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��PRIMEIRO CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA

O ensino da bilDlioteGonotnla no Brasil
por
Antonio Caetano Dias

P€
v.i

Recife
195^4

Digitalizado
-gentilmente por:

�INFORME

O ENSINO DA BIBLIOTi^CONOMIA NO-BRjlSIL
por Antonio Caetano Dias

l) Históricos
Muito antes nasuo de cogitar da estruturação de Uíi Curso de BiblioteconoEiia, a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, no últirao quartel do século passado, quando ainda sediada no velho casarao da Rua do Passeio (hoje
Escola Nacional de Musica), já se preocupava ea sélecionar o seu pessoal atravez de rigorosos concursos piíblicos que conseguian atrair candidatos
do
mais elevado nível intelectual, á o que nos inforr;.a o velho livro de
atas
que registra, circunstanciadrriente, a realizaçao das interessantissiraas provas gúblicas. Merece cit çao especial o concurso realizado no primeiro dia
do nes de julho "e 1879 para o preenchiraento de ma vaga de oficial da Bibli
oteca Nacional, c^iatro fora]:i os candidatos inscritos, a sabers Bacharel M
sael Ferreira Pena, João Capistrano de Abreu-, Alexandre Cândido da Mota e An
tero Pereira de Melo Morrais. Das naterias exigidas p^xa o concurso consta vanj História Universal, Geografia« Literatura, Filosofia. Bibliografia. I cono,?rafiap Glassificaçao de Manuscritos e lin^ruãs (traduções de Latim,Fran
ces e Inglesjr
Pela sinples enunieraçao das disciplinas ê fácil avaliar
o
grau de cultvira hunanística erigido aos candidatos às vagas ocorridas ncs qua
dros da Biblioteca Nacional. A banca examinadora desse concurso foi constituida pelos chefes da seção da Biblioteca, os senhores João de Saldanha
da
Grj^a, Jose Alexandre Teixeira de Melo e José Zeferino de Menezes Birm, tendo
oooo'presidente o Diretor Dr. Benjardn Franklin Raniz Galvao e coao secretíírio o oficial Alfredo do Vs-l® Cabral,
Foran aprovados os senhores Bacharel
Misael Ferreira Pena. e João Capistrano de Abreu, tendo se classificado,
em
prioeiro lugar, por unaninidade de votos da banca, o erudito historiador que
assim ingressava nos quadros da Biblioteca Nacional, por concurso, da mesm a
naneira que quatroanoá Eais tarde haveria de obter a cadeira de História do
Brasil do Colégio Pedro II com a sua brilhante tese "O Descobrimento do Brasil", publicada em 1883. Os pontos sortec.dos para as dissertações foram os
seguintes,: Os grandes navegadores do XV sóculo e seus Descobrimentos ( para
História Universal); Produtos, naturais, industria, comercio e navegacao do
Brasil (para Geografia); Os épicos portuai^esas (pc.ra Literatura) e Moral Individual e religiosa (para Filosofia7. O j)razo concedido pela banca foi de
quatro horas para a radaçao das dissertaç v:,s. No dia seguinte foram reali z^as as provas de linguas e ainda de bibliofercJia. iconografia e classifica
gao de manuscritos, Nao será ercagero consi'erar tais conciirsos como o marco
inicial da fomaçao profissional do bibliotecário no Brasil. Jíixitos outros
foram ainda realizc.dos antes do tórmino do sóculo pe^ssado e nao menos ilus tres fig^^ras das nossas letras se apresentaram para disputar vagas nos qua dros de nossa biblioteca maior. Em 19 de fevereiro de 1883, entre oito candidatos altamente cred nciados, classificou-se para a vaga de oficial o bacharel Antonio Jansen do Paço. Era 25 de agosto do 1884- foi outro grande his
toriador e erudito ^^uem obteve o primeiro lugar: João Ribeiro, Ainda em . .
1884, a 2 de setembro, outro concurso se re; liza^a e terminava registrando
um enpa^ em prii-ieiro lugar, ocorrido entre os candidatos senhores Miguel Iß
nos e João Carlos Carvalho.
Pelas provas re.ilizadas a 17 de julho de 1896
seria ainda classificado em primeiro lugar o .conhecido escritor e jornalista
baiano Constancio Antonio Alves. Os dados aciina ref^idos atestam indubitavelmente a preocupaçao da administraçao da Biblioteca Nacional em admitir,em
seus qtio-dros, funcionários que tivessem uma preparaçao previa de matérias es
pecializadas como bibliografia (no sentido mais amplo da palavra, agrangendo
história do livro, adrànistraçao de bibliotecas, catalogaçao etc., baseado
mesmo na obra de Giuseppe Fximagalli "Bibliografia" publicada em edição
dos
manuais "Hoepli")» iconografia e catalogacao de manuscritos alem das mate rias de conhecimentos gerais já especificadas. Tal critério era baseado__nas
clássicas normas adotadas pela "íòole de Chartes" de Paris para a fonaaçao
do bibliotecário e do arquivista. Na mesma base seria estruturado,. em 1911 ,
o primeiro Curso de Biblioteconomia da Biblioteca Nacional,

�2

O PRIMEIRO CUiiSO

BIBLIOTECONOMIA

O r.no de ^1910 teve grc.nde significação na história do desenvolvinento biblioteconouico en nosso pc.ís. Mr,_o sonente assinalou a instalada o
da Biblioteca Nacional no novo edifício .Ia .ivcnida Rio Branco, onde ate ho
je funciona, couo tciiben registrou a pronulgaçao da lei n- 2,35o, de 31 de
dezembro que proporcionou à Casa de Raniz Galvao uraa anpla refoma en sua
estrutura adninistrativa, No artigo
do decreto n. 8.835, de 11 de julho de 1911, vanos, então, encontrar a sstruturaçao do primeiro Curso
de
Bibliotecononia, onqu- Orado dentro do Regulamento da Biblioteca Nacional:
"iirt* 34-. ^0 Curso de biblioteconomia constará^das seguintes nat|
rias que constituirão una só serie e de cujo ensino serão encarregados os
diretores de seção:
a)
b)
c)
d)

bibliografia;
paleogrcufia e diplomática;
iconografia;
nunisnática.

Art, 35. O ensino deverá ser teórico e prático, cada aateria a brangendo todo o objeto de una seção, inclusive a parte adninistrativa e a
prítica dos diversos serviços,
Art, 36, O candidato à raatricula passará .por un exane de admis^ao,
que consistirá nuna coaposiçao escrita en português e numa prova oral so bre geografia, história universal, história literária e traduçao do fran ces, do inglês e do latim, sendo dispensados dos exanes os candidatos que
ja houverem sido admitidos nas escolas superiores ou cl:.ssifiçados en concursos de provas para proviuento de cargos da Biblioteca,
. Art. 37, De 15 a 31 de março est- rá abei*ta a matrícula, devendo
requere-la ace o dia 25 os candidatos que tiveren de prestar o exane de ad
missão,
"
Art, 38. As aulas serão do uma hora, una ves por senana para cada
matéria, podendo se. nais frequgntes qu-ndo se julgarem necessárias
para
completar o ensino prático; serão pública s e realizar-se'-ao nos meses de a
bril a novembro,
""
^Art. 39« Encerradas as avilas, terão lugar os exrjaes, -.os quais só
se poderão apresentar os ;.\lvinos matriculados que tiverem co.uparecido aimis
de metade daquelas,
Art, 40, O excxie de cada. uma das matérias constará de prova escri
ta, pratica, para a qual se drorao dua.s horas, e prova oral teórico-práti ca, que nao deverá exceder de meia hora,
Art, 4-1. As provas jul adas -.proveit'veis terão valor de 1 a 5 pon
tos, considerando-se aprovados os alunos que, somadas todas as notas, obti
verem 16 pontos no mínimo,.
~
Art, 4-2, Aos alunos aprovados serão expedidos certificados de capacidade, nos quais se declejrará o número de pontos de sua aprovação, sendo-Uies permitido praticar no serviço da Biblioteca, sem direito a remuneração, "
Por motivos diversos a instalaçao e o funcionamento do primeiro
Curso de Biblioteconomia^somente se verificou no ano de 1915, quatro anos
depois de sua estruturação. Os jornais do dia 10 de abril de 1915 abriram
espaço para a notícia da inauguraçao do C^so ("O Imparcial" e "Correio da
Manha"), fato que obto/e grande repercussão nos meios educacionais do Distrito Federal, Ao ato que foi presidido pelo Diretor Dr, Manoel Cicero Pe
regrino, patticiparam todos os chefes de seção da Biblioteca, tendo sido ô
rador o senhor Constan^io Alves, Presente a cerimonia, como convidado de"
honra, tomou lugar a mesa o Conselheiro Ruy Barbosa que assim, de acordo
'"I""

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�coH sucls nltcis "trc-digoGS ds honsn pubXicOj devotado c. cc-uso. de. culcuraj fcs.—
Äia--Quosteo de prestigiar una iniciativa de inegável VG.lor cultirral.
De 1915 até 1922 o Curso de Bibliotecononia funcionou p?.ra pouquis
siiuos alunos conforne se poderei constatar da leitura dos relatórios dos Diretores da Biblioteca Nacional. Cod a nudíinga p..ra o Museu Historico da co
leção de uoedas da Biblioteca, foi suprinida, do Curso, a cadeira de Numisnátiça. As dificuldades encontradas pela direção da Biblioteca para asse gurar o bom funcionanento do Curso forrir.! tantas que, pelo Decreto n. 15»670,
de 6 de setenbro de 1922, foi o rnüsuo extinto.
Pelo decreto n. 20.673 de 17 de novenbro de 1931» foi novamente
restabelecido, na Biblioteca Nacional, o Curso de Bibliotecononia. Estrutu
rado em novas b.ases, coia a dura,çao de dois anos, veio conceder, aos portado
res de certificado a partir de 1 de janeiro de 1934-, vantagens especiais pa
ra o exercício da profissão de bibliotecário na capital da Repiíblica. ^ Os
lunos que obtivessem aprovaçao no Cxirso - agora de dois anos de dtiraçao teriam preferencia absoluta para o provimento efetivo, interino, contratado
ou en comissão, no cargo de bibliotecário de qualquer* departamento ou repor
tiçao federali
üssim cor..o oS f\incion.^ios da Biblioteca que obtivessem o
certificado mereceriam r. preferencia absoluta para a promoção em seus qua dros*
Da nova reforma c nstavam as seguintes disciplinas:
1- ano»
a) Bibliografia
b) Paleografia e Diplomática.
2- ano:
a) História literária (com aplicaçao à bibliografia)
b) Iconografia e cartografia.
M
,
ß ,
*
Ma^tinha-se ainda a bc.se de fonaaçao de bibliotecário de
acordo
com a influencia da "École des Chartas". Predo.ainava o espírito europeu na
fomaçao do bibliotecário atravez do^Curso ministrado pela Biblioteca Nacio
nal. Ate 194^, com ligeiras alterações (a reforma de 1933 apenas inverteu
a ordem das disciplinas; passou-se a ensinar Iconografia e História Literária aplicada à bibliografia no primeiro ano, e Bibliografia e Paleografia
e Diplomática no segxindo ano), funcionou o Curso, ontao con un numero bem e
levado de alunos, corseguindo ^espertar grande interesse, Entreuentos ia
se fazendo sentir a nova influencia norte-americana nos destinos da biblioteconomia brasileira. Em Sao Paulo, principalmente, onde nao havia una biblioteca com o lastro__da Biblioteca Nacional, os requisitos para se traba lhar en bibliotecas nao se prendiam a disciplinas altrjaente especializadas
como Paleografia e Diplouatica e Iconografia e Cartografia. Ercn bibliotecas sen fundo apreciável no que se refere â produção bibliográfica anterior
ao séciilo XIX. Eram tipos de bibliotecas que se ajustavam, com maior pro priedade, ao novo sentido da fonnaçao tócnica do bibliotecário moderno, amparada no exemplo norte-americano. No Distrito Federal, apesr?jr do Ctirso^da
Biblioteca Nacional, as outras bibliotecas se ressentiam de uma prep. raça o
mais racional, mais prática, dos bibliotecários aos quais erem confiados os
seus serviços. De nada valiam, para esses casos, os conhecimentos altamente especializados ministrados no Curso da Biblioteca Nacional. Embora o De
creto 20.673 tivesse concedido preferencia para a nomaaçao em qualquer bl blioteca de departamento ou repartiçao federal aos portadores de certificados de Curso' dr. Biblioteca Nacional, este, a rigor somente preparava o bi'.bliotecário para o exercício da profissão ntim determinado tipo de biblioteca: f, Biblioteca Nacional. Com as exigências modernas da nova técnica bi '*•
blioteconomica adotada con grande sucesso, desde o fi:n do século passado,n
nos Estados Unidos da Amé';çlca do Norte, g problema do ensino da biblioteconomia no Brasil teria quo mudar de direção.
II) Situacao atual;
Contratada pelo Instituto Mackenzie, chegou à Sao Paulo, em setembro de 1929, a bibliotecária oxiericana Dorothy Muriel Ged^les, hoje Mrs, Arthur Gropp, com uma dupla finalidade: preparar a bibliotecária do Mackenzie
para fazer o curso de biblioteconomia nos Estados Unidos e suLrtlt.uí-la du-

�rante a sua ausência. Estava criado o prineiro Curso de Bibliotecononia en
Sao Paulo. Entre seis alunos apenas uiia conseguiu chegar ao fiti depoxs
de
oito irieses de curso intensivos a atual Bibliotecária Chefe da Biblioteca Mu
nicipal de Sao Paulo, d. Adelpha Rodrigues Figueiredo.
Obtendo a__,bolsa de
estudos da iünerican Association of University Víonen e voltando à Sao Paulo
em 1931 depois de ter feito o Curso da Escola 4® Bibliotecononia da Columbia
University, a ilustre bibliotecária paulista nao só reassuiaiu as suas fun çoes de bibliotecária do Mackenzie, coiao tanbea se encarregou de prosseguir
na direção do curso de biblioteconomia que iria forrnar, para Sao Paulo, mais
cinco bibliotecárias. Erar.^quatro as uaterias básicas desse curso: Catalo gagao, Classificaçao» Referencia e OrRanizaçao. Estava lançada, em Sao Paulo, a semente da formação profissional do bibliotecário, em bases sólidas,
sob a mais direta influencia dos consagr dos mótodos amej:icanoS*
As reformas ocorridas na Prefeitura de Sao Pa\ilo, no ano de 1935 ,
tiveram a feliz oportunidade de levar à direção de seu Departamento de Cul tura o escritor^Mario de Andrade. Diversas alte^-açoes se verificai"an no setor bibliotecononico, salientondo-se a oriaçao de um Curso de Bibliotecono mia que deveria funcionar com elementos da Divisão de Bibliotecas do Departa
mento de Cultura. Com o aparecimento dessa Escola de Bibliotecononia,
que
passou a funcionar no prádio da Escola de Comercio iflvares Penteado, no recin
to ocupado pela Escola Livre de Sociologia e Política, deixou de existir
o
Curso mantido pelo Instituto Mackenzie. Foi diretor àa referida escola o se
nhor Çubens Borba de Morais. A principio existia apenas a cadeira de Gata logaçao e Classificação que foi ministrada pela bibliotecária d, Adelpha Rodrigues Figueiredo. Em 1937 outra cadeira foi criadas a de História do Li vro e no ano seguinte completa,vc.-se^o currículo coi.i a cadeira de Referencia.
Deixou de funcionar., pôr deterr.iinaçao da Prefeitura, no ano de 1939 e ressur
giu em 194-0 como Escola de Bibliotecononia anexa à Escola Livre de SqcíoIo gia e Política, tendo â frente os nesuos orientadores da.primeira fase. Daí
em diante, com o desdobr. monto . ar.', dois anos na sua duraçao, 0 outras modificações (auxílio da Rockfeller Fõiindation a partir do ano de 1944-), conti nuou a Escola de Biblioteconomia de oao Paulo prestando serviços da maior re
levancia para o desenvolvimento biblioteconomico em nosso país, A concessão
de bolsas de estudo foi outro grande fator de progresso da Escola paulista.
Proporcionou o início da descentralizaçao do ensino, formando candidatos oriundos de outros Estados, que. mais tarde viriam a se constituir em elemen^tos de divulgaçao dos mátodos de ensino a Bibliotecononia, Merecem citaçao
especial as ilustres bibliotecárias Bemadétte Sinai Neves e Etelvina de Lima, ambas formadp.s por Sao Paulo, e que vem emprestando o melhor de seus esforços no sentido da prop gaçzo do ensino bibliotecononico em seus estados
(a primeira na Bahia e a segunda na cr.pital de Minas Gerais),
Logo se fez sentir, na capital da República, o reflexo das providen
cias adotadas em Sao Paulo em relaçao ao problema da formaçao do bibliotecáro moderno, O Departamento Administrativo do Serviço Público, empreendendo
ampla reforma administrati-a, determinou a divisão da carreira de Bibliote cario em "Bibliotecário'' e "Bibliotecário-auxiliar" (Decreto-iei n, 2,166,de
6 de maio de 194.0). Pelo decreto 6.4-16, de 30 de outubro de 194-0 o Dasp^ins
^tituiu um Curso de Biblioteconomia, intensivo, a ser realizado em seis meses,
com a "finalidade de proporcionar aos ocupantes da carreira de "biblioteca rio-auxiliar", o acesso â cari'eira principal. Esse Curso funcionou até 194-4.
Os métodos adotados forara os modernos, nos moldes americanos, já adotados em
Sao Paulo e suaa matérias se constituíram ems a) Catalogaçao e Cjxissificaçao
b) Bibliografia e Referencias o) Orggnizacao e Administraçaio de Bibliotecas,
Na Biblioteca Nacional tombem já se fazia sentir a necessidade de
algumas reformas, nao só em seus sejrviços, ccano também no Cxirso de Biblioteconomia. A administração Rodolfo Garcia (Diretor no período de 1933 a 194-5)
justiça lhe seja^feita, nao^foi infensa às inovaçoes reclamadas. A organizaçao da nova Seção de Referencia e a Reforma dos Cvirsos de Çibliotecononia,
em 1944-, foram duas realizações que muito distinguem, no setor técnico, o ilustre historiador, homem erudito, que soube compreender as exigencias da bi
blioteconomia moderna, Para a execução das reformas mencionadas a direção
da Biblioteca Nacional contou cora a colaboraçao eficiente da bibliotecária
Cecilia Roxo Uagley e do técnico de educaçao professor Josué de Sousa Montei-

�Io (autor da Reforna dos Cursos de Biblioteconomia e seu prineiro Diretor,
de 19^4 a 19^8).
A REFORMA DOS CUitSOÖ Di. BIBLIOTECA N..CION;ÍL (19A4-)
k priraeira consequencic. benefica da Refoma de 194^4- foi a trans fomaçao do antigo Curso de Bibliotecononia que, a rigor, se li..iitava a for
nar bibliotecários para a Biblioteca Nacional, con disciplinas essencial —
mente especializadas, en Cursos destinr.dos a pronover una fomiaçao básica
profissional, en principio, útil a qualquer tipo de biblioteca. Este o es
pírito que norteou a fefoma de 19A4-, estabelecida pelo Decreto-lei n. ...
6,44-0, de 27 de abril de 1944, e regulojaentada pelo Decreto n. 15.395, de
27 de abril de 1944-.
Os Cursos ficarai.i assim constituídos:
Curso Fundaraental de BibliotGcononiia. destinado a preparar can
didatos aos serviços axixiliares de biblioteca, cora as seguintes discipli —
nas:
1)
2)
3)
4)

Organizaçao de bibliotecas:
Catalogaçao e Classificacao;
Bibliografia e Referencia;
História do Livro e das'~Biblioteoas.

Curso Superior de Biblióteconomia. destinado a prepi..rar candidatos aos sei*vigos especializados-e de direção de bibliotecas, cora as seguintes disciplinas:
1) Ort-^anizaçao e Administração de Bibliotecas:
2) Catalogaçao é Classificaçao;
3) Historia da Literatura (aplicada ?. bibliografia)
4) Disciplina optativa, escolhida entre as seguintes: Noçoes
de
Paleografia e Catalogaçao de Manuscritos e de Livros Raros e Preciosos; Ma
potecas;^Iconografia: Bibliotecas de Música; Bibliotecas Infantis e Esco~
l^es; Bibliotecas Especializadas e bibliotecas Universitárias; BiblTn-1-.o cas Públicas, ou qualquer discip3.ina ou grupo do disciplinas cursadas na
Faculdade Nacional de Filosofia ou instituto congenere, versajado sobre assiuitos de interesse po,ra a cultm'a do bibliotecário.
A aprovaçao no Curso Superior concede ao aluno, o direito a um Didesde o ano de 19§3, e registrável na diretoria do Ensino Superior do^Ministerio da Educação e Cultura, providencia obtida graças
aos
bons ofícios do professor Jurandir Lodi.
.
^
Cursos Avulsos, destinados a atualizar os conhecimentos dos bi
bliotecarios ja formados, e divulgar conhecimentos especializados de acordo com os progressos da biblioteconomia verificados nos centros mais adian
tados•
- .

.

. O í^egulamento dos Cursos prevê, ainda, a concessão de Bolsas
de
destinadas a candidatos residentes fora do Distrito Federal e da Ca
pitai-do Estado do Rio de Janeiro, escolhidos, de preferência, entre servi
dores estaduais e municipais com exercício em bibliotecas,
""
jk
,
^ valor e o numero total das bolsas será eterminado anualmente
ae acordo com os recursos orçamentários. Esta medida teve um grande alcan
ce e veio contribuir decididamente para a descentralização do ensino bibíi
oteconomico no pais que, ate bem pouco tempo, se concentrava na capital dã
itópublica e na capital do Estado de Sao Paulo. Sem contar os dez bolsis tas que se encontram presentemente na capital da República cursando o corremte a^o letivo, os Cursos da Biblioteca Nacional já concederam mais
de
trinta bolsas de estudo a diversos Estados _^da União. Os resultados des sas bolsas ai estão par., comprovar a eficiência da iniciativa. Em PernamDuco, Jorge Abrantes dos Santos e Edson Nery da Fonseca (ambos formados con
Doisas da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro), e Milton Melo (formado
com^ olsa de estudo por Sao^Paulo), lançando as bases e militando na divul
gaçao do ensino biblioteconoraico em seu Estado, -^.tividades que resultaram

�na estruturação do Curso de Biblioteconomia anexo à Uuiv^i'cidade do Recife.
Na BoMa, Bernadette Sinay Neves dando forma 3 dirigindo
primeira Escola
de Biblioteconomia era seu Estado (formada por Sao faulo), e coadjuvada
em
seu trabalho pelo prof. Osualdo Imbassahy, Diretor da Biblioteca Publica
de Salvador, bolsista formado pelos Cursos da Biblioteca Nacional do Rio de
Janeiro. No ianazonas vamos encontrar o Diretor da Biblioteca Pública de Ma
naus, o jornalista Genesino Braga, formado com bolsa dq estudo da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, tomando todas as providencias p-ra a inauguraçao de um Curso já estrutiirado e contando com a colaboraçao de Maria Naza
reth Jacob da Silva Neves e Maria Luiza Cordeiro, cmbas diplomadas, na qualidade de bolsistas, pelos Cursos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.
Em Viçosa (Estado de Minas Gerais), dirigindo a Biblioteca da Escola deA groncmia, encontra-se o biblioteCcário Luiz Moura, outro bolsista formado pe
Io Rio de Janeiro. Na Biblioteca Municipal de Ccjnpos (Estado do Hio de Janeiro), procura euipregar os ensinamentos adquiridos na Biblioteca Nacional
do Rio de Janeiro,^ a ex-bolsista^Georgeta David Sayat. A reforma da Biblio
teca pública de Sao Luiz (Maranhao) foi entregue a Ariceya Moreira Lima for
mada, com bolsa de estudos, nos cursos da B. Nacional.
Atravez dos Cursos Avulsos, os bibliotecários ja diplomados tem a
oportunidade de se especializar. Vários Cursos tem sido realizados, com enorme sucesso, como o de Conservacao e Rest^niragao de livros, estampas e do
cumentos. pelo professor Edson Mota, Bibliografia de Balzac, pelo professor
Paulo Ronai, Iconografia, pelos jjrofessores Floriano Bicudo Teixeira e Ma rio Antonio Barata. Documentação. pelo professor Herbert Coblans; Ps-leogra
fia, pelos profec;sores Otávio Calazans Rodrigues e Emmanuel Adolfo Hassel mann; Bibliotecas Especializadas e Universitárias (concomit ntemente disciplina optativa e Curso avulso), pela professora Carmelita de Gouveia Rego j
Literatiira latino-.americana. pelo professor Silvio LÚlio; Catalogaçao de Pu
blicacoes oficiais, seriadas e periódicas, pela professora Antonieta Requiao Piedade; Classificacao da Biblioteca do Congresso de Washington, pelo
professor Washington Moura, Bibliografia brasileira, pelo professor iintonio
Simões dos Reis, e ainda outros.
A§ condiçoes de adniissao ao Curso Fundanental (1^ ano), estabele cem a exigencia de r.pres3nt,?.çao^de ceriiificado de conclusão do Curso Clássi
CO ou científico para a inscrição no exame vestibular de conhecimentos gerais. Esse exame ê constituído de uma prova escrita, abrangendo as seguintes matériass História e Geograjvia (Geralde do Brasil; Português; Litera tura e Lfnguas (Inglês obrigatório e Francês ou EspanholTI Aos que exercem
atividades remuneradas em bibliotecas oficiais ^"facultada, mediante ofício
dâ repartiçaoj^ inscrição aos exames de ■'.dmissao, possibilitando assim a pro
fissionalizaçao de elementos que já traba^^rjn em bibliotecas,
tim disposi
"tive transitório. A exigencia de prestação de ■axcjr.o de^admissao para os
candidatos "ex-oficio", pasiou a vigorar na administraçao do atual Diretor
Geral da Biblioteca Nacional, o escritor Eugeiiio Gomes. Foi uma medida que
muito contribuiu para a elevaçao do nível dos aliinos da Biblioteconomia.
Anteriormente, a matrícula no Curso Fundtjnental, ora concedida diretament e
a todos aqueles que trabalhassem em bibliotecas, sem nenhxma seleção pr^ via,
Deixando a Direção dos Cursos era 19A8 em virtude de ter sido nomea
do para a Direção geral da Biblioteca Nacional, o prof0s.sor Josuó de Sousa
Montelôc foi substituído pelo autor do presente informe,
Uma comissão, designada pelo senhor Minietro da Educaçao o Cultura,
ciiida atualmente de vários problemas ligados diretamente aos serviços de bi
bliotecas do mesmo Ministório, entre os quais o ía cJ-teraçao do atual curr?
culo dos^Cursos da Biblioteca Nacional. A Comissão permanente de Incentivo
e Assistência a Bibliotecas, do Ministério da .Çducaçao e Cultura, tem como
presidente, representando o Senhor Ministro, o senhor Oscnr Rp-i-Viot Tavares
0 representantes do Instituto Nacional do^Livro (Augusto Meyer e Hélio Go mes Machado), da Biblioteca Nacional (Eugênio Gomos e^Antonieta Mesquita
Harros), 'los Cursos da Biblioteca Nacional (o au^tor deste informe e Xj^vier
Placer) e da Biblioteca do Ministério da Educaçao e Cultixra, a biblioteca ria Eray Pamplona.

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OUTROS CURSOS
O "Guia de Escuelas y Cxirsos de Bibliotecologia en iunerica Latina"
compilado por Carlos Victor Pena e Marietta Daniels, publicado sob os aus pícios da "Asociación Latinoamericana de Escuolas y Profesores de Bibliotecologia", em 1951, registra sete Cursos de Biblioteconomia para o Brasil. A
lém dos jámencionados Cursos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e da
Escola de Biblioteconomia de Sao Paulo (agora sob a eficiente direção
de
Francisco Azevedo, destacando-se em sau corpo docente o trabalho admirável
das professoras Maria Luiza Mçnteiro e Noemia Lentino), encontramos referen
cias, ainda em Sao Paulo, ao Curso de Biblioteconomia da Faculdade de Filosofia "Sedes Sapientiae", fundado em 19'W-, com a duraçao de 1 ano, sob a di
reçao de Rosa Vitale. Em Campinas (Estado de Sao Paulo), a Escola de Bibli
oteconomia de Campinas (anex-^ à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
de Ccjnpinas), õom a duraçao de dois anos e tendo como diretor o Revmo. Möns.
Dr. Qnilio Josá Salim, fiindada em 194-5. Na Briiia,
Escola de Bibliotecono
mia da Bahia, fundada em agosto de 1946, com duraçao de 1 ano e tendo como
diretora a Bibliotecária Bernadette Sinay Neves. Em Porto Alegre, ao Cxirso de Biblioteconomia do Departamento do Serviço público, fundado em 1950 ,
con a duraçao de 1 ano e tendo cor;o diretor o senhor Astor Rocca Barcelos .
E, finalmente, em Recife (Pernambuco), ao Curso de Biblioteconomia da Diretoria de Documentação e Cultura da Prefeitura Municipal do Recife, fimdado
em 1948 pelo se^or J. C, Regueira da Costa, interrompido em 1950 em virtude da inauguraçao dos Cvirsos de Biblioteconomia da Universidade do Recife,
com a duraçao de dois anos, dirigido inicialmente gelo bibliotecário Edson
Nery da Fonseca, estando atualmente sob a orientaçao da bibliotecária Cordá
lia Cavalcanti,
""
CURSOS INTENSIVOS.
O Serviço de assistência Regional da^Seçao de bibliotecas do Insti
tuto Nacional do Livro, sob a segura orientaçao^do bibliotecário Hélio Go mes Machado, promoveu, em vários 2st dos da União, onde não se havia registrado nenhuma iniciativa no sentido da formaçao profissional do bibliotecário, uma serie de^Cursos Intensivos de Biblioteconomia. Coube a Nery da
Fonseca, a incmbencia de ministrar vários deeseeioursos em Estados do Norte do Brasil, a saber: no Recife (Pernambuco), para alunos.do interior
do
Este.do; em Maceiá (/ilagoas), p .ra professoras e demais interessados e João
PecjRor, (Paraiba), para interessados em geral.
Em Natrd e Mossoró
( Rio
Grande do Norte), coube a Jorge Abrantes dos Santos, professor dos Cursos
do Recife, diplomado pelos Cursos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro,
ministrar outros Cursos Intensivos, dentro da progrcmaçao estabelecida, pelo
Se^iço de Assistência Regional do I» N» L. Sn Belo Horizonte ( iünas Ge —
rais), as bibliotecárias Etelvina Lima o Cacilda Basílio do Sousa Reis foram
incumbidas pelo mesmo Serviço de promover Curso Intensivo de Biblioteconomia,
agora funcionando regularmente, despertando desusaclo interesse, a ponto deco
gittern, as autoridades estaduais, ora daí? estrutura pormanento ao mesmo, ^
^itiba (Paraná), ainda Etelvina Lima se incumbo do instalar, pela primeira
yez, ^ Curso Intensivo, coadjuvado pela Bibliotecária ft-ancisca Buaíquo de
^eida. Também ao Curso do Paraná se pretende, agora, dar uma estrutura de
lamtiva, No panorama geral do ensino da biblioteconomia no,Brasil, a inici
ativando Instituto Nacional do Livro representa uma contribuição de notável"
relevada, procur ndo langar as sementes da formação profissional do biblio
tecário em^regioes ^nda nao atingidas por iniciativas préprias, Os seus resultados nao se faraó esperar por muito tempo. Cabe aquí a citação de
um
;^QCho do prefácio assinado pelo seu Diretor, o escritor .aogusto Meyer, pelo qual se poderá constatar a justeza da linha de ação do Instituto Nacional
^0 ..-'vro no campo da Biblioteconomia! "a seleção de obras, constituindo doações padrobizadas ou nao, conforme o tipo do biblioteca, intentava criarolcü.
tor, despertando o hábito da leitura: - mas além disto (que era no í^do
o
nosso
capital, principalmente no interior) tornava-se indispensável
(introdução da primeira edição do "Compêndio decimal
e índice Alfabético", por A.C. Dias e Luis Cosme, 194^).
III) CONSIDERiiÇÕES GER^ilS
A análise imparcial do panorama retrospectivo do desenvolvimento

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do ensino da Biblioteconomr. no Brasil, traz-nos a convicgão do que está
ultrapassada a fase experimental dc sua implantagão* Já se pode constatar •
a Gxistoncia de uma mentalidade profissional ainda jáveçi, d verdade, numa
gcragao dc bibliotecários fornada nestes últimos dez anos. Inclusive Ja'se
tem conhecimento das restrições e críticas a ela formidadas. Fundamentamse as mesmas, em resum:., em que, as atuais escolas e cursos, produaem qua
se exclusivamente pessoal para as pequenas bibliotecas públicas, essencial
mente especializado em processos tócnicos, porém pouco familiarizados com
os problemas da cultura e da pesquiza. Sao as mesmas as críticas formuladas pelos bibliotecários europeus ao sistema nortearaericano. Reconhecendo
a sua procedência, os atuais responsáveis pelo ensino biblioteconômico, ôtj
tre nós, divergem apenas na maneira de solucionar o,problema.
Observe-se que o jr L:"- . :: biblioteconômico, em toda a /Jnérica Lati
na, registra os mesmos problemas, as mesmas dificuldades. Vejamos, entre"
nóS;, qmis as oporti^idades que se oferecem ao bibliotecário diplomado, k
ausência da iniciativa privada traz um onus muito grande para os orçameni tos federais, estaduais e municipais, para falarmos somente em nosso caso,
nível do remuneraçao dos bibliotecários encontra-se abaixo do justo, do
sestimiaando aqueles que queiram abraçar a nova profissão, ü subordinação
desse delicado problema à política administrativa do gaís sempre trouxe di
flculdades - quase intransponíveis - para a sua solução. Na esfera fedoiíã
de^is de maa fase auspiciosa, quando se evidenciou o impulso inicial devido a homens de inegável espírito público como Luis Simões Lopes, Gusta»V0 Gapanema, respectivamente Presidente do D.^SP e Ministério da Educação e
&amp;ude,^a carreira de Bibliotecário nao mais se libertou do pefíodo de est^naçao em que se encontra até o presente momento. Em são Paulo, onde os
níveis de remuneraçao da carreira são mais elevados que os da Capital Fedcral, observa-se uma animaçp.o maior, e, consequentemente, um melhor apro
veitamento do pessoal que^se forma por sua Escola (muito embora siias condições de f\incionamcnto nao sejam^ainda amplamente satisfatórias por falto de reciarsos materiais). Todos esses fatores tom que ser analizados, mo
ticulosamente, para podermos chegar, cm bases sélidas, a conclusões sobre
o enccjninhamento das soluçoes ideais para o problema do ensino da Biblioteconomia no Brasil. Há ainda, a considerar, as inúmeras estruturações mar
carreiras auxiliares como "bibliotccário-auxiliar" e de funções"
dc_ bibliotecário extranumerário" no Serviço Público Federal, com níveis
ba^issimos, onde sao aproveitados inúmeros bibliotecários diplomados, sem
J Bibliotecário", Por uma
vista
da geral
saturação
observadaas
eradivisões
todos osde
quadros
de
medida
de economia,
pes so^ dos diversos Ministérios síimonte abrem vagas nos quadros auxiliares,
onde sao admitidos elementos categorizados ao desempenho de funções superiores. Na realidade, tanto o "bibliotecário-auxiliar" como o "bibliotecá
rio extraniimerário, acabam exercendo todos os serviços técnicos atribuiaos aos bibliotecários.
n &lt;».1
observada
entre nés,ao notadamente
nados
capital
da
Kopü^icja
, 6 que em naior,
sua maioria
os candidatos
primeiro ano
Curses
ao Biblioteconomia^já sao funcionários do biblioteca. Os que são aprovados
no exame de admissao o ainda nao trabalham, infalivelmente não chegara acon
01^ o Curso sem terem obtido emprago, O mercado de trabalho absorve, ra
pidamente, todos os candidatos ao diploma. Ein teoria, o ideais seria a for
^çao profissional antes^do emprego, Todos esses fatos devem ser levadosm
conxa durante as discussões era torno do fortalecimento das Escolas de Bi blioteconomia no Brasil.
Outra questão que deve merecer a maior atenção dos responsáveis pelas futuras reformas do ensino bibliotecononico, entre nés, é a do tempo de
duraçao para a forraaçao'profissional do bibliotecário. No panorama atual po
demos registrar tres tipos do Escolas, no Brasil, a saber:
íw- de Janeiro,
rcgiaarçg,
coraBelo
a duração
de 2 Campinas);
anos para a expedição do di
ploma (Rio
Recife,
Horizonte,
to llegre

^ duração de 1 ano (são Paulo, Bahia, Por-

c?o-n,r-i^
ministrados em diferentes localidades, . polo
r b a^^ssistencia
Regional,
do Instituto
Nacional,
comas
a duração
avei de
8 meses, com
a finalidade
primordial
de lançar
senientes Vari
dõ

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lí

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�9
ensino biblioteconomico onde o mesmo ainda nao se tenha mani :• tado.
Torna-se evidente que o tempo de duração de um Curso de^Bibliotoco
nomia ê um assunto intimamente liga,do ao problema da organizagao do curr^
culo* í este o ponto cmciante em que residem todas as divergências entro
as diversas correntes e opirúões. Vamos procurar, então, aneilizar serenc.w :
mente as dltimas recomendações sobre o assunto:
a)
Assembléia de Bibliotecários das itméricas» celebrada em Wadiln
gton, entre 12 do maio e 6 de jimho de 19A7, aprovou recomendação estabelecendo requisitos mínimos para o funcionamento de escolas do biblioteconomia, resumidos nos seguintes;
1. Requisitos para admissão
a) idade; mínima, 18 anos. Máxima, i4.0,anos.
b) correspondente ao nosso Curso Clássico ou Científico o ainda
qualquer Curso que do acesso à Universidade;
c) idiomas; conhecimentos suficientes paxa poder ler om língixa
inglesa e ainda outro idioma moderno, optativo.
d) conhecimentos de datilografia.
2* Plano do estudos e horários mínimos
a)
b)
c)
d)
e)

Introdução à Biblioteconomia
Bibliologia (Histária do Livro
Catalogação__e Classificação
Mministraçao e Organização
Bibliografia e Referencia

30
60
90
90
90

horas
"
"
"
"

iilnda em outras resoluções, a mesma Assembléia recomendou a e^qicdl
çao de títulos gficiais de Bibliotecário auxiliar e Bibliotecário«
ü Conferencia sobro o Besenvolvimento dos Serviços de Bibliotecas
Públicas na ijndrica Latina, realizada om Sao Paulo ora 1951» promovida pela
ünosco, estabeleceu, atravez dos trabalhos da^Comigsão IV ( da gual fez pqt
te o autor doste informe), algumas recomendações sobro a formagao profia slonal do bibliotecário, entre as quais destacam-se;
1, Requisitos para admissão
a) idade; limite mínimo de 18 anos (não se indicando limito mSxj.
mo)i
b; exigencia de apresentaçao de tltiilos idênticos aos exigidos
ra a admissao às \inivorsidades'J;
c) idiomas; conhecimentos de inglês e de outro idioma moderno.
d) outros "una adequada ciiltura general" e prática do datilc^afia.
2. Plano básico de estudos e horários mínimos;
a)
b)
c)
d)

Bibliografia e Referencia
Administração e Organização
Catalogação e Classificação
Histeria do Livro e das Bibliotecas

90
90
180
60

horas
II

^
Entre as recomendações da -assembléia de Washington (19A7) o da Cog
forencia de Sao Paulo (1951), podemos constatar pequenas diferenças: a su
pressão, nesta última, de Introdyão à Biblioteconomia e o aumento do horário recomendado^para Catalogacao e Classificacao. guanto à expedição do
títulos, a Conjgorencia de Sao Paulo chogou à conclusão de quo as escolas
doviam sdmonte expedir vuna qvialidade de diploma: o de Bibliotecário. aten
tando para o problema, já mencionado, criado com o ostabelccimonto de «w«
carreira auxiliar; do nível de remuneração muito baixo o que, por medidas
de economia, acabam predominando nos diversos quadros oficiais de Minist^
rios e Departamentos. Quanto a esse ponto há também grande controvérsia.
A bibliotecária cubana Carmen Rovira, autora do informe "Formacién profesional dei bibliotecário" (Primoras jornadas bibliotecologicas Cubanas, â
bril, 1953)» manlfesta-se favoravelmente á expedição dos dois tlJbulos, ale
gando, principalmente^! que um título expedido por equivalente ao de uma es .
cola cujo tempo de duraçao seja de dois anos nao poderá ser equivalente ao
do uma escola cujo tempo de duração seja de 1 (um) ano (argvunonto Idgico).

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l'i

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o nível superior E i» QUESTr.O DO CURRÍCULO
mm
Uma Escola de Biblioteconomia devo cstcir em estreita vinculaçao com
uma instituição de ensino superior já estabclccida c, prafercnciaimontc^ for
mar parte integrante da mesma, devendo ainda estar situada na proximidade
do bibliotocas de diversos tipos. E o que recomenda o Deoeino da Escola d3 H
blioteconomia da Universidade da Califárnia J» Feriam Danton, em seu toaba
lho "La formacion profosional dei bibliotecário", publicado cm tradugao ceg,
tolhana, gela Unesco, cm 1950. Esta opinião 6 ponto pacífico em qou quase
todos estão do acordo, O mesmo autor, pordm, mais adiante, advertci "en al
gunos paizes, por razoncH políticas, financi«ras o dc otra índole. Ias \ini
vorsidades tienen menor estabilidad, están todavia desprovistas de matéria
les y el nível on Ia ensonanza y su prestigio son menores que los do otros
institutos que funcionan on forma indopendiento". Essa rosaiva emtora nao
se aplique à nossa Universidade, retrata muito bem a atual situação • dos
Cursos da Biblioteca Nacional do Rio dc Janeiro« Funciona cono parto integrante da maior o mais importante biblioteca da Amárica Latina, na proxind.
dade do conjunto que reúne a maior concentração dc bibliotecas organizadas
da Sapitnl Federal; as bibliotecas de todos os Ministérios, Institutos de
Previdcncia, Dasp, Instituto Nacional do Livro, etc.
Enquanto a Universidade, em fase auspiciosa de grc^ndes reformas, sa cmèoáâ
tostá3-.ndí:.j,npcov-J.ndr:'Â.amcntE'; na Praia -Vermelha.,! em Botafogo, em vésperas de mudança para outro local. Na Cidade Universitária, que se constréi
no momento, poderá, então, ser planojada a instalaçao adeq^'-ada de uma Esc^
Ia de Biblioteconomia5 Os Cursos da B.N,, por enquanto, pretendem obter oo"
"mandato universitário'', como um passo para o seu futuro enquadramento na
Universidade.
O ponto principal das discussões em torno das disciplinas "nao profissionais" que devem constar dos currículos das escolas do bibliotecono mia, se prende à seguinte indagação: para que tijDo do biblioteca deve a Eg,
cola do Biblioteconomio formar bibliotc-cários? 2 claro o Idgico que se tor*»;
na impossível a qualquer estabelecimento dar, de \ima vez sé, a formaçaopjv)
fissional adequada para qvialquer tipo de biblioteca. Vimos os grupos
de
disciplinas técnicas, para um mínimo ideal na preparaçao do bibliotecário,
objetivando serviços técnicos que são realizados cm qualquer biblioteca»
E as matérias^de cultura geral, filoséfica, religiosa^ histérica, sociolégica, etc.? Sobro osso problema encontramos, cm citação, a seguinte opinião de iinita M, Hostettcr: "La profesién bibliotccariarequiero personas cuya
preparacién transcienda dei mero conocimiento de su própria matéria y procodimiontos, La cultura general dcl bibliotecário debe darlo tina clara com
prensién de IPB organismos ^cxebúrâíbsoculturales, sociales, educativos
y
científicos,.. Su formacién cultural comionza mucho antes de que inicio sus
estúdios bibliotecários.,^ Eh gran parto, esa oducacién quu le permite dosonvolverse - y que debe buscar acrecer - proviene de al preparacién àdqi^
rida antes de su asistencia a Ia escuela de biblioteconomia".(os grifcs sao
nossos).
Por onde conclminios quo os exames de a^issão devem ser rigorosos ,
promovendo uma seleção acurada, para a obtenção de um melhor nível de cla£
se nas Escolas de Biblioteconomia, Quanto às especializações, poderão ser
enquadradas em Cursos do Extensão, avuIsos ou Post-Graduados, como proveio
Reg-dlamento dos Ciirsos da Biblioteca Nacional do Rio do Janeiro. O que nao
deverá faltar, no entanto, no currículo regular, é iima disciplina de Bibli
ografia'-; brasileira, (histéria e literatura), assim como outra de Histéria
da Literatura (aplicada à bibliografia), que se aplicam a um niimero considerável de bibliotecas em todo o territério nacional,
Nao podamos exigir, de sa conciencia, que as escolas de biblioteconomia formem sábios, eruditos, como querem alguns» Mesmo porque seria im possível dentro da conjuntura atual do mundo cultural moderno, iissim como
as Escolas do Medicina formamji depois de seis anos,_^médicos que vao depois
procurar especialização de acordo com suas inclinações o vocaçoes, as Esco
Ias de Biblioteconomia dovem formar bibliotecários,quo depois poderão
se
especializar nesto ou naquele setor (iconografia, paleografia, bibliotecas
infantis, pesquizas bibliográficas, bibliotecas científicas etc,).

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IV) CONCLUSO l£ü
O cngrand.Gcxm&amp;nt.o d" oasixio ds. bl&amp;liotGcoiioiaia está impliciliaiiiGnte
na dopendencia do paorvcitancnto dos técnicos diplomados pelas
diversg-S
Escolas do país. L ccjnpdnha nao poderá ser isol.adae_,Ao mosmo tempo em que
SÖ cuida da clcvaçao do nível do ensino biblioteconomico (aumento
?."para
para três anos em sou tcnpo de duraçao o o vínculo às Universidades), se
deverá tamb-'-m tratar das rcivlndicagoos da carreira de Bibliotecário. Sem

pleta
cxtranumerário), nos serviços de biblijtoca« Teriamos apenas uma categoria
de função profissional? o bibliot x;âiic prcpiíimentc dito^ Quanto aos serviços auxiiiares "nao profissionais"' seriam exercidos por datil&lt;5grafo%
tatísticos-auxiliares, almCiOrifes, oscritursírios» etc. Os atuais ocupantes das carreiras auxiiiares de bibliotecário seriam aproveitados na carä'—
reira principal, dopdo que fossem portadores do d^.plomas expedidos pelas
Escolas de Bj.bliotocor.omia, reconLecidas» Com essas modidaSj, cremos, estaria solucionado do maneira dtofirJLtiva o problema da profisoionalizaçao da
carreira de biblioto?.ctrio no Brasil.
Finaliz;andb^ cuT-pre-me destacar, ainda, outras recomendações^ que
poderão contribuir p^ra o iortalecimento .io ensino da Biblioteconomia no
Brasils
1) iiconsclhav a roíiiiíaci do íirid corúissitü composta de representan —
tos de todos os Garnt^;-! io Biblictoc^noaiu. t.regvilarcs;, pr.ra o estabelecimento do um Ci'jrriaiiin Atiico^ com a preneiiça de^un ropresontante^da Direto
ria do Ensino Superior do lG.nistário da Educação e Culturam((5rgao que con
cede registro aos diplomas e'xpedi'iios pal^s Kscolas Superiores).
2) Aconselhar- r. roímiao de ran?. íionissao composta de professores da
disciplina ''Cataj^^açao
rias3Íí i"a/?,-\pJ'' -I03 Cjjsos de Biblioteconomia (j^
gulares), em funcioiiamunto, para o fim d.i unificar os mdtodos de ensino,
principalmente no que so rofero à catalogaçao de nomes port.uguoses e brasi
loiros;
3) Aconcolhar o apoio à '^Asnociac-.ón Latinoamericana de Iscuelas y
Professores de Bibliotocologí;^'', com sedo em Havana;
U) Aconselhar o intercâmbio entro professores e alunos das diver—
sas Escolas brasileiras;
5) Solicitar dis avitoridados compr.tontos a concessão do maiores io
cursos financeiros r'\x-i o lortalucir^iontr. díT.fc; eíicolas de bn.blioteconomia
(remuneração de pri^xe-ssores; concessão de bolsas de estudo o realizaçao d3
excursões, visitas, prrjcçc03, palo3tras_,o conforencias);
6) iiconselhar, a-iimdo as circuci^t'.ii'ri.ris forem favoráveis, o estabe
locimcnto das Escü].a5 o Oai*scr&gt; da Bll^liotoconomia, como parte integrante
das Universidades;
7) iiConííoDii'"
orprrgo do pro.ieçc íSj ccmo medida de rotina, no en
sino das discipiinan c&lt; n^tantos do curxículn;
8) Aconselhiv a gratuidade absoluta nas Sscolas e Cursos de Biblio
teconomia.
BIHLlCGH-j?!*.
Relaçao de tvabelbrs originai.s^ monografias- artigos^ etcr, compul
sados para a redaçao desto informes
iJiaÍB da Bibllotoca Nacicna,! do P.io de Janeiro» v,l - Rio de Janeiro, Imprensa Nacional,
í,in v. r/.XTTI, p.. 34^;}.••
Brasil. Leis,'Decreto.'?, etcc (Todos os I^-^ícretot -l^is, Docrotos e Leis men
cionados, pole-s
no texto).
Danton, J. Feriam "• La foim?;.c:Lon pr-fosi'. nal. dcl bibliotecário, por J. Pe
riam D-iuiton-^.-&lt;, icaduci I.0 por B'lvira AoLevona MaECinc?!» a »Paris, Uno^
CO, 1950.
Developement of public llbrari'.-^ in L^txr. ionericas the Sao Patilo Donforon
cc.^PariS; Unesco,. 1952,,
Dias, iJitonio êa.e"óam " Cor. cur so.•? p .1 ß.lLl ao teca Naciona].. lü "Revista do
Scr^rLço Piib.lio'. ' ! Xi!
r/ 2; .j..?c;3to de 19^2 p. 79

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Evan&amp;y Luther H, ~ Procoedings of thc ^^eeonibly of Librarians of thc iiinori
cas, May 12 to Jiine 6, 19^4-7... Washington, Thc Library o^ Congress,
ms.
Figueiredo^ j^dclpha Silva Rodrigues - Dcsenvolvinonto da biblioteconomia
cm Sao Paulo».."Confcrencia realizada pela Déii.. do Dasp, 19^4-"• Rio
de Janeiro, Imprensa Nacional, 19^5»
Penna, Carlos Victor - Guia de Escudas y Cursos dc Biblioteco3iogií.#n
rica Latina,(Compilada por Carlos Victor Pcnna y Marietta Daniels)é
Publicación auspiciada por Ia ^»sociación Latinoanericana de Escuelas y Profesores de Bibliotccologia)* Washington, Union Panamericana, 1951.
Rovira, Carmen - FormacicSn profosional dei bibliotecário (Trabajo de base
correspondiente al punto 2 dol Temario y Reglamento), Primeras jornadas bibliotocologicas Cubanas: 15 al 18 de abril de 1953«

Rio, 12/6/1954a) ühtonio Caetano Dias

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