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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
FLUXOS DE INFORMAÇÃO NA PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO:
PROPOSTA DE SERVIÇOS PARA BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
INFORMATION FLOWS IN KNOWLEDGE PRODUCTION: PROPOSAL OF NEW
SERVICES FOR UNIVERSITIES LIBRARIES

Resumo: Transformações nas práticas sociais, associadas às novas TICs, têm modificado o
modo de produção de conhecimento da ciência. Uma ciência eletrônica, transdisciplinar,
construída por redes de multiatores, em multilugares e multi-instituições é a tônica de
modelos que tratam do novo regime de produção do conhecimento. Uma ciência eletrônica,
com grandes volumes de dados reutilizáveis e demandas de acesso aberto. Tudo isto indica
mudanças nas práticas de pesquisa, nas necessidades e usos de informação; novos fluxos entre
atores que estão além dos pares. Este artigo faz uma apresentação genérica de alguns destes
modelos e da demanda por novos modos de publicação que abranjam mais do que os
resultados finais de pesquisa, os recursos e dados nela utilizados e produzidos. Neste sentido,
o artigo aponta ao desafio que está colocado para as bibliotecas universitárias brasileiras, hoje
muito afastadas dos serviços para pesquisadores. A partir dos fluxos de informação que se
podem inferir dos relacionamentos dos pesquisadores com outros atores apresentados por
Bruno Latour e da proposta de publicações ampliadas, propõe-se sete serviços simples e
imediatamente possíveis como um caminho de reaproximação entre bibliotecas universitárias
e pesquisadores e que vão à caminho deste novo modelo.
Palavras-chave: Fluxos de informação na pesquisa. Bibliotecas universitárias. Serviços
biblioteconômicos para pesquisa.
Abstract: Transformations in social practices, associated to new ICTs, have modified the
mode of producing knowledge of science. An electronic, transdisciplinary science, built by
networks of multi-actors, in multilugars, and multi-institutions is the tonic of models that deal
with the new regime of production of knowledge. An electronic science, with large volumes
of reusable data, and open access demands. All this indicates changes in research practices, in
the needs and uses of information; new flows between actors who are beyond peers. This
article gives a generic presentation of some of these models and the demand for new modes of
publication that cover more than the final results of research, including the resources and data

�used and produced in them. In this sense, the article points to the challenge that is posed for
the Brazilian university libraries, nowadays very far from the services for researchers. From
the information flows that can be inferred from the researchers' relationships with other actors
presented by Bruno Latour, and the proposal for extended publications, seven simple and
immediately possible services are proposed as a way of rapprochement between university
libraries and researchers on the way to this new model.
Keywords: Information flows in research. University libraries. Library services for research.
1 NOVOS FLUXOS DE INFORMAÇÃO NA PESQUISA
Desde os anos 1990 tem se visto, além do acesso remoto generalizado proporcionado
pela Internet146, a ampliação constante da capacidade de armazenamento local e em nuvem, de
tratamento de informações e dados, lançamentos de software potentes e amigáveis que
habilitam à realização, mesmo doméstica, de trabalhos que antes careciam de equipes com
técnicos e especialistas de diferentes ramos. Basta pensar na edição de um periódico nos anos
1980 e como ela é feita hoje. Mudanças nas práticas de trabalho em todos os âmbitos, e
práticas de trabalho modificadas demandam novas soluções em produtos e serviços.
As bibliotecas universitárias (BUs) e de instituições de pesquisa se apropriaram com
agilidade das facilidades tecnológicas da comunicação e pode-se dizer que se mantêm
atualizad
dizer do próprio usuário? Quem é o usuário da BU, quais são suas práticas? Em que se
modificaram? Quais suas novas necessidades, seus novos usos e fontes de informação?
Estas perguntas demandam estudos de usuários e comunidades. Entretanto, o
conhecimento teórico prévio do modo de funcionamento de uma comunidade alicerça os
métodos dos quais se lança mão para realizar tal estudo. Caso se suponha que as práticas de
pesquisa147 mudaram, então, um novo modelo deveria guiar a teorização dos fluxos de
informação e daí novos serviços e produtos de informação no âmbito das BUs.
Respostas às demandas do que se pode chamar de uma nova configuração do modo ou
regime de produção do conhecimento, como é o caso dos repositórios, têm sido mais pontuais
do que oriundas de um alicerce teórico da Biblioteconomia. Construir uma modelação dos
atuais fluxos de informação na pesquisa permitiria repensar, a partir da observação das
práticas, tanto os tipos, as fontes e usos de informação dos pesquisadores quanto os estudos de
A Arpanet foi criada no âmbito do Departamento de Defesa americano em 1969, passando a atender o campo
acadêmico no início dos anos 1980. No início dos anos 1990, com a WWW, a Internet avançou para o setor
comercial, generalizando o acesso remoto.
Neste trabalho não se abordará o ensino e a extensão, embora uma mesma indagação sobre estes deve ser
realizado.

�usuários e comunidades. Esta não é uma tarefa fácil e precisa contar com o trabalho de
pesquisadores e profissionais da informação, que vão construindo e reconstruindo esta
modelação no tempo.
Considera-se neste artigo que há uma remodelação no regime de produção de
conhecimento, sem que seja possível uma imediata e pronta resposta de o que oferecer em
termos de serviços informacionais à pesquisa. Mas um período de transição é também um
período de adaptações e descobertas que podem ensejar desenhos transitórios que também
participam e contribuem neste processo de transição. Pensando nisso, este artigo apresenta
elementos de modelos que tratam do novo modo de produção do e propõe alguns serviços
para pesquisadores. Parte-se, de um lado, dos indicativos deste novo regime, suas
características e novidades, tendo como alicerce central Bruno Latour (2001) e, de outro, da
constatação de que, no caso brasileiro, existem poucos serviços biblioteconômicos voltados
para a pesquisa e pós-graduação, que estão concentradas nas universidades. São necessárias
políticas públicas que contemplem as BUs, mas também o preparo para um agir bibliotecário
teoricamente fundamentado (CAETANO, 2014). Nesse sentido, há necessidade de uma
mudança de paradigma da postura do bibliotecário, que ajustado aos novos fluxos de
Esta realidade demanda pensar em soluções, mesmo que se trate de serviços
transitórios, de adaptação à nova configuração do regime de produção de conhecimentos. As
concepções teóricas atuais sobre o modo de produção do conhecimento podem indicar alguns
produtos e serviços imediatamente viáveis e entende-se que sua oferta pode operar como um
meio de aproximação entre serviços os biblioteconômicos e a pesquisa, abrindo possibilidades
de novos mapeamentos de necessidades de informação e, daí, novos serviços.
2 TRANSFORMAÇÕES NO REGIME DO CONHECIMENTO E NOVOS FLUXOS
DE INFORMAÇÃO
A concepção de que nos encontramos em um novo regime de produção de
conhecimento, ou ao menos que estamos a caminho de sua instalação, não é incontroversa
(DELFANTI; PITRELLI, 2015). A análise de Latour (2001, p. 83-102) sobre as pesquisas
atômicas de Joliot, no remoto final dos anos 1930, deixa dúvidas se o que mudou foi o modo
de produção do conhecimento ou se foi o modelo teórico que o descreve. Mas seja uma
efetiva mudança no modo de produção, ou a nova percepção de um mesmo modo, as práticas

�de produção do conhecimento, se não apontam a uma mudança real, certamente apontam a
uma valorização de aspectos antes negligenciados como relevantes na pesquisa.
Estudos que acompanham as práticas de laboratório e seu uso das tecnologias da
informação e comunicação (TICs), como os de Latour (2000, 2001) e Knorr-Cetina (1999)

de
investigação tecnocientífica ou, dito de outro modo, agora o mundo se converteu em um
Vários autores vêm buscando modelar as relações implicadas no atual processo de
produção de conhecimentos, tendo destaque o Modo 2, modelo de Gibbons et al (1997)
(VELHO, 2010). Partindo do que chamam de Modo 1, como prática da pesquisa que nos é
mais familiar, o modelo propõe haver uma mudança para o que chama de Modo 2.
Quadro 1: Modo 1 e Modo 2 de produção do conhecimento
Modo 1

Modo 2

Produção do conhecimento

Instituições com paredes (universidades e
instituições de pesquisa)

Redes de colaboração
entre instituições

Agenda de investigação

Agendas definidas por pesquisadores em
função das disciplinas
Básica (conhecer para entender) vs.
Aplicada (conhecer para utilizar)

Agendas definidas em
contextos de aplicação
Solução de problemas

Disciplinar
Transferência unidirecional e a
posteriori de conhecimentos e
tecnologias
Mérito científico

Transdisciplinar
Intercâmbio permanente
de conhecimento e
tecnologias
Mérito científico e
relevância social
Múltiplos meios

Tipos de pesquisa
Enfoque
Relação entre produtores e
usuários do conhecimento
Critérios de avaliação
Meios de disseminação de
resultados
Financiamento

Revista Científica
Recursos públicos

Diversidade de fontes
públicas e privadas
Planejamento centralizado
Criação de espaços de
Gestão da atividade
interação
científica
Fonte: Adaptado de Pellegrini Filho (2004), elaborado a partir de Gibbons et al. (1994).

No Modo 2 a dinâmica de produção transdisciplinar de conhecimento é guiada pelo
contexto do uso e aplicação e as organizações envolvidas na pesquisa são mais abertas e
flexíveis, criando um fluxo constante entre a teoria e a prática (GIBBONS et al, 1997). É
possível deduzir que os fluxos informacionais incluem não apenas pares, mas redes de

�colaboradores de instituições de ensino e pesquisa, governamentais, da sociedade civil e
privadas, o que caracteriza sua transdisciplinaridade 148, abrangente de atores externos ao
mundo acadêmico, num intercâmbio permanente de conhecimento e tecnologias.
São necessários múltiplos meios de comunicação e intercâmbio de conhecimentos, o
que implica em uma diversidade de fontes. Daí a demanda pela criação de espaços de
interação e interlocução, onde a BU deve ter papel de destaque com seu conhecimento
acumulado. Urge a criação de formas de gerenciamento e disponibilização organizada desses
fluxos informacionais.
O modelo da Tríplice Hélice, de Etzkowitz e Leydesdorff (2000), traça a dinâmica
histórica das relações entre universidades, indústrias e governo, que começaria a apresentar
distorções no contexto da globalização
sustentável etc.

desemprego, problemas ambientais, crescimento não

em vista de examinar os mecanismos das relações entre estes atores, com o

propósito de contribuir com propostas para a co-produção de conhecimento e inovações, para
o desenvolvimento local e regional (CZELUSNIAK; CORDEIRO; DERGINT, 2010;
SMITH; LEYDESDORFF, 2014). Apontando para oportunidades e riscos nestas interações,
estratégias e agendas de políticas públicas, Smith e Leydesdorff (2014, p. 332) incluem a
solução do quebra cabeças das diferenciadas semânticas utilizadas por estes diferentes atores,
em vista de facilitar a comunicação do que é diferentemente codificado.
Como organizar e facilitar a comunicação entre atores da Tríplice Hélice, cujas
práticas e modos de estruturação de registros (documentos) são diferentes e relativamente
autônomos, não apenas em sua semântica, mas nos critérios de validação e de normalização?
Conforme González de Gómez apontava em 2003, há necessidade de meios para facilitar a
comunicação entre os âmbitos da pesquisa, do corporativo e dos locais de aplicação das
inovações. Isso demanda pesquisa que permita propor meios de interlocução de diferentes
modos de estruturação: paradigmático (ciência), guiado por famílias de questões; setorial
(corporativo), guiado por famílias de interesses; territorial (locais de aplicação), guiado por
famílias de problemas (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2003, p. 73). Tem-se não só uma diferente
tipologia documental a ser considerada pela BU, mas que exige a compreensão de seus modos
de construção e validação, que não são já amplamente estudados do âmbito acadêmico.
Latour figura como um importante teórico do modo de produção científica,
especialmente por suas investigações rastreadoras de ações e relações que fornecem,

disciplinas, através das diferentes disciplinas e além de qualquer disciplina [...] o espaço entre as disciplinas e
além delas está cheio [...] cheio de todas as potencialidades [...] (NICOLESCU, 2000, p. 11).

�especialmente para as áreas que estudam a informação científica, linhas mestras para o
mapeamento dos necessários fluxos de informação entre estes multiatores. Latour convida a
um percurso onde a comunicação científica, hoje modificada em suas formas e meios, aparece
como apenas um dos fluxos circulatórios que alimentam a pesquisa em C,T&amp;I. Em "A
esperança de Pandora", destaca ao menos cinco fluxos circulatórios que mantêm viva a
pesquisa e a ciência. Estes fluxos são apresentados e discutidos a seguir.
A mobilização do mundo: são os meios pelos quais os não-humanos (instrumentos,
expedições, equipamentos, técnicas, levantamentos, questionários) são inseridos no discurso
científico (LATOUR, 2001). Aí se articulam humanos, objetos e documentos que, ao longo de
todo processo de pesquisa, utilizam e produzem dados e documentos que permitem
transformar o mundo em argumentos (informações documentais). Ao longo desta cadeia,
tradicionalmente as bibliotecas recebem e disponibilizam apenas os resultados finais, ficando
de fora os dados, informações (registros) levantados e que aparecem hoje com demanda de
acesso em alta, tanto na ciência eletrônica quanto no movimento pela ciência aberta.
Autonomização: trata da relação entre pares e aceitas no mundo acadêmico,

(LATOUR, 2001). É interessante observar que os fluxos e regras das relações entre pares,
amplamente estudadas na comunicação científica, demandariam hoje mais precisão e
ampliação, passando a incluir os dados produzidos no fluxo de mobilização do mundo,
portanto, indo além dos resultados finais da pesquisa.
Alianças: Latour fala dos aliados, dos recrutamentos, da combinação de vários
interesses necessários para o funcionamento da ciência, tanto políticos quanto de
financiamento. Do ponto de vista do pesquisador, trataA pessoa talvez seja ótima em redigir artigos técnicos convincentes e péssima em persuadir
fluxo que inclui modos e meios para obtenção de linhas de financiamento ou políticas
públicas, ou seja, diferentes projeções de direção das pesquisas (pesquisadores e suas
instituições, governo e suas instituições, setor privado) que precisam encontrar meios de
interlocução. Latour coloca a habilidade necessária ao pesquisador e, implicitamente, aponta à
necessidade de gestão dos fluxos de informação e de comunicação entre estes atores, onde
certamente a BU tem amplo campo de trabalho.
Representação pública: Tão importante quanto os outros três fluxos, exige do
cientista habilidades para que ele possa se relacionar com a sociedade civil: imprensa e

�po
ser relegado, mas também não deve prescindir dos serviços informacionais da BU. Pode-se
considerar incluir neste fluxo a escuta dos clamores e dos saberes existentes na sociedade
civil. Aqui é possível pensar para além da persuasão, introduzindo facilitadores de escutas e
argumentações. É falando deste fluxo que González de Gómez (2011, p. 240) considera que
conhecimento [...] como sua contribuição para tornar permeáveis e interativas as esferas
públicas internas dos campos disciplinares e as esferas práticas e instrumentais das complexas
Vínculos e nós: núcleo conceitual da ciência, é o coração palpitante desse sistema
circulatório, pois une todos os circuitos necessários para o seu desenvolvimento. Em seus
termos, "O conteúdo de uma ciência não é algo que esteja contido: é, ele próprio o
continente", porque inclui, vincula e move estes múltiplos. (LATOUR, 2001, p. 127). Para
Latour, resulta das negociações dos diversos atores-rede, onde cada interessado só cede por
necessidade. Neste caso, mesmo mantendo a ideia de que as construções conceituais apontam
e mantêm os vínculos entre os diversos atores, pode-se considerar alternativamente que se
trata do resultado da proposta de transdisciplinaridade, conforme aparece

ao diálogo e à discussão, independentemente da sua origem.
Uma das críticas de Latour aos estudos da ciência olhada de cima é a concepção
internalista, com uma história dos conceitos da ciência desprovida de enraizamentos sociais e
onde a ação de outros agentes só pode aparecer como uma interferência ideológica
problemática. Esta noção de autonomia de certo modo ancora os serviços restritos à
comunicação científica. Mas se a produção de conhecimento implica em múltiplos atores,
lugares, instituições, considerar apenas o fluxo entre pesquisadores (pares) seria o mesmo que
(instituições de fomento), sem apoio de políticas públicas (ministérios, agências de estado),
sem utilização de suas descobertas (empresas e organizações) e de reconhecimento e
demandas públicas (sociedades civis, ongs etc.). Em suma, entender a produção de
conhecimento como dependente da comunicação científica é uma visão realista, mas míope.
Em comum aos modelos apresentados: entender a produção de conhecimentos como
uma realização multiatores, multilugares e multi-instituições. Mas são diferentes arranjos

�modelares que implicam em diversas expectativas e tensões e negociações ainda não
totalmente decididas.
Há aí também uma transição no modo como se produz e distribui informação.
González de Gomez (2003) alerta da necessidade de estar atentos ao modo como se produz
de validação, produção e distribuição da informação em relações de poder de uma
determinada formação social (GONZÁLEZ DE GOMEZ, 2003, p. 61).
3 DEMANDAS POR SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO EM ALTA: RESULTADOS E
DADOS DE PESQUISA
Há um grande volume de dados, retratado na literatura como dilúvio de dados,
decorrente do modo de produção da ciência hoje, fazendo emergir o termo e-Science (ciência
eletrônica), por vezes chamado de ciência orientada a dados, computação fortemente
orientada a dados, ciber infraestrutura ou quarto paradigma (COSTA et al 2013). O termo eScience foi cunhado no ano 2000 por John Taylor, diretor geral do Conselho do National eScience Center do Reino Unido. Caracterizada pela colaboração global de pesquisadores, a eScience
científica do Século XXI

caracterizada pela natureza colaborativa e multidisciplinar, bem

apontando às relações colaborativas em rede, onde o multidisciplinar deve ultrapassar para o
âmbito do transdisciplinar, incluindo atores outros que não apenas pesquisadores.
Sales, Sayão e Souza (2013) definem e-Science, ou quarto paradigma149, como uma
nova forma de fazer ciência que se distingue pelo uso intensivo de redes de computadores,
repositórios digitais distribuídos e pela geração extraordinária de dados de pesquisa em
formatos digitais. Por esta natureza colaborativa multidisciplinar, está em alta a demanda de
disponibilização de resultados e dados de pesquisa relacionando diversos formatos para
conferência e reutilização, associados aos cinco fluxos apresentados por Latour.
Já no final do século XX os repositórios institucionais e temáticos responderam às
demandas de fazer frente à demora dos periódicos na publicação de resultados de e de acesso
O primeiro paradigma seria da ciência empírica, com conhecimento descritivo, passando no século 17 ao
segundo paradigma, teórico, com modelos explicativos. Após a segunda guerra mundial o terceiro paradigma
seria o computacional, permitindo as simulações de fenômenos complexos e agora estaríamos passando ao
[...] que unifica teoria, experimentos e simulação, ao mesmo tempo em que lida com uma

�aberto, frente à crise dos periódicos150. Resposta que veio dos próprios pesquisadores151,
ancorada em solução tecnológica, levando a atuais problemáticas de políticas de construção,
povoamento e mandatórios, controle de autoridade, jurídicas, de arquitetura e recuperação,
confiabilidade, dentre outras152. Repositórios abrem desafios de pesquisas e aplicações
biblioteconômicas que favorecem a pesquisa e fica claro que não basta instalar um software
para se conseguir resultados favoráveis.
Sayão e Sales (2014) ressaltam a importância dos dados de pesquisa, subjacentes às
publicações, antes apenas subprodutos dos processos de pesquisa e normalmente descartados
no final dos projetos. Hoje são considerados recursos essenciais que devem estar abertos e
interpretáveis em prol do progresso científico e que integrados por relacionamentos.
Apresenta como solução um conceito novo de publicação que considera os dados de pesquisa
como um recurso valioso e ancora-se em publicações tradicionais como artigos e teses. É um
modo de ampliar essas publicações tradicionais, enriquecendo-as com dados e outros
subprodutos das pesquisa, criando elos que liguem os conteúdos dos repositórios
institucionais e temáticos, que armazenam as publicações científicas mais tradicionais, com os
conteúdos dos repositórios de dados de pesquisa.
[...] uma publicação pode ser ampliada a partir da agregação de um ou mais recursos
a um e-print. Estes recursos podem ser dados de toda a natureza, outros eprints e
metadados e podem ser ainda recursos produzidos ou consultados durante a criação
do texto e que, geralmente, apoiam, justificam, ilustram ou esclarecem as afirmações
científicas que são apresentadas em uma publicação (SALES, SAYÃO, SOUZA,
2013, não paginado).

Assim, outros suportes informacionais podem fazer parte de um documento científico
ampliado, como um link para uma informação na web, ou para uma base de dados, um filme,
uma tabela, uma imagem etc., agregando valor, desde a criação, uso e reuso, ao documento
com os resultados de pesquisa. Não é razoável pensar que os pesquisadores serão os
responsáveis exclusivos na geração, organização e linkagem dos documentos ampliados,
assim como se viu que não bastava um software para terem-se bons repositórios.

Embora e-Science e Acesso Aberto demandem a disponibilização de dados e experimentos de pesquisa, o eScience trata da possibilidade reutilização de imensas quantidades de dados de pesquisa armazenados, mas que
pode se restringir a um clube fechado de colaboradores, enquanto o movimento do Acesso Aberto é mais amplo,
indo além de dados e experimentos e tem em vista seu acesso público, salvaguardados direitos e questões éticas.
É emblemático o repositório de acesso livre de preprints das áreas de física, matemática, ciência da
computação e ciências não-lineares, criado pelo pesquisador Paul Ginsparg, do Los Alamos National Laboratory,
em agosto de 1991 (HENNING, 2013).
Para análise de alguns destes problemas cf.: Thomaz, 2007, Sayão, 2009, Rodrigues; Rodrigues, 2014,
Segundo, 2013.

�A publicação ampliada é um exemplo de desafio ao campo biblioteconômico na
facilitação de informação e comunicação entre atores envolvidos na produção de
conhecimento. É certo que isto não poderá ser feito sem colaboração com outras áreas do
conhecimento, como as já elencadas sociologia e antropologia do conhecimento científico, e
com as áreas tecnológicas, em vista de dar conta de tais demandas informacionais.
4 SERVIÇOS/PRODUTOS PROPOSTOS
Os rápidos avanços tecnológicos exigem que o profissional bibliotecário, e alguns
profissionais de outras áreas, estejam atentos e busquem sempre melhorias para suas áreas de
atuação. Com essa ideia resolveu-se sugerir alguns serviços ou estratégias simples em sua
elaboração e execução, que podem favorecer a pesquisa e a pós-graduação.
Quadro 2 - Proposta de serviços biblioteconômicos
SERVIÇOS/PRODUTOS

DESCRIÇÃO SUCINTA

i) Serviço de alerta especializado
para publicação de artigo

Periódicos e Qualis na sua área que estão com a chamada para
publicação de artigo aberta e o tempo médio para aceitação do
artigo.

ii) Armazenamento de dados de
Pesquisas

Oferecer aos pesquisadores o depósito em CD ou DVD dos dados
de suas pesquisas na biblioteca para arquivamento, que possa ser
recuperado com palavras-chave e período de cobertura. Os arquivos
depositados poderão ser uma base para futuras publicações
ampliadas.

iii) Serviço de busca de materiais
informacionais

Oferecer ao usuário serviço de pesquisa de artigos e outros materiais
que não estejam disponíveis no Portal de Periódicos da CAPES ou
da comutação bibliográfica tradicional, através do contato direto da
biblioteca com a instituição ou autor do trabalho.

iv) Filtro de editais de fomento à
pesquisa

Criar filtro que permita ao pesquisador identificar os editais de
fomento de seu interesse, economizando seu tempo. Um modelo
para construção deste tipo de filtro está disponível em Gasparino,
2017, e também no link http://www.unirio.br/ppgb/arquivo/adrianade-moura-gasparino-produto.

v) Disponibilização de instrumentos
de coleta de dados utilizados nas
pesquisas

Indexar e disponibilizar os questionários, formulários e entrevistas
de teses e dissertações de modo a disponibilizar aos pesquisadores
tais instrumentos de coleta de dados. Assim, será possível extrair
mais conteúdo destes instrumentos como também aprimorá-los para
futuras pesquisas.

vi) Treinamentos específicos para a
pesquisa

Oferecer tutoriais e cursos sobre ferramentas bibliométricas e outros
software úteis (Prezi, Zotero, etc.) e uso de bases de dados.

vii) Serviço localização e indexação

Rastrear e criar um banco de anais de congressos, por área do

�de anais de congresso

viii) Serviço de mineração de dados

conhecimento, com acesso pela página da biblioteca, com artigos
localizáveis por assunto, autor, título etc. Anais são uma forma de
comunicação científica rápida quando comparada aos canais formais
de comunicação, além de permitirem estudos de memória da área e
seus temas, como é o caso do SNBU.
Facilitar a inovação em pesquisa, utilizando ferramentas de
mineração de dados, tais como Vantage Point, visando mapear
relacionamentos e encontrar padrões críticos, tornando mais rápido
e fácil o processo de produção de conhecimento.

Fonte: Os autores, 2018.

agilidade
na comunicação formal e está ligado ao fluxo de Autonomização tratado por Latour, da
comunicação científica.
Mobilização do mundo, à Autonomização, às Alianças e à representação Pública e,
obviamente, tais dados só podem ser disponibilizados a terceiros com a anuência do
pesquisador e dentro das normas legais. Embora não se trate de aqui de pensar em uma
complexa base de dados que poderá integrar as publicações ampliadas, a disponibilização
pode ser útil a outros pesquisadores e funcionar como um embrião de futuros serviços mais
complexos. Observando-se que em geral pode-se encontrar resistência à publicação destes
dados, é um caminho a que tende a pesquisa com o movimento de Acesso Aberto.
Mobilização do mundo e pretende diminuir os esforços por parte dos pesquisadores na busca
de materiais informacionais, sejam eles bibliográficos ou não. A biblioteca ficará responsável
por ser o interlocutor entre o pesquisador e o ator responsável pela produção do material
informacional.
por Latour. A BU pode entrar aí como facilitadora desse fluxo ao permitir que pesquisadores
encontrem com rapidez os editais de seu interesse das diversas agências de fomento.
de instrumentos de coleta de d
pesquisas de mestrandos e doutorandos, permitindo comparar diferentes modos de abordagem
e técnicas de coleta de dados.
s software
facilitadores e de acesso e uso de bases de dados, trata-se aqui de pensar na adequação destes
cursos e treinamentos para pesquisadores, cujas necessidades não são as mesmas dos

�estudantes de graduação. É permitir mais autonomia em relação a serviços como o de
normalização de referências, mas que deve aproximar pesquisadores e bibliotecários e não
afastá-los.
Autonomização e, apesar da amplamente reconhecida relevância dos trabalhos de encontros e
congressos, não sendo vendidos nas listas das editoras comerciais, os anais têm sido
negligenciados pelas BUs brasileiras em geral. Na Ciência da Informação e Biblioteconomia,
o Benancib, repositório dos trabalhos apresentados nos encontros da ANCIB, foi elaborado
por uma pesquisadora, professora Lídia Silva de Freitas da UFF, e não por iniciativa uma BU
que atenda a pesquisadores da área.
antev
ligado diretamente a agilidade na comunicação formal. O tech mining facilita a inovação
porque compreende os processos envolvidos na inovação para rastreá-los e informar as
decisões para os pesquisadores e proporcionar uma efetiva implementação em sua pesquisa.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando

as

mudanças

introduzidas

nas

práticas

científicas

pela

contemporaneidade, a BU e seus bibliotecários precisam se adequar aos novos modos de
produzir conhecimento, não somente aguardando os resultados de pesquisas em futuras
publicações, mas ela mesma ser uma fonte de inovação ao criar produtos que possam
colaborar com os pesquisadores, alunos e também a sociedade como um todo.
Os serviços simples aqui propostos têm em vista abrir o caminho da BU para a
pesquisa. A partir de alguns destes serviços, certamente aparecerão novas demandas locais.
Hoje, de um modo geral, nossas BUs oferecem poucos ou nenhum serviço específico para
pesquisadores, que por sua vez quase não demandam serviços das BUs. Quem sabe não se
aproxima um tempo de reaproximação entre bibliotecários e pesquisadores nas universidades
brasileiras?

REFERÊNCIAS
CAETANO, Ana Carolina de Souza. Discussão de uma agenda pública para bibliotecas
universitárias federais: o foco na pós-graduação e pesquisa pelo olhar mineiro. 2014. 196 f.

�Dissertação (Mestrado Profissional em Biblioteconomia) Programa de Pós-Graduação em
Biblioteconomia, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.
CORDEIRO, Daniel et al. Da ciência à e-ciência: paradigmas da descoberta do conhecimento.
Revista USP, n. 97, p. 71-80, mar./abr. 2013. (Dossiê computação em nuvem) Disponível em:
&lt;https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/61867&gt;. Acesso em 10 jan. 2018.
COSTA, Maíra Murrieta Costa et al. Considerações iniciais sobre a e-Science e a sua relação
com a biblioteconomia e a ciência da informação. In: ENCONTRO INTERNACIONAL
DADOS, TECNOLOGIA E INFORMAÇÃO, 2013, Marília. Anais eletrônicos... Marília:
UNESP (não paginado). Disponível em:
&lt;http://gpnti.marilia.unesp.br:8085/index.php/DTI/DTI/paper/viewFile/276/101&gt;. Acesso em:
12 de maio de 2014.
CZELUSNIAK, Vivian Amaro; CORDEIRO, Paulo Vinícius Marcondes; DERGINT, Dario
Eduardo Amaral. Contribuições dos quadros teóricos da tríplice hélice e dos estudos da
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              <text>Transformações nas práticas sociais, associadas às novas TICs, têm modificado o modo de produção de conhecimento da ciência. Uma ciência eletrônica, transdisciplinar, construída por redes de multiatores, em multilugares e multi-instituições é a tônica de modelos que tratam do novo regime de produção do conhecimento. Uma ciência eletrônica, com grandes volumes de dados reutilizáveis e demandas de acesso aberto. Tudo isto indica mudanças nas práticas de pesquisa, nas necessidades e usos de informação; novos fluxos entre atores que estão além dos pares. Este artigo faz uma apresentação genérica de alguns destes modelos e da demanda por novos modos de publicação que abranjam mais do que os resultados finais de pesquisa, os recursos e dados nela utilizados e produzidos. Neste sentido, o artigo aponta ao desafio que está colocado para as bibliotecas universitárias brasileiras, hoje muito afastadas dos serviços para pesquisadores. A partir dos fluxos de informação que se podem inferir dos relacionamentos dos pesquisadores com outros atores apresentados por Bruno Latour e da proposta de publicações ampliadas, propõe-se sete serviços simples e imediatamente possíveis como um caminho de reaproximação entre bibliotecas universitárias pesquisadores e que vão à caminho deste novo modelo.</text>
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