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                  <text>Arquitetura da informação: usabilidade. ergonomia . entre outros
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ARQUITETURA DE INFORMAÇÃO APLICADA A PORTAIS
EDUCACIONAIS: ANÁLISE DO PORTAL DE PERiÓDICOS DA CAPES
Cíntia Santos 1, Maria Irene da Fonseca e Sá 2
1Graduanda em Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação, na Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
2 M.

Sc. Engenharia de Sistemas e Computação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio
de Janeiro, Rio de Janeiro

Resumo

o Portal de Periódicos da CAPES, assim como outros portais educacionais, é
uma importante fonte de informação na Internet e requisita avaliação constante para
que atinja seus objetivos e as expectativas de seus usuários. Através da análise
heurística do portal e com a utilização de dez heurísticas de usabilidade
consagradas de Jakob Nielsen, observam-se a importância da métrica de
usabilidade para o desenvolvimento de portais, a relação com a acessibilidade, outra
métrica importante dentro de um projeto de arquitetura de informação, e identificamse pontos fortes do portal bem como pontos fracos , aos quais podem se implementar
melhorias que reforcem a missão e os objetivos do mesmo.
Palavras-Chave:
Arquitetura de informação; Usabilidade; Heurísticas; Portais educacionais;
Portal de Periódicos da CAPES.

Abstract
The Portal de Periódicos da CAPES, alike other educational portais, it's an
important source of information on the Internet and as such requires constant
evaluation to fulfill its users's expectations and goals. Through heuristic analysis of
the portal and with the use of ten usability heuristics by Jakob Nielsen, the
importance of usability for portal's development and its relation with accessibility is
noted ; and the strongest and weakest points of the portal - which can be improved to
reinforce the educational portal's mission and goals - are identified.

Keywords:
Information Architecture; Usability; Heuristics; Educational Portais; Portal de
Periódicos da CAPES.
1 Introdução
As fontes de informação na internet figuram como um meio rápido e dinâmico
para difusão da produção científico, e também como uma fonte de pesquisa para os

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acadêmicos e discentes de quaisquer níveis, bem como indivíduos que buscam por
informações pontuais ou mesmo mais específicas. A disponibilização de publicações
eletrônicas permite "o acesso, produção e disseminação de informação em larga
escala, por um único indivíduo ou por organizações, revolucionando toda a estrutura
(00 ') que estava em vigor antes do advento da Internet" (LOPES, 2004, p. 81). As
bases de dados, os portais educacionais e sites de instituições de ensino são
requisitados por tal motivo e, na intenção de atender ao público-alvo e potencial ,
convém a adoção de critérios básicos para o desenvolvimento de tais produtos.
O campo de pesquisa da Arquitetura de Informação e outros a ela
relacionados, dentre eles a Ciência da Informação e o Ergodesign, possuem carga
teórico-prática para servir de ferramenta no auxílio à construção de portais e bases
de dados educacionais. O Ergodesign - que tem por objetivo entender a utilização
dos computadores, os graus de dificuldade e facilidade, auxiliando no desenho de
produtos voltados para o modelo mental do usuário (AGNER, 2009) - e a Arquitetura
de Informação - que é o design estrutural de ambientes de informação
compartilhada, ou a combinação de organização, categorização, busca e sistemas
de navegação dentro de web sites e intranets (MORVILLE ; ROSENFELD , 2007) se aliam na disponibilização do conteúdo digital através de tecnologia habilitada de
maneira inteligível, interativa e atrativa ao usuário.
Tal problemática também é objeto de estudo da Ciência da Informação,
definida como "o campo mais amplo, de propósitos investigativos e analíticos,
interdisciplinar por natureza, que tem por objetivo o estudo de fenômenos ligados à
produção, organização, difusão e utilização de informações em todos os campos do
saber" (CNPq . AVALIAÇÃO PERSPECTIVA, 1983 apud OLIVEIRA, 2005, p. 17).
O desenvolvimento de portais educacionais, assim como outros projetos de
arquitetura de informação, tenta equilibrar diferentes variáveis para atingir os
objetivos do produtor e divulgar o conteúdo de maneira a privilegiar também a
usabilidade, métrica de grande importância, englobando conhecimentos destes dois
campos de pesquisa e também de outros, visto que é uma área multidisciplinar.
A usabilidade - alavancada pela aplicação das técnicas de
ergodesign - assumiu um novo caráter estratégico para as empresas
e organizações em geral. O usuário hoje quer a melhor perfomance
(seja das empresas privadas, ongs ou do próprio governo) e o
concorrente está a uma googlada de distância. Por isso, o
ergodesign e a arquitetura de informação são áreas realmente
estratégicas na configuração de sistemas interativos na web (e fora
dela) (AGNER, 2009, p. 12).
A Internet, "uma rede global de computadores ou , mais exatamente, uma rede
que interconecta outras redes locais, regionais e internacionais" (CAMPELLO;
CENDÓN ; KREMER, 2000, p. 276), tornou-se a forma de transmissão da
informação, consagrada nas últimas décadas do século XX e início do século XXI. A
primeira rede experimental foi criada pelo Oepartment Df Oefense dos Estados
Unidos no final da década de 60, e chamada de Advanced Research Projects
Agency Network (ARPANET), e funcionou no período de 1975 a 1989. AARPANET

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foi crucial por ser estímulo para outras tecnologias de comunicação e para a rede
como a conhecemos hoje (CAMPELLO ; CENDÓN ; KREMER, 2000).
As formas de transmitir informação foram evoluindo e passando por
diversas fases, desde o papiro, os livros, as revistas e jornais, até
chegarmos ao dias actuais, onde é possível publicar uma série de
recursos através dos inúmeros ambientes disponíveis na Internet, de
fácil e rápido acesso (BOTTENTUIT JUNIOR; COUTINHO, 2009, p.
1).

A velocidade em que se dá a transmissão e se faz possível o acesso à
informação provém do avanço das tecnologias de informação e comunicação, que
experimentam uma evolução contínua, a exemplo da evolução das redes e da
integração de funções a equipamentos eletrônicos e digitais, e marcam o passo e a
dinamicidade esperada pelos usuários das tecnologias e dos serviços oferecidos
através delas.
A expansão dos volumes de dados suportados pelas redes, a variedade de
formatos de documentos e mesmo a possibilidade de digitalização de livros e
revistas científicas, por exemplo, para documentos eletrônicos, viabilizou o acesso a
fontes de informação na Internet de maneira mais eficaz. A área científica se
beneficia diretamente destes avanços desde os primórdios da Internet.
Aproximadamente até o final da década de 80, a nível internacional, seu uso era
mais expressivo pela comunidade científica e acadêmica, e no Brasil , quase todas
as 500 instituições brasileiras com presença na internet até 1995 - ano em que foi
liberado seu uso comercial no país - eram universidades ou instituições de pesquisa
(CAMPELLO ; CENDÓN ; KREMER, 2000) .
Se antes a oferta de serviços e recursos de informação na Internet era
considerada modesta e a literatura publicada sobre a importância das redes como
fonte de informação um exagero retórico (LYNCH ; PRESTON , 1990 apud
CAMPELLO; CENDÓN ; KREMER, 2000) , a realidade atual não deixa dúvidas de
que é necessário que se discuta e pesquise formas de não só disponibilizar o acesso
pela rede a fontes de informação, mas, no caso do Portal de Periódicos da CAPES ,
justificar os esforços para o melhoramento dos portais e a sua importância e
contribuição para a comunidade científica brasileira .
Este trabalho dedica-se a analisar o Portal de Periódicos da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) para determinar se ele
submete-se aos critérios de análise heurística de usabilidade, segundo as
heurísticas escolhidas e a literatura disponível sobre o assunto, apresentar os
resultados desta análise e considerações pertinentes. O objetivo geral do trabalho foi
investigar a usabilidade do Portal de Periódicos CAPES. E os objetivos consistem
em : expor o conceito de arquitetura de informação e usabilidade; analisar o Portal de
Periódicos da CAPES a partir de heurísticas eleitas entre autores da área de
arquitetura da informação; e identificar a importância de um projeto de arquitetura de
informação em portais educacionais a partir dos resultados obtidos.

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2 Revisão de Literatura
A arquitetura de informação tem como uma de suas definições o design
estrutural de ambientes compartilhados de informação, ou a combinação de
organização, rotulação, busca, e sistemas de navegação para dar suporte a web
sites e intranets (MORVILLE; ROSENFELD, 2007). O termo "arquitetura de
informação" foi cunhado por Wurman nos anos 70, e se pensou na missão do
profissional da área como a de "organizar padrões dos dados e de transformar o que
é complexo e confuso em algo mais claro" (AGNER, 2009, p. 78) .
A partir da definição de Morville e Rosenfeld (2007), Agner (2009) entende
que a arquitetura de informação é composta por quatro sistemas interdependentes:
sistema de organização, que dita a apresentação da organização e da categorização
do conteúdo; sistema de rotulação, que define a terminologia e os signos visuais
para os elementos informativos e de suporte à navegação do usuário; sistema de
navegação, o qual especifica formas de se mover através dos espaços
informacionais; e sistema de busca , que determina quais perguntas o usuário pode
fazer e que respostas obterá no banco de dados.
Ao desenvolver um projeto para um web site, é imprescindível que se
conheça o contexto da organização, o conteúdo com o qual irá se trabalhar e a
quem se destina o web site, ou seja , quem são os usuários. Morville e Rosenfeld
(2007) destacam que esta é a base na criação de um projeto de arquitetura de
informação eficiente.
A usabilidade deve ser observada nas várias etapas do projeto, para evitar
problemas como, por exemplo, de navegação, em que "os usuários têm dificuldade
para encontrar a informação desejada no site ou não sabem como retornar a uma
página anteriormente visitada" (PIMENTA; WINCKLER, 2002, p. 4).
2.1 Usabilidade
A usabilidade é um fator subjetivo que concerne à satisfação do usuário, um
indicador de qualidade da interação dos usuários com determinada interface
(BEVAN, 1995 apud PIMENTA; WINCKLER, 2002), e de acordo com a ABNT definese como "a medida na qual um produto pode ser usado por usuários específicos
para alcançar objetivos específicos com eficácia , eficiência e satisfação em
contextos específicos de uso" (ABNT, 2002 apud MACHADO; MEIRELLES, 2007 , p.
57).
Os métodos de avaliação de um web site diferem quanto à sua aplicação, e
devem ser escolhidos levando em conta sua viabilidade (tempo, custo, participação
de usuários ou especialistas) e adequação aos objetivos da análise. Para investigar
a usabilidade do Portal de Periódicos CAPES serão utilizadas as heurísticas de
Nielsen (1993 apud PIMENTA; WINCKLER, 2002).
2.2 Heurísticas
A análise heurística de um web site é o método pelo qual um avaliador

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interage com a interface e julga sua adequação segundo princípios de usabilidade
reconhecidos , denominadas heurísticas (WINCKLER; PIMENTA, 2002). Esta análise
pode ser utilizada tanto no início do projeto como para avaliá-lo depois de sua
implementação, e dela resulta um documento com os pontos fortes e fracos do web
site , além de recomendações para melhorias (CHANDLER; UNGER, 2009).

o trabalho utilizará as 10 recomendações heurísticas de Nielsen , listadas por
Pimenta e Winckler (2002 , p. 29) , que são resumidamente :
A) Diálogos simples e naturais - esta recomendação diz que as interfaces
devem ser simples, e combinar tarefas para também simplificar o
mapeamento entre os conceitos computacionais e os do usuário, e de certa
forma , permitir que o usuário controle o diálogo, para que a sequência de
tarefas se ajuste às suas preferências;
B) Falar a linguagem do usuário - através de verificação de termos mais
utilizados pelos usuários e de seu modelo mental, deve-se construir a
terminologia e organizar as informações;
C) Minimizar a sobrecarga de memória do usuário - com comandos genéricos
e permitindo que o usuário faça suas escolhas, deve-se tornar a interface
de fácil aprendizado ao usuário para que ele, com poucos comandos,
trabalhe com vários tipos de dados;
D) Consistência - os comandos e operações devem ser consistentes, para
facilitar o reconhecimento ;
E) Feedback - de acordo com o tempo de resposta , o sistema deve prover ao
usuário feedback sobre uma tarefa em andamento, e informar
continuamente ao usuário o que está fazendo de modo a situá-lo;
F) Saídas claramente marcadas - deve-se oferecer aos usuários opções para
desfazer ações ou abortá-Ias, preferencialmente com comandos genéricos
e de fácil apreensão;
G) Atalhos - os atalhos devem servir tanto a usuanos mais experientes
quanto a iniciantes, tornando possível executar ações com rapidez, por
exemplo, através de botões para funções especiais ou mesmo para a
função de volta em sistema de hipertexto;
H) Boas mensagens de erro - as mensagens devem ser claras e ajudar o
usuário a resolver o problema , e não intimidá-lo;
I) Prevenir erros - a partir do momento que se identifique uma situação de
erro, deve-se prevenir que aconteçam através da modificação da interface;
J) Ajuda e documentação - estes recursos devem estar facilmente acessíveis

on-line.

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2.3 Portais educacionais

o volume informacional publicado na Internet cresce exponencialmente e, na
maioria das vezes, de forma desordenada. A multiplicidade de informação, de
formatos de documentos e tecnologias envolvidas demanda uma maneira de reunir
estas informações, dispor e facilitar o acesso ao conteúdo num único ambiente, o
portal (BOTTENTUIT; COUTINHO, 2009) .
O portal é por definição um web site, uma forma original de sistema
hipermídia distribuído, criado por Tim Bernes-Lee, para permitir a pesquisa e o
acesso direto a documentos e informações publicadas em computadores que
formam a rede Internet, através de um browser e do protocolo de comunicação
Hypertext Text Transfer Protocol (HTTP) (WINCKLER; PIMENTA, 2002). Em nível
mais específico, um web site pode ser classificado como portal com a identificação
de alguns elementos diferenciais, e entende-se, para fundamentação desta
pesquisa, que:
Um portal é um endereço na Internet que pode funcionar também
como apontador para uma infinidade de outros sites ou subsites
dentro do próprio portal ou para páginas exteriores. Na sua estrutura,
podem identificar-se elementos como: um motor de busca, um
conjunto considerável de áreas subordinadas com conteúdos
próprios, uma área de notícias, um ou mais tópicos num fórum ,
outros serviços de geração de comunidades e um directório,
podendo incluir ainda outros tipos de conteúdos de acordo com a
temática que aborda (BOTTENTUIT JUNIOR; COUTINHO, 2009, p.
1).

A temática do portal escolhido como objeto de estudo, o Portal de Periódicos
da CAPES, é educacional , e apesar de em sua missão ser dito que é uma biblioteca
virtual, percebe-se que ele possui características que o identificam como um portal
educacional.
Um portal educacional deve ser capaz de proporcionar um ambiente
colaborativo para o desenvolvimento, a avaliação e a partilha de
materiais e recursos educativos, o que levanta de imediato a questão
de qualidade dos conteúdos disponibilizados e das funcionalidades
técnicas do sistema (JAFARI; SHEEHAN, 2003 apud BOTTENTUIT
JUNIOR; COUTINHO, 2009, p. 2)
As funcionalidades técnicas serão investigadas a fim de verificar se o conceito
de usabilidade foi aplicado na construção do Portal de Periódicos da CAPES , o qual
é de responsabilidade da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior (CAPES) . A CAPES atua na "expansão e consolidação da pós-graduação
stricto sensu (mestrado e doutorado) em todos os estados da Federação". Algumas
de suas linhas de ação são o "acesso e divulgação da produção científica " e a
"promoção da cooperação científica internacional", e estas se relacionam
diretamente com a existência do portal de periódicos.
O portal de periódicos foi lançado em 2000, segundo informações do próprio
portal , e fornece acesso livre a bases referenciais e de texto completo para

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instituições de ensino e pesquisa do Brasil. Sua coleção reúne textos selecionados
de 26.446 mil publicações periódicas internacionais e nacionais, nove bases
dedicadas a patentes, livros, enciclopédias e obras de referência , normas técnicas,
estatísticas e conteúdo audiovisual.
Seu surgimento está ligado a iniciativas anteriores da CAPES , como o
Programa de Apoio À Aquisição de Periódicos (PAAP) e o Programa de Biblioteca
Eletrônica (ProBe) . Ambos foram criados após a extinção do Programa de Aquisição
Planificada de Periódicos (PAP), que financiava a renovação de assinaturas de
publicações periódicas nas Instituições de Ensino Superior (IES) do Brasil, e ao ser
extinto, prejudicou estas instituições que contavam com o programa para completar
suas coleções (MACHADO; MEl RELES, 2007) .
São duas as tipologias de portais: vertical ou horizontal, diferenciando-se da
seguinte maneira:
Para o autor, "um portal horizontal pode ser entendido como um site
com informações e serviços destinados a um público genérico, com o
objectivo de atender às necessidades do maior número de pessoas
possível, nos mais diversos assuntos". Já o portal vertical "é
especializado em determinado seguimento específico", ou seja,
procura "atender às necessidades de um determinado grupo de
usuários relacionado a um único assunto ou uma área de interesse"
(GRANDE, 2003 apud BOTTENTUIT JUNIOR; COUTINHO, 2009, p.
1).

O Portal de Periódicos CAPES encaixa-se melhor na definição de portal
vertical, apesar de seu conteúdo se dedicar a diferentes áreas científicas, pois as
informações contidas nele são dedicadas a um grupo específico de interesse, um
público-alvo definido - alunos, professores, pesquisadores e funcionários das
instituições de ensino e pesquisa participantes - e o acesso ao conteúdo
integralmente é restrito a estes.
O reconhecimento da importância do portal para a comunidade científica
brasileira se reflete em estatísticas. Em 2001, participavam do portal 72 instituições,
e em 2010 já eram 311 (ver Gráfico 1). E há um feedback destas instituições, visto
que os usuários podem sugerir publicações ao portal através de um formulário de
contato e avaliar títulos temporariamente disponíveis.
Nümlõ'fo de IES com Acesso ao Portal de Periôdicos · 2001 ·20 10

350

311

311

300

2001

2002

2003

2004

200S

2006

2007

fOn~: CAPf:5/C(;I'P

Gráfico 1

1249

2008

2009

"2010

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Fonte: CAPES. Disponível em: &lt;
http://www.periodicos.capes.gov.br/index.php ?option=com pestatistics&amp;m n=69&amp;sm n=7

1&gt;. Acesso em 20 abr. 2011 .

3 Materiais e Métodos
A metodologia consistiu em uma pesquisa exploratória, devido ao seu caráter
flexível, e de revisão de literatura da área de Ciência da Informação e de Tecnologia
da Comunicação e Informação e de Arquitetura de Informação para construir a base
teórica, a qual forneceu os conceitos e a terminologia utilizada ao longo deste
trabalho.
Na parte prática, foi analisada a usabilidade do Portal de Periódicos da
CAPES, que seguiu o processo proposto por Chandler e Unger (2009) para a análise
heurística de sites, com as seguintes ações: reunir o conhecimento sobre a origem
do produto e do projeto; escolha da heurística utilizada; inspeção de áreas de
prioridade do site, identificando se as heurísticas são aplicadas ou não;
apresentação das observações e recomendações.
As primeiras ações foram contempladas com a investigação do portal , sua
missão, visão e objetivos, que são descritos no corpo do trabalho junto a um
histórico. As heurísticas eleitas para analisar as áreas do portal , tanto as que abertas
ao público geral quanto as que requerem acesso permitido às instituições
participantes, são de Nielsen (1993 apud PIMENTA; WINCKLER, 2002). Foram
utilizados, como critério de validação para observar como se comporta o portal , três
navegadores distintos na análise dos aspectos pré-definidos do Portal Periódicos
CAPES: o Internet Explorer, o Mozilla Firefox e o Google Chrome, em suas versões
mais atuais no momento da análise. Segundo dados do StatCounter Global Stats
visualizados no gráfico 2, no período entre maio de 2010 e maio de 2011 , estes três
navegadores foram os mais utilizados por usuários de vários locais (ver Gráfico 2).
StatCounter Global Stals
Top:5 Brow!õers from Ma.,. 10 to l"Ia.,. 11

o'tôo,····· ··········· ······················· ············ ... ....... . __ ...... . .

Gráfico 2
Fonte: http://gs.statcounter.com/

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A utilização de diferentes navegadores parte do principio de que a
acessibilidade e a usabilidade são métricas interrelacionadas quando se analisa um
conteúdo digital, pois um web site, e qualquer produto ou conteúdo digital, que
considere estas duas métricas em seu desenvolvimento está agregando qualidade. A
usabilidade tratará de atender a um público específico em suas peculiaridades,
enquanto a acessibilidade permitirá que os usuários consigam acessar e usufruir das
funcionalidades do produto (MAZZONI ; TORRES, 2004). E, apesar das métricas de
usabilidade e acessibilidade serem aplicadas a outros contextos, aqui serão
aplicadas como vistas dentro da disciplina de Arquitetura de Informação.
Não é propósito deste trabalho a análise da qualidade dos periódicos, bases e
outros materiais disponibilizados no Portal da CAPES, cada um em sua
especificidade, uma vez que o foco é a avaliação heurística da usabilidade, aplicada
ao portal. Ressalta-se também que a pesquisa é realizada através de observação,
sem produzir qualquer violação do conteúdo do portal ou de seu conteúdo ,
observadas as Normas para uso das publicações eletrônicas.
Após a familiarização com a interface e o conteúdo do portal , seguiram-se as
etapas de avaliação heurística do mesmo. Esta contou com a participação de 1 (um)
avaliador, com o auxílio de um quadro para análise do grau dos problemas
encontrados. Levou-se em conta a adaptação do sistema aos 3 (três) navegadores
previamente mencionados. As etapas da análise estão descritas a seguir:
A) Acesso ao site em cada navegador separadamente;
B) Análise de cada seção por vez;
C) Anotação breve de problemas e/ou dificuldades encontrados;
D) Atribuição de nota quanto ao grau de severidade do problema/dificuldade,
ou a inexistência do mesmo. No caso de inexistência de problema, também
é feita observação sobre o porquê de atender a heurística;
E) Reunião dos dados;
F) Apresentação dos resultados.
A classificação quanto ao grau de severidade dos problemas encontrados
segue as recomendações de Nielsen (2005), considerando a freqüência em que os
problemas ocorrem , o impacto que eles têm e sua persistência . A partir disso,
Nielsen (2005) elege uma escala de valores de O a 4 para classificar os problemas
de usabilidade:
A) O: não é um problema de usabilidade;
B) 1: é um problema cosmético, em que só é necessária correção se houver
tempo disponível;
C) 2: problema menor de usabilidade, com prioridade baixa de correção;
D) 3: problema maior de usabilidade, com prioridade alta de correção;
E) 4: grande problema de usabilidade, que precisa de correção imediata.

4 Resultados Parciais/Finais

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A
análise
heurística
do
Portal
de
Periódicos
da
CAPES
(http ://www.periodicos.capes.gov.br/) de acordo com as heurísticas de Nielsen (1993
apud PIMENTA; WINCKLER, 2002) com o auxílio de um quadro (ver Quadro 1).
Quadro 1. Análise heurística de usabilidade
Heurísticas de
Nielsenl Avaliação
Diálogos simples e
naturais
Falar a linguagem do
usuário
Minimizar a
sobrecarga de
memória do usuário

O

1

2

3

4

X
X

x
x

Consistência
Feedback

X

Saídas claramente
marcadas

X

Atalhos

X

Boas mensagens de
erros

X

Prevenir erros

X

Ajuda e
documentação

X

Uma preocupação preliminar ao início da análise heurística era se o portal se
comportaria da mesma maneira com os três navegadores selecionados. Assim , foi
realizada a comparação dos resultados na utilização dos três navegadores e a
conclusão é que o portal se comporta da mesma forma no uso dos três navegadores
escolhidos.

4.1 Pontos fortes
A localização do usuário dentro do portal é mostrada durante a navegação por
todas as seções e subseções, com o indicativo "Você está aqui" seguido pelos links
os quais são uma representação do sistema de navegação global, que "fornece links
para áreas-chave do site, a partir de qualquer página e está geralmente disposta no
topo ou no rodapé das páginas" (WODTKE , 2002 apud AGNER, 2009) .
Na seção de Busca, ao Buscar por assunto, conforme o termo inserido pelo
usuário é pesquisado nas bases, aparece uma barra animada mostrando que a
solicitação está em progresso. Também é indicada em quais bases a pesquisa está
finalizada e em quais ainda está em progresso com os rótulos "FINALIZADO" e

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"PESQUISANDO", além de haver a opção de cancelar a busca . Tais recursos
satisfazem às heurísticas de Feedback e Saídas claramente marcadas, bem como a
de Falar a Linguagem do Usuário, com a utilização de termos comuns nos rótulos.
A busca fornece filtros de assunto, datas, títulos de periódicos e bases, e
apresenta resultados em ordem de relevância , ano, título, autor ou base. As opções
dos filtros e na visualização de resultados, com registro completo ou individual de
artigos encontrados, satisfazem a heurística de Diálogos simples e naturais, pois
proporciona ao usuário controle sob a tarefa de busca , e também a de Minimizar a
Sobrecarga de Memória do Usuário, ao fornecer diversas visualizações para que
este escolha a que melhor lhe convier.
Os botões tem símbolos familiares, como o botão para adicionar um registro
da busca à sessão privada do usuário cadastrado "Meu espaço", que é um sinal de
adição, e as mensagens de erro existem , e são instrutivas, correspondendo às
heurísticas de Boas mensagens de erro e Atalhos, além da Prevenção de Erros.
O recurso de ajuda está no cabeçalho fixo a todas as páginas, e também há
uma seção de Suporte que reúne treinamentos, material didático para uso das fontes
informacionais disponibilizadas pelo portal , dúvidas freqüentes a usuários e um help
desk que conta com bibliotecários de várias regiões para auxiliar no uso do portal ,
motivo pelo qual não se encontrou problema na heurística de Ajuda e
Documentação. Está presente também no cabeçalho fixo um link para o "Fale
Conosco", que segundo Nielsen (2002) estimula o contato dos visitantes, e deve
incluir informações de contato local e eletrônico .
4.2 Pontos fracos
Dentre os problemas encontrados no portal estão o excesso de informação na
Página Inicial (ver Figura 1). Apesar de contar como ponto positivo o destaque para
a busca, que é uma das tarefas principais senão a mais importante, seguindo a
recomendação de Nielsen (2002, p. 10) para "enfatizar as tarefas de mais alta
prioridade, para que os usuários tenham um ponto de partida definido na
homepage", alguns problemas que vão de encontro a diretrizes de usabilidade para
a homepage (página inicial do web site) definidas pelo autor são encontrados, como:
A) "Não usar links genéricos como 'Mais' no final de uma lista de itens"
(NIELSEN , 2002, p. 18) - É utilizado "Veja mais" no final das áreas de
Notícias, Coleções e Treinamentos. Nielsen (2002) coloca que links
genéricos confundem o usuário quanto a que conteúdo ou página levarão,
e isso se agrava com a presença de mais de um na mesma página . Este foi
considerado um problema de Consistência de grau 2;
B) "Jamais animar elementos críticos da página , como logotipo, slogan ou
título principal" (NIELSEN , 2002 , p. 22) - Há uma área de destaque para
artigos de pesquisadores brasileiros que contém texto animado, o que
dificulta a leitura, além do que a animação produz efeito hipnótico, e apesar
de atraírem a atenção dos usuários, é menos provável que ocorra a
assimilação das informações do que se estas estivessem em formato

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simples (Nielsen, 2002). Isto vai de encontro à heurística de Minimizar a
sobrecarga de memória do usuário, classificado como um problema de
grau 3.

4.3 Acessibilidade
A acessibilidade é outro critério que denota qualidade da fonte de informação
em meio digital, ou mais especificamente, ao conteúdo digital. Entende-se como
conteúdo digital o conteúdo que tem suas informações codificadas em binário e
processadas através de sistemas informáticos digitais (MAZZONI ; TORRES, 2004).
A acessibilidade no espaço digital consiste em tornar disponível ao
usuário, de forma autônoma, toda a informação que lhe for
franqueável (informação para a qual o usuário tenha código de
acesso ou, então, esteja liberada para todos os usuários),
independente de suas características corporais , sem prejuízos
quanto ao conteúdo da informação (ALVES; TORRES; MAZZONI ,
2002, p. 85).

A acessibilidade é regulamentada pela legislação brasileira, com a lei 10.098,
de 19 de dezembro de 2000, e no caso específico dos web sites, o World Wide Web
Consortium (W3C) é responsável pelas diretivas de acessibilidade para a Internet
(ALVES ; TORRES ; MAZZONI, 2002).
Se a usabilidade atenta para a satisfação de usuanos específicos, a
acessibilidade aponta para as necessidades de todos. Mazzoni e Torres (2004)
atentam que não se pode considerar que um produto é acessível levando em conta
que apenas algumas pessoas consigam interagir com ele . Isto também é válido para
web sites, e ao analisar o Portal de Periódicos da CAPES, notou-se que alguns
recursos de acessibilidade eram disponibilizados ao topo da página : opções para
aumentar e diminuir a fonte e para modificar o contraste do web site.
Ao testar a funcionalidade de tais ferramentas, concluiu-se que a utilização
delas produzia prejuízos no acesso ao conteúdo. Na Página Inicial, com a mudança
de contraste para um fundo escuro, a leitura das informações era prejudicada - a cor
da fonte não acompanha a mudança de contraste - e a imagem que aparece
normalmente na versão de contraste claro (ver Figura 2) , some com a mudança (ver
Figura 3).

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Figura 2 - Contraste escuro

Figura 3 - Contraste claro

Outro problema é que o aumento da fonte faz com que o conteúdo de
algumas partes do layout extravase as áreas para ele delimitadas e que a leitura dos
rótulos fique prejudicada ou ilegível.
Da mesma forma , na seção de Notícias, assim como nas outras seções e
subseções, o cabeçalho da página com o rótulo da seção ou subseção não se
adéqua à mudança de contraste no fundo, bem como os botões. E, nota-se mais
uma vez a dificuldade de leitura pela cor da fonte em algumas partes do conteúdo da
página .

5 Considerações Parciais/Finais
O Portal de Periódicos CAPES é uma fonte de informação na Internet de
grande importância para a comunidade científica brasileira , visto que democratiza o
acesso ao conteúdo de publicações científicas e materiais a todas as instituições
brasileiras participantes, possibilitando assim o melhor aproveitamento destes
recursos. Além disso, a reunião de assinaturas num único portal reduz os custos
com assinaturas de periódicos e bases científicas, que tem um grande impacto no
orçamento das bibliotecas e unidades de informação, além de reduzir o espaço físico
ocupado pelas coleções.
Os estudos sobre os web sites, dentre eles os portais educacionais, a
exemplo do Portal de Periódicos da CAPES , e sua avaliação constante são
necessários. Apesar de existirem várias recomendações, conjuntos de requisitos e
técnicas para construção deles, as necessidades dos usuários diferem e mudam,

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bem como a tecnologia avança e os padrões que a norteiam acompanham este
desenvolvimento.
A análise heurística é apenas uma das formas de avaliar web sites, e não
cobre todos os aspectos que devem ser observados, por isso deve ser
complementada com a aplicação de outras técnicas, como o teste de usabilidade
utilizando a técnica de card-sorting. Para este trabalho, que pretendia mostrar a
situação atual do site e a partir da análise, apontar a importância de um projeto de
arquitetura de informação em portais educacionais, a análise heurística mostrou-se
contributiva.
A usabilidade como parte do projeto de arquitetura de informação atribui
qualidade aos portais educacionais e não deve ser desprezada como métrica
constituinte no desenvolvimento dos projetos. A partir da análise, pode se entender
que é possível corrigir erros muitas vezes imperceptíveis à primeira vista , e que
dificultam o acesso e compreensão do conteúdo do Portal de Periódicos CAPES por
seus usuários. Da mesma forma, a acessibilidade deve ser observada,
principalmente no caso do Portal de Periódicos CAPES que é de responsabilidade
de um órgão governamental, visto que a promoção da acessibilidade é garantida
pela legislação brasileira .

6 Referências
AGNER, Luiz. Ergodesign e arquitetura de informação: trabalhando com o
usuário. 2. ed . Rio de Janeiro: Quartet, 2009. 196 p.
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os portais educacionais disponíveis em língua portuguesa . In: Simpósio Internacional
de Informática Educativa, 11, 2009 , Coimbra. Anais eletrônicos ... Braga:
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <text>O Portal de Periódicos da CAPES, assim como outros portais educacionais, é uma importante fonte de informação na Internet e requisita avaliação constante para que atinja seus objetivos e as expectativas de seus usuários. Através da análise heurística do portal e com a utilização de dez heurísticas de usabilidade consagradas de Jakob Nielsen, observam-se a importância da métrica de usabilidade para o desenvolvimento de portais, a relação com a acessibilidade, outra métrica importante dentro de um projeto de arquitetura de informação, e identificam- se pontos fortes do portal bem como pontos fracos, aos quais podem se implementar melhorias que reforcem a missão e os objetivos do mesmo.</text>
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