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                  <text>POLÍTICAS PÚBLICAS DE ACESSIBILIDADE EM BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS: UMA BREVE ANÁLISE DA BSSN/UFAM
PUBLIC POLICIES OF ACCESSIBILITY IN UNIVERSITY LIBRARIES:
AN ANALYSIS OF BSSN/UFAM

Resumo: Este estudo traz a avaliação de uma biblioteca universitária na cidade de Manaus à
luz das legislações em vigor e faz uma reflexão acerca da importância da adequação deste
espaço para atender à demanda por informação da pessoa com deficiência. Trata-se de uma
análise crítica realizada na Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN) pertencente ao Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM), utilizando-se de
observação in loco. O referencial teórico foi buscado em livros, periódicos e bases de dados
que discutem sobre a importância da diminuição das barreiras para que a pessoa com
deficiência possa ter pleno acesso aos direitos garantidos pela Declaração Universal dos
Direitos Humanos, pela Constituição de 1988 e pela Lei n. 13.146/2015, mais especificamente
o direito de acesso à educação, cultura e informação. Foram buscadas recomendações dentro
da Norma Regulamentadora da ABNT, n. 9050, referente à acessibilidade, como modelo para
que a Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN) esteja adequada para atender às demandas
por informação da pessoa com deficiência. Esta análise resultou na discussão da necessidade
de se criar, analisar, avaliar e implementar políticas públicas que visem o acesso às bibliotecas
universitárias pela pessoa com deficiência.
Palavras-chave: Políticas públicas. Bibliotecas universitárias. Pessoa com deficiência.
Acessibilidade.
Abstract: This study brings the evaluation of a university library in the city of Manaus in
light of the legislation in force and reflects on the importance of adapting this space to meet
the demand for information of the disabled person. This is a critical analysis carried out at the
Sectorial Library of the Northern Sector (BSSN) belonging to the Libraries System of the
Federal University of Amazonas (SISTEBIB/UFAM), using in situ observation. The
theoretical framework has been searched in books, periodicals and databases that discuss the
importance of reducing barriers so that the disabled person can have full access to the rights
guaranteed by the Universal Declaration of Human Rights, the 1988 Constitution and Law n .
13.146/2015, more specifically the right of access to education, culture and information.
Recommendations were sought within the Regulatory Norm of ABNT, n. 9050, regarding
accessibility, as a model so that Sectorial Library of the Northern Sector (BSSN) is adequate
661

�to meet the demands for information of the disabled person. This analysis resulted in the
discussion of the need to create, analyze, evaluate and implement public policies aimed at
accessing university libraries by the person with disabilities.
Keywords: Public policies. University libraries. Disabled person. Accessibility.
1 INTRODUÇÃO
Este estudo tem como objetivo discutir a perspectiva inclusiva da acessibilidade em
ambientes de ensino, cultura e informação em bibliotecas universitárias à luz dos Direitos
Humanos, da Constituição de 88 e da Lei n. 13.146. Para tal, foi selecionado como sujeito
desta pesquisa a BSSN/UFAM. Dentre as palavras-chave que indexam este trabalho cabe
aqui, antes de tudo, ser feito um resgate na literatura para definição de alguns conceitos, a
saber: espaços culturais, de ensino e informação; inclusão social; acessibilidade.
Segundo Sarraf (2015) os espaços culturais existem para acolher, divulgar e preservar
os vestígios dos territórios e das sociedades, focalizando nas experiências humanas e nas artes
e, também, no cotidiano das comunidades em suas ações de subsistência, celebração e
representação. Em outras palavras, os ambientes de cultura têm um importante papel na
preservação da identidade, não só do homem enquanto pessoa, mas também das cidades
enquanto território, pois atuam na coleta, tratamento e disseminação de dados e bens
históricos, sejam eles, materiais e/ou imateriais.
Para Maciel (2000) a inclusão social traz em seu bojo a equiparação de oportunidades,
a mútua interação de pessoas e o pleno acesso aos recursos da sociedade. Desta forma, incluir
socialmente é permitir que todos os membros da sociedade tenham os mesmos direitos,
deveres e oportunidades.
No que se refere à acessibilidade, a Lei n. 13.146 possibilitou condições de alcance
para utilização, de forma segura e autônoma, dos serviços e instalações disponíveis ao
público, independentemente de sua natureza pública ou privada (BRASIL, 2015). Sendo
assim, discutir a questão é, acima de tudo, pensar em maneiras de diminuir as barreiras que
impedem a pessoa de acessar qualquer instrumento disponibilizado na-pela sociedade.
Este estudo levantará discussões acerca do direito da pessoa com deficiência em
acessar os ambientes de cultura, ensino e informação disponíveis a partir das legislações
vigentes em nosso país, a saber: a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948; a
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988; e, a Lei n. 13.146, Lei Brasileira de
Inclusão da Pessoa com Deficiência, Estatuto da Pessoa com Deficiência de 2015.
662

�Dentre os ambientes de ensino, cultura e informação da Universidade Federal do
Amazonas (UFAM) foi selecionada a BSSN/UFAM como objeto de análise nesta pesquisa. O
espaço a ser avaliado foi selecionado a partir das bibliotecas universitárias, pertencentes à
UFAM localizadas na cidade de Manaus:
1. Biblioteca Central (BC/UFAM);
2. Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN/UFAM);
3. Biblioteca Setorial do Setor Sul (BSSS/UFAM);
4. Biblioteca Setorial de Ciências Exatas e Engenharias (BSCEE/UFAM);
5. Biblioteca Setorial da Faculdade de Direito (BSFD/UFAM);
6. Biblioteca Setorial da Escola de Enfermagem de Manaus (BSEEM);
7. Biblioteca Setorial de Ciências da Saúde (BSCS/UFAM);
8. Biblioteca Setorial do Museu Amazônico (BSMA/UFAM).
Dentre as bibliotecas universitárias acima listadas, a BSSN/UFAM foi escolhida por
ser a maior biblioteca da UFAM em termos de acervo, de cursos atendidos e de usuários.
Deste modo, espera-se que a mesma esteja adequada para receber e atender a pessoa com
deficiência consumidora de informação e cultura.
Foram realizadas duas visitas ao local: no primeiro momento, se conheceu sua
estrutura e instalações, identificou-se sua missão, seu público alvo e seu horário de
funcionamento. Durante a segunda visita, que ocorreu após a escolha desse espaço como
objeto de análise, foi realizado uma investigação mais voltada para a inclusão da pessoa com
deficiência enquanto usuária deste espaço.
2 A PESSOA COM DEFICIÊNCIA E OS ASPECTOS LEGAIS
A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUHU) é um documento, adotado
pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de dezembro de 1948, que possui 30
artigos em sua composição.
Os direitos humanos são compreendidos como direitos inerentes ao ser humano. Este
conceito reconhece que cada pessoa pode e deve desfrutar plenamente de seus direitos sem
distinção de raça, origem social, cor, sexo, língua, religião, nacionalidade, opinião política ou
de qualquer outro tipo. Para a ONU (2017) os direitos humanos são direitos inerentes a todos
663

�os seres humanos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou
qualquer outra condição.
Os direitos humanos correspondem àqueles direitos fundamentais aos quais todo
homem deve ter acesso, em virtude puramente de sua qualidade de ser humano e
que, portanto, toda a sociedade, que se pretenda uma sociedade autenticamente
humana, deve assegurar aos seus membros. [...] por direitos humanos hão de se
entender as prerrogativas inerentes à dignidade da espécie humana e que são
reconhecidos na ordem constitucional (SILVA; BONIFÁCIO, 2012, p. 101).

No contexto deste estudo, vale identificar, dentre os 30 artigos da DUHU, um dos
direitos essenciais à pessoa humana, que por diversas vezes é comprometido no que diz
respeito à pessoa com deficiência, visto seu caráter singular : o artigo 27, transcrito a seguir:
ud BUSCHEL,
2014, p. 4).
Desta forma, adentramos ao objeto do estudo e às questões que norteiam esta pesquisa:
1. As bibliotecas enquanto espaço de ensino, informação e cultura estão organizadas para
atender à pessoa com deficiência? 2. Como os ambientes culturais, de ensino e informação se
adequam para atender a essa demanda?
Se pensarmos a pessoa com deficiência enquanto suas limitações, as ações propostas a
essa parcela da sociedade deve atender às suas peculiaridades. Se o acesso à cultura, ao ensino
e à informação é algo universal, como permitir o acesso e/ou oferecer produtos e serviços
culturais e de informação à pessoa com deficiência?
Diminuindo a jurisdição, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
traz em seu capítulo 1, artigo 5º, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza. Por sua vez, o capítulo 3, seção 2, artigo 215, delimita como papel do Estado,
garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes da cultura
nacional (BRASIL, 1988).
Da mesma forma, a Emenda Constitucional n. 85 de 2015 trás como função do Estado,

Analisando os artigos acima mencionados vemos que é obrigação do Estado,
promover e permitir o acesso do cidadão aos meios de produção e reprodução de ensino, de
informação [científica] e de cultura, independentemente de suas características enquanto
pessoa com deficiência ou não.
664

�Desta forma, e no contexto desta pesquisa, indistintamente, o Estado deve prever e
evitar impedimentos à pessoa, dentre eles o acesso à cultura, ao ensino e à informação.
Em tese, o Estado cria, mantém e fomenta ambientes promotores e de salvaguarda de
conhecimento, informação e cultura, de modo que as bibliotecas universitárias estejam
disponíveis e acessíveis a todos. Em virtude das especificidades motoras e/ou sensoriais da
pessoa com deficiência, atribui-se ao Estado a responsabilidade de adequar e transformar estas
bibliotecas, passando a atender às necessidades da pessoa com deficiência enquanto
consumidora de informação e cultura.
Em 1982 o Programa de Ação Mundial para as Pessoas com Deficiência da ONU já
reconhecia a responsabilidade da estrutura social na questão das diferenças e sinalizava para a
importância de outro padrão de vida social, visando tanto à necessidade de oportunidades
quanto a equiparação delas (ONU, 1982).
Este princípio de equiparação de oportunidades pressupõe o ajuste do meio ambiente
ao sujeito. Assim, em 1999 a ONU estabelece a Carta para o Terceiro Milênio que prescreve
que as sociedades necessitam evoluir no sentido de assegurar os direitos das pessoas com
deficiência, garantindo inclusão em todos os aspectos da vida (ONU, 1982, p. 1).
O Brasil, na tentativa de alinhar-se com o conceito mundial, em 2006, realiza a
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, trazendo uma nova definição e um

Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo, de
natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas
barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em
igualdade de condições com as demais pessoas (BRASIL, 2012, p. 26).

O conceito de pessoa com deficiência que advém da Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência demonstra que existe um consenso mundial em sintonia com a
análise das interdições contextuais, como um fator importante a ser considerado na
organização social.
As barreiras físicas, culturais e sociais, passam a ser pensadas como impedimentos e,
portanto, precisam ser eliminadas, em processos que possibilitem aos sujeitos uma maior
acessibilidade à vida em sociedade, em sentido amplo.
As deficiências estão na estrutura da sociedade e em suas diversas instâncias, que as
padronizam, e por consequência, levam à segregação. As diferenças estão nas pessoas, em
outras palavras, cada ser humano é único e possui suas especificidades. Da mesma forma, a
665

�pessoa com deficiência caracteriza-se por sua particularidade, não cabendo, então, a partir
destas diferenças, segregar.
Dados recentes do Censo de 2015 mostram que 23,9% da população,
aproximadamente 46 milhões de pessoas, contemplam algum tipo de deficiência (IBGE,
2015), total equivalente à população do Uruguai. E o Brasil carece de políticas públicas que
possam contemplar estes cidadãos nas mais diferentes áreas: saúde, assistência social,
educação, mobilidade urbana, entre outras.
Como dito anteriormente, a Constituição de 1988 assegura que o Estado garantirá a
todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacional e apoiará
e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.
É na dinâmica da vida em sociedade que a cidadania se concretiza, ratificando-se a
importância da criação de políticas públicas que implementem o respeito à cultura e à
acessibilidade.
ço social,
no interior do qual está em jogo um tipo particular de alvos sociais, interesses que podem ser
o pela quantidade de
pessoas, mas sim, suportar a ideia de que o mundo perdeu literalmente a força de juntar-se e
dialeticamente relacionar-se, separaramA sociedade atual sofre de um desengajamento, de acordo com Serpa (2007, p. 32,
grifo do
simbolicamente. Falta interação entre esses territórios, percebidos (e utilizados), como
outro
Ainda sobre adequação e acessibilidade, o desenho universal é um conceito de
arquitetura que torna todo ambiente acessível e disponível, respeitando a diversidade humana,
garantindo ambientes inclusivos (SARRAF, 2015).
O Movimento Internacional de Inclusão Social defende a ideia de que a acessibilidade
em espaços culturais não se restringe a garantir somente o direito de ir e vir, mas também, que
o ambiente traga o benefício das práticas e linguagens acessíveis, colaborando, assim, para
que os indivíduos se sintam acolhidos e despertando o desejo de permanecer, participar e
considerar os espaços culturais como opções de lazer e cultura (SARRAF, 2015).
É importante ressaltar, que a proposta de inclusão social é contrária à exclusividade
para um determinado tipo de usuário. O conceito de desenho universal deve trazer o
666

�sentimento de bem-estar social e não de segregação. A meta é que todo espaço possa ser
alcançado por qualquer pessoa, seja ela, deficiente ou não.
No Brasil, o conceito de desenho universal é amparado pelo Decreto Federal n. 5.296
de 2004 e têm suas referências básicas advindas da Norma Brasileira n. 9050 de 2015 da
Associação Brasileira Normas Técnicas (ABNT) que legisla sobre acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Porém, os espaços que foram
construídos e/ou reformados antes desse período, muitas vezes não estão em conformidade
com esta regulamentação, o que, também, não significa que todos os ambientes construídos
e/ou reformados em posterior à norma contemplem suas especificações.
Gilberto Gil, trazia a cultura como direito básico e que deveria estar no mesmo patamar de
prioridades da nação, juntamente com a saúde e a educação (BRASIL apud MANEVY,
2010).
Desta forma, a biblioteca universitária em questão será analisava a fim de verificarmos
se a mesma encontra-se adequada e acessível para atender às demandas do usuário enquanto
pessoa com deficiência.
3 MÉTODO
3.1. NATUREZA DO ESTUDO
O presente estudo configura-se como uma pesquisa qualitativa, descritiva e
exploratória, recortada transversalmente. Utilizando-se de observação in loco - com base nas
recomendações da Norma Regulamentadora (NR) da Associação Brasileira de Normas
Técnicas (ABNT), n. 9050, referentes à acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e
equipamentos urbanos - realizou-se uma análise crítica da Biblioteca Setorial do Setor Norte
da Universidade Federal do Amazonas (BSSN/UFAM).
As discussões teóricas foram fundamentadas por estudos acessados em livros,
periódicos e bases de dados que discutem a importância da diminuição das barreiras para que
a pessoa com deficiência possa ter pleno acesso aos direitos básicos.
3.2. A BIBLIOTECA SETORIAL DO SETOR NORTE (BSSN/UFAM)

667

�A Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN/UFAM), inaugurada no ano de 2001, está
localizada na Av. General Rodrigo Octávio Jordão Ramos, n. 3000, Setor Norte do Campus
Universitário, no bairro Coroado, seu horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 08h
às 20h.

Figura 1 Fachada da BSSN/UFAM
Fonte: os autores (2017)

O prédio possui dois andares. No piso térreo estão localizados o acervo informativo, o
balcão de atendimento e a sala administrativa da biblioteca, além de duas cabines individuais
para estudo e uma sala de estudo em grupo destinadas exclusivamente para usuários com
mobilidade reduzida. No primeiro andar estão localizadas diversas cabines individuais e salas
de estudos em grupo para os demais usuários da unidade de informação.
O acervo informativo da BSSN/UFAM é constituído por 3.212 títulos online (ebook) e
38.740 títulos físicos divididos entre livros, folhetos, teses, dissertações, dicionários, mapas,
cd-rom, DVD e outros suportes. O quantitativo total do acervo informativo da BSSN/UFAM
é de 111.378 exemplares.
4 ACESSIBILIDADE: ANÁLISE E AVALIAÇÃO
Conforme a ABNT 9050 (2015), tendo em vista a pessoa em cadeiras de rodas, há
uma série de recomendações a serem seguidas, de forma a tornar o ambiente adequado e
668

�acessível : 1. presença de elevadores e/ou rampas de acesso; 2. altura do balcão de
atendimento; 3. altura das mesas de leitura; 4. altura das estantes; 5. distância entre as
estantes; 6. banheiros adaptados.
A partir da visita in loco, verificou-se a conformidade dos itens descritos acima:
Item

Sim

Elevador e/ou rampas de acesso
Altura do balcão de atendimento
Altura das mesas de leitura
Altura das estantes
Distância entre as estantes
Banheiros adaptados

Conformidade

X

Quadro 1

Não
X
X
X
X
X

Acessibilidade para cadeirantes
Fonte: os autores (2017)

Dentre os itens avaliados, percebe-se que 83% estão em desconformidade com
recomendações referentes à infraestrutura do local, o que resulta na impossibilidade de
mobilidade do cadeirante naquele espaço. A primeira barreira seria o espaço entre o balcão e a
divisória de entrada, uma vez que o espaço disponível não é suficiente para a passagem de
uma cadeira de rodas, o que faz com que o cadeirante não adentre a área do acervo e não
possa acessar nem as cabines individuais, nem a sala de estudo em grupo disponível no térreo.
Porém, mesmo que houvesse um alargamento da área de passagem entre o balcão e a
divisória da parede, as distâncias entre as estantes, bem como a altura das prateleiras,
impossibilitariam o acesso do cadeirante ao acervo em sua totalidade. Desta forma, percebe-se
que a BSSN/UFAM não consegue ser acessível ao deficiente físico cadeirante, não permitindo
que ele utilize os recursos disponíveis na biblioteca de forma autônoma.
Da mesma forma, por possuir mais de um andar, e por não disponibilizar rampas de
acesso e/ou elevadores, o primeiro andar da BSSN/UFAM está fora dos limites de acesso para
o usuário enquanto pessoa com deficiência física.

669

�Figura 2 balcão de atendimento e área do acervo
Fonte: os autores (2017)

Figura 3 Cabines individuais localizadas no 1. andar
Fonte: os autores (2017)

Em relação ao deficiente auditivo enquanto consumidor de informação, cultura e
usuário deste espaço, a NBR 9050 (2015) determina a Linguagem Brasileira de Sinais
(Libras) com um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos. Neste contexto,
verificou-se que não há, no ambiente, a presença de interpretes da linguagem de sinais e/ou
funcionários que dominem este sistema de comunicação, ou seja, o atendimento ao deficiente
auditivo é deficitário.
Quanto ao atendimento e infraestrutura para cegos, foram avaliados a partir da NBR
9050 (2015), os itens de: 1. sinalização e piso tátil; 2. livros em Braille; e, 3. audiolivros.

Item

Sim

Sinalização e piso tátil
Livros em Braille
Audiolivros

Possui?

Não
X
X
X

Quadro 2 Acessibilidade para cegos
Fonte: os autores (2017)

Considerando os itens representados acima, percebe-se que não há conformidade com
a NBR 9050, uma vez que o deficiente visual enquanto consumidor de informação não tem
acesso às obras disponíveis no acervo.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos objetivos deste trabalho verificou-se que a biblioteca universitária tomada
aqui como objeto do estudo não está preparada para atender as demandas da pessoa com
670

�deficiência. A BSSN/UFAM demonstra, por meio de sua estrutura, estar longe do desejado
para que possa ser considerada acessível e promotora de informação e cidadania para o
usuário com deficiência.
Ratifica-se então, a importância da criação, análise, avaliação e implementação de
políticas públicas que visem o acesso à cultura e informação pela pessoa com deficiência,
devendo haver uma preocupação não somente com a barreira arquitetônica, mas também com
a visual, a cinestésica, a motora e/ou sensorial.
Porém, não cabe ao espaço tornar-se acessível apenas à pessoa com deficiência, e sim
estar disponível para todo e qualquer cidadão que demande o consumo de informação e
cultura, evitando assim o estigma.
Cabe à BSSN/UFAM reestruturar seu espaço físico, a partir da NBR 9050:2015, a fim
de promover uma mobilidade ao deficiente físico cadeirante levando, assim, à sensação de
inclusão social e promovendo cidadania e autonomia. Quanto ao deficiente auditivo, deve
haver a preocupação em capacitar seus servidores para ofertar atendimento digno e de
qualidade. Da mesma forma, precisam ser pensadas soluções quando o acesso do deficiente
visual ao conteúdo documental do acervo informativo, quer seja na compra de audiolivros e
/ou livros em braile, quer na compra de tecnologias leitoras.
Seguindo estas recomendações, a biblioteca universitária em foco estará mais próxima
de atender aos seus objetivos e à sua missão institucional e social, que é estar preparada e
equipada para atender as demandas por informação, cultura e conhecimento de usuários com e
sem deficiências físicas e/ou sensoriais.
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mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2015. Disponível
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672

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: O Futuro da Biblioteca Universitária na Perspectiva do Ensino, Inovação, Criação, Pesquisa e Extensão.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Políticas públicas de acessibilidade em bibliotecas universitárias: uma breve análise da BSSN/UFAM</text>
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              <text>Ferreira, Rafael Lima Medeiros; Ferreira, Natasha Lima Medeiros; Panhoca, Ivone</text>
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              <text>Este estudo traz a avaliação de uma biblioteca universitária na cidade de Manaus à luz das legislações em vigor e faz uma reflexão acerca da importância da adequação deste espaço para atender à demanda por informação da pessoa com deficiência. Trata-se de uma análise crítica realizada na Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN) pertencente ao Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM), utilizando-se de observação in loco. O referencial teórico foi buscado em livros, periódicos e bases de dados que discutem sobre a importância da diminuição das barreiras para que a pessoa com deficiência possa ter pleno acesso aos direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, pela Constituição de 1988 e pela Lei n. 13.146/2015, mais especificamente o direito de acesso à educação, cultura e informação. Foram buscadas recomendações dentro da Norma Regulamentadora da ABNT, n. 9050, referente à acessibilidade, como modelo para que a Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN) esteja adequada para atender às demandas por informação da pessoa com deficiência. Esta análise resultou na discussão da necessidade de se criar, analisar, avaliar e implementar políticas públicas que visem o acesso às bibliotecas universitárias pela pessoa com deficiênciaEste estudo traz a avaliação de uma biblioteca universitária na cidade de Manaus à luz das legislações em vigor e faz uma reflexão acerca da importância da adequação deste espaço para atender à demanda por informação da pessoa com deficiência. Trata-se de uma análise crítica realizada na Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN) pertencente ao Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB/UFAM), utilizando-se de observação in loco. O referencial teórico foi buscado em livros, periódicos e bases de dados que discutem sobre a importância da diminuição das barreiras para que a pessoa com deficiência possa ter pleno acesso aos direitos garantidos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, pela Constituição de 1988 e pela Lei n. 13.146/2015, mais especificamente o direito de acesso à educação, cultura e informação. Foram buscadas  recomendações dentro da Norma Regulamentadora da ABNT, n. 9050, referente à acessibilidade, como modelo para que a Biblioteca Setorial do Setor Norte (BSSN) esteja adequada para atender às demandas por informação da pessoa com deficiência. Esta análise resultou na discussão da necessidade de se criar, analisar, avaliar e implementar políticas públicas que visem o acesso às bibliotecas universitárias pela pessoa com deficiência</text>
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