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                  <text>MUDANÇA NA GESTÃO DAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS PÚBLICAS
ATRAVÉS DA IMPLEMENTAÇÃO DO CUSTOMER RELATIONSHIP
MANAGEMENT (CRM)

Andrew B. Finger∗
Gardênia de Castro∗∗

RESUMO
Propõe uma mudança na forma de gestão das Bibliotecas Universitárias (BU’s)
Públicas através da implementação de um modelo genérico de Customer
Relationship Management (CRM). São apresentados os objetivos que se pretende
alcançar com a aplicação do modelo, seus passos de implantação, e sua
viabilidade. O CRM foi escolhido por se tratar de uma forma de gestão centrada
no cliente, que pode ser aplicada a qualquer tipo de organização e que têm
apresentado bons resultados em diversas empresas que utilizam esta tecnologia.
Nas BU’s públicas pode trazer benefícios e melhorias reais a estes órgãos que
muitas vezes sofrem em função do mau atendimento aos seus clientes e com
problemas na prestação de seus serviços, dificultando e desmotivando a prática
de pesquisas e consulta as bases de dados nas Universidades Públicas. Uma
nova forma de gestão com CRM, requer a definição de uma filosofia de
funcionamento, partindo da idéia de centralização no cliente, afim de que se
possa identificar (ou reformular, ou criar), os processos da organização, para o
melhor atendimento de seus clientes, possibilitando assim, uma mudança na
gestão das BU’s e um conseqüente melhor alcance de seus objetivos.
PALAVRAS-CHAVE: Bibliotecas universitárias.
públicas. CRM em Bibliotecas Universitárias.

Bibliotecas

universitárias

1 INTRODUÇÃO
O presente artigo procura demonstrar como pode ser possível uma
mudança na forma de gestão das bibliotecas universitárias - BU’s públicas através
da

implementação

de

um

modelo

genérico

de

Customer

Relationship

Management – CRM.
O CRM foi escolhido por se tratar de uma forma de gestão centrada no
cliente, que pode ser aplicada a qualquer tipo de organização. Segundo Swift

�(2001, p.12), a “gerência de relacionamento com clientes é uma abordagem
empresarial destinada a entender e influenciar o comportamento dos clientes, por
meio de comunicações significativas para melhorar as compras, a retenção, a
lealdade e a lucratividade deles”.
Desta forma, o CRM agrupa e gerencia outras formas de Tecnologia da
Informação – TI passando a ser uma linha estratégica de definição das
tecnologias (como Business Inteligence, Data Mining, entre outros) a serem
adotadas e utilizadas para o melhor funcionamento e desempenho da
organização e do alcance de seus objetivos.
A escolha de aplicação do CRM em BU’s públicas ocorre em função do
bom resultado apresentado em diversas empresas que utilizam esta tecnologia,
podendo assim, trazer benefícios e melhorias reais a estes órgãos que muitas
vezes sofrem em função do mau atendimento aos seus clientes e com problemas
na prestação de seus serviços, dificultando e desmotivando a prática de
pesquisas e consultas a bases de dados via BU’s nas Universidades Públicas.
Através do CRM será possível para a BU descobrir seus clientes, conhecêlos, manter comunicações com eles, assegurar que recebam o que desejam da
organização em cada detalhe, assegurando por fim, a manutenção deste cliente.
A seguir este artigo buscará demonstrar as questões relacionadas com a
forma e mudança de gestão da BU’s Públicas, apresentando e discutindo um
modelo de CRM genérico. Serão demonstradas questões práticas e os passos de
implementação do modelo, sua viabilidade e dificuldades que as BU’s podem
encontrar.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: BUSCAS E MUDANÇAS
As Bibliotecas Universitárias – BU’s são conceituadas tradicionalmente
como bibliotecas de Instituição de Ensino Superior - IES, destinadas a suprir as
necessidades informacionais da comunidade acadêmica, no desempenho de suas
atividades de ensino, pesquisa e extensão (CARVALHO, 1981). É um organismo

�vivo, interativo e dinâmico que só existe com a participação da comunidade
acadêmica tendo como objetivo fornecer infra-estrutura bibliográfica e documental
aos cursos, pesquisas e serviços mantido pela universidade.
Para o alcance desse objetivo as BU’s possuem serviços e processos
internos e externos. Como serviços externos, a BU’s geralmente oferecem os
seguintes serviços ao usuário: consulta local e on-line do acervo, orientação
bibliográfica (orientação quanto à normalização de trabalhos científicos e de
referências bibliográficas), treinamento de usuário (tem por objetivo familiarizar os
usuários com a organização e distribuição física do acervo e com o
funcionamento geral da biblioteca), empréstimo de material bibliográfico,
empréstimo entre bibliotecas, renovação e reserva de material, reprografia e
comutação bibliográfica.
Os processos internos desenvolvidos pelas BU’s são os processos
relacionados ao processamento técnico, seleção e aquisição de documentos.
Os principais clientes das BU’s Públicas são os alunos/usuários
formalizados da instituição, os professores e funcionários, que podem usufruir de
todos

os

serviços

oferecidos

pelo

órgão

com

algumas

características

diferenciadas para cada grupo. Um outro grupo seria o público em geral que tem
apenas a possibilidade de utilizar o serviço de consulta local ao acervo.
As diversas mudanças que têm ocorrido sejam elas sociais ou econômicas,
tem levado as organizações a redefinirem seus papéis e seu funcionamento. Ao
longo dos anos isto também tem acontecido com às organizações de ensino,
fazendo com que as universidades realizem discussões e mudanças sobre seus
processos e atividades.
Neste contexto, as BU’s como parte (importante) desta organização
também tem sido levada e forçada a uma busca por novos resultados e
desempenhos. Melhorar seus processos internos para uma maior agilidade e
eficiência, bem como seus serviços externos aos seus clientes, são os desafios.

�Os processos técnicos internos das BU’s certamente são relevantes para
seu funcionamento, mas tornam-se fundamentais ao servirem como suporte aos
serviços informacionais oferecidos pelas BU’s.
Macedo (1990, p. 12), apresenta isto, conceituando o serviço de
informação nas BU’s como: “[...] pessoal, arquivo, equipamento, metodologia
própria para melhor canalizar o fluxo final da informação e otimizar o seu uso, por
meio de linhas de atividades. Momento em que o acervo de documentos existente
na biblioteca vai transformar-se em acervo informacional”.
Mas, como salienta Gigante (1996, p. 4)
[...] até o momento, muita ênfase se tem dado ao aspecto de
armazenamento da informação, com acervos imensos, em
suportes os mais diversos. Utilizam-se as classificações, como
instrumento de organização desses acervos. Perde-se ainda
muito tempo nas atividades inerentes a esse processo, e
esquece-se que o objetivo primordial de todo esse trabalho é o
acesso pelo usuário.

E é esta visão centrada no cliente que a maioria dos autores modernos de
Marketing prega que dificilmente é encontrada na gestão de BU’s. De forma
alguma se pretende dizer que os gestores e os bibliotecários não pensam em
seus usuários, mas sim demonstrar que por definição a BU apresenta esta
definição, mas na prática dificilmente ela é concebida em função das
necessidades e da satisfação de seus usuários.
Uma prova desta afirmação é a avaliação de satisfação dos usuários, que
dificilmente é realizada pelas BU’s, sejam públicas ou privadas, e que menos
ainda possuem mecanismos de transformar os resultados em mudanças.
Diversas BU’s tem buscado assim, novas formas e modelos que
possibilitem um avanço e desenvolvimento em sua forma de gestão dos seus
processos, estrutura e serviços. Enxergar os desejos e necessidades dos
usuários, indo além da “caixa de sugestão” tem sido imperativo no alcance destes
avanços.

�A proposta de melhoria da qualidade das BU’s através da ISO, é um
exemplo de modelo que procura avaliar os serviços técnicos internos das BU’s
sem deixar de lado a satisfação dos usuários.
A ISO 11620 percebe a biblioteca como um centro de serviços, comumente
a visão do gestor da biblioteca, a qual a satisfação do usuário é fundamental. A
ISO 11620 da área de Informação e Documentação, apesar de pouco divulgada e
implementada no Brasil, é um padrão que procura estabelecer processos de
avaliação de bibliotecas de todo tipo. O seu principal objetivo é estimular o uso de
indicadores de qualidade nas bibliotecas e difundir a informação necessária para
que qualquer biblioteca possa empreender um processo de avaliação de seus
serviços.
A norma ISO para Bibliotecas possui três áreas principais de avaliação:
Opinião do Usuário, Serviços Públicos e Serviços Técnicos.
A área de avaliação referente à Opinião do usuário procura identificar quais
as reais satisfações dos usuários dos serviços da biblioteca, enquanto que a
segunda e a terceira área avaliam quantitativamente os serviços da Biblioteca.
Esse modelo de ISO apresenta uma forma de como as BU’s podem avaliar
seus serviços e iniciar um direcionamento de seus processos e serviços para os
seus clientes/usuários.
Autores e pesquisadores do mundo inteiro têm discutido as BU’s
procurando identificar como adaptar diversas ferramentas, modelos e propostas
para o desenvolvimento das BU’s. A questão da qualidade, como visto com a ISO,
a Gestão do Conhecimento têm sido apontados como os pontos que mais podem
influenciar na mudança da gestão e modelos das BU’s.
Mas tanto a qualidade, quanto a Gestão do Conhecimento, apontam para
melhorias através e para os usuários, unindo-se a idéia de centralização nos
clientes.

�Como as BU’s públicas não apresentam uma pressão como os setores
privados em relação ao retorno sobre os investimentos e obtenção de vantagens
competitivas, a idéia de mudança de sua forma de gestão e a procura por novas
ferramentas, basea-se em atingir maior satisfação de seus clientes e excelência
operacional.
Por isso, acredita-se que a implementação do CRM em uma BU pública
possa servir de inicio e experiência para a implementação em outros setores que
prestam serviço dentro das universidades públicas, melhorando a qualidade
destes serviços oferecidos, e a relação entre a instituição e seus clientes e
participantes.

3 APLICAÇÃO DO CUSTOMER RELATIONSHIP MANAGEMENT - CRM
Esta forma de gestão requer a definição de uma filosofia de funcionamento,
partindo da idéia de centralização no cliente, afim de que se possa identificar (ou
reformular, ou criar), os processos da organização, para o melhor atendimento de
seus clientes. O CRM foca no gerenciamento das relações entre as organizações
e a sua base de clientes atuais e futuros como chave para o sucesso (GEBERT,
et al., 2003).
Ao coletar informações e dados sobre as necessidades e desejos dos
clientes, a organização muda seus comportamentos, diferenciando os clientes
com base em seu valor e suas necessidades, diferenciando e adaptando então
seu atendimento.
A utilização do CRM segundo Swift (2001) busca o alcance de alguns
objetivos específicos como: gerenciamento de relacionamentos com os clientes;
personalizar ofertas para cada cliente; Coordenar as comunicações em cada
ponto de contato com o cliente; e, capturar e analisar as informações de canais,
de modo a se aprender continuamente.
Segundo Gebert, et al. (2003), a implantação do CRM em uma organização
irá possibilitar: adquirir e continuamente atualizar o conhecimento sobre as

�necessidades dos clientes, motivações e comportamento durante o período de
relacionamento; aplicar o conhecimento sobre clientes para continuamente
melhorar a performance através de um processo de aprendizado dos sucessos e
falhas; integrar o marketing, vendas e atividades de serviços para alcançar os
objetivos; implementação de sistemas apropriados para suportar a aquisição e
compartilhamento de conhecimento sobre clientes.
A proposta apresentada neste artigo possui um caráter inovador, pois as
BUs, apesar de estarem evoluindo e melhorando de forma significativa sua gestão
nos últimos anos, geralmente ainda o fazem com uma base quantitativa,
verificando apenas se o volume de obras por aluno, ou a quantidade de títulos
para uma disciplina é a correta. Isto ocorre em função das imposições do MEC
para se estabelecer padrões mínimos de condições ao ensino. Certamente
trazem benefícios e são uma forma de controle e verificação até mesmo da
qualidade dos serviços. O que está se propondo, através deste artigo, é como
dito, aliar estas práticas a um direcionamento para os clientes.
Como as BU’s são uma unidade prestadora de serviços, o atendimento as
necessidades, a formatação dos serviços e a busca de soluções em informação
devem partir através do contato e conhecimento dos clientes que usam estes
serviços.
O CRM não apresenta uma unificação com relação a um modelo. Diversos
autores apresentam modelos diferentes com enfoques diferentes de como aplicar
CRM.
Propostas como a de Peppers e Rogers (2001) e Swift (2001) apresentam
similaridades em seus modelos, enquanto que Buttle (2001) e Flanagan e Safdic
(1998), diferem com modelos enfocando “a cadeia de valor do CRM” e um modelo
cíclico de CRM respectivamente.
A proposta de implementação do CRM na Biblioteca Universitária Pública
terá aqui como base o modelo proposto por Peppers e Rogers (2001, p. 7-9), que
é constituído de quatro passos básicos que sintetizam a aplicação desta TI, e
englobam todos os processos e serviços da organização.

�Os quatro passos do modelo seguindo sempre esta ordem são: identificar,
diferenciar, interagir e personalizar.
Indentificar: o primeiro passo do modelo trata da identificação dos clientes da
organização, levantando e coletando o maior número de dados e detalhes
possíveis sobre cada um dos clientes, para que se possa conhecê-los e criar a
base para um relacionamento. Segundo Swift (2001, p. 40), “o sistema precisa
coletar dados detalhados de diversas fontes de interação e transação com os
clientes, em todos os locais da empresa, e transformá-los em informações e
conhecimento, que são utilizados por gerentes e planejadores”.
No caso da BU pública os clientes são considerados os seus usuários que
buscam informações através dos diversos serviços oferecidos. Estes usuários são
caracterizados como alunos, professores e funcionários da Instituição a qual a
Biblioteca está vinculada.
Para a identificação destes usuários, a BU conta com a base de dados
específica que a instituição possui, através dos vínculos específicos de cada tipo
de usuário com a instituição. Os professores e funcionários possuem dados
registrados no Departamento de Recursos Humanos da instituição, já os alunos
no ato de matrícula, ou mesmo no vestibular fornecem seus dados para cadastro
na Instituição.
Assim, para a identificação dos clientes, um primeiro passo a ser
implantado, é uma rotina de migração de dados de todos estes usuários para o
sistema utilizado pela BU. Dados adicionais e específicos que não são
contemplados nestas bases e que a BU necessite para a identificação de seus
clientes poderão ser obtidos através do cadastramento que é obrigatório para
todos os usuários afim de que possam utilizar seus serviços.
Os dados relativos à utilização dos serviços pelos usuários, poderão ser
levantados através do sistema utilizado pela BU, onde cada usuário possui um
número de identificação, possibilitando a formação de um histórico da utilização
de seus serviços.

�Através da utilização destes bancos de dados, o institucional, o de
cadastramento na BU e, o de utilização dos serviços, a BU poderá identificar
claramente os seus clientes e como eles se relacionam com a BU.
Existe uma outra categoria de usuário considerada o público em geral, que
são pessoas não ligadas à instituição, mas que, por se tratar de uma Biblioteca
pública podem utilizar alguns serviços oferecidos livremente. Por não possuírem
vínculo e poderem utilizar somente o serviço de consulta local ao acervo, a BU
não possui qualquer tipo de informação que identifique este cliente. Como estes
clientes são esporádicos e não são os públicos-alvo da BU, a princípio não existe
a necessidade de uma busca de relacionamento com estes clientes.
Diferenciar: o segundo passo do modelo relaciona-se com a diferenciação dos
clientes. Uma vez tendo identificado os clientes através do primeiro passo do
modelo pode-se diferenciar estes clientes de duas maneiras: pelo nível de valor
para a empresa e pelas necessidades dos serviços. Com estas diferenciações
estabelecidas a empresa pode direcionar e priorizar seus esforços no sentido de
aproveitar os clientes que ela considera de maior valor, bem como personalizar
seu comportamento baseado nas necessidades individuais de serviços buscados
pelos clientes.
Em uma BU pública a diferenciação pelo valor dos clientes pode ocorrer ao
se definir que os professores, dentre os demais tipos de clientes, teriam um valor
maior, pois são eles que sugerem bibliografias, indicam e influenciam os
discentes a pesquisa, contribuindo para uma maior divulgação do próprio acervo e
serviços das BU’s. Assim podem ser criados serviços e atendimentos
diferenciados para professores tais como, maior conhecimento do funcionamento
da biblioteca e serviços oferecidos, balcão de atendimento próprio, envio de
informações específicas de novas aquisições.
Em relação às necessidades dos clientes estes podem ser diferenciados
como, por exemplo, por tipo de curso, necessidade por semestre, por área de
interesse.

�Com base nos dados obtidos no primeiro passo do modelo, poderão ser
criados novos serviços que possam ser oferecidos aos diversos tipos de clientes
para melhor atender suas necessidades específicas.
Interagir: este passo trata especificamente da interação da empresa com seus
clientes. Aqui com base nos dois primeiros passos irá se buscar a melhoria de
todas as interações existentes entre a empresa e seus clientes. Isto significa
estabelecer quais as melhores formas de interação e comunicação com os
clientes, em função de custo e preferência, bem como analisar quais as formas
mais úteis em termos de retorno de informação sobre o cliente e seu
comportamento. A intenção deste passo é alcançar por fim, uma união de todas
as formas de interação que a empresa possui com seus clientes, para que as
comunicações sejam continuas, onde o inicio de um novo contato inicie onde o
último terminou, não importando qual forma de interação (contato) foi utilizado,
trazendo sempre mais informações sobre o cliente específico.
Na BU pública este passo se traduz na busca da integração das diversas
formas de interação existentes com os clientes como telefone, atendimento dos
diversos serviços, contatos via internet e e-mail. A utilização de novas tecnologias
e a informática levam em uma BU a um atendimento mais rápido e ágil e com
uma maior possibilidade de registro e retorno de informações quanto aos perfis e
necessidades de cada cliente.
Personalizar: este passo busca a personalização do comportamento das
atividades da empresa para um melhor atendimento aos clientes, isto significa
uma adaptação por parte da empresa às necessidades individuais expressas
pelos clientes. Segundo Swift (2001, p. 42) “É a fase do processo de
aprendizagem contínua a partir de diálogos com os clientes”.
A organização deve então, através da criação de diversos serviços,
personalizar a relação com cada cliente através das necessidades e preferências
expressas por ele, de uma forma contínua. Dessa maneira, à medida que avança
o relacionamento com cada tipo e cada cliente, a empresa pode aprender mais

�sobre ele, identificando novas maneiras de como personalizar e melhorar estas
relações de forma contínua.
Nas BU’s públicas este passo se daria através da busca de integração dos
dados existentes sobre a utilização de todos os serviços oferecidos para que a BU
tenha o conhecimento específico e constante sobre o comportamento dos
clientes. Com isso, e em virtude dos passos anteriores, a BU pode diferenciar, por
exemplo, grupos de clientes de acordo com a freqüência e o uso de determinados
serviços, criando facilidades e personalizando os mesmos. A BU pode identificar
os perfis de pesquisa, consulta e desejos dos clientes. Pode através de seu
conhecimento e contato com os demais órgãos acadêmicos, identificar o
semestre do curso que ele se encontra e suas disciplinas, antecipando suas
necessidades por materiais e pesquisas.

4 VIABILIDADE PRÁTICA DO CRM EM BU’s PÚBLICAS
A proposta apresentada é viável em termos de execução técnica devido ao
conhecimento existente não apenas dentro das próprias Universidades Públicas,
como no mercado com consultores e empresas especializadas na área. Além
disso, já existem no mercado tecnologias suficientes para a execução do projeto,
sendo que em muitos casos será necessária apenas à adaptação das tecnologias
já existentes nas BU’s públicas.
A proposta por se tratar de um modelo genérico que possa ser aplicado em
qualquer BU pública, leva em consideração as diferentes realidades existentes no
país em se tratando das BU’s públicas. Não existe uma uniformidade no que se
trata de tecnologia (softwares e hardwares adotados), bem como da infraestrutura e recursos disponíveis para atualizações e manutenções. Dessa forma
tanto a viabilidade como a forma de implementação sofrerá alterações, pois em
alguns casos, por exemplo, em se tratando de bases de dados poderão ser feitas
simples alterações ou modificações nos programas já utilizados pelas BU’s,
podendo assim serem utilizados da forma que o CRM requer. Em outros casos
pode haver até a inexistência de programas, ou a necessidade de remodelação

�total. Diversos aspectos como este, influenciarão no tempo de implementação,
necessidades de recursos e mão-de-obra.
Um dos problemas enfrentado por qualquer Biblioteca ocorre em relação
aos recursos financeiros. Uma Biblioteca necessita de um investimento constante,
tanto para melhorar sua infra-estrutura como para ampliação e atualização do
acervo. Em BU’s públicas, onde os recursos são escassos, isto é uma séria
ameaça, para seu funcionamento e atualização, e em longo prazo pode ser um
fator delimitante em função da necessidade de investimentos em tecnologia para
o desenvolvimento dos serviços e processos das BU’s.
A implantação do CRM, não têm sido fácil para muitas empresas, e
certamente pode encontrar as mesmas dificuldades nas BU’s públicas. Os
principais problemas (GEBERT, et al., 2003) são: o desafio da garantia de um
fluxo de conhecimento consistente do ponto de criação do conhecimento sobre o
consumidor, e o uso eficaz de múltiplos canais de comunicação para se
comunicar com os clientes.
Em relação as BU’s, estes pontos se aliam ao fato dos clientes das BU’s
terem uma característica diferente dos clientes de empresas de bens de
consumo, que é o tempo limitado e definido de sua participação na organização.
Isto significa que através do CRM, a BU poderá trabalhar para desenvolver um
relacionamento mais efetivo e de longo prazo com clientes como os professores e
funcionários da organização. Quanto ao corpo discente, que constituem o maior
grupo de clientes/usuários, estes apresentam de acordo com seus cursos, um
tempo pré-determinado de permanência na organização, quer seja de 4 ou 10
anos. Consequentemente o relacionamento de longo prazo entre a organização e
estes clientes, toma outra definição. Por outro lado, leva a BU a priorizar a
diferenciação, integração e personalização de seus serviços para estes clientes,
identificando sazonalidades e necessidades como já descritas.
Jesus (2004) desenvolve e apresenta em seu trabalho, um exemplo prático
de como podem ser trabalhados dados e diferenciados serviços segundo o perfil
do cliente. Em um projeto desenvolvido e implementado na BU da FURB em

�Blumenau (SC), é demonstrado como é possível utilizar o data mining para se
identificar os clientes e utilizar seus históricos e dados para personalizar buscas e
pesquisas, garantindo maior eficiência, rapidez e qualidade dos serviços
informacionais.

5 CONCLUSÕES
Como foi apresentado nesse artigo, o setor público, nesse caso específico
as BU’s, podem ser beneficiadas através da utilização de novas e modernas
ferramentas de gestão.
As BU’s públicas que já apresentam um reconhecido valor podem ainda
melhorar quanto ao desempenho de seus produtos e serviços se focar nos seus
clientes e como desenvolver seus processos baseados neles.
Para o melhor desempenho de um projeto de CRM, os autores ressaltam
que se faz necessário à realização ou a existência de um Planejamento
Estratégico do setor. Algumas Universidades contam com planejamentos gerais,
que envolvem as BUs por ser um órgão de apoio as suas atividades, delimitando
ações e orçamento. Dificilmente, porém, as BUs possuem seus próprios
planejamentos, alinhando suas ações com as da instituição a qual pertence, mas
traçando seus rumos e futuros.
Outro ponto diz respeito a TI nas Universidades. Raramente são
encontradas instituições que realmente possuem uma integração de suas TI e
sistemas. Com isto, ocorre sempre a necessidade de adaptações e mudanças no
sentido de união das diferentes tecnologias adotadas por toda a instituição.
Teng e Hawamdeh (2002) em seu artigo apresentam como a Biblioteca
Nacional de Singapura tem mudado sua concepção e processos, baseando-se
em Gestão do conhecimento e na centralização das necessidades dos clientes,
para que possa atingir seus objetivos de desenvolvimento da educação e
pesquisa no país. Estas mudanças vão desde a criação de grupos de

�melhoramento, a informatização total de processos como a retirada e devolução
de livros, até uma mudança no sistema de classificação de assuntos.
Para as BU’s em nosso país, acredita-se não ser necessárias tamanhas
modificações (apesar dos ótimos resultados apresentados por Teng e
Hawamdeh), mas a idealização e formulação não apenas dos processos e
serviços, mas até das concepções das BU’s Públicas com base nas necessidades
e relações com seus clientes, pode levar estes órgãos a novos níveis de serviços,
contribuindo muito para o desenvolvimento da organização que faz parte.
O presente artigo pretendeu assim, contribuir para a discussão de como é
possível levar a um mudança na forma de gestão das BU’s Públicas, garantindo
com que elas possam alcançar seus objetivos de suprir as necessidades
informacionais dos seus clientes.

CHANGE IN THE PUBLIC ACADEMIC LIBRARIES MANAGEMENT THROUGH
IMPLANTATION OF CUSTOMER RELATIONSHIP MANAGEMENT (CRM)

ABSTRACT

It proposes a change in the Public Academic Libraries management form through
the implantation of a generic model of Customer Relationship Management
(CRM). Present the objectives that are intend to reach with the application of the
model, the implantation steps, and the model viability. The CRM was chosen
because it is management form centered in the customer, that can be applied to
any organization type and that have been presenting good results in several
companies that use this technology. In Public Academic Libraries the model can
bring benefits and real improvements to these organs that a lot of times suffer in
function of the bad practices to your customers and with problems with their
services, hindering the practice of researches and consults to data bases in the
Public Universities. A new management form with CRM, requests the definition of
an operation philosophy, leaving of the centralization idea in the customer, to
identify (or to reformulate, or to create), the processes of the organization, for your
customers' best attendance, making possible, a change in the management of the
Academic libraries and a better consequent reach of your objectives.
Keywords: Academic libraries. Public Academic Libraries. CRM – Academic
Libraries.

�REFERÊNCIAS
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TENG, S.; HAWAMDEH, S. Knowledge management in public libraries. Aslib
Proceedings, v. 54, n. 3, p. 188-197, 2002.

∗

Mestre em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade
Federal de Santa Catarina. Professor da Faculdade Metropolitana de Curitiba (FAMEC), Av. Rui
Barbosa, 5881, São José dos Pinhais, Paraná, CEP: 83040-550, e-mail: andrew@famec.com.br
∗∗
Mestranda em Ciência da Informação do Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGCIN/UFSC), Centro de Ciências da
Educação, Campus Universitário, Trindade, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, CEP: 88040-900,
e-mail: gardeniacastro@terra.com.br.

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas universitárias: (Re) Dimensão de bibliotecas universitárias: da gestão estratégica à inclusão social.</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Mudança na gestão das bibliotecas universitárias públicas através da implementação do Customer Relationship Management (CRM).</text>
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              <text>Propõe uma mudança na forma de gestão das Bibliotecas Universitárias (BU’s) Públicas através da implementação de um modelo genérico de Customer Relationship Management (CRM). São apresentados os objetivos que se pretende alcançar com a aplicação do modelo, seus passos de implantação, e sua viabilidade. O CRM foi escolhido por se tratar de uma forma de gestão centrada no cliente, que pode ser aplicada a qualquer tipo de organização e que têm apresentado bons resultados em diversas empresas que utilizam esta tecnologia. Nas BU’s públicas pode trazer benefícios e melhorias reais a estes órgãos que muitas vezes sofrem em função do mau atendimento aos seus clientes e com problemas na prestação de seus serviços, dificultando e desmotivando a prática de pesquisas e consulta as bases de dados nas Universidades Públicas. Uma nova forma de gestão com CRM, requer a definição de uma filosofia de funcionamento, partindo da idéia de centralização no cliente, afim de que se possa identificar (ou reformular, ou criar), os processos da organização, para o melhor atendimento de seus clientes, possibilitando assim, uma mudança na gestão das BU’s e um conseqüente melhor alcance de seus objetivos.</text>
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