<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="4659" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/4659?output=omeka-xml" accessDate="2026-05-21T14:39:06-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="3729">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/45/4659/SNBU1996_019.pdf</src>
      <authentication>886972f9eec86bd9ef6b8bc2563051ed</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="51852">
                  <text>5.5

ROUBO, DEPREDAÇÃO DE MATERIAIS E CAMPANHAS EDUCATIVAS EM
BIBLIOTECAS: PROPOSTA DE UM MODELO DE AVALIAÇÃO

Oswaldo Francisco de Almeida Junior*

RESUMO

Apresenta uma proposta de modelo de avaliação sobre depredação de acervo e
campanhas educativas em bibliotecas universitárias. Descreve as etapas para
implantação do modelo, dividindo-as em três grandes momentos. Demonstra como
obter o "indice de depredação", utilizado como parâmetro para a avaliação.

1 APRESENTAÇÃO

Pretendo apresentar aqui uma proposta para avaliação não só de roubo e
depredação de materiais em bibliotecas mas, também, das campanhas educativas
normalmente realizadas como uma das principais ações visando a amenização do
problema.
A experiência sobre a qual estou embasando a proposta foi realizada em 1983
e 1984, na Biblioteca da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da
Fundação Getúlio Vargas - EAESP/FGV. O simples relato dos trabalhos
concretizados naquela época poderia não deixar aparentes as idéias básicas que os

*Professor

da Universidade Estadual de Londrina - UEL

�5.5

motivaram. Assim, darei ênfase nessas idéias, tentando, a partir da experiência
localizada, apresentar um modelo que possa ser empregado em outras bibliotecas
com características semelhantes.
Vale acrescentar que a experiência ocorreu em uma biblioteca universitária,
com a participação dos 30 funcionários do Serviço de Referência e de alguns de
outros serviços. A coordenação esteve sob a responsabilidade da chefia do Serviço
de Referência.

2 INTRODUÇÃO

Roubo e depredação de materiais constituem um problema enfrentado por
todas as bibliotecas. Apesar das constantes ações empreendidas, a solução total e
definitiva não foi e nem será conseguida. A inexistência dessa solução definitiva, no
entanto, não deve redundar em comodismo, em passividade. A tentativa para, no
mínimo, amenizar o problema deve fazer parte das preocupações dos responsáveis
pela coleção dos diferentes tipos de biblioteca. Todavia, diferentemente da
necessidade de enfrentar o problema, a literatura é pobre e escassa sobre o
assunto, indicando talvez uma indiferença ou um conformismo ante o que é, muitas
vezes, considerado inevitável. Poucos são os trabalhos que enfocam o tema e,
quase sempre, atêm-se às campanhas educativas, sem uma clara e objetiva
fundamentação. Invariavelmente, a preocupação está voltada para a execução e
implantação da campanha, esquecendo-se da avaliação e dos resultados. Estes,
quando existem, baseiam-se em critérios meramente de observação, passíveis,
como é óbvio imaginar, de vieses, já que, inconscientemente, há o desejo e até a

�5.5

necessidade de obtenção de resultados, numa ação que demandou tempo e
trabalho.
Além das poucas experiências relatadas na literatura específica da área,
muitas bibliotecas, em especial as universitárias, realizam campanhas visando
combater o roubo, a depredação e até as maneiras inadequadas com as quais os
usuários manipulam os materiais. Não obstante a importância desses trabalhos,
quase sempre são implantados sem uma discussão anterior, sem fazer parte de um
plano ou programa maior e são executados isoladamente, na esperança de
solucionar o problema.
Pequenas e simples atitudes administrativas podem obter melhores resultados
do que uma campanha grande e desgastante, em termos de trabalho, e custosa,
em termos financeiros. Por exemplo: o funcionamento do setor de fotocópias,
acompanhando todo o horário de atendimento da biblioteca, pode diminuir a
quantidade de capítulos rasgados dos fascículos de periódicos, pois muitos
usuários, na impossibilidade de retirar o material (porque não é emprestado ou
porque ele, usuário, já retirou a cota máxima permitida) e de fotocopiá-lo, terminam
por arrancá-lo da revista, premidos pela “necessidade”. Não depredam por simples
desejo ou por uma compulsão ao vandalismo. O combate ao roubo e à depredação
não pode partir de premissas desse tipo. Um outro dado, que também parece ser
uma crença dos bibliotecários, é a relação direta e indissociável entre alunos pobres
e roubo. Tenta-se atingir a consciência do usuário, imaginando que ele, refletindo
sobre as consequências de seus atos para a comunidade, modificará seu
comportamento. Isso é tão utópico quanto a "biblioteca universal" ou uma sociedade

�5.5

moldada sob "nossos" parâmetros. Nenhum trabalho sério pode ser desenvolvido
sobre tais pressupostos.
Outros

exemplos

de

pequenas

atitudes

administrativas

podem

ser

apresentados: - o aumento do número de funcionários no setor de fotocópia,
objetivando diminuir as imensas e constantes filas e a excessiva demora no
atendimento dos usuários (um usuário com pressa, mesmo que, para os
bibliotecários, injustificada, e a demora no atendimento da fotocópia, ocasionam
mais um item na relação dos materiais depredados ou "desaparecidos", eufemismo
utilizado pelos funcionários do balcão de empréstimo para o termo roubados); - a
liberação de determinados livros durante o período em que a biblioteca se encontra
fechada; - a oferta formal de livros alternativos aos solicitados pelos professores
pois, normalmente, a biblioteca possui poucos exemplares dos livros constantes nas
bibliografias básicas dos cursos.
A pior solução em relação ao roubo talvez seja a proibição do acesso dos
usuários ao acervo. Transformar o livre acesso em acervo fechado é, muitas vezes,
a primeira atitude que, embora nem sempre aplicada, surge como solução imediata.
Óbvio que tal solução não deve nem ao menos ser cogitada: significa o fim de um
dos objetivos básicos da biblioteca universitária, ou seja, a pesquisa. Não se
concebe mais uma biblioteca universitária com acervo fechado, ainda mais quando
sua implantação for motivada por problemas que podem ser amenizados com outras
ações.
3 O PROBLEMA

�5.5

Antes de abordar o problema propriamente dito, necessito frisar que considero
o termo "depredação" como abrangente e o termo "roubo" como dele fazendo parte.
No entanto, como as bibliotecas dividem suas preocupações entre o roubo e os
danos causados aos materiais, resolvi destacar o termo "roubo". O alerta se faz
necessário porque, no texto, pode parecer que os dois termos estejam empregados
como dissociados.
A exemplo de todas as bibliotecas universitárias, a da EAESP/FGV vivenciava
e enfrentava, na época, o problema do roubo e da depredação. Uma ação forte e
decisiva se fazia necessária e para isso foi elaborado um plano calcado em quatro
grandes tópicos:
a) estudo da literatura

sobre problemas de depredação e experiências

relatadas;
b) análise das possíveis causas dos roubos e ações administrativas para
solucionar ou amenizar os problemas decorrentes dessas causas;
c) avaliação e determinação quantitativa das proporções da depredação;
d) criação e implantação de uma campanha educativa, visando ampliar as
discussões e, nelas, inserir a comunidade acadêmica.
O estudo da literatura pouco contribuiu para a determinação de ações a serem
desencadeadas. As experiências relatadas, no entanto, deixaram claro que as
campanhas tradicionais, voltadas para a sensibilização dos usuários e para o
caráter coletivo do acervo das bibliotecas, não obtiveram resultados satisfatórios em
relação aos objetivos pretendidos. Vale lembrar que utilizamos, além da literatura,
experiências relatadas por bibliotecários que não as registraram em texto.

�5.5

As análises das causas de depredação e as ações para saná-las ou amenizálas foram implantadas de imediato, antes mesmo dos resultados provenientes da
campanha educativa e da avaliação das proporções da depredação. As ações
desenvolvidas não serão aqui especificadas, por não fazerem parte dos interesses
imediatos deste trabalho.

4 A CAMPANHA EDUCATIVA

Cientes de que os apelos para o caráter comunitário e público dos materiais da
biblioteca não atingem bons resultados, principalmente porque a tendência é
considerá-los piegas (já que, no Brasil, existe pouco ou nenhum apreço pelo bem
público), eu e minha equipe optamos por uma campanha que satirizasse o usuário
que depreda e rouba materiais. O humor pareceu-nos a forma mais adequada de se
lidar com o problema: não se ofende frontalmente os usuários (o que poderia
ocasionar uma imediata barreira, impossibilitando a reflexão, principalmente entre os
que não se enquadram na categoria dos "depredadores") e, o mais importante,
apresenta o problema de maneira direta e objetiva, atingindo a todos de maneira
indiscriminada. Além disso, o humor propicia e viabiliza a reprodução da campanha
entre os próprios usuários, pois possibilita a discussão do seu conteúdo, através da
forma como o problema é veiculado.
Inicialmente, optou-se pela história em quadrinhos como principal veículo da
campanha. A criação de um personagem tornou-se obrigatória, surgindo então o
"depredário", ironicamente cognominado "o hulk acadêmico". Um dos funcionários

�5.5

da biblioteca, ótimo desenhista, assumiu a responsabilidade pela criação, desenho e
nome do personagem.
Posteriormente, até pelo sucesso rapidamente alcançado pela campanha,
outro funcionário, que não tomara parte do grupo inicial, apresentou a proposta de
outro material para fortalecer as ações contra a depredação: um pequeno folheto
que, também com humor, mostrasse os diversos “tipos” de usuários depredadores.
Entre eles estariam os que roubam livros; os que arrancam páginas, ilustrações e
artigos de periódicos; os que escrevem e rabiscam nas margens ou sublinham
palavras e trechos dos materiais; e os que manuseiam descuidadamente, destruindo
livros e periódicos. Sua proposta era mais ampla, devendo o novo material abordar,
também, outras atitudes dos usuários que as bibliotecas normalmente consideram
incompatíveis com uma postura adequada. Aqui, a exemplo dos depredadores, os
usuários também seriam divididos em “tipos”: aqueles que escondem livros ou
fascículos de periódicos para uso exclusivo; os que reclamam das suspensões por
atraso de materiais; os que retiram das estantes uma grande quantidade de
materiais, além da necessidade e da possibilidade de uso; os que só falam gritando,
berrando e esbravejando; os que não respeitam os funcionários da biblioteca. Sua
idéia era abordar o assunto apresentando esses tipos de usuários como infectados
por vírus fictícios presentes nas bibliotecas. Todos os vírus foram batizados a partir
de corruptelas de palavras em latim. Surge, então, o "Aviso de utilidade pública:
vírus que atacam os usuários de bibliotecas". O lançamento desse novo material se
fez com grande alarde, precedido de uma ampla divulgação. O espaço junto aos
catálogos foi modificado e devidamente preparado para o lançamento. A

�5.5

comunidade acadêmica foi convidada e sua resposta superou toda nossa
expectativa, esgotando-se rapidamente a primeira edição do "Aviso".
Muitas bibliotecas solicitaram permissão para utilizar esses materiais em suas
próprias campanhas, algumas, inclusive, criando novos "vírus", adequados a suas
características e realidade.
É importante alertar que a campanha só foi implantada após a primeira
avaliação do acervo e a partir do que se chamou de "índice de depredação". Esse
dado merece uma atenção especial, pois sem ele torna-se difícil a avaliação dos
resultados efetivos conseguidos com a campanha.

5 ANÁLISE QUANTITATIVA DE DEPREDAÇÃO DO ACERVO

Para se obter uma avaliação correta, ou próxima a isso, da proporção de
depredação do acervo (que chamo aqui de "índice de depredação"), são
necessários os seguintes passos: a) amostra do acervo; b) revisão do material; c)
recuperação dos materiais danificados ou reposição dos perdidos; d) análise dos
dados. Esses passos devem ser executados, na primeira vez em que se analisa o
acervo, em dois momentos distintos e espaçados por um critério determinado pela
biblioteca executora. Apenas após o segundo momento é que se conseguirá o
"índice de depredação". As campanhas educativas devem ser realizadas depois de
obtido tal índice. Findo o período inicial da campanha, pré-definido como idêntico ao
determinado como espaço entre o primeiro e o segundo momento, de execução dos
passos, uma nova série desses passos deverá ser realizada (terceiro momento). A
avaliação do desempenho da campanha ocorrerá com o confronto do índice obtido

�5.5

no segundo momento com o obtido no terceiro momento. Para que a seqüência
possa ser melhor esclarecida, convém segmentar em tópicos todos os ítens
envolvidos, o que farei em seguida.

5.1 OS PASSOS

Quase sempre as bibliotecas possuem uma grande quantidade de tipos de
suportes em seus acervos. Visando facilitar a explicação do modelo de avaliação
utilizarei, a título de exemplo, apenas o acervo de periódicos. Pode-se empregar a
mesma proposta para os demais tipos de suporte, fazendo-se pequenas
adaptações.
Como frisei anteriormente, quatro são os passos necessários para a análise da
proporção de depredação do acervo, ou seja, para a obtenção do índice de
depredação.

�5.5

5.1.1 Amostra do Acervo

O universo de títulos de periódicos correntes de algumas bibliotecas
acarretaria um trabalho de análise de danos e roubos quase impossível pois, para
essa análise, é preciso verificar todos os fascículos desaparecidos e todas as
páginas faltantes. Por esse motivo, deve-se trabalhar com uma amostra do acervo,
o que de nenhuma forma implica em perda de qualidade. Os critérios para se definir
a amostra devem ser determinados pela biblioteca que realizará a análise. Sugiro,
no entanto, o seguinte critério: - divide-se o acervo em três grandes grupos: os
títulos de periódicos que possuem grande, média e pequena consulta; - de cada um
desses grupos seleciona-se uma porcentagem representativa dos títulos (a
porcentagem deve ser a mesma para cada um dos grupos).
Exemplo: uma biblioteca possui 900 títulos correntes. Após uma rápida análise
(inclusive porque algumas bibliotecas já conhecem esse dado), chega-se aos
seguintes números: 100 títulos com muito uso, 500 com pouco uso e, obviamente,
300 com uso médio. A porcentagem definida pela biblioteca para a amostra foi de
10%. A quantidade de títulos a serem analisados fica assim determinada (Quadro
1):

�5.5

QUADRO 1 - AMOSTRA DO ACERVO
TÍTULOS DE
PERIÓDICOS
Muito uso

UNIVERSO

AMOSTRA

100

10

Pouco uso

500

50

Médio uso

300

30

Totais

900

90

A quantidade de títulos de pouco e médio uso não deve preocupar ou
"assustar" ao bibliotecário interessado em aplicar esta proposta em sua biblioteca,
porque os danos e roubos são proporcionais à quantidade de uso. Isso significa que
a maior quantidade de problemas será encontrada nos fascículos dos títulos de
periódicos mais utilizados que, como se observa facilmente na tabela, representam
a menor quantidade da amostra.
Após a determinação do tamanho da amostra, deve-se selecionar os títulos de
periódicos que a comporão. Pode-se simplesmente sortear dentre todos os títulos
de cada um dos três grandes grupos aqueles que serão incluídos na amostra.
Devo enfatizar que o critério apresentado é apenas uma sugestão. Algumas
bibliotecas, em função das características de seu acervo, talvez necessitem
aumentar o número dos grupos de periódicos, ou fazer subdivisões nos três grupos
propostos. Essa decisão deve considerar também as necessidades particulares da
biblioteca e o conhecimento que os bibliotecários de referência têm do acervo e do
uso. É possível que uma biblioteca decida incluir um título específico de periódico
porque entenda ser ele um parâmetro adequado para a análise. O que não pode ser

�5.5

esquecido é o perigo de vieses na pesquisa, em decorrência da quantidade de
títulos escolhidos.

5.1.2 Revisão do Material

Definida a amostra, os materiais devem ser verificados. Todos os fascículos
dos títulos de periódicos, selecionados devem ser vistoriados individualmente.
Deve-se confrontar, como num levantamento de estoque, as fichas ou folhas
de registro de periódicos com as estantes. Os fascículos faltantes são anotados em
fichas previamente preparadas para esse fim.
Após a verificação de roubo, procura-se os danos causados pelos usuários no
acervo. Cada fascículo deve ser folheado página por página e registrados todos os
problemas encontrados. Os problemas mais comuns são: páginas faltando, páginas
rasgadas, trechos sublinhados ou riscados e páginas com sujeiras. No momento em
que se encontra o problema, decide-se pela necessidade ou não de substituição e
reparo. Óbvio que páginas arrancadas ou rasgadas exigem a reposição ou a
inserção de fotocópia em substituição à parte danificada.
Faz-se a anotação apenas dos problemas que exigem substituição ou reparo.
No entanto, ela deve ser rigorosa, registrando o tipo de problema e a parte onde se
localiza. Proponho três tipos de fichas: uma para roubo, uma para páginas
arrancadas e outra para páginas rasgadas. Na primeira ficha inclui-se o título do
periódico, o volume, o número, o mês e o ano do fascículo; na segunda e na
terceira, além dos dados anteriores, deve-se acrescentar o autor, o título do artigo e

�5.5

o número das páginas com problemas. Esses dados são importantes pois, nas
análises posteriores, é possível detectar se a depredação tem uma incidência maior
em determinadas épocas ou se atinge predominantemente os textos solicitados
pelos professores como literatura básica e de leitura obrigatória.

5.1.3 Recuperação dos Materiais Danificados ou Reposição dos Perdidos

Todos os materiais com problemas devem ser recuperados. No caso de
páginas rasgadas ou arrancadas, é possível localizar o fascículo em outra biblioteca,
fotocopiar as partes necessárias e acrescentá-las ao material danificado. Outra
possibilidade é substituir o fascículo com problemas. Algumas bibliotecas mantêm
em depósito duplicatas de fascículos dos periódicos mais utilizados e nos quais se
constata a maior incidência de depredação. Nesse caso, torna-se mais fácil a
substituição. Não sendo possível nenhuma das alternativas apresentadas, deve-se
simplesmente retirar o fascículo das estantes e excluir seu registro do catálogo de
público. O material roubado deve seguir a mesma sistemática.

5.1.4 Análise dos Dados

No primeiro dos três momentos apresentados como necessários para a
avaliação da proporção de depredação, a análise dos dados pode contribuir, como
afirmado anteriormente, para determinar o período ou o tipo de textos em que há
uma predominância de materiais danificados, auxiliando na determinação do tipo de
duplicatas que devem ser mantidas, os títulos que necessitam de mais de um

�5.5

exemplar de cada fascículo nas estantes etc. Além disso, após a verificação da
amostra e da reposição ou recuperação dos materiais danificados, o acervo estará
completo e sem problemas nas estantes, à disposição do público. Dá-se a essa
situação a designação de "índice de depredação zero", ou simplesmente "índice
zero".

5.2 OS TRÊS MOMENTOS

O primeiro grande momento da análise das proporções da depredação ocorre
quando a biblioteca prepara seu acervo para posteriores avaliações. Essas
avaliações posteriores só são possíveis com o "índice de depredação zero", pois
sem ele não há possibilidade de comparações. Os passos e a forma de se
conseguir o "índice zero" já foram apresentados. Resta definir o tempo de espera
entre o final do primeiro momento e o início do segundo (lembrando que o tempo
aqui determinado deverá ser o mesmo entre o final do segundo momento e o início
do terceiro). Esse tempo, na verdade, significa o período em que o material estará a
disposição do usuário e, em consequência, sujeito a depredação. Alguns ítens
devem ser considerados: o período letivo, os picos de frequência, diferenças entre
semestres etc. O ideal parece ser um período de espera de um ano, incluindo,
inclusive, os meses de férias. O tempo mínimo entre os dois momentos, no entanto,
pode ser de seis meses, apesar de, dependendo das análises desejadas, correr-se
o risco de alguns desvios nos resultados finais. O critério novamente é da biblioteca
realizadora.

�5.5

O segundo grande momento seguirá os mesmos quatro passos realizados no
primeiro. Porém, ao contrário daquele, na análise dos dados obteremos, com toda a
certeza, um "índice de depredação" diferente de zero. A proposta de cálculo desse
novo índice deve considerar os seguintes números:
a) número total de páginas de todos os fascículos de cada título de periódico
que compõem a amostra, a soma do total de páginas de todos os títulos de
periódicos de cada grupo da amostra (muito, médio e pouco uso) e a soma
dos totais dos três grupos;
b) número total de fascículos de cada título de periódico que compõem a
amostra, a soma do total de fascículos de todos os títulos de periódicos de
cada grupo da amostra (muito, médio e pouco uso) e a soma dos totais dos
três grupos;
c) número total de páginas rasgadas ou arrancadas de todos os fascículos de
cada título de periódico que compõem a amostra, a soma do total de
páginas rasgadas ou arrancadas de todos os títulos de periódicos de cada
grupo da amostra (muito, médio e pouco uso) e a soma dos totais dos três
grupos;
d) número total de fascículos roubados de cada título de periódico que
compõem a amostra, a soma do total de fascículos roubados de todos os
títulos de periódicos de cada grupo da amostra (muito, médio e pouco uso) e
a soma dos totais dos três grupos.
O confronto desses números resultará no índice de depredação do acervo
daquela biblioteca específica.

�5.5

Para se conseguir o número total de páginas dos fascículos de um título de
periódico, não é necessário "contar" página por página; basta escolher ao acaso três
fascículos, somar a quantidade de páginas de cada um deles e dividir por três.
Obtem-se assim a quantidade média de páginas por fascículo. A multiplicação
dessa média pelo número total de fascículos determina o número total de páginas
daquele título de periódico. O número é aproximado mas perfeitamente válido.
O índice de depredação pode se dividir em dois grandes grupos, ou seja, um
índice específico para roubo e outro para páginas rasgadas ou arrancadas. Esses
grupos podem, por sua vez, ser subdivididos em três, respectivamente. Têm-se,
então, os seguintes índices:
a) índice de roubo de fascículos de cada título de periódico;
b) índice de roubo de cada grupo de análise (periódicos com muito, médio e
pouco uso);
c) índice de roubo de toda a amostra;
d) índice de páginas faltantes de fascículos de cada título de periódico;
e) índice de páginas faltantes de cada grupo de análise;
f) índice de páginas faltantes de toda a amostra;
g) índice de depredação geral (incluindo roubo e páginas faltantes).
Obviamente que este último deve ser considerado o mais importante. Como
afirmado anteriormente, para se obter cada um dos índices, é necessária a
comparação entre os números obtidos:
a) para o índice de roubo de fascículos de cada título de periódico - confrontase o número total de fascículos com o número de fascículos roubados.
Exemplo: um título de periódicos possui registrado na biblioteca, 40

�5.5

fascículos. Desses, não foram localizados na revisão do material, 2
fascículos. Dividindo-se 2 por 40, chega-se a um índice de roubo de
fascículos daquele título de 0,05;
b) para o índice de roubo de cada grupo de análise - confronta-se o número
total de fascículos de todos os títulos de periódicos que compõem o grupo,
com o número de fascículos roubados desses mesmos títulos. Exemplo: o
número total de fascículos dos dez títulos de periódicos que compõem o
grupo de muito uso é 398. Desses, não foram localizados na revisão do
material, 26 fascículos. Dividindo-se 26 por 398, chega-se a um índice de
roubo daquele grupo de análise de 0,065;
c) para o índice de roubo de toda a amostra - confronta-se o número total de
fascículos de todos os títulos de periódicos que compõem a amostra, com
o número total de fascículos roubados. Exemplo: o número total de
fascículos dos títulos de periódicos que compõem a amostra é de 4.150.
Desses, não foram localizados na revisão do material, 133 fascículos.
Dividindo-se 133 por 4.150, chega-se a um índice geral de roubo de 0,032.
O mesmo procedimento deve ser utilizado para se obter os índices de páginas
faltantes de fascículos de cada título de periódico, de páginas faltantes de cada
grupo de análise e de páginas faltantes de toda a amostra.
Para se obter o índice de depredação geral, soma-se o "índice de roubo de
toda a amostra" e o "índice de páginas faltantes de toda a amostra" e divide-se por
dois. A biblioteca terá, assim, um "índice geral de depredação".

�5.5

As campanhas educativas só devem ser iniciadas após a obtenção do índice
geral de depredação, pois ele permitirá, no terceiro momento, a avaliação da
eficácia ou não dessas campanhas.
O mesmo tempo decorrido entre o primeiro e o segundo momento deve
separar o segundo do terceiro momento. Este terá a mesma sistemática e os
mesmos trabalhos desenvolvidos no segundo. Os índices levantados no segundo e
no terceiro momento devem ser comparados, diminuindo-se um do outro. No caso
de um aumento do índice no terceiro momento em relação ao segundo, a campanha
educativa deve ser revista, pois não atingiu o objetivo a que se propunha, pois a
depredação naquela biblioteca aumentou. No caso de um resultado menor, a
campanha foi bem sucedida, já que a depredação diminuiu.

6 CONCLUSÃO

Embora aparentemente trabalhosa, a proposta que apresentei não despende
muito tempo dos funcionários da biblioteca. Podem ser escolhidos os períodos de
férias letivas para a revisão do material, momento em que os auxiliares do Serviço
de Referência estão mais disponíveis para trabalhos internos. Outro momento
propício pode ser o de "levantamento de estoque", utilizando-se assim o mesmo
trabalho para dois objetivos diferentes.
O "índice de depredação" trará contribuições para várias atividades da
biblioteca. As ações visando a educação do usuário, desempenhadas pelo Serviço
de Referência, poderão utilizar esse índice como norteador; a política de
preservação da biblioteca ampliará sua eficácia a partir dos dados refletidos pelo

�5.5

índice; a previsão de gastos com encadernação e recuperação dos materiais será
muito mais precisa; a biblioteca poderá remodelar a disposição do acervo,
favorecendo o controle e a fiscalização sobre os setores com mais incidência de
depredação; um trabalho com os professores e alunos das disciplinas que utilizam
os materiais onde ocorrem o maior percentual de depredação, pode ser implantado
etc.
A experiência desenvolvida com essa proposta na biblioteca da EAESP/FGV
indicou que a campanha educativa e as ações administrativas implantadas levaram
à diminuição da quantidade de materiais depredados.
Finalizando, vale lembrar que, apesar das ações preventivas e do emprego de
equipamentos inibidores, o roubo e a depredação não serão totalmente eliminados.
Deve-se, então, trabalhar para amenizá-los.

�5.5

ABSTRACT

This paper describes a model for evaluating the depredation of library collections,
and proposes educational campaigns in university libraries. It describes the various
steps for implementing the model, dividing it into three main stages, and shows how
to obtain the depredation rate used as a parameter for evaluation.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="45">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51360">
                <text>SNBU - Edição: 09 - Ano: 1996 (UFPR &amp; PUCPR - Curitiba/PR)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51361">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51362">
                <text>Tema: A biblioteca universitária e a sociedade da informação.</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51363">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51364">
                <text>UFPR &amp; PUC-PR</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="40">
            <name>Date</name>
            <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51365">
                <text>1996</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51366">
                <text>Português</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51367">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="51368">
                <text>Curitiba (Paraná)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51826">
              <text>Roubo, depredação de materiais e campanhas educativas em bibliotecas: proposta de um modelo de avaliação. </text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51827">
              <text>Almeida Júnior, Oswaldo Francisco de</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51828">
              <text>Curitiba (Paraná)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51829">
              <text>PUCPR</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51830">
              <text>1996</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51832">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="51833">
              <text>Apresenta uma proposta de modelo de avaliação sobre depredação de acervo e campanhas educativas em bibliotecas universitárias. Descreve as etapas para implantação do modelo, dividindo-as em três grandes momentos. Demonstra como obter o "indice de depredação", utilizado como parâmetro para a avaliação.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="68163">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
