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                  <text>O MODELO ESPANHOL DE CENTROS DE RECURSOS PARA EL
APRENDIZAJE Y INVESTIGACIÓN (CRAIs) COMO ALTERNATIVA PARA
ATUAÇÃO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS: ALGUMAS
REFLEXÕES PROVOCATIVAS

Cláudio Marcondes de Castro Filho
Mestre em Ciências da Comunicação,
Professor Assistente do Curso de Ciências
da Informação e Documentação da
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de
Ribeirão Preto, USP,
Av. dos Bandeirantes, 3900 – 14040-901
Ribeirão Preto – Brasil
claudiomarcondes@ffclrp.usp.br
Waldomiro Vergueiro
Doutor e Livre-Docente em Ciências da
Comunicação, Professor Titular do Curso de
Biblioteconomia da Escola de Comunicações
e Artes da USP,
Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443
05508-900 - São Paulo – Brasil
wdcsverg@usp.br
RESUMO
No início do século 21, as bibliotecas universitárias buscam formas para se
revigorar em sua missão de transmitir o conhecimento, respondendo às
mudanças que afetam o ambiente universitário no mundo inteiro. Na Europa, o
estabelecimento do “Ambiente Europeu de Ensino Superior”, pela Declaração de
Bologna (1999), teve como conseqüência a proposição de um novo modelo de
unidade de informação denominado Centros de Recursos para el Aprendizaje y
Investigación (CRAI). O modelo baseia-se na interação de docentes e discentes
com os recursos de informação em geral, principalmente os possibilitados pela
informação eletrônica, criando um ambiente virtual de aprendizado. Pensada para
a realidade européia, a proposta do CRAI pode, no entanto, representar
alternativa viável para o desenvolvimento das bibliotecas universitárias brasileiras,
merecendo atenção dos responsáveis por nossas unidades de informação. Nesse
sentido, propõem-se algumas reflexões baseadas na contraposição desse modelo
de biblioteca à realidade das universidades brasileiras. Como conclusão,
apontamos à atuação de um novo modelo de unidade informação, atender à
missão da universidade, por meio de uma postura pró-ativa dos gestores da
informação.
Palavras-chave: Biblioteca universitária; Centro de Recursos para el Aprendizaje y
Investigación; Biblioteca universitária – Modelo europeu; Biblioteca universitária –
Tecnologia

�1 INTRODUÇÃO

A biblioteca universitária é considerada como um meio educativo, indispensável
para o desenvolvimento do processo ensino e aprendizagem, que tem como
finalidade a formação de cidadãos, bem como informar e disponibilizar
conhecimentos técnicos e científicos para o aprimoramento da comunidade
acadêmica e universitária; portanto, as bibliotecas universitárias devem estar
inseridas, ser participativas e interagir entre si, e, principalmente no campo
educacional. Com os atuais paradigmas advindos das tecnologias de informação
e comunicação, as bibliotecas se tornaram um espaço de construção do
conhecimento e de mediação, procurando desempenhar funções, bem como
oferecer produtos e serviços essenciais para melhorar o acesso à educação e a
qualidade do ensino e aprendizagem.

O instrumental da tecnologia da informação e comunicação é importante para
fornecer a infra-estrutura para a melhoria de qualidade nas relações da
informação com os seus usuários; desta forma, as bibliotecas do ensino superior
devem obter estes instrumentos para a preparação de professores, para a
formação de pesquisadores e de profissionais das diversas áreas do
conhecimento, que procuram seu aprofundamento teórico, cultural, científico ou
tecnológico. Neste sentido, ressalta-se que o ensino superior é, em qualquer
sociedade, um dos motivos do desenvolvimento econômico e, ao mesmo tempo,
reconhecido como local onde se pensa de forma crítica, sendo o instrumento
principal de transmissão de conhecimento e de experiência cultural e científica
desenvolvido pela humanidade.

Os sistemas nacionais de ensino superior são tão variados e complexos, no que
se refere a estruturas, programas, público que os freqüenta e financiamento, que
se torna difícil classificá-los em categorias distintas (DELORS, 2003). Contudo, as
universidades, que aglomeram um conjunto de funções e missões, transcendem o
progresso e o saber e nos levam à pesquisa, inovação, ensino, formação,

�educação permanente e interação mundial; da mesma forma, as bibliotecas
universitárias devem estar incluídas de maneira globalizada neste sistema de
funções, com autonomia e direção para auxiliar os clientes dos cursos de
graduação a atingir suas metas.

Segundo Delors (2003), nos países em desenvolvimento, os trabalhos de
pesquisa dos estabelecimentos de ensino superior fornecem a base para
programas de desenvolvimento, formulação de políticas e formação dos recursos
humanos de nível médio e superior, como também os instrumentos de reforma e
de renovação da educação. De acordo com este autor (2003, p.150), a
universidade deve ocupar o centro do sistema educativo e cabem-lhe quatro
funções essenciais:
a) Preparar para a pesquisa e para o ensino;
b) Dar formação altamente especializada e adaptada às necessidades
da vida econômica social;
c) Estar aberta a todos para responder aos múltiplos aspectos da
chamada educação permanente, em sentido lato;
d) Cooperar no plano internacional.

Um dos meios de atender essas funções é a biblioteca universitária dispor de um
sistema de informação eficaz, um parque tecnológico e de comunicação em rede
e buscar a interação da sociedade com o desenvolvimento do conhecimento e da
informação.

2 ENSINO SUPERIOR NO BRASIL

A instituição de ensino superior pode ser considerada sob duas dimensões: a
institucional e organizacional. Institucional, como um dos aparelhos ideológicos
do Estado, vista como uma agência de formação especializada encarregada de
estabelecer relações com a sociedade brasileira contemporânea e sua instância
como sistema de ensino; e organizacional por ser considerada como uma
organização comum às demais organizações, distinguindo-se apenas por seus
objetivos e pelo tipo de pessoal administrativo (GRACIANI,1984). Assim, o ensino
superior constitui um processo de construção científica e de crítica ao

�conhecimento produzido, independente do tipo de instituição superior; para tanto,
são necessárias algumas atribuições, como o desenvolvimento das habilidades
de pesquisa; uma maior autonomia do aluno em busca de conhecimentos; a
inclusão da capacidade de reflexão e crítica; a colocação em prática de processos
interativos e participativos de ensino e aprendizagem, que nos levarão à
transformação da sociedade e consolidação da ciência. A educação deve ter uma
concepção não só em termos de cidadania, de participação política, mas também
em termos de uma educação ampliada e alargada. Arroyo (2001) defende que a
educação "compreende o conjunto de processos formadores que acontecem na
sociedade, na família, no trabalho, na escola, nos movimentos sociais, no lazer".

Nessa linha de discussão, existe uma grande quantidade de opiniões, textos,
discursos que defendem a reforma do ensino superior, que demanda a discussão
e participação efetiva da sociedade, das áreas de conhecimento educacional e do
Estado. É importante destacar que se trata de uma questão que é bem peculiar e
que está sendo bem debatida, recebendo atenção especial do Ministério da
Educação e Cultura (MEC), que recentemente apontou as cinco razões que
motivam a reforma da educação superior (BRASIL, 2005):
¾ Reformar para fortalecer a universidade pública
Hoje, 70% das vagas são não estatais e apenas 30% estatais. Com
esse índice, o Brasil transformou-se no país com maior participação
privada no ensino superior no mundo.
¾ Reformar para Impedir a mercantilização do ensino superior
O ensino não é mercadoria, é um bem público. A constituição federal
prevê a educação como dever do Estado, mas garante também a
participação da iniciativa privada. No entanto, ao exercer uma função
pública delegada, o setor privado deve buscar a qualidade como centro
de sua ação.
¾ Reformar para democratizar o acesso
Hoje, apenas 9% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos está
cursando o ensino superior, número bem abaixo da Argentina, que tem
32%. O Plano Nacional de Educação (2001/2010) prevê uma taxa de
escolarização de 30% da população.
¾ Reformar para garantir a qualidade
A qualidade é indispensável para a garantia do papel social e político da
Educação e a Universidade pública deve constituir-se em elemento de
referência. O governo acredita que não basta abrir vagas, mas que é

�necessário que se garanta um processo de ensino-aprendizado
condizente com as necessidades e expectativas da Nação.
¾ Reformar para construir uma gestão democrática
Profundamente inseridas na sociedade civil e com uma gestão
democrática e participativa, as universidades e as instituições públicas e
privadas devem produzir, de forma concertada, uma nova estrutura
organizativa que dê sustentação para os desafios presentes e futuros
do ensino superior em nosso país.

O que podemos ressaltar nas cinco razões oferecidas pelo MEC são alguns
argumentos

como:

fortalecimento,

mercantilização,

democratização,

qualidade e gestão.

Com o fortalecimento chegamos à autonomia, que nada mais é do que dar às
universidades capacidade gerencial para definir prioridades, como contratar e
despedir pessoal e buscar recursos adicionais; em contrapartida, elas devem ter
responsabilidade, ou seja, ter metas definidas e justificar seus custos em função
dessas metas.

Quanto à mercantilização, o MEC afirma que o "ensino não é mercadoria, é bem
público". Podemos, no entanto, afirmar que em algumas instituições particulares
prevalece o lucro sem o compromisso com a qualidade, o que ocorre também em
algumas públicas; de acordo com Castro e Schwartzman (2005), "um estudo
recente mostrou que as Instituições de Ensino Superior mais lucrativas são
aquelas que estão oferecendo serviços educativos melhores".

Como gestão, as universidades, sejam públicas ou particulares, devem utilizar
artifícios para que tenham o envolvimento e o compromisso de todos que ali
trabalham, de forma que professores, alunos e funcionários tenham oportunidade
de ser ouvidos em seus pontos de vista e participar das decisões. Por outro lado,
Castro e Schwartzman (2005) relatam que "as instituições de ensino não são
propriedades dos professores e alunos, mas das entidades que as mantêm, seja
com recursos públicos, seja com recursos privados"; portanto, cabe a elas zelar

�para que a missão e os objetivos sejam alcançados, e não defender interesses de
grupos internos.

A democratização do ensino superior é entendida pelas políticas públicas do
MEC sob a ótica da inclusão social. Uma série de programas viabiliza
economicamente não só o ingresso do aluno nas instituições públicas, como
também nas vagas antes ociosas da rede privada.

Em consonância com esses parâmetros, Rodrigues (2004, p.17) afirma que "a
aprendizagem não está mais restrita no tempo, no lugar nem na instituição". Isto
significa dizer que o processo contínuo de aprendizagem pode ser feito em casa,
na rua, no aeroporto, com os amigos, etc. e que a educação constrói-se por meio
de interações e relações grupais, pois o processo de aprendizado tem que ser
dialético, recíproco e mútuo e não unilateral. No entanto, historicamente, as
instituições educacionais no Brasil têm se caracterizado pela abordagem
expositiva, resultando na presença de alguém na frente da classe, que transmite
objetos de saber aos educandos, estruturando-se com base em um modelo que,
apesar de receber críticas, é bastante resistente a mudanças. Na verdade, o
aprimoramento da universidade seria ter esse modelo de ensino totalmente
modificado, com a prática estimulando um aprendizado mais dinâmico.

3 ENSINO SUPERIOR NA EUROPA

Em todo o mundo, a massificação do ensino superior tem levado a um forte
processo de diferenciação institucional, cuja expressão mais clara, hoje, talvez
seja o chamado "Processo de Bologna", que vem transformando o ensino
superior na Comunidade Européia. Em resumo, os países europeus estão
evoluindo para um sistema comum, com um primeiro ciclo universitário de três
anos, seguido de um nível de mestrado de dois anos e um terceiro, de doutorado,
de mais três anos. Estes números não são utilizados por todas as universidades
européias, mas a idéia geral é a de que os alunos no primeiro ciclo possam optar
tanto por uma formação geral como por um direcionamento para as carreiras
específicas, ou mesmo para formação mais imediata ao mercado de trabalho.

�Outra característica importante do ensino superior no mundo moderno,
particularmente na Europa, é a intensa circulação de estudantes e profissionais
entre países, o que requer um trabalho importante de desenvolvimento de
padrões de qualidade e sistemas de ensino compatíveis.

E ainda como novo formato proposto para a Universidade segundo a declaração
de Bolonha (BOLOGNA 1998, apud BURSZTYN, MARCEL, 2005) :
•

•

•

•

Redução no tempo de formação – quando o debate sobre educação
e formação de recursos humanos se inclina para o conceito de LLL
(Lifelong Learning), no qual cada indivíduo deve estar em
permanente processo de aprendizado, não cabendo mais uma
formação universitária tão extensa como nos tempos das
“formações perenes”.
Mobilidade espacial – o profissional do século XXI deve estar
adaptado ao imperativo de conhecer diferentes realidades, além de
seu espaço nacional. Para isso, é parte de sua formação aprender
em outros contextos territoriais.
Mobilidade institucional – o processo de formação pode (e deve) se
dar em diferentes instituições, possivelmente em países diferentes.
Para tanto, as estruturas curriculares devem ser ao mesmo tempo
compatíveis, flexíveis e com equivalência em disciplinas.
Mobilidade disciplinar – a tradicional formação em carreiras
“definitivas” deve ceder espaço às novas profissões, marcadamente
bi ou multidisciplinares.

Assim, fica evidente que o formato da Universidade está defasado, não mantendo
sintonia com a pós-modernidade. Está aberta a temporada para reformas. Por sua
vez, Rocha (2002, p.15) mostra que as alternativas para o ensino superior nas
condições de um mundo globalizado e na iminência da aplicação de novas
tecnologias de produção e transmissão de conhecimento também são importantes
para a evolução do aluno, do professor e do próprio ensino. Neste sentido,
entende-se que a grande mudança no ensino superior envolverá o incremento do
uso das Tecnologias de Informação e Comunicação - TICs -, que, como novas
formas de comunicação, conseguem dar impulso aos movimentos da sociedade
como um todo, chegando a inúmeras pessoas ao mesmo tempo e superando as
barreiras do tempo e espaço. Segundo Ameneiro (2004), as TICs incorporam
várias vantagens ao processo educativo, como:

�¾ Reduzem as limitações de espaço e tempo, permitindo a aplicação
de um modelo de aprendizagem mais centrada no estudante;
¾ Facilitam aos educadores o seguimento e supervisão dos
estudantes;
¾ Permitem cortar custos, como, por exemplo, de reprografia.

De acordo com a visão da União Européia, essas vantagens das TICs poderão
ser mais bem aproveitadas pela criação de um novo modelo de instituição de
suporte ao ensino superior, os Centros de Recursos para el Aprendizaje e
Investigación (CRAIs), que viria ocupar o lugar das tradicionais bibliotecas
universitárias.

4 DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS A CENTROS DE RECURSOS PARA EL
APRENDIZAJE E INVESTIGACIÓN

Espaço por excelência para aplicação das tecnologias de informação e
comunicação, o Centro de Recursos para el Aprendizaje y Investigación - CRAI,
representa uma avançada concepção de suporte para a aprendizagem, incluindo
espaços para trabalhos em grupos e individuais como também serviços
especializados; quanto ao suporte à pesquisa, prevê a comunicação interna com
os pares, para que haja uma interação nos diversos segmentos nas áreas de
conhecimento (MOLA, 2003), o que se torna possível pela existência e aplicação
das TICs, o que torna mais viável o acesso à educação de qualidade e
aprendizagem, com um acréscimo de excelência. Neste sentido, a recuperação
da informação, realizada de forma pertinente e exaustiva, é condição
indispensável para o bom desenvolvimento das atividades docentes de pesquisa,
assim como para o ensino e aprendizagem (MOSCOSO, 2003).

Uma das maiores preocupações da rede de bibliotecas universitárias espanholas
é a transformação das atuais bibliotecas em centros de suporte à docência, ao
ensino, a aprendizagem e a pesquisa, conforme entendido pela Convenção de
Bologna, que requer uma nova finalidade de biblioteca universitária, com todo tipo
de suporte e de recursos de informação, tecnológico, pedagógico, etc., exigindo
grande diversidade de profissionais, em que se incluem bibliotecários,

�informáticos, técnicos de várias áreas, assessores pedagógicos, entre outros.
Trata-se de um novo conceito, segundo o qual a biblioteca universitária espanhola
deverá sair da passividade, da não participação, para um papel participativo e
ativo na aprendizagem, no ensino e na pesquisa.

Essa visão está mais vinculada ao novo cenário educativo e toma como
referência, fundamentalmente, os centros de recursos para a aprendizagem
fundados, nos últimos anos, em algumas universidades inglesas, que buscaram
integrar serviços e recursos biblioteconômicos, tecnológicos, audiovisuais,
sistemas de informação, criação de materiais interativos, suporte aos docentes e
discentes. (MOSCOSO, 2003). No entanto, o Centro de Recursos para el
Aprendizaje e Investigación só se justifica em uma unidade de ensino a partir da
interação dos corpos docente e discente com as novas propostas pedagógicas
citadas no processo de Declaração de Bologna em 1999 e no comunicado oficial
da Conferência de Ministros responsáveis pela educação superior, realizado no
Espaço Europeu de Educação Superior em Berlim, 2003. (MICHAVILA, 2005).

Neste novo contexto, é importante ressaltar que a compatibilidade de sistemas,
um desenho de políticas comuns, configuração de verdadeiras redes e
plataformas com independência do sistema informático utilizado são essenciais
para que os serviços informacionais atinjam a integração e interação em toda
rede de informação existente no CRAI. Cabem, assim, algumas reflexões a
respeito, como as desenvolvidas por Moscoso (2003):
•
•
•
•
•
•

para existir um novo modelo de biblioteca, temos que admitir um
novo modelo de universidade;
as bibliotecas deverão dar prioridades a organização das fontes de
conhecimento dispersas e automatizadas pela rede;
criação de novos consórcios;
concentrar os melhores recursos para criar as condições
necessárias para alcançar a excelência na pesquisa, no ensino e na
aprendizagem;
existência de um apoio institucional a fim de modernizar a infraestrutura e equipamentos, como também apoio aos recursos
humanos;
modernização das bibliotecas;

�•

novas habilidades quanto as competências profissionais, se
encarregando de treinamentos específicos no que se refere as
tecnologias de informação e comunicação.

Neste sentido o que mais interessa é quando o professor assume o papel de
negociador e o ensino se dá por meio da interface do conteúdo aprendido em
outros tipos de interações fora da sala de aula. No novo Espaço Europeu de
Educação Superior, intermediado pelos CRAIs é possível se ter um novo conceito
de comunicação professor aluno como uma nova forma de aprender. Podemos
dizer que, neste ambiente, as tecnologias da informação e da comunicação são
serviços universitários que dão suporte ao ensino e à pesquisa.

Outro aspecto a ser destacado é a utilização dos recursos midiáticos entre alunos
e professores, que em conjunto realizam buscas e trocas de informações, criando
um novo espaço significativo de ensino, aprendizagem e pesquisa em que ambos
aprendem (LAURILLARD, 1995). O papel do CRAIs nessa modalidade é
justamente o de constituir um espaço onde o aluno poder tirar dúvidas com o
professor sobre determinado conteúdo, consultar referências, verificar os
conteúdos das aulas dadas, e ainda levantar questões com os próprios colegas.
Neste sentido, a tecnologia da informação e comunicação é o suporte de
interação entre professor, aluno, conteúdo e conhecimento. Neste aspecto,
Kenski (2003) relata que “nessa nova sala de aula nada é fixo, mas não reinam a
desordem nem o relativismo absoluto. Os atos são coordenados e avaliados em
tempo real, de acordo com um grande número de critérios, constantemente
reavaliados conforme contexto”.

A idéia dessa nova sala de aula traz a tona a pensar na prática docente e da
posição do professor e aluno diante das tecnologias de informação e
comunicação, o que no CRAI é absorvido diante da divisão de tempo de sala de
aula, divisão de tarefas, leitura de material e exposição oral da disciplina,
constituindo “uma nova distribuição de espaço e uma nova relação de tempo
entre o trabalho do docente com o discente e trabalho de cada um deles entre si”
(GATTI, 1993, p.24).

�5 AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS E OS CRAIs

Neste início de século, como visto, a educação, o ensino e o aprendizado têm-se
destacado justamente pela introdução da reforma do ensino superior no Brasil e
na Europa. Com a mudança de diversos paradigmas nas últimas décadas,
inclusive com o advento da globalização – no que se inclui a informação e a
informatização das informações, com a entrada da tecnologia -, as bibliotecas
universitárias terão que cumprir novos papéis e missões, que irão além do ensino
e aprendizagem. No entanto, mais do que ver a biblioteca universitária como um
organismo de difusão da informação e não um mero depósito de informação,
precisamos entendê-la como prestadora de serviços a sua comunidade; neste
sentido, de acordo com Dudziak (2004), elas estão numa situação pouco
favorável, pois a "pouca tradição, a carência de recursos materiais, o despreparo
no que tange ao ensino e à pesquisa, escassez de recursos humanos
qualificados, orçamentos limitados e desvinculados do planejamento educacional
da instituição, ausência do planejamento bibliotecário" acabam por destruir esta
instituição, que requer um pouco mais de cuidado do governo e da sociedade.

De um modo geral, as bibliotecas universitárias brasileiras desempenham seu
papel social ao atender às necessidades informacionais de seus clientes,
buscando atuar como instrumentos de comunicação entre a informação e seu
destino (cliente). De acordo com Andrade e Job (2004) "as bibliotecas
universitárias são detentoras de informações e imprescindíveis para a
comunidade de pesquisadores e professores, como também são espaços
propícios para a recepção dos novos avanços das tecnologias da informação".
Desta forma, constata-se que a tecnologia é um fator existente na maioria das
bibliotecas

universitárias brasileiras

e

cabe

perguntar

como

estas

são

direcionadas para o seu público e de que forma são consumidas, bem como
questionar as possibilidades dessas instituições absorverem o custo benefício da
tecnologia existente.

São questões relevantes para estudo e até para propor

mudanças na formação dos novos profissionais da informação.

�Nesse contexto, a consideração dos Centros de Recursos para el Aprendizaje y
Investigación como uma alternativa para atuação das bibliotecas universitárias
brasileiras exige uma reflexão sobre as possibilidades de transformação estrutural
do modelo de ensino universitário no país e não apenas sobre a viabilidade de
realizar o significativo investimento financeiro que representaria a transformação
do parque informático da grande maioria das instituições universitárias no país.
Mais que uma simples discussão sobre o montante necessário de recursos, cabe
questionar o interesse, a disposição e mesmo o provável comprometimento de
todos os envolvidos com as bibliotecas universitárias brasileiras, tanto no lado dos
prestadores dos serviços – diretores, bibliotecários, técnicos de informática e
funcionários de apoio -, como do da clientela – professores, alunos,
pesquisadores e pessoal administrativo das universidades -, com uma mudança
de tal magnitude.

Ligada à questão acima está a própria situação do ensino universitário no país,
que balança entre modelos extremamente díspares, com instituições de ensino de
Primeiro Mundo convivendo com outras que apenas margeiam os limites do
minimamente admissível em termos de ensino superior. O grande desafio, sob
esse aspecto, diz respeito a como nivelar essas instituições, de forma a que o
modelo dos CRAIs possa ser introduzido sem sofrer desvirtuações relacionadas
ao meio ambiente ou ao contexto local. Ainda que a uniformidade das instituições
pareça uma tarefa impossível – e talvez até mesmo indesejável -, é possível
imaginar pelo menos a viabilidade de um maior distanciamento entre elas, o que
pode já ter suas raízes iniciais no modelo de avaliação do ensino universitário
implantado pelo Ministério da Educação e Cultura nas últimas décadas. Com o
crescimento do ensino superior nos anos 1970, houve um aumento das
instituições de ensino na rede particular e, com isso, surgiram mais bibliotecas
universitárias, ainda que tal tenha ocorrido de forma pouco organizada e sem
critérios de avaliação do Ministério da Educação e Cultura; somente a partir da
década de 1990 é que se iniciaram formas mais definidas quanto à abertura de
cursos superiores, estabelecendo-se, uma plataforma mais elaborada sobre os
critérios de criação de uma biblioteca universitária. Contudo, isto gerou outra
distorção, com algumas bibliotecas universitárias particulares organizando seus

�acervos para vistoria do MEC e não mais se preocupando com a evolução das
mesmas e da qualidade dos produtos e serviços oferecidos para seus clientes;
por outro lado, também existem aquelas que procuram, dia após dia, oferecer
serviços diferenciados a sua clientela. Trata-se, talvez, de aprimorar o modelo e
retirar dele seus vícios e limitações.

Um outro aspecto a ser considerado nessa evolução da biblioteca universitária
brasileira diz respeito à aplicação das TICs no ambiente das bibliotecas
universitárias. É certo que estas vêm afetando o ensino superior no país, e,
conseqüentemente, acarretando mudanças nas bibliotecas, mudanças essas que
ocorrem no âmbito estrutural (ênfase no atendimento, terceirização de serviços),
no financiamento, (na estruturação de consórcios que visam a redução de custos
nos serviços), no suporte a programas de ensino à distância e, especificamente,
no atendimento à clientela (CUNHA, 2000). No entanto, é preciso definir
estratégias que possibilitem que o ritmo dessas mudanças ocorra de forma mais
estável, não se tornando refém de circunstâncias favoráveis ou da presença de
pessoas especialmente talentosas à frente de unidades de informação específicas
ou de sistemas de biblioteca de maior destaque. Trata-se, muito mais, de
desenvolver uma política de metas, que permita a transposição para o modelo
superior de apoio ao ensino e pesquisa propugnado pelos CRAIs.

CONCLUSÃO

Evidentemente, não seria possível, no âmbito de uma apresentação em evento
especializado, esgotar todas as vertentes e implicações que um modelo como o
dos Centros de Recursos para el Aprendizaje e Investigación – CRAIs -, pode ter
para a transformação das bibliotecas universitárias brasileiras. Nem era esse,
tampouco, o objetivo do trabalho. Buscou-se, muito mais, apresentar algumas
reflexões iniciais que pudessem despertar os profissionais atuantes no ambiente
das bibliotecas universitárias brasileiras, bem como os responsáveis por sua
gestão, para as possibilidades que o modelo proposto pela União Européia,
atualmente em fase de introdução nas universidades espanholas, oferece à
transformação das instituições brasileiras. Desta forma, o adjetivo dado ao tipo de

�reflexão aqui oferecido – conforme espelhado no título do trabalho -, busca
representar um chamado a uma postura pró-ativa, uma nova postura para, por
meio da atuação de um novo modelo de unidade de informação, atender à missão
da universidade, que, para o filósofo espanhol Ortega y Gasset (1999, p.58), é "o
ensino das profissões intelectuais e a pesquisa científica e a formação dos futuros
pesquisadores".

SPANINH MODEL OF THE LEARNING AND RESEARCH RESOURCE CENTER (CRAIs) AS AN
ALTERNATIVE TO BRAZILIAN UNIVERSITY LIBRARIES: SOME THOUGHT-PROVOKING
REFLEXIONS

ABSTRACT
In the early 21st Century, the university libraries have been seeking new ways to
reactivate their mission of transmitting knowledge in response to the changes
affecting the whole world. In Europe, the establishment of the European area of
higher education, according to the Bologna Declaration (1999), resulted in the
proposition of a new information model unit known as learning and research
resource center (CRAI). This model is based upon the interaction between
professors and students with the aid of general information resources, mainly the
electronically-related ones, creating a virtual learning environment. Created to suit
the European reality, CRAI’s proposal may represent a viable alternative to the
development of the Brazilian university libraries, which deserve the attention from
those in charge of our information units. Therefore, some reflections based upon
the contraposition of such models of libraries to the reality of the Brazilian
universities. Finally, it is not only of utmost importance to highlight the need for a
new model of information unit but also to achieve the universities’ missions
through proactive attitude on the part of the information management.
Key-words: University Library; Learning and Research Resource Center;
University Library – European model; University Library - technology
REFERÊNCIAS
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Disponível em:http://www.crue.org/pdf/Informe%20las%20TIC%20en%20el%20SUE.pdf.
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              <text>No início do século 21, as bibliotecas universitárias buscam formas para se revigorar em sua missão de transmitir o conhecimento, respondendo às mudanças que afetam o ambiente universitário no mundo inteiro. Na Europa, o estabelecimento do “Ambiente Europeu de Ensino Superior”, pela Declaração de Bologna (1999), teve como conseqüência a proposição de um novo modelo de unidade de informação denominado Centros de Recursos para el Aprendizaje y investigación (CRAI). O modelo baseia-se na interação de docentes e discentes com os recursos de informação em geral, principalmente os possibilitados pela informação eletrônica, criando um ambiente virtual de aprendizado. Pensada para a realidade européia, a proposta do CRAI pode, no entanto, representar alternativa viável para o desenvolvimento das bibliotecas universitárias brasileiras, merecendo atenção dos responsáveis por nossas unidades de informação. Nesse sentido, propõem-se algumas reflexões baseadas na contraposição desse modelo de biblioteca à realidade das universidades brasileiras. Como conclusão, apontamos à atuação de um novo modelo de unidade informação, atender à missão da universidade, por meio de uma postura pró-ativa dos gestores da informação.</text>
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