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Organização do conhecimento: indexação, catalogação, tesauros, ontologias, taxonomias,
padrões e protocolos (Z39 .5, XM L, etc.) e demais temas relacionados

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ORGANIZAÇÃO E ACESSO À INFORMAÇÃO
EM BIBLIOTECAS MÓVEIS: O CASO DO PROGRAMA CARROBIBLIOTECA: FRENTE DE LEITURA DO CENEX/ECI/UFMG
Gracielle Mendonça Rodrigues Gomes 1, Aline Alves de Almeida2,
Wellington Marçal de Carvalho3
Especialista em Gestão de Arquivos e Documentos , Bibliotecária , UFMG, Belo Horizonte,
Minas Gerais
2 Especialista em Gestão e Desenvolvimento Web , Bibliotecária , UFMG, Belo Horizonte,
Minas Gerais
3 Mestrando em Letras (PUC Minas, Bolsista CAPES) , Bibliotecário, UFMG, Belo Horizonte,
Minas Gerais
1

Resumo

o "Programa Carro-Biblioteca/Frente de Leitura" da Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais é o segundo programa de
extensão da UFMG, sido criado em 1973, através de um convênio com o Instituto
Nacional do Livro. Desde então, atua para incentivar a leitura e a cidadania; contribui
para a democratização da informação; promove ações culturais e educativas; presta
assessoria às comun idades na organização e formação de bibliotecas e espaços de
leitura; funciona como ambiente para pesquisa e treinamento discente,
proporcionando a relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão da universidade.
Nesse contexto, descrever-se-á, no presente trabalho, a fase de tratamento
informacional aplicado ao acervo do Carro-Biblioteca. Serão abordadas as etapas de
avaliação e seleção do acervo, processamento técnico e o início da consolidação de
políticas, específicas para este tipo de Biblioteca e sua finalidade , para regulação do
desenvolvimento e preservação do seu acervo e, para, além disso, a concatenação
e estabelecimento das diretrizes que nortearam a catalogação dos materiais. Por
fim , o trabalho de tratamento da informação realizado, validará a razoabilidade de se
considerar, como alguns estudos teóricos já apontaram , a importância do
investimento perene no Programa Carro-Biblioteca, sem ignorar, inclusive, a sua
contribu ição fundamental enquanto laboratório para a formação dos novos
bibliotecários da Escola de Ciência da Informação da UFMG.
Palavras-Chave:
Bibliotecas-automação; Catálogos de bibliotecas
itinerantes; Bibliotecas-serviço de extensão; Carros-biblioteca .

online;

Bibliotecas

Abstract
The "Library Bus Program / Reading Front" from Information Science School
of the Minas Gerais Federal University is the second UFMG extension programo It
was created in 1973, by an agreement with the National Institute of Book. Since then,
it acts to stimulate the reading and citizenship; it contributes to the democratization of
information; it promotes cultural and educational actions; it provides assistance to
communities in the organization and formation of libraries and reading spaces; it

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padrões e protocolos (Z39 .5, XM L, etc.) e demais temas relacionados

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functions as research and training environment for students. In this context, it will be
described in this paper the information treatment phase applied to the Library Bus
collection . It will be discussed the stages of evaluation and selection of the collection ,
technical processing, and the beginning of the consolidation policy, specific to this
type of library, and its purpose, for regulating the development and preservation of its
collection , and , furthermore , the concatenation and establishment of the guidelines
for cataloging of materiais. It should also say that the decisions taken for cataloging,
c1assification, preparation of the works for circulation has not distanced itself in any
way, of what is practiced in other libraries of system . Although belonging to a
traveling Iibrary, that supplies service to outlying communities, precisely for that
reason, it was kept on the methodological standardization . Finally, the information
processing work that was done will validate the reasonableness of considering the
importance of perennial investment on Library Bus Program , without ignoring even its
key major contribution as a laboratory for the training of new librarians of the UFMG
Information Science School.
Keywords:
Libraries - automation ; Online Iibraries catalogs; Iibraries - extension service;
Traveling libraries; Library Bus.

1 Introdução
A atmosfera desinquietante provocada pelo mineiro de Poços de Caldas,
estudioso da literatura brasileira e estrangeira, Antonio Cândido de Mello e Souza,
em seu texto gestado nos idos de 1988, nomeado 'Direito à literatura', detonador de
uma pletora de discussões, funcionou como espécie de fonte inspiradora para dotar
de pertinência este trabalho.
Felizmente a Biblioteconomia permite verificar - a experiência a seguir
relatada constitui um exemplo disso - através de seu mecanismo potencializador de
reorganização social , a Biblioteca, organismo vivo, como vaticinara Ranganathan ,
seja de que natureza for, permite, "[.. .] de qualquer modo, no meio da situarão atroz
Como
em que vivemos, [a existência] de perspectivas animadoras."
messianicamente aludia Antonio Cândido, no mencionado texto.
A literatura , o acesso às obras literárias, é tão essencial ao processo de
humanização quanto o é o direito ao lar, à educação, à saúde , etc. Nisso reside a
relevância do trabalho realizado, há mais de três décadas, pelo Programa CarroBiblioteca, projeto de extensão da Escola de Ciência da Informação da Universidade
Federal de Minas Gerais que, incansavelmente, intenta fazer chegar às populações
periféricas de Belo Horizonte e da Região Metropolitana da capital mineira, os
serviços informacionais ofertados em qualquer biblioteca trad icional.
Importa, para os fins deste Sem inário Nacional, enfatizar a otimização da
amplitude de disseminação, quer da existência do Programa Carro-Biblioteca ,
1 CÂNDIDO , Antônio. Direito à literatura. In: _ _ (Org .). Vários escritos. 4. ed . São Paulo: Ou ro
sobre Azul, 2004. p. 170. Mimeografado.
o

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padrões e protocolos (Z39 .5, XML, etc.) e demais temas relacionados

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induzindo, por isso, incremento em sua demanda pelas pessoas em cujas
localidades ainda não se têm acesso a acervos culturais dessa natureza; como
também, destacar a relação direta que a efetivação de uma atividade específica do
trabalho do Bibliotecário, a informatização de acervos, atua em parceria, para o
alcance de públicos sequer imaginados em tempo anterior ao implemento do
catálogo on-line dessa Biblioteca Itinerante.
Assim, descrever-se-á aqui, a fase de tratamento informacional aplicado ao
acervo do Carro-Biblioteca . Serão abordadas as etapas de avaliação e seleção do
acervo, processamento técnico e o início da consolidação de políticas, específicas
para este tipo de Biblioteca e sua finalidade, para regulação do desenvolvimento e
preservação do seu acervo e, para além disso, a concatenação e estabelecimento
das diretrizes que nortearam a catalogação dos materiais.
Por fim , o trabalho de tratamento da informação realizado, validará a
razoabilidade de se considerar, como alguns teóricos já apontaram, a importância do
investimento perene no Programa Carro-Biblioteca , sem ignorar, inclusive, a sua
contribuição fundamental enquanto laboratório para a formação dos novos
bibliotecários da Escola de Ciência da Informação da UFMG.

2 Revisão de Literatura
2.1 A Extensão na Escola de Ciência da Informação da UFMG: o
Programa Carro-Biblioteca
A extensão universitária oferece ao público externo o conhecimento adquirido
através da pesquisa e do ensino, com a intenção de modificar a realidade social,
intervir em suas deficiências e por meio dessa ação produzir novos conhecimentos.
Segundo Cabral e Dumont (1990), a extensão universitária é uma prática que visa
propiciar a inserção da universidade no contexto social , manter o contato direto com
o público externo, possibilitar a renovação das práticas pedagógicas e a
reelaboração constante dos conhecimentos teóricos.
De acordo com a Pró-reitoria de Extensão da Universidade Federal de Minas
Gerais (PROEX) (2012), a Extensão na UFMG tem início informalmente em 1930,
com a realização de conferências, e em 1932 é institucionalizada. Segundo o
regimento geral da UFMG, a extensão é uma atividade identificada com os fins da
universidade; é um processo educativo, cultural e científico articulado com o ensino
e a pesquisa, de forma indissociável, ampliando a relação entre a universidade e a
sociedade. As diretrizes da Extensão são: indissociabilidade entre ensino, pesquisa
e extensão; interdisciplinaridade; impacto e transformação e interação dialógica.
Na Escola de Ciência da Informação (ECI) da UFMG, o Centro de Extensão
(CENEX) foi criado em 1972, pela Congregação da Escola e sua política tem sido a
de desenvolver programas e projetos através de uma abordagem de aproximação
com as comunidades de forma integrada, ativa e dinâmica. Ocupa-se, também, com
a divulgação de estágios, bolsas de pesquisa e oportunidades de trabalho para os
alunos de graduação da ECI.
O "Programa Carro-Biblioteca/Frente de Leitura" da Escola de Ciência da
Informação é o segundo programa de extensão da UFMG, sido criado em 1973,
através de um convênio com o Instituto Nacional do Livro (INL) . Desde então, atua

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para incentivar a leitura e a cidadania, contribuir para a democratização da
informação, promover ações culturais e educativas, prestar assessoria as
comunidades na organização e formação de bibliotecas e espaços de leitura; atua
como ambiente para pesquisa e treinamento discente, proporcionando a relação
entre o ensino, a pesquisa e a extensão da universidade.
Conforme Cabral e Dumont (1990) , o primeiro veículo do Programa foi uma
Kombi doada pelo o INL, sendo substituída por um micro-ônibus em junho de 1988,
especialmente adaptado para comportar o acervo a ser levado às comunidades. Em
2007, de acordo com Sirihal Duarte (2009), o micro-ônibus foi substituído por um
ônibus urbano, através da parceria entre a Fundação Municipal de Cultura (FMC) e o
(CENEX/ECI), que além do espaço de biblioteca móvel foi adaptado para oferecer
serviços de um telecentro. Segundo Ferreira e Cassimira (2006), para implementar o
telecentro e equipar o Programa de recursos tecnológicos foi viabilizado cinco
computadores com conexão a internet via satélite, além de televisão , câmera
fotográfica , telão para projeções, impressoras, aparelhos de DVD e aparelho de
som .
Ainda em 2011, para revitalizar os recursos tecnológicos, aperfeiçoar os
serviços oferecidos, solucionar os problemas enfrentados na execução das
atividades no telecentro e automatizar as tarefas e rotinas de atendimento ao
usuário, processos técnicos e informações gerenciais foram adquiridos novos
equipamentos, tais como: câmera fotográfica , câmera filmadora, memórias portáteis,
notebooks, baterias externas para notebooks, modens para acesso à internet 3G,
impressora e geladeira portátil.
Em 2012, o Carro-Biblioteca completa 39 anos de atendimento a crianças,
jovens, adultos e idosos de populações carentes promovendo a aproximação com o
universo literário e a ampliação do nível informacional dos usuários. Durante a sua
existência o Programa, segundo Reis e Cabral (2004, p. 1-2), 'l ..] tem centrado sua
atuação junto às camadas populares, que em geral não dispõem de recursos para
aquisição de livros ou para a locomoção às bibliotecas públicas localizadas na região
central de Belo Horizonte".
Conforme Reis e Cabral (2004), o Programa Carro-Biblioteca pretende
ampliar a oferta de fontes de informação incluindo também as eletrônicas. A internet
oferece grande atrativo junto às classes populares, possibilita a obtenção e a troca
de informações, e através do uso das suas possibilidades de interatividade oferecer
a crianças, jovens e adultos recursos para alcançarem a necessária inclusão digital.
Ao disponibilizar às comunidades carentes recursos tecnológicos há possibilidade de
ampliar as atividades educativas e culturais dos usuários, introduzindo recursos que
incrementem os serviços prestados.
Cada comunidade atendida pelo Programa recebe a visita uma vez por
semana em local fixo, no qual o Carro permanece por um período de duas horas e
são desenvolvidas várias atividades no intuito de incentivar a leitura e atender as
demandas informacionais dos usuários. As comunidades visitadas, em 2012 , pelo
Carro-Biblioteca são: Minas Caixa , Bonsucesso , Goiânia, Lagoa e Morada do Rio.
De acordo com Relatório das atividades desenvolvidas pelo CENEX
Programa Carro-Biblioteca: frente de leitura - ano base 2009, através de uma
metodologia participativa e dia lógica, criada nas comunidades, o Carro-Biblioteca,
com seu ambiente descontraído e agradável , visa a manter e fortalecer a fidelidade
dos seus usuários antigos, além da promoção de atividades culturais junto às

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comunidades, tais como contação de histórias, concursos de redação e poesia,
exposição de desenhos, teatro, oficinas de inclusão digital e outras, para conquistar
novos usuários a cada dia.
Outros serviços são oferecidos pelo Carro-Biblioteca dos quais citam-se: o
atendimento, a orientação para leitura, à pesquisa escolar e o estudo autônomo, a
divulgação de informações no Carro-Biblioteca , em locais das comunidades, e
através das redes sociais e do site do Programa, o empréstimo, a reserva e a
renovação do acervo, a distribuição do Boletim Bairro a Bairro e a realização de
oficinas de inclusão digital.
Os usuários do Carro-Biblioteca são formados por crianças e jovens, de todas
as idades e sexos, adultos e idosos, principalmente, do sexo feminino . Quanto à
escolha de leitura dos usuários, nos últimos anos, as preferências dos leitores foram
pelos gibis (histórias em quadrinhos), a literatura infanto-juvenil, os romances
seriados como Júlia, Sabrina e Bianca , as revistas, livros sobre culinária , artesanato
e religião, a literatura estrangeira e a brasileira . Vários moradores das comunidades,
principalmente crianças e jovens, interessam-se pelo Carro-Biblioteca devido à
disponibilidade de computadores e do acesso à internet.
Para ampliar as atividades oferecidas e implementar o desenvolvimento da
pesquisa acadêmica e o treinamento dos discentes, o Carro-Biblioteca é integrado,
atualmente, por projetos que são coordenados por professores da ECI e
bibliotecários e conduzidos pelos bolsistas nas comunidades atendidas
desenvolvendo suas propostas e metodologias.
De acordo com o Sistema de Informação da Extensão (SIEX) da UFMG
(2012), os projetos e os respectivos objetivos são:
a) Encontros de Leitura: promover o acesso das populações visitadas pelo carrobiblioteca aos materiais de leitura informativa e literária disponibilizando-lhes
atenção e orientação na escolha e na utilização dos livros, jornais, revistas,
obras de referências e outros suportes informacionais disponíveis no carro,
em forma impressa ou digital;
b) Boletim Bairro a Bairro: criar instrumentos de informação e de comunicação
entre as comunidades atendidas pelo Carro-Biblioteca, em consonância com
as concepções metodológicas que orientam o Programa Carro-Biblioteca :
Frente de Leitura, contemplando a participação das comunidades atendidas e
discutindo a importância da leitura, e a função social das bibliotecas enquanto
espaço de acesso à informação para a construção da cidadania ;
c) Educação para preservação - uma estratégia para conservação de material
bibliográfico: desenvolver ações na área de educação para a preservação
através de atividades que possibilitem a formação, o treinamento e a
conscientização do público alvo em termos da conservação dos acervos
bibliográficos;
d) Conto e reconto : despertar nas crianças e adolescentes, através da contação
de histórias, um anseio mais profundo pela leitura e uma interação com a
mesma, persuadindo-os a buscarem suas próprias leituras e criarem suas
histórias;
e) A cidadania da infância em hipermídia - educação para os direitos da criança :
divulgar os direitos da criança e do adolescente de modo claro, agradável e
acessível , junto ao público infanto-juvenil e educadores em direitos humanos.

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Fomentar o processo conscientização sobre os direitos da criança e do
adolescente, junto a instituições sociais, educacionais e culturais;
f) Inclusão digital - o Carro-Biblioteca da UFMG como te/ecentro: aprofundar e
estender a questão da informação, da comunicação e do conhecimento
através das práticas de inclusão no telecentro do carro-biblioteca da UFMG.
Dumont (1990) enfatiza que a leitura é um elemento essencial no processo se
obter informação. É aconselhável que as pessoas leiam mais para contribuir para o
próprio desenvolvimento intelectual. A leitura deve ser democratizada e é nesse
desafio que o Carro-Biblioteca pode colaborar: atingir as camadas mais pobres,
onde a leitura não é difundida nem estimulada . Jorge e Jorge (2006) afirmam que
fornecendo o que realmente possa interessar à determinada população, o CarroBiblioteca pretende vencer o desafio de despertar o gosto pela leitura e propiciar o
acesso às novas tecnologias da informação.

2.2 Organização e tratamento de acervos informacionais: a catalogação
em foco
Partindo do pressuposto de que para que uma Biblioteca, independentemente
de sua tipologia, possa atender às necessidades de seus usuários, ela tem que estar
organizada, o Programa Carro-Biblioteca deu início ao seu projeto de organização e
automação de seu acervo.
O objetivo principal foi garantir que todas as atividades que visam à
disseminação e recuperação da informação contida em seu acervo fossem
realizadas com maior agilidade e precisão com uso das tecnologias e ferramentas
destinadas a este fim . Ademais, hoje é quase impossível para as bibliotecas realizar
um serviço de qualidade sem o auxílio da tecnologia .

°

cenário indica que se as bibliotecas e arquivos quiserem oferecer melhor
serviço aos usuários e cumprir a sua missão, necessário se torna
acompanhar passo a passo o desenvolvimento da sociedade , entender com
melhor precisão os hábitos e os costumes dos usuários, adaptar as
tecnologias às necessidades e quantidades de informação de que dispõem,
e utilizar um sistema informatizado gue privilegie todas as etapas do ciclo
documental, em que a escolha recaia sobre uma ferramenta que contemple
os recursos hoje disponíveis, sem se tornar obsoleta a médio e longo
prazos. (CÔRTE et ai. apud COUTO , 2005, p. 106-107, grifo nosso)

Dadas estas considerações iniciais, faz-se necessário refletir sobre as
temáticas envolvidas no processo que nortearam toda a estratégia dos serviços
realizados. No que se refere à representação do conteúdo informacional, parte-se do
conceito geral de catalogação para, posteriormente, definir o tipo empregado.
Relembrando a definição de Mey (1995, p. 5), "catalogação é o estudo,
preparação e organização de mensagens codificadas, com base em itens existentes
ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de forma a permitir interseção
entre as mensagens contidas nos itens e as mensagens internas dos usuários". Por
meio da catalogação é que os itens serão reunidos de acordo com suas
semelhanças e que os usuários poderão ter uma dimensão se uma determinada
biblioteca irá supri-los de suas necessidades informacionais.
No caso específico do acervo do Programa Carro-Biblioteca, além de se ter

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em mente esta prerrogativa , foi preciso definir o método a ser adotado para a fase
da catalogação.
A Catalogação Cooperativa considera o princípio de que
uma biblioteca jamais deveria catalogar novamente um material que já foi
catalogado por outra biblioteca; para cada material que chega à mesa do
catalogador, é necessário saber antes se alguém , em algum outro lugar do
país ou do mundo, já o catalogou; se o material já tiver sido catalogado,
todos os esforços devem ser envidados para se ter acesso a essa
catalogação e aproveitá-Ia. A tecnologia existe para diminuir a quantidade
de trabalho repetitivo. (BALBY, 1995, p. 30) .

Os recursos tecnológicos atualmente disponíveis permitem realizar esse
trabalho de forma ágil e compartilhada, com todos os requisitos de qualidade,
recomendando-se tanto o planejamento adequado, de acordo com padronização
internacional, como a busca de serviços especializados de comprovada
competência, a fim de que os projetos possam ser desenvolvidos com sucesso.
Sendo assim, o Programa Carro-Biblioteca está inserido num ambiente em
que foi possível usar estes dois métodos, cumprindo os quesitos de qualidade. A
começar pelo próprio catálogo do Sistema de Bibliotecas da UFMG, que constitui
uma importante fonte para a cooperação de registros bibliográficos.
E finalmente , vale esclarecer que, ao fazer parte do Sistema de Bibliotecas da
UFMG, o Programa não precisou adquirir o software. Desde 2004 , o Sistema utiliza o
Pergamum - Sistema Integrado de Bibliotecas - que está entre os principais
softwares pagos disponíveis no mercado brasileiro. Sua estrutura está dividida em
módulos, compreendendo todas as situações envolvendo gestão de bibliotecas, bem
como o tratamento da informação.

o sistema presta serviços de manutenção e suporte técnico a distancia e
in loco , treinamentos , cursos de AACR2 , MARC21 bibliográfico e
autoridades, com manuais em português e tem como característica a
forma de trabalho, que torna os clientes parceiros da equipe Pergamum ,
para sugerir a criação de novos serviços/produtos que dentro da
viabilidade são atendidos , desde que toda a Rede se beneficie. O sistema
oferece atualizações das versões do software sem custo adicional aos
seus clientes, cada atualização inclui melhorias e acréscimos de opções
para serviços, relatórios etc . (ANZOLlN , 2009, p. 498)

Sobre os conceitos acima levantados, conclui-se que os catálogos
bibliográficos das instituições de ensino, pesquisa e extensão estarão mais
preparados para prover o acesso às informações de seus acervos a sua
comunidade, além de participar de trabalhos cooperativos e de intercâmbio
internacional, desde que aperfeiçoem seus procedimentos gerenciais e
operacionais.

3 Materiais e Métodos
A partir de 30/04/2008, de acordo com o Dossiê com o Histórico de Reuniões,
Comunicações e Contatos para Integração do Acervo Patrimoniado do CarroBiblioteca foram baixados os 4.134 itens que haviam sido repassados da Biblioteca
Universitária para o Carro-Biblioteca com número de patrimônio. Houve a mudança

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da condição de bens de natureza permanente para bens de consumo e, a essas
obras, foram atribuídas etiquetas 1999 .. ., como forma de incluir, posteriormente
esses itens no Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas. Nessa nova classificação,
também estariam incluídas as futuras aquisições de forma a evitar problemas e
todas as outras obras que já faziam parte do acervo. Esta decisão foi tomada para
atender as particularidades do Programa que não conta com as mesmas condições
de controle de acervo que as outras bibliotecas da UFMG.
Para automatizar o catálogo do Carro-Biblioteca , foi selecionado o pergamum
- Sistema Integrado de Bibliotecas - que é um sistema informatizado de
gerenciamento de dados, direcionado aos diversos tipos de Centros de Informação.
Este sistema já é utilizado pelas bibliotecas que compõem o Sistema de Bibliotecas
da UFMG.
Em janeiro de 2009 , foi instalado o Sistema Pergamum em dois computadores
do CENEX pelo Setor de Tecnologia da Informação (Automação) da Biblioteca
Universitária (BU) que é o Órgão Suplementar vinculado à Reitoria , responsável
tecnicamente pelo provimento de informações necessárias às atividades de Ensino,
Pesquisa e Extensão da Universidade, como também pela coordenação técnica,
administração e divulgação dos recursos informacionais das bibliotecas do Sistema.
Antes de iniciar as atividades de catalogação , foi realizado um treinamento
básico do formato MARC 21 e do módulo de Catalogação do Pergamum para a
bibliotecária do Programa Carro-Biblioteca , pelo Setor de Tratamento da Informação
(CCOC) da BU, preparando-a para começar o processo de catalogação, de acordo
com as normas adotadas pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG. O formato MARC
21 é um padrão de intercâmbio legível por máquina que possibilita a otimização e a
cooperação do serviço de catalogação, facilitando a disseminação e a recuperação
da informação.
Ainda, a descrição foi baseada no Código de Catalogação Anglo-Americano
(Angfo-American Catafoguing Rufes - AACR2) que é um conjunto de regras para a
criação de descrições bibliográficas e para a escolha das entradas e formatos de
cabeçalhos. Foi utilizado o cabeçalho de assunto da Rede Bibliodata para o controle
de autoridades.
A técnica de classificação utilizada foi a Classificação Decimal de Dewey
(CDD), que utiliza a numeração decimal, partindo do desdobramento de um tema
geral para o específico . A CDD já era adotada pelo Carro-Biblioteca, mas a coleção
foi reavaliada e, em algumas áreas, foram classificadas mais detalhadamente, como
por exemplo, a literatura brasileira que era classificada apenas como B869 e passou
a ser subdividida pelas classes B869.1 - poesia brasileira , B869.2 - teatro brasileiro,
B869.3 - ficção brasileira, e assim por diante, de maneira a tornar mais eficiente o
atendimento das demandas dos usuários.
Para formar o número de chamada , junto ao número de classificação são
adotadas as três primeiras letras do último sobrenome do autor (se houver) e, em
seguida, as três primeiras letras do título (excetuando-se os artigos iniciais). As
informações referentes ao volume, edição (a partir da segunda) e o número do
exemplar correspondente a cada obra também deve ser incluído.
A catalogação cooperativa favorece a integração de dados bibliográficos e
catalográficos. Seu principal objetivo é intercambiar a informação catalogada entre
bibliotecas fazendo com que uma obra já catalogada não precise ser descrita
novamente por outra biblioteca e, com isso, torna-se possível alcançar significativa

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economia de tempo de trabalho. A catalogação cooperativa é possível através da
adoção de padrões e normas internacionais como (MARC21 e AACR2) e a
disponibilidade dos catálogos para as instituições através de CD-ROM ou internet.
No Programa Carro-Biblioteca foram acessados, via internet, os catálogos do
Sistema de Bibliotecas da UFMG, Biblioteca Nacional, Rede Pergamum e Biblioteca
Pública Estadual Luiz de Bessa.
No mês de abril de 2009, foram realizadas configurações no Pergamum para
impressão de etiquetas de código de barras, código da biblioteca , tipo de usuário,
modo de empréstimo, de maneira a atender as particularidades de uma biblioteca
itinerante e de um serviço de extensão bibliotecária que faria parte do Sistema de
Bibliotecas da UFMG. Posteriormente, foram iniciadas as atividades de catalogação
do acervo do Carro-Biblioteca, com as obras adquiridas na modalidade compra , nos
anos de 2007/2008. Estes materiais bibliográficos foram adquiridos para atualizar o
acervo do Carro e, portanto, tinham prioridade para serem tratados e
disponibilizados para os usuários.
Devido à mudança da condição de bens de natureza permanente para bens
de consumo, o acervo incorporado no Sistema Pergamum recebe um número de
registro com as etiquetas 1999 ... para o controle destes bens somente em nível
gerencial e do Sistema, sendo possível avaliar possíveis perdas nos empréstimos e
melhorar o atendimento das necessidades dos usuários em futuras aquisições.
Para disponibilizar, imediatamente, as últimas aquisições aos usuários, foram
mantidos nas obras catalogadas no Pergamum , os bolsinhos, as papeletas e as
fichas para realizar o empréstimo manual até a implantação e automatização dos
serviços de circulação e empréstimo nas 05 comunidades atendidas atualmente pelo
Carro-Biblioteca.
Entre julho e agosto de 2009 , foi oferecido pelo Setor de Tratamento da
Informação do Sistema de Bibliotecas da UFMG, outro curso de AACR2 e MARC,
mais completo, continuando o treinamento dos profissionais bibliotecários
responsáveis pelo trabalho de catalogação no Sistema de Bibliotecas da UFMG.
Inicialmente, a catalogação era realizada apenas pela bibliotecária que ainda
se ocupava das atividades de administração, referência, organização de eventos
culturais, avaliação das solicitações de comunidades para atendimento do Carro e
treinamento de discentes para a realização das rotinas do Carro-Biblioteca. Adiante,
foram treinadas duas bolsistas, alunas do curso de graduação em Biblioteconomia,
que iniciaram nos últimos meses de 2009 e foram treinadas para auxiliar nas
atividades de preparo e processamento técnico do acervo com a constante
supervisão da bibliotecária responsável.
Depois de terminada a catalogação das obras mais recentes, iniciou-se o
processo de catalogação dos livros e obras de referências que já faziam parte do
acervo . No entanto, chegou-se à conclusão que todo acervo deveria passar por uma
reavaliação e seleção antes de serem incorporados no Pergamum . Estes materiais
foram reavaliados e selecionados tendo em conta as demandas dos usuários, além
de considerar critérios como: atualidade da informação, autoridade do autor ou
editor, escassez de material sobre o assunto no acervo, qualidade do assunto, estar
íntegro e em boas condições de uso e quantidades de exemplares necessários para
atender a demanda dos usuários.
Os materiais bibliográficos que não foram incorporados no Sistema
Pergamum foram repassados para outras bibliotecas de projetos comunitários e

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Organização do conhecimento: indexação, catalogação, tesauros , ontologias, taxonomias,
padrões e protocolos (Z39 .5, XML, etc.) e demais temas relacionados

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sociais para colaborar em ações de incentivo à leitura e para a formação de espaços
de leitura.
Em 2011, durante o período de 07/02 a 22/02 foi oferecido o treinamento de
Cabeçalhos de Autoridades para qualificar os catalogadores do Sistema de
Bibliotecas da UFMG no uso do formato MARC 21 para dados de autoridade e sua
aplicação na criação de registros de autoridade.
No mês de outubro de 2011, foram contratados 03 bibliotecários servidores
públicos com experiência em catalogação no Sistema pergamum e conhecimentos
em MARC 21 e AACR2 para concluírem a catalogação do acervo do CarroBiblioteca até o mês de dezembro de 2011 . Durante este período foram catalogados:
livros sobre História e Geografia, biografias, livros infanto-juvenis, revistas, gibis,
romances em série, filmes e desenhos em OVO, audiolivros e as novas aquisições.
As revistas, os gibis e os romances em série estão entre os materiais mais
emprestados pelo Carro-Biblioteca . Assim, entendeu-se a necessidade de tratá-los e
divulgá-los e, acima de tudo, agregar-lhes valor por meio do trabalho especializado
dos bibliotecários. A metodologia adotada para a catalogação foi baseada no
tratamento empregado pela Biblioteca Nacional, mas adaptando as necessidades
dos usuários da biblioteca e as regras do Sistema de Bibliotecas da UFMG.
Os romances em série foram classificados na classe mais geral da literatura,
como RS 800 , e para reunir nas estantes todos os itens da mesma série, o número
de classificação foi seguido das três primeiras letras da série, como por exemplo,
série Bestseller utilizou BES, portanto, a formação do número de chamada fica como
RS 800 BES. Na descrição foram utilizadas as áreas referentes ao título e indicação
de responsabilidade, publicação, descrição física, série e número do volume, notas e
pontos de acesso.
As revistas foram classificadas em 050 (Publicações Seriadas - Periódicos), a
descrição inclui as áreas de número normalizado, título, publicação, detalhes
específicos do material, publicação, descrição física, notas, pontos de acesso,
endereço eletrônico e coleção da biblioteca . Em seguida , os exemplares foram
cadastrados no Kardex .
Os gibis foram classificados em 741 .5 (Cartoons, Caricaturas e Histórias em
Quadrinhos) , seguido da sigla GIB, assim , todos os gibis possuem o número de
chamada 741 .5 GIB. Na descrição foram utilizadas as áreas de título, extensão do
item e pontos de acesso. Todos os volumes com o mesmo título receberam códigos
de barra diferentes e foram cadastrados em um único registro.

4 Resultados Parciais/Finais
Conforme mencionado, todo o processo consistia a princípio em otimizar
todas as atividades inerentes à disseminação e recuperação da informação de
acordo com as tecnologias vigentes. Os resultados têm sido bastante satisfatórios,
na medida em que, além de cumprir com o objetivo básico, trouxeram melhorias em
diferentes instâncias de toda a operação.
Ao dar entrada dos materiais bibliográficos no Pergamum , foi possível
produzir relatórios e obter informações acerca do encaminhamento dessa atividade
e checar se a estratégia definida estava sendo bem sucedida . A ferramenta Relatório
de Produção por Usuário, por exemplo, foi bastante útil para ter uma exatidão do que

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Organização do conhecimento: indexação, catalogação, tesauros , ontologias, taxonomias,
padrões e protocolos (Z39 .5, XML, etc.) e demais temas relacionados

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estava sendo produzido por dia e fazer os ajustes necessários em virtude do tempo,
quando preciso. Ela permitiu que o processo de catalogação fosse cumprido em
tempo hábil.
No decorrer da inserção dos materiais no Sistema, o público ao qual o projeto
se destina já começou a visualizar parte do conteúdo do acervo, e através da
consulta ao catálogo online houve um aumento na demanda. Houve, inclusive,
interesse do restante de outros usuários da comunidade acadêmica da Universidade
em fazer empréstimo de alguns itens, ao ser constatado que estes existiam apenas
no Carro-Biblioteca, apesar deste público não ser contemplado nesta modalidade.
Sendo assim, esta comunidade pode perceber o valor da coleção, aumentando a
boa imagem do Carro-Biblioteca.
Outro ponto a ser considerado é que o planejamento de aquisição de novos
materiais, a partir da conclusão do processo de catalogação , será feito de uma
maneira muito mais precisa e com qualidade. Além de saber com mais clareza o que
existe no acervo, através de relatórios do software será possível ter exato
conhecimento acerca de quais itens são mais consultados, emprestados e
reservados e fazer reposições caso seja necessário.
Estes resultados foram refletidos, até mesmo, na readequação do layout do
acervo, visto que, ao ter ciência da dimensão do seu conteúdo, foi possível realizar o
desbaste da coleção. Enfim , com todos estes procedimentos e resultados
alcançados, pode-se dizer com maior segurança que a coleção está em maior
sintonia com as necessidades de seu público.
E, finalmente, esta experiência foi enriquecedora e um excelente laboratório
para os bolsistas, graduandos em Biblioteconomia, que ainda tem pouca vivência
das rotinas do profissional Bibliotecário. Eles puderam ver e participar de grande
parte das rotinas de processamento técnico do Sistema de Bibliotecas da UFMG,
sob o rigor da Central de Controle de Qualidade da Catalogação (CCQ).

5 Considerações Parciais/Finais
Automatizar o acervo do Programa Carro-Biblioteca: Frente de leitura permite
a propositura de algumas questões que tangenciam esse processo e, ousa-se dizer,
são fundantes para os encaminhamentos posteriores atinentes a essa Biblioteca . É o
que se passa a apresentar.
Pelas especificidades próprias à vinculação do Carro-Biblioteca, sendo parte
de um Setor da Escola de Ciência de Informação, cujas decisões administrativas
devem passar pela chancela de seu corpo diretor e, por outro lado, como em todas
as demais bibliotecas setoriais que compõem o Sistema de Bibliotecas da UFMG,
cuja diretoria é responsável tecnicamente por cada uma delas, é compreensível que
determinadas ações demandem tempo dilatado para que sejam levadas a efeito.
Essa peculiaridade se faz presente ao se tratar do acervo do Programa CarroBiblioteca e, por isso, requer habilidade e espírito pró-ativo do profissional
bibliotecário alocado nesse setor de trabalho, de natureza tão singular. Daí concluirse que, considerando o término da fase de processamento técnico, sob os auspícios
rigorosos exigidos pela metodologia de trabalho emanada da Central de Controle de
Qualidade da Catalogação da UFMG, de quase 8.000 itens, restou comprovada a
dedicação e o profissionalismo da equipe responsável pela tarefa, encabeçada por
uma Bibliotecária.

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Não foi considerado trivial, em nenhum momento do tratamento do acervo, o
conhecimento pleno dos objetivos finais do Programa Carro-Biblioteca e, em virtude
disso, o juízo crítico dos catalogadores foi conclamado sempre que gradações na
aplicação das normas de descrição bibliográfica fossem imprescindíveis.
Cumpre dizer, também, que as decisões tomadas para a catalogação,
classificação, preparo das obras para circulação não se distanciou , em hipótese
alguma , do que é praticado nas demais bibliotecas do Sistema . Muito embora
pertencente a uma biblioteca itinerante, que oferta serviço a comunidades
periféricas, justamente em função disso, foi mantida a padronização metodológica.
Não fazê-lo constituir-se-ia contra-senso total.
Por fim, mas não menos importante, vencida essa fase do processamento
técnico da coleção, viabilizou-se a implementação das demais funcionalidades do
software Pergamum , como por exemplo, o cadastramento de usuários e a circulação
de materiais. Tão logo esta nova etapa se concretize materializar-se-á um passo
adiante vultoso tanto para a eficiência dos serviços prestados rumo à disseminação
do gosto pela leitura, quanto para a própria história deste que é um dos mais antigos
e consolidados serviços de extensão prestados pela UFMG.
6 Referências
ANZOLlN , H. H. Rede Pergamum : história , evolução e perspectivas. Revista ACB:
Biblioteconomia em Santa Catarina, Florianópolis, v.14, n.2 , p. 493-512, jul./dez.
2009.
BALBY, C. N. Formatos de intercâmbio de registros bibliográficos: conceitos básicos.
Caderno da FFC , Marília, v. 4, n. 1, p. 29-35, 1995.
CABRAL, A. M. R. ; DUMONT, L. M. M. O Centro de Extensão da Escola de
Biblioteconomia da UFMG: uma trajetória voltada para o social. Revista da Escola
de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 19, n. especial , p. 114-120, mar.
1990.
COUTO, F. Uso de softwares para o gerenciamento de bibliotecas: um estudo de
caso da migração do sistema Aleph para o sistema Pergamum na Universidade de
Santa Cruz do Sul. Ciência da Informação, Brasília , v. 34, n. 2, p. 105-111 ,
maio/ago.2005.
DUMONT, L. M. M. A ação cultural do Carro-biblioteca, ou o desafio de se incentivar
o gosto pela leitura em comunidades de baixa renda. Revista da Escola de
Biblioteconomia da UFMG , Belo Horizonte, v. 19, n. 1, p. 24-38 , mar. 1990.
FERREIRA, A. P.; CASSIMIRA, F. Zero quilômetro: Carro-biblioteca da UFMG ganha
veículo equipado com modernos recursos eletrônicos. Boletim Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, v. 32, n. 1514, p. 5, jan . 2006 .
JORGE, P. D. S. S.; JORGE, A. C. S. S. Biblioteca móvel : o Carro-biblioteca como
veículo de incentivo à leitura e inclusão digital. In : ENCONTRO NACIONAL DE
ESTUDANTES DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO, CIÊNCIA E GESTÃO

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Organização do conhecimento: indexação, catalogação, tesauros , ontologias, taxonomias,
padrões e protocolos (Z39 .5, XML, etc.) e demais temas relacionados

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DA INFORMAÇÃO, 29., 2006, Salvador. Anais ... Salvador: ENEBD, 2006.
Disponível
em :
&lt;
http://www.rabci .org/rabci/sites/defauIUfiles/BIBLlOTECA_MOVEL.pdf&gt;. Acesso em :
02 mar. 2012 .
MEY, E. S. A. Introdução à catalogação. Brasília : Briquet de Lemos, 1995.
REIS , A. S.; CABRAL, A. M. R. Democratização de informação e da leitura: os
desafios da inclusão digital no Carro-Biblioteca . In : ENCONTRO DE EXTENSÃO DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, 7., 2004, Belo Horizonte. Anais ...
Belo
Horizonte:
UFMG,
2004 .
Disponível
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&lt;http ://www.ufmg.br/proex/arquivos/7Encontro/Educa54.pdf&gt; . Acesso em : 06 mar.
2012 .
SIRIHAL DUARTE, A. B. Carro-Biblioteca da UFMG: de uma comunidade à outra
promovendo o acesso à leitura e à informação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE
BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 23., 2009,
Bonito.
Anais...
Bonito :
FEBAB ,
2009 .
Disponível
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Pró-reitoria de Extensão. Sistema
de
Informação
Extensão.
Disponível
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&lt;https://sistemas.ufmg.br/siex/PrepararPesquisarAcaoExtensao.do&gt;. Acesso em : 06
mar. 2012 .
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Relatório das atividades
desenvolvidas pelo CENEX Programa Carro-Biblioteca: frente de leitura - ano
base 2009 . Belo Horizonte, 2009 . 41 p.

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              <text>O “Programa Carro-Biblioteca/Frente de Leitura” da Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais é o segundo programa de extensão da UFMG, sido criado em 1973, através de um convênio com o Instituto Nacional do Livro. Desde então, atua para incentivar a leitura e a cidadania; contribui para a democratização da informação; promove ações culturais e educativas; presta assessoria às comunidades na organização e formação de bibliotecas e espaços de leitura; funciona como ambiente para pesquisa e treinamento discente, proporcionando a relação entre o ensino, a pesquisa e a extensão da universidade. Nesse contexto, descrever-se-á, no presente trabalho, a fase de tratamento informacional aplicado ao acervo do Carro-Biblioteca. Serão abordadas as etapas de avaliação e seleção do acervo, processamento técnico e o início da consolidação de políticas, específicas para este tipo de Biblioteca e sua finalidade, para regulação do desenvolvimento e preservação do seu acervo e, para, além disso, a concatenação e estabelecimento das diretrizes que nortearam a catalogação dos materiais. Por fim, o trabalho de tratamento da informação realizado, validará a razoabilidade de se considerar, como alguns estudos teóricos já apontaram, a importância do investimento perene no Programa Carro-Biblioteca, sem ignorar, inclusive, a sua contribuição fundamental enquanto laboratório para a formação dos novos bibliotecários da Escola de Ciência da Informação da UFMG.</text>
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