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��IV CONGHSSSO BRiiSILZiHO DE 3I3LI0TEC0N0MIil S DOGUMíNTAÇaO

Consciência

Associativa

por
Neusa Dias de Macedo

SÃO PAULO
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40- Cjto.

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Fortaleza
1963

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It COKGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
UNIVERSin^DE DO CEARÁ*
7 a 14 de julho de I963

CDU 02(06)

TEMA IV - EIÍCJCA2Ã0_D0 BIBLIOTECARIO-DOCTOJEOTALISTA

Sut-toma — Movimonto associativo nacional g internacional s
"CONSCIÊNCIA

ASSOCIATIVA^

por
(x)
Nousa Dias dc Macedo^

(2) Bibliotecária do Instituto do Estudos Portuguôsos da Paculdado do Filosofia, Ciências o Letras da Universidade do Sao
Paulo.
Ia, tesoureira da Associaçao Paulista do Bibliotecários,

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�COUCIÊNCÍIA ASSOCIATIVA

Temos, deveras, muita fé e esperança nas reuniões de classe, nos
conclaves nacionais, porque, além dos estudos técnicos, das soluçoes aos pro_
"blemas gerais e particulares do campo, podemos discutir assuntos "domésticos"
da índole nacional. Destarte, nao poderíamos deixar de aproveitar este impor
tante momento, no IV CONGEIUSSC BRASILEIRO DE BIBLIOGRAFIA E DOCUMEIITAÇÃO, pa
ra debater um assunto, que merece a atençao de todos nós, interessados que
somos na consolidação da mentalidade profissional 'bibliotecária.
rDe outro lado, o problema merece ser incluído no tema da "Educaçao do Bibliotecário e Documentalista", porque implica justamente numa falha
de formaçao profissional.
Com grandes esperanças, pois, carregamos com tinta verde a nossa
pena, e rabiscamos o nosso pensamento, tendo em vista atingir era cheio o pro_
blema a ser focado: a falta de espírito associativo do nosso profissional.
O espírito associativo desenvolvido é a concretização mais perfeita dos princípios de solidariedade humana. A solidariedade, que começa no
lar, estende-se aos estranhos, aos colegas de escola e de trabalho, chega,
ao seu grau máximo, na solidariedade de classe. O indivíduo solidário ao seu
grupo, a sua classe, estará inbuído de um objetivo-comum, e, para ir mais
longe, de um objetivo-nacional, pois que participando dos ideais de aperfeiçoamento de sua classe, que é uma das .unidades do Estado, acabará por atingir a consolidação da mentalidade nacional. Mentalidade essa que no Brasil,
ainda, está em formaçao.
Um grupo, uma classe, organizada, em sua extensão máxima, em no_s
so regime democrático, poderá contribuir, essencialmente, para a soma de par^
celas que visa a unidade nacional. Hinguém contesta, hoje em dia, a força po_
derosa proveniente dos grupos organizados. Homens de negócios, operários, em_
pregados do comércio, profissionais liberais, representados por suas Associ^
çoes, têm os problemas econômicos e jurídicos solucionados, bem como as condiçoes econômicas, sociais, culturais e de saúde pública da coletividade tem
sua melhoria cora a pressão da açao associativa.
Associaçao de classe c instrumento de açao social e econômica po_
dcrosíssima, sendo fôrça coercetiva a açao do Governo e dos poderes econômicos quando estes agem em desfavor aos interesses da classe que representa.
Infelizmente, o brasileiro nao tem o espírito associativo muito
esclarecido, estimulado e desenvolvido. Nosso país é um imenso "arquipélago",
formado de várias ilhotas, diferentes e contrastantes nas condiçoes sócio—econômicas, nas tendências, nos usos e costumes, na cultura. Mas a^fora os
contrastes, o clima, em geral, é bom, o campo técnico pouco explorado (grande oferta de trabalho), há liberdade absoluta no campo das idéias e, espetacularmente, progride o país dentro da própria inflaçao. Esse "arquipélago"
imenso e contrastante é, conseqüentemente, difícil do ser governado. Daí, a

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�- 2 HGOossidadG de cie receber colaboraçoes, em todos os sentidos, nos vários s_q
toros que formam sua unidade sócio-cultural.
Ê preciso, pois, que se incrementom as organizações de classe,
que BC apoiem os trabalhos e os programas das Associaçoes, Se cada categoria
profissional se organizar, se aperfeiçoar, e, mais tarde, se unir por elos
federativos de vinculaçao nacional, atingirá, forçosamente, a concretização
da unidade nacional.
Diz-se que o brasileiro nao tem tradições, nao tem medo, nao tem
espírito de solidariedade, por isso nao se filia as Associaçoes de classe.
Aqui, em são Paulo, parece-nos, entretanto, que a classe operária, a de cortoB
grupos de trabalhadores e profissionais liberais, ja perceberam a força pode_
rosa que decorro da união de classes, e estão sc fortalecendo cada vez mais
em união e força, Há, na verdade, aqui, uma consciência associativa cm descri
volvimento.
Em se tratando, especificamente, da nossa categoria de bibliotecários, e tende-se em vista o meio paulista, o nosso profissional tem um cain
po pioneiro: há sempre mais oferta do que procura, e êle acumula, quase sempre, dois cargos ou várias atividades. Vive, com isso, era grandes embaraços,
pois morando na "cidade que mais cresce no mundo" - que é um burburinho no
seu trânsito intrincado - e tendo atividades múltiplas, as 12 horas diárias
sao poucas para sua vida agitada, o, desta forma, nao tem tempo para ser mein
bro da sua Associaçao do classe. Os que o sao, também, na sua maioria, nao
pode comparecer as reuniões e nem participar do programa anual. A Associaçao
Paulista de Bibliotecários tem sentido, flagrantemente, a falta de solidarize
dade e de interesse pelos problemas comuns da classe por um grupo específico
de sócios, o qual iremos chamar do "os indiferentes".
Eis, portanto, o problema que intentamos focalizars o da falta
do espírito associativo e o da indiferença, por parte de um grande grupb do
bibliotecários e associados, pelos destinos de seu órgão representativo do
classe.
Kao sei se ocorrerá este estado de coisas cm outras regiões do
País, mas penso que sim, pois tal indiferença assinalada é doença nacional.
Daí a importância, para nós, de.ste momento, porque tendo reunidas as Associa
çoes regionais e a FEBAB, poderemos encarar e discutir o problema em conjunto.
É preciso acabar com a apatia de certo grupo do sócios que se 1^
mita apenas a pagar, regularmente, as mensalidades'(quando nao causa uma serie de embaraços a Tesouraria), que nao toma o mínimo conhecimento do Estatu
to (e entre-parentcses, verdade seja dita, muitos dos próprios integrantes
da Diretoria nao o fazem

também) e, desta forma, desconhecendo sou dever,

julga, quando muito, que saldando o compromisso do pagamento das mensalidadesj
já preencheu sua finalidade como sócio e prestou sua colaboraçao.
O associado devo, além do pagamento das mensalidades, "corapareccr
as assembléias gerais c as demais sessões, ordinárias ou extraordinárias; -rv;-.-'

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�aceitar c oxcrccr os cargos c comissoes para que fôr oloitc ou designado, sal_
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vo caso do força maiorj manter o incentivar o espírito do classe' .2 preciso,
pois, que o associado compareça as reuniões, dê apartos, apoio moral aos trabalhos era projeto ou realizados e colabore no que Iho fôr solicitado.
Sabemos que as contribuições mensais cm dinheiro sao a baso da vi^
«A
•
da material da Associaçao, mas isso nao e tudo. E preciso que o associado par^
ticipe dos trabalhos o observe a atividade da Diretoria que elegeu,
Da boa Administração da Associaçao dependerá toda a sua força e êubesistência. Sc nao houver um corpo dc diretores, idealista e trabalhador, no
qual cada membro desempenhe, efetivamente, o cargo para qual foi eleito, essa
força nao será atingida. Daí, a importância de os membros-associados cuidarem
de votar conscientemonte num bom grupo de representantes para que administre
eficientemente sua Entidade. Se nao procurar o associado tomar conhecimento das
reais qualidades dos candidatos propostos para uma nova Diretoria, poderá eleger, muitas vezes, pessoas que nao podem dar nada de si para a causa associativa, e, nem mesmo, desempenhar, ofetivamonto, as funções para as quais foram
eleitas. Com isso, a organizaçao de certos setores podo ser deixada ao descaso, prejudicando o próprio funcionamento da Orgahizaçao em geral,
Nenhum associado, por ato de egoismo, podo deixar de aceitar um convite para participar de um grupo de trabalho ou de uma Diretoria, A argumentaçao do que tem atividades múltiplas de trabalho, do estudo, de encargos familiares ou de ordem pessoal, nao pode ser aceita, Porque todos nós as temos e
participamos da Diretoria de uma Associaçao, Isto, também, ó falta de espírito associativo, de desprendimento. Devemos levar sempre em consideração

que

outros já suportaram a mesma obrigaçao e que a todos compete prestar serviços
a coletividade.
Aos associados cumpre policiar os atos da Diretoria, e esta, por sua
voz, deve acatar sempre a sua opinião, antes de intentar qualquer emproendime^
to.
Grande

é a responsabilidade social da Associaçao, devendo esta tra-

balhar pela causa pública, desprendidamente. Especificamente precisa organizar
grupos, materiais o facilidades produtivas para a utilização da causa-comum e
estabelecer um programa do trabalho, colocando a possoa certa para dirigir cada setor, cada comissão,
O ideal seria que a Diretoria e as Comissoes da Assoãiaçao pudessem
conter elementos de cada uma das bibliotecas, instituições e escolas da região.
Êsses membros-diretores e integrantes das Comissoes divulgariam mais diretamen
toe programa da Associaçao e influenciariam na formaçao da consciência associativa de seus colegas de trabalho. Mostrar-lhos-iam, ainda, as inúmeras vantangens que advêm do trabalho associativos além da satisfaçao interior, gostosa, de trabalhar-se por uma causa-comum, do ordem coletiva, além de adquirir-se uma nova experiência de vida que poderá ser transferida para outras atividades, há a oportunidade de se terem tendências desenvolvidas e vocaçoes descobertas. Mostrariam, ainda, aqueles espíritos críticos, que fr.zem juízos arbiXx) Associnçoc Paulista de Bibliotocr.rioG - Estatutos, 1960» Gap.III, §1^ iton
C--0, p.2.
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trários a açao dos dirigentes da Associaçao, as várias dificuldades e problemas por que passa a Diretoria,
O trabalho dedicado a causa associativa é de grande relevância, em
nossos dias, haja vista aos líderes das atividades de grupo que constituem gran
des exemplos para a juventude, para a coletividade, e sio a força de um Estado,
As Associaçoes sao instrumentos sociais em vários aspectos, Podem
contribuir muito no tocante as relações públicas e humanas, pois sao a maior
fonte de informaçoes que os meios de comunicação falada e escrita possuem. As
Associaçoes preciean ter no seu programa um setor de Relações PubliccP e Publicidade e, ainda, intercâmbio entre outras entidades de classe,
A significação social é ainda maior para a Política e para a Legijs
laçao, poi« devem possuir documentação organizada sobre o seu campo a fim de
cooperar com políticos e legisladores, que, individualmente, nao poderiam obter
dados concretos sobre questões econômicas e sociais de cada grupo.
No ontantanto, se uma Associaçao nao atingir suas finalidades o nao
tiver o senso do responsabilidade social que lhe compete possuir, a quem caberá
a culpa? Se houver, por exemplo, qualquer coisa de errado eu nossa APB, a quem
caberia, principalmente, a culpa?
Poderíamos responder, em princípio, que caberia ao associado "indiferente", que vota sem o uso daconsciência, que nao comparece as reuniões, que
nao discute "in loco" o horário conciliável ao do seu trabalho, que nao policia
e faz pressão a Diretoria para realizaçao de um programa que venha de encontro
as suas necessidades, S para os que só procuram a Associaçao para sabor do anda_
raento de papéis ligados ao aumento de salário, ou para dizer que as "reuniões
da Associaçao nao têm interesse" ou que "a Associaçao nao faz nada", respondemos s
O prezado onsócio, já foi alguma vez a Sede? - já procurou tomar
conhecimento das publicações importantes que recebe a Biblioteca, e que seriam
úteis para a atualizaçao de seus conhecimentos técnicos? - já deu uma vista d'
olhos nos Relatórios ou Boletins publicados, para se tornar ciente dos trabalhos
efetuados ou em pendência? - já fêz pressão para que se organizasse a Biblioteca da Sede a fira de se tornar um pequeno laboratório modelo e orgulho nosso para mostrá-lo aos visitantes? - já solicitou estabelecimento de grupos de trabalho para discussão de problemas e soluçoes pertinentes a especializaçao da sua
Biblioteca? etc. O prezado consócio já levantou a voz, em alguma reunião, para
perguntar algo, ou para exigir qualquer coisa?
Respondendo, ainda, polo associado "indiferente", ao qual nos estamos referindo« diremos? "Nao, nunca fiz tal coisa", - Pois bem,.êste Associado
então nao terá o direito de criticar sua Associaçao, e, se a mesma estacionar
e nao estender suas atividades, futuramente, como têm feito outras Associaçoes
ativas e modernas, nao podorá esto associado fazer alarme,
A Diretoria de uma Associaçao precisa encontrar entusiasmo, cooperação, receptividade da parto do seus membros-associados, do contrário perderá

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�- 5 o vigor, havendo risco, moemo, do perecer.
Quantas vezes, Diretorias nossas ficaram em situações cmtaraçosas,
perante conferencistas, porque ôstee chegando ao auditório depararam com apenas meia dúzia de interessados.
A par dôsse indiferentismo, há outro fato que necessário se faz
abordar! o da falta de disoiplj.nn. Sócios deixam do pagar as mensalidades, desaparecem das repartições, saem do País, desistem da Entidade o nao Iho apresentam a mínima justificativa, nem sequer uma carta ou ura pedido do demissão
por escrito,
Ê toda essa situaçao que nos fêz levantar a voz, neste IV CONGRESSO BILISILSIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUTIEKTAÇÃO, o focar o protlema, que não
técnico o sim "doméstico", mas que reputamos importante, e por iaso chamamos
atençao sobro ele ícjque reflete um ponto negativo na mentalidade do nosso pro^
fissional. Como se trata de um Congresso nacional, onde estamos todos em casa
(o nao contrariamos os preceitos da ética) seria ocasiao propícia para discutii^
mos tal questão,
Com isso, concluímos que se faz necessário despertar o espírito agrcmiativo, já que como vimos, é do grande importEncio, nao só para o próprio
grupo, como para a nação, o ostahelioimento de classes, unas, integradas por
profissionais do mentalidade altamente consolidada. É preciso, também, que so
exija disciplina do profissional indiferente e atençao aos seus devores como
membros de uma Associaçao.
Como ôste assunto se refere ao tema da "Educaçao do Bibliotecário-Documontalista", necessário se faz alórtar e apelar aos professores das Escolas de Biblioteconomia o Documentação para que atentem a questão da formaçao
ético-moral dos seus alunos, desportando-lhe a consciência associativa^?^
Aos novos associados, aos recém-formados, aos estudantes de bibli^
teconomia, pois, que se faça abrirem os olhos para este assunto. Somente, assim^
com a mentalidade profissional bom consolidada, poderemos receber, de ombros er^
guidos, o nível universitário o o lugar de destaque social que tanto almejamos.
Desta forma, lançamos um apelo gorai, neste Congresso, para que se
desperte, por todas as formas, a consciência associativa de nossos profissionais, Que se promovam palestras nas Associaçoos, nas Escolas de Biblioteconomia
para incutir no ospírito dos associados o dos alunos a necessidade de uma consciência associativa consolidada, Que se prestigiem os Grêmios e se dêem oportunidade aos estudantes de mostrarem que já têm o espírito associativo em embrião.
Lançamos, ainda, um apêlo final a FBBAB para que promova uma campa^ uma ^
nha educativa neste sentido, dando,também, lição de étioa aos nossos profissionais "indiferentes",
Quando houver,consciência associativa formada, espírito agremiativo
disciplinado, quando se puder utilizar das magníficas armas que em potencial as
(x) Abordamos em profundidade este toma em opiiro trabalho, que é a Comunicaçao
oficial, para êste Congresso, do IV Tomai "Educaçao do Bililiotocário-Documcntalista".

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AssoeiaçoGS possuem, qur.ndo ostivor, una,compacta, integrada jcx profissionais
de alta mentalidade, poderemos conseguir o nosso lugar ao sol, Nossa ocasiao,
pois, os associados coinproondorao que a Entidade do classo nao ó só o órgão representativo da sua categoria profissional, na defesa do seus interôssos econômicos, mas o verdadeiro órgão do incrementaçao, oriontaçao o difusão de estudos
bitlioteconômicos.

OBRAS

CONSUI/TADAS

HALSET, Elizabeth,, comp. - Handbook for loaders of organizations»
New York, The Carrio Chapraan Catt Memorial Fund
PATTERSOF, John C. - Association manaseraont. New York, Harpor &amp; Brothers
/I952/
7IAM, Segadas - 0 sindicato no Brasil. /Rio do Janoiro/^Ministório do
Trabalho, Indústria e Comércio. Serviço do Documentação, 1953»

Sao Paulo, 10 do junho do I963
Fousa Dias Macedo

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