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                  <text>Educação de usuários e competências informacionais
Trabalho completo

DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS EM USUÁRIOS DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: POTENCIALlZANDO A ATITUDE
CIENTíFICA
Aida Varela Varela 1, Marilene Lobo Abreu Barbosa 2, Joilma Maltez Silva 3,
Ana Paula Santos Souza Teixeira 3, Ana Valéria de Jesus Moura 3
'Doutora em Ciência da Informação, Instituto de Ciência da Informação, UFBA, Salvador-BA.
2Mestre em Ciência da Informação, Instituto de Ciência da Informação, UFBA, Salvador-BA.
3Graduanda do Curso de Biblioteconomia, bolsista PIBIC , Instituto de Ciência da Informação, UFBA,
Salvador-BA

Resumo
Reflete-se sobre o grau de compreensão e interpretação da informação pelo
indivíduo, sobre as competências e habilidades necessárias, ao usuário, para
alcançar, apropriar-se do conhecimento científico e sobre a responsabilidade da
biblioteca universitária, como propulsora da pesquisa e do ensino e potencializadora
do desenvolvimento da atitude científica do usuário. Apresentam-se resultados de
pesquisa experimental, com coleta de dados nos sites das bibliotecas universitárias,
sobre a promoção de capacitação para o usuário com foco no desenvolvimento de
competências informacionais e de atitude científica . Conclui-se que ainda é
incipiente a aplicação de conceitos e práticas sobre competência informacional, à luz
de instituições promotoras deste movimento.
Palavras-chave :
Bibliotecas universitárias; conhecimento científico; competências informacionais;
competências científicas.

Abstract
It reflects about the human degrees in understanding and to interpret
information. It also reflects about skills and abilities that are necessary for the student
to achieve and to appropriate scientific knowledge, and it reflects about the
responsibility of the university library, as a promoter of research and teaching , in
order to increase the development of scientific attitude of the user. We present
results of an experimental research , collecting data on the websites of federal
university libraries, to observe the promotion of training for the user, focusing on the
development of information literacy and scientific attitude. It is concluded that the
application of concepts and practices in information literacy is still incipient in
according to institutions that are promoting this movement.

Keywords:
University libraries; scientific knowledge ; informational skills; scientific skills.

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�Educação de usuários e competências informacionais
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1 Introdução
Numa perspectiva contemporânea, pode-se dizer que o fim último da
educação é atuar no sentido de possibilitar o desenvolvimento pleno do sujeito em
todos os aspectos da vida, e de modo contínuo , tornando-o competente para viver
socialmente. Isto leva ao pressuposto de que todo o segmento educacional está
imbuído desta responsabilidade , inclusive a Universidade, ou seja , não basta formar
profissionalmente, mas formar para a vida .
De fato , nesta sociedade, que privilegia o conhecimento como meio de
desenvolvimento, é fundamental que o sistema educativo esteja engajado no
propósito de capacitar os aprendentes, desenvolvendo competências básicas que os
tornem aptos a atuar neste modelo socioeconômico, bem como os levem a aprender
por toda a vida . Referindo-se a esta questão, a Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2006) chega a afirmar que "No mundo atual ,
em muitos casos, a divisão entre riqueza e pobreza passa pela quantidade e
qualidade de conhecimento possuído e o modo com que estes conhecimentos se
traduzem em competências utilizáveis e desenvolvidas nos diversos âmbitos da
vida ".
Constata-se , assim, que a integração do sujeito a esta sociedade que se abre
a todas as possibilidades do conhecimento só se efetiva mediante o
desenvolvimento de um conjunto de competências essenciais, que o leva, de fato , a
compreender fatos e fenômenos, a estabelecer relações interpessoais e a analisar e
refletir sobre a realidade complexa que envolve a nova organização mundial.
Acompanhando as demandas deste tecido social e de mercado, a
universidade contemporânea, para estimular o processo de criação e renovação do
conhecimento, adota como estratégia investir em pesquisa, tendo em vista a
atualização e qualificação do ensino, na expectativa de formação de massa crítica
competente, para exercer funções cada vez mais complexas e diversificadas.
Por sua vez, a biblioteca universitária, entendida como um lastro de
conhecimento subjacente e estimulante ao ensino e ao acesso á ciência,
acompanha as políticas e concepções da universidade, mediando o processo
dinâmico de aprendizagem e o desenvolvimento cognitivo do sujeito na direção da
apreensão do conhecimento científico. É mister esclarecer, no entanto, que a função
da biblioteca universitária, neste movimento de ensinar, aprender, pesquisar, inovar
e criar, transcende ao apoio à sala de aula, às atividades laboratoriais e
extensionistas, à pesquisa de campo etc., pois que, suas ações e serviços
potencializam a formação do habitus de aprendizagem contínua e de internalização
da atitude científica .
Nesta linha de pensamento, as bibliotecas historicamente desenvolveram
ações ditas de educação do usuário, porém , diante dos contornos que a informação
ganhou, como indutora do conhecimento, nos novos modelos de produção, e diante
da adoção da noção de competência no mundo do trabalho e nos sistemas
educativos, as bibliotecas, em boa parte do mundo, têm-se engajado num
movimento identificado como information literacy, termo, no Brasil , denominado
Competência Informacional. No âmbito mundial e de modo particular, imbuídas da
responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento das potencialidades
cognitivas e da atitude científica no sujeito, as bibliotecas universitárias mostram-se
empenhadas em desenvolver as competências informacionais no sujeito, entendidas
como a capacidade para buscar, avaliar e usar a informação, transformando-a em

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conhecimento útil, à produção de bens e serviços, à tomada de decisão nos
negócios, à inovação tecnológica e à renovação do conhecimento e da cultura.
Diante do exposto, neste trabalho apresentam-se os resultados de uma
pesquisa exploratória, que objetivou evidenciar, nas bibliotecas universitárias
brasileiras, a oferta de serviços que apresentem algum indício ou intenção de
desenvolver competências e habilidades informacionais e científicas em sua
comunidade-usuária .
Esclarece-se, no entanto, que este estudo integra e se expande numa
investigação mais abrangente, que vem sendo executada pelo Grupo de Pesquisa
Ciência da Informação: mediação e construção do conhecimento (COGNIC), com
foco no desenvolvimento de competências informacionais e científicas no usuário
pelas bibliotecas universitárias, como potenciais incrementadoras das atividades
acadêmicas, que, dentre os objetivos, apontam-se aqui os seguintes: a) - destacar e
analisar as competências e habilidades necessárias, ao aluno-usuário, para
alcançar, apropriar-se e explicitar o conhecimento científico; b) identificar as
competências e habilidades inerentes ao bibliotecário na função de apoio à pesquisa
e ao ensino.
Justifica-se a preocupação com a abordagem da competência informacional
pelas bibliotecas universitárias, pelo fato de que estas devem alinhar-se aos
propósitos da universidade, ocupando o espaço acadêmico que gerencia o entorno
educação-informação, com foco na formação profissional, que contempla a
aprendizagem contínua, baseada na capacidade de aprender com as múltiplas
informações recebidas e de contextualizá-Ias e aplicá-Ias, criando novo
conhecimento.
2 Competência Informacional

A adoção do modelo de competência na gestão do trabalho e nos sistemas
educacionais pautou-se na justificativa de que esta categoria de avaliação responde
com mais efetividade ao cenário de inconstância econômica e de intensividade e
mutações científicas e técnicas que agitam o mercado globalizado e impactam a
produção, exigindo pessoal mais qualificado e polivalente, preparado para mobilizar
suas potencialidades cognitivas e atitudinais para solucionar os problemas surgidos
em situações de emergência e crise.
Na década de 50 do século passado, Peter Drucker enunciava a teoria da
Economia do Saber em seu livro Fronteiras do Amanhã registrando que a força de
trabalho e a produção em série de bens materiais deixavam de ser o eixo central da
economia e que o epicentro passou a ser ocupado pelos bens simbólicos, como a
informação e o conhecimento (DRUCKER, 1964).
Este fato explica o modelo produtivo contemporâneo, intensivo em
conhecimento e dependente de informação de toda natureza: científica, técnica,
econômica, de negócio etc. Desde então, a informação vem assumindo
característica estratégica, que se estendeu à vida do cidadão, tendo em vista que,
nos dias de hoje, até os divertimentos são intensivos em tecnologia . Esta foi a razão
que levou os países avançados a revisarem seus sistemas educativos, focando as
bases cultural e científica e promovendo a instalação de estruturas abrangentes de
informação, capazes de propiciar a difusão do conhecimento.
Embora o uso da informação para solucionar problemas e adaptar-se,
integrando-se ao ambiente, pareça ser uma atividade natural e corriqueira na vida do
ser humano, no contexto contemporâneo, buscar e usar a informação passou a ser

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�Educação de usuários e competências informacionais
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uma atividade intelectual muito mais complexa, tendo em vista que o universo
informacional aumentou exponencialmente, bem como se diversificaram os meios
que registram , armazenam e divulgam a informação.
Assim, o acesso à informação - que leva o sujeito do estado de
desconhecimento ao de conhecimento - deixou de ser um percurso meramente
intuitivo e passou a exigir estratégias mentais mais elaboradas e, na maioria das
vezes, dependente de conhecimentos prévios que leve o indivíduo a identificar,
comparar, analisar, sintetizar e gerar novo conhecimento.
Desde então, o desenvolvimento de competências de informação no sujeito,
mediado por metodologias sistematizadas, passou a ser valorizado pelos sistemas
educacionais e pelas organizações. Afinal, as várias atividades e procedimentos que
integram o processo de busca e uso da informação constitui-se em conteúdos de
aprendizagem, que permitem a expansão da consciência e a obtenção de resultados
mais eficazes.
Churchland (2004), em seus estudos, ressalta que o desenvolvimento da
consciência e a autoconsciência dão condições para superar a lacuna entre o senso
comum e o domínio de uma base conceitual consolidada e articulada . Infere-se que,
consequentemente, a reflexão aumenta a consciência do sujeito diante do processo
de busca e uso da informação, levando ao reconhecimento dos elementos
constitutivos deste processo e de suas relações mútuas.
A Association of College and Research Library (2000, p. 8) pondera que o
sujeito informacionalmente competente demonstra habilidade para definir a
dimensão das informações de que necessita, bem como é capaz de acessá-Ias e
avaliá-Ias com criticidade, o que pressupõe a verificação da credibilidade das fontes
de onde se originam o estabelecimento de relações entre as informações
selecionadas e os conhecimentos prévios, a compreensão dos entornos políticos,
econômicos sociais etc., que lhe possibilitem fazer uso destas informações, quando
oportuno e de modo abalizado, para alcançar objetivos traçados.
Em 1974, surgiu a expressão "Information Skill", cunhada por Paul
Zurkowisky, para se referir a pessoas capazes de resolver problemas informacionais,
usando fontes relevantes, com a utilização de tecnologia (MELO; ARAÚJO, 2007).
No Brasil , os estudos da área da ciência da informação firmaram a terminologia
competência informacional para se referir a este campo.
Neste ínterim, a competência informacional ganhou corpo internacionalmente,
sob variadas denominações e, desde 1985, vem-se firmando as bases de um
programa de abrangência internacional ALFIN (Alfabetização Informacional) com o
propósito de teorizar, esclarecer e delimitar o alcance desta área, diferenciando-a,
inclusive, dos processos educativos anteriores desenvolvidos pela biblioteca instrução bibliográfica e formação de usuários - e de outras ações recentes,
meramente voltadas para a alfabetização digital (URIBE TIRADO, 2009) .
letramento informacional é considerado um processo de aprendizagem,
que promove a produção do conhecimento, em especial do científico, desde que
realizado de forma consciente, reflexiva e contextualizada. A aprendizagem, como
ato inerente ao ser humano, está intrinsecamente relacionado com a aquisição do
conhecimento, e, como tal, perpassa as várias atividades do comportamento
informacional. É o aprender a pensar, que abrange conceitos, procedimentos,
atitudes e valores, consistindo em mudanças cognitivas, relativamente,
permanentes, resultantes das inter-relações entre a nova informação, a reflexão e a
experiência prévia .
A ALFIN-EEES classifica as competências em :

°

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a) competência tecnológica - ocupa-se da teoria e da prática do formato,
desenvolvimento, seleção e utilização, avaliação e gestão dos recursos
tecnológicos, atendendo' aos seguintes aspectos: conhecimentos científicos teóricos
das TICs e meios de comunicação; habilidades de manejo; alfabetização
audiovisual; alfabetização informática e telemática ; valorização do impacto das TICs
e dos meios de comunicação de massa na sociedade e na educação; conhecimento
dos materiais disponíveis no mercado: meios de comunicação de massa, vídeos,
software, espaços web e avaliação da qualidade técnica, pedagógica e funcional ;
conhecimento das possíveis aplicações em educação; planejamento, gestão e
avaliação de atividades educativas com apoio tecnológico ; delineamento de
desenvolvimento de materiais educativos em suporte tecnológico; organização dos
recursos pedagógicos centrais (PINTO MOLlNA, 2005).
b) competência informacional , chamada também de educação em
informação ou alfabetização informacional é um processo de aprendizagem, que se
centra em três momentos: busca da informação - habilidades de localizar e
recuperar documentos e de manejar equipamentos tecnológicos; Uso da
informação - habilidades de pensar, de estudar e investigar; Disseminação da
informação - habilidades de produzir e de representar (PINTO MOLlNA, 2005).
As competências tecnológica e informacional exigem um mínimo de
habilidades para o pleno sucesso educativo no uso da Internet: utilizar as principais
ferramentas de Internet; conhecer as características básicas de equipamentos e
infraestruturas informáticas necessários para acessar a Internet; diagnosticar a
informação da qual se necessita; encontrar a informação que se busca e recuperá-Ia
com agilidade; avaliar a qualidade, autenticidade e atualidade da informação que se
queira, considerando alguns indicadores; avaliar a idoneidade da informação obtida
para ser utilizada em cada situação concreta; aproveitar as possibilidades de
comunicação que a Internet oferece; avaliar a eficácia e eficiência da metodologia
empregada na busca de informação e na comunicação através da Internet. (PINTO
MOLlNA, 2005).
Nesta perspectiva de desenvolvimento de competências informacionais, a
ALFIN-EEES apresenta em seu portal (http ://www.mariapinto.es/alfineees) o
movimento da Pedagogia Informacional: ensinar a aprender na Sociedade da
Informação, centrado na hipótese educativa - ensinar a aprender, e, sobretudo,
utilizar adequadamente a informação no processo ensino e aprendizagem , o que
demanda nova arquitetura de estratégias, focada na aprendizagem para a vida .
No Brasil, a Biblioteca Nacional de Brasília vem liderando a implantação do
programa ALFINBRASIL, com o apoio de especialistas da Universidade de Brasília e
da Universidade Complutense de Madri. Trata-se de um projeto piloto, que começou
em 2010 , com a finalidade "promover competências informacionais e digitais", além
de procurar "estimular a capacitação em informação, a valorização do contexto e das
técnicas bibliotecárias, estimulando a aprendizagem contínua no espaço da
biblioteca" (SIMEÃO et aI., 2011, p. 61-62). Ainda segundo os autores, os programas
de alfabetização informacional, por sua natureza, fazem parte da essência do
trabalho do bibliotecário e devem ser uma atividade permanente nas bibliotecas.

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2.1 Competências para buscar e usar a informação
Nos anos 80, a concepção de competência em informação teve ênfase
instrumental, voltando-se para a capacitação dos profissionais, para o uso de
tecnologias, em especial, o computador. Em 1987, destaca-se o trabalho da Karol
Kuhlthau sobre busca e uso da informação, sugerindo a integração de competências
informacionais ao currículo escolar, no intuito da apropriação das tecnologias pelos
estudantes, para acessar informações. Kuhlthau (1996) definiu a competência em
informação como um modo de aprender, enfatizando a noção de processo cognitivo,
construindo o que se convencionou chamar de modelo alternativo centrado no
usuário. A competência em informação abrange o aprendizado ao longo da vida e a
aplicação das habilidades informacionais no dia a dia.
Em 1989, o Presidential Committee on Information Literacy, da American
Library Association (ALA) observou que o desenvolvimento de competências
informacionais, pelo sujeito, está associado às habilidades de localizar, avaliar e
usar efetivamente a informação a partir de uma necessidade. Na verdade, a
competência informacional se concretiza na internalização da trajetória do 'saber
como aprender, como o conhecimento é organizado, como encontrar a informação e
como usá-Ia' de modo claro, para que outros aprendam a partir dela.
Neste sentido, a ALA define como postulado: fortalecer competências nos
usuários de modo a que tenha condições para identificar sua necessidade
informacional; conhecer e dominar os métodos e as estratégias de busca e
recuperação da informação utilizando tecnologias; adquirir o controle sobre recursos
e fontes de informação ao desenvolver suas habilidades e conhecimentos na gestão
da informação; reconheça a informação pertinente e adequada para a necessidade
detectada, transformando o conhecimento e ferramentas para a tomada de
decisões; ou seja, que o usuário internalize atitude crítica , analítica e reflexiva,
indispensável para a investigação e para a aplicação em sua vida pessoal e social,
bem como na geração de conhecimento.
Diante da recorrência desta temática, outras instituições veem buscando
definir uma série de princípios gerais, critérios e normas que permitam identificar o
usuário alfabetizado em informação. Destaca-se, dentre elas, a Associação
Americana de Bibliotecários Escolares (American Association of School LibrariansAASL), que estabelece três categorias e dentro de cada uma delas, critérios com
alguns indicadores, isto é, aspectos do domínio de cada competência , para sua
valorização. Para promover a cooperação internacional entre todo tipo de bibliotecas
e desenvolver programas, a ALFIN e a IFLA (International Federation of Library
Associations) apresentam normas para a alfabetização informacional, apontando
três aspectos básicos inter-relacionados - acesso, avaliação e uso - para que os
usuários possam constituir-se em aprendizes de fato da informação.
A alfabetização informacional, de acordo com os padrões da AASL, engloba
três tipos de conhecimento e habilidades: para encontrar a informação (localização e
recuperação documental e bibliográfica; manejo de ferramentas tecnológicas e
manejo de fontes de informação); para usar a informação (habilidades de
pensamento, estudo e investigação, produção e apresentação); para partilhar e
atuar eticamente com respeito à informação.
De maneira similar, as normas de alfabetização profissional da IFLA,
baseadas em experiências e contribuições internacionais, indicam os seguintes
aspectos básicos, que inter-relacionados permitem aos usuários constituir-se em
aprendizes efetivos da informação: acesso (o usuário acesa a informação de forma

1646

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efetiva e eficiente) ; avaliação (o usuano avalia a informação crítica e
competentemente) ; uso (o usuário aplica/usa informação de forma precisa e
criativa).
Diante da complexidade do cenário mundial, também a OCDE apresenta sua
preocupação, concebendo alguns projetos, a exemplo de Programa Internacional
para Avaliação de estudantes (PISA) e a Definição e Seleção de Competências. O
PISA, voltado para o ensino fundamental , avalia competências curriculares,
transversais, motivação para aprender, crenças e estratégias de aprendizagem e é
concebido segundo um conceito inovador de alfabetização, que toma como base a
capacidade dos alunos de aplicarem seu conhecimento e habilidades de conteúdo e
de analisar, raciocinar e de se comunicar efetivamente à medida que levantam,
resolvem e interpretam problemas de diferentes situações.
O glossário Cedefop da Comissão Européia (CEDEFOP - European Centre
for the Development of Vocational , 2008) define habilidades como capacidade de
realizar tarefas e de solucionar problemas e competência, como a capacidade de
aplicar os resultados de aprendizagem em um determinado contexto (educação,
trabalho, desenvolvimento pessoa ou profissional). Uma competência integra
elementos cognitivos (uso de teoria conceitos ou conhecimentos implícitos) e
aspectos funcionais (habilidades técnicas), atributos interpessoais (habilidades
sociais e organizacionais) e valores éticos.
A OECD agrupa as habilidades e competências nas seguintes categorias:
habilidades funcionais TIC (relevantes para uso em diferentes aplicações) ;
habilidades TIC para aprender (combinação de atividades cognitivas de ordem
superior com habilidades funcionais para o uso e manejo destas aplicações);
habilidades próprias do século XXI - focadas no uso das TIC , condição necessária
para atuar na sociedade do conhecimento .
Segundo a OCDE as competências podem ser ensinadas a) na dimensão
informação, b) na dimensão comunicação e c) na dimensão impacto ético social.
a) A dimensão da informação refere-se à explosão informativa
desencadeada pelas TIC , que requerem novas habilidades de acesso, avaliação e
organização da informação em contextos digitais. As habilidades desta dimensão
são as de investigar e resolver problemas, que integram: definir, buscar, avaliar,
selecionar, organizar, analisar, e interpretar informação. Os pesquisadores ainda
sugerem que as aplicações das TIC criam um entorno apropriado para habilidades
de ordem superior como a gestão, organização, análise crítica, resolução de
problemas e criação de informação.
Os processos de informação e conhecimento incluem a informação como
fonte e a informação como produto. A informação como fonte significa : busca,
seleção, avaliação e organização da informação. A grande massa de informação
disponível na internet e a proliferação de banco de dados exigem que se encontre e
se organize rapidamente a informação e o desenvolvimento de certa habilidade de
discriminação da informação.
A Informação como produto consiste na transformação da informação, pelo
usuário, desde que esta seja compilada e organizada . As habilidades que pertencem
a esta dimensão são: a criatividade, a inovação, a resolução de problema e a
tomada de decisões.
b) A dimensão da comunicação, que pode se concretizar pela comunicação
efetiva e pela colaboração e interação virtual. A comunicação efetiva necessita da

1647

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alfabetização em meios, o pensamento crítico e a comunicação. A colaboração e
interação virtuais dependem da capacidade para interagir dentro de grupo de amigos
virtuais ou de grupos que partilham de um mesmo interesse e a colaboração ou o
trabalho em equipe, além da flexibilidade e adaptabilidade .
c) A dimensão ética e impacto social. As habilidades e competências
relacionadas com a ética e o impacto social se constituem em responsabilidade
social e no impacto social , que pressupõem a habilidade de aplicar critérios para seu
uso responsável tanto em nível pessoal quanto ao nível social.
Mantilla Quintero, Morales Godoy, Gómez Flórez (2011) enriquecem a noção
de competência, acrescentando o conceito de competências científicas, referindo-se
à capacidade, do sujeito, de estabelecer relações com as ciências, a exemplo de: a)
conceber as ciências como sistemas de conhecimentos úteis para a vida e como
mapas para a ação (compreender linguagens abstratas e construção de
representações ou modelos para a explicação de fenômenos ; usar adequadamente
instrumentos, tecnologias e fontes de informação); b) conceber as ciências como
escolas de racionalidade ou práticas paradigmáticas (argumentar racionalmente
pontos de vista e consultar fontes primárias para resolver problemas; reconhecer
pontos de vista válidos e comunicar seu pensamento de forma clara e coerente).
Enfim , o conceito de competência científica supõe a apreensão do
conhecimento cientifico, pelo sujeito, que passa a compreender e explicar os
fenômenos e resolver os problemas sociais à luz da ciência .

3 Materiais e Métodos
Para alcançar os objetivos optou-se por um estudo exploratório, com o fim de
coletar os dados nos sítios de bibliotecas universitárias, identificando a existência de
serviços que, em tese, venham a promover o desenvolvimento de competências
informaciona is e científicas, utilizando critérios apontados pela literatura, a exemplo
de instituições internacionais como a OCDE, a ALA, a ALFIN, que permitam antever
a possibilidade do desenvolvimento de competências por estes serviços e possível
delineamento das habilidades inerentes às competências. Os resultados, deste
estudo, serão objeto de observação direta, numa fase posterior da pesquisa.

4 Resultados
Dos sites das bibliotecas visitadas foram obtidos os seguintes serviços
disponibilizados para os usuários considerando o conceito de information literacy.
UFRGS - orientação ao usuário, constituída de treinamentos e visita
orientada, orientação bibliográfica, na redação de trabalhos científicos, com
aplicação de normas da ABNT, apresentação de tutorial sobre circulação e
empréstimo do material bibliográfico e orientação à consulta no recinto da biblioteca .
UFPR - Orientações e/ou Treinamentos: proporciona orientação sobre a
organização e funcionamento das bibliotecas, uso do catálogo automatizado ,
utilização das obras de referência e outras fontes de informação, orientação para a
apresentação e normalização de trabalho acadêmico, orienta e realiza pesquisa

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bibliográfica sob demanda e disponibiliza tutoriais sobre alguns serviços prestados
pela biblioteca.
UFMG - visita orientada em duas modalidades: a) comunidade interna,
fornecendo informações gerais sobre o horário de atendimento, o regulamento da
biblioteca, a disposição do acervo nas estantes, os direitos e deveres dos usuários,
entre outras informações; b) comunidade externa : apresenta a biblioteca
universitária para alunos do ensino médio e fundamental , em que são apresentados
os serviços de referência, as obras raras , as obras de circulação, os periódicos;
orientação na normalização de trabalhos científicos.
UFMGS - treinamento de usuário: capacitação no uso de fontes de
informações online, em Bases de Dados do Portal de Periódicos da CAPES e Ebooks, orientação na normalização de trabalhos acadêmicos, capacitação em
recursos de pesquisa bibliográfica e realização de pesquisa bibliográfica sob
demanda, tutorial orientando sobre o manuseio do sistema de gerenciamento da
base de dados (Pergamum)
UFMT - Orientação ao usuário na localização do material bibliográfico e nas
consultas ao catálogo online; instrução quanto ao uso da biblioteca. Visita orientada,
visando capacitar o usuário quanto ao funcionamento e os produtos e serviços
oferecidos. Tutorial sobre o manuseio do sistema de gerenciamento de banco de
dados (Pergamum) e sobre a localização do material bibliográfico.
UFG - Visitas orientadas; treinamento aos usuários, objetivando orientar
quanto ao uso da biblioteca e das coleções, aos serviços prestados e às normas,
direitos e deveres e acesso ao Portal da CAPES . É obrigatório para estudantes da
UFG de cursos presencial ou EAD . Pode ser realizado na modalidade presencial ou
online. Orientação para normalização de trabalhos científicos; pesquisa bibliográfica.
Acesso ao Portal de Informação, constituído de: Biblioteca Digital de Teses e
Dissertações da UFG (BDTD/UFG); Portal de Periódicos UFG; Repositório
Institucional UFG. Tutoriais sobre serviços e produtos.
UnB - orientação para acesso ao Pergamum, sistema de gerenciamento do
banco de dados bibliográfico e de outros serviços oferecidos pela biblioteca, tais
como empréstimo de livro e localização de publicações na estante, com tutorial ;
orientação sobre o uso das normas na apresentação do trabalho científico, aplicando
normas da ABNT.
UFAC - treinamento de usuano, com orientação na consulta ao sistema
informatizado de gerenciamento do acervo e de outros serviços a ele associado, tal
como empréstimo bibliográfico e localização do material na estante, inclusive com
tutorial ; orientação quanto ao uso de obras de referência e à normalização de
trabalhos acadêmicos, com aplicação da ABNT.
Unifap - treinamento de usuário, inclusive com tutorial, para capacitação em
pesquisas em bases de dados, a exemplo do Portal de Periódicos da Capes, Scielo,
Biblioteca Virtual de Saúde - BIREME e Biblioteca Digital de Teses e Dissertações IBICT.

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UFPA - guia de usuário, com tutorial, composto de todos os serviços
disponíveis na biblioteca e como utilizá-los; e serviço de apoio ao usuário (SAU),
com orientação ao usuário quanto à consulta ao catálogo online, localização de
material bibliográfico e esclarecimentos quanto à utilização dos serviços oferecidos;
atendimento presencial e/ou por meio de telefone, fax e correio eletrônico .
Orientação na normalização técnica de trabalhos acadêmicos.
UFSC - visita orientada sobre produtos e serviços da biblioteca ; orientação
quanto aos recursos do Portal da BU, orientação, com tutorial, quanto ao acesso ao
Sistema de bibliotecas (Pergamum) treinamento para acesso ao Portal Capes, com
tutorial e videoaulas e para fontes de informação online; apresenta as principais
ferramentas existentes como recurso para revisões sistemáticas, integrativas e
análises bibliométricas: Journal Citation Reports (JCR) , índice H, etc.; Gerenciadores
bibliográficos: apresentam , de forma geral, os gerenciadores bibliográficos
disponíveis e exemplifica com a utilização do Endnote Web.
UFPE - orientação à pesquisa no Pergamum e no uso das coleções; visitas
dirigidas e treinamentos de usuários; estação da pesquisa : serviço de orientação de
pesquisa bibliográfica em bases de dados on-line, disponíveis no Portal Periódicos
CAPES. Orientação a elaboração de Monografias, Dissertações e Teses; tutoriais
sobre os manuais de serviços.
UFPI - treinamento de usuano: capacitação na utilização dos recursos
informacionais disponíveis para a comunidade acadêmica, a exemplo do Portal da
CAPES. Sala de xadrez, objetivando o desenvolvimento das capacidades cognitivas.
Orientação, inclusive com realização de curso para normalização de trabalhos
acadêmicos.
UFRN - visitas programadas, com apresentação da videoaula "Biblioteca:
espaço cultural", dando aos usuários uma visão global dos serviços oferecidos em
suas respectivas seções e de toda a estrutura física da biblioteca ; orientação para a
normalização de trabalhos acadêmicos; orientação quanto ao acesso e ao uso de
fontes bibliográficas.
UFS - visita com orientação sobre os serviços, setores e bases de dados que
as bibliotecas disponibilizam; serviço com recursos técnicos Braille para alunos
portadores de deficiência visual.
UNIRIO - visita orientada , visando apresentar a biblioteca e demonstrar os
serviços oferecidos ao usuário; treinamento no uso do Portal de Periódicos da
CAPES e curso de capacitação em pesquisa bibliográfica ; orientação e atualização
na aplicação de normas bibliográficas na elaboração de trabalhos acadêmicos;

Nos sites da UNIR, UFRR, UFT, UFGD, UFGC, UFPB não há oferecimento
de serviços que denotem competência informacional. Quanto ao Sistema de
Bibliotecas da UFBA, apesar de ter conhecimento de que o Sistema realiza visita
guiada para orientação sobre serviços e produtos oferecidos pelo Sistema e
treinamento em bases de dados, inclusive com orientação sobre o Portal CAPES ,
não há divulgação destas atividades no Portal da instituição.

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�Educação de usuários e competências informacionais
Trabalho completo

5 Conclusões

o planejamento de um programa de formação de usuários deve objetivar
projetar ações e medir resultados quanto à formação de usuários, no que tange ao
conhecimento e uso da biblioteca ; conhecimento dos serviços da biblioteca ;
formação de usuários no manejo de fontes , coleções e recursos; formação de
atitudes cívicas, científicas, culturais e sociais; promoção da leitura.
Já os conteúdos do programa de capacitação do usuário devem estar
correlacionados com os objetivos, tratando, portanto de assuntos próprios do
funcionamento interno das bibliotecas, como serviços, normas, regulamentos etc.;
manejo de fontes e recursos de informação, a exemplo de fontes e coleções; tipos
de unidade de informação; informação institucional (serviços, objetivos, funções,
regulamentos); formato de leitura; estratégias de busca e recuperação da
informação; formação da cidadania ; avaliação das atividades.
Como estratégias e meios didáticos utilizados para oferecer a formação de
usuários apresentam-se: visitas às áreas da biblioteca ; curso teórico e prático;
demonstração, além de entrevista coletiva . Como meios didáticos usam-se os
impressos, os audiovisuais, os visuais e os computacionais.
Quanto à avaliação, devem ser avaliados os conteúdos, metodologia,
facilitadores , objetivos, tempo, participantes, recursos, entre outros.
Isto posto, as informações obtidas diretamente dos sites analisados, permitem
concluir que os programas de formação de usuários das bibliotecas universitárias,
com poucas exceções, apresentam desenvolvimento incipiente. Das 22 bibliotecas
visitadas, 15 apresentam indícios de oferecimento de algum tipo de orientação ao
usuário. Sete, portanto, não divulgam a realização de serviços desta natureza.
Um programa de desenvolvimento de competências informacionais pressupõe
a existência de profissionais pesquisadores para propor um projeto que contemple o
estudo de contexto, análise de características e peculiaridades dos usuários, assim
como o comportamento informacional, especialmente suas necessidades de
informação, com o propósito de verificar o nível de competência e comportamento
informacional, para a concepção e preparação do programa, inclusive com bases
pedagógicas.
Tomando como parâmetro os critérios elencados por várias instituições e
estudioso da temática da competência informacional, infere-se que a biblioteca
universitária brasileira , apresenta tímidas e fragmentadas ações no que se refere á
formação do usuário, em decorrência, provavelmente, da falta de políticas
ministeriais e acadêmicas que contemplem a biblioteca como mola propulsora da
atividade acadêmico-científica, essencial à inovação e criação e valorização do
conhecimento. Isto pressupõe também a instalação de infraestrutura adequada, de
recursos financeiros e de equipe profissional interdisciplinar, capacitada para
desenvolver programas desta natureza.
Vale ressaltar que já existem alguns modelos de formação de usuários da
informação na América Latina. Estes modelos apóiam-se em teorias e situações
concretas, subsidiadas por estratégias cognitivas, que orientem as ações com o
propósito de atuar sobre a realidade e mudar ou modificar e facilitar a explicação de
situações.

1651

�Educação de usuários e competências informacionais
Trabalho completo

6 Referências
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1652

�Educação de usuários e competências informacionais
Trabalho completo

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: A biblioteca universitária como laboratório na sociedade da informação.</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Desenvolvimento de competências em usuários de bibliotecas universitárias: petencializando a atitude científica.</text>
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              <text>Varela, Aida Varela; Barbosa, Marilene Lobo A.; Silva, Joilma Maltez; Teixeira, Ana Paula Santos S.; Moura, Ana Valéria de Jesus</text>
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              <text>Reflete-se sobre o grau de compreensão e interpretação da informação pelo indivíduo, sobre as competências e habilidades necessárias, ao usuário, para alcançar, apropriar-se do conhecimento científico e sobre a responsabilidade da biblioteca universitária, como propulsora da pesquisa e do ensino e potencializadora do desenvolvimento da atitude científica do usuário. Apresentam-se resultados de pesquisa experimental, com coleta de dados nos sites das bibliotecas universitárias, sobre a promoção de capacitação para o usuário com foco no desenvolvimento de competências informacionais e de atitude científica. Conclui-se que ainda é incipiente a aplicação de conceitos e práticas sobre competência informacional, à luz de instituições promotoras deste movimento.</text>
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