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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
ESTUDO DE USUÁRIOS DA BIBLIOTECA DA UDESC BALNEÁRIO CAMBORIÚ:
UMA VISÃO SOBRE A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E ASPECTOS
RELACIONADOS À ANSIEDADE DE INFORMAÇÃO
USER STUDIES OF THE LIBRARY OF UDESC BALNEÁRIO CAMBORIÚ: A VISION ON A
UNIVERSITY LIBRARY AND ASPECTS RELATED TO INFORMATION ANXIETY

Resumo: Apresenta estudo de usuários realizado na Biblioteca da Udesc Balneário Camboriú.
Busca atender aos aspectos acadêmicos e profissionais de modo a auxiliar no planejamento da
unidade de informação citada, com foco no usuário. Objetiva identificar necessidades de
informação da comunidade do Centro de Ensino. Constitui-se em pesquisa aplicada, exploratória
e qualitativa com instrumento de coleta de dados compostos por um questionário com seis
questões abertas. Verificou-se que os usuários sentem necessidade de computadores dentro da
biblioteca e salas de estudo; o acervo e o espaço físico precisam de ampliação e a biblioteca deve
ser mais confortável. Cursos de capacitação como formatação de trabalhos acadêmicos foram
citados como possibilidades. A biblioteca universitária é vista pelos usuários como local de
pesquisa e estudo, com interação, conforto, acervo adequado e acesso a informação. A internet é
principal fonte de informação, ainda que os livros, a biblioteca e especialistas sejam consultados.
Foi identificada existência de ansiedade de informação nos usuários que nem sempre sabem lidar
com o excesso de informação e que desenvolver a competência em informação é um ponto a ser
trabalhado no planejamento da unidade de informação.
Palavras-chave: Biblioteca universitária. Estudo de usuário. Competência em informação.
Ansiedade de informação.
Abstract: It presents a user studies carried out in the Udesc Balneário Camboriú Library. It
seeks to attend academic and professional aspects in order to assist in the planning of the unit of
information cited, with a focus on the user. It aims to identify information needs of the
community of the Teaching Center. It is an applied, exploratory and qualitative research with an
instrument of data collection composed of a questionnaire with six open questions. It has been
found that users feel the need for computers within the library and study rooms; the collection
and the physical space need to be expanded and the library should be more comfortable.
Training courses such as formatting academic papers were cited as possibilities. The university
library is viewed by users as a place of research and study, with interaction, comfort, proper
collection and access to information. The internet is the main source of information, although the
books, the library, and specialists are consulted. It was identified the existence of information
anxiety in users who do not always know how to deal with the information overload and that
developing information literacy is a point to be worked on planning the information unit.

�Keywords: University Library. User studies. Information literacy. Information anxiety.
1 INTRODUÇÃO
Inaugurado em 2010, o décimo segundo centro de ensino da Universidade do Estado de
Santa Catarina (Udesc) tem sede na cidade de Balneário Camboriú. Para suprir as necessidades
da região foram criados e ofertados os cursos de Engenharia de Petróleo e Administração
Pública.
Consequentemente, surge uma nova biblioteca setorial para dar apoio às atividades de
ensino, pesquisa e extensão que serão desenvolvidas nesta nova unidade de ensino. Entretanto,
apenas em 2016, após seis anos de existência, que a unidade começou a contar com
bibliotecárias efetivas em seu corpo técnico. Deste modo, tiveram início atividades como o
planejamento, avaliação de serviços e marketing, o que justifica a importância da aplicação de
um estudo de usuários inicial para identificar a comunidade atendida por esta unidade de
informação, a fim de auxiliar no planejamento da biblioteca de modo que seus usuários sintam
que este espaço existe para atender às suas necessidades e desejos informacionais.
Identificar os aspectos relacionados à ansiedade de informação e necessidades de
informação, ainda que de forma superficial, pode contribuir no planejamento de novos serviços e
na forma como serão elaborados, mantendo o foco no usuário a fim de possibilitar atividades
com vista a atender esta demanda, como o desenvolvimento de programas de competência em
informação.
Sepúlveda e Araújo (2012) justificam a importância dos estudos de usuários sob três
aspectos, o planejamento, a função social da biblioteca e a prática profissional. Os autores
consideram que apesar de o estudo de usuários ser tema muito utilizado na Ciência da
Informação (CI), na realidade se resume a estudos acadêmicos e na prática profissional aparece
como questão secundária, uma vez que o resultado da pesquisa dos autores aponta que os
bibliotecários conhecem seu usuário, mas como fruto da observação e da experiência. Figueiredo
(1994) criticou esta situação em que os estudos de usuários não eram utilizados como
ferramentas no planejamento de bibliotecas, constituindo-se mais em estudos acadêmicos sem a
participação de profissionais bibliotecários.
Nesse sentido, esta pesquisa atende aos dois aspectos, o acadêmico e o profissional. A
proposta deste estudo é desenvolver a pesquisa acadêmica na área de estudo de usuários em

�bibliotecas universitárias e ao mesmo tempo auxiliar no planejamento de forma efetiva na
Biblioteca estudada.
De modo geral, este trabalho objetiva identificar as necessidades de informação da
comunidade da Udesc Balneário Camboriú. Os objetivos específicos são identificar os serviços
informacionais necessitados; especificar o significado de biblioteca universitária sob a visão dos
usuários e verificar a ansiedade de informação dos membros dessa comunidade e seu
comportamento diante de uma necessidade de informação.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
As bibliotecas estão presentes nas instituições de Ensino Superior para que possam
auxiliar sua comunidade a desenvolver atividades de pesquisa, ensino e extensão. Cunha (2010)
considera que seu propósito fundamental é proporcionar acesso ao conhecimento, permitindo aos
professores, estudantes e pesquisadores a aprendizagem ao longo da vida.
De acordo com Nunes e Carvalho (2016, p. 174)
As bibliotecas universitárias ocupam lugar de destaque na sociedade atual. Sua
abrangência e o papel que desempenham em prol do desenvolvimento científico,
tecnológico, cultural e social estão diretamente relacionados à função da universidade
na sociedade como agente catalizador e difusor do conhecimento científico advindo das
contribuições dos pesquisadores, docentes e discentes.

amente ligadas ao desenvolvimento
humano e social, exercendo importante tarefa para a mediação da informação (NUNES;
CARVALHO, 2016).
Percebe-se a importância das bibliotecas universitárias em uma perspectiva global com o
discurso de Nunes e Carvalho (2016), ao salientarem que estas unidades informacionais
difundem o conhecimento com a aplicação de recursos humanos e materiais na perspectiva da
criação de redes de informação, também formando competências em informação nos indivíduos
e construído seu protagonismo dentro da sociedade em que estão inseridos.
Uma das questões abordadas atualmente a respeito das bibliotecas universitárias é o
impacto da tecnologia digital em suas atividades. Segundo Cunha (2010), as bibliotecas
universitárias deixaram de ser a principal fornecedora de conhecimento registrado, o que gera
necessidade de modernização por parte destas unidades de informação, além da criação de

�espaços flexíveis, programas inovadores e adaptáveis e de uma participação mais ativa no espaço
digital.
Para que as bibliotecas universitárias atendam às necessidades da universidade
missão maior é fomentar a formação de profissionais para a sociedade

cuja

devem estar atentas aos

seus usuários e aos desejos informacionais da comunidade a que acolhem (SANTA ANNA,
2015). Deste modo, entende-se que a biblioteca universitária deve atuar como dispositivo
informacional, suprindo necessidades informacionais e apoiando a formação dos usuários
enquanto sujeitos ativos, sempre avaliando constantemente suas ações (SANTOS; GOMES;
DUARTE, 2014).
Uma das formas de avaliar os serviços oferecidos, as ações desenvolvidas, as
necessidades e os desejos da comunidade atendida, é por meio de estudo de usuários, conforme
apontamentos explicitados em breve neste artigo.
2.2 A BIBLIOTECA DA UDESC BALNEÁRIO CAMBORIÚ
A Biblioteca Universitária da Udesc Balneário Camboriú objetiva apoiar todas as
atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas na instituição, por meio de seu acervo e
dos seus serviços. Atende alunos, professores, pesquisadores e a comunidade acadêmica em
geral, prestando serviço especializado nas áreas de Engenharia de Petróleo e Administração
Pública.
Em sua equipe conta com duas bibliotecárias e três bolsistas. Seu acervo possui cerca de
2600 títulos e mais de 7000 exemplares. Disponibiliza aos seus usuários o acesso a uma coleção
de aproximadamente sete mil de livros eletrônicos, além de bases de periódicos e normas
técnicas. Os serviços disponíveis são: consulta local, empréstimo domiciliar, empréstimo entre
bibliotecas, catalogação na fonte, levantamento bibliográfico, normalização bibliográfica e visita
orientada. Atualmente aproximadamente 500 usuários inscritos, com média de 1600
frequentadores mensais. Por fazer parte da Rede de Bibliotecas da Udesc e estar vinculada à
Biblioteca Universitária, segue sua Política de Catalogação e mantém a mesma missão, visão e
valores da instituição, tendo nível de autonomia que permite planejamento de novos serviços.

�2.3

ESTUDOS

DE

USUÁRIOS

DA

INFORMAÇÃO

EM

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS
As bibliotecas universitárias são fundamentais para que as universidades atendam à sua
missão educacional na sociedade. A fim de cumprir da melhor forma possível o seu papel, as
bibliotecas universitárias precisam planejar suas ações e para tanto, conhecer a sua comunidade e
os seus usuários é atividade primordial.
Segundo Moraes (1994), usuário da informação pode ser um indivíduo, um grupo ou uma
comunidade, favorecida pelos serviços de uma unidade de informação. Os usuários da
informação possuem necessidades e de acordo com Dias (2004, p. 7):
A compreensão das necessidades de cada indivíduo em relação à informação é
complexa e se modifica constantemente. O conhecimento do usuário é a base da
orientação e da concepção dos serviços de informação, considerando suas
características, atitudes necessidades e demandas. Esses serviços devem ser planejados
de acordo com os usuários e a comunidade a ser atingida, com a natureza de suas
necessidades de informação e seus padrões de comportamento na busca e no uso da
informação, de modo a maximizar a eficiência de tais serviços.

Para que o conhecimento em torno do usuário seja ampliado a fim de realizar o
planejamento adequado à comunidade atendida pela biblioteca, o estudo de usuários é uma
atividade que assume relevância nas atividades do bibliotecário. Neste sentido, estudo de usuário
necessidades e os hábitos de uso de informação de usuários reais e/ou potenciais de um sistema
Figueiredo (1979), afirma que os estudos de usuários permitem verificar os usos da
informação dos usuários, encorajando-os a tornar conhecidas as suas necessidades, são canais de
comunicação entre a biblioteca e a sua comunidade e ajudam a biblioteca a prever a demanda
por seus serviços e produtos. Auxiliam também no planejamento e no início deste processo está
a avaliação. Por meio da análise das informações obtidas é possível elaborar o plano para a
unidade de informação, uma vez que a avaliação determina o que a unidade deve mudar
(ALMEIDA, 2005). Destaca-se ainda que é importante que a avaliação dos serviços e produtos
oferecidos em uma unidade de informação seja realizada de modo permanente (DIAS, 2004).
Almeida (2005) avalia que o planejamento traz diversas vantagens, uma vez que torna
possível a ocorrência de eventos, reduz riscos, compensa incertezas e mudanças, faz com que as
decisões sejam baseadas em informação e critérios objetivos, ajudando a dar estabilidade à
organização, criando um ambiente mais equilibrado e produtivo.

�As pesquisas sobre usuários mudaram de configuração com o tempo, e de simples
descrição passaram para uma postura mais analítica e avaliativa (CUNHA, 1982). Atualmente,
estas pesquisas não pretendem apenas analisar perfil de usuário e descrevê-lo, mas sim verificar
com maior profundidade o que os usuários precisam e como atendê-los da melhor forma
possível. Assim, além de destaque nas atividades de uma biblioteca, os estudos de usuários
também se tornaram reais instrumentos de planejamento auxiliando no aprovisionamento de
produtos e serviços de informação dentro da CI, conforme afirmação de Amaral (2013).
Os estudos de usuários aproximam os bibliotecários e a comunidade, demonstra aos
usuários que a instituição se importa com eles e que busca a melhoria dos serviços. Santos,
Gomes e Duarte (2014) afirmam que desenvolver atividades de interlocução com os usuários
fortalece os laços entre os sujeitos e estimula os usuários a contribuírem ativamente com a
biblioteca, para assim se posicionar criticamente e aumentar sua condição de autonomia.
Sobre estudos de usuários em bibliotecas universitárias brasileiras, a pesquisa de
Carvalho (2008), concluiu que: de modo geral os instrumentos de coleta de dados são caixas de
sugestões e questionários; quanto mais bibliotecários presentes nas bibliotecas universitárias,
maior o número destes estudos e ainda que apesar dos bibliotecários reconhecerem a importância
dos estudos de usuários, admitem dificuldades para aplicá-los.
Essas reflexões permitem observar que os estudos de usuários são relevantes e
necessários para a administração de uma biblioteca, seja ela qual for, a fim de atender da melhor
forma possível a sua comunidade. No entanto, ainda não estão institucionalizados dentro das
bibliotecas.
2.4 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
Uma das vertentes de atuação da biblioteca universitária está centrada no
desenvolvimento da competência em informação da sua comunidade e o estudo de usuários é
fundamental para compreender o nível das necessidades informacionais e consequentemente das
habilidades necessárias para o sanar essas demandas. Nesse contexto, entende-se por
competência em informação
[...] o conjunto de habilidades integradas que abrange a descoberta reflexiva da
informação, a compreensão de como a informação é produzida e valorizada e o uso da
informação na criação de novos conhecimentos para atuação ética nas comunidades de
aprendizagem (ALA, 2016, p. 3, tradução nossa).

Reafirmando e complementando essa proposição, Dudziak (2003, p. 28) descreve a
competência em informação como um

�[...] processo contínuo de internalização de fundamentos conceituais, atitudinais e de
habilidades necessário à compreensão e interação permanente com o universo
informacional e sua dinâmica, de modo a proporcionar um aprendizado ao longo da
vida.
O ciclo da competência em informação inicia-se

a partir da conscientização da necessidade da

informação, das atitudes para a busca da informação, da utilização das habilidades pessoais para
a construção da estratégia de busca, seguindo para a seleção das fontes disponíveis e dos dados e
informações coletados, analisados com base em reflexões e análises críticas para então organizar
e utilizar a informação mudando o estado de conhecimento em benefício da coletividade e do
aprendizado ao longo da vida (DUDZIAK, 2011).
Miranda (2007, p. 91), explica essa relação entre competência e necessidades informacionais argumentando
que
[...] as necessidades informacionais especificas requerem o desenvolvimento de
competências também específicas para o seu atendimento e, por sua vez, o
desenvolvimento de competências pode levar à formação de novas necessidades.
Por isso a importância da institucionalização do estudo de usuários, afinal as necessidades informacionais
da comunidade vão evoluindo e se modificando ao longo do tempo, assim como a competência em informação
exigida para sobrevivência no dinâmico contexto informacional.

2.5 ANSIEDADE DE INFORMAÇÃO
Atualmente a informação circula de modo rápido e diariamente muitas pessoas recebem
um número excessivo de informações. Se a pessoa sentir dificuldade em lidar com a quantidade
de informação disponível, pode sentir ansiedade,
de tensão apreensão e inquietação, dominando todos os demais aspectos de nossa
sofrimento
SAMPAIO, 2015, p. 131). Segundo Wurman (1991), é o resultado da distância entre o que se
compreende e o que se pensa que deveria ser compreendido. Os esforços para atualizar-se são
cada vez maiores e

ções e

(ALVES; BEZERRA; SAMPAIO, 2015, p. 132).
De acordo com Wurman (1991), é necessário filtrar o conteúdo disponível e aceitar que
não é necessário saber de tudo, mas
procurar a informação, você conquista a liberdade de encontráWurman (1991, p. 339) acrescenta que:

�O segredo para processar informação é limitar seu campo de informação dentro do que
é relevante para sua vida, isto é, escolher cuidadosamente que tipo de informação
merece seu tempo e sua atenção. A tomada de decisões se torna mais crítica à medida
que aumenta o volume de informação. Muitos encaram as decisões com apreensão,
porque elas implicam eliminar possibilidades.

Verifica-se que reconhecer quando uma informação é necessária, conseguir localizá-la,
avaliá-la e utilizá-la, que são conceitos relacionados à competência em informação, podem ser
itens considerados para minimização da ansiedade gerada pelo excesso de informação.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para início deste estudo de usuários, optou-se por selecionar uma unidade de informação
em que a pesquisa tornasse possível a união do caráter acadêmico e profissional. Assim, foi
selecionada a Biblioteca Setorial da Udesc Balneário Camboriú, devido à necessidade de um
estudo desta origem e ao fácil acesso, uma vez que as pesquisadoras atuem também como
bibliotecárias na instituição.
De acordo com orientações de Silva e Menezes (2005), quanto à sua natureza esta é uma
pesquisa aplicada, uma vez que o resultado do estudo de usuários pretende gerar conhecimentos
para aplicação prática no planejamento da biblioteca. Quanto aos seus objetivos, pode ser
classificada como pesq
A abordagem selecionada é qualitativa, por levar em conta a subjetividade dos sujeitos
(ALMEIDA, 2005). Além disso, este tipo de pesquisa permite atentar aos aspectos subjetivos da
experiência e do comportamento humano (BAPTISTA; CUNHA, 2007).
A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário com seis questões abertas,
de modo a permitir a análise qualitativa das respostas com a presença das pesquisadoras durante
a sua aplicação. As questões foram abertas para permitir ao respondente a utilização da sua
subjetividade, sem alternativas que indicassem o caminho das respostas esperadas.
O roteiro do questionário obedeceu a categorias criadas de acordo com aspectos os quais
a biblioteca necessitava analisar, são elas: uso da biblioteca; conceito de biblioteca universitária;
avaliação dos serviços da biblioteca e proposições de novos; treinamento/capacitação;
competência em informação e ansiedade de informação.
Nesta pesquisa, a população compreendida foram os professores, servidores e alunos da
Udesc Balneário Camboríu, totalizando 620 pessoas, dos quais 57 responderam o questionário.
Por objetivar uma análise qualitativa e ser uma pesquisa exploratória, não foram aplicadas

�técnicas estatísticas de amostragem e sim a amostragem por acessibilidade ou por conveniência,
ou seja, o pesquisador seleciona a amostra que tem acesso (GIL, 1999).
Foi aplicado pré-teste e após esta etapa as devidas correções foram feitas no questionário,
de acordo com as respostas e indicações dos próprios respondentes, procedendo com a inclusão,
modificação e exclusão de perguntas. Os questionários foram entregues impressos para todos os
respondentes entre os dias 22 e 29 de junho de 2017 e aplicados pessoalmente durante o período
de aulas, com anuência dos professores, e a alguns usuários que vieram até a biblioteca durante o
período da pesquisa.
Este estudo de usuários se concentra no paradigma alternativo, conceituado por Dervin e
Nilan (1986) enquanto paradigma que posiciona a informação como algo construído pelos
indivíduos, se concentra em entender o uso da informação em situações particulares,
examinando o sistema como visto pelos usuários.
4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O questionário foi elaborado contendo seis questões abertas de acordo com as categorias
que se desejava investigar a fim de atender aos objetivos da pesquisa e a elaboração do
planejamento da unidade de informação, conforme quadro 1.
Quadro 1 Questões apresentadas no questionário
Nº da
Questão
questão
Você costuma usar a Biblioteca do Cesfi? Se sim, explique o
que achou importante na biblioteca? Se não, explique o que
1
você considera que falta para lhe fazer utilizar a biblioteca e
seus serviços?
O que é uma Biblioteca Universitária para você? Como gostaria
2
que ela fosse?
Nos serviços existentes o que você acha que poderia melhorar?
3
Que serviços novos poderiam ser oferecidos?
O que você gostaria que a Biblioteca do Cesfi oferecesse em
4
termos de capacitação e treinamento?
Você identifica quando possui uma necessidade de informação?
5
Se sim, como você faz para buscar e selecionar a informação de
que necessita?
Você se sente ansioso (a) com a quantidade de informação
6
disponível na sociedade atual? Se sim, como você lida com esta
questão?

Categoria
Uso
Conceito
Serviços e
proposições
Treinamentos/
Capacitações
Competência
em informação
Ansiedade de
informação

Fonte: Elaborado pelas autoras (2017).

Uma vez que o questionário foi aplicado presencialmente no formato impresso, as
questões foram apresentadas aos respondentes, bem como Termo de Consentimento Livre e

�Esclarecido. Todos foram conscientizados dos objetivos da pesquisa e da segurança no
anonimato e tiveram a opção de não participar da pesquisa. O tempo médio de resposta ao
questionário foi de 12 minutos e os alunos não apresentaram dificuldades em respondê-lo.
Em relação ao uso da biblioteca, identificou-se que os usuários consideraram importante
a qualidade do acervo e o fato de o local ser propício aos estudos, por ser silencioso e possibilitar
a concentração, além de disponibilizar os livros necessários. Alguns outros itens também foram
citados, tais quais: bom atendimento; boa organização e limpeza; atendimento às necessidades;
disponibilidade de tomadas; facilidades na renovação do acervo; disponibilização de serviços
online; empréstimo entre bibliotecas, interação e conforto. Aqueles que responderam não utilizar
a biblioteca justificaram principalmente pela falta de tempo e destacaram o que falta para lhes
fazer utilizar a biblioteca e os seus serviços: disponibilização de computadores; proximidade
entre a biblioteca e algumas salas de aula que estão localizadas em outro prédio; acervo maior na
área de administração pública; salas de estudo individuais; espaço de convivência com salas em
grupo; melhorar acesso à internet; tornar a estrutura mais convidativa; ampliar espaço físico e o
acervo de literatura.
Para especificar o que os usuários esperam de uma biblioteca universitária, buscou-se
explorar o que é esta unidade de informação para os respondentes e o como eles gostariam que
este espaço fosse. De modo geral, unificando os discursos em busca de um conceito de biblioteca
universitária escrito com base no que os usuários responderam, temos que esta unidade de
informação é um local para estudar, pesquisar e ler com conforto, espaço amplo, silêncio,
harmonia e respeito. Deve ainda, ser um local aconchegante, com espaço de convivência,
incentivo à leitura, grande acervo de livros técnicos atualizados, livros de literatura, revistas
científicas, além de computadores disponíveis e puffs. Os respondentes indicaram que uma
biblioteca universitária deve ser fonte de conhecimento e informações.
Quanto aos serviços que poderiam melhorar ou vir a ser oferecidos, os usuários
destacaram principalmente a necessidade de inclusão de computadores a disposição para os
estudos. Ampliação do acervo, incluindo livros de literatura, e do espaço físico também foram
citados por muitos usuários como uma necessidade. Outras sugestões de melhoria em serviços já
existentes foram: tornar o empréstimo entre bibliotecas mais rápido; aumentar empréstimo dos
livros de consulta local de uma hora, para duas horas; melhorar atendimento; melhorar a
tecnologia disponível; divulgar mais o espaço para a comunidade; tornar o espaço mais
aconchegante e atrativo e permitir maior acessibilidade. Também foram sugeridos novos
serviços, tais quais: salas de estudo individual e em grupo; impressão com preço simbólico aos
alunos; cursos de capacitação; cursos de capacitação para área digital; cursos voltados à escrita;

�atividades culturais; disponibilização de puffs; espaço para debates; espaço café e
disponibilização de jogos de tabuleiro.
Em termos de capacitação e treinamento muitos usuários indicaram não saber ou
deixaram a questão em branco. As sugestões foram as seguintes: formatação de trabalhos e
normalização ABNT; cursos voltados para área digital, tais quais Word, Excel e Prezi; acesso a
bases de dados e periódicos científicos; uso da biblioteca; pesquisa científica; treinamento de
escrita, roteiro, linguística e autoria de livros; exposições e atividades de entretenimento; cursos
de contação de histórias para as pedagogas do município e cursos específicos em áreas de
aperfeiçoamento pessoal, bem como oratória, comunicação interpessoal e liderança.
A questão relacionada à competência em informação, abordou a identificação da
necessidade de informação, busca e seleção das informações. Apenas dois respondentes
quando possuem uma necessidade de informação e as formas de busca citadas foram, sobretudo
a utilização da internet, sendo que alguns acrescentaram além do uso da internet, o uso de livros,
uso da biblioteca e solicitação de ajuda à especialistas, professores ou pessoas do círculo social.
Houve também respostas que não citaram a internet como fonte de busca, esses respondentes
afirmaram pedir ajuda a alguém, como a um bibliotecário, ou a algum departamento acadêmico e
citaram a utilização de livros e da biblioteca. A seleção da informação não foi explicada de
forma detalhada, apenas foi citada a filtragem das informações disponíveis.
Por fim, os respondentes foram questionados quanto ao aspecto relacionado à ansiedade
de informação. Parte indicou se sentir ansioso e a outra parte afirma não sentir esta ansiedade
com a quantidade de informação disponível na sociedade atual. Os que afirmaram sentirem-se
ansiosos com a informação indicaram se posicionar com esquiva física, se afastando dos
celulares, por exemplo, quando precisam de concentração. Verificou-se também que as pessoas
desenvolveram formas de solucionarem deliberadamente o problema, foram citados: concentrarse em uma coisa por vez; criar estratégias para não se distrair; praticar atividades de relaxamento
como meditação e yoga; filtrar informações; pensar de forma crítica; organizar os horários;
consumo de chás calmantes ou remédios. E houve respostas que não indicaram como lidam com

essa quantidade é positiva, com cert

máximo e buscam se manter sempre informados. Entre os que afirmaram não se sentirem

�vonta

-las com mais

pessoas que já se sentiram ansiosas com a informação, mas que resolveram o problema, por
exemplo com atividades como yoga e meditação.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
-se que o estudo de
usuários apenas tem a contribuir com o trabalho dos bibliotecários. Os resultados alcançados por
meio deste estudo de usuários serão utilizados no planejamento da Biblioteca da Udesc
Balneário Camboriú para ações a curto e longo prazo. Além de permitir o planejamento, a
pesquisa também buscou estreitar laços com os usuários para que eles se sintam parte do espaço
e percebam que a biblioteca universitária está buscando ser o que eles precisam e desejam que
ela seja. Entende-se que conhecer o usuário é indispensável para planejar novos serviços e
também para aprimorar os existentes (ALMEIDA, 2005).
Em termos de serviços informacionais, o principal item a ser trabalhado é a
disponibilização de computadores. Quanto a ampliação do espaço físico, está prevista para 2019
a inauguração de novo prédio que contará com um amplo espaço para a biblioteca, o que
possibilitará a disponibilização de salas de estudo adequadas e espaço mais acolhedor, conforme
solicitação dos usuários. Os cursos de capacitação e treinamento citados serão organizados pela
biblioteca com base nos apontamentos dos usuários expostos nesta pesquisa. A ampliação do
acervo é sem dúvida outro ponto importante que deverá ser analisado em busca de soluções para
a questão.
Os participantes do estudo de usuários indicaram que esperam que a biblioteca
universitária seja um espaço com interação e conforto e com acervo adequado às necessidades
dos cursos oferecidos, além de livros de literatura. A biblioteca universitária é vista pelos
usuários como local de pesquisa e estudo, local para acessar a informação e como tal deve ser
tratada ao ter planejamento desenvolvido.
Quando os usuários identificam uma necessidade de informação as principais formas
citadas para resolver a questão são o uso da internet, seguido pelos livros, a biblioteca e
especialistas. Percebe-se a influência da biblioteca como fonte de informação acadêmica para os

�usuários da Udesc Balneário Camboriú, o que justifica ainda mais a necessidade de que esta
unidade de informação adeque e amplie seus serviços. Nem todos os respondentes sentem-se
ansiosos ao lidar com a quantidade de informação disponível. No entanto, percebe-se que este
tipo de ansiedade é recorrente e nem sempre os indivíduos sabem lidar com a situação. A
situação pode ser um sinal de alerta para que a biblioteca inclua em seu planejamento ações que
possam minimizar os transtornos de ansiedade pelo excesso de informação.
No planejamento, sugere-se a inclusão de questões relacionadas ao desenvolvimento da
competência em informação, em busca de aprimorar a experiência do usuário ao lidar com a
informação, não somente aquela disponível na biblioteca, e em busca de auxiliar nas questões de
ansiedade de informação.
É importante para o processo de planejamento de serviços de informação com foco no
usuário avaliar o ambiente interno e externo da unidade de informação e as necessidades,
comportamento de busca e aquisição da informação (PALETTA et al., 2016).
Propõe-se que estudos de usuários complementares sejam feitos para que o planejamento
específico de cada ação possa ser desenvolvido a fim de monitorar os serviços, que de acordo
com Lancaster (1996) é de interesse dos bibliotecários para identificar se os serviços estão
adequados às necessidades dos usuários.

REFERÊNCIAS
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. Brasília,
DF: Lemos Informação e Comunicação, 2005.
ALVES, E. N. P.; BEZERRA, S. F.; SAMPAIO, D. A. Ansiedade de informação e normose: as
síndromes da sociedade da informação. Biblionline, João Pessoa, v. 11, n. 1, p.130-139, 2015.
Disponível em: &lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/view/17168&gt;. Acesso
em: 11 dez. 2017.
AMARAL, S. A. Estudos de usuários e marketing da informação. Brazilian Journal of
Information Science, Marília, v. 7, p.3-25, 1º sem. 2013. Disponível em:
&lt;https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=4330421&gt;. Acesso em: 11 dez. 2017.
ALA. American Library Association. Association of College &amp; Research Libraries. Framework
for information literacy for higher education. Chicago, 2016. Disponível em:
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              <text>Apresenta estudo de usuários realizado na Biblioteca da Udesc Balneário Camboriú. Busca atender aos aspectos acadêmicos e profissionais de modo a auxiliar no planejamento da unidade de informação citada, com foco no usuário. Objetiva identificar necessidades de informação da comunidade do Centro de Ensino. Constitui-se em pesquisa aplicada, exploratória e qualitativa com instrumento de coleta de dados compostos por um questionário com seis questões abertas. Verificou-se que os usuários sentem necessidade de computadores dentro da biblioteca e salas de estudo; o acervo e o espaço físico precisam de ampliação e a biblioteca deve ser mais confortável. Cursos de capacitação como formatação de trabalhos acadêmicos foram citados como possibilidades. A biblioteca universitária é vista pelos usuários como local de pesquisa e estudo, com interação, conforto, acervo adequado e acesso a informação. A internet é principal fonte de informação, ainda que os livros, a biblioteca e especialistas sejam consultados. Foi identificada existência de ansiedade de informação nos usuários que nem sempre sabem lidar com o excesso de informação e que desenvolver a competência em informação é um ponto a ser trabalhado no planejamento da unidade de informação.</text>
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