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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
PROJETO BIBLIOTECA VIVA: REVENDO OS CONCEITOS E
RENOVANDO OS ESPAÇOS
THE LIVING LIBRARY PROJECT: REVIEWING CONCEPTS AND RENOVATING SPACES

Resumo: Pautada nas tendências apresentadas para as bibliotecas acadêmicas, a Biblioteca Prof.
Achille Bassi do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São
Paulo (ICMC/USP) buscou, mais intensivamente na última década, repensar as suas práticas.
Com foco inicial em seus acervos, atualizou e adequou acervos e serviços para atender aos
anseios tecnológicos da comunidade, por meio da aquisição de equipamentos e acervos digitais,
da criação de repositórios e da adequação da infraestrutura lógica e elétrica. A partir de uma
percepção de maior uso remoto de acervos e serviços da biblioteca e, consequentemente, uma
diminuição na frequência de usuários, a Biblioteca do ICMC passou a envidar esforços para se
aproximar do usuário e identificar suas expectativas e necessidades de usos do espaço da
Biblioteca. A partir de 2014, incentivada pela nova gestão da unidade, as mudanças já iniciadas
ioteca
presente trabalho tem como objetivo compartilhar a experiência com o Projeto Biblioteca Viva,
a sua base de entendimento e direcionamento, e, ainda, apresentar as ações encaminhadas
relacionadas à infraestrutura.
Palavras-chave: Biblioteca Acadêmica. Infraestrutura de biblioteca. Inovação em bibliotecas.
Abstract: Based on trends presented for academic libraries, the Prof. Achille Bassi´s Library of
the Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC /
USP) has sought, more intensively in the last decade, to rethink its practices. With an initial
focus on its collections, it updated and adapted collections and services to meet the
technological needs of the community, through the acquisition of digital equipment and
collections, the creation of repositories and the adequacy of the logical and electrical
infrastructure. Based on a perception of greater remote use of library collections and services
and, consequently, a decrease in the frequency of users, the ICMC Library began to make
efforts to approach the user and identify their expectations and needs for space uses of the
Library. Beginning in 2014, encouraged by the new management of the unit, the changes
already begun regarding digital collections were added to a larger project, called "Living
Library", which is currently focused on the modernization of the library infrastructure. The
903

�present work aims to share the experience with the Living Library Project, its base of
understanding and direction, and also to present the actions related to the infrastructure.
Keywords: Academic library. Library infrastructure. Library innovation.

1 INTRODUÇÃO
O futuro das bibliotecas é um assunto recorrente nos últimos anos, inicialmente pelo
avanço das tecnologias, o que exigiu das bibliotecas uma mudança de paradigma na forma de
armazenamento e recuperação da informação e posteriormente pela autonomia possibilitada aos
usuários pela virtualização dos acervos em geral.
A busca para atender as demandas para as novas tecnologias foi evidenciada pela
literatura e vivenciada pelas bibliotecas; iniciativas em bibliotecas digitais e virtuais foram
determinantes para a evolução das bibliotecas. Como enfatizado por Pires (2010) quando
divulgou algumas iniciativas em bibliotecas, na forma de sistematizar o conteúdo, provocadas
pela convergência de mídias e novos dispositivos de acesso ao conhecimento.
Os investimentos para digitalização de acervos, criação de repositórios, adequação de
espaço para demandas tecnológicas que vão desde disponibilização de microcomputadores até
aquisição de e-readers, notebooks, scanners, entre outros, foram a temática de muitas projeções
para o futuro das bibliotecas.
De acordo com as tendências mais mencionadas e discutidas na literatura atual, em
conferência e também por especialistas, relatadas a cada dois anos pela Association of College
and Research Libraries

ACRL (ACRL, 2010; ACRL, 2012; ACRL, 2014; ACRL, 2016), a

tecnologia, em suas diversas concepções, tem sido a principal abordagem na área de bibliotecas
acadêmicas.
Pautada nessas tendências a Biblioteca Prof. Achille Bassi do Instituto de Ciências
Matemáticas e de Computação da USP (ICMC/USP) buscou, mais intensivamente na última
década, repensar as suas práticas. Com foco inicial em seus acervos, atualizou e adequou
acervos e serviços para atender aos anseios tecnológicos da comunidade, por meio da aquisição
de equipamentos e acervos digitais, da criação de repositórios e da adequação da infraestrutura
lógica e elétrica.
Esse investimento possibilitou a maior utilização dos acervos digitais e a Biblioteca
passou a atender o usuário de uma nova maneira, disponibilizando e oferecendo conteúdos
online e fortalecendo o atendimento remoto. Em decorrência, o fluxo local de usuários
904

�diminuiu, apresentando queda de 35% aproximadamente, registro esse das estatísticas do
Sistema Integrado de Bibliotecas da USP

SIBiUSP

entre os anos de 2008 à 2012

(UNIVERSIDADE, 2009; UNIVERSIDADE, 2013).
Observando as tendências para as bibliotecas, a mudança do comportamento da
comunidade e considerando essas estatísticas, a Biblioteca do ICMC passou a envidar esforços
para se aproximar do usuário e identificar suas expectativas e necessidades de usos do espaço. A
partir de 2014, incentivada pela nova gestão da unidade, as mudanças já iniciadas quanto aos
atualmente está focado na modernização da infraestrutura, porém, tem por objetivo apresentar e
implementar propostas de renovação do espaço físico, de criação de novos serviços e produtos,
de estabelecer parcerias com a comunidade, no intuito de promover o uso dos espaços da
Biblioteca com todo o seu potencial e alinhado ao novo conceito de biblioteca.
O presente trabalho tem como objetivo compartilhar a experiência com o Projeto
Biblioteca Viva, a sua base de entendimento e direcionamento, e, ainda, apresentar as ações
encaminhadas relacionadas à infraestrutura.
2 REVISÃO DE LITERATURA
A literatura e os encontros técnicos e científicos da área de Biblioteconomia e Ciência
da Informação vêm discutindo o futuro das bibliotecas e o papel dos bibliotecários frente às
mudanças nas bibliotecas e no mundo, sob vários aspectos. Parece-nos, mais do que nunca,
que nossas bibliotecas têm vida própria e seguem o caminho das mudanças, entretanto, tal
como filhos, elas precisam de objetivos claros, planos, informação e orientação para atingirem
todo o seu potencial com essas mudanças, para então participar e colaborar ativamente com
esse novo mundo.
Já em 2009, Sousa descrevia
própria

mantenedora e gerenciadora de recursos

bibliográficos, tecnológicos e humanos, que não pode perder de vista seu principal foco: o
A preocupação com espaços das bibliotecas e o trabalho colaborativo já se fazia presente
em 2010 na literatura biblioteconômica, apesar de se apresentar timidamente se comparada aos
temas tecnológicos. Pelos relatórios da ACRL foram identificadas tendências, tais como: o
aumento da colaboração como uma expansão no papel da biblioteca e a necessidade de
mudança do espaço físico em 2010 (ACRL, 2010); no relatório seguinte (ACRL, 2012) a única

905

�menção voltada para um enfoque não tecnológico foi a preocupação com o desenvolvimento e
adequação dos profissionais que atuam nas bibliotecas; em 2014 (ACRL, 2014) o diferencial
estava no sucesso dos alunos, mensurado pelos processos de avaliação das universidades e,
consequentemente, no envolvimento das bibliotecas para a avaliação dos programas. Aparece
neste período o conceito do aprendizado baseado em competência, mas o espaço físico não foi
mencionado e no último relatório apresentado pela instituição (ACRL, 2016) também não há
menção sobre uso dos espaços nas bibliotecas ou propostas similares.
Três outros importantes relatórios foram divulgados a respeito das tendências das
bibliotecas do futuro, são eles: "Checking out the future - perspectives from the library
community on information technology and 21st-century libraries", publicado em 2010 pela
American Library Association (ALA), que trata da interação entre bibliotecários e usuários, da
implementação de avanços tecnológicos, da projeção de espaços flexíveis para atividades
diversas, de programas inovadores e os serviços adaptáveis que fornecerá informações de
forma apropriada para usuários individuais (HENDRIX, 2010); o relatório intitulado
"Envisioning the library of the future - phase 1: a review of innovations in library services",
que abrange a inovação nos sistemas de bibliotecas, citando iniciativas de várias bibliotecas
como a Delft Concept Library - DOK (ARTS, 2013) e mais recentemente o apresentado pela
New Media Consortium, que discute as principais tendências, os desafios mais significativos e
as tecnologias emergentes, bem como seus impactos nas bibliotecas acadêmicas e de pesquisa
de todo o mundo (JOHNSON, 2014).
Expert more: melhores bibliotecas para um mundo
complexo (2016, p. 116), registra:
A nova visão da biblioteca não é um local ou uma coleção de livros, mas uma
plataforma para que a comunidade crie e compartilhe conhecimento. Isso é mais do
que uma mudança teórica. Traz reais implicações de como as bibliotecas se
organizam e como usam a tecnologia.

Destaca ainda que
de paradigma (LANKES, 2016, p.58).
A professora Marisa Midori em sua coluna no Jornal da USP (MIDORI, 2017) reforça a
teoria das bibliotecas como ambientes de sociabilidade, um local onde as pessoas se reúnem
para trocar ideias e defende ainda a importância sobre a existência das bibliotecas físicas na
atualidade, destacando a criação de 15 bibliotecas na Europa em 2016 que oferecem salas
coletivas de estudos, espaços para crianças e idosos, cursos abertos, palestras, cinemas, teatro,
concertos e cafés.
906

�A ideia de espaços e ações diferenciadas em bibliotecas sempre foi evidenciada na
literatura para bibliotecas públicas; para as bibliotecas acadêmicas essas abordagens surgiram
principalmente a partir da criação de bibliotecas comunitárias em universidades, como a
proposta da UFSCar - Universidade Federal de São Carlos - que inaugurou sua biblioteca
comunitária em 1995 (SILVA, 1999).
Iniciativas mais recentes foram constatadas na biblioteca da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul

PUCRS que disponibilizou espaços de acolhimento e

integração para os usuários com espaços multiuso equipados com smart tv (YouTube e Netflix),
sofás, quadro branco e máquina de café (PONTIFÍCIA, 2017) e também na biblioteca da
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo - FEUSP, em São Paulo, que além de
confortáveis áreas de convivência com pufes e sofás, conta ainda com um estúdio e sala para
acessibilidade onde, de acordo com Flexa (2018), são promovidos encontros com autores,
exposições das mais variadas artes, sejam a literatura, a escultura, a pintura, etc., integrando
assim, o mundo das imagens, palavras, hipertextos, livros, revistas e hipermídias no mesmo
ambiente.
Também na USP, a biblioteca da Faculdade de Economia, Administração e
Contabilidade - FEA, finalizou uma reformulação dos seus espaços, aumentando
consideravelmente sua área e salas para atividades em grupos, reuniões, aulas, encontros e
eventos, possuindo atualmente 5.000m2 com dois auditórios, quatro salas de videoconferência,
sala de ensino à distância, sala de ensino baseado na metodologia Design Thinking, entre outros
espaços diferenciados para a comunidade (FEAUSP, 2018).
No cenário internacional, algumas bibliotecas acadêmicas já repensaram seus espaços e
realizaram suas mudanças, como é o caso da Biblioteca Central da Benemérita Universidad
Autónoma de Puebla, no México, que atualmente possui 1500 lugares, um andar com
funcionamento 24 horas, salas de videogames, salas para filmes 3D, entre outros espaços para
encontros e eventos, além do fortalecimento contínuo da sua coleção digital composta de 100
mil e-books e 60 mil e-journals (BENEMÉRITA, 2018).
A Biblioteca de Ciências e Engenharia Sorrells da Carnegie Mellon University foi
renovada para apoiar as novas formas de aprendizagem dos alunos e inaugurada em março de
2017. Seus espaços individuais cresceram 25%, foram renovados com novos leiautes,
incluindo arquibancadas de madeira revestidas de colchões e instalações elétricas. Novas salas
para trabalho colaborativo foram criadas e equipadas com itens de informática. Toda essa
renovação foi possível compactando alguns de seus acervos impressos. "Esta remodelação
907

�começa a oferecer espaços que atendam às necessidades dos estudantes do século XXI RIFFE, 2018).
E não é possível deixar de citar a Hunt Library, da Universidade Estadual da Carolina
dos seus pilares
conceituais é justamente a preocupação com seus espaços, que são amplos, modernos,
coloridos e que dão apoio a uma série de atividades, possuindo amplos halls para eventos e
exposições, lounges descontraídos, salas de conferência em vários tamanhos, salas de
trabalho, sala de jogos, laboratório de visualização computacional, estúdios equipados para
criação, produção e editoração de vídeos, espaços para apoio à cultura maker, teatro, cafés,
entre tantos outros (NC STATE, 2018). A experiência de vivenciar essa biblioteca vai muito
além do estudo, ensino e pesquisa tradicionais.
Outras reconhecidas universidades internacionais e suas bibliotecas estão refletindo e
planejando suas mudanças nesse momento, assim como nós. A Biblioteca Bodleian, da
Universidade de Oxford, em seu documento institucional sobre as estratégias da gestão 20162017 aponta a questão dos espaços como uma das prioridades para ampliar o seu apoio ao
ensino e à pesquisa, citando o aumento dos conteúdos digitais, a necessidade de tornar seus
espaços mais acessíveis e a compreensão dos desejos dos usuários relacionados aos espaços de
estudo e leitura dentro da universidade e a inserção dessas percepções no planejamento e
administração da biblioteca, entre outros apontamentos interessantes (OXFORD, 2018).
A Biblioteca da Universidade de Manchester também possui um documento de
estratégias da gestão 2013-2017 que menciona claramente a preocupação com seus espaços, no
lando a imaginação, a
(UNIVERSITY, 2018).
3 METODOLOGIA DO PROJETO
É possível dizer que a pesquisa realizada para embasar o projeto Biblioteca Viva é do
tipo exploratória, cuja finalidade é a maior compreensão de uma questão ou familiarização
com um problema de pesquisa, onde o levantamento bibliográfico e o contato com
experiências reais são os principais procedimentos técnicos utilizados. Geralmente, esse tipo
de pesquisa assume a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso (GIL, 2008).
O marco inicial dos estudos e pesquisas para compor o atual projeto foi há
aproximadamente dez anos. Nessa ocasião, os estudos e pesquisas não foram realizados

908

�sistematicamente e prevendo a elaboração de um projeto, buscavam pontualmente novas
ideias, práticas e orientações acerca do futuro das bibliotecas acadêmicas que pudessem ser
implantadas na Biblioteca do ICMC.
A partir de 2010, estimulados pela então gestão para um exercício de planejamento e
de visualização do futuro da instituição, os estudos e pesquisas se tornaram frequentes e com
o objetivo de compor uma proposta concreta para a gestão dos diferentes acervos da
biblioteca.
As informações teóricas obtidas e as práticas identificadas foram periodicamente
debatidas pela equipe da biblioteca, analisadas sob o contexto da comunidade do ICMC e
amadurecidas ao longo de alguns anos, entretanto, sem registro metódico desses eventos.
O estudo e a pesquisa sistemática para a composição do projeto Biblioteca Viva
ocorreram a partir de 2016, quando a gestão 2014-2018 se posicionou fortemente em favor de
uma mudança concreta na Biblioteca do ICMC. Para nortear o estudo e a pesquisa, e obter um
projeto real e exequível, foi definido encontrar ideias consideradas como de futuro para as
bibliotecas acadêmicas, já implantadas e alinhadas às orientações e previsões teóricas
identificadas na literatura. Foram considerados aspectos como: discussão e orientação sobre o
futuro das bibliotecas acadêmicas, proposição de novos usos dos espaços e como proporcionálos, levantamentos das novas necessidades dos usuários, proposição de encaminhamentos para
implantar as mudanças, divulgação de resultados dos novos usos das bibliotecas acadêmicas
depois de realizadas as mudanças, como mensurar resultados, entre outros. As experiências
nacionais e internacionais citadas na seção anterior ilustram parte da pesquisa realizada.
O conjunto de informações obtido, resultante do estudo e das pesquisas, foi lido,
relido, analisado pela equipe da biblioteca, comissão de biblioteca e, também, confrontado
com os anseios da gestão atual. O projeto obtido é o entrelaçamento de três elementos: o que
há registrado na literatura, desde o novo conceito de bibliotecas até as novas possibilidades de
atendimento, serviços e produtos; os casos reais de mudanças implantadas; e com o que
acreditamos ser uma biblioteca acadêmica do futuro (já presente).
4 RESULTADO: O PROJETO BIBLIOTECA VIVA
Há aproximadamente uma década a Biblioteca do ICMC iniciou uma reflexão sobre a
sua atuação no contexto do ensino superior e da pesquisa diante das mudanças no perfil da
nova geração de alunos e jovens pesquisadores já ambientados ao mundo tecnológico e às
novas formas de busca, acesso e uso do conhecimento e também dos espaços das bibliotecas,

909

�e, particularmente, o perfil do seu próprio instituto cujas áreas de atuação são exatamente
aquelas que formam os profissionais que criam e desenvolvem esse mundo tecnológico.
Um dos resultados dessa reflexão, apoiado pela gestão 2010-2014 do Instituto, foi um
documento chamado Biblioteca 2021126, que elencou os usos futuros dos vários tipos de
acervos existentes e as necessidades para prover esses usos, manter e preservar esses acervos.
Esse documento foi apresentado no Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias de
2012, ocorrido em Gramado - RS.
Outro resultado dessa reflexão foi um conjunto de ações consideradas inovadoras para
ambientes de bibliotecas, cujo objetivo foi o de ampliar o conceito de biblioteca e adaptá-la de
fato às necessidades atuais e reais da comunidade.
Esse conjunto de ações tem como base:
Compactação de acervos impressos;
Ampliação de espaços de estudo e de convivência;
Flexibilidade da função do espaço;
Facilidade no uso desse espaço, que pode ser ilustrada, por exemplos, com a
possibilidade de entrada com mochilas e bolsas e de fazer pequenos lanches enquanto
se estuda ou se usa a Biblioteca.
Além de manter e fortalecer a atuação como biblioteca acadêmica, a ampliação do
conceito impulsiona a biblioteca a ser um espaço primordialmente de encontro, de integração,
de convivência, de entretenimento e de cultura, inclusive compreendendo serem essas as
novas formas de aprender, ensinar e transmitir o conhecimento. Desse entendimento decorre o
nome Projeto Biblioteca Viva.
Essas ações foram colocadas em prática uma após a outra, distribuídas ao longo dos
últimos cinco anos e culminaram em um projeto de renovação dos leiautes dos espaços da
Biblioteca. Assim, o Projeto Biblioteca Viva não é tão somente a modernização de leiautes e
móveis, mas a consequência natural de uma ampliação e atualização de conceito, com novas
práticas e novos desafios, sendo um deles a execução verdadeira da função social das
bibliotecas de modo a impactar positivamente sua comunidade e seu entorno.
Baseados na revisão da literatura e na pesquisa por iniciativas e casos reais, o Projeto
Biblioteca Viva estabeleceu quatro pilares para identificar e priorizar suas ações, bem como

126

CRISTIANINI, G.M.S.; MORAES, J.S. Biblioteca 2021: estudo preliminar do planejamento da gestão de
acervos da Biblioteca do ICMC/USP. In: SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
17., 2012, Gramado RS. Anais... [cópia dos autores].
910

�conduzi-las e direciona-las, no intuito de não perder de vista o objetivo principal do projeto.
São eles:
Comunidade: esse pilar é compreendido sob dois enfoques. Quanto à formação, a
comunidade da Biblioteca é composta não apenas pelas pessoas vinculadas à
instituição, mas também àquelas atendidas pelos seus projetos de pesquisa, cultura e
extensão; quanto à participação, a comunidade não é apenas servida pela Biblioteca,
mas é ouvida e participa da sua gestão definindo necessidades e prioridades;
Conhecimento: esse pilar também é compreendido sob dois enfoques. A aquisição, a
comunicação e o compartilhamento de conhecimento no espaço da Biblioteca não
ocorrem necessariamente sob o silêncio, a nova compreensão é que quaisquer
interações, silenciosas ou não, são trocas, permutas, transmissões, compartilhamentos
de conhecimento e, portanto, precisam ser apoiadas pelos espaços e equipes das
Bibliotecas. O outro enfoque é relacionado aos acervos como fontes de conhecimento.
Embora a maneira de buscar e acessar a informação tenha se alterado ao longo dos
anos, há fontes de informação que não possuem seus equivalentes digitais e quando
houver é possível que as universidades não tenham os recursos financeiros necessários
para adquirir todas elas. Sendo assim, acervos que são dificilmente substituídos por
quaisquer motivos, em especial àqueles muito antigos, continuam sendo considerados
como patrimônio cultural e necessário para o ensino e à pesquisa, mesmo com toda a
tecnologia existente e, portanto, cabe às bibliotecas tratar, proporcionar o acesso a eles
e preservá-los;
Infraestrutura: conforme a definição127
possam ser concretizados. No âmbito do Projeto Biblioteca Viva, além dos itens de
infraestrutura conhecidos, a ênfase fica para três itens: o projeto de leiaute do
mobiliário, propiciando espaços informais, móveis confortáveis e modernos; o projeto
de tecnologia e informática, para reforçar o oferecimento de novos serviços e produtos
com base tecnológica; e o projeto elétrico, tendo em vista que a tecnologia é
totalmente dependente de fontes de energia e cada vez mais a comunidade traz seus
próprios equipamentos para os espaços das bibliotecas;
Convívio e interação: é a consolidação da ideia da Biblioteca como o espaço ideal para
o encontro, o convívio e a interação da comunidade, seja por meio da tradicional tarefa
127

MICHAELIS Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em: http://michaelis.uol.com.br/.
Acesso em 04 fev. 2018.

911

�de estudar e pesquisar, silenciosamente ou não, seja por meio de uma oficina de
origamis, de debate sobre um livro ou um filme, de uma aula diferenciada, de visitas
de outra comunidade, de exposições, de cafés da manhã ou de quaisquer outras
atividades onde o público se reúna, se conheça, converse, discuta, ria, e dali saiam
novas ideias, novas opiniões, novas perguntas e novas respostas.
Apoiados nesses pilares, desde abril de 2017 o Projeto Biblioteca Viva atuou mais
fortemente na infraestrutura disponível, e nas suas melhorias, e também na participação da
comunidade para a identificação e priorização das necessidades, criando um processo de
realimentação do próprio projeto.
O projeto inicial foi apresentado para a comunidade em seis ocasiões: a congregação
da unidade, sendo essa a instância máxima da instituição com representantes de todas as
classes que compõem a comunidade interna, os quatro conselhos departamentais com todos os
docentes também representantes de suas classes, e uma apresentação geral, a que chamamos
de plenária, onde toda a comunidade foi exaustivamente convidada. Nessa ocasião foi
registrado um público majoritariamente de alunos.
Pouca alteração foi sugerida a partir das apresentações citadas, a maioria delas está
ligada à melhoria da infraestrutura, especialmente na ampliação de pontos de acesso à rede
elétrica e da capacidade da rede lógica sem fio. Sugestões surpreendentes, tais como a
preocupação com o fim da aquisição dos livros impressos e os pedidos de retorno das
assinaturas impressas de jornais diários e revistas semanais, nos fizeram refletir novamente
sobre o contexto dos materiais impressos, bem como apontaram a necessidade premente de
repensar uma política de desenvolvimento de coleção e retomar o documento Biblioteca 2021,
citado aqui anteriormente.
Atualmente o Projeto Biblioteca Viva está executando a fase da infraestrutura, por
meio da reorganização do uso dos espaços, a renovação dos leiautes e mobiliários e a gestão
do ruído em toda a Biblioteca.
A Biblioteca do ICMC possui 3.000 m2 divididos em um amplo térreo, com uma área
aberta e outra fechada onde está sua entrada social, e mais três andares, onde o projeto prevê
as seguintes mudanças:
A transformação da entrada da Biblioteca em um pool de atendimento,
concentrando nesse espaço a maioria dos serviços prestados ao usuário,
dispensando a necessidade de ir até outros andares ou caminhar pelo prédio
quando a busca é por um tipo de atendimento específico; ainda nesse espaço,
912

�mantêm-se vitrines para exposição e uma pequena sala de leitura e encontros;
quanto à gestão do ruído, esse piso foi definido como de ruído moderado;
O primeiro andar da Biblioteca, chamado piso 1, foi destinado a concentrar toda a
coleção impressa de livros e séries monográficas existentes, possibilitando o
acesso rápido e fácil, e liberando espaços para estudo e pesquisa nos demais
andares da Biblioteca; quanto à gestão do ruído, esse piso foi definido como de
ruído moderado,
O segundo andar da Biblioteca, chamado piso 2, foi destinado a ser o espaço de
leitura, estudo e pesquisa individual. Esse piso já possuía baias para estudo
individual com tomadas elétricas individuais e também salas fechadas para estudo
em grupo. Com o Projeto Biblioteca Viva está prevista a instalação de uma grande
sala de leitura, nos moldes daquelas de livrarias, com móveis modernos, informais
e aconchegantes, onde ficará a coleção impressa de literatura geral; considerando o
uso individual desse piso, ele foi definido como espaço de ruído mínimo;
O terceiro andar da Biblioteca, chamado piso 3, foi destinado a ser exclusivamente
o espaço dos encontros, das conversas, do estudo e pesquisa em grupos, além da
possibilidade do seu uso para outros fins, desde que vinculados ao ensino, pesquisa
e extensão, como, por exemplo, aulas noturnas com dinâmicas de grupo que
ocorreram uma vez por semana no ano passado. O que possibilitou esse novo uso
foi a compreensão das novas funções para o espaço da Biblioteca, atrelada ao novo
conceito reforçado pelo Projeto Biblioteca Viva, o mobiliário existente nesse piso
que permite a mudança de leiaute dependendo do objetivo da atividade e a
capacidade da área, que pode acomodar confortavelmente até 140 pessoas
sentadas; dito isso, evidentemente, esse piso foi definido como sendo de ruído
moderado;
O térreo externo da Biblioteca, sendo uma ampla área em vão livre e onde está a
sua entrada social, foi repensado para ser um local com infraestrutura para
acomodar pessoas, propiciar os encontros, estudo e pesquisa em grupo ou
individual, além de ser o espaço para eventos científicos e culturais, como, por
exemplos, congressos, feiras, mostras de pôsteres, coffeebreaks, recitais, entre
outros. Para esse espaço, chamado de Hiperespaço Loibel 128 (Matemático e
128

ICMC/USP. Notícias. Disponível em:
http://conteudo.icmc.usp.br/Portal/Noticias/leituraNoticias.php?tipoNoticia=Eventos&amp;id_noticia=600. Acesso
em 04 fev. 2018.
913

�professor da instituição, foi um dos principais impulsionadores do ensino e da
pesquisa em Matemática no estado de São Paulo), o projeto prevê mobiliário
adequado para estudo e pesquisa, ampliação do projeto elétrico para melhor
iluminação e maior número de pontos de acesso à rede elétrica, telas planas nos
seus pilares para a projeção de trabalhos e, ainda, a instalação parcial de portas de
vidro temperado para assegurar o conforto do público diante de intempéries e
também no período noturno. Toda essa infraestrutura permite que esse espaço seja
usado para múltiplos fins, desde uma aula diferenciada com dinâmicas de grupo,
uma apresentação musical, uma partida de futebol de robôs ou o simples uso de
quem deseja passar noite adentro estudando, o que o torna uma grande sala de
estudo 24 horas.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Projeto Biblioteca Viva do ICMC/USP é uma proposta iniciada e amadurecida ao
longo de vários anos e que neste momento está debruçada sobre a questão da modernização da
sua infraestrutura. Outras questões do projeto, como, por exemplos, a compactação do nosso
acervo impresso de periódicos científicos e a possibilidade da entrada com bolsas e mochilas
em nossos espaços, aconteceram ao longo desse período com o nosso acompanhamento,
análise e correção, quando necessário. Essas e outras ações, de impacto na cultura da
instituição e da comunidade, propiciaram a mudança de comportamento na equipe da
Biblioteca, como também fidelizaram a comunidade, sendo essa uma decorrente relação
positiva, impossível de ser mensurada em termos de abrangência, importância ou valor. O que
podemos afirmar pela experiência com o projeto é que a cada ação executada estamos mais
próximos do objetivo das novas bibliotecas acadêmicas e que, paradoxalmente, o projeto não
está (e talvez nunca esteja) fechado para novos olhares e nem completamente terminado.
Finalizada essa fase, o projeto partirá para as necessidades de composição da equipe,
revendo e identificando as competências indispensáveis para a criação de novos serviços e
produtos com base em tecnologia e, para tanto, quais profissionais são necessários para
complementar a atual equipe, seguindo a ideia do novo conceito de biblioteca e dos quatro
pilares citados e definidos como norteadores das nossas ações.

914

�REFERÊNCIAS
ACRL RESEARCH PLANNING AND REVIEW COMMITTEE. 2010 top ten trends in
academic libraries: A review of the current literature. College &amp; Research Libraries News,
v. 71, n. 6, p. 286-292, 2010. Disponível em:
&lt;http://crln.acrl.org/index.php/crlnews/article/view/8385/8558&gt;. Acesso em: 02 fev. 2018.
ACRL RESEARCH PLANNING AND REVIEW COMMITTEE. 2012 top ten trends in
academic libraries: A review of the trends and issues affecting academic libraries in higher
education. College &amp; Research Libraries News, v. 73, n. 6, p. 311-320, 2012. Disponível
em: &lt;http://crln.acrl.org/index.php/crlnews/article/view/8773/9334&gt;. Acesso em: 02 fev.
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ACRL RESEARCH PLANNING AND REVIEW COMMITTEE. 2014 top ten trends in
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disponibiliza espaços de acolhimento e integração: máquinas de café, sofás e espaço para
leitura estão entre as novidades. Disponível em: &lt;http://www.pucrs.br/blog/bibliotecadisponibiliza-espacos-de-acolhimento-e-integracao&gt;. Acesso em: 04 fev. 2018.
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              <text>Pautada nas tendências apresentadas para as bibliotecas acadêmicas, a Biblioteca Prof. Achille Bassi do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC/USP) buscou, mais intensivamente na última década, repensar as suas práticas. Com foco inicial em seus acervos, atualizou e adequou acervos e serviços para atender aos anseios tecnológicos da comunidade, por meio da aquisição de equipamentos e acervos digitais, da criação de repositórios e da adequação da infraestrutura lógica e elétrica. A partir de uma percepção de maior uso remoto de acervos e serviços da biblioteca e, consequentemente, uma diminuição na frequência de usuários, a Biblioteca do ICMC passou a envidar esforços para se aproximar do usuário e identificar suas expectativas e necessidades de usos do espaço da Biblioteca. A partir de 2014, incentivada pela nova gestão da unidade, as mudanças já iniciadas quanto aos acervos digitais foram agregadas a um projeto maior, denominado ―Biblioteca Viva‖, e que atualmente está focado na modernização da infraestrutura da Biblioteca. O presente trabalho tem como objetivo compartilhar a experiência com o Projeto Biblioteca Viva, a sua base de entendimento e direcionamento, e, ainda, apresentar as ações encaminhadas relacionadas à infraestrutura.</text>
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