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                  <text>Eixo I

Inovação e Criação

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS COMO COLEÇÃO ESPECIAL: UMA
EXPERIÊNCIA NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
COMICS AS A SPECIAL COLLECTION: AN EXPERIENCE IN THE UNIVERSITY LIBRARY

Resumo: As revistas de histórias em quadrinhos fazem parte dos acervos das bibliotecas,
porém, geralmente não são catalogadas e classificadas devido à fragilidade e à perecibilidade
do seu suporte. Nesse sentido, nosso objetivo é apresentar o relato de experiência da
Biblioteca Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos que, ao receber uma
coleção com mais de 5.000 exemplares de um único doador, catalogou, classificou e indexou
todos esses itens. As revistas de histórias em quadrinhos passaram por higienização mecânica,
foram separadas de acordo com as coleções, catalogadas, classificadas, indexadas no catálogo
Pergamum e armazenadas em papel de PH neutro. Após 4 anos de trabalho envolvendo
bibliotecários, auxiliares de bibliotecas e estagiários, o Espaço HQ foi inaugurado em 2017 e
toda a coleção pode ser consultada pelo catálogo on-line da Biblioteca. Devido a completude
da coleção e raridade de alguns números, a coleção se tornou especial, dentro da biblioteca
universitária. Consideramos que a experiência adquirida no tratamento descritivo e temático
da coleção deve servir a outras bibliotecas que se interessem em catalogar esse tipo de
material permitindo acesso a essa coleção, uma vez que a literatura e as bibliotecas brasileiras
oferecem pouco subsídio sobre o tema.
Palavras-chave: histórias em quadrinhos representação descritiva. histórias em quadrinhos
representação temática. coleção especial. bibliotecas universitárias.
Abstract: Comics are part of the collections of the libraries. However, they are not usually
cataloged and classified due to the fragility and the perishability of its support. Our objective
is to present the experience report of the Campus Sorocaba Library of the Universidade
Federal de São Carlos. The Library has received a collection with more than 5,000 copies of a
single donor. All these items were cataloged, classified and indexed. The comic magazines
underwent mechanical sanitization, were separated according to the collections, cataloged,
classified, indexed in the Pergamum catalog and stored on neutral PH paper. After 4 years of
work involving librarians and trainees, Espaço HQ was inaugurated in 2017 and the entire
collection can be consulted through the Library's online catalog. Due to the completeness of
the collection and rarity of some numbers, the collection became special within the university
library. We believe that the experience gained in the descriptive and thematic treatment of the
179

�collection should serve other libraries that are interested in cataloging this type of material,
allowing access to this collection, since Brazilian literature and libraries offer little subsidy on
the subject.
Keywords: comics - descriptive representation. comics - indexing. special collection.
university libraries.
1 INTRODUÇÃO
Os acervos das bibliotecas universitárias são compostos basicamente de itens
correspondentes aos cursos de graduação e pós-graduação aos quais ela serve, bem como a
atividades de pesquisa e extensão desenvolvidas na universidade.
No entanto, é preciso reconhecer que a biblioteca universitária deve ir além da sua
função pedagógica e curricular, permitindo que seu espaço desenvolva e abrigue novas
possibilidades de uso e convivência e estabelecendo novas relações com a comunidade
universitária e seu entorno.
A presença de materiais não-curriculares como jogos de tabuleiro, videogames, acesso
à provedores de filmes e séries on-line, além dos livros de literatura e histórias em quadrinhos,
está cada vez mais evidente nas bibliotecas universitárias, comprovando uma clara tentativa
de diversificar os materiais disponíveis e de fazer da biblioteca um lugar atrativo e
diferenciado no meio acadêmico.
As revistas de histórias em quadrinhos (HQs) tradicionalmente fazem parte das
bibliotecas, estando presentes geralmente nas bibliotecas públicas, formando um acervo
comumente chamado de gibiteca.
No entanto, devido à fragilidade e à perecibilidade do seu suporte, geralmente esses
materiais não são classificados, catalogados e indexados. Assim, há pouco subsídio na
literatura brasileira de como tratar esse acervo de forma que ele possa ser armazenado e
recuperado de maneira eficaz a fim de ser utilizado não apenas como leitura de lazer, mas
também como fonte de pesquisas universitárias.
Nesse sentido, nosso objetivo é apresentar o relato de experiência da Biblioteca
Campus Sorocaba (B-So) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) que, ao receber
uma coleção com mais de 5.000 exemplares de um único doador, catalogou, classificou e
indexou todos esses itens, formando uma coleção especial que passou a ocupar uma sala
exclusiva denominada Espaço HQ dentro da biblioteca universitária.

180

�2 REVISÃO DE LITERATURA
É difícil estabelecer o marco da origem das histórias em quadrinhos. O que se sabe é
que as HQs ou comics (como são conhecidas nos países de língua inglesa) surgiram na mesma
época do cinematógrafo, mas diferente do cinema que desde sua estreia foi considerado a
m considerados má influência para crianças e adolescentes,
pois abordavam temas não convencionais, por sua apresentação gráfica e linguagem inéditas.
Tantas inovações não deixaram as HQs serem enquadradas no universo das artes.
Somente a partir da década de 1960, as histórias em quadrinhos invadiram e
encantaram o universo acadêmico, sendo que as publicações das editoras norte-americanas
Marvel e DC Comics assumiram um papel definitivo para a consolidação do gênero.
As HQs surgiram nos Estados Unidos e na Europa no formato de tirinhas,
principalmente em informativos diários como jornais e revistas.
Segundo Saraiva Mendes (1990, p. 25),
El cómic (historieta o tebeo), es un medio de comunicación de masas, cuyas
historias son narradas por medio de imágenes dibujadas y texto inter-relacionados.
Su unidad básica es la viñeta (o cuadro), que, cuando se presentan enlazadas
encadenadamente forman la estructura secuencial del relato. Puede ser publicado en
almanaques, periódicos o revistas. Además de informar y entretener, tienen junto a
otros medios masivos, un papel en la formación del niño . El cómic es transmisor de
ideología y por lo tanto afecta a la educación de su público lector

Genericamente, definem-se as histórias em quadrinhos como sendo um sistema de
comunicação formado por texto e imagens - balões, legendas e onomatopeias, sendo que a
história é contada principalmente pela imagem. Sobre isso afirma Cagnin
código narrativo

iconográfico (ou signos visuais gráficos) dos

quadrinhos consiste de

unidades mínimas de imagens que se articulam em sequências na linearidade temporal da
O suporte das histórias em quadrinhos é tradicionalmente o papel, mas qualquer outra
superfície lisa como paredes, muros, tecidos entre outros, pode servir para registrar as
histórias.
Angelo Agostini, publicada em 1869 na revistaVida Fluminense, do Rio de Janeiro.
Esse tipo de material, destinado ao entretenimento de todos os tipos de públicos, já
passou por muitas transformações até adquirirem as características que apresentam
181

�atualmente. Além disso, as HQs podem ser publicadas em diferentes formatos e
características que influenciam inclusive seu conteúdo, podendo ser encontradas em diferentes
ambientes e dirigidas a um público bastante diversificado. São eles:
Gibis: com baixo custo e pouca durabilidade, geralmente destinados ao público
infantil e juvenil;
Álbuns e edições encadernadas: com custo mais alto, geralmente são
publicações em volumes únicos;
Graphic novels, maxi e minisséries: semelhantes aos álbuns e às edições
encadernadas, que buscam dar um tratamento diferenciado aos personagens;
Tiras em jornais: o berço das HQ, que continuam até os dias atuais;
Fanzines - feitas por aficionados, colecionadores ou artistas iniciantes;
Publicações em geral: quadrinhos usados em publicidade, propaganda política,
livros

didáticos,

entre

outros.

(VERGUEIRO,

2005;

SANTOS,

GANZAROLLI, 2011).
Além das mudanças nas características e da aparição de novos formatos, o tempo
também proporcionou mudanças na forma como a sociedade enxerga as HQs.
De acordo com Bari e Vergueiro (2009) as histórias em quadrinhos deixam de ser
entendidas somente como leitura exclusiva de crianças, e passam a ser vistas também como
uma forma de entretenimento e transmissão de saber que pode atingir diversos públicos e
faixas etárias.
Sobre isso, Vergueiro (2005) afirma que
Pelo fato de serem consideradas materiais de segunda ou terceira categorias por
parcelas influentes da sociedade, as histórias em quadrinhos enfrentaram muitas
dificuldades para serem incluídas nos acervos das bibliotecas. Por um lado, elas não
conseguiam entrar nas bibliotecas universitárias e de pesquisa devido a sua
presumida falta de importância como objeto de estudo científico; por outro, seu
ingresso em bibliotecas públicas e escolares era vetado pelo próprio estardalhaço
que muitos de seus opositores costumavam fazer com regularidade, manifestando-se,
às vezes de maneira agressiva, contra a mais remota possibilidade de colocá-los à
disposição do público por intermédio de uma instituição cultural mantida pelos
cofres governamentais.

Notadamente, a situação das HQs em bibliotecas vem mudando, quando esse tipo de
material é tratado como uma coleção especial. De acordo com Vergueiro (2005) nos Estados
Unidos, muitas bibliotecas universitárias possuem coleções especializadas de quadrinhos. O
referido autor também destaca a existência de acervos especializados de quadrinhos em
âmbito universitário no Brasil, como os da biblioteca do Centro Universitário de Ensino
182

�Superior de São Caetano (IMES) e no Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da
Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP).
Vergueiro (2005) aponta como exceções as bibliotecas que incorporam as histórias em
quadrinhos em seus acervos. Geralmente o que ocorre é a não incorporação definitiva ao
acervo, o descarte generalizado e a despreocupação com o estabelecimento de critérios de
seleção.
Colaborando com essa situação, existe ainda o aspecto sobre a organização desse tipo
de acervo nas bibliotecas. Segundo Ramos (2011) apud (RAMOS; MIRANDA, 2013) as
bibliotecas estão acostumadas ao arranjo tradicional de suas obras, que muitas vezes não
atendem às particularidades das HQs, pois organizar quadrinhos significa ter conhecimento
sobre as diferentes temáticas, os gêneros, os formatos e a cronologia das histórias, o que
requer paciência e tempo, recursos nem sempre empregados quando se trata de materiais
especiais.
Ainda segundo o referido autor, esse processamento possibilita maior controle e
organização das HQs e facilita os processos de busca, recuperação e localização desses itens
pelos usuários.
Sobre o tratamento temático e descritivo das coleções de gibis em bibliotecas
brasileiras, foi encontrada pouca literatura (RAMOS, 2011; SEVERO, 2011; ABUD, 2012;
RAMOS; MIRANDA, 2013). No entanto, foram essas referências que nortearam nosso
trabalho, conforme descrito a seguir.
3 METODOLOGIA
A partir do recebimento em 2013 da doação do professor André Cordeiro Alves dos
Santos, do Departamento de Biologia da UFSCar (DBio-Sorocaba) de sua coleção pessoal de
quadrinhos - um montante de trinta e uma caixas sem identificação, a equipe de bibliotecários,
assistentes e estagiários da B-So, iniciou os trabalhos de identificação,

tratamento e

incorporação dos itens ao acervo.
No início das férias escolares daquele ano e, uma vez que não tínhamos ideia das
características das HQs recebidas, executamos a primeira intervenção que foi retirar os
exemplares das caixas e dispô-las no chão de uma sala esvaziada e higienizada especialmente
para isso.

183

�Figura 1 - Separação das HQs por título/coleção

Fonte: elaborado pelos autores

Iniciamos assim o tratamento da coleção com uma equipe fixa composta por um
bibliotecário, um assistente administrativo e quatro estagiários, com o aporte pontual dos
demais bibliotecários para definição da rotina de ações para execução do tratamento da
coleção, que consistiu nas seguintes etapas:
-

reunião dos fascículos de acordo com os títulos;

-

higienização mecânica de cada fascículo (página a página, e limpeza com chumaço de
algodão das capas, em mesa higienizadora);

-

ordenação decrescente dos fascículos;

-

catalogação da coleção;

-

reprodução fotográfica das capas das HQs (um exemplar de cada série) para
visualização no catálogo on-line (Pergamum) da B-So.
Devido à escassez de literatura especializada sobre o assunto, já explicitada

anteriormente, à falta de relatos de outras experiências e às especificidades da coleção e da
biblioteca universitária, optamos por classificar toda a coleção sob o número geral da
Classificação Decimal de Dewey (CDD) para histórias em quadrinhos (741.5). E, para reunir
as coleções de cada personagem (que na maioria dos casos é também título da publicação),
utilizamos o número Cutter do nome do personagem, seguido da letra do título, ou do
subtítulo, quando o título é também o nome do personagem.

184

�A catalogação foi feita segundo o protocolo MARC21 e o padrão ACCR2. Porém, em
decorrência das especificidades editoriais das HQs, optamos por descrevê-las na planilha de
monografia, já que as publicações dividem-se em séries, minisséries e números especiais,
apresentando ISSN ou ISBN, e em muitos casos os dois.
Cuidado especial foi dispensado à indexação dos assuntos (campo 650), por
reconhecermos nesse processo a principal chave de pesquisa e divulgação da coleção. Para
tanto seguimos a Política de Indexação da B-So que recomenda adoção do sistema de
cabeçalhos de assunto da Biblioteca Nacional (BN), originário da Lista de Cabeçalhos de
Assunto da Library of Congress (Library of Congress Subject Headings

LCSH).

Além do
Batgirl - Personagem
já que, com algumas exceções, a própria BN não adota os nomes dos personagens como
assunto.
Figura 2 - Planilha MARC com os campos utilizados

Fonte: Catálogo Pergamum - Biblioteca Campus Sorocaba

importantes de cada personagem porque vários deles, ainda em ação atualmente, passaram por
185

�transformações e mudanças de nomes. Há ainda, casos em que o mesmo nome foi utilizado
para personagens de características totalmente diferentes. Por exemplo: Senhor Fantástico
(Personagem fictício) codinome do Dr. Reed Richards, atua também em outras séries da
editora Marvel Comics com o codinome Homem Elástico e Doutor Richards. Na planilha de
registro da autoridade Senhor Fantástico (campo 150), utilizamos também os campos 550
(Remissiva Ver também) para os codinomes Homem Elástico e Doutor Richards, e 450
(Remissiva Ver) para Reed Richards (alter ego fictício do personagem).
Para possibilitar a percepção dessas particularidades, importantes para as pesquisas de
personagens, foram utilizados os campos 670 (Fonte da pesquisa) e 678 (Dados biográficos e
históricos) da planilha do registro de autoridade. Nesses campos, foi possível detalhar os
dados históricos e circunstanciais da criação e desenvolvimento do personagem, bem como a
fonte da pesquisa sobre o personagem, fornecendo chaves de pesquisa não-convencionais.
Para o acondicionamentos dos fascículos foram confeccionados envelopes de acordo
com os respectivos tamanhos das publicações. Por isso não foi possível adotar um tamanho
padrão para os envelopes, visto que cada série apresenta um tamanho distinto. Portanto, os
envelopes foram feitos de acordo com o tamanho e quantidade de fascículos que seriam
armazenados. Cabe destacar que, embora sendo uma coleção especial, as HQs seriam
consultadas com frequência, e para preservar tanto os fascículos como os envelopes, os
mesmo foram confeccionados de forma a proporcionar mobilidade, facilitando o manuseio.
Outro ponto a se destacar é que priorizamos a maximização no uso do papel neutro, ou
seja, os envelopes foram confeccionados de forma que não houvesse desperdício por trata-se
de papel de preço alto. Foram utilizados os seguintes materiais para a confecção dos
envelopes: papel pH neutro, visando a não acidificação das publicações, e fita adesiva
composta por tecido laminado com filme polietileno, revestido com adesivo de borracha,
colocada na parte externa dos envelopes uma vez que não é material de composição neutra e
que pode facilitar a deterioração das HQs.
Em relação às etiquetas de identificação dos envelopes, foram confeccionadas dois
de chamada, e outra contendo o título da série e os números dos fascículos contidos nele. A
Figura 4 mostra os envelopes com as duas etiquetas.

186

�Figura 3 - Envelope para acondicionamento dos fascículos

Fonte: elaborado pelos autores.
Figura 4 - Etiquetas de identificação dos envelopes

Fonte: elaborado pelos autores.

Salienta-se que no tratamento técnico das HQs, além do acondicionamento das
publicações, fizemos também a reprodução fotográfica das capas de toda a coleção para a
inserção das mesmas no catálogo da B-So Pergamum, sendo que de cada série foi escolhida
uma capa que apresentava a imagem mais atrativa.
As fotografias foram tiradas com um smartphone e com o auxílio do aplicativo
Camscanner que possibilita a edição das fotos no momento em que estão sendo tiradas. Ao
todo foram fotografadas 848 capas que foram inseridas nos respectivos registros
187

�bibliográficos dos títulos, no catálogo Pergamum. A Figura 5 demonstra uma busca feita no
Pergamum, mostrando as imagens referentes a cada série das HQs.
Figura 5 - Resultado da busca efetuada no Catálogo Pergamum

Fonte: Catálogo Pergamum - Biblioteca Campus Sorocaba

Formada por 848 títulos - cerca de 5.500 fascículos, a coleção de HQs da B-So é
composta por várias séries completas, minisséries e números especiais, predominando os
clássicos das editoras Marvel, DC Comics e DC Vertigo e alguns clássicos brasileiros, com
datas de publicação entre 1961 e 2008.
Por ser uma coleção de valor inestimável e insubstituível, de suporte frágil e
impossível de se restaurar, foi adotada uma política de conservação preventiva, a fim de
minimizar os danos causados pelas condições ambientais e por fatores humanos.
Para a proteção ambiental (poeira, luz natural e/ou artificial), além dos envelopes de
papel pH neutro, foi adaptado um espaço exclusivo para a coleção. Para minimizar o desgaste
de manuseio incorreto estipulou-se um número máximo de usuários no Espaço, bem como a
proibição de empréstimo domiciliar.

188

�Figura 6 - Espaço HQ, visão externa e interna

Fonte: elaborado pelos autores

A adaptação de um espaço exclusivo para a coleção de HQs foi uma conquista
possível após a reestruturação física da B-So no segundo semestre de 2016, e cujo objetivo foi
criar um ambiente lúdico e compatível com a vivência do lazer criativo pelos usuários. Para
isso, a decoração externa do Espaço HQ foi feita utilizando gibis adquiridos aleatoriamente
em sebo.

Na decoração interna, foram utilizados os pôsteres que acompanham alguns

fascículos, bem como reproduções dos super-heróis confeccionadas em origami 3D pela
servidora Elza Naomi Kawaguchi.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados do trabalho de tratamento, organização e disponibilização da coleção de
histórias em quadrinhos foram duplamente impactantes: internamente entre os trabalhadores
da B-So que foi totalmente engajada nas atividades, buscando aprimoramento nos estudos
sobre tratamento temático e descritivo de material peculiar, pesquisas e desenvolvimento de
soluções práticas compatíveis com a realidade material das bibliotecas universitárias, bem
como sua preparação para treinamento e sensibilização dos usuários para a fruição respeitosa
da coleção.
No âmbito externo, o Espaço HQ despertou o entusiasmo do quadro administrativo e
dos usuários, pela presença de um espaço diferenciado dentro do ambiente da biblioteca
universitária, bem como estimulou o apreço e o olhar dos usuários para as HQs, retirando-as
do lugar de material recreacional efêmero e com curto período de atualidade e interesse, para
189

�a visão de uma importante fonte de pesquisas para várias áreas do conhecimento, e da sua
relevância para a história social e para o conhecimento da evolução das artes gráficas.
Nossa percepção é de que existe na área da Ciência da Informação, uma lacuna
significativa de relatos de experiências práticas inovadoras, que sirvam como sugestão de
rotinas para outros profissionais que se deparam com problemas comuns às bibliotecas
universitárias.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Consideramos que a experiência adquirida no tratamento descritivo e temático da
coleção deve servir como contribuição a outras bibliotecas que se interessem em catalogar
esse tipo de material, incorporando-o ao seu acervo, visando a sua preservação e conservação
e permitindo acesso a essa coleção, uma vez que a literatura e as bibliotecas brasileiras
oferecem pouco subsídio sobre o tema.
Em nossa experiência tivemos dificuldades em conhecer parâmetros práticos
norteadores testados em outras bibliotecas. Acreditamos que a divulgação de experiências
como a da B-So, possa colaborar para a formação de um referencial teórico especializado, a
ser disponibilizado para os profissionais bibliotecários brasileiros.

REFERÊNCIAS
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trabalho. In: ENCONTRO NACIONAL DE CATALOGADORES, 1., 2012, Rio de Janeiro.
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RAMOS, Paulo. A leitura dos quadrinhos. São Paulo: Contexto, 2009.
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CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTO E CIÊNCIA DA
INFORMAÇÃO, 15., 2013, Florianópolis. Anais... [S.l.: s.n.], 2013. Disponível em:
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191

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Histórias em quadrinhos como coleção especial: uma experiência na biblioteca universitária.</text>
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              <text>As revistas de histórias em quadrinhos fazem parte dos acervos das bibliotecas, porém, geralmente não são catalogadas e classificadas devido à fragilidade e à perecibilidade do seu suporte. Nesse sentido, nosso objetivo é apresentar o relato de experiência da Biblioteca Campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos que, ao receber uma coleção com mais de 5.000 exemplares de um único doador, catalogou, classificou e indexou todos esses itens. As revistas de histórias em quadrinhos passaram por higienização mecânica, foram separadas de acordo com as coleções, catalogadas, classificadas, indexadas no catálogo Pergamum e armazenadas em papel de PH neutro. Após 4 anos de trabalho envolvendo bibliotecários, auxiliares de bibliotecas e estagiários, o Espaço HQ foi inaugurado em 2017 e toda a coleção pode ser consultada pelo catálogo on-line da Biblioteca. Devido a completude da coleção e raridade de alguns números, a coleção se tornou especial, dentro da biblioteca universitária. Consideramos que a experiência adquirida no tratamento descritivo e temático da coleção deve servir a outras bibliotecas que se interessem em catalogar esse tipo de material permitindo acesso a essa coleção, uma vez que a literatura e as bibliotecas brasileiras oferecem pouco subsídio sobre o tema</text>
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