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                  <text>Digitalizado
gentilmente por:

���IV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCmáSNTáÇÃO

Formação integral do Bibliotecárlo-Docurnentalista brasileiro
por
Neusa Dias de Macedo

Fortaleza
1963

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�IV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECOUOMIA B DOCUIEOTAÇÃO
UNIVERSIDA.DE DO CEARA
7 a 14 do julho de 1963

CDU 378.9:02+002

TBIÍA IV - EOTCA2AO_DO_BIBLigTEC.tólO-DOCmj^AMSTA

Ponnagao

integral

do

Bibliotocário-Documcnt alista
(xx)

NouBa Dias do Macodo

c. 'f q

O

(x) Cotaunioaçac Oficial da Associaçao Paulista do Bibliotocários.
(xx) Bibliotecária do Instituto do Estudos Portugueses da Faculdado
do Filosofia, Ciôncias o Letras da Univorsidado do Sao Paulo.

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�FORMAÇÃO imEGRAL DO EIELIOTSCÁRIO-DOCTOIEIJTALISTA BRASILEIRO

Refloxocs inteligentes e amadureccdas se fizeram no último "Congresso de Biblioteconomia e Documentação", era Curitiba, era 1961, e em outros
conclaves, a respeito do ensino de Biblioteconomia e Documentação e sobre a_s
pectos diversos da formaçao profissional do bibliotecário. Lutava-se, na oca_
siao, para se conseguir a regularaentaçao da profissão, chamava-se atcnçao p^
ra o problema da formaçao em separado de bibliotecários o documentalistas o
sugeria-se a reestruturação dos currículos (com a inclusão de disciplinas da
Documcntaçao), em nivel universitário.
Dois anos sao passados? os assuntos de maior relevância encaminha^
ram-se para um fim satistatório e outros ainda precisam ser discutidos o resolvidos.'
Como fonte informativa temos as nossas Associaçoes de classe, que
como a FEBAB^^Coordenadora do movimento geral, apontam-nos o andamento dos tr^
balhos em decurso e o que se tem realizado cm nosso campo profissional,
Duas questões importantes se efetivaram nesses dois anos e devem
ser assinaladas para que possamos penetrar em nosso tema?
a) A fagulamentaçao da profissão de Bibliot ecário~Bocumenta1i st a,
pela Lei 4084 sancionada em 30/6/1962 pelo Presidente da Ropública| J
A aprovaçao do currículo mínimo para as Escolas de Bibliotecor.omia e Documentação do País^ pelo Conselho Federal de Educaçao, em 20/ll/
/1962Í™')

,
Já nao é preciso preocupar-nos com o problema da regularaentaçao da

profissão e de seu exercício no País, pois aí temos a Lei 4084 a espera some_n
te da regularaentaçao, mas grande responsabilidade caber-nos-á, daqui por dia_n
te, na apresentaçao de trabalhos profissionais eficientes o demostrativos de
uma elite técnica diplomada por uma Escola Superior de Biblioteconomia o Documentação.
A direção do ensino das Escolas do Biblioteconomia e Documentação,
pois, deverá convergir para uma formaçao sólida do futuro profissional a fim
de que êle possa desempenhar, condignamente, as funções que lhe competem, por
lei, exercer,
Para isso, o currículo de nossas escolas deverá ser seguro, com
direções definidas o distribuição racional de matérias. Êsso o um dos pontos
que devemos focar em primeiro lugar no presente trabalho, tendo-se em vista
que de um currículo bem estruturado e definido dependerá, era grande parte, a
formaçao satisfatória do futuro bibliotecário-docuraentalista, Do outro lado,
este assunto será abordado para propiciar discussão ao currículo aprovado pelo Conselho Federal do Educaçao,

(x) Veja-se o Informe Nacional sobre a Preparaçao Bibliotecária no Brasil, or
ganizado pela Presidente da
v, Laura G. M. Russo, por solicitaçao da
Rockfeller Foundation, Obra em 2v., referindo-se ao período do 1915 s I962.
(xx) Diário Oficial da União, R.J., 2 jul 1962, n2123cl.
(xxx) Rio do Janeiro, Min, Ed. Cult.-Currículos dos Cursos Superiores. 1963.
Publ, 2, parecer 326, p,84.

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�o currículo.
Nao sondo peritas no campo da Educaçao, apresontareraos^ apenas,
idcias gerais sobre o assunto, deixando sua discussão, ora profundidade, aos
especialistas aqui presentes,
Para se discutir e prbpor currículos, na verdadej há que se atentar para os princípios orientadores e conhecimento diretivo dos objetivos da
Educaçao fornecidos pela Filosofia dessa ciência, bom como ha que se estudar
a realidade social a que se prenderão os objetivos do currículo. So a final_i
dade da moderna Educaçao é educar o jovem para viver numa sociedade ativa,
atendendo, concomitantemento, as necessidades de um e de outra, essa mesma so_
cicdadG deve ser levada em conta quando da elaboraçao do um currículo.
Na época atual, o nosso país sofro grandes transformações sociais
e cresce assustadoramente, reclamando reformas de toda a sorte. Sc a vida mu
da, o currículo deve, conseqüentemente, mudar. Precisa este sdaptar-se aos no_
vos interesses do aluno em face da sua realidade social. Assim, acompanhando
as necessidades do estudante, permitir-lhe-á uma integraçao real no seu meio
o atenderá as premencias desse meio.
Daí, a conveniência de se reverem de tempos em tempos os currículos e os programas de ensino, de atualizá-los e, se possível, torná-los flexíveis, atendendo-se a fundamentaçao necessária, quando da sua revisão.
O currículo deve ser um conjunto de matérias ligadas entre si pelo objetivo comum da Escolas ums sério de experiências orientadas e relacionadas, de forma que uma reverta cm benefício e enriquecimento de outra.
O conteúdo do currículo, enfim, deve nao só ter em conta a divisão
de tempo, distribuição de matérias, seleção de conteúdo, como também princípios diretores, objetivos das séries, plano de conteúdo, métodos e processos
de ensino, atividades do aluno, premenciaS suas e do meio ao qual irá ser util,
Como dissemos, no início do trabalho, foi aprovado o Currículo m^
nimo para as nossas escolas do Biblioteconomia o Documentação. Estará êlo sa_
tisfazendo as necessidades gerais do nosso ensino? Na verdade, o currículo
aprovado difere em pormenores importantes ao proposto pela "Comissão de Esp_e
cialistas cm Biblioteconomia"j^^specialmente convocada, pela Diretoria Superior do Ensino, para estudar o assunto, resultando no descontentamento dêsses
poritoB e obrigando a FEEAB a se pronunciar perante o Conselho Federal do Edu
cação.
Como

achamos de máximo interêsse a reconsideração do currículo a-

provado, apontaremos o parecer da FEEAB, após a transcriçao dos currículos,
para a devida confrontação, o discussão do Plenário:
(x) Edson Nery da Fonseca,Abncr L.C. Vicentini, Nancy Westfallenj Corrêa, Co£
délia R. de Oliveira Cavalcanti, Etelvina Lima, Sully Brodbeck e Gilda G. de
Araújo,

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�Currículo aprovado pelo Conselho Fcdoral de Sducaçao
1. História do Livro c das Bibliotocas.
2. História da Literatura.
3. História da Arte.
4. Introdução aos Estudos Históricos o Sociais,
5. Evolução do Pensamento Filosófico e Científico.
6. Organizaçao e Administração do Bibliotecas,
7. Catslogaçao e Classificação.
8. Bibliografia e Referência.
9. Documentação,
Currículo proposto pela "Comissão de Especialistas em Biblioteconomia"
1, Bibliografia.
2, Catalogaçao,
3, Classificaçao,
4» Documentação,
5. História da Arte,
6, História da Ciência o da Tecnologia,
'7. História da Literatura.
8, História do Livro e das Bibliotecas.
9, Introdução a Filosofia.
10, Introdução as Ciências Sociais,
11, Organizaçao o Administração das Bibliotecas e Serviços de
Documentação,
12, Referência,
Se a Orientaçao moderna do Ministério da Educaçao e Cultura e sim
plificar os currículos das escolas secundárias o superiores para atender a
uma formaçao básica mais específica para cada campo, no caso, entretanto, do
Bibliotecário, que precisa ter uma formaçao técnica em profundidade, o currículo aprovado tem excesso de matérias culturais e falta de matérias técnicas,
A FEBAB no memorial, dirigido ao Presidente do Conselho Federal de
Educação, em I2/2/1963, assinala, entro outros pontos, os seguintes:
a) O currículo aprovado pareço visar somente aos interesses da B^
blioteca Nacional 5
b) "A cadeira do "Paleografia" nao é matéria básica para o ensino
de Biblioteconomia o Documentação, podendo ser ministrada na cadeira do "Hi^
tória do Livro e das Bibliotecas", sondo "impraticável, atualmente conseguir-se professor de "Paleografia" para as Escolas do Interior do Brasil";
c) Se o "Curso da Biblioteca Uacional necessita do matérias específicas para a formaçao de bibliotecários, é justo que tenha êle em seu currí
culo as disciplinas necessárias, tais como a "Paleografia", "Diplomática",
"Restauraçao", "Libraria" etc,, pois nao só aquela casa, mas também o Arquivo
nacional, que nocossita do técnicos com capacidade de levar o efeito da leitu

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�- 4 -

ra, intorprotaçao, classificação, catalogaçao o rccuporaçao de milharos do l_i
vros e manuscritos quo so pordora o talvez so intcgreiii a Bibliografia ITacional".
d) "Falta no currículo a imporvantíssima cadeira do "Seleção de M
vros"3
g) "As disciplinas "Catalogaçao" o "Classificaçao" devom figurar,
soparadaraento5 uma vez que constituem matérias autônomas" há mais de 20 anos.
Devemos adotar, calados, o currículo aprovado? - ou devemos examinar os pontos supramencionados e levantar outros elementos com o fim do con
seguirmos urao forte fundamentaçao, e como moção deste Congresso, levarmos ato
o Conselho Federal de Educaçao, reforçando, pois, o memorial da FEBAB?
Enquanto este assunto fica cm pendência, sujeito a discussão do
Plenário, nós, de nossa parto, apresentaremos algumas idéias sobre a melhor
forma de orgânica do nosso currículo, visando sempre a formaçao conveniente do
"bibliotocário-documontalista brasileiro.
Examinando o currículo da "Escuela Interamericana de Eibliotocolo_
gía" do Medôllín (Colombia), chamou-nos atençao, particularmente, a distribu^
çao racional das matérias, dentro de períodos "semestrais e trimestrais, e a
seleção do conteúdo do currículo. E para efeito de confronto com a orientaçao
de nossas escolas, vejamos o regime dessa instituição,
A Escola ao recebor o candidato pa.ra o seu curso - cujo objetivo
é formar apenas o bibliotecário - pressupõe

que o mesmo já tenha adquirido

uma base intelectual sólida, con conhecimento da cultura gorai na forma mais
ampla, No entanto, o 1® ano do Curso o dedicado especialmente a transmissao do
conhecimentos

-"'-■1++'^nto no campo das humanidades, como no

das ciências naturais e a "Introdução a Organizaçao e Serviços de Biblioto^:. .
(x) '
'
~
~
cas'. 'Há, além dos conhocimentos de integraçoDCultural, preparaçao lingilííticaí
inglês (12 ao 4° sem,)| francês (3° e 4- sem.)5 alomao (5° e 6^ sem,)5 italia_
no (5° som,). Somente, no 2® ano, o aluno entrará, diretamente, no campo biblioteconômico, tanto na filosofia da profissão como na teoria o prática, O ?
ano continua a ministrar matérias técnicas, abordando problemas avançados e
questões especializadas. O último semestre é dividido era dois trimestres, com
o fim de facilitar a promoção do seminários para a discussão dos assuntos especializados; contando, ainda, cora a presença de outros professores do campo
nacional ou estrangeiro, A média de trabalho (nos 100 dias de cada semestre)
é de 30 horas semanais, O aluno é obrigado a pormaneccr no estabeliraonto das
8,00 as 12,00 hs. e das 15,00 as 13,00 hs,, cm tempo integral, portanto.
O currículo é ordenado da seguinte formas
1° Semestre (30 hs. semanais, sei io 5 para cada matéria o 5 para estudo na Bi_
bliotoca): Introdução a História da Civili5'.açao, a Filosofia, a Literatura Un_i

(x) Recebe a Escola estudantes especias que tenham completado um ano ou mais
na Universidade e queiram graduar-se em dois anos.

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�- 5 versai, História dos Livros e das Bibliotecas o Inglês.
2C Semestre (id.)! Introdução as Ciências Sociais, as Ciências Naturais o Fí
Bicas, a Orgcnizaçao e Serviços de Biblioteca, História das Belas Artes e In
glês.
35 Semestre (32 hs. semanais): Seleção de Materiais (5tLSo), Princípios de Catalogaçao e Classificaçao, n^l (9ii.s|tcoria s

Q praticas4) &gt; «Serviços de

Referência, n^l (51is.), Bibliografia e Intercâmbio de Informaçao (3ks.)» inglês (5 bs.) e francês (5hs.)»
45 Semestre (32 bs.)? Catalogação e Classificaçao,

(? bs.s teoriai 3hs,

o praticai 4hs.), Serviços de Referência, n®2, (5 h.s,), Administração do Bibliotecas (3 bs.)? Publicações em Série (2bs.)&gt; Bibliografia Nacional (3hs.)&gt;
A Biblioteca e a Sociedade (Filosofia da Profissão) (2 hs.), Inglês (5 bs.) e
Francês (5 hs.)
3g Sem»3tre (3I hs. semanais)- Problemas avançados na Organizaçao de Materiais
(2 hs,), Problemas dos Serviços de Referência (2hs,), Publicações Oficiais (4
hs.), Rfc.^rganização, Planificação e Racionalizaçao dos Serviços de Biblioteca
(3 hs,), Função e Administração de Arquivos (5hs.)5 Alemão (5 hs.), Italiano
(5 hs,) e Práticas nas Bibliotecas (5 hs.).
6^ Semestre9 1-- trimestre (16 hs. semanais) s Organizaçao e Administração de
Bibliotecas (seminário) (4 hs.). Metodologia da Preparaçao Profissional

de

Bibliotecários (seminário) (3hs.), Tese (3 hs,), Alemão (3hs.) e Práticas nas
Bibliotecas (3 hs.).
6® Semestrej|_ 22 trimestre (I6 hs. semanais) s Biblioteca Especializada (Seminário) (4 hs.), Metodologia da Preparaçao Profissional do Bibliotecários (3£
minário) (3hs.) Tese (3 hs.), Alemão (3 hs.) e Prática^ nas Bibliotecas (3hSo)
Como pudemos perceber, êste currículo tom suas matérias e atividades distribuídas equilibradamente o visa especialmente a formaçao do biblio_
tecário. Sabemos, também, que a orientaçao atual dessa Bscola é formar biblio_
tecários especializados o doaumentalistas em cursos de graduaçao superior ao
do Bacharel era Biblioteconomia.
Os cursos brasileiros, perém, ostao—se preocupando, nos dias do
hoje, em formar, conjuntamente, o bibliotecário—documentalista, incluindo nos
seus currículos, além de matérias de integraçao cultural, matérias técnicas
pai'a atender as necessidades específicas do nosso mercado de trabalho,
,

Na verdade, a premência é enorme nao só do bibliotecários como do

documentalistas. Nao é preciso fazer qualquer inquérito neste sentido, pois o
fato consumado a falta imensa de pessoal ha^bilitado para fazer documontaçao
nos mais variados setores do conhecimento humano. A olhos vistos, tomos conhje
cimento

das improvisações que se fazem, dos "técnicos de documontaçao" para o

preenchimento dos cargos criados cm nosso funcionalismo publico.
Precisamos, portanto, primoiramento, ostudar um meio do resolver
o problema da premência de profissionais era nosso país.
Como ponto de partida, vejamos qual é o objetivo das escol^-s

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de

�Bibliotoconomia no Brasil, modornamonte,
O roal objetivo das nossas escolas é formsr 'bibliotecários-documontalistas, de nível superior, para exorcerem, segundo suas tendências c apt
does, uma das inúmeras funções, que lhes faculta o diploma, nos vários tipos
de bibliotecas e soviços do documentação do País.
A prática, porem, tem-nos ensinado que o Bibliotecário, depois do
diplomado, nem sempre escolhe aquilo de que gosta o é mais adequado ao seu
feitio, sendo que, na maioria das vozes, pOr contígências do morcado do trabalho, vai ocupar ura cargo diferente daquele que sonhara oxercor, E, contradizendo, as teorias psicológicas do comportamento, ele acaba pP37 se adaptar
ao serviço, exercendo satisfatoriamente as suas funções.
Daí, a legitimidade do nosso ponto-de-vistas deve-se dar ao futu
profissional bibliotecário e documontalista uma formaçao técnica global o em
profundidade, a fira do que possa exercer qualquer uma das funções que o campo
do trabalho lho ofereça.
Ha hipótese de o recem-forraado ser solicitado para trabalhar numa biblioteca de assuntos especializados, ôle, por si próprio, acabará por
compreender a necessidade do penetrar profundamente no assunto que encampa
seu setor de trabalho. Hesse caso, optará por um dos cursos pós-graduados cor_
respondento ao assunto da especialidade de sua biblioteca, o por meio, ainda,
da oriontaçao dos próprios especialistas do campo, prosseguirá os seus estudos.
As Sscolas de Biblioteconomia devem, por isso, dar uma formaçao
básica e profunda, tecnicamente, ao futuro profissional, habilitando-o a aten
der a qualquer das solicitações oferecidas pelo mercado de trabalho, o, no ca
so das vocaçoes acentuadas, que se opto pela função que mais se coadune com
as suas aptidões.
O ideal seria que o I2 ano do curso fosse Curso Básico o habilitasse o aluno a trabalhar, legalmente, na função do Bibliotecário-auxiliar
(ou outro termo mais apropriado), o assim teríamos a solução do problema do
falta de material humano preparado para trabalhar era bibliotecas de todos os
cantos do País.
Os alunos da Faculdade do Filosofia, Ciências e Letras, por exem
pio, já no 3^ ano têra licença para lecionar. Por que os estudantes de Biblio_
toconomia nao poderiam, também, oxercor cargos determinados em nossas Biblio
tecas, quer pertencentes ao quadro do funcionalismo público como nas emprêsas
privadas? Já que há carência dêsso tipo de pessoal e nao lhe é exigido tempo
integral nas escolas, por que nao facilitar-lho o acosso ao trabalho.
So o nosso currículo fosse flexível, compreendendo um Curso Básico (I0 ano) e um Curso do Graduaçao (l'' a 3® ano), teria a seguinte vantagem:
a) daria acosso a candidatos que realmente quisessem obter o grou
de Bacharel em Biblioteconomia e Documentação (3 anos de curso). Com o curso
básico já estaria habilitado a trabalhar como Bibliotecário-auxiliar5

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�b) dr.ria acosso a normnlistas quo sc intorcsscssom só polo Curso
Básico a fim do trabalharem cm bibliotocas GScolai':;S o infanto-juvenis, Podo_
riam obter um certificado do profossor-bibliotecário, por exemplo3
c) daria acosso a universitários o ospooialistas quo desojassom,
para fins diversos, adquirir conhecimentos técnicos bibliotcconômicos, Ser-Ihos-ia conferidò um certificado de bãbliotecário do 2^' grau,
A nomenclatura moncionada, i.e., bibliotocário-auxiliar, profossor-bibliotecário ou bibliotecário do 2^ grau, deverá ser examinada com mais
critério, por isso pômo-la em discussão e aprovaçao do Plenário.
Koste particular, ainda, haveria de se estudar a nomenclatura oxi_s
tento na carroira, quo aliás é um ponto que noroce ostudo o modificaçao.
Vejamos, então, o estado real do ensino da Biblioteconomia e Docu
montaçao no Brasil, nos dias do hoje.
Curso do Bibliotoconomia o Documentação, em nivel univorsitário.
Pela lei das Diretrizes o Bases da Educaçao Nacional, os estabGl_o
cimontos do ensino suporior podem ser ministrados ora três fasess
a) graduaçaoj
b) pós-graduaçao3
c) ospecializaçao, aperfeiçoamento e extensão, ou quaisquer outros,
a juizo do respectivo instituto do ensino.
O ensino de Bibliotoconomia e Docuraontaçao, a ser ministrado, ago_
ra, em nível superior, será dividido cm tros cursos:
a) Curso do Grrduaçao (em trcs anos)|
b) Curso do Pós-Graduaçao (destinado a (1-) ampliar o atualizar
conhocimontos técnicos do Biblioteconomia, Bibliografia o Docuraontaçao5 (2-)
formar professores de Biblioteconomia o Documentaçao| (3®) atender a espocializaçoos cm Bibliologia, Bibliotecas Infant o-Juvonis, Documentação o Bibliot_c
cas Especializadas,
c) Curso do Doutorado (aos liconciados que devam defender tese).
Ao "Curso de Graduaçao" cabe formar profissionais seguros o com
conhocimonto global e profundo da especialidade biblioteconômica o documentária. Ao "Curso Pós-Graduado!' compete, além do formar especialistas para setores específicos, dar oportunidade aos bibliotecários já diplomados, há algum
tempo, do atualizarem seus conhocimontos o, ainda, formar pessoal decento. E,
finalmentó, ao "Curso de Doutorado" o facultado ingresso aos Liconciados que
dosojemproparar suas toses e rocobor o grau do Doutor cm Biblioteconomia e D_o
cumontaçao.
Cora ossa graduaçao de cursos formativo e de ospecializaçao, caminhamos para dias melhores na Bibliotoconomia, Wao basta, porém, só rofornoar
currículos, mas também, reformar pontos-do-visto o mentalidade.
As nossas Escolas sé consoG^uirao r_o^ nível universitário so forem,
na realidade, escolas ativas o dinâmicas. Pora isso, aquelas que nao o forem,
terão de rorapcr com cortas tradições o acabar cora a aprendizagem de memoriza-

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l'i

�çao, O nosso Curso, mais do que qualquer um, tom do ser ornincntomont,. prát^
CO, proporcionando ao estudante uma visão de conjunto da realidade TDibliotc_
conômica. Trabalhos práticos de equi^po, investigações bibliográficas, seminários etc. devem ser considerados como meio do aquisiçao de capacidades o
hábitos do trabalho. O nosso currículo precisa ser "verdadeiro" no sentido do
ter suas matérias ligadas entre si, e nao uma simples discriminação de cado_i
ras dasarticuladas com a finalidade da Escola. Quanto ao aspecto de democratizaçao do ensino, é preciso, também, que as nossas Escolas proporcionem o
acesso do estudantes que têm verdadeira inclinaçao para o campo, mas que nao
possuem meios financeiros para freqüentar a Escola, através do conccssaao do
bolsas-dc-ostudo, Que se influa de qualquer modo na fncilitaçao de comissio-*
namento do funcionários públicos que necessitam fazer o Curso, o de interessados do interior do Estado, Finalmente, o preciso que haja relações democráticas entre pessoal do .inte e discentes um ou dois estudantes devem part_i
cipar da Congregaçao da Escola. Deste ponto em diante, a Escola de Biblioteconomia e Docunentaçao começará ter o roal nivol universitário.
Precisamos, também, acabar com certos preconceitos de que a Biblioteconomia é mais do que uma especialidade técnica de alto significado p£
ra a cultura o ciência, o nao Avançar suas finalidades alem do terreno de sua
alçada.
2 preciso que fique bem claro que o fim precipiío da Escola de B_^
bliotoconomia o Documentação é formar ura profissional especializado que dora_^
no as técnicas do organizaçao, administraçao, aquisiçao o seleção de livros
o proparaçac técnica doó acervos dos vários tipos do bibliotecas para as trare
formar cm eficientes agencias de serviços, um profissional hábil conhcccdor
dos recursosbibliográficos c dos sistemas de informaçao adequados as exigências próprias de cada setor do conliocimento humano nas bibliotecas espccial_i
zadas.
Ê necessário, também, que fique bom esclarecido que a 2iblioteco_
nomia o a Documentação, mesmo que ministrada em nível superior, nao pode ter
as altas pretonçocs de um Instituto universitário do campo das ciências puras
o aplicadas, ou das ciências históricas o das humanidades, ministrada em 5 ou
6 anos, em regime de tempo integral, o, ainda, por professores de formaçao
universitária. ITao é o número enorme- de matérias culturais que irá dar o pro^
tígio do nível superior a profissão, mas sim o grau do profundidade técnica,
a visão larga dos conhecimentos humanos e a mentalidade bibliotecária altame_n
te çonsplidada, Tcrcnos depois de,diplomados a vida toda para crescer intolectualmento, para continua.r -nossa educação.
Para que a nossa profissão tenha efetivo caráter superior, nao só
pelas exigências de matrícula, como pelo nível do ensino, pelos graus que co^
fere e pelas funções de relevância que os respectivos titulares irão exercer,
a preocupação para a formaçao de bibliotecário-documentalista deve dirigir-sc
para uma apendizagem profunda no caspo técnico e uma intograçao panorâmica o
funcional no campo da cultura.

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�Formaçao do "bibliotocário-docuraontalista.
O bitliotocário-documcntalista dovc sor uma possoa culta, nas cm
primeiro lugar ura tccnico. Sora dúvida alguraa, o ostudanto braoilciro do Bibiotcoonomia devo, alóra dos conheciraontos técnicos o práticos da profissão,
tor iniciaçao nas raatórias indispensáveis a formaçao cultural, nas no sent^
do do facilitar a aplicaçao dos conhociraentos técnicos na Vida profissional.
O importante é que o ensino do Biblioteconomia se preocupo, cm 1® lugar, cora
a formaçao do técnico eficiente, de escol, nao so enveredando, porém, para
uma alta formaçao cultural de nodo que sobrocarroguo o estudante, num ano Io
tivo, com o estudo de muitas matérias nao ospocificas ao objetivo primordial
do sua formaçao.
ÍTa verdade, se as nossas escolas secundárias proporcionassem aos
estudantes uma base cultural sélida, nao seria necessário que uma das finaM
dados do ensino do Bibliotoconoraia fosso dar formaçao cultural aos futuros b_i
bliotecários-documentalistas. Para se atribuirem erros ou falhas ao nosso eri
sino superior, teríamos de remontar as falhas do ensino primário, secundário,
etc., o que nao nos cabo aqui discutir.
Como Já assinalamos, a falta de bibliotecários e documentalistas
é imensa por todo o País, o por isso tora forçado as Escolas do Biblioteconomia a facilitarera o acosso do candidatos aos seus cursos. O programa do vestibular das nossas escolas tem sido relativaraorite fácil, nao demandando gran
dos esforços o cultura do candidato.
Destarte, enquanto os nossos estudantes do curso secundário nao
tiverem a preparaçao conveniente para abraçarem uma carreira como a do bibli£
tecário o nao se proceder a uma rigorosa seleção do candidatos aos vestibulares, teremos de suprir essa deficiência, desdobrando o nosso currículo para
oferecer, também, a formaçao cultural básica que lhes falta. De outro lado,
se as nossas Escolas de Biblioteconomia tivessem tempo integral, com horas
disponíveis para a intensa prática dos conhecimentos técnicos, seria razoável
cuidar-se desse aspecto com mais atonçao e profundidade.
Enquanto, pois, esperamos pelo "Curso Básico Universitário

co_

raum a todas as unidades do onsino - o que por sua voz eliminará os vestibulares, teremos de encarar a realidade tal como se apresenta, mas dando ênfase
para uma formaçao basica profunda ao nosso curso quo e "Curso Profissional".
Pensando, então, ora têrmos do se forraarem técnicos em profundidade
o qualidade, as Escolas devem, pr.ra atingir êsse fim, delinear um plano do
açao para sor executado nos três anos do curso do graduaçao. Precisam atentar^
ainda, para duas questões importantes: metodologia de ensino o seleção do pró_
prlo corpo docente. A êste deve-se-lhe impor regime de tempo integral ou, na
impossibilidade, que se lhe peça assistência aos alunos cm terapo extra ao horário normal das aulas. Finalmente, quo sejam exigidas dos professores produção. intelootual o oarroira univorsitairia, o, oonsoqífontononto, dofosa de tose.
Isso somente será viável se os professores perceberem salarios, também, em nn^
vel do professores universitários.

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As soriaçoos do Curso o a distriTjuiçao das matórins om função da formaçao do
'bibliotocário .-documont aiist a.
Quanto a distribuição das matérias técnicas, somos de opinião quo
as mesmas dovam sor dispostas, nos 6 semestres, cm escala gradativa; comcçan
do o 1^ ano por cursos introdutórios até chegar as qucstes particulríres o c_s
pociais no último ano. Cora isso, o aluno no fim do 1^ ano terá uma visão glo_
tal da especialidade e iniciaçao nas atividades básicas da profissão, o que
o habilitará a desempenhar o cargo de bibliotecário-auxiliar ora qualquer repartição pública ou privada.
No referente as matérias de intcgraçao cultural, poderiam sor di£
tribuídas, oconômicamente, nos três anos do Curso. Se a preocupaçao da Escola ó dar cultura ao aluno, talvez uma cadeira de "História Social da Cultura
o da Arte" fosse o suficiente, sendo que o Curso pós-graduado daria em profuri
didade a fornaçao científica, literária otc. da qual o profissional precisaoso para se especializar. De ura modo ou do outro, o impor-ante c que as matérias do integraçao cultural e a preparaçao lingüística sejam dadas cm função
da aprondizagora técnica, isto é, em função das necessidades das práticas biblioteconômicas,
Um suma, o 1^ ano deverá visar a formaçao básica, o 2^ c 3®j a
formaçao em profundidade, e, depois, o Pós-graduado, a espcclalizaçao,
Quanto a Documentação, convém ressaltar que o sou-&gt;'cnsino nao se
pode ater somente ao estudo teórico da matéria. A aprendizagem dessa especia_
lidado nao poderá se restringir a definição de que Docuraentaçao o reunir, cias
sificar, distribuir documontos de todas as espécies nos vários ramos do sabor
humano, nao poderá se restringir ao conhecimento do histórico desta "ciência",
nos nomes das Organizações internacionais deste campo, as noçoos dos motodosj
técnicas documentárias e máquinas utilizadas no controle de iníorraaçoos, mas
devo o ensino desta especialidade atentar para a prática da documontaçao, in_i
ciando o estudante nos serviços reais de documontaçao o compilaçao do bibliografias, no sentido mais amplo o nos seus pontos mais específicos. lí nocessá^
ar
rio que o aluno nao sofaça estagio cm bibliotocas, como cm seviços de documentação 3 bibliotecas de pesquisa, Ê hora do fazermos frente aos pseudos
"técnicos do documontaçao", mas fazermos fronte como documentalistí{s mesmo.
Um ano só para o ensino da Documentação nos pároco pouco, Para se
ter o registro do diploma como "documontalista", deveria ser exigida espcclalizaçao nesse campo, no Curso Pós-Graduado, a menos que se ampliasse essa Cadeira em várias disciplinas e dando-se ênfase a prática intensa da matéria.
De agora cm diante, a nossa formaçao técnica tem de atingir os
dois campos: biblioteconomia e documontaçao.
Espirito de investigação.
Além das prática necessárias de matérias técnicas, é improscíndivol que seja proporcionado ao futuro bibliotocário-documentalista a formaçao

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�do um raínimo de espirito do invcstignçno - espirito osso indispensável a, q^ua^
(^uor profissional do nível superior.
A investigação a que nos queremos referir c a "investigaçao-raeió",
do 22 grau, o nao a "investigação cientifica" no seu sentido lato, cjijo fira
c a descoberta do um fato novo para efeito do progresso científicoo Geralmeri
te, aljusamos deste termo e o empregamos no sentido de coleta do dados ou pe_s
quisa bibliográfica.
Precisa ficar bem claro ôste ponto, ou seja, que a investigação
cientifica sbmonte pode ser feita por especialista. A Documentação cientifica ou os levantamentos bibliográficos do assuntos especializados poderão ser
realizados pelo bibliotocário-documentalista sob a orientaçao do especialista, ou se ôle próprio, alem do dccumontalista,fôr especialista na matéria.
Entretanto, o espirito de invostigaçao de 22 grau, podo ser conseguido por qualquer Cadeira, através de fina didáticos. Os professores podem
propor trabalhos práticos, onde problemas o dificuldades sejam suscitadas a
fim do obrigar o aluno a movimentar-se, tomar iniciativas, fazer funcionar a
inteligência e transferir os conhecimentos adquiridos para a execução da tarefa, Esta o a melhor oportunidade para o aluno poder utilizar-se do arsenal
bibliográfico que "memorizou" na cadeira de Referencia o das normas e técnicas que aprendeu na cadeira do Bibliografia. Cadeiras de intcgraçao cultural
o técnicas&gt; em comum acordo, poderão proporcionar aos alunos excelentes opor_
tunidades de realizar trabalhos de pesquisa bibliográfica o levantamentos d^
versos. A verdadeira unidade orgânica do currículo se consegue nesse último
particular.
ITo contacto Intimo cora os alunos, nestas atividades pi'áticas o
Professor pode perceber as vocaçoes o aptidões aproveitáveis para a invostigaçao, e convém nao perdê-las do vista. Quando varificar inclinações acontu^
das, o professor deverá encaminhar e aluno, no tempo certo, para o curso de
especirlizaçao adequado as suas inclinações. Mais tarde, se tiver real vooaçao para a pesquisa, poderá docidir-sc pelo apêgo exclusivo da ospocialidade
e acabar por sor um verdadeiro investigador,
Como vimos,

no currículo do Medelllm, o último semestro do curso

inclui seminários nas cadeiras de "Organizaçao e Administração"^ "Iiotodologia
da Preparaçao do Bibliotecários" e "Bibliografia Especializada",. A nosso ver,
deveriam, também, algumas de nossas cadeiras, no último.^ ano, realizar semin^
rios. O seminário é prática comum do nosso ensino universitário, o o dinamiza sobremaneira. Ê o melhor meio de proforcionar desembaraço ao estudantes ê^
te dará largas ao sou espirito do iniciativa, criador o critico^ colaborará
com soluçoes novas ao assunto debatido, superará, por vêzes, a timidez, pelos
apartes constantes quo é obrigado a dar e, principalmente, ser-lhc-á aguçado
o espirito de invostigaçao, pois que deverá propârar-se para discutir o assuri
to. S o seminário, afinal das contas, acaba sendo útil ao próprio professor;
aprende sempre qualquer cousa nova com as investigaçocífe o pontos-dc-vista dos

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jovens o pcrspiDazGS ostudantos.
Fo sentido, aind" j do proporcionar meios pr.rc,. o estudante desenvolver o cspirito(do proporcionar meios para o estudante desenvolver o ospi—
rito)do invostigaçao5 incrccc nossa atençao estudar a hipótese do se exigir ^
ma tese ao aluno no fim do ano, em cuja ocasião já dominara perfeitamente

o

carapo biblioteconômico. Escollieria ele um assunto do sua predileção, o orie^
tndo pelo professor da especialidade olalaoraria a tese no decorrer do ano letivo. Ao fim do último semestre exporia a tese a uma banca examinadora.
É uma idéia, também, que podo entrar em discussão,
Era suma, queremos dizer que o ensino do Biblioteconomia deve ter
cm mira dar ao futuro bibliotocário-documentalista, alem de uma introdução ao
estudo

de matérias do integraçao cultural concatenadas a aprendiza.gera teóri—

cobásica das matérias técnicarS, atividades práticas da profissão e outras com
a finalidade objetiva de lhe desenvolver o espirito de investigação do 2^ grau,
dando-lhe vistas largas e aquisiçao de hábitos de trabalho.
Se, na vida profissional, o bibliotecário irá informar, orientar
leitura o ensinar aos vários tipos de leitores (de bibliotecas escolares, u—
niversitárias, públicas, especializadas etc.) a utilizaçao das fontes do s^ber
precisará ter desembaraço no manuseio intrínseco dos livros. O estudante que
souber, desembaraçadamente, manusear catalogos o bibliografia, procurar infojr
maçoes o tirar o melhor proveito dos livros será um ótimo bibliotecário e qu_i
çá um futuro investigador.
Aspectos Imp ort a nt e s que devom ser levados em conta na formaçao do biblioteca*
rio-documentalista.
A formaçao "moral" do bibliotecário, ou melhor^ os aspectos pertinentes a problemas de formaçao pessoal propriamente dita (educaçao, mentalidade, ética, relações humanas etc.) devem morecor a atençao dos professores
dos nossos cursos de Biblioteconomia.
Cremos nós que em qualquer escola brasileira ha sempre ura grupo
de estudantes que já traz uma formaçao moral e mentalidade bem consolidadas.
No entanto, há uma outra parte que precisa ser observada e estimulada para
seu aperfoiçoamonto humano.
Se o futuro bibliotecário—documontalista vai exercer funções de
alta expressão sócio—cultural e ocupar postos de relovancia em vários setores,
aos quais suas habilidades profissionais lhe facultam acesso, deve, pois, impor—se, nao só pelo domínio absoluto dos assuntos do seu campo, como pela po^
sonalidade marcante, mentalidade elevada e larga visão das cousas.
Ê preciso, pois quo os professores se empenhem numa luta inteligente no sent'ido de anular certas deficiências psicológicas e propensoos, que
sabemos existir em corto grupo do estudantes brasileiros (o profissionais da
nossa nossa classe), bem como estimulem o cultivo das boas qualidades imprcBcindiveis ao exercício de suas funções na vida profissional. Dos inúmeros pontos negativos que invoston a porsonalidado de nossos estudantes, os que devera

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sor bloqueados o anulados da sua psique sao os seguintes' falta do vcntadC;^
falta do memória, desordem, curtoza^ presunção, displicência, impaciência, in
disciplina, egoismo, insociabilidadc, indiferença, intemperança, teimosia, ciú
me, inconstância, e as propcnsoes ao engano, a adulaçao, a promotor, a crcr,
ao isolamento, ao fácil o a discussão.
Era contraposição, há certas qualidades e elementos de formaçao
pessoal que devera ser apontados aos primeiranistas dos nosscS cursos a fim de
que as cultivem pela vida profissional afora: "boa aparência, personalidade,
simpatia, amor ao próximo, bom humor, boa comproonsao, disposição, gosto artís
tico, vontade de progredir, presença de espírito, capacidade do planoar e
transferir conhecimentos, habilidade administrativa, espírito criador o inova_
dor, consciência bibliotecária etc.
Som dúvida alguma, cabo aos mostres cooperar com os alunos no seu
aperfeiçoamento humano, No contacto íntimo com êles, devem proscrutar sua índole, grau do desenvolvimonto etico-raoral, educação etc.&gt; e,de algum modo, in
fluir na sua formaçao pessoal. tios entremeies de aula, por exoDíplo, os profes
sôres podem abordar pontos que venham a contribuir para o aperfeiçoamento dos
alunos. Se, durante os três anos do Curso, dois ou três profossêros se interessarem pela educaçao e formaçao moral de seus pupilos, lançando

oonstante-

monte, uma seraentczinj.:.a benéfica o estimuladora neste particular, c corrigí-los diplomática e amigavelmente, no momento adequado, muito se poderá conseguir om prol da consolidação do uma mentalidade arejada dos nossos estudantes.
As críticas ou correçoos dos professores, que já sao modelos de
dignidade moral e intelectual, e, antes de tudo, verdadeiros amigos dos alunos, agirao como elementos anti-deficiontos nessas personalidades em fase do
consolidação. O aluno terá a palavra amiga e corretiva como ura elemento de au
to-policiamento mental, ajudando-o, conseqüentemente, a anular as dificiências
psicológicas.
Aos professores, pois, nao corapote sbraonte transmitir conhecimentos, mas, dentro de ocasioes propícias, o-d-u-c-a-r.
O Professor - na concepção moderna, mais ampla - devo, alem do
instruir, guiar, dirigir, descobrir capacidades o cuidar dçilas. Cabe-lhe, pois
insti^r o aluno nos conhocimontos, nas habilidades, nas atitudes e ideais.
Desta forma, e importante que os professores das Escolas do Biblioteconomia
tenham formaçao didática (conhecendo métodos de ensino; procesos pelos quais
utilizará as leis da aprendizagem para produzir resultados dosejados), bem cono lhes é iraprescindivel formaçao psicológica, principalmente da Psicologia do
adoloscente o educacional.
Dissemos que de ura cr.rrículo bera estruturado dependerá, era grando
parte, a formaçao adequada do bibliotecário, mas, também, de un bom sistema
onsino

e do professores bem preparados para sua missão dependerá a forma_

çao integral do aluno. Daí, a responsabilidade de ser Professor e de as Escolas tomarem precauçao antes de aduitir pessoal para integrar seu corpo docente,

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Os professores devem, de vez em quando, fnzer um exame do consciência o perguntcren a ei próprioss "Tenho sido um tom exemplo para os meus
alunos?" - "Tenho idéias arejadas c mentalidade evoluidn?" - "Tenho sido aces
sível o dndo oportunidade aos meus alunos para manifestarem o livre arbítrio
G terem despertada sua consciência individual?" -'Tenho acompanhado a evolução das idéias pedagógicas o de psicologia educacional a fim de conseguir umc aprendizagem eficicnto?" - "ITso tenho descuidado do meu próprio progresso
intelectual?" etc.?
Se as respostas forem 8O50 positivas, felizes sorao os nossos estudantes do Biblioteconomia.
Os nossos professores precisam entrar em contacto com outros pro_
fessôres univorsitíários c discutirem, em seminários, problemas pertinentes
aos métodos modernos de ensino superior. Daí, a necessidade de nossas escolas
serem anexas a Universidade, para maior assimilaçao do professôros e alunos
ao ambiente universitário. De outrV','^°scria benéfico, também, contratarem-se
professôros estrangeiros ou especialistas do campo na,cional para ninistrarem
cursos extra-curriculares para efeito de arejamento do nossas idéias educaci_o
nais.
Cursos de Férias o curscs intensivos noturnos seriam, também, interessantes para alunos que quisessem superar deficiências particulares.
Outros pontos que devemos abordar sao aqueles relativos aos aspcc_
tos sociais da profissão, a formaçao psicológica do futuro orientador do loitura, as relações públicas e divulgaçao dos serviços de sua biblioteca o a
orientaçao profissional adequada, e objetiva, para o pleno exercício das nossas funções de expressão social.
Uma das funções do bibliotecário, mais atraentes e de alto signi^
ficado sócio-cultural, é a do informar o público e orientar leitura, enfim de
servir dirotcmonto ao leitor. Para isso, além de qualidades pessoais específicas, como a boa compreensão, amor ao próximo, paciência o bom trato para
com as pessoas, é indispensável, para eficiência do serviço, ter o "guia-de-leitura" conhecimentos do homem o da sociedade com que deve lidar, conhecer,
o em outras palavras, precisa penetrar na filosofia da profissão. Ssta função,
especialmente, dever ser exercida polo profissional que possua as qualidades
acima referidas. Quem nao tiver essas qualidades, que nao aceite um cargo do_s
sa natureza.
Para cada função que compete ao Bibliotecário exercer na vida pr£
fisöional, dove-se-lho dar especial atençao quando do desdobramento das Cadei_
ras nas suas séries.
3m nossa apreciaçao ao currículo, argumentamos que o mesmo nao po_
do ser assoberbado de matérias extras as técnicas, porém há alguns conhecimen.
tos indispensáveis a prática de cortas funções,

que devem ser acrescentados

numa disciplina geral de "Orientaçao Profissional", ou como tópicos da "Cadei^
ra de "Organizaçao e Administração".

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Sabomos quo a raaiorin das Escolas "brasileiras tom incluídas nos
seus currículos as cadoir:".s do PsicologiTs Sociologia, Relações Públicas o
Fublicidrdo, llossa opinião c que nao se estudem exaustivamente cssasmatérias,
cm detrimento do tempo procioso que se deve dar as matérias técnicas, masj
sim, que esses conheciracntos devam ser dados de modo prático quando do estudo
das funções sociais do bibliotecário. Hoste ponto, então, ostudar-so-íam o
comportamento da criança, do adolescente o as necessidades sociais do homem
brasileiro. O currículo da Escola do Tledellín tem um tópico muito sugestivo o
apropriado: "La Biblioteca y Ia Sociedad" (Filosofia de Ia Profesion),
Achamos importante, também, que se dô ao futuro bibliotecário en
sinamentos diretivos de Relações Públicas e Publicidtidc.
Se o Bibliotecário, numa de suas múltiplas funções, vai dedicar-se ás bibliotecas escolares, públicas, infantis, é indispensável que, além
do conhocimento do homem e da sociedade, conheça os princípios o métodos que
norteam as relações da Biblioteca com o público e os meios publicitários para maior divulgaçao dos serviços da instituição.
A realidade brasileira, na verdade, é contrastantes de um lado,
principalmente nos grandes centros, as bibliotecas sao super-lotadas o há ca_
rôncia dessa agência de cultura, de outro lado, nos meios mais acanhados, as
bibliotecas nao tom freqüência alguma o nem receptividade pof parte do púbM
CO. Roferimo-nos, principalmente, ás bibliotecas escolares e públicas, porque
para as bibliotecas especializadas o de pesquisa mede-se afrcqiüênci*a pela qua
lidado dos leitores o nao polo númoro do consultas.
O segundo caso - o d.^ falta do receptividade - é mais fácil de r_c
sglver, porque talvez falte um sistema de Relações Públicas e Publicidade bem
organizado. A Biblioteca pode ser comparada

Q, utn "negécio", som fira lucra-

tivo, na verdade, mas de utilidade pública e do alto significado sécio-cultural. É uma agência do saber, da cultura, da educaçao, o o Bibliotecário é o
agonciador de sua "mercadoria": o livro. Desta forma, o dever do Bibliotecário é promover cada vez mais a salda dos "produtos" de sua agência, o se houver pouca procura, alguma provicência deve ser tomada. Uma propaganda ou um
processo bem planejado do publicidade deve ser executado para consoguir-sc uma boa "clientela", A propaganda é a alma do negécio, como sabomos.
Levando o caso a uma situaçao objetiva, como por exemplo uma biblioteca escolar, devo o Bibliotecário manter contacto íntimo com o seu públ_i
CO e serví-lo amavelmente. Os trr.balhos eficientes de uma Biblioteca bom orga_
nizada é sua própria propaganda, lio entanto, conforme o moio, surgem certas
dificuldades de conseguir-se um público que venha corresponder aos esforços
materiais e humanos despendidos para manter essa Biblioteca. Ê nossa ocasiao
que funcionam os princípios o métoi5.os das Relações Públicas e Publicidade. F_e
cessário, então se faz sondar as causas que ausentam o público das bibliotecas,
Sssos problemas, essa situaçao,devem ser mostrados, concretamente,

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aos alunosj sendo quo os métodos o princípios do Relações Públicas o meios
publicitários podem ser aplicados objetivamonto através de trabalhos práticoSi
Que sejam impostos aos estudantes estágios em bibliotecas "passivas", onde
eles possam colaborar efetivamente na anulaçao dessa passividade. Por si só,
acabarao por compreender a necessidade de um inquérito social o de ura meio
publicitário adequado para atrair o público para essa biblioteca. Realizarao,
desta forma 5 um trabalho escolar prático e uma colaboraça.ciD efetiva para uma
biblioteca.
Para resolver o 1^ caso - o das biblioteca,s superlotadas - tcria_
mos de dizer que ó necessário ampliarem-se as instalações e serviços das bibliotecas escolares e públicas, bem como c preciso que se espalhem as agências do sabor por todas as regiões do Pais, mas, enquanto nao pudermos contar
cora grande núraero de bibliotecários disponíveis convém mantermo-nos caladas.
*
d-G
Repetindo o que já dissemos, anteriormente, a cadeira "Organizaçao o Administração" poderia cuidar desta questão do relações públicas, da
preparaçao do aluno para exercer as funções de guia-do-loitura e de administrador de serviços do biblioteca (logo após o estudo dos tipos de bibliotecas)
sob o tópico específico "Orientaçao Profissional". Desta forma, dar-se-ia
mais ênfase a essas questões importantes.
Outras questões, que devem ser abordadas com-mais profundidade
pela cadeira de "Organizaçao e Adrainistraçao", e que sao de grande importância para vida profissional, sao a orientaçao de habilidades administrativas
e a formaçao do caráter ético do futuro bibliotecário-documontalista.
É preciso incutirem-se na mente de nossos estudantes princípios
de conduta humana e profissional, raostrando-lhos

o que é certo e o que é er_

rado nas suas relações de colega para colega, de chefe para funcionário e v_i
ce-versa.
Sabemos das várias dificuldades por que têm passado os profissio_
nais quojnao possuindo "inclinaçao" para chefia e nao tendo recebido a devida preparaçao para dirigir pessoal, foram, pelas circunstâncias, chamados p^
ra administrar uma Biblioteca ou uma Secçao. Além de se terem embaraçado com
os probl^pias rotineiros de adrainistraçao, nao consegiiirara eficiência dos ser
viços.tO fracasso so dou, do um •Ir.dojpor" nao terem tido una visão do conjunto
dos problemas e serviços de organizaçao o adrainistraçao de bibliotecas e, de
outro lado, por inabilidade de tratamento do pessoal sob sua jurisdição. Conheceraos, ainda, os casos dos profissionais, que na qualidade de funcionários
subalternos, têm prejudicado serviços, por mero desajustamente e falta de for^
maçao ética.
Ssse assunto dove ser focado, também, com grande relevo, Por isso
deveria ser tratado no

programa, da cadeira do "Organizaçao e Adrainistraçao"

sob um tópico específico de "Deontologia". Dovoraos levar era conta, ainda, ne_s
te particular, o estudo do "Código de Ética Profissional" do nosso campo, era

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fasG de rcelaboraçao pela autora do anto-projeto D. Laura G. M. Russo o profissionais interessados na concretização dêsso precioso empreendiraento.
Espirito a^remiativo o intorcâtnbio,
O Professor - educador, tambera, e nao só mostre-oscola - tem de
penetrar na esfera do informaçoes sociológicas a fim de conhecer a real posi_
çao que deve ocupar a juventude na sociedade. Cumprir-lhe-á, então, nao deixar essa mocidade adormecida para os problemas que afligem o meio em que vivem, Devo o Professor, pois, despertar a consciência dos jovens estudantes
para uma interaçao social mais ativa, nao através do imposição de idéias, mas
proporcionando condiçoos favoráveis para o seu desenvolvimento mental espontâneo até conduzi-los para o chamado "idealismo social-evolutivo".
O melhor meio para os estudantes darem largas as suas virtualida_
des intelectuais, morais e sociais é o campo associativo.
Dai, a importância dos "Grêmios" ou "Centros Acadêmicos" que, co^
comitantemente, proporcionam ao jovem acadêmico campo de açao social e dese^
volvimento para suas potencialidades cognitivas o apetitivas e despertam-lhe
a consciência associativa e profissional.
Se algumas de nossas escola^ nao tiverem, ainda, o seu Grêmio,
t
te aos profoBsêres,diplomaticamente, conduzir os alunos a institui-lo.
Alguns dos maiores flagelos da nossa carreira tem sido a falta do
espirito associativo e de consciência bibliotecária por parte do certos pro. (x) ~
fissionais. 'Sao profissionais que se agrupara apenas cm torno de interêsses
próprios e imediatos e, concentrados em condiçoos cômodas, nao atinam para
sua função social e para seus devores profissionais.
Se durante os três anos de curso, os estudantes participarem das
atividades do seu Grêmio, terão o espirito associativo formado, o o problema
que enfrentamos agora nas Associaçoes de classe e nas Bibliotecas, por certo
será sanado.
Quanto beneficio para a Biblioteconomia pode realizar um Grêmio
integrado por um grupo do jovens idealistas, trabalhadores e cênscios de sua
futura função social. Os es-Ludantes, além de se desembaraçarem e alargarem a
visão, podemos - cooperar na solnrno de problemas do nosso campo: assistência técnica o orientaçao do pessoal leigo de nossas bibliotecas de escolas
primárias e secundárias (para as qu^.is infelizmente nao há, ainda. Lei que obrigue sua organizaçao por profissional habilitado), - promover conferências
e cursinhos sobre organizaçao de biblioteca, normas de citaçao bibliográfica
etc. para estudantes do outras faculdades ou interessados em geral, - fazer
campanhas para fundaçao de bibliotecas de bairro, era hospitais, prisões, fábricas etc., - colaborar com as Associaçoos de classc nos inúmeros problemas

(x) Veja-se outro trabalho nosso, apresentado a êste Congresso, sob o titulo
"Consciência Associativa".

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que têm para solucionar a 'bom do moio social etc.
Outro ponto rolacioncdo com as atividades agromiativas ó o inter
câmbio com os colegas da mesma carreira, no i'ais ou no Estrangeiro (c diga-se
de passagem, esta atividade deve ser mantida entro Escolas e Associaçoes de
todo o Pais, o do Estrangeiro). Afora a correspondência mantida com outros
Grêmios e troca de Jornalzinho, para estreitarem mais "intimamente as relações,
devem os Centros Acadêmicos promover nesas-rodondas ou seminários inter-regi£
ncic G entre Estados. Seria imensamente bom que os ■bibliotecários brasileiros
pudessem visitar-se mutuamente, do Estado para Estado. Sabemos, na verdade,
que há impecilhos do distância e despesas, porem com boa vontade c iniciativa
vence-se tudo. Pode-so através da FAB, obter-se passagem e por intercâmbio de
residências, acomodar-se o visitante.
A idoia

de intercâmbio podo ser estendida para o âmbito ostudan

til geral, isto ó, manterom-se relações com estudantes de escolas de outros
campos. Poderiam ser propostos seminários entre estudantes de Escolas Normais,
Faculdade de Filosofia, Ciências Sociais etc*. Desde já poderia o estudante de
Biblioteconomia penetrar nos problemas comuns que deverá enfrentar na vida
profissional e tratar de outras questões de interesse cultural o nacional.
Quantos entendimentos o benefícios para o próprio progresso individual do e_s
tudante poderiam resultar dêsse congraçamento estudantil. Ê uma idéia que mjo
roce a atençao dos professores para que a divulgucíi entre seus alunos.
Êste assunto - o da "Educaçao do Bibliotecário-Documentalista" ó deveras empolgante e faz qualquer apaixonado pelo campo exceder-se na sua
abordagem, líuitos outros pontos poderiam ser focados neste trabalho, e muita
cousa apontada deveria ter sido tratada cora..mais profundidade, mas dada à eii
guidade do tempo intelectual para elaboraçao do mesmo e o limite de espaço
material de um trabalho de Congresso, restringimo-nos a ura ensaio sobre o assunto. Tivemos intenção de, ainda, ao apreciar o currioulo do nossas Escolas
(por alto), ao apontar problemas e sugerir soluçoes a formaçao integral de bibliotecário-documontalista, dar margem a discussão do assunto, em profundidade, pelos Colegas especializados, em cada questão apontada, o presentes neste
Conclave.
Antes de apresentarmos as conclusoes queremos deixar bem claro
que longe da nós esteve qualquer segunda intenção de criticar professores ou
Escolas de Biblioteconomia do Pais. Devemos até, neste fim de trabalho, render
nossa homenagem a essa pleiade pioneira de professores brasileiros do Biblioteconomia o Documentação, e, especialraentos consignar riossos respeitos aos
Mostres que incidiram em nossa formaçao o, até hoje, continuando influindo,
cora seus exemplos, dignificantes do labor bibliotecário, em nossa vida profi_s
sional.
Qualquer profissional brasileiro, na época de hoje, tom a obrigaçao de assumir posição combativa e crítica aos assuntos que merecem reforma e

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atualizaçao. Por isso fomos, nlgunas vôzos, severas ora nossas assorçoos. O quo
dosejaraos, com toda a sinceridadOj o quo a Biblioteconomia soja respeitada como ensino superior pelos seus objetivos definidos, pelo seu currículo atualizado e dinâmico, c que os Bibliotocários-Docunentalistas, agora, com a carreira rcgularaontada, tenliam formaçao adequada, nodorna. e em consonância com a
realidade nacional, E assimj com uma formaçao sólida, integral, consciência b^
bliotecaria altamente consolidada terá o Bibliotocário-Documentalista e prestígio que merece no seio da nossa sociedade.

£ 2.

5. íi ?. â Õ E S

1. A educaçao do bibliotecário-documentalista deve dirigir-se para uma formaA#
Çap técnica, básica e profunda, e ao mesmo tempo de caráter prático,
2. Há nocessidado do se rovorcm, de tempos em tempos, os currículos o o programa do cada Cadeira^ a fira do acompanhar-se a evolução dos conhecimentos
humanos e atenderem-se as novas necessidades do estudante o da sociedade,
3. O currículo deve ser um conjunto do matérias relacionadas entro si o diri^
rigidas todas ao fim fundamental da Escola.
4. As matérias de integração cultural que constara do currículo mínimo

devem

ser articuladas as matérias técnicas, de forma a convergir para a seguran
ça o facilitaçao das práticas bibliotecárias.
5. A aquisiçao de conhecimontos científicos, literários ou tecnológicos, enfim, a formaçao específica do estudante interessado num determinado campo
do conhecimento humano, devo ser obtida em especializações do Curso í&gt;ós-Oradundo do Bibliografia o Documentação. Todavia, quando o bibliotecário
quisor ser um especialista do mais alta categoria, necessário so faz obter
grau em cursos superiores específicos.
6. Be ura.currículo bem estruturado, de üm bom sistema de ensino e de um corpo de professores bem preparados o conscientes de sua missão do 'educadores,
dependerá, na maior parto, a formaçao integral do bibliotecário-documentalista.
7. Beve-so intensificar o estudo da Bocumontaçao no Curso de Graduaçao, atentando-so, principalmente, para o ensino prático da matéria.

_ ■

8» Bove-se estudar (Escolas c Associaçoos) ura meio do ozigir-se dos bibliotecários-documontalistas, quo forom ocupar cargos nos setores da Bocumontaçao e Bibliotecas especializadas, o curso Pós-Graduado cm Bocumontaçao

o

Bibliotecas Especializadas.
9» As Escolas de Bibliotoconomia o Bocumontaçao para terem real sentido univor_
sitário têm de ser escolas ativas o dinâmicas e acabar cora cortas práticas
educacionais obsoletas.

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�- 20 10. Os professores de nossos escolas devenis
- ter forraaçao didática o do Psicologia Educacional5
- intcgra-so no ambiente do professorado dos cursos superiores do País;
- fazer carreira universitária.
11. Precisam, ainda, dar assistência aos alunos cm horas extras ao horário normal das aulas.
12. O futuro bitliotecário-documentalista, indo na vida profissional ocupar car_
gos de relevância, deverá' impor-so, nr.o só pelo domínio absoluto dos assuntos do seu campo, como pela personalidade bem cultivada, mentalidade elevada^ ética profissional e larga visão das cousas.
13. Os professores, na qualidade de cducadorcs, dovem atentar, pois, para a for_
maçae otico-profissional dos alunos o colaborar para o sou aporfoiçoamento
hjcmano.
14. Ê imprescindível que soja propiciado ao futuro bibliotocário-documentalista
ura mínimo de espírito de investigação. Investigação essa, do 2^ grau,

quo

podo ser desenvolvida através do trabalhos práticos bem planeados, pelos pr£_
fcssôros, o por meio do seminários g elaboraçao de tose no final do curso.
15» Ê preciso atontar-se^ também, para os aspectos sociais da profissão, a fornaçao do baso psicológica espocífica para o futuro orientador do leitura, as
relações públicas, enfim, a. oriontaçao profissional adequada para o pleno cxorcício das funções bibliotecárias de expressão social.
16. Nao devo, por isso, faltar na ôadeira de "Organizaçao o Administração" tópicos ou disciplinas de "Oriontaçao Profissional" o "Doontologia".
17. A incromontaçao da dissiminaçao do bibliotecas escolares o públicas por todo o País deve ser feita, concomitantemente, com o preenchimento da lacuna
docorronto da carência de profissionais. A solução mais viável é transformar—
-so o ic ano do nosso cuiao cm CURSO BÁSICO, com a possibilidade, logal, do
o aluno poder trabalhar como bibliotecário-auxiliar.
18. O idealj pois, o que o currículo seja fèoxivel (lo anos Curso Básico; 1^ a
3® anoBs Curso Graduado)para permitir, também, quo normalistas, universitários ou especialistas etc.

, con, apenas, o CURSO EÄ.SICO, estejam habili-

tados a organizar bibliotocns escolares o infantis e para fins diversos, so_
gundo as necessidados ospocíficas de cada um.
19. Deve ser estabelecido intercâmbio ontro Escolas dos vários estados brasileiros o países estrangeiros, para maior congraçamonto entre profissionais, un^
dade da classe, coordenaçao de esforços e arejamento de idéias.
20. Os professores devem ostirnular a formqçao da consciência agromiativa dos alu
nos, mostrando-lhos as vantagens dos atividades associativas estudantis para
c seu progresso individual o para o do cnrnpo biblicteconômico cm geral.
V
S. Paulo, 10 de junho do 19^3
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�TRABALHOS

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