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                  <text>PRÁTICAS GERENCIAIS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS:
POSSIBILIDADES PARA INOVAÇÃO
MANAGEMENT PRATICES IN UNIVERSITY LIBRARIES: POSSIBILITIES FOR
INNOVATION

Resumo: Apresenta as bibliotecas universitárias como organizações prestadoras de serviços
Instituições de Ensino Superior. Enfatiza que as unidades de informação fazem parte de um
todo e que devem agir de forma estratégica, utilizando métodos e ferramentas gerenciais, para
que possam atuar de forma proativa em busca da excelência operacional. Descreve alguns
métodos e ferramentas gerenciais que poderão ser utilizadas na gestão de Bibliotecas
Universitárias. Analisa o uso desses instrumentos pelas Bibliotecas Universitárias da
Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC). Caracteriza-se como pesquisa
exploratória, descritiva, bibliográfica e documental como abordagem qualitativa. A coleta de
dados foi obtida pela aplicação de questionários com perguntas abertas e fechadas enviadas
por e-mail aos bibliotecários coordenadores das bibliotecas da UDESC. Como resultados, foi
possível a identificação do perfil e conhecimento dos bibliotecários no que tange às
ferramentas de gestão. Constatou a ausência do uso efetivo de ferramentas e métodos
gerenciais por desconhecimento, por falta de habilidade, capacitação ou por não adaptação as
novas tendências gerenciais por parte dos bibliotecários, embora alguns tivessem o
conhecimento prévio. Aponta a necessidade de conhecimento, conscientização sobre o uso de
metodologias e instrumentos para melhorar a gestão das bibliotecas afim de, que as mesmas
possam prestar serviços de forma inovadora, com mais qualidade e otimização de recursos
existentes.
Palavras-Chave: Gestão de bibliotecas. Biblioteca Universitária. Administração de Unidades
de Informação. Ferramentas de Gestão
Abstract: It presents the university libraries as organizations providing services - Higher
Education Institutions. It emphasizes that the information units are part of a whole and that
they must act in a strategic way, using management methods and tools, so that they can
proactively act in search of operational excellence. Describes some methods and management
tools that can be used in the management of University Libraries. It analyzes the use of these
instruments by the University Libraries of the State University of Santa Catarina (UDESC). It
is characterized as an exploratory, descriptive, bibliographical and documentary research as a
qualitative approach. Data collection was obtained through the application of questionnaires
with open and closed questions sent by e-mail to librarians coordinating the UDESC libraries.
271

�As a result, it was possible to identify the profile and knowledge of the librarians regarding
the management tools. The lack of knowledge, lack of ability, training or non-adaptation of
the new managerial tendencies on the part of the librarians, although some had the prior
knowledge, found the absence of the effective use of tools and management methods. It points
out the need for knowledge, awareness of the use of methodologies and tools to improve the
management of libraries so that they can provide services in an innovative way, with more
quality and optimization of existing resources.
Keywords: Library management. University Library. Administration of Information Units.
Management tools
1 INTRODUÇÃO
As organizações atualmente buscam manter a competitividade a partir da melhoria dos
processos, adoção de instrumentos e metodologias inovadoras para promover práticas
gerenciais de excelência. A partir dessa perspectiva, as unidades de informação, embora sejam
consideradas instituições sem fins lucrativos, também precisam se atualizar e incorporar em
suas rotinas administrativas algumas ferramentas para promover melhorias na prestação de
serviços de informação bem como a qualidade no atendimento.
prestadoras de serviço cuja permanência no ambiente produtivo é regulado pela demanda
social, tendo em vista que produzem serviços e produtos voltados para o bem-estar da
primordial no desenvolvimento científico e tecnológico de um país, principalmente pela
grande produção e circulação de informação e geração de novos conhecimentos que
possibilitem os avanços de uma nação.
Para isso, as bibliotecas universitárias devem pautar sua missão no ensino, pesquisa e
extensão nas atividades empreendidas dentro das universidades, visto sua contribuição no que
tange ao desenvolvimento científico de uma nação. Tarapanoff (1982, p. 24) enfatiza que:
[...] a Biblioteca Universitária, como parte da sociedade na qual opera, reflete as
características gerais do país, o seu grau de desenvolvimento, sua tradição cultura,
seus problemas e prioridades sócio-econômicas. [...] a universidade e a Biblioteca
Universitária brasileira são produtos da história social, econômica e cultural do país,
bem como das características regionais brasileiras aos mais variados segmentos
sociais.

criação/produção de saberes, formação de competências e de difusão da experiência cultural e
científica d
272

�grupo social ou da sociedade em geral, através da administração do seu patrimônio
informacional e do exercício de uma função educativa, ao orientar os usuários na utilização da
i
No Brasil, as bibliotecas universitárias são mantidas por instituições de ensino superior
(IES) avaliadas por critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação. Para isso, os gestores
devem adequar a infraestrutura desses ambientes informacionais para uma IES (ou um curso)
ser aprovada, independentemente de ser de órgão público ou privado. Dessa forma, os
gestores da IES investem recursos para manter o espaço físico adequado, para promover a
acessibilidade, para garantir a quantidade mínima de bibliografias e/ou recursos para acesso à
informação. Além disso, no caso das instituições particulares de nível superior, ainda existe a

Por esses motivos acima elencados, além de buscar o atendimento das necessidades
informacionais e satisfação das demandas de toda comunidade universitária, os gestores das
bibliotecas de IES devem conheces e usar ferramentas, plataformas e instrumentos de gestão
para promover a melhoria contínua dos seus serviços e justificar os recursos investidos para
atender seus objetivos organizacionais.
Dentro dessa perspectiva, a presente pesquisa tem como objetivo analisar a
contribuição do uso de metodologias e ferramentas nas práticas gerenciais em bibliotecas
universitárias pois acredita-se que dessa forma seja possível promover inovação nos serviços
prestados. Para tanto, o escopo escolhido foi um conjunto de unidades de informação que
fazem parte do Sistema de Bibliotecas da Universidade do Estado de Santa Catarina.
O sistema é composto pela Biblioteca Central e onze bibliotecas setoriais 27 totalizando
doze unidades de informação distribuídas por todo estado de Santa Catarina pelas cidades de
Florianópolis, Lages, Joinville, Ibirama, Chapecó, Pinhalzinho, São Bento do Sul, Laguna e
Balneário Camboriú.
As bibliotecas da UDESC são abertas à comunidade interna e externa, possui amplo
acervo impresso e digital variado em diferentes áreas do conhecimento e possui como missão:
Oferecer com qualidade e confiabilidade serviços e produtos de informação, através
de um sistema descentralizado de bibliotecas setoriais que se complementam,
explorando as potencialidades da tecnologia informatizada com as capacidades
humanas. (UDESC, 2017)28.
27
28

De acordo com lista disponível no site http://www.udesc.br/bibliotecauniversitaria/bibliotecas
Disponível em http://www.udesc.br/bibliotecauniversitaria

273

�A biblioteca central 29 é um órgão suplementar vinculada ao Gabinete do Reitor. Foi
implementada em 20 de junho de 1984, pela Resolução nº 001/84 do CONSEPE.
Inicialmente a BU funcionou sob a forma de centralização parcial, responsável pela
execução dos serviços indiretos como o processamento técnico e aquisição dos
materiais para as Unidades Setoriais. Em 1996 foram descentralizadas as funções
técnicas, passando para as Bibliotecas Setoriais todas as funções. Em 2001 adotou o
sistema de trabalho cooperativo, por meio da formação de grupos de trabalho, onde
as diretrizes e normas passaram a ser definidas em conjunto com todas as
bibliotecas. Deu início a informatização das bibliotecas com a adoção do Sistema
Pergamum e padronizadas todas as atividades das bibliotecas. Com a criação do
prédio central, em 2007, todas as bibliotecas do Campus I (FAED, CEART, ESAG,
CEAD) passaram a ser integradas à Biblioteca Central, gerida, como nas demais
setoriais, por um Coordenador de Apoio. As Bibliotecas Setoriais são
administrativamente geridas pela Direção Geral do Centro e tecnicamente pela
Coordenação da BU. A Biblioteca Central instalada no Itacorubi, Campus I é gerida
administrativamente e tecnicamente pela Coordenação da BU (UDESC, 2016)30.

Para atingir sua missão e seus objetivos de fornecer suporte informacional aos
programas de ensino, pesquisa e extensão para toda comunidade universitária, incentivar a
implantação de serviços bibliotecários nas bibliotecas setoriais, promover a melhoria do
funcionamento das bibliotecas, para que atuem como centros de ação cultural e educacional
permanentes torna-se importante a adoção e prática de instrumentos gerenciais para o uso
efetivo.
O uso de ferramentas e metodologias na gestão de unidades de informação é muito
importante para facilitar os processos, otimizar recursos no alcance dos objetivos
institucionais e principalmente agregar qualidade aos serviços prestados pela unidade de
informação.
Acredita-se que esses instrumentos tornam as práticas gerenciais mais eficazes e
eficientes31 na medida que são usados de forma sistemática e periódica para planejar,
desenvolver, controlar e avaliar os serviços e processos no atendimento às necessidades de
informação dos alunos, professores e comunidade universitária.
2 INSTRUMENTOS E FERRAMENTAS GERENCIAIS

29

Disponível em http://www.udesc.br/arquivos/udesc/documentos/0_58604600_1476383367.pdf
Disponível em http://www.udesc.br/arquivos/udesc/documentos/0_58604600_1476383367.pdf
31
e
eficácia
aqui
entendidas
como
medidas
de
avaliação
Eficiência
do desempenho da organização, ou seja, fazer o que foi planejado de acordo com objetivos propostos dentro dos
recursos e prazos pré-definidos.
30

274

�As unidades de informação enfrentam o desafio de organizar seu funcionamento e
adaptar-se as demandas vigentes contribuindo com serviços de informação que agreguem
valor à comunidade que servem e incorporar novos princípios e valores segundo GarcíaReyes (2007).
Ao focar em práticas gerenciais realizadas dentro organização, é importante esclarecer
que os processos são interligados e interdependentes, principalmente ao pensar a gestão
dentro do paradigma planejar-desenvolver-controlar-agir (PDCA) também conhecido pelo
Ciclo de Deming de acordo com Vergueiro (2002).
Nesse quesito, Chiavenato (2003), Maximiano (2007) e outros autores das teorias
administrativas estabelecem que o controle é a quarta função administrativa e que depende do
planejamento, da organização e da direção para compor o processo administrativo. Assim sendo, os
processos gerenciais envolvem planejamento

organização

execução controle.

Sob esse aspecto, Chiavenato (2000 p. 131) explica que
direção e o co
administrativas, mas quando feitos em conjunto formam o processo administrativo para alcance dos
objetivos propostos de acordo com o autor. Assim, processo significa:
Qualquer fenômeno que apresente mudança contínua no tempo ou qualquer
operação que tenha certa continuidade ou sequência, o conceito de processo implica
que os acontecimentos e as relações entre eles sejam dinâmicos, em evolução,
sempre em mudança. O processo não é coisa imóvel, parada, estática, mas móvel,
contínua. Os elementos do processo agem uns sobre os outros, são mais do que uma
sequência, compõem um sistema (CHIAVENATO, 2000, p. 132).

García-

gestão supera o caráter

processos de forma inter-relacionada, centrada nos objetivos para que as unidades de
informação gerem resultados de valor potencializado.
Dessa forma, ao planejar é necessário elaborar um plano que se configura como um
instrumento de planejamento e traduz as estratégias estabelecidas, o desenvolvimento envolve
a organização, estrutura e toda logística necessária para desenvolver o plano e executar suas
etapas, a direção e o controle se relaciona a avaliação, monitoramento e acompanhamento dos
recursos dentro dos prazos estabelecidos para atingir os objetivos do planejamento.
ça num
movimento racional dos recursos ou variáveis gerenciais é preciso que a organização seja

275

�organizar, executar e controlar para poder avaliar se os objetivos traçados no planejados estão
sendo cumpridos dentro dos prazos e recursos definidos. Sem isso, não é possível traçar
estratégias para mobilizar os recursos e acompanhar o alcance dos resultados.
Esse ciclo deve ocorrer em qualquer ambiente organizacional para garantir a eficiência
e eficácia dos serviços prestados. Em uma biblioteca, mesmo que sem fins lucrativos, a
aplicação dessas etapas nas práticas gerenciais se torna necessária para garantir a
sustentabilidade da mesma bem como possibilitar a inovação nos serviços prestados.
As unidades documentárias e de informação são sistemas integrados, constituídos
com o fim de cumprir a missão de prover a sociedade com informação útil
científica, técnica, cultural, factual, corporativa etc.
sempre priorizando a
informação que promove conhecimento, ou seja, aquela informação que mobiliza a
estrutura mental do sujeito e modifica seu estado cognitivo passando (o sujeito) de
alguém que não sabia sobre um determinado evento e, agora, passa a sabê-lo. Para
cumprir esta missão, estas organizações, envoltas em um determinado ambiente,
agregam pessoas com perfis diferenciados, realizam tarefas pertinentes à área de
conhecimento, criam estrutura própria, aplicam tecnologias concernentes e adotam
metodologias coerentes com a natureza dos serviços, tudo isto em busca de
resultados competitivos (BARBOSA, FRANKLIN, 2011, p.95).

Entre as diferentes metodologias e instrumentos que podem ser usados em uma
organização, cita-se alguns como o uso da matriz SWOT para conhecer o ambiente e fazer um
diagnóstico alinhando pontos fortes, fracos, ameaças e oportunidades, realização de estudos
de usuários (pesquisa de mercado em empresas) e de comunidades, o Balanced Scorecard
(BSC) que permite realizar uma gestão estratégica a partir de indicadores de desempenho sob
a perspectiva dos clientes, do aprendizado e crescimento, dos processos internos e da gestão
financeira, tem também medidas e indicadores para controle de qualidade como as normas
ISO, programa 5S, Ciclo de Deming (PDCA), método 5W2H, brainstorming para conhecer
as boas práticas de outras instituições, a adoção de metodologias ágeis ou das diretrizes do
PMBOK para a gestão de projetos, elaboração de plano de marketing, entre outros que podem
ser utilizados pelos gestores e suas equipes a fim de facilitar os processos de planejamento,
organização, direção, controle e avaliação em uma unidade de informação.
Com intuito de atender a missão institucional, as Bibliotecas Universitárias devem
fazer o uso de ferramentas apropriadas de acordo com as necessidades previamente
identificadas.
Para esta pesquisa, elencou-se alguns métodos específicos de gestão: Panorama 5S,
benchmarking, Ciclo PDCA, normas ISO, BSC, 5W2H, brainstorming, SWOT, entre outras
que serão apresentadas na sequência.
276

�O panorama 5S é um método de origem Japonesa no momento pós-guerra
made
in Japan
da filosofia de mudança no ambiente de trabalho, com intuito de evitar desperdícios, além de
promover arrumação e limpeza do ambiente.
Os 5S significam: Seiri (organização, utilização e descarte), Seiton (arrumação,
ordenação), Seisou (limpeza, higiene), Seihetsu (padronização), Shitsuke (disciplina). Tem por
método a educação e o treinamento dos colaboradores, propiciando a mudança cultural
institucional. (MARSHAL JÚNIOR, 2006, p.115-116).
Benchmarking é um processo contínuo e sistemático que consiste em avaliar,
produtos, serviços e processos de trabalho de organizações reconhecidas como representantes
de melhores práticas. Tem por objetivo a melhoria organizacional através da análise de
realidades comparativas entre empresas do mesmo segmento, como forma de captar e
aprender identificando oportunidades e ameaças. De acordo com Marshal Júnior (2006, p.
aperfeiçoar sua gestão através da busca por melhores processos
e prática inovadoras, aceleração dos ciclos de aprendizado e melhoria como um todo, redução
de prazos e custos, estabelecimento de referências quantitativas para a melhorias dos

suas quatro fases, a base da filosofia do melhoramento contínu

Segundo Lins (1993, p.

161) o ciclo PDCA é abordado em quatro etapas: planejamento (Plan), ação (Do), verificação
(Check), correção (Act), e tem por objetivo o gerenciamento da rotina e da melhoria dos
processos organizacionais.
Normas ISO, foram criadas por organização não-governamental internacional, que
reúne mais de uma centena de organismos nacionais de normalização. Tem como escopo
todos os campos do conhecimento, exceto as normas de engenharia eletrônica e elétrica. É um
trabalho desenvolvido por especialistas do mundo todo.
A matriz SWOT é uma ferramenta utilizada no planejamento estratégico, que visa
analisar a concorrência com base nos pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças.
(DECOURT; NEVES; BALDNER, 2012, p.95)
O sistema KANBAN é conhecido como uma filosofia empresarial de origem oriental
tem o objetivo a redução de custos através da regulação de estoques. Tal método foi originado
através de um subsistema do sistema Toyota para otimizar o seu processo de fabricação de
277

�veículos. Tal sistema tem como premissa o controle dos processos, antecipação de prazos de
entregas e controle do estoque. (LAGE JUNIOR; GODINHO FILHO, 2008)
O PMBOK foi desenvolvido pelo Project Management Institute (PMI), cujo objetivo é
fornecer boas práticas para a Gestão de Projetos por meio da descrição (documentação) de
todo o ciclo de vida de gestão de projetos e todos os processos relacionados. Possui 05 grupos
de processos: Início, planejamento, Execução, monitorização e controle, fecho. Trata-se de
uma ferramenta transdisciplinar por lidar com diversas áreas do conhecimento.
(CARVALHO; ROMÃO; FAROLEIRO, 2016, p. 90)
Metodologia Ágil é uma abordagem no gerenciamento de projetos, utilizado em
desenvolvimento de software. Uns dos mais conhecidos é o SCRUM, por ter como objetivo

(SILVA; SILVA, 2009)
O estudo de usuários é um conjunto de conhecimentos, que busca compreender, por
meio de investigações, identificar a necessidade informacional dos usuários, por meio de
interação entre usuário e informação, ampliando e/ou interferindo na sua produção. (COSTA,
2016, p.68)
O Balanced Scoredcard (BSC) traduz a missão e a estratégia da empresa em um
conjunto abrangente de medidas de desempenho que serve de base para um sistema de
medição e gestão estratégica (SILVA, 2003 apud KAPLAN; NORTON, 1997).
O BSC tem como proposta tornar entendível para todos os níveis da organização, a
visão, a missão e a estratégia, com intuito de que todos na empresa saibam o que fazer e de
esforços, evitando a dispersão das ações e recursos empreendidos em prol da implementação
, p.66).32
O brainstorming, também conhecido por tempestade de ideias é um processo onde os
indivíduos organizacionais emitem ideias de forma livre, sem críticas, no menor espaço de
tempo possível.
O esquema 5W2H é uma ferramenta utilizada para mapeamento e padronização de
processos, na elaboração de planos de ação e no estabelecimento de procedimentos associados
a indicadores. De acordo com Marshal Júnior (2006), o 5W2H tem objetivo basicamente
32

SILVA, Leandro Costa da. O Balanced Scorecard e o processo estratégico. São Paulo, v.10, n.4, p. 61-73,
out/dez. 2003

278

�gerencial por buscar entendimento através da definição de responsabilidades, métodos,
prazos, objetivos e recursos associados.
Tais instrumentos e ferramentas gerenciais visam estabelecer procedimentos e
padrões, redução de custos, além da otimização de tempo com identificação e mapeamento de
processos, podendo ser utilizados em qualquer tipo de instituição e unidades de informação,
mediante adequação.
3 MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e descritiva de acordo com os
objetivos propostos. Caracteriza-se como pesquisa bibliográfica e documental conforme os
meios usados, assim como tem caráter qualitativo de acordo com a abordagem e tratamento.
Para tanto, foi feita uma coleta de dados por meio da aplicação de um questionário para busca
de informações.
O instrumento foi enviado por e-mail aos coordenadores das bibliotecas no mês de
novembro de 2017. Foi composto por dez questões abertas e fechadas em que inicialmente
perguntou-se sobre faixa etária, formação, cargo, função, tempo de atuação entre outras
questões para definir o perfil do respondente. Além disso, perguntou-se sobre as ferramentas e
instrumentos gerenciais que conhecia e quais efetivamente usava nos últimos dois anos de
atuação na biblioteca da UDESC, também buscou identificar de que forma o uso dessas
ferramentas contribuía para a gestão da unidade de informação e quais os desafios e
dificuldades que encontravam para utilizar as ferramentas em seu dia-a-dia.
Obteve-se resposta de seis bibliotecários que coordenam as doze unidades de
informação conforme será exposto a seguir.

4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Em relação ao sexo, 100% das respondentes são do sexo feminino, por essa questão
todas as respostas serão relacionadas à atuação das bibliotecárias (no gênero feminino).
Quanto a faixa etária, apenas uma bibliotecária tem idade entre 20 a 29 anos, as demais têm
entre 30 a 39 anos.
No que tange à formação, todas tem o bacharelado em Biblioteconomia, porém o ano de
formação é bem variado. A bibliotecária que está formada há mais tempo, foi em 1996 e a
mais recente em 2012. As demais se formaram em 2006 e 2009. Muitas já têm pós-graduação
279

�em diferentes áreas como especialização em gestão de pessoas, gestão de arquivos, gestão de
projetos e responsabilidade civil, desenvolvimento regional e apenas uma está fazendo
mestrado (em andamento) em gestão de unidades de informação no programa de pósgraduação em gestão da informação na própria instituição.
Em relação ao cargo, todas são bibliotecárias e coordenam sua unidade. No que tange ao
tempo de serviço na UDESC, duas profissionais entraram via concurso público em 2010, uma
em 2012, outra em 2014, uma em 2016 e outra em 2017.
Ao questionar sobre as ferramentas, plataformas e metodologias que elas conhecem para
fazer a gestão das unidades de informação, foram citadas:
Balanced Scoredcard
Programa 5S
Lena Office
Estudo de Usuários
Gestão de Projetos
Matriz SWOT
Gestão de Processos
Normas ISO
MS Project
Brainstorming
Espinha de peixe
Canvas
5W2H
Pergamum
SGPE SC
SGA
Kanban
PDCA
Estatísticas
Relatórios
As mais citadas foram: Balanced scorecard (duas pessoas), estudo de usuário (quatro
pessoas), canvas (três pessoas), 5W2H (três pessoas). O restante foi citado apenas uma vez ao
perguntar quais ferramentas conheciam. Apesar de existirem inúmeros cursos e publicações
280

�na área sobre essas ferramentas e metodologias, poucas são conhecidas pelas profissionais que
participaram da pesquisa.
Ao questionar às bibliotecárias sobre quais plataformas e instrumentos usaram
efetivamente nos últimos dois anos na unidade de informação que atuam para fazer a gestão,
as respostas foram: Programa 5S (duas pessoas), KANBAN (uma pessoa), Plano de marketing
(uma pessoa), Estudo de usuário (três pessoas), elaboração de projetos (uma pessoa), 5W2H
a opção
para fins estatísticos (usuários, empréstimos), Office
365 para compartilhamento de documentos para trabalho compartilhado e o Google Drive
para responder que contemplavam diferentes metodologias e plataformas como PMBOK,
métodos ágeis, scrum, trello, seis sigma, MS Project, entre outras.
Nas respostas percebe-se que apesar de existirem dezenas de ferramentas e
metodologias, poucas (ou quase nenhuma) são usadas na gestão das bibliotecas universitárias
da instituição investigada. São diferentes instrumentos e plataformas que ajudariam muito as
bibliotecas pois sabe-se de sua efetividade em empresas e instituições sem fins lucrativos no
planejamento, na organização das rotinas, no controle e avaliação, assim como no
desenvolvimento das atividades gerenciais em uma unidade de informação.
Almeida (2005) enfatiza que existem muitas pressões nas organizações para manter ou
cortar custos, ampliar e melhorar a qualidade de serviços e programas, porém em muitas
bibliotecas ou serviços de informação são usadas poucas ferramentas, e em alguns casos não
garantirem a sobrevivência de suas atividades e de seus projetos, bem como competirem por
recursos, as unidades de informação também têm buscado a eficiência no uso de seus
Para isso, é importante que o bibliotecário faça um estudo de usuário, análise do
ambiente usando, por exemplo, a matriz SWOT que permite identificar ameaças e
oportunidades do ambiente externo, bem como pontos fortes e fracos no ambiente interno,
para partir disso, elaborar um plano de marketing, um planejamento usando o PDCA ou
criação de projetos partir de ferramentas como 5W2H a partir das boas práticas do PMBOK.
Para isso, tem várias plataformas que permitem a gestão como o trello, kanban, métodos
ágeis, MS Project, entre outros que possibilitam ao gestor o planejamento, organização,
281

�direção e acompanhamento das ações para verificar se os objetivos pré-estabelecidos estão
sendo atingidos.
Outra questão diz respeito à forma como essas ferramentas ajudavam nas práticas
gerenciais da unidade de informação. Abaixo segue as principais percepções:

estão conscientes de suas atividades e etapas do processo. É um processo
simples e fácil de ser acompanhado por todos os interagentes. Todas as
ferramentas e metodologias visam maior controle e agilidade no
desempenho das tarefas. Isso traz uma padronização e controle para toda

auxiliar no planejamento das atividades e serviços da biblioteca de modo

Percebe-se que as profissionais que participaram da pesquisa conhecem a
importância do uso e aplicação de diferentes ferramentas, plataformas e metodologias para
gestão nas unidades de informação, bem como vantagens, porém muitas vezes desconhecem
como usar ou precisam de capacitação e incentivo da própria instituição ou sistema de
bibliotecas.
Gianesi e Correa (1994) alertam sobre a necessidade de profissionalismo na gestão e
adaptação das técnicas de administração para melhorar a qualidade dos serviços prestados
bem como organização dos processos.
Ao perguntar sobre os desafios e dificuldades que as bibliotecárias encontravam para
utilizar as ferramentas/ plataformas/ metodologias no dia-a-dia, eis algumas respostas:
utilização dessas ferramentas é a falta de
pessoal e consequentemente de tempo para aplicação das metodologias.
Desta forma, como pode ser observado nas questões anteriores, apesar de
conhecer praticamente todas as metodologias disponíveis na área da gestão,
-se na falta de interesse em conhecer e entender
o uso das ferramentas, tanto pelo gestor quanto pelos colaboradores. Cada
um tem uma aplicabilidade que melhor se aplica. Muitas atividades de
gestão se iniciam de forma improvisada, e fazer o caminho para

282

�padronização torna todo o processo moroso, e que muitas vezes são

abandonados inconcluí

de recursos para os planos de marketing por exemplo, e no estudo de
usuários temos pouca participação de algumas pesquisas de

Ao analisar as respostas sobre os desafios e dificuldades encontradas para usar
efetivamente as ferramentas e plataformas, é comum observar que a falta de tempo, de
pessoas, de recursos, de interesse, de capacitação, de conhecimento impedem a aplicação de
diferentes metodologias na gestão das unidades de informação investigadas. No entanto, é
comum perceber que falta iniciativa ou mesmo interesse em buscar conhecer e conscientizar
as pessoas (seja equipe ou chefia superior) sobre essa necessidade.
A qualidade a ser percebida pelos clientes, no caso das universidades, composta por
professores, alunos e comunidade acadêmica, deve ser a prioridade na gestão de unidades de
informação. Desde o século XX, Vergueiro (2002) salienta que essa busca da qualidade é uma
das marcas das organizações e agora no século XXI isso torna-se ainda mais necessário.
têmica e
A ausência de recursos financeiros é um impeditivo comum na área de
Biblioteconomia, porém atualmente existem tantas formas de captar recursos, seja por meio
de editais públicos, leis de incentivo como a Lei Rouanet ou mesmo patrocínios de
fornecedores e instituições parceiras que podem otimizar os recursos e possibilitar as
melhorias necessárias na execução de um projeto.
Usar uma ferramenta como PDCA, matriz SWOT, programa 5S, 5W2H, kanban,
canvas ou qualquer outro instrumento não custa nada financeiramente e ainda traz inúmeros
benefícios para a gestão de uma unidade de informação. Não necessidade de pagar licença ou
qualquer imposto para a utilização de vários softwares gratuitos que possibilitam a melhoria
nos processos gerenciais em uma instituição.

283

�5 BREVES CONSIDERAÇÕES
A capacidade de administrar uma unidade de informação está intrinsecamente voltada
para o conhecimento e a implementação de práticas de gestão e ferramentas gerenciais. As
práticas de gestão de unidades de informação se fazem necessárias para que a missão da
biblioteca seja alcançada, para que ela possa atuar de forma proativa e estratégica, e atender a
instância superior.
A pesquisa buscou analisar a contribuição do uso de metodologias e ferramentas nas
práticas gerenciais em bibliotecas universitárias pois acredita-se que dessa forma seja possível
promover inovação nos serviços prestados. Para tanto, o escopo escolhido foi o conjunto de
doze unidades de informação que compõem as bibliotecas da Universidade do Estado de
Santa Catarina.
Os objetivos propostos foram atingidos, embora identificou-se que há ausência no que
tange a aplicação de métodos e ferramentas gerenciais por razões diversas citadas pelas
bibliotecárias, dentre elas: o desconhecimento de ferramentas gratuitas, a submissão a
ferramentas pagas, dificuldades de utilizar ferramentas gerenciais (pagas ou gratuitas),
insuficiência de mão de obra auxiliar na unidade de informação, ocasionando sobrecarga de
trabalho técnico ao bibliotecário.
Percebe-se que, embora alguns bibliotecários tenham conhecimento teórico sobre
gestão de unidades de informação e sobre ferramentas e métodos gerenciais, estas não
conseguem de fato aplicar o que sabem em sua rotina de trabalho no ambiente universitário.
As bibliotecas da UDESC são organizações públicas e podem ser geridas de forma
estratégica e inovadora, por meio da busca por soluções em práticas e ferramentas de gestão
utilizadas há décadas por empresas e organizações que tem fins lucrativos, como forma de ter
seus processos identificados, avaliados e constantemente adequados às novas demandas
gerando qualidade nos serviços prestados pelas unidades de informação.
Ao alinhar com as Cinco Leis de Ranganathan, a biblioteca só se tornará um
organismo em crescimento se buscar inovação em produtos, serviços e no seu modo de
atuação. Para isso, a busca por qualidade, eficiência e eficácia deve ser algo presente e
pautado no planejamento estratégico da biblioteca com o uso de diferentes ferramentas e
instrumentos que facilitam a gestão das unidades de informação.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Práticas gerenciais em bibliotecas universitárias: possibilidades para inovação.</text>
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          <description>The nature or genre of the resource</description>
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          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Apresenta as bibliotecas universitárias como organizações prestadoras de serviços –Instituições de Ensino Superior. Enfatiza que as unidades de informação fazem parte de um todo e que devem agir de forma estratégica, utilizando métodos e ferramentas gerenciais, para que possam atuar de forma proativa em busca da excelência operacional. Descreve alguns métodos e ferramentas gerenciais que poderão ser utilizadas na gestão de Bibliotecas Universitárias. Analisa o uso desses instrumentos pelas Bibliotecas Universitárias da Universidade Estadual de Santa Catarina (UDESC). Caracteriza-se como pesquisa exploratória, descritiva, bibliográfica e documental como abordagem qualitativa. A coleta de dados foi obtida pela aplicação de questionários com perguntas abertas e fechadas enviadas por e-mail aos bibliotecários coordenadores das bibliotecas da UDESC. Como resultados, foi possível a identificação do perfil e conhecimento dos bibliotecários no que tange às ferramentas de gestão. Constatou a ausência do uso efetivo de ferramentas e métodos gerenciais por desconhecimento, por falta de habilidade, capacitação ou por não adaptação as novas tendências gerenciais por parte dos bibliotecários, embora alguns tivessem o conhecimento prévio. Aponta a necessidade de conhecimento, conscientização sobre o uso de metodologias e instrumentos para melhorar a gestão das bibliotecas afim de, que as mesmas possam prestar serviços de forma inovadora, com mais qualidade e otimização de recursos existentes.</text>
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