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                  <text>O CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EDUCACIONAL E A
PARTICIPAÇÃO EFETIVA DE PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO NO
CONTEXTO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA:
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA1
Gildenir Carolino Santos
Bibliotecário, Doutorando em Educação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - gilbfe@unicamp.br
Rosemary Passos
Bibliotecária, Mestre em Ciência da Informação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - bibrose@unicamp.br
Josidelma Francisca de Souza
Bibliotecária, Mestre em Ciência da Informação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - josi@unicamp.br
Leonardo Fernandes Souto
Bibliotecário, Doutorando em Ciências da
Comunicação, Universidade Estadual de Campinas –
Biblioteca Central,
Brasil - lfsouto@unicamp.br
Sérgio Ferreira do Amaral
Professor, Pós-Doutor em Comunicação,
Universidade Estadual de Campinas –
Faculdade de Educação,
Brasil - amaral@unicamp.br
Resumo
Na área do conhecimento de humanas e ciências sociais aplicadas, conseguimos destacar nos
últimos tempos, a grande relevância da parceria da Educação e Biblioteconomia nos diversos
campos do conhecimento. Desta forma, ambas preocupadas com a formação dos indivíduos
(educadores e bibliotecários), agregam suas experiências e tornam mais acessíveis as formas de
disseminação do conhecimento neste novo século. Através do curso de Especialização em Gestão
Educacional da Faculdade de Educação da UNICAMP e da Secretaria do Estado de Educação de
São Paulo, profissionais bibliotecários desta primeira instituição, possuidores de perfil e
habilidades na aplicação de técnicas para recuperação e disseminação de informação, adquiridas
ao longo da sua formação acadêmica, tornam-se colaboradores, participando incisivamente no
processo de capacitação de professores gestores. O presente trabalho traz um relato de
experiência que almeja contextualizar o envolvimento destes profissionais, especificamente na
disciplina Tecnologias da Informação e da Comunicação de forma modular (à distância e
presencial), focando e definindo parâmetros para a realização de pesquisa bibliográfica,
mediatizada por novas tecnologias, coletando informações que permitam a elaboração de um
projeto de gestão educacional sob o tema “construção da biblioteca escolar digital”, que possa ser
aplicado no âmbito da escola, para efeito de avaliação da aprendizagem e finalização do módulo.
Palavras-chave: Profissionais da informação-Capacitação; Tecnologia da informação e
comunicação-Curso; Bibliotecas universitárias.
1

Este trabalho teve apoio da AFPU – Agência de Formação Profissional da UNICAMP.

1

�1 INTRODUÇÃO

O curso de Especialização em Gestão Educacional (CEGE), promovido
pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEE-SP) em parceria com a
Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (FE/UNICAMP)
elaborado para atender aos critérios de formação dos servidores do sistema
público de ensino estadual que atuam em funções de dirigentes. A estruturação
deste curso e seu planejamento trouxeram inovações didáticas para a sua
realização, pois até então, a FE/UNICAMP, não havia disponibilizado um curso
modular para 6.000 professores da rede pública na Universidade2.

O CEGE têm como objetivos:






pensar sobre as múltiplas dimensões das ações que os gestores
realizam em suas escolas, considerando as inúmeras demandas
institucionais;
refletir sobre as possibilidades encontradas pelas pessoas que estão
na função de gestores ao lidar com o cotidiano escolar, ao mesmo
tempo em que exercem sua liderança;
ampliar os conhecimentos dos gestores de unidades escolares no que
se refere aos múltiplos aspectos envolvidos no planejamento e gestão
como processo de construção coletiva, estimulando a realização e o
aprofundamento de estudos na perspectiva de uma formação
continuada;
valorizar a prática profissional concreta dos gestores de unidades
escolares e incrementar o intercâmbio de experiências sobre a gestão
de projetos sociais, as de âmbito curricular e as relacionadas ao
Projeto Político Pedagógico da escola.3

A proposta do curso se insere no projeto político da SEE/SP e da
FE/UNICAMP de oferecer aos responsáveis pela administração escolar, na rede
de ensino público, perspectivas de atuação que contemplem para além da
formação escolar a formação cidadã.

O curso atende a todas as exigências legais para sua realização na
modalidade pós-graduação “lato senso”. Sendo oferecido na forma semipresencial, isto é, das 390 horas, 180 horas serão ministradas presencialmente e
180

2
3

horas

serão

ministradas

à

distância

através

de

vídeo

Extraído do Projeto CEGE no site : http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php
http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php

2

-

aulas,

�videoconferências e outros meios, finalizando com 30 horas dedicadas ao
trabalho de conclusão de curso (TCC).

2 PRINCIPIOS NORTEADORES DO CURSO

Os diversos conteúdos e práticas da proposta de Curso de Especialização
serão norteados pelos seguintes princípios básicos: Construção Coletiva de
Projeto Pedagógico; Cidadania e Inclusão; Currículo; e Educação Contínua, esses
quatro princípios estão presentes, explícita ou implicitamente, em todas as
unidades constitutivas do Curso de Especialização, com o intuito de incentivar os
participantes à realização de propostas e procedimentos de gestão no horizonte
coletivo proposto. (BITTENCOURT; OLIVEIRA JÚNIOR, 2005).

2.1 Construção Coletiva de Projeto Pedagógico

Este princípio prevê a gestão nas unidades escolares, privilegiando
procedimentos que permitam a elaboração, a prática e a avaliação do Projeto da
Escola, construído com a participação de todos os sujeitos integrantes dos
diversos segmentos envolvidos com a Educação e a escola.

Vieira, Almeida e Alonso (2003, p.91), refletem sobre a construção do
projeto pedagógico, salientando a importância do mesmo como instrumento de
autonomia da escola, “na medida em que se mostra com identidade própria; mas
é também, o instrumento que permite o controle do trabalho escolar”.

Para que este projeto seja reconhecido e que a sua elaboração e produto
representem o resultado de um processo amplo de participação de todos os
setores da comunidade escolar, é necessário assegurar que este seja assumido
por todos e não somente pelo diretor, sendo assim, qualquer projeto em sua
elaboração inicial, bem como em sua fase de implementação requer o empenho
de todos os envolvidos para que haja plena coerência do que foi proposto
inicialmente. (VIEIRA, ALMEIDA, ALONSO, 2003).

3

�2.2 Cidadania e Inclusão

Supõe-se que a gestão de unidades escolares, em todas as suas
instâncias, deverá considerar a necessidade do pleno exercício de cidadania,
compreendida como construção histórica, numa sociedade plural e democrática,
que busca superar toda e qualquer forma de discriminação e exclusão social,
estimulando a conscientização e a participação de todos nos procedimentos que
permitam a inclusão plena dos sujeitos aos quais a educação se destina4
É necessário ir além. Uma pedagogia que incentive a aprendizagem
personalizada a partir do interesse da cada um e ao mesmo tempo
viabilize a aprendizagem coletiva, a aprendizagem em rede e pela rede:
esse deve ser o espírito da alfabetização tecnológica. (SILVEIRA, 2001,
p.28)

2.3 Currículo

Entende-se que os procedimentos de gestão de unidades escolares
deverão voltar-se ao desenvolvimento do currículo escolar, conforme concebido e
praticado, incentivando de forma permanente, as propostas de discussão sobre
as práticas pedagógicas e os elementos constitutivos do currículo.5

Sancho e Hernandez (2006), descrevem sobre a necessidade do
professor considerar os objetivos educativos, e as diferentes características de
cada estudante, suas possibilidades e preferências, para que assim possa
planejar diferentes formatos de apresentação da informação, para que o currículo
se torne acessível.

2.4 Educação Contínua

Considera-se nesta perspectiva o desenvolvimento dos procedimentos de
gestão de unidades escolares a partir de um processo de formação contínua.
Sendo assim, o gestor de unidade escolar deverá permanentemente buscar, com
4
5

http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php
http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php

4

�autonomia, os subsídios teóricos e práticos para iluminar questões decorrentes
dos desafios escolares, ao mesmo tempo em que opera novas ações, que exigem
novas reflexões, e assim sucessivamente.6
3 ESTRATÉGIAS METODOLÓGICAS
3.1 Estratégias para a modalidade presencial
A carga horária presencial é distribuída em duas aulas por disciplina, com
sete horas e trinta minutos cada aula, em dois sábados consecutivos. As aulas
teóricas e as atividades complementares (oficinas) são da responsabilidade de
uma Equipe de Coordenação constituída por doutores integrantes do quadro
docente da FE /UNICAMP, com a participação de pesquisadores integrantes dos
Grupos de Pesquisa da mesma Faculdade e de estudantes do Programa de PósGraduação da FE/UNICAMP, com titulação mínima de mestre.

Cada Equipe de Coordenação indica um docente da FE/UNICAMP para
exercer as funções de Coordenador de Disciplina (módulo) que se responsabiliza
por todas as atividades presenciais e a distância da disciplina.

O módulo de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), ficou sob
Coordenação do Prof. Dr. Sérgio Ferreira do Amaral, professor titular da
FE/UNICAMP, que constituiu uma equipe de 12 professores, sendo 4
bibliotecários (todos com títulos de mestre, sendo que 2, estão cursando o
doutorado), para ministrar as disciplinas desse módulo (Tecnologia, Metodologia
da Pesquisa e Pesquisa Bibliográfica), nas categorias presencial e à distância.
(AMARAL, 2005).

3.2 Estratégias para a modalidade à distância
Cada turma de gestores, composta por cerca de 50 alunos, possui um
monitor de turma, responsável na orientação para a realização das atividades

6

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5

�propostas pela disciplina, verificando o cumprimento do prazo de entrega,
esclarecendo dúvidas, bem como avaliando e comentando os trabalhos
realizados pelos alunos. No caso do módulo TIC, os próprios professores
presenciais, monitoram os alunos à distância. Cada disciplina é acompanhada
por um Supervisor de Ensino a Distância (EaD), que por sua vez coordena as
aulas dos professores.

O professores, durante o desenvolvimento das atividades de EaD,
acompanham o debate nos “fóruns de discussão”, oferecendo, permanentemente,
suporte teórico e metodológico. Ao término de cada atividade, realizam-se
reuniões, com o coordenador da disciplina juntamente com a equipe de
professores, avaliando o desempenho dos integrantes do módulo de tecnologia.
Esse momento também é utilizado para esclarecimento de dúvidas e mediação
de eventuais problemas colocados no Fórum de Discussão oriundos das
atividades presenciais ou a distância. (BITTENCOURT; OLIVEIRA JÚNIOR,
2005).

A comunicação da supervisão da educação a distância desta disciplina é
estabelecida, prioritariamente, com os professores das aulas presenciais, a fim
fortalecer os vínculos entre estudantes, professores e coordenação do módulo.

A carga horária a distância foi dividida em quinze dias úteis, o que sugere
que cada estudante dedique pelo menos uma hora por dia para a realização das
atividades à distância. Para cada período à distância foram definidas atividades
que estão de acordo com o Projeto do CEGE do Sistema Público Estadual de
Educação de São Paulo, ou seja, atividades que convidem o estudante a realizar
reflexões sobre sua prática e reinventar suas ações. (BITTENCOURT; OLIVEIRA
JÚNIOR, 2005).

4 AMBIENTE DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA – TELEDUC

O ambiente computacional de EaD utilizado neste curso, foi o TelEduc,
desenvolvido pelo Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED), em

6

�parceria com o Instituto de Computação (IC) da UNICAMP. Por meio desse
ambiente, os participantes puderam apropriar-se das TIC - Internet e ambiente de
EaD - e interagirem-se com os professores e monitores do curso e com os seus
colegas. Esta comunicação foi estabelecida através do envio e recebimento de
mensagens, participação dos fóruns de discussão, realização de chats,
recebimento de orientações sobre as atividades a serem desenvolvidas e retorno
sobre o seu desenvolvimento no curso7.

Para Burnham e Mattos (2004, p.143), os meios de comunicação na prática
educativa, são utilizados informar, e disponibilizar ambientes tecnológicos, que
favoreçam a interatividade, o diálogo, a negociação e, consequentemente, a
construção e socialização coletiva de saberes. Os autores confirmam a
flexibilidade de tempo-espaço no processo de ensino / aprendizagem a distancia,
no desenvolvimento das atividades, o que possibilita aos participantes do curso a
possibilidade da construção individual e coletiva do conhecimento, “sem
necessariamente a presença simultânea dos sujeitos envolvidos no processo
educativo”.

A diversidade de interações que ocorrem no ambiente TelEduc cria
espaços propícios para a apropriação mútua de conhecimentos e a troca de
informação sobre as realidades de cada disciplina, fortalecendo assim o processo
de implantação das tecnologias nas respectivas práticas dos gestores.

As disciplinas foram desenvolvidas através de atividades individuais e em
grupo, conforme as estratégias metodológicas definidas para cada atividade.
Nesse ambiente de EaD também foram compartilhadas idéias decorrentes das
atividades desenvolvidas, bem como reflexões sobre a vivência do estudante na
disciplina.

7

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7

�As ferramentas utilizadas no TelEduc foram as seguintes:


Dinâmica do curso: contêm as informações sobre o objetivo do curso,
programa, cronograma, metodologia e avaliação.



Agenda: Contêm a programação detalhada de cada disciplina do curso.



Atividades: local onde são propostas as atividades a serem realizadas pelos
gestores - estudantes.



Material de apoio: contém textos relacionados à temática do curso para
subsidiar o desenvolvimento das atividades propostas e indicações de leituras
complementares.



Fórum de discussão: Espaço utilizado para colocar os trabalhos que serão
socializados com os colegas e que poderão desencadear discussão sobre um
ou mais temas da disciplina



Correio: é um sistema de correio eletrônico interno ao ambiente para troca de
mensagens entre os participantes do curso.



Perfil: é um espaço onde cada participante do curso se apresenta aos demais
colegas.



Portfólio: é um espaço para onde serão encaminhados os trabalhos
produzidos a partir das atividades propostas. Cada trabalho deve ser colocado
na pasta da respectiva disciplina e seguir a opção de compartilhamento
conforme a proposta da atividade. O conjunto das atividades do portfólio
contribuirá para a avaliação de cada disciplina e realização do trabalho final do
curso8.

Além dos fóruns temáticos, cada disciplina terá um fórum para Dúvidas
Gerais, onde deverão ser postadas as dúvidas relacionadas ao conteúdo.
Permanentemente haverá um fórum de Dúvidas Técnicas / Administrativas,
onde deverão ser postadas as dúvidas sobre operacionalização do ambiente de
educação a distância e dúvidas administrativas. Também foi mantido o Café
Virtual (fórum), espaço aberto para mensagens que não estejam relacionadas
com o contexto do curso, mas destinado àqueles que gostariam de socializar com
os colegas do curso.
8

http://cege.isateducacao.com.br/projeto.php

8

�5 REVISÃO DA LITERATURA

5.1 O módulo TIC

O módulo TIC tem sua estrutura dividida em três sub-disciplinas, a saber: a
Tecnologia aplicada ao Ensino, Metodologia Científica e Pesquisa bibliográfica.
Neste módulo, as disciplinas fornecem elementos iniciais sobre alguns
paradigmas relacionados à utilização de recursos tecnológicos no contexto
educacional a partir de uma discussão sobre a relação do professor com a
tecnologia, as novas práticas de comunicação educacional mediatizadas pelas
tecnologias digitais, a consolidação da construção do conhecimento em rede, a
visão da ciência, tecnologia e sociedade no ensino fundamental e o debate das
possibilidades, vantagens, perspectivas e perdas que temos vivido em um mundo
totalmente influenciado pela mídia. (AMARAL, 2005).
A medida que professores e alunos venham dominar diferentes
instrumentais teóricos e metodológicos para a leitura dos diversos
produtos disponibilizados pelos novos suportes tecnológicos sintetizados
no ciberespaço, para fins de uma apropriação critica de conteúdos, o
processo de fruição do bens simbólicos desta sociedade do
conhecimento deixa de ser passivo e alienado para ser efetivamente
interativo. Ou seja, é preciso educar para o uso consciente dos bens de
informação e comunicação disponibilizados. (MEDOLA, 2005, p.40).

Segundo Leite (2003, p.11), “a presença inegável da tecnologia em nossa
sociedade constitui a primeira base para que haja necessidade de sua presença
na escola”.

Para que as três sub-disciplinas propostas pelo módulo TIC fossem
trabalhados nas atividades das aulas presencias e à distância, a estrutura da
disciplina seguiu a seguinte ementa: - discussão dos “Meios na escola”: é o
ponto de partida para entender a TIC na Escola, através da problematização do
tema, utilizando-se o recurso de tentar responder a três interrogações básicas:
“Para que se ensina na escola?”; “O que se ensina?”; “Como se ensina?”
(LITWIN, 2001).

9

�Esse item permite ao professor conhecer novas formas de ensinar e
aprender

incorporando

as

tecnologias,

partindo-se

do

principio

de

desenvolvimento e aplicação do conceito de alfabetização tecnológica:
[...] desenvolvido a partir da idéia de que é necessário o professor
dominar a utilização pedagógica das tecnologias, de forma que elas
facilitem a aprendizagem, sejam objetos de conhecimento a ser
democratizado e instrumento para a construção de conhecimento.
(LEITE, 2003, p.14).

Litwin (2001, p.131), considera que:
[...] o desenvolvimento da tecnologia atinge de tal modo às formas de
vida da sociedade que a escola não pode ficar a margem. Não se trata
simplesmente da criação de tecnologia para a educação, da recepção
crítica ou da incorporação de informações dos meios da escola. Trata-se
de entender que se criaram novas formas de comunicação, novos estilos
de trabalho, novas maneiras de ter acesso e de produzir conhecimento.
Compreendê-los em todas sua dimensão nos permitirá criar boas
práticas de ensino para escola de hoje.

Na discussão da “Educação no contexto de solução tecnológica’, o
gestor reflete não apenas na disponibilização de recursos prontos na escola, mas
faz uma gestão de intervenção nas práticas educativas (BIANCHINI, 2005). Outro
item que faz parte da ementa é o trabalho com as tecnologias digitais no
“Desenvolvimento de projetos educacionais”, dando destaque à rede Internet
e à tecnologia de comunicação digital. Nesse item a disciplina se propõe a levar o
gestor a uma reflexão, sobre sua atuação no ambiente escolar, instigando que a
sua intervenção dentro de sala de aula ocorra como sendo o próprio produtor do
conteúdo educacional a ser utilizado em sala de aula, tornando-se desta forma o
primeiro articulador no desenvolvimento das práticas pedagógicas. A disciplina
contextualiza a aplicação de conceitos de metodologia científica para a realização
de projetos educacionais, tendo como fundamentação as “Práticas pedagógicas
centradas em conceito metodológico”. Finalizando a ementa, o módulo propõe
à “Preparação de um projeto” utilizando conceitos formais de pesquisa e a
convergência da TIC como meio de processar a disseminação da informação no
espaço escolar (projeto de construção de uma Biblioteca Escolar Digital – BED,
criada através do kit BEDNet) (SANTOS, 2005).

10

�5.2 Estratégia de ensino e aprendizagem no módulo TIC

As duas aulas presenciais do CEGE são expositivas, sendo que o
professor atua como mediador das discussões, que já foram propostas nos 3
fóruns de discussão, cujo tema estão interligados da seguinte forma :

1º Fórum - Tema: Porque a utilização da Tecnologia nas atividades
curriculares e de conteúdo da minha escola?
2º Fórum - Tema: Pontos positivos e negativos das possíveis práticas.
3º Fórum - Tema: Prática docente frente às novas competências e
mudanças na escola.

A relação entre os fóruns ocorre da seguinte forma, no primeiro fórum os
gestores questionam sobre a necessidade do uso das tecnologias aplicadas como
recurso pedagógico e como implementação do conteúdo curricular, sem, contudo
dispensar o uso de recursos tradicionais (giz, lousa, retroprojetor, etc.) (LEITE,
2003). No segundo fórum são analisados os pontos positivos e negativos
decorrentes da aplicação das tecnologias no cotidiano escolar. No terceiro e
último fórum os gestores analisam a sua prática docente usando as tecnologias,
se os procedimentos tecnológicos são relevantes para a transformação do
processo de ensino e aprendizagem em uma forma mais efetiva.

As discussões a partir dos fóruns são permeadas em sala de aula, com
apresentações de vídeos e de alguns trabalhos práticos, produzidos por alunas do
curso de Pedagogia da FE/UNICAMP, na disciplina ministrada pelo Professor
Sérgio Ferreira do Amaral, do Laboratório de Novas Tecnologias Aplicadas à
Educação (LANTEC)9. Esse material demonstra na prática a possibilidade dos
professores tornarem-se produtores do próprio conteúdo curricular, sem
terceirizar os fundamentos de sua disciplina, e o início da comunicação científica.

Nas aulas presenciais, são propostos trabalhos em grupo, no qual os
gestores discutem, analisam e expõem o conteúdo dos textos bases da disciplina
9

LANTEC – consultar o site: http://beta.fae.unicamp.br/tic

11

�de tecnologia, bem comum tecem comentários e avaliam as três vídeo-aulas,
também ministradas pelo coordenador do Módulo.

A contextualização das discussões anteriores é preparatória para que os
gestores realizem o projeto final de conclusão deste módulo, que é o
planejamento e a estruturação de um projeto para a implantação de uma BED
(SANTOS, 2002). Esse recurso permite ao gestor planejar e visualizar a
possibilidade de construir o seu conteúdo didático e disponibilizá-lo em rede,
utilizando conceitos formais de pesquisa e a convergência da TIC, a partir dos
conteúdos produzidos por alunos e professores.

5.3 A BED – Trabalho final da disciplina do módulo TIC

O desenvolvimento de uma BED, dentro da proposta do módulo TIC,
caracteriza-se pelo envolvimento dos gestores, na construção de mais uma
ferramenta auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, que proporciona a
reprodução de um ambiente informacional da sociedade contemporânea, uma vez
que as bibliotecas se converterão em espaços de integração de mídias,
softwares, podendo através de seu programa, promover experiências criativas de
uso da informação, bem como aproximar o aluno de uma realidade que ele vai
vivenciar no seu dia-a-dia, como profissional e como cidadão. (VIEIRA; ALMEIDA;
ALONSO, 2003).

Uma das propostas deste projeto consiste em resgatar o que se usa na
Internet como fonte de pesquisa, e trazê-la para a sala de aula, permitindo que
essa interação de computador e alunos aconteça com um único propósito: a
construção de textos e outros materiais didáticos, a partir dos trabalhos
produzidos pelos alunos, onde os mesmos farão a inserção de dados, aprenderão
a processar os documentos de forma a resgatar a informação. (SANTOS, 2002).

O resultado final se apresenta na confecção de um site como modelo para
futuras BED. A página do LANTEC disponibiliza o default contendo a página de
uma BED, confeccionada a partir da dissertação de mestrado desenvolvido por

12

�Santos (2002), podendo ser utilizado por qualquer instituição interessada em
implementar este projeto em sua unidade de ensino para formar a rede de
bibliotecas escolares digitais. (SANTOS; AMARAL, 2006).

Dentre as informações possíveis de serem disponibilizadas e acessadas
no site de uma BED temos os seguintes itens a serem considerados :


os alunos têm acesso na Biblioteca Virtual, as atividades e projetos
relacionados à série em que se encontram e a cada área de aprendizagem;



a área do aluno na Internet é dividida por níveis educação infantil, primeira a
quarta série, quinta a oitava, ensino médio;



em todas as séries há uma área para acesso a materiais de cada professor,
para a comunicação com eles e até plantão de dúvidas (atendimento on-line);



os alunos podem divulgar suas produções principais: pesquisas, projetos,
visitas. Pode comunicar-se por e-mail, listas de discussão, chat com
professores e outros colegas. Cada professor pode ter uma página pessoal,
com suas disciplinas, atividades, projetos e materiais específicos. (VIEIRA;
ALMEIDA; ALONSO, 2003; BELLUZZO, 2005).

5.4 Atuação dos bibliotecários no CEGE

A atuação de um bibliotecário, na área educacional, tem a dimensão de um
compromisso com alunos e professores que estão diante do processo de formação
de indivíduos, no caso específico dos bibliotecários atuantes em uma instituição de
Ensino Superior (UNICAMP), vem de encontro com os objetivos primeiros desta
instituição (ensino, pesquisa e extensão) (PASSOS, 2003).

O contexto educacional permite ao bibliotecário a conexão entre recursos
informativos e pessoas.

Através de sua contribuição, é possível ao bibliotecário

auxiliar no processo de treinamentos em geral, no caso do curso dos gestores, o
bibliotecário colabora com os professores, auxiliando no processo de ensino e
aprendizagem. (PASSOS, 2003).

13

�Desta forma as aulas ministradas pelos bibliotecários da FE/UNICAMP, no
módulo TIC, representaram à oportunidade para que esse profissional exercitasse
algumas competências exigidas no desempenho de sua profissão, elencadas por
Valentim (2002, p.123-125):
Competência de Comunicação e Expressão - Capacitar e orientar os
usuários para um melhor uso dos recursos de informação disponíveis
nas unidades de informação.
Competências Técnico – Cientificas - Selecionar, registrar, armazenar,
recuperar e difundir a informação gravada em qualquer meio para os
usuários de unidades, serviços e sistemas de informação; utilizar e
disseminar fontes, produtos e recursos de informação em diferentes
suportes; Planejar e executar estudos de usuários e formação de
usuários da informação.
Competências gerenciais - Buscar, registrar, avaliar e difundir a
informação com fins acadêmicos e profissionais;
Competências políticas - Fomentar uma atitude aberta e interativa com
os diversos atores sociais (políticos, empresários, educadores,
trabalhadores e profissionais de outras áreas, instituições e cidadãos em
geral); Identificar as novas demandas sociais de informação.

No desenvolvimento do módulo TIC, os profissionais bibliotecários, se
apropriaram do discurso pedagógico, aliado-o as técnicas biblioteconômicas, de
organização, disseminação da informação impressa e on-line, construindo uma
didática específica para que ocorresse a plena integração com os alunos
gestores, o que foi plenamente correspondido, tendo em vista as avaliações
positivas dos alunos gestores, com relação a atuação dos bibliotecários em sala
de aula, confirmando a necessidade crescente do profissional da informação,
investir

em seu aperfeiçoamento, buscando uma qualificação, através da

educação continuada ou por aprendizagem autônoma, além da sua formação
técnica. (VALETIM, 2000).

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho desenvolvido na equipe do módulo TIC,

trouxe para os

profissionais envolvidos (coordenadores, professores, bibliotecários), a aplicação
prática da interação entre diferentes áreas de formação (Educação e
Biblioteconomia / Ciência da Informação), proporcionando desse modo a
interdisciplinaridade tão propagada quando falamos em gestão do conhecimento
na Sociedade da Informação (SANCHO; HERNANDEZ, 2006). O conjunto de
14

�competência e habilidades particulares de cada área foi reunido em um módulo
de EaD, trazendo contribuições importantes, agregadas num único objetivo: a
formação dos gestores educacionais da SEE/SP.

Desse modo, nós profissionais da informação, vimos realizar efetivamente
algo que têm se tornado a tônica de nossa formação, que é a necessidade do
desenvolvimento de competências profissionais, que nos permita dialogar,
contribuir e nos envolver com outras áreas do conhecimento.

Perrenoud (1999), citado por Barros (2005, p. 49), refere-se a competência
e habilidades, como:
as capacidades de agir eficazmente em um determinado tipo o de
situação apoiando-se em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles [...],
são ações necessárias a medida em que direcionam o trabalho
educativo voltado a aplicabilidade social e pessoal de determinados
conteúdos aprendidos.

Através do convite do Coordenador do módulo TIC para a aplicação do
curso de especialização para gestores educacionais, nós bibliotecários pudemos
iniciar a construção de uma relacionamento mais interativo, na intenção de
contribuir

para

a

formação

de

professores

autônomos

nas

questões

informacionais, e através desta participação junto ao corpo docente da
FE/UNICAMP, buscamos construir a nossa identidade profissional dentro no
contexto educacional, nos capacitando e qualificando, para a consolidação de
uma parceria entre educadores e bibliotecários, que se inicia e que promete ser
duradoura. (PASSOS; SANTOS, 2005).

7 REFERÊNCIAS
AMARAL, S.F. Apresentação. In: BITTENCOURT, A.B.; OLIVEIRA JÚNIOR,
W.M. (Org.). Estudo, pensamento e criação. Campinas: FE/UNICAMP, 2005.
p.263-264. v.1. (Módulo: Tecnologia da Informação e Comunicação).
BARROS, D.M.V. Planejamento didático e o envolvimento das diferentes
linguagens. In: JESUS, A.C. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de formação –
gestão da informação. São Paulo: UNESP, 2005.

15

�BELLUZZO, R.C.B.; BARROS, D.M.V. Pesquisas virtuais: metodologias e usos.
In: JESUS, A.C. (Org.). Pedagogia cidadã: cadernos de formação – gestão da
informação. São Paulo: UNESP, 2005.
BIANCHINI, D. Educação: solução ou tecnologia. In: BITTENCOURT, A.B.;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O curso de especialização em gestão educacional e a participação efetiva de profissionais da informação no contexto da biblioteca universitária: um relato de experiência.</text>
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              <text>Santos, Gildenir Carolino; Passos, Rosemary; Souza, Josidelma Francisca de; Souto, Leonardo Fernandes; Amaral, Sérgio Ferreira do</text>
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              <text>Na área do conhecimento de humanas e ciências sociais aplicadas, conseguimos destacar nos ltimos tempos, a grande relevância da parceria da Educação e Biblioteconomia nos diversos campos do conhecimento. Desta forma, ambas preocupadas com a formação dos indivíduos (educadores e bibliotecários), agregam suas experiências e tornam mais acessíveis as formas de disseminação do conhecimento neste novo século. Através do curso de Especialização em Gestão Educacional da Faculdade de Educação da UNICAMP e da Secretaria do Estado de Educação de São Paulo, profissionais bibliotecários desta primeira instituição, possuidores de perfil e habilidades na aplicação de técnicas para recuperação e disseminação de informação, adquiridas ao longo da sua formação acadêmica, tornam-se colaboradores, participando incisivamente no processo de capacitação de professores gestores. O presente trabalho traz um relato de experiência que almeja contextualizar o envolvimento destes profissionais, especificamente na disciplina Tecnologias da Informação e da Comunicação de forma modular (à distância e presencial), focando e definindo parâmetros para a realização de pesquisa bibliográfica, mediatizada por novas tecnologias, coletando informações que permitam a elaboração de um projeto de gestão educacional sob o tema “construção da biblioteca escolar digital”, que possa ser aplicado no âmbito da escola, para efeito de avaliação da aprendizagem e finalização do módulo.</text>
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