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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
SOBRE REPOSITÓRIOS DIGITAIS E REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
ABOUT DIGITAL REPOSITORIES AND INSTITUTIONAL REPOSITORIES

Resumo: O artigo discorre sobre a distinção entre repositórios digitais e repositórios
institucionais. Para tanto, foi realizado levantamento bibliográfico em livros, artigos de
periódicos e bases de dados, buscando os conceitos e aplicações destas duas aplicações. Tratase, portanto, de pesquisa bibliográfica descritiva, de natureza qualitativa, realizada na
literatura produzida no período entre 2000 e 2017. Após a identificação de conceitos sobre
repositórios digitais e institucionais, nas discussões são apresentadas as funcionalidades
desejadas em repositórios institucionais, com o intuito de auxiliar as bibliotecas universitárias
sobre as características que podem nortear seu planejamento para implementação e uso.
Dentre os aspectos que devem ser considerados constam o compartilhamento dos dados do
repositório com provedores de serviço, a presença de interface de pesquisa específica para o
repositório institucional, separada da pesquisa realizada no catálogo online, e a possibilidade
de identificação dos usuários que acessaram os arquivos digitais disponibilizados. O artigo
conclui que as bibliotecas podem possuir repositórios digitais e institucionais e que ambos
compõem a coleção. Ressalta-se que a biblioteca pode possuir diversos repositórios, mas a
entrada de dados deve ocorrer por meio de interface única, enquanto a descoberta dos
registros deve ser realizada no catálogo online, na interface do repositório institucional, ou
ainda por meio de compartilhamento de registros com provedores de serviços.
Palavras-chave: Repositório institucional. Repositório digital. Biblioteca digital. Protocolo
OAI-PMH. Interoperabilidade.
Abstract: This paper discusses the distinction between digital repositories and institutional
repositories. To do so, it was made a bibliographic research in books, articles published in
journals, and databases, looking for concepts and use about these two applications. It is a
descriptive bibliographic research, with a qualitative nature, made in the literature produced
from 2000 to 2017. After the identification of concepts about digital and institutional
repositories, in the discussions were presented the aimed functionalities in institutional
repositories, with the objective to help the academic libraries about characteristics, which can
guide the planning to implementation and use. Among the aspects which must be considered,
are listed the data sharing with service providers, the presence of specific search interface to

�the institutional repository, separated from the search made in the online catalog, and the
possibility of identifying the users who accessed the digital files. The paper concludes that the
libraries can have digital and institutional repositories and both to support and form the
collection. Libraries can have several repositories, but the entry the entry of data must occur
by a unique interface, while the records discovery can be made in the online catalog, in the
institutional repository interface, or even by the sharing of records with service providers.
Keywords: Institutional repository. Digital repository. Digital library. OAI-PMH Protocol.
Interoperability.
INTRODUÇÃO
A produção, conversão ou recebimento de documentos no formato digital estão
presentes nas bibliotecas, fazendo parte das coleções e demandando o emprego de ferramentas
para garantir sua preservação em longo prazo e seu acesso aos usuários. Repositórios digitais
são ferramentas que permitem o armazenamento de objetos digitais, que podem conter
conteúdo de recursos variados, como livros, artigos, teses e dissertações, vídeos, gravações
sonoras, imagens etc. Repositórios são locais onde as mídias são armazenadas, com conjunto
de metadados que garantem sua identificação e, consequentemente, acesso. Com o avanço da
popularização de recursos tecnológicos, textos são criados já no formato digital, facilitando o
envio de arquivos para armazenamento. Porém, recursos que não estão disponibilizados no
formato digital podem ser convertidos a este, permitindo assim sua inclusão nos repositórios.
É indiferente à biblioteca se o conteúdo nasceu digital ou se foi convertido a este formato. Ele
fará parte do acervo, juntamente com o material impresso ou o digital armazenado em mídia
física.
Os repositórios são parte presente de bibliotecas digitais, afinal são as ferramentas que
asseguram o armazenamento dos objetos digitais. Os repositórios digitais nasceram com o
intuito de garantir acesso aberto aos documentos, sem aplicação de restrições

legais ou

institucionais - às mídias. Aos repositórios digitais é possível a aderência ao protocolo OAIPMH (Open Archives Initiative

Protocol Metadata Harvesting), permitindo a

interoperabilidade de metadados e arquivos com outras bibliotecas, instituições ou projetos de
bibliotecas digitais. Entretanto também é possível a implantação de repositórios sem o uso do
protocolo OAI, quando não existe o intuito de compartilhar informações, mas somente
preserva-las, uma vez que os repositórios proporcionam a integridade dos objetos digitais,
garantindo ao usuário que as mídias não foram alteradas desde o momento da submissão.
Assim, os repositórios protegem os conteúdos, garantindo seu acesso e preservando sua
autenticidade ao impedir alterações ou exclusões das mídias armazenadas.

�Ao armazenar objetos digitais em repositórios, a biblioteca passa a ser identificada
como um provedor de dados (data provider), sendo a responsável pelo conteúdo oferecido,
assim como a possibilidade de consulta. Registros que possuam restrições de acesso podem
ser armazenados nos repositórios, porém demandam de controle de permissões aos usuários
que podem ter ou não direito de consulta ao conteúdo. Isto é possível porque, ao permitir a
coleta de seus dados por provedores de serviços (service providers), os metadados são
disponibilizados para consulta, porém o acesso ao conteúdo é realizado no sítio da instituição
que o disponibilizou, que é quem controla o uso que será feito deste recurso informacional.
Provedores de serviços coletam os dados disponibilizados pelos provedores de dados
por meio do protocolo OAI-PMH, reunindo metadados de diversas instituições que ficam
passíveis de pesquisa por meio de interface única, reunindo registros diversos para consulta
pública.
Portanto, as bibliotecas digitais são caracterizadas pela presença de repositórios
digitais de provedores de dados, que permitem que seus dados sejam coletados por provedores
de serviços, e que respondem aos verbos do protocolo OAI-PMH. Assim, uma instituição
pode possuir diversos repositórios, sendo que alguns podem ser somente aplicados para
preservação, sem compartilhamento com provedores de serviços. Outros podem ter
comunicação estabelecida com provedores de serviços e expandir a divulgação da instituição
e o acesso aos conteúdos mantidos sobre sua custódia. Nesse sentido, um dos repositórios que
tem sido bastante difundido nos últimos tempos é o repositório institucional.
Buscando dirimir interpretações por vezes equivocadas, este artigo discorre sobre a
distinção entre repositórios digitais e institucionais, pontuando a aplicação e escopo de cada
um.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este artigo foi elaborado a partir de revisão de literatura produzida em artigos de
periódicos, capítulos de livros e trabalhos apresentados em congressos sobre a temática de
repositórios digitais e institucionais.
Para a realização da seleção da literatura foram utilizadas as palavras chave
(digital repository e institutional repository). Em ambos idiomas foram realizadas buscas no
singular e no plural. O período analisado abrangeu as produções entre 2000 e 2017, nos
idiomas inglês, português e espanhol. Foram consultadas a Base de Dados em Ciência da
Informação (BRAPCI) e a Scopus, além de outras citações utilizadas nos textos consultados.

�Após a seleção da literatura, foi dada ênfase nos textos que discutiam sobre
repositórios de forma a consolidar seu conceito e casos de aplicação. As discussões sobre
acesso aberto e monopólio de revistas, por não serem o foco central deste artigo, foram, em
sua maioria, descartados, a não ser quando os textos também discorriam sobre a importância
dos repositórios na reunião e disponibilização da produção institucional.
Trata-se, portanto, de uma pesquisa qualitativa e descritiva que visa analisar a
literatura acerca de repositórios digitais e repositórios institucionais, buscando subsídios para
diferenciar suas características e identificar suas aplicações.
REPOSITÓRIOS DIGITAIS
A conceituação de repositório digital foi coletada em algumas fontes, a saber:

Segundo o IBICT:

Muitas instituições de ensino e bibliotecas estão ativamente engajadas em construir
coleções digitais de livros, artigos, dissertações, mídias e outros trabalhos de
interesse da instituição atendida, como um meio de preservar e disseminar
informações de cunho educacional. O conteúdo, usualmente autorizado e produzido
localmente, pode nascer digital ou ter sido convertido a este formato. O acesso
normalmente é irrestrito, em aderência ao protocolo Open Archives Initiative (OAI)
para coleta de metadados, que torna os arquivos interoperáveis e passíveis de
recuperação (REITZ, 2017, não paginado, tradução nossa).
Os repositórios digitais (RDs) são bases de dados online que reúnem de maneira
organizada a produção científica de uma instituição ou área temática. Os RDs
armazenam arquivos de diversos formatos. Ainda, resultam em uma série de
benefícios tanto para os pesquisadores quanto às instituições ou sociedades
científicas, proporcionam maior visibilidade aos resultados de pesquisas e
possibilitam a preservação da memória científica de sua instituição (INSTITUTO
BRASILEIRO DE INFORMAÇÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA, 2012, não
paginado).

Para Camargo e Vidotti (2009),
Os repositórios podem ser considerados como locais de armazenamento de coleções
digitais de uma determinada instituição ou comunidade e utilizam sistemas de
informação que possibilitam funções como: criação de comunidades e de coleções,
cadastro de usuários, gerenciamento de políticas de conteúdos e auto-arquivamento
de documentos (CAMARGO; VIDOTTI, 2009, p. 55).

De a
utilizada para denominar os vários tipos de provedores de dados que constituem vias
Já para Heery e Anderson (2005), repositórios digitais consistem em diversas áreas de
atividade presentes no ambiente de informação, caracterizada pelo depósito de conteúdos.
Para os autores, a diferença entre um repositório e uma coleção digital consiste nas
características atribuídas ao primeiro, que são:

�Analisando os conceitos acima, pode-se afirmar que os repositórios digitais permitem
o armazenamento de objetos digitais, usualmente de acesso aberto, e seus metadados, que
foram reunidos por instituições e disponibilizados para consulta e/ou coleta.
Os repositórios digitais podem ser divididos por tipologia:
a)

b)
c)

O repositório temático é formado por um conjunto de trabalhos de pesquisa de uma
determinada área do conhecimento. Esta coleção pode ser formada pelo conteúdo produzido
na própria instituição, mas também por documentos de terceiros, como obras em domínio
público, de acesso aberto com aplicação de licenças Creative Commons, ou ainda obras com
autorização expressa dos autores. Trata-se, portanto, de um local para reunir conjunto de
informações e fontes sobre um determinado assunto, de acordo com as demandas da
comunidade atendida.
Algumas iniciativas de repositórios temáticos podem ser observadas como o consórcio
BDJur101, mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que coleta a legislação produzida
por diversos tribunais e órgãos brasileiros; ou a Brasiliana Fotográfica Digital102, mantido pela
Fundação Biblioteca Nacional e o Instituto Moreira Salles com o intuito de reunir, preservar e
disseminar imagens fotográficas relativas à história brasileira.

101
102

BDJur: https://bdjur.stj.jus.br/jspui/
Brasiliana Fotográfica Digital: http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana/

�Os repositórios de teses e dissertações reúnem somente estes tipos documentais e, por
questões históricas na organização da estrutura digital, concentram, em algumas instituições,
parte da produção científica de instituições de ensino, porém não sua totalidade, uma vez que
artigos, trabalhos apresentados em congressos, relatórios, materiais de aula, trabalhos de
conclusão de curso (TCC) e demais produções não são contempladas nesta estrutura.
Usualmente os repositórios de teses e dissertações têm seus conteúdos compartilhados com
provedores de serviços, como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações 103 (BDTD), no
Brasil, ou, em nível internacional, com a Networked Digital Library of Theses and
Dissertations104 (NDLTD).
Em diversas instituições tais repositórios têm sua origem com a implantação de
bibliotecas digitais que agregavam não somente teses e dissertações, mas também parte da
produção científica das instituições, além de outros conteúdos digitais. O que tem sido uma
prática em algumas instituições atualmente é que boa parte desses repositórios de teses e
dissertações tem sido migrado para os repositórios institucionais, que é outro tipo de
repositório digital, o qual será abordado a seguir.
REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS
O repositório institucional (RI) é a reunião de toda a produção de uma instituição,
usualmente de ensino, com conteúdo e tipologia documental heterogênea e multidisciplinar,
produzido por pesquisadores e estudantes. O RI centraliza a produção e demais atividades da
instituição, como eventos, material pedagógico ou outras ações promovidas pela mesma, de
diversas unidades de pesquisa, além de teses, dissertações, artigos científicos, trabalhos
apresentados em eventos ou demais comunicações sobre resultados de pesquisas. Sua função
principal é, portanto, preservar e disponibilizar a produção intelectual da instituição, buscando
sua representação, documentação e compartilhamento em formato digital (CAFÉ et al, 2003).
Este tipo de repositório não armazena produções ou resultados de pesquisas não produzidas
pela instituição ou por pessoas não vinculadas a ela.
Assim, instituições podem ter repositórios digitais, coletando e preservando
informações sobre áreas de conhecimento específicas, com conteúdo de autores variados e
não limitados aos membros afiliados; e repositórios institucionais, reunindo e difundindo a
produção intelectual, técnica e cultural produzida por elas.

103
104

BDTD: http://bdtd.ibict.br/
NDLTD: http://www.ndltd.org/

�Na literatura sobre repositórios institucionais destacam-se os trabalhos de Raym Crow
(2002) e de Clifford Lynch (2003), onde ambos discutem sobre o RI como uma forma de
enfrentamento aos modelos de negócios de publicações acadêmicas, proporcionando
visibilidade às instituições a partir da produção disponibilizada. Já Plutchak (2017), enxerga o
RI como componente de sistemas de administração de pesquisas (research information
management system), como o Symplectic (sistema proprietário) ou o VIVO (sistema aberto),
que permitem a criação de perfis de usuários, com dados sobre suas produções, além de
informações sobre financiamentos, afiliação institucional etc.
De acordo com Crow (2002), o RI proporciona dois aspectos às instituições de ensino:
1) expande o acesso à pesquisa ao divulgar a produção científica de forma aberta, e; 2)
proporciona indicadores tangíveis da qualidade da instituição, destacando as relevâncias
científica, societária e econômica de suas atividades de pesquisa, contribuindo com o aumento
da visibilidade, posicionamento e valoração pública da instituição.
Para Lynch (2003, p. 2, tradução nossa),
conjunto de serviços que uma universidade oferece aos membros da sua comunidade, para a
gestão e disseminação de materiais digitais, criados pela instituição e pelos seus membros.
Um repositório institucional é distinto de um repositório temático por seu escopo
institucionalmente definido. Os RIs fazem parte de um esforço crescente para reformar a
comunicação acadêmica. Também podem servir como um indicador do alcance e da extensão
das atividades de pesquisa da universidade.
O repositório institucional, além de suas funções de armazenar, preservar e disseminar,
também pode ser aplicado em metodologias de avaliação do impacto da produção científica,
considerando-se o conteúdo disponibilizado pelas universidades como um dos critérios de
avaliação (SUNYE et al, 2009).
Costa e Leite (2009) pontuam muito bem alguns equívocos relacionados aos
repositórios institucionais como:

�DISCUSSÕES
A implantação de RI deve considerar uma série de quesitos como: 1) tipos
documentais; 2) recorte temporal; 3) formatos de arquivos; 4) padrões de metadados; 5)
política de sigilo; 6) autorização para disponibilização de conteúdo; 7) provedores de serviços
com os quais o RI será cooperante; 8) ferramenta do repositório; 9) formato de metadados na
exportação; etc.
Antes de ser definida a ferramenta adotada, recomenda-se que a instituição defina que
tipos de produções farão parte do repositório. Também deve ser estabelecido como será a
seleção e coleta de dados retrospectivos, assim como será a comunicação entre autores e a
biblioteca para inclusão de novos trabalhos. Uma alternativa é integrar o repositório com
ferramentas disponíveis na Web, como a Plataforma Lattes ou o ORCID e, a partir dos dados
disponíveis nestas ferramentas, popular o RI. Além de essas duas maneiras, algumas grandes
instituições têm utilizado os dados indexados em algumas das principais bases de dados, tais
como Web of Science, Scopus, PubMed, SciELO, entre outras.
A biblioteca deve avaliar se é necessário trabalhar com duas estruturas ou
comunidades para o RI, sendo uma somente para armazenar teses e dissertações, e outra para
armazenar as demais produções dos autores vinculados à instituição. Esta separação pode ser
interessante caso a biblioteca compartilhe os registros de teses e dissertações com provedores
de serviços que recebem somente estes tipos de produções, não cabendo, portanto, o envio de
outros materiais. Por outro lado, caso a estrutura de comunidades e subcomunidades estejam

�definidas por unidades de uma instituição, por exemplo, é importante que as teses e
dissertações estejam em coleções separadas. Nestas situações é necessário que o RI possua
estruturas distintas de armazenamento dos objetos digitais, onde somente uma delas permitirá
o harvesting de provedores de serviço como a BDTD ou a NDLTD.
É interessante que o RI possua uma interface diferente e separada da do OPAC
(Online Public Access Catalog), sem, contudo, exigir catalogação dupla no sistema de
automação da biblioteca e no repositório. A produção institucional deve fazer parte da coleção
da biblioteca, porém não é producente o cadastro do mesmo recurso informacional em
duplicidade em decorrência de adoção de ferramentas diferentes. Assim, o repositório deve
estar interligado com o sistema de automação, observando duas situações: 1) permitir que no
momento da catalogação o registro seja sinalizado como uma produção institucional; e 2)
vincular o objeto digital ao RI pela interface do sistema de automação, sem necessidade de
acessar duas ferramentas, sendo uma para descrever o registro e outra para fazer o upload do
arquivo.
O sistema de automação da biblioteca deve possuir integração com a ferramenta de
repositório escolhida, evitando, além da dupla catalogação, que as alterações e atualizações de
metadados tenham que ser realizadas nos dois ambientes. Assim, ao alterar os metadados no
sistema de automação, deve ocorrer a atualização dos metadados no repositório, dispensando
ajustes manuais nas duas ferramentas.
Apesar da produção institucional também ser passível de consulta no catálogo, é
interessante que o RI possua interface de busca exclusiva, permitindo agrupar as informações
por comunidades, unidades da instituição, tipologia documental, autores etc. Assim, os
usuários podem contar com três fontes de pesquisa: a coleção da biblioteca disponibilizada no
OPAC, com recursos produzidos por autorias diversas, cujo conteúdo digital pode estar
armazenado ou não em repositórios digitais; um recorte de seu catálogo expondo o repositório
em interface diferente, apresentando somente a produção de autores que possuem ou
possuíram vínculo com a instituição; e ainda um serviço de descoberta, que agrega registros
provenientes do catálogo, do repositório e de demais fontes que a biblioteca possui acesso.
Embora as opções de visualização dos registros estejam duplicadas, a entrada dos dados é
única e centralizada, facilitando a organização e gestão dos conteúdos, proporcionando opções
de descoberta aos usuários.
É interessante também que o RI possua denominação (nome) e identidade visual
próprios, distinguindo-os do OPAC. Na interface do RI, somente a produção institucional
deve estar disponível, permitindo identificação da tipologia existente (livros, capítulos, artigos

�em periódicos acadêmicos, textos apresentados em congressos, patentes etc.), organizada em
facetas, com os dados agrupados por critérios diversos como ano de publicação, autores,
assuntos etc., de acordo com os interesses e organização definidos pela instituição.
O RI deve permitir a pesquisa com recursos de busca simples, booleana ou por
expressões, além de destacar os termos recuperados, facilitando a identificação aos usuários.
Também é interessante que permita a navegação em agrupamentos de dados, apresentando
aos usuários a organização aplicada aos recursos informacionais disponíveis. Para isso, pode
contar com aceleradores de pesquisa, disponibilizando estratégias de busca prontas, com os
dados agrupados de forma dinâmica, com a instituição definindo quais produções devem ser
visualizadas com destaque, como teses e dissertações, ou ainda, organizados por
departamento, áreas de pesquisa ou atuação dos autores.
Os registros recém cadastrados devem ser apresentados com destaque, facilitando aos
usuários a identificação das últimas inclusões realizadas. A divulgação das novidades deve ser
dinâmica, dispensando atividade manual de bibliotecários para disseminação.
A pesquisa pode ser aberta e livre (anônima), disponível a qualquer pesquisador que
entre no sítio do RI, vinculado ou não à instituição. Entretanto, algumas universidades
consideram importante conhecer a identificação dos usuários que acessaram seus conteúdos,
exigindo, assim, a realização de login, o que restringe o acesso ao conteúdo somente a pessoas
cadastradas e com validade ativa na biblioteca. Uma alternativa para proporcionar o acesso
aos conteúdos de forma aberta, porém identificada, é permitir que usuários não vinculados à
instituição (externos) realizem cadastros temporários, fornecendo dados mínimos de contato
como nome, e-mail e telefone, por exemplo. Estes usuários externos possuiriam vínculo
somente com o RI, com restrição aos demais produtos e serviços oferecidos pela biblioteca.
O interesse em identificar os usuários que realizaram download dos arquivos centra-se,
muitas vezes, não somente na demanda de acompanhamento de indicadores de acesso, mas
por permitir a identificação e eventual contato caso seja observada alguma restrição de uso do
arquivo, que demandaria uma comunicação com as pessoas que fizeram o download.
Os indicadores de quantidade de acessos realizados são importantes para mensurar o
alcance de uma determinada produção institucional, porém eles podem ser monitorados por
outras ferramentas, como o Google Analytics, por exemplo, e não com a obrigatoriedade de
identificação para acessar um conteúdo. Por outro lado, a identificação dos usuários que
fizeram o download, mais do que a questão numérica, permite o conhecimento de outros
aspectos, como área de atuação, perfil de usuário, instituição à qual está vinculado etc., dados

�estes que nem sempre podem ser rastreados por aplicações de medição genéricas, como o
Google Analytics.
No RI podem estar dispostos gráficos com as métricas da produção institucional,
proporcionando visibilidade dos recursos disponibilizados. Estes gráficos podem ser do tipo
linha, coluna, pizza etc., e ilustram a produção da instituição por diversos critérios, como ano,
tipo de trabalhos, áreas do conhecimento, cursos, departamentos etc. Devem ser gerados de
forma dinâmica, a partir dos dados presentes no RI. Também podem apresentar a evolução
das produções, tornando visual a exposição dos dados.
Se possível, é interessante que toda a produção institucional seja cadastrada no RI, e
não somente aquela que possui objeto digital vinculado. Isso reuniria em um único local toda
a produção institucional e não somente a que está no formato digital. A ferramenta DSpace,
muito utilizada para a construção de repositórios, não permite a inclusão de registros sem um
objeto digital, porém seria interessante poder reunir em um único local toda a produção
realizada pela instituição, afinal, podem ocorrer situações de trabalhos que foram produzidos
somente na forma analógica e ainda não foram digitalizados, ou ainda, produções que, embora
digitais, não permitem autonomia da biblioteca para disseminação nos RIs, como é o caso de
artigos de periódicos de fornecedores contratados, ou ainda textos que estão em período de
embargo. Algumas instituições adotam essa prática, mantendo os registros que possuem
alguma restrição como fechados. Estes registros devem ser incluídos no RI e, na ocasião em
que os objetos digitais tiverem as restrições de acesso público expiradas, a biblioteca
vincularia o objeto digital ao metadado da produção, porém a mesma já constaria nas
estatísticas da instituição, não comprometendo os indicadores de avaliação. Esta solução
também poderia suportar o controle e acompanhamento de digitalização de materiais
analógicos, proporcionando clareza à biblioteca das produções que ainda não estão no formato
digital, onde as ações de captura dos textos podem ocorrer em simultaneidade com as
solicitações de autorização junto aos autores.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme discutido neste artigo, repositórios digitais e institucionais possuem
aplicações de uso distintos, não podendo ser compreendidos como a mesma coisa. Enquanto o
repositório digital armazena produções de autoridades diversas, incluindo produções da
própria instituição, mas não somente, o RI deve comportar somente registros produzidos por
autores que possuem ou possuíram vínculos com a instituição.

�A coleção da biblioteca pode ser armazenada em mais de um repositório ou
comunidade. Esta situação é decorrente da tipologia da produção (institucional e de terceiros),
e também do compartilhamento que será realizado. Assim, a biblioteca pode contar com a
seguinte estrutura: 1) repositório digital para arquivos de terceiros; 2) RI para armazenamento
exclusivo de teses e dissertações; e 3) RI para armazenamento das demais produções,
excetuando as teses e dissertações. Esta separação do RI pode se fazer necessária caso a
biblioteca compartilhe seus registros de teses e dissertações com provedores de serviços como
a BDTD, NDLTD ou outros, onde não existe interesse em receber as produções institucionais
oriundas de revistas acadêmicas, livros ou anais de eventos. Neste caso, é possível aplicar o
protocolo OAI-PMH somente ao RI que armazena as teses e dissertações, facultando o
compartilhamento do RI com as demais produções a outras fontes, se aplicável. Entretanto,
caso a instituição mantenha suas teses e dissertações em um único RI junto com as demais
produções da instituição, é importante que a estrutura do RI permita o harvesting (colheita)
somente de teses, dissertações ou outros materiais definidos, afim de realizar o
compartilhamento parcial do conteúdo armazenado.
Indiferentemente da estrutura de repositórios criados pela instituição, todos os
registros devem ser passíveis de descoberta no OPAC. A produção institucional completa
deve estar disponível para pesquisa e visualização em interface própria do RI, sem, contudo,
acarretar em duplicidade de cadastramento ou realização de atividades com redundância. O
ponto de entrada de dados é único, com a distribuição dos registros (pelo protocolo OAI-PMH
com envio a provedores de serviços) ou visualização (demais produções institucionais e
objetos digitais produzidos por terceiros) ocorrendo de forma transparente para bibliotecários
e usuários.
Ao disponibilizar o RI em interface separada da do OPAC a biblioteca permite a
exposição da produção institucional, contribuindo com a avaliação da universidade. É
desejável que o RI possua ferramenta de geração automática de gráficos e estatísticas,
facilitando a compreensão dos indicadores apresentados. É interessante poder mensurar e
acompanhar as visualizações de conteúdo presente no RI. Para tanto, deve ser possível o
cadastro temporário para usuários externos, identificando os usuários que realizaram o
download dos arquivos.
A implantação de repositórios digitais ou institucionais deve ser planejada de forma a
evitar redundância de trabalho, incompatibilidade entre ferramentas e complexidades para
descoberta de recursos informacionais, proporcionando ganhos à instituição, tanto na

�preservação de registros de terceiros presentes na coleção, quanto no acompanhamento e
disseminação da produção institucional realizada.
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http://arno.uva.nl/document/93898. Acesso em: 11 dez 2017.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O artigo discorre sobre a distinção entre repositórios digitais e repositórios institucionais. Para tanto, foi realizado levantamento bibliográfico em livros, artigos de periódicos e bases de dados, buscando os conceitos e aplicações destas duas aplicações. Tratase, portanto, de pesquisa bibliográfica descritiva, de natureza qualitativa, realizada na literatura produzida no período entre 2000 e 2017. Após a identificação de conceitos sobre repositórios digitais e institucionais, nas discussões são apresentadas as funcionalidades desejadas em repositórios institucionais, com o intuito de auxiliar as bibliotecas universitárias sobre as características que podem nortear seu planejamento para implementação e uso. Dentre os aspectos que devem ser considerados constam o compartilhamento dos dados do repositório com provedores de serviço, a presença de interface de pesquisa específica para o repositório institucional, separada da pesquisa realizada no catálogo online, e a possibilidade de identificação dos usuários que acessaram os arquivos digitais disponibilizados. O artigo conclui que as bibliotecas podem possuir repositórios digitais e institucionais e que ambos compõem a coleção. Ressalta-se que a biblioteca pode possuir diversos repositórios, mas a entrada de dados deve ocorrer por meio de interface única, enquanto a descoberta dos registros deve ser realizada no catálogo online, na interface do repositório institucional, ou ainda por meio de compartilhamento de registros com provedores de serviços.</text>
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