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                  <text>Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC-SP
Centro Universitário Senac - Campus Santo Amaro
Biblioteca Central
Avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Jurubatuba
São Paulo – SP - Brasil
CEP: 04696-000

O UNIVERSITÁRIO COM DEFICIÊNCIA VISUAL E O DESAFIO
PROFISSIONAL DO BIBLIOTECÁRIO

Odair José Barros Bazante
Bibliotecário de atendimento – Centro Universitário Senac-SP
Formado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
odair.jbbazante@sp.senac.br
Ricardo Quintão Vieira
Responsável pelo Espaço Braille - Centro Universitário Senac-SP
Formado pela Universidade de São Paulo (USP)
ricardo.qvieira@sp.senac.br

Salvador
2006

�RESUMO

Discute a deficiência visual e as barreiras de acesso à informação no âmbito de
bibliotecas de instituições de ensino superior. Focaliza as tecnologias
eletrônicas voltadas para o usuário com deficiência visual e como o profissional
da informação deve se preparar para conhecê-las prestando um atendimento
adequado. Apresenta os números do IBGE, que justificam a preocupação com
o tema. Concretiza esta discussão mostrando o Espaço Braille da Biblioteca do
Centro Universitário Senac-SP: seus serviços, atendimentos, e tecnologias
eletrônicas que proporcionam melhor acesso à informação. Finalmente,
compartilha os procedimentos desenvolvidos no Espaço Braille, quanto à
conversão de formatos tradicionais (em tinta e papel) para formatos acessíveis
(braile, áudio e digital).

Palavras-chaves: Acessibilidade. Deficientes Visuais. Tecnologias Adaptativas.
Bibliotecas Universitárias.

�2

1. INTRODUÇÃO
Este trabalho tem o objetivo de compartilhar as experiências do Espaço Braille
do Centro Universitário Senac-SP, baseando-se na discussão do atendimento a
deficientes visuais em unidades de informação de instituições de ensino superior.
Apresenta a situação educacional dos deficientes visuais, além das novas
tecnologias de conversão de suportes, cujas ferramentas permitem ao bibliotecário
transformar textos em tinta para os formatos de escrita Braille, áudio e digital. Desta
forma, seu papel de facilitar o acesso à informação amplia-se para novos limites
ainda pouco explorados.

2. QUADRO TEÓRICO DE REFERÊNCIA
2.1. A deficiência visual
Segundo Gil (2000, p. 8), a cegueira é a perda total de visão, que pode ser
adquirida em algum momento da vida ou desde o nascimento (congênita). Além da
cegueira total existe um tipo de deficiência visual que o autor descreve como sendo
uma “[...] alteração da capacidade funcional decorrente de fatores como
rebaixamento significativo da acuidade visual, redução do campo visual [...]” (2000,
p. 6). Essa deficiência é comumente conhecida como visão subnormal.

2.2. Dados do IBGE
De acordo com o Censo 2000 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística, há cerca 148 mil pessoas que não enxergam e mais de 2,4 milhões que
têm alguma dificuldade de enxergar. São Paulo é o estado que possuem mais
deficientes visuais no Brasil seguido pela Bahia. Analisando por região, o Sudeste é
o que possui menos deficientes visuais (quase 13%), enquanto o Nordeste possui
em torno de 16,8%.

Neri (2003) analisou o nível de escolaridade de pessoas com qualquer
deficiência (mental, física e etc.) baseando-se nos dados do IBGE. O grupo que
mais interessa a este trabalho refere-se àquelas pessoas que estão cursando ou se
preparam para ingressar no ensino superior.

�3

Situação Escolar dos Indivíduos com Deficiência

20,00%
15,00%
10,00%

19,77%
15,98%

5,00%
0,00%
Sem nenhuma
escolaridade

Com mais de 12 anos
de estudo

Fig. 1: Situação escolar dos indivíduos com deficiência
Percebe-se que o ensino superior tem uma grande probabilidade de receber os
quase 20% de deficientes com escolaridade necessária á admissão no nível
superior. Conseqüentemente, os bibliotecários que trabalham nesta esfera da
educação têm uma chance maior, comparado com o ensino fundamental e médio,
de encontrar um deficiente necessitando de serviços e informações em sua
biblioteca.

Segundo o mesmo Censo do IBGE, de todas as outras deficiências
pesquisadas, quase 60% dos entrevistados possuem alguma dificuldade para
enxergar ou são deficientes visuais.
Os estudos revelam que uma deficiência torna-se mais aguda quanto mais o
indivíduo se aproxima da velhice. Os universitários estão em sua maioria fora deste
contexto, entretanto, a abertura de maiores oportunidades de entrada ao ensino
superior, estimulado pelos atuais programas do governo, fará com que aumente a
busca de uma formação acadêmica entre os deficientes congênitos ou que
adquiriram alguma incapacidade ao longo da adolescência.
São três dados que combinados maximizam a importância da discussão do
deficiente visual e o acesso à biblioteca universitária.

�4

2.3. O Espaço Braille
O Espaço Braille da Biblioteca do Centro Universitário Senac foi concebido pela
Diretora de Bibliotecas do Senac-SP, Jeane dos Passos Reis, em 2004, e tem o
objetivo de atender pessoas com deficiência visual, tanto da rede Senac quanto da
comunidade externa, inclusive de outras instituições de ensino superior.
Em torno de 11% dos usuários atendidos possui ou cursam o ensino superior.
Apesar de nenhum deles estudar no Centro Universitário, as instituições em que
estudam os encaminham quando eles necessitam de ajuda na elaboração de leitura
de textos, elaboração de trabalhos etc.
Possui as seguintes ferramentas:
•

Impressora de BRAILLE;

•

Máquina de escrever com recurso de voz;

•

Escâner para digitalização de livro;

•

Duas lupas eletrônicas conjugadas com televisores de 29 polegadas;

•

Sete computadores com programas DOSVOX, sendo cinco deles

espalhados pelo térreo da biblioteca permitindo que os deficientes compartilhem o
mesmo ambiente com os universitários videntes. Isso se transforma em uma
verdadeira aula de convivência e diversidade;
•

Dois computadores com JAWS, MAGIC, OPENBOOK e WEBBIE 3;

•

Acervo de livros em Braille (211 títulos) e áudio (33 títulos);

Dispõe dos seguintes serviços:
•

Curso gratuito de Informática Básica para Deficientes Visuais com

apostilas (ampliadas, em Braille ou em áudio): Atualmente há 25 alunos
matriculados (maio de 2006);
•

Curso Básico de Braille composto por atividades no computador (através

do Braille Virtual da USP), da máquina de escrever (digitação) e exercícios tácteis;
•

Adaptação de materiais do formato convencional (tinta e papel) para

formatos alternativos: de tinta para arquivo digital para áudio ou Braille. O único
serviço cobrado é o da impressão em Braille (R$0,20 / folha).
•

Auxílio em pesquisas bibliográficas aos usuários.

•

Empréstimo gratuito do acervo citado acima, além de CDs de música,

DVDs, fitas de vídeo e livros em tinta.
2.3.1. Atendimentos

�5

O Espaço Braille atendeu em média noventa usuários por mês no ano de 2005.
Realizou mais de 8.600 impressões, além de mais 5.300 impressões somente para o
IV Seminário Nacional de Bibliotecas Braille (IV SENABRAILLE), realizado em 2005,
no Campus Santo Amaro.

2.3.2. Perfil dos usuários do Espaço Braille (em abril de 2006)

•78% dos usuários não têm computador em casa;
• Quase 90% dos usuários moram na cidade de São Paulo;
•49% com cegueira total;
•47% com visão subnormal;
•4% com visão normal.
2.4. Barreiras ao acesso à informação nas universidades
2.4.1. Barreiras físicas
As barreiras físicas para os deficientes visuais não são exclusividade da
biblioteca. Elas estão presentes na via pública e nas demais áreas dos prédios da
universidade, tais como: salas de aula, cantinas, banheiros, salas da administração
universitárias etc. A Associação Brasileira de Normas Técnicas possui uma norma, a
9050 (Acessibilidade a Edificações, mobiliário e equipamentos urbanos), que é bem
clara quanto à adaptação de espaços físicos para que se tornem mais acessíveis.
Nela, encontramos normas exclusivas para bibliotecas.

Alguns desses ambientes são antigos e difíceis de serem adaptados, exigindo
investimento financeiro. Para justificá-lo, o profissional da informação terá que
trabalhar em conjunto com a diretoria da biblioteca, reitoria, órgãos de fomento à
pesquisa e empresas.
Além

das

normas

da

ABNT,

MASKORT1

(2005)

acrescenta

algumas

recomendações:

1

MASKORT, Janice. Como fazer sua biblioteca mais acessível. In: FORCE FUNDATION WORKSHOP, 10.
São Paulo, nov. 2005. CD-ROM.

�6

•

Não deixar toda a responsabilidade de planejamento para o arquiteto;

•

Quanto maior o contraste de cores, melhor é a sinalização do ambiente;

•

Consultar deficientes no estágio inicial dos planos;

•

Para as portas:
o Devem ter molduras pintadas de cor diferente das demais para
oferecer contrastes;
o Portas de vidro devem possuir uma faixa colorida no meio;

•

Os corredores devem ser limpos e vazios, inclusive de carrinhos de livros;

•

Iluminação:
o quase 96% de todos os deficientes visuais possuem a percepção
visual da luz;
o Quanto maior a iluminação de contrastes de cores, melhor para o
usuário;
o Deve ser uniforme;
o Dispor abajures para mesas de leitura;

2.4.2. Barreiras profissionais
SMITH (2002) destaca que os recursos acessíveis oferecidos pela biblioteca
devem vir acompanhados de treinamento dos funcionários. O que adianta um
computador com leitor de telas, se não há quem entenda o seu funcionamento? É
fato que, independente de possuir ou não deficiência, usuário mal atendido em suas
necessidades não retorna à biblioteca. Ela é fundamental na formação dos
estudantes, e se não estiver pronta a atender a certas necessidades específicas
provocará um bloqueio no progresso acadêmico dos deficientes condenando-os a
desempenhos poucos relevantes.

Ter conhecimentos técnicos ainda não basta. Apesar de possuírem as mesmas
necessidades informacionais, os usuários com deficiência visual necessitam de
atendimento especializado. Isto significa que o bibliotecário e sua equipe devem
conhecer os princípios básicos de Orientação e Mobilidade, que são recomendações
de atendimento a deficientes visuais. Além disso, requisitos como paciência e
capacidade de abstração são indispensáveis.

�7

3. CONHECIMENTOS ACUMULADOS PELO ESPAÇO BRAILLE

Como já foi dito, o objetivo deste trabalho é apresentar as soluções e as
respostas dadas aos desafios do Espaço Braille em atender alunos deficientes
visuais do ensino superior. Após mais de dois anos de intensas atividades foi
possível acumular alguns conhecimentos coletados de professores, profissionais da
área, pais de deficientes e usuários atendidos.

Os resultados apontam para uma realidade bastante promissora, pois o
conhecimento gerado no trabalho do dia-a-dia está ajudando muitos usuários a se
inserirem de forma concreta na sociedade da informação.

É possível dividir as soluções em duas fases distintas: a fase de preparação
para o vestibular e a fase de acompanhamento da vida acadêmica do aluno.

3.1. Fase de preparação para o vestibular
O Espaço Braille atende instituições de ensino superior, orientando e
imprimindo provas de vestibular. Com essa experiência, foi possível formular
algumas recomendações muito simples que ajudam o deficiente a ter uma
compreensão total do que lhe é exigido durante a prova sem que isso diminua o
grau de dificuldades das questões.

A regra é estabelecer, se possível, uma comunicação com os elaboradores das
provas a fim de conscientizá-los quanto às questões que só privilegiem concorrentes
videntes – dependendo da impressora Braille, questões com gráficos e imagens não
serão adequadamente impressas o que tornará sua solução impossível.

Informar-se quanto ao número e o tipo de deficientes inscritos no vestibular é
fundamental, pois ajuda a mensurar o tempo necessário para a impressão de todas
as provas que poderão ser em Braille ou com texto ampliado. Restringir ao máximo

�8

o número de pessoas em contato com a prova no momento da impressão, não
permitir que o arquivo seja gravado e exigir a presença de um responsável pela
prova garante a lisura do processo.

3.2. Fase de acompanhamento da vida acadêmica do aluno
Durante os anos de estudos acadêmicos é exigida a leitura de uma grande
quantidade de textos, livros, revistas, apostilas etc. Muitos trabalhos, provas,
redações, pequenas monografias são produzidos ao longo deste tempo. É
justamente nesta fase que o deficiente mais necessita de um bibliotecário preparado
para ajudá-lo.
A conversão de materiais convencionais em formatos alternativos demanda
tempo. Para que a impressão em Braille e em CD possam ser entregues em tempo
hábil, seguimos as seguintes recomendações:
•

Os livros de bibliografia básica devem ser prioridades de digitalização, e
convertidos conforme a necessidade do usuário: fonte ampliada, Braille
ou áudio;

•

Os livros de leitura complementar, apostilas, roteiros de estudos, resumos
e etc. devem ser fornecidos ao usuário e à biblioteca com antecedência.
Isto necessita da colaboração do corpo docente;

•

Obras de referências requerem um atendimento mais personalizado,
geralmente acompanhado pelo funcionário da biblioteca. Se um usuário
necessita de um verbete de dicionário, ou palavra traduzida, o melhor
será acompanhá-lo, pois a conversão para formatos de braile ou áudio
traz os seguintes inconvenientes:
o Braille: para cada folha de texto a tinta são necessário de 4 a 5
folhas em braile, logo um dicionário de 700 páginas em tinta, por
exemplo, se transformará num volume de 3.500 páginas que
ocupará muito espaço;
o Áudio: cada verbete de um dicionário deveria ser uma faixa
individual de CD, senão o acesso a um arquivo extenso seria
cansativo. Mesmo assim, cada faixa necessitaria de uma fonte

�9

secundária para indicar corretamente a localização do verbete nos
CDs e nas faixas.
o Digital: nem tudo que é produzido de modo digital, principalmente
em CD-ROMs e páginas da Internet, é acessível. A arquitetura
usada na construção dessas mídias, muitas vezes, não é
reconhecida por leitores de telas.
3.2.1. Questão dos direitos autorais
A digitalização de textos demanda um controle rigoroso dos direitos autorais
por parte das Editoras e Associações ligadas à questão de Propriedade Intelectual.
A Constituição Brasileira assegura, de modo claro, que o deficiente visual tem direito
à informação (em qualquer formato). A reprodução da lei encontra-se abaixo e é
extraída da SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL (2002, p.5):
“Capítulo IV
Das limitações aos Direitos Autorais
Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
I – a reprodução:
(...)
D) de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso
exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução,
sem fins comerciais, seja feita mediante o sistema BRAILLE ou
outro

procedimento

em

qualquer

suporte

para

esses

destinatários.
(...)”
Sob esse amparo legal e dentro das especificações da lei, o bibliotecário pode
digitalizar, imprimir em Braille e gravar em CD. A lei e as tecnologias atuais estão a
favor do trabalho de disseminação de informação para os deficientes visuais.

3.3. Trabalhando com a conversão de formatos
No Espaço Braille, utiliza-se a ampliação de texto em tinta. Existem diversas
tecnologias que realizam esta função:

�10

•

Lupa manual: dispositivo de diversos graus de ampliação que substituem
os óculos comuns.

•

Lupa eletrônica: tecnologia que consiste de um monitor de TV e um
receptor de imagens (no formato de mouse, por exemplo) que projeta o
texto ampliado no monitor. É preferível aquelas que permitem contraste
de cores.

Em ambiente digital, ou seja, no computador, a ampliação possui mais
vantagens. Alguns exemplos:
•

Lupa digital: amplia os caracteres da tela do computador.
o Lupa do Windows. Disponível gratuitamente nas versões mais
recentes do Windows. Tem as seguintes opções: aumento (até
nove vezes), contraste de cor, e disposição da ampliação.
o MAGIC: apresenta recursos avançados e diferenciados como:
síntese de voz, melhor definição e etc. Este produto possui custo
de aquisição.

•

WEBBIE 3: navegador voltado para deficientes visuais, com ampliador de
tela ideal para pessoas com cegueira. Disponível de modo gratuito.

•

Editores de texto (Word, Bloco de Notas e etc.): não possibilitam a
ampliação de menus e caixas de diálogos, porém as fontes dos textos
tornam-se dinâmicos e podem ser adaptados. Além disso, possibilitam a
impressão em tinta ampliada, seguindo alguns critérios:
o Tamanho da fonte: adequação do nível de ampliação conforme a
visão do usuário. Muitas vezes é preciso que o usuário veja na tela
do computador a fonte adequada antes da impressão.
o Usar, de preferência, papel poroso escuro para evitar reflexo de
luz. Os textos devem ser em fundo liso, sem logomarcas ao fundo.
Preparar de antemão a impressão de formulários ampliados. As
fontes recomendadas são a Helvética ou Arial.2
o Estilo da fonte: negrito, de preferência.
o Diminuir ao máximo as quatro margens do papel: reduz
substancialmente o custo, o volume e o peso do produto, quando
for impresso.

2

MASKORT, Janice. Como fazer sua biblioteca mais acessível. In: FORCE FUNDATION WORKSHOP, 10,
São Paulo, nov. 2005. CD-ROM.

�11

o Para tabelas, usar o papel na forma de retrato. Muitas vezes, é
preciso dividir as colunas.
Para usuários com deficiência visual total existem muitas alternativas para
conversão de documentos tradicionais para o alternativo (acessível). VIEIRA (2006)
resume estes procedimentos no quadro a seguir:
Material

Processo de

Tecnologia de

Original

Conversão

Conversão

Escrita

Datilografia

Produto

Reglete
Máquina de

BRAILLE

escrever

(papel)

Impresso Impressão (arquivo
em

digital)

Impressora
CD, fita

tinta

Leitura com voz

Gravador,

k7, mídia

humana

computador

digital

Leitura sintetizada

Computador,

(arquivo digital)

leitor de tela

Digitalização por

Arquivo

digitação

Computador

Digitalização por

Computador,

OCR

escâner, OCR

digital

Fig. 2: Conversão de material tradicional para o acessível no Espaço Braille do
Centro Universitário Campus SENAC-SP

�12

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As tecnologias apresentadas, bem como o seu uso adequado, podem
oferecer ao usuário com deficiência melhores perspectivas de inserção ao ensino
superior. Neste contexto, a biblioteca pode se converter em um centro de apoio
permanente que atue na promoção de medidas de acessibilidade tanto para seu
próprio acervo quanto em outros setores da universidade.
O bibliotecário, por sua vez, assumirá um papel fundamental neste processo,
pois dependerá de seu esforço a criação de soluções, a padronização de
atendimentos e, sobretudo, a manutenção dessas soluções, pois é uma
característica marcante desta área que constantes mudanças se sucedam devido ao
avanço tecnológico e as alterações na legislação.
É animador que a tecnologia esteja diminuindo as barreiras de acesso. Seu
avanço tem sido alvo de muitas discussões que, num limite pessimista, a vê como
uma fonte de exclusão de pobres e remediados que dela nunca se beneficiará.
Entretanto, a experiência tem mostrado que na verdade ela é uma grande aliada e
que deve ser dominada pelo bibliotecário a fim de que cumpra seu papel histórico de
disponibilizar a informação para todos, conforme suas necessidades.
Finalmente, o Brasil tem dado passos importantes, ainda que muito devagar,
no sentido de abrir sua legislação para que essas tecnologias se tornem mais
baratas e acessíveis a toda a população. A combinação desses dois pontos:
desenvolvimento tecnológico e apoio governamental podem se tornar a pedra de
toque na democratização da informação. Resta ao bibliotecário encontrar seu
espaço nesta nova realidade.

�13

5. REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: Acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2001.
BRASIL. Normas técnicas para a produção de textos em Braille. Brasília: MEC,
SEEP, 2002.
GIL, Marta. Deficiência visual. Disponível em: &lt;http://www.mec.gov.br/seed/
tvescola/pdf/deficienciavisual.pdf&gt;. Acesso em: maio 2005.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Disponível em:
&lt;http://www.ibge.gov.br&gt;. Acesso em: 08/04/2006.
NERI, Marcelo et al. Retratos da deficiência no Brasil (PPD). Rio de Janeiro: FGV,
IBRE, CPS, 2003.
SMITH, Veronica. Assistive Technology. Colorado Libraries, v. 28, n. 4, 2002 p. 338. Disponível em: &lt;http://wilsontxt.hwwilson.com/pdfhtml/03824/W6B9M/XSY.
htm&gt;. Acesso em: dez. 2004.
VIEIRA, Ricardo Quintão. Tornando a informação acessível para o deficiente visual:
experiências do Espaço Braille do Centro universitário Campus SENAC – SP. In:
CONGRESSO INTERNACIONAL DE ARQUIVOS, BIBLIOTECAS, CENTROS DE
DOCUMENTAÇÃO E MUSEUS, 2., 2006, São Paulo. Anais Eletônico. Trabalho
técnico. CD-ROM.

�14

ANEXO I
Siglas e termos utilizados neste trabalho:
BRAILLE VIRTUAL: programa voltado para pessoas com visão normal,
que ensina a pontuação do braile, além de outros recursos. Foi desenvolvido
pela Faculdade de Educação da USP. Disponível gratuitamente em:
http://www.brailevirtual.fe.usp.br.
DOSVOX: programa de voz voltado para deficientes visuais. Foi
desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Disponível
gratuitamente em: http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/.
JAWS. Leitor de telas.
MAGIC: Ampliador de tela de microcomputador. Voltado para pessoas
com visão subnormal.
OCR:

sigla

inglesa

para

“Optical

Character

recognition”,

ou

“Reconhecimento de Caracteres Ópticos”. Processo pelo qual signos são lidos
de uma imagem em tinta e dispostos num programa de editor de texto.
OPENBOOK: programa voltado para pessoas com deficiência visual,
cujo funcionamento é a digitalização, leitura através de voz sintetizada e
registro de materiais impressos em tinta.

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Salvador (Bahia)</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>O universitário com deficiência visual e o desafio profissional do bibliotecário.</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Salvador (Bahia)</text>
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              <text>Discute a deficiência visual e as barreiras de acesso à informação no âmbito de bibliotecas de instituições de ensino superior. Focaliza as tecnologias eletrônicas voltadas para o usuário com deficiência visual e como o profissional da informação deve se preparar para conhecê-las prestando um atendimento adequado. Apresenta os números do IBGE, que justificam a preocupação com o tema. Concretiza esta discussão mostrando o Espaço Braille da Biblioteca do Centro Universitário Senac-SP: seus serviços, atendimentos, e tecnologias eletrônicas que proporcionam melhor acesso à informação. Finalmente, ompartilha os procedimentos desenvolvidos no Espaço Braille, quanto à conversão de formatos tradicionais (em tinta e papel) para formatos acessíveis (braile, áudio e digital).</text>
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