 16
de junho de 1997 uma campanha pela divulgação anual do Balanço Social das
Empresas, declarando que este seria o primeiro passo para uma empresa tornar-se
uma verdadeira empresa cidadã.
Ao longo dos anos, a evolução e o enfoque contemporâneo dessa questão na
foi se cristalizando . Mas, continuamos a dizer que nas sociedades que antecederam
a sociedade capitalista, caracterizada pela ocorrência da revolução científica , a
necessidade de conhecimento excedia a oferta e os custos de produção da
informação eram excessivamente altos. Atualmente na propalada "sociedade da
informação," "sociedade em rede" (CASTELLS , 1999) a oferta excede a demanda, e
o desafio é distribuir o conhecimento de modo a fazê-lo chegar a um receptor que
dele necessita como "fundamento para uma ação racional" (WERSIG , 1993).
Nesse sentido, mais do que organizar e processar a informação científica e
tecnológica, como nos primórdios da ciência da informação, é importante prover seu
acesso público, através das mais diversas formas e dos mais diversos canais de
comunicação, de maneira que essa nova força de produção social possa estar ao
alcance dos seus usuários potenciais. E promover, nos usuários, as competências
informacionais necessárias à busca e recuperação da informação relevante para
resolução de problemas, no processo produtivo da sociedade e na vida das
pessoas.
Essas asseverações levam-nos a afirmar que nesse cenário real de
desigualdade, cresce a responsabilidade social das bibliotecas universitárias e dos
seus colaboradores, tanto como produtores de conhecimento no campo científico
quanto como facilitadores na comunicação da informação científica e tecnológica
para usuários que dela necessitem, independentemente dos espaços sociais onde
vivem e dos papéis que desempenham no sistema produtivo .
Nesse direcionamento, Freire (2001) ressalta que, embora a informação
sempre tenha sido uma poderosa força de transformação, o capital, a tecnologia, a
multiplicação dos meios de comunicação de massa e sua influência na socialização
dos indivíduos deram uma nova dimensão a esse potencial. Com isso, crescem as
possibilidades de serem criados instrumentos para transferência efetiva da
informação e do conhecimento, de modo a apoiar as atividades que fazem parte do
próprio núcleo de transformação da sociedade.
Nesse contexto, a comunicação da informação representa não somente a
circulação de mensagens que contêm conhecimento com determinado valor para a

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produção de bens e serviços, mas, também, a objetivação das idéias de
racionalização e eficiência dominantes na sociedade moderna. Isto, porque, tendo o
fenômeno da informação adquirido essa nova relevância para o desenvolvimento
das forças produtivas, sua organização e socialização têm, também, adquirido maior
importância e valor social.
Destarte, os bibliotecários também se tornaram relevantes para o
desenvolvimento da sociedade, em decorrência do papel social de facilitar a
comunicação entre usuários de conhecimento e fontes que produzem esse recurso e
o disponibilizam como informação .
Para Freire (2001), esse papel se realiza nas atividades e mecanismos, por
meio dos quais a informação circula no sistema de comunicação social, em especial
nas redes de comunicação, e nesse processo surgem oportunidades para
comunicação efetiva da informação. Nesse cenário, o desafio desses profissionais
será o de produzir conhecimentos que ampliem as possibilidades de acesso à
informação para todos os grupos sociais, ajudando a construir uma sociedade da
globalidade (MORIN, 1991), mais justa e solidária.
Essa visão que fundamenta a práxis dos profissionais da informação ressalta
a importância e relevância das práticas de leitura no processo educacional , tanto
como fundamento para a criação de uma consciência crítica nos indivíduos quanto
para promoção das competências e capacidade de expressão e ação no mundo.
A busca constante, no mercado, por performance/desempenho tornou o
fenômeno responsabilidade social , uma discussão imprescindível dentro das
bibliotecas universitárias. Assim, muito tem sido escrito sobre as ações socialmente
responsáveis dessas bibliotecas. Cremos, portanto, serem essas ações a própria
essência a sintonizar as bibliotecas universitárias, de forma a desenvolverem na sua
administração o exercício inovador de pensar o fenômeno social, diante de
situações concretas e definidas.
Isso nos leva a julgar as afirmações de Grandi (1982 , p.7) quando diz que:
As exigências cientifica e tecnológica levaram os responsáveis pelos
serviços bibliotecários a uma avaliação e revisão dos objetivos,
métodos e desempenhos adotados no sentido de adequarem à nova
situação.

Assim, considerando, ainda, que as bibliotecas universitárias são sistemas
abertos em constante dinamismo interno e amplo intercâmbio com o ambiente
externo, fica visível que as bibliotecas universitárias não poderão sobreviver sem um
mínimo de disciplina, de procedimentos e sentido social que garantam harmonia,
orientem as ações coletivas e dignifiquem a relação biblioteca x universidade x
sociedade, contribuindo positivamente para uma nova ordem social, visualizando e
identificando futuros alternativos para as bibliotecas universitárias.

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3 Responsabilidade Social e sua Normalização: abrangências e limites da SA
8000 (SOCIAL ACCOUNTABILlTY)

Quando falamos de responsabilidade social não podemos deixar de discorrer
que os talentos humanos, capital intelectual, capital humano fazem o diferencial
competitivo das organizações, haja vista compartilharem seus conhecimentos com a
organização onde trabalham .
Diante do exposto, as bibliotecas universitárias não devem restringir-se aos
limites do território conquistado, nem tão pouco tornarem-se limitada por não correr
o risco de serem precursoras de novas atitudes e mecanismos que diluam a
marginalidade social e favoreça políticas de acesso a inclusão social. Elas devem
além de investir nas suas ações socialmente responsáveis, favorecer a ampliação
da responsabilidade social dos seus colaboradores, sob a influência da ação da
cidadania, no que diz respeito à estabilidade de vida das camadas excluídas e do
acesso à informação, enquanto uma prática social.
Pensando assim , a Normalização em Responsabilidade Social das
Organizações visa estabelecer um Sistema de Gestão para introduzir valores,
princípios, sustentabilidade, responsabilidade social e corporativa nas organizações.
(D'AZEVEDO, 2009).
Essa normatização representa idéias de responsabilidade, obrigação legal e
de comportamento responsável no sentido ético, haja vista que a normalização em
responsabilidade social é uma forma de desvelar a credibilidade do trabalho de uma
empresa e o compromisso de toda a sua equipe para as questões sociais.
Foi com esse intuito de possibilitar às empresas cumprirem seu papel social
no trabalho que a Organização Americana Social Accountability Intemational criou
em 1997 a SA 8000 (SOCIAL ACCOUNTABILlTY, 2006). Ela é a primeira norma
auditável a nível mundial que certifica organizações com sistemas de gestão da
responsabilidade social implementados.
Essa norma internacional tem seus princípios baseados em estabelecidos a
partir das Convenções da Organização Internacional do Trabalho (1997), da
Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança e da Declaração
Universal dos Direitos Humanos. Assim, a SA 8000 busca o aperfeiçoamento
contínuo das relações de trabalho .
Os requisitos da Responsabilidade Social das Organizações (RSO)
relacionam-se com os princípios inerentes à Igualdade de Oportunidades entre
Homens e Mulheres: Trabalho Infantil, Trabalho Forçado, Saúde e Segurança,
Liberdade de Associação e Direito à Negociação Colectiva, Discriminação, Práticas
Disciplinares, Horário de Trabalho e Remuneração. As Organizações devem
respeitar as leis nacionais e outras aplicáveis em matéria de igualdade de
oportunidades, bem como os seguintes instrumentos internacionais:
As empresas que aderem à SA 8000 reconhecem que a autêntica
implantação dessa norma ao produzir mudanças significativas na sua cultura
organizacional e no seu modus operandi aprimora o bem-estar e as boas condições
do ambiente de trabalho.
Nesse sentido a norma AS 8000 atende a uma necessidade de consumidores
mais esclarecidos que se preocupam com a forma como os produtos são
produzidos, e não apenas com a sua qualidade. A SA 8000 é restrita à relação da

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empresa com seus colaboradores interno e as questões de ordem interna. Tem
como objetivo especificar requisitos de responsabilidade social para possibilitar a
uma empresa:
a) desenvolver, manter e executar políticas e procedimentos com o objetivo de
gerenciar aqueles temas os quais ela possa controlar ou influenciar;
b) demonstrar para as partes interessadas que as políticas, procedimentos e
práticas estão em conformidade com os requisitos desta norma;
Em contra partida a empresa deve assegurar que a alta administração defina
a política da empresa quanto à responsabilidade social e ao processo de melhoria
continua . Isso posto nos resta alguns questionamentos, a saber: se a preocupação
das empresas com os colaboradores é um fato concreto na realidade corporativa e
isso pode ser percebido através de ações e programas que refletem diretamente na
qualidade de vida no trabalho, entre outras, para onde estão caminhando as
bibliotecas universitárias no cenário da Norma AS 8000? Onde elas podem chegar?
Elas estão com visão estratégica capaz de voltar sua atenção para além das suas
paredes se isso, na prática, significa interagir bem com fornecedores , clientes
externos e a própria comunidade que a cerca?
Acreditamos que somente com a sensibilização e o conhecimento dos
princípios da AS 8000 as bibliotecas universitárias se voltarão com mais
sensibilidade para desenvolver ações responsavelmente sociais, afinal uma
organização não existe por si só, ela faz parte de um contexto socialmente amplo.

4 (In) Conclusões
Numa sociedade onde subsistem sem constrangimentos o velho e o novo, o
estático e o dinâmico, o atraso e o progresso, as bibliotecas universitárias precisam
remodelar suas ações, desvelá-Ia e reconstruí-Ia em sintonia com a
responsabilidade social , haja vista serem co-responsáveis pelo despertar da
consciência cidadã dos seus usuários e pelas mudanças advindas do rompimento
dos velhos paradigmas bibliotecários.
Para arremate final consideramos, a seguir, alguns pontos básicos que
podem suscitar discussões mais aprofundadas acerca do tema , a saber:
a) o êxito da responsabilidade social das bibliotecas universitárias está diretamente
relacionado com o desenvolvimento do conhecimento, habilidades e atitudes
adequadas dos bibliotecários;
b) todos os profissionais engajados no contexto informacional devem considerar o
fenômeno da responsabilidade social nas decisões gerências, pois a
responsabilidade social pode ajudá-los a tornar o trabalho informacional mais
articulado com a realidade social , política , econômica e cultural da sociedade.
Da mesma forma pontuamos algumas sugestões no que diz respeito ao
compromisso social inerente as bibliotecas que estão preocupadas em encontrar
caminhos alternativos para sobreviverem frente aos desafios do novo século:

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a) buscar oportunidades, experimentar e assumir riscos de uma organização-cidadã,
inclusive na prestação de serviços voluntários para a comunidade;
b) compreender que antes de divulgar para o público externo a preocupação com a
responsabilidade social a empresa deve primeiro garantir que está praticando os
princípios da norma AS 8000 ;
c) incentivar seu capital humano na fomentação maciça de projetos sociais.
Salientamos que partimos da concepção de responsabilidade social como um
conjunto de ações que possuem características próprias para revelar a sinuosidade
do caminho da questão do social , enquanto preocupação das organizações, e o
quanto é sutil a linha que a demarca (grifo nosso).
Por mais que saibamos do aparente avanço conseguido no entendimento da
responsabilidade social no cenário das bibliotecas universitárias, admitimos que falta
essas bibliotecas dar um passo importante: acreditar que o seu capital humano,
independentemente do tamanho da biblioteca ou da sua natureza, pode contribuir
para um mundo melhor, quando valorizarem a diferença entre as bibliotecas que são
socialmente responsáveis e as que não têm essa preocupação . Esse é o passo
fundamental ; o que vem depois dessa disposição natural é consequência.
É indispensável, portanto, que os bibliotecários reflitam sobre a questão da
responsabilidade social nos espaços das bibliotecas universitárias, tentando
desvelar seus propósitos e sua realidade. Somente assim , conseguirão contribuir
para alcançar as metas e os objetivos organizacionais, sem constrangimentos,
saindo dos limites imaginários das convenções administrativas que, muitas vezes
bloqueiam as inovações e a criatividade e impõem restrições sobre a sua missão e
seu compromisso.

Referências
ASHLEY, Patrícia Almeida (Coord .). Ética e responsabilidade social. São Paulo:
Saraiva , 2003 .
BALANÇO SOCIAL: poslçao da CVM . In : COMISSÃO DE VALORES
IMOBILIÁRIOS. Disponível em : http://www.cvm .org .br. Acesso em: 15 abro2004
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede . São Paulo: Paz e Terra , 1999.
CORREA, Lindanalva da V. P, et aI. Responsabilidade social : voluntariado na
Alumar - gestão da participação cidadã . FAMA, 2004 (Monografia) Graduação em
administração, habilitação em análise de sistemas - . Universidade Federal do
Maranhão. São Luís:

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              <text>Enfatiza que a busca constante, das organizações, por performance e qualidade, tornou a questão da responsabilidade social, uma discussão imprescindível no contexto organizacional. Ressalta que para as bibliotecas universitárias desempenharem com eficiência a função de fomentar produtos e serviços, informacionais para subsidiar o ensino, a pesquisa e a extensão, nas universidades, precisam contextualizar a responsabilidade social nas suas ações, a fim de assumir um comportamento responsável no sentido ético, filtrado nas idéias de co- responsabilidade e de desenvolvimento social. Objetiva compreender a responsabilidade social no contexto das bibliotecas universitárias; destacar a norma AS 8000 que dispõe sobre o cumprimento da responsabilidade corporativa nas organizações, acreditando que todos os lugares de trabalho devem ser geridos de forma que os direitos humanos básicos sejam assegurados, e que a gerência esteja preparada a assumir esta responsabilidade. Conclui que compreender as ações socialmente responsáveis da biblioteca universitária, percebendo as suas nuances, em face da sua complexidade não nos permite construir um corolário de verdades absolutas, todavia nos faz debruçar sobre as bordas do papel, a fim de lançarmos luzes, também, sobre a responsabilidade social no interior de cada um de nós, bibliotecários!</text>
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