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                  <text>Eixo II - Pesquisa e Extensão
A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DO BIBLIOTECÁRIO SOB A PERSPECTIVA DA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
THE CONSTRUCTED IMAGE OF THE LIBRARIAN UNDER THE PERSPECTIVE OF THE
UNIVERSITY LIBRARY

Resumo: Esta pesquisa trata da construção da imagem de uma categoria profissional, os
bibliotecários, com o auxílio da teoria semiótica, a fim de se entender como se dá tal
construção e a percepção dessa imagem para usuários e comunidade de bibliotecas
universitárias. Assim, nesta pesquisa, conceituamos os princípios de signo, objeto e
interpretante, estabelecidos na semiótica de Charles Sanders Pierce (1839-1914), como base
teórica para o estudo da imagem formada do bibliotecário. Para a coleta de dados, utilizamos
questionários a fim de entender qual era a percepção do aluno e da comunidade de bibliotecas
universitárias com relação aos bibliotecários. Dessa maneira, constatamos que a imagem
construída do bibliotecário é de uma pessoa ligada à organização, que trabalha em bibliotecas,
detentora de conhecimento, que cataloga, que é simpática e que ajuda o usuário a encontrar a
informação que precisa, demonstrando, deste modo, o comportamento dos signos e como as
pessoas os apreendem para formular a construção do profissional em sua mente, inclusive
com conceitos anteriormente pré-estabelecidos.
Palavras-chave: Construção de Imagem. Bibliotecário. Biblioteca Universitária. Semiótica.
Abstract: This study deals with the construction of the image of a professional category, the
librarians, with the aid of the semiotic theory, in order to understand how such construction
and perception of this image appeals for users and community of university libraries. Thus, in
this research, we conceptualize the principles of sign, object and interpretant, established in
the semiotics of Charles Sanders Pierce (1839-1914) as the theoretical framework for the
study of the image which is constructed concerning the librarians. To collect information, we
used questionnaires to understand the perception of the student and the community of
university libraries in relation to the librarians. This way, we find that the librarian's
constructed image is a person linked to the organization, who works in libraries, who owns
knowledge, who catalogs, who is friendly and who helps the user to find the information he
needs, showing the behavior of the signs and how people apprehend them to formulate the
construction of the professional in their mind, even with previously pre-established concepts.

�Keywords: Image Construction. Librarian. University Libraries. Semiotics.
1 INTRODUÇÃO
Há diversas maneiras de se explicar a construção de uma imagem e como esta pode ser
formada e percebida. Uma vez que a imagem pode ser explicada pelo estereótipo, pelo perfil e
também pela semiótica, utilizada para exemplificar a complexa relação sígnica, pode-se
entender de que forma se dá o processo de construção de imagem e de como os indivíduos a
percebem, por exemplo, na construção da imagem do bibliotecário.
Para explicar a análise defendida pela semiótica, é preciso compreender como o signo é
formado: pelo representamen (como o signo se apresenta), pelo objeto (aquele que carrega o
signo em si mesmo) e pelo interpretante (que é o resultado dos dois anteriores, o que produzirá
um efeito, sendo este o significado ou interpretante). Um dos principais precursores da
semiótica, Charles Sanders Pierce (1839-1914), analisa três modos em que os fenômenos
(signos) aparecem à consciência e que não apresentam rigidez hierárquica. São eles: a
primeiridade (que diz respeito aos aspectos mais sensíveis da leitura, praticamente desprovidos
de conhecimento e cultura, as qualidades dos signos); a secundidade (que é a soma das
qualidades, que formam singularidades para a leitura dos signos) e, por fim, a terceiridade (que
é a propriedade de lei que faz o signo funcionar como tal, ganhando caráter de lei pela
linguagem, generalizando a tradução do sentido). Vale ressaltar que esses três modos de
conexão dos signos à consciência estão interconectados.
Diante dessas considerações iniciais, a escolha do tema desta pesquisa deve-se à função
social da universidade e da biblioteca universitária, bem como, ao impacto que estas têm sobre
os indivíduos que a frequentam. Propor a construção da imagem do bibliotecário universitário
por tal perspectiva traz algo mais complexo do que simplesmente traçar um perfil ou
estereotipar um profissional, mostrando como a imagem é criada na mente das pessoas, algo
que está além do que é apresentado pela literatura especializada, sendo a imagem do
bibliotecário o objeto deste estudo. Desta maneira, esta pesquisa visa responder ao seguinte
questionamento: Qual a imagem construída do bibliotecário na biblioteca universitária? Para
isto, tomamos como base o público universitário e a comunidade de bibliotecas universitárias.
O tema deste trabalho surgiu ao constatarmos a falta de um estudo que abordasse, do
ponto de vista semiótico, a construção da imagem do bibliotecário. Tal informação é importante
por contribuir para a melhor compreensão da imagem da classe profissional para a sociedade,
uma vez que podemos, então, compreender como ela é construída individualmente num
processo semiótico em suas mentes. Para promover esta pesquisa, além do aprofundamento

�teórico em semiótica, consideramos os questionários aplicados como parte fundamental para
entender como os signos foram apresentados para os usuários dessas bibliotecas demonstrando,
dessa maneira, a forma como estes foram apreendidos e ajudaram a compor a imagem do
bibliotecário para esse público. Assim, cada elemento se configura como essencial para a
pesquisa aqui exposta.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico aborda as bibliotecas universitárias e os bibliotecários, objeto de
estudo deste trabalho, e a construção da imagem deste objeto.
2.1 As bibliotecas universitárias e os bibliotecários
As bibliotecas universitárias fazem parte da vida de estudantes, pesquisadores e
professores, conforme Lück (2000, p. 2), que define bibliotecas universitárias como instâncias
al, através da
administração do seu patrimônio informacional e do exercício de uma função educativa, ao
. Diante do exposto, somos levados a
reconhecer o papel que essas bibliotecas possuem na formação das pessoas que a frequentam,
sendo tais usuários expostos ao conhecimento e necessidade informacional desses indivíduos
neste espaço.
Ao mencionarmos a biblioteca universitária, é impossível não mencionar o papel do
bibliotecário em sua organização da maneira harmoniosa e instituição de políticas que
auxiliem na recuperação da informação.
Ao falarmos do bibliotecário, temos de ter em mente a definição deste profissional
explicitado por Ferreira (2000) como aquele que superintende uma biblioteca. Fonseca (1992)
nos lembra que o sufixo ario forma substantivos de cunho erudito, como é o caso de
bibliotecário, que subentendemos como uma pessoa que exerce atividade em biblioteca.
Observa-se que o profissional sempre esteve ligado de algum modo à biblioteca, o que
permanece no senso comum; por isso as definições de dicionários que não são especializados
o definem deste modo, sendo estas percepções modificadas ao longo dos anos para que se
adaptassem às mais diversas realidades.
Em uma consulta à literatura, percebemos a construção e atuação de três papéis do
bibliotecário: sábio, guardião e, por fim, disseminador.

�2.2 A construção da imagem do bibliotecário
A imagem é um instrumento usado pelo Homem desde os seus primórdios,
representando o seu cotidiano, como por exemplo, as pinturas rupestres deixadas pelos
homens das cavernas. A imagem sempre esteve e continua presente de várias maneiras nos
dias atuais, seja em propagandas, em revistas e jornais, em filmes, novelas, séries e na internet
ou diante de nossos olhos; além disso, temos a imagem subjetiva que criamos acerca de algo
que lemos ou até mesmo imaginamos, como por exemplo, as formas que vemos nas nuvens.
Observando a definição dada por Ferreira (2000, p. 373), a imagem é uma
imagem designa algo que mesmo que não remeta a algo visível, se vale do empréstimo, desde
alguns traços até o visual, dependendo então da produção de um sujeito, sendo que imaginária
ou não e
Segundo Joly (2012), devemos recorrer a uma teoria mais geral que nos permita
ultrapassar as categorias funcionais da imagem, sendo a teoria da semiótica a teoria certa para
abordar esse aspecto. Ain
aspecto semiótico é considerar o seu modo de produção de sentido, por outras palavras, a
o,
a autora afirma que tudo pode ser signo, pois somos seres socializados e aprendemos a
interpretar o mundo que nos cerca, seja ele cultural ou natural.
Para Peirce (2003, p. 46-47) o signo deve ser distinto de seu Objeto, reforçando que:
Se um Signo é algo distinto de seu Objeto, deve haver, no pensamento ou na
expressão, alguma explicação, argumento ou outro contexto que mostre como,
segundo que sistema ou por qual razão, o Signo representa o Objeto ou conjunto de
Objetos que representa. [...] O Signo pode apenas representar o Objeto e referir-se a
ele. Não pode proporcionar familiaridade ou reconhecimento desse objeto; isto é o
que se pretende significar, nesta obra, por Objeto de um Signo, ou seja, que ele
pressupõe uma familiaridade com algo a fim de veicular alguma informação ulterior
sobre esse algo.

Percebemos então que, para Peirce, o signo pode representar uma outra coisa: o seu
objeto. Assim, o signo não é o objeto, pois apenas está no lugar do objeto, podendo
representá-lo de certo modo e numa certa capacidade. Exemplo disso é a palavra bibliotecário,
a pintura de um bibliotecário, o desenho de um bibliotecário, a fotografia de um bibliotecário,
o esboço de um bibliotecário, um filme de um bibliotecário ou mesmo o nosso olhar para um
bibliotecário, os quais são todos signos do objeto bibliotecário, sendo que cada um deles
depende da natureza do próprio signo, ou seja, a natureza de uma fotografia não é mesma que

�a de um filme ou a de uma pintura não é a mesma de uma fotografia e assim por diante,
cumprindo ainda, reter a informação de interpretante que não se refere ao intérprete do signo,
mas a um processo de relação que se cria na mente do intérprete. A partir dessa relação de
interpretação que o signo mantém com seu objeto é que se produz, na mente interpretadora,
outro signo que traduz o significado do primeiro (é o interpretante do primeiro). Dessa
maneira compreendeimagem mental ou palpável, uma ação ou mera reação gestual, uma palavra ou um sentimento
esse seja lá o que for, que é criado na mente pelo signo, é um outro signo que é a tradução do
primeiro.
Para Peirce (2003, p.51) os signos são divididos conforme três categorias:
[...] a primeira conforme o signo em si mesmo for uma mera qualidade, um existente
concreto ou uma lei geral; a segunda, conforme a relação do signo para com seu
objeto consistir no fato de o signo ter algum caráter em si mesmo, ou manter alguma
relação existencial com esse objeto ou em sua relação com um interpretante; a
terceira, conforme seu Interpretante representa-lo como um signo de possibilidade
ou como um signo de fato ou como um signo de razão.

Sendo assim, para Peirce (2003, p. 46), signo ou representamen, é uma palavra usada
para mostrar um objeto perceptível, ou apenas imaginável, ou mesmo inimaginável num
determinado sentido, sendo que para que algo seja um signo, é necessário esse mesmo algo
objeto e não todas as suas facetas, que por vezes, o autor denomina de fundamentos do
representamen. O autor ainda reforça que o signo acaba por dar origem a outro, assim como
observado na seguinte situação: um bibliotecário recebe dois usuários na biblioteca, os quais
olham para as estantes. O bibliotecário aponta, então, para
usuários não estiver
vendo a cor dos livros, a primeira informação que ele extrai do dito pelo bibliotecário tem por
objeto a parte da estante que ele enxerga, informando-o de que uma pessoa com um olhar
mais atento que o seu, ou mais treinado para observações desse tipo, pode, ali, distinguir a
existência dos livros; e assim, tendo sido a estante e os livros contextualizados em seu campo
de conhecimento, esse usuário está preparado para receber a informação que a estante possui
livros vermelho e vinho.

�Tendo o entendimento do que é signo, objeto e interpretante, podemos perceber que a
semiótica apresentada por Charles S. Peirce tem um caráter triádico, e que tal relação é
nomeada primeiridade (signo), secundidade (objeto) e terceiridade (interpretante).
Uma imagem (objeto) traz consigo várias características (signos) quando descritas ou
visualizadas, recebendo sempre interpretações (pelo interpretante) no meio em que se
inserem. Pimentel e Silva (2009) mostram que a imagem é um fenômeno cultural que faz com
que o homem veja as coisas de uma certa maneira. Essa visão que o homem tem pode ser
empregada a um ser, mostrando assim, a construção da imagem de um grupo profissional, no
nosso caso, o bibliotecário universitário.
Podemos então sintetizar que o objeto proposto por Peirce será aqui o próprio
bibliotecário. O signo é o conjunto de todas as informações contidas nas imagens em que ele
está inserido e suas descrições, sendo o interpretante, todo aquele que interagir com o signo e
o objeto. A figura 1 mostra como a imagem do bibliotecário pode ser construída:
Figura 01- Construção da imagem do bibliotecário
Interpretante
(Usuários/comunidade)

Representamen/signo
(O que representa o
bibliotecário)

Objeto
(Bibliotecário)

Fonte: os autores

Pela figura 1, é possível compreender a aplicação dos conceitos semióticos que
ajudarão a compor a imagem da classe profissional bibliotecária; são apresentados signos
sobre o objeto bibliotecário para que o interpretante use como referencial pré-existente,
gerando assim, a secundidade, para que o representamen, que é a terceiridade, construa uma
imagem do objeto, através dos signos fornecidos ao interpretante (signo dos signos), sejam
eles visuais, descritivos ou quaisquer outras maneiras que o signo possa se manifestar.
Este princípio possibilita ao observador unir os três elementos que constituem um
signo. Assim, tendo em vista as referências arroladas, é possível compreender, que a
construção da imagem se dá a partir da atribuição da significação ao objeto pelo signo e pelo

�interpretante, possibilitando a construção das imagens (sejam elas quais forem), através de
existências identitárias já determinadas. Dessa forma, segundo Baldissera (2008), essas
existências são criadas pelos humanos por meio do conhecimento de seu entorno ou pela
possível existência de definições em sua mente, pois por meio dessa significação pré-existente
há a tendência de atribuição de significação ao mundo que cerca o indivíduo. A construção da
imagem de determinada empresa, instituição, pessoa ou classe profissional, que neste estudo é
a de bibliotecários, poderá ser feita na qualidade da significação.
3 METODOLOGIA
A pesquisa bibliográfica que, segundo Manzo (1971 apud MARCONI; LAKATOS,
2006, p. 185),
inicialmente no Google Acadêmico e também no banco de dados de teses e dissertações da
Universidade de São Paulo (USP) buscando literatura sobre a imagem do bibliotecário.
Podemos, então, trazer novo olhar para a questão, como por exemplo, a imagem consolidada
do profissional que, neste estudo, é o bibliotecário universitário. Esta pesquisa tem caráter
exploratório que, de acordo com Marconi e Lakatos (2006, p.191) tem como finalidade
realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conc
disso, esta é uma pesquisa de caráter quanti-qualitativo que, segundo Creswell et al. (2003, p.
212 apud Gray, 2012, p.165-166), é considerada quanti-qualitativa de método misto, definida
alitativos em um único estudo, no qual
os dados são coletados de forma concomitante e sequencial, recebem prioridade e envolvem a
define a pesquisa quantitativa como a

Ainda como referencial teórico, utilizamos conceitos da semiótica peirceana, trazendo
os conceitos de signo, objeto e interpretante, associando tais conceitos à construção da
imagem do bibliotecário universitário. Utilizamos documentos bibliográficos que, de acordo
com sua natureza, podem ser, conforme definição de Cervo, Bervian e Silva (2007): primários
(quando coletados em pesquisa de campo, testemunho oral, depoimentos, entrevistas,

�questionários e quando se faz laboratório) e secundários (quando retirados de relatórios,
livros, revistas, jornais e outras fontes impressas, magnéticas ou eletrônicas).
A investigação por questionários foi aplicada visando a percepção do universitário e
da comunidade acadêmica com relação ao bibliotecário. Neste sentido, Marconi e Lakatos
coleta de dados, constituído
por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem a presença
Os questionários foram aplicados através da rede social Facebook para alunos e
comunidade do Centro Universitário Ibero Americano, Centro Universitário São Camilo,
Faculdade Cantareira, Faculdade das Américas, Faculdade Impacta de Tecnologia, Faculdade
Paulista de Serviço Social, Faculdade Santa Rita de Cássia, Faculdades Integradas Rio
Branco, Faculdades Associadas de São Paulo (FASP), Faculdade de Tecnologia de São Paulo
(FATEC), Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Faculdades
Metropolitanas Unidas (FMU), Mackenzie, Metodista, Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP), Centro Universitário Assunção (UNIFAI), Universidade Federal de São
Paulo (UNIFESP), Universidade Paulista (UNIP), Universidade Ibirapuera, Universidade
Nove de Julho (UNINOVE) e Universidade de São Paulo (USP). Obtivemos 42 respostas até
o momento da submissão desta pesquisa. Tal questionário foi formulado com as seguintes
perguntas: Qual a idade?, Qual o gênero?, Onde você estudou?, Qual o nome da sua
Faculdade/Universidade?, Você já foi à biblioteca da sua Faculdade/Universidade?, Com que
frequência você usa/utilizava a biblioteca?, Você acredita que na biblioteca da sua
Faculdade/Universidade tenha/tinha um bibliotecário?, Caso você tenha respondido sim, quais
características (físicas, psicológicas e de personalidade) o levam a acreditar que essa pessoa
seja um(a) bibliotecário(a)?, Caso tenha respondido não, quais características (físicas,
psicológicas e de personalidade) você acredita que um(a) bibliotecário(a) precisa ter para
exercer tal função na biblioteca de sua faculdade/universidade? E O que você acredita que um
bibliotecário faz?. Utilizamos o Google Forms 2 para aplicação de questionários on-line, que
para Gray (2012, p. 188) são ferramentas cada vez mais comuns de realizar pesquisa de
levantamento.

2

Ferramenta do Google Docs que permite a criação de questionários, automatizando o processo de desing da
página, e que traz vários estilos de perguntas pré-construídas.

�4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dos respondentes, 67% são mulheres e 33% homens, com uma idade média de 32,78
anos. Destes, 89,52% estudaram/estudam em faculdades e os outros 10,14% estão divididos
entre aqueles que fizerem pós-graduação, MBA e doutorado. Ainda, 92,85% dos respondentes
frequentam ou já frequentaram a biblioteca de suas universidades, contra 7,15% que não
frequentam, com média de frequência à biblioteca de 1 a 2 vezes por semana. 85,71%
acreditam que em suas bibliotecas universitárias havia um bibliotecário, contra 14,29% que
não acreditavam que a biblioteca tinha um bibliotecário.
Para entender quais signos que os usuários e comunidade apreenderam para acreditar
que as bibliotecas pesquisadas possuíam bibliotecários, demonstraremos categorização das
respostas colhidas nos questionários seguida por alguns comentários dos entrevistados.
Tabela 01- Categorização das respostas da pergunta: Quais características (físicas, psicológicas e de
personalidade) o levam a acreditar que essa pessoa seja um (a) bibliotecário?

Categorias

Número de
citações das
categorias

Porcentagem

Fonte: Desenvolvido pelos autores, 2017.

A partir da categorização das respostas abertas, percebemos como os signos foram
importantes para a construção da imagem do bibliotecário, e constatamos que eles estão
ligados à informação, indicação de leitura, à organização dos livros e da biblioteca, ao
conhecimento sobre vários assuntos, ficar separado numa sala ou mesa, trabalhar em uma
biblioteca, além do fato de se apresentarem como bibliotecário. E esses signos refletem o
exemplo da figura 01, na qual nos é mostrada como se dá a relação triádica de objeto, signo e
interpretante. Um fator que destacamos é que as citações referentes à organização, conhecer o
acervo e ter informações ocorreram 15 vezes, demonstrando que a imagem que esta
comunidade atribui ao bibliotecário é de alguém que está ligado a organização da biblioteca, o

�que mostra como o signo age para a composição da imagem do bibliotecário. Algo que nos
chama atenção, são algumas das respostas dadas:
A pessoa sabia aonde estavam localizados todos os livros da
biblioteca, sempre que procuravamos por algo e não achavamos ele ia
ate o setor em que estavamos para tentar.
Acredito que por trabalhar e organizar a biblioteca sejam
bibliotecários. Nenhuma característica específica.
Se identificou como bibliotecário e oferecia auxílio para encontrar
livros.
A seriedade e o conhecimento rápido dos significado dos números e
das estantes.
atenciosa, prestativa, mal humorada. (Grifo nosso)
A partir das respostas destacadas é possível compreender como a relação dos signos,
objeto e telespectadores (interpretantes) foi construída. Percebemos que muitos signos
apontam para o objeto e os interpretantes externalizaram tal percepção por meio de suas
respostas. Partindo deste entendimento, atribuímos que a construção da imagem do
bibliotecário é constituída pelos seguintes fatores: saber a localização dos livros, trabalhar e
organizar a biblioteca, oferecer auxílio, a seriedade, ser atencioso e mal humorado, sendo
esses os signos que fizeram com que o usuário percebesse os profissionais das unidades
informacionais universitárias como o bibliotecário. Dessa forma vemos como a semiótica
apresentada por Peirce se constrói, mostrando de uma maneira clara como a imagem do
bibliotecário foi construída para esses usuários e quais foram as suas percepções acerca do
bibliotecário.
Para aqueles que não acreditam que a biblioteca possuía um bibliotecário, destinamos
a pergunta 09 do questionário, conforme consta na Tabela 2:

�Tabela 02- Categorização das respostas da pergunta daqueles que não acreditam que a biblioteca de sua
universidade possui um bibliotecário

Categorias

Número de citações
das categorias

Porcentagem

Fonte: os autores.

A partir da categorização das respostas abertas da questão 08 percebemos como os
signos foram importantes para a construção da imagem de um bibliotecário. Constatamos que
os signos representam o objeto da seguinte maneira: organizado, tem conhecimento,
acolhedor, receptivo, boa comunicação, carisma e não soube indicar material. Esses signos,
quando foram apresentados aos interpretantes (usuários), fizeram com que eles atribuíssem
esses signos aos bibliotecários ou as pessoas que estavam na biblioteca e que apresentaram
tais signos a eles. Para compreender como os telespectadores perceberam os bibliotecários ou
possíveis bibliotecários, seguem algumas respostas dadas:
Boa comunicação, organização
Acredito que o bibliotecário tenha conhecimento e se faça fácil de
entender.
Ser carismático e generalista para saber indicar bibliografias das
áreas de conhecimento existentes na instituição.
A partir dessas respostas, percebemos a clara apreensão dos signos apreendidos, como
por exemplo, signos relacionados à organização, sendo que o objeto é organizado, instrui
acerca de informações que outras pessoas precisam. A percepção dos usuários nesta questão
nos faz crer que mesmo que não acreditem que a biblioteca possua um bibliotecário, os signos
apresentados a eles, fazem com que acreditem que o bibliotecário seja quem apresente tais
signos, sendo aqui aplicados os princípios apresentados por Peirce sobre primeiridade,
secundidade e terceiridade.
A primeiridade é pertencente à natureza da qualidade, sendo tão somente um
sentimento, ou a primeira apreensão feita, quando os espectadores constatam um signo que é
ligado à biblioteca, ao conhecimento, ou às características do objeto. A secundidade ocorre

�quando há a interação dos signos com o objeto, ou seja, a ligação destes de uma forma que
implique ao objeto a ideia de existência já estabelecida pelos pensamentos, sem a necessidade
de um mediador com os primeiros signos apresentados. E por fim obtemos os princípios da
terceiridade que nada mais são do que a percepção dos usuários, numa síntese intelectual, na
qual o pensamento vai ao encontro daquilo que percebemos o que neste caso, significa que os
signos apreendidos com relação ao objeto, se posicionam com aquilo que percebemos como o
objeto bibliotecário.
Por fim, os respondentes foram questionados acerca do que acreditam que um
bibliotecário faz, e as respostas foram compiladas na Tabela 3.
Tabela 03- Categorização das respostas da pergunta: O que você acredita que um bibliotecário faz?

Categorias

Número de citações
das categorias

Porcentagem

Fonte: os autores

Analisando a compilação das respostas dadas, percebemos como a relação triádica
descrita por Peirce é feita, percebemos vários signos que apontam para o objeto bibliotecário,
sendo o interpretante que os interpreta e relacionando-os com o objeto. Assim, é possível
compreender que as categorias se comportam como signos, que dão significação ao objeto,
graças ao interpretante que possibilita a construção da imagem em sua mente por causa de
existências identitárias já determinadas, pelo conhecimento ou pré-conhecimento de seu
entorno ou pela definição em sua mente, assim signos como organização, catalogação,
informação, orientar e indicar leituras e gerir unidades de informação acabam se tornando um
reflexo do objeto bibliotecário na mente dos usuários. Para compreender como os usuários
perceberam o que faz um bibliotecário destacamos algumas respostas dadas por eles:
Organiza a biblioteca
Cuida da informação
Organiza, dissemina, gerencia a informação e pessoal de apoio.
Facilita a busca e uso da informação e se insere no contexto
ensino/aprendizagem da instituição a qual está inserido.

�Organiza os livros da biblioteca
Classifica as obras e define os destinos dos livros .
Ajuda na escolha de livros ou aonde eles se encontram
Sabe a localização dos livros imagino.
Cuida da biblioteca, supervisiona os atendentes que ficam no balcão,
tira dúvidas
não sei ao certo, mais creio que organizar a biblioteca, os livros e
melhor entendimento da historia como um todo.
Ajuda os frequentadores e mantem o lugar em ordem (Grifo nosso)
Retomando o dito de Peirce sobre o objeto do signo como sendo aquilo com que o
signo possui uma familiaridade, de tal maneira, que o signo possa fornecer alguma
informação adicional, assim o signo não só pode fornecer a informação de algo como pode
agregar sua possível continuidade de conhecimento, ou seja, no caso do bibliotecário
universitário, os signos que se apresentaram em formas de conhecimento (inteligência), os
signos que a descrevem o que fazem (atribuição) e signos que reforçam até mesmo a
dependência dos usuários em buscar ajuda com os bibliotecários (sabedoria), vemos então,
que o objeto bibliotecário tem uma continuidade do que já é pré-definido na mente das
pessoas do que é um bibliotecário e em alguns momentos os signos refutam até mesmo o
senso comum, trazendo à tona outras nuances do objeto bibliotecário, mas não se distanciando
do que a sociedade acredita que um bibliotecário faça.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no estudo teórico e prático desenvolvido nesta pesquisa, resultado das
pesquisas bibliográficas realizadas e das análises dos questionários aplicados, conectando
aspectos teóricos e pesquisa de campo, somos levados a crer que o desenvolvimento do
presente estudo possibilitou uma análise e o entendimento de como a imagem é formada na
mente humana, através da tríade sígnica composta por: objeto, signo e representamen,
explicado por meio da semiótica Peirciana, podendo descrever como se deu a construção da
imagem do bibliotecário para os alunos e comunidade de universidades.

�De modo geral, a imagem do profissional bibliotecário universitário é retratada com
significativa frequência no âmbito acadêmico. Entretanto, debruçar-se sobre este tema que
enfoca a construção da imagem do profissional, sem a abordagem de perfil e estereótipo, são
realidades menos comuns, sobretudo quando analisada a comunidade acadêmica de uma
universidade. Na busca pelo entendimento desse olhar, o foco deste trabalho de pesquisa,
centrou-se no objeto bibliotecário e suas relações sígnicas que possibilitaram o conhecimento
de qual é a imagem construída do bibliotecário para estudantes e comunidade dessas
bibliotecas.
Diante deste recorte específico, a realização deste trabalho contribui para compreender
a construção da imagem do bibliotecário na mente dos frequentadores e comunidade no
entorno destas bibliotecas, que apreendem os signos relacionados ao objeto bibliotecário e
constroem uma determinada imagem de tal profissional. Essa construção imagética explicada
pela semiótica pode ser alterada se conceitos pré-concebidos acerca do profissional forem
modificados, o que afetaria diretamente os signos apreendidos e a percepção com relação ao
profissional bibliotecário: a imagem construída foi de bibliotecários ligados à organização,
que trabalham em bibliotecas universitárias, que possuem conhecimento, facilitam o acesso à
informação, profissionais ligados aos livros, simpáticos e que ajudam os usuários a encontrar
a informação que precisam.
Somos então levados a compreender que a realização deste trabalho contribui para o
entendimento de como é construída a imagem do bibliotecário, sem a utilização de
estereótipos e o traçar de perfil nas universidades. Essa análise não somente colabora para o
entendimento dessa construção como também ajuda na ampla compreensão da imagem do
bibliotecário que foi apresentada para estudantes e comunidade através dos signos. Assim, a
escolha temática aqui apresentada resulta na percepção do outro, da comunidade,
frequentadores e estudantes com relação aos profissionais da área de biblioteconomia,
percebendo-os além da senhora de coque e que pede silêncio, graças à composição sígnica
apresentada a eles.
Aprendendo como a semiótica pode ajudar a compreender a maneira como uma
imagem é formada na mente e suas nuances formadas por meio da tríade sígnica, esperamos
que esta pesquisa possa contribuir também para uma certa desconstrução da imagem do
bibliotecário, aquela que se forma principalmente através de signos como livros, leitura,
inteligência, sábio e tantos outros signos atribuídos ao profissional. Não que essas imagens
não sejam importantes. De forma alguma. São muito importantes, mas, desse modo,
esperamos que outros signos possam agregar novas imagens e atributos que ajudem a

�construção e o reflexo atual da imagem do bibliotecário, a qual é muito maior do que alguém
mais. Somos

que guarda e organiza, mas que

também dissemina e ajuda os outros a encontrarem a informação que necessitam.

REFERÊNCIAS
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SANTAELLA, Lúcia. O que é semiótica. São Paulo: Brasiliense, 1983.

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              <text>Esta pesquisa trata da construção da imagem de uma categoria profissional, os bibliotecários, com o auxílio da teoria semiótica, a fim de se entender como se dá tal construção e a percepção dessa imagem para usuários e comunidade de bibliotecas universitárias. Assim, nesta pesquisa, conceituamos os princípios de signo, objeto e interpretante, estabelecidos na semiótica de Charles Sanders Pierce (1839-1914), como base teórica para o estudo da imagem formada do bibliotecário. Para a coleta de dados, utilizamos questionários a fim de entender qual era a percepção do aluno e da comunidade de bibliotecas universitárias com relação aos bibliotecários. Dessa maneira, constatamos que a imagem construída do bibliotecário é de uma pessoa ligada à organização, que trabalha em bibliotecas, detentora de conhecimento, que cataloga, que é simpática e que ajuda o usuário a encontrar a informação que precisa, demonstrando, deste modo, o comportamento dos signos e como as pessoas os apreendem para formular a construção do profissional em sua mente, inclusive com conceitos anteriormente pré-estabelecidos.</text>
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