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                  <text>ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS – ABMG – Gestão
2018-2020

PROJETO

IV Edição do Conversando Sobre

A
G
E
N
D
A

CLUBES DE LEITURA EM
BIBLIOTECAS ESCOLARES E
ESPAÇOS PÚBLICOS
Com Flávia Abreu e Jéssica de Sá

2
0
3
0
-

RELATÓRIO EXPANDIDO

III
E
V
E
N
T
O

Flávia Ferreira Abreu
Geisa Mara Batista
Jéssica Patrícia Silva de Sá
Jorge Santa Anna
Mônica Luiza Lages de Oliveira
Rosária Ferreira Otoni Santos
(Organizadores)
Belo Horizonte
Agosto de 2019

Rua Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - Cep: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira da Costa
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges,
Jorge Santa Anna, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

�ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS – ABMG – Gestão
2018-2020

CLUBES DE LEITURA EM BIBLIOTECAS
ESCOLARES E ESPAÇOS PÚBLICOS

Com Flávia Abreu e Jéssica de Sá

RELATÓRIO EXPANDIDO

Belo Horizonte
ABMG
Agosto de 2019
Rua Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - Cep: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira da Costa
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges,
Jorge Santa Anna, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

�ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS – ABMG – Gestão
2018-2020
© 2019 Editora ABMG
- Este documento constitui uma produção técnica elaborada a partir dos eventos, projetos e
outras ações promovidas pelos membros da diretoria e demais colaboradores da ABMG.
- O documento ou parte dele não pode ser reproduzido por qualquer meio sem autorização
escrita dos autores e da devida instituição.

PROJETO AGENDA 2030 EM MG – III EVENTO
CONVERSANDO SOBRE – IV EDIÇÃO
Tema da edição: Clubes de Leitura em Bibliotecas Escolares e Espaços Públicos
Local do evento: Espaço de Leitura da Biblioteca Central da UFMG
Data de realização: 30 de agosto de 2019
Horário: 18:30 as 21:30 h
Comissão organizadora do evento
Presidentas do evento e palestrantes: Flávia Ferreira Abreu e Jéssica Patrícia Silva de Sá
Coordenadores: Jorge Santa Anna, Rosária Ferreira Otoni Santos e Maria Elizabeth de Oliveira

da Costa
Monitoria: Patrícia Maria de Melo

NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA: Jorge Santa Anna
REVISÃO TEXTUAL E NORMALIZAÇÃO ORTOGRÁFICA: Jorge Santa Anna
PROJETO GRÁFICO: Jorge Santa Anna

ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS - ABMG
Rua Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - CEP: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira Costa
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges,
Jorge Santa Anna, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

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Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira da Costa
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges,
Jorge Santa Anna, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

�ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS – ABMG – Gestão
2018-2020
SUMÁRIO

1 III EVENTO DO PROJETO AGENDA 2030 EM MG E IV EDIÇÃO DO
CONVERSANDO SOBRE: A LEITURA EM CENA ....................................... 3
2 ABERTURA DO EVENTO: BOAS-VINDAS E APRESENTAÇÕES............... 9
3

ATIVIDADES

DE

MONITORIA

AO

EVENTO:

DESNUDANDO

OS

BASTIDORES .......................................................................................11
4

LEITURA

AO

LONGO

DOS

SÉCULOS:

DIFERENTES

PRÁTICAS,

CONTEXTOS E AMBIENTES ..................................................................13
5 LEITURA E SEUS PORMENORES: ESTÍMULO, PROMOÇÃO E MEDIAÇÃO
...........................................................................................................20
6 CLUBES DE LEITURA: DESAFIOS, CONQUISTAS E PERSPECTIVAS ....23
7 MEDIAÇÃO E FORMAÇÃO DOS LEITORES: RELATOS PRÁTICOS .........32
8 A LEITURA COMO FORTALECIMENTO PARA A VIDA ..........................36
REFERÊNCIAS ......................................................................................39
APÊNDICE A – MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DO EVENTO ......................42
APÊNDICE B – FOTOS DO EVENTO .......................................................43

Rua Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - Cep: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira da Costa
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges,
Jorge Santa Anna, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

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2018-2020
1 III EVENTO DO PROJETO AGENDA 2030 EM MG E IV
EDIÇÃO DO CONVERSANDO SOBRE: A LEITURA EM CENA

Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia. Professor e
consultor em trabalhos acadêmicos e científicos. Conselheiro editorial da
Revista Pró-Discente. Administra a gestão de secretaria e assuntos
administrativos da ABMG.
E-mail: professorjorgeufes@gmail.com

O propósito de concretizar ações que promovam mudanças práticas no
cotidiano das populações, sobretudo no âmbito dos municípios, é uma
iniciativa

da

Federação

Internacional

de

Associações

e

Instituições

Bibliotecárias (IFLA), ao comungar da política pública da Agenda 2030 da
Organização das Nações Unidas (ONU). Essa política tem como principal
objetivo possibilitar o desenvolvimento sustentável das nações, incluindo essa
evolução sob a perspectiva econômica, humana e social.
Tal proposta precisa ser inserida nas diversas instâncias e contextos,
envolvendo

todos

os

países

e

mobilizando

agentes

governamentais

e

instituições de qualquer natureza. Pensando nessa necessidade, é que o
Projeto Agenda 20301, em seu terceiro evento - em paralelo com o evento
Conversando Sobre2 – em sua quarta edição, apresentam à classe bibliotecária
mineira o evento intitulado Clubes de Leitura em Bibliotecas Escolares e
Espaços Públicos.

1

Projeto gerenciado pela Associação de Bibliotecários de Minas Gerias, com o objetivo de
fortalecer a discussão, em instância local (Minas Gerais), acerca da contribuição
desempenhada pelas bibliotecas na garantia do desenvolvimento sustentável das nações.
2
Evento bimestral que, a cada edição, aborda um tema específico no âmbito da
Biblioteconomia/Ciência da Informação, em Minas Gerais. Caracteriza-se como um bate-papo
entre interessados do assunto.
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Por certo, o tema abordado neste evento é acolhido com louvor pela diretoria
da ABMG, como também por pesquisadores e bibliotecários, em geral. Para os
bibliotecários, em particular, a leitura constitui uma prática que precisa ser
desenvolvida nas pessoas, sendo a biblioteca o espaço especial para esse
fazer. Mas, é errôneo considerar que a leitura está limitada aos recintos das
bibliotecas.
Pelo contrário, a leitura é algo que vai muito além das linhas de um texto
escrito ou que se desenvolve, apenas, em escolas e locais de alfabetização.
Como dizia Chartier (1998, p. 7), “[...] do rolo antigo ao códex medieval, do
livro impresso ao texto eletrônico, várias rupturas maiores dividem a longa
história das maneiras de ler [...]”. Ou ainda, conforme proferido por Paulo
Freire (1989, p. 13), “[...] a leitura da palavra não é apenas precedida pela
leitura do mundo, mas por uma certa forma de ‘escrevê-lo’ ou de ‘reescrevêlo’, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente [...]”.
Ao comungarmos da ideia de que a leitura é objeto de transformação e que se
manifesta em diferentes contextos, é que elegemos com vigor o tema
específico dos Clubes de Leitura, considerados como possibilidades (dentre
muitas outras) de fortalecimento da prática leitora. Acreditamos que, ao
refletirmos sobre os clubes, temos a possibilidade de demonstrar que a leitura
é dinâmica, que vai se modificando, ao longo dos tempos, recebendo
contribuições das tecnologias e sendo influenciada por preferências, modismos
e

tendências

culturais

variadas.

Mas,

o

seu

papel

de

transformação

permanece.
O papel transformador da leitura e a importância dela para o desenvolvimento
do indivíduo, por conseguinte, a evolução da sociedade, é inegável. Com
efeito, a preocupação em estimular o hábito da leitura precisa ser contemplada
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nas práticas profissionais de educadores, pesquisadores, bibliotecários, dentre
outros

profissionais,

além

de

estar

inserida,

também,

nas

agendas

governamentais, cujos maiores investimentos precisam ser realizados, haja
vista garantir a formação de uma sociedade mais leitora.
No âmbito dos investimentos realizados pelo poder governamental, destaca-se
a importância das políticas de fomento à leitura, tal como o Plano Nacional do
Livro e Leitura (PNLL), que, embora não tenha alcançado objetivos práticos,
possui uma base teórica muito bem fundamentada. Esse documento reza que
o Brasil precisa assegurar e democratizar o acesso à leitura e ao livro a toda a
sociedade, “[...] com base na compreensão de que a leitura e a escrita são
instrumentos indispensáveis na época contemporânea para que o ser humano
possa desenvolver plenamente suas capacidades, seja no nível individual, seja
no âmbito coletivo” (BRASIL, 2011, não paginado).
O desejo de transformar o País em uma sociedade leitora é complexo e não
pode estar, apenas, expresso nas políticas, ou constituir um fazer ou
responsabilidade de alguns; ao contrário, é preciso a união de esforços, entre
profissionais e instituições. Como pontuou Santa Anna (2017, p. 34), faz-se
necessária a participação de todos os elementos sociais, sejam instituições,
organizações e profissões “[...] as quais necessitam ser sustentadas por
políticas públicas gerenciadas e mantidas pelo Estado, realizando atividades
que despertem o gosto pela leitura entre todos os grupos da sociedade [...]”.
Para que a leitura seja adotada como uma prática cotidiana a ser realizada por
indivíduos, grupos e comunidades, é necessário, primeiramente, romper
alguns mitos e inverdades, tais como: - leitura como prática limitada a salas
de aulas e bibliotecas; - leitura como responsabilidade somente de educadores
e bibliotecários; - leitura como ação que permeia, apenas, a biblioteca escolar;
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- leitura como ato único de decodificação de sinais gráficos, dentre outros.
Rompendo essas limitações, fica mais fácil entender a contribuição da leitura,
os efeitos dela no desenvolvimento individual e coletivo, haja vista fomentar a
cidadania, e, por conseguinte, a participação de profissionais e instituições
rumo a uma sociedade leitora. A figura 1 demonstra o quanto essas relações
são indissociáveis.
Figura 1 – A união de esforços para a construção de uma sociedade leitora
Instituições: escolas, bibliotecas, centros
culturais, empresas, governo etc.

Indivíduo

Sociedade
leitora

Leitura

Profissionais: educadores,
bibliotecários, empresários, gestores,
governantes etc.
Fonte: Adaptado de Santa Anna (2017).

A análise à figura 1 permite inferir que a leitura é uma habilidade e, como tal,
precisa ser desenvolvida nos indivíduos, de modo que a prática cidadã seja
concretizada, o senso crítico estimulado e, como consequência, tem-se a
formação de uma sociedade leitora, processo esse considerado como um
avanço rumo ao desenvolvimento das nações.
É por meio dessas crenças que o III evento do Projeto Agenda 2030 em MG e
a IV edição do Conversando Sobre foram planejados, cujo objetivo foi o de
constituir um momento de discussão a respeito dos efeitos da leitura na vida
das pessoas e o que profissionais e instituições podem fazer em prol dessa
causa, sobretudo no que tange à formação e gestão dos Clubes de Leitura. O
quadro 1 apresenta os detalhes constitutivos desse evento.
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Quadro 1 – Detalhes do evento sobre Clubes de Leitura
Características principais
Nome do projeto de vinculação
Agenda 2030 em MG: o papel das
bibliotecas e Conversando Sobre
Número da edição do evento
III e IV, respectivamente
Temática
Leitura e Clubes de Leitura
Título
Clubes de leitura em bibliotecas escolares e
espaços públicos
Conteúdo programático
- O histórico e a formação de clubes de
leitura
- Mediação de leitura e formação do leitor
- Relatos de pesquisa em clubes de leitura
em bibliotecas escolares e espaços públicos
Público-alvo principal
Estudantes, pesquisadores e profissionais
interessados pelas temáticas do incentivo e
mediação de leitura, dentre outros aspectos
inerentes à formação do leitor e o contributo
da Biblioteconomia/Ciência da Informação,
nesse contexto
Local, dia e horário de realização
Local de ocorrência
Espaço de Leitura da Biblioteca Central da
UFMG – Campus Pampulha
Dia
30 de agosto de 2019
Horário
Das 18:30 às 21:30 h
Comissão organizadora
Presidentas e palestrantes
Flávia Ferreira Abreu e Jéssica Patrícia Silva
de Sá
Coordenação
Jorge Santa Anna, Rosária Ferreira Otoni
Santos e Maria Elizabeth de Oliveira da
Costa
Monitoria
Patrícia Maria de Melo
Apoiadores
ECI e Biblioteca Universitária da UFMG
Fonte: Dados do evento (2019).

As atividades de organização do evento iniciaram-se com dois meses de
antecedência, cuja equipe organizadora se mobilizou em prol dos processos de
divulgação, mediante elaboração de um fôlder (apêndice A). Além disso, o
evento também foi divulgado na TV Educativa da UFMG, por meio de entrevista
concedida por uma das palestrantes.
No que diz respeito aos conteúdos apresentados, importante reforçar que eles
se originaram a partir do desenvolvimento das pesquisas de Pós-Graduação
das palestrantes, em que as dissertações apresentaram os seguintes temas: Práticas de leituras em blogs (Jéssica de Sá) e Mediação, estímulo e promoção
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de leitura em bibliotecas escolares (Flávia Abreu). Ao longo do evento, a fim de
efervescer as discussões, foram convidadas duas professoras para relatarem
suas experiências e crenças acerca do processo de mediação de leitura. O
detalhamento acerca do conteúdo desse evento é apresentado nas próximas
seções deste relatório.

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2 ABERTURA DO EVENTO: BOAS-VINDAS E APRESENTAÇÕES
Rosaria Ferreira Otoni Santos: Graduada em Biblioteconomia.
Empreendedora e Personal Organizer. Organiza fotos, livros,
residências. Atualiza currículos. Assistente virtual Administrativa.
E-mail: santosrosariaferreiraotoni@gmail.com

Participar do evento Conversando Sobre, IV edição, com o tema Clubes de
leitura em Bibliotecas escolares e espaços públicos, foi muito instigante. Ao
conhecer o histórico e a formação de clubes de leitura, percebi a força da
vontade além das adversidades. A leitura aproxima as pessoas. Chamou-me a
atenção a afirmativa: “Existem diversos tipos de leitura. Não existe o certo ou
errado no tipo de mídia, formato ou gênero que se lê”. O fato real é que cada
leitor traça o seu perfil, de acordo com sua experiência de vida!
Os relatos de pesquisa explorados no evento foram muito bem apresentados
pela Flávia e Jéssica. Conheci contextos sociais diferentes, mas com resultados
semelhantes.

Mediar

a leitura

e

promover

eventos

que

proporcionam

compartilhamento de informações foram vivenciados com muita dedicação.
Também foi muito enriquecedor a presença de parceiras e representantes de
outros clubes de leitura e reencontro com colegas bibliotecários.
Neste evento, como coordenadora de cerimônia, fiz a abertura e fechamento,
bem como registrei os momentos em fotos. Aprecio essas tarefas e me
empenhei para fazer o melhor possível. Quanto à organização administrativa,
percebi que as atividades foram muito bem organizadas e conduzidas. O
cuidado com cada detalhe fez toda diferença. Emissão de certificados, lista de
presença, organização do local e o lanche foram perfeitos. Deixou um desejo

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de novo encontro para novas parcerias. Sou grata à ABMG, em especial à
pessoa do Jorge Santa Anna, pelo convite e por acreditar no meu potencial.

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3 ATIVIDADES DE MONITORIA AO EVENTO: DESNUDANDO
OS BASTIDORES

Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia. Professor e
consultor em trabalhos acadêmicos e científicos. Conselheiro editorial da
Revista Pró-Discente. Administra a gestão de secretaria e assuntos
administrativos da ABMG.
E-mail: professorjorgeufes@gmail.com

A organização de eventos não constitui uma atividade fácil, visto que demanda
muito empenho, esforços e dedicação dos organizadores, os quais realizam
atividades variadas, normalmente agrupadas em comissões, haja vista facilitar
o andamento do processo de organização.
Dentre essas atividades, destaca-se a monitoria. A equipe de monitores presta
um trabalho árduo, “ao vivo” e, na maioria das vezes, os auxílios dessa equipe
se desenvolvem nos bastidores. No entanto, isso não desmerece o trabalho da
monitoria, pois é dela que vem todo apoio técnico/operacional para que o
evento se manifeste, se concretize, com o intuito de possibilitar melhor
comodidade aos participantes e facilitar o fluxo das atividades.
Na IV edição do Conversando Sobre, a atividade de monitoria esteve a cargo
da bibliotecária Patrícia Maria de Melo, que muito bem conduziu as atividades
básicas, como: acolhida aos participantes, coleta de assinatura dos presentes,
apoio de infraestrutura tecnológica, dentre outros.
O que mais chamou a atenção na atividade de monitoria foi a preocupação
com a organização do espaço. Em conjunto com as presidentas do evento, a
monitora teve o cuidado com a ornamentação, expondo objetos ligados à
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leitura e à cultura, além de expor uma canção para recepcionar os
participantes, o que promoveu um clima muito agradável e acolhedor no
ambiente.
Acreditamos que o cuidado com a preparação do espaço é um dos principais
fazeres na organização de evento, embora em muitas vezes, isso é colocado
em último plano. Criar um espaço ou contexto de ambientação é uma forma de
convocar os participantes a entrarem em clima de concentração, deixando suas
angústias diárias, a fim de se envolverem ao máximo com as atividades que
serão oferecidas ao longo do evento.
Nós, seres humanos, somos movidos por emoções e sentimentos e esses vêm
de nossas percepções, as quais se manifestam não apenas por meio de belos
discursos, mas, e, talvez, principalmente, por meio de gestos, de objetos, de
sons, dentre outros elementos implícitos.
Portanto, no evento sobre Clubes de Leitura, aprendemos muito acerca da
importância dos objetos e das atitudes que nos rodeiam, pois elas também
expressam significados, por conseguinte, instigam o despertar de atitudes
humanas, que podem ser benéficas ou não. A partir disso, pensemos na
importância que o ambiente e as atividades de monitoria interferem em nossas
vidas!

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4

LEITURA

AO

LONGO

DOS

SÉCULOS:

DIFERENTES

PRÁTICAS, CONTEXTOS E AMBIENTES

Jéssica Patrícia Silva de Sá: Graduada em Biblioteconomia. Mestra e
Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Minas Gerais. Atua como bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal
Professor Francisco Tibúrcio de Olveiria na cidade de Santa Luzia (MG).
Tem interesse em pesquisas sobre leitura literária e compartilhamento
de leituras.
E-mail: j.jessicadesa@gmail.com

No contexto das leituras compartilhadas em espaços sociais, a retomada de
aspectos históricos sobre o surgimento das comunidades de leitores se mostra
relevante. Ao pesquisar historicamente sobre os hábitos de leitura, Darnton
(2010) afirma que a leitura não evoluiu numa única direção; ela assumiu
formas diferentes entre diferentes grupos em épocas diversas.

Vittorio Reggianini (Itália, 1858–1938). The storyteller.

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Darnton (2010) constata que, no Início da Idade Moderna, a leitura já se
constituía como atividade social na Europa. A leitura popular acontecia nos
celeiros, oficinas e tavernas. A instituição mais importante da leitura popular
era uma reunião ao pé do fogo.
No século XIX, artesãos, como charuteiros e alfaiates, revezavam-se para ler
ou contratavam uma pessoa para ler em voz alta e os entreter durante o
trabalho.
Os livros utilizados na leitura destinavam-se aos ouvidos, começando a
narrativa com expressões como “o que vocês vão ouvir?...”. Dessa forma, os
livros eram mais ouvidos do que vistos, contando mais com ouvintes do que
com leitores.

Knut Ekwall (Suécia, 1843 - 1912).
Charles Moreau (França, 1830 - 1891).
The Reading Lesson.
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Cafeterias
Assim como as classes populares, a elite também tinha suas formas de
vivenciar a leitura como atividade social. De acordo com Rebollar (2002, citado
por ALMEIDA, 2008), os primeiros pontos de encontros literários surgiram na
França no início do século XVI; eram os primeiros cafés e salões literários,
frequentados pela elite burguesa e pelos intelectuais da época.
Para Darnton (2010), a cafeteria foi uma instituição de leitura importantíssima,
que se difundiu pela Alemanha no século XVII. As cafeterias ofereciam jornais
e revistas, mostrando-se como ambiente propício para discussões políticas. Em
1760, Viena tinha, no mínimo, sessenta cafeterias desse tipo. Em Londres e
em Amsterdã, esses espaços de leitura nos cafés permaneceram por mais de
um século.

John Arthur Lomax (1857 - 1923). In the Library.

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Nos salões aristocráticos, grandes damas, cavalheiros e pessoas letradas
recebiam implicitamente uma educação literária. Uma rua inteira de Paris
torna-se, no século XVIII, um ponto de encontro literário. Nessa época, os
salões literários tornaram-se locais onde os convidados fumavam, bebiam,
jogavam cartas, liam poemas, ouviam música, riam, discutiam literatura e
participavam de debates calorosos sobre diversos temas.
Já no século XIX, com o aparecimento das indústrias, das redes de transporte,
das organizações operárias e do comunismo, os salões literários perdem ao
pouco seu espaço para discussões mais populares com assuntos como dinheiro
e política, transformando esses ambientes em locais de troca de interesses.
Com isso, é deixado para trás o glamour dos períodos anteriores, o que
empobreceu a vida cultural europeia (REBOLLAR, 2002, citado por ALMEIDA,
2008, p. 37-39).

“No Salão de Madame ‘Geoffrin’, em 1755”. Óleo sobre tela por Anicet Charles Gabriel
Lemonnier (1743 – 1824, França).

Rua Guajajaras, 410, Centro - Belo Horizonte, MG - Cep: 30180-912. Edifício Rotary, Sala 608
Presidenta: Maria Elizabeth de Oliveira da Costa
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Borges,
Jorge Santa Anna, Maria Clea Borges e Taciane Rodrigues

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Além dos cafés e salões literários, outra instituição de leitura importante foram
os Clubes de Leitura. Para um pequeno número de pessoas cultas que podiam
comprar livros, a leitura constituía uma experiência mais privada. Ainda assim,
muitas delas participavam de Clubes de Leitura, onde podiam ler quase tudo
que quisessem, numa atmosfera social. Por um pagamento mensal, tinham
acesso a livros, jornais e salas especiais destinadas à socialização.
A proliferação desses clubes em Paris aconteceu no século XVIII. Muitas
livrarias eram convertidas em gabinetes de leitura, cobrando-se uma taxa pelo
direito de frequentá-las. Nesses locais, os leitores tinham acesso a um
ambiente com boa iluminação, cadeiras confortáveis e a assinatura de meia
dúzia de jornais. Na Alemanha, os Clubes de Leitura cresceram numa
velocidade espantosa no século XVIII, fornecendo as bases sociais para uma
variedade distinta da cultura burguesa (DARNTON, 2010).

Guglielmo Zocchi. What happens next (Itália, 1874).
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Contexto Brasileiro
Broca e Barbosa (2005) descrevem que, no Brasil do início do século XX, a
vida boêmia centralizava-se não somente nos clubes, mas também nos salões
literários da época. Os tradicionais salões literários aconteciam no Rio de
Janeiro e também em São Paulo, reunindo intelectuais.
Os cafés literários, como a Confeitaria Colombo no Rio, eram ponto de
encontro de escritores, como, por exemplo, João do Rio e Lima Barreto. Além
dos cafés, as livrarias também eram locais de reunião dos escritores, sendo a
primeira e mais frequentada, a Garnier. Na livraria Revista Brasileira, reuniamse Machado de Assis, José Veríssimo, Lúcio de Mendonça, Coelho Neto,
Taunay, Nabuco e outros. “Dessas tertúlias acompanhadas de um chá e
torradas nasceu, como se sabe, a Academia Brasileira” (BROCA; BARBOSA,
2005, p. 81).

Confeitaria Colombo (1919).

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Livraria Garnier (Rio de Janeiro, 19-?).

Feiras Literárias
Por volta dos anos 1940, consolidam-se as primeiras feiras do livro. Surgida
nas cinzas da Segunda Guerra Mundial, a feira do livro de Frankfurt aconteceu
pela primeira vez em 1949. Seguindo a tendência alemã, surgem feiras do
livro em toda a Europa, como as de Londres, Paris, Belgrado, Berlim e Lisboa.
Aparece também a Feira de Guadalajara, no México, e as de Quebéc e Toronto,
no Canadá. São instituídas, no Brasil, “[...] a Bienal do Livro, a Feira Nacional
do Livro de Ribeirão Preto e a Festa Literária Internacional de Parati (FLIP),
considerada hoje como um dos mais importantes festivais literários do mundo”
(ALMEIDA, 2008, p. 42).
Ainda no século XX, acontece a ruptura radical dos tradicionais ambientes
literários com o aparecimento das novas tecnologias.

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5 LEITURA E SEUS PORMENORES: ESTÍMULO, PROMOÇÃO E
MEDIAÇÃO

Flávia Ferreira Abreu: Bacharela em Biblioteconomia (2010).
Especialista em Gestão Estratégica da Informação (2012). Mestra em
Ciência da Informação (2019) pela Universidade Federal de Minas
Gerais. Possui experiência na área de Ciência da Informação, com
ênfase em Gestão da Informação, atuando, principalmente, nos
seguintes temas: leituras compartilhadas, biblioteca itinerantes,
mediação de leituras e em gestão de sistema da informação. É servidora
do Sistema de Bibliotecas da UFMG, no setor de Referência da
Biblioteca Central.
Email: flaviaabreu2911@gmail.com

As pesquisas sobre leitura se preocupam em identificar a efetividade e
introjeção de conhecimentos pela leitura, entendida aqui como apropriação da
leitura, a partir da subjetividade do leitor permeado pelo seu contexto. Dumont
(2007)

salienta

que,

nas

últimas

décadas,

surgiram

indagações

para

compreender o contexto social e, assim, o fluxo de informações, o sujeito e a
diversidade da leitura nas diversas áreas de conhecimento.
Para a Ciência da Informação e a Biblioteconomia, a leitura é visualizada a
partir das necessidades dos usuários, segundo o perfil do leitor e o contexto
que está inserido. Baseando-se em estudo teórico, observa-se que o conceito
de mediação da informação evidencia a simbologia e dialética da informação e
da mediação, assim como o movimento que caracteriza as relações entre as
duas instâncias, determinando o sentido da realidade social (REIS; MARTINS,
2009).
O repertório intelectual conta muito, pois essa diversidade de leituras está
subordinada ao seu poder de interpretação, juntamente com os seus
conhecimentos acumulados, que são decisivos para a pluralidade de leituras.
Nesse sentido, “um mesmo texto pode ser lido distintamente por leitores de
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graus de conhecimentos diferentes e, de acordo com o ponto de vista de cada
um, podem chegar a conclusões diferentes” (NASCIMENTO, 2014, p. 33).
Campello (2009) alerta para o número significativo de pesquisas que têm
revelado os equívocos das políticas e das atividades de práticas da leitura, que
partem do princípio de que o importante é ler, não importa o quê; sem se
estudar e planejar o que ler, é criar o “gosto” da leitura por meio de técnicas
de animação, “possíveis”, e não direcionadas ao texto. Para a autora, a
biblioteca pode ser um espaço no qual se forma o leitor, desde que seja um
espaço de criação e de compartilhamento de experiências, um espaço de
produção cultural e que os bibliotecários e mediadores sejam leitores críticos,
aptos para o confronto com os usuários, por meio da literatura sem cobranças
mecânicas de compreensão de texto lido e sem fórmulas rígidas de indicação
por idade.
É recente, no Brasil, o uso do termo “mediação de leitura” por alguns autores
da área de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Bicheri e Almeida Júnior
(2013, p. 48) atestam que um dos requisitos para mediar a leitura “é ser leitor
e dar testemunho disso aos alunos; não só disponibilizar leitura aos seus
usuários, mas também propor-lhes leituras”. O mediador é o leitor atento,
respeitoso e desprendido de preconceitos (ALMEIDA JÚNIOR; BORTOLIN,
2009).
Mediar a leitura é mais do que ler um livro e indicá-lo para outros leitores. É
tornar a história interessante para o leitor, discuti-la, fazer questionamentos,
mostrar os benefícios que a leitura oferece e o poder de transformação que ela
tem na vida das pessoas (ALMEIDA; COSTA; PINHEIRO, 2012, p. 477).

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A mediação de leitura deve ir ao encontro dos interesses do leitor como
passaporte para novas leituras, interpretações e desdobramentos. Tem que
gerar inquietações, pois ao compartilhar a leitura, cada indivíduo irá
experimentar um sentimento de pertença, de apropriação, possibilitando abrirse para o outro, introduzindo-o no mundo (PETIT, 2008).
Acredita-se que o papel dos mediadores é buscar várias formas de mediar e
incentivar a leitura para além do texto, levar a reflexão por meio do diálogo do
que foi lido e das informações constantes nas entrelinhas. Todavia, deve-se ter
a ciência que o texto, mesmo oferecendo uma gama de probabilidades de
leitura, não pode ser lido arbitrariamente, de qualquer maneira, já que o
sentido não está apenas no leitor, nem no texto, mas na interação autor-textoleitor, cabendo ao mediador literário e ao leitor traçarem caminhos possíveis
de interpretação baseados no texto.
Nesse sentido, a pesquisa de Mestrado de Abreu (2019) buscou compreender
que ações de mediação e incentivo à leitura têm sido utilizadas pela equipe de
profissionais das bibliotecas escolares, com o intuito de formar leitores mais
capacitados a compor uma sociedade de cidadãos pensantes, formadores de
opinião e críticos, tendo o suporte e o domínio da leitura e, consequentemente,
a apropriação da informação. Nessa investigação, o clube da leitura foi
identificado como ação efetiva para se compartilhar a leitura.

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6

CLUBES

DE

LEITURA:

DESAFIOS,

CONQUISTAS

E

PERSPECTIVAS

Flávia Ferreira Abreu: Bacharela em Biblioteconomia (2010).
Especialista em Gestão Estratégica da Informação (2012). Mestre em
Ciência da Informação (2019) pela Universidade Federal de Minas
Gerais. Possui experiência na área de Ciência da Informação, com
ênfase em Gestão da Informação, atuando, principalmente, nos
seguintes temas: leituras compartilhadas, biblioteca itinerantes,
mediação de leituras e em gestão de sistema da informação. É servidora
do Sistema de Bibliotecas da UFMG, no setor de Referência da
Biblioteca Central.
Email: flaviaabreu2911@gmail.com

Clubes de Leitura em bibliotecas escolares
De

acordo

com

Campello

(2016),

um

dos

espaços

de

trabalho

dos

bibliotecários são as bibliotecas de formação básica escolar, onde é realizada a
orientação dos usuários na utilização efetiva desse ambiente de aprendizagem.
Para que a biblioteca escolar possa cumprir sua função, é necessário, além de
espaço e acervo, um bibliotecário “competente e engajado na escola como um
todo. [...] O bibliotecário deve ser competente, comunicativo, interessado e
criativo” (BICHERI; ALMEIDA JÚNIOR, 2013, p. 43).
Clube do Livro - Escola Municipal Aurélio Pires

Fonte: Acervo da pesquisadora (2018).
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O Clube do Livro foi implementado no início do ano de 2014, sob a supervisão
da bibliotecária que lá trabalhava na ocasião, com a participação da auxiliar de
biblioteca e da professora em readaptação funcional. Esse projeto gerou o
Prêmio Carol Kuhlthau para uma das fomentadoras do Clube. O objetivo dessa
ação é incentivar a leitura e formar leitores, além de criar um espaço em que
alunos, profissionais da biblioteca e professores pudessem interagir e
compartilhar experiências literárias, atribuindo um novo sentido à relação que
possuem com os livros, intensificando o gosto pela leitura. O Clube do Livro
visa educar os discentes para a literatura independentemente de notas
atribuídas pelo professor, contribuindo, dessa forma, para a formação do aluno
sem excluir a autonomia e o prazer dele com a leitura.
O Clube do Livro visava, também, apropriar-se do ambiente da biblioteca,
qualificado para promover a conjugação entre os elementos que permeiam a
prática da linguagem: oralidade, leitura e escrita (SÁ; PENA, 2015). Os
encontros do Clube são bimestrais para troca de experiências das leituras
realizadas. As mediadoras recebem os comentários escritos das leituras
realizadas pelos estudantes para conversarem nos encontros presenciais.
Apresentam-se, aqui, alguns depoimentos sobre o Clube do Livro, pelo viés das
mediadoras desse projeto.
A maior parte do tempo foi destinada aos comentários sobre as obras anteriormente lidas de
modo solitário. Ocorreu a troca de experiências literárias entre os colegas, consistindo no
intercâmbio de informações sobre os temas e ideias apresentados nos livros, relacionando-os
com os diversos aspectos da vida. A participação e a fala foram facultativas. À medida que o
participante se permitiu falar e ser ouvido, sendo essencial o respeito entre opiniões diferentes
ou contrárias, percebeu-se que sua autoestima foi aumentada (SÁ; PENA, 2015, p. 5).
A Sá sempre atuante, colaborativa, dando mais ideias e eu aprendendo com ela. [...] Nós
retomamos com o Clube do Livro e aí o professor, auxiliando, os auxiliares de biblioteca, os
professores de Língua Portuguesa, da [...]. Apesar disso, eu acho que conseguimos alcançar
alguns objetivos, sim, de alguns alunos que leem mais no Clube do Livro, mas acho que
precisa tempo para acompanhá-los, com um intervalo menor de encontros, o que ainda não
conseguimos fazer (EP1MA).
Esse projeto é o melhor que já vi. Eu não deixo ele morrer. [...] Não quero que morra e meus
alunos ficarão estimulando. É um projeto que assim, começou com muitos alunos; em geral,
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os meninos menores são mais propícios. A gente tinha dois encontros com os meninos do
sexto, sétimo, oitavo e nono ano. E, depois, foi enxugando e todos juntos. É muito livre! O que
é importante, que os meninos escolhem; é o que faço com meus alunos quando eu peço para
eles escolherem os livros que eles querem, em geral. Mas, a biblioteca, ela tem essa questão;
as meninas estão sempre preocupadas com o que os meninos estão lendo [...]. Eu acho que
nossa biblioteca só tem gente boa. [...] Nós temos muitos alunos que gostam de ler (EP3MA).

O ideal para esse processo seria a parceria mais efetiva entre biblioteca e sala
de aula. No entanto, essa integração tem acontecido em um nível de
coordenação, ou seja, a participação de professores ainda é restrita e o
trabalho é individualizado. Recomenda-se um nível de currículo integrado, cuja
atividade principal é a criação de um ambiente colaborativo, em que a
cooperação entre os profissionais da biblioteca e os professores seja definida
pelo currículo (PEREIRA; CAMPELLO, 2016). Foi possível constatar, no decorrer
do projeto, a emergência de diversas indagações que pressupõem estudos
teóricos por parte dos profissionais da biblioteca, a fim de que a prática leitora
seja aperfeiçoada.
Clube da Leitura
É um projeto criado há dez anos por iniciativa das professoras de Produção de
Texto e História em junção com a bibliotecária. Mesmo com a troca de
bibliotecárias nesse período, o projeto se manteve ativo com ações efetivas,
como retrata uma entrevistada.
Eu sempre entendi a biblioteca como o ponto central da escola [...]. Eu sempre tive muita
sorte com os profissionais da biblioteca, com os bibliotecários, porque, assim, sempre
acolheram muito bem minhas ideias. [...] A biblioteca teve a sorte de terem bibliotecárias
modernas no sentido de permitir que as ações aconteçam lá, de serem dinâmicas, chamativas
para os jovens e adolescentes, serem atrativas (EP1EP).

Os encontros com a leitura ocorrem nas sextas-feiras, a cada quinze dias entre
as mediadoras para discutir e planejar estratégias de mediação da leitura
dentro do ambiente da biblioteca. O diálogo com os membros do Clube é
quinzenalmente, por duas horas, às sextas, depois do horário das aulas, das
11:40h às 13:40h, para compartilhar as leituras.
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As mediadoras do Clube da Leitura, sensibilizadas pelo gosto de ler, ainda
restrito a um grupo de alunos da instituição EP, apesar de resistentes às
leituras obrigatórias a outros livros indicados pelos professores de Português,
mantiveram-se solícitas e desejaram diversificar e estimular as leituras.
Clube da Leitura – Dez anos de existência

Fonte: Acervo da pesquisadora (2019).

Dentre as principais ações que acontecem no Clube da Leitura, como também
os objetivos do Clube, destacam-se: a prática da leitura prazerosa e
comumente marginalizada,

convertida em uma leitura a ser realizada e

discutida no ambiente da biblioteca (isso implica em aproximar as ideias de
literatura-escola-prazer) (ABREU; BATISTA; OLIVEIRA, 2014); romper mitos e
derrubar preconceitos que envolvem a literatura, fazendo com que os alunos
descubram o prazer do texto no Clube da Leitura; leitura no cinema,
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relacionando a arte cinematográfica com a literatura; leitura em espaços
sociais, como asilos (a leitura se torna terapia para seus leitores); encontros
com autores para aproximar o leitor do contexto do autor, dentre outras
práticas e finalidades.
Integrantes do Clube da Leitura

Fonte: Acervo da pesquisadora (2018).

Observou-se que os projetos Clube da Leitura são elaborados e escritos
formalmente pelas equipes. Isso proporcionou a efetividade e longevidade da
ação. Assim, como em qualquer contexto organizacional, o planejamento, a
formalização e a colaboração entre os envolvidos são elementos essenciais
para garantir o melhor desempenho das atividades de mediação e incentivo à
leitura.

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Clubes de Leitura em Espaços Públicos
Jéssica Patrícia Silva de Sá: Graduada em Biblioteconomia. Mestra e
Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Minas Gerais. Atua como bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal
Professor Francisco Tibúrcio de Olveiria na cidade de Santa Luzia (MG).
Tem interesse em pesquisas sobre leitura literária e compartilhamento
de leituras.
E-mail: j.jessicadesa@gmail.com

Durante o período de coleta de dados da pesquisa de Mestrado “Ler e
compartilhar na web: práticas informacionais de blogueiros literários”, a
pesquisadora teve a oportunidade de participar de dois Clubes de Leitura que
ocorrem em espaços públicos. Eventos que tiveram a observação participante
da pesquisadora: #Clube do Livro BH e Clube do Livro de Ribeirão das Neves.
#Clube do Livro BH

O #Clube do Livro BH é realizado no Centro de Referência da Juventude,
recinto público vinculado à Prefeitura de Belo Horizonte. O evento acontece
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cerca de cinco edições por ano, ocorre aos sábados, das 14h às 18h, no
auditório do local, com capacidade para 300 pessoas.
O evento é realizado por duas organizadoras, conhecidas como irmãs Pimenta.
Elas relatam que a necessidade de trocar ideias sobre livros foi o que
impulsionou a criação do #Clube do Livro BH. No início, o projeto acontecia em
shoppings e parques da cidade com a participação de poucas pessoas, até que,
com uma quantidade maior de participantes, conseguiram a parceira com a
Fundação Municipal de Cultura para utilizar o Centro de Referência da
Juventude.
Cerca de 50 livros são destinados para sorteio entre todos os participantes.
Esses livros são oferecidos pelas editoras parceiras do evento. Há também a
participação de autores e editores convidados. As organizadoras conduzem o
evento com muitas brincadeiras, como o momento da dança.
O público é, majoritariamente, feminino, contando com a presença de muitas
mulheres jovens e adultas, algumas crianças e poucos homens. Em vários
momentos, ocorreram pausas para realização de sorteio de livros. Dentre as
atividades paralelas que ocorrem, no decorrer do evento, citam-se: leitura
coletiva diferentona, tambor vip, venda de camisas e canecas com logotipo do
clube, dentre outras.
Clube do Livro de Ribeirão das Neves

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O projeto é realizado por três blogueiros literários, administradores dos blogs
DNA Literário e Cultura Pocket: Rita Lima, Jussara Ferreira e Fábio Souza. O
Clube consiste em uma pequena reunião de cerca de 20 leitores, que se
encontram, mensalmente, para fazer um piquenique e conversar sobre os
livros que leram. Alguns livros são destinados ao sorteio.
Cada encontro tem um tema específico: Terror, Romance, Livros que viraram
filmes, dentre outros. O encontro sempre é iniciado pela fala de uma das
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organizadoras que discute o tema do mês. Cada participante é convidado a
falar

sobre

os

livros

que

leu.

Não

é

estabelecida

nenhuma

ordem,

possibilitando que cada leitor possa tomar a iniciativa de falar no momento em
que sentir vontade. Alguns leitores levam os livros que leram para mostrar ao
grupo, enquanto contam a história e falam das impressões.
Na maior parte das vezes, os leitores recomendam os livros, mas também há
momentos em que criticam alguns livros de forma negativa. Os membros do
grupo se sentem à vontade para comentar as falas dos demais.
Entre os comentários dos participantes, os organizadores sorteiam alguns
livros que conseguem por meio de editoras ou por doações. Cerca de 10 livros
são sorteados e há também o sorteio de marcadores de livros. O Clube
acontece de forma descontraída, informal e, principalmente, intimista. Em sua
maioria, o Clube é composto por adolescentes e mulheres, estando presente
alguns homens e crianças.

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7

MEDIAÇÃO

E

FORMAÇÃO

DOS

LEITORES:

RELATOS

PRÁTICOS

Geisa Mara Batista: Doutoranda em Estudos Linguísticos. Mestra em
Filosofia. Graduada em Filosofia e Letras. Professora da Faculdade
Senac – MG e da Rede Estadual de Educação. Coordenadora do Clube
da Leitura do Colégio ICJ. Atua no Ensino de Filosofia, Letras e na
formação de professores.
E-mail: geisamara.batista@gmail.com

Mônica Luiza Lages de Oliveira: Mestra em Ciência da Informação
pela Universidade Federal de Minas Gerais (2014). Graduada em
Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2010),
atuando principalmente nos seguintes temas: história da leitura,
formação do leitor, bibliotecas escolares, leitura na escola, literatura
infantil e juvenil. Atualmente, atua como bibliotecária e contadora de
histórias na Escola da Serra.
E-mail: monicafazhistoria@yahoo.com.br

Após a apresentação da palestra de Flávia Abreu acerca da mediação, estímulo
e promoção de leitura em bibliotecas escolares, foi aberto o espaço para livre
manifestação e questionamentos do público e demais participantes. A
professora e mediadora do Clube da Leitura do Colégio ICJ, Geisa Batista, e
Mônica Lages foram as primeiras a pedir a palavra. A participação das
mediadoras

pode

ser

dividida

em

três

seções:

1

-

mensagem

aos

bibliotecários; 2 - detalhamento da experiência do Clube; e 3 - respostas a
questionamentos do público e demais participantes. A seguir, precedemos aos
relatos.
1. Aproveitando

a

oportunidade

de

estar

diante

de

um

grupo

de

bibliotecários, as mediadoras abriram sua participação afirmando a
importância desse profissional para a fundação e manutenção de um
Clube da Leitura. Como as professoras relataram, a experiência do Clube
é replicável em vários outros ambientes. Essas mesmas professoras
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fundaram outros clubes nas instituições públicas em que atuam.
Contudo, não obtiveram o mesmo sucesso. Segundo as mediadoras,
ambas as escolas possuíam biblioteca e contavam com bom acervo.
Também tinham um grupo de alunos interessados em compartilhar suas
experiências e professores interessados em mediar. No entanto, não
havia um elemento fundamental na equação, o bibliotecário. A falta do
conhecimento técnico do bibliotecário tornava a simples tarefa de
localizar um livro e tomá-lo emprestado uma missão quase impossível.
Mas a participação do bibliotecário como membro do Clube vai além: é o
bibliotecário que os alunos buscam para encontrar o livro que alguém
acabou de indicar; é o bibliotecário com escuta sensível o que mais
conhece o comportamento do leitor e observa mais de perto seus
interesses, os quais vão estimular e tematizar as melhores discussões; é
ele quem primeiro recebe as novidades literárias e comunica aos demais
membros, despertando o interesse para novas descobertas; enfim, é o
bibliotecário quem mantém unificado o Clube mesmo quando ele não
está

fisicamente

reunido.

Lamentavelmente,

a

experiência

das

professoras constata que, de modo geral, escolas públicas da rede
estadual não contam com profissional qualificado, o que acaba por
transformar as bibliotecas em grandes depositárias de livros, cuja
presença do estudante não é estimulada.
2. O Clube da Leitura do Colégio ICJ existe há 10 anos, tendo em média 30
membros, ao longo dos anos. Ele surgiu quando, observando o interesse
de um grupo de alunos, as professoras Monica e Geisa propuseram a
então

bibliotecária

Elisteia

Maia

a

criação

de

um

momento

de

compartilhamento de leitura. Contudo, as mediadoras fazem questão de
afirmar que o sucesso do projeto não implica em menores problemas. A
definição do número de membros ideal, o volume de leitura para
mediadoras acompanharem os membros e a definição de regras podem
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ser geradores de conflitos a serem tratados.

Como pontos que as

mediadoras julgam essenciais para o sucesso do Clube, estão:
a) superar o estigma “os alunos/jovens de hoje não gostam de ler, eles não
leem”. Todos leem, podem não ler o que você espera, mas leem. Cabe ao
mediador se aproximar, ouvir e oportunizar novas experiências;
b) garantir participação livre e democrática: o clube é espaço de liberdade de
expressão. Toma-se muito cuidado com possíveis preconceitos literários.
Segundo as mediadoras, uma frase sempre dita é “você pode não gostar de
um livro ou um texto, mas deve lê-lo para ser capaz de emitir sua opinião de
maneira qualificada, ou talvez, descobrir que estava enganado”. Os membros
são sempre estimulados a transitar por diferentes gêneros e autores;
c) capacitação e perfil dos mediadores: além da referida importância do
bibliotecário,

como

mediador,

assim

como

os

demais

mediadores,

os

profissionais que atuam em prol da leitura devem ser pessoas que gostam de
ler e com bagagem de leitura. O gosto pela leitura é o verdadeiro estímulo,
afinal, nenhuma palavra é mais poderosa que o exemplo. Tão importante
quanto gostar de ler e ter bagagem de leitura é ter a capacidade e técnica de
promover a experiência de leitura interativa e a intertextualidade. É esse
movimento entre interação/intertextualidade que garante a diversificação de
gêneros e ampliação do gosto de ler.
d) por fim, o Clube é um espaço intimista. Deve-se garantir que permaneça
como tal. Daí a relevância de se definir um número ideal de membros, bem
como um ambiente de confiança e liberdade de expressão sem julgamentos. O
ambiente do Clube é um ambiente de catarse, experimentação e fruição. O
texto deve ser livremente fruído por todos e eu posso compartilhar meus
próprios textos. As mediadoras relatam que não raro os membros se tornam
autores.
3) Uma das primeiras perguntas feitas às mediadoras foi justamente acerca
da

possibilidade

de

relação

entre

ler

e

escrever.

As

mediadoras

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responderam que a experiência delas mostra que, à medida que se ganha
mais intimidade com a palavra escrita, por meio da leitura, essa intimidade
parece naturalmente conduzir a vontade de também expressar suas
próprias palavras, a vontade de ser autor. Outro questionamento feito
referiu-se ao ato de mediar. Uma participante relatou às mediadoras certa
dificuldade em atuar como mediadora em relação a suas filhas e pediu
conselho. A resposta foi: Ouça! Primeiro ouça o que o leitor tem a dizer,
sem expectativas iniciais. Ouça seus interesses, gostos e conhecimentos e
dialogue com esses gostos, interesses e conhecimentos. Permita que
escolha com liberdade o que quer ler e leia junto. Compartilhe e se abra
para a troca; se fizer isso, estará mediando o próprio caminho dela como
leitora, não o que você traçou, o que pode, inclusive, te surpreender. Por
fim, um participante do Peru compartilhou a experiência de escrita de um
Clube de Leitura de crianças e um professor em sua terra natal, o qual
produziu um livro. Relatou, ainda, que a biblioteca de sua cidade foi
durante a ditadura um lugar de proteção e refúgio. O participante pediu
que as mediadoras comentassem sobre o que contou. As mediadoras,
primeiramente, falaram com interesse sobre a bem-sucedida experiência e
apresentaram o livro “Hoje tem Clube?”, livro esse produzido pelos
membros do Clube do Colégio ICJ. Sobre o emocionante relato da biblioteca
como refúgio, acrescentaram: “Se pensar bem, nada mais natural. O livro
não nos oferece apenas a segurança do conhecimento, mas a passagem
para novos mundos e perspectivas. Ainda que esteja a portas fechadas e
ao redor o ambiente seja inóspito, ninguém está verdadeiramente preso se
está com um livro. O livro é sempre uma janela aberta”.

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8 A LEITURA COMO FORTALECIMENTO PARA A VIDA

Flávia Ferreira Abreu: Bacharela em Biblioteconomia (2010).
Especialista em Gestão Estratégica da Informação (2012). Mestra em
Ciência da Informação (2019) pela Universidade Federal de Minas
Gerais. Possui experiência na área de Ciência da Informação, com
ênfase em Gestão da Informação, atuando, principalmente, nos
seguintes temas: leituras compartilhadas, biblioteca itinerantes,
mediação de leituras e em gestão de sistema da informação. É servidora
do Sistema de Bibliotecas da UFMG, no setor de Referência da
Biblioteca Central.
Email: flaviaabreu2911@gmail.com

Jéssica Patrícia Silva de Sá: Graduada em Biblioteconomia. Mestra e
Doutoranda em Ciência da Informação pela Universidade Federal de
Minas Gerais. Atua como bibliotecária na Biblioteca Pública Municipal
Professor Francisco Tibúrcio de Olveiria na cidade de Santa Luzia (MG).
Tem interesse em pesquisas sobre leitura literária e compartilhamento
de leituras.
E-mail: j.jessicadesa@gmail.com

Jorge Santa Anna: Graduado em Biblioteconomia. Professor e
consultor em trabalhos acadêmicos e científicos. Conselheiro editorial da
Revista Pró-Discente. Administra a gestão de secretaria e assuntos
administrativos da ABMG.
E-mail: professorjorgeufes@gmail.com

As atividades realizadas no III evento do Projeto Agenda 2030 e IV edição do
Conversando Sobre demonstraram as contribuições da leitura, considerando a
evolução do sujeito em sua individualidade, ou enquanto elemento pertencente
a um contexto social (coletividade). Também reforçaram a necessidade em se
desenvolver iniciativas que provoquem o hábito da leitura, uma vez que ela
constitui uma habilidade adquirida; logo, precisa ser estimulada.
Quando a prática da leitura é realizada no meio social, aumentam-se as
possibilidades de formação de leitores mais críticos, além do compartilhamento
de

conhecimento

entre

os

que

mediam

essas

práticas.

Portanto,

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apresentaram-se os exemplos dos Clubes de Leitura: Clube do Livro da Escola
Municipal Aurélio Pires, Clube da Leitura do ICJ, Clube do Livro BH e Clube do
Livro de Ribeirão das Neves.
Ao

ser

realizada

nos

ambientes

das

bibliotecas,

especificamente,

nas

instituições de ensino, como nas bibliotecas escolares, a leitura servirá como
alavanca na produção de novos conhecimentos, enriquecendo, portanto, o
aprendizado

e

também

a

criticidade.

Com

efeito,

paralelo

à

leitura,

desenvolvem-se as atividades de mediação, promoção e incentivo. Essas ações
são

complementares

e

possibilitam

a

transmissão

de

conhecimento

enaltecendo o valor que a leitura assume na sociedade humana.
Após o término do evento, a partir dos resultados, é possível perceber que os
objetivos foram alcançados, a ponto de extravazar as expectativas da
comissão organizadora. Isso porque os participantes tiveram a oportunidade
de conhecerem e compartilharem um pouco mais sobre o universo da leitura,
sobretudo no que tange à necessidade de se implementar projetos que
fomentem essa prática, nos mais diferentes contextos e espaços.
O evento obteve uma avaliação positiva, haja vista a satisfação dos
participantes ao final do evento. Como proferido por um dos membros da
comissão organizadora:
Parece que a leitura tem o poder mágico de ir muito além da produção de conhecimento. Ela
tem o poder, também, de nos encorajar para a vida, fortalecendo nossa cidadania, como
também ela nos fortalece, alivia os nossos cansaços, angústias e sofrimentos. Em pleno final
de sexta-feira, chegamos a esse evento cansados com as fatigas da semana, e, ao final do
evento, saímos aliviados, pronto para novas aventuras da vida (Comentário de um membro da
comissão organizadora).

Nas redes sociais, o sentimento também foi de satisfação e realização, em
virtude das postagens e compartilhamentos de fotos, curtidas e comentários

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diversos. A satisfação foi percebida, conforme palavras registradas por parte
dos participantes, em aplicativo de mensagem:
“O evento foi muito bom. A galera se empolgou tanto que, se deixassem, estariam lá até
agora!”. “É verdade! Falar da leitura é algo que nos cativa, nos encanta”.

Por fim, ao findar deste relatório, concluímos que a leitura manifesta-se como
a chave que abre as portas para o conhecimento, para a cidadania e para o
desenvolvimento individual e coletivo. A leitura é muito mais do que a
decodificação de códigos linguísticos; vai muito além do auxílio à alfabetização
e ensino-aprendizagem. Ela também envolve questões subjetivas profundas,
capaz de tocar nossos sentimentos e emoções, servindo, portanto, como ponto
de fortalecimento para a vida.
A importância da leitura confirmada neste evento evidencia a necessidade de
maiores investimentos e engajamento, tanto de profissionais, quanto de
instituições, do poder público ou privado, em busca de uma sociedade leitora
no Brasil. Assim, esperamos que a leitura deixe de ser um desejo e torne-se
uma realidade, um fazer cotidiano, ao longo do século XXI.
Para que se alcance a efetividade dessas ações com a leitura, é fundamental
conhecer os meninos, a escola e a literatura, sendo leitores que vão formar o
leitor pelo exemplo, pelo diálogo e por praticar aquilo que se acredita. Os
projetos Clube da Leitura são elaborados e escritos formalmente pelas equipes.
Isso proporciona a efetividade da ação.

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Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) e dá outras providências.
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Palestra proferida na Escola de Ciência da Informação – UFMG para a turma da
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APÊNDICE A – MATERIAL DE DIVULGAÇÃO DO EVENTO

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APÊNDICE B – FOTOS DO EVENTO
Abertura do evento – Mensagem de boas-vindas

Início da palestra sobre Clubes de Leitura – relatos da dissertação da palestrante

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Apresentação das práticas de leitura ao longo dos tempos: dos ledores aos blogueiros

Palestrante apresentando os processos de mediação, promoção e incentivo à leitura, conforme
resultados da dissertação

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Palestrante contextualizando a leitura no âmbito da Ciência da Informação e Biblioteconomia

Participantes da plateia atentos aos debates

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Momento de discussão e socialização entre os participantes

Solenidade de entrega dos certificados entre a comissão organizadora

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Equipe ABMG e diretoria da Biblioteca Central da UFMG

Momento de confraternização – Encerrando as atividades

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Confraternização de encerramento

- OBRIGADO A TODOS E ATÉ
O PRÓXIMO EVENTO!
- Ações de Marketing em Bibliotecas
- Com Elisa Dobrillovich e Yuri Martins
- 30 de outubro de 2019

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        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>ABMG - Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais</text>
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                <text>A ABMG tem como principal missão congregar bibliotecários, instituições e pessoas interessadas em Biblioteconomia, Ciência da Informação e áreas afins. Defender os interesses e apoiar as reivindicações dos associados. Representar os associados junto aos órgãos da classe nacionais e internacionais, aos órgãos públicos e privados e incentivar o aprimoramento da profissão e o desenvolvimento cultural  através de cursos, congressos, seminários, palestras e outros.meuip.co</text>
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    <name>Text</name>
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      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <description>A name given to the resource</description>
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            <elementText elementTextId="50976">
              <text>Clubes de Leitura em Bibliotecas Escolares e Espaços Públicos</text>
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          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <text> Flávia Ferreira Abreu</text>
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              <text>Geisa Mara Batista</text>
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              <text>Jéssica Patrícia Silva de Sá</text>
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              <text>Jorge Santa Anna</text>
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              <text>Mônica Luiza Lages de Oliveira</text>
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              <text>Rosária Ferreira Otoni Santos</text>
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          <name>Contributor</name>
          <description>An entity responsible for making contributions to the resource</description>
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              <text>ABMG</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <text>ABMG Editora</text>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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          <description>The nature or genre of the resource</description>
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          <name>Subject</name>
          <description>The topic of the resource</description>
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              <text>Clubes de Leitura</text>
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              <text>Bibliotecas Escolares</text>
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          <description>An account of the resource</description>
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              <text>O histórico e a formação de clubes de leitura. Mediação de leitura e formação do leitor. Relatos de pesquisa em clubes de leitura em bibliotecas escolares e espaços públicos </text>
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          <name>Source</name>
          <description>A related resource from which the described resource is derived</description>
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              <text>Relatório de evento</text>
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          <name>Language</name>
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