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                  <text>A CONSTRUÇÃO DE MECANISMOS ELETRÔNICOS E VIRTUAIS PARA
DISSEMINAÇÃO DE ACERVOS ARQUIVÍSTICOS DENTRO DA
UNIVERSIDADE: O CASO DO LABORATÓRIO DE FOTODOCUMENTAÇÃO
SYLVIO DE VASCONCELLOS
Leonardo Barci Castriota 1
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
leobarci@hotmail.com.br
Carla Viviane da Silva Angelo 2
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
carlaviviane@eci.ufmg.br
Dora Aparecida Silva 3
Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Minas Gerais
Avenida Antônio Carlos, 6627 (Belo Horizonte, MG – Brasil)
dsilva@ufmg.br ; dorabiblio@yahoo.com.br
Jacqueline Moterani Maia4
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
jmoteranimaia@yahoo.com.br
Clara Urbano Fernandes5
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
claraurbano@yahoo.com.br
Flavia Garcia Costa 6
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
Rua Paraíba, 697 – Funcionários (Belo Horizonte, MG – Brasil)
flaviagcosta@gmail.com

1

Doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais UFMG.
2
Bacharel em Biblioteconomia pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais
3
Especialista em Gestão Estratégica da Informação pela Escola de Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Minas Gerais - UFMG.
4
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
5
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais
6
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais

�Resumo
A universidade é, por excelência, propício à formação ou recolhimento de acervos
de natureza arquivística, sejam eles acumulados em consonância com as
atividades desenvolvidas e com os objetivos da universidade, ou adquiridos no
ambiente externo para proporcionar oportunidades de pesquisa. Os profissionais
da informação se deparam freqüentemente com o gerenciamento de acervos dos
mais diversos gêneros e características. O entendimento da natureza desses
acervos é um aspecto crucial a ser levado em conta antes de serem definidas as
metodologias e os procedimentos para o seu gerenciamento. O acesso a estes
documentos é novo desafio, já que atualmente, temos o meio eletrônico como
recurso facilitador desse processo. A digitalização, aliada a uma política de
disseminação e promoção de acesso virtual, é um advento tecnológico eficaz aos
consulentes. O Projeto “Digitalização do Acervo de negativos do Laboratório de
Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”, da Escola de Arquitetura da
Universidade Federal de Minas Gerais é descrito para exemplificar o
gerenciamento eletrônico de acervos iconográficos de natureza arquivística, como
mecanismo de pesquisa e preservação dentro da universidade, através da
participação de pesquisadores, profissionais e estudantes de graduação das
áreas de arquitetura, biblioteconomia, arquivística e da ciência da computação.
Palavras-chave: Digitalização; arquivo; acessibilidade; fotografia; preservação
1. Introdução
A informação é considerada recurso vital para o funcionamento, desenvolvimento
e sobrevivência das organizações de qualquer porte e missão, na chamada
sociedade da informação, ou, do conhecimento, como afirma alguns autores. Para
Rousseau &amp; Couture (1998) assim como qualquer outro recurso, a informação
deve ser gerida eficazmente, "o que necessita, como corolário, de um
reconhecimento oficial da empresa, e até de uma formalização estrutural que vá
tão longe quanto a que é geralmente concedida aos outros recursos." (p.63).
O uso da tecnologia digital traz novas perspectivas de trabalho para instituições
universitárias, que por excelência, são mantenedoras de fontes primárias de
informação como arquivos e bibliotecas. Esse novo papel da informação e do
conhecimento vem provocando modificações substantivas nas relações, forma e
conteúdo do trabalho, o qual assume um caráter cada vez mais “informacional”,
com implicações significativas no cenário informacional.
As oportunidades de conhecimento abertas pela comunidade de usuários da
Internet são significativas, mas sua viabilização depende da transposição de
importantes barreiras técnicas, culturais e de infra-estrutura. A rede revoluciona

�não só a noção de tempo e espaço como também os fundamentos
organizacionais de gerenciamento de acervos.
Através da diferenciação de sistemas, canais, redes e organizações de
tratamento e difusão de informações, tais avanços vêm permitindo uma expansão
sem precedentes dos contatos e de trocas de informações possíveis entre os
agentes, individuais e coletivos, além de viabilizarem do ponto de vista global a
rápida

comunicação,

processamento,

armazenamento

e

transmissão

de

informações. A acelerada disponibilização desses meios técnicos coloca-se como
a principal razão apontada por aqueles que argumentam que estamos vivendo
numa

era

de

crescente

globalização,

inclusive

tecnológica

ou,

mais

especificamente, de informacional.
Anteriormente a utilização dos meios digitais era para disponibilizar informações
sobre seus acervos. Atualmente além da disponibilização provêm-se os recursos
de armazenamento, preservação e recuperação dos conteúdos informacionais. A
digitalização é um processo utilizado em arquivos para promover o acesso e
disponibilização de seus acervos. Podemos dizer que a digitalização é um meio
de preservação do conteúdo informacional, mas alguns pesquisadores defendem
a teoria que a digitalização cumpre o papel de preservação documental, na
medida em que evita excessiva manipulação dos originais. Está discussão condiz
com questões da legislação vigente, e neste momento, seria incipiente
expressarmos alguma conclusão sobre o tema. Vale ressaltar a consulta ao Guia
sobre diretrizes básicas para os projetos de digitalização elaborado pela UNESCO
como instrumento de orientação.
2. O desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de acervos
eletrônicos
A necessidade cada vez mais acentuada de criação de sistemas de informação
capazes de gerenciar, de forma integrada, diferentes tipos de dados complexos,
não convencionais, como texto livre, imagem, vídeo e som, é um desafio aos
especialistas em modelagem de dados e aos que desenvolvem sistemas
aplicativos. A utilização de imagens, principalmente em associação com
informações textuais, é relevante na maioria das áreas do conhecimento humano.

�O desenvolvimento de um sistema abrangente de informatização, busca
compatibilizar novas tecnologias com as necessidades tanto do consulente que
receberá o produto final informacional, como do profissional da informação, que
necessita de um sistema que possibilite o seu trabalho e expansão do conteúdo.
No desenvolvimento de um bom mecanismo informacional, procura-se modelar
um sistema voltado para a facilidade de uso e a flexibilidade na recuperação dos
documentos e informações correlatas. Conforme ANDRADE (1998) a observância
a estes princípios resultará em “um sistema que atendesse ao pesquisador com
profundo conhecimento do objeto pesquisado e também ao leigo, curioso sobre
um determinado assunto”.
Estabelecer as prioridades a serem seguidas para a realização dos objetivos
propostos no tratamento de um acervo documental eletrônico é essencial para um
bom desenvolvimento das atividades. Entretanto é preciso seguir alguns critérios
para desenvolvimento dessas atividades, tais como: condições de manuseio e
preservação do suporte documental, demanda de acesso aos documentos, valor
histórico representado, entre outros. Muitas das vezes a tecnologia existente na
instituição não possibilita a digitalização de certos materiais como: mapas, fitas de
áudio, fotografias, negativos, diapositivos e outros. É necessário acordar se a
infra-estrutura disponível possibilita ou não a digitalização deste acervo e se as
inadequações dos recursos tecnológicos podem acarretar em um resultado
insatisfatório do processo. Dessa forma, é preciso avaliar as características de
cada acervo e adequar os procedimentos à realidade constatada.
A preferência por softwares que permitem a interação de dados com outros
sistemas é outro ponto a ser observado na elaboração de um processo de
digitalização, já que sua utilização admitirá a compatibilidade e conversas
amigáveis com outros mecanismos, visando à transferência de equipamentos e
evolução de suportes.
Ao elaborar um projeto de implementação digital, a organização mantenedora do
acervo digital deve prever gastos com a aquisição de um sistema de
gerenciamento de banco de dados, que possibilite o acesso em rede local ou pela
Internet. A aquisição de um sistema de gerenciamento de banco de dados e
linguagem de programação para criação do mesmo deve ser concebida em

�consonância com os recursos disponíveis pela instituição, devido a estes
sistemas serem de alto custo na maioria das vezes. Uma alternativa viável para
minimizar esses custos de criação e gerenciamento de um banco de dados de
acesso a conteúdos digitais é o uso de softwares livres, que são gratuitos, mas
em contrapartida, exige um investimento por parte da organização em pessoal
capacitado para criar e administrar esses sistemas.
O uso de um sistema gerenciador de banco de dados confere também maior
dinamismo à aplicação já que cada novo documento incorporado ao banco de
dados torna-se imediatamente disponível para consulta.
A execução do projeto necessita de infra-estrutura técnica, que compreende a
estrutura física e humana. A estrutura física deve contemplar equipamentos
eletrônicos, tais como computadores, scanners, máquinas de microfilmagem,
fotografia digital, etc. A estrutura humana deve ser interdisciplinar, contemplando
várias

áreas

do

conhecimento,

como

analistas

de

sistema,

arquivista,

bibliotecários entre outros. Ressalta-se que a instituição deve buscar parcerias
dentro e fora dela, para a concretização do projeto.
A aquisição de equipamentos e organismos de armazenamento das imagens
geradas, bem como, as diretrizes para garantir a sua preservação em meio digital
são essenciais. A criação de cópias de segurança em equipamentos externos de
armazenamento - cd-rom, dvd, fita dat, fita dlt – são fatores estratégicos de
permanência de seu conteúdo informacional. Essas medidas de segurança são
para evitar transtornos e perdas de documentos, pois alguns cuidados devem ser
observados,

considerando-se

as

constantes

transformações

das

mídias

eletrônicas.
Os mecanismos de busca ou recuperação da informação dependem dos
metadados atribuídos na descrição dos conteúdos digitais, portanto os
profissionais da informação devem estabelecer parâmetros para tratamento
destes materiais de acordo com os conceitos arquivísticos internacionais vigentes.
De fato, conforme será demonstrado no próximo item do trabalho, a estrutura de
um sistema de gerenciamento eletrônico de dados, as diretrizes de um processo
de digitalização, bem como a construção de mecanismos que executem estas

�atividades, são complexas. Esses aspectos serão ilustrados no estudo de caso
apresentado a seguir.
3. O projeto de digitalização do Acervo do Laboratório de
Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos – uma concepção
interdisciplinar
O Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, pertencente à
Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. Criado em 1954
iniciou suas atividades com o registro fotográfico do acervo arquitetônico e
artístico de relevância, no Estado de Minas Gerais. Desenvolveu diversas
pesquisas na área de técnicas fotográficas recebendo inúmeros prêmios. Desde
sua criação tem prestado relevantes serviços à comunidade em geral,
principalmente à universitária, atendendo também a todo o processo didático e às
solicitações administrativas.
O acervo de negativos do Laboratório é composto por cerca de 50.000 negativos
p&amp;b, em acetato de celulose. Produzidos nas décadas de 50 e 60, esses
negativos encontram-se em situação precária em relação ao estado de
conservação, assim como as condições de armazenamento.
A composição deste precioso arquivo reflete o interesse teórico e o foco
historiográfico dos pesquisadores modernistas vinculados a esta instituição
naquele momento, que realizaram o levantamento expressivo do modo de viver
urbano e rural brasileiro, focando os temas arquitetônicos do período colonial
mineiro, nordestino, goiano, da arquitetura carioca, das primeiras décadas de Belo
Horizonte e da arquitetura modernista brasileira em seus primórdios, além de
outros temas políticos e sociais vinculados à vida acadêmica da instituição.
A percepção da necessidade de preservação e acesso do acervo do Laboratório
desde 1996 iniciou-se com um trabalho prévio de organização deste acervo
iconográfico. No ano de 2002, foram mapeadas e digitalizadas 2.500 imagens
referentes à Belo Horizonte em consonância com a pesquisa “Arquitetura numa
cidade Moderna – ensino e Produção (1930-1964)”. Com o desenvolvimento dos
trabalhos, constatou-se a necessidade da concepção de um plano de preservação
do conteúdo informacional dessas imagens, devido à degradação dos negativos
acometidos por um processo químico, denominado “síndrome do vinagre”, além

�da importância de provimento do acesso ao acervo do Laboratório. Desta forma,
originou-se

o

projeto

“Digitalização

do

Acervo

do

Laboratório

de

Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”.
Previamente ao desenvolvimento das atividades do Projeto de digitalização do
Acervo do Laboratório, foi realizado um estudo para determinação das
metodologias adequadas para tratamento do acervo. Os documentos produzidos
pelo Laboratório são em decorrência do trabalho dos fotógrafos e pesquisadores
em consonância com as atividades de ensino, pesquisa e extensão da Escola de
Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. São documentos únicos e
de caráter prova, sendo o acervo diagnosticado como um acervo arquivístico,
necessitando dessa forma, de mecanismos apropriados para seu tratamento.
Destacamos como principal objetivo do projeto prover o acesso e tratamento
informacional de 25.000 imagens do acervo de negativos do Laboratório de
Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos como mecanismo de preservação do
conteúdo informacional, disponibilizando-o para a comunidade acadêmica e o
público em geral.
3.1 Metodologia
Desde de sua concepção, a equipe do projeto constituiu um grupo de pesquisa
interdisciplinar (Arquitetura, História, Ciência da Conservação, Arquivística,
Biblioteconomia e Ciência da Computação), combinando-se ações das diferentes
áreas.

Para isso, recorreu-se aos recursos – humanos e de infra-estrutura de

pesquisa, já existentes na Universidade Federal de Minas Gerais, tais como:
CECOR (Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis;
LABCOM (Laboratório de Conforto) especialista em projetos de conforto térmico e
acústico; NPDI (Núcleo de Processamento Digital de Imagens) do Departamento
de Ciência da Computação do Instituto de Ciências Exatas da UFMG,
responsável pela construção do software de descrição e recuperação das
imagens.Tendo com base os parâmetros arquivísticos a equipe do projeto
recorreu-se a metodologia em aplicação no “Projeto Sistema de Arquivos da
UFMG – Projeto Piloto Faculdade de Farmácia”, no qual são responsáveis a
Profa. Dra. Vilma Moreira Santos e a bibliotecária Silvana Aparecida da Silva
Santos. A responsabilidade pela digitalização do acervo ficou a cargo do Arquivo

�Público Mineiro (APM), devido à parceria e tradição de execução em projetos
semelhantes.
Com a integração dos membros da equipe, foram discutidos os procedimentos
metodológicos, definidos no projeto original. Foram definidas, então, as seguintes
etapas de trabalho: inventariação do acervo; digitalização; desenvolvimento do
banco de dados e sistemas de pesquisa; descrição das imagens. Definiu-se,
ainda, que a determinação da estrutura de metadados utilizada para descrição
dos itens na base de dados, só poderia ser instituída após estudo inicial das
características de origem do acervo, preservando-se, assim, seus princípios de
proveniência. Nesse sentido, considerou-se também que, devido à natureza
arquivística do acervo, os métodos de tratamento da informação seriam
concebidos dentro da perspectiva da Arquivologia. As proposições metodológicas
adotadas pelo projeto foram: Norma Internacional Geral de Descrição Arquivística
(ISAD-G) e da Norma Internacional de Registro de Autoridade Arquivística para
Entidades Coletivas, Pessoas e Famílias (ISAAR-CPF).
A inventariação e descrição das imagens digitais do acervo tomaram por base as
escritas feitas pelos funcionários do Laboratório anteriormente. Dessas anotações
elegeu-se como instrumento informacional um caderno que contém informações
básicas de parte do acervo referentes aos levantamentos fotográficos realizados
em consonância com as atividades desenvolvidas pela Escola de Arquitetura.
Nessa atividade separou-se os negativos em duas dimensões, os negativos
6x6cm, que compreende as tomadas maiores como fachadas exteriores, vistas
internas de igrejas, atividades da instituição UFMG e vistas panorâmicas, e os
negativos

35x35mm,

que

correspondem

aos

detalhes

minuciosos

das

construções arquitetônicas e obras de arte. Das informações contidas nesse
caderno, foram retirados os títulos atribuídos aos negativos e a confecção de um
documento guia, que foi muito útil como controle no envio e no recebimento dos
negativos ao Arquivo Público Mineiro.
3. 2 Construção da Base Informacional para Descrição das Imagens
A equipe fez várias visitas em instituições com acervos com características
semelhantes, como o acervo do Arquivo Público Mineiro, que além de ter um
acervo de fotografias digitalizadas, já detinha o conhecimento da digitalização de

�fotografias e estava implementando um banco de dados desse acervo na sua
página

da

Web,

desenvolvido

em

parceria

com

o

NPDI

(Núcleo

de

Processamento Digital de Imagens) do Departamento de Ciência da Computação
do Instituto de Ciências Exatas da UFMG.

Após a análise dos sistemas

disponíveis no mercado e dos desenvolvidos especificamente para a instituição,
optou-se para a aquisição do software desenvolvido pelo APM e DCC. Para isto
foi instituída uma parceria entre a Escola de Arquitetura e as demais instituições.
Tendo em vista a definição da estrutura de metadados, passou-se, então, à
adaptação do sistema de informação que possibilitasse a recuperação dos dados
em formato multimídia e o acesso ao acervo através da Internet. O sistema foi
implementado utilizando a linguagem de programa PHP e sistema gerenciador de
banco de dados MySQL, ambos softwares livres. Os critérios que nortearam a
escolha do sistema foram os seguintes: as características do acervo, recursos
financeiros disponíveis, facilidade de operacionalização e inserção dos dados e
possibilidades de pesquisa através da Internet. A escolha do banco de dados foi,
portanto, posterior ao diagnóstico das necessidades e definição das diretrizes de
tratamento do acervo.
O projeto realizou a digitalização de 25.000. Os arquivos foram entregues à
Escola de Arquitetura da UFMG, nas extensões TIFF, sendo criado um conjunto
de cópias com resolução JPEG. Como mecanismo de preservação do conteúdo
digital a Escola manterá uma cópia das imagens em fita DLT, para futuras
migrações de sistema, frente a uma tecnologia em constante mutação.
Atualmente o Projeto de Digitalização do Acervo de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos, está na fase de tratamento da série “Fotografia”, especificamente a
sub-série “Negativos”, como mostra o quadro do arranjo físico a seguir:
Arranjo físico do arquivo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos
Séries
Sub-séries
A – Fotografia
A.1 – Negativos
A.2 – Positivos
B – Foto mecânica
A desenvolver
C – Gráfica
A desenvolver

A estrutura de metadados do banco de dados foi estruturada para o nível de item
documental, procurando-se explicar o conteúdo e contexto do conjunto a que

�pertence. A planilha de descrição dos documentos e de entrada de dados no
sistema é composta pelos seguintes elementos:
Identificação
-Série: Fotografia
-Sub-série: Negativos
-Código de referência: Pasta/ ponto/ nº do negativo - 0001.00001
-Título: A partir de uma pré-classificação feita pelos funcionários do Laboratório. Ex.:
Batisterio da Igreja Sao Francisco de Assis da Pampulha
-Data Limite: Campo destinado a data limite da imagem (caso não tenha a informação
da data exata). Caso a data real seja identificável, ela deverá ser expressa no campo.
Ex.: Data Limite: 1960 ou (Data Real): 1964. Caso seja especificada a data
corretamente: dd/mm/aaaa.
-Dimensão, suporte, cor: Refere-se às características físicas dos negativos.
-Data p/ Pesquisa: Delimita o âmbito de pesquisa temporal do sistema, ou seja,
determina a amplitude temporal (está sendo utilizado a referência de década) que a
imagem pode abranger. Ex.: 1960 a 1970
Âmbito e conteúdo (1)
- Local: Seguir as orientações vigentes nos Nomes geográficos: Normas de indexação
do IBGE. Ex.: Belo Horizonte (MG)
- Logradouro: Nome da rua, praça, beco, avenida, etc... Seguir as orientações vigentes
nos Nomes geográficos: Normas de indexação do IBGE. Ex.: Rua Paraíba, 697 (Belo
Horizonte, MG)
- Bem Cultural: Campo destinado a identificação do “Bem Cultural” referente a imagem.
Ex.: Catedral da Boa Viagem , Palácio da Liberdade.
- Pessoas: Seguir as orientações da ISAAR (CPF), norma vigente para denominação de
pessoas físicas e jurídicas. Ex.: LOBATO, Monteiro
Âmbito e conteúdo (2)
- Temática: Campo destinado a buscar a identificação das categorias às quais as
imagens se inserem, conforme agrupamentos temáticos. Ex.: Arquitetura Colonial
- Descrição do conteúdo: Descrição precisa do conteúdo visível da imagem (deve-se ater
aos limites apresentados pela imagem).
Notas
Quaisquer outras informações que devem ser registradas e que são pertinentes com o
conteúdo das imagens.
Contextualização
- Nome do Produtor: - Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, Escola
de Arquitetura da UFMG
- Autoria: (Fotografo, estúdio ou agência) – MAZONNI, Marcos de Carvalho; MAZONNI,
Gui Tarcisio; ALMEIDA, Archimedes Correa de.
Fontes relacionadas
- Existência e localização dos originais: Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos da Escola de Arquitetura da UFMG
- Notas sobre publicação: Campo destina-se a registrar as futuras publicações que
utilizarão as imagens pertencentes ao Laboratório.de Fotodocumentação
Controle de descrição
- Nome do responsável pela descrição: Identificação do responsável pela descrição
- Data da descrição: dd / mm / aaaa
- Regras ou convenções: Regras adotadas para nortear a execução do trabalho de
preenchimento do Sistema de descrição do laboratório de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos. ISAD(G); Nomes geográficos: Normas de indexação do IBGE; NBR 6023;
ISAAR(CPF). (No caso de imagens de pessoas, será acrescentada as normas da
ISAAR(CPF)).

�Os mecanismos de busca estão disponíveis no sistema e podem ser utilizados
por qualquer pessoa, desde que estejam conectados na Internet e utilizando um
browser atual. O sistema possui dois tipos de busca: Busca simples, na qual, foi
desenvolvida como ferramenta de consulta ao banco de imagens, oferecendo ao
usuário a opção de pesquisa em todos os campos; e busca avançada, onde foi
elaborada como ferramenta de consulta por cruzamento de informações ao banco
de imagens, oferecendo ao consulente uma gama maior de informações a serem
pesquisadas. Após a busca é mostrada ao usuário uma nova tela, contendo o
resultado da busca realizado; é esta tela contem o menu principal (presente em
todas as telas) e as imagens em tamanho reduzido com as suas respectivas
descrições de forma simplificada. As imagens reduzidas são links para as
imagens ampliadas, que permitem o consulente o acesso à imagem e a sua ficha
técnica.
4. Considerações finais
O projeto “Digitalização do acervo de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”
vem de encontro com as perspectivas arquivísticas e de acesso aqui
mencionadas. A influência da disponibilização desse acervo exercerá forte
impacto sobre a pesquisa na área de teoria e história da arquitetura. Com uma
equipe interdisciplinar o projeto demonstra a capacidade de a instituição
universidade gerenciar sua produção documental, seja qual for o suporte e aplicar
as devidas técnicas de tratamento de acervo, mediante as características dos
mesmos. A aplicação dos mecanismos de construção de sistemas informacionais
necessitam de um estudo prévio para a identificação dos acervos e a adoção dos
instrumentos metodológicos adequados para sua execução. Cabe ressaltar que
estes instrumentos são recentes, mas demonstram eficácia no gerenciamento,
processamento e na padronização das descrições dos dados, possibilitando
assim, à integração entre os acervos dos diversos tipos e principalmente os de
fundo arquivístico. Recomenda-se a criação de um instrumento de controle de
linguagem a ser adotado na descrição dos conteúdos, evitando-se assim a
utilização do uso da linguagem natural na indexação e atribuição de metadados
na busca dos conteúdos. No caso do Laboratório de Fotodocumentação a equipe
elaborou um instrumento próprio de linguagem denominado “Tesauro de

�Arquitetura e Urbanismo do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de
Vasconcellos”, que veio normalizar a indexação dos conteúdos informacionais das
imagens. Cabe ressaltar a importância de adoção de metodologias que não
somente prevêem o acesso e guarda desses documentos. Mas sim, recursos que
englobem o tratamento arquivístico preventivo e de conservação dos documentos,
já que uma das principais características dos documentos arquivísticos é sua
unicidade. Mediante a constatação do nível de deterioração dos negativos do
Laboratório, elaborou-se um projeto de preservação, conservação e restauração
dos negativos que contemple a transferência do acervo fotográfico para local com
mobiliário e climatização adequados; mudança do acondicionamento dos
negativos utilizando-se material com PH neutro; separação da parte do acervo já
contaminada pela “síndrome do vinagre”, estas atividades já estão em fase de
capitação de recursos. É preciso salientar a eficiência dos softwares para
processamento e recuperação da informação é fator determinante para o sucesso
de disponibilização de um acervo digital. A utilização de softwares livres para a
sua construção, portanto minimizando os custos de suas aquisições e produções
e a integração de linguagem com outros softwares, dinamizando o acesso entres
outras instituições informacionais, como já está previsto a

integração destes

softwares à plataforma Lotus utilizada pela UFMG. Espera-se que este trabalho
sirva como subsídios para outros projetos da mesma natureza, principalmente no
que se refere ao tratamento arquivístico adotado.

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              <text>A universidade é, por excelência, propício à formação ou recolhimento de acervos de natureza arquivística, sejam eles acumulados em consonância com as atividades desenvolvidas e com os objetivos da universidade, ou adquiridos no ambiente externo para proporcionar oportunidades de pesquisa. Os profissionais da informação se deparam freqüentemente com o gerenciamento de acervos dos mais diversos gêneros e características. O entendimento da natureza desses acervos é um aspecto crucial a ser levado em conta antes de serem definidas as metodologias e os procedimentos para o seu gerenciamento. O acesso a estes documentos é novo desafio, já que atualmente, temos o meio eletrônico como recurso facilitador desse processo. A digitalização, aliada a uma política de disseminação e promoção de acesso virtual, é um advento tecnológico eficaz aos consulentes. O Projeto “Digitalização do Acervo de negativos do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos”, da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais é descrito para exemplificar o gerenciamento eletrônico de acervos iconográficos de natureza arquivística, como mecanismo de pesquisa e preservação dentro da universidade, através da participação de pesquisadores, profissionais e estudantes de graduação das áreas de arquitetura, biblioteconomia, arquivística e da ciência da computação.</text>
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