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Resumo expandido

AS PRIMEIRAS FORMAS DE USO DO CONHECIMENTO: A
TRANSMISSÃO ORAL DO CONHECIMENTO

Paulo de Castro Gonçalves 1, Carlos Alberto Ávila Araújo2
1Especialista pela Universidade Federal de Minas Gerais. Bibliotecário da Assembleia
Legislativa do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais
2Pós-doutor pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Professor da Universidade
Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais

1 Introdução
No contexto da Ciência da Informação, encontram-se estudos sobre a Gestão
da Informação, especialmente para a organização e uso da informação nas
organizações. Atualmente, há poucos estudos que definam claramente o nascimento
da prática da informação, nos primeiros modos de produção.
O objeto a ser investigado é: quais as origens históricas das práticas de uso
do conhecimento nos primeiros modos de produção?
A justificativa se dá, pois são poucos os trabalhos que abordam a questão da
origem da prática de uso do conhecimento. Parte-se do pressuposto que, para
melhor entender o porquê de um fato, é imprescindível conhecer sua gênese, ou
seja, o motivo de sua concepção, o que levou à sua construção e o que demandou
seu surgimento. Conhecer a origem de algo induz a um entendimento melhor desse
'algo', como seus focos, suas prioridades, sua evolução e porque se comporta de
uma determinada maneira e não de outra. Toda teoria nasce para esclarecer um
fenômeno natural ou factual (KUHN, 2006).
O objetivo principal da pesquisa é: traçar as origens históricas das práticas de
uso do conhecimento nos primeiros modos de produção. Para tanto, será necessário
alcançar os seguintes objetivos específicos: a) apontar as origens orais das práticas
de uso do conhecimento nas sociedades antigas; e b) mapear as origens práticas de
criação e uso do conhecimento no aparecimento das primeiras cidades.
Com relação à revisão de literatura, Weiss (2005), afirma que Roma, além de
garantir aos descendentes o domínio e a transmissão hereditária do conhecimento,
até então já adquirido por seu povo, abusou da imposição do mesmo aos povos
conquistados. Conte (1979) apontou o período feudal como o menos expressivo e
propício à produção intelectual registrada e à transmissão desse conhecimento na
história dos modos de produção da Idade Média. E ainda de acordo com esse autor,
o renascimento das cidades e o aparecimento dos burgos, provoca um renascimento
da importância do conhecimento para os meios de produção. Martins (2007) afirma

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Tipologias e características das fontes de informação e de seus autores
Resumo expandido

que, já no estabelecimento das cidades e dos burgos, o mestre, além de dirigir a
oficina, era responsável por passar aos seus companheiros e aprendizes o
conhecimento que envolvia a confecção do produto.

2 Materiais e Métodos
A proposta de pesquisa é estritamente teórica, desenvolvida com base na
bibliografia produzida na CI e áreas correlatas, de forma a responder o problema e
alcançar os objetivos apontados.

3 Resultados Parciais/Finais
A pesquisa permitiu identificar como resultados parciais o deslumbramento de
que a transmissão oral do conhecimento seria anterior à teorização da Gestão da
Informação. Ela nasceria junto com os primeiros modos de produção da sociedade
ao qual se conhece, dando suporte, sobretudo, à produção agrícola das sociedades
egípcias, grega e romana, e, depois, às relações de trabalho entre os mestres e
aprendizes no renascimento das cidades no século XI. A transmissão oral do
conhecimento se daria pela comunicação oral, informal, por meio da fala. Ela ocorria
porque as formas de escrita ainda não estavam estruturadas, ou então, grande parte
dos indivíduos que detinham os modos de produção ainda não sabia ler ou escrever.
Identificou-se ainda que o conhecimento oral, nessa época, era transmitido de
três formas. A primeira, de forma natural, seja através dos descendentes nas
sociedades antigas, o que garantia que as formas de plantio e as práticas de
agricultura continuassem e evoluíssem através das gerações, como, também,
através da relação mestre/aprendiz na produção artesanal dos primeiros burgos.
Outra forma, por meio da imposição, utilizada, sobretudo pelas sociedades mais
estruturadas e com formas de cultivo e produção mais elaboradas, quando
conquistavam uma tribo ou outra sociedade. Caso a sociedade ou tribo conquistada
possuísse ou estivesse mais avançada sob algum aspecto do modo de produção, os
conquistadores poderiam apropriar-se do conhecimento dos conquistados, de modo
a alterar as próprias formas de manejo de produção e adaptar-se. Essa prática de
apropriação de conhecimento era muito comum no império romano. Com a
revolução industrial, a transmissão oral de conhecimento diminuiu significativamente
nos modos de produção, motivadas, principalmente, pelas correntes tayloristas e
fordistas, e só irão reaparecer, com mais força, no chamado capitalismo social, hoje
denominado 'organizações do conhecimento'.

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�Tipologias e características das fontes de informação e de seus autores
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Resumo expandido

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4 Considerações Parciais/Finais
Os primeiros modos de produção da sociedade utilizavam-se de uma
quantidade pequena de conhecimento registrado, comparados com outras épocas.
Isso induz a acreditar que não havia, portanto, complexas formas de tratamento
desse conhecimento. Ao passo que os modos de produção ganhavam contornos
evolutivos, tal como a própria estruturação das relações de comércio da sociedade,
a quantidade de conhecimento registrado aumentava e seu aprendizado demandava
mais tempo, mais dedicação e mais esforço. Isso permite indagar que, à medida que
a sociedade e seus modos de produção evoluíam, a coleção de conhecimentos
crescia e as bibliotecas surgiam para organizar essa informação. De tal modo, podese indagar, também, que essa primeira fase da história seria marcada pela
transmissão oral do conhecimento. Mas, com a expansão marítima e o
mercantilismo, as relações comerciais e os modos de produção da sociedade
ganham uma rede intricada de mecanismos de controle e estruturação e as
bibliotecas surgem dessa eminente demanda.

5 Referências
KUHN, Thomas S. A Estrutura das revoluções cientificas. 9. ed. São Paulo: Ed.
Perspectiva, 2006. 257p.
WEISS, Jussemar. Roma e a questão geográfica. Biblios, Rio Grande, v. 17, p. 6369,2005.
CONTE, Giuliano. Da crise do feudalismo ao nascimento do capitalismo.
Portugal: Presença, 1979. 157 p. (Biblioteca de textos universitários, n. 22).
MARTINS, Mônica de Souza Nunes. Entre a cruz e o capital: mestres, aprendizes e
corporações de ofícios no Rio de Janeiro (1808-1824).2007.238 f. Tese (Doutorado
em História) - Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio
de Janeiro, 2007.

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