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����IV CONGRESSO BRASILEIRO D3 BIBLIOT^íCONOMIA B TDOGTORNTàÇAO

A biblioteca escolar e o ensino primário
por
Maria Lec€cia de Andrade Lima

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Fortaleza
1963

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�IV CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
UNIVERSIDADE DO CEARA

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k BIBLIOTECA ESCOLAR
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ENSINO PRIMÍRIO
por
Maria Letücia de Andrade Lima

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Associação

Pernambucana do Bibliotecários
1963

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�A BIBLIOTECA ESCOLAR E O ENSINO PRIMiÍRIO
Maria. -í Leticia de Andrade Lima.
Segtindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educaçao "o ensino primário
tem por fim o desenvolvimento do raciocínio e das atividades de expressão
da criança e a sixa integraçao no meio físico e social".
A biblioteca tem papel saliente, tanto no desenvolvimento do raci^
cinio e das atividades de expressão, como na integraçao do alimo ao meio sq,
ciai.
A biblioteca e o desenvolvimehto do ràciocínio.
Estando o livro, desde os primeiros tempos, intimamente ligado

a

atividade criadora, as práticas escolares associaram-no, infelizmente, por
um longo período, ao tipo mais rotineiro de aprendizagem, com o uso do te^
to para meraorizaçao, A expressão "ensino livresco" passou a significar metodo antiquado, em oposição a escola moderna baseada nas experiencias

da

criança,
Havia, assim, todo um trabalho a realizar, na reabilitaçao do livro
na escola, trabalho que compete e vem sendo feito em parte pela biblioteca.
Que se espera da biblioteca, na escola primária, para obter a utilizaçao ativa e dinamica do livro?
O fato de existir

biblioteòa na escola já representa um estímu

Io intelectual, como veículo da apresentação, o. criança, das idéias e conh^
cimentos.
Sem recorrer a conceitos literários, sem citar os versos de

Castro

Alvos: "livros, livros • mão-choia/ fazendo o povo pensar", qualquer educador verifica a necessidade urgente de estímulos

para a leitura. Estímulos

tão fortes que possam concorrer com os estímulos audio-visuais cada

vez

mais aperfeiçoados e numerosos, que cercam a criança de hoje; rádio, cinema, televisão.
Q\iando e se conseguirmos ap^jihar a criança sem hábitos m\iito ojra^
gados de leitura de periódicos, de tipo popularíssimo das revistas de quadrinho, a simples apresentaçao de uma coleção de livros, dosde que razoa.—*
velmente escolhidos, obtém reações maravilhosas.
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Intensificam-se esses efeitos com os reciu'sos técnicos da bibliot^
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A olassificaçao dos livros e a dinamizagão da biblioteca
Se a coleção estiver disposta de modo inteligente, cada livro, as.
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sociado aos vizinhos por um vinciilo de interesse comum, seu impacto sobre
o leitor e conseguido mais rapidamente e sua influencia mais duradoura. Daí

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�- 2 Ä necessidade da classificação.
Nossa experiencia tem demonstrado que a técnica da classificaçao pa
de ser simplificada ao mínimo indispensável, tendo sido usada, em escolas rji
rais de Pernambuco, vima distribuiço.o em largos grupos, correspondendo as divisões gerais dos programas escolares, identificados por letras: L para Linguagem, M para Matemática, C para Ciência, etc.
Ha, porem, vantagem, no uso, na escola primária^ do mesmo tipo

de

classificaçao encontrado, no futuro, polo jovem loitor, nas escolas secvinda
rias e superiores.
Assegura-se, assim, uma Corta continuidade no uso da biblioteca.
Os números principais da C.D,, completados com a inicial do sobrenoA
me do autor, tem sido divulgados em cvirsos promovidos pela Secretaria de Ed^j
cação e Cultura, através do Departamento de Extensão Cultural © Artística e
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ate mesmo em cursos por correspondência. Anexamos duas axalas de um desses cvie
SOS, contendo uma tabela do classificação (anexos 1 e 2 - resumo da tabela
no anexo l)
O arranjo das estantes, com letreiros adequados a idado e compreensão do aluno, facilita o trabalho das classes. Quando o trabalho escolar ma
tiva consultas, a localizaçao dos livros devo sor obtida irapidamonte pelo estudante comum, pois isso será um passo importante no desenvolvimento de pra
jetos ou em qualquer tipo de pesquisa exigida pela atividade didática.
R^classificaoões provisórias, tendo em vista dotérminadas comemoraçoes ou festividades, devera ser previstas. A biblioteca deve, não so estar
a disposição, como antecipar as necessidades dos escolares.
Um dos aspectos indispensáveis de sua organização é a possibilidade
de desmembrar a coleção

em coleções parceladas, à disposição das classes.

Essas coleçoes serão trocadas, de acordo com os interesses momentâneos e permanecerão, sob a responsabilidade direta do professor, tanto tempo quanto for necessário ao trabalho didático.
A biblioteca será sempre uma "fonte central de informaçoes".
Um dos objetivos do trabalho do professor-bibliotecário deve

ser o

incentivo as consultas. A coleção de livros de ficção sai com rapidez
prateleiras. Os livros novos sao logo solicitados e a única dificuldade

das
e

geralmente, conseguir um nmero siificiente do exemplares. O que não acontece

habitualmente com o material de natureza informativa, quase sempre

por

falta de planejamento e articulação entre as classes o a biblioteca.
A catftlogaçao como elemento dinamizador
A consulta ao catálogo já e, em si, um trabalho educativo, Se, para
a leitura-recreação, numa biblioteca de acesso livre, o contacto do pequeno
leitor com o livro pode ser feito sem

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intermediários, nas pesq\iisas o almo

��precisa do catálogo» Numa escola primaria deve ser adotado uma catalogaçao
extremamente simplificada, fichas redigidas muito sumariamente» com arranjo alfabético»
Exercícios sistemático podem ser realizados, com o aspecto de jogo»
*
é
no caso dos leitores muito jovens, Uma variante de "jogo do dicionário", ci
tado por R.G» Ralph, em The library in education pode ser feita com as

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chas do catálogo» á um jogo de competiçãoj vencendo o leitor que encontrar
com maior rapidez iim determinado número de entradas de autor, título e assunto^ no fichário» As entradas devem ser escolhidas previamente e o temA
•
j. •
po registrado com toda seriedade, como numa competição desportiva»
A lista de cabeçalhos de assuntos a ser adotada deve ser organizada
com termos familiares as crianças, procurando-se usa-r a linguagem habitual
na região» Anexamos uma relação preparada para escolas primarias de Pernambuco (anexo n#3), baseada na de Mary Peacock Douglas, Tho teacher-librarian'a
hftfíclbpoK»
A biblioteca e as atividade de expressão
A leitura enriquece os meios de expressão do escolar» O vocabulario
da criança cresce em proporção as suas experiencias, realizadas diretamente,
ps seres

« coisas que a cercam, ou indiretamente, através

da leitu-

como "experiências de segunda mao", na denominação de alguns autores»
Temos que concordar inteiramente com os pesq\iisadores que nos
formam, depois de estudos exaustivos&gt; como os de Paulo Rosas, que " os liyors estão desempenhando pálido papel na vida das crianças e adolecentes"»
Educadores como Maria Junqueira Schmidt dão o brado de alerta, dizendo

eer

eeses desinteresse "anomalia que precisa ser estudada"»
Temos, assim, de fazer algo, e urgentemente, para reavivar o interesse infantil adormecido, através de uma biblioteca dinamica, onde a crie^
ça vá às estantes, de opiniões, colabore na seleção dos livros e

participe

do próprio funcionamento da instituição,
O respeito à espontaneidade e iniciativa da crianço. deve ser o critério inicial de todo trabalho nesse sentido,
A
Naturalmente que certas normas: silencio relativo na sala de leitura, respeito aos outros leitores, impostas pelo caráter social da biblioteca, traçam limites aos impulsos dos jovens freqüentadores, O caminho acer/A
^
tado sera canalizar esses impulsos# através de processos educativos. Favorecer 03 debates, os comentários, os projetos, as campanhas, todo tipo

de

atividade que permita pXena liberdade de expressão» As artes plásticas poáem ser chamadas em auxílio do bibliotecário, A criança que pinta ou modela deve alargar o campo das suas inspirações, introduzindo, nos seus

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balhos^ todo o mundo imaginário que encontrou nos livros: fadás, prá^cipéô.

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�- ^ mágicos, que assim se incorporam melhor ao seu mundo escolar, Um recurso
muito vfiúLioso é a draraatizaçao. Certas histórias pedôm um complemento

de

gestos e movimintos, para mxiitos leitores. Com .algum incentivo representarao as fabulas, encarnando cada um o animal de s\ia preferencia. Mascaras pg
dem ser conseguidas sem muita dificuldade, feitas pelos próprios altinos. Tag
bán não representa grande difictildade a organizaçao de um pequeno teatro de ^
fantoches« O teatro indireto, através dos bonecos, e necessário quando

ha

crianças muito tímidas ou desajustadas.
\
^
A biblioteca e a integragão no meio social.
A biblioteca é tmi elemento socializador, A utilizaçao em comum

do

acervo e, talvez, para a criança , o primeiro passo consciente na sua educação social e cívica. Primeiro passo, porque, na sua matrícula na escola,
a iniciativa parte geralmente dos pais.
Quando assina o seu primeiro cartão de leitor, o aluno assume

ma

responsabilidade e tmi compromisso para com a coletividade.
Habitvia-se a respeitar prazos, não pelo mero fato de serem marcados
por regulamentos, mas porque há outros leitores aguardando, para retirar os
livros que devolver. Acostuma-so a zelar pela conservação do um material que
nao e sou, porem do todos. Aprende a significação de bom comum,
A
O interesse pelos livros facilita aproximações, fazendo que surjam
grupos unidos por tendoncias e inclinações, favorecendo a formaçao de

pe-

quenos clubes.
A informalidade do ambiento ó propícia às atividade associativas. Da
biblioteca podem surgir clubes de excrusoes, filatolia, nimismatica, grêmios
dramáticos

e literários.

A biblioteca pode

possxiir jornal, sendo facílima a utilização

do

um jornal mural, com seções para notícias de livros novos, registro do movimento social, enigmas e charadas, desenhos e caricaturas. As exposiçoos
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sao também motivos para aproximanao dos leitores e intercâmbio com outras
escolas.
Entro os objetivos da biblioteca escolar não deve ser esquecido, cq_
mo um dos mais importantes, o de servir de elemento de ligação entre a escola e as demais instituições locais. Levar a escola a biblioteca publica,
aos museus, a todo e qualque centro capaz de ampliar a sua ação educativa,
aproveitando os recursos cu3.turais

da comunidade.

Servira, também, como elemento integrador da família na escola, ati^
gindo os pais. Promoverá, assim, para eles, debates sobre livros, inserindo-se na pauta de trabalhos das associaçoes de pais e professores. Algumas
bibliotecas escolares americanas recorrem as mães como aioxiliares volutárias, encarregando-as, por exemplo, da "hora do conto" ou atribuindo-lhes

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�hor^ios de supervisão. São as maes mixitas vezes, que se responsabilizam
por cortos trabalhos, como consertos de livros. Essa colaboração leva
uma melhor compreensão dos objetivos da escola e a um planejamento

a

mais

perfeito do trabalho a realizar»
BiW3,0ßrftfia
DOUGLAS, Mary Peaqock - The teacher-librarian•s handebook. Chicago, III,
American Library Association, 1949.
LAREUCK, Nancy - A parent's guide to children's reading, New York, Cardinal (1958)
RALPH, R.G, - The Library in education (London) Tiirnstile Press (1949)«
ROSAS, Paulo - Interpretação da literatura infanto-juvenil no nordeste. Rg
cife, Instituto Pernambucano do Estudos Pedagógicos, i960.
SCHMIDT, Maria Junqueira - Educar pela recreação. Rio do Janeiro, Agir,
1958 ►

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