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                  <text>O PERFIL DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL: IDENTIFICAÇÃO DE
MECANISMOS NA GERAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA TODOS

Lúcia Maria S. V. Costa Ramos
Faculdade
de
Odontologia
Universidade de São Paulo
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227
Cidade Universitária
05508-000 - São Paulo  SP - Brasil
ferpau@usp.br

da

Vera Regina Casari Boccato
Doutoranda do Programa de Pósgraduação em Ciência da Informação da
Faculdade de Filosofia e Ciências da
Universidade Estadual Paulista - UNESP
 Campus de Marília
Av. Higyno Muzzi Filho, 737
Cidade Universitária
17525-900 - Marília - SP  Brasil
vboccato@yahoo.com.br

EIXO TEMÁTICO: Políticas Públicas de Acesso à Informação

�RESUMO
O conhecimento é hoje um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação
de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem-estar. Está diretamente ligado à
informação que tem papel central nas relações sociais e no desenvolvimento econômico.
Certamente gostaríamos que o Brasil fosse uma sociedade com um perfil centrado na
informação/conhecimento. O cotidiano brasileiro demonstra fragilidade em relação aos direitos
sociais e à participação do indivíduo na sociedade dentro de uma concepção cidadã. Essa
condição agravou-se no decorrer das últimas décadas, onde o processo irreversível de
globalização com fronteiras econômicas às custas do aumento da desigualdade e da exclusão
social, veio fortalecer e ampliar os limites da disparidade anulando o poder dos Estados Nacionais
e universalizando não somente as práticas capitalistas, mas também a identidade cultural de
muitos países. Este processo resulta na perda da participação política e ideológica do cidadão
comum, gerando um ambiente apático onde o intenso fluxo de informação acaba por confundir o
cidadão ao invés de elucidá-lo. Esse processo de desinformação deve ser combatido, e para tanto
teríamos de definir quais são as políticas públicas formuladas a favor do cidadão brasileiro para
que ele possa fazer uso dos benefícios da tecnologia da informação.

Palavras-chave: Políticas públicas de informação; Sociedade da informação; Acesso à
informação.
1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, o conceito de Sociedade da Informação adquiriu importância em
escala mundial, fundamentado na crença de que sua consolidação favorece a integração
global nos diferentes âmbitos em que se desenvolve a vida humana: economia,
conhecimento, cultura, etc.
Todavia, apesar dos esforços realizados e do entusiasmo demonstrado, não estão
claras as implicações práticas que a Sociedade da Informação terá na vida das pessoas.
Além disso, seu ritmo de desenvolvimento se reduziu nos últimos anos em conseqüência
da crise econômica mundial.
Em que pese a globalidade implícita no conceito "Sociedade da Informação", devese levar em conta que cada país apresenta suas próprias particularidades em aspectos
tão variados como o da economia, da sociedade, da geografia e da cultura. Por isso é
imprescindível que o desenvolvimento da Sociedade da Informação se adapte às
particularidades de cada um, respeitando-as e até mesmo potencializando-as.
Assim, devido aos diferentes cenários, devem ser adotados, a curto prazo,
modelos distintos de desenvolvimento da Sociedade da Informação, atendendo às
características

concretas

de

cada

país.

Apesar

disso,

à

medida

que

esse

desenvolvimento avance, essas diferenças tenderão a se reduzir como conseqüência da
globalização, ocasionando uma convergência entre todos os modelos em longo prazo.

�A sociedade da informação conduz para

novas responsabilidades todos os

agentes sociais nela inseridos. Essas responsabilidades indicam o dever desses agentes
para que a informação tenha

um fluxo constante e possibilite a geração de novos

conhecimentos e tomada de decisão nas várias instâncias da sociedade, principalmente
no que se refere ao Estado. Para Wetherbe, 1987 e Chiavenato, 1993) a informação pode
ser entendida do ponto de vista funcional, como um recurso redutor de incertezas, e, no
que diz respeito ao desenvolvimento, ela pode tornar viável a elaboração, implementação
e avaliação de políticas públicas com maior grau de eficácia e eficiência, a partir da
análise da complexidade social em seus pleitos e contestações. Por conseguinte, o uso
desse recurso gerou um conjunto de situações que coloca em destaque a posição da
sociedade

pós-industrial,

como

o

aumento

da

vida

média

da

população,

o

desenvolvimento tecnológico, a difusão da escolarização e difusão da mídia. Estudiosos
como Castells (1999), Touraine (1999) e Masuda (1982) atribuem posição de recurso
fundamental para o desenvolvimento da sociedade a estrutura geradora desse fluxo
contínuo de informação, tendo adquirido essa posição em função das transformações
tecnológicas que a tornaram cada vez mais difusa no século XX. Assim, para os
diferentes agentes da sociedade, a informação assume finalidades específicas. Na esfera
mercadológica, o acesso à informação visa à geração de superioridade sobre a
concorrência. Por isso, cada vez mais, grandes corporações vêm realizando
investimentos vultosos em sistemas de informação, objetivando interagir de forma mais
rápida e dinâmica em áreas de produção, distribuição e comercialização de produtos
estrategicamente propalado no âmbito mundial (FERREIRA, 2000).
Entre os programas promovidos pelo governo brasileiro destaca-se o da
Sociedade da Informação (SocInfo), com a função de estimular a evolução da internet e
suas aplicações. Isso tanto no que se refere ao treinamento de pessoal de pesquisa e
desenvolvimento, quanto à garantia de serviços de comunicação e informação. O
resultado desse programa culminou com a publicação do livro Sociedade da Informação
no Brasil  Livro Verde, em setembro de 2000).
O objetivo principal deste trabalho

é mostrar um panorama do estágio da

Sociedade da Informação no Brasil, não apenas disseminando a adoção e o uso das
tecnologias de informação, mas também evitando que esse processo aumente ainda mais
as desigualdades sócio-econômicas existentes entre pessoas e regiões.

�2 CONCEITUANDO SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

O conceito de "Sociedade da Informação" nasceu no Japão em princípios da
década de 60, quando os especialistas japoneses consolidaram uma série de conceitos
que, a partir da 2ª Guerra Mundial, tentaram dar conta tanto do grande desenvolvimento
tecnológico e econômico de seu país quanto das mudanças sociais decorrentes da
Guerra. Transportado para a Europa no final dos anos 70, esse conceito, ao lado do
conceito "Sociedade do Conhecimento", evolui firmemente no discurso ocidental até se
tornar parte essencial das estratégias político-econômicas do atual mundo globalizado. Se
fortalece no contexto de

debates acadêmicos, envolvendo cientistas sociais e

economistas. Tais debates são motivados pela percepção de que a emergência,
desenvolvimento e difusão de novas tecnologias de informação e comunicação estariam
na base da estruturação de um novo quadro de relações sociais e econômicas
configurando um novo tipo de sociedade.
Atualmente, a expressão sociedade da informação popularizou-se, contendo,
tanto nas abordagens analíticas, como nas de intervenção política, um significado
dominantemente positivo associado à bondade das mudanças que podem ocorrer com a
difusão das tecnologias da informação e comunicação.
No entanto, sua origem remonta aos anos sessenta, quando se percebeu que a
sociedade caminhava em direção a um novo modelo de organização, no qual o controle e
a otimização dos processos industriais eram substituídos pelo processamento e manejo
da informação como chave econômica. Ao mesmo tempo, a sociedade da informação
tornou-se uma bandeira política, atravessada por dimensões ideológicas e utópicas,
mobilizadora de esforços públicos e privados para a resolução de problemas sociais e
econômicos, constituindo as tecnologias de informação um instrumento da mudança
social dirigida.
3 O BRASIL E A SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

O Brasil está atento às tendências rumo à Sociedade da informação, como
desdobramento natural de uma visão estratégica, de futuro, da área de Informática, que
remonta à década de 70.
O programa Sociedade da Informação resulta de trabalho iniciado em 1996 pelo
Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia - o CCT. Sua finalidade é lançar os alicerces

�de um projeto estratégico, de amplitude nacional, para integrar coordenar o
desenvolvimento e a utilização de serviços avançados de computação, comunicação e
informação e de suas aplicações na sociedade, de forma a alavancar a pesquisa e a
educação, bem como assegurar que a economia brasileira tenha condições de competir
no mercado mundial.
O programa brasileiro foi lançado oficialmente pela Presidência da República em
dezembro de 1999, sob a coordenação do Ministério de Ciência e Tecnologia.
A primeira fase do Programa compreende três etapas distintas: a elaboração de
um Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil; a condução de um processo de
consulta pública referente às propostas nele contida; e a preparação de um documento
de proposta final e oficial, o Livro Branco lançado em 2002 que é o resultado da
Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação que propõe o marco institucional para o
desenvolvimento da ciência e tecnologia nos próximos dez anos.
O Livro Verde que foi concluído em agosto de 2000, teve seu processo de
elaboração por um grupo de Implantação do Programa formado por membros do
governo, iniciativa privada, comunidade acadêmica e terceiro setor. Tendo envolvido
ainda a participação de um grupo de indivíduos, pertencentes a várias vertentes,
organizações e instituições representativas, distribuídos e organizados em onze grupos
de trabalho assim representados:
1) Divulgação à sociedade
2) Integração e Regionalização
3) Cooperação Internacional
4) Ações empresariais
5) Pesquisa e Desenvolvimento
6) Processamento de Alto Desempenho
7) Educação
8) Conteúdos e Identidade Cultural
9) Administração Pública
10) Infra-estrutura de redes e backbones - No contexto de redes de computadores,
(traduzindo para português - espinha dorsal) Espinha dorsal - Um conjunto
interconectado de circuitos constituindo o caminho central de uma rede nacional de
dados. As duas espinhas dorsais principais do Brasil são operadas pela Embratel e
pela RNP.

�11) Trabalho e Planejamento - A efetivação do trabalho dos grupos foi baseada em uma
matriz formada por temas dos grupos e linhas de ação.
A organização proposta para o Livro Verde iria revolucionar a visão até então
predominante, que salienta os aspectos simplesmente

tecnológicos e de infra-

estrutura. As linhas de ações propostas pelo programa tem um seguimento de acordo
com as prioridades. Deste modo foram enfocados os objetivos econômicos, sociais,
políticos e culturais considerados estratégicos do ponto de vista das aplicações das
Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Assim sendo o objetivo proposta para
o Programa Sociedade da Informação no Brasil foi declarado da seguinte maneira:
integrar, coordenar e fomentar ações para utilização de tecnologias de informação e
comunicação de forma a contribuir para que a economia do país tenha condições de
competir no mercado global e simultaneamente contribuir para a inclusão social de
todos os brasileiros no novo modelo de sociedade (TAKAHASHI, 2000).
Conforme descrito no Livro Verde a execução do Programa irá se desdobrar em
sete grandes linhas de ação:
1) Mercado, trabalho e oportunidades - promoção da competitividade das
empresas nacionais e da expansão das pequenas e médias empresas, apoio à
implantação de comércio eletrônico e oferta de novas formas de trabalho, por
meio do uso intensivo de tecnologias de informação e comunicação;
2) Universalização de serviços e formação para a cidadania - promoção da
universalização do acesso à Internet, buscando soluções alternativas com base
em novos dispositivos e novos meios de comunicação; promoção de modelos
de acesso coletivo ou compartilhado à Internet; e fomento a projetos que
promovam a cidadania e a coesão social;
3) Educação na sociedade da informação - apoio aos esquemas de
aprendizado, de educação continuada e a distância baseados na Internet e em
redes, através de fomento a escolas, capacitação dos professores, autoaprendizado e certificação em tecnologias de informação e comunicação em
larga escala; implantação de reformas curriculares visando ao uso de
tecnologias de informação e comunicação em atividades pedagógicas e
educacionais, em todos os níveis da educação formal.;
4) Conteúdos e identidade cultural - promoção da geração de conteúdos e
aplicações que enfatizem a identidade cultural brasileira e as matérias de

�relevância local e regional; fomento a esquemas de digitalização para a
preservação artística, cultural, histórica, e de informações em ciência e
tecnologia, bem como a projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D) para
geração de tecnologias com aplicação em projetos de relevância cultural;
5) Governo ao alcance de todos - promoção da informatização da administração
pública e do uso de padrões nos seus sistemas aplicativos; concepção,
prototipagem e fomento às aplicações em serviços de governo, especialmente
os que envolvem ampla disseminação de informações; fomento à capacitação
em gestão de tecnologias de informação e comunicação na administração
pública;
identificação de tecnologias

6) P&amp;D, tecnologias-chave e aplicações -

estratégicas para o desenvolvimento industrial e econômico e promoção de
projetos de P&amp;D aplicados a essas tecnologias nas universidades e no setor
produtivo; concepção e indução de mecanismos de difusão tecnológica;
fomento a aplicações piloto que demonstrem o uso de tecnologias-chave;
promoção de formação maciça de profissionais, entre eles os pesquisadores,
em todos os aspectos das tecnologias de informação e comunicação.;
7) Infra-estrutura avançada e novos serviços - implantação de infra-estrutura
básica

nacional

de

informações,

integrando

as

diversas

estruturas

especializadas de redes  governo, setor privado e P&amp;D; adoção de políticas e
mecanismos de segurança e privacidade; fomento à implantação de redes, de
processamento de alto desempenho e à experimentação de novos protocolos e
serviços genéricos; transferência acelerada de tecnologia de redes do setor de
P&amp;D para as outras redes e fomento à integração operacional das mesmas.
O Estado precisa encarar a informação como um recurso de gerenciamento e
desenvolvimento para o país. Com a mesma intensidade que se concebem políticas
dirigidas para os setores de habitação, saúde, educação, segurança pública e geração
de emprego e renda, cabe aos governos em sua representatividade federal,estadual e
municipal desenvolver políticas de informação.
Política de informação significa uma decisão governamental, direcionando as
atividades do setor. Explícita ou implícita-dífusa na massa das políticas públicas, ela é o
resultado de uma correlação de forças dentro do Estado.
As políticas de informação no Brasil têm sido propostas, até o momento, sem a
necessária

articulação

com

os

contextos

e

políticas

cultural,

educacional

e

�comunicacional, que afetam sobremaneira as relações sócio-econômicas. A informação,
como transmissora e geradora de novos conhecimentos, ainda não tem sido considerada
prioritária nos planos e programas de desenvolvimento científico e tecnológico. Forma-se,
daí, um hiato entre a produção do conhecimento e sua disseminação, condição básica
para a continuidade do processo.
Mesmo que um discurso liberal tente mostrar o Estado como o lugar aberto à
participação de todos, ele não é um árbitro neutro, pois desenvolve seus planos,
programas e políticas para aquelas áreas que considera prioritárias.
No caso da política tecnológica, a importância maior é dada à indústria, ficando
relegadas a planos secundários as tecnologias alternativas, estas, fundamentais para
pequenos produtores rurais e urbanos.
No que se refere a política científica, vemos a centralização de recursos para a
produção do conhecimento e circulação da informação num número reduzido de
Universidades e Institutos, os "centros de excelência" situados no país.
Por fim , mas não menos importante, há que se considerar que nos países de
capitalismo dependente como o Brasil, o ciclo de transferência da informação tecnológica
é quebrado. O que geralmente ocorre é a importação de pacotes isto é verdadeiros
manuais de serviços. Não existe o desenvolvimento de pesquisas para aplicação efetiva,
principalmente naquelas áreas cujo domínio tecnológico acarretaria uma relativa
autonomia do capital internacional.

4

PANORAMA DAS POLÍTICAS DE INFORMAÇÃO NO BRASIL: uma breve
abordagem

Política de informação deve ser um instrumento que integre a sociedade aos
avanços científicos e tecnológicos, de forma participativa. Assim praticada, ela contribui
para a melhoria do nível educacional, cultural e político, elementos básicos para o
exercício pleno da cidadania (SILVA, 1991).
Nesse sentido e de acordo com o art. 5º, inciso XIV da Carta Magna, a
Constituição Brasileira (1988),

é assegurado a todos o acesso a informação e

resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional. (BRASIL,
2004, p. 26).
Entende-se por cidadão, o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um
estado ou no desempenho de seus deveres para com este. (FERREIRA, 2004, p. 465).

�A cidadania exercida objetiva o processo de conscientização do indivíduo, por
meio da educação e acesso à informação e ao conhecimento (Rocha, 2000),
incorporando três elementos como o civil, o político e o social (TARGINO, 1991, p. 152),
caracterizados da seguinte forma:
1) elemento civil: congrega os direitos essenciais à liberdade individual:
liberdade de ação, de consciência, de crença, de comunicação, de expressão, artística,
intelectual etc.;
2) elemento político: direito de participar do poder político;
3) elemento social: direito mínimo ao bem-estar e de segurança, etc.
Araújo (1999) expõe assim que a construção da cidadania, ou de práticas de
cidadania, passa, necessariamente, pela questão do acesso e uso de informação. Tanto
a conquista de direitos políticos, civis e sociais, quanto a implementação dos deveres do
cidadão dependem do livre acesso à informação sobre tais direitos e deveres. Ou seja,
dependem da ampla disseminação e circulação da informação e, ainda, de um processo
comunicativo de discussão crítica sobre as diferentes questões relativas à construção de
uma sociedade mais justa e, portanto, com maiores oportunidades para todos os
cidadãos. (ARAÚJO, 1999)..
A informação, é [...] direito de todos, É um bem comum, que pode e deve atuar
como fator de integração, democratização, igualdade, cidadania, libertação e dignidade
pessoal. Não há exercício da cidadania sem informação (TARGINO, 1991, p. 155).
A relação informação-cidadania é de suma importância na criação de produtos e
serviços que visam facilitar a vida do cidadão no cotidiano social.
Dentro desse contexto, torna-se necessário o desenvolvimento das políticas de
informação, originárias a partir da década de 1950 com a atuação dos países
desenvolvidos, tendo a UNESCO também colaborado significativamente nesse
segmento com a implantação de Centros Nacionais de Informação preocupados com a
definição de políticas de informação e, consequentemente, com o estabelecimento de
Sistemas de Informação de acordo com o perfil sócio-político e cultural de cada país
(PELUFÊ; SILVA, 2004). No Brasil, tem-se a criação em 1951 do CNPq  Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico com o desenvolvimento da
pesquisa científica e em 1954

IBBD - Instituto Brasileiro de Bibliografia e

Documentação, hoje IBICT  Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia, à frente das atividades de informação.

�Assim a elaboração das políticas de informação,

de responsabilidade dos

Governos, objetiva o acesso universal à informação por meio de fontes de informação
que contribuam para o desenvolvimento do indivíduo-cidadão.
Segundo Barreto (2004),
o destino final de política nacional de informação é controlar a geração, e
a organização das atividade de informação, visando uma distribuição
socialmente justa desta informação, com a intenção de gerar
conhecimento no indivíduo e induzir seu desenvolvimento pessoal e do
seus espaços de convivência.

Essas ações políticas devem, necessariamente, estarem articuladas com os eixos
culturais, educacionais e de comunicação, segmentos esses que afetam as relações
econômicas e sociais.
Em nível mundial, na década de 1990, alguns projetos-pilotos foram executados,
proporcionando resultados satisfatórios, ao desenvolvimento da Sociedade Global da
Informação (TAKAHASHI, 2000, p. 109):
•

Acesso Multimídia à Herança Cultural Mundial;

•

Gerência de Meio Ambiente e Recursos Ambientais;

•

Aplicações Globais em Saúde;

•

Governo On-line;

•

Mercado Global para pequenas e Médias Empresas.
No Brasil, presencia-se a adoção de políticas de informação por meio de

programas, produtos e serviços com vistas à manutenção/recuperação da
qualidade de vida do cidadão brasileiro.
A implantação dos Centros de Informação Utilitária, em nível nacional,
representa uma atitude simples, porém de grande importância para a formação da
identidade-cidadã.
A informação utilitária
propiciam

não é encontrada em documentos convencionais

respostas ao indivíduo-cidadão em relação

às suas necessidades

informacionais cotidiana sobre:


informações sobre impostos: IPTU, IPVA, INSS e etc.;



informações bancárias sobre abertura de contas, informações primárias sobre
FGTS, PIS, Seguro desemprego, dentre outras;



informações sobre o alistamento militar;

�

informações sobre documentos como CPF, RG, Titulo de Eleitor, Carteira de
Trabalho, Carteira de Motorista etc.;



indicações de emprego  ofertas de empregos, concursos etc.;



informações sobre educação: escolas públicas e particulares, Universidades,
vestibulares, cursos gratuitos, entre outras.
Essas informações selecionadas e organizadas são disponibilizadas em formato

eletrônico, nomeados, muitas vezes, como Arquivos de Pronta-Informação.
Dentro desse cenário, verifica-se que o surgimento das novas tecnologias foi um
fator determinante para o desenvolvimento das políticas de informação, atuando como
um suporte essencial na democratização e universalização de serviços e de acesso à
informação.
A viabilização da aquisição de computadores por meio do projeto Computador
Popular, bem como os programas de inclusão digital tornam-se fundamentais para a
integração dos indivíduos menos favorecidos na vida social, possibilitando o acesso às
informações que contribuirão para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.
4.1 A inclusão Digital do Indivíduo-Cidadão na Sociedade Brasileira
A construção das políticas de informação, é atualmente, um dos maiores
desafios e compromissos que os Governos e governantes possuem em relação ao
desenvolvimento econômico, político, social, educacional e cultural de seu país, estado
ou município.
O processo de globalização tende a gerar desigualdades entre as pessoas
dentro dos países e também desigualdades entre os países (MATTOS, 2006, p. 10).
A promoção da igualdade social está vinculada, entre outras mediadas,

ao

desenvolvimento de Programas de Inclusão Digital, possibilitando aos indivíduos menos
favorecidos oportunidades de empregos, geração e/ou melhoria da renda, qualificação
profissional, melhoria no ensino e na educação, por meio do uso e do acesso de
instrumentos/informações, viabilizando à esses

indivíduos a participação ativa no

processo de desenvolvimento econômico e social (BRASIL, 2006).
Dentro desse contexto, iniciativas estão sendo desenvolvidas e implantadas
nacionalmente, através do Programa de Inclusão Digital do Ministério da Ciência e
Tecnologia e regionalmente, muitas vezes com a colaboração da iniciativa privada e por
meio da atuação das Ongs  Organizações não Governamentais.

�No estado de São Paulo, presenciou-se a partir do ano 2000, a implantação do
Programa de Inclusão Digital O Acessa São Paulo (SÃO PAULO, 2006).
O Acessa São Paulo foi desenvolvido com o objetivo de oferecer à população
paulista o acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, focando
principalmente uso da Rede Mundial de Computadores  a Internet  com vistas ao
desenvolvimento social, cultural, intelectual e econômico de uma classe social menos
favorecida.
Para o alcance dos seus propósitos, o Programa cria e mantém Infocentros,
espaços públicos com computadores para acesso gratuito e livre à Internet.
Essas medidas propiciam condições de melhoria na vida da sociedade,
objetivando o

crescimento pessoal e valorizando a auto-estima dos indivíduos no

sentido da formação de cidadãos críticos, conscientes e integrados com o
desenvolvimento econômico e social do país.
5 IDENTIFICAÇÃO DE MECANISMOS NA GERAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA
TODOS
A informação está intimamente ligada ao desenvolvimento econômico e social,
possibilitando condições para o desenvolvimento bem-estar pessoal e profissional do
cidadão.
As bibliotecas tem um papel fundamental nesse contexto, caracterizado pelas
bibliotecas públicas, escolares, universitárias, entre outras.
Para tanto, é necessário que o país reconheça efetivamente a importância das
bibliotecas como agentes sociais contribuintes na formação do usuário-cidadão.
A vocação natural e a competência das bibliotecas públicas e escolares deve ser
reativada, proporcionando condições para e exercer plenamente a sua missão,
fornecendo-lhes infra-estrutura material, recursos humanos em quantidade suficiente e
capacitados para desempenhar o papel transformador no processo de ensino
fundamental, médio e na educação continuada. (BARBOSA, 2004).
As bibliotecas universitárias se destacam por possuir seus acervos de
bibliográficos e de multimídia de excelência, tanto na forma impressa quanto no formato
eletrônico e digital, possibilitando o acesso à informação, matéria-prima para a geração do
conhecimento científico.
As bibliotecas brasileiras,

necessitam do apoio constante dos órgãos

governamentais, instituições privadas e outros setores para continuar a sua atuação como

�agências sociais e de informação, na coleta, seleção, organização, geração

e

disseminação de informação para todos.
Para tanto, cabe ao profissional bibliotecário atuar como:


mediador entre o usuário e o conhecimento (informação registrada), atuando em
diversas áreas do conhecimento e em diversas unidades de informação, da
pesquisa científica à extensão cultural, no apoio ao ensino e aprendizagem, da
pré-escola à pós-graduação;



disseminador da informação registrada que atua no mercado de trabalho
difundindo o hábito da leitura e incentivando o uso da informação em seus
múltiplos suportes;



especialista na organização e na recuperação da informação;



promotor da democratização da informação, participando do processo educacional
do indivíduo como cidadão;



assessor no desempenho de ações culturais, o desenvolvimento social e os
avanços científicos e tecnológicos, tendo em vista a aquisição de seus
conhecimentos teóricos e sua prática profissional.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para o Brasil a coexistência das classes sociais, a desigualdade no acesso aos
bens e aos serviços produzidos pelo conjunto da sociedade, que se enraizaram

no

contexto social através de séculos de escravidão e de discriminação do trabalho manual.
Enquanto o conhecimento, era poder da classe dominante, e considerado desnecessário
durante muito tempo

para as camadas inferiores da população os considerados

excluídos-marginalizados. A Informação e conhecimento são socialmente moldados e
constituem elementos importantes como os termos inclusão-exclusão social. O
desenvolvimento de novos meios técnicos de tratamento e comunicação da informação
viabiliza conexões em tempo real e em escala virtual, estabelecendo redes de integração,
mas também de exclusão. Ao mesmo tempo em que novos meios técnicos, a partir das
modernas tecnologias de informação e comunicação, permitem um maior e mais ágil
intercâmbio de informações, também se impõem novas barreiras políticas, econômicas e
institucionais à integração de segmentos sociais e regiões marginalizados, no novo
padrão. Cabe ao poder público instituir políticas econômicas e sociais regionalizando a
informação.

�As bibliotecas tem um papel fundamental nesse contexto, onde encontram-se
inseridas em um cenário de mudanças, voltadas não só para os aspectos educacionais e
culturais, mas ressaltando a sua função social como instituições contribuintes do
desenvolvimento de um usuário-cidadão mais crítico, reflexivo e conhecedor dos seus
direitos e deveres.
As bibliotecas,

algumas com seus acervos disponíveis

em meio digital

possibilitam o acesso universal ao conhecimento produzido, e possibilitando a (re)criação
desse conhecimento para o bem-estar da comunidade.
Além disso, vale esclarecer, que as bibliotecas estão, todavia,

inseridas nas

políticas públicas de disseminação da informação e que toda iniciativa apresentadas por
elas são de grande importância para a potencialização dessas ações, no sentido de
proporcionar a adoção de políticas continuadas e de recursos financeiros destinados para
esse fim.
THE PROFILE OF THE INFORMATION SOCIETY IN BRAZIL: IDENTIFICATION OF
MECHANISMS IN THE GENERATION OF INFORMATION FOR ALL
ABSTRACT
The knowledge is today one of the main factors of overcoming of inaqualities, of aggregation of
value, creation of qualified job and propagation of well-being. He is directly on to the information
that has central paper in the social relations and the economic development. Certainly we would
like that Brazil was a society with a profile centered in the information/ knowledge. The daily
Brazilian inside demonstrates to fragility in relation to the social rights and the participation of the
individual in the society of a conception citizen. This condition was aggravated in elapsing of the
last decades, where the irreversible process of globalization with economic borders to the costs of
the increase of the inaquality and the social exclusion, came to not only fortify and to extend the
limits of the disparity annulling the power of the National States and universalization the capitalist
pratics, but also the cultural identity of many countries. This process results in the loss of the
participation ideological politics and of the common citizen, generating an indifferent environment
where the intense flow of information finishes for confusing the citizen instead of elucidating it. This
process of disinformation must be fought, and for in such a way we would have to define which are
the formulated public policies in favor of the Brazilian citizen so that it can make use of the benefits
of the technology of the information.

Palavras-chave: Information Public Policies. Information Society. Information Access.
REFERÊNCIAS
BARBOSA, M. L. A. A biblioteca e os bibliotecários como atores de políticas de
informação voltadas para o desenvolvimento. In: CINFORM  ENCONTRO NACIONAL
DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 5., 2004, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2004.
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              <text>O conhecimento é hoje um dos principais fatores de superação de desigualdades, de agregação de valor, criação de emprego qualificado e de propagação do bem-estar. . Está diretamente ligado à informação que tem papel central nas relações sociais e no desenvolvimento econômico. Certamente gostaríamos que o Brasil fosse uma sociedade com um perfil centrado na informação/conhecimento. O cotidiano brasileiro demonstra fragilidade em relação aos direitos sociais e à participação do indivíduo na sociedade dentro de uma concepção cidadã. Essa condição agravou-se no decorrer das últimas décadas, onde o processo irreversível de globalização com fronteiras econômicas às custas do aumento da desigualdade e da exclusão social, veio fortalecer e ampliar os limites da disparidade anulando o poder dos Estados Nacionais e universalizando não somente as práticas capitalistas, mas também a identidade cultural de muitos países. Este processo resulta na perda da participação política e ideológica do cidadão comum, gerando um ambiente apático onde o intenso fluxo de informação acaba por confundir o cidadão ao invés de elucidá-lo. Esse processo de desinformação deve ser combatido, e para tanto teríamos de definir quais são as políticas públicas formuladas a favor do cidadão brasileiro para que ele possa fazer uso dos benefícios da tecnologia da informação.</text>
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