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Trabalho completo

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FONTES DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIAS: UM ESTUDO DE
USO A PARTIR DA METODOLOGIA DE ANÁLISE DE REDES
SOCIAIS
Maria do Rocio F. Teixeira 1 e Diogo Onofre Gomes de Souza 2
'Professora Doutora , UFRGS, Porto Alegre, RS.
2Professor Doutor, UFRGS, Porto Alegre, RS .

Resumo
Esta pesquisa tem por propósito estudar as redes de conhecimento,
consideradas espaços de interação entre diferentes segmentos da sociedade,
no âmbito das ciências e suas relações de uso das fontes de informação em
três grupos de alunos de uma mesma disciplina do Curso de Medicina da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil), em três semestres
consecutivos. Objetiva contribuir para a produção de indicadores relacionais
entre as redes, as fontes de informação e o estudo das Ciências. Utiliza a
abordagem teórico-metodológica Análise de Redes Sociais (ARS) e as etapas
de desenvolvimento da pesquisa incluem uma revisão de literatura sobre a
ARS e a construção e análise de grafos gerados a partir da caracterização das
três redes e de suas relações de uso com as fontes de informação.
Brevemente apresenta : a metodologia utilizada; os resultados; e as conclusões
do estudo.

Palavras-Chave
Redes de conhecimento; Fontes de informação; Análise de Redes
Sociais (ARS); Educação em Ciências.

Abstract
The present study have the propose to study the knowledge networks,
interacion spaces between differents society segments, in the science Field and
the relationship between ours members and the use of diferents information
sources available. The networks in analysis are three students groups of the
same matter of the Medicine course of the University Federal of Rio Grande do
Sul (Brasil), in three consecutive semesters. The aim is to contribute for the
production of indicators linked between networks, the information sources and
the science studies. The theoric-methodologic approach used was a Social
Netwoks Analysis (SNA) and the steps of the development research including a
revision about the SNA literature and the construction and analysis of graphs,

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HJÓOtIIllIlc

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produced from the characterization of these three netwoks and yours relations
in the use of the sources of information. Briefly, this study shows: the used
methodology, the results and the study conclusions.

Keywords
Knowledge Networks; Information Sources; Social Netwoks Analysis
(SNA) ; Sciences Education .

1 Introdução
O âmbito de estudos em redes abrange uma amplitude de campos de
pesquisa e unidades de análise . Atualmente, tem crescido o interesse científico
e prático em compreender como atores estabelecem articulações e interagem
configurando redes. Tais unidades de análise inserem-se, em um campo de
pesquisa, dotado de ferramentas conceituais e metodológicas que permitem a
análise de elementos estruturais e da dinâmica relacional dos atores,
rompendo níveis de análises isolados, exclusivamente centrados no indivíduo,
ou em uma estrutura social independente e soberana . Assim, o mapeamento
de redes de relações entre atores (indivíduos ou entidades coletivas) , as
posições ocupadas por esses, a quantidade, a natureza e os sentidos dos
fluxos de informação disponíveis são eixos centrais de análise de muitos
fenômenos.
Este trabalho mostra a relação das redes de conhecimento no campo
científico com as fontes de informação (pessoais e bibliográficas) , com o
objetivo de contribuir para a produção de indicadores relacionais entre o estudo
das Ciências e as fontes de informação. O objetivo geral é estudar as redes de
conhecimento, espaços de interação entre os diversos segmentos da
sociedade, no âmbito das ciências e seu relacionamento com as fontes de
informação, no compartilhamento do conhecimento. E, ainda é objetivo do
estudo avançar no entendimento de como melhor explorar tais fontes de
informação no incentivo ao compartilhamento do conhecimento.

2 Revisão da Literatura
2.1 Análise de Redes Sociais (ARS)
O termo "rede" é adotado para designar um conjunto de unidades (ou
nós) de algum tipo e as relações de tipos específicos que acontecem entre elas
(ALBA, 1982). A expressão rede social se refere a um tipo específico de rede
em que os nós ou atores são pessoas ou grupos em uma população. Nos
estudos nas Ciências Sociais, as redes sociais são um instrumento de análise
que permite a reconstrução dos processos interativos dos indivíduos e suas
afiliações a grupos, a partir das conexões interpessoais construídas
cotidianamente (FONTES; EICHNER, 2004).
A noção de rede vem sendo utilizada, nas ciências sociais e nos
estudos sobre o desenvolvimento, de múltiplas formas , tornando-se difícil, por
vezes, precisar seu real significado e sua contribuição como ferramenta de
análise. A imagem de um sistema composto por nós e fluxos é freqüentemente

1137

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HJÓOtIIllIlc

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Trabalho completo

evocada como metáfora, no esforço por construir representações capazes de
dar conta da complexidade do social (SCHMITT, 2011).
Autores como Castells (1999) falam da emergência, na
contemporaneidade, de uma sociedade em rede, capitalista, globalizada,
regida por núcleos de poder descentralizados, e estruturada com base nas
tecnologias da informação. As redes, sua arquitetura e suas dinâmicas de
inclusão/exclusão, estariam na base dos processos e funções predominantes
em nossa sociedade, dando origem a uma nova morfologia do social
(CASTELLS, 1999, p. 498) .
Para além da rede como metáfora ou como matriz técnica , é possível
identificar na literatura um conjunto de trabalhos que utilizam a noção de rede
como uma ferramenta analítica ou , como no caso da Teoria do Ator Rede ,
como base para a construção de uma nova ontologia do social. Uma detalhada
discussão envolvendo a desconstrução da chamada "dimensão social" como
um domínio da realidade, definido a priori, pode ser encontrada em Latour
(2007) .
As redes sociais constituem um espaço, no qual a interação entre as
pessoas permite a construção coletiva , a mútua colaboração, a transformação
e o compartilhamento de ide ias em torno de interesses mútuos dos atores
sociais que as compõem . A Internet potencializa o poder dessas redes, devido
à velocidade e à capilaridade com as quais a divulgação e a absorção de ideias
acontecem .
A Análise de Redes Sociais (ARS) é uma abordagem estrutural que
estuda a interação entre atores sociais, ou seja , a unidade de observação é
composta pelo conjunto de atores e seus laços (FREEMAN , 2004) .
Representa uma perspectiva inovadora por ser relacional , mostrando que os
vínculos ou relações entre entidades, nós, são a unidade básica de análise,
contrariamente ao que é habitual na perspectiva atributiva das análises
estruturais empíricas (LOZARES , 2007) .

2.2 Fontes de Informação
Fonte de informação, segundo Martin Veja (1995), é todo vestígio ou
fenômeno que forneça uma notícia, informação ou dados. Comumente
interpretam-se como fontes de informação todo o tipo de fontes, em geral, que
contenham ou produzam informação em um suporte estável.
Uma fonte de informação não se fixa unicamente em documentos,
mas também contempla e reconhece a informação procedente de instituições,
pessoas e, inclusive, dos próprios acontecimentos sociais.

°

2.3 Redes de Conhecimento
conceito de rede, segundo Minarelli (2001) , refere-se à
configuração do canal pelo qual os indivíduos captam , integram e distribuem
informações, bens e serviços com maior eficiência .
Uma rede social é conceituada como o conjunto de indivíduos
autônomos que unem recursos e ideias em prol de interesses comuns
(MARTELETO, 2001). Velázquez e Aguilar (2005) entendem rede social como
um grupo de indivíduos que se relaciona com um fim específico, caracterizando

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a existência de um fluxo de informações. As redes sociais são mecanismos que
possibilitam a construção de imaginário coletivo, dessa forma podem ser
ferramenta imprescindível para a criação e manutenção das empresas na
sociedade em rede (MEIRA, 2009) .
As redes de conhecimento são redes com o propósito de criar e
disseminar conhecimento, podendo corporificar-se de diversas formas : equipes
de projetos, grupos de pesquisa , redes de consultoria, comunidades
profissionais, comunidades de prática, grupos de apoio e outros tantos.
O principal propósito dessas redes é tornar públicos e estimular a
aplicação de novos conhecimentos a favor do desenvolvimento. Também
podemos considerar como redes de conhecimento, aquelas redes formadas
por pessoas que tem como objetivo comum a promoção de seu conhecimento
e de outrem. Então, novamente, uma turma de uma escola ou de uma
universidade, um grupo de pesquisa ou de um laboratório são exemplos de
redes de conhecimento.
Nas redes de conhecimento, a informação carece de interpretação.
Normalmente é subjetiva e provém de um ator que coopera na rede com sua
bagagem intelectual, cultural e organizacional. É essa informação, e seu
compartilhamento, o foco do estudo das redes de conhecimento e é por meio
dela que o conhecimento individual pode ser o mote para parcerias que tragam
benefícios recíprocos, menciona Tomaél (2008).
Castells (1999) diz que rede é um conjunto de nós interconectados e,
nó é o ponto no qual uma curva se entrecorta . O que um nó representa
depende do tipo de redes concretas. Assim , as redes de conhecimento são os
espaços onde ocorre a troca de informações e experiências entre profissionais,
pesquisadores e estudiosos de diversas áreas.
As redes de conhecimento tornaram-se uma ferramenta de
sobrevivência essencial para o indivíduo, facilitando a gestão da incerteza, o
apoio social e, finalmente , a ascensão na carreira (JOHNSON, 2011).

3 Materiais e Métodos
A rede construída conta com um total de 100 atores, alunos de três
semestres, diferentes e consecutivos, da disciplina de Bioquímica Médica I, do
Curso de Medicina da UFRGS.
A estes alunos foi perguntado: "Eu uso esta(s) fonte(s) de informação
com que freqüência para obter informações sobre tópicos relativos aos meus
estudos/pesquisas na disciplina de Bioquímica Médica I. O=Eu não conheço
essa fonte ; 1=Nunca ; 2=Raramente; 3=Às vezes; 4=Frequentemente; 5=Muito
frequentemente" .
As fontes de informação relacionadas foram : 1. Livros; 2. Parentes; 3.
Professores; 4. Artigos Científicos; 5. Monitores; 6. Anotações de aula ; 7.
Colegas; 8. Vídeos; 9. Profissionais da área; 10. Apostilas; 11 . Bibliotecas; 12.
Amigos; 13. Internet; 14. Pacientes; 15. Outras.
Foi utilizada a abordagem teórico-metodológica Análise de Redes
Sociais (ARS) e as etapas de desenvolvimento da pesquisa incluíram uma

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Trabalho completo

revisão de literatura sobre a ARS e as fontes de informação, a construção e
análise de grafos gerados a partir da caracterização das três redes e de suas
relações. A aplicação da ARS nesse contexto deu-se por meio de um conjunto
de procedimentos metodológicos de caráter longitudinal e documental, através
do qual se pretendeu analisar a evolução estrutural das redes dos alunos, nos
três semestres.
Como forma de abarcar a totalidade das redes, optou-se por adotar
como corpus nesta pesquisa todos os alunos das três turmas, no intervalo de
três semestres, 2009/2 , 2010/1 e 2010/2, num total de 100 atores (pessoas que
compõem cada grupo).
Os procedimentos metodológicos utilizados foram : 1°) aplicação de
um questionário, no primeiro e no último dia letivo da disciplina de Bioquímica
Médica I, solicitando ao respondente (identificado numericamente) que
assinalasse a freqüência de uso de 14 fontes de informação (pessoais e
bibliográficas) sobre tópicos relativos ao estudo da referida disciplina; 2°)
organização e sistematização dos dados coletados para inserção no software
UCINET 6 para Windows (BORGATTI ; EVERETT; FREEMAN, 2002); 3°)
estudos comparativos das respostas das três turmas, no primeiro e no último
dia letivo da disciplina; 4°) análise dos resultados com a construção de grafos e
o mapeamento das relações invisíveis entre os atores investigados e as fontes
de informação, com base na literatura sobre ARS e fontes de informação.

4 Resultados
A partir da sistematização, pelo software UCINET 6 para Windows
(BORGATTI ; EVERETT; FREEMAN , 2002), dos dados coletados, construíramse grafos que permitiram mapear e visualizar, de forma mais contundente, as
relações estabelecidas entre os atores e as diferentes fontes de informação.
A análise da primeira turma, 2009/2, com 31 alunos, mostrou que, em
agosto - no primeiro dia letivo, os respondentes tinham a seguinte percepção:
livros (31), professores (30), biblioteca (29), internet (28) e anotações de aula
(27) como as fontes de informação que os respondentes julgam de uso mais
na
disciplina.
freqüente

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Grafo 1 : Alunos e as fontes de informação no primeiro dia letivo
do semestre 2009/2. Fonte : dados da pesquisa.
A análise da segunda turma, com 34 alunos, do semestre 2010/1, nos
mostra: livros (34), professores (34) , anotações de aula (34) despontando na
preferência dos respondentes como fontes de informação de uso para a
disciplina, seguidas da internet (33), colegas (32) e apostilas (32), quando
perguntados no primeiro dia letivo. O grafo 2 apresenta as relações entre as
diferentes fontes de informação e os alunos da turma 2010/1 no primeiro dia
letivo do semestre.

Grafo 2: Alunos e as fontes de informação no primeiro dia letivo do
semestre 2010/1.
Fonte: Dados da pesquisa .
A terceira turma analisada , de 2010/2, com 38 atores (alunos), no
primeiro dia letivo, aponta, de forma unânime, os livros, as anotações de aula e
os colegas (38) como a fonte de informação preferencial, seguidos da internet
(37) e dos professores (36). O grafo 3 nos mostra as relações entre os alunos e
as fontes de informação no primeiro dia letivo do semestre 2010/2 .

Grafo 3: Alunos e as fontes de informação no primeiro dia letivo do
semestre 2010/2.
Fonte: Dados da pesquisa .

1141

�Comportamento informacional humano
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Trabalho completo

A partir da identificação das três redes, a partir dos três grafos, foram
elaborados comparativos como forma de visualizar numericamente os
resultados. O primeiro comparativo foi das três turmas e de suas freqüências
de uso de fontes de informação, no primeiro dia letivo, desta vez separando as
fontes de informação pessoais das fontes bibliográficas.
Tabela 1 - Comparativo das três turmas em relação às fontes de
.m f ormaçao
- b
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10 )ra
Turma 2010/1
Turma 2010/2
Fontes
Turma 2009/2
Bibliográficas
31 alunos
34 alunos
38 alunos
Livros
31
34
38
Artigos
19
23
23
Científicos
Anotações de
27
34
38
aula
Vídeos
10
16
09
Apostilas
20
32
34
Biblioteca
29
34
35
Internet
28
33
37
Outras
02
O
O
Fonte: Dados da Pesquisa .
Tabela 2. - Comparativo das três turmas em relação às fontes de
informação pessoais no primeiro dia letivo de cada semestre.
Turma 2010/1
Turma 2010/2
Fontes
Turma 2009/2
Pessoais
31 alunos
34 alunos
38 alunos
Parentes
07
11
08
Professores
30
34
36
Monitores
22
31
30
Colegas
25
32
38
Profis. da área
13
17
06
Amigos
12
15
20
Pacientes
O
08
08
Fonte: Dados da Pesquisa .
Novamente trazemos os grafos que se apresentam como o primeiro
passo para poder-se analisar uma rede. Os grafos permitem visualizar-se as
interações entre os nós, reunindo, ao centro, o maior número de interações.
Saindo do centro, em direção à periferia da rede, é possível identificar-se os
nós que pouco ou nada interagem com os demais.
A seguir mostramos os grafos das três turmas e suas relações com as
fontes de informação nos três períodos consecutivamente .

1142

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~
~

~

HJÓOtIIllIlc

~ ==~

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Grafo 4: Turma 2009/2 - último dia letivo.
Fonte: Dados da pesquisa .

Grafo 5: Turma 2010/1 - último dia letivo.

Fonte: Dados da pesquisa.

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�Comportamento informacional humano
2

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Trabalho completo

Grafo 6: Turma 2010/2 - último dia letivo,
Fonte: Dados da pesquisa.
Em continuidade mostramos os quadros comparativos dos
resultados nos primeiro e último dia letivos, das três turmas.

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Ta b e Ia 3 - Compara f IVO d as Fon tes B'bl'
I logra ICOS,
Turma 2009/2
Turma 2010/1
Turma 2010/2
Fontes
31 alunos
34 alunos
38 alunos
Bibliográficas Agosto Novembro Março Julho Agosto Novembro
2009
2009
2010
2010
2010
2010
Livros
31
34
34
30
38
38
Artigos
19
25
23
17
23
30
Científicos
Anotações de
27
20
34
29
38
28
aula
Vídeos
10
16
08
09
08
08
Apostilas
20
18
32
24
34
22
Biblioteca
29
24
34
32
35
28
Internet
28
29
31
37
34
33
Outras
02
04
O
08
O
O
Fonte: Dados da pesqUisa.
Os livros, as bibliotecas, as anotações de aula e a internet, nas três
turmas, apresentam-se como as fontes de informação bibliográficas mais
representativas para os alunos, ao longo de todo o semestre. Os livros e as
bibliotecas são fontes de informação tradicionais e, por isso mesmo, reafirmam
sua importância no contexto acadêmico, quando os professores, em sua
grande maioria, recomendam o uso de determinados títulos e/ou autores.
Especificamente na disciplina pesquisada, o professor recomenda dois ou três

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autores para que os alunos realizem as leituras pertinentes aos conteúdos
discutidos em sala de aula , reforçando assim o uso dessa fonte de informação.
As bibliotecas decrescem no interesse dos alunos, ao final do
semestre, talvez porque a grande maioria deles adquire os livros necessários e,
com a autonomia oferecida pela internet e seus locais de acesso, os artigos
científicos sejam encontrados sem a ajuda dos bibliotecários. Da mesma forma,
as anotações de aula decrescem de uso ao correr do semestre.
A internet é mencionada, no primeiro dia letivo, talvez mais pela
familiaridade dos alunos com o ambiente virtual e, continua bem cotada , ao
final do semestre, porque estes alunos são apresentados a bases de dados,
especificamente à PubMed e ao Portal CAPES, e aos artigos científicos, que
apresentam um crescimento de interesse ao correr do semestre, pelo menos
em duas turmas.
E, por fim , os vídeos e as apostilas perdem na preferência dos alunos
ao final do semestre.
Tabela 4. - Fontes Pessoais.

Fontes
Pessoais

Turma 2009/2
31 alunos
Agosto Novembro
2009
2009
07
03
30
30
22
25
25
29
06
16

Parentes
Professores
Monitores
Colegas
Profis. da
área
Amigos
12
10
Pacientes
O
O
Fonte : Dados da pesquisa .

Turma 2010/1
34 alunos
Março Julho
2010
2010
11
08
34
30
31
24
32
34
13
11
15
08

22
11

Turma 2010/2
38 alunos
Agosto Novembro
2010
2010
07
08
36
36
30
30
38
37
17
09
20
08

20
21

Os professores, os colegas e os monitores são as fontes de
informação pessoais que despontam na escolha dos alunos e, assim se
mantém ao longo do semestre. Novamente, os professores são identificados,
na literatura pertinente, como uma fonte de informação tradicional. Já, com
relação aos monitores e colegas é possível entender porque constam na
preferência dos alunos, em função da metodologia de ensino utilizada pelo
professor das turmas.
A metodologia adotada pelo professor da disciplina, divide a turma em
grupos de seis alunos e, cada grupo é, a partir dali, acompanhado por um ou
dois monitores, estabelecendo-se um vínculo entre eles. Os monitores
acompanham os alunos em aulas no laboratório de informática, onde estes
aprendem a usar as bases de dados médicas e a ler corretamente um artigo
científico, entendendo as abreviaturas, as referências e os demais detalhes
técnicos que envolvem tais publicações, além de acompanhá-los ao Hospital
de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), para entrevistas orientadas a pacientes
internados.

1145

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~
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Trabalho completo

5 Considerações Finais
As redes de conhecimento das três turmas são fortemente
conectadas em relação às fontes de informação mais tradicionais, como livros
e professores. A internet surge como uma fonte de informação, possivelmente
pela intimidade com que os alunos, em sua maioria jovens, têm com as
tecnologias de informação e comunicação.
A não identificação, por uma das turmas, da fonte pacientes, reforça o
entendimento de que, ao serem perguntados, os alunos pouco reconhecem
fontes pessoais fora do âmbito da universidade.

5.1 Fontes de informação pessoais: Pacientes
Os alunos, das três turmas analisadas, têm como uma de suas
atividades, no decorrer da disciplina, algumas visitas a pacientes internados.
Trata-se do primeiro contato que o aluno tem com o paciente, ou seja , o início
de sua prática clínica . Na prática diária do médico, as decisões tomadas para
resolver o problema do paciente são, usualmente, baseadas na aplicação
consciente da informação avaliável por regras explicitamente definidas. Na
constituição do futuro profissional aliam-se elementos explícitos, ensinados
formalmente , e tácitos, adquiridos durante a observação e a prática, de acordo
com Epstein (1999) .
Toda informação compreendida , independentemente da sua
veracidade, costuma ser aplicada na prática clínica. Aquelas que são explícitas
podem ser criticamente avaliadas pela medicina baseada em evidências, no
entanto, esta metodologia não é suficiente para descrever e incluir o processo
tácito do julgamento clínico (NOBRE, BERNARDO e JATENE, 2003) . No
processo tácito , apontam os autores, os fatores relacionados ao médico, como
emoções, vícios de observação, percepção de prejuízos, aversão ao risco,
tolerância quanto à incerteza e relacionamento pessoal com o paciente
também influenciam, em menor ou maior grau, o julgamento clínico, muitas
vezes de forma inconsciente.
O paciente, neste contexto de aprendizagem , torna-se uma fonte de
informação importantíssima para a atuação de qualquer profissional da saúde,
começando ainda em sua formação acadêmica .

5.2 Os alunos e os professores
O Relatório Delors, documento publicado no Brasil em 1998, com o
título Educação: Um Tesouro a Descobrir. Relatório da Comissão Internacional
sobre a Educação para o século XXI, coordenado por Jacques Delors,
apresenta propostas que oferecem caminhos, visando à melhoria das práticas
pedagógicas dos educadores no cotidiano da sala de aula.
Um dos quatro pilares da educação, mencionados no Relatório, é
aprender a conhecer. Devemos, contudo, considerar que o aprender a
conhecer ou, educar a mente, é um tipo de aprendizagem que visa não tanto a
aquisição de um repertório de saberes codificados, mas antes o domínio dos
próprios instrumentos do conhecimento e pode ser considerado,
simultaneamente, como um meio e como uma finalidade da vida humana.
Finalmente é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir (DELORS,

1146

�Comportamento informacional humano
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SeIIIin4rio
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Trabalho completo

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2003, pp. 90-91). Saber quais as fontes de informação que podem nos
fornecer a informação necessária e nos conduzir à construção do
conhecimento é basear-se no pilar aprender a conhecer.
Outro pilar, apontado por Delors (2003), é aprender a fazer, quando
se reconhece a necessidade de uma reflexão em torno desse distanciamento
entre os conhecimentos teóricos e a vivência prática desses conhecimentos,
afirmando que "aprender a conhecer e aprender a fazer são, em larga medida ,
indissociáveis. Em sequência , aprender a conviver, o terceiro pilar, refere-se à
educação como tendo por missão, por um lado, transmitir conhecimentos sobre
a diversidade da espécie humana e, por outro, levar as pessoas a tomar
consciência das semelhanças e da interdependência entre todos os seres
humanos do planeta (DELORS, 2003, p. 97) . Isto significa conhecerem-se ,
onde o educando busca integrar-se com as pessoas que o cercam através da
interação das energias que envolvem as relações de corporeidade entre os
seres, por exemplo, a integração entre alunos e pacientes. E, por último,
aprender a ser, quando todo o ser humano deve ser preparado, especialmente
graças à educação que recebe na juventude, para elaborar pensamentos
autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo
a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida .
Se a educação deve repousar sobre esses quatro pilares, são de
competência dos professores a formação e a instrução, com o intuito de
possibilitar o desenvolvimento do pensamento, da ação, do sentimento e das
atitudes. Assim, conforme Delors (2003, p. 152), os professores "[ ... ] devem
despertar a curiosidade, desenvolver a autonomia, estimular o rigor intelectual
e criar condições necessárias para o sucesso da educação formal e da
educação permanente."
Por sua vez, os alunos de hoje possuem competências e
conhecimentos diferentes dos alunos da geração anterior, visto que têm acesso
a variadas fontes de informação e comunicação, existentes em casa e/ou na
escola, possuindo uma cultura diferente e vivendo segundo novos valores e
padrões sociais. Assim , cada aluno que chega à sala de aula, a cada ano, é
muito diferente do aluno do ano anterior, ou mesmo do semestre anterior, e isto
configura um importante elemento na difusão e no compartilhamento do
conhecimento que deve ser reconhecido pelo professor.

5.3 Fontes de Informação Bibliográficas
A busca pela melhor informação pode ser realizada em bases
primárias, que disponibilizam os trabalhos originais, cabendo ao usuário o
trabalho de selecionar e analisar criticamente a validade de seus resultados, ou
ainda, em bases secundárias, que economizam o tempo do usuário na seleção
metodológica e avaliação crítica. Entre as bases primárias, Bernardo, Nobre e
Jatene (2004) recomendam o Medline e o SciELO, onde a busca pode ter início
com a utilização das palavras-chaves, obtidas na construção da pergunta . Os
autores ainda fazem outra distinção ao se referirem às revisões narrativas, ou
tradicionais, e as revisões sistemáticas.
As revisões tradicionais incluem artigos de revisão e livros de texto,
que geralmente são narrativas de natureza opinativa , considerados com força
de evidência científica precária , já que não podem ser reproduzidos por outros

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Trabalho completo

autores. Por sua vez, as revlsoes sistemáticas, com ou sem meta-análise,
utilizam-se de metodologia reprodutível , explícita, critérios de pesquisa e
seleção de informação, de tal forma que outros autores que queiram reproduzir
a mesma metodologia podem chegar aos mesmos conteúdos e conclusões.
Tais revisões encontram-se disponíveis em bases de dados secundárias ou
pré-selecionadas.
Outra classificação mostra as fontes de informação primárias, quando
os trabalhos são publicados de forma integral ou resumida, encontrando-se na
sua forma original, como no MedLine, no Lilacs e na maioria dos periódicos
médicos, como os nacionais reunidos no portal SciELO.

5.4 Internet
Atualmente, a internet é bem aceita e frequentemente utilizada por
todas as pessoas como fonte de informação para os mais diversos fins .
Especificamente na área da saúde, Vitória da Silva e Cardozo de Castro (2008)
referem-se à internet como um recurso mais conveniente e de baixo custo para
o uso por pacientes, quando comparada aos provedores de cuidados em
saúde. A facilidade de acesso à informação pode ser útil ao paciente, por
permitir-lhe compreender melhor seu estado de saúde, tomar decisões
conscientes sobre o tratamento e contribuir para a melhora da sua condição.
As autoras ainda mencionam dados da União Européia que mostram que 70%
dos pacientes foram influenciados pela informação que encontraram na internet
e, assim, adaptaram alguma decisão relacionada à saúde.
A qualidade da informação sobre saúde, disponível na internet,
mostra-se incompleta, imprecisa em relação às diretrizes clínicas, não
fundamentada em evidências e não adequadamente balanceada (VITÓRIA DA
SILVA e CARDOZO DE CASTRO, 2008). Além disso, a internet se constitui
num veículo no qual conflitos de interesse podem levar à substituição da
evidência científica por estratégias de marketing (JYANG YL, 2000).
5.5 Bibliotecas
As bibliotecas universitárias são organizações complexas, com
múltiplas funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que
foram desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito
fundamental permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao
conhecimento. Esse acesso ao conhecimento é que irá permitir que o
estudante, o professor e o pesquisador possam realizar suas aprendizagens ao
longo da vida (CUNHA, 2010).

Nos dias de hoje, a biblioteca universitária está deixando o seu lugar
como a principal fonte de busca , perdendo a sua supremacia na realização
deste papel fundamental em função do impacto da tecnologia digital. O uso da
internet está cada vez mais onipresente e continua crescendo ainda mais pela
introdução de novos e melhores algoritmos nos mecanismos de busca . A World
Wide Web (web) se tornou o maior depósito de informação do mundo.
Muitos autores, conforme Cunha (2010) acreditam que o problema da
qualidade da informação armazenada na Web pode preservar o papel da
biblioteca universitária como vital, mesmo que, ocasionalmente, ela se torne

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�Comportamento informacional humano
Trabalho completo

uma fonte secundária de informação, porque no contexto do ensino superior, a
integridade e confiabilidade do conhecimento são fatores primordiais.
Mesmo antes de a Web ter sido criada em 1994, as bibliotecas
universitárias começaram a desenvolver bibliotecas digitais com conteúdos
informacionais confiáveis. Após 1994, muitas destas coleções digitais foram
disponibilizadas na Web e seu crescimento foi acentuado. Como o volume de
informações digitais cresceu e com o amadurecimento da Web, autores
importantes como Deanna Marcum passaram a difundir a idéia de uma
biblioteca totalmente digital. Estes visionários previam que num futuro próximo,
o conhecimento acumulado de alta qualidade e em todos os suportes estarão
disponíveis em formato digital na internet. Em poucos anos, essas análises
mostraram que, na verdade, esta visão tornou-se uma realidade.
6 Conclusões
A constante mutação dos modelos de aprendizagem centra-se cada
vez mais nas novas tecnologias, ao mesmo tempo em que, cada vez mais, a
ação dos ambientes de ensino converge na gestão da informação e não
apenas e só na sua transmissão. As Tecnologias de Informação e
Comunicação (TICs) existentes, e as que vão emergindo, incidem na
elaboração, preparação e apresentação de conteúdos didáticos para o aluno .
Convém salientar que, por exemplo, o computador pode ser importante na
medida em que é portador de aspetos culturais que agem na promoção de
movimentos sociais culturais e intelectuais. Porém , não elimina nem substitui a
atividade construtiva , podendo sim auxiliar no processo de aprendizagem, ao
estabelecer relações entre as estruturas que o aluno deve possuir e o
desenvolvimento de novas estruturas mais complexas (Vanti , Loebens &amp; Ferro,
2004).

"As pessoas estão sempre a querer que os professores mudem"
(Hargreaves, 1998, p. 5) . Cada vez mais esta citação se enquadra na realidade
do mundo. Estas novas ferramentas para o ensino e aprendizagem podem
promover alterações nas práticas de ensino e no modo como a aprendizagem é
conseguida. A sua inclusão na prática pedagógica , poderá ser uma mais-valia
melhorando as condições e enriquecendo as estruturas mentais de alunos e
professores o que se evidenciará , certamente, nos resultados finais .
No ambiente das redes, o compartilhamento de informação e de
conhecimento entre as pessoas é constante, pois as pessoas freqüentemente
gostam de compartilhar o que sabem. A disposição em compartilhar e o
compartilhamento eficiente de informação entre os atores de uma rede,
asseguram ganhos, porque cada participante melhora, valendo-se das
informações às quais passa a ter acesso e que poderão reduzir as incertezas e
promover o crescimento mútuo.
De uma forma geral, cada ator tem muita informação sobre sua
situação, mas não tem informação sobre outras situações. Para reduzir a
incerteza e consolidar a parceria, os atores precisam ter mais informações
confiáveis de seus parceiros. Assim todos ganham, porque cada ator vai
construir alicerces e desenvolver novas ações tendo como base as
informações compartilhadas.

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�Comportamento informacional humano
Trabalho completo

Aliar os estudos das redes e o crescente uso das tecnologias de
informação e comunicação é imprescindível para o compartilhamento do
conhecimento no ambiente educacional.

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1151

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <text>Teixeira, Maria do Rocio F,; Souza, Diogo Onofre Gomes de</text>
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              <text>Esta pesquisa tem por propósito estudar as redes de conhecimento, consideradas espaços de interação entre diferentes segmentos da sociedade, no âmbito das ciências e suas relações de uso das fontes de informação em três grupos de alunos de uma mesma disciplina do Curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Brasil), em três semestres consecutivos. Objetiva contribuir para a produção de indicadores relacionais entre as redes, as fontes de informação e o estudo das Ciências. Utiliza a abordagem teórico-metodológica Análise de Redes Sociais (ARS) e as etapas de desenvolvimento da pesquisa incluem uma revisão de literatura sobre a ARS e a construção e análise de grafos gerados a partir da caracterização das três redes e de suas relações de uso com as fontes de informação. Brevemente apresenta: a metodologia utilizada; os resultados; e as conclusões do estudo.</text>
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