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                  <text>6.16

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UNIVERSIDADE
DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC 1984 A 1994

Elisa C.D.Corrêa*
RESUMO
Pesquisa realizada com a finalidade de resgatar a história da BU/UDESC,
abrangendo o período de 1984 a 1994.
São analisados dados referentes à
atuação da BU/UDESC nas áreas administrativa, Recursos Humanos, acervo,
processamento técnico e prestação de serviços. São apresentados os resultados,
as conclusões e recomendações com base na pesquisa e na literatura analisada.

1 INTRODUÇÃO

A Universidade Brasileira, desde a reforma do ensino superior, efetivada com
a Lei Federal número 5.540/68, vem desempenhando um papel de extrema
importância para o desenvolvimento do País. É através dela que o Brasil tem sido
servido da atuação de profissionais capacitados e habilitados, especializados nas
mais diversas áreas do conhecimento. Conclui-se, desta forma, que há uma estreita
ligação entre o desenvolvimento do ensino superior e o desenvolvimento do País.
Por trás de todo esse processo, as universidades contam com o importante
suporte oferecido pelas bibliotecas universitárias, que têm se constituído em
um dos

principais instrumentos utilizados pelas universidades no alcance de seus

objetivos (MIRANDA, 1978).

*

À época da pesquisa, estudante da 7ª fase do Curso de Biblioteconomia, bolsista do Programa de
Iniciação Científica do CNPq. Atualmente, Bacharel em Biblioteconomia- área Bibliotecas
Especializadas e Universitárias e professora substituta do Depto.BDC da Univ.Federal de SC.

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É através das bibliotecas universitárias que as instituições de ensino superior
tem suprido sua demanda de informação mais sofisticada e específica, exigida a
partir da necessidade de um aprofundamento do nível de especialização do
professorado brasileiro (LIMA, 1978).
Segundo LIMA (1978), o papel exercido pela biblioteca universitária é de
extrema importância, pois a verdadeira reforma do ensino superior no Brasil passa
necessariamente por uma reforma no conceito de biblioteca universitária, de
maneira a transformá-la em um "instrumento dinâmico de transferência de
conhecimentos".
Para que tal reforma aconteça, é necessário que se proceda uma reflexão em
relação aos diversos aspectos que dizem respeito às bibliotecas universitárias,
sempre com o objetivo de otimizar os serviços que elas prestam aos seus usuários.
De posse destas premissas, este trabalho se propôs a analisar historicamente
a BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UDESC (Universidade do Estado de Santa
Catarina) em seus dez anos de atuação, apresentando um balanço histórico no
período de 1984 a 1994, com a finalidade de obter e analisar dados que possam ser
úteis para o desenvolvimento da mesma num futuro bem próximo.
Desta forma, a pesquisa em questão teve como objetivo geral avaliar a
atuação

da Biblioteca Universitária nos seus últimos dez anos de atuação,

compondo um quadro histórico de evolução, sob os pontos de vista Administrativo,
do acervo, dos recursos humanos, do processamento técnico e da prestação de
serviços.
Seus objetivos específicos foram:

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a) verificar a adequação da estrutura organizacional adotada em relação ao
modelo da Universidade;
b) avaliar o crescimento quantitativo do acervo;
c) observar a expansão e qualificação dos recursos humanos;
d) conhecer os serviços-fins oferecidos aos usuários da BU/UDESC.
Para atingir seus objetivos, utilizou-se a seguinte metodologia:
− leitura da documentação pertinente à Biblioteca ( Regimento, Estatuto);
− levantamento de dados referentes à estrutura organizacional,
processamento técnico, recursos humanos, acervo e serviços-fins,
através de consultas a relatórios técnicos e arquivos do Núcleo da BU e
das bibliotecas setoriais;
− entrevistas semi-estruturadas com as bibliotecárias responsáveis pelas
bibliotecas setoriais e diretoras de gestões anteriores e da gestão atual.
A finalidade deste estudo é proporcionar, tanto à BU/UDESC, quanto à
própria Universidade, informações que sirvam como subsídios para uma reflexão
mais ampla e que contribuam para o desenvolvimento de ambas, e como já foi dito,
contribuam conseqüentemente, para o desenvolvimento do País.

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3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

3.1 ASPECTOS ADMINISTRATIVOS

A BU/UDESC foi implantada em 20 de junho de 1984, pela Resolução nº
001/84 do CONSEPE, com o seguinte objetivo: "oferecer suporte informacional aos
programas de ensino, pesquisa e extensão para a UDESC" (UDESC, 1984).

Na publicação "Conheça a UDESC" (v. 1, 1991), publicada pela própria
Instituição, a BU recebe a seguinte definição:
A
biblioteca
universitária
de
natureza
técnico-didático-administrativa,
supervisionada pela Pró-Reitoria de Ensino, com ação em toda Universidade. Dada
a situação física espacial peculiar da Udesc, que se caracteriza como multi-campi, a
Biblioteca Universitária adota um sistema de centralização parcial. Seu modelo
abriga um núcleo central de natureza administrativa e técnica, que é responsável
pela execução dos serviços indiretos aos usuários de seis Unidades Setoriais, que
são responsáveis pelo atendimento direto aos usuários.

A definição acima resume o objeto de estudo da presente pesquisa, servindo
como ponto de partida para a descrição das atividades executadas, bem como dos
dados obtidos e de suas respectivas análises e conclusões.
A BU é um órgão suplementar da UDESC, vinculada à Pró-Reitoria de
Ensino, e é composta por um Núcleo Central localizado no prédio da Reitoria, no
bairro do Itacorubi - Florianópolis, e por seis bibliotecas setoriais, a saber: FAED,
ESAG, CEART E CEFID em Florianópolis, CAV em Lages e FEJ em Joinville.
Segundo dados obtidos no Regimento Interno da BU, a mesma possui a
seguinte estrutura organizacional: Direção;

Secretaria;

Divisão de Formação,

Desenvolvimento e Preservação do Acervo; Divisão de Assistência e Orientação ao

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Usuário; Divisão de Processamento Técnico; Divisão de Cooperação entre
Bibliotecas; Bibliotecas Setoriais.
A direção da BU cabe a diretora, enquanto que as divisões e bibliotecas
setoriais são dirigidas por chefias subordinadas, também, ao Núcleo da BU.
À diretora cabe a supervisão, orientação e controle de todas as atividades da
BU, representá-la nas reuniões da UDESC, proceder a designação dos Chefes das
Divisões e Bibliotecas Setoriais, delegando, inclusive, competências às chefias.
A Divisão de Formação, Desenvolvimento e Preservação do Acervo dispõe de
uma bibliotecária responsável pela execução de serviços que objetivam "garantir o
crescimento planificado do acervo em termos de pertinência e relevância e em grau
de quantidade e excelência com os conteúdos de ensino, pesquisa e extensão"
(Regimento Interno/BU).
A Divisão de Processamento Técnico é composta por três bibliotecárias e tem
como objetivo preparar tecnicamente todo material informacional, remetendo-o
pronto para as setoriais, dentro do menor espaço de tempo possível.
As bibliotecas setoriais são unidades cujas atribuições são: assistência,
orientação e treinamento de usuários na utilização da biblioteca, manutenção de
catálogos e arquivos organizados e atualizados, empréstimo, serviços especiais
como comutação bibliográfica, empréstimos inter-bibliotecários, divulgação do
acervo e serviços da biblioteca, estatística diária e acumulada de consulta,
empréstimo e prestação de serviços especiais. Além disso, deve prestar relatório de
atividades ao Núcleo e enviar listagem de material bibliográfico a ser adquirido.
Segundo MERCADANTE (1990),
a escolha de estruturas organizacionais não se dá por acaso. Tem que se considerar
o aspecto histórico da instituição como um dos principais fatores determinantes da

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adoção de medidas de estruturação numa organização...É importante, porém, que
se reflita sob a ótica administrativa em que o processo de desenvolvimento de uma
instituição acontece, a sua estruturação, e a que ela deve atender.

Esta afirmação torna-se real no caso da BU/UDESC.

Uma vez que a

instituição adota o sistema multi-campi, a distribuição em bibliotecas setoriais tornase o meio viável de suprir as necessidades informacionais dos centros pertencentes
à universidade, dispersos em três campi, conforme já visto anteriormente.
Na opinião da bibliotecária Maria Helena KRÜGER, diretora da BU em 1991,
"a estrutura utilizada pela BU/UDESC, que adota o modelo multi-campi, é a ideal.
Imagine cada centro comprando e processando todo o material informacional. Isto,
em termos de custos, se torna violento, sem falar no descontrole que seria gerado,
no sentido de que o acervo da BU seria muito difícil de ser controlado pela UDESC.
Isto está provado que não resolve."
Embora seja adequado o modelo adotado, ele acarreta alguns problemas,
principalmente pela distância entre o Núcleo e as Setoriais, especialmente os campi
de Joinville e Lages. A demora da chegada dos livros à estante tem gerado
descontentamento por parte dos Centros.
A distância física provoca morosidade ainda maior em todo o processo de
aquisição, processamento e envio de material bibliográfico, que por si só já costuma
ser lento. Um outro problema, de ordem administrativa, reside no fato de que as
chefias das Bibliotecas Setoriais são indicadas pelos diretores de cada centro,
ficando implícita uma subordinação direta das chefias junto aos diretores de centro.
Muito embora o Regimento seja claro em afirmar que a indicação das chefias das
Setoriais cabe à direção da BU e que é ao Núcleo que as mesmas estão

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subordinadas, na prática isto não ocorre. Tal fato torna ainda mais burocráticos os
procedimentos e a comunicação entre o Núcleo e as Setoriais.
Embora haja um certo consenso com relação ao tipo de estrutura adotado, há
divergências de opiniões. No período da pesquisa, a diretora da BU, Maria Zulmira
P. QUITES, afirmou que uma mudança do tipo "desativação do núcleo" não seria
apropriada, uma vez que surgiriam alguns problemas como duplicação de serviços,
dificuldades em controlar o acervo e a aquisição, além de gastos extras com
aquisição de material e adequação física das Setoriais.
No que diz respeito à morosidade do processo burocrático de aquisição,
sabe-se que o mesmo costuma ser lento pela sua própria natureza. Em qualquer
instituição pública serão encontradas as mesmas dificuldades.
Outro fator determinante, que será abordado posteriormente, é o reduzido
número de profissionais atuando no Núcleo, especificamente no Setor de
Processamento Técnico.
De qualquer forma, uma conclusão a que se pode chegar é de consenso: a
situação da BU é desconfortável, e algo precisa ser feito para que o quadro seja
modificado.

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3.2 ACERVO

Em 1985, sob a direção da Profª MITSI TAYLOR, procedeu-se um inventário
no qual se levantou a quantidade de 62.130 livros e 213 títulos de periódicos. Até
então, todas as atividades de aquisição, processamento técnico e administração de
acervo corriam por conta de cada Setorial. A partir da implantação do Núcleo, estas
atividades passaram a ser centralizadas e efetuadas pela equipe que nele
trabalhava.
Atualmente, a aquisição centralizada é feita com recursos financeiros
advindos do repasse de 10% das verbas de cada Centro, efetuando-se a compra
em dois períodos previamente estabelecidos pelo Núcleo.
Nos anos de 1986 a 1989, os relatórios anuais não trazem estatística alguma
com relação ao acervo, pressupondo-se não ter havido nenhum inventário naquele
período. Apenas no ano de 1990, surgem novos números: o acervo total era de
52.619 exemplares, o que representa uma queda de quase 10.000 exemplares com
relação à primeira estatística. Em entrevista com a primeira diretora da BU, Profª
Mitsi TAYLOR, a explicação mais plausível para este fato reside em que no período
que antecede a implantação da BU, as setoriais eram as responsáveis

pelos

processamentos técnicos, os quais não obedeciam a qualquer política de ordem
técnica e administrativa, resultando em

falhas como coleções catalogadas em

duplicidade, folhetos fichados como livros, exemplares contados como títulos. Após
a criação da BU, estas falhas foram corrigidas, e o número real era, por isso, bem
menor do que se esperava, sendo constatado
quando novo inventário foi realizado.

e organizado apenas em 1990,

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A partir disto, o acervo passa a desenvolver-se de forma equilibrada,
chegando em 1994 a 59.576 exemplares.

3.3 RECURSOS HUMANOS

A maior carência da BU/UDESC, desde a sua implantação, é justamente com
relação aos recursos humanos. Através de leitura dos relatórios anuais do Núcleo,
pode-se constatar as constantes reclamações quanto ao reduzido número de
pessoal, especialmente nos serviços prestados pelo Núcleo. A ampliação do quadro
de pessoal sempre foi uma constante luta durante todas as gestões de todas as
diretorias da BU.
Em 1990, houve a contratação de três bibliotecárias e três técnicosadministrativos. Com isto, a situação foi amenizada, porém não solucionada. Em
1994, o quadro de funcionários do núcleo era o seguinte: cinco bibliotecárias (uma
na direção e quatro técnicas), um digitador e um auxiliar. Na opinião da diretora
Maria Zulmira, o ideal seria um bibliotecário responsável pelo acervo de cada
Setorial, o que só seria possível através de contratação a partir de concurso público.
Outra solução seria descentralizar o processamento técnico apenas das Setoriais
de Joinville e Lages, continuando a aquisição centralizada pelo Núcleo, tendo em
vista as facilidades de contato com o mercado livreiro na capital. Desta forma, o
Núcleo estaria menos sobrecarregado.
No que diz respeito às Setoriais, a maior carência é com relação aos
auxiliares de bibliotecas, uma vez que a demanda nos Centros é muito grande e

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poucas vagas foram abertas para contratação de pessoal. As Setoriais mais
prejudicadas com a falta de pessoal são a FEJ, o CAV e o CEFID.
A BU tem tentado amenizar a situação, contratando profissionais temporários,
agilizando o processamento técnico e o envio de material para as Setoriais.
Outro assunto diretamente ligado a Recursos Humanos é a qualificação do
pessoal, preocupação constante em todas as gestões das diretorias da BU. Desde a
sua criação, a BU tem oferecido oportunidades de atualização e aperfeiçoamento
aos profissionais a ela vinculados, através de cursos de aperfeiçoamento em
diversas áreas. Além disso, tem sido incentivada a participação dos bibliotecários
em eventos ligados à área de Biblioteconomia.
Desta forma, a BU procura dotar suas bibliotecas com pessoal qualificado
para a prestação de bons serviços junto à sua comunidade, muito embora enfrente
barreiras criadas pelos próprios profissionais que atuam nas Setoriais. É sabido que,
para que haja um verdadeiro desenvolvimento das bibliotecas e para que os
serviços prestados tenham um nível satisfatório, é de extrema importância a
disposição de cada bibliotecário no sentido de agir dinamicamente e com muita
criatividade, colocando em prática a teoria recebida nos cursos e treinamentos.

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3.4 PROCESSAMENTO TÉCNICO

A automação dos serviços técnicos em bibliotecas tem contribuído de forma
significativa para agilizar todo o processo, especialmente através da cooperação
em rede, como no caso da BU, com o Bibliodata-Calco da Fundação Getúlio Vargas.

Os primeiros contatos com a Rede Bibliodata-Calco aconteceram em meados
de 1987, sendo que o Contrato de Prestação de Serviços Técnicos pela FGV só foi
fechado em 28.03.88. A BU passa, assim, a ser membro cooperante da Rede,
encaminhando planilhas e obras classificadas e catalogadas para implantação, e
recebendo jogos de fichas catalográficas, etiquetas de lombadas e fichas de bolso
de obras já incluídas na Rede, o que permite uma considerável economia de tempo.
Em 1988, com o agravamento da falta de verbas e a constante carência de
pessoal, a BU chegou a ser desativada por um período de dois anos, até 1990. Em
consequência, o convênio com a FGV também foi desativado. A gestão seguinte, da
bibliotecária Ana Maria Juliano, teve como prioridade reativar o convênio e
incrementar a aquisição, dando continuidade aos serviços do Núcleo, que haviam
sido interrompidos. A partir daí, nas gestões que se seguiram, iniciou-se um
crescimento da produção do Setor Técnico da BU.
A maior dificuldade do Setor é exatamente a falta de Recursos Humanos, que
prejudica o andamento dos serviços e causa lentidão no processo de preparação
dos livros para envio às Setoriais.

3.5 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS-FINS NAS SETORIAIS

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Este ítem é de grande importância, uma vez que se pode afirmar que a
imagem de uma instituição como a UDESC passa necessariamente pela imagem
dos serviços prestados por suas bibliotecas.
Nas Setoriais da BU/UDESC, os serviços mais freqüentemente prestados são
os de empréstimo e consulta de material bibliográfico. Pode-se até mesmo afirmar
que na maioria das Setoriais os serviços prestados limitam-se a estes.
Algumas Setoriais como a FEJ e o CAV, oferecem serviços do COMUT. Os
serviços de divulgação de materiais novos (geralmente através de listas expostas
em murais) e visitas orientadas são os poucos serviços prestados.
Nenhuma Setorial oferece empréstimos inter-bibliotecários, treinamento aos
usuários ou serviços de disseminação seletiva de informação. Também não se
encontram disponíveis serviços de levantamento bibliográfico e, com a lentidão do
processo de informatização, ainda é impossível o acesso a bases de dados online.
Mesmo os serviços de empréstimo e consulta, que são os mais explorados, não se
encontram em ascensão.
Um fator determinante desta situação é a postura dos profissionais alocados
nas Setoriais, cuja conduta deveria ser mais dinâmica, com respeito à participação
em cursos e eventos, como já foi mencionado.

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Este não é um problema específico da UDESC. SANTANA (1989), afirma que
de modo geral, o maior e por vezes o único serviço oferecido pela biblioteca
universitária brasileira é o de empréstimo e consulta de livros aos estudantes de
graduação. Um dos aspectos mais danosos dessa situação está no fato de que ela é
encarada com naturalidade tanto pelos dirigentes e pela comunidade universitária
em geral, quanto pela maioria dos bibliotecários - os primeiros por ignorarem que
outros serviços poderiam obter desses órgãos e por considerá-los essencialmente,
um depósito de livros ao qual se recorre apenas quando é indispensável um
empréstimo, os segundos, porque já se acomodaram ao estado de indigência das
bibliotecas, como se essa situação fosse imutável e irreversível.

4 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

4.1 ASPECTOS ADMINISTRATIVOS

Considerando a estrutura multi-campi adotada pela UDESC, conclui-se que o
modelo de centralização parcial é perfeitamente adequado à uma instituição como
esta, na qual existe uma separação física entre seus campi. O processamento
técnico e a aquisição, centralizados em um núcleo junto à Reitoria, Pró-Reitorias e
Departamentos Jurídico e Financeiro, facilitam a comunicação entre Setoriais e
Administração Superior, além de proporcionar economia no sentido de evitar
duplicidade de serviços e um controle de acervo mais efetivo.
Mas isto não é suficiente. Existe, além da centralização dos serviços
técnicos, uma centralização administrativa que precisa ser respeitada, um regimento
e um organograma que precisam ser conhecidos e cumpridos para que funções,
direitos e deveres sejam bem estabelecidos e para que haja harmonia e
uniformidade de procedimentos e padronização de serviços, dentro de um mínimo
de qualidade que a BU se propõe a oferecer.
Portanto, recomenda-se:

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a) que seja feito um trabalho de marketing pelo qual se façam conhecidas a
estrutura e o funcionamento da BU, bem como as normas de seu
Regimento, fazendo-o valer em todos os seus artigos;
b) incentivar a realização de fóruns de debates sobre as bibliotecas
universitárias catarinenses.

4.2. ACERVO

Podem-se considerar vencidos os problemas de administração de recursos
que impediam a aquisição de obras para suprir a demanda informacional. A
aquisição concentrada em dois períodos anuais

permite que haja uma melhor

administração deste serviço. No entanto, com relação à quantidade do acervo,
segundo CARVALHO (1981), a UNESCO fixa um número de setenta e cinco
volumes por usuário (em livros) para países em desenvolvimento. A UDESC possui
um total de 5.917 usuários, somando os seis centros. O número total do acervo em
1994 foi de 59.576 exemplares, resultando em dez exemplares por usuário, bem
abaixo do padrão estipulado pela UNESCO.
Por outro lado, o Conselho Federal de Educação fixa normas para
autorização e reconhecimento de Universidades, pelas quais as bibliotecas
universitárias

devem ter no mínimo 30.000 volumes. Neste aspecto, a UDESC

encontra-se em situação confortável.
O importante, ao analisar estes dados, é saber que tipo de biblioteca e,
conseqüentemente, que tipo de universidade se deseja ter. Os padrões existem
como parâmetros que devem ser observados, visando uma qualidade de serviços

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cada vez maior. Todo investimento que proporcione a promoção do saber deve ser
incentivado. E o acervo de material informacional de uma universidade, crescendo
de forma planificada e coerente com os objetivos dos cursos ministrados pela
instituição, reflete de maneira positiva na imagem que a mesma possui junto à
comunidade à qual presta seus serviços.
Apresentam-se as seguintes recomendações:
a) incrementação do projeto de crescimento planificado do acervo;
b) criação de um comitê de usuários nas Bibliotecas Setoriais, com a
participação representativa de docentes e discentes no processo de
desenvolvimento de coleções;
c) exigência de inventários anuais para controle do acervo;
d) criação de uma oficina de restauração e encadernação que atenda todos
os centros;
e) padronização na elaboração de estatísticas de uso das coleções.

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4.3 RECURSOS HUMANOS

Desde a sua criação até a conclusão desta pesquisa, a BU sempre sofreu
com a crônica carência de Recursos Humanos. Este é um problema que atinge toda
a categoria. ASSUNÇÃO et al. citados por CARVALHO (1981), afirmam que "a
biblioteca universitária, em geral, não se encontra equipada de recursos materiais e
humanos. Falta-lhe, sobretudo, pessoal profissional e não profissional em número e
qualidade, impedindo adequada distribuição de tarefas".
Analisando-se o caso da BU/UDESC, verifica-se que o Núcleo precisa ser
fortalecido com a contratação de profissionais bibliotecários a fim de atender a
demanda dos Centros. Nas Setoriais, há a necessidade de aumentar o número de
auxiliares, melhorando o atendimento e permitindo que o bibliotecário desempenhe
atividades de planejamento e administração que incrementem os serviços
especializados e a promoção das Bibliotecas Setoriais.
Recomendações:
a) contratação de bibliotecários e auxiliares de biblioteca para Núcleo e
Setoriais, conforme sugestão da diretora do Núcleo;
b) incrementação do projeto de capacitação e qualificação profissional já
existente.

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4.4 PROCESSAMENTO TÉCNICO

Neste aspecto, pouca coisa precisa ser mudada. Apesar de todas as
dificuldades, é o Setor que melhor vem desempenhando suas funções. Como
recomendações, sugere-se:
a) contratação de mais bibliotecários para o Núcleo, formando uma equipe
de seis profissionais, que seriam encarregados , cada um, por um Centro
e que, segundo a demanda, eventualmente participariam de outros
projetos elaborados pelo Núcleo;
b) agilização da informatização de todo o processo de tratamento das obras.

4.5 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Este é o ponto mais crítico de todos, porque depende quase que
exclusivamente da postura assumida pelos bibliotecários que estão à frente das
Setoriais. Este é o trabalho mais difícil de ser feito: passa por toda uma cultura,
uma formação, uma disposição avançada ou retrógrada. Por mais que cursos sejam
oferecidos, que haja participação em eventos, por mais livros que se compre e por
mais rápido que os mesmos cheguem às estantes, depende do bibliotecário fazer
conhecido este acervo e torná-lo disponível aos seus clientes de maneira criativa.
Depende dele tornar a biblioteca um lugar agradável e fazer com que seja cada vez
mais freqüentada.
Por todos estes aspectos, a questão torna-se muito mais complicada de ser
analisada e muito distante de uma conclusão final. Núcleo e Setoriais devem

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chegar, através do diálogo, a caminhos comuns que permitam encontrar soluções
práticas para estes problemas.
Recomendações:
a) padronização de serviços a serem prestados pelas Setoriais, com
incentivo a serviços de DSI (Disseminação Seletiva da Informação);
b) exigência de Estudos de Usuários periódicos nas Setoriais, a fim de medir
o nível de satisfação e os anseios da comunidade acadêmica no que diz
respeito à biblioteca universitária;
c) incrementação dos programas de marketing de bibliotecas;
d) agilização da informatização nos serviços das Setoriais;
e) criação de mecanismos de incentivo que promovam a qualidade dos
serviços.
Espera-se que as informações aqui registradas sejam úteis para que haja
uma reflexão sobre a situação da BU/UDESC, que na verdade representa a situação
de grande parte das bibliotecas universitárias brasileiras.

ABSTRACT
The paper describes research into the history of the State University of Santa
Catarina (UDESC) academic library between 1984 and 1994, analysing data
concerning its administration, staff, collection, technical processing and services. The
results are presented, together with conclusions and recomendations based on the
research and the literature analysed.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 CARVALHO, M. C. R. de. Estabelecimento de padrões para bibliotecas
universitárias. Fortaleza : UFC, 1981.

�6.16

2 LIMA, Etelvina. A biblioteca no ensino superior. Brasília : CAPES/ABDF,
1978.
3 MERCADANTE, Leila M. Z. Análise de modelos organizacionais de
bibliotecas universitárias nacionais. Brasília : PNBU, 1990.
4 MIRANDA, Antonio. Biblioteca universitária no Brasil : reflexões sobre a
problemática. Brasília : CAPES/ABDF, 1978.
5 SANTANA, Isnaia Veiga. Biblioteca universitária e transferência da informação:
problemas e perspectivas. Ci. Inf., Brasília, v. 18, n. 1, p. 35-44, jan./jun.
1989.
6 UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Resolução nº 001 de 20
de junho de 1984. Dispõe sobre a implantação da Biblioteca Universitária da
UDESC. Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONSEPE Florianópolis, 20 de junho de 1984.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Evolução histórica da Biblioteca Universitária da Universidade do Estado de Santa Catarina- UDESC 1984-1994. </text>
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              <text>Pesquisa realizada com a finalidade de resgatar a história da BU/UDESC, abrangendo o período de 1984 a 1994. São analisados dados referentes à tuação da BU/UDESC nas áreas administrativa, Recursos Humanos, acervo, processamento técnico e prestação de serviços. São apresentados os resultados, as conclusões e recomendações com base na pesquisa e na literatura analisada.</text>
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