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BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ACESSO À INFORMAÇÃO E
CONHECIMENTO
Marivaldina Bulcão dos Santos
Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Bahia ,
Bibliotecária da Universidade do Estado da Bahia , Lauro de Freitas, Bahia
mbreis@uneb.br

Resumo
A biblioteca universitária implanta-se como gestora do conhecimento e
disseminadora da informação que visa realizar atendimentos específicos apoiando
às atividades de ensino, pesquisa e extensão, dando ênfase ao desenvolvimento da
ciência, educação e cultura. É nesse sentido, que a informação apresenta o seu
papel social relevante ao conhecimento e a comunicação que são determinantes no
processo de disseminação e uso da informação, influenciando o ciclo informacional
e operando mudanças. O eixo norteador desse estudo é desvelar a biblioteca
universitária pela excelência de seus serviços prestados à comunidade acadêmica e
reafirmando a sua função social. O objetivo é refletir sobre a biblioteca universitária
como o local adequado para acompanhar os mecanismos estratégicos que ajudam a
capacitar as nações, a suscitar conhecimento e a transformá-lo em vantagem
competitiva , fomentando a riqueza e crescimento . A fundamentação teórica
contempla os conceitos de universidade e biblioteca universitária. A pesquisa
demonstra a visão ampla da biblioteca universitária do ponto de vista dos
bibliotecários e do espaço, além da disseminação da informação. Os resultados
obtidos indicam que para atingir o papel da biblioteca universitária ela tem que estar
preparada administrativamente e tecnicamente, ter uma missão, propósito e
objetivos bem definidos, dispor de acervo bibliográfico de qualidade, ampliando as
possibilidades de acesso remoto na obtenção de informação e poder contar com
profissionais capacitados, ter disponibilidade de equipamento e materiais técnicos
necessários para poder oferecer serviços e produtos de qualidade.

Palavras-Chave:
Biblioteca
Informação.

Universitária;

Universidade;

2123

Conhecimento;

Sociedade

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Abstract
The university library management deploys as disseminator of knowledge and
information that aims at supporting specific care to teaching, research and extension,
emphasizing the development of science, education and culture. In this sense, it
presents the information relevant to their social knowledge and communication are
crucial in the process of dissemination and use of information, influencing the
information cycle and operating changes. The guiding principie of this study is to
unveil the university library for the excellence of his service to the academic
community and reaffirming their social function . The aim is to reflect on the university
library as the place to follow the strategic mechanisms that help to empower nations
to raise awareness and turn it into competitive advantage by promoting the wealth
and growth. The theoretical framework includes the concepts of college and
university library. The survey demonstrates the broad vision of the university library's
point of view of librarians and space, beyond the dissemination of information. The
results indicate that to achieve the role of the university library it has to be prepared
administratively and technically, have a mission, purpose and clear goals, have
bibliographic quality, expanding the possibilities for remote access to obtain
information and power rely on trained professionals have the availability of technical
equipment and materiais needed to offer quality products and services.

Keywords:
University Library; University; Knowledge ; Information Society.

1 Introdução
A universidade pode ser vista mediante duas vertentes: uma formada pela
comunidade que segundo Chales (1996, p.7) é a universidade com "autonomia de
mestres e alunos reunidos para assegurar o ensino de um determinado número de
disciplinas em um nível superior". Esta modalidade de universidade é criação da
civilização Ocidental, depois disseminada pela Europa, com função unificadora da
cultura medieval privilegiando a pesquisa . (MENDONÇA, 2000, p.131-150).
A outra vertente, é a que mantém o "nome" de universidade; na realidade é a
continuação dos colégios dos jesuítas que defende a idéia de ser a forma ideal ou
natural de organização do ensino superior, sendo a universidade o elemento central
dos sistemas de ensino superior.
Para entender o que significa a universidade é necessário desenvolver
competências para lidar com a universalidade do saber, respeitando o compromisso
histórico e o avanço da ciência, a importância da formação profissional e o
desenvolvimento das sociedades e dos povos, uma vez que a universidade tem
compromissos sociais e deve estar sintonizada com a realidade e as aspirações da
população ao impulsionar as ações e anseios para além dos muros da universidade.
Revitalizar a Universidade e implantar bibliotecas impõe a necessidade de
profissionais da área . Assim , a evolução do papel do bibliotecário mostra a

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necessidade de utilizar as técnicas biblioteconômicas, impulsionando um avanço
cada vez maior. O bibliotecário passa a ser o principal colaborador, tanto do cientista
como do pesquisador. (ORTEGA Y GASSET, 1967, p.76) .
Nesse contexto, observa-se que a matéria-prima da universidade é a
informação, e o órgão responsável pelo gerenciamento da informação na
universidade é a biblioteca . Chega-se à conclusão, que é na universidade onde
"tudo começa e termina na biblioteca"; ou seja , a matéria-prima da biblioteca é o
universo bibliográfico que transfere em serviços para a comunidade acadêmica.
(PEREIRA, 2008 , p.5)

2 Revisão de Literatura
As primeiras universidades surgem no interior das ordens religiosas, a partir
dos séculos VII. Entre as mais notáveis, estão a Universidade de Bolonha, na Itália;
posteriormente a Universidade Sorbonne, em Paris, considerada o "Centro filosófico
e teológico do mundo" (Martins, 1996, p.89) .
É na Sorbonne que se instala a Biblioteca que se torna um exemplo de
biblioteca universitária baseada nas ideias de Jean Bonnerot, que em seu livro La
Sorbonne (1927), descreve a biblioteca como local sagrado, referindo-se às
limitações de acesso, com prudência necessária para conhecer o que se pesquisa .
Martins (1996, p.90):
Sim, trata-se de um lugar sagrado e augusto, no qual só se entra de beca e
boné. Quando a leitura termina, é aconselhável refletir e meditar, passeando
devagar ao longo da galeria coberta que rodeia a biblioteca. Depois, quando
as sombras da noite se adensam , cada um se recolhe a sua casa , visto ser
proibido, por prudência trazer lanterna [ ...]

Nessa perspectiva a biblioteca vai se firmando como lugar de leitura, sendo
as escolas leigas substituídas pelas religiosas, único meio de aquisição e
transmissão de cultura e assim , a universidade forma-se pela cooperação de
mestres e discípulos, sendo o pensamento cristão um esforço generalizado para
recuperar, conservar, incorporar e assimilar os valores morais, políticos, jurídicos,
literários e artísticos do mundo criado na Antiguidade. (MENDONÇA, 2000 , p.135)
Entre as universidades que merecem destaque estão a Universidade de
Oxford e Cambridge na Inglaterra, Montpellier na França , Salamanca na Espanha ,
Nápoles na Itália, Heidelberg e Colônia na Alemanha.
O ensino é transmitido na língua litúrgica da cristandade, e o conhecimento
fundamentado na religião, como resultado da iluminação divina; porém, o caráter
canônico nem sempre é do agrado dos alunos e professores que reivindicam
debates mais abertos fundamentados em novas teorias baseadas no pensamento
grego. Assim, a educação superior era disseminada no âmbito do clero, erudito,
visto como guardiã da sabedoria . E a universidade moderna surge e entre outros
motivos, os bispos necessitam de um lugar para prover treinamento clerical e nesse
sentido, a teologia é considerada a "Rainha das ciências" na Universidade.
(MENDONÇA, 2000 p.138)
Registra-se que durante a Idade Média a fé é questionada pela razão e a
ciência passa a atender as necessidades do ser humano em prol da vida cotidiana,

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as experiências fundamentam as idéias e as fontes de conhecimento aperfeiçoam as
disciplinas e o pensamento.
A universidade emerge da exigência de vida em comum daqueles que, como
mestres e aprendizes, dedicam-se à vida intelectual e às ciências. Na origem da
universidade ocorre a transição da humanidade, da vida rural para a vida urbana, do
pensamento dogmático para o racionalismo, do mundo eterno e espiritual para o
mundo temporal e terreno, da Idade Média à Renascença .
Por muitos séculos, avanços do conhecimento realizam-se no trabalho
universitário ou em torno dele. (CARVALHO, C., 2007) Assim , as universidades
conseguem entre outras conquistas o monopólio dos exames, diplomas, autonomia
jurídica e possibilidade de apelar diretamente ao Papa .
Nesse sentido, a biblioteca universitária é um dos principais instrumentos de
que a universidade dispõe para atingir suas finalidades. Ferreira, L. (1980, p.7)
afirma :
Se a biblioteca é importante para o ensino geral , no ensino superior seu
papel é proeminente em virtude do valor da própria universidade, pois
nenhuma outra instituição ultrapassa em magnitude a contribuição
universitária, a qual torna possível o formidável avanço tecnológico e
científico que se registra atualmente em todos os campos de conhecimento.

Desse modo, a biblioteca universitária tem como objetivo fornecer infraestrutura bibliográfica e documental aos cursos, pesquisas e serviços vinculados às
ordens religiosas que sustentam o movimento de criação das universidades. A
implantação das universidades no mundo continente americano somente ocorre
muito tempo depois.

3 Bibliotecas Universitárias no Brasil
Descrever a história das universidades no Brasil de forma consistente e
organizada conduz ao eixo norteado r que privilegia as bibliotecas universitárias.
Nesse sentido, revela-se que a partir da transmigração da Família Real portuguesa
para o Brasil o País foi transformado em sede da coroa portuguesa. Essa mudança
impulsiona a implementação de medidas administrativas, econômicas e culturais
para estabelecimento da infra-estrutura necessária ao funcionamento do império.
A criação dos primeiros estabelecimentos de ensino superior busca formar
quadros profissionais para os serviços públicos voltados à administração do País. As
áreas privilegiadas são: medicina, engenharia e direito. Em 1808, são criados os
primeiros estabelecimentos de ensino médico-cirúrgico de Salvador e do Rio de
Janeiro.
A concepção da Universidade no Brasil pode ser vista por duas vertentes: a
primeira visa a instalação da Escola Normal Superior, responsável pela formação
especializada em aperfeiçoar professores de ensino secundário e normal, liderada
pelos católicos que defendem a universidade, segundo Mendonça (2000, p.132)
como uma "agência de homogeneização de uma cultura média, projeto de
recuperação do país de caráter moralizante que passava pelo resgate da tradição
católica na formação da alma nacional". A segunda vertente acredita na
universidade com o objetivo de desenvolver a pesquisa científica e altos estudos
indispensáveis ao progresso do País, que absorve os egressos da Escola

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Politécnica e constrói as verdadeiras "usinas mentais, local onde se formam as elites
pensantes do País, local de produzir conhecimento indispensável ao progresso
técnico e científico". (MENDONÇA, 2000, p.131-150).
Ambos as vertentes mostram que a instituição forma as elites que
representam diferentes concepções de educação . Nesse período a biblioteca
universitária passa a ser gestora do conhecimento e disseminadora da informação.
Carvalho, I. (2004, p.81) ressalta que:
Assim, da função de depósito do saber até atingir o status de espaço do
saber, as bibliotecas passaram por etapas que representam o seu
amadurecimento, sem perder de vista sua relação direta com a
socialização do conhecimento [ ... ]

Convém evidenciar que a primeira universidade de caráter oficial brasileira , é
denominada Universidade do Brasil, criada no Rio de Janeiro (1920) , que reúne a
Escola Politécnica (de Medicina e Direito), instituída pelo presidente da República ,
Epitácio Pessoa (1865-1942) ; sete anos depois é criada a Universidade de Minas
Gerais (1927), a Universidade de São Paulo (1934) fundada pelo grupo de
intelectuais que se articula em torno do Jornal O Estado de São Paulo, em 1946 são
implantadas, na Região Nordeste, a Universidade Federal da Bahia e a de
Pernambuco. (COSTA, 2001, p.3) .
A primeira Legislação Universitária Brasileira , é publicada em 1931 , na gestão
do Ministro de Educação Francisco Campos e autoriza os diplomados a exercer
profissões liberais sob a fiscalização ministerial e a profissão de bibliotecário é
beneficiada pela lei. Deste modo, é evidente a valorização da biblioteca e a
necessidade de profissionais com competências e habilidades definidas para a
dinamização e crescimento da Universidade.
Historicamente, o desenvolvimento das universidades pode ser compreendido
em quatro momentos: nos anos 1950, o ensino superior sofre o primeiro impacto de
expansão no País, o número de universidades cresce de forma surpreendente,
nascem do processo de agregação de escolas profissionalizantes à procura de suas
bases; na década seguinte, de 1960, cresce em todos os sentidos, aumentando o
número de instituições, de alunos e de professores.
Durante a década de 1970, a universidade assume o papel de instituição de
pesquisa e o corpo docente passa a ter carreira acadêmica, proliferando os
programas de pós-graduação e, fisicamente modernizam-se os campi universitários
com as construções de prédios adequados a abrigar laboratórios e bibliotecas.
Na década de 1980, o amadurecimento dos programas de pós-graduação
valoriza as bibliotecas estruturadas em forma de sistema, adotando modelo de
centralização ou descentralização.
É nesse âmbito, que a informação na universidade torna-se um insumo básico
e ela passa a ter a missão de produzir e disseminar conhecimento, desenvolvendo
uma visão crítica e buscando soluções práticas para os problemas sociais, através
da pesquisa . Mendonça (2000, p.138) afirma que:
À universidade assim concebida competiria o estudo científico dos grandes
problemas nacionais , gerando um estado de ânimo nacional capaz de dar
força , eficácia e coerência à ação dos homens, independente das suas
divergências e diversidades de ponto de vista . Nessa instituição seriam
formadas as elites de pensadores, sábios, cientistas , técnicos e os
educadores.

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Compondo a tríade do ensino, pesquisa e extensão, a universidade desempenha a
missão de liderar um processo de produção do conhecimento, vinculando as
realidades sociais, propondo maneiras de resolver problemas. É aí que a biblioteca
universitária tem participação fundamental , pois é um agente mediador entre o
conhecimento gerado e o usuário.
Paulatinamente surgem as bibliotecas universitárias. Em 1947, cria-se a
primeira Biblioteca Central na Universidade de São Paulo, desenvolvendo o serviço
de catálogo coletivo de livros e periódicos. Em 1953, a Biblioteca da Universidade de
Recife desenvolve o serviço central de bibliotecas (aquisição e processamento
técnico). Em 1960, a Biblioteca da Universidade Federal da Bahia inicia o Serviço
Central de Informação Bibliográfica.
Em 1963, o Conselho Federal de Educação recomenda a existência de
bibliotecas como requisitos para reconhecimento de cursos superiores. Em 1968,
surge a Lei da Reforma Universitária (Lei nO 5.540/68) que propõe o modelo de
biblioteca central para eliminar a duplicidade de meios para fins idênticos e
racionalizar sua organização com a plena utilização de recursos materiais e
humanos. A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) publica
o trabalho intitulado "Reforma Universitária e as Bibliotecas Universitárias do
Nordeste" (1968) que sugere :
[... ] tendo em vista a reforma, que o planejamento e a reestruturação dessas
bibliotecas fossem feitos paralelamente ao planejamento e à reestruturação
de suas universidades ". . na hora que se tenta implantar, melhorar e
racionalizar todo um sistema universitário de ensino e pesquisa, não
poderiam estar separadas bibliotecas e universidades, ou bibliotecas e
pesquisas.
Já não é possível continuar-se pretendendo que a universidade possa estar
atualizada sem bibliotecas e que as bibliotecas existam, sobrevivam e
cumpram sua finalidade sem terem à sua frente o seu especialista - o
bibliotecário. (BRASIL, 1968, p.3)

Ensino, pesquisa e extensão são palavras chave na concepção de uma
universidade e com a implantação da pós-graduação, as bibliotecas universitárias se
fortalecem ; as autoridades da área passam a investir nos seus setores, melhorando
as condições de funcionamento , equipamento, acervo, equipe e na oferta de
serviços. A partir de 1970, surgem várias discussões a respeito de estudos técnicos,
infra-estrutura, valorização e financiamento dessas bibliotecas. Em 1972 realiza-se
10 Encontro Nacional de Diretores de Bibliotecas Centrais Universitárias e cria-se a
Comissão Nacional de Diretores de Bibliotecas Centrais Universitárias (CNBU) com
objetivo de:
Estudar os problemas relativos ao desenvolvimento das bibliotecas
universitárias brasileiras; desenvolver estudos, projetos e programas de
coordenação de bibliotecas, aquisição centralizada , centralização de
processos técnicos , racionalização de normas; desenvolver programas de
intercâmbio de informações e de material bibliográfico entre as bibliotecas
universitárias do País; desenvolver programas de treinamento e
aperfeiçoamento de pessoal para coordenação de bibliotecas universitárias.
(GRUPO DE IMPLANTAÇAO DA COMISSAO NACIONAL DE
BIBLIOTECAS CENTRAIS UNIVERSITÁRIAS (1973» apud FERREIRA
(1980, p.32)

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Em 1974, funda-se a Associação Brasileira de Bibliotecas Universitárias
(ABBU) que apóia as bibliotecas centrais universitárias e todas as bibliotecas
universitárias brasileiras, federais, estaduais ou particulares. Em 1975, é implantado
o Núcleo de Assistência Técnica (NAT-08) criado pelo Ministério de Educação e
Cultura (MEC) com objetivo de oferecer estágios a profissionais bibliotecários e
também prestar consultoria às Instituições de Ensino Superior (IES) .
Em 1978 tem origem a Comissão de Bibliotecas Universitárias (CBU), ligada
à Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários (FEBAB) e realiza-se o 1°
Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). Em 1978, no âmbito da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), é criada a
Assessoria de Planejamento Bibliotecário, que segundo Carvalho, I. (2004 , p.87) tem
como objetivo :
[... ] elaborar e julgar projetos, dar consultorias às bibliotecas e promover
programas, cursos , encontros e subsistemas que garantam uma evolução
mais racional , interdependente e interdisciplinar das bibliotecas
universitárias, em colaboração com outros organismos especializados .

A partir de 1980, a biblioteca universitária abandona o modelo de estrutura
descentralizada e passa a ser órgão coordenador para as bibliotecas setoriais. O
que segundo Aragão (1973, p.43):
A centralização da biblioteca universitária é tema muito discutido nos meios
profissionais, há mais de 20 anos . Até agora , porém conclusões têm sido
postas em prática com relação ao assunto , divergindo as opiniões quanto à
forma de centralização a adotar: - Deve haver uma centralização global de
serviços e acervos nas unidades? - Deve haver centralização por áreas?
Essas questões têm sido levantadas e defendidas por grupos de
interessados, especialmente aqueles que fizeram cursos em universidades
estrangeiras, mas as soluções não são encaminhadas com o mesmo calor e
entusiasmo.

Nesta perspectiva, as bibliotecas universitárias acompanham a dinâmica do
seu macro-ambiente e entram em uma fase de transição, adaptando-se às
mudanças sociais, econômicas e tecnológicas, disponibilizando a informação em
rede e socializando o conhecimento. Nota-se o futuro incerto que aponta para uma
fase de transição entre os artifícios dos exercícios da profissão tradicional e a
constituição de novos exercícios modernos fundamentados no uso das tecnologias
de informação e comunicação.
Nesse sentido, observa-se que a automação proporciona as articulações em
rede e o uso de novas tecnologias reproduz modelos híbridos, digitais e virtuais. Tais
mudanças podem ser explicadas na fala de Felippe Serpa (1935-2003) em palestra
proferida no KM Brasil 2003, quando afirma :

o

conhecimento virou fator de produção, ele se desenvolve graças à
universidade, e esse conhecimento é fundamental para qualquer instituição,
em qualquer nível. A convivência de personalidades , a convergência é que
dá as características à universidade. Todos são necessários mas não são
suficientes. (SERPA, 2003)

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A história da união da universidade e biblioteca demonstra um período longo
de obediência e submissão que ilustra, orienta, critica e engrandece as funções
acadêmicas. E essas instituições têm que fornecer qualidade de formação
intelectual, técnica, politicamente competente aos alunos, através da produção
científica, artística , filosófica e tecnológica , promovendo atendimento às
necessidades, aos anseios e expectativas da sociedade e desenvolvendo soluções
para problemas locais e regionais.
José Geraldo Souza Júnior, diretor da Secretária Superior (SESu) acrescenta
que "a universidade tem um novo sentido" e Antunes apud Bahia (1997, p.6) afirma
que "universidade não é mais o único endereço do conhecimento, mas é o local
onde todas as formas do saber podem dialogar".
Por conseguinte, a biblioteca universitária representa o local adequado para
acompanhar os mecanismos estratégicos que ajudam a capacitar as nações, a
suscitar conhecimento e a transformá-lo em vantagem competitiva , fomentando a
riqueza e o crescimento. O que Cunha (2000, p. 87) ressalta:
[... ] à medida que um povo educado e com conhecimento se transforma no
elemento-chave da prosperidade, segurança e bem-estar social , a
universidade, nessa era de transformações rápidas, destaca-se como uma
das mais importantes instituições de nosso tempo.

É evidente o desempenho das universidades em beneficiar a sociedade,
principalmente porque visam formar e capacitar pessoas, incentivar a produção, o
registro do conhecimento, apoiar o desenvolvimento de pesquisas e atividades de
extensão, fortalecendo o país como um todo . Pelo mesmo desempenho, as
bibliotecas universitárias, ao apoiarem as atividades de ensino, pesquisa e extensão,
têm papel preponderante no desenvolvimento da sociedade porque são mediadoras
no processo de geração, produção e organização da informação, que pode
acontecer independente do suporte em que se encontra.
A despeito de um panorama tão complexo é preciso registrar, no âmbito das
universidades públicas, a criação das universidades estaduais, que têm como
referencial a Legislação do Estado da Bahia para as universidades estaduais. A Lei
nO 7.176 de 10 de setembro de 1997, ressalta no art. 3° que:
As Universidades Estaduais tem por finalidade desenvolver a educação
superior, de forma harmônica e planejada, promovendo a formação e o
aperfeiçoamento acadêmico, científico e tecnológico dos recursos humanos,
a pesquisa e a extensão, de modo indissociável, voltada para as questões
do desenvolvimento sócio-econômico, em consonância com as
peculiaridades regionais. (BAHIA, 1997)

As universidades estaduais demonstram sua potencialidade para articular-se
com a problemática de desenvolvimento local e regional evidenciando os cenários
históricos, culturais, sociais, econômicos, étnicos, educacionais, demográficos,
características que reforçam a essência de toda a universidade. Como afirma
Miranda (1978, p.4) "as instituições são as pessoas que dela participam", por isso,
separar a biblioteca da universidade é impossível na prática; os méritos de um são
estendidos ao outro. Ferreira (1980, p.8) reafirma :

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Realmente, pode afirmar que, pelo tipo e pela qualidade dos serviços
prestados por sua biblioteca é possível medir-se o grau de desenvolvimento
de uma universidade. Não é menos verdade , que o valor que se dá a
biblioteca depende muito da concepção que se tenha de universidade e do
que ela possa oferecer.

Portanto, a biblioteca universitária reflete o ambiente que desenvolve os
serviços tradicionais da biblioteca e mais os serviços de informação em rede, e os
profissionais da informação estarão envolvidos na produção, coleta, disseminação e
uso da informação, para estarem inseridos na sociedade da informação e do
conhecimento.

4 O Papel da Biblioteca Universitária
As verdadeiras bibliotecas universitárias destacam-se pela excelência de seus
serviços prestados à comunidade acadêmica, reafirmando a sua função social. Na
sociedade contemporânea o conhecimento passa a ser um recurso estratégico nas
instituições e a biblioteca acadêmica se organiza visando a geração, disseminação e
uso da informação. Aliado a isso Miranda (1980, p.5) associa:
Biblioteca e Universidade são fenômenos indissociáveis, vasos
comunicantes , causa e efeito . A biblioteca não pode ser melhor que a
Universidade que a patrocina. A Universidade, conseqüentemente, não é
melhor do que o sistema bibliotecário em que se alicerça .

As bibliotecas são espaços sociais que sempre guardam a memória humana
registrada e com a responsabilidade de prover o acesso às informações
armazenadas, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade mais humana
e digna. Como afirma Targino (2000 , p.1), [.. .] "a biblioteca é e sempre foi a
instituição social a que compete exercer as funções de preservação e disseminação
das informações, e por conseguinte, o bibliotecário, o profissional encarregado de
concretização de tais objetivos".
Diante do progresso da tecnologia, evoluem as formas de comunicação, a
construção, a classificação e o compartilhamento do conhecimento e da informação
que respaldam novas maneiras de categorizar o mundo, apresentando novas etapas
cognitivas do conhecimento humano. Ao utilizar e incorporar em suas práticas
cotidianas as tecnologias de informação e comunicação, as bibliotecas acadêmicas
alteram as formas de sociabilidade, implicando o redimensionamento do papel social
dos atores que nela atuam .
A biblioteca universitária, conectada às novas tecnologias é responsável pela
integração entre usuários e fontes de informação, reforçando o desenvolvimento dos
cidadãos. As tecnologias permitem o acesso ao conhecimento e as bibliotecas
devem buscar ações e ferramentas que permitam localizar, filtrar, organizar e
resumir informações que sejam úteis ao usuário independente do lugar em que eles
se encontrem .
As bibliotecas são equipamentos sociais de uso coletivo. Neste sentido,
cresce a responsabilidade das bibliotecas de garantir o acesso ao público, sendo

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assim , tanto as bibliotecas como as universidades são pontos de convergência de
idéias e distribuição dos saberes, onde todas as formas de conhecimento podem
dialogar, desenvolvendo as peculiaridades de cada região onde estiverem
estabelecidas.
Na estrutura organizacional da biblioteca universitária, verifica-se que há
significativa parcela de tarefas repetitivas e monótonas. A informatização resolve
boa parte dos problemas, realizando de forma rápida e eficiente o trabalho de rotina,
liberando o bibliotecário para desenvolver outros serviços. Mas, quando a biblioteca
é um sistema ou uma rede normalmente gera centralização de processamento ou
controle do acervo, conforme a distribuição das responsabilidades ; uma parte das
bibliotecas reduz as atividades e outras acumulam funções, principalmente as
bibliotecas centrais. Compartilha-se da idéia defendida por Miranda (1980 ,p.20) "A
informatização na biblioteca, se não tiver outros méritos, já vale apenas pela
libertação do bibliotecário das tarefas burocráticas e rotineiras e para que
desenvolva seu potencial como agente disseminador da informação".
Diante desta realidade, percebe-se que as bibliotecas universitárias detêm um
papel essencial nos processos de pesquisa da comunidade acadêmica , uma vez
que a biblioteca tem a posse do conhecimento universitário; sua principal função é
ser intermediária entre o conhecimento científico e o tecnológico em apoio a seus
usuários.
Desse modo, a biblioteca universitária deve estar preparada para atender a
demanda de pesquisas e levantamentos bibliográficos e técnicos, visando suprir os
projetos em desenvolvimento na universidade. É necessário analisar o papel das
bibliotecas universitárias, principalmente na sua inserção nos projetos em
desenvolvimento como um elemento de cooperação técnica e científica. Assim, os
recursos humanos e financeiros devem estar previstos nos projetos, visando
principalmente à melhoria dos acervos, para que possam responder as
necessidades específicas de cada projeto.
Entre as principais funções da biblioteca universitária, podem ser
mencionado, o repositório do acervo, a disseminadora de informação e
conhecimento e o elo de ligação entre o conhecimento e o usuário final; essas
funções continuam importantes
mesmo depois da Internet, tecnologia que
contempla pequena parte do conhecimento especializado.
Nesse contexto, percebe-se que a biblioteca universitária é o principal recurso
para facilitar o acesso à informação. Assim , é visível a necessidade de inserir a
biblioteca como co-participante nos projetos da universidade visando melhorar o
acervo documental, as bases de dados e os demais serviços indispensáveis à
comunidade acadêmica.
É preciso ressaltar, no âmbito das universidades públicas, a necessidade do
aperfeiçoamento da estrutura administrativa que influencia os serviços bibliotecários,
a fim de torná-los mais eficientes e ágeis atendendo as necessidades dos usuários.
Tendo como precursores os autores citados, comprova-se que na sociedade
contemporânea, a satisfação dos usuários é fator fundamental para a sobrevivência
da biblioteca, portanto , identificar as competências, aproximando as habilidades,
conhecimentos e atitudes dos bibliotecários profissionais da informação estabelecem
em englobar a técnica, cognição e os procedimentos relacionados ao trabalho.

5 Considerações Finais

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Planejamento estratégico e sustentabilidade

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Trabalho completo

As bibliotecas universitárias, como o próprio nome diz, são as que se inserem
nas Universidades, razão porque se encontram estreitamente vinculadas à pesquisa
acadêmica, de fundamental importância para o exercer a sua função de
disseminadora da informação, levando o resultado dos trabalhos e pesquisas
efetuados no meio acadêmico. Assim, a análise das informações obtidas na
pesquisa leva às seguintes considerações em relação ao eixo do trabalho.
A biblioteca universitária, através do bibliotecário profissional da informação,
acompanha o avanço das tecnologias intelectuais e, com intuito de usufruir da
diversidade dos serviços disponíveis, dinamiza as técnicas, adapta-se às mudanças
propiciando aos profissionais adquirir novas competências e habilidades que levam
a melhor interação com os usuários, participando do processo interativo do
conhecimento compartilhado.
A partir dessas considerações a disseminação da informação na sociedade
atual ganha nova dimensão com o uso de instrumentos que viabilizam a
comunicação da informação redimensionando a disseminação da informação
levando em conta a desterritorialidade, superando a distancia no tempo e no espaço ,
atendendo de forma rápida e precisa à demanda da clientela.
importante é aprofundar uma maior aproximação entre a biblioteca e o
usuário o que possibilita a leitura, o acesso aos conhecimentos e informações
registrados, propósitos que tanto podem fortalecer o sentido social do bibliotecário
profissional da informação, como despertar o profissional humanista retraído no
exercício das suas funções profissionais.
Nesse cenário o profissional volta-se a olhar para a biblioteca como uma
instituição que reconhece o papel da disseminação da informação, levando o usuário
às transformações que ocorrem mediante novos conhecimentos.

°

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Planejamento estratégico e sustentabilidade
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Trabalho completo

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da

informação?

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>A biblioteca universitária implanta-se como gestora do conhecimento e disseminadora da informação que visa realizar atendimentos específicos apoiando às atividades de ensino, pesquisa e extensão, dando ênfase ao desenvolvimento da ciência, educação e cultura. É nesse sentido, que a informação apresenta o seu papel social relevante ao conhecimento e a comunicação que são determinantes no processo de disseminação e uso da informação, influenciando o ciclo informacional e operando mudanças. O eixo norteador desse estudo é desvelar a biblioteca universitária pela excelência de seus serviços prestados à comunidade acadêmica e reafirmando a sua função social. O objetivo é refletir sobre a biblioteca universitária como o local adequado para acompanhar os mecanismos estratégicos que ajudam a capacitar as nações, a suscitar conhecimento e a transformá-lo em vantagem competitiva, fomentando a riqueza e crescimento. A fundamentação teórica contempla os conceitos de universidade e biblioteca universitária. A pesquisa demonstra a visão ampla da biblioteca universitária do ponto de vista dos bibliotecários e do espaço, além da disseminação da informação. Os resultados obtidos indicam que para atingir o papel da biblioteca universitária ela tem que estar preparada administrativamente e tecnicamente, ter uma missão, propósito e objetivos bem definidos, dispor de acervo bibliográfico de qualidade, ampliando as possibilidades de acesso remoto na obtenção de informação e poder contar co</text>
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