<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4866" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/4866?output=omeka-xml" accessDate="2026-04-20T20:56:10-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3935">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/46/4866/SNBU2004_084.pdf</src>
      <authentication>d19e7dac2a3eb9006430ffd6b1634e73</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="53701">
                  <text>MOTIVAÇÃO PARA O TRABALHO EM BIBLIOTECAS E SERVIÇOS DE
INFORMAÇÃO: INÍCIO DE UMA DISCUSSÃO
Maria Imaculada Cardoso Sampaio∗
Daisy Pires Noronha∗∗

RESUMO
Discute a motivação enquanto mola propulsora das mudanças sociais, culturais, e
organizacionais, uma vez que o agente principal de todas as transformações é o
ser humano, sujeito que intelectual, afetiva e emocionalmente é movido pela
motivação. A motivação tem sido objeto de estudo nas várias ciências, mas é a
Psicologia, especialmente a psicologia existencial humanista, que encontrou na
matéria vasto campo de estudo e investigação. As teorias da motivação humana
de Maslow e Herzberg, embora desenvolvidas na primeira metade do século
passado, até hoje fundamentam as discussões sobre os motivos da natureza
humana. A psicologia organizacional encontrou no estudo da motivação os
subsídios ideais para operar com as organizações e seus sujeitos, entretanto, as
bibliotecas e os serviços de informação ainda não descobriram a importância de
trabalhar a motivação humana como elemento de ruptura do modelo estabelecido
nessas instituições.
PALAVRAS-CHAVE: Motivação. Bibliotecas. Serviços de Informação.

1 INTRODUÇÃO

O segredo para se atingir níveis máximos de avanço e desenvolvimento em
todos os ambientes é o casamento da tecnologia com os recursos humanos.
Nunca foi tão importante investir em relacionamento interpessoal, interesse pelo
trabalho, engajamento no processo produtivo, (Haak, 1997). Sendo assim, é
impossível alterar-se estruturas e processos se o elemento humano não tem
dentro de si vontade para tanto. Afinal, é a motivação do indivíduo que provoca as
mudanças. Não se fala em motivação de animais, porque nenhum animal parece
ser dotado dessa classe de ação, só o homem tem clara visão de seus objetivos e
sabe traçar os caminhos para atingi-los.

�Ver sentido no trabalho, gostar do que faz, envolver-se profundamente com
as atividades aparece como a grande mola propulsora das mais profundas
transformações nas organizações.
Provocar a motivação nas pessoas para que produzam mais e com melhor
qualidade tem sido um dos maiores desafios encontrados pelos gerentes e
administradores. Empresas têm investido e se empenhado nesse objetivo, pois
cada vez mais, torna-se evidente que o sucesso de qualquer negócio depende,
unicamente, da vontade de seus recursos humanos.
A motivação tem sido objeto de destaque nos estudos das várias ciências,
mas é a psicologia, especialmente a psicologia existencial humanista, que
encontrou na matéria vasto campo de estudo e investigação. É evidente que a
concepção de motivação aqui não se refere aos fatores fisiológicos, como é da
natureza da psicologia experimental estudar. A psicologia experimental da
motivação interessa-se pelas necessidades e pulsões (drives) de base
estritamente fisiológica, tal como a fome, a sede, a sexualidade, a necessidade de
oxigênio, de sono, etc (Nuttin, 1983). É na terceira força de Maslow, ou seja, na
psicologia humanista que esta explanação buscará seus fundamentos e definições
para a motivação. Esta breve discussão pretende analisar algumas teorias da
motivação e tecer rápidas considerações sobre a motivação no trabalho,
principalmente no trabalho em bibliotecas e serviços de informações.

2 CONCEITO DE MOTIVAÇÃO
O conceito de motivação é amplo e a sua definição deve considerar todos
os fatores que suscitam e dirigem a conduta do ser humano. Em geral, motivação
é um termo empregado para designar os fenômenos envolvidos nas ações de
incentivo e impulsos.

�De acordo com Doron e Parot (1991, p.514), é graças a motivação que as
necessidades se transformam em objetivos, planos e projetos. Os autores afirmam
que a motivação envolve:
1. a canalização das necessidades (aprendizagem);
2. a elaboração cognitiva (objetivos e projetos);
3. a motivação instrumental (meios e fins);
4. a personalização (autonomia funcional)

Ainda segundo os autores, “o estudo da motivação para o trabalho focaliza
as condições responsáveis pelos seus objetivos, pela qualidade e pela intensidade
do comportamento nesta atividade” (p.514).
Bergamini (1978, p.11) explica:
a freqüência com que se vem utilizando, devida ou indevidamente
o termo ‘motivação’, não apenas dentro dos círculos científicos,
como também por pessoas sem formação humanística específica,
evidencia que esse assunto não caracteriza mais uma pura
curiosidade intelectual do cientista do comportamento, mas sim
uma problemática objetivamente manipulada no dia a dia de
trabalho, fora ou dentro do contexto empresarial.

Para Dorsch (1976), a motivação é um conceito que explica a conexão e os
modelos de relação entre os sucessivos estados do acontecer psíquico. Cada
acontecimento da vida psíquica é motivação para o acontecimento seguinte, que
por sua vez foi motivado pelo precedente. Ainda segundo o autor, a motivação é
impulsora e sustenta a força da ação e assinala a direção. O rumo do acontecer
psíquico é dirigido pela motivação mais forte, tornando sem efeito as motivações
mais fracas. A motivação tem base afetiva, emocional e intelectual, os pontos de
vista arraigados e os objetivos mais significativos são potentes criadores de
motivações.
A motivação é um termo usado para cobrir explorações sobre o “por quê”
do comportamento. Muitos psicólogos têm tentado listar as motivações e
necessidades que explicam a direção, o vigor e a persistência do comportamento.
Um motivo é uma necessidade ou desejo que inclui energia e direção para se

�cumprir um objetivo (THE ENCYCLOPEDIC DICTIONARY OF PSYCHOLOGY,
1986).
Pode-se concluir das explicações anteriores que a motivação é a grandeza
que dirige as ações humanas e sua força reside no mais íntimo das pessoas,
podendo ser alterada, porém jamais exterminada.

3 AS TEORIAS DAS MOTIVAÇÕES HUMANAS
As motivações, ou motivos, no ser humano não são estáticos, mas sim
forças dinâmicas e persistentes capazes de interferências no comportamento
humano. As teorias mais reconhecidas na psicologia sobre motivação são aquelas
que se relacionam com as necessidades humanas. As teorias do crescimento e
da individuação de Maslow (1968) postulam que o futuro também existe agora na
pessoa, sob a forma de ideais, esperanças, deveres, tarefas, planos, metas,
potenciais idealizados, missão, fé, destino, etc. Para aquele que o futuro não
existe resta o concreto, o vazio, as impotências e a desesperança. Essa pessoa
necessita “encher o tempo” com coisas e pensamentos, pois sua existência ficou
sem sentido e sem direção (baixa motivação).
A psicologia existencial humanista se interessa pela natureza humana,
principalmente pelo seu potencial positivo, assim como, pelo modo como essa
natureza é criada e revelada no ser existencial (Santos, 1991). A psicologia trata,
diretamente, com o interior humano e nenhuma força é mais interna no homem do
que a motivação.
Na década de cinquenta Maslow lançou sua teoria da motivação. De acordo
com essa teoria “O ser humano está motivado por certo número de necessidades
básicas que abrangem todas as espécies, quer dizer, urgências aparentemente
imutáveis e de origem genética ou instintiva” (Santos, 1991, p.31, apud Mosqueira,
1982).

�Segundo Maslow (1968) as necessidades básicas do ser humano são, tanto
de origem fisiológica quanto de ordem psíquicas. As necessidades vão surgindo à
medida em que outras necessidades básicas e urgentes vão sendo satisfeitas. O
mesmo autor (p.248) explica que o mundo é extremamente belo e fascinante.
“Explorá-lo, manipulá-lo, interatuar com ele, contemplá-lo, desfrutá-lo, são tudo
espécies motivadas de ação (necessidades cognitivas, motoras e estéticas)”.
As necessidades básicas definidas por Maslow (1968) são de ordem
fisiológica e psíquica, e pregam que o ser humano, quando satisfaz suas
necessidades mais urgentes, elege outras mais elevadas para perseguir. O teórico
hierarquiza essas necessidades, de acordo com suas urgências:
•

Fisiológicas = são as mais preementes e urgentes, pois determinam
a sobrevivência. Ninguém consegue pensar em amor se sua fome
não for saciada.

•

Segurança = Uma vez satisfeitas as necessidades fisiológicas surge
o desejo de estabilidade e fuga do perigo.

•

Amor = Satifeitas as necessidades fisiológicas e de segurança surge
a necessidade de associação, amor, afeição e de participação. A
necessidade de dar e receber afeto é uma importante força
motivadora no comportamento humano.

•

Estima = são aquelas relacionadas à auto-estima e ao respeito das
outras pessoas. Pode-se citar aqui a auto-confiança, valor, força,
prestígio, poder, capacidade e utilidade.

•

Auto-realização = é a necessidade que se encontra no topo da
pirâmide, se imaginarmos as necessidades de Maslow assim
representadas. Trata-se do desejo de realizar-se através de seu
próprio desempenho e do sentimento de “dever cumprido”.

Assunto que desperta interesse entre os estudiosos do comportamento
humano, a motivação tem se apresentado como uma forma de responder
complexas questões em relação à natureza humana.

�Um provérbio popular diz: “alguém pode levar um cavalo até a água, porém
não pode obrigá-lo a beber dessa água”, explicando de forma simples que
ninguém tem poder sobre o desejo ou vontade do animal ou do homem.
Outra teoria também fundamental para a Psicologia trata da motivação
humana e contribui para o estabelecimento do tema na área. Trata-se da teoria de
Herzberg, que na década de 50, em parceria com uma equipe de Psicólogos do
Serviço Psicológico de Pittsburg (Estados Unidos), empreendeu um estudo com
engenheiros e contadores da região, entrevistando-os com a finalidade de
aprender sobre suas satisfações e insatisfações com o trabalho que exerciam.
Após a análise dos resultados, o autor postulou sua teoria, estabelecendo dois
conjuntos de fatores:
Fatores motivadores = uma vez presentes no ambiente esses fatores são
responsáveis por grande satisfação no trabalho. Os fatores motivacionais foram
classificados em: reconhecimento, realização, possibilidade de crescimento,
progresso, responsabilidade e o trabalho em si.
Fatores de higiene = quando esses fatores estão presentes no ambiente de
trabalho não são responsáveis por intensa satisfação, porém a ausência dessas
variáveis provoca grande insatisfação. Tratam do ambiente organizacional,
incluindo elementos administrativos e de política de pessoal.
Outras teorias sobre a motivação têm preenchido o imaginário dos
estudiosos da psicologia, porém as duas referenciadas aqui continuam atuais,
provocando muita discussão, críticas e elogios por parte dos estudiosos,
principalmente aqueles que trabalham com a psicologia organizacional.
Angelini (1973, p.3), explica que Young (1936), iniciou sua obra sobre
motivação afirmando: "all behavior is motivated", certificando que nenhum
comportamento existe sem uma causa motivadora. Vernon (1973, p.11),
argumenta que a "motivação é encarada como uma espécie de força interna, que
emerge, regula e sustenta todas as nossas ações mais importantes”. O ser

�humano tem motivos para se conformar, aderir a grupos ou provocar mudanças.
Os fatores motivacionais, capazes da operação de grandes mudanças, são
dimensões passíveis de medições e devem ser analisadas quando se deseja
entender as transformações e propor estratégias inovadoras.
Rogers (1970) explica que a pessoa não é um ser estático, mas sim um
elemento que surge e desabrocha, como verdadeiramente emergente e em
evolução. Só o humano tem a subjetividade para sentir, avaliar, escolher,
acreditar, atuar, não como autônomo, mas sim como pessoas operantes e ativas.
Pérez-Ramos (1990, p.128) fez uma breve revisão sobre o tema em
questão, agrupando os modelos teóricos em “teorias de processo” e “teorias de
conteúdo”. Segundo o autor,
as teorias de processo’ focalizam sua atenção nas sucessivas
etapas do fenômeno motivacional, nas percepções e perspectivas
do indivíduo, no estabelecimento de metas e objetivos pessoais e,
principalmente, nos mecanismos conscientes da tomada de
decisões. Já as ‘teorias de conteúdo’ partem da determinação das
necessidades humanas para explicar o fenômeno motivacional.

O breve resumo aqui apresentado sobre as teorias das motivações
humanas permite concluir que o tema é instigante e complexo e que o assunto
não se esgota em poucas linhas. Entender a lógica do comportamento humano
tem sido o sonho de estudiosos e pensadores ao longo dos tempos, entretanto,
quanto mais se tenta enveredar por essas searas mais será comprovada a
complexidade da natureza humana.

4 MOTIVAÇÃO NO TRABALHO
A psicologia organizacional há muito descobriu a importância da motivação
para o bom desempenho das atividades no ambiente de trabalho. Não importa a
função ou o cargo dentro da organização, o trabalhador só é produtivo e produz
com qualidade se estiver motivado pelo desejo de trabalhar, o gerente só

�consegue bons resultados com sua equipe se o elemento humano sob sua
responsabilidade estiver motivado para provocar bons resultados.
Haak (1997) pesquisou sobre os programas de qualidade e a motivação
para o trabalho, aplicando um estudo exploratório no setor de serviços.
Sachuk (1998) estudou a motivação e o processo de indução dos indivíduos
na organização.
“A

motivação

e

a

satisfação

possuem

componentes

cognitivos,

comportamentais e afetivos, mas o que predomina na motivação é seu
componente comportamental”, de acordo com estudos desenvolvidos por Carlotto
(1999, p.80). Ainda segundo o autor, o rendimento no trabalho também é fruto da
motivação, além da habilidade do indivíduo, moderada por determinantes
situacionais.
Em estudo exploratório sobre necessidades motivacionais e ambiente da
organização, Kubo e Saka (2002) identificaram três chaves motivadoras que
impactam os analistas de uma empresa japonesa: incentivo financeiro,
desenvolvimento profissional e autonomia no trabalho. Os autores concluem que o
tradicional sistema de gerenciamento japonês é incompatível com as expectativas
dos analistas da empresa. Os tempos são de mudança, principalmente no tange
ao humano. Não se admite mais a análise do ambiente isolado do homem. É
consenso na administração moderna que a ênfase de qualquer plano que busque
estudar o ambiente de trabalho deve, obrigatoriamente, voltar seu foco para o
agente humano.

5 A MOTIVAÇÃO NO TRABALHO BIBLIOTECÁRIO
As bibliotecas se apresentam como um vasto laboratório para estudos
sobre o comportamento humano, pois poucos ambientes são tão ricos em
interação e relacionamento interpessoal. Entretanto, observa-se que poucos são

�os estudos sobre os recursos humanos em bibliotecas e seus aspectos
motivacionais.
Wahba (1978) levou a cabo um estudo sobre motivação, performance e
satisfação no trabalho com duzentos bibliotecários, em vinte e três bibliotecas
universitárias da área metropolitana de New York e concluiu que a satisfação no
trabalho está diretamente ligada à motivação dos bibliotecários. O mesmo estudo
notou que salário não é um elemento de motivação para os bibliotecários sujeitos
do estudo e que os bibliotecários estavam extremamente insatisfeitos com seus
salários e promoções.
Apoiados na teoria de Maslow, Herzberg e McDouglas, Biscoe e Stone
(1980) desenvolveram um estudo cujo objetivo era examinar a motivação e o
desenvolvimento de bibliotecários de bibliotecas universitários americanas e
concluíram que o desenvolvimento integrado da equipe não é garantia de
motivação completa, mas, certamente, ajuda as pessoas a produzirem mais e com
mais qualidade. A integração da equipe, aliada a um programa de aprendizagem
contínuo, assegura uma equipe envolviada com a organização e voltada para os
objetivos da empresa.
Um estudo realizado com bibliotecários, em Pelotas, Rio Grande do Sul,
chegou a resultados diferentes daqueles descritos por Herzberg em sua teoria.
Sacchi (1982), autor da pesquisa, afirma que os sujeitos de sua pesquisa
apontaram como motivadores, praticamente todos os fatores, quer de higiene ou
de motivação, levando o autor a concluir que:
•
Carências, em determinadas condições de trabalho, levam
os indivíduos a opinarem dessa maneira.
•
Faz-se necessária a aplicação de técnicas de
enriquecimento da tarefa.
•
Faz-se necessário a atuação frente aos fatores de higiene.
(SACCHI, 1982, p.357).

�A partir de seu estudo sobre como motivar equipes bibliotecárias,
Olorunsola (1992) oferece algumas sugestões que podem oferecer resultados
positivos em relação ao trabalho em bibliotecas:
1) o gerente da biblioteca pode tentar criar uma atmosfera em que a equipe se
sinta totalmente integrada, gerando um ambiente satisfatório de trabalho.
2) O gerente precisa estar familiarizado com as necessidades de seus
subordinados e com os motivos que levam à satisfação.
3) Os superiores devem encorajar seus subordinados a buscarem suas próprias
motivações.
Segundo Olorunsola (1992), a idéia básica é dar aos trabalhadores todas as
possibilidades e oportunidades para que eles próprios tomem decisões sobre seus
objetivos, regras e métodos de fazer seus trabalhos. Ainda de acordo com o autor,
os fatores motivacionais que envolvem os trabalhadores em uma biblioteca são os
mesmos que agem em qualquer outra organização, ou seja: interesse pelo
trabalho, boa aceitação às mudanças, orgulho do que faz, vontade de executar,
consciência da importância de seu trabalho.
Nakamura (1994) empreendeu um estudo de caso dos recursos humanos
em bibliotecas universitárias federais e em centros de documentação e informação
do sistema SEBRAE, considerando os fatores motivacionais que influenciam
bibliotecários e pessoal de apoio no ambiente de trabalho.
Trabalhar diretamente com o público requer habilidades e espírito de
solidariedade, é o caso dos bibliotecários de referência que necessitam interagir
com

os

usuários.

Nesse

caso,

o

profissional

naturalmente

motivado

desempenhará suas atividades com qualidade e presteza. É nesse sentido que
Cranford (1999) ofereceu um guia com dez pontos para motivar a equipe de
bibliotecários do serviço de referência. Os passos para encorajar os bibliotecários
são: reiterar a importância da linha de frente, deixar a equipe manifestar seus
sentimentos, dar oportunidades para a equipe se desenvolver, comunicar com
clareza as mensagens à equipe, empregar o reforço positivo, incentivar o senso

�de comunidade, transmitir as conseqüências por erros e trabalhos sem qualidade,
reconhecer que ninguém é perfeito (mas enfatizar que a perfeição pode ser uma
meta a ser perseguida), deixar a equipe saber quais são as metas e praticar o que
é pregado.
Segundo Green, Chivers e Mynott (2000) para que os gerentes de
bibliotecas possam motivar suas equipes de bibliotecários necessitam desenvolver
habilidades ligadas à psicologia e sociologia. Essas habilidades incluem efetiva
comunicação com a equipe, incentivo aos bons relacionamentos interpessoais,
envolvimento da equipe nos processos de decisão, promoções na carreira,
reconhecimento dos progressos dos funcionários e a promoção de programas de
treinamento.
Brito e Vergueiro (2001) explicam que as mudanças fundamentais
experimentadas na área da informação sempre estiveram relacionadas às
pessoas e não com a tecnologia, e afirmam ainda que: "No futuro, as melhores
organizações serão aquelas que descobrirem como despertar o empenho e a
capacidade de aprender das pessoas, em todos os níveis da organização"( p.250).
Pors e Johannsen (2002) focaram seus estudos na satisfação dos diretores
de bibliotecas no contexto de recrutamento e necessidades de se criar um
ambiente de trabalho atrativo, partindo do pressuposto que satisfação no trabalho
é um ponto central das teorias da motivação. A análise das correlações entre os
fatores intrínsecos e extrínsecos da motivação apontou que o nível da atividade
desenvolvida

pelos

diretores

tem

impacto

direto

na

motivação

desses

bibliotecários.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Um breve olhar na literatura permite identificar que, embora ainda de forma
tímida, os fatores motivacionais que emergem nos bibliotecários e naqueles

�profissionais que têm na informação seus objetos de trabalho vêm recebendo a
atenção de pesquisadores e estudiosos.
Sendo a informação o insumo básico da era atual, o profissional que tem
nesse insumo a essência do seu trabalho necessita estar motivado para aprender
sempre, principalmente no que diz respeito ao ambiente virtual. Além dessa
disposição para interagir com o novo, o profissional da informação necessita ter
vocação e boa vontade para intermediar os processos de busca por informação,
agindo, muitas vezes, como professor e instrutor na matéria. A acomodação e a
falta de criatividade são predicados que o mediador da informação jamais deve
trazer em se perfil.
Considerando a importância do tema, o interesse pelo motivos que levam o
profissional a desempenhar seu papel com satisfação e qualidade merece maiores
estudos e pesquisas, uma vez que configuram-se como determinantes para o bom
andamento do trabalho.
Espera-se com este ensaio suscitar o interesse na discussão por um tema
tão instigante e apaixonado: a motivação humana.

REFERÊNCIAS

ANGELINI, A. L. Motivação humana: o motivo da realização. Rio de Janeiro:
Livraria José Olympio Editora, 1973.
BERGAMINI, C. W. Objetivos motivacionais e estilos de comportamento. Revista
de Administração, v.13, n.1, p.11-32, 1978.
BISCOE, E. L.; Stone, E. W. Motivation and staff development. Journal of
Library Administration, v.1, n.1, p. 55-72, 1980.
BRITO, G. F.; VERGUEIRO, W. As Learning Organizations e os profissionais da
informação. Perspectivas em Ciência da Informação, v.6, n.2, p. 249-60, 2001.

�CARLOTTO, M. S. Contextualizando a motivação no trabalho. Alethéia, n. 9,
p.77-84, jan./jun, 1999.
CRANFORD, J. L. Public and reference services. Arkansas Libraries, v. 56, n.
2, p. 16-26, 1999.
DORON, R.; PAROT, F. Dicionário de Psicologia. Tradução de Odilon Soares
Leme. São Paulo: Ática, 1991.
DORSCH, F. Diccionario de Psicología. Barcelona: Editorial Herder, 1976.
ENCYCLOPEDIC DICTIONARY OF PSYCHOLOGY. Cambridge,: MIT Press,
1986.
GREEN, J.; CHIVERS, B.; MYNOTT, G. In the librarian's chair: an analysis of
factors which influence the motivation of library staff and contribute to the effective
delivery of services, Library Review, v.49, n.8/9, p.380-386, 2000.
HAAK, M. K. Programas de qualidade e a motivação para o trabalho: um
estudo exploratório no setor de serviços, 1997. Dissertação (Mestrado em
Economia e Administração) – Faculdade de Economia e Administração,
Universidade de São Paulo, São Paulo, 1997.
KUBO, I.; SAKA, A. An inquiry into the motivations of knowledge workers in the
Japanese financial industry. Journal of Knowledge Management, v.6, n.3, p.
262-271, 2002.
MASLOW, A. A. Introdução à psicologia do ser. Tradução de Álvaro Cabral.
Rio de Janeiro: Eldorado, 1968.
NAKAMURA, J. Fatores motivacionais: estudo de casos dos recursos humanos
em bibliotecas universitárias federais e em centros de documentação e informação
do sistema SEBRAE, 1994. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) –
Departamento de Ciência da Informação e Docuementação da Universidade de
Brasília, Brasília, 1994
NUTTIN, J. Teoria da motivação humana: da necessidade ao projeto de ação.
São Paulo: Loyola, 1983.

�OLORUNSOLA, R. Motivating library staff: a look at Frederick Herzeberg`s
motivating-hygiene theory. Library Review, v.41, n.2, p.25-28, 1992.
PORS, N. O.; JOHANNSEN, C. G. Job satisfaction and motivational strategies
among library directors. New Library, v.103, n.1177, p.199-208,2002.
PÉREZ-RAMOS, J. Motivação no trabalho: abordagens teóricas. Psicologia
USP, v.1, n.2, p.127-140, 1990.
ROGERS, C. R. Tornar-se pessoa. Tradução de M. J. C. Ferreira. Lisboa:
Moraes Editores, 1970.
SACCHI JÚNIOR, N. Agentes que atuam como motivadores para os funcionários
das bibliotecas X7/Pelotas: um levantamento baseado na teoria de Herzberg. In:
JORNADA RIOGRANDENSE DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO, 7.
Associação Riograndense de Biblioteconomia, 1982. p.357-375.
SACHUK, M. I. A motivação e o processo de indução dos indivíduos na
organização. Tese (Doutorado em Economia) - FGV/EAESP, São Paulo, 1998
SANTOS, M. L. C. Fatores motivacionais e suas influências no
comportamento humano. 1991. Dissertação (Mestrado em Administração) Curso de Mestrado em Administração, Centro de Ciências Sociais Aplicadas,
Universidade Federal da Pará, João Pessoa, 1991.
THE ENCYCLOPEDIC Dictionary of psychology. 3.ed. S.l: S.n., 1986.
VERNON, M. D. Motivação humana. Tradução de Luiz Carlos Lucchetti.
Petrópolis: Vozes, 1973.
WAHBA, S. P. Motivation, performance and job satisfaction of librarians. Law
Library Journal, v.71, n.2, p.270-278, 1978.

∗

Mestranda da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Diretora do
Serviço de Biblioteca e Documentação do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo
(SBD/IPUSP); Coordenadora da ReBAP e BVS-Psi – isampaio@usp.br .

∗∗

Professora Doutora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) –
daisynor@usp.br-Endereço: Universidade de São Paulo - Instituto de Psicologia - Serviço de Biblioteca e
Documentação – Av. Prof. Mello Moraes, 1721 – Bloco C – 05508-030 – São Paulo – SP - Brasil

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="46">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51369">
                <text>SNBU - Edição: 13 - Ano: 2004 (UFRN - Natal/RN)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51370">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51371">
                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51372">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51373">
                <text>UFRN</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51374">
                <text>2004</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51375">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51376">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51377">
                <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53684">
              <text>Motivação para o trabalho em bibliotecas e serviços de informação: início de uma discussão.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53685">
              <text>Sampaio, Maria Imaculada Cardoso; Noronha, Daisy Pires</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53686">
              <text>Natal (Rio Grande do Norte)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53687">
              <text>UFRN</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53688">
              <text>2004</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53690">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="53691">
              <text>Discute a motivação enquanto mola propulsora das mudanças sociais, culturais, e organizacionais, uma vez que o agente principal de todas as transformações é o ser humano, sujeito que intelectual, afetiva e emocionalmente é movido pela motivação. A motivação tem sido objeto de estudo nas várias ciências, mas é a Psicologia, especialmente a psicologia existencial humanista, que encontrou na matéria vasto campo de estudo e investigação. As teorias da motivação humana de Maslow e Herzberg, embora desenvolvidas na primeira metade do século passado, até hoje fundamentam as discussões sobre os motivos da natureza humana. A psicologia organizacional encontrou no estudo da motivação os subsídios ideais para operar com as organizações e seus sujeitos, entretanto, as bibliotecas e os serviços de informação ainda não descobriram a importância de trabalhar a motivação humana como elemento de ruptura do modelo estabelecido nessas instituições.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="68370">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
