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                  <text>AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS VISTAS SOB A PERSPECTIVA DE
CENTROS CULTURAIS: INFORMAR, DISCUTIR E CRIAR
THE UNIVERSITY LIBRARIES UNDER THE PERSPECTIVE OF CULTURAL CENTERS:
INFORM, DISCUSS AND CREATE

Resumo: Trata das bibliotecas universitárias vistas sob a perspectiva de centros culturais.
Objetiva apresentar, discutir e refletir teoricamente sobre as bibliotecas públicas universitárias
enquanto espaços polivalentes que integram o acesso ao conhecimento às ações de discussão,
criação de novos conhecimentos e difusão de novas informações, além de estarem atentas às
mudanças sociais, necessidades coletivas e formulações culturais características do mundo
contemporâneo. Trata-se de uma pesquisa tem como objeto de estudo as bibliotecas públicas
universitárias. Caracteriza-se como sendo uma pesquisa exploratória por ser estabelecida em
critérios, métodos e técnicas. Utiliza-se de um método qualitativo permitindo o
aprofundamento do objetivo a ser estudado a partir de levantamento bibliográfico com base
em material já elaborado, constituído a análise das contribuições de diversos autores que já
abordaram a questão como Milanesi (1997), Ramos (2008), Cenni (ano) abordando aspectos
históricos e conceituais sobre o tema enfatizando nas considerações finais que o caminho é o
do espaço polivalente, que integra o acesso ao conhecimento às ações de discussão, criação de
novos conhecimentos e difusão de novas informações. Por fim, traz ainda o entendimento de
Milanesi (1997) e outros teóricos acerca dos desafios que deverão ser encarados pelas
bibliotecas universitárias em suas práticas culturais, são eles: informar, discutir e criar.
Palavras-chave: bibliotecas universitárias. centros culturais. ações culturais. práticas
culturais.
Abstract: It deals with university libraries seen from the perspective of cultural centers. It
aims to present, discuss and theoretically reflect on public university libraries as multipurpose
spaces that integrate access to knowledge to discussion activities, creation of new knowledge
and dissemination of new information, as well as being attentive to social changes, collective
needs and characteristic cultural formulations of the contemporary world. It is a research
whose object is to study public university libraries. It is characterized as being an exploratory
research because it is established in criteria, methods and techniques. It is used a qualitative
method allowing the deepening of the objective to be studied from a bibliographical survey
based on material already elaborated, constituting the analysis of the contributions of several
authors who have already addressed the issue such as Milanesi (1997), Ramos (2008) , Cenni
(year), discussing historical and conceptual aspects of the subject emphasizing in the final
considerations that the way is the polyvalent space, which integrates the access to knowledge
777

�to the discussion actions, creation of new knowledge and diffusion of new information.
Finally, Milanesi (1997) and other theorists on the challenges faced by university libraries in
their cultural practices are: inform, discuss and create.
Keywords: university libraries. cultural centers. cultural actions. cultural practices.
1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas públicas, especialmente as universitárias, enquanto espaços de
informação têm acompanhado a evolução do aumento significativo do número e da
variedade de documentos produzidos no século XX, abrindo espaços para novas
possibilidades de conhecer, estabelecendo novas formas de organização, permitindo ao
público o acesso livre à informação, contudo, de acordo com Milanesi (1997) na obra
Casa de Invenção

essas instituições se estabeleceram a serviço quase que

exclusivamente do ensino e da pesquisa, deixando de desempenhar um papel próprio no
campo das atividades culturais.
Milanesi (1997) discute a relação entre biblioteca e centro cultural e descreve vários
casos de criação de casas de cultura no país. Segundo o autor, a política cultural
estabelecida no Brasil a partir da década de 40 colocou as bibliotecas públicas dentro de
uma categoria à parte, sem relações orgânicas com o tecido cultural.
Diante disso, o presente trabalho objetiva apresentar, discutir e refletir teoricamente
sobre as bibliotecas públicas universitárias vistas sob a perspectiva de centros culturais,
visto que, conforme defende Ramos (2008), sabe-se que já não é mais possível construir
uma biblioteca pública e um centro de cultura, como entidades distintas, pois a primeira
deixou de ser apenas uma coleção de livros e a segunda só pode existir se as informações
estiverem disponíveis.
Alguns autores, como Milanesi (1997), Cardoso &amp; Nogueira (1994) e Nascimento
(2004), sustentam que com a evolução tecnológica e desenvolvimento das TICs
(Tecnologias de Informação e Comunicação) foram criados novos mecanismos de acesso,
seleção, organização e difusão das informações e, ao mesmo tempo, foram desenvolvidos
outros modos de registrar e acessar a informação, relacionados ao aparecimento de novos
suportes e mídias para registro; por isso, hoje, mais do que nunca, as bibliotecas públicas e,
em especial as públicas universitárias, precisam evoluir do perfil tradicional para se
tornarem, cada vez mais, centros culturais.

778

�Nesse sentido, entende-se que as bibliotecas públicas, dentre elas, as universitárias,
vistas sob a perspectiva de centros culturais, são instituições que nasceram no contexto da
Sociedade da Informação, e que por isso, devem estar atentas às mudanças sociais,
necessidades coletivas e formulações culturais características do mundo contemporâneo.
Sendo assim, este trabalho com base em pesquisa exploratória e bibliográfica, traz aspectos
históricos e conceituais sobre bibliotecas públicas vistas como centros culturais com o
objetivo de mostrar que o caminho é o do espaço polivalente, que integra o acesso ao
conhecimento às ações de discussão, criação de novos conhecimentos e difusão de novas
informações. Por fim, traz ainda o entendimento de Milanesi (1997) acerca dos desafios que
deverão ser encarados pelas bibliotecas universitárias em suas práticas culturais, são eles:
informar, discutir e criar.
2 AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
CULTURAIS: ALGUMAS CONCEPÇÕES

VISTAS

COMO

CENTROS

De acordo com Martins (2002), no decorrer de sua existência material e espiritual, o
homem sentiu a necessidade da criação de um ambiente que permitisse armazenar,
organizar, controlar e recuperar as informações, impedindo assim sua dispersão. A
criação da Biblioteca de Alexandria pode ser considerada um exemplo de biblioteca
concebida para ser um centro cultural.
Segundo Battles (2003), exemplo de grande influência exercida na cultura antiga, foi
fundada durante o reinado de Ptolomeu Sóter, no século III a.C., para ser o espaço capaz
de concentrar em si toda a sabedoria acumulada pelo mundo grego e reunir, num mesmo
lugar, todos os livros da terra, ação que produziu efeitos intelectuais, influenciou os
modos da escrita, da leitura e a forma de gerir a memória da humanidade.
Aliada a um museu e a uma academia, em termos atuais, essa biblioteca seria
uma combinação de centro de pesquisa, editora, instituto de estudos
linguísticos, museu e repositório cultural, funções essas que muitas bibliotecas
de hoje ainda estão por alcançar (BRAGA, 2004, p. 25).

Já no Ocidente, constatafinalidades das bibliotecas, não constava a difusão dos saberes para uma coletividade
bliotecas não eram concebidas para
atender às necessidades do leitor, este era quase inexistente, pois os progressos
instrucionais eram lentos, mesmo entre as classes privilegiadas.

779

�Martins (2002) reforça essa afirmativa quando diz que do ponto de vista intelectual,
a humanidade se dividiu, por séculos e séculos, entre iniciados à palavra e os não
iniciados, sendo compreensível que a presença de leitores circulando por espaços de
leitura não fosse uma prática comum.
É com a invenção da imprensa, entre 1450 e 1455, por Gutenberg (1398-1468), que
era sagrado e que, por isso, merecia ser guardado e escondido, para celebrar a vida que,
marcadamente,

em

relação

às

bibliotecas,

se

caracterizava

pela

laicização,

democratização, especialização e socialização.
Segundo Braga (2004), é nesse contexto que várias transformações são verificadas,
por exemplo, os avanços na ciência e tecnologia, certa diminuição do analfabetismo, a
criação de universidades e, consequentemente, a necessidade de atendimento aos estudos
acadêmicos, os quais dentre outros fenômenos, contribuíram para uma revolução nas
funções da biblioteca, que se torna, progressivamente, um centro de divulgação do saber
(grifo nosso).
A biblioteca passa a gozar, [...] do estatuto de instituição leiga e civil, pública e
aberta, tendo o seu fim em si mesma e respondendo a necessidades
inteiramente novas [...]foi o livro, ou seja, a biblioteca, um dos instrumentos
-324).

A uma democratização do espaço, correspondia o preparo do ambiente para atender
as especificidades próprias das necessidades sociais e das relações que os leitores, agora
provenientes de classes diversificadas, passavam a ter com a leitura e a escrita. Desse
modo, a biblioteca:
não apenas abriu largamente as portas, mas ainda sai à procura de leitores; não
apenas quer servir ao indivíduo isolado, proporcionando-lhe a leitura, o
instrumento, a informação de que necessita, mas ainda deseja satisfazer às
necessidades do grupo, assumindo voluntariamente o papel de um órgão
sobrecarregado, dinâmico e multiforme da coletividade [...] (MARTINS, 2002,
p. 325).

O autor continua dizendo que, ao desempenhar esse papel, a biblioteca também
se aplicar só à biblioteca
administrada por órgãos governamentais ou por entidades particulares, mas passa a ter
101

, 1939, citado por

MARTINS, 2002, p. 326).
CAIN, Julie. La civilisation écrite. In: Encyclopédie Française, v. 18. Paris: Larousse, 1939.

780

�Ao tratar do tema, Jacob (2008) traz uma definição ampla de biblioteca quando
afirma que:
lugar de memória nacional, espaço de conservação do patrimônio intelectual,
literário e artístico, uma biblioteca é também o teatro de uma alquimia
complexa em que, sob o efeito da leitura, da escrita e de sua interação, se
liberam as forças, os movimentos do pensamento. É um lugar de diálogo com o
passado, de criação e inovação, e a conservação só tem sentido como fermento
dos saberes e motor dos conhecimentos, a serviço da coletividade inteira
(JACOB, 2008, p.53).

Nuñes (2002) amplia a missão da biblioteca, defendendo-a como:
um centro cultural, um lugar de encontro onde cabem todos os cidadãos,
independentemente de sua idade, formação, sexo, classe social ou profissional.
A biblioteca é para todos e, por isso, deve dar respostas às necessidades
informativas, de entretenimento, etc., que solicitem. Essas necessidades devem
formular-se tanto
no continente (edifício) como no conteúdo (fundo
documental de diferente suporte) (NUÑES, 2002, p.242).

Para Nuñes (2002):
é muito importante saber que biblioteca queremos, que biblioteca
consideramos a mais idônea para nossos usuários, qual vai ser o funcionamento
da mesma e de cada uma de suas seções. Isso requer conhecer a fundo a cidade
e o tipo de biblioteca que vamos planificar e outras características, como tipo
de usuários tanto reais como potenciais, para adaptar a biblioteca a essas
características (...) (NUÑES, 2002, p.243-244).

A ideia contemporânea de biblioteca é, portanto, a de um centro cultural. É o que
afirma também Teixeira Coelho (1997):
se a biblioteca moderna e pré-moderna era o lugar da coleção, a biblioteca pósmoderna se apresenta (ou quer ser) como o lugar da informação, da discussão e
da criação, rompendo vastamente com seus modelos passados (COELHO,
1997, p. 78).

Os centros culturais surgem como um modelo alternativo, que vem sendo desenhado
e experimentado em diversos lugares do mundo. Abrigam, ao mesmo tempo, a identidade
individual e a coletiva, por isso a sua democratização é fundamental como instrumentos
que possibilitam ao homem o contato com a produção cultural para fruir e produzir.
Campos (1995) afirma que as bibliotecas entendidas como centros culturais, são
núcleos de uma expressão cultural viva, criados para propiciar e desenvolver uma
dinâmica cultural, com o objetivo de favorecer uma ação cultural na qual importa a
criação, e não apenas o consumo, de cultura.

781

�A mesma questão também é observada por Botelho (2003) que, ao analisar os
equipamentos culturais da cidade de São Paulo, descreve a situação das bibliotecas
públicas da capital:
pertencentes à esfera municipal, a maioria das bibliotecas têm ações que
ultrapassam suas obrigações tradicionais, mantendo projetos para públicos
específicos, tais como os de estímulo à leitura, voltado para crianças, assim
como projetos para a terceira idade. Desenvolvem, ao mesmo tempo, uma
gama de atividades ligadas às artes (dança, música, teatro, por exemplo).
Algumas têm um núcleo Braille, outras mantêm pequenos museus ligados à
história do bairro. Uma delas mantêm sessões semanais de cinema, numa
região em que não há nenhuma sala cinematográfica comercial. Ou seja,
percebe-se um esforço de se responder a demandas mais amplas do que
simplesmente colocar livros à disposição de consulentes, funcionando, em
alguns casos, como pequenos centros culturais (BOTELHO, 2003, p.6).

Portanto, dentro de uma concepção contemporânea, as bibliotecas públicas, aqui
estão incluídas as universitárias, enquanto centros culturais, devem buscar caminhos para
que sua atuação seja a de um centro aglutinador, gerador e disseminador de ações
culturais e de informação.
Para Milanesi (1997), o que caracteriza esses espaços é a reunião de produtos
culturais, sejam de que natureza forem, a possibilidade de discuti-los e a prática de criar
novos pro
centro cultural deve viver experiências significativas e rever a si próprio e suas relações
Quando se pensa nas bibliotecas que vêm atuando como centros culturais espalhadas
pelo mundo, é possível observar uma tendência para o acúmulo de funções; o uso da
tecnologia de forma a propiciar a criação de ambientes interativos e a espetacularização
da cultura e da arte, visto que a cultura necessita de um espaço para si, pois é aquela que
nasce da inquietação, do conhecimento, da reflexão compartilhada. Como coloca
Milanesi,
(MILANESI, 1997, p. 145).
Assim, os centros de cultura são espaços que aglutinam atividades de criação,
reflexão, fruição, distribuição de bens culturais. Constituem um núcleo articulador e
gerador de ações culturais de criação. Devem dispor de infraestrutura que permita o
trabalho cultural e devem propiciar o encontro criativo entre as pessoas.
Para Teixeira Coelho (1997), estes centros têm que criar condições para o
surgimento de uma cultura viva, uma cultura que se faz pela experiência, que implica em
consciência, entrega, disciplina e comprometimento. Uma cultura viva é construída pelos
782

�próprios sujeitos, em interação com outros sujeitos, com a obra de arte, com a
informação; inseridos em um processo crítico, criativo, provocativo, grupal e dinâmico.
3 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
INFORMAR, DISCUTIR E CRIAR

E

SUAS

PRÁTICAS

CULTURAIS:

Ramos (2006) afirma que sejam quais forem as condições de atuação, o centro de
cultura deve ser um espaço de descoberta, de desvelamento da realidade. Um centro de
cultura deve fazer uma clara opção pelo indivíduo numa situação coletiva; ele só tem
razão de existir se está comprometido com a formação de sujeitos e sua inserção na
coletividade, valorizando ao mesmo tempo a diversidade e a individualidade.
Primeiramente, as bibliotecas públicas universitárias devem se apresentar como
sendo um espaço da comunidade acadêmica, mas também da comunidade em seu
entorno, interagindo com os acontecimentos locais, onde as pessoas devem se sentir
convidadas a entrar e participar; tais centros culturais devem estimular seus
frequentadores a expressarem o que percebem e sentem, devem possibilitar que todos
participem ativamente como criadores e se apropriem do espaço.
Ainda segundo Ramos (2006), os centros culturais são o lugar onde a experiência
deve se dar e, por isso, deve haver espaço para fazer circular ideias, sons, imagens,
pensamentos que propiciem que o frequentador explore sua própria subjetividade e se
encontre com suas próprias emoções.
Desta forma, as bibliotecas universitárias vistas como espaços de cultura, segundo
Cenni (1991), devem proporcionar algo que vá além dos modelos escolares, das
cultural é procurar reativar as diferenças, diversificar o pensamento e mostrar que há
outras formas de se olhar para o mundo além dos discursos oficializados pela escola, pela
A biblioteca pública universitária pode, através da ação cultural, fazer com que as
pessoas tomem consciência de si mesmas diante de si mesmas e do coletivo. E como a
experiência da vida social situa-se, em sua maior parte, em grupos, o centro cultural deve
promover trabalhos com grupos, utilizando a matéria cultural do coletivo, de modo a
propiciar a conscientização da pessoa e da sociedade.
O centro cultural deve promover encontros, debates, estimular e favorecer a
convivência, como é colocado por Widmer15 (1979, citado por RAMOS, 2008),
783

�apropriado de encontro e transformação [...] dos homens entre si. Têm a finalidade da
102

, 1979, p. 32, citado por

RAMOS, 2008, p.97).
Para o referido autor, o centro cultural é um instrumento de prática ideológica e
política, e não um posto de serviço ou um centro de compras culturais. Não deve estar
vinculada a uma camada ou classe social, mas também não pode ser apolítica ou neutra
em suas ações.
Milanesi (1997) também toca na relação entre o centro e a cidade; para ele, o centro
cultural deve estar conectado à cidade, deve estar atento e responder às demandas e
anseios dos cidadãos, deve propiciar o encontro entre as pessoas e a cidade, deve
possibilitar o entendimento dos acontecimentos contemporâneos e deve prestar serviços à
população (fornecer informações e dados, esclarecer dúvidas, facilitar o acesso).
Para Ramos (2006), questões como globalização, tecnologias de informação e
comunicação, identidade cultural e a importância da informação e do conhecimento estão
na ordem do dia e devem estar contempladas nas ações e na própria maneira como esses
espaços se organizam e atendem a seus usuários.
Ainda segundo Ramos (2006), os centros culturais atuam como espaço de encontro,
experimentação e reflexão, mas, também como equipamento disseminador de
informação. Isso acontece quando divulga suas atividades entre os usuários; quando
promove seminários e debates; quando possibilita o acesso à internet e disponibiliza para
seu público equipamentos multimídia; quando promove lançamento de livros, sessões de
cinema, etc. Enfim, ao mesmo tempo em que realiza a ação cultural, o centro realiza a
ação informacional.
Silva (1995) caracteriza o centro cultural como um organismo de informação, pois
seria um local onde as pessoas encontram as informações úteis no dia-a-dia. Para ela, o
centro cultural:
visa reunir bens culturais e colocá-los à disposição do público. [...] Entretanto,
ele quer mais, quer ser um espaço de criação de novos bens. Isto garante a sua
funcionalidade. Ao reunir os bens culturais pode se promover também a sua
reinterpretação. O conhecimento adquire um caráter dinâmico. [...] Tudo passa
a ser informação (SILVA, 1995, p.46).

102

WIDMER, Ernst. Problemas da Difusão Cultural. In: Cadernos de Difusão Cultural. Salvador: Universidade
Federal da Bahia UFBA, 1979.

784

�Para Teixeira Coelho (1986) e também Milanesi (1997), os centros devem realizar
ações que integrem três campos comuns ao trabalho cultural: criação, circulação e
preservação. Para o primeiro campo, devem-se incorporar ações que visam estimular a
produção de bens culturais. Devem-se promover oficinas, cursos e laboratórios; deve-se
investir na formação artística e na educação estética de modo a possibilitar o contato
sensível com o mundo, a ampliação das percepções e o aprendizado das diferentes formas
de expressão artística.
Outra responsabilidade que os centros culturais têm é com a distribuição dos bens
culturais e a circulação de informação. Uma vez produzido o bem cultural este deve ser
tornado público, através de ações que possibilitem a participação da sociedade. A
circulação do bem cultural e da informação, de acordo com Milanesi (1997), cria novas
demandas culturais e informacionais, e esta é uma condição básica do trabalho cultural.
Da mesma forma, as demais funções a que se destinam os centros de cultura, como
formação artística, estética e de público; fruição e recepção crítica de bens culturais;
reflexão e construção da identidade estão ancoradas no acesso à informação. Por isso,
Milanesi (1997) entende que os três verbos fundamentais a serem conjugados num centro
de cultura são: informar, discutir e criar.
Informar seria o primeiro verbo conjugado num centro de cultura. A
informação deve estar organizada e acessível. O centro deve disponibilizar a
mais variada coleção de registros do conhecimento humano, apresentados em
livros, jornais, revistas, fotos, discos, filmes e tantos outros tipos de suporte
quanto a tecnologia permitir. As informações devem ser organizadas com os
recursos da informática, que ficam mais baratos a cada dia e que permitem o
acesso via computador e internet (RAMOS, 2006, p.103).

Ainda segundo a mesma autora, outro verbo importante a ser conjugado num centro
cultural é: discutir. A biblioteca universitária vista como centro de cultura deve
abandonar a postura passiva das antigas bibliotecas que organizavam as informações para
atender a uma demanda e passar a oferecer a oportunidade de reflexão e crítica. Devem
ser organizados seminários e ciclos de debates para que a ação de discutir potencialize a
informação e, desta forma, se torne peça fundamental da ação cultural.
Por fim, o terceiro verbo, criar, é aquele que dá sentido aos demais. É, segundo
Ramos (2006) o objetivo primeiro de um centro cultural, que deve ser gerador de
estímulos, de novos discursos, de novas propostas. Assim, junto ao acervo e às atividades

785

�de discussão, deverão estar disponíveis salas para oficinas, laboratórios, experiências
criativas, onde os frequentadores possam investigar, propor, expressar-se.
A invenção, segundo Milanesi (1997), só é possível mediante um trabalho de
organização de estímulos e eliminação de obstáculos à liberdade de expressão. As
que pedem aos homens que não inventem, que não ousem, que não saiam da rotina,
devem centrar na invenção de discursos o seu objetivo. Ou há criatividade ou não existe
Assim se dá, nestes espaços, o ciclo da ação cultural:
o público tem acesso às informações, as elabora e discute para, finalmente,
criar seu próprio discurso, expressá-lo por meio de diversas linguagens
expressivas e, sempre que possível, registrá-lo para possibilitar a uma ação
cultural contínua e permanente (RAMOS, 2006, p. 104).

Para Milanesi (1997), no que diz respeito à informação, a preocupação básica de um
centro cultural deve ser com a gerência da informação para uma determinada coletividade
e não com a gerência de um acervo. O acervo é posto a serviço da coletividade, mas a
ação que objetiva informar vai muito além dos limites de uma coleção. O autor afirma
que a base de toda atividade cultural é a disponibilidade de informações.
É preciso, essencialmente, conhecer o que já foi criado para poder criar uma nova
expressão. Mas nada disso seria possível, no mundo atual, sem a organização, o acesso e
a distribuição da informação. Por isso, a biblioteca universitária enquanto centro cultural,
além de local de encontro, criação e fruição estética, deve ser um banco de informações
culturais, com seu acervo bibliográfico, sua hemeroteca, discoteca e videoteca.
De acordo com Ramos (2006), nesse processo de promover acesso e a transmissão
do conhecimento, os autores alertam para a necessidade de se levar em conta o perfil do
usuário, suas demandas informacionais e o uso que cada frequentador do centro cultural
faz da informação ali recebida ou acessada, po
conhecimento quando de sua assimilação e incorporação ao mundo do receptor, e aquele,
p.42-43).
Cenni (1991) propõe que os centros culturais funcionem como um espaço de
e informações transmitidas pelos meios de comunicação de massa.
786

�A principal função destes espaços, nesta perspectiva, seria a de auxiliar as pessoas a
processarem os símbolos presentes em sua cultura, capacitando-se para dialogar com
estes símbolos e, inclusive, tornarem-se produtores de novos símbolos, novas
significações e novas atitudes. Assim, as bibliotecas universitárias ao atuarem como
oderiam funcionar como um espaço de leitura crítica, apropriação,
conciliação e intervenção na contemporaneidade, propondo uma relação de diálogo com a
Segundo Ramos (2006), originando-se nas bibliotecas tradicionais, os centros de
cultura têm a função primordial de garantir o direito à informação, de permitir a liberdade
de chegar ao conhecimento, discuti-lo e produzir novo conhecimento. A informação é a
matéria-prima da cultura dos homens contemporâneos. É forma e fundo, é linha e tecido,
é também o divisor de águas.
Assim, cabe às bibliotecas públicas, aqui estão incluídas as universitárias, enquanto
espaços de invenção e criatividade, fornecer aos seus usuários a matéria-prima para
transformar a realidade em que vivem e, desta forma, possibilitar que cada um, junto com
todos, possa apropriar-se de sua cultura.
A matéria-prima, no mundo contemporâneo, é a informação produzida, transmitida,
preservada. Essas instituições, nos moldes dos centros de cultura, caracterizam-se, então,
como legítimos centros de informação.
Ao tratar de biblioteca pública, enquanto local inegável aberto a transmissão do
conhecimento, que oferece oportunidades para o cidadão, o Manifesto da Unesco
(Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) traz a seguinte
definição e diretrizes:
a biblioteca pública é o centro local de informação, tornando prontamente
acessíveis aos seus utilizadores o conhecimento e a informação de todos os
géneros. Os serviços da biblioteca pública devem ser oferecidos com base na
igualdade de acesso para todos, sem distinção de idade, raça, sexo, religião,
nacionalidade, língua ou condição social. [...] Todos os grupos etários devem
encontrar documentos adequados às suas necessidades. As colecções e serviços
devem incluir todos os tipos de suporte e tecnologias modernas apropriados,
assim como fundos tradicionais. É essencial que sejam de elevada qualidade e
adequadas às necessidades e condições locais. As colecções devem reflectir as
tendências actuais e a evolução da sociedade, bem como a memória da
humanidade e o produto da sua imaginação. As colecções e os serviços devem
ser isentos de qualquer forma de censura ideológica, política ou religiosa e de
pressões comerciais (MANIFESTO DA UNESCO SOBRE BIBLIOTECAS
PÚBLICAS, 1994).

787

�Esse Manifesto retrata a biblioteca pública, seja ela municipal ou universitária, como
força em prol da educação, da cultura e da informação, além de instrumento
indispensável para promover a paz e a compreensão entre povos e nações, sendo, pois,
útil, deve estar de acordo com os determinantes econômicos, políticos e culturais da
população a que se de
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa foi desenvolvida com base em procedimentos metodológicos (métodos e
técnicas) considerados apropriados para alcançar os objetivos propostos, e envolveu fases, que
foram desde a formulação do problema até a apresentação dos resultados.
Nesta pesquisa, portanto, a partir dos conceitos teóricos acerca das bibliotecas públicas
vistas como centros culturais, pretendeu-se apresentar elementos que corroborassem a
necessidade das bibliotecas públicas universitárias atuarem como verdadeiros centros de
informação e cultura, espaços polivalentes.
Em relação à natureza da pesquisa, trata-se de uma pesquisa aplicada, pois pretende
conforme explica Moresi (2003), gerar conhecimentos que possam ser aplicados na solução
de problemas específicos, ligados, neste caso, ao campo das bibliotecas universitárias.
Quanto à forma de abordagem do problema, neste aspecto, a pesquisa é qualitativa,
pois conforme explicação de Nascimento (2008) possui especificidades não passíveis de
quantificação. A escolha também se apoiou na concepção de GONSALVES (2007), para a
qual, a pesquisa qualitativa preocupa-se com a compreensão, e com a interpretação de um
fenômeno, considerando o significado que os outros dão às suas práticas, o que impõe ao
pesquisador uma abordagem hermenêutica, ou seja, a adoção do método interpretativo.
Entende-se, portanto, que para atingir os objetivos propostos nesta pesquisa, foi
necessário compreender os fenômenos ligados às bibliotecas públicas universitárias enquanto
espaços culturais que podem possibilitar o acesso, disseminação e uso da informação e da
cultura em suas práticas culturais.
Sob o ponto de vista dos seus objetivos, é uma pesquisa exploratória, pois conforme
Gil (2009), a pesquisa exploratória tem como objetivo possibilitar uma maior familiaridade
com o problema, tornando-o mais claro. Ou ainda, é aquela que se caracteriza pelo
desenvolvimento e esclarecimento de ideias, com objetivo de oferecer uma visão panorâmica,
uma primeira aproximação a um determinado fenômeno que é pouco explorado. Esse tipo de
788

�suporte para a realização de estudos mais aprofundados sobre o tema (GONSALVES, 2007,
p.67).
Assim, ainda segundo Gil (2009), neste trabalho, podem ser identificadas a pesquisa
pesquisa bibliográfica entendese como aquela desenvolvida com base em material já elaborado, constituído a análise das
contribuições de diversos autores que já abordaram a questão.
Pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido com base em material
publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, isto é, material acessível ao público
em geral. Fornece instrumental analítico para qualquer outro tipo de pesquisa, mas também
pode esgotar-se em si mesma.
Quanto à Identificação das fontes, foram utilizadas, em sua maioria, fontes impressas (em
papel), livros técnicos, artigos de periódicos científicos (revistas), teses e dissertações, anais
de encontros científicos; e de fontes digitais

e-books, textos da internet, oriundos de blogs,

sites, artigos de repositórios digitais.

5 RESULTADOS
Tendo em vista que o presente trabalho é de natureza exploratória, eminentemente
uma revisão de literatura, durante a pesquisa bibliográfica foram encontrados vários autores
que produziram a respeito do tema de pesquisa abordado. Para tanto, elaborou-se um quadro
comparativo dos autores mais citados no referido trabalho contendo os seguintes itens: título,
autores e ano, tema desenvolvido, principais considerações sobre o trabalho, cujo objetivo
foi apresentar uma breve análise sobre a concepção de cada autor acerca da visão que se tem
sobre biblioteca pública como centro cultural e suas proposições para que a instituição
informação e cultura, voltado não só pra o acesso, mas para a produção da cultura.

789

�Autor
BOTELHO,
Isaura.

Título
Os equipamentos culturais na
cidade de São Paulo: um
desafio para a gestão pública.

Ano
2003

CENNI,
Roberto.

Três centros culturais
cidade de São Paulo.

da

1991

COELHO
NETO, J.T.

Dicionário Crítico de Política
Cultural.

1997

JACOB,
Christian.

Prefácio. In:
BARATIN,
Marc.; JACOB, Christian. O
poder das bibliotecas: a
memória dos livros no
Ocidente.
A palavra escrita: história do
livro, da imprensa e da
biblioteca.

2008

A casa da invenção.
O que é biblioteca.

1997
1989

MARTINS,
Wilson.

MILANESI,
Luis.

2002

Principais considerações sobre a obra
Traz uma análise dos equipamentos culturais da cidade de São
Paulo, dentre eles, descreve a situação das bibliotecas públicas
da capital que em 2003 a maioria das bibliotecas realizava ações
que ultrapassavam suas obrigações tradicionais, desenvolvendo,
ao mesmo tempo, uma gama de atividades ligadas às artes
(dança, música, teatro, por exemplo), algumas funcionando
como pequenos centros culturais.
Traz conceitos sobre a função do centro cultural e sua missão de
ser um espaço que procura reativar as diferenças, diversificar o
pensamento e mostrar que há outras formas de se olhar para o
mundo além dos discursos oficializados pela escola, pela
instituição e pela mídia.
Com relação à temática discutida neste trabalho, traz a ideia
contemporânea de biblioteca vista e entendida como um centro
cultural, afirmando que se a biblioteca moderna e pré-moderna
era o lugar da coleção, a biblioteca pós-moderna se apresenta
(ou quer ser) como o lugar da informação, da discussão e da
criação, rompendo vastamente com seus modelos passados.
Traz uma definição ampla de biblioteca como lugar de memória
nacional, espaço de conservação do patrimônio intelectual,
literário e artístico, lugar de diálogo com o passado, de criação e
inovação;
livro, dos primeiros registros escritos, da imprensa, o
surgimento da instituição biblioteca e suas características ao
longo da idade antiga, média, moderna incluindo a revolução de
suas funções que, progressivamente, vai se constituindo um
centro de divulgação do saber, passando a gozar do estatuto de
instituição leiga e civil, pública e aberta.
Traz aspectos históricos da biblioteca pública no Brasil, seu
perfil e serviços quase que exclusivamente voltados ao ensino e
à pesquisa, deixando de desempenhar um papel próprio no
campo das atividades culturais; discute a relação entre
biblioteca e centro cultural e descreve vários casos de criação de

Proposições do autor
Nessa obra, Botelho não traz conceitos sobre os centros
culturais, bibliotecas, mas aponta uma série de dados
quantitativos e análise qualitativa sobre as bibliotecas
públicas da cidade de São Paulo com o objetivo de apontar
possibilidades de melhor investimento de políticas públicas
de cultura e usabilidade dos equipamentos pelas pessoas.
Propõe que os centros culturais devem proporcionar algo
que vá além dos modelos escolares, das propostas eruditas e
das práticas desinteressadas do lazer;
Propõe que estes centros criem condições para o surgimento
de uma cultura viva, uma cultura que se faz pela experiência,
que implica em consciência, entrega, disciplina e
comprometimento. Propõe ainda que os centros devam
realizar ações que integrem três campos comuns ao trabalho
cultural: criação, circulação e preservação
Não traz propostas específicas para as bibliotecas como
centros culturais, mas traz conceitos de biblioteca que
podem ser adotados para as bibliotecas universitárias na
perspectiva de se tornarem espaços de criação, diálogo,
inovação e de estímulo à imaginação e à arte e a cultura.
Não trata especificamente do conceito de bibliotecas como
centros culturais, mas traz exemplos de bibliotecas ainda na
antiguidade que tinham características de espaços para além
de acervos de livros para consulta.

Traz os desafios que deverão ser encarados pelas bibliotecas
em suas práticas culturais: informar, discutir e criar; as
bibliotecas públicas como centros culturais devem atuar
como um núcleo articulador e gerador de ações culturais de
criação; devem dispor de infraestrutura que permita o

790

�casas de cultura no país;

NUÑES,
Eloy
Martos.
RAMOS,
Kátia et. al

Espaços de leitura: projetos,
conteúdos e animação cultural.
In: RÖSING, Tânia M. K.;
BECKER, Paulo. (Orgs).
Leitura e animação cultural:
repensando a escola e a
biblioteca.
Centro de Cultura Belo
Horizonte: relatório de visita
apresentado como trabalho
Cultural

como

Centro

2002
2006

Traz conceitos e amplia a função/missão da biblioteca,
defendendo-a como um centro cultural, um lugar de encontro
onde cabem todos os cidadãos, independentemente de sua idade,
formação, sexo, classe social ou profissional. Traz a concepção
de biblioteca para todos que deve ter o compromisso em dar
respostas às necessidades informativas, de entretenimento, etc.,
que sejam solicitadas.
Traz conceitos sobre os centros culturais como
lugares onde a experiência deve se dar; espaços para
fazer circular ideias, sons, imagens, pensamentos que

de

propiciem que o frequentador explore sua própria
subjetividade e se encontre com suas próprias emoções.
Descreve os centros culturais como instituições que atuam
como espaço de encontro, experimentação e reflexão e
também como equipamento disseminador de informação.

RAMOS,
Luciene
Borges.

Centros de cultura, espaços de
informação: um estudo sobre
estudo sobre a ação do Galpão
Cine Horto.

trabalho cultural e devem propiciar o encontro criativo entre
as pessoas. Propõe também que o centro cultural deve estar
conectado à cidade, deve estar atento em responder às
demandas e anseios dos cidadãos, deve propiciar o encontro
entre as pessoas e a cidade, deve possibilitar o entendimento
dos acontecimentos contemporâneos e deve prestar serviços
à população (fornecer informações e dados, esclarecer
dúvidas, facilitar o acesso).
Propõe que é preciso saber que biblioteca queremos, que
biblioteca consideramos a mais idônea para nossos usuários,
qual vai ser o funcionamento da mesma e de cada uma de
suas seções;
Propõe que haja o conhecimento a fundo da cidade e o tipo
de biblioteca que vamos planificar e outras características,
como tipo de usuários tanto reais como potenciais, para
adaptar a biblioteca a essas características.
Propõe que sejam quais forem as condições de atuação, o
centro de cultura deve ser um espaço de descoberta, de
desvelamento da realidade, fazendo uma clara opção pelo
indivíduo numa situação coletiva; propõem ainda que as
bibliotecas públicas universitárias devem se apresentar como
sendo um espaço da comunidade acadêmica, mas também da
comunidade em seu entorno, interagindo com os
acontecimentos locais, onde as pessoas devem se sentir
convidadas a entrar e participar; estimulando seus
frequentadores a expressarem o que percebem e sentem e
possibilitando que todos participem ativamente como
criadores e se apropriem do espaço.

2008

Defende que já não é mais possível construir uma biblioteca Propõe que os centros culturais não devam estar vinculados
pública e um centro de cultura, como entidades distintas; a uma camada ou classe social, mas também não sejam
defende o centro cultural como um instrumento de prática apolíticos ou neutros em suas ações; propõe ainda que
ideológica e política, e não um posto de serviço ou um centro de promovam encontros, debates, estimulando e favorecendo a
compras culturais.
convivência.
Com o quadro, foi possível identificar que CENNI (1991), COELHO NETO (1997), MILANESI (1997), NUÑES (2002), RAMOS (2006) e RAMOS (2008) são os autores que trazem
uma série de conceitos sobre bibliotecas públicas, centros culturais e a indissociabilidade entre biblioteca pública e centro cultural visto que não há mais espaço na contemporaneidade
para bibliotecas nos moldes tradicionais. Os referidos autores trazem uma série de desafios que deverão ser encarados pelas bibliotecas públicas enquanto centros culturais: informar,
discutir e criar; atuando como núcleos articuladores e geradores de ações culturais de criação; atendendo as demandas e anseios dos cidadãos, contribuindo para a cidadania plena.

791

�6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora o Manifesto da Unesco sobre as Bibliotecas Públicas (1994) defenda que as
bibliotecas públicas, aqui inclui-se as universitárias, atuem como um centro de informação
para a coletividade, um espaço que se abre para o lazer; e de preservação da memória, sabe-se
que a biblioteca pública ainda permanece distante dessas formas de ação. É preciso que essas
bibliotecas direcionem o seu acervo e atividades a fim de atender aos desejos de seus
usuários.
Para que isso aconteça, a mudança precisa começar na escola, visto que se não há um
ensino voltado para a valorização da biblioteca enquanto espaço de acesso, produção,
disseminação e uso da informação, da cultura, da educação o povo não irá procurar essa
instituição.
A biblioteca não pode ser algo distante da população, ela deve ser um local de
encontro e discussão, um espaço onde é possível aproximar-se do conhecimento registrado e
onde se discute criticamente esse conhecimento e com base nessa reflexão se produz
conhecimento novo. Quando essa instituição não consegue cumprir essa missão, passa a atuar
como um local onde há acervos inúteis ou enciclopédias para estudante copiar verbetes.
Fica evidente, portanto, que não é possível pensar a biblioteca hoje sem que se
considere a liberdade de acesso à informação como um direito humano para o exercício do
pensamento criador. É preciso entender que há um círculo perpétuo, ou seja, a informação
produzida é organizada e colocada à disposição de um determinado público que acessa os
dados, combinando-os, faz análise e crítica, gerando um novo produto informativo que, por
sua vez, deve ser integrado num serviço que permita o acesso do público.
Nesse sentido,

o esforço deverá ser incrementar a biblioteca, transformando-a

efetivamente num centro onde não apenas se tem o acesso à produção cultural da humanidade,
mas onde também se produz cultura, pois, a partir do momento que a biblioteca assume a
função de casa da cultura, que disponibiliza uma infraestrutura que permite a realização de
uma série de atividades no campo das artes, torna-se claro que ela deixa de ser apenas lugar
de memória, preservação e acesso, passa a ser também o lugar do fazer.
Quando a biblioteca passa a ser espaço também do fazer criativo, há uma
transformação radical, uma vez que a biblioteca sempre se caracterizou como sendo uma
instituição que organiza a informação, colocando-a a disposição do público. Portanto, trata-se
de um esforço de crescimento coletivo pois é a ação que leva a repensar a informação.
792

�Milanesi já afirmava que a biblioteca só atinge plenamente a sua função quando, além de
propiciar a leitura, garante a seu público o ato de dizer e escrever.

REFERÊNCIAS
BATTLES, Matthew. A conturbada história das bibliotecas. São Paulo: Planeta, 2003.
BOTELHO, Isaura. Os equipamentos culturais na cidade de São Paulo: um desafio para a
gestão pública. Revista Espaço e Debates - Núcleo de Estudos Regionais e Urbanos,
São Paulo, v.23, n.43-44, jan/dez, 2003.
BRAGA, Maria de Fátima Almeida. A biblioteca pública como um lugar de signos.
Infociência, São Luis, v.4, p. 21-34, 2004. Disponível em:&lt;
http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000004283&amp;dd1=1fbb0&gt;. Acesso em:
26 jun. 2013.
CAMPOS, Shirleti Amorim. As bibliotecas públicas são centros culturais ou os
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e Documento), Centro de Ciências Humanas, UNI-RIO, 1995. 104p.
CARDOSO, Ana Maria; NOGUEIRA, Maria Cecília D. Projeto de implementação do
Centro de Cultura de Belo Horizonte. Revista da Escola de Biblioteconomia da
UFMG, Belo Horizonte, v.23, n2. p.203-216, jul/dez. 1994.
CENNI, Roberto. Três centros culturais da cidade de São Paulo. Dissertação de
mestrado, Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo USP, São Paulo,
1991. 334p.
COELHO NETO, J.T. Dicionário Crítico de Política Cultural. São Paulo:
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GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4.ed. 12.reimpr. São Paulo:
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GONSALVES, Elisa Pereira. Conversas sobre iniciação à pesquisa científica. 4.ed.
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Conhecimento e Tecnologia da Informação) Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu
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794

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>Trata das bibliotecas universitárias vistas sob a perspectiva de centros culturais. Objetiva apresentar, discutir e refletir teoricamente sobre as bibliotecas públicas universitárias enquanto espaços polivalentes que integram o acesso ao conhecimento às ações de discussão, criação de novos conhecimentos e difusão de novas informações, além de estarem atentas às mudanças sociais, necessidades coletivas e formulações culturais características do mundo contemporâneo. Trata-se de uma pesquisa tem como objeto de estudo as bibliotecas públicas universitárias. Caracteriza-se como sendo uma pesquisa exploratória por ser estabelecida em critérios, métodos e técnicas. Utiliza-se de um método qualitativo permitindo o aprofundamento do objetivo a ser estudado a partir de levantamento bibliográfico com base em material já elaborado, constituído a análise das contribuições de diversos autores que já abordaram a questão como Milanesi (1997), Ramos (2008), Cenni (ano) abordando aspectos históricos e conceituais sobre o tema enfatizando nas considerações finais que o caminho é o do espaço polivalente, que integra o acesso ao conhecimento às ações de discussão, criação de novos conhecimentos e difusão de novas informações. Por fim, traz ainda o entendimento de Milanesi (1997) e outros teóricos acerca dos desafios que deverão ser encarados pelas bibliotecas universitárias em suas práticas culturais, são eles: informar, discutir e criar.</text>
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