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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
O AUTOARQUIVAMENTO NO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA: UM ESTUDO DE CASO DO CURSO DE
MESTRADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
SELF-ARCHIVING IN THE INSTITUTIONAL REPOSITORY OF THE FEDERAL UNIVERSITY
OF BAHIA: A CASE STUDY OF THE MASTER'S DEGREE IN COMPUTER SCIENCE

Resumo: Este artigo trata do procedimento de autoarquivamento no Repositório Institucional da
Universidade Federal da Bahia pelos egressos do Mestrado em Ciência da Computação. Buscase conhecer as políticas de autoarquivamento e as ações junto à comunidade acadêmica para
fomentá-lo, visando contribuir com o crescimento do acervo do Repositório. O levantamento de
dados partiu da observação da subcomunidade no Repositório, aplicação de questionários com os
discentes, e entrevista semiestruturada com o coordenador do Mestrado. O curso foi criado em
2012 e por questões pedagógicas foi substituído por um Programa, iniciado em 2014, que
contempla Mestrado e Doutorado, portanto, o curso em questão permitiu uma análise do seu
início ao fim. A pesquisa tem caráter bibliográfico, de natureza aplicada e abordagem
quantitativa. Os resultados demonstram que o arquivamento das dissertações não foi realizado
pelos próprios autores na sua plenitude, portanto, o autoarquivamento não se efetivou enquanto
estratégia prevista no movimento de acesso aberto, e sim pela assessoria do curso. Concluímos
que é necessário investir em políticas de autoarquivamento de modo amplo, com uma divulgação
mais contundente, capaz de atingir os membros da comunidade acadêmica, sem que a
interferência do colegiado seja a única opção, inclusive adotando procedimentos que facilitem
alguns processos de docentes, quando estes tiverem seus artigos disponibilizados no Repositório.
Palavras-Chave: Comunicação Científica. Repositório Institucional. Universidade Federal Da
Bahia. Movimento Mundial de Acesso Aberto. Autoarquivamento.
Abstract: This article aims to verify if self - archiving in the Institutional Repository of the
Federal University of Bahia was carried out in a satisfactory manner by the graduates of the
Master 's Degree in Computer Science. It seeks to know the policies of self-archiving, and
actions with the academic community to foster it, aiming to contribute to the growth of the
Repository's collection. The data collection was based on observation of the subcommunity in
the Repository, application of questionnaires with the students, and semi-structured interview
with the Master's coordinator. The course started in 2012 and for pedagogical reasons was
replaced by a program, started in 2014, which includes Master's and Doctorate, so the course in
question allowed an analysis of its beginning to end. The research has bibliographic character, of
applied nature and quantitative approach. The results show that the archiving of the dissertations

�was not carried out by the authors themselves in its fullness, therefore, self-archiving was not
carried out as a strategy foreseen in the open access movement, but by the course counseling.
We conclude that it is necessary to invest in self-archiving policies in a broad way, with a more
forceful disclosure, able to reach the members of the academic community, without the
interference of the collegiate being the only option, including adopting procedures that facilitate
some processes of teachers, when these have their articles available in the Repository.
Keywords: Scientific Communication. Institutional Repository. Federal university of Bahia.
World Open Access Movement. Autoarchiving.

1 INTRODUÇÃO
Com o advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), que alterou o
ciclo da comunicação científica, sobretudo a divulgação e disseminação do conhecimento em
âmbito mundial, surgem os Repositórios Institucionais (RI), no contexto do movimento mundial
em prol do acesso aberto, como uma resposta às políticas praticadas pelas editoras de periódicos
científicos e os altos preços cobrados pelas assinaturas. Os RI possibilitaram o armazenamento e
preservação da produção científica das universidades e centros de pesquisas.
A comunicação científica passou por uma profunda transformação, se comparada com o
período que antecedeu a chegada da internet e da www. A pesquisa científica era restrita, na
maioria das vezes, aos seus pares em âmbito local. Com a possibilidade de utilização de diversos
outros canais de comunicação, tais como: revistas eletrônicas, blogs, anais eletrônicos a pesquisa
científica ampliou o seu alcance e pôde ser compartilhada de modo mais rápido e eficaz. Para

científica, visto que sem comunicação, inclusive entre os pares, não há pesquisa, nada mais
coerente que a utilização de novos percursos de comunicação para agilizar e facilitar essa troca
de informações e geração de novos conhecimentos.
Diversos autores, muitos deles citados por Targino (2014), defendem a teoria de que a
notícia científica esteja presente nos meios de comunicação, levando conhecimento científico ao
grande público, evitando, portanto, o analfabetismo científico, que de acordo com essa autora é a
ade de assimilar as informações e os conhecimentos
que tange o público alvo, haja vista que a primeira atinge a comunidade externa, sociedade no
geral, grande público; enquanto a segunda é destinada aos pares e detentores de conhecimento

�cumpre função primordial: democratizar o acesso ao conhecimento científico e estabelecer
Considerando o fato de estarmos vivenciando um momento em que a sociedade necessita
visualizar os resultados de todo o investimento aplicado nas ciências e tecnologias, a fim de se
certificar que os esforços empregados para manutenção das instituições de pesquisa estão sendo
positivos, e para isso, o livre acesso às informações, aos dados, ao conhecimento produzido estão
em grande evidência, pois já não há como se permitir que os resultados de pesquisas
permaneçam em acesso restrito, visto que os investimentos públicos são os maiores
financiadores destas pesquisas que geram um conhecimento, que deve ser da coletividade.
Atrelado a todos os fatores citados anteriormente, evidenciamos uma profunda crise dos
periódicos científicos, periódicos estes que são os maiores veículos de comunicação científica,
distribuídos por editoras detentoras dos direitos de publicação e circulação de pesquisas em
diversas áreas do conhecimento, portanto, possuem plenos poderes na disseminação desta
informação, contudo, cobravam valores exorbitantes pelas assinaturas, o que foi gerando um
descontentamento por parte dos autores/pesquisadores de algumas instituições que necessitavam
de suas assinaturas para disponibilizar aos seus usuários os dados mais atualizados de
determinada área, visto ser o periódico suporte mais rápido e eficaz de propagação das novidades
na área científica. Desse modo, efetivou-se entre cientistas americanos da área de física, a
disseminação de suas produções em acesso aberto, sendo os Repositórios Institucionais o local
de disponibilização.
Na atualidade, os RI vêm crescendo e ampliando a sua inserção no fluxo da comunicação
científica, no entanto ainda há questões que precisam ser repensadas para que de fato eles
cumpram com o seu importante papel. O Repositório da Universidade Federal da Bahia (UFBA),
que em setembro de 2017 completou sete anos de sua implantação, é o objeto de estudo desse
artigo que, foi delimitado pelo curso de Mestrado em Ciência da Computação, e se propõe a
verificar os fatores que interferem no autoarquivamento em sua subcomunidade, com o propósito
de utilizarmos esses dados como parâmetros para atuarmos em uma mudança de paradigmas.
Para essa verificação, observamos a subcomunidade no Repositório, aplicamos questionários
com os discentes, e realizamos uma entrevista semiestruturada com o coordenador do Mestrado,
portanto, a pesquisa se constituiu de um caráter bibliográfico, de natureza aplicada e abordagem
quantitativa.

�2 CONTEXTUALIZAÇÃO
Diante do descontentamento dos acadêmicos e das instituições envolvidas, muitas ações
foram evidenciadas para alcançarmos o acesso aberto, a exemplo do arquivo de impressão
eletrônica Los Alamos, criado por Paul Ginsparg, o arXiv.org, que se tornou um importante
meio de comunicação entre os pesquisadores da área de Física. Contudo foi com a Convenção de
Santa Fé, realizada em 21 de outubro de 1999, no Novo México, que o escopo do acesso aberto
foi se definindo. Neste encontro, foi possível reunir representantes de diversas instituições
favoráveis ao acesso aberto e dispostos a tornar essa ideia uma realidade. Para Costa e Leite
científicas, em textos compl
A partir desta intenção concretizada através da Convenção de Santa Fé, outras
manifestações de apoio ao novo paradigma na comunicação científica, o Acesso Aberto, foram
se incorporando ao movimento, dentre elas a Budapeste Open Access Iniciative (BOAI),
conforme relata Silva e Alcará (2009, p.101):
Foi criada em fevereiro de 2002, a partir da reunião promovida pelo Open Sociaety
Institute (OSI), da Soro Fundation, com o propósito de analisar como as iniciativas
isoladas poderiam trabalhar conjuntamente e como o OSI e as demais fundações
poderiam utilizar de forma mais efetiva seus recursos para contribuir com o acesso
aberto.

Essa reunião gerou uma declaração, considerada um documento marco no movimento de
acesso aberto, que recomenda duas estratégias para alavancar o movimento, são elas: o
autoarquivamento e acesso aberto aos periódicos. Essas estratégias se tornariam posteriormente
conhecidas como: via verde e via dourado respectivamente. A primeira trata da publicação em
repositórios institucionais de trabalhos científicos; e a segunda, atinge diretamente os periódicos
científicos, sugerindo alterações na disponibilização dos conteúdos por eles gerenciados, afim de
que este conteúdo seja pelo menos em partes disponibilizado em formato de acesso aberto. Costa
Open Acess foi utilizada pela primeira vez para
Ademais, diversas declarações de órgãos e países foram enriquecendo esse movimento de
livre acesso, mas de acordo com Silva e Alcará (2009, p. 104):
A iniciativa de maior visibilidade nos Estados Unidos foi a definição e o
estabelecimento formal de uma política governamental de obrigatoriedade de depósito
no repositório de acesso aberto, PubMed Central (PMC), de todo resultado de pesquisa
financiada pelo National Institute of Health (NIH) [...], o Congresso Americano
solicitou que o NIH desenvolvesse uma política e obrigatoriedade de depósito em
repositório de acesso aberto.

�Nesse cenário e com a ampliação do Movimento para o Livre Acesso, ele propagou-se no
Brasil através do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), sendo o seu
marco o lançamento do Manifesto de Acesso Aberto a Dados da Pesquisa Brasileira em 2005.
Identificamos nos estudos realizados por Costa (2006), que os debates sobre o acesso livre à
informação científica têm acontecido com grande frequência por diversos países, a exemplo do
que ocorreu no Reino Unido, onde o Parlamento cedeu à pressão e foi levado a legislar sobre o
tema do Acesso Aberto, propondo que Agências de fomento regulamentassem a matéria, que as
Universidades as implementassem e que as editoras considerassem a mudança nas suas políticas
de distribuição, ocasionando em uma mudança de paradigmas para os pesquisadores.
É nesse contexto que nasce o Repositório Institucional da Universidade Federal da Bahia
(RI/UFBA), através da Portaria de implantação, emitida pelo então Reitor Naomar Monteiro de
Almeida Filho, em 07 de janeiro 2010.
A implantação do RI-UFBA é fruto de grandes esforços por parte da equipe técnica e das
instâncias administrativas da Universidade, processo também desencadeado através dos estudos
realizados por Rosa (2011) em sua Tese de Doutorado. A autora destaca em seus relatos, que um
dos principais desafios das instituições acadêmicas, que produzem conhecimento, é
disponibilizar de modo eficiente suas pesquisas. Contudo o meio digital possibilitou a
disseminação dessa produção científica através da rede mundial de computadores, e ampliou o
acesso e a visibilidade, porém ainda dispersa, e para tanto, os repositórios digitais surgem como
alternativa de consolidação de diversos tipos de produção científica, artística e cultura, em
formatos mais variados possíveis, tais como: textos, sons e imagens, imagens em movimento
contribuindo para o armazenamento, preservação e democratização do conhecimento da
instituição. E finaliza esse pensamento com uma reflexão de que o que podemos aguardar da
Universidade, é que ela cumpra sua função de ao tempo que produz conhecimento, também
comunicar e divulgar.
Meadows (1999) demonstra que desde a década de 1960, o computador já seria uma
solução viável para o tratamento da informação produzida em meio científico, conforme relato a
seguir:
O computador já era empregado no processamento de informações na década de 1960.
Sua evolução por certo iria permitir o tratamento rápido de uma grande quantidade de
informações, transformando-o em ferramenta cada vez mais eficaz para a comunicação
científica.

Diante do exposto, temos a preocupação e o intuito de verificar, após sete anos da sua
implantação, o desenvolvimento do RI/UFBA, tendo como amostra o curso de Mestrado em
Ciência da Computação, identificando os fatores que interferem no autoarquivamento na sua

�subcomunidade, e quais as conseqüências que esses fatores exercem na visibilidade da sua
produção científica. Além disso, pretendemos propor soluções para uma maior conscientização
de outros cursos, tendo por base as observações e os dados levantados no curso em questão, cuja
inserção de dados seja inexistente ou insuficiente.
3 O AUTOARQUIVAMENTO
O tema proposto neste artigo se justifica pela atualidade com que os Repositórios
Institucionais foram inseridos no âmbito das universidades no Brasil, em especial na
Universidade Federal da Bahia (UFBA), e destacamos a sua importância já que os Repositórios
cumprem um papel de destaque no contexto da comunicação científica por disseminar e
preservar a produção das Instituições de Ensino Superior e Centros de Pesquisa.
Através de levantamento realizado em dezembro de 2017,

, é possível identificar cerca

de 109 instituições que possuem Repositórios, dos quais 90% são instituições de ensino superior
pública, e os outros 10% de instituições de pesquisa no geral. Diante desse cenário e do seu
recente nascimento ou implantação, torna-se necessário uma verificação do comportamento dos
agentes inseridos nessa nova concepção de comunicação e/ou divulgação científica, delimitado
na pesquisa, pelo curso de mestrado em Ciência da Computação da UFBA.
A escolha do referido curso da UFBA se deve ao fato desse curso ter sido implantado em
2012, ou seja, posteriormente a implantação do RI-UFBA, e por questões pedagógicas um novo
programa de pós-graduação em Ciência da Computação o substituiu em 2014, portanto,
poderemos analisar como se deu o autoarquivamento do início ao final do curso. Considerando
que o curso de Ciência da Computação está inserido em uma área estratégica, no que tange as
Ciências e Tecnologias, identificamos quão é importante analisarmos a sua inserção no cenário
do acesso aberto.
Pesquisas alertam que algumas áreas do conhecimento possuem maior consciência no
que tange a importância da disseminação da produção científica, como discorre Costa e Leite
(2006), citando estudos realizados por Antelman (2004), destaca a questão da divisão das
disciplinas, com o intuito de identificar o impacto das suas citações em ambientes digitais versos
tópico
essencial nessa e em quaisquer discussões concernentes à comunicação científica, em relação ao

129

Disponível em: &lt;
http://wiki.ibict.br/index.php/Bibliotecas_Digitais_de_Teses_e_Disserta%C3%A7%C3%B5es&gt;.

�A partir dessa análise preliminar, pretendemos identificar na UFBA, através do seu RI,
como se comporta o curso de Mestrado em Ciência da Computação, uma das portas de entrada
para o crescimento acadêmico e científico. De acordo com Vianna e Carvalho (2013):
Os RIs são ferramentas relativamente novas, em desenvolvimento e em constante
mudança e a percepção de seus resultados positivos ainda é pequeno por parte dos
usuários. Como ferramenta em desenvolvimento ela necessita de avaliações constantes
e uma integração entre os profissionais da área da Ciência da Informação e o pessoal de
TI, bem como com os seus usuários.

No que diz respeito ao RI/UFBA, o mesmo não acompanha a realidade da Instituição
quanto a sua produção científica, cultural e artística, perfazendo, atualmente um total de 22 mil
documentos disponíveis em acesso aberto,130 dos quais o Mestrado em Ciência da Computação
contribui com 76 documentos inseridos, entre Dissertações, Artigos publicados em periódicos,
em Conferência e capítulos de livros. Desse modo, é importante fomentarmos para que haja
maior amplitude de divulgação e inserção do que é produzido na Universidade, demonstrando
assim a importância da Universidade para a sociedade e retorno do investimento de recursos
públicos na produção da pesquisa científica.
O procedimento mais indicado para disponibilização dos documentos na concepção do
acesso aberto, inclusive definido pela Convenção de Santa Fé como um dos princípios básicos
desta filosofia e corroborado pela Budapeste Open Access Iniciative (BOAI), é o
autoarquivamento. De acordo com Triska e Café (2001):
O autoarquivamento refere-se ao direito de o próprio autor enviar o seu texto para
publicação sem intermédio de terceiros. Trata-se de um conceito inovador cujos
objetivos são tornar o texto disponível o mais rápido possível e favorecer o acesso
democrático e gratuito das publicações eletrônicas, enfraquecendo o monopólio das
grandes editoras científicas que até recentemente detinham em seu poder os direitos de
publicação.

Os agentes envolvidos nesse processo de autoarquivamento, para divulgação das suas
produções acadêmicas e científicas precisam compreender a importância do movimento de
acesso aberto e se conscientizarem da necessidade de inserção de suas publicações no
Repositório Institucional da UFBA, através das suas subcomunidades.
De acordo com estudos realizados por Barros (2015), quando entrevistado, o
coordenador de ensino de pós-graduação da UFBA mostrou-se favorável a realização de um
trabalho de divulgação do RI e instruções sobre o seu uso, porém não há uma concordância
quanto a existir algum documento oficial de obrigatoriedade do autoarquivamento, o que já vem
acontecendo em diversas outras universidades.

�4 METODOLOGIA
Para o cumprimento dos objetivos propostos o percurso metodológico se inicia com o
levantamento da bibliografia, referente ao contexto da problemática, confrontando os mais
diferentes autores que tratam de implantação e manutenção dos Repositórios Institucionais, das
universidades brasileiras.
De acordo com Santos (2012):
Revisar significa retomar os discursos de outros pesquisadores e estudiosos não apenas
para reconhecê-los, mas também para interagir com eles por meio de análise e
categorização a fim de evidenciar a relevância da pesquisa a ser realizada .

Para as análises utilizamos uma metodologia de natureza aplicada, realizando o
levantamento bibliográfico referente ao contexto da problemática, tendo a pesquisa bibliográfica
como procedimento, com uma abordagem quantitativa, e como instrumentos de coleta de dados,
entrevista e aplicação de questionários com discentes.
O curso de Mestrado em Ciência da Computação, alvo da nossa pesquisa, foi examinado
através da sua homepage e do sistema acadêmico da UFBA, com o intuito de levantarmos dados
e informações acerca do quantitativo de discentes que finalizaram de fato o curso, quais
informações estão dispostas sobre o movimento de acesso aberto e o RI-UFBA e o nível de
conhecimento dessa ferramenta pelo comunidade que atende, e acerca das políticas para
utilização do RI-UFBA. Aplicação de questionários com os discentes, a fim de entender seu grau
de

conhecimento

sobre

o

movimento

de

acesso

aberto,

o

RI-

UFBA e o autoarquivamento; e entrevista com o coordenador do curso de Mestrado em Ciência
da Computação com a intenção de identificar quais providências foram adotadas para que a
comunidade acadêmica estivesse engajada nessa proposta de comunicação de acesso aberto, para
a produção científica oriunda desta Instituição.
Utilizamos a pesquisa quantitativa como instrumento de investigação, uma vez que, segundo
Fonseca (2002) citado por Gerhardt (2009):
A pesquisa quantitativa se centra na objetividade. Influenciada pelo positivismo,
considera que a realidade só pode ser compreendida com base na análise de dados
brutos, recolhidos com o auxílio de instrumentos padronizados e neutros.

Quanto à natureza do trabalho, foi realizada uma pesquisa aplicada, que de acordo com
-se por seu interesse prático, isto é, que os resultados
sejam aplicados ou utilizados imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na

�Este artigo tem como objetivo uma análise exploratória do problema, com levantamento
bibliográfico, para efeito de aprofundamento no que tange o autoarquivamento, consideramos os
estudos realizados por Pereira, Barros e Andrade (2012); Assis (2013); Gatti, Fogolin e Almeida
(2014); Veiga e Macena (2015), buscando conhecer as pesquisas realizadas de modo mais
abrangente, ou ainda de forma específica em determinada instituição.

Adotamos como

instrumento de coleta de dados, a realização de entrevista semiestruturada e aplicação de
questionários, tendo como procedimento um estudo de caso, que de acordo com Gil (2007)
citado por Gerhardt (2009):
Um estudo de caso pode ser caracterizado como estudo de uma entidade bem definida
como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma
unidade social. Visa conhecer o como e o porquê de uma determinada situação que se
supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais
essencial e característico.

Temos, portanto, uma pesquisa de cunho bibliográfico, de natureza aplicada que se utilizou de
entrevista e questionário como instrumento de coleta de dados. O universo da pesquisa se
compõe dos discentes do Mestrado em Ciência da Computação da - UFBA, a fim de entender as
suas relações estabelecidas com o RI e entrevista com o coordenador do curso de Pós-Graduação
com a intenção de identificar as medidas que foram adotadas para fortalecer e incentivar a
disponibilização da produção no RI contribuindo para a aplicação do acesso aberto a produção
científica oriunda desta Instituição.
5 RELATO SOBRE O MESTRADO EM CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO
O Mestrado em Ciência da Computação da UFBA foi implantado em 2012, com a
proposta de ser o primeiro mestrado oferecido nessa área, de forma totalmente gratuita, visto que
outras universidades particulares já possuíam mestrado nessa área. No entanto, esse mestrado
sofreu descontinuidade em 2013.2, ou seja, apenas ingressaram 03 turmas (2012.1 / 2012.2 e
2013.1), visto que o projeto de criação de um Programa em Ciência da Computação, que
contempla Mestrado e Doutorado, estava em vistas de ser aprovado pela Capes, o que de fato
aconteceu em 2014.1, logo, o Mestrado recém-criado, estava fadado ao seu fim. Já em 2013.2
não houve mais seleção para este curso e a partir desse momento, apenas os alunos que já
haviam ingressado estavam dando continuidade às suas atividades, até que ocorresse a última
defesa e o curso fosse de fato inativado. Entre 2012.1 e 2013.1 ingressaram um total 112 alunos
no mestrado, mas o levantamento atual revela que desse total de ingresso apenas 54 deles

�defenderam, os demais foram desligados do curso por diversos motivos, ou seja, quase 50% dos
ingressos alcançaram o título de mestre através deste curso.
Acreditamos ser uma proposta interessante para verificação do comportamento desses
agentes, frente ao Repositório Institucional da UFBA, visto que a implantação do curso se deu
exatamente após a criação do RI em 2010, o que não justificaria, a princípio, o desconhecimento
dessa ferramenta. As defesas de dissertação e artigos elaborados pelos discentes,
consequentemente aconteceram em anos posteriores, tempo suficiente talvez para conhecer o RI
e se utilizar dessa ferramenta.
Identificamos através de ofícios emitidos a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (Propg), que
cerca de 30 alunos receberam apoio financeiro para apresentação de artigos, ou seja, podemos
inferir que alguns artigos foram publicados em eventos, porém sem suas devidas inserções no
RI-UFBA, visto que identificamos artigos atribuídos a esse curso, em sua subcomunidade,
porém relacionados com anos anteriores a criação do curso, portanto, deduzimos que foram
arquivados indevidamente nesta subcomunidade, além do que, os autores encontrados não
correspondem aos discentes do curso e sim docentes que pertenceram ao curso e a outros
programas também, o que pode ter gerado algum tipo de equívoco no ato do arquivamento.
Como forma de levantarmos as informações sobre o conhecimento acerca do RI UFBA
pelos discente, encaminhamos um questionário através do Google Form, em 12 de janeiro de
2018, contendo cinco perguntas fechadas, aos 54 discentes que de fato obtiveram o título de
mestre, dos quais 44 deles já possuem suas dissertações inseridas no RI-UFBA. Do total de 54
questionários enviados, recebemos resposta de 34 deles.
Com o intuito de compreendermos como se deu o arquivamento das dissertações, visto
ser considerável o número de inserções no RI, e a divergência das respostas dos discentes quanto
ao autoarquivamento, sendo que cerca de 85% dos respondentes informaram que não realizaram
esse procedimento, contactamos a secretaria de apoio ao curso e formos informados que os
servidores técnicos administrativos deste setor, é que realizaram essas inserções, através de um
verdadeiro mutirão, orientados pela equipe do RI-UFBA e pela coordenação do curso mais ou
menos entre os anos de 2014 e 2016. Percebam que essa atividade não necessitava ser realizada
em forma de mutirão, muito menos pelos servidores técnicos administrativos, haja vista que há
possibilidades de autoarquivamento pelos próprios discentes, caso assim fossem orientados ou
estabelecido de forma regulamentar pelo Programa. Sobre conhecer o Movimento de Acesso
Aberto, 50% dos respondentes afirmam desconhecer o movimento, sendo que quase 30%
afirmaram conhecer, e os outros 20% informaram que talvez tenha ouvido falar. Outro
-UFBA; cerca de 32%

�dos respondentes afirmaram desconhecer o RI-UFBA, quase 60% afirmaram conhecer e outros
8% afirmaram que talvez já tenha ouvido falar sobre essa ferramenta. Quando o quesito foi
acerca da orientação sobre o autoarquivamento no RI-UFBA, cerca de 59% responderam que
não foram orientados a tal procedimento, por volta de 27% responderam que foram orientados e
os outros 14% informaram que talvez tenha sido orientados . Para finalizar, perguntamos se os
discentes consideram importante disponibilizar sua dissertação ou artigo em acesso aberto,
tornando sua produção mais visível. Para 97% dos respondentes, sim eles consideram importante
essa divulgação em acesso aberto, os outros 3% já não consideram.
A entrevista realizada com o coordenador do curso revelou dados interessantes, ao passo
que o docente traz uma reflexão sobre a essência do Repositório Institucional da UFBA. O
docente afirma conhecer o movimento de acesso aberto e o RI-UFBA, e informa que foi
orientado institucionalmente para que seu curso realizasse o arquivamento no RI-UFBA, porém
não lembra se foi dito que este arquivamento na verdade seria realizado pelos discentes e
docentes. O entrevistado afirma que o curso não possui nenhuma referência ao RI-UFBA em sua
homepage, e não há política de autoarquivamento elaborada. Por não ter compreendido que o
procedimento seria via autoarquivamento, o docente considera a inserção no RI-UFBA uma
atividade duplicada, visto que o mesmo documento deve ser inserido em outras bases de dados,
tais como a Plataforma Lattes do CNPq e Sucupira da CAPES, levando a um trabalho exaustivo,
Um incentivo a esse tipo de cadastramento, por exemplo,
seria um sistema automático de progressão aonde os dados de publicações viessem
automaticamente do RI. Ai sim faria sentido manter mais essa bas

. O
Pouca divulgação,

principalmente indicando de forma clara os benefícios e possíveis problemas para os discentes
no não arquivamento . Quando questionado se o docente seria favorável a uma política de
obrigatoriedade, ou política de recompensa, para aqueles pesquisadores que publicam em acesso
De forma bem pragmática a

aberto

Instituição deveria pensar em algum tipo de procedimento que, caso as publicações já estejam
cadastradas no repositório algum processo seja facilitado, como por exemplo, o relatório de

6 CONCLUSÃO
Com as devidas análises, concluímos que o autoarquivamento no Mestrado em Ciência
da Computação não ocorreu na sua plenitude por questões de comunicação interna entre as
instâncias administrativas da UFBA e do próprio Repositório, visto que os relatos deixam clara a

�dificuldade de entendimento quanto ao reposnsável pelo arquivamento da produção dos
discentes. O Colegiado do curso não compreendeu adequadamente como deveria ser processada
essa inserção de dados, e com isso não elaborou nenhum documento de orientação ou mesmo
uma política de autoarquivamento para os discentes. Essa ausência de informação clara e efetiva
ocasionou em um desgaste por parte do pessoal técnico, estes sim foram orientados pelo curso a
arquivarem no Repositório todas as dissertações defendidas, visto a pressão que estavam
recebendo de instâncias administrativas para o povoamento da sub-comunidade no Repositório.
É perceptível essa conclusão, ao analisarmos que a maioria das respostas dadas pelos
entrevistados, afirmam conhecer o Repositório Institucional da UFBA, e considerarem
importante a disponibilização da sua produção em acesso aberto; em contrapartida, a maioria
também afirma que não autoarquivaram suas dissertações. Concluímos que o desconhecimento
por parte da coordenação, assim como dos discentes, não permitiu que o autoarquiovamento se
efetivasse enquanto estratégia do Movimento de Acesso Aberto. A falta de incentivo
institucional para que o autoarquivamento ocorra, é evidenciado como uma realidade que pode
ser transformada, e que venha a contribuir para uma mudança de paradigma. Acreditamos que
essa conclusão possa auxiliar na conscientização de outros cursos, para o entendimento mais
claro da definição de autoarquivamento, e contribuir para que a gestão do Repositório
Institucional da UFBA promova ações de fortalecimento dessa estratégia, adotando uma
comunicação mais direta e eficiente junto aos cursos de pós-graduação.

REFERÊNCIAS
ASSIS, Tainá Batista, Análise das políticas de autoarquivamento nos repositórios
institucionais brasileiros e portugueses. Incid: Revista de Ciência da Informação e
Documentação, Ribeirão Preto, v. 4, n. 2, Ed. esp., p. 212-227, jul./dez. 2013. Diposnível em:
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BARROS, Susane; ROSA, Flávia; MEIRELLES, Rodrigo França. Repositório institucional da
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              <text>Este artigo trata do procedimento de autoarquivamento no Repositório Institucional da Universidade Federal da Bahia pelos egressos do Mestrado em Ciência da Computação. Buscase conhecer as políticas de autoarquivamento e as ações junto à comunidade acadêmica para fomentá-lo, visando contribuir com o crescimento do acervo do Repositório. O levantamento de dados partiu da observação da subcomunidade no Repositório, aplicação de questionários com os discentes, e entrevista semiestruturada com o coordenador do Mestrado. O curso foi criado em 2012 e por questões pedagógicas foi substituído por um Programa, iniciado em 2014, que contempla Mestrado e Doutorado, portanto, o curso em questão permitiu uma análise do seu início ao fim. A pesquisa tem caráter bibliográfico, de natureza aplicada e abordagem quantitativa. Os resultados demonstram que o arquivamento das dissertações não foi realizado pelos próprios autores na sua plenitude, portanto, o autoarquivamento não se efetivou enquanto estratégia prevista no movimento de acesso aberto, e sim pela assessoria do curso. Concluímos que é necessário investir em políticas de autoarquivamento de modo amplo, com uma divulgação mais contundente, capaz de atingir os membros da comunidade acadêmica, sem que a interferência do colegiado seja a única opção, inclusive adotando procedimentos que facilitem alguns processos de docentes, quando estes tiverem seus artigos disponibilizados no Repositório</text>
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