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                  <text>“OUÇA UNIVERSIDADE”: FONTE DE INFORMAÇÃO E LAZER NA REGIÃO DO
SISAL

Maria José Ventura Menezes∗
Fernando Luiz Freitas Souza∗∗
Zuleide Paiva da Silva∗∗∗

RESUMO
O Departamento de Educação-Campus XIV/UNEB, entendendo que a Região
Sisaleira carece de um espaço no qual sejam veiculadas as produções sócioeducativas e culturais e as informações importantes para a comunidade na qual está
inserido, vem desenvolvendo um programa de rádio intitulado “Ouça Universidade”,
que é produzido pelos alunos e professores e tem como objetivo o planejamento, a
produção e a veiculação de programas de radiodifusão sonora, visando apoiar as
políticas públicas nas áreas de Letras, Educação e Cultura. Reconhecendo o
programa como fonte de informação e de pesquisa para a Região do Sisal, esse
trabalho apresenta o projeto “Ouça Universidade” e as práticas adotadas que
asseguram a conservação, a disseminação e o uso de todo o acervo do programa.
PALAVRAS-CHAVES: Radiodifusão. Rádio – Programas – Planejamento. Rádio na
educação.

1 INTRODUÇÃO
Pensar fonte de informação na região do Sisal, mais especificamente no
Sertão dos Tocós, onde está localizada a cidade de Conceição do Coité, BA, é
pensar no Departamento de Educação, Campus XIV, da Universidade do Estado da
Bahia, que há mais de 10 anos vem formando e transformando a realidade local,
plantando idéias e colhendo conhecimento na aridez do sertão.
Segundo Marcovitch (1998), a instituição universitária pode ser definida como
o local de convivência de todas as áreas do conhecimento, onde tudo deve ser
criticado, analisado e, quando necessário, confrontado. Sabemos que a universidade
como instituição atravessou vários séculos com uma posição hegemônica como local

�de geração e transmissão do conhecimento, atingindo seu apogeu na Modernidade,
quando se solidificou como instituição transmissora de saber e organizou-se espacial
e temporalmente como espaço legitimador da ciência. No entanto, hoje, podemos
ver que a sobrevivência da universidade está questionada e esse questionamento
está diretamente relacionado à passagem de uma sociedade com fronteiras limitadas
para uma sociedade cujos limites se apagam progressivamente. Vivemos em uma
“aldeia global”, onde o tempo e o espaço, já disse o mestre Milton Santos (1998),
estão cada vez mais comprimidos.
Nesse contexto globalizado, a sociedade descobriu que as universidades, com
suas incursões em diferentes áreas do conhecimento podem auxiliá-la na solução de
problemas específicos, passando a cobrar delas um compromisso social mais
efetivo. No entanto, a universidade, devido à rigidez de suas estruturas e de seus
processos burocráticos, não tem acompanhado as transformações da atualidade,
permanecendo como instituição que se caracteriza pela sua estrutura de
confinamento disciplinar. Enraizada em seu próprio território, fechada em seus
“muros” e cada vez mais distante das questões da sociedade, a universidade vem
perdendo visibilidade e legitimidade, causando temores em todos os envolvidos e
comprometidos com o processo educacional.
A universidade, de fato, encontra-se em situação um tanto quanto delicada.
Sofre cobranças cada vez maiores da sociedade ao mesmo tempo em que as
políticas de financiamento de suas atividades por parte do Estado são bastante
restritivas. Nos últimos tempos as verbas destinadas às universidades públicas foram
drasticamente reduzidas, implicando na interrupção, cancelamento e reestruturação
de prioridades nos seus diversos setores.
Diante do desafio provocado pelo Estado e pela sociedade, a universidade
busca uma participação mais efetiva no campo social através das suas atividades de
extensão. Vale dizer que a extensão universitária é a interação sistematizada da
universidade com a comunidade, visando contribuir com o seu desenvolvimento e
nela buscar conhecimentos e experiências para a avaliação e vitalização do ensino e

�da pesquisa. Nesse sentido, a comunicação, aqui entendida como um canal de
integração entre a universidade e os diversos setores da sociedade, é de
fundamental importância para a sobrevivência da universidade. Segundo Kunsch
(1997) a comunicação é a mola propulsora que permite viabilizar os processos de
mudanças que levam ao desenvolvimento social.

É importante ressaltar que o

desenvolvimento social só acontece através da informação. Ela é o insumo mais
importante em torno do qual se situa o próprio conceito da universidade. De fato, a
razão de ser da Universidade é a criação e a descoberta da informação através da
pesquisa, a sua transmissão através do ensino e das atividades de extensão e o seu
registro, através da produção de publicações que são coletadas em bibliotecas. O
acesso à informação se dá, principalmente através das tecnologias da informação e
da comunicação, que “constituem ao mesmo tempo produtos, processos e
instrumentos de transformação da realidade, sendo construídas, apropriadas,
utilizadas e adaptadas por indivíduos e coletivos sociais a partir de suas
necessidades e interesses” (FRÓES, 2000, p. 287).
Reconhecendo a importância das ferramentas tecnológicas no processo
educacional, o Departamento de Educação, Campus XIV/UNEB, através de sua
biblioteca, buscou nas tecnologias de informação/comunicação um caminho para
penetrar o sertão do semi-árido baiano, se lançando através de ondas sonoras em
todas as direções apontadas pelas palmas do sisal, abrandando a agressividade dos
mandacarus e da provocação do cansanção1, levando a informação e o lazer a
homens, mulheres e crianças.

2 AS ONDAS SONORAS NO SERTÃO DOS TOCÓS

O Departamento de Educação Campus XIV/UNEB, localizado em Conceição
do Coité, buscando intimidade com o povo sertanejo, encontrou na comunicação o
elemento que faltava para estreitar laços entre a universidade e a comunidade na
1

Cansanção é um arbusto da família das urticácias, cujas folhas possuem minúsculos espinhos.

�qual está inserido. Em consonância com a Lei 9394/96, das Diretrizes e dos novos
Parâmetros Curriculares, vem desenvolvendo um projeto de extensão na área de
Comunicação que tem sido um grande desafio para todos os envolvidos. Trata-se do
“Ouça Universidade”, que é um programa de radiodifusão sonora, veiculado pela
Rádio FM Sabiá, uma vez por semana, durante 60 minutos.
Esse projeto, que tem por finalidade o planejamento, a produção e a
veiculação de programas de radiodifusão sonora visando apoiar as políticas públicas
nas áreas de Letras, Educação e Cultura, foi elaborado por professores e alunos do
Departamento, em outubro do ano passado, e desde então vem sendo coordenada
pela biblioteca do Campus, que naquela ocasião buscava se inserir no contexto
acadêmico e se firmar como espaço que promove e estimula a arte de pensar e
transformar. Assim, a biblioteca universitária foi o berço que acolheu a idéia e
abraçou o projeto. Em ambiente de profusão do conhecimento, nasceu o “Ouça
Universidade”, que tem por objetivo:
•

veicular e estimular as produções sócio-educativas e culturais da região
sisaleira;

•

divulgar e promover, junto à comunidade, as diversas manifestações da
cultura sisaleira, no sentido de enriquecê-las e preservá-las;

•

despertar, através da informação e do debate sobre diversos temas literários e
lingüísticos, atitudes de reflexão que proporcionem a valorização e o
conhecimento da língua e da literatura;

•

oferecer à comunidade informações relevantes para a elevação do nível de
qualidade de vida da população;

•

divulgar a produção de conhecimento do Departamento de Educação –
Campus XIV/UNEB, valorizando assim o ensino, a pesquisa e a extensão
produzidos no departamento e na UNEB como um todo;

•

estimular a produção de textos radiofônicos no âmbito acadêmico, mesmo
sem vinculação direta com as disciplinas específicas do curso, criando canais
para a experimentação em rádio;

�•

despertar a consciência ético-profissional no aluno;

•

formar profissionais pensadores, aptos para uma atuação crítica na mídia
regional e na prática acadêmica.
Entendendo que a Região do Sisal carece de um espaço no qual sejam

veiculadas as produções sócio-educativas e culturais e as informações importantes
para a comunidade, o “Ouça Universidade”, vem preencher uma lacuna há muito
existente entre a comunidade local e a comunidade acadêmica. De forma ousada e
inovadora, o programa alimenta-se do cotidiano regional e transforma o fazer
acadêmico, assegurando assim o processo de interação e retroalimentação da
universidade/comunidade.
A concretização de um projeto dessa natureza é de suma importância para a
educação, uma vez que trabalha com a interdisciplinaridade dos saberes, que
efetivamente tem um grande valor de aprendizagem, pois se associa ao “aprender
fazendo”, prática que se apresenta atualmente de forma clara nos cursos
universitários que se comprometem com a formação integral do aluno. Ao elaborar o
programa, a equipe envolvida (alunos, professores e bibliotecário) dissemina
conhecimentos, promove, divulga e preserva as riquezas culturais do semi-árido
baiano.
Gravado previamente em estúdio, o Programa vai ao ar todas às quintasfeiras, das 18:00h às 19:00h. Nesse horário, o cair da tarde na região sisaleira
revela-se singular, como singular é o seu povo, que voltando da lida espera por algo
que lhe diminua o cansaço e lhe dê prazer. Ás quintas-feiras, exatamente às 18:00,
quando a noite começa a querer “ninar” o sertanejo, a sanfona do “rei do baião”, o
grande Luis Gonzaga, tocando “ABC do Sertão”, rompe o silêncio e o sertanejo então
se ouve através do “Ouça Universidade”.
A vinheta de abertura do programa traduz fielmente toda a preocupação da
equipe que está por trás da sua concepção. A letra diz, entre outras coisas, que o
“ABC” do sertanejo é diferente dos outros, para fazer a sua leitura é preciso aprende-

�lo de outra forma. É exatamente isso que o programa faz. Aprende uma linguagem
nova, como a própria linguagem de rádio e fala de modo inovador ao povo do lugar.
Essa concepção converge com o pensamento de Netto Machado (2002) que afirma
não ser o discurso literário inimigo do discurso científico e que, ao contrário disso,
como bem coloca a autora “[...] se queremos pesquisadores criativos, precisamos de
autores, de sujeitos que tenham intimidade com as letras, e este traquejo está muito
mais próximo da poética do que de qualquer outra prática” (NETTO MACHADO,
2002, p.64). O grupo envolvido com o “Ouça Universidade” faz da linguagem a sua
maior aliada, já que todos são estudantes e professores do curso de Letras, o que
lhes garante o bom uso desse instrumento. Nesse sentido, a linguagem do programa
que é ao mesmo tempo científica, regional e poética fala diretamente com os
ouvintes, que são universitários, estudantes em geral, trabalhadores do campo, do
comércio, donas de casa, profissionais liberais, entre outros, abordando assuntos
que possam vir a despertar o interesse, a curiosidade e o senso crítico, aguçando no
ouvinte o desejo do saber.
Atender aos anseios informacionais do público da região do sisal é sem
dúvidas um grande desafio. Diante da imensidão de peculiaridades que ela tem
como a seca, a falta de emprego, a falta de políticas públicas voltadas para a
melhoria, ou seja, os seus velhos “espinhos de mandacaru”, que insistem em espetar
a vida do sertanejo, o papel do programa “Ouça Universidade” é de ser um “bálsamo
sonoro”, um canal aberto às súplicas, às queixas, às manifestações da comunidade
que dele possa precisar. Estar em consonância com a vida das pessoas do lugar,
mostrando como a região vem se desenvolvendo, apontando os seus maiores
problemas, as suas potencialidades e descortinando suas belezas, é o que justifica o
trabalho de toda a equipe. Mais ainda, a iniciativa do Departamento XIV, através da
sua biblioteca, é fazer o levantamento das diversas manifestações da gente da
região e tê-las devidamente registradas para futuras consultas e pesquisas.
O trabalho em rádio é valioso quando é entendido como um canal sem
“fronteiras”. Canal este que alcança as mais diversas localidades, mesmo que não

�seja em tempo real, mas que leve uma informação clara, nova, e verdadeira. O
trabalho feito pela equipe do “Ouça Universidade” procura atingir um público que
carece de informação e entretenimento, público esse que se encontra distante dos
grandes centros urbanos, mas nem por isso menos sedento das diversas
informações. É verdade que a audiência não é conhecida, uma vez que nenhuma
pesquisa foi feita para se ter esse levantamento. Mas, a julgar pelos comentários, o
programa é bastante ouvido pelas mais diferentes pessoas. Sabemos, no entanto,
que esse julgamento não é preciso e providências estão sendo tomadas no intuito de
levantar dados concretos sobre a audiência.
A trajetória do “Ouça Universidade”, apesar de incipiente, sete meses, vem em
ondas que se movimentam abrindo e fechando ciclos, num constante renovar, como
deve ser o processo da boa informação. Nesse movimento, o programa está saindo
do segundo ciclo, ou fase, ou momento. A primeira fase compreende o período de
outubro a dezembro de 2003. Doze programas foram feitos nessa fase, marcada por
inseguranças e indefinições. Vários foram os entraves enfrentados: greve deflagrada
pelos professores da instituição e a conseqüente dispersão dos alunos; a
inexperiência dos envolvidos, que não tinham intimidade, traquejo e técnica para
fazer um trabalho de rádio e a falta de recursos técnicos e financeiros que, sem
dúvidas foi o grande problema.
Nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2004, o projeto passou pela sua
primeira grande avaliação. Durante esse período novas gravações foram suspensas.
Mas, respeitando o público, e atendendo a pedidos, a equipe decidiu reapresentar
alguns programas, assegurando assim o seu espaço na Rádio Sabiá FM. Com o final
da greve e o retorno às aulas, o programa entrou em sua segunda fase,
compreendida entre os meses de março a maio/2004. Nesse momento, novos alunos
integraram-se à equipe e mais 10 programas foram gravados. Fazer o “Ouça
Universidade”, tornou-se atividade mais lúdica, mais empolgante e mais envolvente.
Com o encerramento do semestre, o trabalho de rádio entra em nova fase de
avaliação.

Entre a primeira e a segunda, percebe-se uma evolução tanto na

�qualidade técnica quanto na abordagem do programa, além de maior entusiasmo de
todo grupo. No entanto, apesar dos avanços, a sobrevivência do projeto está
ameaçada. Os cortes orçamentários enfrentados pela universidade pública em geral,
e em especial pelas Estaduais da Bahia, foi e continua sendo o maior desafio a ser
enfrentado. Vale ressaltar que a Rádio na qual os programas são veiculados não
disponibiliza o seu estúdio para a produção dos mesmos, que são gravados em
estúdio particular, o que aumenta ainda mais a insegurança quanto à continuação do
trabalho. Para assegurar a continuidade do projeto, a Direção do Departamento vem
driblando as adversidades e tentando impedir o risco de estagnação, retrocesso ou,
até mesmo o fim dessa ousada iniciativa.
A programação atual do “Ouça Universidade” está dividida em quatro blocos
de 15 min cada, assim especificados:
•

Acontece por Aqui
O refrão da música “Chega mais”, da cantora Rita Lee, faz parte da vinheta de

abertura desse bloco que, após apresentar a sinopse do programa, como o próprio
nome sugere, traz informações relevantes sobre a região. Este bloco foi inicialmente
pensado com o nome de “Acontece na UNEB”. A proposta era informar as atividades
desenvolvidas dentro da universidade, a exemplo de cursos oferecidos, projetos de
pesquisa e extensão, entre outros informes dessa natureza. A mudança de nome
reflete uma concepção que busca estreitar ainda mais as relações com a região
sisaleira e ampliar o tipo de informação veiculada.
•

Fala sério!
“Vou aprender a ler, pra ensinar meus camaradas”. Esse é o refrão da música

“Yáyá Massemba”, interpretada por Maria Bethânia, que faz parte da vinheta de
abertura desse bloco. Aqui, com dinamismo e criatividade são discutidos vários
aspectos literários e gramaticais das línguas inglesa e portuguesa.

�•

Você pediu!
A música de Adoniran Barbosa, “Tiro ao Álvaro”, faz parte da vinheta de

abertura desse bloco que tem a proposta de trabalhar com música, cinema, literatura
e arte. Fazendo análises críticas e mexendo com a diversidade de olhares sobre a
arte, o bloco busca o aprendizado acentuando o lúdico.
•

Santo da Casa!

Nesse bloco “o santo da casa faz milagre”. A vinheta de abertura traz o refrão da
música “Minha tribo sou eu”, de Zeca Baleiro, que reconhece a diversidade e se abre
para ela. Esse é o espírito do bloco que está aberto às várias manifestações
artísticas e culturais da região. Nele são divulgados, promovidos e valorizados os
artistas, os poetas, os músicos e todos aqueles que desenvolvem algum trabalho
relevante.
Os quatro blocos discutem a mesma temática, definidas previamente em
reuniões entre professores coordenadores e alunos envolvidos. Cada bloco enfoca
um aspecto do tema abordado em sintonia com os demais, porém cada um, apesar
do pouco tempo do programa, já construiu uma identidade própria. Entre os assuntos
abordados pela equipe, podemos destacar o Dia Internacional da Consciência Negra,
o Dia Internacional da Mulher, o Dia do Índio, e o trabalho infantil, entre tantos outros
relevantes para a região.
O programa “Ouça Universidade” tem se revelado um programa de suma
importância para os estudantes, em especial para os alunos do Curso de Letras do
Departamento, o que não poderia deixar de ser já que um dos objetivos do trabalho é
de contribuir com o processo ensino/aprendizagem. Todos os envolvidos com o
“Ouça Universidade” têm percebido que pensar o tema, a sua relevância, e o modo
como ele deve ser trabalhado vem surtindo efeito, uma vez que os alunos que atuam
na região como professores dos ensinos de primeiro e segundo graus, sabendo que
o programa é gravado previamente em estúdio, vêm se dirigindo à biblioteca do

�Campus para ter acesso às gravações com a intenção de utiliza-las em suas salas
de aula.
Reconhecendo a importância do registro sonoro do “Ouça Universidade” como
um material de qualidade imensurável para o estudo sócio-educativo-cultural da
região sisaleira, a biblioteca do Departamento XIV teve a iniciativa de disponibiliza-lo
para empréstimo domiciliar. Uma vez que esses registros estavam dispersos e sem o
devido tratamento técnico, foi desenvolvida uma metodologia que assegurasse a
organização, a conservação e o uso de todo o material, procurando com isso garantir
à comunidade uma fonte de informação segura e de fácil acesso para os
interessados na vida, na cultura do sertão dos Tocós.
Reconhecendo as dificuldades na organização e tratamento técnico de
arquivos sonoros, a metodologia utilizada tem como princípio as técnicas
biblioteconômicas

de

registrar,

catalogar/classificar,

localizar,

divulgar

e

disponibilizar.
O arquivo sonoro do programa é formado por 20 CD-Rom. Vale dizer que o
primeiro programa foi ao vivo e, em função das dificuldades técnicas da Rádio Sabiá
FM, não foi possível assegurar o registro do mesmo. Para assegurar a conservação
do acervo, que é a memória do programa, todos os CD – Rom foram reproduzidos e
somente as cópias são disponibilizadas para empréstimo e consulta. Para facilitar a
recuperação da informação, além da ficha catalográfica, que é de responsabilidade
da bibliotecária e também professora coordenadora do programa, os alunos
elaboram uma ficha contendo a sinopse de cada bloco. Essa prática tem
oportunizado aos alunos desenvolver o poder da síntese, fundamentados na

NBR

6028/Resumos, atividade considerada difícil e também importante entre os discentes.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O programa “Ouça Universidade” vem se destacando como um grande
“espelho de cristal”, que reflete a vida, as pessoas e os costumes do lugar. Como

�“espelho, como ondas, ou como lanças de sisal”; o objetivo é alargar o conhecimento
e deixá-lo circular em todas as direções.

A organização, preservação e

disseminação de todo o artefato sonoro do programa são de inestimável valor para a
comunidade do sertão dos Tocós e de extrema sabedoria por parte da biblioteca do
Campus XIV, que se coloca como parte integrante de uma “onda”, que em constante
movimento deve circular e fazer gerar novos conhecimentos através de uma
informação diáfana.
Fazer parte do projeto “Ouça Universidade” tem sido uma rica experiência
para todos os envolvidos, sobretudo para os alunos. O programa não só proporciona
à comunidade informação de qualidade sobre variados temas como também
assegura a participação dos discentes em atividades que ampliam ainda mais o
leque de possibilidades no curso de Letras. Após seis meses de trabalho ininterrupto,
fazendo/levando informação de qualidade, os alunos são certificados pela PróReitoria de Extensão da Universidade do Estado da Bahia/UNEB, que vem sendo a
atual parceira deste projeto.

PROJECT “OUÇA UNIVERSIDADE”: SOURCE OF INFORMATION AND LEISURE
IN THE SISAL REGION.

ABSTRACT
The “Departamento de Educação- Campus XIV/ UNEB”, perceiving that the Sisal
Region needs a space where social-educative and cultural productions can be
broadcasted, as well as the important information to the comunity where it is inserted,
has been developing a radio program entitled “Ouça Universidade”-Listen Universitywhich is produced by students and teachers, aiming to plan , produce and broadcast
radio programs, in order to support public policies in Letras, Education and culture.
Since it considers such a program as source of research and information to the Sisal
Region, this work presents the project “Ouça Universidade” and the adopted practices
which guarantee the conservation, the dissemination and the use of the whole
program content.
KEYWORDS: Broadcasting. Radio- Programs- Planning. Radio in Education.

�REFERÊNCIAS
FRÓES, Teresinha. Sociedade da informação, sociedade do conhecimento,
sociedade da aprendizagem: implicações ético-polítcas. In: LUBISCO, Nídia M. L.;
BRANDÃO, Lídia M. B.(orgs). Informação e informática. Salvador: Edufba, 2000.
p.283 – 307.
KUNSCH, Margarida Maria. Relações públicas e modernidade. São Paulo:
Summus, 1997.
MARCOVITCH, Jaques. A universidade (Im)possível. São Paulo: Futura, 1998.
NETTO MACHADO, Ana Maria. A relação entre a autoria e a orientação no processo
de elaboração de teses e dissertações. In: BIANCHETTI, Lucídio; ____. A bússola
do escrever. Florianópolis: UFSC; São Paulo: Cortez, 2002. p.45-66.
SANTOS, Milton. Por uma outa globalização: do pensamento único à consciência
universal. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.

∗

zzzventura@bol.com.br. Participante do Programa “Ouça Universidade”, aluna do Departamento de
Educação,
Campus.XIV-UNEB,Conceição do Coité/BA. Brasil.
∗∗
escorpião_Br@yahoo.com.br. Participante do Programa “Ouça Universidade”, aluno do
Departamento de
Educação, Campus .XIV-UNEB, Conceição do Coité/BA, Brasil.
∗∗∗
zpaiva@uneb.br. Coordenadora do Programa “Ouça Universidade”, mestre em Gestão Integrada
de Organizações – UNEB/UNIBAHIA, professora e bibliotecária do Departamento de Educação,
campus .XIV-UNEB, Conceição do Coité/BA,

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>“Ouça universidade”: fonte de informação e lazer na região do Sisal/BA.</text>
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              <text>Menezes, Maria José Ventura; Souza, Fernando Luiz Freitas; Silva, Zuleide Paiva da Silva∗∗∗</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
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              <text>O Departamento de Educação-Campus XIV/UNEB, entendendo que a Região Sisaleira carece de um espaço no qual sejam veiculadas as produções sócio-educativas e culturais e as informações importantes para a comunidade na qual está inserido, vem desenvolvendo um programa de rádio intitulado “Ouça Universidade”, que é produzido pelos alunos e professores e tem como objetivo o planejamento, a produção e a veiculação de programas de radiodifusão sonora, visando apoiar as políticas públicas nas áreas de Letras, Educação e Cultura. Reconhecendo o programa como fonte de informação e de pesquisa para a Região do Sisal, esse trabalho apresenta o projeto “Ouça Universidade” e as práticas adotadas que asseguram a conservação, a disseminação e o uso de todo o acervo do programa.</text>
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