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                  <text>LUGARES DO CONHECIMENTO: AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS

IVONE JOB
Bibliotecária. Biblioteca da Escola da Educação Física da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Rua Felizardo 750. Jardim Botânico. Porto Alegre-RS.
Brasil. CEP: 90690 200. ivonejob@yahoo.com.br
CÍNTIA CIBELE RAMOS FONSECA
Bibliotecária. Biblioteca da Escola da Educação Física da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Rua Felizardo 750. Jardim Botânico. Porto Alegre-RS.
Brasil. CEP: 90690 200. cintiarf@yahoo.com.br
RESUMO
A identificação da biblioteca como lugar do conhecimento foi construída através
dos tempos. No século XVII, na Europa, dentro da universidade, a biblioteca
começava a rivalizar com a sala de conferências e o bibliotecário era um agente
para o progresso do saber universal. No Brasil, somente no início do século XX é
que tivemos uma universidade, a Universidade do Brasil, atual UFRJ. As
bibliotecas universitárias estão, historicamente, ligadas ao saber, de forma que
seria até possível fazer uma arqueologia do conhecimento, no sentido da
expressão de Foucault, examinando os vestígios físicos dos antigos sistemas de
classificação das bibliotecas. A ligação intrínseca entre biblioteca e conhecimento
se dá nas múltiplas formas de divulgação das descobertas científicas e dos
produtos acadêmicos. Dentro dessa finalidade a Biblioteca da EsEF da UFRGS
trabalha com os valores de preservação da memória institucional e do campo de
conhecimento da qual está ligada, desenvolvendo o projeto de conservação e
preservação do acervo das obras históricas juntamente com o CEME. Existem
obras brasileiras e estrangeiras desde 1850. O projeto está na fase final de
registro das obras no SABi. As próximas fases são: a restauração das obras, a
seleção do acervo para estruturar coleções específicas como a de Inezil Penna
Marinho (1915-1987) e a digitalização das obras mais importantes.
Palavras-chave: Educação Física. História. Digitalização. Conhecimento. Inezil
Penna Marinho: biografia.

�2

1 INTRODUÇÃO
Milhões de documentos são perdidos por catástrofes naturais como
inundações, terremotos, enchentes, incêndios provocados ou não, guerras,
preconceito sendo responsáveis pela destruição de centenas de bibliotecas no
mundo. Há levantamentos realizados pela International Federation of Librarian
Association (IFLA) e pela UNESCO que relatam e contabilizam o resultado
dessas atrocidades cometidas contra a memória documental que narra a
existência do homem no planeta. A perda de arquivos é um sério problema de
perda da memória do fazer humano. Sociedades não podem funcionar sem a
memória coletiva que está em seus arquivos, por isto é vital agir no sentido de
revelar estas perdas que tem acontecido no mundo e há coisas que podemos
fazer. (MEMORY,...1996).
O Programa Memória do Mundo foi lançado pela UNESCO in 1992 com o
objetivo de preservar a herança documental dos perigos bem como democratizar
o acesso aos documentos e dar-lhes uma grande difusão. O programa tem a
intenção de sensibilizar pessoas e governos para a importância de proteger a
herança documental.
Atualmente, das catástrofes que podemos evitar para proteger o acervo
documental, o perigo mais sério está no nível de poluição do meio ambiente, na
péssima qualidade do papel usado nos registros e na carência de métodos
efetivos de conservação. Medidas de prevenção são geralmente traçadas por
profissionais por meio de políticas de preservação. Essas incluem, entre outras:
medidas preventivas para minimizar a taxa de deterioração; rotinas de limpeza
domésticas que protegem e estendem a vida dos materiais; equipe e usuários
treinados para promover e encorajar o correto uso de transporte e manuseio dos
materiais; medidas de segurança e planos de contingência para controle de
desastres; medidas de proteção como caixas, encadernação e embalagens para
reduzir o desgaste e os cortes no material; um programa de substituição dos
originais tais como as microformas; tratamento de conservação para reparar os
danos dos originais e estabelecimento de procedimentos para uso do material e
para reprodução dos originais.

�3

O meio ambiente físico em que estão os materiais estocados tem um efeito
significante no seu período de vida. Condições tais como: temperatura, umidade,
luz e poluição atmosférica podem afetar todos os tipos de documentos. Medidas
preventivas são possíveis e podem propiciar melhores condições para a guarda
dos itens. O processo de decomposição pode ser contido, consideravelmente,
com a criação de condições favoráveis de estocagem, com um controle do nível
de poluição do ar, com a criação de ambiente climatizado e limpo e com espaço
adequado para a armazenagem. A preservação dos documentos é imprescindível
para a história da humanidade e a biblioteca é fundamental dessa história. Como
disse Mário Quintana:
Um dia veio a tempestade e acabou com
Toda vida na face da Terra:
Em compensação ficaram as bibliotecas....
E nelas estava meticulosamente escrito
O nome de todas as coisas! *

As bibliotecas são denominadas por Foucault, juntamente com os
laboratórios, comunidades epistemológicas, que são os pequenos grupos,
círculos, redes como unidades fundamentais que constroem o conhecimento e
conduzem sua difusão por certos canais, são freqüentemente estudadas nos
micro espaços em que operam. (BURKE, 2003).
Esta idéia pode ser entendida em parte pelo que as bibliotecas
representaram a partir do século XVI e XVII, os espaços de divulgação das
informações, semelhantes aos cafés, portos, teatros. E também pela sua
proximidade com um espaço próprio do saber, que são as universidades. De
modo particular, as primeiras classificações das bibliotecas universitárias
revelavam a tendência de reproduzir o currículo das universidades, o que de
modo algum é demérito dos seus administradores. Pode-se admitir como uma
ordem natural dos livros. Esta aparência natural do sistema tradicional de
disciplinas era reforçada pelo sistema de disposição dos livros na biblioteca.
Assim as bibliotecas que sobreviveram nos permitem estudar a arqueologia do
conhecimento, no sentido literal da famosa expressão de Foucault, examinando
os vestígios físicos de antigos sistemas de classificação. Tanto catálogos de

*

http://marioquintana.blogspot.com/

�4

bibliotecas públicas quanto particulares, a organização dos acervos seguia
frequentemente a mesma ordem, com poucas modificações. (BURKE, 2003).
A solução de distribuir os livros conforme as disciplinas de um currículo
universitário era uma solução pragmática. Outras soluções foram propostas no
decorrer dos tempos para ordenar os livros e também para resolver os problemas
de crises do conhecimento, como por exemplo, nos anos das grandes
descobertas marítimas, de outras terras além mar, com uma série de mapas,
objetos, documentos, animais, etc, ampliando desta maneira, a tipologia de
documentos e objetos que representavam um novo conhecimento, tendo sido
sempre preocupação destes espaços como nossas bibliotecas e museus a sua
preservação e difusão. A organização e a preservação de um acervo são ações
que andam juntas, não sendo possível haver uma continuidade em se manter a
memória seja de uma pessoa, de uma instituição ou de uma nação em que
ambas não estejam presentes.
As bibliotecas universitárias como responsáveis pelo depósito legal e pelo
armazenamento das informações geradas pela produção científica, intelectual e
artística dos membros da academia têm como uma de suas missões a
preservação da memória institucional. A memória presente parece não ter
grandes dificuldades uma vez que há critérios já estabelecidos para itens de sua
coleção, mas o mesmo não se pode dizer com relação a uma coleção da memória
passada ou histórica.
Considera-se uma grande dificuldade, em relação às bibliotecas seculares
e milenares da Europa e de outros países em que as universidades foram centros
propulsores das idéias e inovações científicas, a despreocupação dos dirigentes
governamentais do nosso país, que teve sua primeira universidade somente em
1920, a Universidade do Brasil.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi criada no dia 7 de
setembro de 1920, como parte das comemorações da independência do Brasil.
Inicialmente denominada Universidade do Rio de Janeiro, teve seu nome
modificado para Universidade do Brasil em 5 de julho de 1937. Mas foi somente
em 17 de dezembro de 1945 que conquistou sua autonomia administrativa,
financeira e didática. Em 1965, o general Castelo Branco, determinou nova

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mudança na denominação da instituição, que passou a chamar-se Universidade
Federal do Rio de Janeiro, nome que manteve até o dia 30 de novembro de 2000
quando recuperou na Justiça o direito a utilizar o nome Universidade do Brasil.
Por ocasião de sua fundação, a Universidade do Brasil/UFRJ foi formada pela
reunião das seculares unidades de ensino superior, já existentes no Rio de
Janeiro: a Faculdade de Medicina, antiga Academia de Medicina e Cirurgia, criada
em 1808 por D. João VI; a Escola Politécnica, continuação da Escola Central, e a
Faculdade de Direito, todas com vida autônoma. A essas unidades iniciais,
progressivamente foram-se somando outras, tais como a Escola Nacional de
Belas Artes, a Faculdade Nacional de Filosofia e diversos outros cursos que
sucederam àqueles pioneiros. Com isso, a Universidade do Brasil representou
papel fundamental na implantação do ensino de nível superior no país.
Portanto, somente no século XX o Brasil pode contar com uma
universidade em seu sistema educacional e daí todas as atividades decorrentes
de sua existência.
Os movimentos de preservação da memória são impulsionados muitas
vezes por mérito pessoal de alguns dirigentes e de pessoas da comunidade,
como a criação de bibliotecas, teatros e museus e que,em sua maioria, sofrem
demasiadamente com a falta de recursos e de continuidade.
Na EsEF este movimento conta com as atividade desenvolvidas pelo
CEME e pela Biblioteca Edgar Sperb.

2 CENTRO DE MEMÓRIA DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
O Centro de Memória do Esporte (CEME) da Escola de Educação Física
(EsEF) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) foi implantado
em dezembro de 1996 com o objetivo de reconstruir, preservar e divulgar a
memória do esporte, da educação física, do lazer e da dança no Brasil. Para
tanto, são desenvolvidas pesquisas históricas, exposições, mostras de fotografias,
oficinas temáticas, palestras entre outras atividades. Desde 1990, a biblioteca da

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Escola começou a organizar seu acervo histórico composto por obras antigas e
até mesmo raras. Com a criação do CEME, esse acervo foi ampliado através da
doação de livros, periódicos, fotografias, filmes, vídeos e diferentes artefatos. O
Centro de Memória, além de atingir especialistas, está voltado para o público em
geral, disponibilizando a documentação histórica de diversas formas: via
computador, catálogos bibliográficos, exposições, mostras fotográficas, palestras,
oficinas, cursos e resultados de pesquisa.
Objetivos do CEME:
•

reconstruir, preservar e divulgar a memória do esporte, educação física,
lazer e da dança no Brasil;

•

realizar exposições e mostras fotográficas que mostrem a cultura corporal
brasileira;

•

possibilitar aos pesquisadores e comunidade em geral, informações
relacionadas à memória esportiva brasileira.

A coleção do CEME começou, portanto, a ser formada a partir dos itens do
acervo da biblioteca que tinham seu ano de publicação superior a 30 anos. Assim
em 1990 todos os livros, monografias,etc com publicação até o final da década
de 1960 se constituiria em item do acervo histórico, estando designado e
identificado na base de dados da UFRGS com a letra H.
A automatização da base do Sistema de Bibliotecas da UFRGS (SBU)
começou a ser implantada em 1989.
3 AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS DA UFRGS
Em 1959 foi criado na UFRGS o Serviço Central de Informações
Bibliográficas (SCIB), por força de convênio assinado entre a Universidade e o
Conselho Nacional de Pesquisas, através do Instituto Brasileiro de Bibliografia e
Documentação (IBBD).
Em 1962 o Serviço Central de Informações Bibliográficas (SCIB) foi extinto
e na mesma ocasião foi criado o Serviço de Bibliografia e Documentação (SBD).

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Em 1970 foram aprovados o Estatuto e o Regimento Geral da Universidade, que
previam a criação de uma Biblioteca Central, vinculada à Reitoria através da
Superintendência Acadêmica. Neste mesmo ano foi criada a Comissão de
Organização e Implantação da Biblioteca Central, apresentando ao Reitor da
UFRGS às conclusões a que chegou.
Em 1972 foi criada a Biblioteca Central, através da Portaria nº. 1516, de 13
de dezembro de 1971, como Órgão Suplementar da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, diretamente vinculada à Reitoria, coordenando e supervisionando,
sob forma sistêmica, o conjunto de Bibliotecas da Universidade, com atribuições
de órgão central desse sistema bibliotecônomico.
O Sistema de Bibliotecas da UFRGS é composto por 29 bibliotecas
setoriais especializadas, duas bibliotecas de ensino fundamental e médio e ensino
técnico e uma biblioteca depositária da documentação da ONU (Organização das
Nações Unidas). A função primordial da biblioteca universitária é prover infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para apoiar as atividades da
Universidade, centrando seus objetivos nas necessidades informacionais do
indivíduo, membro da comunidade universitária. Paralelamente ao contexto
acadêmico, tem compromisso com a sociedade não vinculada à Universidade que
se efetiva através da prestação de serviços, proporcionando o acesso à
informação, à leitura e a outros recursos disponíveis que são instrumentos de
transformação dessa sociedade.
4 A BIBLIOTECA DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UFRGS

A Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, foi implantada a 6 de maio de 1940, mas as atividades realmente
se iniciaram a 27 de maio de 1941. O regulamento da escola de 1943 faz menção
a existência da biblioteca e o primeiro responsável pela biblioteca foi um professor
de voleibol. Em 1945 é criada a Associação dos Especializados em Educação
Física e Desportos (AEEFD), entidade aberta às pessoas que exerciam atividades
na área e numa reunião do dia 5 de março deste ano foi aprovada a criação de
uma biblioteca com o nome de Edgar Sperb, homenagem póstuma ao médico

�8

Edgar Luiz da Silva Sperb que fundou o centro acadêmico da ESEF e era médico
especializado em medicina da educação física. A inauguração da biblioteca
ocorreu a 28 de outubro de 1946, na sede da AEEFD. Na ESEF somente no início
dos anos 50 aparece, nos registros históricos, alguma referência a uma sala
destinada a ser uma biblioteca, mas que na realidade era usada para reuniões.
Somente no regimento de 1962 há uma referência clara à necessidade da
existência de uma biblioteca dirigida por um bacharel em biblioteconomia., ficando
este setor responsável também pelos serviços áudios-visuais, diapositivos,
discoteca, desenhos, gráficos de interesse didático e de reprodução fotográfica.
Em 1969 a UFRGS é federalizada e no decreto estabelece a criação de dois
cargos de bibliotecário do quadro permanente do MEC. Em 1971 a AEEFD
mudou sua sede para a ESEF e faz a doação do acervo à biblioteca, que
continuou com a denominação Biblioteca Edgar Sperb. Em 1976, a biblioteca
tinha 1 bibliotecário, 2 funcionários, 1506 livros, 23 assinaturas de periódicos,
atendendo nos 3 turnos com cerca de 12horas/ diárias, mas uma baixíssima
procura pelos usuários. Em 1989 é implantado o programa de mestrado na ESEF
e vários cursos de especialização. Neste ano começam a utilização de acesso a
bases de dados principalmente da BIREME e SIBRADID.
Em 1990 começou a ser organizado o acervo histórico da biblioteca
reunindo obras antigas e raras em ciência do esporte e educação física e áreas
correlatas. O acervo histórico foi enriquecido com a biblioteca do professor de
balé clássico de Porto Alegre, João Luiz Rolla. Em 1996, outro rico acervo foi
incorporado ao já existente acervo histórico, a coleção do professor e ex-diretor
da ESEF, Jacyntho Targa.
Em 2000 a biblioteca é ampliada assumindo a área atual de 401m2, conta
com um acervo de, aproximadamente, 13.000 itens disponibilizados na base
SABi, 1798 itens de produção intelectual e 68 dissertações e teses na Biblioteca
Digital de Teses e Dissertações (BVTD) implantada em 2000.
O acervo histórico havia sido transferido para as instalações do CEME, e
continuavam a ser processados tecnicamente pela Biblioteca, até que no início de
2006 com um incêndio ocorrido no ginásio ao lado do prédio do CEME houve o
retorno do acervo às dependências da biblioteca. Não houve danos ao acervo e
nem ao prédio do CEME, mas por motivos de segurança hoje está nas

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dependências da biblioteca e a manutenção fica a cargo do pessoal da biblioteca,
do CEME e de uma restauradora.
5 PLANEJAMENTO DAS ATIVIDADES

A fim de dar continuidade aos trabalhos de processamento técnico,
restauração e conservação do acervo histórico foram planejadas atividades com a
equipe da Biblioteca e do CEME e com a comunidade universitária.
Leva-se em consideração para desenvolvimento do acervo histórico alguns
critérios sugeridos por Rubem Borba de Moraes (1998) para formação de uma
coleção básica e de valor:
•

Uma coleção precisa ter um critério, uma escolha e um objetivo;

•

Planejar a coleção que se quer fazer;

•

Uma boa coleção é recompensa material pela sua arte e ciência;

•

Não está na cogitação de nenhuma biblioteca, a intenção utópica de
possuir tudo que se publicou no assunto, no mundo;

•

Todo livro que cita pela primeira vez um fato importante, marca uma
data na história, tem valor bibliográfico e se torna geralmente, raro;

•

Colecionar não é juntar livros

•

Para se formar uma coleção homogênea sobre um assunto ou um autor
é preciso ter ciência, conhecer a vida do autor, saber quando e onde
publicou seus livros.

ATIVIDADES PREVISTAS

•

Campanha de valorização do acervo: no início do período letivo serão
expostas na biblioteca as obras do acervo histórico e serão distribuídos
folhetos de como cuidar dos livros e materiais da biblioteca a todos da
comunidade da EsEF. O acervo escrito histórico atual conta com
aproximadamente

3000

itens

entre

livros,

folhetos,

separatas

e

monografias. Demais materiais como artefatos, medalhas, vestuário
ficaram no espaço do CEME.

�10

•

Tratamento por coleções: as coleções do acervo histórico são muito ricas,
incluindo-se a coleção de Inezil Penna Marinho, coleção de livros de dança
e ballêt clássicos, de danças folclóricas, de educação física de autores
portugueses e dos clássicos dos séculos XIX e XX.

•

Campanha para recolher verba para a restauração dos livros

•

Digitalização das obras mais importantes

A coleção de Inezil Pena Marinho será a primeira a ser trabalhada uma vez
que a ESeF possui praticamente todos os itens de sua produção e será
futuramente depositária do acervo pessoal do autor. Para tanto alguns dados
biográficos sobre o autor são essenciais para determinar a importância do autor
no cenário da educação física no Brasil.
6 BIOGRAFIA DE INEZIL PENNA MARINHO

Inezil Penna Marinho (1915-1987) foi professor, editor científico, técnico do
Ministério da Cultura de 1940 a 1971, membro fundador de várias associações de
profissionais e escritor. Em 1950 recebeu o título de honoris causa da Escola de
Educação Física da UFRGS, dirigida então pelo Cel. Jacyntho Francisco Targa.
Recebeu este título em outras instituições como UFPR, Universidade Federal de
São Carlos, Instituto Nacional de Educação Física do Peru e a medalha Rui
Barbosa do governo brasileiro. Foi assistente de ensino em 1940 e em 1941 era
técnico de educação, o primeiro do Brasil ligado à Educação Física, e chefe da
Secção Pedagógica da Divisão de Educação Física. Filho do Cônsul Ildefonso
Ayres Marinho e de Ignez Penna Marinho, o ex-aluno do Colégio Pedro II Inezil
Penna Marinho desde a juventude se destacava pelo gosto pela prática de
esportes e pelo interesse pela filosofia, história e poesia. Foi casado com Alice
Opala e tiveram dois filhos, Inemar e Inezil Penna Marinho Júnior.Deixou vários
trabalhos inéditos e manuscritos.

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Como esportista chegou a ser campeão de pólo aquático pelo clube
Boqueirão do Passeio e de luta livre pelo Flamengo, entre outros esportes dos
quais tomava parte. Quando foi aluno da Escola Nacional de Educação Física e
Desportos (ENEFD), entre os anos de 1941 e 1943, foi campeão universitário de
pólo aquático e vice de voleibol, chegando mesmo a ser recordista universitário
de atletismo.
Como 'poeta', Inezil ganhou alguns concursos. Entre eles, por exemplo, o
prêmio de literatura da Academia de Ciências e Letras de 1933, com o poema
'Tetrálogo dos Cavalheiros do Apocalipse'.
Foi incentivador de ações de intercâmbio científico e profissional de
cooperação latino-americana. Estruturou o pensamento pedagógico brasileiro da
educação física do início do século XX consolidando o campo acadêmico e
profissional do esporte. Foi presidente da Confederação Sul-americana de
Associações de Professores de Educação Física de 1946 a 1948. Até 1978,
pelas suas anotações já visitara 52 países de diferentes continentes onde
ministrou palestras e cursos em vários deles. Formou-se em educação física,
Ciências Jurídicas e Sociais, psicologia e filosofia. Foi professor catedrático da
Escola Nacional de Educação Física e Desportos da Universidade do Brasil.
Em 1958 já tinha mais de 100 monografias e dezenas de livros publicados,
muitos dos quais, em outras áreas de conhecimento. Entre 1938 e 1984
contabilizou a publicação de 92 itens entre monografias e livros. Nos congressos
era comum apresentar mais de um trabalho. Já tinha também mais de 1000
artigos publicados em revistas como: Revista Brasileira de Educação Física,
Educação Physica, Revista de Educação Física, Cultura Política, Boletim da DEF,
Arquivos da ENEFD, entre outras.
Sua obra se destaca pelas contribuições aos estudos históricos. O primeiro
estudo do prof. Inezil ligado à História da Educação Física e do Esporte no Brasil
parece ter sido publicado em 1940. Em 1941, a DEF realizou um curso de
informações para professores da área diplomados pelas Escolas de Educação
Física ou pelos cursos de emergência.

�12

As características dos estudos históricos no Brasil daquele momento, o
prof. Inezil procedeu a uma minuciosa busca documental e apresentou um
levantamento bastante amplo de datas e fatos de nossa história, tanto na
Educação Física quanto no esporte. Suas fontes são as mais diversas possíveis:
legislação, jornais, revistas (específicas ou não), teses da Faculdade de Medicina
do Rio de Janeiro e de Pernambuco (além da Faculdade de Direito), livros
pioneiros relacionados à área de Educação Física e esporte, súmulas, arquivos
diversos, livros sobre a história do Brasil, livros de memorialistas, entre outras.
Podem ser feitas críticas aos estudos históricos de Marinho: a) a
periodização é exterior ao objeto de estudo, isto é, ligada à periodização política
nacional; b) suas obras são um levantamento de datas, fatos e nomes,
apresentados sequencialmente, ano após ano, sem uma preocupação maior com
a análise crítica deste material; c) apresenta uma 'história oficial', onde os
expoentes recebem lugar de privilégio absoluto; d) pouco se encontra sobre o
cotidiano dos professores, se prendendo a abordagens macro; e) não define com
clareza os objetos 'Educação Física' e 'esporte', os confundindo com qualquer
manifestação da cultura corporal de movimento.
Sua obra resguardou magnificamente fatos e datas que em muitas
oportunidades futuras seriam pouco valorizados nas abordagens historiográficas
na Educação Física brasileira. Inezil, aliás, deixava claro em suas obras mais
conhecidas que seu objetivo central era exatamente o de resguardar fontes,
constituir-se em um trabalho de preservação da memória.
Seria possível ressaltar ainda: a) suas reflexões ligadas à crianças
portadoras de deficiências, destacando-se seus trabalhos com crianças surdas e
cegas; b) sua participação em muitos congressos no exterior ; c) o período em
que foi presidente da Confederação Brasileira de Desportos Universitários; d)
suas contribuições para o estudo dos métodos ginásticos, inclusive a sugestão de
um método brasileiro; e) sua participação na Associação de Professores de
Educação Física; f) suas contribuições para o treinamento desportivo; g) suas
obras na área do direito, principalmente após 1958, quando muda-se para Brasília
e se dedicada mais detidamente a carreira da advocacia; entre outras dimensões
possíveis.

�13

7 CONCLUSÃO

A partir do exposto é possível concluir que podemos e devemos fazer algo
a respeito da preservação da memória documental porque:
•

as bibliotecas universitárias têm como missão a preservação do
conhecimento produzido pelos componentes da comunidade acadêmica;

•

o desenvolvimento das coleções históricas deve ser planejado observandose critérios, objetivos e fases;

•

as atitudes dos profissionais das bibliotecas brasileiras devem se antecipar
a preocupação dos governos e tomar a frente a preservação da memória
nacional de diversas áreas, autores e temas;

•

o livre acesso às obras históricas é direito de todos que estiverem
interessados seja público em geral, estudiosos, curiosos, estudantes e
demais pessoas, portanto, sua disponibilização via internet, em forma
bibliográfica ou em forma integral e virtual é bem vinda para a difusão e
democratização da informação.
REFERÊNCIAS

BURKE, Peter. Uma história social do conhecimento: de Gutemberg a
Diderot.Rio de janeiro: Jorge Zahar, 2003.
CEME. Disponível em&lt;http://www6.ufrgs.br/esef/ceme/index.html&gt;. Acesso em:
13 jun.2006.
GOELLNER, Silvana Vilodre. (org.) Inezil Penna Marinho: coletânea de textos.
Porto Alegre: UFRGS; CBCE., 2005.
MELO, Victor Andrade de. Inezil Penna Marinho: notas biográficas. Disponível
em: &lt;http://www.ceme.eefd.ufrj.br/apresenta/inezil.html&gt;. Acesso em:13 jun. 2006.
MEMORY of the World: Lost Memory: Libraries and Archives destroyed in the
Twentieth Century. Paris:UNESCO: IFLA, 1996. (CII-96/WS/1).
MORAES, Rubens Borba. O bibliófilo aprendiz. 3. ed. Brasília, DF: Briquet de
Lemos, Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 1998.

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Ciência da Informação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>A identificação da biblioteca como lugar do conhecimento foi construída através dos tempos. No século XVII, na Europa, dentro da universidade, a biblioteca começava a rivalizar com a sala de conferências e o bibliotecário era um agente para o progresso do saber universal. No Brasil, somente no início do século XX é que tivemos uma universidade, a Universidade do Brasil, atual UFRJ. As bibliotecas universitárias estão, historicamente, ligadas ao saber, de forma que seria até possível fazer uma arqueologia do conhecimento, no sentido da expressão de Foucault, examinando os vestígios físicos dos antigos sistemas de classificação das bibliotecas. A ligação intrínseca entre biblioteca e conhecimento se dá nas múltiplas formas de divulgação das descobertas científicas e dos produtos acadêmicos. Dentro dessa finalidade a Biblioteca da EsEF da UFRGS trabalha com os valores de preservação da memória institucional e do campo de conhecimento da qual está ligada, desenvolvendo o projeto de conservação e preservação do acervo das obras históricas juntamente com o CEME. Existem obras brasileiras e estrangeiras desde 1850. O projeto está na fase final de registro das obras no SABi. As próximas fases são: a restauração das obras, a seleção do acervo para estruturar coleções específicas como a de Inezil Penna Marinho (1915-1987) e a digitalização das obras mais importantes.</text>
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