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Resumo expandido

HISTÓRIA CULTURAL DAS PRÁTICAS DE LEITURA DE
ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS
Andréa Pereira dos Santos ' ,
1Professora Mestre, UFG, Goiânia, Goiás

1 Introdução
Desde o ano 2006 ministro disciplinas ligadas à leitura (teoria e história) no
curso de biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás. Além dos alunos do
curso de biblioteconomia ministro a disciplina para alunos de outros cursos em
formato de núcleo livre.
Nessas disciplinas, procuro discutir a leitura levando em consideração a
história das práticas de leitura dos estudantes colocando-os como personagens
dessa. Tal atividade me surpreende a cada ano e não poderia deixar de compartilhar
tais percepções.
Uma pesquisa sobre leitura, que envolve a participação dos estudantes, é
bastante produtiva , pois os torna objeto da própria discussão. E nada mais atual do
que estudos como esse, principalmente nesse contexto de leituras fragmentadas
tanto pela explosão da informação, quanto pelo acesso, cada vez maior, com o
advento da Internet.
Um outro aspecto interessante é que tal atividade envolve os familiares dos
alunos e é uma forma de aproximação entre a família e a universidade.
O questionamento levantado com essa atividade é: como se dá o processo de
construção e formação de leitores dos alunos dos cursos de graduação da UFG?
Objetiva-se, assim , compreender o processo de formação e construção do leitor por
meio da história das práticas de leitura familiar.
Trabalhos sobre práticas de leitura são bem recorrentes em nossa literatura.
Entretanto, autores que me influenciaram nessa temática foram : Chartier (1990,
2001), que no primeiro livro discute a história cultural e no segundo as práticas de
leitura; Abreu (1999 , 2001), com discussões em torno da história da leitura e dos
preconceitos em leitura. Destaco essa última, porque a história das práticas de
leitura dos universitários revela resquícios de preconceitos com certos tipos de
leitura. Por fim , Melo (2007) que, em sua tese de doutorado transformada em livro,
discute as primeiras práticas de leitura em Goiânia.

2 Materiais e Métodos
As pesquisas qualitativas são importantes para que possamos realizar
análises de forma crítica, pois não nos predemos em números e sim em dados que
revelam resultados imensuráveis, principalmente quando o objeto de pesquisa é o
ser humano. Assim , optou-se pela pesquisa qualitativa tendo como metodologia a
história cultural. A historia cultural é aquela que não está presente na grande história
tradicional ; ela é a micro-história ou história vista de baixo (BURKE , 2008; DOSSE,
2003; HUNT, 2001 ; LE GOFF, 1998).
O procedimento de coleta de dados utilizado foi gerado durante as atividades

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realizadas nas duas disciplinas ministradas: Leitura e Sociedade e História dos
Registros do Conhecimento . Cada estudante deveria levantar a história das práticas
de leitura familiar entrevistando avós, pais, irmãos e um relato da própria prática.
Depois o estudante apresentaria sua história em formato de seminário e
entregaria um texto dissertativo sobre o tema .
Minha análise constou de observar a postura dos estudantes durante a
apresentação: suas emoções e inquietações e de verificar se eles faziam relação
das histórias das práticas de leitura com os grandes acontecimentos ditados pela
história tradicional.

3 Resultados Parciais/Finais
Durante esses anos ministrando as disciplinas ligadas a leitura e a história da
leitura e acompanhando os trabalhos apresentados pelos alunos dentro delas, pude
perceber que houve uma aproximação bem maior dos estudantes com a teoria
apresentada em sala de aula . Mesmo porque, eles se viram dentro das discussões.
As apresentações, em muitos momentos, foram carregadas de emoção, pois
com toda a correria da vida e da própria universidade, a maioria não conhecia a
própria história e nunca tinha parado um pouco para refletir.
Percebi um fato bastante difundido por inúmeros autores: que acesso ao
material livro é mais comum nas famílias com maior poder aquisitivo e com pais com
formação superior.
Outro detalhe que chama a atenção é a onipresença da bíblia na maioria dos
lares. Tendo-a como principal instrumento de leitura independente da classe social.
Interessante, pois, desde Idade Média e da invenção da imprensa de Gutenberg, ela
é presença na nossa história da leitura.
E por fim , vários estudantes revelaram certos preconceitos ligados a leitura,
ou seja, não consideravam como leitura algumas revistas, livros e outros materiais
escritos, comprovando os estudos de Abreu (2001).

4 Considerações Parciais/Finais
É cada vez mais importante dar atenção às práticas de leitura reveladas na
atualidade. Critica-se e fala-se muito de leituras fragmentadas e acusa-se a
juventude de não gostar de ler. Talvez hoje (essa é minha hipótese de uma pesquisa
de doutorado que estou realizando) é que o jovem lê mais. De forma fragmentada?
Talvez. E, provavelmente, não poderia ser diferente já que há uma infinidade de
informações difíceis de digerir.
Enfim, desconfio que essas redes sociais e a própria internet tem contribuído
para a construção e formação desse jovem leitor. Podemos pensar também que ele
esteja praticando aquela leitura extensiva mencionada por Darnton (1992), ou seja,
diferentemente da leitura intensiva que era naturalmente mais possível até o século
XVIII , pois com o aumento da produção livreira tornou-se mais difícil.

5 Referências
ABREU , Márcia (org .). Leitura, história e história da leitura. Campinas, SP:
Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil - ALB. São Paulo : FAPESP,

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1999.
___ . Diferença e desigualdade: preconceitos em leitura. In : MARINHO, Marildes
(org.) Ler e navegar: espaços e percursos da leitura. Campinas: Mercado das
Letras, 2001 .
BURKE, Peter. O que é história cultural? 2. ed . Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.
CHARTIER, Roger. A História Cultural: entre práticas e representações. Trad .
Maria Manuela Galhardo. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1990.
CHARTIER, Roger (org .). Práticas da leitura. 2. ed . São Paulo : Estação Liberdade,
2001 .
DARNTON , Robert. História da leitura. In: BURKE, Peter (Org .). A escrita da
história: novas perspectivas. São Paulo: Editora da UNESP, 1992. p. 199-236
DOSSE, François. A história em migalhas: dos Annales à nova história. Bauru, SP:
Edusp, 2003.
HUNT, Lynn . A nova história cultural . 2. ed . São Paulo: Martins Fontes, 2001.
LE GOFF, Jacques. A história nova. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
MELO, Orlinda Carrijo. A invenção da cidade: leitura e leitores. Goiânia: Ed . Da
UFG, 2007.

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