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                  <text>Eixo III - Ensino
OS DESAFIOS E CAMINHOS PARA A IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA
NACIONAL DE CURSO DE BIBLIOTECONOMIA EAD: UMA
PERSPECTIVA A PARTIR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
THE CHALLENGES AND PATHWAYS FOR THE IMPLEMENTATION OF THE NATIONAL
DISTANCE LEARNING COURSE OF LIBRARIANSHIP : A PERSPECTIVE FROM THE
FEDERAL UNIVERSITY OF GOIÁS

Resumo: Discute-se os desafios e caminhos na implantação do programa nacional de curso de
Biblioteconomia na modalidade a distância no âmbito da Universidade Federal de Goiás. A
discussão é pautada no projeto pedagógico do curso de biblioteconomia a distância; conversas
com a alta administração da universidade e pesquisa bibliográfica. Apresenta-se o conceito e
alguns marcos regulatórios da educação a distância no Brasil e a exigência, em termos de
bibliotecas e bibliografias básica e complementar, para autorização de cursos nessa
modalidade. Os desafios envolvem aspectos pedagógicos que impõem questões sobre a
qualificação da equipe; interatividade entre professor e aluno; adoção de novas abordagens
pedagógicas pelo corpo docente; entendimento dos papéis do professor e do tutor no processo
ensino-aprendizagem; medidas para minimizar a evasão e; criação de oportunidades de
estágio em biblioteconomia para os alunos no interior do Estado. Infraestrutura de biblioteca e
desenvolvimento do acervo também devem ser considerados. Dentre as propostas, destaque é
dado para a criação de uma rede de bibliotecas para o atendimento do aluno Ead que envolva
bibliotecas universitárias de instituições de ensino superior púbico; reedição do Plano
Nacional de Bibliotecas Universitárias; movimento nacional para a estruturação de biblioteca
digital que contemple as bibliografias básicas e complementares do curso.
Palavras-chave: Ensino a distancia. Graduação em Biblioteconomia. Desafios na educação a
distância.
Abstract: It discusses the challenges and paths in the implantation of the national program of
Librarianship course in the distance learning modality within the scope of the Federal
University of Goiás. The discussion is based on the analysis of pedagogical project of the

�course , dialogues with the university administration officials and bibliographic research. It
presents the concepts and some regulatory frameworks of distance education in Brazil and the
authorization. The challenges involves pedagogical aspects that demands a continuous
qualification of the team, interactivity between teacher and student; adoption of new
pedagogical approaches, understanding of the roles of teachers and tutors in the teachinglearning process, measures to minimize evasion and the creation of internship opportunities
for librarianship students in the countryside. Attention must be given to the library
infrastructure and development of the bibliographic collection. Among the proposals for
overcoming the raised points, emphasis is given to the creation of a network of libraries to
assist the distance learning student; reissue of the National Plan for University Libraries;
national movement for the structuring of a digital library with the basic and complementary
bibliographies of the course.
Keywords: Distance learning. Librarianship graduation. Challenges at distance learning.
1 INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, observaram-se avanços significativos no ensino a distância no
Brasil. Segundo o Censo da Educação Superior156, em 2016 as instituições públicas e privadas
ofereceram para a graduação 3.936.573 vagas.

Na esteira dessa expansão,

em 23 de

novembro de 2017, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
(CAPES) convidou157 os reitores das instituições federais de ensino superior integrantes do
Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) para participarem da apresentação do Projeto
Pedagógico Nacional do Curso de Bacharelado em Biblioteconomia na modalidade de
educação a distância (BibEAD).
A publicação de edital para a adesão está prevista março de 2018, com o início do
curso já no segundo semestre de 2018. Sinalizado o interesse em participar do projeto, O
MEC agendou reuniões individualizadas com cada instituição para sanar dúvidas surgidas
após a leitura do material enviado. A reunião com o grupo de professores do curso de
Biblioteconomia presencial da da Universidade Federal de Goiás (UFG) ocorreu em 13 de
dezembro de 2017.
A partir desses primeiros contatos com a CAPES e com equipe responsável pela
proposição do curso, bem como conversas com as diferentes instâncias administrativa da
UFG, estudo do projeto político-pedagógico e pesquisa bibliográfica pontuamos os desafios
156 Ultimos dados atualizados. Informação disponível no INEP em:
http://portal.inep.gov.br/web/guest/sinopsesestatisticas-da- educacao-superior. Acesso em: 20 jan de 2018.
157 Ofício Circular nº 50/2017-CPCF/CGPC/DED/CAPES, assinado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior (CAPES)

�que enfrentaremos, no âmbito da nossa instituição, tanto em relação aos aspectos pedagógicos
do curso quanto de infraestrutura de bibliotecas e acervo. Sugestões pautadas na literatura são
levantadas para superar tais dificuldades Espera-se que essa iniciativa fomente discussão
nacional quanto aos desafios que cada instituição, considerando-se a sua realidade regional,
terá à sua frente na implantação do BibEAD e que se possa pautar uma agenda unificada
sobre os encaminhamentos necessários e urgentes nas diferentes instâncias políticas federais.
2 A PROPOSTA DO PROGRAMA NACIONAL DO CURSO BIBLEAD
O Curso de Biblioteconomia a distância - BibEAD é resultante de parceria, firmada
em 2009, entre o Conselho Federal de Biblioteconomia com

a CAPES) / Sistema

Universidade Aberta do Brasil (UAB). A comissão técnica para elaboração da proposta do
projeto pedagógico do curso (PPC) e acompanhamento das ações necessárias para a
implantação do projeto a nível nacional foi instituída em 2010 pela Portaria CAPES n°
117/2010 (BRASIL, 2017a).
O PPC do BibEAD apresentado pela equipe possui carga horária de 2895 horas,
distribuídas em oito semestres letivos e oito eixos temáticos (figura 1). O menor eixo é o
Módulo Básico, com 195 horas, os maiores têm 480 horas, cada um.

�FIGURA 1 Estrutura Curricular do BibEAD

Fonte: Projeto Pedagógíco BIBLEAD (BRASIL, 2017).

O PPC prevê 240 horas para estágio supervisionado, realizadas, preferencialmente, em
diferentes tipos de biblioteca (públicas, escolares, universitárias, especializadas), a partir do 5º
semestre. O estágio supervisionado deve ser coordenado por um professor da graduação e
atender às normas da IES a que o curso está vinculado. O aluno deve ainda cumprir 120 horas
de atividades complementares e outras 180 horas em disciplinas optativas (BRASIL, 2017a).

�O Trabalho de Conclusão de Curso, por sua vez, exige que o discente tenha cursado
disciplinas de introdução à pesquisa científica, com carga horária de 180 horas.
3 ENSINO A DISTÂNCIA
O ensino a distância pode ser entendido como o estabelecimento de ambientes
educacionais, através de estruturação de cursos que podem ser disponibilizados para locais
remotos, de forma assíncrona ou síncrona, sendo a relação entre aluno e professor mediada
pelos meios de comunicação. Nos tempos atuais, o meio de comunicação privilegiado nesta
relação é a internet.

Esta modalidade de ensino surge como resposta plausível para a

crescente necessidade social de proporcionar educação a uma parcela da população adulta não
adequadamente atendida pelo sistema tradicional de educação, devido a barreiras de natureza
diversa como, por exemplo, as geográficas, econômicas e sociais.
Há de se ressaltar que, apesar das iniciativas em EaD remeterem aos anos 1920,
conforme demarcado por Saraiva (1996) as primeiras medidas para regulamentação desta
modalidade de ensino foram tomadas na década de 1960, merecendo destaque a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB- Lei 5.692/71), como sugerem Saraiva (1996)
e Soares (2006). Com a LDB, abria-se a possibilidade para que o ensino supletivo fosse
ministrado mediante a utilização do rádio, televisão, correspondência e outros meios de
comunicação. No entanto, o ensino a distância no Brasil tomou nova dimensão com a entrada
das universidades públicas federais nesta modalidade de ensino, possibilitada pelo Decreto
5.800 de 08 de junho de 2006, que criou o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB).
As investidas da Universidade Federal de Goiás na educação a distância são anteriores
à criação da UAB. A primeira experimentação do formato de ensino a distância na UFG
ocorreu no ano de 1998, através do curso de Gestão Escolar, curso este de aperfeiçoamento na
categoria pós-graduação Lato Sensu (RODRIGUES, 2009). As experiências anteriores com
cursos a distância favoreceram, de certa forma, a implantação da UAB na instituição no ano
de 2005. Em decorrência disso e com o objetivo de implementar e sistematizar ações de apoio
ao aprendizado em rede, mediadas pelas tecnologias da informação e comunicação, junto aos
cursos de graduação, pós-graduação, extensão e capacitação, foi criado, em 2007, o Centro
Integrado de Aprendizagem em Rede (CIAR),
Atualmente a UFG oferece, com apoio de vinte e dois (22) polos localizados em
diferentes cidades do Estado de Goiás, seis (6) cursos de graduação; dez (10) cursos de pósgraduação; um (1) de aperfeiçoamento e dois (2) de extensão. Dentre os cursos de pósgraduação, o quadro docente da Biblioteconomia da UFG é responsável pela oferta do Curso

�de Especialização em Letramento Informacional (CELI), já em sua segunda turma158. Mas a
primeira a experiência do corpo docente da Biblioteconomia UFG foi com o Curso de
Capacitação de Auxiliares de Bibliotecas para os Polos EaD, ofertado em 2008
3.1 BIBLIOTECA E ENSINO A DISTÂNCIA DISPOSIÇÕES REGULATÓRIAS
Dentre os marcos regulatório, atenção deve ser dada à Portaria 301, de 7 de abril de
2007 (BRASIL, 2007). A portaria 301, de 7 de abril de 1998, estabelecia de forma clara que
um dos requisitos para autorização de funcionamento de cursos a distância é a estruturação de
biblioteca, conforme especificado no Artigo 3º., inciso IV.

O referido documento

acrescentava à lista de exigência a existência de locais adequados para a instalação das
os mesmos recursos para o acesso às informações e dispor de locais adequados para atender às
demandas de informação dos alunos.! (BRASIL, 2007, p. 19),
Além das diretrizes estabelecidas no documento supracitado, o MEC criou variáveis
para avaliar e credenciar, não só os cursos de graduação EaD, como também os Polo de Apoio
Presencial (PAPs) e instituições ofertantes de cursos nessa modalidade de ensino. O
credenciamento institucional levava em consideração a existência de corpo administrativo
para atuar na gestão das bibliotecas dos Polos; acesso físico às bibliografias básicas e
complementares do curso; instalações para o gerenciamento central das bibliotecas dos Polos
e para manipulação do acervo; informatização do sistema de bibliotecas que administra a
biblioteca dos Polos; política de expansão, aquisição e atualização do acervo dos Polos.
No entanto, em outubro de 2017, a diretoria de avaliação da educação superior

obrigatoriedade da presença do profissional bibliotecário é feita. A nova exigência para
autorização leva-se em consideração somente o acervo das bibliografias básica

e

complementar para, no máximo, os dois primeiros anos 159. O mesmo deve estar tombados,
plares e/ou assinaturas
de acesso mais demandadas, sendo adotado plano de contingência para a garantia do acesso e

158 A primeira oferta aconteceu no período 2014 e 2015. com 180 vagas e 70 concluintes. .A segunda turma,
com 295 alunos, iniciou em Abril de 2017, com término em setembro de 2018.
159 Para o recredenciamento, é exigido 100% da bibliografias básica e complementar.

�relação entre a quantidade de vagas ofertadas e o número de exemplares por título (ou
assinatura de acesso) disponível no acervo. Nos casos de títulos eletrônicos, a instituição deve
garantir o acesso aos mesmos disponibilizando instalações, recursos tecnológicos e serviços
de internet contínuo e ininterrupt
-se que são critérios
bastante subjetivos.
4 DESAFIOS E CAMINHOS POSSÍVEIS: O OLHAR DA UFG SOBRE A OFERTA
DO BIBEAD
São muitos os desafios na oferta de cursos a distância. A literatura está repleta de
exemplos. Martins (2008) destaca como principais questões a serem consideradas na oferta
de ensino a distância a formação de professores especialistas e tutores, estrutura e
funcionamento dos centros associados ou PAPs, material didático160, processo de avaliação da
aprendizagem, metodologia de ensino. Já Bellloni (2002) destaca a necessidade de se pensar
em conteúdos e estratégias de ensino inovadoras, enquanto. Marques et al. (2009 apud
BENTES, KATO, 2014) chamam a atenção para o índice de abandono dos estudos,
desmotivação, frustração por parte dos alunos, professores e tutores e procedimentos de
ensino pouco eficientes dos cursos à distância. Acrescenta-se a essa lista forte resistência a
essa modalidade de ensino, não só entre docentes, mas presente também, apesar de velada,
entre alunos, instituições educacionais (MARQUES; CAVALCANTI, 2009). Menciona-se
ainda as dificuldades para implantação dos estágios obrigatórios supervisionados e a
infraestrutura de biblioteca para alunos EaD.
A partir dos apontamentos acima e da proposta curricular do BibEAD, reorganizamos
os apontamentos dos autores acima e elegemos as seguintes categorias para discussão no
presente trabalho por acharmos mais urgentes no âmbito da implantação do curso na UFG:
aspectos pedagógicos (formação de professores e tutores; estrutura de estágio e evasão) e
infraestrutura de informação (biblioteca e desenvolvimento de acervo),
4.1 ASPECTOS PEDAGÓGICOS
Os aspectos pedagógicos estão organizados em três (3) categorias: corpo docente, o
estágio; e evasão.

160 Não trataremos aqui do material didático produzido para a EaD, mesmo porque esse ainda não foi
publicizado.

�4.1.1 O corpo docente
Apesar da experiência e qualificação do quadro docente da Biblioteconomia da UFG,
muito ainda se tem que aprender e superar para a atuação no EaD. Revisitar nossos
preconceitos e abordagens de ensino e investir em novas possibilidades pedagógicas são
medidas necessárias. Não se trata meramente de replicar a estrutura, dinâmica e
comportamentos adquiridos no ensino presencial, como se apenas a tecnologia fizesse a
diferença. O planejamento das atividades para o aluno EaD deve ter como eixo norteador o

geralmente fundamenta os planos de ensino

de cursos presenciais

(BLACK; MC

CLINTOCK, 1996; DEWEY, 1959 apud SANTOS; SANTOS, 2014).
Outro ponto a ser ressaltado é que, diferentemente do ensino presencial centrado no
professor, a atividade pedagógica na EaD é fragmentada entre diferentes atores: professor
conteudista

responsável por produzir o material pedagógico do curso; professor formador -

responsável pelas atividades típicas de ensino (planejar a disciplina, pensar as atividades
avaliativas e propor metodologias de ensino), de projetos e de pesquisas no âmbito dos cursos
e programas implantados pela UAB, com experiência de, no mínimo, um ano no ensino
superior e; tutor que conduzirá atividades típicas de tutoria, sendo exigida formação básica de
nível superior, com no mínimo um ano de experiência de docência no ensino básico e
fundamental161.
Apesar de ser um trabalho coletivo, isso não implica necessariamente que o fazer
pedagógico na EaD seja colaborativo e, não é raro, que os atores envolvidos percam a noção
da totalidade do processo de ensino-aprendizagem e não tenham clareza quanto ao seu papel e
funções (MEDEIROS, 2010). A falta de delimitação clara de atuação de cada ator tem
odem variar desde a distribuição de tarefas,
2017, sem paginação) Portanto, é importante que as instituições ofertantes estabeleçam e
esclareçam as competências e responsabilidades de cada ator envolvido, princialmente entre
professor formador e tutor, no processo de ensino e aprendizagem a distância. Além do mais,
sugerimos como forma de tornar a atividade mais colaborativa que se pense na constituição de
161 No caso do curso BibEAD acreditamos que essa exigência não se aplica uma vez que formamos bacharéis e
não licenciados, sendo substituido, talvez, por 1 ano de experiência profissional.

�comunidades práticas em que se discutam não só as dificuldades e dúvidas, mas que, no
compartilhamento de boas práticas, proponham-se soluções para os desafios a serem
enfrentados.
A atuação em EaD exige outras competências e habilidades além daquelas do ensino
presencial. Sobre isso, Aretio (1996, apud SANTOS; SANTOS, 2014, p. 3) acredita que
tutores e professores formadores devem:
ter domínio das técnicas e habilidades para tratar de forma específica os conteúdos
(escrita, áudio, vídeo e informática); saber utilizar outras linguagens; possibilitar
que o aluno avalie seu próprio processo de aprendizagem e tenha acesso a diferentes
técnicas de recuperação e correção para o sucesso das aprendizagens; capacidade de
organizar outras vias de aprendizagem, tais como leituras, atividades, imagens,
entrevistas, consultas e saber utilizar os meios de comunicação social como
instrumentos para alcançar fins específicos, aproveitando todas as possibilidades e
fazendo uso de todo potencial educativo das tecnologias da informação e da
comunicação, uma vez que o suporte tecnológico aumenta as chances e a
diversidade necessária à sala de aula contemporânea.

A adoção de metodologias ativas em práticas de EaD é uma demanda recorrente na
literatura. A maior parte das metodologias ativas utilizas na educação a distância envolve a
aprendizagem baseada em problemas (PBL, Problem Based Learning), o design thinking
incorporado à PBL, práticas de sala de aula invertida, aprendizagem baseada em projetos,
bem como a aprendizagem por pares e equipes (FONSECA; NETO, 2017).

Deve-se

considerar de forma incisiva a possibilidade de gameficação das atividades de ensino. A
combinação entre estas propostas certamente trará um mais efetivo aprendizado no BibEAD.
4.1.2 Estágio
Criar campo e regras para o estágio para os alunos EaD não se mostra tarefa simples.
Primeiro devido à escassez ou precariedade de bibliotecas no interior do Estado,
principalmente as escolares e públicas. Segundo, a ausência de bibliotecários na maioria das
bibliotecas, excetuando-se as bibliotecas universitárias.
Pensando nessa realidade, estabelecer parcerias com outras instituições de ensino
superior se torna, fundamental para garantir a qualidade na formação do aluno do BibEAD A
parceria entre Instituto Federal de Goiás, Instituto Federal Goiano, a Universidade Estadual de
Goiás (UEG) e a UFG, considerando os diversos campi espalhados pelo Estado, abriria
espaços interessantes de estágios para a formação do aluno. Portanto, as bibliotecas
universitárias das instituições aderantes ao programa BibEAD, teriam o duplo papel de

�atender o aluno-usuário do curso e de constituir-se como campo de estágio para formação
profissional desse aluno.
Outro espaço em potencial para estágio obrigatório são as bibliotecas dos PAPs. Nesse
caso, o aluno poderá ser supervisionado pelo tutor presencial bacharel em biblioteconomia.
Para viabilizar estágios em bibliotecas escolares, pode-se considerar a possibilidade de o
aluno ser orientado e supervisionado tanto por um professor do curso quanto por um tutor
presencial. Essas medidas podem se mostrar estratégicas para sensibilizar essas unidades de
informação quanto à necessidade de se contar com o profissional em sua equipe e,
simultaneamente, mudar a realidade das bibliotecas escolares e dos polos.
4.1.3 Evasão
Segundo Anuário Estatístico de Educação Aberta e a Distância (ABRAED, 2008, p.
87), no Brasil, a taxa de evasão média de um curso em EaD é de 26,3%. Entre eles, 85%
abandonam logo no primeiro ano de curso e outros 27%¨, no segundo ano. Conforme Neves
(2006) e Maurício (2015) a situação é proveniente de uma junção de fatores que podem
significar desistências, afastamentos, transferências, isto é, a saída do aluno da universidade
ou de um curso, definitiva ou temporariamente. Este fenômeno tem preocupado as instituições
e órgãos responsáveis, fazendo com que sua complexidade e abrangência tornem-se objeto de
estudo e análise de diversos pesquisadores.
Para Coelho (2004) os principais fatores para a evasão nos cursos estariam
relacionados a:

falta de interação e respostas efetivas entre os envolvidos no processo

educacional; falta de habilidades para lidar com as novas tecnologias para acompanhar as
atividades; ausência de reciprocidade da comunicação, ou seja, dificuldades em expor ideias
em uma comunicação escrita a distância, inviabilizando a interatividade; falta de agrupamento
de pessoas numa instituição física, construída socialmente faz com que o aluno de EaD não se
sinta incluído num sistema educacional. Além disso, pode-se acrescentar fatores como
ambiente de aprendizagem, metodologia do curso e variáveis particulares aos alunos, como é
o caso do gerenciamento do tempo para dedicar-se ao curso.
Sugestões para a superação dos pontos acima levantados passam pela qualificação do
da equipe pedagógica, conforme discutido no anteriormente; sensibilização do aluno quanto a
gestão de seu tempo e assunção de sua responsabilidade no seu processo de aprendizagem;
criação de uma efetiva Comunidade Virtual de Aprendizagem, que viabilizaria trocas de
experiências entre professores e tutores; instituição de mecanismos de autoavaliação do

�curso/disciplina; delimitação da quantidade de atividades de acordo como tempo para sua
realização; diversificação de recursos e formas de expor conteúdos e atividades; garantia de
espaço para escrita e reflexão pessoal de cada estudante sobre o seu processo de
coletivo exclusivo para discussão e interação com os colegas, como mídias sociais (NETTO;
GUIDOTTI; SANTOS, 2012, p. 8). A necessidade de utilização de diversos meios e recursos
no processo de ensino-aprendizagem a fim de minimizar a distância física entre professores e
estudantes é apontada por Madeira (2006).
Dentre os recursos de ensino que podem ser adotados, web conferências, chats e outros
canais interativos devem ser considerados, visto que permitem ao estudante dirimir possíveis
dúvidas e interagir com os docentes de forma mais dinâmica. Encontros presenciais também
favorecem a interação e podem reforçar as relações dos estudantes entre si e entre a equipe
pedagógica. Mas devem ser acionados com parcimônia e de forma voluntária uma vez que a
sua obrigatoriedade é responsável por quase 5% do total de evasão (ABRAEAD, 2008).
É fundamental que no curso a distância o estudante seja mais proativo na sua formação
e dedique sistematicamente algumas horas por dia para estudo do material e execução das
atividades propostas, além de participar nos fóruns e tirar possíveis dúvidas. Se não houver
disciplina, facilmente ele se perderá e se desmotivará para dar continuidade aos estudos.
Nesse sentido, é interessante que no início do curso, seja ofertada oficina de organização e
gestão do tempo para que o discente EaD possa melhor planejar as demandas do estudo de
forma mais realista e autônoma. A autonomia, como aponta Zuin (2006), é o mote da EaD,
sendo assim os cursos estão cada vez mais voltados em possibilitar aprendizagem autônoma.
Um dos fortes pressupostos da EaD é que seus integrantes (seja alunos, professores ou
tutores) tem domínio das tecnologias de informação e comunicação e que são letrados
informacionalmente. A nossa atuação em EaD, tanto no curso de especialização, quanto no de
formação de auxiliares de bibliotecas e outras experiências nos levam a questionar esse
pressuposto. As dificuldades nessas duas esferas podem induzir à evasão do aluno. Nesse
sentido Dudziak (2003, apud GOMES; FIALHO; SILVA, 2013, p. 60 ) reserva papel
fundamental ao bibliotecário na expansão da transformação da educação ao implementar
programas de letramento informacional para o desenvolvimento de competências
informacionais de seus usuários.
Cunha e Silva (2009) chamam a atenção para a importância do professor fazer uso de
seu conhecimento técnico do ambiente de aprendizagem e de suas habilidades afetivas para
manter a motivação do aluno e criar laços com o coletivo do curso. A junção desses dois

�domínios (técnico e afetivo) resulta no que os autores denominam de computação afetiva. São
tributos da computação afetiva: a sociabilidade

entendida como capacidade de formar

vínculos sociais com os demais atores (professores, tutores e alunos) , para tal pode-se
acionar as ferramentas de comunicação síncronas (bate-papos, mensagens instantâneas) como
nas assíncronas (correio, fórum de discussão); a comunicabilidade

aferida pela qualidade da

comunicação entre os participantes, capacidade de sanar dúvida em fóruns de discussão, por
exemplo s de forma oportuna e clara; a pontualidade

observância dos prazos acordados e

divulgados e prontidão nas respostas às postagens dos alunos é fundamental para manter a
motivação e interesse do aluno; o comprometimento

diz respeito ao cumprimento do que foi

estabelecido; a meticulosidade - grau de atenção dada às interações dos alunos no ambiente
virtual e às consequências destas interações para que se possa intervir quando necessário; a
iniciativa; - capacidade do professor em incentivar e apoiar as ações dos alunos no ambiente
virtual, como, por exemplo, participação nos fóruns, realização do trabalho proposto,
colaboração e contribuição para sanar dúvidas dos demais colegas.
4.2 INFRAESTRUTURA INFORMACIONAL: BIBLIOTECA E ACERVO
Cabe ao município interessado em aderir à educação a distância prover espaço físico
para o atendimento ao aluno em conformidade com as exigências estabelecidas pela UAB
para credenciamento de polos de apoio presencial. Dentre os desafios para a oferta de cursos
EaD na UFG está a realidade financeira dos municípios. A criação e manutenção de
infraestrutura de laboratórios de informática, acesso à internet, acervo (impresso e virtual),
equipamentos, mobiliário e equipe técnica para atender a alguns setores dos Polos requer
montante razoável de recursos financeiros que, em muitos casos, não condizem com a
realidade de muitos municípios goianos. A ausência de aporte financeiro poderá inviabilizar a
oferta de cursos com a qualidade desejada pelo Governo. Diante dessa realidade, mesmo
considerando que legalmente a responsabilidade de manter a infraestrutura dos polos é do
Município, o MEC e a CAPES, cientes das dificuldades enfrentadas, viabilizou, até 2010,
recursos qualificação dos PAPs
Entretanto, a avaliação dos PAPs parceiros da UFG conduzida por Rocha (2010)
retratou uma realidade pouco convincente. Os dados coletados pela autora revelaram que
38,1% dos polos ainda não possuíam bibliotecas, apesar dos cursos de graduação já estarem
em andamento; somente 2,5% das bibliotecas possuem instalações para estudo individual;
mostraram que em apenas 31,6% das bibliotecas há espaço para estudo em grupo; 15%
realizavam empréstimo de material. Não acreditamos que essa realidade tenha mudado e ela

�nos remete à questão antiga e ainda não respondida: EaD com que biblioteca?

O

envolvimento das Bibliotecas Universitárias como gestoras e promotora de políticas nessa
seara é urgente, mesmo reconhecendo as suas limitações em termos de recursos financeiros e
humanos. É preciso romper a cultura de apostilamento que impera na EaD.
Na conclusão de seu artigo, Blattmann e Dutra (1999) reforçam que o apoio aos
estudantes off campus demandam formas de colaboração entre os bibliotecários e
profissionais da informática. Porém, defende-se aqui que a colaboração e parcerias, não só
devem envolver todas as instâncias institucionais, como também devem ser estendidas para
além dos muros da instituição ofertante. A formação de consórcio de bibliotecas para o
entendimento EaD é uma saída apontada na literatura. Essa ideia já estava presente no
trabalho de Rocha (2010). A autora indica, para o pleno funcionamento das bibliotecas dos
entre a IES e as bibliotecas dos Polos da UAB/UFG, por meio de parceria, com o objetivo de
disseminar as informações contidas nos periódicos eletrônicos, bases de dados e acervos
EaD das instituições consorciadas.
O atendimento ao aluno EaD exige a estruturação de serviços adequados à sua
dinâmica, característica e demandas. Nesse sentido, a American Association of College and
Research Library - ACRL elaborou

lista de possíveis serviços a serem oferecidos à

comunidade EaD.. Embora não pretenda ser exaustiva, a lista classifica os seguintes serviços
como essenciais: pesquisa e consulta; prover informação em formatos acessíveis ao maior
número de pessoas, incluindo pessoas com deficiência; acesso confiável, rápido e seguro a
recursos on-line; programa de instrução de usuário para a promoção da alfabetização digital;
empréstimo entre biblioteca; estabelecimento de horários adequados de funcionamento da
biblioteca para usuário EaD; promoção de políticas e gerenciamento de recursos de
informação; envio rápido aos usuários de itens constante no acervo da instituição; instruções
sobre o uso de mídia e equipamentos impressos e não impressos; disponibilizar publicações
eletrônicas de acesso livre e aberto.
Diversas outras sugestões de serviços são encontradas na literatura. No entanto, não se
tem aqui espaço nem pretensão de sermos exaustivos quanto as possibilidades de ofertas de
serviços ao aluno EaD. intenção é pontuar que as possibilidades de atuação e adequação de
serviços e produtos das bibliotecas à realidade do ensino a distância são reais e urgentes.

�4.2.3 DESENVOLVIMENTO DO ACERVO
A equipe pedagógica responsável pela estruturação do PPC do BibEAD enviou aos
interessados pela oferta do curso lista com sugestão para bibliografias básicas e
complementares. A partir dessa lista, a instituição deve selecionar, no mínimo, três itens das
bibliografias básica e complementar para cada disciplina para compor o acervo do curso.
Cabe ressaltar que a formação, desenvolvimento e gerenciamento do acervo para o
atendimento ao aluno do curso BibEAD é de inteira responsabilidade da instituição ofertante.
Para ter noção do montante de investimento no desenvolvimento do acervo para o
BibEAD, foi realizada consulta no catálogo do Sistema de Bibliotecas da UFG. Constatou-se
que, das 205 obras indicadas na bibliografia básica, a UFG possui 137 (67%). Mas há
desequilíbrio entre os eixos: o eixo 6

Pesquisa em Biblioteconomia e Ciência da Informação

é o melhor contemplado, com 18 itens dos 20 sugeridos; enquanto o eixo 4

Política e Gestão

de Ambientes de Informação é o que necessitará maior atenção no processo de aquisição de
acervo, com 19 itens dos 39 indicados.
Os dados, apesar de aparentemente animadores, não indica uma situação confortável
porque o número de exemplares no acervo foi projetado para o atendimento de 50 (cinquenta)
alunos ingressantes no curso presencial. O número de exemplares deverá se ampliado
proporcionalmente ao número dos novos usuários e para o atendimento adequado ao aluno
EaD. Diante da situação, defende-se aqui mobilização nacional para a formação da biblioteca
virtual em biblioteconomia com a bibliografia básica e complementar do curso que pode ser
coordenada pela equipe que esteve à frente do projeto.
Observa-se que a estruturação da biblioteca digital
MEC/DEAD

conforme prevista pelo

ainda está no plano das intenções. Poucos ou nenhum avanço foi feito nesse

sentido. As coleções digitais que são disponibilizadas cobrem algumas áreas específicas e não
se tem certeza que contempla os itens informacionais exigidos pelo MEC

a bibliografia

básica e complementar. A construção da biblioteca virtual com acervo especializado em
biblioteconomia simplificaria a gestão, o acesso ao acervo e a alternância da oferta do curso
entre os polos. Como se trata de um programa nacional, a bibliografia básica do curso é
planificada e, portanto, comum a todas as instituições aderentes ao programa. Nesse sentido
seria profícuo que esforço coletivo fosse empreendido para a formação de biblioteca virtual
nacional em biblioteconomia. A reedição do PNBU

Programa Nacional de Bibliotecas

Universitárias não só é desejada como, a nosso ver, torna-se imperativa.

�Consideramos ainda urgente, frente a constatação de ausência de procedimentos de
gestão e políticas de aquisição do acervo nas bibliotecas dos polos, conforme diagnosticado
por Rocha (2010), empreender esforços para
adoção de gestão centralizada para as bibliotecas dos Polos, visando agilizar
procedimentos técnicos e administrativos; criação de um modelo padrão de
biblioteca para os Polos da UAB/UFG para assegurar a qualidade dos serviços
prestados e a infraestrutura necessária; alocação de recursos financeiros contínuos
por parte dos municípios ou Estado para garantir o funcionamento e manutenção das
bibliotecas; contratação de profissionais bibliotecários para a gestão das bibliotecas.
(ROCHA 2010, sem paginação).

CONCLUSÃO
Nada se faz sozinho. As palavras-chave para enfrentar parte dos desafios na
implantação do curso BibEAD são colaboração e parcerias para o atendimento ao aluno EaD
para estruturação de serviços e produtos e criação de espaços de estágio para os novos
graduandos de biblioteconomia aderentes à modalidade do ensino a distância. As
oportunidades para integrar as bibliotecas ao ensino a distância em uma rede de colaboração
são concretos, apesar de inúmeros desafios. Nesse sentido, acredita-se que a reedição do
Programa Nacional de Bibliotecas Universitárias e mobilização nacional para o
desenvolvimento de biblioteca digital que contemplem a bibliografias básicas e
complementares sugeridas pelo comité proponente do programa nacional de curso seriam
passos importantes na viabilização de tal projeto, frente aos cortes de verbas na educação
promovidos pelo atual governo.
Entende-se, no entanto, que a colaboração da biblioteca na oferta do curso BibEAD
vai além da estruturação de serviços e acervo para o atendimento ao aluno. Ela tornar-se
fundamental para a promoção do letramento informacional dos ingressos no curso e de uma
cultura organizacional mais favorável ao EaD. Romper com a cultura de apostilamento que
impregna o ensino a distância é um passo importante. Acredita-se que a capacidade instalada,
as atitudes e as orientações filosóficas das diversas partes potencialmente envolvidas em
cursos dessa natureza em relação às questões colocadas colaboram para a compreensão da
realidade das bibliotecas dos PAPs.
Adicionalmente, atenção deve ser dada à qualificação continuada de equipe
pedagógica, à evasão e à criação de campo de estágio para esses alunos. Medidas para garantir
maior interatividade entre os atores e troca de experiências são bem-vindas. Claramente as
questões envolvidas na oferta do curso de graduação em biblioteconomia na modalidade EaD

�não foram esgotadas Espera-se que movimento ora feito leve ao enfrentamento coletivo dos
desafios aqui postos.
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Gomes, Suely Henrique de Aquino et al.</text>
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              <text>Discute-se os desafios e caminhos na implantação do programa nacional de curso de  Biblioteconomia na modalidade a distância no âmbito da Universidade Federal de Goiás. A  discussão é pautada no projeto pedagógico do curso de biblioteconomia a distância; conversas com a alta administração da universidade e pesquisa bibliográfica. Apresenta-se o conceito e alguns marcos regulatórios da educação a distância no Brasil e a exigência, em termos de bibliotecas e bibliografias básica e complementar, para autorização de cursos nessa modalidade. Os desafios envolvem aspectos pedagógicos que impõem questões sobre a qualificação da equipe; interatividade entre professor e aluno; adoção de novas abordagens pedagógicas pelo corpo docente; entendimento dos papéis do professor e do tutor no processo ensino-aprendizagem; medidas para minimizar a evasão e; criação de oportunidades de estágio em biblioteconomia para os alunos no interior do Estado. Infraestrutura de biblioteca e desenvolvimento do acervo também devem ser considerados. Dentre as propostas, destaque é dado para a criação de uma rede de bibliotecas para o atendimento do aluno Ead que envolva bibliotecas universitárias de instituições de ensino superior púbico; reedição do Plano Nacional de Bibliotecas Universitárias; movimento nacional para a estruturação de biblioteca digital que contemple as bibliografias básicas e complementares do curso.</text>
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