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                  <text>SITES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS COMO
INSTRUMENTOS DE RELAÇÕES PÚBLICAS

Sueli Angelica do Amaral∗
Tatiara Paranhos Guimarães∗∗

RESUMO
Os sites das bibliotecas universitárias brasileiras podem desempenhar várias funções
e dentre essas funções, a de manter o relacionamento com os seus diversos
públicos, desenvolvendo atividades de Relações Públicas. Foram pesquisados 65
sites de bibliotecas universitárias brasileiras com o objetivo de descrever o panorama
do uso desses sites como instrumentos de Relações Públicas. O estudo associou
dados sobre o processo de gerenciamento dos sites, coletados por meio de
questionários remetidos aos diretores das bibliotecas e sobre as funções
desempenhadas pelos sites, por meio de observação destes sites por checklist.
Verificou-se que a potencialidade dos sites pesquisados como instrumentos para
realização de atividades de Relações Públicas estava sendo pouco explorada.
Observou-se que as bibliotecas estavam realizando as atividades de Relações
Públicas de forma simétrica. No entanto, eram limitadas as oportunidades exploradas
pelos sites das bibliotecas estudadas para estabelecer relacionamentos pela
comunicação bidirecional.
PALAVRAS-CHAVE: Sites Web. Biblioteca Universitária. Relações Públicas.
Comunicação. Gerenciamento.

1 INTRODUÇÃO
No âmbito da Ciência da Informação entre os estudos sobre o planejamento,
criação e manutenção de sites de bibliotecas universitárias, são escassos os que
abordam a gerência do desempenho desses sites como instrumentos de Relações
Públicas.
Com relação às funções desempenhadas pelos sites das bibliotecas
universitárias brasileiras, pesquisa desenvolvida por Amaral e Guimarães (2002)

�evidenciou a insipiência do aproveitamento potencial do site para a visibilidade das
bibliotecas universitárias brasileiras, que ainda se mostravam timidamente aos seus
públicos e à sociedade em geral. As funções promocional e instrucional dos sites não
eram consideradas, a de comunicação era praticamente não desempenhada e as
funções de referência e de pesquisa eram pobremente exploradas. Até mesmo o
desempenho da função informacional dos sites, cujo índice de freqüência foi o de
maior ocorrência, ainda poderia ser mais explorado pelas bibliotecas estudadas.
Guimarães (2003) desenvolveu uma pesquisa para verificar como as
bibliotecas

universitárias

brasileiras

gerenciavam

seus

sites,

visando

o

desenvolvimento da atividade promocional de Relações Públicas. Os resultados do
estudo indicaram que era necessária a elaboração de um plano de Relações
Públicas para que o potencial dos sites pudesse ser melhor explorado, os esforços e
recursos disponíveis gerenciados de forma sistemática e a avaliação realizada como
base para o desenvolvimento e atualização do site como instrumento de Relações
Públicas.
O presente estudo teve como propósito apresentar o panorama descritivo do
uso dos sites das bibliotecas universitárias brasileiras, visando o desenvolvimento
das atividades promocionais de Relações Públicas, com o relato e discussão dos
resultados das duas pesquisas.

2 RELAÇÕES PÚBLICAS E SITES
Kies (1980, p.70) define Relações Públicas como um processo mútuo da
comunicação entre uma organização e seus diversos públicos, que permite
identificar, analisar e moldar a opinião pública a respeito da organização e de seus
objetivos. Conhecendo a opinião pública a seu respeito, a organização pode, através
de seu programa de Relações Públicas, enfrentar as concepções errôneas a seu

�respeito e prestar informações necessárias para obter a confiança e apoio do público
(KIES, 1980, p.70).
A direção e o propósito da comunicação que podem ser utilizados nas
Relações Públicas são apresentados por meio de quatro modelos propostos por
Grunig e Hunt (1984, p. 22). O quarto modelo, simétrico de duas mãos, se
caracteriza pela busca do equilíbrio entre os interesses da organização e dos
públicos. Utiliza pesquisas e a comunicação para administrar conflitos e melhorar o
entendimento com os públicos. Esse modelo é apresentado como ideal a ser
utilizado pelas bibliotecas no sentido de criar uma imagem positiva, formar opiniões e
mudar atitudes de seu público, procurando beneficiar tanto a organização quanto os
seus públicos.
Como processo organizacional, Relações Públicas compreendem quatro
funções básicas (Barber apud KIES, 1980, p. 71-72): a) coleta de dados a respeito
de opiniões e atitudes do público; b) planejamento: coordenar os esforços de
Relações Públicas dentro do planejamento global da organização; c) comunicação
interna entre os empregados da organização e comunicação externa com seus
vários públicos; d) avaliação da produtividade das Relações Públicas.
As Relações Públicas utilizam diversos meios e instrumentos para promover a
biblioteca. Alguns autores (WHITE e RAMAN, 2000; KENT e TAYLOR, 1998;
HUTTON, 1999) consideram a Web como mídia para a realização das atividades de
Relações Públicas.
Kent e Taylor (1998, p. 322) advertem que poucos artigos têm sido escritos
sobre o modo como a Web pode trazer vantagens para as Relações Públicas.
Hill e White (2000) analisaram a maneira como 13 profissionais de Relações
Públicas percebiam o site como ferramenta de comunicação. Todos os entrevistados
percebiam o site como ferramenta de melhoria dos relacionamentos já existentes,
basicamente por meio do e-mail.

�3 FUNÇÕES DESEMPENHADAS PELOS SITES DE BIBLIOTECAS E RELAÇÕES
PÚBLICAS
As possibilidades de uso dos sites, incorporando as facilidades que podem ser
propiciadas à comunidade interessada nem sempre é observada ou utilizada em sua
total potencialidade, até porque as funções desempenhadas pelos sites são descritas
na literatura de maneira variada.
Amaral e Guimarães (2002) propuseram uma classificação para as funções
dos sites de bibliotecas, a partir da análise comparativa das propostas apresentadas
por Brinkley (1999); Xiao, Pixey, Cornish (1997) e Cohen e Still (1999). Amaral e
Guimarães (2002) apresentaram também, alguns itens que poderiam indicar o
desempenho de cada uma das funções pelos sites, da seguinte maneira: (a) função
informacional: informações sobre a biblioteca existentes no site; (b) função
promocional: uso de ferramentas promocionais da Internet existentes no site
(ARAÚJO, 1999/2000); (c) função instrucional: instruções sobre o uso dos recursos
informacionais oferecidos pela biblioteca na forma tradicional e on-line existentes no
site; (d) função referencial: links para outras fontes de informação existentes no site;
(e) função de pesquisa: serviços e produtos oferecidos on-line no site da biblioteca;
(f) função de comunicação: mecanismos para estabelecer relacionamentos
(AMARAL e GUIMARÃES, 2002).
De forma direta ou indireta, as seis funções da classificação estão
relacionadas com o processo de Relações Públicas, uma vez que se referem
especificamente às funcionalidades que permitirem à biblioteca estabelecer
comunicação e relacionamento com seus diversos públicos.
Por outro lado, é cada vez maior o número de bibliotecas universitárias que
utilizam a Internet para alcançar seus objetivos de forma mais efetiva. Por outro lado,
Brinkley (1999, p.8-15) assegura que o “website é o melhor meio para promover e
publicar os serviços oferecidos pela biblioteca.”

�A promoção, enquanto etapa do processo de administração de marketing,
pode ser realizada por meio das diversas atividades promocionais. A atividade
promocional de Relações Públicas apóia organizações, no sentido de estabelecer, de
forma planejada, uma comunicação simétrica de duas vias, auxiliando na criação de
uma imagem positiva da organização, na criação de uma identidade corporativa, na
obtenção de entendimento mútuo, aceitação e apoio do público.
Nessa

perspectiva,

os

sites

das

bibliotecas

universitárias

deveriam

proporcionar não apenas a adequada disponibilidade dos produtos e serviços
informacionais, mas também possibilitar melhor relacionamento entre as unidades de
informação e seus usuários, por meio da utilização de todo potencial oferecido pela
Web.

4 SITES DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS
As bibliotecas universitárias brasileiras servem aos estabelecimentos de
ensino

superior

(IES),

incluindo

nesta

categoria

universidades

federais,

universidades estaduais, universidades municipais, faculdades, institutos, dentre
outras. Segundo lista fornecida pelo Ministério de Educação e Cultura em 2002, as
IES totalizavam, aproximadamente, 1500 unidades. Uma vez que toda IES,
obrigatoriamente,

tem

que

ter

uma

biblioteca,

a

dificuldade

de

atingir,

exaustivamente, todo este universo seria grande. Por outro lado, as bibliotecas
universitárias podem ser centralizadas ou setoriais, fato que poderia facultar a
existência de mais de uma biblioteca por instituição, ampliando ainda mais o
universo. Além disso, no caso das IES privadas, a denominação varia de escolas,
institutos, faculdades, entre outros, o que também dificultaria a identificação
exaustiva do universo.
O objeto de estudo das pesquisas eram os sites das bibliotecas universitárias,
logo critérios foram estabelecidos para a identificação destes, em relação ao

�propósito de estudá-los como instrumentos de Relações Públicas, considerando os
sites como “coleção de páginas da Web referentes a um assunto, instituição,
empresa, pessoa etc” (SOCIEDADE, 2000).
Na pesquisa de Amaral e Guimarães (2002) foram pesquisados 141 sites de
bibliotecas universitárias brasileiras, observados com a aplicação de um checklist
para verificação das funções desempenhadas pelos sites. Na pesquisa de
Guimarães (2003) foram pesquisados 65 sites, por meio de questionários enviados
aos diretores das bibliotecas, que poderiam respondê-lo ou delegar a tarefa ao
responsável pelo gerenciamento do site.
O presente estudo resultou da análise dos dados restrita aos 65 sites de
bibliotecas universitárias brasileiras comuns em ambas pesquisas (AMARAL e
GUIMARÃES 2002; GUIMARÃES, 2003), considerando apenas as bibliotecas de IES
denominadas universidades, do setor público ou privado.

4.1

FUNÇÕES

DESEMPENHADAS

PELOS

SITES

DAS

BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS
Das 65 bibliotecas que participaram da pesquisa, 40 (63,5%) eram setoriais e
25 (36,5%) centrais. Com relação a sua natureza, 54 (82,5%) eram vinculadas a
universidades públicas e 11 (17,5%) a universidades privadas.
Com relação aos dados coletados, pôde-se perceber que os itens em que o
índice percentual de ocorrência foi verificado entre 87% e 58% eram os de
informações que podem ser consideradas relevantes para o desempenho da função
informacional. Isto porque, se referiam a: relação dos serviços oferecidos, nome da
biblioteca, nome da instituição, telefone geral, e-mail geral, endereço físico, horário
de funcionamento, equipe, e-mail setorial, número do fax, relação dos produtos
oferecidos, histórico, telefone setorial, fotos e/ou imagens da biblioteca. Os índices
de menores ocorrências, entre 51% e 6%, foram registrados sobre as informações

�de: seções da biblioteca, missão da biblioteca, informações sobre as instalações
físicas, estatísticas, notícias, novidades sobre a biblioteca, eventos realizados pela
ou na biblioteca. Neste contexto, cabe a exceção relativa à missão da biblioteca, que
embora estivesse presente em apenas 28% dos sites pesquisados, trata-se de
informação relevante.
O desempenho da função promocional era inexpressivo, uma vez que o item
indicativo desta função que obteve maior ocorrência, o selo com o logotipo da
instituição, constava em quase metade dos sites pesquisados (n=31). Com relação
ao logotipo da biblioteca, possivelmente as mesmas não possuíam seu próprio
logotipo, uma vez que este tipo de promoção foi pouco observado (n=14). As
animações e as janelas pop up obtiveram índice muito baixo de ocorrência, e
nenhum site utilizava o webcasting, o hot site e os banners, demonstrando que as
bibliotecas universitárias brasileiras ainda não utilizam os avanços tecnológicos
disponíveis para a promoção por meio dos sites.
Observou-se, com relação à função instrucional, pouca preocupação das
bibliotecas relativas às instruções a serem disponibilizadas para os seus usuários por
meio dos sites. A maior ocorrência dos itens indicativos do desempenho dessa
função foi observado em menos da metade das bibliotecas pesquisadas (n=24), que
disponibilizavam nos seus sites instruções sobre os serviços oferecidos. As
instruções sobre os produtos oferecidos pelas bibliotecas, instruções sobre o site, e
as FAQs (frequently asked questions) tiveram ocorrência quase nula. Disponibilizar
instruções sobre o uso da biblioteca e seus produtos e serviços significa ampliar as
condições do uso desses recursos informacionais, missão precípua da biblioteca.
Com relação à função referencial, o item que obteve ocorrência maior foi o
acesso a bases de dados (n=39), seguido do acesso a sites de Instituições (n=36). A
presença dos links para mecanismos de busca ainda é pouco explorada nos sites
das bibliotecas universitárias brasileiras (n=27).

�O desempenho da função de pesquisa foi percebido, significativamente, com a
disponibilidade dos catálogos on-line em 49 sites das bibliotecas pesquisadas. Os
demais serviços disponíveis nos sites tiveram inexpressiva ocorrência, demonstrando
que a oferta de serviços por meio dos sites ainda era pobre e incipiente.
Com relação à função de comunicação, 62 dos sites pesquisados
disponibilizavam links para efetivar contato com a biblioteca. Entretanto, como foi
observada também a ocorrência quase nula dos demais indicativos do desempenho
da função de comunicação por meio dos sites, isto pode significar a despreocupação
das bibliotecas universitárias brasileiras com o uso potencial dos seus sites como
meio de relacionamento efetivo com a sua clientela.

4.2 GERENCIAMENTO DOS SITES COMO INSTRUMENTOS DE RELAÇÕES
PÚBLICAS
Pode-se perceber no gráfico 1, que as equipes responsáveis pelo
gerenciamento dos sites das bibliotecas universitárias pesquisadas estava se
envolvendo muito mais com o gerenciamento do conteúdo, do que com o
gerenciamento tecnológico dos sites.
Gráfico 1 Gerenciamento do conteúdo e gerenciamento tecnológico do site

�Comparativo gerenciamento do conteúdo / gerenciamento
tecnológico
70
60
50
40
30
20
10
0

Gerência conteúdo

ut
ro
O

Em
pr

es
a

v.
/U
ni
lio
Bi
b

ni
ve
r
U

Bi
bl

io

si
da

de

te
ca

Gerência tecnológica

O alto índice de profissionais das bibliotecas que gerenciavam o conteúdo
desses sites já poderia ser esperado, uma vez que esses profissionais são os que,
em princípio, dominam os conteúdos dos sites Web de suas bibliotecas. Seria
aconselhável que as equipes das bibliotecas encarregadas do gerenciamento dos
sites

se

responsabilizassem

por

ambos

os

gerenciamentos,

agilizando

a

inclusão/exclusão de conteúdos, atualização de informações e dados e reformulação
de design nos sites.
Com relação aos recursos humanos, foi constatado que na maioria das
bibliotecas (74%) os bibliotecários integravam a equipe responsável pelo
gerenciamento do site. No que se refere ao número de funcionários envolvidos nesse
gerenciamento, 45% das bibliotecas contava com dois funcionários nesse processo,
20% com um e, somando-se o restante, em 35% das bibliotecas, a equipe era
composta de três a sete funcionários.
Pôde-se inferir que os bibliotecários estavam acompanhando a evolução
tecnológica relacionada com a utilização da Internet, uma vez que estavam se
envolvendo na gestão do conteúdo dos sites de suas bibliotecas. No entanto, o fato
de um grande número de bibliotecas (51%) não exercer o gerenciamento tecnológico
do site pode estar relacionado à falta de funcionários capacitados para tal.

�Grande parte das bibliotecas pesquisadas (n=50), não possuía orçamento
destinado para o gerenciamento do seu site. Dos 24% dos sites restantes, 14% (n=9)
não possuía percentual de orçamento definido e 9% (n=6) contava com até 10% do
orçamento anual da biblioteca.
A definição de orçamento para o gerenciamento do site Web possibilita o
planejamento prévio desse recurso e que o mesmo seja alocado de forma adequada
em investimentos e custeios necessários, requisitos imprescindíveis para que o site
possa alcançar o objetivo para qual foi desenvolvido (CLYDE, 2000).
Dos 80% (n=57) dos respondentes que relataram utilizar o site para o
processo de comunicação com os diversos públicos, 63% (n=36) respondeu que o
fazia disponibilizando informações sobre a biblioteca, 39% (n=22) utilizando o e-mail,
28% (n=16) disponibilizando serviços on-line, 16% (n=9) utilizando o formulário
eletrônico e 11% (n=6) não respondeu a questão. Esses dados foram confirmados
com as observações para verificação das funções desempenhadas pelos sites, uma
vez que poucas bibliotecas disponibilizavam formulários eletrônicos para coletar
sugestões de compras, opiniões sobre o site e os serviços da biblioteca, oferecer
oportunidades de cadastramento aos seus usuários, ou mesmo para coletar críticas
e reclamações.
Ao serem indagados sobre como utilizam o site para mudar opinião, atitude e
imagem da biblioteca, dos 39 respondentes (60% do total) que afirmaram utilizar o
site com essa finalidade, a disponibilização de informações e a divulgação da
biblioteca foi apontada por 74% (n=29) das bibliotecas, a melhora da comunicação
com os públicos por 21% (n=8) e a disponibilização de serviço on-line por 21% (n=8)
dos respondentes.
Mais uma vez os dados coletados confirmam que o processo de comunicação
das bibliotecas com os seus públicos considerava apenas a comunicação
unidirecional.

�Em 56 bibliotecas, a equipe coletava informações sobre os seus públicos, 74%
(n=37) utilizavam essas informações como insumo para o desenvolvimento do site e
das informações e mensagens transmitidas por meio do próprio site. O site como
instrumento de Relações Públicas deve disponibilizar serviços, produtos e
mensagens com base nos resultados de pesquisa prévia sobre a opinião e atitudes
dos públicos. Conhecer a opinião e atitudes dos seus públicos permite que as
bibliotecas disponibilizem informações necessárias para mudar concepções errôneas
e a obter apoio e confiança desses públicos.
O e-mail, a caixa de sugestões e o questionário eram os meios mais utilizados
pelas bibliotecas para coletar informações sobre os seus públicos. A caixa de
sugestões e o e-mail eram utilizados por muitas bibliotecas (mais de 50) com
freqüência diária. Pôde-se perceber que as equipes das bibliotecas estavam
explorando tanto o ambiente virtual, quanto o tradicional para coletar esse tipo de
informação.
Dentre as bibliotecas pesquisadas, 57 utilizavam o site para o processo de
comunicação com os seus diversos públicos. A maior parte das bibliotecas (60% ou
mais) identificou os usuários reais, os usuários potenciais, a sociedade em geral e
outras bibliotecas como seus públicos. Menos da metade se comunicava por meio do
site com os seus funcionários, com a Instituição mantenedora, com os seus
estagiários, com as editoras, com o governo ou com os seus fornecedores. Cinco
bibliotecas (8%) mencionaram outros públicos, entre os quais se inseriam Instituições
internacionais.
As bibliotecas deveriam rever os seus processo de comunicação por meio do
site, incluindo seu público interno como audiência. A instituição mantenedora, pouco
considerada pelas bibliotecas, também deveria ser incluída nesse processo, uma vez
que as bibliotecas são geralmente dependentes dos seus mantenedores para
sobreviverem.

�Sobre a modificação da rotina com base em sugestões enviadas pelos
públicos por meio dos sites, dentre 57 bibliotecas, a maior parte delas (89%, n=51)
realizava mudanças em sua rotina quando recebiam essas sugestões. Ao serem
questionadas sobre como a equipe da biblioteca realiza essas mudanças, 79%
(n=51) das bibliotecas informou que realizava essas mudanças, sendo que na maior
parte delas (84%, n=43), a equipe analisava as sugestões recebidas e dentro do
possível efetivava modificações.
Esses dados demonstraram que as equipes das bibliotecas, responsáveis pelo
gerenciamento dos sites, estavam preocupadas em realizar uma comunicação
simétrica, procurando ajustar os interesses da biblioteca com os de seus públicos.
Essa comunicação balanceada ajuda a obter uma compreensão mútua entre as
partes envolvidas, sendo muito relevante para que o processo de Relações Públicas
possa alcançar resultados positivos, aspecto comentado por Grunig e Hunt (1984).
A maioria das bibliotecas (74%, n=48) não utilizava nenhum procedimento
para verificar quais eram os públicos que estavam sendo efetivamente atingidos pelo
site. No entanto, a maioria delas (66%, n=43) verificava se as mensagens e
informações transmitidas por meio do site eram adequadas aos seus públicos.
Na avaliação do site pela equipe da biblioteca, a falta de conhecimento sobre
quais públicos estavam sendo efetivamente atingidos poderia gerar dificuldade no
processo de verificação da adequação do site aos diversos públicos da biblioteca.
Isso se deve ao fato de que, em primeiro lugar, é necessário identificar e conhecer os
públicos atingidos, para então adequar o site aos mesmos. Faz-se necessário que as
equipes responsáveis pelos sites das bibliotecas repensem o processo de avaliação,
com o intuito de obter um retrato real da situação dessa adequação do site aos seus
públicos.
Entre as bibliotecas, 33 avaliavam as mudanças ocorridas em opiniões,
atitudes dos públicos e imagem sobre a biblioteca após o uso do site, sendo que
94% (n=31) utilizava essas informações para melhorar o desempenho do próprio site.

�Dessa forma, pôde-se inferir que a maioria das bibliotecas que realizava
avaliação nas mudanças ocorridas em opiniões, atitudes dos públicos e imagem da
biblioteca após o uso do site, utilizava essas informações como insumo para o
desenvolvimento e aperfeiçoamento do seu site. A utilização dessas informações
proporciona que o site seja melhor planejado para desenvolver as atividades
promocionais de Relações Públicas, conforme recomendado por Wolfe (1997).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
De uma forma geral, pôde-se perceber que as próprias bibliotecas estavam
envolvidas com o gerenciamento do conteúdo de seus sites, contando, em sua
maioria, com os bibliotecários que fazem parte de seu quadro de recursos humanos
para realizarem esta atividade. No entanto, essas bibliotecas deveriam considerar o
gerenciamento do fator tecnológico na utilização do site como instrumento de
Relações Públicas, bem como definir os recursos financeiros específicos para esse
gerenciamento, podendo assim, alcançar melhores resultados.
No que diz respeito às atividades de Relações Públicas realizadas por meio do
site,

as

bibliotecas

universitárias

brasileiras

pesquisadas

exploravam

a

disponibilização de suas informações e utilizavam o e-mail para realização da
comunicação de duas vias com os seus públicos. Com o intuito de melhorar essa
comunicação, seria necessário que essas bibliotecas considerassem a utilização de
formulários eletrônicos e outros mecanismos que permitem a comunicação
bidirecional, podendo coletar feedback a respeito de seus públicos. Foi constatado
ainda, que os públicos mais considerados no processo de comunicação eram
geralmente os usuários, sociedade em geral e outras bibliotecas. No entanto, essa
pesquisa não verificou se a equipe da biblioteca utilizava a Intranet para realizar a
comunicação com seus funcionários e instituição mantenedora. Mesmo assim, esses
públicos não podem ser negligenciados, dada a sua importância.

�Referente ao propósito da comunicação, pôde ser observado que grande parte
das bibliotecas preocupava-se em atender aos interesses de ambas as partes
envolvidas neste processo, realizando, dessa forma, a comunicação simétrica.
Quanto à avaliação do site como instrumento de Relações Públicas, notou-se
que a avaliação era realizada de forma incipiente, uma vez que os públicos atingidos
não eram identificados por grande parte das bibliotecas. Apesar disso, grande parte
das bibliotecas universitárias brasileiras pesquisadas verificava a adequação do seu
site aos seus diversos públicos, mas não avaliava as mudanças ocorridas na opinião,
nas atitudes desses públicos e na imagem da biblioteca após o uso dos sites.
Os resultados da pesquisa sobre o gerenciamento dos 65 sites de bibliotecas
universitárias brasileiras como instrumento de Relações Públicas foram confirmados
com os resultados das observações desses sites relativas às funções por eles
desempenhadas.
Não se pode afirmar que ao desenvolverem esses sites o planejamento das
funções a serem desempenhadas corresponda ao panorama visualizado pela
pesquisa. Entretanto, como instrumento de planejamento, a classificação das
funções do site pode auxiliar os gerentes das bibliotecas a dimensionarem melhor os
objetivos que pretendem atingir com o uso do site como instrumento de Relações
Públicas, o que, em última instância, contribuirá para melhor alocação dos parcos
recursos disponíveis nas bibliotecas universitárias brasileiras.

REFERÊNCIAS
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das bibliotecas universitárias do Distrito Federal, Brasil. In: CONGRESSO
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�∗

Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília. Caixa Postal
04561 Brasília – DF – Brasil. samaral@unb.br
∗∗
Centro de Informação e Pesquisa da Embaixada dos Estados Unidos, QI 09, Conjunto 17, Lote L,
Casa Thomas Jefferson, Lago Sul – Brasília – DF – Brasil
- CEP: 71625-170
tatiaraguimaraes@yahoo.com.br

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                <text>SNBU - Edição: 13 - Ano: 2004 (UFRN - Natal/RN)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Amaral, Sueli Angelica do; Guimarães, Tatiara Paranhos</text>
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              <text>Os sites das bibliotecas universitárias brasileiras podem desempenhar várias funções e dentre essas funções, a de manter o relacionamento com os seus diversos públicos, desenvolvendo atividades de Relações Públicas. Foram pesquisados 65 sites de bibliotecas universitárias brasileiras com o objetivo de descrever o panorama do uso desses sites como instrumentos de Relações Públicas. O estudo associou dados sobre o processo de gerenciamento dos sites, coletados por meio de questionários remetidos aos diretores das bibliotecas e sobre as funções desempenhadas pelos sites, por meio de observação destes sites por checklist. Verificou-se que a potencialidade dos sites pesquisados como instrumentos para realização de atividades de Relações Públicas estava sendo pouco explorada. Observou-se que as bibliotecas estavam realizando as atividades de Relações Públicas de forma simétrica. No entanto, eram limitadas as oportunidades exploradas pelos sites das bibliotecas estudadas para estabelecer relacionamentos pela comunicação bidirecional.</text>
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