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                  <text>5.3

LABIRINTOS DO PASSADO:
ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE OS ACERVOS DE LIVROS RAROS DAS
INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS DE ENSINO SUPERIOR
Geraldo Moreira Prado*
José Tavares da Silva Filho**

“A verdadeira imagem do passado perpassa,
veloz. O passado só se deixa fixar, como
imagem que relampeja irreversivelmente, no
momento em que é reconhecida”
Walter Benjamin
RESUMO

�
Ressaltamos a importância da preservação dos acervos de livros raros, juntamente
com a análise dos resultados das pesquisas realizadas pelo SIBI/CR/UFRJ para a
constituição do Guia de Bibliotecas de Instituições Brasileiras de Ensino SuperiorBase BIBES, em 1994, e do Catálogo de Obras Raras da UFRJ-Base RAR, em
1995. Evidenciamos, neste ensaio, a construção de um saber que reflita, de forma
gradual (tanto no referente à unidade, quanto à diversidade do conhecimento do
passado), a verdade relativa do conhecimento científico da nossa realidade
contemporânea.

*

Professor do Programa de Mestrado em Ciência da Informação - conv. IBICT/CNPq-ECO/UFRJ e do
Mestrado (curso noturno) em Economia do Comércio Internacional da Universidade Estácio de Sá UNESA/RJ.
**
Diretor da Divisão Centro Referencial da Biblioteeca Central-SIBI/UFRJ.

�5.3

1 INTRODUÇÃO
Imaginamos que estamos fazendo uma sondagem hipotética perguntando
para 100% da população brasileira o que acha da importância dos acervos de livros
raros1 existentes nas bibliotecas das Instituições Brasileiras de Ensino Superior,
para aprofundar o saber1 científico sobre a realidade nacional hoje. Certamente,
iríamos ter respostas com as mais variadas deduções, o que tornaria inviável mesmo usando os mais modernos recursos computacionais - a realização da
tabulação e análise das respostas, para chegarmos a um resultado ilustrativo do
assunto em pauta.
Continuamos insistindo em nossa sondagem e fazendo a mesma pergunta.
Só que agora vamos selecionar grupos sociais específicos, seguindo a orientação
dos preceitos metodológicos da pesquisa científica em Ciências Sociais,
selecionando algumas das suas variáveis. Imaginamos que estamos entrevistando
pessoas de ambos os sexos, residentes nas zonas rurais e nos centros urbanos das
cinco macro-regiões geográficas brasileiras: pequenos (até cem mil habitantes),
médios (entre cem e quinhentos mil) e grandes (acima dos quinhentos mil), e das
seguintes faixas etárias: jovens entre 16 a 30 anos; meia idade, entre 30 e 60 anos
e 3ª. idade, acima dos 60 anos.

1

Livro raro: “Livro assim designado por ser detentor de alguma particularidade especial (conteúdo, papel,
ilustrações, ou por seus poucos exemplares conhecidos”. Cf. .FARIA, Maria Isabel &amp; PERICÃO, Maria da
Graça. Op. Cit. p. 209. Ver também sobre este mesmo assunto PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é
livro raro?: uma metodologia para o restabelecimento de critérios de raridades bibliográficas. Rio de Janeiro:
Presença, 1989. p. 19. Estamos nos baseando nesta definição porque acreditamos que ela resume a de Ana
Vigínia Pinheiros que é, no Brasil, o principal livro que dá um tratamento e uma definição mais completa do
livro raro..
1
Preferimos usar aqui o conceito de saber e não de conhecimento, porque no contexto que ele é usado, neste
texto, adequa-se melhor às nossas proposições. Saber pode ser usado como unidade ou diversidade de um objeto.
Segundo o Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira, saber significa: “ter
conhecimento, ciência, informação ou notícia de...”; enquanto conhecer significa: “ter conhecimentos técnicos e
especiais relativos a, ou próprios para...”.

�5.3

Provavelmente, a maioria absoluta dos moradores das zonas rurais e dos
pequenos e médios centros urbanos responderia as nossas questões mais ou
menos nesses tons: “não entendo muito bem nada disso não. Não sei prá que serve
não, acho que deve servir par alguma coisa, mas acho que isso é coisa véia e tudo
qui é véio é feio e tudo qui é novo é bonito. Acho qui tudo isso aí, livro, rádio,
televisão, só diz pabulagens par mode enganar os tabaréus2”.
As respostas de alguns intelectuais, especialmente daqueles dedicados à
leitura e aos estudos de caráter históricos, poderiam se estender por longas
dissertações orais ou escritas sobre este tema, sem esquecer de chamar atenção
para o capitulo sobre a Biblioteca de Babel do livro Ficções, de Jorge Luis Borges,
ou poderia também ser uma explicação concisa sobre a concepção do espaço
hexágonal ocupado pelo livro nas prateleiras das bibliotecas, segundo descrição de
Borges nesse ensaio.
Mas uma professora leiga do interior do país talvez ainda desse uma resposta
parecida com esta: “nus livros, nu livro de história, geografia, educação moral e
cívica, tudo agora cum o nome de estudos sociais, é bom pruquê nóis, eu i us meus
alunos, fica sabendo um bando de coisas bunitas do Brasi, fica sabendo quem é o
presidenti du Brasi e que o brasi era habitado por índio e que us índios daqui era
bom e ajudou mais us português i que hoje nóis num vivi mais isolado do mundo
cuma antes, nóis hoje temos televisão aqui na roça graças ao presidente Médici e
ao governador Marcos Maciel e eles tirô o país da miséria e o país num vivi mais

2

Obs.: as palavras pabulagem e tabaréu praticamente não são mais usadas pelas novas gerações de brasileiros,
nem mesmo por aqueles que residem no meio rural.

�5.3

isolado cuma era antes quando era mandado pelus us português e isto a gente
3
sabe purquê os livros conta prá gente ”.

Com exceção do depoimento da professora leiga de Ouricuri, as demais
simulações são apenas exercícios da nossa imaginação. Mas essa imaginação não
deve ser olhada apenas pelo lado negativo, ou seja, pelo lado do senso comum,
onde se ajuíza o valor de qualquer coisa sem procurar a sua essência. Ela tem a
intenção de ressaltar a importância deste tema para a construção de um
conhecimento que se aproxime, o máximo possível, da verdade científica da nossa
realidade contemporânea. Por isso, este ensaio não é um produto exclusivo da
nossa imaginação como mera exposição queixosa do porquê de a sociedade
brasileira não ter mais acesso a esse padrão de informação4. Ele se propõe a trazer
contribuições ao tema, colocando algumas reflexões teóricas baseadas, em parte,
na leitura de alguns autores que ressaltaram a importância da preservação dos
acervos de livros raros, na análise dos resultados das pesquisas realizadas pelo
SIBI/CR/UFRJ para a construção do Guia de Bibliotecas de Instituições Brasileiras
de Ensino Superior-Base BIBES5, em 1994, e do Catálogo (CD-ROM) de Obras
Raras da UFRJ-Base RAR, em 1995. Assim, é possível imaginar a construção de
um saber que reflita, de forma gradual (tanto no referente à unidade,

3

Ver PRADO, Geraldo Moreira. pp. 399-400. Saber e Desenvolvimento Agrícola. Dissertação de Mestrado.
Seropédica-RJ.: CPDA/UFRRJ, 1983. 425 p. Orient. Prof. José W. Pereira Bicudo. Esta citação é um fragmento
do depoimento (parte gravado, parte escrito pela própria entrevistada em 20/05/82) de uma professora leiga da
zona rural do município de Ouricuri-Pe.
4
Um excelente trabalho que, de certa forma, aborda um pouco a problemática de que estamos tratando, é a
Dissertação de mestrado em Ciência da Informação no DEP/IBICT de FONSECA, Maria Odila Kahl. “Direito à
informação: acesso aos Arquivos Públicos Municipais”. Orient. Profa. Maria Nelida Gonzáles de Gómez, 1996.
152 p.
5
Cf. “Guia de Bibliotecas de Instituições Brasileiras de Ensino Superior”. Rio de Janeiro; SIBI/CR/UFRJ, 1994.
2 v.

�5.3

quanto à diversidade do conhecimento do passado), a verdade relativa do saber
científico da nossa realidade contemporânea.

2 PRESENTE-PASSADO-PRESENTE NO CONTEÚDO DO LIVRO RARO
Antes de atribuirmos o nosso parecer final sobre a importância do objeto
deste ensaio, vamos observar algumas características implícitas e explicitas desses
acervos. Entre outras, ressaltaremos a origem, evolução, situação atual e condições
físico-espaciais e arquitetônicas, importância do livro em si para formação e
desenvolvimento do pensamento científico e da conduta de um determinado
processo civilizador, assim como os procedimentos e cuidados que o leitor deve ter
quanto às concepções de falsidade ou de certeza do seu conteúdo em relação à
proposição de um determinado assunto.
Em atenção a última questão do parágrafo acima, nos apoiamos nas palavras
de SCHOPENHAUER (1993) quando, na segunda metade do século XIX,
expressava a sua opinião, em relação aos cuidados que o leitor deve ter ao fazer a
leitura de uma determinada obra. Dizia o autor: “Leio os antigos com cuidado, os
antigos de

verdade: O que os novos dizem deles quase nada significa6”.

O autor lança uma questão básica: a relação entre o velho e o novo.
Normalmente, ao adjetivar um coisa de velho - em particular em relação à conduta
humana - vem sempre às nossas mentes aquilo que vários estudos, no campo da

6

A. W. Schlegel. In SHOPENHAUER, Arthur. Sobre livros e leituras. Porto Alegre: Editora Paraula, 1993. p.
37.

�5.3

psicologia e da psicanálise, têm demonstrado: o grau de velocidade no campo da
percepção e da imaginação humana. Isto guarda uma certa similaridade entre a
questão orgânica do cérebro humano e a sua realização material, neste caso
específico, a produção da obra rara. Ora, vejamos, em uma obra, em um documento
escrito sobre um dado acontecimento ocorrido no século XIV, podemos identificar
não apenas o acontecimento em si, mas o nível psicológico, ou da capacidade
reflexiva e potencial observador de quem a escreveu.
Tais reflexões são importantes, visto que a palavra escrita, em sua
representação material, o livro, é produto da imaginação de quem a escreveu. Logo,
uns guardam idéias que podem ser banais, portanto provisórias, outros que podem
ser duradouras. Mas, não há dúvida de que são essas variedades também que
fortalecem a nossa argumentação sobre a necessidade de preservar e, sobretudo,
de democratizar o direito à sociedade brasileira de ter acesso a todas essas
informações.
De acordo com o que vimos argumentando, asseguramos que esses acervos
são preciosos “tesouros” de obras raras e/ou esgotadas de autores clássicos dos
séculos XV ao XX, que atuaram em diversas áreas do saber científico e cultural do
homem. Neles encontra-se registrado o saber de um passado virtual que,
incontestavelmente, é a melhor imagem que se tem sobre a articulação entre a
palavra escrita e a oral. Eles, ao lado dos museus, são um dos principais meios que
transmitem conhecimentos através de um dos feitos mais prodigiosos da ação
humana: a sua imaginação, que se materializa através da palavra escrita. Esta, por
sua vez, representa o pensamento humano, assim como outras formas de
linguagem, tais como as pinturas nas paredes das cavernas, passando pelas

�5.3

construções de estelas, colunas, máscaras funerárias, pergaminhos, incunábulos,
livros impressos através de processos mecânico-industriais, até o uso mais moderno
de registros da palavra oral, por CD-ROM, etc.
Assim, cabe ressaltar ainda que esses acervos existem - mesmo não estando
totalmente disponíveis ao pesquisador, mas isso é uma desfiguração da política de
salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro - para que o pesquisador possa
explorar, procurar no “desconhecido”, contribuições para a formulação de idéias
diferentes, inéditas, de preferência, sobre um objeto estudado. Esta é uma das
nossas preocupações básicas.
Daí, mais uma vez se pode notar a importância desses acervos. São neles
que encontramos estocadas, preservadas e/ou tratadas as informações básicas
destinadas àqueles que se interessarem em desenvolver algum estudo especifico
nas mais variadas áreas do saber, formulando e desenvolvendo as suas idéias,
baseando-se em conhecimentos anteriormente estocados. Esta é, na realidade, a
função principal desses nossos “laboratórios”. Eles, quando bem administrados,
podem ser o ambiente ideal para que o pesquisador evite correr o risco de estar
começando a produzir o seu conhecimento partindo de uma “idéia zero”, uma vez
que “a idéia de partir do zero para fundamentar e aumentar o próprio acervo só pode
vingar em culturas de simples justaposição, em que um fato conhecido é
imediatamente uma riqueza. Mas diante do mistério do real, a alma não pode, por
decreto, torna-se ingênua7
3 O VALOR HISTÓRICO, CIENTÍFICO E CULTURAL DOS ACERVOS DE LIVROS
E DOCUMENTOS RAROS DAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS DE ENSINO

�5.3

SUPERIOR

Como já é por demais conhecido nos meios cultos brasileiros, a base para a
construção do sistema universitário do País começou a partir de 1808, com a
transferência provocada por questões políticas européias daquela época - tentativa
de expansão e dominação da Europa pela França de Napoleão - da Corte de Lisboa
para o Brasil, fixando-se definitivamente na cidade do Rio de Janeiro. Assim, coube
a Universidade Federal do Rio de Janeiro ser a herdeira natural do acervo cultural
pertencente à Família Real. Foi também esse episódio que estimulou a mentalidade
das classes hegemônicas brasileiras a criação de Instituições de Ensino Superior
por todo o território nacional. Desssa forma, começam também a se organizar, no
âmbito de cada uma dessas unidades, acervos específicos de livros raros, conforme
ficou demonstrado na pesquisa (Base Bibes) do SIBI/UFRJ (Tabela 1), com base
nos questionários encaminhados pelos correios e respondidos pelas I.E.S.,
constituindo o Guia de Bibliotecas de Instituições Brasileiras de Ensino Superior,
editado pelo Centro Referencial do SIBI/UFRJ e CBBU/FEBAB em 1994, com o
registro de 770 bibliotecas.
TABELA 1 - RELAÇÃO DAS BIBLIOTECAS DAS INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS
DA ENSINO SUPERIOR COM
REGIÃO/

Nº BIBLIOTECAS

ACERVO DE OBRAS RARAS

FEDERAL/

ESTADO

PART.

EST.

PERCENTUAL

PERCENTUAL

POR ESTADO

POR REGIÃO

NORTE
Amazonas

3

3

Pará

3

2

1

1

10

9

-

1,531
1

1,531

NORDESTE
Alagoas
Bahia

7

0,196
1

5,102

Cf. BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico : contribuição para uma psicanálise
do conhecimento. Rio de Janeiro : Contraponto, 1996. p. 17-18.

3,062

�5.3

Ceará

3

2

1

1,532

Paraíba

4

3

1

2,05

Pernambuco

9

6

3

1,16

R. G. Norte

2

2

-

4,593

1

1

-

0,199

Minas Gerais

26

12

14

13,265

Rio de Janeiro

45

33

12

22,959

62

23

39

32

Paraná

7

5

2

3,571

R. G. Sul

8

S. Catari’na

1

14,633

SUDESTE
E.Santo

São Paulo

68,423

SUL
4
-

4

4,082

1

0,197

7,85

CENTRO-OESTE
D. Federal

8

Goiás

1

M. Grosso
TOTAL

1
-

7

4,09

1

0,92

2

1

1

1,022

6,032

196

107

89

100

100

Iniciativas dessa natureza são fundamentais para a realização de estudos e
pesquisas de caráter histórico e científico, em qualquer área da produção do
conhecimento. Esta aí, portanto, a importância de preservar e também de divulgar a
existência desses acervos que consideramos um dos principais patrimônios
nacionais.

�5.3

Em decorrência dessas características, a UFRJ mantém um rico acervo de
obras raras em torno de 6.000 títulos, identificados até o final de 1995, distribuídos
por valor científico e por época de publicação (ver Tabela 2). Nesses acervos
encontram-se, entre livros raríssimos, edições de Os Lusíadas, do século XVI, ou
História Natural de Plínio, o velho, publicado no século XV.

TABELA 2 - ACERVO DE OBRAS RARAS DA UFRJ

PERÍODO
Século XV
Século XVI

QUANTIDADE

PERCENTUAL

01
31

0,02
0,52

Século XVII

81

1,36

Século XVIII

583

9,96

Século XIX

4608

77,37

Século XX

462

7,76

Sem Data

180

3,01

TOTAL

5956

100

FONTE: Catálogo de Obras Raras da UFRJ, 1995.

4 ALGUNS PROBLEMAS FUNCIONAIS BÁSICOS

Neste sentido, este estudo aponta não apenas para a importância, mas
também para as dificuldades dos problemas cotidianos enfrentados por esses
acervos. Isto ocorre tanto em relação à formação de recursos humanos, quanto a
outros aspectos relacionados com a política de preservação, disseminação e direito
à informação.

�5.3

Considerando que as Universidades brasileiras não investem na conservação
preventiva de seus acervos, que inclue: instalações, armazenamento, higienização e
segurança; e este problema está relacionado a outro comumente enfrentado - a
inexistência de projetos arquitetônicos adequados às bibliotecas no Brasil. Tal fato
levou o PNBU/MEC a criar, dentro dos SNBUs, o Simpósio sobre Arquitetura de
Bibliotecas Universitárias. Lamentavelmente, o assunto não foi mais abordado
desde 1989, quando da realização do último seminário, em Belém do Pará.
Vale destacar que os edifícios das bibliotecas brasileiras são, em sua maioria,
projetados inadequadamente para a guarda de acervos, favorecendo a instalação
de agentes biológicos nos materiais orgânicos, beneficiando a devastação das
coleções.

5 CONCLUSÃO

A relevância de ressaltar a importância que tem o acervo de obras raras das
Instituições Brasileiras de Ensino Superior está na forma de analisar, por um lado, a
linguagem científica da época, e por outro, o próprio conteúdo científico do livro
“como portador de uma ordem do mundo que lhe é específica, de uma ordem a ser
decifrada” (ROBIN, 1977). Ao considerar essa organicidade prática, o texto, é
possível o pesquisador trabalhar e compreender, através da análise de uma ou de
várias dessas obras clássicas, um determinado trabalho científico e/ou cultural em
um dado período do nosso processo civilizador, tomando o livro como a “... tarefa de
reconstituir as variações que diferenciam “os espaços legíveis” - isto é, os textos nas
suas formas discursivas e materiais - e as que governam as circunstâncias da sua

�5.3

“efetuação” - ou seja, as leituras compreendidas como práticas concretas e como
procedimentos de interpretação (CHARTIER,1994).
Diante

do

exposto,

conclamamos

aos

especialistas,

pesquisadores,

cientistas, professores e alunos das nossas IES que explorem mais estes
verdadeiros tesouros, não somente no sentido de conhecer as suas riquezas de
detalhes bibliófilos e/ou bibliográficos mas, sobretudo, no de explorar o seu
conteúdo científico e cultural, o qual poderá trazer novos olhares à constituição do
processo civilizador brasileiro.

ABSTRACT
This paper stresses the importance of preserving collections of rare books, and
analyses the results of research carried out by SIBI/CR/UFRJ in order to prepare the
Guide for Libraries in Brazilian Higher Education Institutions - BIBES database, 1994
- and the UFRJ Catalogue of Rare Works - RAR database, 1995. It is shown how
knowledge is gradually built up which reflects (both with regard to the unity and
diversity of knowledge of the past) the relative truth of scientific knowledge about our
contemporary world.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1 BACHELARD, Gaston. A formação do espírito científico : contribuição para
uma psicanálise do conhecimento. Rio de Janeiro : Contraponto, 1996.
p. 17-18.
2 CATÁLOGO DE OBRAS RARAS DA UFRJ. Rio de Janeiro : SIBI//UFRJ, 1995.
(CD-ROM).
3 CHARTIER, Roger. A Ordem dos Livros : leitores, autores e bibliotecas na
Europa entre os Séculos XVI e XVIII. Brasília : Editora UNB.
4 GUIA DE BIBLIOTECAS DE INSTITUIÇÕES BRASILEIRAS DE ENSINO
SUPERIOR. Rio de Janeiro : SIBI/CR/UFRJ, 1994. 2 v.
5 KAHL, Maria Odila. Direito à informação : acesso aos Arquivos Públicos
Municipais. Brasília : Rio de Janeiro, 1996. 152 p. Dissertação (Mestrado

�5.3

em Ciência da Informação) - DEP/IBICT.
6 PINHEIRO, Ana Virgínia Teixeira da Paz. Que é livro raro?: uma metodologia
para o restabelecimento de critérios de raridades bibliográficas. Rio de J
Janeiro : Presença, 1989.
7 PRADO, Geraldo Moreira. Saber e desenvolvimento agrícola. Seropédica, RJ:
CPDA/UFRRJ, 1983. 425 p. Dissertação (Mestrado)
8 ROBIN, Régine. História e Lingüística. São Paulo : Editora Cultrix, 1977. p. 78.
9 SCHOPENHAUER, Arthur. Sobre livros e leituras. Porto Alegre : Editora
Paraula,1993. p. 37.

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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Labirintos do passado: algumas reflexões sobre os acervos de livros raros das instituições brasileiras de ensino superior.</text>
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              <text>Ressaltamos a importância da preservação dos acervos de livros raros, juntamente com a análise dos resultados das pesquisas realizadas pelo SIBI/CR/UFRJ para a constituição do Guia de Bibliotecas de Instituições Brasileiras de Ensino Superior- Base BIBES, em 1994, e do Catálogo de Obras Raras da UFRJ-Base RAR, em 1995. Evidenciamos, neste ensaio, a construção de um saber que reflita, de forma gradual (tanto no referente à unidade, quanto à diversidade do conhecimento do passado), a verdade relativa do conhecimento científico da nossa realidade contemporânea.</text>
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              <text>Prado, Geraldo Moreira; Silva Filho, José Tavares</text>
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          <name>Date</name>
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              <text>1996</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Curitiba (Paraná)</text>
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