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                  <text>Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
Trabalho completo

o LIVRO NA PRODUÇÃO CIENTíFICA DOS SOCiÓLOGOS
BRASILEIROS
Anderson Café 1 Kátia de Carvalho2
1

2

Mestrando do PPGCI, UFBA, Salvador, Bahia .

Professora Titular do PPGCI, UFBA, Salvador, Bahia.

Resumo
Este trabalho trata da produção científica dos pesquisadores do campo da
Sociologia de modo a constatar se o livro ainda pode ser considerado como principal
veículo de comunicação nesse campo do conhecimento científico. A pesquisa pode
ser enquadrada no campo de estudos da produção científica e representa uma
contribuição da Ciência da Informação para a grande área das Ciências Humanas.
Através de um estudo de caso, avaliou-se a produção científica publicada entre 2005
e 2011 dos recém-pesquisadores do campo da Sociologia. Os resultados
preliminares desta pesquisa indicaram, dentre outros aspectos, que os sociólogos
analisados estão produzindo mais sob a forma de artigos de periódicos científicos
certamente por conta dos critérios de avaliação da produção científica adotados
pelas agências de fomento estar valorando este tipo de produção intelectual.

Palavras-chave: Produção científica . Ciências Humanas. Sociologia. Livro técnicocientífico.

Abstract
This pape r deals with the production of scientific researchers in the field of sociology
in order to ascertain whether the book can still be considered as the main vehicle of
communication of scientific knowledge in this field . The research can be framed in
the field of scientific studies and represents a contribution of Information Science in
the large area of Humanities. Through a case study, we evaluated the scientific
literature published between 2005 and 2011 the newly researchers in the field of
sociology. Preliminary results of this survey indicated, among other things, that
sociologists analyzed are producing more in the form of journal articles due course of
the evaluation criteria adopted by the scientific agencies to be valuing this type of
intellectual production .

Keywords: Scientific production. Humanities. Sociology. Technical-scientific book.

272

�Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
Trabalho completo

1 Introdução
A construção do conhecimento científico está diretamente relacionada aos
esforços dos pesquisadores em produzirem descobertas científicas a partir das
contribuições deixadas pelos seus antecessores, cujo acesso é possível por meio da
comunicação científica e dos seus canais formais, informais e eletrônicos.
Conforme Targino (2000); Mueller, Campello, Dias (1996); Mueller (2000) e
Mueller (2006), os canais formais da ciência são aqueles de ampla divulgação e de
maior facilidade na recuperação de informações, destacando-se, entre esses, os
periódicos e os livro (OLIVEIRA, 1996).
De acordo com Luiz (2006) e Volpato (2008), os periódicos científicos vêm
sendo objeto de constante estudo por parte da comunidade científica sob diferentes
enfoques por conta do sistema de avaliação da produção científica, adotado em
escala internacional, eleger esse veículo como principal indicador científico. No
entanto, determinados canais de comunicação predominam sobre outros, de acordo
com o campo científico. Nas Ciências Humanas, conforme preceitua Meadows
(1999); Velho (1997); Mueller (2000) ; Ribeiro (2005) e Carvalho, Manoel (2007), os
resultados de pesquisas são publicados, de maneira relativamente mais freqüente,
sob a forma de livros.
Pela reconhecida diferença entre os campos do conhecimento científico e
suas formas de publicações (VELHO, 1997; FIORIN , 1998; SCHWARTZMAN, 2008),
a presente investigação pretende contribuir para ampliar os estudos de produção
científica no campo das Ciências Humanas no Brasil de forma a constatar se o livro
ainda é o principal veículo de comunicação na Sociologia. Para atingir tal pretensão,
buscou-se analisar a tendência da produção científica dos recém-doutores.

2 Revisão de literatura
2.1 Produção científica

A quantidade e a qualidade da produção científica de um país podem ser
consideradas como um importante indicador do desenvolvimento científico e
tecnológico, corroborando para o progresso econômico e social de uma nação. No
Brasil , a produção científica ocorre predominantemente por meio das universidades
públicas, especialmente através dos programas de pós-graduação.
A produção científica está relacionada com a atuação dos cursos de
pós-graduação, quer pelo seu fazer científico, quer pelo seu papel na
formação de professores e pesquisadores que irão atuar em outras
entidades, universitárias ou não. Seu produto é relevante, inclusive
como veículo para a mudança da dependência para a independência
científica e tecnológica e, conseqüentemente, econômica e política.
(WITTER; PÉCORA, 1989, p. 29).

273

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Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
Trabalho completo

As atividades de pesquisa realizadas nos programas de pós-graduação são
financiadas através das agências de fomento em nível estadual e/ou federal,
entretanto tais financiamentos são realizados mediante o estabelecimento de
critérios que avaliam a produtividade científica dos pesquisadores. Esses critérios,
de acordo com Silva ; Menezes; Pinheiro (2003) estão quase sempre pautados na
qualidade e quantidade das publicações científicas.
Nesse sentido, conforme Luiz (2006), a necessidade de avaliação chegou
quase que por definitivo na academia , sendo realizada através da mensuração da
produção científica publicada em artigo de periódico científico. Desta forma, as
agências de fomento à pesquisa , seguindo tendência de âmbito internacional,
passaram a considerar o periódico como principal veículo de comunicação, no qual
os pesquisadores devem publicar os seus resultados de pesquisas, possibilitando,
dessa maneira , o reconhecimento de sua produção científica .
No entanto, perante tal situação, verifica-se que não se leva em conta as
diferentes características das áreas do conhecimento científico, causando prejuízos,
do ponto de vista do desenvolvimento acadêmico e científico, aos pesquisadores
inseridos em campos do conhecimento que não valorizam o periódico como principal
veículo de comunicação científica .
Fiorin (1998, p. 30) afirma que:
As áreas são diferentes, porque é diversa a natureza dos
conhecimentos que o homem construiu ao longo da História. Há
áreas em que o conhecimento é universal em sentido estrito, já que
não operam com fenômenos históricos, não dizem respeito a
determinadas formações sociais, a certo período histórico, a uma
língua ou uma literatura específica. Há outras áreas que trabalham
com algo que é mais particular, mais contingente.

Neste sentido, Schwartzman (2008), lembra que historicamente o
relacionamento entre as diferentes áreas do conhecimento científico sempre foi
marcado por complicações, uma vez que as ciências naturais, por exemplo, se
apresentava como modelo superior de conhecimento que deveria ser adotado pelos
demais campos.
As Humanidades, de acordo com o referido autor, surgem na tentativa de
incorporar os procedimentos de elaboração de modelos, observação empírica e
testes de hipóteses das ciências naturais. Todavia , essa tentativa de incorporar tais
métodos não é consenso entre os pesquisadores do campo, corroborando, então,
para o surgimento de uma pluralidade de escolas e linhas de trabalho
(SCHWARTZMAN, 2008).
Assim , observa-se que as Humanidades ou as Ciências Humanas, como são
conhecidas no Brasil, vêm se fortalecendo enquanto grande área do conhecimento
científico, podendo ser considerada como disciplina que trata dos aspectos do
homem como indivíduo e como ser social. Para Japiassu (1994, p. 24) , "As ciências
humanas constituem uma grandiosa tentativa de superação das múltiplas crises
geradas pelo desenvolvimento de nossas sociedades". Para efeito da presente
investigação considerou-se como Ciências Humanas a classificação oficial disposta

274

�Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
Trabalho completo

na tabela de áreas do conhecimento elaborada pela CAPES . A referida tabela traz
como integrante das Ciências Humanas as seguintes áreas: Antropologia,
Arqueologia, Ciência Política, Educação, Filosofia, Geografia, História, Psicologia,
Sociologia e Teologia.
A Sociologia surge no contexto marcado pelas transformações trazidas pela
revolução industrial com o aparecimento das cidades industriais, as transformações
tecnológicas e a organização do trabalho nas fábricas , podendo ser considerada
como expressão teórica dos movimentos revolucionários (MARTINS , 2006). Assim,
esta área do conhecimento, conforme Le Coadic (2004), em muito vem contribuindo
para a formação e consolidação da Ciência da Informação pelo empréstimo de suas
ferramentas teóricas e metodológicas. Como as demais áreas classificadas nas
Humanidades, a Sociologia é responsável pela produção científica publicada no
formato de livros justamente pela complexidade e densidade de suas abordagens,
bem como pelo interesse local dos temas debatidos no campo .
Segundo Velho (1997), as diferenças entre os campos científicos estão
relacionadas ao tipo de pesquisa (básica ou aplicada) ; o campo do conhecimento
(Exatas ou Humanas) e o estágio de consolidação teórico-metodológico do campo .
Para entender como funcionam os diferentes campos, recorreu-se à teoria
desenvolvida pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu.

2.2 O campo científico
A necessidade de se pensar sobre a relação da Sociologia com outros
campos do conhecimento científico corroborou para Pierre Bourdieu desenvolver o
conceito de campo - que é central em sua obra -, podendo ser chamada de uma
Sociologia do campo intelectual ou de uma Sociologia dos campos da produção de
bens simbólicos. Bourdieu (1983) afirma que o campo é o universo no qual estão
inseridos os agentes e as instituições que produzem , reproduzem ou difundem a
arte, a literatura ou a ciência.
Dentre os citados campos sociais, Bourdieu (1983) se volta para o âmbito do
campo científico , contribuindo assim , para os estudos da Sociologia da ciência . Para
o teórico, a produção e a reprodução da ciência ocorrem no campo científico que
pode ser considerado como um espaço temático, estruturado e hierarquizado, onde
os agentes científicos estão posicionados em função do volume e da estrutura do
capital científico que detém.
Desta forma, o capital científico pode ser considerado como resultante do
reconhecimento pelos pares (esta noção remete ao que os sociólogos americanos
chamam de visibilidade científica) . O capital científico possui sua lei própria de
acumulação, sendo normalmente adquirido pela produção científica reconhecida
para o progresso da ciência e legitimada como importante para os agentes
científicos. Para Bourdieu (1983), todas as escolhas científicas dentro do campo
estão sempre orientadas para aquisição de prestígio e de reconhecimento científico
para o pesquisador, inclusive, no que tange à escolha dos tipos de publicações para
comunicação dos resultados de pesquisas científicas.

275

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Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
Trabalho completo

Não há 'escolha ' científica - do campo da pesquisa, dos métodos
empregados, do lugar de publicação, ou ainda, escolha entre uma
publicação imediata de resultados parcialmente verificados e uma
publicação tardia de resultados plenamente controlados - que não
seja uma estratégia política de investimento objetivamente orientada
para a maximização do lucro propriamente científico, isto é, a
obtenção do reconhecimento dos pares - concorrentes. (BOURDIEU,
1983, p. 126).

Portanto, a aquisição de capital científico é condição sine qua no para
assegurar o poder sobre os mecanismos constitutivos do campo. Os maiores
detentores de capital científico são os pesquisadores dominantes, ou seja, ''[. .. ]
aqueles que conseguem impor uma definição de ciência segundo a qual a realização
mais perfeita consiste em ter, ser e fazer aquilo que eles têm , são e fazem
(BOURDIEU, 1983, p. 128)". São esses pesquisadores que impõem ou determinam
os objetos importantes e aqueles que deverão ser pesquisados por todos os
membros do campo.
Outro tipo de capital reconhecido por Bourdieu (1983) é o capital temporal ,
cuja forma de acumulação ocorre pela busca de legitimidade e reconhecimento
social através de estratégias políticas e institucionais. Um exemplo neste sentido são
os próprios bolsistas de produtividade científica que, além de serem reconhecidos
pela quantidade e qualidade de suas produções científicas (publicação em veículos
reconhecidos pelos pares), também são geralmente filiados a grupos de pesquisas e
instituições de ensino hegemonicamente institucionalizadas. Possivelmente, os
critérios de avaliação da produtividade científica estão voltados para as estratégias
de conservação da hegemonia estabelecida e conquistada pelos pesquisadores
dominantes.
Assim , no interior do campo científico, segundo Bourdieu (1983), existe
sempre uma luta pela definição do conceito de ciência, ou seja, a delimitação do que
deve ser considerado científico. O conceito de ciência estabelecido para o campo é
o reflexo do pensamento da classe dominante, ou seja, daqueles que detém maior
capital científico . Para ele, a base de distribuição do capital científico se manifesta
por intermédio das estruturas de conservação , sucessão e subversão. Em todo o
campo existem forças mais ou menos desiguais no que diz respeito à distribuição do
capital, tais como os dominantes e os dominados. Os dominantes utilizam-se das
estratégias de conservação, buscando manter a perpetuação da ordem científica, o
que Bourdieu, em seus inúmeros textos, chama de ordem da ciência oficial. Já os
dominados, ou mesmo, os novatos, estão fadados à utilização das estratégias de
sucessão e subversão.
2.3 A comunicação científica
Como já discutido no referencial teórico desta pesquisa , a acumulação de
capital científico se realiza, dentre outros aspectos, pela publicação dos resultados
de pesquisas em veículos reconhecidos pela comunidade científica que, de acordo

276

�Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
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com Mueller (2006), são permeadas e influenciadas por um intricado sistema de
comunicação que envolve interesses dos pesquisadores em disputarem lugares
mais altos na hierarquia, através do reconhecimento de suas produções científicas.
Para González de Gómez; Machado (2007, p. 3), esse reconhecimento se dá
pela comunicação científica , a qual se constitui parte integrante do campo científico,
indispensável ao processo de reconhecimento e legitimação dos resultados das
pesquisas. Desta forma, percebe-se que a comunicação científica é uma atividade
fundamental para o desenvolvimento científico ao situar-se "[ ... ] no próprio coração
da ciência" (MEADOWS, 1999, p.vii).
Na concepção de Garvey (1979) , a comunicação científica tem início desde o
momento em que o pesquisador tem uma idéia na cabeça até o momento em que os
resultados de suas pesquisas são aceitos pelos pares e materializados através de
um conjunto de canais de comunicação.
No que tange aos canais de comunicação, Targino (2000) classifica-os em
formais, informais e eletrônicos. Os canais formais correspondem aqueles que
possuem uma ampla divulgação e são de maior facilidade na recuperação de
informações, caracterizando-se pelo maior controle, armazenamento e preservação
das informações. Já os canais informais são aqueles caracterizados pelos contatos
interpessoais entre os pesquisadores destituídos de formalismos , ou seja, é o
contato direto pessoa a pessoa que possibilita maior atualização e rapidez no
processo de comunicação científica. No quadro a seguir são descritas as
características dos canais formais e informais, conforme Le Coadic (2004).
ELEMENTOS FORMAIS

ELEMENTOS INFORMAIS

Pública (audiência potencial importante).

Privada (audiência restrita) .

Informação
armazenada
permanente, recuperável.

Informação em geral
irrecuperável

de

forma

não armazenada,

Informação relativamente velha .

Informação recente.

Informação comprovada .

Informação não comprovada .

Disseminação uniforme.

Direção do fluxo escolhida pelo produtor.

Redundância moderada.

Redundância às vezes muito importante.

Ausência de interação direta.

Interação indireta.

QUADRO 1 - Diferença entre os canais de comunicação formais e informais.
Fonte: (LE COADIC, 2004, p.34) .

Targino (2000) destaca, entretanto, que esta típica classificação dos canais de
comunicação em formais e informais passa por profundas discussões por conta da
chamada Revolução tecnológica . O surgimento das tecnologias eletrônicas, a
exemplo dos arquivos abertos, internets e intranets alterou as relações de tempo e
espaço no que tange ao processo de disponibilização do acesso e uso das
informações de caráter científico.

277

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Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)

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Trabalho completo

2.4 O livro como indicador da produção científica
Entre os diferentes canais de comunicação científica discutidos anteriormente ,
o livro pode ser considerado como o primeiro veículo de comunicação da ciência no
decorrer da história (BURKE, 2003) . O livro, enquanto objeto cultural permitiu ,
conjuntamente com a tecnologia da escrita, a materialização do conhecimento
produzido ao longo do tempo pela humanidade.
Antes de ser uma entidade matéria/ - pedra, barro, papiro,
pergaminho ou papel -, o livro é um dos veículos de comunicação
do pensamento. Ele pode ser, como tal, completado por outros
veículos; nunca, porém, substituído, como o teatro não o foi pelo
cinema nem este pela televisão (FONSECA, 1981 p. 1).
De acordo com Barker e Escarit (1975, p. 8), o livro ainda continua sendo,
apesar das tecnologias eletrônicas, "o meio mais simples e mais eficaz de
transferência do conhecimento" . Neste sentido , pode constatar também , através de
Febvre; Martins (1992), que o livro contribuiu em muito para o desenvolvimento da
sociedade e da disseminação do conhecimento, através da tecnologia da escrita .
O livro é o instrumento mais poderoso de que pode dispor uma
civilização para concentrar o pensamento disperso de seus
representantes e conferir-lhe toda a eficácia, difundindo-o
rapidamente no tecido social, com um mínimo de custos e de
dificuldades. (FEBVRE; MARTINS, 1992, p. 15).
O livro para os citados autores traz toda uma diferença na formação dos
futuros pesquisadores por permitir aos mesmos, dentre outros aspectos, um
aprofundamento nas abordagens discutidas pelos seus autores o que, dificilmente,
se encontra em outros tipos de publicações científicas.
Apesar dessa importância atribuída ao livro ao longo da história se constata
que esse veículo de comunicação não vem recebendo a devida atenção enquanto
indicador de produção científica . Essa tendência de desvalorização do livro em
detrimento do artigo de periódico científico vem trazendo grandes conseqüências
para determinados campos do conhecimento que historicamente sempre
privilegiaram o livro como principal veículo de comunicação, a exemplo do campo
das ciências humanas e sociais.
Os livros têm grande relevância para algumas áreas do
conhecimento. Em tais áreas, os resultados de pesquisas muitas
vezes são veiculados em forma de livros ou capítulos de livros, até
mesmo em função do volume de texto que o relato de algumas
dessas pesquisas exige (FIORIN, 1998, p. 30).
Um dos defensores da necessidade de se avaliar a produção científica
publicada sob a forma de livros é o pesquisador e professor Renato Janine Ribeiro,

278

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Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
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também bolsista de produtividade PQ1, nível A, do CNPq da área da Sociologia, que
publicou um pequeno texto intitulado "A questão do livro de pesquisa em
humanidades", onde apontou que o livro ainda era um "buraco negro" nas avaliações
trienais realizadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior - CAPES (RIBEIRO, 2005).
Após muitos debates sobre a importância dos livros para a divulgação de
pesquisas no campo das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, A CAPES, através
do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES) , aprovou o roteiro
para a classificação de livros durante a sua 111 a Reunião, realizada em 24 de agosto
de 2009 (CAPES, 2011).
O referido roteiro pode ser considerado como um primeiro avanço no
processo de reconhecimento da importância do livro como veículo de comunicação
para a grande área das Ciências Humanas. Ações como estas demonstram, por
exemplo, como o sistema de reputação científica se organiza de modo a padronizar
os procedimentos de trabalho dos pesquisadores expressos na estrutura de
comunicação científica , ou seja, os pesquisadores não mais publicam onde eles
acham importante publicar, mas onde o sistema reputacional, representado pelas
agências de fomentos à pesquisa, por exemplo, indica como válido para o
reconhecimento e promoção dos pesquisadores na carreira científica .

3 Materiais e métodos
Diante das questões que envolvem a produção de conhecimento científico
nas diferentes áreas do conhecimento e a premissa bastante difundida no âmbito
acadêmico de que os pesquisadores das Ciências Humanas e Sociais aplicadas
publicam os resultados de pesquisas predominantemente no formato de livros,
buscou-se avaliar a produção científica dos recém-doutores do campo da Sociologia
que atuam como docentes permanentes em programas de pós do próprio campo .
A análise levou em conta as publicações realizadas sob a forma de artigos
completos publicados em periódicos, livros publicados/organizados ou edições,
capítulos de livros publicados e trabalhos completos publicados em anais de
congressos. A coleta de dados foi realizada através de pesquisa documental em
duas fontes: caderno de indicadores disponibilizado pela CAPES e a Plataforma
Lattes do CNPq .
Os dados da produção científica desses pesquisadores foram considerados
dentro do período de 2005 a 2011 por se acreditar que o intervalo de sete anos
contemplaria a literatura mais representativa da área , possibilitando a obtenção de
um panorama da produção científica dos pesquisadores e as relações estabelecidas
no processo de construção do conhecimento.

4 Resultados parciais
Os resultados preliminares desta pesquisa indicaram que os recém-doutores

279

�Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)

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Trabalho completo

titulados nos programas brasileiros de pós-graduação com cursos de doutorado em
Sociologia publicam os resultados de suas pesquisas predominantemente em idioma
nacional utilizando-se de artigos de periódicos científicos.
No quadro 1 são apresentados os dados relativos à produção científica
nacional e internacional dos vinte e dois egressos que constituem o universo da
presente investigação.
Quadro 1 Produção científica dos recém-doutores da Sociologia publicada entre
2005 e 2011 .
Nacional
Recém-doutores

Livro

Internacional

Capítulo Artigo Anais Livro Capítulo Artigo Anais

Freqüência
absoluta

ANDRADE JÚNIOR, P

1

5

7

1

O

O

O

O

14

CASTELFRANCHI , J

O

2

1

5

1

8

8

3

28

COSTA, FB

1

4

4

19

O

O

O

1

29

FERRARINI , AV

1

O

5

3

O

O

O

O

9

FELTRAN , G.S

1

2

10

6

O

7

O

O

26

FREITAS, R.A

O

4

1

O

O

O

O

1

6

GOMES, R.A

O

3

3

12

O

O

O

O

18

GUTIÉRREZ, M.L.F

O

15

2

6

O

2

2

O

27

IDARGO, AB

3

1

7

1

O

O

O

O

12

IVO, AB.L

1

2

6

9

O

5

1

3

27

LUCENA, M.Z

1

O

4

1

O

O

O

O

6

MATOS, T.C.F

1

O

3

O

O

O

O

O

4

MEUCCI, S

1

O

4

2

O

O

O

O

7

OLIVEIRA, 0 .0

O

15

3

3

O

O

O

O

21

PETRARCA,FR

O

O

16

27

O

O

2

3

48

PRATES, AAP

O

2

3

2

O

O

O

3

10

RODRIGUES, C.M.C

O

O

4

5

O

O

O

2

11

SINHORETTO, J

O

8

10

3

O

O

O

O

21

SOUZA, J.L.C

O

1

5

4

O

O

O

O

10

TELLES, M.S.S

O

2

1

2

O

O

O

O

5

VALE, AFC

O

2

1

1

O

O

O

O

4

VARGAS, SAG.L

1

4

4

6

O

3

3

O

21

104

118

1

25

16

16

36

TOTAL
12
72
Fonte: Plataforma Lattes do CNPq.

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Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
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o quadro acima mostra que os recém doutores publicaram 306 trabalhos em
idioma nacional e 58 trabalhos em idioma estrangeiro, totalizando 364 publicações.
No idioma nacional, os egressos publicaram mais em artigo de periódico ; no idioma
estrangeiro publicaram mais em capítulos de livros. Estes dados demonstram, de
certa forma , que os recém doutores estão buscando sim jogar o jogo das regras de
concessão de reputação acadêmica dentro do campo ao buscarem seguir as
tendências da CAPES e do CNPq que tem valorado a produção de artigos de
periódicos em detrimento das demais formas de produção científica.
Os dados dispostos no quadro 2 permitiram constatar também que a
produção de livros no campo da Sociologia contraria as discussões trazidas na
literatura da área de comunicação científica que afirma que os pesquisadores das
Ciências Humanas e Sociais Aplicadas publicam mais em livros em detrimento de
outras formas de publicação científica .
Quadro 2 Distribuição dos tipos de publicações dos recém-doutores da Sociologia
produzida entre 2005 e 2011 .
Ano de publicação
Tipo de publicação
científica

2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011

Freqüência Freqüência
absoluta relativa (%)

Livros

1

1

2

3

2

3

1

13

3,57

Capítulos de livros

7

9

13

20

16

26

8

99

27,19

Artigos de periódicos

18

13

22

21

21

26

-

121

33,24

Anais de Congressos

15

21

23

23

29

20

-

131

36

41

44

60

67

68

75

9

364

100

TOTAL

Fonte: Plataforma Lattes do CNPq.

O quadro 3 apresenta os estratos dos títulos de periódicos científicos onde os
novos pesquisadores da Sociologia publicaram a sua produção científica indicando
que esses pesquisadores, apesar de recém titulados, já publicam em títulos dotados
de reputação no campo com Qualis Nacional 82 e 84.

281

�Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
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Quadro 3 Conceito Qualis dos títulos de periódicos onde os recém-doutores
publicaram a sua produção científica entre 2005 e 2011 .
Conceito Qualis
A1
A2
B1
B2
B3
B4
B5
C
Sem classificação
TOTAL

Número de
periódicos
3
2

8
17
4
10

8
9
10
71

Número de
artigo

6
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Fonte: Plataforma Latles do CNPq.

5 Considerações parciais
Os dados até então apresentados permite constatar que a produção científica
dos pesquisadores recém-titulados no campo da Sociologia no Brasil contraria os
estudos da literatura que afirmam ser o livro o principal veículo de comunicação
científica no campo das Humanidades.
Os critérios de avaliação da produção científica adotados pelas agências de
fomento à pesquisa do país certamente exercem forte influência sobre os
pesquisadores desse campo, visto que estes buscam comunicar as suas pesquisas
em títulos de periódicos que lhes possibilite acumular maior capital científico no
campo, tal como postulado na teoria de campo científico desenvolvida pelo sociólogo
Pierre Bourdieu .
Assim , acredita-se que novas pesquisas possam ser desenvolvidas no
sentido de contribuir para aprofundar os estudos sobre produção científica no campo
da Sociologia ao se analisar, por exemplo , se existe uma lei de causalidade entre os
critérios de avaliação da produção científica e a efetiva produção intelectual dos
sociólogos brasileiros, tal como amplamente defendido por diferentes sociólogos da
ciência como Pierre Bourdieu , Richard Whitley, Robert Merton, dentre outros.

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�Produção e comunicação científica e tecnológica : medição, mapeamento, diagnóstico
e avaliação da informação)
Trabalho completo

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>O livro na produção científica dos sociólogos brasileiros.</text>
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              <text>Este trabalho trata da produção científica dos pesquisadores do campo da Sociologia de modo a constatar se o livro ainda pode ser considerado como principal veículo de comunicação nesse campo do conhecimento científico. A pesquisa pode ser enquadrada no campo de estudos da produção científica e representa uma contribuição da Ciência da Informação para a grande área das Ciências Humanas. Através de um estudo de caso, avaliou-se a produção científica publicada entre 2005 e 2011 dos recém-pesquisadores do campo da Sociologia. Os resultados preliminares desta pesquisa indicaram, dentre outros aspectos, que os sociólogos analisados estão produzindo mais sob a forma de artigos de periódicos científicos certamente por conta dos critérios de avaliação da produção científica adotados pelas agências de fomento estar valorando este tipo de produção intelectual.</text>
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